não, não vou falar de bolaPor estes dias, ouvindo-se o matraquear constante nos “média” do nome Alemanha, pressente-se que no essencial este país é o motor da economia europeia, e por conseguinte, da ideia de Europa que lhe está subjacente, que muitos intuiram ser construida como oposição à hegemonia anglo-saxónica dos Estados Unidos. Nada mais errado. A ideia de uma Europa como um poder único centralizado é uma criação imperialista para que assim possa ser controlada mais eficazmente pelo Império, ao mesmo tempo que funciona como sub-poder dissuasor das cada vez mais frequentes rebeldias regionais. Na prática é a séde territorial da Nato, uma aliança ofensiva destinada a intervir, na escalada bélica pós-11 de Setembro, em qualquer parte do mundo.

Kaiserlautern, no condado da Renânia, na parte oeste da Alemanha, é uma pequena cidade de cerca de 90 mil habitantes que tem uma particularidade sui-generis: mais de um terço da população, mais precisamente 38 mil, são cidadãos norte-americanos aí com residência permanente, a maioria altos quadros qualificados com high-schools, associações cívicas e shoppings próprios. Em dialecto yankee designam a “sua” cidade por “K-Town”. Aí levam uma vida, para quem conhece, um pouco como fazem os ingleses no enclave espanhol da base militar de Gibraltar.
Que faz toda esta gente, mais de 60 anos depois do fim da guerra, tão longe de casa?
filhinhos de bandeirinhas em punho, acenam ao papá que parte do emprego para bombardear mais um local algures no mundo abrangido no seu raio de acção.Kaiserlautern fica a menos de meia hora do Luxemburgo, um pequeno e irrelevante principado que se converteu numa importante praça financeira como protectorado americano, logo após a invasão e ocupação do velho continente, na sequência da 2ª Grande Guerra. Com a “neutral” Banca Suiça (comprometida com o nazismo) sobre-ocupada pelos valores depositados pela Aristocracia europeia,,, para o Luxemburgo, como alternativa, foram canalizados os capitais destinados à reconstrução da Europa devastada, no âmbito do recém criado plano Marshall. De facto a “generosa ajuda” foi “dada” com o recurso ao re-envio dos valores que se tinham refugiado no novo-mundo durante a guerra, a maior parte proveniente de judeus. Em boa verdade, foram investimentos extremamente proveitosos. No Luxemburgo actual, um dos mais elevados rendimentos per-capita do mundo, vamos hoje encontrar os headquarters de milhares de empresas multinacionais americanas que exercem através das suas filiais um controlo efectivo determinante sobre toda a economia da Europa.
Esgalhada a parte económica, que como Marx muito bem intuiu é a base de todas as outras vertentes da vida, vamos então à parte prática, a ocupação territorial de facto:

De todos os gigantescos contingentes militares americanos que ocupam Bases nos mais diversos pontos do globo, os estacionados na Alemanha são de longe os efectivos em maior número. Mais de 120 mil soldados, oficiais e pessoal técnico equiparado distribuem-se por uma infinidade de instalações e aquartelamentos um pouco por todo o país, com as mais diversas finalidades e tipos de utilização. Com um refinado descaramento, os ocupantes americanos gabam-se oficialmente de, numa espécie de tributo de guerra, obrigarem a Alemanha a prestar "generosas contribuições de um bilião de dólares anuais", só para a manutenção da maior destas áreas militares, "poupando assim muito dinheiro aos contribuintes norte-americanos" (sic) se não acredita, veja aqui - nos arredores de Kaiserlautern, está implantado o maior complexo militar norte americano no estrangeiro – o perimetro da Base Militar de Ramstein (ver mapa abaixo e a história detalhada a Base aqui). Aqui se integra o Hospital Militar de Lansthul, que serve de rectaguarda aos soldados estropiados que são devolvidos da guerra no Iraque. É aqui, do mesmo modo, que está depositado o soldado português gravemente ferido que teve o azar de não morrer na emboscada ocorrida com as nossas tropas de ocupação no Afeganistão. É uma pena, que a nossa comunicação social sensacionalista, sempre tão lesta e diligente, desta vez não o seja a entrevistá-lo, para que a nossa opinião publica possa ser devidamente esclarecida e impressionada sobre o que andam a fazer semi-clandestinamente os responsáveis politicos do país de Cavaco Silva.
Ver aqui lista de pessoal e instalações na Alemanhaou
os links oficiais das bases segundo a Embaixada dos USA
Continua tudo a postos portanto, na frente Ocidental, e talvez não fosse muito inconveniente até levantar uma pontinha do véu sobre onde se alojam as malfadadas, mas tão na moda, armas Nucleares na Europa que, vindas de outras paragens, tanto amedrontam as desinformadas plateias do espectáculo politico-mediático.
Quem fizer uma pesquisa no “google” sobre a palavra “kaiserlautern” encontrará 320 mil resultados, uma enormíssima percentagem sobre o clube de futebol da cidade. Áh!, o futebol, pois claro. O lema do clube da cidade é “Somos de novo alguém” ( Wir sind wieder wer). Conhecidos por os “Diabos Vermelhos” os adeptos dispõem de um dos oito maiores estádios que fazem parte do Mundial 2006. Em compensação não têm práticamente monumentos, todos eles destruidos pelos bombardeamentos da RAF e USAF, excepção feita a duas igrejas e a um pequeno palacete. Em alternativa dispõem de um dos maiores jardins japoneses do mundo, numa área de 13,6 kilómetros quadrados, fruto da ideia americana de geminação com a cidade de Bunkyo-Ku no Japão, curiosamente o outro país que foi o grande derrotado da guerra, cuja “Constituição” politica foi redigida pelo ocupante imposto por duas bombas atómicas, o general americano MacArthur.
o Mundial transformou Angela Merkel numa fã de futebol
ela, que antes se dizia "uma observadora tranquila"
agora também se excita e salta da cadeira como os outros

Enquanto milhões de imbecis pulam alienados e contentinhos nas ruas e nos estádios, o Governo Alemão pressiona com a sua agenda anti-social

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