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sexta-feira, junho 30, 2006

Roger Waters, o mítico lider dos Pink Floyd, escreve a letra de "The Wall" no muro da Palestina













a propósito de um concerto na passada semana efectuado na cidade de Neve Shalom, uma pequena comunidade onde coexistem árabes e israelitas, Roger Waters disse mais ou menos isto: "Poderá ser muito árdua a luta para deitar isto abaixo, mas mais tarde ou mais cedo, acabará por acontecer"
(ler a noticia completa, aqui)

perceberá, por este modesto exemplo Rui Veloso porque foi escorraçado da porta dos camarins pelo staff de Roger Waters quando pretendia ser recebido pelo artista, durante o último "Rock in Rio" que teve lugar em Lisboa?
eu digo-lhe - é porque não se pode ser um apoiante indefectivel do guerrófilo imperialista Cavaco, e sair-se incólume disso. Toma juizo veloso e limita-te à tua insignificância,,,
tem vergonha na cara, por andares a apoiar os que constroem os MUROS.

quinta-feira, junho 29, 2006

em face da invasão de Gaza

operação gueto












a Jihad Islâmica descarta o acordo alcançado por várias formações palestinianas, entre elas o Hamas, sobre o "Documento dos Prisioneiros" que reconheceria implicitamente Israel,
,,, que entretanto já chegaram a Gaza, onde cortaram o abastecimento de água e electricidade a 1,3 milhões de pessoas, após o que começaram os bombardeamentos a instalações do Hamas - acção que constitui "um crime contra a humanidade", segundo afirmou o Presidente Mahmoud Abbas, enquanto a Palestina pede a intervenção da ONU(está quieto óh preto):





leia aqui, a história que esteve na origem desta acção desmesurada no controlo dos escravos:
A história do assassinato de Murab Wafek e do sequestro do soldado Gilad Shalit

quarta-feira, junho 28, 2006

11 de Setembro - What Really Happened?

"Figuras proeminentes e bastante respeitadas defenderam que existem provas concludentes de que o 11/9 teve origem interna, afirmou Alex Jones" (citado no Publico 26/6)

Veja um documentário americano de 2005 que prova que os atentados de 11 de Setembro 2001 foram planeados pela Administração Bush. O filme pode ser visionado aqui:
http://www.loosechange911.com/ (1 Hora e 20 minutos) mas será exibido sexta-feira dia 30 na BOESG - Biblioteca dos Operários e Empregados da Sociedade Geral - que em conjunto com a InfoNature.Org, convida todos os interessados a participarem no evento. Local: BOESG - Rua das Janelas Verdes, nº 13, 1º Esq. Lisboa



Nem os jornais de referência conseguem já ignorar, sob pena de acabarem por perder a pouca credibilidade que lhes resta. Ainda assim, é com estas palavras que se referem ao que aconteceu na América no dia 11 de Setembro de 2001 que deu ao mundo dois mandatos de uma besta como Bush: "os ‘fãs’ incondicionais das teorias da conspiração que proliferam a propósito de tudo, e de nada, na América" (Correio da Manhã, 26/6):
"Envergando ’t-shirts’ com a pergunta “O Que Realmente Aconteceu?”, juntaram-se num encontro num hotel em Los Angeles, participantes das mais diversas áreas, incluindo físicos, filósofos e especialistas em terrorismo. Em comum, o facto de todos eles discordarem da versão oficial dos atentados que mudaram o Mundo. Durante o fim-de-semana 1200 pessoas deram corpo àquilo que a organização qualificou como a maior conferência de teorias da conspiração sobre os ataques de Washington e Nova Iorque".
Como assim, "conspiração"?
As televisões americanas reportaram em directo as explosões responsáveis pela implosão do WTC

"A 11 de Setembro de 2001, enquanto as torres do World Trade Center se mantinham ainda de pé após o embate dos aviões, as televisões, Fox News, NBC e outras, reportaram em directo as explosões que estavam a acontecer dentro dos edifícios. Estas imagens nunca mais voltaram a passar nas televisões norte-americanas"
(Ver outro Video aqui, no "Homem nas Cidades")




É preciso fazer compreender as pessoas que soldados estão a ser enviados para cada vez maiores carnificinas por,
CRIMINOSOS E MENTIROSOS NOS GOVERNOS QUE UM DIA TERÃO DE SER JULGADOS





Clique para ver "A Mentira do Século"


e como tratam actualmente os NEOCONS um evento que teve 3000 vítimas directas?


Anne Coulder, uma colunista de extrema-direita, comentadora da "Fox News", autora de vários best-sellers, (uma mistura de MargarinaRebeloPinto e ZéManelFernandes), sobre um grupo de viúvas do 11 de Setembro de New Jersey, disse textualmente:
"Essas cabras estão milionárias, passeiam-se na imprensa com o estatuto de celebridades. Não sei de mais ninguém que tenha tirado tanto partido da morte dos maridos como elas"



Por detrás de cada Grande Lider, está sempre um Grande Design

"A verdade chocante acerca da ocupação americana do Iraque" Robert Fisk

Timor,,, ultimas do golpe silencioso

actualização 29/6
Nuno Antunes, um consultor que trabalhou com Alkatiri nas negociações sobre o petróleo: "tenho é poucas dúvidas de que as declarações de apoio a Xanana Gusmão e a Ramos-Horta por parte da Austrália em geral têm muito a ver com o facto de o primeiro-ministro timorense ser quem é. A Austrália não perdoa o acordo que Mari Alkatiri conseguiu obter que prejudicariam os Territórios do Norte da Austrália"
ler a entrevista completa,aqui

2ª fase: Xanana "Karzai" Gusmão "governa" por decreto, sob a vigilância das forças invasoras. Xanana, anunciou hoje que vai iniciar "imediatamente" diligências para a formação de um novo governo no âmbito do "actual quadro parlamentar" e que só dissolverá o Parlamento se isso não for possível.(Lusa). A FRETILIN, liderada por Mari Alkatiri, é o partido maioritário em Timor-Leste, com 55 dos 88 deputados do Parlamento Nacional.
Como assim,,, "não é possivel"?
"A formação do novo governo em Timor- Leste deve ter em conta a maioria parlamentar da FRETILIN, mas também as dúvidas quanto à legitimidade da sua actual liderança", disse hoje José Ramos-Horta à televisão australiana ABC,o canal australiano de televisão ao serviço da golpada (um caso de memória curta)
"15 mil apoiantes do ex- PM de Timor-Leste Mari Alkatiri manifestaram-se fora de Dili na terça-feira, dizendo que querem marchar até à capital. Mas o Sr Alkatiri, que resignou entre criticismo crescente da sua gestão de semanas de desassossego, pediu-lhes para esperarem "um dia ou dois " antes de entrarem na cidade" (BBC)
Entretanto, a noite vai longa iluminada pelas fogueiras criminosas dos homens do Tara e do Railos, e perseguições a casas de elementos e simpatizantes da FRETILIN, com o beneplácito das forças ocupantes.
ultimas noticias em:
http://timor-verdade.blogspot.com/
http://www.timor-online.blogspot.com/

terça-feira, junho 27, 2006

o referendo em Itália

O "não" à reforma da Constituição italiana vence com 62,3% dos votos contra 37,7% do "sim"
No referendo, o "sim" à proposta apresentada pelo anterior governo de Berlusconi, pretendia a transformação definitiva do Estado Italiano numa coutada dos grandes grupos de interesses, propondo aceitar ou rejeitar uma reforma da Constituição de tipo federalista, que aumentaria atribuições do primeiro-ministro em detrimento do chefe de Estado, além de conceder maior autonomia às 20 regiões da península.
(ver noticia na Ansa.it)








na foto: Silvio Berlusconi, o Gianfranco Finni da Liga do Norte neofascista e o Núncio Apostólico de Roma (à civil) em peregrinação ao Grand Karalhyon, nos United States of America.

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Nota sobre a Virose NEOCON
Há cerca de uma semana uma vara de recos de extrema-direita monitorizou com assiduidade este blogue, desaparecendo entretanto das caixas de comentários, como quaisquer vândalos que se prezem, sem deixar rasto. Mas na passada sexta feira 23, o post sobre a a "ocupação da Alemanha pelas forças Militares Norte-americanas", foi alvo de um ataque, que replicou por centenas de vezes o seu conteúdo, tornando-o sobremaneira pesado, invializando por completo a abertura do blogue, que esteve práticamente inoperacional durante quase 3 dias. É com imenso regozijo que desejo enviar-lhes um muito obrigado por não gostarem do que aqui podem ler, e reiterar-lhes que esse tipo de ataques apenas me motivam para tentar ser cada vez mais eficaz a desmascarar as "altas personalidades" da pocilga onde vcs chafurdam; serviço cívico completamente à borla, podem crer.

segunda-feira, junho 26, 2006

Induzida por forças exteriores,,,

,,,a actual crise em Timor Leste tem a Austrália como principal responsável, assegurou Alfredo Assumpção, ex-Chefe do Estado Maior da ONU no território entre 2000 e 2001. O general português aposentado, numa entrevista de ontem assinalou que o governo de Camberra é o principal inimigo de Timor Leste e que sempre desejou controlar o processo de autonomia – “o que interessa aos australianos é o petróleo e o gaz, e para isso nada melhor que estarem fisicamente presentes para controlar o sistema politico no país e o modo como são geridas essas fontes de riqueza”. Até ao momento, explicou, não tinham tido êxito porque o Presidente timorense Xanana Gusmão e o primeiro ministro Mari Alkatiri estavam unidos, porém a ruptura dessa união abre o caminho para tomarem o controlo. Como é sabido, segundo o Presidente, a permanência no cargo do primeiro ministro apoiado pelo partido maioritário no Parlamento, a Fretilin (Frente Revolucionária para a Libertação de Timor) começou de repente (sem mais nem menos?) a “ameaçar a continuidade do Estado democrático”.

Revisão da matéria dada:
O caos começou em finais de Maio, quando o governo decidiu despedir 600 soldados, quase metade do exército, que disseram ter sido vítimas de descriminação étnica. Os militares despedidos protagonizaram uma rebelião que causou cerca de 30 mortos e 100 mil pessoas desalojadas, o que requereu o pedido de ajuda de tropas internacionais para controlar a situação; dois mil militares e policias da Austrália, Nova Zelândia; Malásia e Portugal, chegaram à capital timorense, onde todavia persistem focos de violência. Na passada sexta feira 23, vários helicópteros australianos patrulharam a cidade seguindo com atenção alguns milhares de manifestantes trazidos em camionetas de todo o território para apioarem o chefe de Estado.
"Se cada vez que 300, 400 ou mil pessoas que se juntam e pedem a demissão do Governo ou dissolução do Parlamento Nacional isso acontecer, significa que nem vale a pena estar a pensar em eleições. Ficaríamos com um país ingovernável , o protótipo de um Estado falhado", sublinhou Mari Alkatiri.
O primeiro ministro é acusado de haver armado milícias civis para eliminar os rivais políticos, acusações que nega e relaciona com a campanha para o obrigar à sua renúncia. Alkatiri de maneira nenhuma assume demitir-se e só admitiu a possibilidade de abandonar o Ministério dos Recursos Energéticos, mostrando a máxima flexibilidade e abertura. A situação é tão complexa que uma decisão precipitada pode complicar ainda mais as coisas, assegurou o chefe do Governo, que referir serem as declarações de Xanana Gusmão inoportunas, ao mesmo tempo que a Fretilin convoca uma manifestação que pretendeu juntar vinte mil apoiantes de Alkatiri em Dili
Na sequência de desacordos com a estratégia a seguir no impedimento dos manifestantes acederem a Dili, José Ramos Horta acabaria por pedir a demissão. (ver noticia da Lusa).
A decisão da FRETILIN (ver aqui o Comunicado) não está de acordo com o desejo dos golpistas, mas é a única que continua a fazer valer a Constituição da República. Mudar só por força do voto popular.
Fernando Araújo (PD) sabe que nunca será governo de forma constitucional, logo esta é a mais apetecida caminhada de assalto ao poder com o apoio de Xanana Gusmão. Xanana até pode pedir a dissolução do Parlamento, mas nunca esquecerá que o fez sem base constitucional. Se o parlamento não funciona e as instituições estão de novo paralisadas só se deve a uma estratégia concertada de manifestações dos amigos do presidente e dos australianos para que assim aconteça.
Obviamente que toda esta estratégia só resulta pelo grande apoio das tropas australianas aos manifestantes pró-golpistas no terreno. Recordemos que a paralisia parcial aconteceu com a entrada das tropas australianas - está nos registos mundiais, que os media internacionais testemunharam e deram a conhecer ao mundo.
No meio de tudo isto fica o presidente Xanana - numa encruzilhada da tal "guerra da esperteza" ganha como afirmou perante os seus manifestantes.

Actualização:
Receita tradicional aplicável ao 3º mundo, em caso de PREC


* Numa acção concertada Paul Wolfowitz, o judeu ideólogo da tomada de Poder pelos Neocons nos EUA, hoje à frente do Banco Mundial, escreveu no Público, um artigo onde, depois da habitual lenga-lenga sobre "democracia", ameaçou concluindo que "a abordagem unida em prol da paz e da recuperação pode não voltar a surgir".

* Baseado nas declarações de um manhoso ex-guerrilheiro, Vicente "Railós", visto na varanda com Xanana "Karzai" Gusmão, o "Público" assevera que o ex-ministro da Defesa Rogério Lobato, "está em prisão domiciliária e está sujeito a uma pena de 15 anos de cadeia se acaso se confirmar a acusação". Fica dito, mesmo antes que exista qualquer investigação ou matéria provada para julgamento - os Media subsituem os Tribunais, julgando de facto quem acham que estorva a prossecução dos interesses dos patrões da Imprensa&AssociadosPoliticos, SA.
* para concluir a Santissima Trindade:
A Igreja abençoou a demissão de Alkatiri, mandando celebrar uma missa onde um coro cantou o "Vem com Alegria", como corolário do seu já longo rol (leva mais de um ano) de acções para denegrir o agora ex-1º ministro com o rótulo de "comunista".

* "Timor Leste: Uma Nova Guerra Fria" por Maryann Keady:
"Há três anos, escrevi uma peça sobre as tentativas de correr com o PM Mari Alkatiri em Timor Leste, então uma nova nação independente que porfiava. Escrevi que acreditava que os USA e a Austrália estavam determinados a correr com o líder timorense, devido à sua posição dura sobre o petróleo e o gás, a sua determinação em não aceitar empréstimos internacionais, e o desejo deles de verem tomar o poder o Presidente Xanana Gusmão, amigo da Austrália".
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* "Timor Leste, o golpe que o mundo não percebeu", por John Pilger:
"No meu filme de 1994, A morte de uma nação (Death of a Nation) há uma cena a bordo de um avião a voar entre o norte da Austrália e a ilha de Timor. Decorre uma festa; dois homens engravatados estão a brindar-se com champanhe. "Isto é um momento histórico único", exulta Gareth Evans, ministro das Relações Exteriores da Austrália, "um momento histórico verdadeiramente único". Ele e o seu homólogo indonésio, Ali Alatas, estavam a celebrar a assinatura do Tratado do Estreito de Timor (Timor Gap Treaty), o qual permitiria à Austrália explorar as reservas de gás e petróleo no fundo do mar de Timor Leste. O prémio supremo, como disse Evans, eram "zilhões" de dólares"
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domingo, junho 25, 2006

do Iraque: os numeros impressionantes do horror



110 militares norte americanos feridos por semana, apenas 6% dos quais oficiais
12500 médicos e pessoal paramédico em comissão de serviço

Através do "Los Angeles Times", siga a pista dos soldados que regressam estropiados, em três fases:
1ª parte: trazê-los para a rectaguarda com o coração a bater, com a consciência que têm alma e com as cirurgias feitas
2ª parte: o dia seguinte ao trauma, aprender a conviver com o Hospital
3ª parte: o regresso a casa, e a constatação das suas vidas destruidas

"Eu penso que apenas preciso de alguns dias sem ter explosões à minha volta"
Corbin Foster, um dos 17400 feridos graves regressados, citado como sendo as suas primeiras palavras para sossegar a familia.


"Porquê o Iraque debaixo das patas de Bush ficou pior do que com Saddam?"
um artigo de William Blum no CounterPunch
traduzido p/ espanhol, aqui

sábado, junho 24, 2006

o Direito ao Trabalho nos paises ricos- e o direito à não emigração nos paises pobres

a noticia: "O II Forum Mundial das Migrações reclama a Cidadania Universal"
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Este ano o 1ºde Maio foi diferente. Tornadas inoperantes, as manifestações dos Sindicatos institucionalizados coniventes com o Poder deram lugar a lutas mais amplas, fora do âmbito da contratação colectiva mandada às urtigas pelos neoliberais, que visam agora apenas o Direito de Cidadania. De descida em descida, se vai descendo até se chegar, no caso dos excluidos, a implorar o simples direito de existir."Somos homens, não somos Mão-de-Obra", dizem.
A mão de obra qualificada nos Estados Unidos bate em retirada, à procura de melhores condições, diante das forças da Globalização (um eufemismo para a nova concepção do velho Imperialismo) que, depois de na época dourada do colonialismo ter devastado o 3º Mundo, diminuem agora os salários e a protecção social arrasando os trabalhadores no interior dos seus próprios paises.














traduzido do artigo de David Streitfeld, publicado no
Los Angeles Times” - "A Mão de Obra nos Estados Unidos"

"Recentemente a empresa Delphi Corporation, fabricante de componentes apresentou aos seus trabalhadores a redução dos seus salarios em cerca de dois terços.
É uma das propostas salariais mais radicais que já alguma vez terá sido solicitada a trabalhadores sindicalizados. Ao mesmo tempo os trabalhadores da General Motors Corp. aceitavam financiar provisoriamente dos seus bolsos milhares de dólares relacionados com as suas coberturas de seguros de saúde. Os empregados da Ford Motor Co. E da Daimler-Benz enfrentarão seguramente exigências similares. As forças que golpeiam os trabalhadores da Delphi e da GM são versões extremas do que está a acontecer no mercado de trabalho norte-americano, em que os riscos económicos tais como o desemprego ou os gastos médicos, anteriormente assumidos pelos empregadores e pelo governo, estão actualmente a cargo dos trabalhadores norte-americanos e suas famílias. Depois de quatro anos de recuperação económica, todos os trabalhadores norte-americanos deveriam estar a evoluir de vento em popa. Mas ao contrário disso, estão confrontados com uma nova ofensiva tendente a obrigá-los a a abandonar uma série de benefícios esforçadamente adquiridos e a aceitar diminuições nos seus salários. As empresas explicam que estes cortes são vitais para poderem manter a competitividade numa economia crescentemente globalizada. Nos últimos tempos, têm aparecido muitos casos novos, e não só na indústria. Os trabalhadores das 71 maiores superfícies comerciais do ramo alimentar da cadeia Farmer Jack no Michigan aceitaram uma redução salarial de 10%, para que a empresa pudesse ser mais facilmente vendida a um novo proprietário. Centenas de trabalhadores de uma fábrica de tubos em Aubum, no Indiana, aprovaram uma baixa sobre um salário de 18 dolares por hora para manter a fábrica em funcionamento. Os funcionários da Policia de Wyandotte, no Michigan, aceitaram o congelamento de salários durante os próximos três anos e o aumento dos descontos efectuados para a Medicaid. Jerry Jasinowski, presidente do Manufacturing Institute National Asseignment, declarou que tal tipo de concessões se convertem em moeda corrente. Os pilotos de linha, os trabalhadores em cadeias de produção, os empregados em geral, devem contribuir e reduzir os preços dos contratos de trabalho”, declarou. “Nós não estamos em condições de sobreviver mantendo as generosas protecções sociais acordadas faz 10 ou 15 anos”. Várias causas explicam a redução da influência dos trabalhadores: - pela existência de uma maior procura de emprego no mercado de trabalho e pala deslocalização da produção para países com mão de obra barata como a China ou a Índia. Alguma sociedades, que competem com produtores rivais que produzem a menores custos, expressam que não se podem permitir o mínimo aumento. E em casos de empresas prósperas, os elevados prémios de seguros de saúde devem ser financiados com os fundos que seriam utilizados em aumentos. Segundo uma sondagem recente efectuada pela Kaiser Family Foundation e pelo “Health Research and Educational Trust" sómente 60% das empresas ofereciam aos seus empregados cobertura de saúde, comparado com 66% em 2003 e 69% em 2000. E os empregadores exigem maior produtividade dos trabalhadores com o mesmo salário.
Continue a ler"a Mão de Obra nos Estados Unidos", aqui (em espanhol)

Sucede porém que este tipo de imobilismo retrógado e a baixa de Salários tem como única finalidade contribuir para amortizar a Inflação causada pela constante e inevitável subida de juros decretada no Centro do Capitalismo pelo FED e pelo Banco Mundial, por forma a que este não possa ser beliscado por eventuais interesses da escória humana que para sobreviver só pode recorrer à venda da sua força de trabalho.
e como se chegou ao "sindicalismo" que temos nas periferias, e no 3º mundo, e que desarmou os trabalhadores?
não perca o próximo episódio:
"O Sindicalismo "livre" no Ocidente é um derivado do liberalismo americano e uma construção de longo curso levada pacientemente a efeito no pós-guerra"

sexta-feira, junho 23, 2006

Kaiserlautern, Germany - o sabor amargo da derrota

não, não vou falar de bola












Por estes dias, ouvindo-se o matraquear constante nos “média” do nome Alemanha, pressente-se que no essencial este país é o motor da economia europeia, e por conseguinte, da ideia de Europa que lhe está subjacente, que muitos intuiram ser construida como oposição à hegemonia anglo-saxónica dos Estados Unidos. Nada mais errado. A ideia de uma Europa como um poder único centralizado é uma criação imperialista para que assim possa ser controlada mais eficazmente pelo Império, ao mesmo tempo que funciona como sub-poder dissuasor das cada vez mais frequentes rebeldias regionais. Na prática é a séde territorial da Nato, uma aliança ofensiva destinada a intervir, na escalada bélica pós-11 de Setembro, em qualquer parte do mundo.












Kaiserlautern, no condado da Renânia, na parte oeste da Alemanha, é uma pequena cidade de cerca de 90 mil habitantes que tem uma particularidade sui-generis: mais de um terço da população, mais precisamente 38 mil, são cidadãos norte-americanos aí com residência permanente, a maioria altos quadros qualificados com high-schools, associações cívicas e shoppings próprios. Em dialecto yankee designam a “sua” cidade por “K-Town”. Aí levam uma vida, para quem conhece, um pouco como fazem os ingleses no enclave espanhol da base militar de Gibraltar.
Que faz toda esta gente, mais de 60 anos depois do fim da guerra, tão longe de casa?

filhinhos de bandeirinhas em punho, acenam ao papá que parte do emprego para bombardear mais um local algures no mundo abrangido no seu raio de acção.

Kaiserlautern fica a menos de meia hora do Luxemburgo, um pequeno e irrelevante principado que se converteu numa importante praça financeira como protectorado americano, logo após a invasão e ocupação do velho continente, na sequência da 2ª Grande Guerra. Com a “neutral” Banca Suiça (comprometida com o nazismo) sobre-ocupada pelos valores depositados pela Aristocracia europeia,,, para o Luxemburgo, como alternativa, foram canalizados os capitais destinados à reconstrução da Europa devastada, no âmbito do recém criado plano Marshall. De facto a “generosa ajuda” foi “dada” com o recurso ao re-envio dos valores que se tinham refugiado no novo-mundo durante a guerra, a maior parte proveniente de judeus. Em boa verdade, foram investimentos extremamente proveitosos. No Luxemburgo actual, um dos mais elevados rendimentos per-capita do mundo, vamos hoje encontrar os headquarters de milhares de empresas multinacionais americanas que exercem através das suas filiais um controlo efectivo determinante sobre toda a economia da Europa.
Esgalhada a parte económica, que como Marx muito bem intuiu é a base de todas as outras vertentes da vida, vamos então à parte prática, a ocupação territorial de facto:


De todos os gigantescos contingentes militares americanos que ocupam Bases nos mais diversos pontos do globo, os estacionados na Alemanha são de longe os efectivos em maior número. Mais de 120 mil soldados, oficiais e pessoal técnico equiparado distribuem-se por uma infinidade de instalações e aquartelamentos um pouco por todo o país, com as mais diversas finalidades e tipos de utilização. Com um refinado descaramento, os ocupantes americanos gabam-se oficialmente de, numa espécie de tributo de guerra, obrigarem a Alemanha a prestar "generosas contribuições de um bilião de dólares anuais", só para a manutenção da maior destas áreas militares, "poupando assim muito dinheiro aos contribuintes norte-americanos" (sic) se não acredita, veja aqui - nos arredores de Kaiserlautern, está implantado o maior complexo militar norte americano no estrangeiro – o perimetro da Base Militar de Ramstein (ver mapa abaixo e a história detalhada a Base aqui). Aqui se integra o Hospital Militar de Lansthul, que serve de rectaguarda aos soldados estropiados que são devolvidos da guerra no Iraque. É aqui, do mesmo modo, que está depositado o soldado português gravemente ferido que teve o azar de não morrer na emboscada ocorrida com as nossas tropas de ocupação no Afeganistão. É uma pena, que a nossa comunicação social sensacionalista, sempre tão lesta e diligente, desta vez não o seja a entrevistá-lo, para que a nossa opinião publica possa ser devidamente esclarecida e impressionada sobre o que andam a fazer semi-clandestinamente os responsáveis politicos do país de Cavaco Silva.

Ver aqui lista de pessoal e instalações na Alemanha
ou
os links oficiais das bases segundo a Embaixada dos USA

Continua tudo a postos portanto, na frente Ocidental, e talvez não fosse muito inconveniente até levantar uma pontinha do véu sobre onde se alojam as malfadadas, mas tão na moda, armas Nucleares na Europa que, vindas de outras paragens, tanto amedrontam as desinformadas plateias do espectáculo politico-mediático.

Quem fizer uma pesquisa no “google” sobre a palavra “kaiserlautern” encontrará 320 mil resultados, uma enormíssima percentagem sobre o clube de futebol da cidade. Áh!, o futebol, pois claro. O lema do clube da cidade é “Somos de novo alguém” ( Wir sind wieder wer). Conhecidos por os “Diabos Vermelhos” os adeptos dispõem de um dos oito maiores estádios que fazem parte do Mundial 2006. Em compensação não têm práticamente monumentos, todos eles destruidos pelos bombardeamentos da RAF e USAF, excepção feita a duas igrejas e a um pequeno palacete. Em alternativa dispõem de um dos maiores jardins japoneses do mundo, numa área de 13,6 kilómetros quadrados, fruto da ideia americana de geminação com a cidade de Bunkyo-Ku no Japão, curiosamente o outro país que foi o grande derrotado da guerra, cuja “Constituição” politica foi redigida pelo ocupante imposto por duas bombas atómicas, o general americano MacArthur.
afinal sempre acabo por falar de bola
o Mundial transformou Angela Merkel numa fã de futebol
ela, que antes se dizia "uma observadora tranquila"
agora também se excita e salta da cadeira como os outros


Enquanto milhões de imbecis pulam alienados e contentinhos nas ruas e nos estádios, o Governo Alemão pressiona com a sua agenda anti-social

quinta-feira, junho 22, 2006

há que correr com eles, seja com paus, com pedras,,, enfim, com tudo o que estiver à mão

NATO abandona Ucrânia

O último grupo de militares norte-americanos, inseridos num contingente da NATO, abandonaram Feodosia, na Ucrânia na segunda-feira, devido às concentrações de protesto dos populares. Os manifestantes decidiram continuar mobilizados na zona do porto até que o Parlamento tome uma decisão sobre a presença de tropas estrangeiras em território ucraniano.
Os soldados foram deslocados para Simferopol, escoltados por veículos de patrulha, e daí seguiram para a Alemanha por via aérea. Na Ucrânia permanece um grupo de guarda de seis homens, que vigiam os 70 contentores desembarcados pelo navio e que contêm 30 toneladas de munições e espoletas para detonar explosivos.
ler mais

"as bombas conseguem sempre criar mais inimigos do que aqueles que conseguem esventrar"
Eduardo Galeano
California Dream
a seu tempo, este foi o titulo de uma canção de Roy Orbison que obteve grande sucesso,,, mas não teria sido aí, certamente que o "nosso" Presidente daRés-publica se inspirou para "amandar aquela boca" de que haveriamos de ser a "califórnia da Europa"

afinal a ideia foi, em prime time, encomendada a uma Agência de Comunicação e Publicidade Multinacional: a BBDO

e aí vai ele, de peito em riste e cabelos arrepiados ao vento
tendo como pano de fundo a bandeira
que agora serve para vender quase tudo
em cima de um "jeep" militar, a caminho do Oeste
desbravando as pradarias para os gringos
"Somehow, someway But I don't know when
Still missing you California Blue"*

(* da letra da canção)

quarta-feira, junho 21, 2006

finalmente,,, o epilogo do golpe dos cangurus

Na sua visita a Cuba, em Dezembro de 2005, Mari Alkatiri efectuou acordos de cooperação internacionalista, nas áreas da Saude e Educação, sectores chave para o desenvolvimento humano dos 770 mil habitantes do pequeno protectorado Ocidental - Não tardou muito tempo a reacção - irá pagar caro a ousadia de ter pretendido o bem para o seu povo.
Xanana Gusmão exige demissão de Mari Alkatiri
Xanana Gusmão, "presidente desse país amigo", como se lhe referiram os interlocutores cubanos, elogiou então o trabalho que os médicos cubanos ali desenvolvem, assím como expressou a sua "admiração pela Revolução (cubana)" num acto público levado a efeito na recém inaugurada Faculdade de Medicina de Timor Leste.
Que teria levado Xanana a mudar de discurso?
Recorde-se que um dos primeiros casos, após a invasão da "ajuda australiana" foi o arrombamento das casas dos cooperantes cubanos, em busca de armamento escondido, que nunca foi encontrado; quem sai aos seus,,,

+ desenvolvimentos:
* Xanana Gusmão ameaçou demitir-se, caso o primeiro-ministro não aceite deixar a chefia do governo.
* Fretilin vai propor solução de compromisso ao Presidente



www.timor-online.blogspot.com

terça-feira, junho 20, 2006

Rumo à Bioescravidão: Próxima paragem: Auschwitz

a noticia: o Chefe de Estado teve acesso a um admirável mundo novo, as biociências e a biotecnologia, enquanto à margem elogia o "choque tecnológico de Sócrates", feito de forma económica poupadinha, na base dos mesmos tijolos de sempre, empregues na construção desbragada de dezenas de milhares de camas no litoral alentejano e no Alqueva para turistas ricaços.

artigos de referência:
* "O Espectro do Eugenismo Liberal, o Capitalismo Biotecnologico" – de José Luis Garcia publicado originalmente no Le Monde Diplomatique em Novembro de 2003.
* "A Biodiversidade e o futuro da Vida" - Leonardo Boff, na Adital
* "Anarco Capitalismo, o Homem Modificado pelo Mercado" – Dany-Robert Dufour publicado no "Le Monde Diplomatique" em Maio de 2005
* "Terminator: rumo à bioescravidão" - Silvia Ribeiro, Agência Carta Maior
* "Eugenismo - O imperialismo genético" - Vandana Shiva


Abre-se a tela. Encontramo-nos no interior de um comboio que viaja a uma velocidade inusitada. Vai tão rápido, que a paisagem destruída no exterior não pode ser observada com um simples olhar. Cómodamente sentados viajam dois passageiros em frente um do outro. Um deles é uma inquietante QUIMERA TRANSGÉNICA cujo aspecto nos pode fazer recordar o seu, prezado leitor, ou o dos seus próprios filhos. O outro viajante é um CIDADÃO de face verde-molusco-esponjosa que se desloca como sempre, todos os dias, para realizar a sua obra de arte particular.
CIDADÃO: Desculpe-se me o incómodo, porém não posso evitar perguntar-lhe ¿O senhor não será uma QUIMERA TRANSGÉNICA?
QUIMERA TRANSGENICA: Sou sim; e como deve calcular, dirijo-me ao matadouro, dado que o meu ciclo vital de vida está concluido.
CIDADÃO: Para o matadouro em carruagem de primeira?. ena,,, Quanto me alegro. Mas diga-me; ¿o senhor o que é? Gado vacum, frango, porco ¿ou alguma das nossas outras especialidades exóticas?
QUIMERA TRANSGÉNICA: Metade homem e metade salsichão de carneiro. Mas tome atenção: salsichão autêntico, nada de falsificações, sou cem por cento biológico.
CIDADÃO: Permíta-me que o felicite, o senhor é das nossa melhores criações. E por favor, deixe-me que o convide a tomar uma destas pílulas azuis enquanto continuamos a nossa conversa.
QUIMERA TRANSGENICA: Que cor bonita ¿ São de quê?
CIDADÃO: A sua composição é-me completamente desconhecida, porém produzem um são e desconcertante bem-estar.
QUIMERA TRANSGENICA: (Tomando uma pastilha e rindo-se imediatamente) É verdade, ah, ah,. Sim, sim ah, ah, ah.
CIDADÃO: (Tomando outra) ah, aha, ah, tá boa,,, ah, ah, ah
QUIMERA TRANSGÉNICA: ¿Porque nos estamos a rir?
CIDADÃO: Não sei, se calhar foi porque tomámos estas pilulas azuis.
QUIMERA TRANSGÉNICA: Não me recordo.
CIDADÃO: Efectivamente, potenciam artificialmente o riso, porém reduzem automáticamente a memória. É chato mas dá vontade de rir ¿não é verdade?.
QUIMERA TRANSGENICA: é verdade, é verdade…Acho que depois destes risos incontroláveis podemos considerarmo-nos amigos, grandes amigos, amigos para toda a vida.
CIDADÃO: Claro, podemos inclusivé fazer confidências um ao outro, como fazem os camaradas.
QUIMERA TRANSGÉNICA: ¿Então posso-te contar um pequeno segredo?
CIDADÃO: Com certeza, mano.
QUIMERA TRANSGÉNICA: Por vezes, sem vir nada a propósito, sinto umas ganas irrefreáveis de escapar antes de chegar ao matadouro. ¿É grave?
CIDADÃO: Não é nada pá! É simplemente um síntoma de humanidade que te sobrou, mas não te preocupes, podes sempre ser redesenhado. Essa é uma das grandes vantagens do nosso sistema de Segurança Social. Em qualquer caso tu és quase humano, e cedo chegará o dia em que as Quimeras Biotecnológicas se igualem ao género humano.
Todo o ser vivente desde as bactérias, plantas, moluscos, crustáceos, anfíbios, aves, peixes e mamíferos, se vão poder considerar humanos. Não haverá então nenhuma diferença. Seremos iguais. O acto de matar para comer acabará. As biotecnologías solucionam o problema. Podemos alimentarmo-nos graças à auto-regeneração automática dos nossos corpos. Eu dou-te uma dentada, e tu dás-me outra dentada a mim, em plena fraternidade. Que fixe?, não é?
QUIMERA TRANSGENICA: Deve ser, mas, depois disso ¿quem fará o trabalho dos escravos?
CIDADÃO: Enquanto bestas, homens, e organismos unicelulares seremos todos iguais, o trabalho degradante será realizado por máquinas. Mas, antes que as máquinas sejam convertidas em homens, viveremos uma idade de ouro onde o vivente mostrará ao mundo as suas potencialidades criativas. ¿ Podes imaginar umas meras algas convertidas num Newton, num Sócrates, ou num Dalí?
QUIMERA TRANSGÉNICA: E então marcharemos juntos de mão dada até a um novo amanhecer da humanidade
CIDADÃO: Já estamos em marcha. De facto as bestas biotecnológicas já têm os mesmos direitos que o homem. Conquanto seja um dado adquirido que o ser humano já foi libertado do trabalho alienado, persistem todavia lugares onde as máquinas ainda não podem chegar, e aí estão vocês, as Quimeras Transgénicas, nas minas, nos sistemas de esgotos, nas cadeias de produção, nas oficinas, durante um breve período, até que a técnica os liberte também, como fez connosco.
QUIMERA TRANSGÉNICA: ¿ E sabe-se lá a que maravilhas nos levará este comboio (!),,,
CIDADÃO: ¿Estás a ver este botão?
QUIMERA TRANSGÉNICA: Sim, estou a ver.
CIDADÃO: Se carregares nele sucedem sempre duas coisas. Por exemplo, que as luzes da minha casa se acendam e apaguem como numa discoteca, ao mesmo tempo que, muito provavelmente, este mesmo acto provoca um pequeno holocausto nalgum lugar desconhecido do mundo
QUIMERA TRANSGÉNICA: É pá! Isso é terrivel!
CIDADÃO: Pois! Concerteza que não é nenhuma maravilha. Digamos que é um efeito secundário, um desastre quotidiano que a ciência deverá mesmo ter de solucionar. Esta é a minha confidência querido amigo.
QUIMERA TRANSGÉNICA: Prometo que guardarei o segredo.
CIDADÃO: Áh pois; o que é certo é que agora já sabes demais. Acho que vou ter de te matar aqui mesmo, antes de chegares ao matadouro, não te vás tu rebelar.
QUIMERA TRANSGÉNICA: Juro pelo meu código genético que não me ocorreu al ideia.
CIDADÃO: Se calhar, por mero acaso,,,
QUIMERA TRANSGENICA: E se eu saltar em marcha,,,
CIDADÃO: Morres desintegrado.
QUIMERA TRANSGENICA: Então é isso? ¿ o teu projecto de libertação animal, a tua democracia criativa total, o tal mundo novo que me anunciavas?
CIDADÃO: A seu tempo querido amigo. De momento o ganho biotecnológico adquirido deverá acudir em primeiro lugar às oficinas e aos matadouros pontualmente. Logo os iremos liberalizar a vocês, não se preocupem, e sobretudo, não se queiram antecipar. ¿Ou por acaso crês que vamos renunciar a estes dias de vinho e rosas sem antes assegurarmos um novo modelo de escravo?. Queres um conselho; disfrutem da vossa condição enquanto possam.
QUIMERA TRANSGÉNICA: ¿E assim se acaba esta história?
CIDADÃO: Sim, enquanto o comboio não chega à próxima paragem

(adaptado de diálogo recebido por email, em espanhol)

segunda-feira, junho 19, 2006

"As ideias dominantes numa determinada época, nunca passaram das ideias da classe dominante dessa época"
Karl Marx

A incursão americana do “artista maior da Revolução Mexicana”, Diego Rivera, na década de 30/40, despoletou os fantasmas que afinal sempre estiveram por trás da “revolução americana” na “pátria da liberdade” – depois do acto de Censura primordial da iniciativa privada no Rockefeller Center, imposta a Rivera – os gangs da Finança, do Controlo dos Media e da Politica que sempre parasitaram a órbita do Poder nos Estados Unidos mostraram as garras no período mais vergonhoso da sua história (antes de Bush) – a perseguição a quem tivesse a mais leve simpatia pelas ideias Socialistas – a caça às bruxas, que ficou conhecida por McCarthismo. Aí se notabilizou como bufo, um obscuro actor de série B de Hollywood: Ronald Reagan.(O nerd de ontem é o homem feito dos dias actuais) Se assim foi na politica e na comunicação social, cuja captura pelos atrás citados gangs, ficou magistralmente registada por Orson Welles (um dos perseguidos) em “Citizen Kane”, na Economia, as ideias do lord inglês Keynes ainda se reclamavam do Socialismo, do pleno emprego e de outras tretas impossíveis de serem atingidas através de um sistema de facto capitalista. Ao contrário, a concentração monopolista,,, a luta pela supremacia no controlo dos mercados, como Marx havia previsto, levaram as potências com aspirações imperialistas ao confronto na 2ª grande guerra.

Cada manhã, para ganhar o meu pão
Vou ao mercado onde se compram mentiras.
Cheio de esperanças
Entro na fila dos vendedores

(Bertold Brecht, 1898-1956)












A teoria de Lorde John Maynard Keynes e a sua aplicação prática pelos americanos, de facto canibalizava o Marxismo, apropriando-se dos seus fundamentos e até do seu léxico, dando-lhe uma volta de 180 graus, não distinguindo valor de uso e valor de troca, na filosofia que esteve na base do consumidor consumido, devorado, alienado pelo capitalismo selvagem. Mas, ao mesmo tempo que se diabolizava o utópico “comunismo” e se denegria a intervenção planificada do “centralismo de Estado” soviético, como cerceador das liberdades, Keynes advogou qualquer coisa de similar: os “investimentos de Estado” e a sua intervenção como motor para a saída da grave recessão iniciada em 1929, que neste caso, surpreendentemente, já geravam “liberdade” (!), factor qb efectivamente criado pela máquina da propaganda.
Na compita, a corrente que levou Hitler ao poder na Alemanha também se reclamava do socialismo: o “nacional-socialismo”. Estaline, em nome do mesmo ideal, em 50 anos, na URSS, construiu através duma industrialização pouco menos que selvagem, o contrapoder de Superpotência capaz de se opor ao Imperialismo americano, em luta pela expropriação no exterior dos vultosos investimentos de que necessitava para construir o seu “Estado Social”.

Como se vê, a guerra de sempre, é uma guerra única: a guerra fria a favor e contra o Socialismo. Mais ou menos contabilizados, com muitas mentiras e manipulações de permeio, estão os prejuízos causados pela duas correntes que entretanto “desapareceram” da história oficial - falta fazer o balanço das vitimas do actual Poder imperial – que, passando por cima das “décadas de ouro” assentes na pilhagem do 3º mundo, vamos hoje reencontrar nesta curiosa entrevista da russa Natália Narochnitskaya à “Reseau Voltaire”.


A retórica ocidental da democratização é um ressurgimento do pensamento trotskista

“A retórica dos EUA da democratização global esconde ambições estratégicas antigas. Washington prossegue os objectivos do Império britânico na sua forma de controlar a Europa, de prejudicar a Rússia e de dominar o mundo, assegura Natália Narochnitskaya, vice-presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros da Duma, numa entrevista com a “Rede Voltaire”. Natália Narochnitskaya é historiadora, membro do Instituto de História da Academia das Ciências da Federação Russa. É deputada do partido Rodina na Duma, onde ocupa as funções de vice-presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros. Tem também assento na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e ainda edita a revista Russian Analytica”.

Rede Voltaire: A administração Bush reorientou o essencial dos recursos financeiros federais para o desenvolvimento das suas Forças Armadas, em detrimento das despesas sociais. A Estratégia de Segurança publicada pela Casa Branca elege o terrorismo internacional como principal inimigo. Contudo, no mesmo momento, num artigo publicado pelos Negócios Estrangeiros, o Conselho das Relações Externas evoca a possibilidade de um primeiro ataque nuclear americano contra a Rússia. Na sua opinião a que inimigo os EUA devem fazer face?
Natália Narochnitskaya: O maior inimigo dos EUA é o seu pseudo-universalismo político. Retomando uma longa tradição apresentam-se como a “Nação Redentora” {Redeemer Nation}. Já no fim da Primeira Guerra Mundial, o presidente Woodrow Wilson tinha chocado o presidente da Conferência de Versalhes, o francês George Clemanceau, afirmando, que os EUA tinham tido a honra de salvar o mundo.
Como na época da III Internacional Comunista, eles sonham impor um modelo ao mundo, sem atenderem a outras formas de civilização. Em vez de procurarem a harmonia na diversidade, pensam a humanidada em termos simplistas. Ignoram a dúvida cartesiana e as angústias de Hamlet e contentam-se com o Rato Mickey.
Condoleezza Rice exprime-se com a mesma segurança que Nikita Kroutchev na tribuna do Comité Central do PCUS. Ela ignora os fracassos económicos e militares do seu país, para prometer ao mundo um futuro radioso. Contudo o seu sistema está em falência. Imprimem montanhas de papel-moeda, para colmatar deficits abissais. Usando o dólar de forma enviesada, fazem os seus aliados pagar as suas despesas, como outrora o Império Romano colectava impostos nas suas províncias. Os seus exércitos sofrem derrotas quotidianas no Afeganistão e no Iraque, enquanto Cuba, a Venezuela e a Bolívia se insurgem vitoriosamente contra o seu imperialismo na América Latina. Este é muito pesado e vai-se esgotando, mas eles são os últimos a tomar consciência.

R.V.: Este comportamento dos EUA, ainda que enraizado na doutrina do “Destino Manifesto”, não é novo em muitos aspectos? Devemos ver aí a influência de políticos e jornalistas saídos da extrema-esquerda como Paul Wolfowitz e Richard Perle?
N.N.: Tem razão. Não se trata só da adesão dos trotskistas ao Partido Republicano, mas de uma continuação do marxismo científico pelos neo-conservadores. Persistem as mesmas estruturas de pensamento. Aliás é por isso que os nossos aparatchiks se adaptaram tão bem aos seus novos padrinhos americanos. Sentem-se espontaneamente à vontade com esta retórica.
Durante a guerra ideológica {Guerra Fria}, devíamos aprender um catecismo. À pergunta “Que época estamos a viver?”, devíamos responder “Num período de transição do capitalismo, para o comunismo.” Hoje os dirigentes e os jornalistas ocidentais pensam e falam com o mesmo simplismo. Só substituíram uns slogans por outros. Se lhes fizer a pergunta “Em que época vivemos?”, responderão com o mesmo automatismo “Num período de transição do totalitarismo para a democracia”. Este universalismo de pacotilha, quer se exprima em termos marxistas científicos, quer em termos neo-conservadores, vai a par com um super-globalismo. Todas as diferenças devem desaparecer e o mundo deve ser governado por um organismo único.

R.V.: Você pertence a um partido político, o Rodina, que a imprensa ocidental denigre qualificando-o de “nacionalista” e hoje, o seu país é apresentado como um obstáculo à democratização dos novos Estados da Europa de Leste e da Ásia Central. Qual é a sua concepção de universalismo?
N.N.: Reconhecer as aspirações comuns ao género humano, não é negar as culturas. A Federação Russa deve contestar esta filosofia política. Temos legitimidade, para propor uma coabitação de identidades.
A nossa federação é euro-asiática. O nosso símbolo é a águia de duas cabeças. Desde há séculos que somos simultaneamente Europeus e Asiáticos, Russos e Tártaros, cristãos e muçulmanos. Hoje somos maioritariamente Russos ortodoxos, mas na época medieval fomos Asiáticos convertidos. Isto não é uma resposta dilatatória, mas uma realidade indiscutível que formou a nossa identidade. Na época em que a Rússia era um Estado religioso, deslocámos a nossa capital da Europeia S. Petersburgo, para a Euro-Asiática Moscovo em homenagem aos Tártaros e aos Caucasianos que nos tinham defendido. Os seus chefes foram nobilitados. Não eram tratados como colonizados, mas sim como iguais dos aristocratas russos. Tinham até servos russos .Os Anglo-Saxões nunca foram capazes de aceitar isto. Consegue imaginar Lords indianos com criados ingleses?

R.V.: Se para si o projecto de democratização global é um embuste, como analisa a política externa dos EUA?
N.N.: A política externa dos EUA é anglo-saxónica. Ela prossegue, sob uma roupagem modernizada, a política do Império Britânico. É um expansionismo obcecado com os estreitos marítimos. Uma primeira linha de penetração parte dos Balcãs até à Ucrânia, para o controlo do Mar Egeu. Uma segunda linha parte do Egipto até ao Afeganistão para o controlo do Mar Vermelho, do Golfo Pérsico e do Mar Cáspio. Nada há de novo nesta estratégia, a não ser a cartada petrolífera que a relançou.
R.V.: Como explica que a União Europeia tenha embarcado nesta estratégia que serve unicamente os interesses anglo-saxões?
N.N.: É uma cegueira colectiva. Uma espécie de vingança dos Habsbourg e de Napoleão. Os europeus nada ganham e tudo perdem neste esquema. O único meio para a Europa Ocidental continuar a ter um papel político de primeiro plano na cena mundial, é uma aliança com a Rússia. Torna-se muito fácil devido à nossa proximidade cultural, muito mais vincada que a proximidade com os anglo-saxões.
R.V.: Está bem. Contudo os Europeus nada ganham trocando a suserania de um imperialismo, para caírem subitamente noutra.
N.N.: Vocês subestimam-se. Nós não somos uma potência belicista. Não procuramos o confronto com ninguém e sobretudo com os EUA. Como vocês, nós queremos tomar livremente as nossas decisões e ter boas relações com os EUA.
Além disso é do nosso interesse sermos pacíficos. A nossa economia não nos reclama guerra. E na situação actual, uma potência forte e pacífica será sempre mais atractiva que uma outra belicista. O mundo é interdependente e chegou o momento de reencontrar o equilíbrio das potências.


R.V.: Permita-me voltar à questão da adopção pelos Europeus da política estrangeira anglo-saxónica. Como analisa o empenho da NATO na Jugoslávia?
N.N.: A política anglo-saxónica para o continente europeu é um perpétuo vai e vem entre estes países, a França e a Alemanha. Sempre se apoiou alternadamente num e noutro para combater a Rússia e empurrou-os para um conflito entre eles para os enfraquecer. A política da NATO é baseada numa aliança dos Anglo-Saxões com a Alemanha. As adesões à NATO vão sendo feitas segundo o mapa das ambições do Kaiser Guilherme II {NataliaN. mostra um mapa alemão de 1911 que infelizmente não pudemos fotografar}. É a continuação da política de Benjamin Disraeli aquando do Congresso de Berlim, em 1878. À época, os Ingleses obrigaram-nos a rever o Tratado de San Stefano. Tinham criado artificialmente Estados Balcânicos para satisfazerem a Alemanha. Separaram populações miscigenadas para criarem Estados étnicos e além disso decidiram criar uma colónia judaica na Palestina. De igual forma a NATO pulverizou a Jugoslávia para aí acabar com os vestígios do Bloco Soviético. Criou artificialmente Estados étnicos. Acaba de recriar o Montenegro de 1878 e, em breve, o Kosovo.
Nesta estratégia a Alemanha é um joguete, um Estado com soberania limitada. Existe com efeito um Tratado Alemanha—EUA, imposto à Alemanha de Oeste {Federal} durante o período de ocupação pós-Grande Guerra e que não foi revogado na altura da reunificação. Este tem cláusulas secretas que subordinam as políticas externa e de defesa alemãs à boa vontade de Washington. Estas cláusulas só foram publicamente accionadas na Guerra do Kippour (1967). Os EUA fizeram uma ponte aérea para apoiar Israel contra os Árabes. Para isso utilizaram as suas bases aéreas instaladas na Alemanha. Quando Walter Scheel se opôs fazendo valer a neutralidade alemã no conflito, Henry Kissinger pô-lo no seu lugar. E a Alemanha cedeu.
R.V.: Acha que a Federação Russa pode abalar o domínio mundial anglo-Saxão?
N.N.: Para retomar a célebre frase do Príncipe Alexandre Gortchakov, “A Rússia recolhe-se”. Nós modernizamos a nossa sociedade. Nós erguemos a nossa economia. Nós preparamo-nos.

Entrevista realizada em 1 de Junho de 2006
Tradução de Maria de Lurdes Delgado, do original publicado pelo site Reseau Voltaire

sexta-feira, junho 16, 2006

Carpe Diem

“Se ficarem na cidade, não olhem para os ornamentos, laços e enfeites, para as montras, para as pessoas atarefadas, para os homens e as mulheres que conduzem, não ouçam os barulhos que produzem, resistam às prendas, às marcas e atracções da paróquia e olhem só para cima, observem como a cidade pode ser esplendorasamente sugestiva. E grande.
Se passarem pelo centro aproveitem e vejam a exposição do Almada Negreiros que está no Museu do Chiado. Leiam ou releiam as “Cidades Invisiveis”, de Italo Calvino e entre um levantar de olhos do livro, dediquem um tempo a observar as vossas plantas e reparem no ritmo microscópico do seu crescimento e da serenidade com que vivem, indiferentes ao bulicio da vida lá fora. Arredem os moveis e os tapetes, se é que vos sobrou dinheiro para os ter, depois da letra do banco – estendam-se e descontraiam-se no chão e exercitem os músculos, as articulações, mexam-se e respirem conscientemente. Se puderem resistam à TV, ao Cabo e a toda essa parafernália. Não vejam noticias e o que eles querem que se passe. Desintoxiquem-se. Façam a vossa própria história. Descubram os pequenos prazeres que se deparam nas pequenas banalidades que nos circundam. E se mesmo até uma mosca, no vosso lar, ainda resistir aos frios das chuvas, observem como ela inocentemente tenta sobreviver às agruras do tempo, simplesmente tentando aquecer-se no abat-jour da sala. Falem com ela e chamem-lhes nomes para afugentar o vosso tédio. Terminado o vosso périplo quotidiano, descalcem o que vos liga à terra, deslizem no sofá e deixem-se levar pelos pensamentos, com os olhos fixos no tecto, cruzados com os barulhos de fundo da casa e da cidade, expandindo-se para todo o território, para o continente, para os mares e outras cidades, o mundo, o planeta, os outros planetas, as constelações, todos os sistemas, o universo, as estrelas, o branco, o preto, o buraco, até mesmo ao vazio. No dia seguinte, ao recomeçar, rotineiramente, o dia de mais um dia, não se esqueçam de estar atentos então aos pequenos sinais, acontecimentos e simples curiosidades que podem surgir de um momento e que ajudam a construir e a procurar em nós tudo aquilo que roubámos aos outros”

Miguel Pereira, Coreógrafo

quarta-feira, junho 14, 2006

A Exposição de Frida Kahlo no CCB

Como é que se pretende conseguir enganar 100 mil pessoas com um falso conceito de Arte, desligando-a da História? – falsificando-a?!

António Campos Rosado (!), um obscuro funcionário da cultura, autor do catálogo da mostra, (que anteriormente já passou pela Tate de Londres e se baseia apenas na reduzida colecção da ex-amante de Rivera, Dolores Olmedo Patiño) consegue a proeza de apresentar Frida Kahlo, uma artista naif de inspiração popular mexicana, sem uma única referência artística a Diego Rivera. Mesmo quando se refere a uma obra que leva o titulo de “Paixão por Diego Rivera”, Rosado menciona-a como sendo “desse artista” não o citando expressamente. António Mega Ferreira pouco melhor faz ao dedicar apenas uma linha do prefácio à “relação de Frida com Diego Rivera, artista maior do México insurgente”. (tem razão – alguma coisa legou esse México: é daí que parte em 1959 o iate “Gramna” com Fidel e os seus companheiros em direcção à Serra Maestra, para acabar com a opressão em Cuba). De volta ao CCB, na nota que acompanha a litografia “Frida e o aborto” (1932) o preclaro Rosado, incorre num erro grosseiro, atribuindo à autora a frase escrita na margem em inglês: “estas cópias não são boas nem más, dada a tua experiência.Trabalha duro e conseguirás melhores resultados” – quando na verdade a frase foi aí manuscrita por Rivera. Nos apontamentos bibliográficos do catálogo escamoteia-se novamente que a história de Diego Rivera é a história da Revolução Mexicana (1914-1915), e que ambos, Diego e Frida, foram dois empenhados membros do Partido Comunista.

Rivera acreditava que a Arte devia desempenhar um papel que habilitasse as classes trabalhadoras a compreender a sua própria história



Frida, em baixo à esquerda, faz companhia ao marido, enquanto este trabalha, e a representa, à direita, no seio do seu povo, num quadro que retrata a opressão.

A Revolução de 1910, onde emergiram Francisco Villa e Emiliano Zapata, (representados por Rivera no Palácio Nacional, no mural “Terra e Liberdade”) que pôs fim à ditadura de Porfirio Diaz deu inicio a uma série de alterações politicas, económicas e sociais. Em 1922 o jovem Diego Rivera regressado da Europa, um dos fundadores do movimento muralista no México pintava “A Criação” no Anfiteatro Bolivar da Escola Preparatória Nacional na Cidade do México, aí manifestando desde logo o seu gosto pela subversão e um instinto rebelde contra a Autoridade.

Militâncias:
Em 1922 Rivera pintou o retrato de Lenine, quando este estava já gravemente doente, depois de nunca ter conseguido recuperar do atentado de que tinha sido alvo em 1918.
No Citi.pt existe uma breve monografia de Rivera redigida por Álvaro Cunhal.

Frida era então uma jovem adolescente privilegiada, uma das 35 mulheres entre os 2000 estudantes, que frequentavam a escola. Libertina, arranjou um caso amoroso passageiro com Diego simulando interessar-se pela pintura. A sua vida prosseguia no seio de um grupo de noctivagos apelidados de “os Cachuchas” quando em 1925 sofre um grave acidente ao viajar de autocarro com o seu namorado de então Alejandro Gómez Arias, que a incapacitou fisicamente de forma grave. Em 1927 quando começou a conviver com o grupo de intelectuais de esquerda de Tina Modotti (companheira do cubano Julio António Mella uma das grandes figuras da revolução) Frida decide filiar-se no Partido Comunista. Em 1928 Diego e a mulherLupe Marin, de quem se viria a separar logo de seguida, voltam de visitar a União Soviética. É aí, nesse âmbito que, com 22 anos, Frida reencontra o mestre Diego, bastante mais velho do que ela, tinha então 42 anos. Relação sentimental reatada, é aqui, quando em 1929 se casa com o Mestre que se inicia o desenvolvimento intelectual de Frida e a sua apetência por pintar, enamorada das obras do seu idolo. O casamento de uma pomba com um elefante. Jamais Frida Kahlo pintaria a ponta dum corno se não se tivesse relacionado com Diego Rivera. Porém o assassinato do revolucionário Julio Mella marcou a ruptura de Diego com o Partido.



em cima
no mural "o Arsenal" Diego Rivera pintou Frida a destribuir armas aos revolucionários (onde estão tambem representados Julio Antonio Mella e Tina Modotti)
em baixo:
"A Distribuição de Terras" (El Reparto de Tierras-1924) - os camponeses na Escola sob o olhar do Poder, e como pano de fundo, os Trabalhadores - Universidade Autónoma de Chapingo.



Acreditava-se que a Revolução acabaria por eclodir na América, o coração do centro capitalista. Em 1930 Rivera parte para San Francisco de onde, atraidos pela sua fama, lhe tinham sido encomendados os murais da Stock Exchange, o palácio da Bolsa da cidade e outros na California School of Fine Arts. Frida acompanha-o e vê aí a sua 1ª obra exposta “Frida e Rivera”, por graça do amigo do casal Imogen Canningham. A aventura americana prosseguiu visitando New York (1931) e em Detroit no auge da Grande Depressão, em 1932 aceita, na fábrica de Henry Ford, elaborar uma grandiosa elegia glorificando a Classe Operária e a esperança da Era Industrial como via para o desenvolvimento social do Homem. No centro do mural ficou eternizado, o que gerou alguma controvérsia na época, Edsel Ford, o filho de Henry, e ainda hoje, para os pró-americanos indefectiveis, a obra permanece como a mais significativa das executadas por Rivera na América do Norte. Porém a grande polémica estalou em 1933 novamente em New York, desta vez no Rockefeller Center onde o magnata encomendou a Rivera as pinturas decorativas das paredes do Rádio City Hall. Intitulado "Man at the Crossroads" ("O Homem na Encruzilhada") Rivera pintou um gigantesco Primeiro de Maio de trabalhadores manifestando-se com uma profusão de bandeiras vermelhas. Este porém não era o motivo principal que viria a inflamar as Associações Patronais da cidade, mas o facto de à frente estar Lenine liderando a manifestação. Neste fresco Rivera fazia a exaltação do comunismo e uma crítica dura do capitalismo, "mostrava ao mundo a convicção optimista de que "um dia" o homem será dono do seu destino em vez de ser empurrado para ali e acolá por forças que ele não é capaz de controlar". Quando Rivera recusou remover o retratado, o trabalho foi suspenso e os cães de guarda de Rockefeller destruíram a obra. Com o dinheiro que tinha recebido Diego criou e ofereceu outro mural ao Independent Labor Institute, onde manteve Lenine como figura central.

Frida pintava nas horas de ócio, enquanto esperava que o marido terminasse os seus periodos de trabalho; e o que pintava Frida? – por exemplo, entre outros anteriores, este retrato de Estaline, que os gestores do CCB apreciariam ter sido apagado da história:




"Frida e Estaline", 1954

De volta ao México em 1934, a Coyacan, um subúrbio da capital, o pintor, um inveterado mulherengo, (deliciosamente retratado numa peça de teatro exibida no mesmo CCB no âmbito do Festival de Almada em 2002) envolve-se num caso amoroso com a irmã de Frida, Cristina Kahlo. Data desta época o quadro de Frida “Umas quantas facaditas”. O episódio marcou o principio da separação do casal. Em 1936 ainda militaram em conjunto recolhendo fundos em apoio aos republicanos que combatiam o fascista Franco quando eclodiu a Guerra Civil em Espanha. Em 1937 Leon Trotsy e a mulher Natália Sedova, dissidentes da Revolução Russa, chegam ao porto de Tampico com honras de recepção pela presidência da República do México, ficando hospedados na casa de Coyacan.

Trotsky aparece representado no mural "O Homem controla o Universo" na Escola Nacional de Belas Artes, na Cidade do México

Depois da separação Frida parte para a Europa. “As Duas Fridas” é um comovente retrato da separação. Divorciada, em 1939 vamos encontrá-la em Paris no grupo de André Breton – cuja amizade lhe valeu algum trabalho para a revista cor de rosa Vogue ganhando algum dinheiro para sobreviver, e para futuro uma certa conotação com os surrealistas, que lhe haveria de ser util à maior parte da sua obra, criada a partir daí. (aqui em “o Amor abraça o Universo, Eu e o senhor Xoloti” onde se representa com Diego ao colo - não presente no CCB).







Pablo Neruda, David Siqueiros e Diego Rivera

Nesse ano de 1939 na costa Oeste dos Estados Unidos é inaugurada a famosa ponte Golden Gate coincidindo com a abertura da auto-estrada Oakland-San Francisco o que traz milhares de carros (a idolatria do progresso nos USA) à "Golden Gate International Exposition" aberta na Ilha do Tesouro. Diego Rivera é convidado para participar no grande evento com a criação de um grande mural feito ao vivo no recinto da exposição com a colaboração de uma grande diversidade de artistas - a obra ficou conhecida por "Unidade Pan-Americana" e nela se procurava expressar o casamento artistico do Norte e do Sul de todo o Continente americano. Frida é tão desconhecida como artista que os jornais da época se lhe referem apenas como Miss Rivera, a qual se faz no entanto notar pelo exotismo dos seus trajes recriados das tradições ancestrais do México.
Trotsky é assassinado em circunstâncias misteriosas em 1940. No ano seguinte o casal Rivera regressa à Casa Azul de Coyacan, onde Frida continua a querer aprender a pintar sob carinhosa vigilância do companheiro. Pouco depois é incluida na "Exhibition by 31 Women", dedicada ao surrealismo na Galeria do Centro de Artes Peggy Guggenheim em New York. Em 1944, já muito doente inicia a escrita dos seus pungentes "Diários", autênticos retratos escritos do marido e da sua obra. Torna-se patente que a sua vida trata de Comunismo, Arte e Diego Rivera. Reconcilia-se com o Partido Comunista em 1948. Contudo, depois da longa divergência, Rivera só viria a ser readmitido em 1954. Um ano antes acontece a única exposição individual de Frida em vida, na Galeria de Arte Comtemporânea do México, dirigida pela amiga Lola Alvarez Bravo, onde aparece como um ícone numa cama de rodas, logo após a perna direita gangrenada lhe ter sido amputada. Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón, culminando um longo periodo de atroz sofrimento morreu em 1954, sendo um dos seus ultimos actos publicos conhecidos a presença numa manifestação em Julho desse ano contra a intervenção da CIA na Guatemala.
As suas cinzas repousam num vaso pré-colombiano na Casa Azul de Coyacan, hoje transformada em Museu. Diego Rivera morreu com 70 anos de idade, em 1957.

Que moral se pode extrair da exposição truncada do CCB? - que aqueles que dizem representar o Ocidente andam mal quando pretendem descontextualizar a Arte da História, apagando figuras da nossa herança cultural, fingindo não inocentemente, que o Marxismo não é tambem ele uma corrente da filosofia ocidental. Áqueles, os responsáveis pelo CCB, que só viram em Frida Kahlo o "surrealismo", deveria ser exigivel, ao abrigo do direito de resposta do público, uma exposição sobre a vida e obra de Rivera, onde constasse a Frida que faltou dignificar naquilo a que dedicou toda a sua vida e obra.

Auto retrato de Frida Kahlo, no ano da sua morte (1954):
"El Marxismo Dará Salud a los Enfermos"


Se existe algo de que os politicamente hibridos se envergonhem, ou tenham relutância em assumir como sendo de facto o Socialismo uma herança da nossa cultura, cuja mais conhecida experiência será o auto-denominado e fracassado Socialismo de Estado (imprópriamente designado pela propaganda neoconservadora como "comunismo", mas que de facto não passou, desde a década de 60, de mais uma versão de Capitalismo de Estado) - é a altura de, utilizando as mais-valias de conhecimentos adquiridos, proceder de forma aberta à auto-critica da parte do Capitalismo sobrante - que ainda não derrocou, mas para lá caminha, a passos largos, onde "a falência anunciada pelo neoliberalismo é o expediente para privatizar o social"
O problema da nossa crise civilizacional, não pode ser fraudulentamente tratado no âmbito de uma pretensa "guerra entre civilizações" - trata-se de um confronto entre o Ocidente e ele mesmo.

"a reflexão sobre os valores que fundamentam o Ocidente é vital. Combater em nome de quê? Para defender o quê? A autora deste livro, uma filósofa nascida no Próximo Oriente e a viver em França, traz-nos uma resposta irreverente, explicando de que forma o pensamento ocidental permite a cada ser humano, onde quer que tenha nascido e qualquer que seja a sua história, deixar a prisão das suas dependências sociais".


"Os Dois Ocidentes", Nayla Farouki
(Editado em português pelo Instituto Piaget)