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quinta-feira, julho 31, 2008

justiça neocon

Os meios de comunicação social, a maquinaria mediática que conduz a opinião pública e cria o imaginário popular, são hoje talvez a ferramenta mais poderosa em mãos da amálgama de ultras e mentecaptos "de direita" apostados, em nome da alta finança de que se alimentam, em conduzir o mundo para uma situação de caos global. O pesadelo orwelliano, a manipulação das consciências à maneira de Goebbels, é o alimento diário de cidadãos e consumidores da nossa singular, acossada e cristalizada democracia. A discussão política, limitada às traduções de uma só voz, dividida pelos estridentes Expresso, Público, RTP e compinchas privados, etc. toma formas de doutrinação, provoca deliberadamente abulia, desinteresse, conformismo e também desprezo. Veicula-se doutrinas para a resignação, para o medo, para a ignorância e estupidez.

Desde os bombardeamento sem motivo das estações de rádio da Jugoslávia, ordenadas pela administração Clinton em 1996 e executada com canina subserviência pelos europeus organizados na Nato, a lista de crimes e criminosos é extensa.
Convocará o Tribunal de Haia este 1º criminoso de guerra?
Perante a repressão policial que se abate sobre a vanguarda dos sérvios mais esclarecidos, os políticos ocidentais recebem com um esgar de satisfação a localização e captura do sérvio-bósnio Radovan Karadzic, conduzido a Haia para ser julgado. Tudo indica que o mesmo não ocontecerá ao hispânico Javier Solana, militante do PSOE, dirigente da Nato quando esta bombardeou indiscriminadamente população civil na antiga Jugoslávia
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quarta-feira, julho 30, 2008

o Maestro

“a hipótese politicamente incorrecta do Bloco Central pode ser a mais adequada às dificuldades que o país atravessa”
Jornal de Negócios

com violinos e fagotes se quedam os tolos enganadotes. Miguel Graça Moura (Público, 14/Julho) faz a sua declaração de interesses: “apesar de não pertencer a nenhum partido” afirma que já colaborou com todos os partidos institucionais, do PS ao PSD passando pelo PCP (na divulgação de música erudita na Festa do Avante) isto é, os partidos são todos clientes e encarados como uma fonte de receitas (exactamente o mesmo acontece com as empresas de construção civil; e então Graça Moura sugere: “um governo que integre o PS e o PSD corresponderia aos anseios de 75 a 80 por cento dos portugueses e a uma formidável legitimidade governativa” (e então? por que é que não experimentam concorrer coligados?). Mas no entanto no final do artigo MGM declara que “é óbvio que o PS e o PSD devem concorrer às eleições legislativas sózinhos”. Porquê o embuste?

“o que toca a todos deve ser aprovado por todos”
Edward I, rei de Inglaterra (1239-1307)
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terça-feira, julho 29, 2008

o Soares marxista

Desde que o Tim-Tim assumiu a presidência, Mário Soares transfigurou-se no Rom-Rom, uma obra de arte do desenho animado. Retórica e anti-retórica, não há que ter dúvidas entre o que é de “direita” e o que é de “esquerda”. Neste cantinho do sonho europeu é fácil de ver qual das duas faces do mesmo governo nos conduziram às políticas de desigualdade, insustentabilidade e injustiça social.

o capitalismo financeiro, especulativo e dito de casino, do século XXI, e o descalabro a que está a conduzir o Ocidente, suscitam uma nova reflexão sobre a obra de Marx
Mário Soares, no DN, 23/Julho/2008

Referindo-se à “revolução cultural Obama”, Soares “acha que estamos perante um daqueles momentos da história em que a América (presume-se que estivesse a pensar na do Norte) se pode voltar a erguer a favor do Bem” (Teresa de Sousa, Público 23/Julho) “como aconteceu com a eleição de Roosevelt quando o mundo vivia os dias negros que se sucederam à crise de 1929 para lançar o New Deal e liderar o combate contra o Fascismo”.

Como na crise que conduziu à grande confrontação entre potências na IIGrande Guerra, o fascismo está instalado nos governos; Onde mais poderia estar? – Soares não reflectiu o suficiente, como quando Deng Xiao Ping em 1987 assumiu o comando na modernização da China optando por confrontar o capitalismo no seu campo com as suas próprias armas.

Deng, decidiu-se por expurgar de cena o radicalismo esquerdista do Bando dos Quatro – ou seja, como os tempos e os lugares mudam, Soares deveria ter estudado a dialéctica marxista depois do up-grade filosófico maoista – no actual contexto deveria ter sugerido o saneamento de Bush, Hillary, Obama e McCaino bando dos 4 conluiados na persecução da tenebrosa ditadura dos bilionários da nova ordem mundial – estes são, sem dúvida, os co-autores da revolução cultural de que o pobre Soares fala. (pobre no sentido em que os milhões dos gloriosos anos mencionados no “caso Mateus” já não fluem como outrora)
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segunda-feira, julho 28, 2008

a psicose financeira das sextas feiras à tardinha

Depois de há duas semanas ter salvo da falência o IndyMac Bancorp Inc. e o First Heritage Bank da Califórnia, a FED intervém com novas injecções de dinheiro salvando mais 2 bancos falidos: o Mutual of Omaha Bank e o First National Bank of Nevada (respectivamente o 6º e o 7º banco declarados insolventes este ano).

Stefan Zaklin, um fotógrafo free-lancer que trabalha para a European Pressphoto Agency e tem feito missões “embedded” no Exército dos Estados Unidos, publicou esta foto de um soldado atingido a tiro morto em Fallujah. Depois da fotografia ter sido divulgada em inúmeros jornais europeus e em muitos sítios Internet, Zaklin foi banido da integração em missões das tropas dos EUA.

Religião Bélico-Financeira

Estamos assim numa situação sui-generis, muito mais grave que nos anos seguintes à depressão de 1929, quando não havia crise energética e mesmo assim “a crise” resultou numa conflagração mundial, quando Hitler reagiu controlando a inflação provocada do exterior. Contudo, é preciso compreender que, com a derrota o inimigo não desaparece de cena como que por magia; o melhor dele, ou seja o pior, é assimilado e incorporado pelos vencedores. Assim, na actual situação, dinheiro falso emitido pela judiaria vencedora da 2ª Grande Guerra que controla a FED não falta. A inflação declarada pela moeda hegemónica mundial é uma declaração de guerra das élites dos paises ricos contra todos os pobres das periferias. Amigo ou inimigo, quem não morre nas guerras morre de fome como resultado da inflação provocada pelo financiamento das guerras. E quem denuncia as situações é banido da comunicação social dominada pela judiaria extremista que domina os media. O próximo passo, presume-se, será tentar “higienizar” o acesso à Internet, situação para a qual a judiaria fanática que domina o Pentágono parece estar já a trabalhar.

domingo, julho 27, 2008

para quê ,e a quem serve a guerra?

Como cristão, Bush deveria saber que não devia ter invadido o Iraque; o velho testamento oferece numerosos exemplos dos ódios perpétuos entre as tribos. Claro que Bush sabia, e a intenção declarada para criar desordem em redor dos invasores enquanto as tropas se resguardam nas ilhas-quartéis, foi provocar a guerra entre sunitas e xiitas, uma etnia que “entra” pelo Irão adentro. Dá jeito, e decerto está a ser objecto de aturado estudo.

Depois de Freud e de Lacan (entre outros) a nossa visão do ser humano não ficou igual..."no seminário do ano de 1964, Lacan fez da transferência um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise, ao lado do inconsciente, da repetição e da pulsão. Definiu-a como a encenação, através da experiência analítica, da realidade do inconsciente. Esta perspectiva levou-o a ligar a experiência à pulsão."
(E. Roudinesco e M. Plon,"Dicionário da Psicanálise", Ed. Inquérito, 2000, p. 755).

Agora que Obama (e com ele as boas intenções dadas a emocionar meio mundo) já foram a Bagdad e voltaram, (e no intermezzo pediu mais tropas à Europa) quais são as novidades acrescentadas para compreensão do problema? Para que é que serviu, serve e servirá a invasão e a guerra do Iraque?

Para deitar mão ao petróleo? para proteger o dólar? Para mudar de regime?
Provavelmente para todas estas coisas - quando se vai para a guerra, a América chama-lhe Negócios, mas é preciso não esquecer, cada dia que passa representa sofrimento para milhões, mas também é dia de receber os salários do século para a corja tripulada pela administração Bush – é esta a verdadeira razão porque eles não cortam de imediato com a situação insustentável e desaparecem.

“Os do contra, como este pândego que apelida a revista New Yorker de esquerda" escandalizam-se com os desenhos escabrosos do Osama muçulmano, mas não reparam na mesma palhaçada feita com o neo-neocon McCain. Não reparam que ambos são “vaipes” do mesmo género lançados para entreter multidões enquanto, distraídas, as questões objectivamente importantes lhes escapam.
Por especial cortesia de um spot publicitário da Halliburton, a empresa onde pontificou o ex-administrador Dick Cheney, trazida até nós pela administração Bush, desvenda-se neste video o modo como esta dupla de criminosos, com o beneplácito do Congresso, apoia as tropas que enviam para as privatizadas missões de ocupação – dos próprios soldados nacionais americanos aos da coligação Nato – todos são envenenados pela água que bebem fornecida por contrato exclusivo pela KBR, uma subsidiária da Halliburton – é preciso facturar e receber o dinheiro, claro. No Iraque isso não é problema. Mas a segurança sanitária não faz parte das preocupação deste tipo de empresas mercenárias. Ou “os desinfectantes adicionados” são simplesmente um processo de guerra biológica para neutralizar quimicamente os desgraçados armados que são enviados como alvo para acções militares com as quais nada têm a ver?

A chusma de boçais cobardolas do Congresso norte americano devia preocupar-se com o problema, mas se calhar andam demasiado ocupados com a preparação do ataque ao Irão – assim, sobram apenas as declarações dos soldados zé-ninguém imbecilizados pelas pulsões medievais do drapear de bandeiras,

sábado, julho 26, 2008

26 de Julho de 1953

Santiago de Cuba - o assalto ao quartel Moncada

agora tão badalada, “a Declaração (Francesa) dos Direitos do Homem" legou às gerações vindouras este principio: Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é para este o mais sagrado dos direitos e o mais imperioso dos deveres” – quando uma só pessoa ou grupo se apodera da soberania, devem ser condenados à morte pelos homens livres”

Na madrugada de 26 de Julho, um punhado de rapazes lançam-se ao assalto do quartel Moncada. Armados de dignidade e de cidadania e umas poucas espingardas de caçar passaritos, batem-se contra a ditadura de Fulgencio Batista e contra meio século de república colonial mentirosa. Alguns, poucos, morrem na batalha, porém mais de setenta são aprisionados pelo exército ao cabo de uma semana de tormentos. Os torturadores arrancam os olhos de Abel Santamaria e de outros prisioneiros. O chefe da rebelião, prisioneiro, pronuncia ele próprio a sua alegação de defesa. Fidel Castro tem cara de homem, e oferece-a, entrega-se totalmente, sem pedir nada em troca. Os juízes escutam-no, atónitos, sem perder uma palavra, porém as suas palavras não são para os bafejados pelos deuses: ele fala para o meio dos diabos, e para eles, em seu nome, explica aquilo que fez. Reinvindica o ancestral direito de revolta contra o despotismo: “mais depressa se afundará esta ilha no mar, que consintamos ser escravos de nada”. Majestoso, o tronco como uma árvore. Acusa Batista e os seus oficiais, que trocaram os uniformes por batas de carniceiros. E expõe o programa da Revolução. Em Cuba poderá haver comida e trabalho para todos?!, e de sobra!, não, isso não é uma coisa inconcebível (...)

Texto completo de "A Historia me Absolverá"

curiosamente, um facto pouco conhecido, a expressão "a história me absolverá" foi repescada de um manifesto de José Marti, o pai da 1ª independência de Cuba.

"Os norte americanos submetem o sentimento à utilidade. Nós submetemos a utilidade ao sentimento. E se existe esta diferença de organização, de vida, de ser, se eles vendiam enquanto chorávamos, se substituimos a sua cabeça fria e calculista pela nossa cabeça imaginativa, e o seu coração de algodão e de canhoneiras, por um coração tão especial, tão sensível, tão novo, que só pode chamar-se coração cubano, como querem que legislemos com as leis com que eles legislam? que os imitemos? Não!, que os copiemos?. Não! é bom, dizem-nos. É americano dizemos. Acreditamos, porque temos necessidade de acreditar. A nossa vida não é semelhante à deles, nem deve, em muitos pontos, assemelhar-se. A sensibilidade entre nós é muito grande. A inteligência é menos positiva, os costumes são mais puros; como com leis iguais, vamos ordenar dois povos diferentes? as leis americanas deram ao Norte um alto grau de prosperidade, e também o levaram ao mais alto grau de corrupção. Metalizaram-no para o tornarem próspero. Maldita seja a prosperidade a um custo tão elevado"
José Martí (1853-1895)

*relacionado:
"Fidel Castro e a Internet"
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sexta-feira, julho 25, 2008

Cui Jian: é verdade, já levamos 100 anos de Revolução; a politica é uma coisa muito perigosa, pode destruir-nos - Sinal de abertura e modernização da sociedade chinesa, o antigo trompetista na Orquestra Filarmónica de Beijing que virou pop-star, actua de venda vermelha nos olhos à procura da Felicidade. Apesar disso ser a única coisa que o homem diz, dá azo às mais variegadas interpretações. Hoje a fechar a noite em Sines no Festival Músicas do Mundo. Depois da vedeta bollywoodiana Asha Bhosle, o festival encerra amanhã com uma barulhenta algaraviada de marados que dizem pretender recriar Jimi Hendrix – pobres ratos, se comparados com o virtuoso papa-hamburguers do Village que esteve aqui há um par de anos – daí que o melhor deste ano seja mesmo o franguinho assado na tasca da Dona Edite comido à mão em bancos corridos ao som do "estralajar" do fogo de artifício.

Popa Chubby - Hey Joe(8min.49seg.)

o filão da obamania

lamentavelmente, teremos a construção civil de novo como motor do capitalismo:
"Obama defende em Berlim "menos muros e novas pontes"
e olhem que sagaz:
"um especialista em marketing diz que Obama poderá ser o novo Kennedy" e uma curiosidade:
Obama ficou alojado no Hotel Adlon uma hospedaria judaica de 7 estrelas junto às Portas de Brandenburgo nas traseiras da embaixada americana e inglesa que em tempo configurei aqui

Obama em cima de um T-34 soviético fala ao proletariado

No outro lado da multidão, a verdadeira história:
à entrada do Tiergarten, 2 tanques russos T-34 no monumento que
celebra a libertação da Alemanha pelo Exército Vermelho

quinta-feira, julho 24, 2008

Terramoto de Longa Duração

Boaventura Sousa Santos

"A miragem das elites tecno-políticas europeias muitas delas formadas em universidades norte- americanas é que a Europa só poderá competir globalmente com os EUA na medida em que se aproximar do modelo de capitalismo que garantiu a hegemonia mundial deste país durante o século XX.
Trata-se de uma miragem porque concebe como causas dessa hegemonia o que os melhores economistas e cientistas sociais dos EUA concebem hoje como causas do seu declínio, fortemente acentuado nas duas últimas décadas.
A transformação do trabalhador num mero factor de produção e a transformação do imigrante em criminoso ou cidadão-fachada, esvaziado de toda a sua identidade cultural, são as duas fracturas tectónicas onde está a ser gerado o terramoto social e político que vai assolar a Europa nas próximas décadas.
Vão surgir novas formas de protesto social desconhecidas no século XX. A vulnerabilidade do Estado será visível em muitas delas, tal como aconteceu com a greve de camionistas, vulnerabilidade reconhecida por um primeiro-ministro cuja eventual ignorância da história contemporânea foi compensada pela intuição política: foi a greve de camionistas que precipitou a queda do governo de Salvador Allende.
A quem beneficiará o fim de um sindicalismo independente e o agravamento caótico do protesto social? Exclusivamente ao Clube dos Bilionários, os 1125 indivíduos cuja riqueza é igual ao produto interno bruto dos países onde vive 59% da população mundial".

(artigo completo aqui)
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quarta-feira, julho 23, 2008

os assombrados mortos vivos da ex-Jugoslávia

Fugitivo como ínfima parte de uma constelação internacional de assassinos, formado em psiquiatria na Universidade Estatal de Moscovo e especializado na China em medicina alternativa, entregue pelos novos dirigentes do seu país (liderados por Boris Tadic e empossados a 18 de Julho) como moeda de troca no negócio de acesso ao mercado da União Europeia, o Dr. Dragan "David" Dabic tinha um site na Internet. Ali se podem ler dez dos seus velhos provérbios chineses favoritos, como prática pessoal aconselhada, sob o lema “cure-se interiormente: controle as necessidades crescentes para que tenha pontos de vista alternativos no mundo moderno”,

- Por trás de cada homem capaz, há sempre outro homem capaz.
- O professor abre a porta, mas és tu que deves entrar por ti mesmo.
- Um homem sábio toma as suas próprias decisões, um ignorante segue a opinião pública.
- Aquele que não consegue concordar com os seus inimigos, é controlado por eles.
- Se a tua força é fraca, não carregues fardos pesados. Se as tuas palavras não têm valor, não dês conselhos.
- Um diamante danificado é melhor que uma pedra comum perfeita.
- Aprender é um tesouro que deve seguir o seu possuidor para todo o lado.
- Se planeias para um ano, semeia arroz; se planeares para uma década, planta árvores; se planeias para a vida inteira, ensina o povo.
- Não podes impedir os pássaros do agoiro de voarem sobre a tua cabeça, mas podes impedi-los de fazerem ninhos nos teus cabelos.
- Aquele que desiste de si próprio, deverá cavar duas sepulturas
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Photoshop

A inesperada viçosidade da prisioneira mais famosa do planeta contrasta com o retrato debilitado com que a pintaram quando estava presa pelas FARC. “Muitas coisas que aconteceram na selva, têm de ficar na selva” disse Ingrid Bettancourt – por exemplo, que antes de ser presa como deputada e candidata à presidência tinha apenas 2 por cento das intenções de voto, ou que o ex-professor universitário Dominique Villepin, depois 1º ministro francês tinha tido um affaire com a ex-aluna franco-colombiana não se poupou em esforços para mediatizar românticamente a promoção politica de Ingrid.

Novelas áparte, há medida que o tempo passa começam a tornar-se mais visiveis os contornos da “heróica operação de libertação” – depois dos jornais terem reconhecido que Uribe usou o símbolo da Cruz Vermelha para enganar os guerrilheiros, de ter havido pagamentos milionários a pseudo desertores, agora aparece uma ONG espanhola, a Associação Global Humanitária com séde em Barcelona que actua na Colômbia desde 1998 auxiliando 15 mil pessoas, também a queixar-se de os seus dados terem sido utilizados para criar uma ONG fictícia, também usada na “Operação Jaque”

ficticia?
Resumindo a operação de contra-informação mediática e depois militar desenrolou-se dentro dos seguintes objectivos estratégicos:
1º - Liquidar a inconveniente actividade humanitária envolvida na busca de negociações de paz entre o governo Uribe e as FARC, encabeçada e desenvolvida pelo presidente Hugo Chávez
2º - Assegurar o “direito de intervenção militar” dos Estados Unidos na Venezuela, Equador e Bolívia
3º - Colocar em linha Hugo Chávez e Fidel Castro; e por extensão a Revolução cubana e o impulso Bolivariano na América Latina.

É como resposta, e à luz destes dados, que deve ser vista a "ameaça russa" veiculada hoje pela comunicação social

actualização (24 Julho):
"os Media inventam bases militares russas na Venezuela"
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terça-feira, julho 22, 2008

Capitalismo de desastre: Estado de extorsão

Invadir países para apoderar-se dos seus recursos naturais é ilegal, segundo a Convenção de Genebra. Isto significa que a gigantesca tarefa de reconstruir as infra-estruturas do Iraque é responsabilidade financeira dos invasores. Em vez disso, o Iraque está obrigado a vender 75% de seu património nacional para pagar as contas da sua própria invasão e ocupação ilegais. Os capitalistas do desastre têm estado ocupados. A análise é da Naomi Klein (traduzida em brasileiro para a Carta Maior 18/7),

Desde que o barril de petróleo ultrapassou os 140 dólares, até os interlocutores de direita mais furibundos são forçados a demonstrar o seu credo populista dedicando uma parte dos seus programas a massacrar as companhias petrolíferas. Alguns foram tão longe a ponto de convidar-me para uma conversa amigável sobre um insidioso novo fenómeno: “o capitalismo do desastre”. A coisa marcha bem... até que se começa a torcer.

Por exemplo, o interlocutor “conservador independenteJerry Doyle e eu mantínhamos uma conversa perfeitamente amigável sobre as turvas companhias seguradoras e a inépcia dos políticos, quando ocorreu o seguinte: “Acho que há um sistema para baratear rapidamente os preços”, anunciou Doyle. “Investimos 650 bilhões de dólares para libertar uma nação de 25 milhões de pessoas. Será que já não é hora de reclamarmos um pouco de petróleo em troca? Deveria haver uma fila de caminhões-tanque, um atrás do outro, formando um congestionamento em direção ao Túnel Lincoln, o malcheiroso Túnel Lincoln, bem na hora do rush, cada um deles com um bilhete de agradecimento do governo iraquiano... Por que não vamos e simplesmente pegamos o petróleo? Nós o ganhámos libertando um país. Posso resolver o problema do preço do petróleo em dez dias em vez de em dez anos.”
O plano de Doyle tinha alguns problemas, é claro. O primeiro é que estava descrevendo o maior latrocínio da história mundial. O segundo é que chegava tarde demais: “nós” já estamos roubando o petróleo do Iraque.

(ler o original completo aqui)
relacionado (no Médio Oriente Vivo):
"O Envolvimento dos Curdos e de Israel no Iraque"

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segunda-feira, julho 21, 2008

CPLP, Commonwealth, Ditadores

“É tempo de olharmos mais para Oriente, para onde o sol nasce, em vez de olharmos para o Ocidente, onde o sol declina e por fim desaparece”
Robert Mugabe

Porque é que a postura politica do Ocidente perante Angola é diferente da do Zimbabwe? – e porque é que Angola merece todas as deferências e atenções, desde Sócrates (uma nova linha de crédito) a Sarkozy (a absolvição do “Angolagate”), passando pela visita de vassalagem de Jerónimo de Sousa?petróleo e ditaduras friendly, amigas e subservientes ao parlamentarismo burguês, parecem ser dois factores que casam sempre muito bem. Até sectores insuspeitos, assumidos como de esquerda, como “Le Monde Diplomatique” branqueiam a ditadura angolana: na resenha da história recente de Angola, publicada (na caxa “A paz conquistada a alto preço”) os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 desapareceram da cronologia! E aí morreram dezenas de milhares de pessoas, demasiadas para serem apagadas da memória.
clique nos recortes para ampliar
Hoje Mugabe, ao aceitar conferenciar com a oposição, voltou a trocar as voltas aos comentadores comprometidos com a ingerência no país. Um dos países que apoia Mugabe é Angola, e aí, por outras razões, pois em Angola aproxima-se um período eleitoral. O país vai pela primeira vez enfrentar eleições que deverão ocorrer em 5 e 6 de Setembro de 2008. O edificio da Comissão Nacional de Eleições, construido em Luanda por portugueses, está quase pronto.

Em Angola, existe na prática uma situação de partido único e o homónimo de Mugabe, José Eduardo dos Santos, bem como o partido de governo, MPLA, não escondem que a “democracia na economia neoliberal” é um vento que desagrada profundamente aos dirigentes angolanos instalados no poder. A queda de Mugabe, poderia ser vista em Angola como um prenúncio do que está para vir. Há 16 anos, as eleições angolanas despoletaram o reacender de uma cruel guerra civil. Será natural que não seja possível, com ardilosas manipulações de papelinhos, alterar a Constituição que consigna a independência nacional. No Zimbabwe, o presidente nacionalista avisou claramente que se não ganhasse as eleições, o seu partido pegaria em armas para ganhar se necessário na ponta das espingardas o que não conseguísse com o voto – uma astuciosa arma financiada pelos interesses estrangeiros.

Em Angola, a situação não é muito diferente.

O MPLA, como a ZANU de Mugabe não sairá do poder, não sairá de Luanda, não deixará os lugares na administração pública, que justificam a sua existência com facilidade. Luanda quer a todo o custo que o Zimbabwe seja um bom exemplo. Se Mugabe perdesse as eleições, isso poderia afectar o MPLA em Setembro. Os dois partidos têm raízes idênticas e as mesmas referências históricas. Os dois partidos transformaram-se em organizações que vivem do Estado e sugam o Estado. E sem esse poder suportado pelo completo controlo da comunicação social e da economia (tanto em Harare como em Luanda), o futuro não estará garantido para as elites governantes do MPLA e da ZANU. Embora ligeiramente diferente, em Angola o caminho será o mesmo. O regime corrupto do MPLA dificilmente sairá do poder, enquanto houver dinheiro para comprar a oposição. Não é previsível que o partido que governa em Luanda perca as eleições de Setembro de 2008 (porque a vitória está garantida pelo completo controlo da máquina de comunicação social), não é dificil prever que à medida que as desigualdades sociais forem aumentando em Luanda e no resto do país, e à medida que o povo começar a perceber de que a sua miséria não tem nada a ver com questões externas ou com a exploração dos brancos, mas sim com a corrupção que grassa como uma doença incurável no partido do poder, então o MPLA terá problemas sérios. O partido de Eduardo dos Santos, não teria outra hipótese que não seja a conseguir à bala, o que está condenado a perder nas urnas. A vitória de Mugabe, dita fraudulenta pelo Ocidente ávido de ingerência e dos lucros pelo controlo económico, garante para já que o «exemplo» está garantido, intimidando os angolanos. Mas a procissão ainda vai no adro, e o que vier a ocorrer no Zimbabwe, é da maior importância para o futuro dos países vizinhos.

dados adaptados de “Mugabe, o Zimbabwe e Angola”
publicado na “Revista Militar.net”

domingo, julho 20, 2008

"Standard Oil Company"

Este poema de Pablo Neruda foi escrito nos anos quarenta; pertence ao épico “Canto General”. Enquanto naquela época era a Standard Oil da familia Rockefeller, hoje pode ser qualquer uma dessas míriades de companhias petrolíferas (afinal apenas 4 grandes) em que aparentemente se pulverizou o negócio que saqueia o mundo inteiro. Essas que agora ambicionam o petróleo iraquiano e afegão e para as quais o presidente Bush pôs a trabalhar os seus soldados. Normalmente os povos resistem a este tenebroso poder, algumas vezes com sucesso, porém a maior parte das vezes com grandes custos para eles mesmos.

Quando o barro se abriu passou
através da superficie pedregosa
e despejou o intestino implacável
vindo das reservas subterrâneas
de milhões de anos mortos, sem olhos,
sem idade, imersos nas raizes
das plantas encarceradas
e dos sistemas estratificados
agitaram-se estractos de água,
subiu o fogo pelos tubos
convertido em líquido frio,
nas alfândegas das alturas e
à saída do seu mundo
de profundidade tenebrosa
encontrou um pálido engenheiro
e um título de proprietário

Embora se bifurquem os caminhos
do petróleo, embora as ventosas
mudem silenciosamente de sítio
e movam a sua soberania
entre os ventres das terras
enquanto prepara o operador
as brocas com parafina
antes chegou a Standart Oil
com os seus contratos e as suas botas
com os seus cheques e seus fuzis
com os seus governos e os seus presos

Os seus obesos imperadores
vivem em Nova Iorque, são polidos
e meigos, assassinos sorridentes
que compram seda, nylon, charutos,
tiranetes e ditadores

Compram paises, povos, mares,
polícias, deputados,
de longinquas comarcas onde
os pobres guardam o seu trigo
como os avaros guardam o ouro.
a Standart Oil desperta-os
veste-lhes uniformes, designa-lhes
qual é o seu irmão ou inimigo
e o paraguaio faz a sua guerra
e o boliviano desfalece
com a sua metralhadora na selva

Um presidente assassinado
por uma gota de petróleo,
uma hipoteca de milhões
de hectares, um fusilamento
rápido pela manhã
mortal de luz, petrificada,
um novo campo de presos
subversivos, na Patagónia,
uma traição, um tiroteio
durante um patrulhamento,
uma mudança subtil de ministros
na capital, um rumor
como uma maré de azeite
e logo a debandada, e verás
como brilham, sobre as núvens,
sobre os mares, sobre a tua casa,
as letras da Standart Oil
iluminando os seus domínios

* Pablo Neruda, escritor Chileno, Prémio Nobel de Literatura.

sábado, julho 19, 2008

Michael Parmly

No dia 19 de Maio o governo de Cuba revelou no programa de informação Mesa Redonda da Cubavisión copiosa documentação comprometendo o diplomata chefe da Secção de Interesses dos EUA em Havana (USIS) Michael Parmly acusando-o de ter participado directamente na transferência e procedimento de pagamentos aos dissidentes em Cuba.
O mesmo Parmly ex-responsável da SINA nos Estados Unidos foi “apanhado” em escutas telefónicas com a conhecida dissidente cubana Martha Beatriz Roque que vive em Havana e se tornou famosa por apelar à “intervenção armada (dos norte- americanos) para restituirem a liberdade democrática a Cuba”. Esta é uma das frases dadas a ouvir na gravação transmitida no Domingo dia25 de Maio no programa “Mesa Redonda” da televisão cubana. Noutra parte da conversa Martha pormenoriza instruções para que através da Secção de Interesses norte americanos com escritório no Malecón em Havana “sejam transferidos meios financeiros e aí colocados colaboradores de grupos privados” que se infiltrariam potenciando a oposição interna através de actividades pseudo comerciais.
As verbas procederiam de uma Fundação encabeçada pelo cubano-americano Santiago Álvarez residente em Miami, a quem as autoridades da ilha não hesitam em apelidar de mercenário, indiciado por acções terroristas tendo inclusivé cumprido pena pela posse ilegal de armamento com o qual planeava atacar alvos em Cuba à revelia das ordens concertadas com Washington. Cuba tolera dissidentes que obedeçam ás leis do país, porém aqueles que são pagos em “dólares terroristas” transferidos pelos Estados Unidos não são “dissidentes”, são mercenários.
Com a colaboração activa de Parmly, que enviou cartas ao Juiz James Cohn, a sentença de Álvarez foi reduzida de 46 para 30 meses de prisão. Assim o mercenário, passado algum tempo de bom comportamento pode continuar a operar. Os “dissidentes mercenários”, alguns dos quais violaram o código penal de Cuba em 2003 foram detidos por actividades subversivas servindo um Estado estrangeiro prejudicando deliberadamente “a independência e a integridade territorial do Estado cubano”. O que é que isto tem de estranho? - se desde os primórdios da Revolução as relações entre Estados EUA-Cuba estão inquinadas pela Máfia de Miami?

Este estado de coisas dura há décadas, porém a nossa imprensa continua a ditar sempre a mesma cartilha. Mais uma vez a interpretação viciada veiculada foi a de que foram os “dissidentes que se preparavam para comemorar o 4 de Julho dos Estados Unidos”

O governo de Cuba exigiu que a administração norte-americana se pronuncie sobre as actividades da Secção de Interesses em Havana, tome medidas imediatas para que se cumpram os acordos entre Cuba e os EUA firmados em 1977, e não se violem grosseiramente as disposições da Convenção de Viena sobre relações consulares, as quais ditam expressamente que o conteúdo da bagagem diplomática só pode incluir material destinado ao serviço da embaixada, e nunca, em caso algum, outro cujo objectivo seja a promoção de acções hostis contra o país onde se situa a representação diplomática.

Noutra componente do notável trabalho dos serviços de informações de Cuba que evitam há décadas a ingerência externa nos assuntos internos do país, um jornalista cubano enviado a Washington na habitual conferência semanal confronta o porta voz Sean McCormack com estas evidências: Instado a comentar as denúncias, o porta-voz do Departamento de Estado, repetiu, evasivo, que os EUA na sua prática diplomática não violam leis internacionais, resposdendo: “eu não estou informado sobre os mecanismos de ajuda externa dos nossos serviços diplomáticos”. O jornalista insiste: “Michael Parmly é um responsável oficial no vosso Governo; enviar pessoas com o fim declarado de destabilizar internamente um país vai contra os principios de não ingerência universalmente aceites”. Resposta de McCormack: “Eu não estou aqui para investigar isso!”. Jornalista: “Mas isso viola a lei internacional...” – “Nós não violamos leis!” – o jornalista exibe um fac-simile do email relacionado com a gravação inicial directamente enviado por Martha Beatriz Roque apontando com o indicador para um endereço electrónico da Secretaria de Estado dos Estados Unidos. Não obteve resposta; acabou o tempo. A conferência está encerrada.

sexta-feira, julho 18, 2008

Sombras de 1929

as implicações globais do colapso bancário americano -
3 palestras de Nick Beams, secretário nacional do Socialist Equality Party (SEP) da Austrália. Traduzido para português no World Socialist:

Parte 1 - Tudo tinha de estar pronto impreterivelmente antes de segunda de manhã quando abririam os mercados asiáticos; senão seria o desmoronamento de Wall Street; a componente principal do plano de resgate do Bear Stearns (que depois seria "comprado" pela JP Morgan), era a garantia de que o Federal Reserve Board assumiria a responsabilidade por 30 biliões de dólares em títulos de dívida controlados pelo banco falido — uma decisão sem precedentes nos anais do banco central dos EUA.

Parte 2 - O “Choque Volcker” (1979), como ficou conhecido, assistiu ao aumento das taxas de juros a níveis record. A política de Volcker tinha dois propósitos relacionados: elevar o valor do dólar americano e garantir a sua posição de predominância global como moeda corrente (com as decorrentes vantagens que isto traz aos EUA), e eliminou os sectores não lucrativos da indústria americana, forçando uma reestruturação da economia dos EUA para restabelecer a taxa de lucro. Essas medidas envolveram uma ofensiva impiedosa contra a classe trabalhadora americana, pelo estabelecimento das redes de produção globais, capazes de utilizar a força-de-trabalho mais barata disponível.

Parte 3 - Existe uma contradição fundamental bem no cerne do mercado que nenhum tipo de regulamentação é capaz de prevenir - isto é, a contradição entre a racionalidade individual e a irracionalidade do sistema como um todo. Os indivíduos sobre - endividados ou as empresas cada uma por si têm apenas três opções: cortar gastos, vender acções ou declarar falência. Timothy Geithner o presidente do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque explica: O presente episódio tem uma dinâmica em comum com todas as crises passadas. Os participantes do mercado pisaram no travão para reduzir a sua exposição às perdas futuras, mas o travão virou acelerador, aumentando os riscos de colisão. O risco mensurável tem aumentado numa velocidade muito maior do que boa parte das instituições têm sido capazes de reduzí-lo, e as tentativas para o reduzír aumentaram a volatilidade e pressionaram os preços para baixo, aumentando assim a exposição ao risco.

curiosa a forma como a comunicação social pretende (DN de ontem)
fazer crer que as "autoridades andam a tratar da besta" quando
afinal o problema reside num negócio de Estado irresoluvel,
na perspectiva capitalista das élites neoliberais instaladas no Poder.

a Morgan Stanley (uma financeira mainstream judaica) tinha avisado que haveria “um evento catástrofico” se o Banco Central Europeu insistisse em combater a Reserva Federal norte americana. Trichet aumentou os juros para 4,5 por cento, enquanto do lado de lá do Atlântico eles descem, estando actualmente nos 2 por cento. A taxa Euribor já subiu mais de 100 pontos desde que a crise do crédito se tornou visivel em Agosto do ano passado. A mesma empresa financeira notou que Portugal e Espanha, com 10,5 por cento de défice em relação ao GDP e a Grécia com 14 por cento, com tais níveis extremos de endividamento nunca deveriam ter estado habilitados a fazer parte da zona Euro. A Alemanha, cuja moeda forte, o Marco, foi substituida pelo Euro, tem actualmente um superhavit de 7,7 por cento do GDP.
Entretanto o êxito relativo deste centro financeiro europeu deve-se ao crescimento exponencial do nível de endividamento dos paises do Leste, desde o Báltico até ao Mar Negro, cuja dívida cresce entre 40 a 50 por cento ao ano. O nivel de endividamento da Lituânia é de 23 por cento, da Bulgária 22%, na Hungria e na Roménia ultrapassa os 55 por cento. Há aqui um imenso potencial de crescimento, até estes novos paises embebedados com os beneficios do capitalismo se transformarem em "petits portugais". Claro que dentro em breve, mais ano menos ano, retira-se-.lhes o tapete bancário, o boom do crédito estoira e os cobradores vão aparecer que nem piranhas para recolher o pagamento coercivo mais juros infacionados, tudo em bom proveito do reembolso dos bilionários que controlam a Reserva Federal (FED) e da retoma nos Estados Unidos.
Deve ser a contar com as migalhas saqueadas militarmente através do pacto com os Neocons americanos que o abominável professor César das Neves, que vive opíparamente à sombra da bananeira de Belém, disse hoje à Antena1 que em Portugal (com uma dívida externa de mais de 100%) "comparado com os outros paises lá de fora" não existe crise e não há razão para alarme.
(fonte)

quinta-feira, julho 17, 2008

um herói fabricado pelo IV Reich

Direitos Humanos?: para que não se diga que isto não aconteceu

É a primeira gravação pública relacionada com interrogatórios e torturas nos sinistros “gulags” norte americanos criados na sequência da famigerada “guerra ao terrorismo”. Os advogados de um prisioneiro de nacionalidade canadiana enclausurado na Base Naval de Guantanamo divulgaram dia 15, através do jornal “TheStar”, um video dos interrogatórios realizados a um suposto terrorista, um jovem de 15 anos capturado em Julho de 2002 por soldados norte-americanos na zona tribal de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão , local de onde a família de Omar Khadr é originária. No vídeo podem apreciar-se os efeitos de um cativeiro prolongado. O adolescente chora convulsiva e desesperadamente, enquanto mostra feridas feitas ainda durante a captura e no período de torturas que se seguiu, queixando-se da falta de assistência. A gravação foi realizada furtivamente por um membro do Serviço Secreto do Canadá, convidado a visitar a base ilegal em território cubano, ao abrigo do mesmo programa de lavagem de imagem que tem levado vários jornalistas e politólogos estrangeiros a Guantanamo, entre os quais Nuno Rogeiro – enquanto este “não viu nada de especial”, o canadiano viu. Tal e qual o procedimento adoptado pelo governo que concertou a visita do “spin doctor” português, o 1º Ministro do Canadá, o pró-neocon Stephen Harper descartou solicitar aos Estados Unidos o repatriamento do prisioneiro, tal como têm feito outros paises que em algum momento tiveram cidadão nacionais encarcerados no controverso campo de concentração.
Originalmente qualificado “secreto” pelo Pentágono, o video dura 7 horas e resume “quatro dias de trabalho sobre o detido” – um dos 270 encarcerados na instalação prisional sob o rótulo de “combatente inimigo”, onde os detidos permanecem anos sem processo judicial – a administração Bush atribui a Omar Khadr a morte de um militar norte-americano na operação que terminou com a captura deste adolescente (podia ter sido outro qualquer). Fica por explicar a legalidade das forças invasoras - tratando-se de ladrões, embora fardados à ordem de facínoras instalados em governos de aparência legal, que actuam furtivamente sobre propriedade alheia, é questionável que os intrusos não possam ser legitimamente abatidos invocando o estatuto de legítima defesa.

o Citigroup obtém 1,1 triliões de dólares de activos e receitas misteriosas que não constam dos livros de contabilidade (Bloomberg) enquanto declara 7 biliões de prejuizos

quarta-feira, julho 16, 2008

Manuela e a Banca yankee


Provocas, inconsciente,
olhando de alto, escarninha
sorrindo ironicamente
na mal aberta boquinha

Envaidece-te pequena
que fartos motivos tens...
mal entras agora em cena
e gozas os maiores bens

Tão facilmente adquiridos
que nem quasi dás por tal!...
são mistérios desta vida,
bem mentirosa, afinal!

poema popular inspirado no quadro "a Provocante" de José Malhoa, publicado na revista "Ilustração Portugueza", corria o ano de 1913;
and now, vindo da pátine dos tempos da decadência monarquica, algo de velho completamente novo:

Manuela Ferreira Leite mantém silêncio sobre contrato com o Citigroup.

Correio da Manhã: “o Ministério das Finanças está a estudar a forma como irão ser repartidas as próximas cobranças de créditos fiscais cedidos ao Citigroup – o que acontecerá assim que este grupo financeiro norte-americano receba do Estado português a verba de 1,76 mil milhões de euros correspondente ao valor que pagou em 2003.
Dos 9,68 mil milhões de euros de créditos fiscais e da Segurança Social que estão por cobrar, Teixeira dos Santos terá de apurar o valor que ficará para o Estado e a parte que será transferida para o Citigroup. Para já o Estado transferiu cerca de 1,71 mil milhões, valor que cobre quase o preço inicial pago pelo Citigroup. A Portaria 1375-A/2003, de 18 de Dezembro, prevê esta repartição de verbas após o pagamento dos 1,76 mil milhões de euros ao Citigroup.

Os partidos da esquerda parlamentar vão avançar em Setembro com pedidos de esclare- cimento sobre o contrato de cedência de créditos fiscais e da Segurança Social ao Citigroup – uma operação efectuada em Dezembro de 2003 por Manuela Ferreira Leite enquanto ministra das Finanças do Governo PSD-CDS/PP. Como 33% dos créditos fiscais cedidos foram substituídos por serem incobráveis, PS, BE e PCP querem que a líder do PSD e o Governo esclareçam o País sobre a data em que serão transferidos créditos para o Citigroup.

15,2 mil milhões de euros é, somando os 3,74 mil milhões de euros de créditos fiscais substituídos, quase o valor total dos créditos cedidos ao Citigroup. Sem a substituição, o valor é de 11,44 mil milhões de euros.
1,71 mil milhões de euros é quanto o Estado já transferiu para o Citigroup. Com esta transferência, os 1,76 mil milhões de euros pagos do início pelo Citigroup estão quase saldados.”

a partir daqui tudo o que vier é lucro. É o que se pode chamar um bom negócio para o Citigroup, um gigante financeiro afundado na presente crise. Para investigar pelos cidadãos que não têm representação parlamentar, resta saber quais foram as contrapartidas não divulgadas do negócio feito entre o Governo de Durão Barroso para camuflar o défice e uma das principais correias de transmissão do sistema que o levaria à colocação na Presidência Europeia.

Ontem o Correio da Manhã tentou, mais uma vez, obter um esclarecimento de Manuela Ferreira Leite sobre a substituição dos créditos incobráveis – que obrigou o Estado a dar ao Citigroup receitas de anos posteriores a 2003 – mas as tentativas foram infrutíferas.O mesmo aconteceu com o CDS-PP.

“Para Francisco Louçã, do BE, "este é o momento para dizer ao País quando é que isto acaba. Vamos forçar a questão em Setembro". Honório Novo, do PCP, recorre à ironia: "Já que Manuela Ferreira Leite não quer explicar as alternativas para os investimentos públicos, ao menos que queira explicar os contornos deste mau negócio com o Citigroup.O socialista Vitalino Canas diz que "vai ser um assunto importante nos próximos tempos: não por Manuela Ferreira Leite ser líder do PSD, mas porque é um assunto que na altura foi polémico e que suscitou dúvidas ao PS, que quer esclarecer os contornos do negócio e o impacto financeiro para o Estado"
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terça-feira, julho 15, 2008

Baptista Bastos: Esboço do português médio

"O chinfrim em torno do futebol e seus escândalos tem anestesiado a mente, já de si avariada, do português médio. (eis a grande questão: "Paulo Bento tem o perfil adequado para adjunto de Alex Ferguson?"). O português médio é aquele que ouvimos nas televisões dizer, em directo, coisas absurdas, num idioma cada vez mais primário. Sabe os nomes de todos os futebolistas, de todos os treinadores, das transferências escabrosas, das classificações de todos os clubes do mundo" (ler o resto)
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segunda-feira, julho 14, 2008

Para não provocar grandes pânicos a Bolsa preparou o dia de anúncio do desmoronamento de mais três gigantes financeiros norte americanos para sexta feira passada, véspera de mais um fim de semana estival. Por acaso esteve uma grande ventania, e não só por cá.
A onda de choque especulativa iniciada em Agosto do ano passado atingiu desta vez a Lehman Brothers cujas acções cairam 15 por cento (perdas de 50 por cento desde Março), e os dois gigantescos “brokers” do imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac que caíram 14 e 23 por cento em Wall Street. A crise bancária exportada pelos EUA primeiro para a Europa e de seguida para o mundo inteiro tem como protagonistas centrais os líderes hegemónicos da especulação financeira à escala global.
Estas últimas duas empresas financeiras de hipotecas sobre imobiliário são responsáveis (segundo a Bloomberg) pela garantia de 12 triliões de dólares. O valor das suas acções desvalorizou-se este ano de 67 por cento e, antes do governo, pela voz do secretário de Estado do Tesouro Henry Paulson, acudir pela primeira vez ao seu salvamento (por sugestão/pressão, do senador republicano John McCain e do democrata Charles Schumer:-)), tinham anunciado perdas na ordem de 77 biliões de dólares – o que coloca as duas empresas à beira da bancarrota. Esse capital evaporado já não existe e, ainda segundo a Bloomberg a Freddie Mac já deve 5.200 milhões para além do valor de todos os seus activos – que foram fraudulentamente inflaccionados – que se continuam a desvalorizar. De notar, como se continua a assegurar (ver gráfico) que 2,4 triliões de dólares de hipotecas estão garantidas pelo património real; porém é notável como se assume já grande parte das restantes como “acções de valor delinquente” (Deliquency rates). Um caso de polícia portanto – o que mereceria mais que uma exígua “caxa” invarialvelmente na página 40 dos diários nacionais.

clique na imagem para ampliar
A Fannie Mae foi originalmente constituida em 1938 pelo Governo Federal com o objectivo keynesiano de constituir um fundo de investimento para o mercado de hipotecas sobre o imobiliário (Uma casa própria para todos, mesmo que não ganhem para isso, esperava-se que ganhassem). Desde 1968 passou a ser uma corporação privada; Obviamente agora ninguém tem nada a ver a contabilidade privada. Salvo quando o Estado intervém imprimindo mais dinheiro para tapar os buracos (mais inflação), socializando os prejuizos das empresas fulcrais do sistema por todos os contribuintes em geral.

Poder-se-ia dizer que o problema “é lá fora”; que temos uma blindagem qualquer que imuniza o nosso sistema e nós não pagamos nada por isso (excepto os custos invisíveis indexados pela inflação). Porém as práticas fraudulentas são globais. E não se trata de relativizar os efeitos, mas sim de apurar as causas do desmoronamento do sistema. Depois de “fabricar” aumentos de capital não registados nos tais 17 off-shores, do buraco de 700 milhões “não detectado graças à negligência e passividade dos reguladores”, empréstimos a clientes vip para comprar acções de fundos de investimento especulativos, concessão de crédito a fundo perdido a familiares dos administradores, o “terramoto BCP na alta finança” nacional fica cada vez mais perceptível para o comum dos mortais: o “Semanário Económico” afirma que o MillenniumBCP continua a retirar crédito malparado ao balanço, contabiliza activos que não tem e desmobiliza as provisões para garantir a cobrança do crédito, melhorando assim os rácios de solvabilidade que apresenta. A prática vem das anteriores administrações e é seguida por Santos Ferreira.

* IndyMac torna-se o 5º banco a falir nos EUA este ano
* Efeito dominó. Espanha: com 8 mil milhões de dólares de prejuizos, uma das maiores imobiliárias, a Martinsa Fadesa, declarou-se insolvente
* EUA/Global - Mais bancos na linha vermelha
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domingo, julho 13, 2008

o estado da Nação

e "a grande recessão"

Um ex-ministro francês costumava insistir: “enquanto falamos, há seguramente um bebé em vias de nascer numa clínica algures. Sobre os seus ombros, logo que começa a respirar, ele terá já uma dívida de 15 mil euros”. É verdade “que o recém nascido francês herda uma dívida pública, mas ele herda também activos públicos: estradas, patrimónios vários, escolas, maternidades, hospitais, equipamentos desportivos, etc... Evocar uma sem evocar as outras é pouco rigoroso

Foram decisões políticas sobre as moedas e as finanças – tomadas pelos governos na história recente do sistema monetário mundial – que determinaram, mais do que qualquer outra coisa, a distribuição dos ganhos e das perdas, dos riscos e das oportunidades, entre os Estados nacionais e entre as classes sociais.
Susan Strange, in “Casino Capitalism

A parte da dívida na riqueza nacional aumenta sempre de forma significativa, porque ela é inerente à própria natureza do capitalismo. No final do século XIX o rácio andava perto dos 100 por cento e um pouco menos em vésperas da Primeira Guerra Mundial. É o crescimento demasiado fraco que gera o endividamento. É então necessário aos capitalistas, in extremis, implementarem acções de destruição de activos, para que por fim se possa reiniciar um novo ciclo de crescimento em parâmetros um pouco diferentes para que se continue perpetuamente a iludir as massas populares.
Na zona Euro a parte da dívida no PIB eleva-se em média a 66,4 por cento, mas em Portugal em 2007 esse valor atingia 86,6% chegando hoje segundo o gúru neoconservador Medina Carreira a 100 por cento. Em Itália o nivel de individamento é ainda pior: 104%, mas lá está, o país, um dos G8, é um dos mais ricos em activos. O nivel de endividamendo dos Estados Unidos é de 62,2 por cento, enquanto que o Japão, obrigado pelo centro capitalista a pagar a crise global que eclodiu na Ásia em 1994 atinge agora os 180 por cento! não tendo recuperando ainda da chamada “década perdida”. É para uma conjuntura deste tipo que parece agora encaminhar-se a Europa: quanto maior o valor da dívida, maior os lucros recolhidos em juros pela Banca central global – um negócio privado construido dissimuladamente sob a capa da Reserva Federal americana.

(o clássico mais célebre é o "empréstimo Giscard" contraído sob a forma de títulos do tesouro que foram indexado ao ouro. Dos 6 mil milhões de francos emprestados para resolver a crise petrolífera de 1973, o Estado acabou por reembolsar até 1988 um total de 80 mil milhões de francos (o montante inicial mais juros).

"Dog Game"
O sistema financeiro que conhecemos esgotou uma modalidade de rapina, desconhecida pela grande maioria do povo, mas que nos afecta a todos nós, apesar de não sabermos verdadeiramente como funciona. A situação vivida hoje pelo sistema financeiro global reactualiza as palavras de um dos mitos do capitalismo, Henry Ford, que disse certa vez: “É bom que o povo não entenda o nosso sistema bancário e monetário, porque se entendesse, acho que haveria uma revolução o mais tardar amanhã de manhã” – sem dúvida, a questão só se resolverá expulsando a Oligarquia da tomada de decisões e do controlo das operações.

O espantalho da dívida pública

“Questões chave sobre as finanças do Estado. Cada vez que um governo pretende contrair as despesas sociais, argumenta com o nível demasiado elevado da dívida pública. O défice da caixa de aposentações (depois dos activos trerem sido desviados pelo governo Barroso/Bagão Félix) serve para legitimar o prolongamento do tempo de trabalho, o défice da Saúde serve para justificar a redução das comparticipações de medicamentos para certos tratamentos prolongados. A dívida pública é real, mas será tão ameaçadora quanto alguns afirmam ser?” – um artigo de Bruno Tinel e Franck Van de Velde, para ler no “Le Monde Diplomatique

Concluindo: por questões de segurança e higiene pública o poder do Pentágono/Wall Street, de facto a obra de globalização financeira do Sionismo, deveria, como solução para a “crise”, ser supervisado por uma autoridade de concorrência global que obrigasse todos os rafeiros nomeados por Washington a usar identificação mesmo quando os pobres bichos não estão a ganir e parecem inofensivos,

sábado, julho 12, 2008

Potosi, "A Mina do Diabo"

Faz 450 anos que se exploram as minas de prata de Cerro Rico na Bolivia.
Calcula-se que desde então ali tenham morrido 8 milhões de pessoas. Hoje em dia, cerca de 5 mil indígenas, agrupados em cooperativas, continuam escavando os resto de minerais que restam na mina de Cerro Rico. Conhecem-na como "a montanha dos homens” – trata-se de uma crença antiga que considera que o Diabo, representado por centenas de estátuas construídas nos túneis, determina o destino de todos aqueles que trabalham nas minas, a troco de ganhos miseráveis, sempre na esperança de encontrarem um grande filão. Órfãos de pai assumem as responsabilidades do cabeça de família e repartem o tempo entre o trabalho e a frequência da escola. O documentário conta a história de Basílio Vargas, um menino de 14 anos e de seu irmão Bernardino de 12; ambos trabalham na mina; e Basílio sabe que a escola é a única possibilidade de escapar ao seu destino.

Através do olhar destas crianças, vamos conhecer o mundo dos mineiros, fiéis devotos da religião católica, mas que rompem os seus laços com Deus quando entram na mina.
Premiado no Festival de Chicago, nomeado como Melhor Documentário para o European Film Award, seleccionado para Festival de Los Angeles (AFI), menção especial no German Camera Award, premiado no Festival de Roterdão, vencedor do Tribeca Film Festival, prémio Humanitário no México, 1º prémio no Woodstock Film Festival, prémio "Espírito da Liberdade" em Jerusalem, "A Mina do Diabo" reuniu até agora 1 milhão de euros doados às crianças de Potosi. Confortáveis no sofá, meia dúzia de trocos distribuídos, aqui ficamos nós de consciência tranquila:


falado em espanhol - La mina del diablo (parte 1 de 3)
(continua - ver parte 2 e 3 aqui)