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sexta-feira, agosto 17, 2007

to be continued

do blogue "Os Ladrões de Bicicletas": "esta crise pode anunciar o fim da hegemonia do neoliberalismo"!, e ainda,
"Já há muito que se abandonou a ideia de que a economia trata de questões que estão politicamente resolvidas (Abba Lerner). Posição que fez com que Paul A. Samuelson declarasse há já algum tempo que seria indiferente o trabalho contratar o capital ou o capital contratar o trabalho"
Para se perceber a citação de Samuelson, é preciso entender de onde ela vem: de um velho professor keynesiano do famoso MIT - Samuelson é duplamente famoso por lhe ter sido atribuido o prémio Nobel de Economia em 1970 (uma invenção americana à revelia dos propósitos iniciais de Alfred Nobel), mas, diria mais, o professor Samuelson é triplamente famoso por ter editado o best-seller "Economics" que, segundo a Wikipedia, "ensinou os fundamentos desta ciência à maioria dos estudantes de economia da segunda metade do século XX, fazendo parte dos grandes manuais de Economia juntamente com os livros de Adam Smith (A riqueza das nações), de John Stuart Mill (Principals of Political Economy) e Alfred Marshall (The Principles of Economics)"
E como "não se trata de questões politicamente resolvidas" cabe aqui perguntar, onde ficam os cinco volumes de "O Capital" de Marx nestas escolinhas por onde vão aprendendo os nossos esfalfados teólogos de mercado, da direita à "esquerda". Marx que para iniciados da primária disse uma coisa tão simples de entender quanto isto: "Só o Trabalho produz Mais-Valia" (o dinheiro por si só, por mais que o multipliquem, não produz nada) - é "indiferente o trabalho contratar o capital ou o capital contratar o trabalho"?

A crise do Capitalismo – Tom Thomas:
I
“A maioria dos autores que escrevem sobre a crise vêem-na apenas como resultado de erros dos dirigentes politicos ou de excessos de dirigentes financeiros. Propõem correctivos que permitam ao capital retomar um crescimento vigoroso e prometem que esse crescimento será fonte de empregos e de maior bem-estar para todos.
O meu livro não pretende curar o capitalismo nem predizer o seu fim, mas pôr a claro o lado prático da luta de classes que se trava durante a crise. Primeiro, mostrando as causas profundas da crise, e depois, mostrando o carácter novo da crise actual.

A crise é o momento em que rebentam as contradições que minam a acumulação do capital e em que este tenta resolvê-las à sua maneira, para poder retomar o avanço. A crise torna evidente que a acumulação do capital, o famoso crescimento tão gabado pelos ideólogos, está a ser bloqueada pelo desequilibrio entre o crédito e os lucros, ou entre a puopança e os investimentos, ou entre a capacidade de produção e o consumo, etc. Os críticos dizem então que a causa da crise está nessas desproporções – por exemplo, nas bolhas financeiras, nos investimentos em excesso, nas mercadorias que não obtêm saída, na alta do preço do petróleo, etc. – e irão procurar o remédio no restabelecimento do equilíbrio perdido, o que será feito à custa de uma exploração ainda mais dura dos proletários, da destruição de uma massa enorme de capitais excedentes (sob a forma de dinheiro, de meios de produção ou de mercadorias) e também da destruição de seres humanos e da natureza, que para eles não passam de outras tantas mercadorias. A crise é o momento de uma guerra de morte entre os vários capitais para saber quais sobreviverão, guerra que, como bem evidenciou o século XX, desemboca em guerras militares. Esta é uma caracteristíca banal de todas as crises modernas. Hoje, porém, a situação é diferente. Mesmo que as desproporções entre coisas pudessem ser ultrapassadas por algum tempo, isso não permitiria a retoma de uma acumulação séria, como aconteceu durante os “30 anos gloriosos” após a última guerra mundial. E isto porque o nível de produtividade atingido pelo capitalismo entra em contradição profunda e permanente com a relação de apropriação capitalista. De facto, a quantidade de trabalho vivo utilizado na produção tornou-se insignificante em comparação com a dos meios mecânicos – e, como se sabe, só esse trabalho produz mais valia. Não estamos pois perante uma crise clássica, como as que Marx estudou.

O capitalismo atingiu um estádio em que só pode viver em crise quase permanente, “crónica”, e em guerra perpétua.
É para este aspecto da crise que o meu livro procura chamar a atenção. Procuro combater em especial três grandes mentiras:
1) a que apresenta os excessos e a avidez do capital financeiro como causa da crise geral.
2) a que apresenta a “mundialização liberal” como causa do desemprego.
3) a que apresenta o proteccionismo e o reforço do papel do Estado como meio de dominar a crise, controlando o capital financeiro

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