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sábado, março 28, 2009

o programa Rex 84

Com construção programada pela administração Bush existem actualmente prontinhos a ser utilizados mais de 800 campos de concentração nos Estados Unidos (ver pistas para localização aqui, ou procurando FEMA-programa Rex 84). Não é ficção, estão equipados para receber os presos tanto os de Guantanamo (que Obama prometeu encerrar num ano), como de prisões satélites em territórios anexados pela “guerra contra o dito terrorismo global". O negócio tem duas vertentes, a do complexo industrial-militar que mantém a soldadesca, sargentos, generais e administradores ocupados com soldos desafogados (digamos assim, se comparados com os salários civis precários pagos pela “gestão da crise”) e as organizações privadas que gerem as instalações de encarceramento e segurança. Nunca sonhou Michel Foucault ao teorizar o panóptico de “Vigiar e Punir” (1975) que a punição e a vigilância, poderes destinados a adestrar as pessoas para que cumpram normas, leis e comportamentos de acordo com a vontade da Oligarquia que detém o poder, pudesse atingir o actual estado de anormalidade seis décadas depois de Hitler.
















Sabemos pela empresa construtora a quem foi adjudicada a construção desses 800 novos campos penitenciários, a incontornável multinacional Halliburton, que alguns campos dispõem de tecnologia sofisticada, como aliás Pierre Lévy e Howard Rheingold, previram e designaram o sistema de controle exercido pelos novos meios de informação sobre os seus usuários, presos de facto, ou com a ilusão que estão livres. Tal como em Oswiecim (hoje museu Sionista de Auschwitz) os campos de concentração têm acesso por linhas de caminho ferro e ligações por estradas directas a aeroportos e centros de detenção provisórios. Alguns têm edifícios herméticos e não sabemos se têm também fornos crematórios. Cada região coberta por estas instalações pode albergar uma população de cerca de 20 mil pessoas. E a maior delas situa-se em Fairbanks no Alaska, especificamente destinada a casos de “saúde mental”, a qual pode "armazenar" aproximadamente 2 milhões de pessoas

* adenda, sugerida pelo comentário de Ricardo Nunes:

A legislação que se começou a desenhar há cerca de 30 anos por iniciativa da clique neoliberal na fase final da guerra fria, com pretensões ao controlo global, era uma previsão para responder a estados de emergência por catástrofes naturais ou de guerra. Tais leis nunca foram suspensas, pelo que basta uma assinatura presidencial para as reactivar. Esses decretos, entre outras consequências, autorizam o governo para:
- assumir o controlo de todos os meios de transporte, auto-estradas e portos lacustres, fluviais e marítimos; incluindo veículos e navios.
- censurar a imprensa
- controlar as fontes e distribuidoras de energia
- expropriar a produção e distribuição de alimentos, incluindo quintas familiares.
- mobilizar a população civil e organizar brigadas de trabalho.
- assumir o controlo dos centros de saúde, escolas e centros sociais
- instaurar um sistema único de identificação nacional
- expropriar aeronaves, incluindo as estranjeiras e as operações aeroportuárias
- ordenar o abandono de áreas pré determinadas e realojar comunidades.
Posto o plano de emergência em marcha pela agência federal designada, o Congresso não terá conhecimento nem controlo sobre as ordens do executivo por um período de tempo de 6 meses. (fonte)
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