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terça-feira, julho 31, 2007

a silly season,,, ou de como se vai indo no partido de Cavaco

Sabemos que a chamada “época idiota” em Portugal abrange praticamente todo o ano. Como se faz nas sondagens eleiçoeiras, bastam uns quantos raides pontuais pelos incontáveis balcões das incaracteristicas tascas infecto-contagiosas do país para nos darmos conta do estado maioritário de grunhice : as conversetas de dichote fácil sobre a tusa lusitana, a cervejola e o pirezinho de não sei quê gordoroso, o riso alarve colhido directamente do álcool, enfim, os políticos profissionais que emanam “do nosso povo” não poderiam ser muito diferentes. Pani e circences, haja quem nos divirta! – fica para a posteridade o melhor dito grunho desta época:

O objectivo de José Sócrates é instalar uma república socialista em Portugal
(ouve-se um arroto em fundo, e cai o pano)




Actualização: a opinião factual de amsf que não merece ficar escondida na caixa de comentários:
"O Marques Mendes (MM) veio fazer uma triste figura à Madeira.Em 2005o foi convidado a vir ao Chão da Lagoa para posteriormente ser desconvidado e agora veio porque se fez convidado de acordo com as afirmações do Filipe Menezes.
O MM vem namorar os c/ de 10.000 votos dos militantes do PSD/M esquecendo que na semana anterior denunciou uma prática que é comum dentro do PSD. Segundo as suas próprias palavras os caciques do PSD arrebanham os militantes com as quotas por pagar e fazem-nos votar no candidato que apoiam a troco do pagamento das referidas quotas. Certamente essa prática será aplicada na Madeira nas próximas directas para a eleição da liderança do PSD pois a quase totalidade dos militantes regionais não têm as quotas em dia.
O seu aparecimento junto do AJJ terá dividendos a curto prazo mas a longo prazo essa "solidariedade" ser-lhe-á atirada à cara".

sábado, julho 28, 2007

Imagine-se que, em nome do Ocidente, seria mesmo inadiável tomar posse administrativa de regiões, pessoas e bens, que possuem matérias primas essenciais para o "normal" e imprescindível funcionamento da complexa civilização ocidental, entenda-se, do usufruto imoral das maravilhas da civilização por uma pequeníssima minoria de privilegiados do 1º mundo. Nesta óptica, Bush, respectivos capangas e os seus delegados internacionais, serão apenas um bando de tarefeiros contratados que, uma vez concluída a tarefa de destruição dessas áreas de intervenção, se reformam com benesses douradas, deixando a reconstrução e a reorganização do que sobreviveu para outros gestores politicos, aparentemente não comprometidos com os crimes perpretados. Na verdade tudo é concertado, entre uns e outros, com a devida antecedência, sob a égide dos donos do mundo, que pré- determinam, a cada passo, através dos cordelinhos financeiros quem apoia e paga o quê.

"Tudo se passa como se não tivéssemos interlocutor"
Eduardo Lourenço, in "Labirinto da Saudade"
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sexta-feira, julho 27, 2007

a profecia de Bolivar

Don Quixote avistou uma tasca e foi como se vira uma estrela no firmamento. Esgotado pela jornada, não se mostrou esquisito quanto a comeres:
"Sea lo que fuere, venga luego, que el trabajo y el peso de las armas no se puede llevar adelante sin el gobierno de las tripas"
Estávamos nisto, quando, vindos do norte chegaram os assaltantes, cercaram a tasca e impuseram uma providência cautelar ao uso da cozinha,,

intervenções militares norte americanas na América Latina


(via MRZine)

quinta-feira, julho 26, 2007

Adeus, e muito obrigado por tudo, a todos vocês escravos, que pagam a coisa pública

O caso envolveu tráfico de influências e falsificação de documentos,
apesar disso, três antigos ministros do Governo neocon de Durão Barroso e Paulo Portas - Carlos Costa Neves, Telmo Correia e Nobre Guedes - ficam de fora da acusação no processo "Portucale", que lesa o Estado português em milhões de euros. Só no processo sobre os amendoins desaparecidos (que irá julgar onze amanuenses da arraia miúda) houve transferências directas para contas do CDS no valor de 1 milhão de euros. Ainda por cima, Portas ameaça processar o Estado, por "quebras de segredo de justiça"

Como sempre, Cavaco é o Alfa e o Ómega no processo. Ora leia-se com atenção a cronologia do caso: (Ricardo Garcia, no Público)

P - O que é o projecto Portucale?
R - É um empreendimento turístico do Grupo Espirito Santo, no concelho de Benavente, projectado para 237 lotes, dos quais 167 para moradias, comércio, dois hotéis, dois golfes, um centro hípico, uma barragem e um clube de tiro. Remonta ao início dos anos 1990.
P - Por que razão é polémico?
R - Em primeiro lugar, pela participação ruinosa da Companhia das Lezírias, uma empresa pública, na origem do projecto. A empresa entrou no negócio com um terreno de 509 hectares, coberto com sobreiros em bom estado vegetativo. Mas depois abandonou o projecto, em 1994, vendendo a sua participação ao Grupo Espírito Santo, que ficou com um terreno por um preço muito abaixo do que realmente valia. Um inquérito da Inspecção-Geral das Finanças concluiu que a Companhia das Lezírias fez um péssimo negócio, mas ninguém foi responsabilizado.

P - E os sobreiros?
R - São a pedra no sapato da Portucale. Para concluir o projecto, a Portucale precisa de derrubar uma grande quantidade de árvores. Mas a legislação não o permite.
P - Por que motivo não se podem cortar sobreiros?
R - O sobreiro é uma espécie protegida devido à sua importância ecológica - por exemplo, é um travão à desertificação - e económica, sobretudo pelo valor da cortiça. A azinheira também tem o mesmo estatuto. O corte das árvores só pode ser efectuado se o projecto for considerado de "imprescindível utilidade pública" - uma figura que não se adequa bem a projectos turísticos privados.
P - Já foram cortados sobreiros na "Portucale"?
R - Sim. Cerca de 1700 em 1995, que permitiram construir uma barragem e dois campos de golfe. E mais 900 em 2005, para abrir espaço às infraestruturas do loteamento.
P - Como foi isto possivel?
R - Em 1995, o Governo de Cavaco Silva, a momentos de deixar o poder, alterou a lei de protecção dos sobreiros de modo a permitir o abate. Em 2005, também nos últimos dias do governo de Santana Lopes, três ministros declararam a "imprescindível utilidade pública" do projecto. É este último caso que está agora em processo judicial.
P - Houve também iniciativas de governos do PS?
R - Tudo indica que sim. Em 2001, no governo de António Guterres, o Ministério da Agricultura, apresentou uma proposta de alteração da lei, que permitiria o corte de sobreiros em casos de "empreendimentos com relevante interesse para a economia". Isto abriria a porta à "Portucale". Muito criticada a ideia caiu.
P - Qual é a posição deste governo?
R - Logo que entrou em funções, em 2005, o governo de José Sócrates anulou o polémico despacho do projecto Portucale. Mas também já fez o contrário: em Novembro passado, declarou a utilidade pública de um hotel e um casino, em Vidago, para permitir o corte de azinheiras.
P - O que argumenta a Portuale?
R - A empresa argumenta que os sobreiros a cortar eram uma pequena parte (inicialmente 12 por cento) dos 35 mil que existiam na propriedade. Invoca também que houve um deferimento tácito do abate dos sobreiros em 1993 quando a então Direcção-Geral das Florestas deixou passar o prazo para dar o seu parecer.
P - Qual é a situação do projecto?
R - O campo de golfe, a barragem e algumas estruturas já foram construídas há alguns anos. O loteamento está suspenso devido a uma providência cautelar da Quercus.

ps - Um marco histórico: as acções do banco de ricardo salgado abriram hoje com a cotação mais alta de sempre. Pois,,

quarta-feira, julho 25, 2007

o Medo Alegre

"The Psycho Squad", Peter Howson, 1989

a chamada de atenção de Manuel Alegre é, como muito bem tem andado a explicar por aí um publicitário famoso, um teaser - isto é, um alerta de diversão para o Medo feito por um homem de sempre do aparelho do Partido dito Socialista - destina-se fatalmente a desviar a atenção do essencial: o Horror!
pelo caminho, o frete - nada melhor para credibilizar a entidade emissora do Medo.

Alegre não abriu o bico nem tomou nenhuma posição frontal contra o processo de tomada de posse do seu partido para o ultraliberalismo pelo métodos americanos de eleição subterrânea, partido que já de si nunca tinha sido socialista, conquistado por gente nomeada com os mais sórdidos propósitos. Pior do que o horror com que Conrad jamais sonhou, estes personagens de opereta já vêm descendendo rio abaixo, percebendo até demais que o seu caminho é um rio transformado em esgoto, onde eles, dejectos flutuantes, personagens grotescas saídas de trevas de merda por ruptura nos depósitos do Império, estes senhores nem tampouco conseguem já ver que estão a começar a apodrecer em frente das câmaras de televisão.

Como se sabe desde que, por motivos de higiene Negri tornou o caso público, entrámos na era da “biopolitica” – o que pressupõe a criação (mesmo no sentido de capoeira) de homens bio- degradáveis – a condizer com o Poder,, recicla-se este e aqueles, vêm outros iguais com outro rótulo, quais produtos reciclados de segunda geração, com mais poder do que os que estavam antes sobre qualquer um de nós.
Os spartaquistas queriam que todo o homem com mais poder que outro pudesse ser revogável a qualquer momento. Seria bom. Porém, como a história demonstra, jamais podemos esperar que os que têm mais poder se decidam finalmente pela aplicação desta medida. Nunca acham ser este o momento certo. Eles crêem é que o povo é que deve ser revogável a cada instante, em massa!
Não sabemos realmente com rigor cientifico ao fim de quanto tempo de exercício um homem com mais poder que nós começa a fazer filha-da-putices, por isso a grande maioria tem colaborado docilmente na aposta em homens biodegradáveis. Cremos firmemente que a acção da natureza sobre os Políticos neoliberais, o efeito do sol e da chuva, a erosão pelo vento, a actividade bacteriana e a fermentação auxiliada pelo arremesso de uns valentes tomates podres, os façam inchar, até rebentar.

action against terrorists:
"O Massacre dos Inocentes" por Peter Paul Rubens, 1611

terça-feira, julho 24, 2007

malta!, integrei-me "na Espanha"

já que quase toda a gente distorceu a dica do Saramago, (faça o teste: de que nacionalidade era o cão, a 5º personagem, da Jangada de Pedra?) bora lá a isso. Assim, como assim, a nossa oligarquia já tá a ficar piquenininha demais para nós,,

Na imprensa séria,,, que é a que usa o humor como a mais corrosiva das armas, a revista Jueves,
depois do escândalo da semana passada motivado por injurias à familia real
("¿Te dás cuenta? Si te quedas preñada, esto va a ser lo más parecido a trabajar que he hecho en mi vida", dizia don Filipe)
saiu-se hoje com uma capa editada ao abrigo do direito de resposta à Censura.

Um conto de fadas: o principe fodilhão mascarado de abelha Maia cobiça a real crica emoldurada em malmequer. A natureza não pára de nos advertir que esta bicharada é toda uma cambada de pecadores sem ponta de respeito por onde se lhe pegue.

Ao mesmo tempo,
aproveitamos daqui para ajudar à limpeza da honra da familia real espanhola (18 anos e 83 dias de candidatura sucessora do fascismo, por designio de deus e de Franco), com a publicação da
biografia não autorizada
de sua majestade eterna Juan Carlos de Borbón I
(uma edição "Kale Gorria")
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lixo mediático à borla






manhã cedo, toc, toc, uma simpática menina vestida de amarelo com o respectivo chapéu de pála resguardando-a do co2 bate-me no vidro do carro - um jornal à borla - que bom vivermos num mundo gratuito. Agostinho, havias de vir cá abaixo ver isto. De repente um baque! à borla?, não. "Venderam-me" um título e enfiaram-me pelos olhos adentro um assunto que não tem rigorosamente nada a ver com a minha vidinha. Afinal o frete de estender a mão, longe de ser um gesto gratuito, revelou-se caro demais; quem nos andará a pagar este tipo de ofertas?

segunda-feira, julho 23, 2007

o "novo Tratado"

Conforme se relembra aqui, "o governo tem já uma lista para as próximas privatizações: portos, CTT, EDP, REN, GALP e, a médio prazo, ANA e TAP". Assim, convém ir tomando nota e ir aprendendo com a experiência dos outros. O que aí vem não vai ser bonito. A crise que começou em 2001 foi apenas o princípio do processo de barbarização e autodestruição do sistema mundial do Estado Social dominante.

Robert Kurz,

"Depois de uma greve de semanas, o Sindicato dos serviços Ver.di "conquistou" na Deutsche Telekom uma redução de salários de 6,5 % e um aumento do tempo de trabalho de 4 horas sem compensação. Para maior ajuda até as pausas foram reduzidas. O facto de estarem previstos pagamentos compensatórios por 18 meses constitui apenas uma amenização não essencial. A protecção contra despedimentos até 2012 implica mais do que um sopro de desconfiança porque, simultaneamente, a garantia de que a sociedade prestadora de serviços externalizada não será vendida vigora só até 2010. E em caso de um mais que possível desmembramento da Telekom, por exemplo pelos investidores financeiros, estes não se deteriam perante quaisquer acordos. O chefe do conglomerado, Obermann, impôs-se em toda a linha. A posição de partida do sindicato já era miserável porque o Ver.di já antes tinha negociado tabelas mais baixas com os próprios concorrentes da Telekom. Assim era claro que o nível salarial não podia ser sustentado na empresa ex-monopólio público.
Trata-se de uma derrota histórica, cujo alcance está à vista e que se estende para lá do sector. Ainda que a planeada redução salarial de 9 % tenha sido minorada para 6,5 %, isso já não tem nada a ver com o tradicional "compromisso". É o sinal de que no futuro se tratará apenas do grau de degradação das condições". (ler mais)

O Estado vai acudir aos proletários?

da intervenção no lançamento de “A Crise Crónica ou o estádio senil do Capitalismo” pelo seu autor, Tom Thomas:

IV
“Abordo aqui a mais falaciosa e mais perigosa fraude difundida por toda a esquerda dita antiliberal, trotskistas incluidos (potenciais aliados da social democracia reformista, digo eu). Segundo esta corrente, o Estado poderia domesticar e limitar a finança e desse modo suprimir o desemprego, ou até mesmo humanizar o capitalismo. Sem dúvida, o Estado tem um papel activo muito importante. Mas esse papel é, e não pode deixar de ser, o da reprodução da sociedade tal como ela é, da sociedade capitalista. A força que continuam a ter as ilusões que imaginam a nação como uma comunidade e o Estado como representante, organizador e garante do interesse geral, mostra a importância de as combater. Este é um ponto essencial que distingue nitidamente o marxismo revolucionário daquela esquerda que se agarra à fórmula viciada do antiliberalismo.
As soluções dos antiliberais consistem todas elas em querer restringir a concorrência e a liberdade do capital financeiro. Reclamam portanto que o Estado burguês reforce o proteccionismo, favoreça as empresas nacionais, restrinja o papel da finança mundializada, numa palavra, que nacionalize um pouco mais a economia. Mas reclamar ao Estado que dê mais ajudas aos capitalistas é garantir os seus lucros e reforçar o seu poder – o que criaria para os proletários uma situação ainda pior que a de hoje. A corrente que se diz antiliberal e não anticapitalista é puramente burguesa. Reflecte inquietações das camadas médias (mas também de algumas fracções operárias). Não passa de uma expressão particular da tendência geral do capitalismo moderno para o totalitarismo estatal, tendência que se torna mais influente à medida que se verifica a inoperância da via reformista de uma certa melhoria das condições de vida dos assalariados, como a crise actual testemunha. É por isso que hoje já não existe mesmo essa ténue diferença que outrora parecia distinguir a ala esquerda da ala direita do campo burguês. Pior ainda, a corrente aintiliberal contribui fortemente para reforçar as ideologias nacionalistas e estatistas e portanto alimenta as tendências fascistas, que são a sua exarcebação.

Quer se trate do Estado do capitalismo “selvagem” liberal pretendido pela direita, quer se trate do Estado pretendido pela esquerda “antiliberal”, nada pode mudar a situação dos proletários. A situação dos proletários só pode mudar na luta pela abolição das relações capitalistas.

O que é necessário no imediato não é reclamar ao Estado capitalista mais proteccionismo, mais nacionalizações, mais crescimento, mais trabalho, mas, pelo contrário, apoiando-nos no aspecto positivo que representa a produtividade elevada, exigir para cada um menos trabalho alienante, repulsivo, através da partilha das riquezas que as máquinas permitem produzir com abundância. Trabalhar menos e de outra forma é uma fórmula que resume bem este projecto. O interesse deste livro é pois, em resumo, mostar que a exploração dos proletários pelo capital está a entrar em choque com os limites da realação capitalista, a qual tende a reduzir mais e mais o trabalho operário. Sem o querer, o capitalismo criou um extraordinário potencial de progresso para libertar a humanidade do trabalho alienado, o que equivale, no fim das contas, a abolir tanto o proletariado como a burguesia.
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domingo, julho 22, 2007

Médio Oriente: benvindos ao deserto do petróleo

Primeiros resultados da Cimeira UE-Brasil, que põe o país na órbita dos interesses do Império: Sem condições de vida, sem sítio para onde ir - refugiados palestinianos do Iraque serão realojados algures no Brasil (já há lá pouca gente,,, gente refugiada no seu próprio país, com carências graves)

Crianças Palestinianas no campo isolado de Rweished
junto à fronteira entre o Iraque e a Jordânia
foto: A.van Genderen Stort/UNHC

Shlomo Ben-Ami escreveu que "os acordos de Oslo tinham como fundamento uma base neocolonialista, a dependência permanente duma parte relativamente à outra". Há um ano o sociólogo Baruch Kimmerling da Universidade Hebraica, comentou: "Aquilo que mais temíamos aconteceu". Judeus e palestinianos "regressam a um tribalismo supersticioso... A guerra parece ser um destino inevitável", uma "maldita guerra colonial". Este ano, após a invasão israelita dos campos de refugiados, o seu colega Ze'ev Sternhel escreveu que "no Israel colonial, a vida humana é barata". Os dirigentes envergonham-se de falar em guerra quando estão realmente empenhados no policiamento colonial, que recorda o reassumir do controlo dos bairros negros pobres pela polícia branca, na África do Sul da era Apartheid."
(ler mais)

Discurso histórico: Ismail Haneyya desmascara a “facção traidora” da Fatah
(traduzido para castelhano aqui)


Contra-revolução na Palestina:
uma república das bananas em Ramalah - por quanto tempo? (texto de Fausto Giudice).

“Nas últimas semanas, nasceu um novo regime em Ramalah, Cisjordânia, que governa cerca de 15% do território da Palestina histórica. O que podemos pensar? Para analisar os recentes acontecimentos da Palestina, é preciso recordar outras tantas situações históricas. De facto, a contra-revolução dirigida por Mahmud Abbas é inspirada nos exemplos argelino, turco e centro-americano, todos de uma só vez. Não é nada surpreendente, posto que Abbas não é mais que o procônsul eleito pelos amos do Império, para aplicar as suas directrizes sobre uma parcela do território palestino. Para descrever o regime de Abbas, podemos elaborar o seguinte coctail: - Um quinto de generais argelinos e chefes da segurança militar da Argélia, daqueles que fizeram um golpe de Estado em Janeiro de 1992 para anular e neutralizar a vitória eleitoral da FIS (1);- Um quinto de contra-revolucionários nicaraguenses, os famosos “Contras”, que tentaram derrotar o regime sandinista nos anos 80;- Um quinto dos esquadrões da morte salvadorenhos e hondurenhos; - Um quinto de generais turcos "laicos";- Finalmente, acrescentar um quinto de “Judenrat”(2), da Varsóvia de 1942. Misturar tudo muito bem e servir frio. Resultado: uma república bananeira no coração da Palestina, à maneira das repúblicas promovidas pela companhia “United Fruit”, na América Central (3), de que o "novo regime" de Ramalah tem todas as características: é uma mistura de gangsters, torturadores, aventureiros e tecnocratas, cujo melhor ornamento é o sinistro Salam Fayyad, empregado modelo do Banco Mundial formado numa universidade... texana!

Trabalhar para atingir os fins

Eles vêm preparando o golpe há quase dois anos, inclusive antes das eleições palestinianas de Janeiro de 2006. "Eles" são os homens de Abbas e os seus padrinhos e patrocinadores: a CIA, a Mossad, o Shin Bet, os serviços secretos egípcios e jordanos, todos sob a tutela dos “neocons” sionistas de Washington (Casa Branca e Pentágono), e com a bênção dos cretinos de Bruxelas, com os ex-esquerdistas Barroso e Solana à frente. A imprensa árabe e os sítios anglófonos na Internet estão, desde há meses, cheios de informação sobre essa conspiração. Abbas e o seu bando receberam dezenas de milhões de dólares e milhares de armas para, pura e simplemente, liquidar a resistência personificada principalmente pelo Hamas. Transformaram uma boa parte dos combatentes do Fatah em vulgares mercenários. Todo o mundo pode constatá-lo em Gaza, onde esses “combatentes” fugiram com o rabo entre as pernas diante dos combatentes do Hamas, começando pelo seu chefe, Mohamed Dahlan, que nunca chegará a ser o "rei de Gaza".

Hoje, portanto, a Palestina está dividida em três: o território ocupado pelos sionistas em 1947; a Cisjordânia, controlada precariamente pelo bando Abbas/Dahlan; e Gaza, nas mãos do Hamas. Sem esquecer "a outra Palestina", uma "quarta", composta pelos palestinianos dos campos de refugiados dos países vizinhos e a diáspora mundial. Essa situação foi fomentada por Washington, Telavive e Bruxelas, com o apoio do Cairo e Aman. É uma estrita aplicação do lema "divide e vencerás" nos seus aspectos mais criminosos, e está condenada a um fracasso estrepitoso, como no Iraque, no Líbano, no Irão, Afeganistão ou no Sudão. Essa é a situação lá; aqui, na nossa “velha Europa” – culpada das desgraças da Palestina - as pessoas que se pretendem de boa fé falam de “golpe de estado do Hamas em Gaza”, e preocupam-se com o destino dos “militantes” da Fatah. Eu dividiria essas pessoas em duas categorias: uma minoria de cínicos “democratas laicos”, anti-muçulmanos viscerais e basicamente pró-israelitas, e uma maioria de gente sincera, mal informada e manipulada. Cada um tem que assumir as suas responsabilidades. Mas seja como for, de uma coisa podemos estar seguros: o clima da Palestina não é apropriado para o cultivo de bananas; na melhor das hipóteses, quando muito, sómente para a reciclagem de cascas de bananas importadas

Notas:
(1) Compreender o Islamismo e a Guerra Civil na Argélia
(2) os "Judenrat" eram os "conselhos de sábios", normalmente auto-nomeados entre os judeus mais velhos, encarregados pelos Nazis de providenciarem as forças de trabalho requisitadas, bem assim como organizar as deportações, transportes, etc. Estes conselhos, de cujas chefias o caso mais paradigmático foi o de Chaim Rumkowski, escolhiam entre os capazes e os incapazes, ou seja escolhiam, em franca cooperação com os Nazis, entre quem podia sobreviver pelo trabalho, ou morrer à míngua abandonado à sua sorte.
(3) “United Fruit” - empresa monopolista norte-americana que antes da revolução de 1959 em Cuba detinha o exclusivo de exploração sobre 90% do território do país.

sábado, julho 21, 2007

Não deixando passar em branco o 71º aniversário do início do golpe fascista que ficou conhecido como "guerra civil espanhola", eufemismo para designar a "Grande Revolução Social" espanhola a que só se conseguiu pôr termo assassinando centenas de milhar de republicanos, o jornal Público dedicou esta semana duas páginas centrais a uma exposição de retratos de vítimas anónimas, a quem, sob a sigla "Ordinary Citizens" é prestada homenagem no Teatro Circo em Madrid. Para que a memória dos mártires não morra na sua própria terra, pese embora que milhares de cadáveres nunca tenham sido encontrados até hoje,,, tal a brutalidade do regime fascista de Franco, que o transmitiu incólume ao Rei Bourbon.


sexta-feira, julho 20, 2007

os comentadores corporativos, têm para venda fascismo soft

Rui Ramos, o “estoriador” que se tornou mundialmente famoso por comparar o 28 de Maio salazarista ("uma revolta dos sovietes de Tenentes") com o 25 de Abril ("uma revolta dos sovietes de Capitães") trouxe ontem nova encomenda na sua coluna habitual das quartas no jornalP.
“Quem olhar para as águas do lago do templo de Shiva em Katmandou irá ver reflectido o modo como vai morrer”, disse. E, a propósito das eleições intercalares em Lisboa, RR paraboliza longamente, vendo no reflexo dos chafarizes com as torneiras dos votos fechadas de Lisboa, a antevisão do fim do sistema de partidos. Na inconsequência do P"S" neoliberal, ele já está a ver o fim do sistema politico português. Com que fito? é o que veremos no desfecho da prosa. Continuando, lá foi dizendo, e aqui reside a parte essencial, que “se a revolta dos abstencionistas (62,6%) alastrar às eleições legislativas em 2009”, (his master voice profetiza, concluindo que:) “ se o Parlamento a eleger reproduzir alguma coisa parecida com a pulverização e incerteza da vereação lisboeta (…) Talvez comece então a contagem decrescente para o primeiro governo de iniciativa presidencial desde 1979. Deus guarde o professor Cavaco Silva” (sic).
Rui Ramos não precisava de dar tantas voltas nem fazer tantas continhas pelo meio do artigo - lendo a cabeça e o rabo, o recado está dado. Só falta escolher o lider; e que tal o último convidado do sr. Balsemão ao jantar do Bildelberg?: Morais Sarmento (Tão previsiveis que eles são,,,)

e a propósito de gangsterismo (económico) e de Morais Sarmento (politico), vidé, que nem de propósito:
mentirosos corporativos, modo de usar,



video via "Chimes of Freedom"

quinta-feira, julho 19, 2007

a 9ª maravilha do mundo

"a ligeireza com que se permitem funcionar os aeroportos nos países do 3º mundo"

apesar dos inúmeros alertas às entidades imcumpridoras, pelo menos desde Fevereiro 2007,

o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, Brasil, é seguro, (!) insistem os que se marimbam para o cumprimento das normas de segurança;

apesar da opinião de quem sabe
"O Juramento de Viriato", Vieira Portuense, 1799,
(Biblioteca da Faculdade de Ciências do Porto)

a declaração de Rui Rio:

(...) "foi isso que disse às pessoas e não menti. Fui eleito há menos de um ano para ser presidente da câmara do Porto. Só qualquer coisa que seja mais forte que eu próprio é que me pode levar a não cumprir"

deixa em maus lençóis o seu correlegionário ex-Primeiro Ministro do governo da funerária Barroso, que deu às de vila diogo mal o primeiro tacho supranacional se lhe cruzou debaixo do olfacto, mandando às urtigas a resolução dos assuntos para que tinha eleito: resolver a crise (da tanga) provocada por ele próprio.

quarta-feira, julho 18, 2007

um ex-ministro de Barroso, com a autoridade moral que isso lhe confere, deu o recado: "a politica deve ser deixada para os politicos", exclusividade que também não é o caso do fulano, (por acaso já exemplarmente demolido aqui), porque, como sanguessuga notável do regime, as suas acções se desenrolam igualmente em múltiplas actividades colaterais


Pela 1640ª vez:
não foi ao Iberismo como macroestrutura de dominação política aquilo a que José Saramago se referiu; ele disse: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal(...) Não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português" (…) provavelmente Espanha teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar (...), ou seja,

porque os media corporativos precisam de vender papel sem escrúpulos.

Na realidade Saramago diz que faremos parte da comunidade de nações livres da Ibéria, com poderes locais autónomos, descentralizados, embora economicamente interdependentes por via de um sistema de trocas comerciais por valores equitativos e justos. Assim como assim, só teremos a ganhar com a integração: o PIB português é o mais baixo dos países e regiões ibéricas, 13.830 euros/ano, contra 25.818 de Madrid, 24.509 do País Basco, ou 23.533 da Catalunha. Até a semi-desértica Andaluzia, com 7 milhões de habitantes e sensivelmente a mesma área (87.000 km2) nos ultrapassa com um rendimento médio de15.154 euros anuais per capita.

Sabe-se que os pequenos rios procuram sempre os declives que os levem a desaguar em correntes maiores. No actual contexto, Portugal está desfavorecido porque é onerado com custos exorbitantes de elites administrativas exorbitantes – não há “produtividade” que aguente tamanha distorção social. A posição sobre o Imperialismo (Saramago afirmou também recentemente que a Ibero-América é um conceito aplicado a milhões de pessoas que não têm nada a ver entre si), que afinal é o sistema que sustenta as elites e que por ele existem, pela exploração desenfreada dos países de expressão luso-ibérica na América Latina, África e noutras comunidades espalhadas pelo mundo, também seria substancialmente outra, controlado pelos diversos poderes locais, a quem os gestores do poder central teriam de prestar contas a qualquer momento. É deste medo, de alguma vez ter de prestar contas, que padece a generalidade dos comentadores oficiais, medo de serem revogáveis dos tachos.
A crise do capitalismo veio para ficar, é terminal, o Poder central Imperial padece de capacidade para nos ludribiar, nada mais tem para nos dar, excepto “breaking news” sobre o terror auto provocado pelos seus próprios agentes e serventuários:
atenção atenção, acredita nisto?: " as sirenes que vão começar a ouvir anunciam o estado de alerta vermelho; é um aviso de perigo para um ataque aéreo eminente, isto significa que devem largar as vossas vidas de imediato e procurar refúgio nos abrigos” – o duo persa “Abjeez” explica como é que é encenado mediaticamente o actual estado de excepção da “demokracy” made in USA que nos é servida,

terça-feira, julho 17, 2007

Uma sociedade racista, desumana e escandalosamente desigual

Na sequência da Marcha sobre Washington e do inesquecível discurso "I Have a Dream", o presidente John Kennedy, apostado em abolir as abjectas “Jim Crow Laws”, uma herança sulista que consagrava a segregação dos negros no acesso ao ensino, ao emprego e à habitação, apresentou um projecto de lei ao Congresso em Junho de 1963. A proposta demorou mais de um ano a ser negociada entre “democratas” e “republicanos” sendo o seu âmbito alargado à emancipação de outras minorias, instaurando por exemplo apenas nessa época, que as mulheres deviam ter também os mesmos direitos e oportunidades que os homens. Entretanto Kennedy foi assassinado. Na cerimónia de assinatura do “Civil Rights Act”, presidida por Lyndon B. Johnson (que o jornal Público capciosamente afirma ter sido eleito) estava a maior figura do movimento pelos direitos cívicos, Martin Luther King, que meses depois seria galardoado com o Prémio Nobel da Paz – e quatro anos mais tarde abatido a tiro. Entrava-se na Era em que a segregação racial apenas podia continuar a ser levada a cabo pela via económica. Fez agora 43 anos

“o Zé Povinho em última análise é tão esperto como os carneiros... Presentemente uma das maneiras de manter esses carneiros dentro da cerca é electrificá-la. Desde que apanhem choques meia dúzia de vezes, desistem de querer saltar a cerca”
Trent Lott, Senador Republicano pelo Mississipi, opinando, em 2007, sobre como se deve lidar com a imigração ilegal na fronteira com o México, (citado na TimeMagazine)

The Politics of Immigration

“Precisamos desesperadamente de descartar a informação falsa sobre os imigrantes, de os vermos conforme nos vemos a nós próprios, com honestidade e compreensão. Este livro dá um significado poderoso ao slogan “Nenhum Ser Humano é Ilegal”. Espero que seja amplamente lido”
Howard Zinn, autor da “História (alternativa) do Povo dos Estados Unidos”

- Jovem, Preto, Pobre e condenado à morte por assalto que acabou em homicidio – a família do assassino não se conforma com a sentença - os famíliares das vítimas não se conformam com a desdita dos parentes mortos. Entre altercações, os juízes e jurados demoraram quatro horas até conseguirem ler o veredicto – e sabem quem, de entre os 4% dos soberbamente ricos, se vai safando destas dramáticas peixeiradas que decorrem da luta de classes pela sobrevivência na América?
- Branco, bem instalado na vida, Rico, empresário condenado ao sucesso: Paul Allen, na sua super- fabulosa fortaleza flutuante, onde podem atracar iates e helicópteros, e onde emprega mais de 600 criados- funcionários



















Os entertainers da sociedade do espectáculo em geral também não estão mal de todo, particularmente p/e John Travolta com a sua mansão e diversos jactos privados, entre eles um boeing comercial para transporte do staff e amigos.

“A média é de quase um cada dois dias, segundo a Cruz Vermelha. Os migrantes da América Central que viajam em comboios de mercadorias atravessando o estado de Chiapas em direcção à fronteira, perdem braços, pernas, mãos ou pés. Fora os que morrem logo, quando são cortados ao meio ou decapitados”






Sónia Nazario, uma jornalista do “Los Angeles Times”, em “A Odisseia de Henrique” (Edit Guerra e Paz) descreve as lancinantes histórias dos migrantes mutilados por “El Tren Devorador”, ex-aquo com as dos meninos que procuram as mães que abandonando-os, fugiram, em busca do progresso
uma estreia absoluta na blogosfera:

pena que, um calafrio lhe tenha percorrido a medula, e nos recuse a caixa de comentários aberta, para se averiguar da sua real estatura de estadista. Assim, nunca saberemos verdadeiramente o que o povo pensa acerca dele, como ex-governante. É uma pena, repito. Espero que reconsidere,,,
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segunda-feira, julho 16, 2007

Mundialmente celebrizado pelo seu livro “As Veias Abertas da América Latina”, que descreveu como “uma história de piratas”, Eduardo Galeano o grande escritor e jornalista uruguaio, tem uma vasta obra de acusação ao imperialismo,




















Linguagem e Medo Global

Na era vitoriana, as calças não podiam ser mencionadas na presença de uma menina.
hoje, não fica bem dizer certas coisas na presença da opinião pública
O capitalismo ostenta o nome artístico de economia de mercado,
o imperialismo chama-se globalização
As vítimas do imperialismo chama-se paises em via de desenvolvimento
o que é como chamar crianças aos anões
O oportunismo chama-se pragmatismo, a traição chama-se realismo
Os pobres chamam-se carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos
A expulsão das crianças pobres do sistema educativo
é conhecida sob o nome de abandono escolar
O direito do patrão a despedir o operário sem indeminização nem explicação
chama-se flexibilização do mercado laboral
A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias,
como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria
Às torturas chamam-se pressões ilegais, ou também pressões físicas e psicológicas
Quando os ladrões são de boas familias, não são ladrões e sim cleptómanos
O saque dos fundos públicos pelos politicos corruptos
responde pelo nome de enriquecimento ilícito
Os mortos em batalha são baixas, e as de civis que as acompanham
são danos colaterais
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as "eleições" em Lisboa

"O mundo está organizado de tal forma que apenas temos direito a eleger a salsa com que vamos ser comidos"
Eduardo Galeano (vale a pena ver o video,10 min)




1 - Saúda-se efusivamente a população de Lisboa, dos mais diversos extratos sociais e ideologias que, em grande maioria e numa acção exemplar demonstraram, com a sua falta de comparência ao acto eleitoral, o mais absoluto desprezo pelo ignóbil processo de legitimação de opções tomadas antecipadamente à revelia dos nossos interesses. Bem Hajam.
2 – Como que a dar razão ao maior partido da actualidade, o dos Absentencionistas (62,31%), não passava ainda meia-hora do fecho das urnas, e já o séquito de noticiaristas e comentadores oficias do regime contabilizavam as escassas papeletas de voto como se os 37,39% se tratassem efectivamente de um Todo (!). O presidente A. Costa “foi eleito” com a pior percentagem de votos de sempre do PS em Lisboa: 29,5% dos 37,39% dos que colaboraram na roleta eleitoral viciada, ou seja 57.907 votos num universo de mais de 350 mil eleitores possíveis.
3 - o agora despromovido a vereador Carmona R. ( principal agente branqueador da funesta acção de Santana Lopes) apressou-se a congratular com o facto de ser a segunda força na CML; com o pelouro do Urbanismo em perspectiva, e Paula Teixeira da Cruz (PSD) à cabeça da Assembleia Municipal, eis duas lanças firmes bem cravadas no solo urbano – a garantia de que o sistema de Corrupção instalado não será de todo erradicado.
4 – Uma última palavra para os esforçados forcados do voto que tentam rabujar as diabólicas máquinas de tachos partidários, comparecendo na arena eleiçoeira: muito obrigado por terem conferido ao PSD o pior resultado de sempre, e por terem varrido o CDS do mapa. Bem Hajam.
5 – a “comunicação social” cerca da meia noite ainda não tinha veiculado as vozes dos vereadores eleitos pelas forças politicas minoritárias com 10 e 9%. Num entanto, desdobraram-se em exaustivas repetições sobre o partido de Paulo Portas que conseguiu a percentagem residual de 3,7% (!)


“Nenhum horror real (tsunani ou serial killer apocalipticos) tem o condão de nos acordar. A única caverna verdadeiramente platónica (a televisão) continuará a emitir mesmo quando já não houver ninguém para a contemplar”

Eduardo Lourenço, sobre o “Estado do Mundo

“Nuno Pacheco fala de uma mulher do Butão, onde a televisão acaba de chegar e que vive e dorme literalmente colada a ela a todo o instante. É a melhor imagem do estado do mundo que se pode imaginar. Esta nova forma de vida virtual é uma autêntica novidade. É a imagem da nossa civilização como subproduto da mais fascinante das invenções, aquela que, na aparência, como já o era a fotografia, não nasceu para nos fazer esquecer a realidade, mas para conservar a efémera realidade dela. O efeito foi inverso: nós (mais uma vez: os eleitores que se prestam ao jogo) preferem a virtualidade à realidade”

“A autêntica realidade, por exemplo, a da inamovivel miséria e a trapaça, tornam-se irreais pelo seu tratamento televisivo, e os crimes, além de irreais, evaporam-se pela sua contínua sublimação tornada rentável pela mesma tradição. É uma espécie de escândalo obsoleto e absoluto de consumidores angélicos da pura e inexistente virtualidade”
(do JL, 20/6)

sábado, julho 14, 2007











as FARC e o neocolonialismo

O tenebroso regime neoliberal da Colômbia constitui a última tábua de salvação do imperialismo norte-americano na América Latina onde, nas últimas décadas têm sido investidos milhões para sustentar governos que lhe sejam afectos – e que lhes permita manter expectativas hegemónicas politico-militares sobre toda a região amazónica. A presidência do actual proCônsul Álvaro Uribe tem demonstrado uma intransigência (paga pelos EUA com 3 mil milhões de dólares nos últimos cinco anos ao abrigo do “Plano Colômbia), que roça a demência ao recusar negociar um intercâmbio humanitário dos prisioneiros feitos pelas forças revolucionárias – optando, ao contrário do anterior presidente Pastrana, pela estratégia determinada pelos gringos, do resgate militar – o que levou durante confrontos registados nas últimas duas semanas à tragédia da morte de 11 deputados de Cali, prisioneiros desde à cinco anos, quando o acampamento das FARC (ver video) foi atacado por grupos para-militares das forças armadas de Uribe conjugadas com agentes especiais das autodenominadas “Autodefensas Unidas da Colombia” (AUC) financiadas pela CIA.

¿e sobre tudo isto o que diz “a nossa informação especialmente o jornal Público? Que “milhões de pessoas, (oriundas à boa maneira protofascista das diversas classes sociais: patronato, governo e trabalhadores(sic) no passado dia 5, desfilaram pelas ruas de Bogotá exigindo a libertação dos reféns nas mãos de guerrilheiros e bandos armados(...) o presidente Uribe referendou assim a sua politica de firmeza em relação aos grupos rebeldes, em primeiro lugar o que lhe faz mais frente (como se houvesse outros movimentos significativos) e tem consigo mais raptados: as FARC de Manuel Marulanda “Tirofijo” (...) Uribe (aldrabando a opinião pública) anunciou no princípio de Junho a libertação de várias centenas de rebeldes no âmbito de um “gesto humanitário unilateral” tendente a provocar uma resposta semelhante por parte de Marulanda”
Acontece que, para um pequeno percalço do jornalista que engendrou o enredo, o comandante Marulanda já não é visto desde 2002, e é precisamente o contrário aquilo que se passa: ao abrigo da nova legislação terrorista de Washington os guerrilheiros das Farc têm vindo a ser raptados pelas forças leais ao governo colombiano, e ao abrigo dos acordos existentes são extraditados pela CIA para os Estados Unidos onde se encontram detidos em prisões de alta-segurança, como tantas outras onde aliás se encontram muitos outros militantes anti-terroristas- de- Estado capturados nas mais diversas regiões do globo.

É sobre este pano de fundo que esta semana chegou a Bogotá o escritor português José Saramago para um encontro de carácter literário com a colombiana Laura Restrepo. Os bilhetes para o evento esgotaram em hora e meia! – por isso, dado o manifesto interesse da população em geral, o encontro teve de ser transmitido em directo pela televisão – Na Colômbia, a simpatia pela política do governo neoliberal arrasta multidões,,, enquanto as organizações sociais de base avançam: o município de Bogotá mandou imprimir alguns milhares de exemplares das “Pequenas Memórias” para serem distribuídos aos utentes gratuitamente nos transportes públicos,,,

sexta-feira, julho 13, 2007

As eleições em Lisboa e o azar do13º candidato










"vamos embora camaradas que ainda temos muita luta para fazer hoje" - hilariante, na demolição dos candidatos " inocentes" Telmo, Costa, Negrão e Carmona, principalmente quando o Jel e o Falâncio apanham este último à porta do luxuoso Clube dos Empresários:
(video via Spectrum)

Os pressupostos em que assentou a convocação deste simulacro de eleições estão em grande parte viciados. Independentemente da participação dos eleitores, será uma infernal maquinaria oculta dominada pelo dinheiro, pela demagogia e pela corrupção quem vai, em última análise, decidir quem vão ser os eleitos.
Pelas notícias que vão vindo a lume, percebe-se que as grandes linhas estratégicas de desenvolvimento da cidade já foram previamente definidas e, sendo o motor o mesmo de sempre, o investimento em tijolos (agora empreendendo uma nova Expo08 lá para as bandas de Algés na zona ribeirinha, e densificando a construção no interior) torna-se evidente que os reais interesses dos munícipes são simplesmente marginalizados.

A entrega da “reabilitação do Chiado” (a Baixa só para turistas) a uma militante despedida do irrelevante partido do portas, a extinção da Portela como pretexto para a enormidade de pêtas como “fabulosas zonas verdes”; a anedota do Tgv que pára em todas as estações como os comboios suburbanos páram nos apeadeiros, enfim o “novo aeroporto” cuja única utilidade é os lucros que proporciona aos investidores no imediato da sua construção – tudo está a ser friamente pré-defenido à revelia de qualquer programa de conjunto, coerente e racional, posto a discussão aberta, para que se conhecessem as opções de voto, saídas da síntese das diversas propostas. Pelo contrário, como tudo se está a arquitectar nas costas dos “lisboetas”, o 13º candidato, pese os milhares de sms que o PS está a enviar aos militantes ameaçando-os com medidas retaliatórias caso não compareçam ao piedoso acto, a Abstenção vencerá. Justamente, diga-se.
E afinal, quem são os poucos mais de meio milhão de Lisboetas? – vestigios residuais da antiga Lisboa que resiste nos bairros populares e as élites que gravitam em torno do Governo ( para quem o resto do país é paisagem, só desistindo das políticas de trapaça quando se vislumbram novas eleições – depois da terra queimada)

Assim, a matéria prima de que se poderia ter construido Lisboa (à semelhança de muitas outras capitais de países que adoptaram o neoliberalismo como doutrina) já foi de há muito expulsa para os subúrbios. Só faria sentido eleições que contemplassem a Grande Lisboa como um todo, região onde vivem mais de 2 milhões de pessoas que não terão a mínima influência, muito menos interferência, na tomada de decisões sobre assuntos que afectam directamente as suas vidas. Aliás, a resolução dos grandes problemas da civilização do século XXI, virão, como veremos, dos subúrbios das grandes metrópoles – em acções para pôr cobro às ilhas de prosperidade artificial construídas sobre um mar de escombros
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quinta-feira, julho 12, 2007

“Da mesma maneira que se encontra água quando se cava, também o ser humano encontrará, mais cedo ou mais tarde, a História incompreensível em toda a parte”
Georg Christoph Lichtenberg


a Eterna Memória Colectiva como Politica Pública
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os eixos da discussão

"O que é a memória? Um voltar ao passado através de bases de dados e redes de arquivos que criam uma aproximação da “verdadeira memória”? ou é uma escolha, nunca neutra ou ascética que se apropria criticamente do que aconteceu? A questão da “inocência” ou intencionalidade da memória directamente ligada ao seu modo de operação no passado e a sua utilização em termos de presente e de futuro surge como uma questão-chave quando nos interrogamos sobre a politica pública da memória. Estaremos a falar de uma embarcação vazia que devemos “encher” com documentos e lembranças? Ou será um processo que, baseado em interpretações e desejos, se movimenta para a frente e para trás em direcção ao passado, refazendo-o? “Toda a memória é uma construção da memória: o que é lembrado, o que é esquecido, e que significados são dados às lembranças não está implícito no curso dos acontecimentos, mas antes obedece a uma selecção com implicações éticas e politicas”, de acordo com Alejandra Oberti e Roberto Pittaluga (“Which Memories for Which Policies?”)

Não há memórias “puras”, nem memórias que nasçam espontaneamente a partir dos factos. Nas palavras de Primo Levi “a memória é um instrumento maravilhoso mas falacioso” – um local de batalhas, de verdades e de mentiras.

Por alguma razão se assalariam numerosas chusmas de assessores em volta dos centros de decisão, afanosamente construindo verdades falaciosas.

E, se enfatizam certas personagens duvidosas em detrimento, por exemplo de desinteressados militantes pela paz e justiça no mundo. (Pelo contrário, se fosse visto pelos critérios actuais, todos os nossos perseguidos pelo Fascismo e pela Pide, seriam hoje considerados “terroristas”, como o foram os militantes dos movimentos de libertação das colónias).

Assim, é evidente que se corre o risco de “má utilização”, como o afunilamento do passado, a sua distorção ou repetição, de tal modo que se torna estéril, sacralizando e usando-o para apaziguar consciências, desperdiçando a memória como um exercício nostálgico e paralisante. “Rememorando” pode-se sustentar discursos parciais e narrativas hegemónicas do passado. Mónica Moniz, no prólogo de “Nunca Mais” mostra, a partir da afirmação que a maioria das pessoas desaparecidas eram “inocentes da acusação de terrorismo”, que forçando assim a uma interpretação específica dos factos – liberta-se o leitor de toda a necessidade de se questionar sobre se todos estes “inocentes” mereceriam ser torturados e desaparecer. Rememorando, responde, citando Walter Benjamin:
“É o presente, ou melhor, são os perigos do presente, das nossas sociedades actuais, que convocam a memória. Neste sentido, a memória não começa com os acontecimentos dos anos 70, ou até mais atrás, mas antes com a nossa realidade actual e desloca-se para os diversos passado para os trazer, como se fossem iluminações fugazes, relampejantes, para o momento do perigo presente”

Enquanto a história assume a forma de um arquivo fixo, a memória, que é sempre impulsionada pelo presente, agrupa informações que estão sempre em mudança e reconstrói o passado interminável.
Como trabalhar então com a memória? Se a memória é construída, como é que a construímos? Voltando a Benjamin: “ a articulação histórica do que é passado não significa conhecê-lo “como realmente foi”, mas antes “apropriar-se” de uma lembrança em termos de como ela derrama a sua luz do momento de um perigo”, concluindo que “não é uma questão de querer construir a memória em si mesma”, mas antes de o fazer em função de um projecto que discute o que queremos apropriar para nós para “transformar a história em memória e construir uma estrada para seguir caminho”

Lila Pastoriza, in “Memória en construccion. El debate sobre la ESMA”, Argentina, 2005

quarta-feira, julho 11, 2007

CIA, a multinacional do Crime político organizado

CIA goes Global - 1. Os primórdios









Há mais de 30 anos, nos começos de 1975, o “Arquivo de Segurança Nacional” (ASN) um organismo não governamental e independente com séde na Universidade George Washington, antecipou-se à CIA e deu a conhecer quatro documentos secretos, que causaram alarme na Casa Branca, em particular a Henry Kissinger, então secretário de Estado e assessor do presidente Gerald Ford – perante a série de artigos que, sobre o assunto, o jornalista Seymour Hersh, havia começado a publicar no influente NewYorkTimes; A 4 de Janeiro Kissinger abriu a reunião com Ford e Scowcroft com a seguinte declaração: “O que está a ocorrer é pior que nos dias de McCarthy!, Helms, (Dick, ex-director da CIA) diz que todas essas histórias (denunciadas pelos artigos de Hersh) são apenas a ponta do iceberg. Se saem à luz, correrá sangue. Por exemplo, Robert Kennedy organizou pessoalmente uma das operações para assassinar Castro”.

Também nesse ano de 1975, o senador Frank Church foi designado para presidir à Comissão do Senado dos Estados Unidos que investigou os numerosos planos da CIA para assassinar lideres politicos estrangeiros hostis às politicas de Washington. Entre esses planos estava o projecto AM/LASH, relacionado com o mecanismo cubano-americano da CIA e da Máfia. Começaram a tomar forma as primeiras suspeitas de que o magnicidio de Dallas poderia ter começado aqui: um ajuste de contas de facções anti-Kennedy, um “inside job” destinado a eliminar quem, em 1963, sob o “odioso ferrete de democrata”, se opunha à invasão militar descarada de Cuba e à liquidação imediata da “revolução comunista” na ilha.
Em 1978 visitaram Cuba diversos elementos selecionados do Comité da Câmara de Representantes, que investigavam os assassinatos de Kennedy e Martin Luther King. Na altura foram recebidos pelo 1º ministro Fidel Castro. As actas da recepção, onde se desmontaram as calúnias e mentiras de que o governo de Cuba poderia estar envolvido no crime, estão arquivadas no “Centro de Estudios sobre la Seguridad” do Ministério do Interior (MININT), disponiveis para consulta.
Mais tarde, sob a égide de várias organizações não governamentais, tiveram lugar dois seminários importantes sobre o tema: um no Rio de Janeiro organizado pela jornalista Claudia Furiati e um outro em Nassau, nas Ilhas Bahamas. Todos inconcluiram pela lamentável falta de elementos que não puderam ser aclarados. Os próprios “complotados” envolvidos nas operações pouco sabiam sobre isso, apenas tinham sido instrumentos operacionais dos diversos projectos. Do mesmo mal padeceu a “Comissão Church” enleada em deliberadas informações parciais e pistas falsas. As chaves fulcrais para a compreensão do assassinato de Kennedy continuam fechadas a sete chaves nos arquivos norte- americanos.

Portanto, para quem acompanha o caso, as recentes “revelações” (confirmações) a conta- gotas das “jóias da família” da CIA onde se menciona a contratação pela Agência de mafiosos de Chicago para tentar o assassinato de Fidel, não constitui surpresa.
No mundo dos blogues nacionais, o "Arrastão" assunto encerrado, deu a notícia com o mesmo laconismo do jornal Público. Apenas o “Tempo das Cerejas”, e bem, fixou o banner como sendo assunto a seguir. Assim seja, pela parte que nos toca seguiremos a trama, cruzando elementos descritos por um antigo chefe de unidade dos serviços de informação de Cuba, Fabian Escalante Font, no seu livro “El Complot”, com informação proveniente de diversas fontes norte-americanas e, como nos bons romances policiais a que não resistimos revelar o segredo final, podemos começar por ler já a última página – aquela onde se irá concluir que um dos principais mandantes do crime de Dallas que eliminou JFK (o 35º presidente) foi o que viria a ser o 41º presidente dos Estados Unidos, George Herbert Walker Bush.
(continua)
ps - este post, o nº 1000, vai dedicado a uma nova estrela na blogosfera portuguesa, "O Nadir dos Tempos". Bem-vindo Tariq ibn-Ziyad, aliás Tárique:
"Temos agora o inimigo pela frente e o mar profundo por detrás. Não podemos voltar para o nosso lar, porque queimámos os nossos barcos. Agora só nos resta derrotar o inimigo ou morrer de forma cobarde, afogando-nos no mar. Quem me seguirá?"