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segunda-feira, outubro 16, 2006

DocLisboa 2006 - vá para fora cá dentro

uma boa oportunidade de viajar pelas grandes questões do mundo - apenas por 2 euros e meio cada bilhete - a partir do dia 20, na Culturgest

o Racismo é um problema de raiz
fundamentalmente económica


ver programação aqui



com destaque para
"Noticias lá de Casa" incluido na retrospectiva do realizador israelita Amos Gitai
"Magino Village-A Tale" de Shinsuke Ogawa, Japão, 1986
"Gitmo - The New Rules of War" (sobre Guantanamo) de Erik Gandini e Tarik Saleh, Suécia 2005
"Oxalá Cresçam Pitangas" (sobre Luanda) de Kiluange Liberdade e Ondajki
"China Blue" de Micha X. Peled, EUA 2005
"Tierra Negra" de Ricardo Iscar Alvarez, Espanha 2005
"Cartas a uma Ditadura" de Inês Medeiros, Portugal 2006
"Pátria Incerta", o drama dos povos colonizados, de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel, Portugal 2006
"Our Daily Bread", a indústria alimentar e a agricultura hi-tech, de Nikolaus Geyrhalter, Áustria 2005
"Bien Mélanger", os imigrantes, de Nicolas Fonseca, Canadá 2006

"Enron: the Smartest Guys in the Room", de Alex Gibney, Estados Unidos 2005

Este último documentário, proposto para o óscar, que encerra o DocLisboa, está a causar grande expectativa, na medida em que a falência da Enron é crucial para, no clima de ruptura do capitalismo em 2001, se entender o que foi preciso fazer, em termos de acontecimentos, para salvar o sistema da catástrofe global de bancarrota eminente, definindo as politicas que continuam actualmente a ser levadas a cabo.
Para se fazer uma pequena ideia do clima da actual economia ficcionada pelas aldrabices contabilisticas destinadas a criar mais-valias inexistentes - só no caso da Enron (13 biliões de dólares de "lucros fabricados"), a empresa energértica norte-americana que foi obrigada a falir três meses depois do 11/9, foram acusados cerca de 30 executivos, contabilistas e banqueiros - tudo arraia miúda, porque os principais centros de decisão económica não foram beliscados. O nº1 Kenneth Lay, condenado e preso, assinou promissórias no valor da sua alma com data de vencimento eterno. A Merryll Lynch e o J.P.Morgan dispenderam 1,1 mil milhões de euros em acordos extra-judiciais para pôr termo ao processo que envolvia os seus analistas, a Arthur Andresen viu-se obrigada a fechar portas por obstrução à "justiça" - o mesmo é dizer que partiram para outra - depois da falência da "nova economia" na bolsa de Nova Iorque em 2001 a grande Finança, em desespero de causa, desatou a enterrar em tijolos na construção civil os valores que conseguiu salvar. Por alguma razão, bem visivel entre nós, resultante da reconversão do mercado nos últimos anos, das 4 principais operadoras imobiliárias a operar entre nós 3 são norte-americanas e apenas 1 é nacional. Desincha dum lado, incha noutro, a essência do capitalismo é assim, com as propriedades inerentes a qualquer gaz que alastra ao maior espaço possivel, principalmente quando não é contido por nenhum invólucro de regulamentação - aí está outra: a bolha do Imobiliário pronta para rebentar a qualquer momento, situação que só não aconteceu ainda porque, com a desvalorização do valor da habitação, e perante a subida dos juros decretada lá longe pelo FED, a Banca está a segurar artificialmente o valor do crédito de quem contraiu empréstimos, sob pena de serem os Bancos os principais atingidos pela perda de valor das casas que vão ser penhoradas.












Não se pense contudo que esta se trata de uma trama exclusivamente determinada pela "crise nacional"que já todos percebemos que foi provocada. Aqui ao lado o panorama causado pela subida consertada das taxas de juro é idêntico - tornando evidente que se trata de um plano Global bem estruturado, e não dependente de bons ou maus desempenhos nacionais.
Finalmente, entre a mega-fraude Enron que lesou milhões de accionistas e consumidores e as fraudes empresariais pulverizadas destinadas agora a caçar a propriedade das classes médias, existe uma classe profissional corporativa que escapa incólume a todos os apuros e que sai sempre ilesa dos processos - se pensou nos Advogados, conforme pensou igualmente Carrie Johnson em artigo* no "Washington Post", acertou. Só no caso da Enron os procuradores formularam acusações contra 34 advogados, sem consequências. "Não é facil acusar formalmente advogados. Um dos obstáculos está na ausência de Poder de decisão invocada na negociação de acordos", diz o artigo.
Concluindo,,, se pensarmos qual é o maior grupo profissional representado no Parlamento,,,
que redigiu e fez aprovar a nova Lei do Arrendamento,,,

* (artigo traduzido no Publico, sem link"

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