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sexta-feira, outubro 17, 2008

o Orçamento Geral do Estado do Sítio

Segundo o ministro vamos crescer menos (...) mas, vamos cobrar mais, segundo a opinião de um fedelho que nas televisões de dedo em riste ameaçava os contribuintes de lhes penhorar, depois das casas, até os carros,,,
Pelo assalto aos pagadores de impostos insolventes, fundamenta-se assim a opinião do FMI, segundo citado pelo ministro, “que em Portugal está afastado o cenário de recessão” – o ministro diz que a economia cresce ZERO vírgula Seis, o Fundo Monetário Internacional diz que cresce ZERO vírgula Um.
Concluindo,
Segundo disse Manuel António Pina no Jornal de Notícias: “no Estado Providência neoliberal (que giro que a palavra tenha caído no léxico do homem de rua), quem paga quer as crises quer as soluções das crises do mercado são sempre os contribuintes”


Claro que, antes não se passou nada, no dialecto oficial “a crise vem lá de fora”, “da falta de regulação”, “é internacional”, etc. e isso é porreiro pá, porque permite afirmar à dona Manuela (a dos negócios com o Citigroup que estão a lesar o Estado com milhões em juros) que o culpado é o Sócrates; e na réplica vice-versa. Não muito longe da verdade, porque o Barroso foi o golpista do “estado da tanga” quando o desperdício e a inflacção dispararam para angariar meios para comprometer o petit Portugal com o regime neocon apostado em conquistar o mundo.

Vamos então “lá fora” averiguar do que se passa da conquista. Numa reunião quase secreta em Abril de 2004, “o nosso aliadoBush reuniu membros de topo da SEC (a entidade reguladora da Bolsa) e os representantes dos 5 maiores bancos de investimento:
Lehman Brothers (entretanto falido), Bear Sterns (“salvo” pelo J.P.Morgan), Merrill Lynch (salvo pelo Bank of America), Morgan Stanley e Goldman Sachs (ambos transformados em bancos comerciais para evitar a insolvência). O presidente deste último era, na altura, Henry Paulson, entretanto nomeado secretário de Estado do Tesouro e autor do plano de salvamento dos ricos e da banca, “bailout” que irá iniciar a revolta generalizada dos cidadãos norte americanos conscientes a partir do próximo dia 24 de Outubro de 2008.

O resultado da reunião de 2004 permitiu que, com a condescendência comprada da SEC, esses bancos “se alavancassem” ao ponto de deverem mais de 30 dólares por cada dólar que detinham na realidade. (citado de o Público, Henry Paulson ex-administrador da Goldman Sachs e Bush decidiram aqui o endividamento sem controlo). Bush safou, por breve lapso, o astronómico défice externo e as não menos descomunais despesas da guerra.
Curioso como 4 anos depois, no mesmo Público em 3 de Outubro deste ano, Kenneth Rogoff, um ex-chefe do FMI, venha refazer por obra milagrosa de palavras a relação 1 para 30 em 1 para 2 -de novo citando: “depois de uma forte expansão, durante a qual o sector dos serviços financeiros duplicou a sua dimensão, é natural que se siga um periodo de retracção, nomeadamente no altamente rentável (pudera!) segmento dos derivados de crédito; por isso “a indústria” sofrerá uma certa contracção

Nada de grave, afinal no momento da falência a relação entre titulos assumidos pelos dois gigantes Fannie Mae e Freddie Mac era de 5,3 biliões em títulos avalizados e de apenas 200 milhões em activos reais. Ou seja, de 1 para 26,5 - o que mais ponto menos ponto confirma os primeiros dados de “o Público” e deixa o professor Rogoff do FMI com o rótulo de aldrabão escarrapachado na testa. Mais explicito foi outro executivo expulso borda fora pela crise: António Borges, ex-vice da Goldman Sachs: “O sistema financeiro caiu como um castelo de cartas”, mas o orçamento geral do Estado norte americano prevê para este ano a maior verba de sempre destinada à “indústria” militar. Da parte do orçamento adstrito ao esforço militar português com os ultras de Washington pouco ou nada se sabe – com Cavaco Silva grande parte da despesa deixou de constar do orçamento interno, deve, decerto, ser obra gerida em off-shores. Na ausência de informação fica a suspeita

ler aqui:
"Para a Indústria da Guerra não existe Crise"
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