Afasta-te Satanaz, de hoje em diante sou eu que vou mandar no Inferno".

Precisou de ser recusado por mais de 70 editoras americanas, para Tristan Egolf, que se suicidou no passado mês de Maio, ser considerado um dos maiores autores contemporâneos, ao nível de Faulkner ou Steinbeck.
Finalmente editado na Europa pela Gallimard - Egolf tinha-se expatriado em busca do american-dream e tocava agora musica no metro de Paris, quando foi descoberto – “O Senhor das Pocilgas” (trad.em versão portuguesa pela Teorema) traça a História do percurso do Homem no Mundo, fazendo a descrição desde a perseguição e morte de um mamute na Era Glaciar, até à uma caça ao porco no Midwest americano dos nossos dias.

Corroborando esta visão entrópica de degradação ecológica, Thomas Homer-Dixon pergunta, na sua obra “Teoria da Ingenuidade: Pode a Humanidade criar uma Civilização Sustentável?” se, senão quiser soçobrar perante as armadilhas de uma complexidade labiríntica, a Humanidade não necessitará urgentemente de uma vaga revolucionária de criatividade e engenho. Com efeito a crise Global do Ambiente, assente sobre o reducionismo da Ciência pós-moderna (sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos coisas), fez cair a noção de Progresso em “profunda letargia, oscilando entre a expectativa de colapso eminente e a perspectiva duma mobilização planetária capaz de fazer a transicção para uma Sociedade sustentável” (VSM)
A isso tenta responder o Movimento dos Objectores do Crescimento ( industrial, económico, financeiro), e do pós-desenvolvimento que se constituiu no seguimento da Conferência Internacional «Desfazer o desenvolvimento, refazer o mundo» realizada em Fevereiro de 2002 em Paris, com novas iniciativas programadas no horizonte
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Segundo o relatório Pnud da ONU, os 500 indivíduos mais ricos do mundo detêm um nível total de Riqueza igual ao dos 416 milhões de criaturas mais pobres. Depois de passar pela descrição dos degradados níveis de Pobreza – 900 mil crianças mortas por ano, 10 mil que por subnutrição não atingem a idade de 5 anos – o relatório conclui afirmando que “o Globo caminha a passos largos para o desastre”

Teremos atingido o ponto de não Retorno?
O teórico marxista do Sri Lanka G.V.S. de Silva apresentou um desenvolvimento adicional do conceito de barbárie. Ele argumentou que a noção tradicional marxista dos modos de produção a evoluírem do capitalismo para o socialismo e o comunismo precisava ser revista. O capitalismo não conduz necessariamente ao socialismo ou o socialismo necessariamente ao comunismo. Ao invés disso, tanto o capitalismo como o socialismo poderiam degenerar em barbárie, a qual representava uma alternativa brutal ao comunismo. A barbárie, na concepção de Silva, devia ser definida como uma sociedade baseada simultaneamente sobre: a força, o controle ideológico na escala do 1984 de Orwell, a destruição de todo o poder contrabalançador de modo a que interesses económicos possam governar directamente com um Estado mínimo; "consumo induzido de produtos inúteis" concebidos para distrair a população; e a extrema dominação da natureza em todos os seus aspectos. Na falta de uma mudança revolucionária nas dimensões qualitativas da economia global e de um fim à exploração capitalista da natureza, o espectro da barbárie continuaria a assombrar a humanidade. Assim, GVSdeSilva concluiu sinistramente: "A barbárie em um ou dois países poderosos esmagará o resto da humanidade".
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