A falta de definições na Assembléia Geral deve-se, segundo Christian Caubet, professor de Direito da Universidade Federal de Santa Catarina e especialista em relações internacionais, à submissão da ONU a uma outra prioridade: à expansão do comércio-livre.
A reforma da ONU proposta por Kofi Annan, mas largamente impulsionada por Washington,foi liminarmente rejeitada por uma vasta coligação de Estados. Dos mais de 750 artigos propostos pelo biltre John Bolton nenhum teria alguma vez a minima chance de ser aprovado. E agora?, a Organização afirma-se, ou demite-se?

Definir um plano global para o combate à pobreza era, segundo o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o principal objetivo da 60ª Assembléia Geral da instituição, que ocorreu a semana passada em Nova York, Estados Unidos, que reuniu representantes de 191 países.
"Enfrentamos hoje uma crise energética sem precedentes no mundo. Nela se combinam perigosamente um incomparável crescimento do consumo energético, a incapacidade de aumentar a oferta de hidrocarbonetos e a perspectiva de uma diminuição nas reservas de combustíveis fósseis. O petróleo começa a acabar. Para o ano de 2020, a procura diária de petróleo será de 120 milhões de barris. Sem levar em conta futuros aumentos, será consumida em 20 anos uma quantidade similar a todo o petróleo que a humanidade gastou até este momento. O que significará inevitavelmente um aumento nas emissões de dióxido de carbono que, como se sabe, aumenta cada dia que passa a temperatura do planeta, provocando cada vez mais situações de catástrofe".
Se estes são os desafios relativamente aos centros capitalistas, nos países excluídos ou inviáveis, a situação tem-se vindo a agravar - Os países pobres pagam seis vezes mais por serviços da dívida que lhe foi impingida, do que o que recebem de ajuda para o desenvolvimento,,, e a miséria cresce! No ultimo ano os países em desenvolvimento desembolsaram fundos para pagamento de dívidas externas, de 1,174 triliões de dólares aos países ricos.
A activista peruana Virginia Vargas, que discursou na Assembleia, lembrou aos chefes de Estado presentes, o compromisso do combate à pobreza: "Faço eco às vozes insistentes e desencantadas dos movimentos sociais globais, que dizem que o mundo como está é éticamente inaceitável, politicamente devastador, económica e ambientalmente insustentável" (sururu), e continuou, "que dizem à Assembléia Geral que vocês estão perdendo uma oportunidade histórica de assumir as vossas obrigações e cumprir as vossas promessas de construir um mundo mais justo".
Outras vozes de paises pobres se fizeram ouvir: o Presidente da Assembleia Nacional de Cuba afirmou: "Estamos perante uma fraude imperdoável"!, e Hugo Chavez concluiu: "A crua realidade é que a grande maioria das metas planeadas, ainda que modestas, não serão atingidas... o objectivo de reduzir a fome à escala mundial pode ser atingida em 2215 e não em 2015. A meta de redução dos níveis de analfabetismo dificilmente será atingida em 2100. E referindo-se às "violações à legalidade internacional", numa crítica à presença das tropas norte-americanas no Iraque , o Presidente da Venezuela encerrou a questão ao acusar os Estados Unidos de apenas pretender usar a ONU para legalizar as intervenções do Imperialismo: "O povo americano sempre foi muito rigoroso com a exigência da verdade aos seus governantes. Os povos do mundo também... Por isso propomos a esta Assembléia que as Nações Unidas saiam de um país que não respeita as próprias resoluções desta Assembléia... A nova sede da ONU deve ser no Sul".
Efectivamente - As Nações Unidas esgotaram o seu modelo. O século XXI pede mudanças profundas que só são possíveis com uma refundação desta organização.
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