Reportando-nos a dados disponíveis referentes ao ano de 2005 apontou-se um subsidio do regime de Bush aos “dissidentes cubanos” de 6.000 milhões de dólares anuais. Na verdade, e pelo sopro do mesmo trompeteiro de faxina ao diário de Miami “The New Herald” (1) a verba disponibilizada em 2006 atingiu 27,5 milhões de dólares!!Na verdade houve um aumento considerável após a implementação efectiva do “Plano Powell contra Cuba”; mais: os 6.000 milhões eram afinal a diferença para o orçamento entregue aos “activistas anticastristas” com sede na Florida – popularmente conhecidos em Cuba por “gusanos” (vermes, em espanhol) – a verba em 2007 totalizou 33,5 milhões de dólares!
O jornalista francês Salim Lamrani, autor do livro “Fidel Castro, Cuba e os Estados Unidos” (2006) chama-lhe o “tempo das cerejas” – o que traduzido para o léxico revolucionário significa que chegou o momento de George W. Bush pagar aos patrocinadores que o elegeram na Florida em 2000. E como nos poderíamos esquecer da lisura de processos com que os Neocons do 11 de Setembro chegaram ao Poder, “eleitos”, depois de contagens, recontagens e novas contagens dos votos da Florida, por um Tribunal controlado pela maioria do juiz ultradireitista Jack Scalia?
De facto, depois de há 40 anos ter estado no centro da disputa fulcral do mundo bipolar durante a “guerra fria” entre as duas superpotências (EUA vs URSS) com a chamada “crise dos mísseis” (1962), Cuba continua a estar no zénite do futuro do regime imperialista global que agora se declarou unipolar. Porque se cerca este pequeno povo? Porquê a perseguição ? quem é esta gente?
Em 21 de Junho de 2007, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos decidiu votar o novo orçamento apresentado pelo presidente Bush para o ano de 2007/2008 num total de 45,7 milhões de dólares destinados aos “dissidentes”. Assim 254 congressistas, entre eles 66 democratas aprovaram a estratégia da Casa Branca para derrubar o Governo Cubano. O senado da Florida é presidido por Lincoln Díaz-Balart que se regozijou com a ajuda “Esta vitória constitui um suporte à oposição politica interna cubana. Não é, como ultimamente tem sido uma ajuda simbólica, mas concreta (...) Ela é um elemento vital para a sobrevivência dos militantes” – ou seja, eles admitem que “a dissidência” não tem nenhum apoio da população; e sem o apoio popular nada poderá mover um regime que é compreendido no essencial por um povo com um alto nível de literacia a quem as verdades sobre todas as situações são colocadas com transparência.
Por contraste, neste lado, no “democrático” nem uma linha se escreve sobre facto do senador da Flórida Lincoln Díaz-Balart ser descendente familiar directo do antigo ditador Fulgêncio Baptista deposto em 1959. Mas os cubanos conhecem-no! Como conheciam o seu antigo regime. Se Fidel está velho, é certo que os herdeiros da ditadura estão bem jovens e empossados em altos cargos. Díaz-Balart dá-se ao luxo de ter criado um Museu (na cidade turística de Daytona Beach) onde estão expostos objectos pessoais do ex-sargento Fulgêncio Baptista e uma valiosa colecção de Arte, espólio roubado ao povo cubano quando o ditador apoiado pelos gringos fugiu da ilha face à ira popular.Há décadas que a Rádio e a TV Marti difundem programação via satélite, emitindo ilegalmente para Cuba incitando a população à alteração da ordem estabelecida. No biénio 2007/8 outra verba paralela à “ajuda” principal, igualmente aprovada pela Câmara dos EUA ultrapassa, exclusivamente para estes dois médias os 30 milhões de dólares! Se o povo cubano está assim tão subjugado pela desgraça, onde estão os resultados do dinheiro gasto? onde está a “revolta”?
No mesmo dia 21 de Junho em que se soube da “ajuda, o Chefe da Diplomacia norte americana em Havana, Michael Parmly, recebeu com grande pompa e circunstância os “dissidentes” René Gómez Manzano, Félix Bonne, Marta Beatriz Roque e Valdimiro Roca na sua sumptuosa mansão pessoal. Vinham agradecer aos seus preciosos mecenas tanta generosidade. A noticia foi divulgada por Andrea Rodriguez, da Associated Press, em 21 de Junho de 2007 «Disidentes cubanos usan casa de diplomático de EEUU» - afinal é verdade que existe liberdade para esta gente se deslocar onde muito bem entende. Entram e saem onde muito bem querem quando muito bem lhes apetece. Também é verdade que, de regresso a suas casas, por inúmeras vezes a Policia de Segurança Pública tem de intervir para evitar que a população linche estes pulhas.(1) Wilfredo Cancio Isla, « La Cámara da sólido apoyo a la democracia en Cuba », "The New Herald", Miami, 22 Junho 2007
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