Yankees Come Home!
No "problema da Birmânia", entre as supostas facções em confronto, “a escolha é fácil” segundo José Vitor Malheiros (no Público,2/10) – por que do que verdadeiramente se trata é de afrontar a Birmânia “governada por vermelhos”, ainda por cima ideologicamente próximos da vizinha China - “direitos humanos”, uma ova. Já vimos onde acaba a estrada noutras paragens libertadas dos tenebrosos regimes socializantes, desde a Polónia e a Rússia até ao Haiti, Paquistão e Iraque. Posta a máquina a facturar, que se lixe a grande maioria que fica de fora. Mais uma vez, do que se trata na Birmânia, é de obter quotas num apetitoso mercado de 50 milhões de potenciais consumidores, cuja lógica de governo se escapa ao controlo económico dos governos das multinacionais ocidentais. É um facto que a miséria grassa no país; mas veja-se aqui, quem, mesmo com este regime, lhes explora os recursos económicos.
“É triste ouvir George W. Bush na ONU apelar ao despertar das consciências sobre a Birmânia sem que a Europa tenha conseguido fazer algo de longinquamente semelhante” diz o colunista JVM, ao mesmo tempo que descobre que “temos entre os opositores ao regime os monges budistas, o grupo social mais respeitado do país”. Triste? Eu acho que Bush, em qualquer circunstância, não fôra a gravidade dos milhões de pessoas afectadas pelas decisões da sua Administração, dar-nos-ia era vontade de rir.
Sustentar os “Filhos de Buda” a Coca ColaNa prossecução de estratégias demolidoras dos regimes adversos, empregam-se invariavelmente sempre os mesmos meios de controlo psicológico – a instrumentalização das crenças religiosas, Tanto usada, em tempo, com êxito na medieval Polónia, como agora inconsequente na acusação de falta de liberdade religiosa na China e arredores. (são mercados diferentes, onde até o simples acto de ganhar dinheiro se pode transformar numa religião)
a Religião é o Ópio do Povo
Gastos no controlo psicológico pela estupidificação religiosa de massas, segundo o “La Repubblica” a Igreja custa quatro mil milhões de euros anuais a Itália, num instrumento que não é eleito pelo povo nem está sujeito aos vínculos democráticos. Entre esse valor das esmolas à ICAR conta-se os 650 milhões que o Estado paga aos 22 mil professores de religião.
Em Espanha, a verba (oficialmente) divulgada é menor. Mas existem 32.000 professores religiosos em programas supervisionados pela Igreja Católica, mas pagos pelo Estado. O que pressupõem um valor anual à volta de 1,1 milhão de euros. No pequeno Portugal, não há números disponíveis, porém basta fazer umas regras de três simples para se calcular o prejuízo. E, quanto gastarão os Estados Unidos com Ted Haggard, o poderoso presidente da Associação Nacional Evangélica, grande amigo do presidente Bush, que controla ideologicamente cerca de 50 milhões de membros militantes activos?Neste panorama, como não haviam os monjes budistas da ex-colónia Birmânia (ou, se preferirem, do neo-colonizado Myanmar) aspirar a tão chorudos proventos do Poder? – trata-se porém de um combate desigual: os 483 mil soldados do exército jamais poderão causar tantos danos aos 466 mil monjes budistas, quanto estes podem causar com os disparos das suas ideias retrógadas contra o povo desprotegido pelas crenças religiosas medievais.
* adenda
* a ler, sobre a Religião e o Estado - Rui Tavares: "Se há polémica certificada, o público convence-se que no meio está a virtude. Logo, quanto mais agravada se mostra uma parte, mais puxa a bissectriz para o seu lado"
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