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domingo, agosto 31, 2008

guerra eminente

Vladimir Putin crê que a agressão da Georgia à Ossétia do Sul foi provocada por forças politicas a partir dos Estados Unidos para favorecer a eleição de John McCain – e a Rússia apresenta evidências e provas do ataque à capital Tskhinvali pelo regime pró-ocidental (do ex-advogado em New York) Mikheil Saakashvili – o chefe do Comité de Investigação de Estado (CKP), Alexander Bastrikin, afirmou que o grupo a seu cargo dispõe de documentos, projécteis, uniformes e armamento com as marcas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Estados Unidos, Alemanha e de outros países.
A Rússia critica a postura de McCain sobre o conflito que foi empreendido contra Moscovo (é preciso fabricar a ameaça de um inimigo externo para levar o povo a aceitar docilmente as decisões do governo, dizia Goebbels) – e foi assim que se favoreceu a ligeira subida nas sondagens do candidato republicano sobre Obama por altura da Convenção.
Para dissipar dúvidas sobre a impossibilidade de haver mudanças, William Kristol, junto com Richard Perle um dos ideólogos extremistas mentores do PNAC, o plano neocon aplicado pelo regime bushista, não tem dúvidas em afirmar: “Bush deve ordenar o bombardeamento do Irão se ele pensar que o Senador Obama está em vias de ganhar”.
a Ossétia do Sul foi o prelúdio do ataque ao Irão, onde a Rússia tem interesses na venda de tecnologia? – o deputado Sergey Markov da Duma (o parlamento moscovita) fala com o repórter Afshin Rattansi sobre os estreitos laços que unem McCain à Geórgia, da derrota de Obama depois da guerra civil na Ucrânia, ou de outra guerra de Bush, contra o Irão, antes ainda das eleições presidenciais. O principal jornal holandês, o “De Telegraph”, afirma na edição de hoje que os serviços secretos da Holanda ajudaram a preparar o ataque ao Irão, por meio de aviões não tripulados - situação que pode desencadear uma nova guerra mundial, afirma um general iraniano.

sábado, agosto 30, 2008

Tskhinvali, a semi destruida capital da Ossétia do Sul acolheu na passada semana um concerto de música clássica em memória das vítimas provocadas pelo ataque das tropas da Geórgia. (Um video no you-tube mostra os tanques da Geórgia e as ordens para atacar a cidade: "incendeiem as casas!)"
Valery Gergiev, maestro principal da Orquestra Sinfónica de Londres e director artistico do Teatro Mariinski em São Peterburgo conduziu vários excertos de sinfonias de Tchaikovsky e a famosa partitura “Invasão” da 6ª Sinfonia de Shostakovich. O concerto teve lugar nas ruínas do edificio do Parlamento, destruído pelos bombardeamentos. A abrir a performance Gergiev dirigiu-se à assistência: “Queremos que toda a gente no mundo saiba a verdade sobre os terríveis acontecimentos que se passaram em Tskhinvali. Foi um inqualificavel acto de agressão perpretado pelo exército da Geórgia. Isto não é ainda uma história conhecida pelo mundo inteiro, mas tenho a certeza que a verdade acabará por vir ao de cima” e acrescentou: “Se isto não fosse travado pelo exército Russo teria havido muitas mais atrocidades e vítimas. Como natural da Ossétia estou imensamente grato ao meu grande país que é a Rússia por esta ajuda. E espero que tenhamos paz neste lugar durante as muitas décadas que estão para vir”
Os videos gravados do Concerto, onde constam estas palavras, valem bem a pena serem vistos no sitio internet Russia.Today , além do mais porque a música é empolgante.
1ª Parte
www.russiatoday.com/29339/video
2ª Parte
www.russiatoday.com/29341/video

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sexta-feira, agosto 29, 2008

Quem é Joe Biden?

Rui Tavares no artigo “Roosevelt contra Roosevelt” parece dar subrepticiamente a entender a falsa natureza antagonista na corrida para a Casa Branca; mas depois de se declarar como obamaniaco escreve o seguinte: “John McCain acabou de ultrapassar Obama nas sondagens. É mais uma vez o momento indicado para relançar o meu palpite: salvo escândalo ou guerra, continuo a apostar numa vitória de Obama” – como dizem os vendedores de automóveis: entre ambos os dois candidatos e ambas as duas situações latentes, venha o diabo e escolha. A intenção de Rui Tavares ao partidarizar o discurso é a de dividir a ralé em duas facções antagónicas; que outra coisa vale o salário de um cronista de um jornal dirigido por um ultra como José Manuel Fernandes?. Obamaníaco? que razões de facto existem para acreditar numa alternativa no poder do Império dirigida por Joe Biden e Zigbniew Brzezinski?
como primeira apresentação diga-se que o senador Biden é o mesmo que recentemente depois do ataque da Georgia que destruiu a capital da Ossétia do Sul reclamou ao Congresso uma ajuda de emergência ao regime Sionista da Geórgia de 1 bilião de dólares.

A verdade acerca do nº 2 de Barrack Obama

Biden reclama ter um bisavô judeu nascido no Iraque. E embora não possua qualquer documentação comprovativa dessa herança, reclamou essa condição para ter direito de voto nas “eleições” levadas a cabo pelas forças ocupantes em 2005 – aliás, todos os senadores com assento há mais de duas décadas na farsa democrática norte americana, agora agravada pelos neocons, mantêm essa condição devido à elevada propensão para a capacidade dramática exigivel em complots sem se desmancharem a rir nem a chorar, como o simpático e popular gordinho do Preço Certo. Com o suporte dos miolos firmemente refugiado dentro dum colete à prova de bala, Joe Biden votou no Iraque e mostra o orgulhoso dedo marcado com tinta indelével – assim como ele, muitos outros iraquianos mostram quase todos os dedos das mãos com a mesma marca de pantomineiros.

Curriculo criminoso

Repare-se no separador que aparece ao minuto 1,25 do video abaixo. Joe Biden em 13 de Setembro de 2001 reuniu-se com Mahmood Ahmed, o Director dos Serviços Secretos do Paquistão ISI, o homem que ordenou a Saeed Sheikh a transferência de 100.000 dólares para a conta do suposto comandante dos “hijackers” do 11 de Setembro Mohamed Atta. Que objectivo teve aquela reunião?
(a história, referida no Relatório de Investigação ao 11 de Setembro é relatada e desmistificada aqui)

quinta-feira, agosto 28, 2008

assassinato da treta,

Os três homens que as autoridades inicialmente referenciaram como potencialmente envolvidos numa conspiração para assassinar o filho querido da vitória Barack Obama durante a Convenção Nacional dos Democratas afinal enfrentam apenas acusações de porte ilegal de armas, depois do Procurador-Geral alegar que as evidências de tentativa de ataque eram insuficientes. O facto de se tratar de individuos racistas com discursos xenófobos não justifica a existência de uma "conspiração de assassinato". (fonte)

Contra-informação e informação sonegada

Os "assassinatos politicos" de agora já não são o que eram. Os mandantes de outrora são os que ocupam actualmente o Poder. Por alguma razão no filme de Oliver Stone “W” a cena mais forte é aquela em que Herbert Bush Pai (segundo o documentário de Alex Jones disponivel no Infowars.com, um dos mandantes do complot que assassinou Kennedy) dá um valente raspanete ao caçula George Bush Filho. Por alguma razão Obama escolheu a determinação em politica externa do criminoso ex-presidente George Herbert Bush como modelo (ele fez "a great job") – e copia a aura da vítima John Fitzgerald Kennedy para encenar mediaticamente sobre a iliteracia interna um novo simulacro da mítica Camelot – enquanto o Sionista escolhido para vice-presidente e consultores como Zigbniew Brzezinski prosseguem na segunda linha dos bastidores as mesmas politicas e programas imperialistas de agressão.

Os Senhores do Ópio – Israel, o Triângulo Dourado e o Assassinato de Kennedy
(Opium Lords, de Salvador Astúcia)

O livro pode ser lido na internet; a titulo de exemplo, entre outros, são particularmente interessantes e proficuos os capitulos 8 – "a Familia judaica Bronfman de Montreal (Hoje um dos 7 monopolistas dos meios de informação mundiais) e os investimentos na indústria petrolifera na década de 60" – e o capitulo 9 – (Estado que elegeu 3 presidentes nos últimos 40 anos, entre eles 2 Bush`s) o Texano "Lyndon Johnson e as suas lealdades escondidas".

O percurso do autor de “Opium Lords” ajuda a compreender as interrogações sobre aquele que é considerado o assassinato do século. Salvador Astucia era ainda criança quando o presidente Kennedy foi morto. Cidadão norte americano natural do Sul cresceu durante a era da guerra do Vietname, do movimento dos negros pelos direitos civis, do assassinato de Martin Luther King e Robert Kennedy. Formou-se em engenharia e fez carreira na indústria de alta tecnologia.
Depois de ver o filme de Oliver Stone JFK em 1992, o autor apressou-se a ler o último livro do procurador Jim Garrison, “Na Pista dos Assassinos” (On the Trail of the Assassins), à procura de inspiração na procura da verdade por detrás do crime.
Discordando de Garrison, o autor acredita que a maioria das pessoas que lucraram com as vendas de livros ou peliculas sobre o assunto, são geralmente vulgares criadores de fraudes. Mais especificamente, Salvador acredita que as críticas “mais profissionais” sobre o assassinato de Kennedy são financiadas pelos Governos dos Estados Unidos ou de Israel, ou por ambos, na medida em que pretendem suprimir a verdade e controlar ambos os lados do debate.
Ironicamente, o autor pensa que o homem e a obra que o inspirou na pesquisa da verdade sobre JFK é também um falso crítico. O homem saiu da torneira universitária de Yale e é filho de um financeiro de Wall Street: Oliver Stone.
Salvador não tinha nenhuma familiariedade com a cultura Judaica até chegar à idade adulta. Alguns judeus viviam na região do Sul onde passou os primeiros anos de formação. Nunca tinha pensado em predeterminados sentimentos em relação ao judeus, quer para bem quer para mal. Sempre assumiu que Adolf Hitler era o diabo porque foi isso que o induziram a pensar. Quando por curiosidade se começou a interessar por ler livros com tópicos sobre Israel, a cultura Judaica e o Sionismo, experimentou uma espécie de epifania. Começou a compreender que se lhe tinham mentido sobre o assassinato do Presidente Kennedy, talvez também lhe tivessem mentido sobre muitas outras coisas, incluindo o Holocausto.
À procura da verdade num mar de apatia, agora vive segundo o preceito recomendado por um provérbio árabe: “Não tenham medo do caminho da verdade, se pretendem conseguir que os viajantes vão mais além”
epilogo
Na verdade Kennedy foi assassinado por pretender pôr fim ao monopólio da Reserva Federal na emissão de dinheiro – um exclusivo da Banca privada como obra monopolizada por Judeus (com uma pequena concessão a Nelson Rockefeller, o fundador da Standard Oil, mais tarde também fundador do Grupo Bilbelberg).

quarta-feira, agosto 27, 2008

"Fuck Fox News"

"Uma grande manifestação que parece querer recriar os acontecimentos durante a Convenção de Chicago em 1968" - o repórter tenta obter declarações dos activistas de esquerda que protestam na Convenção Nacional do Partido "Democrata", mas o único depoimento que consegue é uma mensagem simples (o cântico coral Fuck Fox News) livre de qualquer intenção de conciliação com a manipulação dos corruptos meios de propaganda do sistema:
(mais informação aqui)

terça-feira, agosto 26, 2008

Si, Si Puede?

a Convenção do Partido Democrata começou ontem em Denver; e sobre a verdadeira natureza do evento como de costume os Media nacionais plantam noticiários light: espalhafatoso acontecimento no Pepsi Centre, informação Coca-cola sobre as figuras envolvidas. Sabe-se que Barack Obama foi apresentado pela esposa Michelle e que discursaram os cunhados e os filhos tecendo loas às qualidades da celebridade como homem de familia. Hoje é a vez de Hillary convencer os relutantes a votar no senador do Illinois e Al Gore, como detentor do Nobel do novo paradigma capitalista asséptico será o único a discursar no mesmo palco, o estádio de basebol Invesco perante 75 mil espectadores onde Obama será entronizado (muito show-off com um final já cozinhado) onde, para a coisa acabar em bem, em glória eterna, algumas fontes admitem que o candidato acabaria assassinado (uma velha mania americana) – em virtude das sua qualidades inatas, como disse o agora promitente vice Joe Biden, o rei das gaffes, em 2007 - Obama é “o primeiro [candidato presidencial] afro-americano articulado, brilhante, limpo e bem parecido”. Enfim, um preto muçulmano porreiro!, em tempo mal caracterizado pela New Yorker, cuja verdadeira imagem em função dos apoios na medida em que se disponibiliza como marioneta Sionista deveria ser mais a de um rabi judeu.

Como escreve Serge Halimi em artigo de 1ª página no “Le Monde Diplomatique”, “Barack Obama tem sorte. Quer suceder a um dos presidentes mais impopulares da história do seu país, é jovem, é mestiço, e o mundo inteiro parece estar à espera que ele seja eleito para a Casa Branca. Parece pois mais bem armado que qualquer outro candidato para “renovar a liderança americana no mundo” (1). Ou seja, para reabilitar a marca América, para fazer com que as intervenções dos Estados Unidos no estrangeiro sejam mais bem executadas, por terem melhor aceitação – e mais aliados.
Incluindo as intervenções militares, em particular no Afeganistão: “construirei” promete, “um exército do século XXI e uma parceria do século XXI tão poderosos como a aliança anticomunista que venceu a Guerra Fria, para continuarmos em toda a parte na ofensiva, de Djibuti a Kandahar” (2). Aos que ainda imaginam que a possibilidade de virem a ter um presidente “multicultural” de pai queniano significaria ipso facto o advento de uma América new age e uma dança de roda em que todos os compinchas do mundo dariam as mãos, o candidato democrata já fez saber que se inspiraria mais na política externa “realista e bipartidária do pai de George Bush, de John Kennedy e, em certos aspectos, de Ronald Reagan”, do que nos Pink Floyd ou em George McGovern (3). O multilateralismo não é para amanhã; o imperialismo será contudo mais soft, mais hábil, mais concertado e quiçá um pouco menos mortífero – embora os oito anos de embargo impostos pela presidência de Bill Clinton tenham morto um número enorme de iraquianos...” (ler o resto)

¿ os direitos humanos vigentes no sinistro campo Gitmo de Guantanamo tendem a alastrar à generalidade do povo americano?

Topando de gingeira que os espera mais do mesmo, pequenas multidões de manifestantes ocorrem a Denver para protestar contra as mesmas previsiveis politicas de sempre. E que encontram? Vontade de mudança, como dizem os milhentos cartazes “Yes We Can Change”. Si, Si Puede para os hispânicos, Sim, nós sabemos, eles estão mudando o Povo – aqui está o que as pessoas encontram quando pretendem exercer os seus direitos constitucionais – a cidade de Denver em lock out barrada por forças policiais usando armas de controlo de multidões, prisão e encarceramento em caso de protesto em edificios jaula cercados de arame farpado, sem casas de banho, água ou camas. Sejam benvindos à Convenção Nacional dos Democratas. Este alerta vermelho foi decidido com antecedência pelos “democratas” e as detenções dos activistas concertadas com as autoridades locais. Com esta acção preventiva ninguém saberia sequer da existência de protestos. Por sorte o repórter Rick Sallinger da cadeia de tv local Denver Channel 4 conseguiu captar e revelar estas imagens dos locais destinados às detenções em massa.

Notas:
[1] Barack Obama, «Renewing American Leadership», Foreign Affairs, Nova Iorque, Julho de 2007.
[2] Ibidem. De resto, uma tal ambição implicará um acréscimo do orçamento do Pentágono e o acrescentamento de «65 000 soldados
e 27 000 fuzileiros» nas forças armadas norte-americanas.
[3] Discurso de Greensburg (Pensilvânia), 28 de Março de 2008
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segunda-feira, agosto 25, 2008

Pequim 2008, Michael Phelps, o marketing e a economia nacional

“as pessoas temem a forma de pensamento original mais que qualquer outra coisa no mundo, mais que a sua própria ruína, mais que a própria morte”
Bertrand Russell

A primeira impressão a retirar dos Jogos Olimpicos de Pequim (o Público, perorando sobre os lugares comuns do costume, faz hoje manchete disso) é que entrámos numa nova era - o capitalismo dito democrático encontrou um opositor à altura: o capitalismo dito autocrático - leia-se, um sistema misto com a parte fundamental da economia que zela pelos direitos humanos (a paz, o pão, a saúde, a educação, a habitação) a ser alvo de controlo senão de planificação por parte das autoridades adminstrativas do Estado. Resolvidos os problemas essenciais de subsistência para a vida, libertas as pessoas da obrigatoriedade de contribuir economicamente para a sustentação de vastas elites parasitárias, sobram mais tempos livres que são ocupados na valorização individual: os que têm mais mérito triunfam, os que são excepcionais são livres de entrar no circuito de marketing, (neste caso desportivo) global. As vantagens competitivas e o leit-motiv para o desenvolvimento da pessoa humana parecem-nos evidentes. O incómodo valeu a Manuel Carvalho o editorial “a Vitória do PC Chinês”. E da quantidade de praticantes (como com os trabalhadores e o pleno emprego) resulta necessariamente uma melhoria na qualidade dos resultados obtidos. Numa sondagem do Pew Research Center efectuada em 24 países, a nação que emerge primeiramente em satisfação do seu povo para com a forma como são governados é a China. Nenhuma outra nação lhe chega sequer próximo: “dos inquiridos, 86 por cento do povo Chinês disseram estar satisfeitos com a direcção politica do país, uma melhoria substancial comparada com os resultados obtidos em 2002 em que o nivel de aprovação era de 48 por cento. E 82 por cento estão satisfeitos com o desempenho actual da economia, percentagem anteriormente fixada em 52 por cento, segundo dados publicados no Times. Ficou patente que a China retirou olimpicos dividendos no espectacular show construido sobre estes dados optimistas.

Mas, fogos de artifício àparte, em termos de entendimento ocidental, falar de Olimpiadas não significa mesmo nada falar de Desporto. Alguém imagina o Pinto da Costa ou o Filipe Vieira a abrir mão das fabulosas verbas surripiadas ao erário público a disponibilizar esses vultosos fundos ilegalmente adquiridos, em prol do desporto nas escolas?
As estrelas dos Jogos de Pequim 2008 prestam-se a fazer caxas. As multinacionais disputam a sua imagem como um maná facultado pelas portas abertas do mercado chinês. Phelps, Nadal, Liu Xiang, Usain Bolt ou Isinbayeba convertem-se em máquinas de fazer dinheiro. A título de exemplo, calcula-se que o tenista maiorquino Rafael Nadal, imagem das marcas Cola Cao e Bobolat ganhe 420 euros por minuto (3,9 milhões de dólares em apenas dois anos); e o melhor, o envolvimento financeiro dos governos no marketing, ainda está para vir.

Medalhistas, um negocio milionário para os nadadores de águas turvas

Desde que soou o tiro de partida no dia 8 de Agosto em Pequim temos levado com o nome do nadador norte americano Michael Phelps até há saciedade, desde a hora do xixi da manhã até à hora em que nos fixamos nas braçadas crepusculares na sopa. Se deixam o chavalo de 23 anos, “o melhor nadador de sempre” à solta, as suas façanhas aquáticas converterão em ouro tudo aquilo em que toca, um Rei Midas de um sem fim de companhias comerciais. Dele disse o Wall Street Journal: “o valor do seu triunfo em Pequim traduzir-se-á numa fortuna que alcançará os cem milhões de dólares ao longo da sua vida”. Antes de competir a Speedo já lhe tinha oferecido cerca de 1 milhão de dólares caso ganhasse 7 medalhas; para a Nike a linha dos novos artigos de natação promovidos sob o patrocínio de Phelps vale entre 40 a 50 milhões, com capacidade de expansão sem precedentes.

As manias de grandeza do olimpismo nacional só terão dimensão competitiva de mudarem a sigla para Jogos Olimpinhos, sponsored by the Government.

Com 14 medalhas de ouro às costas, Phelps conta com contratos publicitários com a Visa, Ómega, Hilton, e AT&T, para além de pequenas contribuições de admiradores com grande capacidade em negócios privados e alguma poder aquisitivo, como por exemplo o ministro Manuel Pinho do governo da marca Portugal em Crise e a marca HiltonVilamoura que fez/fizeram das tripas coração e pagou/pagaram (?) uma quantia não discriminada para sentar (por mero acaso) o fenómeno no mesmo banho SPA allgarvio do ministro. A Pizza Hut oferece-lhe alimentação grátis durante um ano (a Phelps, não ao Ministro). De momento apenas uma ligeira bronca ensombra o êxito do sensacional feito: a comunidade médica condena a aparição do Ministro, perdão, de Phelps, nas caixas de cereais Kellogs – não se explica como se pretende promover um produto cujos altos níveis de açúcar alimentam uma sociedade preocupada com a obesidade infantil.
Roger Federer é embaixador da Nike, e da coreana Kia Motors. No caso da multinacional alemã Puma as vendas vão disparar a curto prazo sob a marca Usain Bolt. A russa Yelena Isinbayeva é patrona da mesma causa em relação à Adidas. A supervedeta Liu Xiang acumulou o ano passado 24 milhões graças a contratos publicitários com 14 firmas do gabarito da Lenovo, Amyway`s, China Mobile, etc. É o segundo a facturar, atrás do basquebolista Yao Ming ao serviço também da Nike, líder do sector que tem a maior parte da sua fabricação na Ásia e pretende a hegemonia exclusiva do mercado asiático. De facto os produtos fabricados na China, divididos com a Adidas, ascendem a 32,3 por cento do mercado. Os consultores Frost & Sullivan consideram que o mercado de vestuário desportivo chinês será um filão quase inesgotável para as grandes marcas, já que em 2011 se estima possa valer 10.400 milhões de dólares
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domingo, agosto 24, 2008

a planta do Pentágono tem a forma da
Estrela de David




















Apenas 2 por cento da população norte americana se afirma étnica-religiosamente como Judaica, porém todos os 5 mais altos responsáveis das 5 Reservas Federais activas dos EUA são Judeus, incluindo o actual adminstrador- geral da FED Ben Samuel Bernanke ( depois de Alan Greenspan ter trabalhado durante 30 anos as teorias económicas concebidas pelos judeus Milton Freeman e Ayn Rand) e o seu principal assistente e braço direito Donald L. Kohn. Os outros são: Kevin M. Warsh (1), Randall S. Kroszner e Frederick S. Mishkin. Nem um só representante dos “gentios” assenta o cu na administração dos altos negócios da emissão do dinheiro de referência (o dólar) que domina a economia mundial. Estes dados confirmam-se no próprio website da Reserva Federal.

Como podem os mais importantes meios de comunicação nunca se ter debruçado e comentado sobre este facto? - Como podem igualmente os políticos não o fazer, incluindo o candidato libertário às presidenciais Ron Paul, um judeu usado como lebre na afirmação dos democratas e depois rapidamente descartado, depois de bater recordes na recolha de fundos de apoio no voto popular? - Se não há debate, como poderemos conhecer os objectivos para que trabalham os 5 governadores das Reservas Federais, na corrida que é determinada pelos interesses de apenas 2 por cento da população norte americana? – Deveremos tornarmo-nos cúmplices dos Judeus mantendo silêncio, ou deveremos falar alto e bom som para informar todos os cidadãos deste ultraje à democracia manipulada pela alta Finança?
Para uma mais detalhada informação sobre o controlo Judeu do Governo norte americano, sobre os Media e sobre a Finança, recomenda-se vivamente o Sitio Internet de David Duke, e as páginas SolarGeneral.com e VanguardNewsNetwork – alguns dos poucos que têm a coragem para se recusar a branquear a actividade dos activistas judeus ortodoxos no controlo da Nova Ordem Mundial – isto é, a aplicação prática da Teoria Sionista de Theodore Herzl de expansão territorial global de acordo com os cânones religiosos do “antigo testamento”: a terra prometida é toda a Terra - ou seja, traduzido no léxico corrente desterritorializado, quem controla a emissão do dinheiro controla e condiciona toda a actividade económica.

Para que se compreenda que nada acontece por acaso, a nomeação de Joe Biden (com fortes laços de união aos judeus : “my daughters married Aryans”) como Vice Presidente de Obama na corrida à Casa Branca é uma escolha feita em função da sua afirmação pública à ShalonTV como um claro defensor do Sionismo.

(1) exemplificando: Kevin Warsh é afilhado de Ron Lauder, filho da proprietária da famosa multinacional líder mundial no ramo dos cosméticos Estee Lauder – do judeu Ronald S. Lauder diz a Wikipédia: “Lauder está activamente envolvido em numerosas actividades cívicas, incluindo a Conferência de Presidentes das Maiores Organizações Judaicas Norte Americanas, o Fundo Nacional Judeu, o Congresso Mundial Judaico, o Comité de Distribuição e Angariação dos Judeus Americanos, a Liga Anti-Difamatória Judaica, o Seminário Teológico Judeu, a Universidade Brandeis e o Fundo Abraão. Em conjunto com o irmão Lauder fundou o Instituto Lauder na Escola Wharton. Colaborou como administrador financeiro do Comité Republicano de New York. Ron Lauder foi eleito presidente do Congresso Mundial Judaico em 10 de Junho de 2007 batendo o judeu Mendel Kaplan do mundo de negócios sul africano por 11 votos contra 4
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quinta-feira, agosto 21, 2008















o Governo da Georgia será denunciado no Tribunal Penal Internacional de Haia pelos crimes cometidos na Ossétia do Sul. A capital Tskhinvali é actualmente um monte de destroços causados pelas tropas da Geórgia. Toda a cidade ficou praticamente destruída. O governo da Geórgia encerrou todos os canais de televisão em idioma russo logo no inicio do ataque e bloqueou o acesso a todos os sítios internet de informações locais, tecnologia radioeléctrónica disponível e cedida pelos assessores militares dos Estados Unidos e de Israel.
O comentador internacionalista Walter Martinez conduziu a semana passada uma edição especial do programa “Dossier” na RVTV onde explicou detalhadamente os precedentes, causas e consequências do conflito no qual o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, animado pelo apoio dos Estados Unidos ordenou uma incursão militar na região autónoma da Ossétia do Sul que provocou duas mil mortes civis – que por sua vez provocou a resposta militar da Rússia.



Sim ao Kosovo, Não à Ossétia

O Estado da Geórgia, uma criação politica Sionista (desde a “Revolução das Rosas” patrocinada financeiramente pelo especulador judeu George Soros), decidiu a meias com os consultores militares israelitas ao serviço daquele protectorado ocidental, revolver os problemas internos que tem desde 1989 com a província separatista da Ossétia da forma mais radical, aproveitando o facto do planeta estar distraído com os Jogos Olímpicos. A Geórgia precisa terminar com a secessão até Dezembro, para poder cumprir as cláusulas do pacto de adesão à NATO.
99 por cento dos habitantes da Ossétia do Sul desejam unir-se com a Ossétia do Norte sob a bandeira da Federação Russa. Mas a “comunidade internacional” não os apoia, ainda que tivesse apoiado o caso similar da província do Kosovo, parte integrante da Sérvia.
Depois da gorada tentativa de Bush providenciar “ajuda humanitarian efectuada através de forças militares que pretendiam controlar os portos e outras centros fulcrais dos transportes na Geórgia, a retirada das tropas da Rússia estará concluida até ao final desta semana, salvo um pequeno contingente de 500 pessoas, encarregadas das “medidas adicionais de segurança” previstas nos pontos do Acordo de Paz – e foi assim que a Rússia, por esta vez, rechaçou as ameaças da NATO e de Condooleza Rice.
RIP.

quarta-feira, agosto 20, 2008

o Paquistão e o Amigo Americano

Á sombra da “ameaça russa na “crise no Cáucaso”, as forças da Ordem e Liberdade (Washington e o seu braço armado NATO) impõem expulsões em massa no Paquistão.

por Knut Mellenthin (publicado no MRZine)

A resposta russa à agressão da Geórgia contra a Ossétia do Sul tem sido o tema central dos Media esta semana, enquanto é pouco ou nada noticiada a tragédia humana no noroeste do Paquistão que provavelmente não terá menos significado politico.

Ao 9º dia da expedição militar punitiva contra os territórios controlados pela Agência Estatal Bajour que gere as chamadas “zonas tribais”, mais de 100 mil pessoas fugiram procurando refúgio. Ninguém sabe exactamente o número, o que reflecte o facto de não haver ajuda organizada aos refugiados. Um jornal paquistanês de língua inglesa, “The News”, disse na passada sexta feira que “várias centenas de milhar” estão em fuga. As agências noticiosas reportaram que, de acordo com o governador da Provincia da Fronteira Noroeste para a capital Peshawar fugiram cerca de 219.000 refugiados.
Muitos deixaram para trás os seus haveres e lavras porque as “forças de segurança” na sua campanha contra suspeitos de insurgência, têm repetidamente usado armas de artilharia pesada, helicópteros e aviões de combate contra pequenos aldeamentos. Somada a esta situação tem havido expulsões sistemáticas de habitantes de povoações. Planfetos são lançados de helicópteros apelando ás pessoas para evacuarem de imediato determinadas áreas. Os panfletos contêm instruções detalhadas da forma como devem proceder para que não haja falhas no cumprimento sem riscos dos “ataques letais das forças de segurança”: Nenhum veículo poderá andar depois do pôr do sol. As viaturas não devem estacionar debaixo de árvores à sua sombra: Assim que avistem um helicóptero todos os ocupantes devem sair dos seus veículos com as mãos no ar. Todos aqueles que não tenham recebido panfletos ou que não saibam ler – a maioria da população nessa área – enfrentará perigo mortal. Os raides aéreos intimidatórios sobre as colunas de carros de refugiados não acontecem por acaso, e por isso muitas familias optam por fugir a pé. Todas as pessoas que fogem deixam de receber abastecimentos e ajudas sanitárias. Dezenas de milhar dormem fora das suas casas.

Bajour é um dos muitos distritos nos quais estas expedições punitivas têm sido levadas a cabo nestes últimos meses. As “forças de segurança” também já efectuaram raides similares em acções no Vale de Swat e no distrito de Hangu anteriormente, fora das zonas controladas pela Administração Federal das Áreas Tribais na Provincia do Noroeste. Como a imprensa paquistanesa também noticiou muitos milhares de pessoas fogem também da fronteira sul com Bajour na zona de jurisdição da Agência das Tribos Mohmand a qual se suspeita possa ser a próxima a ser atacada pelas “forças de segurança”.
Estas acções militares não podem ser efectiva e apropriadamente descritas sem observar o propósito da campanha de “guerra contra o terrorismo” desencadeada pela coligação militar Estados Unidos/NATO. Embora sejam levadas a cabo por forças nacionais a função essencial destas acções é demonstrar a Washington, cujas pressões sobre Islamabad são cada vez mais e mais agressivas, que as coisas estão sob controlo e que não existem razões para uma intervenção dos EUA no Paquistão
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domingo, agosto 17, 2008

A maior (e a mais rica) amiga de Hillary Clinton (e a maior contribuinte líquida para a campanha) Lady Lynn Forester de Rothschild prepara uma emboscada a Barack Obama.O fervoroso e numeroso clã de apoiantes de Hillary prepara-se para protestar contra a coroação democrata de Obama – e ameaçam inclusivamente votar em John McCain, o candidato republicano;
À cabeça do grupo na Convenção Democrata de Denver na próxima semana estará Lynn Forester, Lady de Rothschild, uma das mais influentes politico financeiras da família judaica dos Rothschilds o mais importante grupo de banqueiros mundial, oriundo da City londrina. Ela pôs o seu coração (e muitos milhões) na campanha de Clinton e diz-se nada impressionada com Obama, que duvida consiga atingir a Casa Branca, declarando nesta entrevista à Fox News a sua intenção de voto em McCain caso Hillary não venha a ser parte da escolha democrata – “a minha lealdade é com a vitória dos Democratas; e por esta boa razão Barack Obama será (terá) um sério problema se conseguir ser eleito”
Lady Rothschild, 54 anos, já era uma bem sucedida mulher de negócios em New York, já então investidora de topo com fundos de apoio ao Partido Democrata, antes de se casar no seio da dinastia britânica dos banqueiros Rothschilds. O bilionário Sir Evelyn de Rothschild.durante 22 anos administrador da principal empresa financeira do grupo, a NM Rothschild, estará sentado ao lado de Lynn em Denver, quando McObama se preparar para ser entronizado. Veremos o que se passará com esta presumível vitória.

video: Quem são na realidade os Rothschild?
(os que realmente "votam nas teses e nas antiteses"
como partes únicas do mesmo poder?)

sexta-feira, agosto 15, 2008

Não ao comunismo nos Estados Unidos

Aviso à navegação: em vésperas da Convenção
o chefe de fila dos superdelegados democratas, Bill Gwatney do Estado do Arkansas, acaba de ser assassinado.
Coincidência?

















Este foi o Estado que viu nascer politicamente os Clinton, muito por via da antiga posição de Hillary como administradora da empresa de Sam Watson, a Wall Mart fundada no Arkansas, que com os Clintons na presidência durante uma década ascendeu à posição de empresa lider em volume de vendas mundiais. Como é sabido cerca de 90 por cento de tudo o que a Wall Mart vende é fabricado na China. E as restantes multinacionais regra geral seguem mais ou menos esta filosofia. Este primeiro passo da globalização neoliberal foi levado a efeito sob a supervisão do "plano Volker" financeiramente concebido pela Reserva Federal Americana (FED) - a classe média baixa americana, conservadora alienada e iliterata, cujo proletariado foi de imediato afectado por uma tremenda crise de emprego devido à deslocalização das produções industriais para a China nunca perdoou esta importação e incorporação do "comunismo chinês" na vida social da União. Se a China é um perigo declarado a prazo, como pactuar com o inimigo nos negócios? - obviamente, os Clintons têm fama de comunistas, inclusivé de se terem apropriado de milhões de investidores chineses para se financiarem nas suas actividades politicas; e se o povo o diz,,,

quinta-feira, agosto 14, 2008

democracia? adeus mundo, que vais de mal a pior

Em 2003 grande parte das riquezas arqueologicas do Iraque tinham sido pilhadas. A pilhagem da herança cultural do país foi um acto premeditado. Os ladrões foram protegidos pelos invasores; pilhando o Iraque em busca de uma utopia neoconservadora. Bagdade ano zero, breve os saqueadores apresentaram projectos para novos museus – expurgados de genuidade, representando novas formas de alienação cultural que encobrem novas formas de dominação política. Quatro anos depois, segundo noticiava o “The Times” de Londres em 24 de Abril de 2008, o parque zoológico Al Zawra estava em ruínas – Excepto um espectacular golpe de mestre: Bush dentro de uma jaula com o alto patrocínio dos judeus da Disney Corporation, ou coisa parecida - faça-se o que se fizer, enquanto o território se mantiver debaixo da pata militar e económica dos invasores, nada lhe restituirá a memória perdida

um dia no Zoo de Badgdad - um video de 1971

quarta-feira, agosto 13, 2008

Georgia, uma espinha ocidental cravada no coração do Império Russo

Logo após o início da crise bélica na Georgia, que foi fabricada para coincidir com a abertura dos Jogos Olímpicos, o RussiaToday.Com publicou a cronologia dos acontecimentos:

- às 4,13 TMG tropas Georgianas atacam Tskhinvali num acto de agressão. O controlo da situação é incerto e há combates continuados, por vezes com grande ferocidade.
- às 5,01 a Região Autónoma da Ossétia do Sul, com uma maioria de população russófona que ronda os 90 por cento, pede protecção à Rússia e ajuda para parar a agressão e invasão do território.
- às 6,51 o Conselho de Segurança da ONU recusa aprovar uma chamada para o cessar fogo patrocinada pela Rússia. Os bombardeamentos e os combates intensificam-se.
- às 8,18 os tiroteios alastram para as ruas de Tskhinvali.
- às 9,36 o Parlamento Russo cita a agressão da Geórgia como uma séria razão para que a comunidade internacional reconheça a independência da Ossétia do Sul. (o seja, que se usem os mesmos critérios que o Ocidente usou no Kosovo face à Sérvia e ex-Jugoslávia).
- às 10,33 a Geórgia anuncia um período de três horas de tréguas para que os civis evacuem a zona de conflito.
- às 11,25 repórteres locais afirmam que Tskhinvali está completamente destruída.
- às 12,04 o ministro da Defesa russo declara o envio de tropas de manutenção de paz para a Ossétia reforçando o contingente aí existente.
- às 12,55 Lavrov o ministro dos Negócios Estrangeiros russo acusa a Geórgia de “limpeza étnica” nas populações nas povoações da Ossétia.
- às 13,16 Mikhail Saakashvili acusa a Rússia de ter provocado a guerra e pede o apoio dos Estados Unidos.
- às 13,25 o ministro da Defesa russo acusa as tropas da Geórgia de dispararem sobre forças de manutenção de paz e de negar ajuda médica a civis.
- às 14,23 repórteres de Tskhinvali noticiam fogo macisso sobre a cidade.
- às 16,14 a Força Aérea Russa nega ter bombardeado uma base militar da Geórgia.
- às 16,46 milhares de sul-ossetianos ocorrem à frente de combate.
- às 17,20 Registando a existência de 1400 mortos como resultado dos ataques Kokoity o lider da Ossétia do Sul apela à comunidade internacional para parar o genocídio perpretado pela Geórgia, reconhecendo de facto a independência do território.
- às 17,35 o presidente georgiano Saakashvili afirma que a Geórgia controla Tskhinvali e a maior parte das povoações na região.
- às 18,56 o governo da Ossétia do Sul afirma controlar Tskhinvali mas que os combates nos arredores continuam.
- às 19,08 o presidente russo Dimitry Medvedev afirma que “a Rússia está a tomar as adequadas acções militares e politicas para pôr fim à violência”.
- às 20,25 a Geórgia pede aos Estados Unidos para pressionar a Rússia para “parar a (sua) agressão armada”.
- às 20,36 o Conselho de Segurança da ONU começa uma reunião de emergência à porta fechada sobre o conflito, o segundo em 24 horas a pedido da Geórgia.
- às 21,22 a Ossétia do Sul reclama o controlo da capital Tskhinvali, mas a Geórgia ameaça retomar a cidade.
- às 21,25 a Geórgia anuncia o seu plano para retirar tropas do Iraque, (onde é a 3ª força militar internacional na coligação de Bush) para reforçar a frente do conflito.
- às 21,27 a cadeia de televisão russa Vesti reporta que a Ossétia do Sul abateu um avião de ataque georgiano.
- às 22,00 a agência TASS noticía tiroteios intensivos de tropas da Geórgia em áreas residenciais da capital.
- às 22,50 TMG, as autoridades da capital da Região Autónoma da Ossétia do Sul, Tskhinvali, reportaram estar debaixo de bombardeamento por forças do governo pró-ocidental da Geórgia.

O que se passou até aqui resume-se no seginte: numa primeira fase dúzias de Ossétios foram mortos que no fim ultrapassaram os 2 milhares. Um cidadão americano da Flórida, Joe Mestas, ocasionalmente de visita a familiares, relata o que aconteceu durante o ataque das tropas da Geórgia: ele descreve as operações da aviação atacando alvos civis e soldados atirando granadas contra civis escondidos em caves.
Apesar dos factos os media norte americanos e a imprensa internacional têm andado a pintar a Rússia como a potência agressora e a Geórgia como a vítima que precisa de ajuda humanitária – o jornal "Público", porta voz nacional do regime Bush titulou na terça-feira 12: “Russos entram na Geórgia e abrem nova frente de batalha no Cáucaso. George W. Bush acusa Moscovo de acto inaceitável no século XXI



Depois de dias de combates a destruição é total. Tskhinvali está em ruínas e 30 mil refugiados procuraram abrigo fora da cidade. Impossivel que é obter uma vitória militar contra uma potência tão poderosa como a Rússia contabilizando as atrocidades da Geórgia, de acordo com o professor Michel Chossudovsky tudo isto faz parte de um planeado “desastre humanitário” (contra alvos civis) visando a destruição da população pró-russa da provincia da Ossétia, guardiã a norte do eixo fulcral de abastecimento de petróleo através do pipeline Baku que passa através da Geórgia a caminho de Ceyhan na Turquia – eixo cuja posse para negócio exclusivo é suposto ser conquistado pelas forças militares dos EUA-NATO-ISRAEL.

Quer dizer, a Georgia está a ser usada como instrumento para atingir a Rússia, uma potência renascida pela perversão inflaccionária sobre os preços do petróleo de e do gaz, técnica económica usada pelo Ocidente para pagar as anteriores guerras no Iraque e no Afeganistão. Reportando ao antigo grande jogo (“The Grand Chessboard” de Zbigniew Brzezinski, 1997) sejam benvindos a um novo período de nova Guerra Fria. Brzezinski é o Conselheiro para os Assuntos Militares de Barack Obama e a nova adminstração que tomará posse no próximo ano será confrontada com os dados concretos no terreno, não interessando qual das duas partes controle o Congresso, ou tampouco quem dos dois partidos venha a ser eleito.

(continua: "A Grande Empresa do Big Oil Sionista")
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terça-feira, agosto 12, 2008

Churchill em Cuba

um episódio da guerra de independência descrito por John Keegan sobre a biografia de Churchill “My Early Life”

"O 4º Regimento de Hussardos não era apenas chique. O seu comandante, o coronel John Brabazon, era um dos mais distintos oficiais do exército, admirado pelos seus contemporâneos e amigo da família real. A vida no regimento era cara. O salário de um oficial era insuficiente para pagar o uniforme, os cavalos, a alimentação da cantina ou os requisitos sociais exigidos. Mas graças aos recursos da família Blenheim, Wiston integrou-se rapidamente. Em Fevereiro de 1895 já estava ambientado às rotinas de estábulos, escola de equitação e administração da companhia, havia começado a jogar pólo e a participar nas corridas de cavalos com obstáculos.
O regimento deveria partir em breve para a Índia, durante nove anos, para integrar as forças britânicas aí estacionadas. Na altura esta era uma operação de rotina, à qual apenas escapavam as companhias ligadas à coroa. Antes da partida, os oficiais podiam usufruir das suas generosas licenças, até às dez semanas, sem interrupção. Por esta altura, Wiston já devia estar enfadado com a rotina, e decidiu sair de Inglaterra em busca de aventuras.
Na época decorria uma guerra a sério nas Caraíbas, onde a Espanha tentava conter uma revolta generalizada em Cuba. Winston sentiu a oportunidade para descobrir o cheiro a pólvora e a possibilidade de ganhar dinheiro e fama, escrevendo sobre a guerra para um periódico britânico. Embora estas ambições fossem questionáveis num subalterno ainda com uma carreira toda pela frente, Churchill não teve qualquer hesitação. Seguindo o principio que aplicaria durante toda a sua vida, de só falar com o topo da hierarquia, obteve cartas de apresentação para Cuba do embaixador britânico em Espanha, uma autorizção para participar na guerra do comandante em chefe britânico, e uma missão dos serviços de informação ingleses para relatar factos sobre a situação.
Protegido em todas as frentes, Wiston e um camarada desembarcaram em Cuba, após uma breve visita à familia Jerome, em Nova Iorque, a 2 de Novembro de 1895. Pouco antes do final do mês, Wiston e o tenente Reginald Barnes juntaram-se a uma das expedições punitivas do marechal Arsenio Martinez de Campos, que se movimentavam para o interior da ilha para enfrentrar os rebeldes. O padrão da guerra cubana, já estabelecido, repetir-se-ia tragicamente em todas as colónias europeias no século seguinte. Os rebeldes cubanos, inspirados pelo ideal de independência nacional, estavam mal armados e mal treinados, mas tinham um conhecimento muito superior do terreno. Usavam tácticas de escaramuça e emboscada, não tinham problemas em fugir se as coisas corriam mal, aceitavam as baixas com naturalidade, davam como bem vindas as atrocidades do inimigo, pois atraiam a população para a sua causa, não tinham um prazo definido de vitória e usavam as montanhas e florestas como refúgio em caso de confronto ou se estivessem encurralados. Cinquenta anos depois, Mao Tsé Tung utilizaria as mesmas tácticas para compor uma filosofia de “Guerra do Povo”. Os bóers antecipar-se-iam aos métodos de Mao na África do Sul, em 1900, noutra guerra em que Wiston também participaria. Em 1895, porém, as tácticas de evasão e retardamento eram uma novidade. O encontro marcaria a atitude de Churchill em relação aos esforços militares para o resto da vida.

A coluna comandada pelo general Juarez Valdez, partiu de uma aldeia fortificada e rapidamente estabeleceu contacto com “o inimigo”. Na sequência do encontro, os dois batalhões acamparam durante a noite no meio de floresta cerrada, voltando a partir no dia seguinte. Ao atravessarem um rio, Churchill decidiu dar um mergulho: dispararam sobre ele quando já se estava a vestir, naquele que seria o seu baptismo de fogo – uma experiência que o próprio achou entusiasmante. A expedição voltou a acampar e foi novamente alvo de tiros durante a noite. Mas só no dia seguinte, já em marcha, é que encontrou os rebeldes, entrincheirados numa fraga. A expedição dispôs-se de maneira ortodoxa, em formação aberta, superiorizou-se no tiroteio, mas viu os seus objectivos frustrados quando os rebeldes se retiraram para a “floresta impenetrável”, vendo-se obrigada a regressar ao ponto fortificado de origem, onde Churchill lhes diria adeus.
A sua primeira experiência bélica fora uma situação que se repetiria, no futuro, para jovens oficiais franceses na Indochina e na Argélia, para os americanos no Vietname, para os seus próprios compatriotas no Sudeste asiático e em África. No regresso a Nova Iorque, Churchill descreveu os cubanos como “soldados medíocres, mas imbatíveis na corrida” – o mesmo veredicto que seria dado, no século vindouro, por qualquer oficial de forças regulares que se defrontassem com os movimentos independentistas. Estes, na sua terra, em áreas de dificil acesso, levariam os exércitos europeus ao desespero. Mesmo quando não recorriam, eles mesmos, a métodos terroristas, o que faziam com frequência, viam-se obrigados a tentar vencer os insurrectos através de acções directas contra as populações que os abrigavam. Outra resposta que os europeus privilegiavam consistia em recrutar milicias locais ou em “concentrar” as populações rurais em campos controlados pelas forças armadas. Aliás, os “campos de concentração” foram uma invenção espanhola durante a Guerra de Independência de Cuba, que se repetiria na África do Sul, durante a Guerra dos Bóers. Enquanto medida de controlo, viria a mostrar-se ineficaz nesses dois conflitos.
Churchill, indirectamente, viria a reconhecer que ao menosprezar os rebeldes cubanos estava a subestimá-los. “A natureza do país está contra (os espanhóis)” diria, “além de haver descoordenação entre os movimentos das várias expedições armadas... Se os insurrectos aguentarem até às chuvas da Primavera, ainda podem ganhar”.
Os cubanos, com a ajuda dos Estados Unidos da América contra o Império Espanhol, nas Caraíbas e nas Filipinas, acabaram mesmo por vencer, e Cuba tornou-se uma nação independente. Churchill, que defendia um protectorado americano em alternativa ao governo espanhol, escreveu que “um governo cubano será igualmente corrupto, mais caprichoso e muito menos estável, criando condições para revoluções periódicas, insegurança da propriedade e desconhecimento da justiça”. E tinha razão: Cuba tornou-se, durante um breve periodo de tempo, protectorado dos Estados Unidos, mas depois cumpriu todas as previsões de Churchill. Nessa altura, porém, este já tinha voltado a sua atenção para a Índia, os territórios muçulmanos, a África do Sul e o seu próprio país, as suas novas prioridades. Mas foi em Cuba que Churchill conheceu de perto a guerra. A compreensão que adquiriu da sua natureza havia de estender-se ao longo da sua vida"
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segunda-feira, agosto 11, 2008

ratos e homens

No post anterior focou-se a necessidade de encontrar um pretexto para Israel atacar o Irão. Porque não o atacam os próprios americanos? Para o perceber é preciso entrar dentro da fábrica de mentiras de Dick Cheney.
Um dos planos engendrados foi numa reunião presidida por Cheney. Tratava-se de manufacturar um “barco iraniano” e mascarar atiradores dos SEAL da Marinha vestidos como militares iranianos que iriam atacar navios de guerra norte americanos. O plano foi rejeitado porque a acção poderia “provocar uma situação em que americanos matariam americanos”. A New Yorker recusou incluir esta história no seu magazine (editado, recorde-se, por judeus fundamentalistas ao serviço de Israel). Como diz concisamente Seymour Herst: “os Editores são Gatos treinados para serem Ratos.

domingo, agosto 10, 2008

Benny Morris

Causou algum alarido a publicação, primeiro no NewYorkTimes, (depois passado a papel químico para o Público) um artigo do israelita Benny Morris, um historiador revisionista neocon, onde se evidenciava e defendia sem qualquer pudor a intenção de Israel, mais tarde ou mais cedo, atacar o Irão.
O artigo, que mereceu a crítica generalizada dos leitores, foi pelo menos num caso apoiado pelo director do Público com base na afirmação de Benny Morris ser “um colunista independente” – na verdade Morris é uma sumidade muito próxima do governo de Israel, cuja posição neste caso é que o Irão deve ser bombardeado com urgência usando na medida o possivel o máximo de armamento convencional, puxando claramente os Estados Unidos para efectuar o ataque, argumentando que só em caso de resposta deverão ser estreadas as novíssimas mini bombas nucleares.

Obviamente a troupe de canalhas comandados por Dick Cheney são ferrenhos apoiantes do “ataque preventivo”, o que faz dos próximos meses um periodo particularmente interessante de movimentações por detrás das cortinas do palco, tendo em vista produzir factos graves (operações de false-flag) à revelia do Grande Decidor Desconhecido que o levará perante uma situação de guerra consumada no terreno. Para o efeito Israel deverá fazer qualquer coisa de completamente doido para assegurar o envolvimento dos Estados Unidos. O que não é novidade nenhuma: na “Guerra dos 6 Dias” em 1967 Israel bombardeou o navio americano USS Liberty matando 34 marines; na crise do Suez dos anos 50 Israel bombardeou o consulado americano em Alexandria.
Desta vez, com os postes das balizas ambiciosamente altos, nos diversos cenários de operações false-flag possiveis, deverão ser usados comandos infiltrados no Golfo Pérsico ou os seus homens em missão no interior do Iraque para causar um incidente que pareça ser uma ofensiva usando armas iranianas. De qualquer forma, seja quem fôr que ataque o Irão, na realidade quem o fará será Israel.

Nos últimos 41 anos o ataque de Israel ao USS Liberty tem sido um tabu, impossivel de discutir abertamente, tanto nos meios do Estado Judaico quanto nos norte americanos. Nem os sobreviventes do ataque são eles próprios ouvidos negando-se-lhes sempre qualquer oportunidade de intervenção. Como nos casos de pagamentos por baixo da mesa nos serviços contratados pelo crime organizado, os apoiantes dos dois governos têm adorado declarar o assunto como “caso encerrado”.
Imagine-se a onda de indignação e ultraje que iria desaguar sobre o povo americano e a inocência perdida quando compreendessem que 34 jovens "inocentes" foram assassinados por Israel num premeditado acto de declaração de guerra, já para não falar no encobrimento dos actos infames a que obrigam sistematicamente os governos americanos. É natural por isso que este seja um dos tópicos proibidos nestas últimas 4 décadas. Mas, cortando a direito num clima de crescente insubmissão nos meios militares, que quase obriga a uma liberalização feita dentro do espírito da Obamania, uma delegação conjunta de chefes da Administração e uma entourage de altas personalidades militares comandada por Mike Mulllen rumou em fins de Julho para Telavive apostada a discutir o assunto do USS Liberty com as autoridades militares de Israel. O que vier a ser tornado público destas reuniões será muito importante “para que a história não se repita” como há 41 anos, dadas as presentes tensões entre Israel e o Irão.
(fonte)

sábado, agosto 09, 2008

Spin

“Táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota”
Sun Tzu (544-496 A.C.)

o artista plástico Brian Springer dispendeu um ano vasculhando as ondas radioléctricas usando uma antena de satélite e gravou canais de notícias em partes que não era suposto ser oferecidas para consumo público. O resultado desta pesquisa são imagens que nunca se supôs serem vistas pelo espectador, reunidas no documentário “Spin”, uma das mais importantes peliculas feitas sobre como funciona a mecânica interna de como a televisão é usada como ferramenta de controlo social, para distorcer e limitar a percepção da realidade do público americano ( e por extensão do resto do mundo).
Realizado nos primeiros anos da década de 90 este filme é praticamente desconhecido. Felizmente que a Internete veio mudar estas condições. São 57 preciosos minutos que vale bem a pena serem dispendidos a observar sequências que jamais serão mostradas nas televisões.
Usando a campanha presidencial de 1992 como leit-motiv, o documentarista Brian Springer capta cenas de bastidores onde expõe as manobras de políticos e produtores de programas. Pensando estar off-record, Pat Robertson fala acerca de “panascas”, Al Gore recebe aulas sobre a forma como abordar a questão do aborto, George Bush disserta com Larry King sobre picapaus (o mítico símbolo grego da paz e prosperidade) enquanto espera pelo tempo de antena para transmitir as larachas do costume – tudo editado em imagens não autorizadas, “Spin” é uma amostra surreal dos Media-como-Construtores-da-Realidade.



nota: pequenos excertos deste filme e respectivos códigos para difusão, bem como os mais variados exemplos de “spin” podem ser recolhidos na BrasscheckTV – por favor, subscrevam e difundam o endereço deste Canal Independente de TV por Internet:
http://www.brasschecktv.com/
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sexta-feira, agosto 08, 2008

em época estival, quando descobrimos a tal praia praticamente deserta e há tempo disponível, há oportunidade de reler e transcrever aqui algumas relíquias recolhidas ainda na última feira do livro, a 50 cêntimos cada fascículo:

















“Desde o século XVI o país tem-se compartimentado em regiões: chegou-se à aglomeração de ¾ da população em 40 por cento do território; as actividades e a riqueza, a densidade máxima de meios de circulação, as indústrias, os investimentos, concentram-se no eixo Lisboa-Porto prolongado a Setúbal e Braga (...)

Esse desiquilibrio prende-se à incapacidade de uma política nacional de escolha e localização das produções que garanta a maior cobertura possivel do consumo interno pela produção interna, distribua o mais harmoniosamente pelo território as gentes de modo a tirarem o máximo proveito dos recursos naturais e humanos, e assim minimize a dependência em relação ao exterior. De há dezenas de anos, quando não de há séculos se apregoa o imperativo de introduzir culturas (...)

Por essa incapacidade de organizar a produção e a importação - reexportação com forte valor acrescentado pelo trabalho nacional, desde a 2ª década do século XIX que a balança comercial é deficitária e o déficite só tem sido compensado pelas remessas de emigrantes ou entradas de capitais estrangeiros (...) Daí o forte grau de dependência em relação a outras economias, que agora atingiu o paroxismo; o empréstimo externo de há muito é cancro a roer a nossa possibilidade de renovação económica, e hoje chegou-se ao cúmulo de tudo querer resolver com ele e renunciar ao aproveitamento das nossas potencialidades (...) o diagnóstico aponta para uma terapêutica de decidida modernização técnica (...)

A construção de uma pátria, meio século calcada sob a autocracia oligárquica do Reino da Estupidez, só poderá possivelmente fazer-se assentando a democracia socialista: a socialização, ou seja, a subordinação dos meios de produção e recursos aos interesses da sociedade (de todos os indivíduos da sociedade), a democratização que ordena toda a vida social e a acção do Estado em função de tornar cada homem, todos os homens, um fim em si próprios, deixando de ser meros instrumentos manejados por outrém; quer dizer, visa-se a plena dignidade da cidadania, com o conjunto de condições materiais e culturais que a tornam possível de se exercer. Pelo socialismo e pela democracia rumo à democracia socialista, ao respeito de cada um e de todos e ao assegurar a todos das oportunidades para realizarem a sua personalidade”

Vitorino Magalhães Godinho – “Para a renovação da politica nacional”, Sá da Costa, 1978
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quinta-feira, agosto 07, 2008

A transição em Angola

o “Público” na ânsia de branquear a "ditadura ex-comunista" angolana induz os leitores em erro, ao escrever que “em Angola não há eleições desde 2002”. Na verdade já não há eleições no país há 16 anos, desde 1992, quando com a participação activa de Cavaco Silva em comícios na campanha eleitoral do MPLA e os resultados pouco claros lançaram o país numa segunda guerra fraticida. Em 2002 o que houve foi o assassinato do líder da Oposição; nesse ano, com a colaboração de pilotos da aviação de Israel e dos sistemas tecnológicos de detecção GPS israelitas conseguiram assassinar Jonas Savimbi, novamente com a conivência velada do partido de Cavaco Silva, então com Durão Barroso à cabeça do governo português. Enquanto isso, a ESCOM, uma financeira portuguesa do grupo do Banco Espírito Santo, possuia o exclusivo nos “concursos” para fornecimento de armamento para a defesa nacional. Compreendem-se assim os altos designios do revivalismo Colonialista da direita portuguesa: a submissão colonial do país africano foi substituída pela dependência financeira e tecnológica ardilosamente implantada.

A transição em Angola - Boaventura Sousa Santos

"Dezasseis anos depois do último acto eleitoral, realizam-se no próximo dia 5 de Setembro eleições legislativas em Angola. Tudo leva a crer que serão eleições livres e que se, no pior dos casos, houver fraude eleitoral, ela não será significativa. É um acontecimento importante para Angola, para África, e para todos os democratas do mundo. Depois dos recentes e trágicos acontecimentos no Zimbabué e no Quénia (durante alguns anos considerado um país de exemplar transição democrática), a África precisa de experiências democráticas bem sucedidas. A importância especial de Angola neste contexto decorre do factor petróleo. Como demonstram os casos acima mencionados, o petróleo não é o único factor de instabilidade política mas é um facto que historicamente a relação entre petróleo e democracia tem sido de antagonismo. É assim no Médio Oriente e foi assim na América Latina até à última década. Em África, um simples relance pelos maiores produtores de petróleo é revelador a este respeito. São eles, em função das reservas comprovadas de petróleo (medidas em mil milhões de barris): Líbia (41,5), Nigéria (36,2), Argélia (12,3), Angola (9), Sudão (6,4).
Objectivamente, o facto de mediarem dezasseis anos entre dois actos eleitorais significa que Angola é um país em transição democrática. Em situações destas, duas perguntas se levantam. Trata-se de uma transição irreversível? Qual a sua natureza sócio-política? Para a primeira questão são identificáveis duas respostas. Segundo a resposta pessimista, tudo está em aberto. Usando uma metáfora aeronáutica, a transição será um avião a subir mas ainda longe de atingir a velocidade de cruzeiro. Pode atingi-la ou pode cair entretanto. Ao contrário, a resposta optimista entende que depois dos traumas da guerra - Angola esteve em guerra mais de quarenta anos (de 1961 a 2002) – e da experiência política desde 2002, a transição não pode senão ser irreversível. Há razões objectivas para considerar esta última resposta mais plausível. É certo que militam contra ela alguns factores de peso: um sector fundamentalista do MPLA para quem as eleições visam apenas legitimar o poder que não podem pôr em causa; o excessivo peso do sector militar (com generais muito ricos, envolvidos em todo o tipo de negócios, do petróleo aos bancos e ao imobiliário); uma questão tabu em Angola – a questão étnica – a qual por não ser assumida politicamente pode germinar descontroladamente. Apesar disto, as razões a favor da irreversibilidade da transição são bastante fortes. Primeiro, o MPLA está internamente dividido e se, por um lado, há os fundamentalistas, por outro lado, há aqueles que chegam a desejar que o partido não ganhe com maioria absoluta para aprofundar e alargar ainda mais a partilha de poder já existente. O próximo congresso do MPLA, marcado para Dezembro, será certamente revelador das tensões e tendências. Segundo, mesmo a classe empresarial, que em grande medida se criou à sombra do Estado e segundo processos que envolvem todo o tipo de favorecimento ilícito e de corrupção, deseja hoje mais autonomia e estabilidade, uma e outra só obtíveis em democracia. Terceiro, emerge uma pequeníssima mas influente classe média aspiracional que pretende ver reconhecido o seu mérito por razões que não as da lealdade política. Há hoje 100.000 estudantes universitários nas 12 universidades angolanas (a qualidade destas é outra questão). Finalmente, no interior das classes populares cresce um associativismo de base, relativamente autónomo em relação ao MPLA e que o MPLA só poderá cooptar se der credibilidade ao jogo democrático e à partilha do poder.
A segunda questão, a da natureza da transição, é bem mais complicada. No plano político, tudo leva a crer que durante algum tempo a democracia angolana será uma democracia vigiada ou musculada, sujeita à venalidade dos políticos que o petróleo incentiva, à definição consular da agenda política, à tentativa de absorver as energias da sociedade civil e de as pôr ao serviço do Estado e do partido no poder. Será, em suma, uma democracia de baixa intensidade. No plano institucional, o presidencialismo auto-centrado e o peso-inércia do controlo político sobre o sector administrativo contribuirão para atrasar a consolidação das instituições políticas e administrativas. As necessidades da partilha do poder (ora mais real, ora mais aparente) e a tentação de distribuição populista de recursos não serão favoráveis à emergência de políticas públicas e sociais credíveis. No plano social, é preocupante o aumento da exclusão social e a cada vez mais chocante convivência do luxo mais extravagante ao lado da pobreza mais abjecta. Apesar do vertiginoso crescimento económico dos últimos anos, Angola continua entre os 10 países com mais baixo desenvolvimento humano. Calcula-se que as reservas do petróleo terminarão dentro de 20 anos. Angola não tem muito tempo para se tornar uma sociedade mais justa e mais livre".
(o original está publicado no CES)