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quarta-feira, outubro 14, 2009

O fim da dominação ocidental

¿Porque permaneceu a China imune à crise económica global?

“Luan” a palavra chinesa para “Caos”, é o termo mais temível pelos cidadãos desse país. Depois de 150 anos de guerras civis, revoluções, rebeliões, actos de depredação por parte de potências estrangeiras, grandes fomes e massacres, não há nada mais importante para eles que a ordem e a estabilidade de propósitos. Em nenhum outro lugar a planificação económica joga portanto um papel tão importante.

“O governo chinês apresentou 52 dos mais avançados sistemas bélicos do mundo neste 1º de Outubro em Pequim. Mísseis de cruzeiro de longo alcance para ataques de precisão; foguetões nucleares balísticos; aviões de reconhecimento electrónico de largo e médio alcance (AWACS); aviões de combate J-10; helicópteros; radares equipamentos para a guerra cibernética, tanques de forças especiais. Tudo made in China. Um punho militar erguido que enviou uma mensagem clara ao Pentágono e à Casa Branca: alcançámos um poderio militar defensivo suficiente para os enfrentarmos na guerra convencional, na irregular, na estratégica e na da comunicação, e em qualquer teatro de guerra na Eurásia. A China será capaz inclusivamente de destruir os porta-aviões dos Estados Unidos.



O motivo para essa manifestação de poderio bélico não foi uma mera demons- tração de força, mas a optimização propagan- dística do 60ª aniversário da fundação da República Popular da China por Mao Tsé Tung. Como tal integra-se numa bem pensada estratégia de medidas mediáticas que nos últimos anos tem estabelecido a imagem da China como a de uma superpotência comedida, que participa responsavelmente na solução dos grandes problemas da sociedade global, desde a crise económica global, passando pela destruição climática e ecológica, até aos conflitos no campo nuclear (com a Coreia do Norte e o Irão)
Os enormes êxitos mediáticos da ascenção chinesa ao estatuto de superpotência do sistema-mundo, começaram com os espectaculares Jogos Olímpicos de 2008, continuaram com a celebração da fundação nacional e prosseguirão com a Expo-Mundial 2010 em Xangai. Sem dúvida, ainda que o manejar público desses eventos tenha sido muito inteligente, a base real da nova imagem da China no mundo são os seus saltos qualitativos nos campos da economia, no progresso social, científico e político.

A China, cujo rendimento médio per capita foi de 51 dólares em inícios dos anos 50, conseguiu agora superar o PIB da Alemanha e superará provavel- mente o do Japão no ano em curso, para se converter na segunda maior economia do globo. Pese que a sua população tivesse crescido de 540 milhões de pessoas em 1952 para 1,3 mil milhões, o PIB per capita alcança hoje em dia 2.800 dólares, chegando nas grandes cidades a aproximadamente 7.000 dólares/ano. A esperança média de vida duplicou (36,5 para 73,4 anos), a pobreza foi reduzida em centenas de milhões de pessoas e a mortalidade infantil (por 100.000 habitantes) descresceu de 1.500 para 34,2. (A condição da mulher conheceu progressos extraordinários). Foram laboratórios chineses que produziram as primeiras vacinas para o virus da gripe A H1N1, antes de qualquer corporação ocidental; (A China atingiu o ano passado 38% da produção bruta mundial de aço) e foi a China o primeiro país que superou a crise económica mundial, crescendo este ano entre 8 a 9 por cento e reduzindo o desemprego com recontratações massivas de trabalhadores. Daí que não surpreenda que um estudo estatístico da Universidade de Maryland em conjunto com a BBC mostre que 88 por cento dos cidadãos chineses estão de acordo com as acções do seu governo tomadas contra a crise, por comparação, por exemplo, com a dos brasileiros cuja taxa de aprovação é de 59%.

Perante este panorama de poder internacional as incessantes intenções da CIA de gerar conflitos através dos problemas de Xinjiang e Tibet, mais não são que acções pueris de pós-Guerra Fria. Não terão êxito. Se o Partido Comunista da China (PCC) lograr desenvolver a excelente politica de Hu Jintao por mais 15 a 20 anos com sucessores presidenciais tão capazes como o do actual mandato, então retirará sem dúvida Washington do primeiro lugar da hierarquia mundial neste curto lapso de tempo. Um factor chave nessa tendência de evolução é o carácter politico de ambos os sistemas.

Washington é uma potência mundial em declínio que carece de um Charles DeGaulle para a descolonizar, assinalar-lhe um lugar possível e viável na nova ordem multipolar e devolver ao seu regime totalmente oligarquizado a capacidade de renovação e inovação que já perderam. Os Estados Unidos estão debaixo da tirania de uma oligarquia que bloqueia qualquer reforma estrutural sistemicamente vital, como o sistema de saúde, a energia e o complexo militar-industrial, entre muitas outras. A classe politica chinesa, em mudança, pese não operar ainda um sistema multipartidário burguês e parlamentar, tem mostrado uma extraordinária capacidade de adaptação às grandes transformações globais dos últimos 60 anos. Confiantes em que o PCC não perderá essa capacidade nos próximos 15 anos, podemos prever que em 2025 a República Popular da China será a primeira potência do mundo. Quinhentos anos de dominação ocidental estão a chegar ao seu inexorável fim!

In “China, primeira potência mundial” – este texto de Heinz Dieterich não merece a aprovação total deste blogue, nomeadamente 1. no que respeita às pseudo virtudes do sistema clientelar de partidos burqueses face à ampla democracia interna das unidades de base das estruturas do PCC que dipõem de 80 milhões de militantes que sobem nas hierarquias nos diferentes níveis consoante o mérito e habilitações para os cargos e não segundo qualquer outro factor; e 2. Apesar de slogans amplamente distribuidos como sendo " o maior exército do mundo" a China não aspira a qualquer espécie de hegemonia imperialista que submeta outros povos ao seu dickat
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