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quarta-feira, maio 17, 2006

"The New World"

(VIDEO)











com "O Novo Mundo" Terrence Malick fez uma obra que ficará decerto como um dos grandes momentos de cinema de sempre. (Site Oficial) e (mais fotos). O tema é o do encontro entre o europeu e o índio, percebido nos termos de uma definição e contra-definição de identidades.



Com uma beleza impressionante cada fotograma tem a estética de um quadro de arte clássica, por onde se contam as duas histórias do encontro entre duas civilizações, dando-nos com simplicidade toda a complexidade possivel, e rigorosa, na abordagem do tema. O filme conta a viagem de ida dos primeiros exploradores ingleses que fundaram a primeira colónia nas terras a que viriam a dar o nome de Virgínia, na América do Norte. E conta também o outro lado, o regresso, simbolizado na viagem a Inglaterra da índia Pocahontas, entretanto "civilizada e casada" com um colono, recebida na Corte pela Rainha. Sempre presente na atmosfera deste luminoso fresco, estão as razões de uns e outros, personificadas pela liberdade e pela vida ilimitada na Natureza de um lado, que advogava a contenção,,, pela necessidade de segurança e controlo dos medos civilizacionais, pelo outro, que levou à expansão.
A história da ida e do regresso do Ocidente, ainda não acabou.
Os caminhos dos primórdios da colonização, a ambição e a ganância desmesurada por riquezas etéreas, levam-nos a outro grande clássico: "Aguirre, the Wrath of God" de Werner Herzog (Alemanha, 1972), protagonizado por um "herói" de culto: o actor Klaus Kinski, cuja personagem acaba perdida, sózinha e louca nos confins da Amazónia.

Após cinco séculos de deambulações, perdemos o essencial, diz-nos Malick,,, perdemos o Amor como medida primordial de todas as coisas, inseridos na Natureza de que fazemos parte.

O regresso, hoje, é-nos trazido, servido em livro, pelo nosso Eduardo Lourenço, em "A Morte de Colombo" que leva como subtitulo "Metamorfose e Fim do Ocidente como Mito"
"Dir-se-ia também que, por uma vez, Lourenço se afastara de Portugal para se ir numa navegação de longo curso. Mas não: pensando Colombo, a América (ou a parte dela chamada Latina) e o Brasil, o que, de facto, Lourenço pensa é Portugal e essa Europa a que (embora num quarto com vista para o saguão) agora, de jure, pertencemos. O livro (mais uma vez) é um conjunto de textos que abarcam mais de quatro décadas de reflexão. Mas, a cada passo, seja qual for a data do artigo, nos deparamos com a intemporalidade de um pensamento arguto. Será que a Europa descobriu a América? Será que Portugal descobriu o Brasil? “Quem descobre quem?” – interroga Lourenço, ignorando as baboseiras mediáticas habituais sobre a matéria, para, logo após, responder que essa descoberta nos tornou “outros”. Pelo que, hoje – diz – nós os Europeus “somos todos índios a título póstumo”. Ponto de partida de um livro com múltiplas chegadas. Num percurso aliciante".
(Leia a crónica completa, por Rodrigues da Silva (JL), aqui)

Essa descoberta tornou-nos outros. É bem certo. E aí está problemática, a reintegração dos "conquistados" de volta à nossa cultura, através das levas de emigrantes que voltam das suas origens devastadas para descobrir os caminhos da segurança nas terras de quem os havia conquistado. São eles que nos estão a fazer outros. Pese embora que fique por debater o pequeno lapso que foi a escravatura. Ou as suas novas formas.


* 40 mil meninos estão às portas da morte no chamado Corno de África

* Valência (Espanha) constrói um altar de 2000 metros quadrados e faz obras no Arcebispado para alojar mais de 3000 bispos durante a visita de 6 dias do Papa no próximo mês de Julho

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