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terça-feira, outubro 31, 2006

efemérides em véspera de finados

Jorge Rodrigues, o autor de um dos melhores programas da rádio portuguesa, despediu-se por hoje com uma dedicatória triste: “De cinco em cinco segundos morre uma criança de fome no mundo. Os seus nomes ficam para sempre no anonimato. Para evitar que esta abjecção possa ser esquecida, dedicarei um “Ritornello” a cada uma dessas crianças. A de hoje chamava-se Jenifer Gonçalves e morreu de fome aos quinze meses com pouco mais de 4 quilos”

“Isto, de acordo com John Morely, é a experiência da Inglaterra ao trazer a paz à humanidade que sofre nos trópicos: “Primeiro entram de rompante em territórios onde não tinham negócios a fazer, e onde tinham prometido não ir; em segundo lugar, apercebem-se que esta intrusão provoca ressentimentos e, nestes paises selvagens, ressentimento significa resistência; terceiro, instantâneamente começa-se a choradeira que esses povos são rebeldes por natureza e que os seus actos são rebeliões contra a ordem (ao mesmo tempo que se assegura que não existe intenção de exercer um dominio permanente sobre a soberania deles; quarto, enviam-se reforços armados para pôr fim à rebelião; e em quinto lugar, depois de se ter espalhado sangue, confusão e anarquia, declara-se, de mãos postas para o céu, razões morais os levam a permanecer, porque se pretendessem sair, esse território seria deixado em tal condição que nenhum poder civilizado poderia ser formado. Estes são os 5 estádios do Progresso nas nossas estruturas do futuro”

David Starr Jordan, in “Imperial Democracy” 1899.

As pessoas escravizadas e alienadas degradam-se, mas o património livre e anárquico fluoresce

(...) “mas, o que foi e continua a ser um processo àparte é o exemplo do “Fidelismo”. A representação do magnifico sucesso da Revolução Cubana é uma fonte de esperança e inspiração para os povos em toda a América Latina. O que é ameaçado por Cuba é aquilo que o Presidente Kennedy e o Professor Schlesinger referem como sendo o sistema inter-americano. E o sistema inter-americano é apenas uma expressão eufemista que encobre o controlo da América Latina pelas corporações norte-americanas. O que é ameaçado por Cuba é a continuação da exploração dos povos da América Latina. E estes povos, inspirados pelo radioso exemplo de Cuba podem decidir subsistuir o sistema inter-americano do Presidente Kennedy por outro sistema. Um sistema de liberdade, de progresso, de socialismo. Eis porque o “Fidelismo” tem de ser esmagado. Esta é a razão porque nenhuns meios são considerados demasiado sujos para serem usados no processo de estrangulamento da Revolução Cubana”

Paul A. Baran, in “Cuba Invadida” publicado na Monthly Review em Jul/Agosto de 1961.

As pessoas livres fluorescem, mas o terrivel bloqueio que lhes movem obriga o património a degradar-se.

segunda-feira, outubro 30, 2006

os Cavaleiros da Tormenta

Há muito tempo atrás, alguém nos tinha avisado,,, que andavam a formar assassinos, para os lançar no nosso caminho

in memoriam - Brad Will, o repórter do Indymedia assassinado em Oaxaca no México.

O seu último artígo, publicado a 17 de Outubro intitulado “Morte em Oaxaca” reportava o assassinato de Alejandro García Hernández numa das barricadas instaladas pela Assembleia Popular dos Pueblos de Oaxaca (APPO) contra o governador neocon Ulises Ruiz e os grupos armados paramilitares que o apoiam na repressão. A luta continua, havendo a registar mais mortos desde a última sexta-feira, perante a indiferença dos meios de comunicação oficial e a indignação das opiniões públicas em todo o mundo.

Confrontados com a situação de pré-insurgência generalizada que se faz sentir no México desde que o pré-nomeado Governo sucessor de Vicente Fox pretendeu dar por concluido o processo fraudulento do último acto eleitoral - dos Estados Unidos,,, depois da decisão da construção do muro da vergonha numa extensão de mais de 1500 quilómetros na fronteira Sul, chegam vozes alarmadas (que gozo!) como a do senador neocon Pat Buchanann que diz que Bush poderá ser o presidente dos Gringos que ficará na História por perder (para uma possivel autonomia?) os Estados do sul da Federação: o Texas e o Novo México.

* Saiba como é o grupo mercenário paramilitar "Los Zetas" que aplica a "justiça neoliberal" no México.
* colabore na contestação: Bloqueio Electrónico das Embaixadas e Consulados do México nos EUA e Canadá.
* as ultimas 10 horas de resistência

* últimas notícias: Indymedia.México.org
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domingo, outubro 29, 2006

Brasil Disney Corporation

dia de eleições no Brasil - inauguração da temporada de música neste blogue.
a disputa do Poder entre dois canalhas que se insultam mutuamente,
com o coro do Povo espoliado pela Corrupção em pano de fundo.


Canalhocracia
na "escolha" neoliberal entre a peste e a cólera não ficaram outras alternativas além de uma pseudo- escolha entre a mesma coisa; ou a opção 1- Lula e o povo mantém-se miserável mas sereno com umas esmolinhas, ou a opção 2- Alckmin e a rápida prossecução das privatizações, em nome de Deus cujo representante na Terra para a secção de negócios é a Opus Dei - qualquer das duas opções serve aos designios dos donos da Disneylândia que do exterior comandam as marionetas animadas - no sistema de alternância partidária que funciona como os interruptores eléctricos, consoante quem comanda os acciona, qualquer partido que se sente em governos reformistas conciliadores, será obrigado a fazer automaticamente uma politica de direita neoconservadora. Restam-nos soluções de ruptura. De imediato, a melhor solução nem é votar em branco - é a abstenção!. Se a grande maioria não votar, o "vencedor" vai fazer a conta aos votos que sobraram - 30 ou 40% dos eleitores, e concluirá que nunca por nunca poderá dizer que governa em nome do Povo.

relacionado:
"A Crise Estrutural da Politica", por István Mészáros
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sábado, outubro 28, 2006

O Pão Nosso de Cada Dia

Our Daily Bread” é a única longa metragem apresentada no DOC Lisboa, e uma fortissima candidata ao titulo de melhor filme a concurso nesta edição de 2006.

adaptado do texto de Jorge Mourinha, no Público

“O título é para ser levado à letra. O austriaco Nikolaus Geyrhalter andou durante dois anos a recolher imagens em explorações alimentares industriais para dar a ver como é recolhida e processada a comida que consumimos diáriamente. Sem voz off nem diálogos, o filme deixa as imagens falarem por si e é capaz de fazer os espectadores sairem perturbados da sala ou jurarem que a partir de agora se tornam vegetarianos. Legumes, carne, peixe, fruta: pouco interesam as diferenças, tudo está automatizado de modo a poupar o esforço humano e a maximizar a rendibilidade de cada alimento, mas com o efeito irónico de desumanizar a mão-de-obra, reduzida ao mero estatuto de “máquina” que repete incessantemente os mesmos gestos para manter a linha de montagem a funcionar”
Portanto já sabe, a partir daqui não tem desculpa, de cada vez que entrar nas grandes superficies dos Hipermercados já sabe do que é que a casa gasta.
“Nikolaus Geyrhalter propõe ver-nos a nós, os humanos que inventámos a linha de montagem, como mais uma rodinha na engrenagem do “pão nosso de cada dia” – mas, entrando numa perturbante dimensão (quase paredes meias com o voyeurismo) fá-lo com um distanciamento glacial, ele próprio “quase desumano”, sem julgar nem tomar partido, mostrando-nos o que já sabemos mas preferimos ignorar, à laia de segredo de polichinelo. Our Daily Bread é uma espécie de apocalipse da natureza domesticada filmado em câmara lenta, enquanto os homens vão mastigando a sua sanduiche e bebendo o café na pausa para o almoço, como se não fosse nada com eles”. Ainda por cima, sempre de olho na omnipresente TV.

Nos "paises fast food" alimentam-se
"consumidores" como quem cria carneiros.

Nós somos aquilo que comemos? – então, nos "Países Fast-Food" as nossas sociedades precisam de novas ideias.




















À atenção daqueles que pululam pelos centros comerciais e se deixaram alienar como “consumidores” pelas luzes do grande consumo de massas, habilmente manipuladas pelo marketing das empresas: Existem alternativas para quase tudo - consumir de preferência produtos tradicionais produzidos localmente, onde as condições são mais facilmente verificáveis e de mais fácil controlo de origem e onde, além do mais, contribuem para o fortalecimento das comunidades locais.

sexta-feira, outubro 27, 2006

o furacão Hugo que tem varrido a América latina, é considerado pelos think-thanks neoliberais como não contribuindo em nada para a Paz. Querem dizer "paz", a tristemente famosa pax podre americana dos opressores.
John "Sam Bigodes" Bolton - um
pistoleiro às ordens de um Vaqueiro
louco tenta aplicar a paz à força









“a entrada da Venezuela no Conselho de Segurança seria inviável; não poderíamos seguir com as guerras preventivas. Para nós seria impossível prosseguir com os ataques planeados desde 2002 ao Irão, à Coreia do Norte, à Palestina, à Síria, Cuba, Bolívia… Não poderíamos continuar a enviar mercenários para a Colômbia; se a Venezuela entra, teríamos de sair do Iraque, onde levámos a Democracia…”
John Bolton, embaixador dos EUA na Onu.

fonte: www.aporreia.org

“Temos de deixar para trás, como quem volta uma página de um livro para não a abrir nunca mais, aquela falsa democracia que aqui tivemos onde se manipulava e enganava o povo” Citamos, claro está, o Presidente Chavez, que busca como objectivo democrático urgente a exigência do poder para o povo, com a denúncia das oligarquias existentes em todas as mercadocracias sob a pata do Consenso de Washington.
Essa falsa democracia das Élites acabou!, temos de a enterrar em definitivo e acabar de construir a democracia participativa onde as pessoas sejam elas as protagonistas” afirma Chavez falando da Venezuela. Essa mesma exigência, com outras palavras de ordem, noutras vozes, se escutam em todas as manifestações indiferentes aos conceitos de “esquerda” e “direita” em toda o mundo - “Chamam Democracia,,, a isto, mas não é!” gritam os jovens em Madrid, Paris, Barcelona,,, gritos que também já se vão começando a fazer ouvir nas cidades portuguesas.

quinta-feira, outubro 26, 2006

reflexões sobre o Orientalismo, de Edward W. Said

passa hoje na Casa da Música o grupo “Nómadas do Rajastão” uns patuscos exóticos que insistem na ideia de ser auto-suficientes. Teremos alguma coisa a aprender com eles? Numa altura em que, por exemplo, n` “A Vida Nova” do recém premiado Orhan Pamuk se continua a insistir no “nóbel entre duas culturas", é bom que fique claro que entre o “oriente” e o “ocidente” só existe a vontade deste último em se afirmar como uma ideia de identidade universal. Infelizmente, a noção de “Oriente é inventada – existem miríades de culturas. O que nos devolve a necessidade de averiguar se, entre as diferentes classes sociais que culturamente compõem o “ocidente”, os objectivos deverão ser homogeneamente os mesmos.


Em “Estudos do Exilio” – Karl Marx (1853) sobre o governo britânico da India, Marx identificou a noção de um sistema económico asiático, acrescentando-lhe de imediato a degradação humana introduzida pela interferência colonial, pela sua voracidade e aberta crueldade. Marx tinha a ideia muito própria de um “ocidental”de que, mesmo destruindo a Ásia, a Grã-Bretanha estava a tornar possivel uma verdadeira revolução social. Havia então uma dificuldade em conciliar a nossa natural repugnância, entre criaturas semelhantes, pelo que sofrem os “orientais” com a violenta transformação da sua sociedade e a necessidade histórica dessas mesmas transformações.

Passavam pouco mais de100 anos quando saiu “Calcuttá” de Louis Malle (1969) uma visão moderna da Índia que causou escândalo, levou à proibição do documentário em Inglaterra e por pouco não provocou um conflito diplomático deste país com a França. Malle mostrava em directo e sem filtros a visão de Marx com a agravante de o cenário ser a degradada Calcuttá, cidade portuária artificial construida de raiz pelos ingleses como entreposto comercial no “oriente” para veicular a troca de mercadorias introduzidas a martelo em “novos mercados” e a pilhagem de retorno dos recursos locais. Como se sabe, a “jóia da Coroa” foi o valor sobre o qual foi fundada a acumulação capitalista que permitiu às manufacturas a saída para o modelo de exploração ultramarina e colonial, dele saindo directamente o fausto da idade Vitoriana, que roeu de inveja toda a aristocracia europeia e permitiu aprofundar a industrialização.

Deve esta tortura atormentar-nos
Uma vez que nos traz maior prazer?
já que ela nosso proveito aumenta?
Não foram, pelo governo de Timur,
Almas sem conto devoradas?
Goethe

Incómodas, as palavras de Marx continuam actuais:
“Ora por revoltante que seja para o sentimento humano testemunhar essas míriades de organizações sociais patriarcais e inofensivas, desorganizadas e dissolvidas nas suas unidades, mergulhadas num mar de infortúnios, e ver os seus membros individuais a perder ao mesmo tempo a sua antiga forma civilizacional e os seus meios hereditários de subsistência, não devemos esquecer que essas idilicas comunidades de aldeia, por mais inofensivas que possam parecer, sempre foram o sólido fundamento do despotismo oriental, capazes de restringir a mente humana à minima amplitude possivel, transformando-a no instrumento domesticado da superstição, escravizando-a soba as regras da tradição, privando-a de toda a grandeza e energia histórica (...). A Inglaterra, é verdade, quando provocou uma revolução social no Industão foi estimulada apenas pelos interesses mais vis, e foi estúpida na forma como os impôs. Mas não é essa a questão. A questão é de saber se a humanidade pode cumprir o seu destino sem uma revolução fundamental no estado social da Ásia. Se não puder, quaisquer que tenham sido os crimes cometidos pela Inglaterra colonial, ela foi o instrumento inconsciente da História que deu origem àquela revolução”.

Os americanos estudaram bem a mensagem de Marx para melhor a poder neutralizar: “a Inglaterra tem a cumprir uma dupla missão: uma destrutiva, outra regeneradora – a aniquilação da sociedade asiática e a instalação dos alicerces materiais da sociedade ocidental na Ásia”. Depois das guerras da Coreia e do Vietname, com a parte da destruição em concreto cumprida, apesar da derrota, o objectivo de Lord MaCaulay expresso na “Minuta”(1835) - “os nossos súbditos nativos têm mais a aprender connosco do que nós com eles” – continua hoje a prevalecer, apesar dos sucessivos fracassos que culminam nos actuais desastres do Afeganistão e do Iraque na trajectória para a imposta destruição de toda a região por razões de mercado.

“A conquista da terra, que significa sobretudo tirá-la àqueles que têm uma compleição diferente ou narizes ligeiramente mais achatados que os nossos, não é uma coisa bonita de se ver, quando demasiado observada. Só a ideia a redime. Uma ideia por detrás dela; não um pretexto sentimental, mas uma ideia – coisa que podemos instalar, e diante da qual podemos curvar-nos, e à qual podemos curvar-nos, e à qual podemos oferecer sacrificios(...)
Joseph Conrad, in “O Coração das Trevas

Foi-me incomodativo ver ontem o professor Eduardo Lourenço ("o Esplendor do Caos") e o Cavaco, supremo comandante das forças militares portuguesas da Nato, debaixo do mesmo tecto – na Fundação Gulbenkian, inaugurando a conferência “Que valores para este tempo”.
Esse tecto não é cedido graciosamente. Ainda recentemente foi adjudicada aos interesses empresariais da Gulbenkian a exploração de um bloco petrolifero na costa angolana. E tudo aquilo que se tira de lá aproveita à tarefa de serem os próprios explorados a financiar as ideias com que irão ser oprimidos.











Talvez por isso fosse útil enviar este post para estudo na Gulbenkian conferenciaG06@gulbenkian.pt
na medida em que o caminho dos nóveis capitães Marlow se depara cada vez mais tortuoso e abjecto.

prometo voltar são e salvo
depois de os foder a todos!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Sexus Politicus ou o Marialvismo

Para disfarçar, os jornalistas passam a vida a perguntar coisas. A um inquérito sobre qual devia ser o principal objectivo da nossa sociedade hoje em dia, 37% dos inquiridos responderam que deveria ser maior respeito pelos valores sociais e morais tradicionais, enquanto 24% sugeriam maior tolerância em relação a pessoas com diferentes tradições e estilos de vida.

Mas, se as pessoas pensam uma coisa nas intenções, se calhar na hora de votar riscam outra. Fazem lembrar os Fiéis atrevidotes que vão à missa ao domingo com a perversa intenção de darem beliscões nas “nalguinhas” às adolescentes casadoiras – impedidas de refilar por vergonha do padre.

Áparte os inconvenientes do moralismo, Santana Lopes, um dos mais famosos machos latinos tugas, está de volta à ribalta e, – por via de ter sido um dos ultimos participantes nas fatais reuniões do grupo Bildelberg – parece que estamos condenados a aturar a remake.

Bem pergunta o ICS quem são as Élites que mandam nos paises da Europa do Sul – e a resposta parece estar escrita na condição feminina, herança grego-latina de tradição cristã e contra reformista. O caso da Madonna que emprenhou de uma pomba é treta e parte imprtante dessa mesma herança medieval. Ao contrário do frio pragmatismo dos nórdicos, cá por baixo os Cavalheiros Rústicos de sangue quente, têm sido tudo menos pombas, e se tradicionalmente costumavam resolver de forma dramática os assuntos de credibilidade nos adros das Igrejas, são agora mais propensos a resolvê-los no Lux; nunca o slogan popular “putas e vinho verde” veio tão a propósito.

Viva il vino spumeggiante!



enfim, misturar Sexo, uma imagem sedutora e Politica de fofocas parece ser uma boa receita para se ter êxito em eleições – tanto mais quanto o eleitorado feminino supera os 50%. – e a discriminação fundada na ideia perversa de “sexo oposto” continua a dar frutos na baixa representatividade das mulheres nos cargos de responsabilidade a todos os níveis. Para dar alguma credibilidade a este post assim a atirar para o brejeiro (o discurso não é meu, é deles) aqui convém recomendar a leitura de “Mulheres, Participação e Democracia”, revista Ex-Aequo, edit. Afrontamento. Ou, "Políticas neoliberais e participação política e social das mulheres" escrito por Manuela Tavares.

E, passando ao lado de comédias como o "Esganarelo ou o Cornudo Imaginário" de Moliére, voltamos às Élites que governam,

Aznar confrontado com uma jovem jornalista que insistentemente procurava uma resposta por escrito sobre a questão Basca, não encontrou melhor saída do que enfiar-lhe a esferográfica pelo decote adentro.

Sobre “Sexus Politicus”, à margem do best-seller publicado agora em França, o NYT faz campanha eleitoral em terra alheia dizendo que Chirac teve um filho de uma amante japonesa e sugere que um putativo candidato socialista às presidenciais frequenta soirées sexuais libertinas. Afinal nas condições que pré-determinam as relações na sociedade parece que descobriram algo mais do que as fundamentais determinações económicas apontadas por Marx. É adquirido que andam por aí gajas no engate. No livro os autores, os jornalistas C. Dubois e C. Deloire contam, entre outras, a história de Edgar Faure que foi 1º ministro nos anos 50 que reconheceu que se antes algumas mulheres o recusavam, o facto de depois se tornar presidente do Conselho fazia toda a diferença deixando de lhe oferecerem resistência. Faure morreu na cama aos 79 anos a espernear entre as pernas da amante. Abençoado. Se alguma vez fôr a Fátima em viagem de auto-ressarcimento pelos meus pecados originais prometo que lhe vou acender uma vela Chanel em forma de pichota.









match the results in Diebold machines

terça-feira, outubro 24, 2006

Fronteiras resedesenhadas, questões redefenidas, religião secularizada



afinal Deus não morreu como disse Nietzsche, foi sequestrado pelo Império norte-americano.

A judia Madeleine Albright discorre em “os Poderosos e o Todo-Poderoso” sobre os Estados Unidos, Deus e o Mundo.
compreende-se:
"o dragão deu-lhe o seu poder, o seu trono, e grande poderio"

Gustave Flaubert morreu em 1880 sem ter concluido “Bouvard et Péchuchet”, o seu romance cómico e enciclopédico sobre a degeneração do conhecimento e a inanidade do esforço humano. Os dois personagens são funcionários e membros da burguesia que, por causa de uma herança de que um deles é beneficiário (alguém disse que a transmissão das heranças é que haveria de matar o sistema capitalista), se retiram da cidade para passar o resto das suas vidas “fazendo o que lhes apetecer”. Fazer o que querem, de acordo com Flaubert, significa para Bouvard e Pécuchet um passeio prático e teórico através da agricultura, da história, da quimica, da educação, da arqueologia e da literatura, sempre com resultados pouco satisfatórios; passam por várias áreas de erudição como viajantes no tempo e no conhecimento, vivendo os desapontamentos, desastres e abandonos de amadores desinspirados. O que eles percorrem, na verdade, é toda a experiência decepcionante dos últimos cem anos, nos quais “os burgueses conquistadores” acabam por ser as vítimas espalhafatosas das suas próprias incompetência e mediocridade niveladoras. Cada entusiasmo acaba por transformar-se num cliché aborrecido, e cada disciplina ou tipo de conhecimento passa da esperança e do poder para a desordem, a ruína e a amargura. Entre os esboços de Flaubert para a conclusão deste panorama de desespero encontram-se dois itens que aqui nos interessam especialmente. Os dois homens discutem o futuro da humanidade. Pécuchet vê “através de um vidro o futuro da humanidade obscuro”, enquanto Bouvard o vê “brilhante!” e diz:
“o homem moderno está a progredir, a Europa será regenerada pela Ásia. Na lei histórica segundo a qual a civilização se desloca de Oriente para Ocidente, as duas formas de humanidade serão por fim soldadas uma à outra”

Para uma pessoa que nunca viu o Oriente, disse Nerval a Gautier, um lótus é sempre um lótus; para mim é apenas uma espécie de cebola

Ora, para se inventar a si próprio e afirmar-se sobre uma amálgama de civilizações e culturas multidiversificadas grosseiramente reunidas sob a noção geral de “Oriente”,como se fossem uma só, o “Ocidente” sempre precisou de “maus": Kaddafi, Nasser, Khomeini, Bin Laden, Saddam... e ontem voltou o mullah Omar. Alguns ajudamos a criá-los, outros convertem-se em homens de Estado e outros são capturados para o espectáculo. A noção de supremacia e de superioridade foi sempre construída no processo de demonização: dos índios, espanhóis, mexicanos, negros, alemães, japoneses, soviéticos, sérvios, latinos, islâmicos, ou seja, de todos os que não são americanizáveis. (ver: Estados Unidos: Imperialismo e Guerra – uma Resenha Histórica)

Hello! I`m back!
Este tipo de pensamento prolonga-se pelas atitudes típicas do que viria a seguir, e por extensão ao que vem a seguir agora, por isso a actualidade das figuras que Flaubert satiriza. A noção de “regeneração” leva-nos, portanto e citando, de volta a:

“(...) depois de uma conspicua tendência romântica, após o racionalismo e o decoro do Iluminismo(...) voltamos ao drama absoluto e aos mistérios supra- racionais da história e das doutrinas cristãs e aos violentos conflitos e abruptas reviravoltas da vida interior cristã, voltando-se para os extremos de destruição e de criação, inferno e céu, exílio e reunião, morte e renascimento, tristeza e alegria, paraiso perdido e paraiso reconquistado. (...) Mas, visto que viviam, impreterivelmente, depois do Iluminismo, os românticos reviveram estas antigas questões com uma diferença: encarregaram-se de preservar a visão geral da história e do destino humanos, os paradigmas existenciais e os valores fundamentais da sua herança religiosa, reconstituindo-os de modo a torná-los aceitáveis do ponto de vista intelectual, bem como pertinentes do ponto de vista emocional, por enquanto”.

Flaubert, claro está, faz com que os seus pobres tolos se confrontem com estas dificuldades. Bouvard e Pécuchet aprendem por fim que é melhor não traficar simultaneamente ideias e realidade. A conclusão do romance é a imagem das duas personagens perfeitamente satisfeitas a copiar fielmente as suas ideias favoritas do livro para o papel. O conhecimento deixa de ter de se aplicar à realidade; conhecimento é aquilo que é passado silenciosamente, sem comentários de um texto para outro. As ideias são difundidas e disseminadas anonimamente, repetidas sem atribuição; tornaram-se, literalmente, idées reçues; o que é importante é que estejam lá, para serem repetidas, ecoadas e re-ecoadas acríticamente. Contudo, apesar do esforço dos neocons

De seguida, veremos como actualmente “o Ocidente se regenera” pela via Asiática – mormente pela re-invenção de uma Economia que vive, como sempre do mesmo sistema de trocas desiguais, e da importação de mercadorias fundadas sobre o trabalho escravo.
(continua)

segunda-feira, outubro 23, 2006

Hungria - benvindos à Nova europa - o reino do Poder institucional dos grandes mentirosos

Confesso que hoje de manhã quando vinha dali práqui, ao ouvir o noticiário da TSF, deu-me um tal ataque de riso que tive de encostar o pópó à berma para limpar a vista. A "enviada especial" do lado de lá, em Budapeste, no meio da manifestação sob ataque da policia teve de interromper a emissão engasgada pelos gases lacrimogéneos. Entretanto lá foi gaguejando que não sabia por onde andava o "nosso" presidente Cavaco. Se calhar, esganiçava-se ela, tinha sido dos poucos que tinha conseguido escapar do Parlamento onde duas dezenas de chefes de Estado europeus entraram para a celebração solene da "Declaração da Liberdade, 1956" e, tendo-se safo (safa!) por caminhos alternativos já estava em Lisboa, eheheh!! Entretanto na rádio continuava-se a ouvir em pano de fundo a bordoada de três em pipa e os ordeiros tirinhos disparados pela GNR lá do sítio, para desconvocar a missa dos não-crentes.

Os húngaros, claramente frustrados com os custos sociais da "transição", demoraram 50 anos para perceberem finalmente que não há nada a comemorar. Foram aldrabados, como nós o somos desde há três décadas.
O "portugal diário", que deve ter andado lá de bloco de notas em punho a assentar as filiações partidárias da turba, (eheheheh) dizia em simultâneo "que alguns milhares de manifestantes "de direita" (note-se: se calhar o Cavaco "pirou-se" pela porta das traseiras porque é de esquerda) circulavam na baixa de Budapeste reivindicando-se «os verdadeiros herdeiros de 1956 e não os que assistem às cerimónias oficiais», mas não disse, mas nós sabemos de fonte fidedigna que alguns veteranos da “Revolta Húngara de 1956" (patrocinada pela diáspora húngara nos Estados Unidos) se recusaram a apertar a mão ao primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany, o Mentiroso que este ano aldrabou o programa apresentado a votos para poder ser eleito.
Afinal as reinvidicações populares até são simples: que haja honestidade básica!. O que é pedir muito, atendendo ao calibre dos bushexecutivos.

Entretanto, ali ao lado na Alemanha, sob uma forte cortina de silêncio da "comunicação social", lá como cá, após os grandes protestos de trabalhadores ocorridos no último fim de semana nas maiores cidades do país, a “Grande Coligação” neoliberal e os líderes sindicais trocam acusações mútuas sobre as mudanças que se pretendem levar a cabo no sector da Segurança Social e na Saúde.

domingo, outubro 22, 2006

"O microcrédito cria actividade e deixa menos espaço para o fanatismo"
Muhammad Yunus, prémio Nobel da Paz por ter inventado o Grameen Bank, mas,
o que Yunus não quis prever é que há já micro-empresários portugueses que, em vez de fechar a porta porque não têm outra alternativa de vida, preferem recorrer ao crédito para pagar o Imposto Especial por Conta. Eis como o Grameen Bank se transforma num instrumento eficaz de combate à pobreza,,, do Estado fanático.

Nenhum dos gurus da economia pensa que possa estar próxima do limite a actual euforia bolsista. A generalidade das bolsas assiste até a fortes movimentos de valorização, recuperando a totalidade das perdas verificadas recentemente, mas,,,

As Opas, Fusões e Concentrações são impulsos artificialmente injectados no sistema Capitalista para o fazer crescer podendo o organismo sentir a ilusão que continua a melhorar, embora a realidade seja outra. Assim um pouco como as doses de morfina são aplicadas a um doente com cancro em fase terminal (passe o mau gosto da comparação) imagina-se que com a aplicação destes truques se vive na verdade um cenário macroeconómico impar em termos de crescimento mundial e abundância de liquidez.
Descomplexificando a acção dos magotes de eruditos do economês diz um pachola americano (Michael D. Yates), com alguma graça, que tudo o que precisamos saber de Economia é como e onde encontrar motéis baratos e comida quente. Mas são precisamente estas duas coisas essenciais que se tem verificado ser cada vez mais difíceis de obter pelas classes médias, pelo menos entre nós, em que são os mais desafortunados que têm pago a crise, por via da sua crescente proletarização.



"É neste contexto que Manuel Alegre desafia o PS a tocar nos lucros dos bancos advertindo previamente que "já era socialista antes de ser filiado no PS" afirmando que:

"Os sacrificados são os mesmos de sempre"

Na entrevista concedida ao Diário de Noticias, questionado pelo jornalista se "ser filiado no PS não o amarra a situações em que preferia não estar" Alegre riposta que "neste caso, sim. Mas já uma vez suspendi o mandato para não votar uma revisão constitucional"
Vejamos então o que acontece, recordando a propósito que foi quando Santana Lopes teve esta mesma linda ideia de mexer nos lucros da Banca, que foi imediatamente corrido pelo presidente Sampaio. O mais certo é, como de costume, não acontecer nada.

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim,(...)" poupo-me à transcrição do elogio feito na "Pátria" de Guerra Junqueiro no ano longinquo de 1896, para não pensardes que a memória do tempo vos atraiçoa, nada mudou, ou que o retrato não é de ontem, Outubro de 2006.

como diria o adjunto das facturas da electricidade
" se nada acontecer a culpa é tua e,
mais tarde ou mais cedo, hás-de pagá-las!


o Movimento Intervenção e Cidadania (MIC)

Quem participa no MIC não está sujeito a qualquer disciplina de grupo. Ora aqui está uma bela oportunidade para se gerar uma movimentação de cidadãos que obrigue o Poder a taxar a Banca. Quem compra um quilo de bananas paga 21 por cento de IVA; quem transacciona 5 milhões de euros não paga nada. Porquê? - é evidente que isto é assim, porque as decisões importantes que dizem respeito às nossas vidas são tomadas no exterior, e o governo que temos foi nomeado pela Banca Transnacional por interpostas pessoas: os eleitores. Voltando à receita tradicional do Guerra Junqueiro: "temos uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro […] enfim, temos "Um poder legislativo, esfregão de cozinha do Executivo" - (que agora se transferiu para Bruxelas e Washington). Fogo neles!!
(ou então, veremos como o MIC não será mais do que mais uma tábua de salvação para in extremis controlar o resssentimento dos atrevidos que põem o sistema em causa)

sábado, outubro 21, 2006

"Inside Man" o filme de Spike Lee é o objecto mais acessivel no entendimento do que é o sistema da Alta Finança (e por sinal um dos DVD,s mais vendidos, que entre nós dá pelo nome de "Infiltrado")
Repare-se contudo, aqui, como a mensagem principal do filme é ignorada pela maioria dos comentadores ao mesmo tempo que os aspectos secundários são realçados, para melhor os zurzir.
sinopse:
Dalton Russell (Clive Owen) e o seu grupo assaltam um banco em Manhattan, fazendo todos os clientes reféns. Porém Dalton parece mais interessado no conteúdo de um dos cacifos de depósito do que em dinheiro. Com o show off americano tradicional um alto aparato policial cerca e sela todo o quarteirão. Os detectives Keith Frazier (Denzel Washington) e Bill Mitchell (Chiwetel Ejiofor) encarregam-se das negociações com os sequestradores, sob pressão do capitão Darius (Willem Dafoe), um policia que está ansioso por "mostrar serviço" e invadir o banco. Entretanto, o director-geral da instituição, Arthur Case (Christopher Plummer), pretende certificar-se que o conteúdo do seu depósito não se torna público, pelo que contrata Madeline White (Jodie Foster), uma especialista com grandes ligações secretas com os centros decisórios politico-económicos para obter um acordo com o assaltante Russell. Todos introduzem peças de um puzzle intrigante, mas cada peça nunca é aquilo que aparenta ser. Por fim percebe-se que o essencial é salvar o envelope que contém documentação sobre o passado que poderia incriminar o Banqueiro Arthur Case, que oferece milhões ao assaltante, mas o principal obstáculo acaba por ser o de neutralizar o detective Frazier, mais obstinado em descobrir a verdade, que se recusa a condescender com "promoções" que o chutem para cima. No final policia e assaltante (que sai pela porta principal do banco) cruzam-se e trocam um piropo (na forma de um pequeno diamante deitado no bolso do detective); e o espectador que assiste ao espectáculo mediático, apercebe-se de como ambos parecendo ser importantes são peças insignificantes de uma engrenagem que lá muito do alto os transcende.

* Existem 6 clipes de video que podem ser vistos aqui.

sexta-feira, outubro 20, 2006

"ZIONIST FEDERAL RESERVE BANKING SYSTEM"

Quem faz o Dinheiro, faz as Regras

Em 1913 a América era uma país ainda mais ou menos Livre. Então, um bando de poderosos banqueiros sequestrou os ideais dos fundadores da Nação. Sigamos-lhe a pista desde a época imediatamente anterior:
- o Manifesto do Destino baseava-se numa Fé pré-determinada, expressa na crença que o povo dos Estados Unidos tinha sido eleito por Deus para comandar o mundo, o que em si já era um objectivo discutível, embora fosse ainda convocado em nome de "Nós o Povo", preceito que está expresso na Constituição.
- Nos anos 20 do século passado, quando o “judaísmo de esquerda” monopolizou a Alemanha, os banqueiros de Wall Steeet abriram o caminho para o “nacional socialismo” financiando Hitler.
- Desde então, a América nunca mais foi a mesma.



(ver mais)
para ver o video integral clique aqui - 14,42 min

quinta-feira, outubro 19, 2006

Democracia-Business

Sobre o brutal aumento de electricidade para os consumidores domésticos, em declarações à TSF o porta-voz de quem manda - o secretário de Estado Adjunto da Indústria e da Inovação que ficou a ser popularmente conhecido como o «Génio da Lâmpada» produziu uma declaração extraordinária: «a culpa do aumento dos preços da energia eléctrica é dos consumidores, que durante anos não pagaram o que deviam»

A verdade sobre a mundialização neo-liberal, as privatizações, as fraudes e os delitos que estas novas politicas iniciam.

banqueiro típico em acção!
O site voltaire.net, recentemente hackeado ou censurado esperemos que temporariamente, começava recentemente um artigo sobre as privatizações dos serviços públicos, assim:
«Se você recebe regularmente facturas de electricidade, você descobrirá por si próprio que a privatização da Energia faz sistematicamente explodir os preços pagos pelos consumidores, da Grã-Bretanha à Argentina – sem falar dos 379% de aumento na Califórnia durante apenas um ano».
Neste último caso, como nos apagões verificados no Brasil, viu-se como os novos gestores, as Sociedades Privadas, sabotaram as suas próprias instalações e manobraram sobre isso para daí retirarem lucros fabulosos.
Seja no caso recente da «Électricité et Gaz de France», da «Swisscom» na Suiça, ou da «EDP» em Portugal, o processo de financiarização e privatização dos sectores primários que até aqui forneciam serviços públicos de bens essenciais é sempre similar e passa-se, é imposto, pelo mundo inteiro. Os governos ficam responsáveis pelos custos brutais de construção das infraestruturas, sem quaisquer beneficios em retorno, enquanto as empresas privatizadas realizam mais-valias que são investidas no estrangeiro nos novos mercados globalizados. Os consumidores nacionais pagam a exploração dos novos consumidores dos Estados periféricos, cujos governos, poucos e sob as condições impostas pelo Banco Mundial, conseguem aceder ao sistema global gerido pelas multinacionais em regime de monopólio ao abrigo da protecção facultada pela OMC. Quando quaisquer governos legitimamente constituidos como «amigos dos seus povos» rejeitam este esquema de dominação são perseguidos politicamente e automaticamente excomungados para o «eixo do mal» - na medida em que se constituem num obstáculo ao «desenvolvimento do mercado»
Marx previu isto quando notou que “as empresas capitalistas terão uma tendência de concentração cada vez mais crescente, de tal forma que numa ultima instância se vão fundir num único grupo”.
Na Ibéria, uma das pontas da teia tecida
por estas directivas pode ser puxada
através do guru judeu Mike Rosenberg
do IESE ligado entre outros ao MIT e
à obscura Universidade de Navarra
da Opus Dei, que "doutorou"
o general Eanes, fiel mandatário
do actual presidente da República

Na concentração capitalista em curso, além do mais, deve ter-se em conta que o Capital Financeiro como motor e patrão do “fenómeno da Globalização”, não assenta as suas raizes no desenvolvimento da produção, senão apenas de forma indirecta e fundamentalmente através do controlo da Propriedade dos Meios de Produção . Num cenário em que a montante estão instalados meios de produção excedentários e a jusante não existem clientes com poder de compra para adquirir os produtos, a pilhagem dos recursos (ou a sua destruição) obedece mais ao interesse do seu controlo per si do que a um “crescimento económico” sem objectivos definidos em concreto.

Assim, as empresas monopolistas, tradicionalmente controladas, em maior ou menor escala pelo Estado, abandonam a sua actividade principal para se dedicarem apenas à actividade de prestadoras de serviços financeiros e à especulação nos jogos bolsistas globais. Esta “táctica” é válida para todos os sectores fundamentais da economia neoliberal: a Energia e os Combustíveis (onde as empresas petroliferas, depois do Relatório Bruntland, já trataram de sequestrar o know-how para o desenvolvimento de energia solar), o fornecimento de Água, Telecomunicações com especial ênfase nas novas tecnologias multimedia, Transportes, Serviços postais, etc. Até a Guerra é privatizada e faz agora parte do negócio.

quarta-feira, outubro 18, 2006

depois do liberalismo imperialista, o neoliberalismo armado Imperial

"The Fog of War" part II - o Iraque, Afeganistão, Irão, onde mais?


"9 mercenários americanos mortos nas ultimas 24 horas"

só se perdem as que caiem no chão

A opinião pública norte-americana tem de compreender que o único caminho viável para o seu país voltar à legitimidade é o da deserção imediata dos soldados seguida de três acções complementares - 1. desmantelamento imediato de todas as bases militares no estrangeiro, 2. extradição para o Tribunal Internacional para julgamento de todos os criminosos responsáveis por crimes de guerra, 3. Definição de um plano urgente de reparações materiais às vítimas das agressões.

Evolução da opinião pública americana sobre o 11/9

respostas à pergunta: "Pensa que os responsáveis da Administração Bush dizem a verdade àcerca das acções priritárias desencadeadas pelo 11 de Setembro?"











Maio 2002


* Dizem a Verdade - 21%
* Escondem algo --- 65%
* A maioria Mente -- 8%
* Sem certezas ------ 6%

Maio 2004

* Dizem a Verdade - 24%
* Escondem algo --- 56%
* A maioria Mente - 16%
* Sem certezas ------ 4%

Outubro 2006

* Dizem a Verdade - 16%
* Escondem algo --- 53%
* A maioria Mente - 28%
* Sem certezas ------ 3%

fonte: www.911blogger.com/

relacionado:
* "Uma torre de Babel contra o neoliberalismo"
* "a imprescindivel implosão politico- económica interna dos Estados Unidos"

terça-feira, outubro 17, 2006

a propósito da "rivolição"

A Câmara do Porto abriu um concurso para entregar a privados a gestão do teatro Rivoli, recentemente recuperado com dinheiros públicos. A autarquia não tem legitimidade, além da vontade politica, para a decisão que foi tomada de privatizar a gestão do Rivoli.
«A receita do Rivoli cobre 6% da despesa», justificou o presidente da autarquia de maioria PSD/CDS. Um grupo de manifestantes ocupou o teatro. «Iremos permanecer nesta sala até sabermos que garantias é que são dadas de que este equipamento acolherá um serviço público de qualidade e de diversidade, porque estamos a falar de cultura e não de batatas», disse Francisco Alves, do grupo teatral que procedeu à ocupação com a adesão imediata de manifestantes populares no exterior.

* "Eu gostava de estar aí no vosso lugar" - (ultimo comunicado dos ocupantes)

"Ó meu rico São João, viva o santo popular,
leva-me daqui o Rui Rio para a beira do Salazar"

Mudar o mundo sem tomar o Poder?

"Toda a forma de opressão desencadeia resistências e alternativas.‭ ‬Mas as alterntivas capazes de se transformar em movimentos sociais amplos e fortes têm raízes nas formas de‭ ‬construção da vida determinadas pelo sistema dominante.‭ ‬Porque a tarefa essencial que a maior parte dos seres humanos se coloca não é mudar o mundo – ‬e sim construir a sua própria vida,‭ ‬nas condições que lhe são oferecidass.‭ ‬E aqueles que, pelas suas condições materiais ou intelectuais, se tornam capazes de enxergar adiante,‭ ‬de vislumbrar o futuro possivel não deveriam esquecer-se da necessidade de construir este futuro levando em conta as necessidades de fazê-lo ‭para o superar,‭ ‬mas‭ ‬a partir do quotidiano da maioria. As novas formas de acção política sugeridas,‭ ‬convidam a repensar as estratégias de transformação social".
a ler:
Que formas de transformação social continuam actuais,‭ ‬na‭ “‬nova‭” ‬fase do capitalismo?‭ ‬Especulações para a Agenda Pós-Neoliberal‭ - publicado no site do FSM

segunda-feira, outubro 16, 2006

DocLisboa 2006 - vá para fora cá dentro

uma boa oportunidade de viajar pelas grandes questões do mundo - apenas por 2 euros e meio cada bilhete - a partir do dia 20, na Culturgest

o Racismo é um problema de raiz
fundamentalmente económica


ver programação aqui



com destaque para
"Noticias lá de Casa" incluido na retrospectiva do realizador israelita Amos Gitai
"Magino Village-A Tale" de Shinsuke Ogawa, Japão, 1986
"Gitmo - The New Rules of War" (sobre Guantanamo) de Erik Gandini e Tarik Saleh, Suécia 2005
"Oxalá Cresçam Pitangas" (sobre Luanda) de Kiluange Liberdade e Ondajki
"China Blue" de Micha X. Peled, EUA 2005
"Tierra Negra" de Ricardo Iscar Alvarez, Espanha 2005
"Cartas a uma Ditadura" de Inês Medeiros, Portugal 2006
"Pátria Incerta", o drama dos povos colonizados, de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel, Portugal 2006
"Our Daily Bread", a indústria alimentar e a agricultura hi-tech, de Nikolaus Geyrhalter, Áustria 2005
"Bien Mélanger", os imigrantes, de Nicolas Fonseca, Canadá 2006

"Enron: the Smartest Guys in the Room", de Alex Gibney, Estados Unidos 2005

Este último documentário, proposto para o óscar, que encerra o DocLisboa, está a causar grande expectativa, na medida em que a falência da Enron é crucial para, no clima de ruptura do capitalismo em 2001, se entender o que foi preciso fazer, em termos de acontecimentos, para salvar o sistema da catástrofe global de bancarrota eminente, definindo as politicas que continuam actualmente a ser levadas a cabo.
Para se fazer uma pequena ideia do clima da actual economia ficcionada pelas aldrabices contabilisticas destinadas a criar mais-valias inexistentes - só no caso da Enron (13 biliões de dólares de "lucros fabricados"), a empresa energértica norte-americana que foi obrigada a falir três meses depois do 11/9, foram acusados cerca de 30 executivos, contabilistas e banqueiros - tudo arraia miúda, porque os principais centros de decisão económica não foram beliscados. O nº1 Kenneth Lay, condenado e preso, assinou promissórias no valor da sua alma com data de vencimento eterno. A Merryll Lynch e o J.P.Morgan dispenderam 1,1 mil milhões de euros em acordos extra-judiciais para pôr termo ao processo que envolvia os seus analistas, a Arthur Andresen viu-se obrigada a fechar portas por obstrução à "justiça" - o mesmo é dizer que partiram para outra - depois da falência da "nova economia" na bolsa de Nova Iorque em 2001 a grande Finança, em desespero de causa, desatou a enterrar em tijolos na construção civil os valores que conseguiu salvar. Por alguma razão, bem visivel entre nós, resultante da reconversão do mercado nos últimos anos, das 4 principais operadoras imobiliárias a operar entre nós 3 são norte-americanas e apenas 1 é nacional. Desincha dum lado, incha noutro, a essência do capitalismo é assim, com as propriedades inerentes a qualquer gaz que alastra ao maior espaço possivel, principalmente quando não é contido por nenhum invólucro de regulamentação - aí está outra: a bolha do Imobiliário pronta para rebentar a qualquer momento, situação que só não aconteceu ainda porque, com a desvalorização do valor da habitação, e perante a subida dos juros decretada lá longe pelo FED, a Banca está a segurar artificialmente o valor do crédito de quem contraiu empréstimos, sob pena de serem os Bancos os principais atingidos pela perda de valor das casas que vão ser penhoradas.












Não se pense contudo que esta se trata de uma trama exclusivamente determinada pela "crise nacional"que já todos percebemos que foi provocada. Aqui ao lado o panorama causado pela subida consertada das taxas de juro é idêntico - tornando evidente que se trata de um plano Global bem estruturado, e não dependente de bons ou maus desempenhos nacionais.
Finalmente, entre a mega-fraude Enron que lesou milhões de accionistas e consumidores e as fraudes empresariais pulverizadas destinadas agora a caçar a propriedade das classes médias, existe uma classe profissional corporativa que escapa incólume a todos os apuros e que sai sempre ilesa dos processos - se pensou nos Advogados, conforme pensou igualmente Carrie Johnson em artigo* no "Washington Post", acertou. Só no caso da Enron os procuradores formularam acusações contra 34 advogados, sem consequências. "Não é facil acusar formalmente advogados. Um dos obstáculos está na ausência de Poder de decisão invocada na negociação de acordos", diz o artigo.
Concluindo,,, se pensarmos qual é o maior grupo profissional representado no Parlamento,,,
que redigiu e fez aprovar a nova Lei do Arrendamento,,,

* (artigo traduzido no Publico, sem link"

sábado, outubro 14, 2006

México (III) - Viva Zapata está de volta

Fox e o Imperador golpista
antes das eleições - Fun in Acapulco









Os neo-conservadores testaram as novas formas de fraude eleitoral no México

John Steinbeck escreveu o argumento do clássico épico “Viva Zapata”, “celebrizado” (como soe agora dizer-se) no cinema, em 1952, pela mão do judeu sionista Elia Kazan, realizador então envolvido na denúncia de infiltrados “comunistas” nos meios culturais norte-americanos – combate oficial promovido pela Comissão do Senador MacCarthy que ficaria conhecida pelo periodo de “Caça às Bruxas” onde pontificou e se notabilizou o jovem actor de séries B, e activista: Ronald Reagan.
Protagonizado por Marlon Brando “Viva Zapata” conta, à maneira de hollywood, a odisseia de um camponês mexicano na Revolução de Porfirio Diaz (1910), (que já foi aqui referida a propósito da recente mostra Frida Kahlo no CCB) desde o seu triunfo à manipulação politica por oportunistas e à traição que levará ao assassinato de Zapata. Simbólicamente um dos proventos mais significativos do filme foi o óscar ganho por Anthony Quinn como melhor actor secundário.

No mais, porque ficou omisso, não se aprendeu nada. Esta transferência de notoriedade para os ricos do Norte e o apagamento mediático pantomineiro da realidade do México, que, como é habitual nas oligarquias tem cúmplices na élite nacional, não matou de vez (ou assassinou em definitivo, como na estória agit-prop ultraconservadora de Kazan), a imensa vontade de mudança dos mexicanos, submetidos por décadas a um dos mais violentos modelos de exploração vigentes nos sacrificados paises da América Latina – mormente ressuscitado depois do flop da economia de raiz liberal, às ordens do imperialismo, no crash de 1986.
Vinte anos depois, do desastre que foram os governos do Partido de Acção Nacional (PAN) do presidente eleito com o patrocinio do neoliberal Vicente Fox (grande amigo de toda a sorte de social-democratas de diversos matizes, de Soares a Cavaco) temos um muro de 1500 kilómetros dos mais vigiados e policiados no mundo para tentar evitar o êxodo de imigrantes que partem, desesperados do México para os Estados Unidos, arriscando tudo, principalmente a vida.
Mas há um outro filme que nunca foi filmado em definitivo: “!Que Viva o México!” de Serguei Einsentein – um projecto iniciado mas não concluido do famoso realizador.

* México Fracturado, a análise de Ignacio Ramonet

* México Insurrecto - a Marcha Nacional pela Democracia - o Zapatismo

sexta-feira, outubro 13, 2006

Guerra da Coreia part II ou o regresso do Dr. Strangelove

«I do think the North Koreans have been, frankly, a little bit disappointed that people are not jumping up and down and running around with their hair on fire», Condoleeza Rice ao "The Wall Street Journal"

"A República Democrática da Coreia não é o Iraque. Quando o Império ameaça o que eles dizem ser a “Coreia do Norte” esquecem as maiores pretensões dos coreanos (do norte e do sul):
- a conquista do direito a um clima de Paz,
o livre acesso à tecnologia nuclear para efeito de auto-suficiência energética e,
- a reunificação pacífica da Península Coreana,
onde, depois da Guerra da Coreia (1952-9953) dos americanos contra o Comunismo, se construiu a fronteira mais militarizada do planeta; um "muro de berlim" sem fim previsivel, ainda que não exista inimigo à vista.
Salvo quando se negoceia com o “inimigo” (Clinton tinha prometido vender-lhes (!) uma Central nuclear), qualquer pequena economia de regime planificado está sempre condenada a ser vilipendiada e banida por inconveniência ao “livre desenvolvimento do mercado” - parece contudo de descartar a hipótese de um ataque yanque, ainda que cirúrgico, que poria em perigo Seul e Tóquio. Logo, o polémico alarido que surgiu em tudo o que é órgão de info-propaganda social ocidental tem outro destinatário: a República Islâmica do Irão – outro empecilho no caminho dos empreiteiros da guerra nas obras em curso no Médio Oriente.


Pese embora o esforço dos cruzados da calúnia, estas têm um efeito boomerang engraçado no lado de cá – não passou um dia que não rebentasse um escândalo em Itália com mais de 50 deputados confessando ser viciados em crack, que levou à proibição de transmissão de um programa de televisão – e quanto a corrupção e tráfico de Armamento em Portugal estamos conversados:


"Outra vez a Coreia?"

* diz Wilfred Burchett na reportagem sobre a Guerra da Coreia que: «…sobre Pyongyang, em 11.7.52, revelou a Associeted Press se largaram 870 toneladas de bombas, 43.000 litros de “napalm”, 650 foguetões e que foram ainda disparadas 50.000 descargas de metralhadoras e canhões», o que traduz uma simples mas terrível amostra da mortandade e destruição efectuada pelo exército americano na Coreia, onde após a guerra «… a Coreia era um país destruído por completo – e no sentido mais literal da expressão. Quando a guerra deflagrou, a cidade de Pyongyang contava com 400.000 habitantes; no fim da guerra, havia dois edifícios intactos! Ainda lá se encontram hoje, como peças de museu». A destruição, na Coreia, atingiu de facto níveis inimagináveis, ao ponto de no final da guerra, um general americano ter afirmado que seriam necessários cem anos para reconstruir o país». Enganava-se redondamente! Passados dez anos, a Coreia renascia das cinzas e o povo coreano lançou-se na reconstrução das cidades, das fábricas e da capital, Pyongyang, transformando-a na agradável, calma e laboriosa cidade que é hoje, onde a par de inúmeros equipamentos desportivos e culturais, se desenvolvia, no ano 2000, a construção de mais um vasto, impressionante e moderno complexo habitacional. É um facto que a proliferação de armas nucleares deve ser travada. Mas os EEUU possuem-nas em grande quantidade, a Rússia, o Paquistão, Israel, a China, a França, igualmente, a Índia efectuou este Verão o “seu primeiro teste com um míssil com capacidade nuclear” e isto parece um facto normal, talvez porque «este novo míssil tem um alcance de mais de 3.000 quilómetros, podendo atingir alvos tão longínquos como Pequim ou Xangai». Será só uma questão de “alvos possíveis”??? - ou seja, todos podem – quase todos! – já que alguns – Irão e Coreianão podem sequer avançar na procura de fontes de energia, em princípio para fins pacíficos! (ler artigo completo aqui)


Foi lançado ontem em Lisboa um livro de reportagem do jornalista Ricardo Alexandre da RDP, que passou 3 semanas em Teerão e nos traz em "O Irão Nuclear" uma visão diferente do que é a realidade daquele país. Episódios como aquele em que entrevista uma feminista iraniana que, questionada sobre a liberdade da mulher, nos diz que as mulheres fumam e não andam cobertas por véus e que, apesar de certas restrições consentidas de carácter religioso, os crimes de violência doméstica não atingem metade dos valores que se verificam em Portugal.
Apesar do clima desmistificador do livro, caucionado pela presença no lançamento do jornalista Adelino Gomes, o prefácio escrito por Jorge Sampaio revela-se tendencioso nas “boas intenções” mormente quando se deixa tentar por aconselhamentos em tom paternalista à “teocracia iraniana”, nos capítulos dos “direitos humanos” da “liberdade das mulheres” e na “democratização do regime”. Que diria qualquer português de entendimento mediano se o presidente de 68,6 milhões de Iranianos se atrevesse a aconselhar os nossos bravos 10 milhões de cidadãos a dar uma valente vassourada na corrupção, na manipulação mediática da iliteracia, enfim, no economicismo que preside à definição de politicas nos bens essênciais de uso público que deveriam ser de igual acesso para todos? – e com que estranho ascendente se sentirá Jorge Sampaio para que este pequeno país de que foi presidente da República se arrogue a ter uma importância na cena internacional assim tão desmesurada relativamente à sua efectiva dimensão?