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quarta-feira, dezembro 31, 2008

armas de destruição maciça

as melhores e as piores de 2008

a Orquestra e os Meritórios Coros de Estado da República Popular Democrática da Coreia dão um concerto de Ano Novo em Pyongyang

o pior e o melhor de dois mundos: o criminoso salve-se quem puder, o Terror e o crime organizado pelo Capitalismo
- versus -
a Estética, a Força do Colectivo e as virtudes pacíficas do Socialismo




(este post vai com uma dedicatória especial ao Nuno Ramos de Almeida, o guardião do templo, que conseguiu equilibrar o melhor blogue do ano)
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terça-feira, dezembro 30, 2008

é o regime, estúpido!










Cavaco Silva acusa “partidos de cederem a interesses de ocasião” – quando o que está em causa são os interesses de longo prazo:
a perpetuação do regime


Nós sabemos que eles sabiam que eles se tinham tornado todos iguais. Até as prostitutas mais profissionais do acanhado bordel escrevem hoje nos mexericos que o PS é igual ao PSD (quatro anos depois do mesmo se vir afirmando por aqui, que é o tempo de vida que este blogue leva). Apenas o desgraçado “S” surripiado ao respeito socialista do ZéVotas, lhes tinha legado o engano de aplicarem o programa neocon com a competência que a direita jamais conseguiria. A Múmia que depois elegeram em nome do retorno à estabilidade (“eu não me conformo”) voltou a enganá-los ao vir presidindo silenciosamente, como compete ao manequim designado por poderes obscuros, a intenções ocultas na penumbra das perguntas sem resposta.
Era preciso quebrar o doentio consenso que todos (os tão abjectamente badalados “portugueses” a propósito de tudo e de nada) já vinham topando. E assim, Sua Eminência Neoconservadora, sai a terreiro em duas ocasiões em que as pessoas no seio das suas famílias se encontram emocionalmente mais fragilizadas: no pino de Agosto quando brincávamos com as crianças na praia saiu a Esfinge do armário mariani a milhas para a pantalha televisiva (por alguma razão se bombardeiam as emissoras de TV); e voltou a repetir a dose mediática quando as mesas estavam postas para a festa de natal.

O pretexto é uma coisa de que ninguém percebe as alíneas juridico- constitucionais, que dá pelo nome de Estatuto dos Açores (por oposição ao bronco estatuto da Madeira), questões aliás susceptiveis de serem resolvidas em instâncias próprias. Assim se vem cozinhando em lume brando a invenção de uma “questão fracturante” que sirva de desculpa para voltar a arrumar a “colaboração institucional” como estava pré-programada no velho campeonato de antigamente: uns à esquerda, outros à direita.

Depois de Sócrates, é, mais uma vez, outra forma de engano (afinal a mesma) patrocinada pelo homem que nunca se enganava (slogan surripiado à Tatcher), que aliás, surdo e mudo, nunca se explicava – os tais “portugueses” na qualidade de consumidores gostariam de ouvir 1. porque pagam as empresas públicas mundos e fundos para Fundações estrangeiras em vez de dar a usufruir ao cidadão serviços prestados a preços mais justos? 2. porque se vale o PR de conselheiros de Estado seus corregelionários que mantêm negócios pouco ou nada claros com essas mesmas Fundações?, e 3. porque é o regime tutelado por eminências pardas que barram com deixas de compére a destempo o aprofundamento do paradigma constitucional da democracia participativa?
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David Axelrod quebrou o silêncio cúmplice de Obama com o massacre em Gaza, dizendo que "o presidente trabalhará em estreita colaboração com Israel"; claro, com as multinacionais da guerra que mais contribuiram para a sua eleição (ler)
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segunda-feira, dezembro 29, 2008

o 4º Reich é Judeu

“Esta manhã vimos fotografias em vivo do gueto de Varsóvia em Yad Vashem, e esta noite vamos para o gueto de Ramallah”
Gregor Maria Franz Hanke, bispo alemão, em Março de 2007

adaptação comentada do editorial de Khalid Amayreh
no site www.Exposing-Israel

“O pornográfico massacre perpretado por Israel na faixa de Gaza no sábado 27 de Dezembro, mais uma vez revela a natureza Nazi do Estado Sionista. Também subscreve a natureza genocida e brutal da mentalidade sionista, uma mentalidade baseada e configurada pela morte, obstinação, coerção, agressão, brutalidade e criminalidade. Além do mais, mostra como Israel é capaz, de ambas as maneiras, mental e fisicamente, de programar e levar a cabo um verdadeiro holocausto contra o povo da Palestina e outros povos do Médio Oriente.
De facto, é de certo modo garantido afirmar-se que não existem restrições morais que possam prevenir Israel de cometer acções impensáveis, nomeadamente a campanha de extermínio contra o Povo Palestiniano. O Sionismo como doutrina é uma forma de Nazismo Judeu, pura e simplesmente; e o Exército de Israel é de facto a Wehrmacht Judaica. Os judeus podem não gostar da comparação, mas a realidade nazi de Israel é tão duvidosa quanto pode oferecer dúvidas observar o sol num dia radioso. Indubitavelmente, esta é uma forma de mensagem que os nossos lideres e governos comprometidos com os poderes globais que apoiam o Sionismo não vão querer compreender e internalizar. (Pois se até são contribuintes líquidos em dinheiro, tecnologia e homens para a causa). Dito de uma forma breve e simples: se os povos árabes muçulmanos do Médio Oriente não forem suficientemente poderosos para deter os Nazis dos nossos tempos, eles serão atacados, escravizados e até aniquilados. Para os Judeus-Nazis que congregam a unanimidade partidária no Estado de Israel, os Palestinianos não são mais que “cobaias para teste”, cujos resultados poderão mais tarde ser aplicados aos Sírios, dissidentes Turcos, aos Iranianos e, com certeza, a todos os povos Árabes da região que se atrevam a discordar da ordem estabelecida.

De modo abreviado isto está escrito nos muros - se árabes e muçulmanos não possuem suficientes forças físicas para deter o expan- sionismo levado a cabo pelos Judeus-Nazis, aquilo que vier a acontecer aos Palestinianos de Gaza acontecerá a outros, talvez mais cedo que aquilo que muitos pensam. Futurismo pessimista?, não existem certezas, porém em 1948 os lideres Sionistas contaram ao mundo a estória que apenas pretendiam um pequeno abrigo para proteger os Judeus (não para as outras etnias alvo) de outro possível holocausto (não inventado). Hoje em dia “o pequeno abrigo” tem vindo a crescer da mesma forma selvagem que os Nazis implementaram na sua tentativa de conquista do mundo, cometendo pelo caminho um novo holocausto de que é vítima o povo palestiniano” (ler o resto na versão original)

Israel afirma que o seu inimigo é o Hamas, não é o povo da Palestina. Esta é uma grande mentira, destinada a angariar simpatias no mundo Ocidental, o que até nem é dificil, se atendermos ao sucesso Sionista no controlo financeiro dos Media na Europa e nos Estados Unidos, enquanto estes demonizam os Movimentos de Libertação Islâmicos. Se as coisas acontecessem dessa forma, então porque leva Israel a cabo o cerco e bloqueio que leva a fome e a revolta a milhões de Palestinianos que não têm nada a ver com o Hamas?

actualizações:
* manifestantes na Grécia que protestavam contra as acções em Gaza, impedidos pela polícia de se aproximar da embaixada judaica, queimam bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.
o objectivo da escalada:
* Sionistas e Neoconservadores (JINSA/Washington) acusam o Irão de fornecer mísseis ao Hamas
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domingo, dezembro 28, 2008

Shabbat Shalom

e são estes fanáticos que não trabalham ao sábado
Veto norte americano na ONU impede resolução de condenação de Israel

Os Estados Unidos, um fiel e dedicado aliado de Israel (e se-lo-á sempre, enquanto persistir o sistema financeiro baseado na obra privada judaica da Reserva Federal), já vetou mais de 40 resoluções de condenação do Conselho de Segurança contra Israel desde 1972. Desde 2004 Washington impediu a adopção de quatro outras resoluções intimando Telavive a parar as operações de agressão contra a faixa de Gaza.

- Os escassos meios empregues contra o ataque massivo de Israel com armamento proibido pela Convenção de Genebra são de tal forma desproporcionais que "a alegada gravidade da ameaça a Israel" causou apenas uma baixa. Os "misseis" Qassam de fabrico caseiro do Hamas são uma vil desculpa que não engana ninguém!

- Os paises árabes, diz-se, estão horrorizados com a matança. Porém as lágrimas de crocodilo à posteriori, não impediram o presidente egipcio de receber a ministra dos negócios estrangeiros de Israel Tzipi Livni (na foto) na véspera de natal nem de ter enganado deliberadamente os dirigentes do Hamas dizendo-lhes que Israel não iria atacar. Entretanto, continuar a virar a cara para o lado poderá ser a atitude do Egipto (que mantém igualmente o bloqueio de Gaza na zona sul) perante a fase seguinte do eminente ataque terrestre. Percebe-se porquê - o Egipto recebe também biliões de dólares em ajuda provenientes da mesma fonte de onde Israel se alimenta.
- A cereja em cima do bolo: o estado do nacionalismo árabe fica bem patente na oferta de jóias avaliadas em mais de 300 mil dólares que a Casa de Saudi e o Rei da Jordânia fizeram a Condoleeza Rice.

sábado, dezembro 27, 2008

aviões F16 contra civis em Gaza




















testemunha descreve os ataques a Gaza



- Razões eleitorais internas de Israel estão na base da decisão de atacar um território bloqueado há 18 meses (com a conivência da União Europeia). Devido ao criminoso cerco que impede contactos e abastecimentos a partir do exterior, na véspera de Natal nem sequer havia pão em Gaza.
- Binyamin Netanyahu lidera as sondagens, mas as facções de extrema direita, o Likud (profundamente desacreditado após a derrota no Líbano em 2006) e o Kadima pretendem assegurar que a linha fundamentalista permanecerá. A "campanha eleitoral" foi suspensa.
- o ataque atingiu os edificios da administração civil e esquadras de policia; o Hamas exerce de facto o governo no território de Gaza, um dos mais sobrepovoados do mundo: perto de 2 milhões de pessoas numa área de pouco mais de 300 quilómetros quadrados. É impossivel diferenciar "alvos do Hamas" da população civil - a maioria das primeiras vítimas são policias de segurança pública.
- Israel inventou literalmente a estória d"o lançamento dos 80 rockets". Porém o porta voz do governo norte americano, quando confrontado com a situação comentou que "Israel precisa de se defender das centenas de rockets lançados pelos terroristas" (o Hamas venceu as eleições em 2006 e tinha direito a formar governo em toda a Palestina, porém tal não lhe foi permitido, privilegiando-se como interlocutor Mahmoud Abbas o lider da segunda força mais votada; a Fatah está refém das "negociações" que reconhecem de facto a situação criada pelos opressores)


civilizações perdidas

imagem da NASA mostra um pedaço de madeira em Marte

espera-se que a tribo de pantomineiros de Israel não venha a construir outra efabulação reinvindicando que Abraão andou por ali antes de qualquer outro sumério annanuki


"o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores, Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado"
José Saramago, in "Gaza"
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sexta-feira, dezembro 26, 2008

Harold Pinter 1930 - 2008

"as suas obras revelam o precipício que se esconde entre a conversa fiada diária, forçando a entrada no âmbito fechado da opressão"
declaração do júri do Prémio Nobel em 2005

um excerto do discurso de aceitação do prémio, o famoso monólogo com a nova Ordem do anão W. Bush: "Deus é bom. Deus é óptimo. Deus é bom. O meu Deus é bom. O deus de Bin Laden é mau. O deus dele é mau. O deus de Saddam também era mau, a não ser pelo facto de que ele não tinha nenhum. Ele era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Nós não cortamos cabeças. Nós acreditamos na liberdade. Deus também. Eu não sou um bárbaro. Sou o líder democraticamente eleito de uma democracia que ama a liberdade. Somos uma sociedade compassiva. Aplicamos eletrocussões compassivas e injeções letais compassivas"
(in "Arte, Verdade e Política")

* DN, a palavra como arma mortifera: "a invasão do Iraque foi um acto de Banditismo, de puro terrorismo de Estado"

* "por vezes entro em conflito com as personagens. Há um momento em que elas adquirem vida própria (...) Quer a personagem goste ou não, basta-me tirar a caneta e fazer isto (gesto de pagar) e ela perde uma fala (...) quem tem a caneta dou eu"

* Pinter, pelo encenador dos "Artistas Unidos"

* "Apart from That" (2006)
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quinta-feira, dezembro 25, 2008

¿e afinal a 25 de Dezembro celebra-se exactamente o quê?

O fim da noite mais longa do ano e a entrada num novo equinócio. A primeira parte do documentário Zeitgeist relata a história da religião e os mitos em que se fundam estas "datas significativas" - junto com Osíris e Ísis, Horús é a segunda pessoa da santíssima Trindade, o deus Sol egípcio que todos os dias aparecia no Céu. Ele matou Seth, o deus das Trevas (a noite), o qual durante a luta lhe arrancou o olho esquerdo, o que simbolizava a Lua. Ainda hoje, mais de 3.500 anos depois, o Olho de Horús - que significa protecção e poder - é um dos mais poderosos simbolos de sempre. É usado nas quilhas dos barcos de pesca para afugentar o mau-olhado, como marca da maçonaria e como selo dos Estados Unidos da América. Em todos os casos, espera-se de todos os crentes que contribuam com ex-votos, um pequeno juro em sinal de devoção (em objectos, homens ou dinheiro) como acção de reconhecimento pelas graças recebidas.



Continua no episódio 2 - episódio 3 e episódio 4

quarta-feira, dezembro 24, 2008

um espírito de natal grego para todos vós

perante as prendinhas de natal que perduram anos a fio

A operação de titularização de créditos fiscais realizada em 2003 pela ministra Ferreira Leite continua a ter um impacto financeiro importante nas contas do Estado. Pior, o Estado pode ter de recomprar as dívidas fiscais que "vendeu" ao Citigroup e que entretanto se revelaram incobráveis ou inexistentes. 51,8 por cento dos créditos já foram substituidos (27,7 milhões de euros).
os portugueses como contribuintes líquidos
(ler aqui)
Com os agradecimentos do príncipe Alwaleed Bin Talal Alsaud, o célebre primo afastado de Bin Laden e maior accionista do Citigroup, a quem a revista Forbes atribuíu o título de quinto maior bilionário de 2003. Dos 4,9 por cento que detinha em 1990, com o reforço dos investimentos na economia de guerra pós 11 de Setembro o príncipe da Casa de Saud passou a deter 14,9 por cento das acções do Citigroup. Contudo, embora possa parecer, este não é um negócio das arábias, nem aqui há lugar para invejas dentro de preconceitos anti-semitas, uma vez que a restante propriedade do Citi é outra obra da série "esquema ponzi" dos mentores judeus sionistas - o banco beneficiou de 20 biliões em ajudas do Tesouro/FED em Novembro 2008 e de garantias extensíveis a 306 biliões de dólares
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terça-feira, dezembro 23, 2008

mudar o mundo

Lembro-me de quando éramos jovens, na década de 60, nós tínhamos um grande sentido do futuro. Uma grande, enorme, esperança. É isto o que os nossos jovens perderam hoje: a capacidade de sonhar e de mudar o mundo
Bernardo Bertolucci

Não tomar partido, negar a luta de classes, é pactuar com a barbárie dos mais fortes - com os que vêm ocupando (de forma criminosa) o aparelho do Estado repressivo cada vez menos sujeito ao controlo democrático. Enquanto a maioria não tem representantes, os lobies de interesses e os seus esbirros vêm destruindo, perante a passividade geral, qualquer futuro que aspire a uma ideia colectiva de organização dos povos

de Bertolucci, uma cena de "NoveCento" (1900) - Como combater o Comunismo:

segunda-feira, dezembro 22, 2008

vergonhas da humanidade e espírito natalício

Mais de duas centenas de milhar de Palestinianos reuniram-se a semana passada na faixa de Gaza para reiterar o seu apoio sem reservas ao Hamas, o único movimento político que a maioria da população aceita como representante do território – um dos mais flagelados do planeta que, cercado e devastado pela indústria militar de Israel durante quatro décadas, oferece hoje uma paisagem mais lunar que os grandes desertos. A culpa parece ser da Democracia, cujo conceito para efeito de invasão, ocupação e subjugação de outros povos para salvaguardar interesses próprios não admite que a vontade da maioria das vítimas conte. Visto pela lei dos criminosos parece-nos óbvio. E assim Israel continua a bombardear o desfeito ex-futuro Estado da Palestina reconhecido pela ONU em 1947; e Israel ainda exige às opiniões públicas, cujos contribuintes aqui no ocidente pagam ser saber a subsistência deste Estado Facínora, que se lhe reconheça legitimidade aos actos de agressão e assassínio.

Uma das mais horríveis consequências da guerra, é que toda a propaganda de guerra, toda a gritaria, mentiras e incitamentos ao ódio, provêm invariavelmente de pessoas que não estão a combater
George Orwell, Homenagem à Catalunha”, 1938

É necessário incorporarmo-nos no grande exército dos que fazem, deixando de lado essas pequenas patrulhas dos que sómente dizem
Ernesto “Che” Guevara, 1961

Muros*

o Muro de Berlim era notícia cada dia que passava. Desde manhã à noite líamos, víamos e escutávamos: “o Muro da Vergonha, o “Muro da Infâmia”, a “Cortina de Ferro”... Por fim, esse muro, que merecia cair, caiu. Porém outros muros brotaram, e continuam brotando, pelo mundo fora. E embora estes sejam hoje muito maiores que o de Berlim, deles se fala pouco ou nada.
Pouco se fala do Muro que os Estados Unidos vêm construindo na fronteira Mexicana e pouco se fala nas Cercas patrulhadas de Melilla e Ceuta.
Quase nada se fala do Muro da Cisjordânia, que perpetua a ocupação de terras palestinianas pelos colonos militarizados de Israel – muro que será quinze vezes mais comprido que o Muro de Berlim. E nada, nada de nada, se fala do Muro de Marrocos, que perpetua o roubo da pátria Saharaui pelo reino de Marrocos – e que mede sessenta vezes mais que o Muro de Berlim
¿Porque será que existem muros tão altisonantes e outros muros tão mudos?

* adaptado do livro “Espelhos” de Eduardo Galeano
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domingo, dezembro 21, 2008

"endividamento chega às compras do dia a dia"
estudo no jornal o Público

em apenas 20 anos o endividamento ao consumo aumentou de 18 por cento na década de 1980, mais ou menos a data de adesão à UE, para 130 por cento em 2008 - obviamente que a dívida paga juros, o que é um bom negócio para quem faz a gestão financeira da União Europeia

sábado, dezembro 20, 2008

Change (VII) Rahm, Blagojevich, Obama

Toda a gente tem gozado o prato à custa do governador do Illinois e do primeiro escândalo que envolve o presidente eleito Obama; talvez estes dois mereçam a galhofa. Por outro lado há algo de estranho nas circunstâncias que rodearam o caso Rod Blagojevich (Blago para os amigos); o FBI com as parangonas mediáticas sobre as virtudes da lei parece ter agido mais por pressões de politicos do que por qualquer outra coisa. Vejamos o que andava o governador do Illinois a fazer um dia antes de ser incriminado pela justiça? – o que a imprensa veiculou foi que traficava influências para vender o lugar deixado vago pelo senador Barack Obama – mas isso é uma vulgaridade, é o que toda a gente faz por pressões a partir das cúpulas dos partidos; e 1 milhão e meio de dólares é uma soma irrisória). E aí estão as escutas telefónicas onde foi apanhado Rham Emanuel, o braço direito do presidente eleito, para o provar (se quiserem,, e é claro que não querem). É assim que se pagam os favores a quem os financiou antes de serem eleitos: com a oferta de lugares a preço de saldo, contratos preferenciais e mordomias várias.
Segundo conta o relatório do Governo Federal o governador estava debaixo de investigação havia já três anos e foi indiciado a partir das escutas. Se a coisa é tão suja como têm andado a pintá-la, porque demoraram três anos para descobrir qualquer coisa contra ele? Recordemos os factos:
No dia 8 de Dezembro o governador Blagojevich anunciou que devido à gravidade da situação económica no Estado do Illinois ia deixar de fazer negócios com o Bank of America.
Dia 9 de Dezembro foi detido com base nas provas divulgadas após três anos de investigações. É um “timing” interessante: terá sido coincidência?
Há mais: desde quando foi a última vez que vimos um alto responsável tomar partido pelos trabalhadores e pelas pequenas empresas contra um grande banco multinacional? o FBI não teria dificuldade em descobrir; não teve, e fê-lo de um dia para o outro, aproveitando os dados recolhidos durante três anos. Eles sabiam antecipadamente que Blago estava a organizar uma campanha com o objectivo expresso de denunciar situações concretas:
a) os grandes Bancos estão a chocar os seus clientes com a falta da prestação de crédito, apesar das ajudas de biliões que têm estado a receber dos pagadores de impostos pela via do Estado.
b) os empregadores estão a despedir e a dispensar trabalhadores para férias forçadas sem qualquer aviso prévio, conforme é exigivel por lei.
Acontece que os escroques, tanto políticos sem escrúpulos quanto polícias que os podiam ter apanhado a qualquer momento, podem esperar o momento certo para actuar – quando estão entalados entre os agentes da Alta Finança e a luta da Classe Operária que desponta, e têm uma grande carga de trabalhos com uns e outros

sexta-feira, dezembro 19, 2008

happy hannukah mister Madoff

Hoje visto à distância pode-se dizer que a economia fraudulenta do tipo Enron, da falsificação descarada dos balanços dos resultados para inflacionar o valor em Bolsa das empresas, foi a que efectivamente elegeu W. Bush. De facto, a Enron foi até o maior contribuinte liquido para a campanha presidencial. Quando a bolha da chamada “Nova Economia” rebentou em 2000 o director da bolsa de New York que geria estes fundos no Nasdaq era
o judeu Bernard Madoff
. Como qualquer glutão que resiste ao melhor detergente, da actuação inicial do presidente Bush nada se poderia inferir que levasse ao entendimento que estávamos perante uma fraude. Excepto aqueles que entendem a natureza do capitalismo, que traz em si próprio a essência do crescimento exponencial – que acaba inevitavelmente, como se viria a constatar, por não se fundar em quaisquer bases materiais. Mas, um facto anormal, o 11 de Setembro, lavou de vez perante as grandes massas populares a possibilidade de entendimento desta génese primordial e, para maior barrela perante perigos fantasmagóricos, a compreensão da nova fase do capitalismo gangsterista.

os Mercados são os sítios onde se encontram produtores e comerciantes que vão trocar umas mercadorias por outras. Como medida de valor nas trocas usa-se a Moeda. É um sistema muito simples, que foi eficaz durante séculos. Neste tipo de economia isto funciona. Porém, quando se marginalizam as mercadorias (matéria-prima + trabalho acrescentado) e se começam a trocar moedas por moedas extraindo das transações lucros que não se baseiam nos valores reais, o sítio deixa de ser um Mercado para passar a ser um Casino de jogo. Daí até à batota e à emissão de dinheiro falso por batoteiros profissionais foi um pequeno passo.

De volta ao judeu da Bernard L. Madoff Investment Securities LLC (Tesoureiro do "American Jewish Congress") e ao esquema da pirâmide que culminou na perda de 50 biliões de dólares por parte dos jogadores do ranking médio alto, o caso nem sequer é surpreendente, atendendo que o sistema foi convertido em letra de lei. Outros fossem os tempos e Madoff seria mais um herói do capitalismo (contando com centenas de especuladores assalariados, enquanto enfunava as velas das instituições que lhe confiavam os fundos, Madoff tinha 28 funcionários apenas para lhe contabilizar as suas contas pessoais) – e os seus clientes subsidiários, Bancos de topo, Estados e grandes Multinacionais, aspiravam a atingir valores próximos do número de galáxias da esfera celeste. Nada disto nos pode já espantar. O que nos deve espantar, e por isso a certeza que estamos perante um colapso incontrolável, é o facto da calamidade atingir gente muito próxima da filosofia financeira-Sionista - a saber, as seguintes obras judaicas: o Fundo de Pensões da Mossad (o serviço de informações secretas de Israel) perdeu 900 milhões; o Citigroup e a General Electric não têm ainda capacidade para contabilizar os prejuízos; quatro importantes companhias seguradoras de Israel, a Harel com 40 milhões, a Technion com 25 milhões, a Clal com 12 milhões e a Phoenix com dezenas de milhões ainda não apurados; a “Chais Family Foundation” uma fundação californiana angariadora de fundos para as causas israelitas encerrou portas; próximo desta situação estão também a “Robert I. Lappin Charitable Foundation” e a “Gift of Life Foundation” que financiavam viagens de grupos de jovens para formação em Israel. O filantrópico mundo israelita foi também gravemente atingido através da "Phileona Foundation", daSyms School of Business” e da “Yeshiva University”, esta última instituição gerida pessoalmente pelo benemérito Madoff (cuja fotografia foi de imediato apagada do website). Fora da tribo, os danos em fundos depositados são conhecidos, a começar pelos bancos suíços Reichmuth & Co, 385 milhões, o Benedict Hentsch Fairfield Partners, 56 milhões, o Santander, o BES, etc, etc
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quinta-feira, dezembro 18, 2008

todos para a rua!

Grécia - um grupo de jovens interrompeu ontem o primeiro noticiário da tarde da cadeia de televisão pública NET quando discursava em directo o primeiro ministro que-já-havia-de-ter-sido-corrido Karamanlis. Os jovens apareceram nos pequenos ecrans de todo o país exibindo uma faixa com a inscrição:
"Deixem de estar aí a olhar e saiam para as ruas!"

A emissão foi reposta após alguns minutos com publicidade e um pedido de desculpas pelo inconveniente. Karamanlis também pedia desculpas pela "corrupção que tem vindo a grassar no país, situação que tem conduzido a algumas injustiças". Mesmo que o trapaceiro do "bloco central de interesses" tivesse alugado uma máscara de sinceridade, é tarde demais - ontem os ataques com "cocktlais molotov" contra as esquadras continuaram, quatro carros patrulha da policia e dois autocarros foram incendiados e houve quatro agentes feridos.



o futuro está na luta!

Outro grupo de 50 estudantes fez uma convocatória do alto da Acrópole para uma jornada de mobilização para hoje em 15 cidades da Grécia e a nível europeu, quando se cumprem 13 dias de protestos. Em Atenas haverá também hoje uma jornada de luta contra o racismo do novo pacto europeu de Imigração. (a polícia tem criminalizado os estrangeiros envolvidos nas manifestações). Outro grupo de 70 activistas ocupou o GSEE o principal sindicato grego, por esta organização não denunciar as medidas neoliberais dos governos dos últimos trinta anos.
Evangelos Antonaros, o porta voz do governo, lamentou que "os protestos estejam a prejudicar os esforços para reduzir a dívida pública" (como se fossem os operários e estudantes que tivessem construido a dívida da oligarquia), além de se estar a passar "uma má imagem do país para o exterior" - lá como cá, a conversa não muda,,
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quarta-feira, dezembro 17, 2008

capital (ex)Terminator

Avé governador do Banco Central que não te cobram juros de graça, a Reserva Federal esteja convosco, abençoado seja o Judeu Emissor, bendito sois vós entre os Credores e o fruto do vosso ventre saido das impressoras, santinha de Wall Street rogai por nós Consumidores, santificadas sejam as ajudas do Estado, agora que estamos falidos e na hora da morte dos Accionistas, amén.

À saída da missa Arnold Schwarzenegger avisou que o Estado da Califórnia está praticamente falido. (Pudera!, com a vidinha que levam!). O governador declarou uma situação de emergência fiscal e convocou os deputados para uma sessão extraordinária com a finalidade de expôr a questão do défice do Estado que atinge U$ 11 biliões de dólares. Os compromissos obrigacionistas expectáveis atingirão U$28 biliões nos próximos 18 meses, se entretanto não forem tomadas decisões drásticas. A declaração de emergência deveria autorizar o governador e os representantes a mudar o orçamento existente nos próximos 45 dias. (atendendo à data da reunião, o prazo acaba a 15 de Janeiro) Se nada ficar decidido rapidamente a California poderá declarar insolvência e a incapacidade de cumprir pagamentos já no próximo mês de Fevereiro. (fonte)
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para os adeptos da fusão da mente com a tecnologia

a Internet no futuro será o meio mais eficaz de luta politica. Com um pequeno esforço informático conseguiremos acertar no alvo. Ora toma



terça-feira, dezembro 16, 2008

Take Off Your Shoes América

Na cultura árabe o acto é considerado o supremo insulto que se pode fazer a alguém - tradução do que disse o jornalista que arremessou os sapatos ao Bush:
Isto é um beijo de despedida para ti cão! vem da parte das viúvas e dos órfãos de todos os que mataste no Iraque

Diz-se que foi a única coisa que Bush conseguiu fazer bem até agora: evitou levar com dois sapatos no focinho, e mesmo assim precisou da ajuda da mão do fantoche al-Maliki. Muitas pessoas ao redor do mundo gostariam de ter feito o mesmo, embora se presuma que Muntader Al-Zaidi, 28 anos jornalista da Al-Baghdadia TV, esteja agora descalço. Porém, já era um herói, e irá decerto contribuir para relançar a luta contra os invasores e suas marionetas. Milhares de populares têm-se manifestado pela sua libertação imediata. O presidente eleito Barack Obama deveria fazer deste homem cidadão honorário norte americano, porque Bush também tem vindo a provocar um rol imenso de órfãos e viúvas nos Estados Unidos. Se este prosseguir a mesma política, fica uma exortação aos americanos: tirem os sapatos!
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segunda-feira, dezembro 15, 2008

os Direitos Humanos (II)

A convite da Fundação José Saramago esteve na Casa do Alentejo, em Lisboa, o juiz Baltazar Garzòn. Descreveu prolongadamente o seu envolvimento no caso Pinochet como referência dos crimes contra a humanidade, os quais não podem prescrever nunca; e no reconhecimento de uma lei anti-crime internacional ao abrigo da qual se fundamentou pela primeira vez no ocidente a detenção de um facínora político; no entanto o processo foi tão lento, e tão burocraticamente protegido pelo conivente governo britânico, que o criminoso ditador acabaria por morrer tranquilamente numa caminha no doce reduto do lar.

O juiz Garzòn demora-se em detalhes sobre a sua visita à Argentina, no caso similar da ditadura dos coronéis de Videla, onde os familiares dos desaparecidos se manifestaram durante anos pela praça de Maio em Buenos Aires – às tantas chamavam-lhe em vez de mães, “as loucas da praça de Maio”. Pensa que se pode fazer a recuperação dos crimes para julgamento em justiça e visita a Escola Militar e outros quartéis que serviram de locais de tortura por todo o país.
É certo, como frisou, que "não podemos viver sempre de olhos postos no passado, é preciso olhar o futuro" (julgar os mortos para branquear e abrir caminho aos vivos, e quando estivermos todos mortos far-se-á então justiça): os interesses económicos nacionais e de empresas privadas multinacionais não se poderiam sobrepor aos Direitos Universais, porém sobrepôem-se - a miséria tem responsáveis directos, porém ninguém é indiciado. Sem dúvida, a existência de mil milhões de pessoas no mundo em situação de pobreza extrema é um crime de genocídio para cuja solução não basta recitar o texto dos Direitos Humanos.
Há o caso dos vôos da CIA ao abrigo da ilegalidade de uma “lei preventiva” que cria um vazio jurídico a partir do qual se podem cometer toda a espécie de arbitrariedades, da libertação dos 257 presos políticos de Guantanamo e do difícil caminho que agora se inicia no encalço dos autores de crimes de guerra – existem pedidos de investigação judiciais a decorrer - sim, há culpados por crimes de genocídio contra a humanidade, mormente no Iraque, situação que se pretende perpetuar no Afeganistão com a transicção e reposicionamento da administração Obama.

Baltazar Garzòn fala da Lei de Memória Histórica criada em Espanha, criticada à direita e à esquerda. Disse que é preciso honrar a memória das vitimas e ressarcir materialmente os sobreviventes - o Estado deve homenagens a Garcia Lorca e aos dois milhões de pessoas que Francisco Franco assassinou – é preciso fazer mais que expurgar os espaços públicos de meras tabuletas de referência ao fascismo. Embora a memória da relações de amizade entre os regimes de Salazar e Franco esteja bem presente,

, longe de tudo isto estamos nós portugueses. A herança fascista tem chegado sempre com êxito aos mais altos cargos de Estado e por fim até temos como corolário um presidente da república que se aconselha com quem comete ilegalidades financeiras. A páginas tantas, temos também Marcelo Rebelo de Sousa, um bem falante interlocutor cuja família politica transitou directamente do criminoso regime anterior de Marcelo Caetano (sim, existiam presos políticos e houve vítimas) que agora se camaleonizou no mais importante comentador político a cargo da televisão do Estado.

O homem, um derrotado que nunca ganhou qualquer cargo por mérito político próprio, perfila-se a tenças do marketing televisivo (de quem aparece a cara no pequeno écran é trigo limpo), como próximo candidato presidencial e ninguém sequer acha nada de anormal na hipótese.
Pelo contrário, na irresponsável e doce pasmaceira nacional, e porque o figurão aniversariou, até o elogiam com duas páginas inteirinhas de um jornal de referência. Chegámos ao deserto
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domingo, dezembro 14, 2008

Sou pastor, das estrelas
como se tivesse a meu cargo
apascentar
todos os astros fixos e planetas

As estrelas que na noite são o símbolo
dos fogos do amor
incendiados no nevoeiro da minha mente

Parece que sou o guarda
deste jardim verde escuro
do firmamento
cujas ervas mais crescidas
estão bordadas de narcisos

se Ptolomeu vivesse
reconheceria que sou
o mais douto dos homens
ao espiar o curso dos astros

Fragmento de "El Collar de la Paloma"
Ibn Hazm (994 - 1064)
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sábado, dezembro 13, 2008

o 11 de Setembro da Catalunya

sinopse da história:

Com a morte de Carlos II a casa de Áustria não deixa descendentes directos, o que levará os monárquicos europeus a tomar partido entre os possíveis sucessores. A França defendia Filipe d`Anjou, neto de Luis XIV o Rei Sol e bisneto de Filipe IV, como candidato à Coroa de Castela. Enquanto toda a restante Europa defendia o arquiduque Carlos da Casa dos Habsburgos, afilhado do último rei e filho do imperador germânico. Carlos era o pretendente reconhecido maioritariamente para a coroa dos reinos da Catalunha e Aragão (que incluia Maiorca, a Sardenha, Córsega, Sicilia e Nápoles); e em 1705 foi proclamado rei de Barcelona pelas instituições catalãs.

Na sequência da Guerra dos 9 Anos, assim irá começar a Guerra da Sucessão em Espanha, em que tropas inglesas e austríacas lutaram contra tropas francesas e castelhanas, ajudados pelos partidários respectivos de cada candidato.
Os aliados, a Grande Aliança de Haia, pretendiam evitar que a casa dos Bourbons, que reinava em França e finalmente em Espanha a partir de 1700, adquirissem a hegemonia em todo o continente em detrimento dos países que se haviam aliado para o evitar: a Catalunya junta com os países da Coroa de Aragão (uma união com raízes no século XIV), a Inglaterra (os catalães com origem austríaca tinham assinado o pacto de Génova no ano de 1705 que reconhecia Carlos III de Habsburgo como Rei), a Holanda, parte da Itália e Alemanha e por fim, para desequilibrar, os paises do Império Austro Húngaro.

O primeiro acto da guerra começa em 1691 com a chegada da frota francesa e o bombardeamento da cidade por mar. 850 bombas lançadas em dois dias causam grandes prejuizos no casario. As tropas filipinas irão avançar e retroceder nesta grande contenda internacional. A frota francesa retira-se para ir atacar Alicante. Até que por fim, em 1697, é enviado o melhor da armada do rei de França comandada pelo conde d`Estrées (14 naus, 30 galeras, 3 bombardeiros e 80 embarcações menores) e o exército de infantaria do duque de Vendôme chega por terra com 18 mil homens e 6 mil cavalos iniciando o cerco da cidade, apostados em utilizar as últimas inovações em artilharia. A 14 de Setembro de 1705 o príncipe Jordi de Hessen- Darmstat, representante da coroa de Aragão nomeado pelo arquiduque Carlos III, morre ao tentar tomar o castelo do Monte dos Judeus (Montjuic), convertendo-se assim no primeiro mártir da história da Catalunya independente. Uma importante força de destruição desembarcou e continuou frente a Barcelona: 56 canhões e muitas outras peças de morteiro reforçados com tropas sob o comando do duque de Berwick, um avoengo da casa da familia Churchill.
A guerra irá sofrer uma reviravolta quando fica vazio o trono austríaco de que era herdeiro o arquiduque Carlos. A Inglaterra retira-se da guerra e a Catalunya irá ficar sózinha na defesa do arquiduque, abandonada à sua própria sorte. A partir de Julho de 1713, durante o ano que durou o cerco total foram disparadas 50 mil balas de canhão, 20 mil bombas e efectuados 100 mil tiros de artilharia. 88 casas do então reduzido centro histórico foram totalmente destruidas e todas as outras sofreram danos parciais.

Após um ano de cerco, a 11 de Setembro de 1714, a cidade de Barcelona, que era defendida pelas milícias barcelonesas (a Coronela) sob o comando do capitão dos conselhos populares Rafael Casanova, sucumbiu às mãos das tropas de Felipe IV. Durante a batalha Rafael Casanova é ferido mortalmente; (e ainda hoje no monumento em sua honra no junto à Igreja de St. Maria del Mar arde ininterruptamente uma chama em sua memória e diariamente os populares ali depositam flores). 90 mil soldados do exército da casa dos Bourbon ocupam a provincia. Os catalães irão sofrer uma duríssima repressão. Perante a incredulidade dos cidadãos a inexorável lógica militar decide mandar revogar os títulos de propriedade e demolir todas as casas já se si muito danificadas no núcleo antigo da cidade, o bairro del Born, (onde se situa hoje o parque da Ciutadella), e construir ali uma grande fortaleza para aquartelar as forças invasoras.

Mais de 1000 casas e todo aquele sector de malha urbana de 200 hectares, antigamente muito próspero onde habitavam 40 mil pessoas, foi eliminado. Não há um paralelo comparável de destruição em toda a história europeia. O rei Filipe V, o primeiro da dinastia bourbónica irá suprimir a Constituição e as instituições democráticas catalãs de governo – como havia feito em Aragão e Valência – em 1716 promulga o decreto da Nova Planta, pelos qual os paises pertencente à coroa de Aragão eram desmembrados e submetidos à total dependência e organização política unitarista centralizada em Madrid. Vão desaparecer as Cortes Catalãs, a Generalitat e o Conselho dos Cem, os orgãos dos barceloneses que regiam o direito público catalão com direito participativos dos cidadãos que radicavam na tradição democrática adquirida a partir das Cortes de Tortosa em 1225. Todas as vias públicas foram renomeadas pelo rei de Espanha; e foi designado um capitão- general com autoridade máxima da Real Audiência para administrar justiça. Também irão ser suprimidas as Universidades de Barcelona e Leida, sendo criada outra de cariz filipino, a de Cervera. O castelhano é proclamado o idioma oficial único, e a língua catalã é banida, proibida por decreto. Assim será, e a Catalunya entra num lento processo de decadência cultural, até 1833 quando o Estado Espanhol será obrigado a reconhecer a provincia como entidade territorialmente unificada.

Durante a revolução, em 1869 o povo organizou-se e tomou nas suas próprias mãos a tarefa de demolição do quartel da Ciutadella, cujos terrenos livres (do antigo bairro del Born cujas ruinas arqueológicas recuperadas em parte se preservam hoje sob o coberto metálico do antigo mercado) dariam depois origem ao jardim que tem o mesmo nome. A partir do século XVIII os catalães embarcam na grande epopeia da colonização do Novo Mundo, que de um modo geral enriquece (a burguesia) do território. Gaspar de Portolà i Rovira, cuja estátua se situa hoje no alto do castelo sobre o porto, será o primeiro governador espanhol da Califórnia e a familia Guell, que enriqueceu com o negócio escravo das plantações de açúcar em Cuba, já no século XX encomenda a Antoni Gaudi o famoso parque que tem o seu nome e numerosas outras obras que hoje são ícones turisticos da cidade. Porém nenhuma destas novas memórias construidas e alimentadas com a exploração imperialista selvagem de outros povos, faz esquecer as velhas memórias das selvagerias antigas – Esta breve história aqui relatada é só para que se compreenda porque se queimam ainda hoje bandeiras espanholas e retratos do rei designado pelo ditador fascista Franco, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, na Diada, o Dia Nacional da Catalunya a 11 de Setembro, e se compreenda o sentimento de independência que está ali mais vivo que nunca,

sexta-feira, dezembro 12, 2008

a CIA vírgula, o ministro Amado e os Direitos Humanos

Portugal, disse o ministro, está disposto a acolher os prisioneiros do campo Gitmo X-Ray em Guantanamo, "mas apenas aqueles que não são alvos de acusações" Fez bem, ou como bom moço de fretes remunerado conforme a subtileza da jorna, foi obrigado a fazê-lo, conforme anunciava um destes dias a Newsweek: "detainees are cleared for release, but the Bush administration has not been to find a country willing to take them" - e o governo português achou que temos o clima ideal para esconder os objectos descartáveis dos crimes dos outros. O ministro dos negócios estrangeiros com os neocons dá assim o aval do Estado português às ilegalidades cometidas sobre inocentes que agora pretende libertar, à imagem de Bush saindo pela porta das traseiras, sem grandes broncas : a prisão indiscriminada de pessoas, o seu rapto e transporte para prisões secretas e campos de concentração, a detenção dos prisioneiros sem culpa formada e a submissão destes à prática de técnicas de tortura aprovadas em tempo pela secretaria de Estado norte americana - de notar que a administração Obama pretende manter os dois responsáveis por estas "legislações" e práticas: Michael Hayden, o director da CIA e Mike McConnell director da National Intelligence

Observando uma das raras fotografias piratas que saem cá para fora dos aviões da CIA, será o ministro capaz de nos explicar porque tapa o guarda- prisional- militar norte americano a cara no momento em que se capta a imagem? - pois se é tudo legal! e se ninguém deve prestar contas, porque o fará? - com esta proposta de colaboração o ministro português (para mal dos nossos pecados) passa em definitivo à categoria de artista, uma matéria prima escassa; e, como Portugal tem um problema de gestão com a representação à Bienal de Arte de Veneza, porque não propomos para curador do evento o Dr. Durão Barroso (PSD) e enviamos a pessoa do dr. Luis Amado (PS) agregado ao conteúdo humano intacto de um destes aviões para exposição escultórica in vivo?
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quinta-feira, dezembro 11, 2008

Andreas Grigoropoulos 1993-2008

"eu vos digo, é preciso sentir o caos dentro de si, para dar luz a uma estrela dançarina"
Nietzsche
um jovem adolescente, cidadão europeu, é assassinado a sangue frio por dois policias numa rua de um subúrbio de Atenas. Passado dias o depoimento que o criminoso fardado Epaminondas Korkoneas apresenta em sua defesa é o seguinte:
“Vimos um grupo de cerca de 30 jovens à distância de 10 ou 15 metros de nós, não fomos capazes de interceptar o seu movimento agressivo em nossa direcção e ficámos amedrontados temendo pelas nossas próprias vidas; então voltámo-nos de costas para eles. Ao mesmo tempo, a fim de assegurar que seríamos bem sucedidos em assegurar a nossa fuga, em estado de choque e vendo que a turba não parava de avançar para nós, apesar de o meu colega lhes ter arremessado uma granada de alarme, puxei da minha arma e guiado pelo instinto de sobrevivência disparei dois tiros de aviso para o ar, talvez um terceiro tiro, sem ter dado por isso, conforme me lembrou o meu colega mais tarde” - o seu advogado, Alexis Kougias (um nome a recordar) comentou para as televisões a seguir a ter entregue o documento: “A partir de agora estará nas mãos da justiça da Grécia decidir se o jovem foi morto por justa causa ou não” (fonte)

A partir de um primeiro andar contíguo à zona onde o crime foi cometido alguém estupefacto filmou a cena em vídeo. Não há vestígio de qualquer ajuntamento de pessoas. Apenas um carro da policia que pára numa rua semi deserta, percebem-se alguns, poucos, transeuntes e o som dos disparos na noite. Uma testemunha conta o que viu: “Vi o carro patrulha virar a esquina no cruzamento e seguir, mas um minuto mais tarde os dois condutores voltaram atrás. Vinham os dois armados e dispararam sobre o miúdo sem qualquer razão – P: Você viu se eles fizeram pontaria? – R: Sim, eles apontaram as armas – P: não dispararam para o ar tiros de intimidação? – R: Não, eles atiraram sobre os miúdos que estavam ali. P: Eles não viram o jovem cair morto? R: Sim, alguém gritou que o miúdo estava ferido, mas eles viraram as costas e foram-se embora”

cabe ao governo da Nova Democracia de Kostas Karamanlis, e aos homólogos da oposição "socialista" que alternam com os neocons, explicar que espécie de cães de guarda têm eles andado a fabricar, treinar e a armar durante os 30 anos que levam de governo. Para já a resposta vem sob a forma da terrivel onda de repressão que se tem abatido sobre os protestos populares, que já causou outra morte. Neste simulacro de Lei e Ordem, como antes no regime nazi, as vítimas são sempre culpadas

* A falta de empregos - fundamentalmente entre a juventude - e os inúmeros escândalos políticos de corrupção (de onde nunca saem culpados) contribuem para lançar mais gasolina na fogueira.
O desemprego entre os jovens de 20 a 25 anos no ano passado foi de 22,9%, o pior nível de toda a União Europeia.
ver: as origens do capitalismo grego

* o Movimento da Esquerda Anticapitalista Unida

* a IV Internacional e o rastilho para a Revolução Social na Europa

* aquilo que a imprensa não conta: O caixão branco com os restos mortais de "Alexis" desaparece das imagens dos reporteres ao fim de segundos; as imagens seguintes continuaram a ser as dos distúrbios e os enfrentamentos levados a cabo pela policia de choque
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quarta-feira, dezembro 10, 2008

no aniversário da carta dos Direitos Humanos

os Clintons e o modelo WalMart

No dia em que foi conhecida a nomeação de Hillary Clinton para secretária de Estado (de facto com acordo de partilha concertado à muito) as acções da WalMart subiram 3,6 por cento, apesar do forte clima de desvalorizações em bolsa da generalidade das acções nos mercados.
(outra empresa beneficiária das nomeações de Obama foi o Citigroup, do qual de repente se deixou de ouvir falar de crise, mal se soube que o judeu Robert Rubin, membro do CFR, ex-ceo da Goldman Sachs, ex-secretário de Estado do Tesouro de Bill Clinton, que entretanto exerceu o cargo de administrador do Citigroup de onde recebeu 50 milhões de dólares, seria nomeado como conselheiro económico do novo Presidente para coordenar os seus 4 discípulos: Timothy F. Geithner, Peter R.Orszag, Lawrence E. Summers e Jason Furnan – mais uma autêntica festa de casamento de judeus no Tesouro americano)

Concertado com a tomada de posse de uma nova administração da WalMart em Janeiro de 2009, coincidindo com a investidura de Obama, toma também posse como ceo da empresa, Mike Duke um judeu nascido na Geórgia, que desenvolverá a multinacional para um novo salto em frente que prevê alargar o conceito de “supercentro” trazendo as lojas para os grandes aglomerados populacionais (até aqui com preços de terrenos proibitivos) e criando novas formas de pagamento desenvolvidas em parceria com a Verizon (foi a Wal-Mart quem primeiro desenvolveu e vulgarizou o uso dos cartões Visa)

A Wal-Mart é a maior empresa retalhista do mundo e isso não acontece por acaso. Hillary Clinton foi nos anos 80 uma das suas primeiras responsáveis no projecto criado pelo judeu Samuel Watson no Arkansas*. Na medida em que a empresa cresceu,,, cresceu também a capacidade económica de colocar o jovem advogado, esposo de Hillary, na governação do Estado do Arkansas*; e por fim na presidência dos EUA na década de 90.
Quando em Maio de 2008 aconteceu o terrível terramoto na província de Sichuan, a Wal-Mart aprovou e canalizou de imediato donativos no valor de 3 milhões de dólares. Esta rápida resposta fica a dever-se à estratégia da empresa, que sabe ser a China uma peça vital na sustentação do sistema que fez eclipsar o proletariado da vista das sociedades ocidentais. E, devido à crise, só nos últimos meses fecharam 7000 empresas chinesas por falta de encomendas, na zona especial da província de Guangdong (a mítica Cantão), o centro económico financeiro estatal que controla o comércio com o exterior e administra a grande maioria das exportações.

A Fundação William J. Clinton foi criada em 1997 para providenciar fundos para a “biblioteca com o espólio do presidente” em Little Rock no Estado de Arkansas*. Mas a partir de 2001, a organização expandiu-se sob o chapéu de chuva das iniciativas sem fins lucrativos e desde então tem gerido centenas de milhões de dólares. (até o "nosso" Dias Loureiro lá molhou a sopa, não sabemos se para tirar, se para pôr a prazo) No último ano de que há dados disponíveis, em 2005, as doações foram de 80 milhões de dólares (apenas naquele ano), para fins tão diversos como a luta contra a sida, desenvolvimento de países ou para o combate às alterações climáticas. Embora estas verbas tenham destinos tão altruístas o ex-presidente recusa-se a dar informação sobre as entidades ou indivíduos que fazem tão generosas ofertas. Mas algumas averiguações têm permitido determinar quem tem tanta capacidade para olear por um período tão longo a formidável máquina de fazer dinheiro dos Clintons. Até porque alguns desses indivíduos são os mesmos patrocinadores que ofereceram graúdas contribuições para a campanha presidencial de Hillary Clinton.

1. Parece ser inquestionável que os Clintons têm laços estreitos com os investidores árabes cujo centro moderno é hoje no Dubai – Clinton é conselheiro especial de uma companhia de investimentos do multibilionário Ron Burckle, a Yucaipa, que maneja subsidiárias que gerem fundos árabes em grande parte investidos na China. E Clinton recebe grandes dividendos desses fundos de investimento, muitos deles disfarçados de pagamento por conferências, pagas a meio milhão de dólares por cada uma. Os Emiratos registam também uma grande contribuição para a “biblioteca do presidente” – e a biblioteca gere cursos de formação para jovens estudantes das nações árabes alinhadas com a oligarquia do petróleo. Foi sobre este caso que a administração Obama exigiu uma declaração de (des)interesses antes de nomear Hillary.
2. Outra velha desconfiança sobre a ascenção dos Clintons é que recebem dinheiro da China, uma questão que nos leva de novo às raízes do negócio da Wal-Mart. No entanto as ligações são mais graves que essas - basta comparar o mapa das decisões de Bill Clinton respeitantes à China durante a sua administração e as contribuições de muitos milhões para o Partido Democrata durante a Presidência do investidor sino-americano Johnny Chung e de Bernard Schwartz, chairman da Loral Space & Communications, e depois que o mandato terminou doados à Fundação – Clinton é um confesso defensor do Governo Mundial em gestação e os segredos militares não escapam à lógica comercial - tal como as mercadorias da Wal-Mart, são para partilhar

* relacionado: "The Walton Family Foundation"
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