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terça-feira, janeiro 30, 2007

Preços sem controlo fazem disparar inflação e lucros em Portugal

"A evolução das espécies depende da escassez de comida. Por esta razão, as crías de qualquer espécie lutarão entre elas pela sobrevivência"
in “O Pesadelo de Darwin”

Ernesto Sábato:
“Segundo parece, a dignidade da vida humana não estava prevista no plano de globalização. A angústia é o único sentimento que alcançou niveis nunca vistos.
Num mundo que vive na perversidade, onde uns poucos contabilizam os seus lucros sobre a amputação da vida da imensa maioria. Tem-se feito crer a um e outro pobre diabo que pertence ao Primeiro Mundo por ter acesso a incontáveis produtos num supermercado. E enquanto o pobre infeliz dorme tranquilo, encerrado na sua fortaleza de bugigangas e quinquilharias, milhares de familias devem sobreviver com um dólar por dia. São milhões os excluidos do grande banquete dos economistas. Estamos no entendimento de um mundo onde, em vez de se cuidar do desespero, aumenta o egoismo e o “salve-se quem puder”. Mesmo que os mais desafortunados sucumbam na profundidade das águas, nalgum recanto distante da catástrofe, no meio de alguma das festas de disfarce, continuam dançando os homens do poder, ensurdecidos pelas suas gargalhadas”.

Mas, melhor que ninguém, o próprio presidente dos Estados Unidos, o primeiro no pós-Guerra nos explicou porque são as coisas assim. Pode-se ouvi-lo aqui neste video - Dwight Eisenhower em 1961 explica como já nessa época 3 milhões e meio de americanos estavam envolvidos no Complexo Politico Militar. Que dizer dos dias de hoje, quando os Estados Unidos têm 725 bases militares repartidas por 130 paises distintos no mundo?
(tema para aprofundar aqui)

Pode-se fazer o download do filme completo "Why We Fight", por este link:
http://oldamericancentury.org/why_we_fight.ram

Evocando o discurso de despedida como presidente de Dwight D. Eisenhower, Eugene Jarecky realiza una autopsia directa ao facto da vontade do povo ser um factor acessório e totalmente irrelevante na política do Pentágono. "¿Por que lutamos?" (Why We Fight?) é a pergunta que tem sido feita por milhões de norte americanos através da sua história. Este documentário intenta dar resposta a esta questão à qual nos Estados Unidos só se ouve responder: "Pela liberdade". (liberdade de quê e de quem?) - O autor questiona, além do mais, se a indústria do armamento é o motor da economia americana e se os conflitos bélicos são rentáveis. Para isso conta com testemunhas – criticas em muitos casos – de importantes personalidades da politica e da cultura dos Estados Unidos.

Vencedor do Grande Prémio do Juri do Festival de Sundance 2005. Não exibido em Portugal.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.


Existem hoje máquinas poderosas que nos permitem “ver” o passado. Se interpretassemos os sinais das antigas civilizações estaríamos hoje a questionar os sinais desses progressos desastrosos. É o que faz a obra de Ronald WrightBreve História do Progresso” quando nos adverte para o facto das muitas da ruinas que hoje povoam as selvas e os desertos do planeta serem testemunhos iniludiveis das civilizações que cairam, vítimas da ignorância face a um modelo de crescimento desmesurado. As estátuas gigantes da ilha de Páscoa, as desoladas areias da Mesopotâmia, a Suméria (onde hoje é o Iraque), o Crescente Fértil, Angkor, são relatos históricos muito claros sobre desastres ecológicos onde as culturas intensivas de terras, o corte das florestas e a depredação do ambiente conduziram a trágicas armadilhas. Quando uma civilização se constrói e torna urbana tendo como único móbil a exploração do homem por castas que se formam sobre a alienação geral, religiosa, das populações – temos a metrópole, que se toma a si própria por moderna, mas que afinal demonstra a ignorância geral dos nativos sobre as fontes substanciais que sustentam a Natureza. Como se constatou, e se irá constatar sempre, quando uma civilização deixa de ter bases materiais de apoio, desaparece, submersa por catástrofes invisiveis – como os Anasazi de Mesa Verde ou os Maias de Teotihuacan de que só conhecemos as grandiosas construções.

Uma grande civilização não pode ser conquistada
enquanto ela não fôr destruida por dentro!
Por exemplo, no mesmo site americano que nos conta
os "mistérios" nas civilizações pré-colombianas inclui-se
igualmente uma explicação sobre o santuário de Fátima

Apocalypto”, que em dialecto maia significa “um novo começo” é uma fábula muito meritória sobre a dissolução civilizacional - ”a Terra, a Vida e a Humanidade são expressões de um mesmo e imenso processo evolutivo que se iniciou faz treze mil milhões de anos e que formam uma única realidade diversificada e complexa. A Terra é Gaia, um super- organismo vivo. O ser humano (nome cuja origem filosófica provém de “húmus” e equivale a “terra boa e fértil”) é a própria Terra que sente, que pensa, que ama, que cuida e que venera. A missão do ser humano, como portador de consciência, inteligência, voluntariedade e amor, é cuidar da Terra, ser jardineiro deste esplêndido jardim do Éden” – quem o disse hoje foi Leonardo Boff, num sermão de um padre que foi excomungado pela Igreja. Quem o disse ontem foi o personagem do filme de Mel Gibson - “Jaguar Paw” quando grita aos seus perseguidores que “esta floresta é nossa, o meu pai sempre aqui caçou, e o meus filhos aqui continuarão a caçar para sempre”. Perseguido pelos fautores da “democracia universal” os selvagens que resistem à integração nas grandes civilizações urbanas insustentáveis acabam por ser aprisionados para serem sacrificados, levados a percorrer a avenida da Morte em direcção à pirâmide da Lua, em cujo topo o Monarca decide, o Guerreiro subjuga e o Feiticeiro executa a tarefa de transformar as vítimas em inimigos como pretextos para apaziguar os Deuses. Rituais que não têm outra finalidade que tentar manter intacta a cadeia corrupta do Poder na pirâmide construida sobre o Medo, a Ignorância, o Misticismo e a Mentira. Cá em baixo, multidões ululantes suburbanas espumam de alívio de cada vez que um coração é arrancado e uma cabeça rola. Afinal o que está em causa é a simples questão da ajuda dos Deuses nas guerras que tragam às massas ignaras meios de subsistência. Afinal, conforme nos diz William K. Tabb, as Guerras pelos Recursos (in “Resource Wars”) sempre tiveram uma relação próxima com as fontes da Natureza. (artigo para ler na “Monthly Rewiew”, Janeiro 2007).

“Os Estados Unidos deverão encorajar os investimentos no sector petrolífero do Iraque, através da comunidade internacional e das companhias de energia multinacionais”
“Os Estados Unidos deverão dar assistência aos lideres iraquianos na reorganização da indústria petrolifera com as empresas comerciais, por forma a adquirir eficiência, transparência e rentabilidade”
extraido do “Relatório do Grupo de Estudo sobre o Iraque” da autoria de James Baker III e Lee Hamilton, Dezembro de 2006
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Era do cimo desta torre numa das maiores fazendas de açúcar, a de Manaca-Iznaga, que se vigiava o trabalho dos escravos, capturados e embarcados à força de África pelos navios negreiros no que foi já considerada como a maior migração na história da humanidade - estima-se que cerca de 13 milhões de seres humanos tenham sido levados para o Novo Mundo para aí serem escravizados em campos de trabalho, desde Minas Gerais até ao Mississipi.


Lá do alto, os capatazes do fazendeiro tinham uma visão ampla dos imensos campos de cana de açúcar dando o alerta ao menor sinal de tentativa de fuga dos milhares de escravos que aí trabalhavam. Neste caso particular, estamos em Cuba, próximo de Trinidad, no Vale dos Engenhos, que hoje é um sitio considerado pela Unesco como Património da Humanidade. Foi invocando este imaginário trágico da escravatura que um dissidente cubano escreveu o romance "o Engenho" que com grande surpresa vemos pelos escaparates de livrarias insuspeitas, como a "Ler Devagar". Mas afinal quem é Reinaldo Arenas, e sobre o que escreve?

“Cuba, anos 70. Milhares e milhares de jovens, tal como os escravos no século XVI, são recrutados à força para trabalhar nos engenhos de cana- de-açucar. Em condições miseráveis e absolutamente infames, vêem-se obrigados a atingir as elevadas quotas de produção decretadas pelo Grande Cacique”
Bastaria ver "El Brigadista" do realizador cubano Octavio Cortazar (1977) para nos darmos conta do regime de voluntariado que imperou na Revolução Cubana desde as campanhas de alfabetização, e de como é miserável esta conversa dos "dissidentes" que arranjam bons empregos, lá longe, pagos por Washington. Lógicamente, trabalhar é uma coisa que sempre fez cócegas aos párias.

"O tom de epopeia anti-castrista que o editor dá ao livro pode induzir em erro. Na realidade, esta espécie de longo poema sobre as brigadas de jovens "coagidos" a trabalhar na safra da cana- de-açucar, não é fácil de ler e a sua atmosfera fantasmagórica e de pesadelo parece muito pouco convincente" (lê-se na Politica Operária),
"Reinaldo Arenas, que no dizer de um biógrafo, “fez da sua homossexualidade uma bandeira”, saiu de Cuba no inicio dos anos 80 e veio a morrer de sida em Nova Iorque aos 47 anos, depois de ter recriado numa série de obras as pulsões obcessivas da adolescência. À falta de mais notáveis figuras, tem sido desde então promovido por meios de direita norte- americanos a mártir do regime cubano. Jogo a que se presta gostosamente o editor português”. Se tivessem vergonha na cara, tanto a "Antigona" como a "Ler Devagar" tiravam essa porcaria das estantes
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sábado, janeiro 27, 2007

“o Comunismo… que o diabo carregue a sua prática, mas que Deus o conserve como constante ameaça sobre a cabeça daqueles que possuem propriedades… Que Deus o conserve para que essa corja, a quem a insolência faz perder a cabeça, não se torne ainda mais insolente, para que a sociedade dos únicos que têm direito ao prazer… pelo menos também vá para a cama com pesadelos! Para que ao menos percam a vontade de pregar moral às suas vítimas e a disposição de fazer piadas sobre elas”
Karl Kraus, 1920

“Ignoram os déspotas que o povo, a massa sofredora, é o verdadeiro chefe das revoluções”
José Marti, 1875

Toda a gente tem presente a forma criminosa como por acção interna comandada do exterior (por via do acordo Reagan- Fundação Gorbatchev com séde em San Francisco, California), se trabalhou activamente na destruição da União Soviética. Seja-se ou não crítico do sistema burocrático que tinha feito descambar a URSS para uma mera forma de capitalismo de Estado, não tutelado democraticamente pelos cidadãos (também pela necessidade de oposição ao bloco Ocidental durante a guerra-fria) todos mais ou menos têm de admitir que, ao invés do “progresso” mirabolante prometido, o tecido produtivo foi ali destruído, milhões de pessoas foram de repente lançadas na miséria, oito anos depois da “perestroika” neoliberal o PIB tinha caido para metade, o Banco Central colapsou em 1998, (a Yukos, a empresa estatal dos petróleos, e muitas outras, transferiram-se de séde e bagagens para a bolsa de New York), as Máfias tomaram conta por tuta-e-meia dos despojos mais valiosos das empresas antes geridas pelo Estado que foram vendidas ao desbarato; hoje em dia não se pode andar no metro ou na rua a partir de certas horas devido aos elevados índices de criminalidade. E finalmente, para pôr alguma ordem na casa, Putin deitou mão de uma ditadura nos mesmos moldes dos bons velhos tempos dos czares. Sabemos isso porque temos entre nós milhares de cidadãos do Leste que se viram obrigados a uma emigração de sobrevivência. Dizem eles que o clima aqui é bom, mas a educação para os filhos é uma merda – já sabíamos. Seduzidos pelas continhas da Irmã Lúcia, uma erudita que tinha rezado afincadamente para foder o “comunismo”, tiveram um duplo azar no destino, porque Portugal, às mãos do crime organizado, atravessa um processo de desmantelamento similar ao que aconteceu na Rússia.

O que se pode adquirir com o espólio extorquido
ao património devido ao Estado social?
um clube de futebol de topo mundial, o Chelsea
que faz as delícias capitalizantes para Londres,
e outras pequenas minudências como a que
vem referida no artigo acima. Nada mau, para
quem era caseiro do chefe executivo da empresa
estatal do petróleo russo que foi desmantelada
e dada de mão beijada aos porcos,,,

sexta-feira, janeiro 26, 2007

imagem de "a Noite", de Antonioni


o segredo do demagogo é fazer-se passar por tão estúpido quanto a sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele
Karl Kraus

* adenda, para se compreender como é que as coisas funcionam:
"Miguel Portas há cinco anos candidato à Câmara Municipal de Lisboa, ouviu de viva voz da boca de Domingos Névoa, dono da Bragaparques, como é que a construção do parque de estacionamento do Martim Moniz representou um investimento lucrativo para a sua empresa. "A meio de uma noite já bem regada, o sr. Névoa contou-me que a adjudicação à Bragaparques foi directa por via da EPUL, que por sua vez pagou a construção do parque através dos arranjos à superfície. Segundo o senhor Névoa, a empresa "não gastou um tostão", contou ao DN. Miguel Portas confrontou João Soares com tais acusações, mas acabou por ser ameaçado pelo socialista "com um processo", que nunca avançou". (ler mais, no DN, 25 Janeiro)

* se é certo que a prática dos interesses públicos serem delapidados por uma pretensa ingenuidade e impreparação dos gestores públicos já vem de trás, certo também é que o negócio da permuta dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular é da exclusiva responsabilidade de Santana Lopes. Compete à Policia Judiciária investigar e esclarecer qual é o móbil para que as coisas funcionem assim?- uma vez que não acreditamos estarem a ser eleitos para cargos tão importantes, figuras partidárias pela sua aura de meninos de coro,,,
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quinta-feira, janeiro 25, 2007

Santana, Carmona e Benfica

Diz-se que a corrupção no futebol não ultrapassa 10% da corrupção geral. A primeira tentação foi a de separar o futebol num mundo àparte. Nem 10 nem 90, os 100% são corrupção, simples e intrinsecamente inerente ao sistema. Como se verá adiante, “isto anda tudo ligado”,,,

Sabe-se das ligações de sempre de Pinto da Costa ao Partido Socialista (o Poder que estava a dar). Com o Futebol Clube do Porto na mó de cima durante anos, que haveria de fazer o Benfica? – O primeiro passo é apoiar em peso os antagonistas e comprometê-los com compromissos para o futuro.

Sigamos uma cronologia dos acontecimentos, (dos que existe conhecimento, por via dos jornais),
- a nova direcção do Sport Lisboa e Benfica (SLB), com um passivo de muitos milhões, apoia em peso o PSD nas eleições autárquicas que trazem Santana Lopes para Câmara Municipal de Lisboa (CML). Logo de seguida, ficou famoso o aperto de mão de Eusébio e da Sad Benfica em peso a Durão Barroso, Bagão Félix (sócio notável do SLB, de quem se falava para presidente do clube) e a Santana Lopes durante a campanha eleitoral de 2001 com o apoio massivo da TVI (que já tinha apoiado em força a campanha para sanear a anterior direcção do SLB).
- Barroso ganha o Governo e o financiamento para o novo estádio torna-se efectivo. Nunca mais se ouviu falar do passivo do clube. Mário Dias e Vitor Santos, figuras proeminentes do grupo do Betão ascendem dentro do SLB. Alguém irá enriquecer com as perspectivas de mais um estádio entre os muitos do Euro2004.

- No negócio da permuta de terrenos para a construção do Estádio da Luz, que haviam sido doados para uso desportivo (e não para especulação imobiliária), a CML de Santana Lopes envolve a empresa municipal EPUL, entidade a quem é transmitido o gigantesco passivo do negócio. A administração da EPUL demite-se em bloco.
- Luís Filipe Vieira, um integrante efectivo do “lobie da Construção Civil” agrupado em redor do SLB, compra por tuta e meia em processo de falência, através da empresa Obriverca, os terrenos da Fábrica Nacional de Sabões em Marvila.
- Investigados entre 1997 e 2001, chegam ao banco dos réus, só num processo no Porto, 35 acusados em processos de venda fraudulenta de massas imobiliárias falidas, que envolvem centenas de liquidatários, donos de leiloeiras, funcionários judiciais, advogados e empresários. Este é apenas um dos inúmeros grupos que desde sempre se dedicam a este esquema, um pouco por todo o país.
- a Obriverca “abre falência” e o seu património imobilário é “transmitido” à "Lismarvila", que rapidamente os revende, por mais do dobro, à Caixa Geral de Depósitos.

- a “hiper valorização” dos terrenos de Marvila é conseguida pelo compadrio do Director de Urbanismo da CML com os projectistas do empreendimento imobiliário ali a construir. Carmona Rodrigues diz que não tem conhecimento que esses seriam terrenos reservados ao uso do TGV. A Secretária de Estado dos Transportes Ana Paula Vitorino desmente-o dizendo que ela própria o tinha informado do projecto em reunião com a CML.
- Outro “famoso” do “grupo da construção civil do SLB, conhecido pelo “Bibi”, arrasta a CML para outro escândalo com a urbanização da Infante Santo, depois de um outro prédio no Marquês de Pombal, construido com apoio de fundos do BES, estar embargado há vários anos por construção de pisos de caves ilegais – processos que só podiam ter acontecido com a cumplicidade efectiva da fiscalização da CML.
- Santana Lopes faz o negócio da sua vida com a permuta ilegal de parte dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular, beneficiando a Bragaparques. A mesma empresa acaba por comprar de forma duvidosa em “hasta pública” os restantes terrenos. Santana é promovido a 1º ministro e desaparece do filme, junto com Durão Barroso.
- Helena Napoleão, directora do Urbanismo com PSL, recusa-se a devolver pagamentos indevidos que lhe foram feitos pela EPUL.

- o Tribunal de Contas promete investigar o processo do Túnel do Rossio, onde já foram gastos mais 7,5 milhões de euros do que os previstos 39,2 milhões. A propósito de trazer mais carros para o centro da cidade, numa altura em que se discute a poluição causadora da alterações climáticas: por onde andará o Audi A8 Triptonic do Santana que gastava 17,5 litros de gasolina aos 100 e que custou 62.500 euros à CML?
- A jóia da Coroa de PSL, rebenta já em 2006 - o processo que levou à construção de um novo casino em Lisboa e uma alteração à Lei do Jogo, feita em Dezembro de 2004 já após a dissolução do Parlamento, são dois casos que constam do chamado processo Portucale, cujo objecto central passa por suspeitas de tráfico de influências na aprovação de um empreendimento do Grupo Espírito Santo.
- no caso da Urbanização do Vale de Santo António toda a oposição camarária em bloco diz haver irregularidades e pede que o caso seja investigado.

Barroso, Rio, Carmona e Loureiro: todos diferentes, todos iguais - de visita às irregularidades no Metro do Porto: a falta de apoio dos fundos sacados ao património público já se começam a fazer sentir nos clubes do Apito do Norte. A propósito do Porto: por onde andará o ex-vereador Paulo Morais que não foi reconduzido pelo executivo de Rui Rio e até se deu à maçada de escrever um livro em que acusou preto no branco os serviços de urbanismo de Corrupção?

- Entretanto, a sul, por esta altura, os valores extorquidos à Câmara de Lisboa, já faziam Vale e Azevedo parecer um puto vulgar que andava a roubar chupa-chupas,,,
- Carmona Rodrigues nega quaisquer ilegalidades em novo processo em que a EPUL é acusada de ter pago 8,1 milhões de euros ao Benfica para a construção das infraestruturas dos ramais de acesso ao Estádio da Luz.
- a “Operação Furacão” atinge dezenas de Construtoras, entre elas as 3 maiores do país.
- Na sequência das denúncias do incansável vereador Sá Fernandes, a Policia Judiciária investiga a CML. No entanto, as investigações da PJ estão relacionadas com um pedido de inquérito feito em 2005 à Procuradoria-Geral da República pelo então presidente da Câmara Pedro Santana Lopes, na sequência de dúvidas suscitadas pela oposição e pela Assembleia Municipal de Lisboa em relação à forma como decorreu a hasta pública em que a Bragaparques comprou a parcela restante dos terrenos.
- Tentativa de corrupção com uma proposta na qual Domingos Névoa (Bragaparques) propunha pagar a Ricardo Sá Fernandes, irmão de José Sá Fernandes, 200 mil euros, para que o vereador deixasse de contestar o negócio do Parque Mayer. Entre outras provas, o MP apresenta gravações dos telefonemas entre o arguido e o advogado Ricardo Sá Fernandes.
- Carmona Rodrigues e Fontão de Carvalho (são apanhados nas escutas) e anulam in extremis convite para fim de semana em Trás os Montes feito pelo dono da Bragaparques.
- Jornalistas do «Sportugal» proibidos de falar com a Comunicação Social
- a vereadora do Urbanismo Gabriela Seara é envolvida, outra vez com a Bragaparques, em favorecimento ilegal no empreendimento “Estefanea Plaza”

- Janeiro de 2006: a maioria dos vereadores aprova uma solução de compromisso para a CML – todos estão de acordo que a Câmara está falida!. E culpados? Há? já não falar no retorno ao património da cidade, dos bens mal adquiridos – já que não há mais nada para roubar, o executivo deixou de ser aliciante. Ninguém parece interessado em oferecer-se para resolver o problema. Mas, “senhores-que-se-seguem, que diacho, os que vierem, ao menos dêem-nos uma ligeira lufada de honestidade, ok?

Fala-se dos juízes no futebol e parece que tudo o mais é um deserto! Mas sabemos que não é assim
Pedro Mourão, no artigo intitulado “Juízes, Futebol, Maçonaria e Opus Dei”

A escapatória do neoliberalismo tem estado na fuga para a frente através do investimento massivo na bolha imobiliária. Como não existe outra perspectiva rentável à vista, enterram-se literalmente as mais-valias em tijolos. Na vizinha Espanha, onde haverá eleições dentro de três meses para as Autarquias, o panorama não é muito diferente – a Corrupção atinge todos os partidos de governo.
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quarta-feira, janeiro 24, 2007

flexi-segurança, flexi-esoterismo, flexi-produção

Alvin Toffler com a “Terceira Vaga” e o “Choque do Futuro” (sobre o impacto das novas tecnologias) foi colocado no pedestal do maior guru dos tempos modernos. Com o seu último “Os Novos Poderes” (Powershift) reincide trazendo-nos “um clímax de ideias que mudarão as nossas vidas” como se a sua aplicação prática não fosse já bem visivel. Diz-nos que a natureza dos poderes “no mundo dos supermercados e dos hospitais, bancos, emissores de cartões de crédito e escritórios de serviços, na televisão e nos telefones, na politica e nas nossas vidas, tudo está a mudar perante os nossos olhos”. “Powershift” faz o mapa das futuras guerras pelo conhecimento, as "info-wars" dos dias de amanhã; informa-nos que “os velhos antagonismos políticos passaram de moda, e identifica onde as novas divisões importantes vão aparecer – não já entre o Leste e o Oeste, nem entre o Norte e o Sul mas, entre aquilo que é Rápido e o que é Lento”. Aponta para a emergência de um tipo novo de empresa-flexivel ("flex-firm") como modelo livre contra as organizações burocráticas. O New York Times escreve que esta é uma análise profunda, uma síntese notável para a compreensão da nova civilização do século XXI – Endeusado pelos toques de trombetas dos arautos do neoliberalismo, há contudo uma pequena minudência que escapa a Alvin Toffler : é a questão essencial da posse dos meios de produção – nicles; esta questão é pura e simplesmente apagada, assim como qualquer referência à existência de classes sociais; por Alá!, agora somos todos iguais! - apesar de ser um teso, qualquer mortal pode ver o Zézé Camarinha, a Paula Teixeira da Cruz e o Dale Carnegie no Eleven - Estes dois tópicos é quanto basta para que este tipo de discurso esotérico tenha tanta relação com Economia Politica como o Paulo Coelho tem com a Literatura ( e no entanto ele vende). Basta dar uma vista de olhos pelos subtitulos que resumem os conteúdos da obra para rapidamente ser perceptivel que estamos perante um puro exercicio de esoterismo. Toffler, agora com 70 anos, imagina um novo sistema de criação de riqueza (acumulação capitalista) baseado no individualismo, na inovação e na informação – ou seja,
tirada a limpo, esta é a mesma conversa da treta pós-moderna de que se está a servir a coligação Cavaco-Sócrates. Vamos ver então o que já tinham os clássicos cerca de 1850 a dizer destas "novidades", ou por outras palavras, de onde é que Toffler e outros oportunistas liberais de fraque canibalizaram a retórica,

Marx na "Miséria da Filosofia"

“o antagonismo entre o proletariado e a burguesia é uma luta de classe contra classe, uma luta que, levada a extremos, é uma revolução total. É surpreendente que uma sociedade fundada na oposição de classes culmine em contradição brutal, no choque de corpo contra corpo, como desenlace final?
Não digam que o movimento social exclui o movimento politico. Não existe movimento politico que não seja simultaneamente social. Somente numa ordem das coisas em que não haja mais classes é que as evoluções sociais deixarão de ser revoluções politicas. Até então, na véspera de todas as modificações gerais da sociedade, a última palavra da ciência social será sempre: “Combate ou morte, luta sanguinária ou extinção. A questão é, assim, inexoravelmente posta”

"Economia Totalitária e Paranóia do Terror" , Robert Kurz - Aviso aos náufragos - Crónicas do capitalismo mundializado em crise - Para lá da luta de classes.

"Os marxistas tradicionais ainda têm lágrimas nos olhos quando pronunciam as expressões "classe" e "luta de classes". A sua identidade como críticos do capitalismo começa e termina com estes termos. Mas na situação de um sistema capitalista uniformizado no início do século XXI, sob as condições de terceira revolução industrial, globalização da economia industrial e individualização social o paradigma teórico de classes do "proletariado" parece estranhamente empoeirado". (ler mais) Kurz e o Grupo Krisis, entre outros, reunidos em redor do “Manifesto contra o Trabalho” advogam o fim do trabalho assalariado como a saída da crise. É uma reacção temperamental, útil como contestação, contra a tentativa de construção do Império totalitário Mundial.

A maioria dos trabalhadores (65 por cento em Portugal e 75 por cento nos EUA) é hoje constituída por quadros, especialistas e técnicos que manipulam directamente informação. É possível religar os paradigmas marxista e digital?

Do Capitalismo ao Digitalismo”, Francisco Penim Redondo

“Sabe-se mas não se discute às claras: a teoria marxista do valor é insuficiente para compreender o que está em marcha no paradigma digital. Aliás, é por demais evidente que a nova esfera do trabalho assenta na automatização do trabalho repetitivo com degradação do assalariamento. Há cada vez menos mercadorias baseadas no tempo de trabalho, dado que o seu valor está, na vida actual, subordinado ao conhecimento nelas incorporado. Impõe-se ultrapassar a distinção feita por Marx entre trabalho produtivo e trabalho improdutivo. Propõe-se que a mais-valia seja calculada não no fim de cada dia mas no fim do ciclo económico das mercadorias, desde o inicio da Produção incorporando-lhes também no valor acrescentado o circuito de Distribuição e Consumo até ao consumidor final. Ou seja, estabelecendo-se um valor de troca baseado em conhecimento. “Especialistas de todos os Saberes, Uni-vos!” (mais tópicos do livro podem ser lidos e discutidos aqui)

Esta tese padece do “efeito Toffler”, omite a possibilidade de se poder regulamentar todo o processo, desde aquilo que se produz até à distribuição daquilo que se consome, pondo fim à livre produção do supérfluo. Se os recursos são finitos o Consumo não pode ser livre nem infinito. Não pode nem deve ficar dependente de uma variável aleatória como é a vontade dos consumidores alienados. Muito menos o que se produz pode continuar livremente a ser determinado em função dos lucros das élites que controlam o sistema. Não leva em linha de conta a nova distribuição internacional do Trabalho, a deslocalização da produção material para os países de mão de obra barata, quase escrava – a China como a grande fábrica do mundo, a elite anglófona da Índia como prestadora de Serviços, o Brasil como fornecedor agro-pecuário, a Rússia e o Médio Oriente como fontes de abastecimento de energia.

Pelo meio destes campus move-se, sem fronteiras, a nova “burguesia Transnacional assentando vida luxuosa em ilhas de prosperidade cujo símbolo são os condomínios fechados. Enquanto cá fora, a degradação social avança. A luta de classes também se globalizou; foi transplantada para o campo internacional; por exemplo, “Não Rentáveis de Todos os países, Uni-vos !” é o grito da Alternativa Libertária

Marx em “Salário, Preço e Lucro

“portanto o Estado não tem existido eternamente. Houve sociedades que se organizaram sem ele, que não tiveram a menor noção do Estado ou do seu poder. Ao chegar a certa fase de desenvolvimento económico, que estava necessariamente ligada à divisão da sociedade em classes, essa divisão tornou o Estado uma necessidade. Estamos agora a aproximar-nos com rapidez, de uma fase do desenvolvimento da produção em que a existência dessa classes não só deixou de ser uma necessidade mas se converteu num obstáculo à própria produção. As classes irão desaparecer, de um modo tão inevitável como no passado surgiram. Com o desaparecimento das classes desaparecerá inevitavelmente o Estado. A sociedade, reorganizando de uma forma nova a produção, na base de uma associação livre de produtores iguais, remeterá toda a máquina do Estado para o lugar que lhe há-de corresponder: o museu de antiguidades, ao lado da roca de fiar e do machado de bronze.”

O dado fundamental que define o Neoliberalismo (com Friedman) é ver a moeda, não já como um instrumento que mede uma relação social (como em Marx, ou no Liberalismo de Keynes), mas sim como neutra, isto é, como uma mercadoria, a moeda é um material como outro qualquer, que se vende, empresta e troca em apoio do consumo, apenas para obter lucro na forma de juros, sem que lhe seja acrescentada mais-valia concreta ao seu valor – a moeda dos Bancos Centrais converteu-se num anti-Valor: a estrutura de dominação imperialista que provoca a erosão das relações sociais e a destruição da esfera pública, que submete, arrasa e destrói os Estados periféricos, transformando-os em párias (Chomsky)
Os regimes periféricos que intentarem a modernização capitalista, já agónica mesmo nos países centrais, transformar-se-ão inexoravelmente em regimes de terror contra os seus próprios cidadãos. A Economia politica da presente hegemonia imperfeita, a expansão das formas capitalistas modernas não só não é obstada pela existência de formas sócio-econômicas atrasadas, como é delas que se alimenta para manter ou elevar as taxas de lucro.

Tornar Possível o Impossível – a Esquerda no Limiar do Século XXI”, Marta Harnecker

“Contudo, não há dúvida de que a explicação mais importante desta crise teórica é a inexistência de um estudo crítico do capitalismo dos fins do século XX – o capitalismo da revolução electrónico- informática, da globalização e das guerras financeiras. Não falo de estudos parcelares, sobre determinados aspectos da sociedade capitalista actual – que sem dúvida existem – refiro-me a um estudo com a integridade e o espírito rigoroso com que Marx estudou o capitalismo da era industrial.
Em que se modifica, por exemplo, o conceito de mais- valia – conceito central da análise critica do capitalismo em Marx – com a introdução da máquina digital e da robótica, por um lado, e com o actual processo de globalização, por outro? Como afecta as relações técnicas e sociais de produção e as relações de distribuição e de consumo, a introdução das novas tecnologias no processo de trabalho? Que modificações sofreram tanto a classe operária como a burguesia numa era em que o conhecimento passa a representar um elemento fundamental das forças produtivas? (…) Quais são os elementos que podem constituir uma base objectiva potencial para a transformação deste modo de produção?

Antivalor - A importância da crítica do Valor”, Francisco Oliveira

”a formação de uma nova sustentação da produção e da reprodução do Valor, introduzindo, misturando, na mesma unidade, a forma Valor e o Anti-Valor, isto é, um Valor que se reproduz na forma clássica de acumulação capitalista na busca de mais-valia e o lucro, e uma outra fracção – o Anti-Valor por não buscar valorizar-se per si, pois não é Capital, sustenta artificialmente o processo de valorização do Valor”. (ler mais)

A mercadoria é o nexo que estrutura a sociedade moderna. Todos os indivíduos, coisas e actividades sociais tomam a forma de mercadoria - como "formas de existência do valor". O moderno sistema produtor de mercadorias, ao contrário de Marx, funciona como esfera separada, maquinal e independente da vontade dos indivíduos. Os sujeitos foram, assim, eles próprios convertidos em objectos e produto das relações sociais, que além de factores produtivos são também contabilizados como “consumidores”; o valor passou a ser uma fantasmagoria que, como se tivesse vida própria, como se "tivesse amor no corpo" (Marx), dita e controla as próprias condições de vida dos seres sociais.

Pátria, Empresa e Mercadoria

“a flexibilidade, globalização e complexidade da nova economia do mundo exigem o desenvolvimento do planeamento estratégico, apto a introduzir uma metodologia coerente e adaptativa face à multiplicidade de sentidos e sinais da nova estrutura de produção e administração”
Manuel Castells, citado no ensaio de Carlos B. Vainer sobre “Planeamento Estratégico Urbano” (no conceito de Cidade-Pátria) Porto Alegre, 1999
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terça-feira, janeiro 23, 2007

"Imperia Absurda", sobre o Défice e o endividamento externo

É oficial; a Time assume o declínio da superpotência que sobrou, dá-nos conta da quebra provocada do dólar, para que os EUA possam continuar a comprar mercadorias baratas no mercado global vivendo à custa do trabalho alheio; diz-nos que “Estamos no Fim do Jogo” (até onde cairá o dólar? os sinais são claros); presta-nos contas da explosão do défice , (tanto comercial como de conta-corrente), insustentável: 8 triliões no ano passado), e a propósito da próxima reunião da Cimeira de Davos,

fazendo uma analogia com o titulo da canção de Paul Simon assume que o comércio livre “atravessa uma ponte de águas revoltas”,,, Outros sub-titulos encimam artigos sobre “Balanço Precário” e acerca da inviabilidade futura deste modo de produção fundado no outsourcing e nos transportes intensivos em cima de energias não renováveis escrevem que estão “Perdidos na Floresta”. Tudo isto porém se passa na edição destinada à Europa e Ásia – porque na edição da Time para consumo interno, em vez do cágado a puxar o mundo, o tema de capa é um dossier sobre as mais recentes evoluções no mapeamento das actividades do cérebro. Interessante, porque bastante útil para aprender a usar, numa das sociedade mais ferozmente exclusivas do mundo, onde quem não tem aptidões dificilmente sobrevive. Termina com a interrogação global: “quem precisa dos EUA?” - como diria aquela figura satírica saída aos pulos da floresta africana: “Aminão”!

Para além do Trabalho e do Comércio usuais no Imperialismo do “dinheiro honesto”, (o mundo ocidental habituou-se a usar e abusar dos recursos sem pagar por eles) o Império trouxe a herança de Reagan: a desregulamentação financeira que provocou o Militarismo, a Inflação e o Défice. Para pagar os custos de guerra, o aumento das taxas de juro pela Reserva Federal, que depois do inicio da guerra do Iraque passou de 2 para 6% e a inflação, estão a arrasar as famílias endividadas, causando o desmoronamento do valor do imobiliário que, através das hipotecas, tem suportado o crédito ao consumo. Na senda das mesmas práticas de contabilidade fraudulenta inaugurada pela Enron que elegeram Bush, o Produto Interno Bruto americano contabiliza até, como se fossem um valor, os pagamentos dos empréstimos das habitações. O mundo ocidentalizado está a apostar claramente na inflação como a sua única salvação. "Esqueça as doenças, a fome e a pobreza. Se se pretender encontrar os valores mais eminentes da humanidade (guiada pelo glorioso Ocidente) por intermédio do volume dos recursos financeiros que são mobilizados no mundo contemporâneo esses objectivos são, sem dúvida, os que se encontram ligados à defesa e ao armamento!!!" Qual será o impacto de tudo isto?
(entre nós portugueses, é este)

A taxa de poupança familiar dos países asiáticos é de 40%, a nossa é negativa. Devido ao endividamento excessivo a economia dos EUA está prestes a implodir. Atrás do colapso económico dos EUA dar-se-á a implosão do sistema monetário mundial baseado na moeda virtual que tem sido o petroDólar. Tal não aconteceu ainda, apenas porque os tradicionais aliados de Bush, (aliás, sócios efectivos desde os primórdios da Unocal em Houston) os Sauditas Wahabitas das monarquias oligárquicas que exploram o petróleo no Médio Oriente ( dominam a formação de preços na Opep, e financiaram os "terroristas" do 11/9), reinvestem os lucros em valores nos EUA atenuando os efeitos do défice.

Os EUA compram mais ao exterior do que o que produzem para venda ao exterior e esta situação é insustentável; o Capitalismo é insustentável - a saída tem sido criar uma bolha de desenvolvimento atrás da destruição causada pelas guerras pelos recursos. Mas Bush é ainda pior que se possa imaginar!. Foi quando o Iraque do partido Baas decidiu trocar a comercialização do petróleo de dólares para euros que o regime se condenou e essa foi a razão porque foi decretada a invasão. Depois disso, também o Irão, a Rússia e agora, mais grave porque de maior impacto, a China – todos eles abandonam as transações em dólares.

Olhem para o passado e vejam para trás quantos impérios ascenderam e cairam, e assim podem prever também o futuro
Marco Aurélio

Depois da falência do Império, caindo por terra a macro-estrutura económica de dominação, estão abertos os caminhos do futuro – uma Alta Autoridade Global eleita de tipo colegial supervisionará a gestão dos recursos a nivel mundial, deixando em aberto a autonomia na competição livre e democrática entre Regiões – primeira prioridade para o Decrescimento: produzir local e consumir local, sempre que possivel. Aplicação de um plano de emergência, com recurso aos meios militares disponíveis, para salvação ambiental do planeta.

Frente Anti- Imperialista Mundial - Venezuela e Irão unem-se e resolvem retirar, dos seus lucros petroliferos, um fundo de ajuda aos paises pobres que sejam confrontados directamente com a luta contra o Imperialismo.
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segunda-feira, janeiro 22, 2007

Conhecimento, Universidade e o cinema da Não-Ilusão

Sigamos os festejos de fim de curso, a apoteose triunfal do jovem idealista recém formado em Harvard no final do seculo XIX, protagonista da saga “As Portas do Céu” (“Heavens Gate”, Michael Cimino, 1981) que, poucos anos mais tarde, se vê dramaticamente lançado na luta fraticida pela conquista de espaço vital no Oeste americano. Supunhamos que, por entre a balbúrdia de negociantes, batoteiros, agiotas sem escrúpulos, prostitutas, rendeiros foragidos da fome, administradores públicos corruptos, fazendeiros racistas, o nosso herói consegue hibernar por 100 anos e acordar neste nosso primórdio do século XXI; abrindo os olhos estremunhados, está de volta – e o que vê ele? – Homens e mulheres afadigam-se falando ininterruptamente por pequenos aparelhos metálicos presos nas orelhas. Os putos sentam-se em sofás esgrimindo miniaturas de atletas em ecrans electrónicos esverdeados. Os mais velhotes tentam enganar a morte aplicando aparelhómetros de metal ou plástico dentro das carcaças. Passando por aeroportos, hospitais e centros comerciais, toda uma panóplia de sinais lhe desviam a atenção. Sente-se atarantado. Mas quando o nosso rapaz, agora cem anos mais velho, entra de novo numa sala de aula, ele reconhece onde está: “Isto é uma escola!” – o professor satisfaz-lhe a curiosidade: sim, apenas os quadros em vez de ser feitos de ardósia, são estes monitores, “agora usamos toda esta parafernália tecnológica para termos possibilidade de ver e estar de volta a 1900

Sim, hoje, a moderna capacidade de repetição das imagens, trabalhando-as sobre a História dá-nos a possibilidade de vermos o passado sempre como presente e não como “reconstituição”; ou como sugere João Mário Grilo no seu fabuloso ensaio, a possibilidade de fazermos o “Cinema da Não Ilusão

Efectivamente, lá fora, hoje mesmo, em Janeiro de 2007, continua a estar presente a mesma balbúrdia de negociantes, pistoleiros sem escrúpulos, prostitutas, jogadores compulsivos, rendeiros foragidos da fome, administradores públicos corruptos, fazendeiros racistas e cow-boys alugados como mercenários, todos juntos tentando a golpes de força desbravar novos territórios, conquistando-os tal como o general Custer, ontem os tinha conquistado aos selvagens. E como, voltando à escola:

constata-se que a principal prioridade na ocupação do Iraque como baluarte fortificado de dominação de todo o Médio Oriente, é justamente a construção de uma super- universidade *, não em Bagdad onde a zona verde se apresenta com o odioso ónus da ocupação, mas a salvo mais a norte nos terrenos mais pacíficos de Sulaimaniya.


Visto pelo lado contrário, da construção versus destruição, compreende-se assim que os alvos dos maiores atentados no Iraque sejam agora os representantes da cultura que se pretende destruir: o assassinato cirúrgico e sistemático de professores universitários, como os 29 mortos na semana passada no massacre de al-Mustansiriya, de bibliotecários e cientistas, na mesma senda do premeditado saque inicial em 2003 dos museus e do património histórico. A universidade de al-Mustansiriya acolhe 24.000 estudantes em três facultades e já tinha sido alvo de outro ataque massivo no ano passado.

No seio dos novos colonos do século XXI a mentalidade que se pretende deixar como herança, depois do extermínio dos índios, continua mais actual do que nunca:
Torcida pelo show-biz logo desde pequenina, a filha de Steve Irwin, (a América é pátria de acolhimento e a maior concentração de heróis de sempre) decerto preparada para vir a ser uma boa aluna nestas coisas de universidades clássicas, junto com a mãe Terri no National Press Club, declarou esta semana na TV (where else?), na inocência dos seus 8 anos, taxativamente: “O meu pai era um guerreiro indomável e eu irei continuar o seu trabalho











Lista dos docentes universitários assassinados no Iraque desde o inicio do periodo de ocupação
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domingo, janeiro 21, 2007

Duas fábulas sobre violência: padre Não 1, Olhai pró Norte 2

Um padre qualquer de uma qualquer paróquia (salvo erro de Portalegre) é entrevistado na TSF:
Repórter - o senhor tomou posição pelo Não e recusou a comunhão a alguns fiéis, depois de saber que eram a favor do Sim
Padre - têm de saber que podem até ser excomungados!
Repórter – mas o senhor não tem poderes para isso,,,
Padre – realmente não, mas posso, por minha objecção de consciência, recusar conferir-lhes os sacramentos,,, àqueles que são contra a igreja
Repórter – e como fará isso? Proibirá os fiéis de assistir à missa?
Padre – minha senhora, à missa pode assistir qualquer pessoa, até um cão pode assistir à missa!





















Olhai pró Norte (da nossa amiga Maria Eugénia, in "Histórias de Vida, edit. Asa)

“Esta é a minha mais antiga memória de infância. Devia eu andar aí pelos três anos. Numa aldeia do Norte, a minha avó levou-me à igreja, a uma ladainha a Nossa Senhora, nessa época, em latim. Lembro-me das mulheres embrulhadas em xailes pretos e a minha avó e eu sentadas num banco debaixo do púlpito. O padre rezava:
- Santa Maria, Santa Mater Dei, Virgo Virginis, Stela Maris…
e as mulheres respondiam:
- Orae pró nobis, orae pró nobis, orae pró nobis…
Aqueles sons fizeram-me confusão. Tentei entendê-los e comecei também a rezar:
- Olhai p`ró Norte, olhai p`ró Norte, olhai p`ró Norte
Aí vi que as mulheres começaram todas a olhar para mim e, então, eu esganicei mais a voz e rezei mais alto:
- Olhai p`ró Norte, olhai p`ró Norte, olhai p`ró Norte
E a minha oração acabou com uma boa bofetada da minha avó”…

(desenhos de Piem)
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sábado, janeiro 20, 2007

Um plano D europeu

Orlando César, num dos últimos numeros do Noticias da Amadora, antes do jornal fechar por falta de apoios financeiros:
"A Comissão europeia lançou uma iniciativa de longo prazo, que designou como Plano D (Democracia, Debate e Diálogo). O plano surgiu no rescaldo do Não francês e holandês no processo referendário à Constituição europeia. Emerge pois como uma ferramenta destinada a remendar o fracasso, mais do que um instrumento da cidadania na Europa.

"Em todo o caso, os três D da Comissão de Durão Barroso podem constituir um desafio e uma oportunidade neste processo que visa debater o futuro da Europa a nível local e regional. Para potenciar o seu plano, a Comissão envolveu o Comité das Regiões, órgão instalado em 1994 para aproximar a União Europeia da governação eleita mais próxima dos cidadãos. Embora não haja um balanço dos 12 anos de actividade do Comité das Regiões, tudo indica que os seus objectivos não foram atingidos satisfatoriamente. Terá assegurado a consulta dos representantes locais e regionais instalados no Comité quanto à produção legislativa comunitária, mas fracassou na tomada de decisão a um nível mais próximo do cidadão. Acabou por não assegurar os princípios que reputa como fundamentais: subsidiaridade, proximidade e parceria. Os cidadãos permanecem um mito do processo de construção europeia e não uma realidade com capacidade de se fazer ouvir. A não ser por via dos referendos, que abalaram a burocracia europeia".
(ler mais aqui)

Enquanto a Imprensa independente é destruida, a "informação" fica entregue aos bichos. Não é propriamente na cidadania dos Europeus que o lambe-botismo aos neo-fascistas de Washington estará a pensar. Isto foi esta semana:

Diz o porta voz de Bush (o que está de momento com a boca aberta): “A guerra contra o terrorismo durará, quem sabe, uma geração, mas retirarmo-nos agora sería uma catástrofe"
(ler mais)

entretanto, lá na outra banda, adivinhe-se quem disse isto:
"Não sou aquele tipo de gajo que se senta para aqui e diz, "Oh diabo, Estou preocupado com o legado que eu possa cá deixar" (entrevista ao programa 60 minutos)
enquanto que, na realidade ele anda a pensar é nisto:
"Reinicia-se a Corrida Nuclear"
Na verdade, ao reiniciar a corrida armamentista a Casa Branca deu ao Irão e à Coreia do Norte legitimidade para seguirem com os seus próprios programas nucleares.

Para debater o futuro da Europa? - a primeira prioridade é correr com estes facínoras dos governos europeus subservientes ao governo americano - que não hesitarão em lançar o mundo numa catástrofe sem precedentes, para defender os privilégios das suas élites. (estamos, como portugueses, incluidos no pacote, embora nem todos sejamos élite, claro. A propósito urge perguntar? - que é feito da intenção de realizar, entre nós, o referendo para legitimar a Constituição Europeia? - vão-se decidir mandar mais bombas onde calhar sem saberem a nossa opinião?)
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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Tomem nota!













ninguém deve perder esta novela:
"The final countdown"
pela nossa amiga Encandescente,
no
eroticidades.blogspot.com
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Negociando com os “párias”









“As reticências da França em acompanhar o governo dos EUA nas ameaças de sanções ao Irão não têm as motivações meramente politicas que muitos supõem, muito menos escrúpulos pacifistas. Aproveitando-se da ausência das empresas norte-americanas, proibidas de negociar com o Irão, excomungado por Bush como um “Estado Pária”, as multinacionais europeias, sobretudo francesas e alemãs, precipitaram-se nos últimos anos sobre as oportunidades de investimento naquele país. Só à sua parte, as multinacionais francesas terão investido no Irão 20 a 25 mil milhões de euros, sobretudo na exploração do petróleo e do gás. O banco BNP, a Socité Générale, Total, Gaz de France, Peugeot, Renault, Citroën estão entre os grupos com maiores interesses no mercado iraniano. Como revela o Le Monde, ainda há um mês foi anunciada a assinatura de um contrato entre a Comp. Iraniana de Petróleo e a Société Générale para a exploração de uma gigantesca jazida de gás off-shore, no valor de 2,7 mil milhões de dólares.
A aplicação de um embargo à venda de petróleo iraniano e à exportação para o Irão dos produtos de que aquele país (medicamentos, locomotivas, produtos químicos, etc.) causaria enormes prejuizos aos capitais investidos. Mais indesejável ainda para as multinacionais europeias seria a perspectiva de um ataque militar, que comprometeria a retribuição dos empréstimos e poderia significar a perda dos investimentos efectuados. Sem falar da China, Índia, Japão, que dependem em grande medida do petróleo iraniano.
Seria porém perigoso excluir que a degradação da situação militar no Iraque possa empurrar a administração Bush a uma nova aventura – um ataque de surpresa às instalações nucleares iranianas, colocando as demais potências perante o facto consumado, como aliás fizeram em 2003 com o Iraque”
(A.Lobo, na “Politica Operária”)

Aprendendo com a memória do que aconteceu há meio século com a expedição do Suez

Em 26de Julho de 1956, perante uma recusa dos EUA, da Grã- Bretanha e do Banco Mundial financiarem a megabarragem de Assuão, Nasser anuncia a nacionalização do Canal de Suez: “O canal foi aberto por 120 mil egipcios, muitos dos quais encontararm aí a morte. A Socedade do Canal de Suez, em Paris, vive da exploração. Retomaremos os nossos direitos, porque este canal é propriedade do Egipto. Com os rendimentos do canal pagaremos a construção da barragem”
O entusiasmo dos egipcios e dos povos árabes é imenso. Os governos inglês e francês, logicamente, consideram o desafio intolerável e preparam “medidas enérgicas” contra o “saqueador insolente”, “o novo Hitler”, etc. A Inglaterra, porque não admite perder o “protectorado” sobre o Egipto. A França, porque espera que o derrube de Nasser a ajude a dominar a insurreição argelina. Apesar da relutância de Washington, organizam uma provocação com Israel, cujas tropas penetram em território egipcio. É o pretexto para uma força expedicionária anglo- francesa invadir o Egipto a fim de “separar os beligerantes”. A aventura corre mal porque os EUA e a URSS combinam-se e exigem a retirada dos invasores.

50 anos,2 presidentes assassinados e 1/2 dúzia de governos marioneta depois, a acção dos grupos nacionalistas árabes que pretendem ver o seu país livre do jugo colonialista, ainda fazem com que os turistas ocidentais que queiram ir a banhos para a “riviera do Mar Vermelho” ou simplesmente ver as Pirâmides, o tenham de fazer debaixo de escolta militar. Coisa que, como é sabido, tem custos insignificantes,,,(são os mistérios da Indústria Politico-Militar)

quinta-feira, janeiro 18, 2007

o Referendo Politico a pretexto da IVG

Depois de Durão Barroso, Paulo Portas e Santana Lopes, a Direita tinha desaparecido na voragem do neoconservadorismo; estes personagens tornaram-se rapidamente odiosos perante a opinião pública e tinham-se eclipsado do mapa das intenções de voto. O Zé votou em massa na Esquerda - mal sabendo que ia ser de novo enganado. Porém, para repor o velho maniqueismo "ou eles ou nós" de que se governam as élites no Poder há séculos, a Direita precisava de uma "causa fracturante". Eis o Referendo. Perca ou ganhe, a Direita apoiada no fundamentalismo católico aí está de novo, reagrupada, para tomar conta da outra metade que andava perdida.

o BCP, o banco da OpusDei fundado em Portugal com os capitais em fuga do falido Banco Ambrosiano do Vaticano, ficou célebre por vedar o acesso nas suas dependências ao emprego de mulheres – segregadas no direito de igualdade, em virtude dos condicionalismos previstos la lei no que respeita à procriação – preceitos legais que prejudicavam a produtividade das mulheres em relação aos homens – que, graças a deus, não precisavam de licença de parto. Em 1996 num quadro de 2946 trabalhadores efectivos apenas existiam 22 mulheres – ou seja, uma quota de 0,74% - obrigadas ainda assim a asssinar uma cláusula em que se comprometiam a não emprenhar. Isto é, tinham uma posição contra a Vida, na medida em que era discriminatória de género*. Contudo, invertendo diametralmente o discurso,
sabia, que agora o BCP (Opus Dei) deu 900 mil euros para a campanha do Não? (Com o dinheiro a correr a rodos, existem 16 movimentos pelo Não e 5 pelo Sim)

Zita Seabra, uma notória ex-militante do “na minha barriga mando eu” fez o percurso inverso e, junto com o beato Bagão Feliz ambos esgrimem agora argumentos grosseiros; António Borges da Goldman Sachs, eminência parda do PSD e a “zézinha” Nogueira Pinto fizeram as contas aos custos da liberalização: segundo eles cada aborto custaria 650 euros ao Estado – a desonestidade está em que a pergunta que é feita no Referendo é feita sobre a “DESPENALIZAÇÃO” e não sobre “a liberalização” – assim como assim, quanto às ma$$as, quem recorre ao aborto clandestino em condições deploráveis e põe a sua vida em perigo, já tem de recorrer in-extremis às urgências hospitalares – os custos não só são os mesmos, senão ainda mais agravados.

O défice de nasciturnos - o facto de em Portugal nascerem à volta de 100 mil crianças por ano quando para evitar o declinio da população seria preciso que nascessem mais 50 mil (DN 9/1), ” ou o doutor Gentil Martins truncando truculentamente o conceito de “life saving abortion” conforme invoca a Associação Médica Mundial (WMA) cujos preceitos já são aplicados nos paises desenvolvidos da União Europeia há mais de 30 anos, nada disto, tudo o que está em causa, deveria ser invocado em nome de uma guerra eleitoral em volta do “estatuto juridico do não nascido” – cuja finalidade única, em prol de quem convocou o referendo é retirar dividendos politicos, quando a lei poderia muito bem ter sido aprovada pela maioria existente na AR, sem os custos de uma campanha eleitoral num país em crise – o referendo corre por conta e a favor dos neo-conservadores escudados por detrás da ICAR, ambos grupos fundamentalistas, apostados na viragem para um novo paradigma à direita – e cujos argumentos visam promover a abstenção, o verdadeiro inimigo dos que votam Sim.
O governo neoliberal do Partido "Socialista" sabia que, (citando Miguel Vale de Almeida no MDiplo/Jan07): “o debate sobre a “vida” é uma batalha perdida; e receia o pânico a-feminista de entrar num debate sobre os direitos e a igualdade de género*. Do outro lado, não há hesitações de espécie nenhuma: a Igreja católica, por exemplo, promove um concurso de arte infantil sobre a vida intra-uterina denominado “A minha primeira morada”. Reparem bem: morada. A metáfora imobiliária é clarissima: o útero não é da mulher, o útero é do inquilino (o feto) e/ou do proprietário – o Estado, a Igreja, a sociedade”

(fotografias: Irving Penn)
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quarta-feira, janeiro 17, 2007

Corrupção

o Partido Socialista não aceita, em definitivo, a aprovação da lei que criminaliza o enriquecimento ilícito nem a criação de uma Alta Autoridade para Corrupção, e Cravinho, aos 70 anos, é deportado para um género de exílio sabático,,,

João Cravinho parecia representar no nosso país um papel importante na Corrupção, até porque desde 1999, a sua actividade se enquadrava no âmbito do programa internacional Greco (Grupo de Estados contra a Corrupção) a cujo cumprimento Portugal se obrigou. A propósito? – onde param as responsabilidades no escândalo da Junta Autónoma das Estradas despoletado quando Cravinho foi ministro das Obras Públicas, que levou à sua demissão e à extinção da JAE? – alguém foi criminalmente punido? Ou sequer indiciado?

(reality-foto caçada daqui)

James Petras,
A construção do império econômico e a centralidade da corrupção

"Na medida em que a construção do império econômico se torna decisiva para a viabilização de toda a economia dos EUA, intensifica-se a concorrência com a Europa e com a Ásia por taxas de investimento mais lucrativas e por recursos econômicos. Devido à crescente concorrência e à importância crucial dos lucros obtidos no estrangeiro, a corrupção corporativa tornou-se um fator decisivo na hora de determinar que multinacionais e que bancos dos centros imperiais irão ficar com as empresas, os recursos e as posições financeiras que geram os maiores lucros.

A centralidade da corrupção na expansão imperial e na garantia das posições de privilégio no mercado mundial exemplifica a importância crescente das políticas, em particular das relações inter-estatais, na nova divisão imperial do mundo. A chamada globalização não passa de um eufemismo da crescente importância das intenções dos impérios concorrentes para conduzir uma nova divisão do mundo. A corrupção de governantes estrangeiros é o elemento central na garantia de um acesso privilegiado a recursos, mercados e empresas lucrativas".
Compreendem a posição dos dirigentes do Partido "Socialista"? - ninguém é obrigado por lei a explicar ao fisco de onde vem o dinheiro para moradias ou carros de luxo.
(ler mais)
tudo legal
a questão, se houvesse estatisticas, seria esta: por cada um que Não aceita, quantos aceitam? arrisca-se:1 a 3 por cento?
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