agora tão badalada, “a Declaração (Francesa) dos Direitos do Homem" legou às gerações vindouras este principio: Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é para este o mais sagrado dos direitos e o mais imperioso dos deveres” – quando uma só pessoa ou grupo se apodera da soberania, devem ser condenados à morte pelos homens livres”
Na madrugada de 26 de Julho, um punhado de rapazes lançam-se ao assalto do quartel Moncada. Armados de dignidade e de cidadania e umas poucas espingardas de caçar passaritos, batem-se contra a ditadura de Fulgencio Batista e contra meio século de república colonial mentirosa. Alguns, poucos, morrem na batalha, porém mais de setenta são aprisionados pelo exército ao cabo de uma semana de tormentos. Os torturadores arrancam os olhos de Abel Santamaria e de outros prisioneiros. O chefe da rebelião, prisioneiro, pronuncia ele próprio a sua alegação de defesa. Fidel Castro tem cara de homem, e oferece-a, entrega-se totalmente, sem pedir nada em troca. Os juízes escutam-no, atónitos, sem perder uma palavra, porém as suas palavras não são para os bafejados pelos deuses: ele fala para o meio dos diabos, e para eles, em seu nome, explica aquilo que fez. Reinvindica o ancestral direito de revolta contra o despotismo: “mais depressa se afundará esta ilha no mar, que consintamos ser escravos de nada”. Majestoso, o tronco como uma árvore. Acusa Batista e os seus oficiais, que trocaram os uniformes por batas de carniceiros. E expõe o programa da Revolução. Em Cuba poderá haver comida e trabalho para todos?!, e de sobra!, não, isso não é uma coisa inconcebível (...)
Texto completo de "A Historia me Absolverá"curiosamente, um facto pouco conhecido, a expressão "a história me absolverá" foi repescada de um manifesto de José Marti, o pai da 1ª independência de Cuba.
"Os norte americanos submetem o sentimento à utilidade. Nós submetemos a utilidade ao sentimento. E se existe esta diferença de organização, de vida, de ser, se eles vendiam enquanto chorávamos, se substituimos a sua cabeça fria e calculista pela nossa cabeça imaginativa, e o seu coração de algodão e de canhoneiras, por um coração tão especial, tão sensível, tão novo, que só pode chamar-se coração cubano, como querem que legislemos com as leis com que eles legislam? que os imitemos? Não!, que os copiemos?. Não! é bom, dizem-nos. É americano dizemos. Acreditamos, porque temos necessidade de acreditar. A nossa vida não é semelhante à deles, nem deve, em muitos pontos, assemelhar-se. A sensibilidade entre nós é muito grande. A inteligência é menos positiva, os costumes são mais puros; como com leis iguais, vamos ordenar dois povos diferentes? as leis americanas deram ao Norte um alto grau de prosperidade, e também o levaram ao mais alto grau de corrupção. Metalizaram-no para o tornarem próspero. Maldita seja a prosperidade a um custo tão elevado"
José Martí (1853-1895)
*relacionado:
"Fidel Castro e a Internet"
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