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domingo, julho 12, 2009

o jornalista da Manchúria

É pouco higiénico seguir o prolixo director do jornal da Sonae no Twitter logo pela manhãzinha, porém de vez em quando sabe bem não lavar a ramela e mergulhar directo da cama para a imensidão do mar da desinformação. Olha o prazer do que se aprende:








Como boa explicação para os acontecimentos por detrás da violência em Xinjiang na China, a ligação remete-nos para um artigo de um membro da Human Rights Watch no New York Times, onde se explica que o povo Uigur, muito como o outro caso do povo do Tibete, tem uma cultura, uma história, religião e linguagem distintas do resto da China. Efectivamente “a colonização” efectiva de Xinjiang apenas começou em 1950 quando Pequim na sequência da Revolução comunista "ali instalou" o Exército de Libertação do Povo pondo fim à efémera "República do Turquestão Oriental", uma criação autocrática da burguesia local (feita à imagem da Manchúria ocupada pelos japoneses) no fim da IIGGuerra entre 1944-1949. Certo. Agora vamos ao que o funcionário JMF não quer explicar.

É por isso mesmo que Xinjiang (que em lingua chinesa significa “Nova Fronteira" designação atribuida pela dinastia Qing desde 1644) adquiriu agora o estatuto de Província Autónoma integrada na Republica dos Povos (Popular) da China (RPC). E apesar da etnia maioritária dos Han atingir apenas os 40 por cento da população, esta região continua a ser a de menor densidade populacional da China. E, em meio século os Uigures passaram de uma sociedade medieval das economicamente mais atrasadas regiões do mundo para o mesmo nível de desenvolvimento que conhecem actualmente todas as restantes etnias integradas por vontade soberana dos povos na República Popular da China.
Na última década começaram a surgir campanhas de desestabilização em Xinjiang reinvindicando a independência dos Uigures. Mas os actos de violência perpetrados na região, como é lógico segundo a doutrina da “guerra das religiões” e porque os autores são de religião muçulmana, têm sido integrados na “guerra global contra o terrorismo”.
Após o 11 de Setembro, como em inúmeros outros lados, os terroristas uigures têm sido presos, acusados e deportados, como no caso de Abdulghappar Turkistani que é um dos 17 muçulmanos chineses presos em Guantanamo durante 6 anos.

"Terrorismo" - um pau de dois bicos

Mas há uma outra face (como no Tibete) - a burguesia Uigur exilada de livre vontade na diáspora - cujo rosto é Rebiya Kadeer que segundo propangandeia o próprio jornal Público é uma antiga empresária de sucesso. “A líder da luta Uigur”, expressão usada na terminologia neocon é a fundadora do Congresso Mundial Uigur (WUC) que tem séde na Alemanha e, claro está, Rebiya Kadeer encontrou-se com Bush na Casa Branca em Julho de 2008 e a campanha de desestabilização e agitação tem vindo a crescer desde aí até descambar nos recentes sangrentos acontecimentos. Claro também que, perante as acusações do presidente Hu Jintao, a WUC nega qualquer envolvimento nos confrontos étnicos integrados no lunático plano de desmembramento da China com a finalidade de obter um regresso improvável à antiga (de)ordem tribal mongol que permita a exploração comercial da região em termos modernos pela oligarquia ocidental

a implantação centro-asiática étnica Uigur, que ultrapassa as fronteiras chinesas, é um dos factores que motivaram a China a prestar atenção ao projecto de interacção com a Rússia que agora emerge na forma da Organização de Cooperação de Shangai (OCS)

notas à margem:

* Voltando ao redil: "os EUA querem sacar Manuel Zelaya da órbita de Hugo Chávez"
* O Presidente interino das Honduras, Roberto Micheletti, sugeriu que o novo regime, não reconhecido internacionalmente, poderá conceder uma amnistia ao deposto Manuel Zelaya – forçado a abandonar o país, de pijama, sob a ameaça dos militares – se este "se entregar voluntariamente à Justiça"
* "Uma guerra colonial de conquista no Afeganistão"
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