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sábado, janeiro 31, 2009

forças negras

Uma das maiores curiosidades do FreeportGate é lermos amiúde blogosfera afora notícias em lingua inglesa traduzidas dos portuguessíssimos 24 Horas e Correio da Manha (em inglês não existe o til); o mais certo é a maioria dos comentadores sempre tão perdidos como agulhas pela rama da palha espalhada, não notarem o essencial,,, fora das clubites partidárias.
Se percebemos bem as noticias que lemos, diz-se em português no mesmíssimo 24 Horas, “o escritório do advogado Vasco Vieira de Almeida recebeu, no ano passado, a visita de duas equipas inglesas (de investigadores), em dias diferentes, e ninguém ficou a saber do assunto, com a excepção de quem trabalha no escritório”

“Mas quando a polícia portuguesa entrou nos mesmos escritórios quase toda a comunicação social passou a ter conhecimento do caso. Imaginem a surpresa do antigo mandatário das campanhas de Mário Soares quando começou a receber chamadas de jornalistas, logo pela manhã, mal os investigadores deram entrada no edifício”. Fim de citação.
Moral da estória: há muito bom empregado subalterno a viver opiparamente à pála dos esquemas corruptores&corruptíveis. E para tal é necessário que os agentes das "forças negras" trabalhem às claras e não pela surrelfa como esses idiotas do brithish potato counsil ou lá como é que se chama aquilo,,
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Second Life, um filme todo Pipoca

As pipocas foram um “alimento de sucesso” (para enganar o estômago) durante a grande depressão de 1929 que durou até à retoma que preparou a Grande Guerra; se antes serviam para enganar a fome do corpo, hoje em dia o milho assado serve para acompanhar o embrutecimento da alma - como as explosivas pipocas de milho transgénico que suam aquela baba gelatinosa (1) que os indigentes mamam em lautas ruminações nas salas escuras assim se deglute esta aglutinação de fotogramas (a Obra, ela própria uma 2ª Vida) que não vi, nem a maior parte verá, creio. excepto os críticos, por obrigação. O truque é sugerir cenas quentes. Claudia Vieira mostra as nalgas, (como Nicolau Breyner mostra a careca no filme ao lado), a Liliana mostra que é funcionária da TVI; há ainda um actor cámone que tem um negócio de bilheteira na Polónia, com o cachet pago a troco de batatas, o inenarrável Malato, a Fátima costureira-vip e o Figo armado em travolta, numa “cena de lap dancing que faz mais pela destruição da sua dignidade do que uma sucessão de passes falhados” - diz o crítico Luis M. Oliveira, “É um amontoado de cenas confusas (...) há mais densidade psicológica num porno e maior sofisticação dramatúrgica nos Morangos com Açúcar”.

O crime do espectador Otário (à semelhança dos 400 mil que foram ver o Crime do Padre Amaro) é serem sacados de casa onde vêem televisão para irem ao cinema,,, ver televisão. Já ouvimos chamar a este “pequeno apogeu da degradação do cinema comercial” – “a cultura é para o povo” diz Alexandre Valente, o frankenstein gestor desta produção de 1 milhão e 550 mil euros – sugerindo de seguida que “o cinema português devia ter quotas de exibição tal como acontece na música para que seja garantida a responsabilização do dinheiro gasto (...) que está a desbravar um caminho fora do cinema subsidiado” – para chegar a um “não lugar” como diria Marc Augé, ao sítio do semi analfabetismo e da não educação militante – um filme de não actores é um inventário de celebridades “para chegar ao público”. Só se forem mentecaptos. É capaz de ter êxito nas receitas, este Valente.

(1) sobre os xaropes super-extra doce feito de milho. Antes da década de 70 não existia nada disto no mercado. Porém o uso, como a overdose de dinheiro fictício, alastrou intensivamente porque é preciso facturação em massa sobre as massas, e finalmente verifica-se que contém metais pesados. Mercúrio,

sexta-feira, janeiro 30, 2009

cada levantamento nas caixas Multibanco vai custar 1,5 euro
(se nós deixarmos)

Os bancos preparam-se para nos cobrar 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta. Este 'imposto' (é mesmo uma imposição, e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos portugueses. Este é um assunto que interessa a todos os que não são banqueiros e não têm pais ricos. Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas. Já chega de sermos roubados pela Banca. É preciso ultrapassar o milhão de assinaturas.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

valha-o deus

Sócrates, o "trustee" não se sabe bem de quem (é impossivel saber*), diz que "sim, seremos a favor da extinção dos off-shores" ("mas só quando toda a gente for") - é natural que os outros digam o mesmo em relação ao do país de Sócrates (o da Madeira). Como dizia Charles Ramuz: "sei que estou a progredir quando começo a não entender nada de nada"
da wikipedia:
"(...) Essas contas são abertas nos países de legislação de origem britânica usando-se um conceito jurídico de Trust originário da Common Law inglesa, que foi trazido para a Inglaterra pelos Cruzados, que subverteram o conceito de "waqf" islâmico pelo qual é feito um contrato através do qual a propriedade (imobiliária, tangível e intangível) de um bem passa para o nome de uma outra pessoa"

"Nos países ou regiões autónomas (paraísos fiscais) que permitem a operação desse tipo de Trusts, (Empresas) Bancos ou Fundações, apenas está disponivel o conhecimento do nome dos Trustees (administradores, uma espécie de procuradores) dessas contas ou dos gestores da Fundação, (1)*ignorando-se completamente quem seja o real beneficiário, ou o real dono, do dinheiro (ou bens) ali depositados. Assim é portanto impossível que venham a prestar informações sobre quem são os proprietários do dinheiro depositado nessas contas, mesmo que haja alguma determinação judicial nesse sentido: o Banco simplesmente não sabe. Desta forma o sigilo absoluto é garantido, e é impossível de ser quebrado"

Vai ser pecado: "consta-se que o Papa Bento XVI prepara uma nova Encíclica que terá um capítulo especial intitulado "Fraude e Fisco" que estabelece a condenação moral da malta do colarinho branco que recorre aos paraísos fiscais que propiciam a ocultação de patrimónios ilícitos" (ler)

Tommaso Masaccio,
"o Pagamento do Tributo e a Expulsão do Paraíso"
Capela Brancacci, Florença

actualização
a Justiça na Grã-Bretanha dispõe de um "Gabinete para Investigação de Fraudes Graves" traduzindo para simplex "Serious Fraud Office"; f.a.q.
"Can the "Serious Fraud Office" obtain evidence anywhere in the United Kingdom (...) or in the overseas countries?
No, only in England, Wales and Northern Ireland. There are similar powers (...). If you need evidence in Scotland, we can put you in touch with the Crown Office. There are also similar powers in Jersey, Guernsey and the Isle of Man, and again, we can put you in touch with the appropriate authorities if necessary"
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quarta-feira, janeiro 28, 2009

"Die WannseeKonferenz"

A Solução Final de Hitler: a Conferência de Wannseeonde se decidiu o assassínio em massa de mais de seis milhões de judeus (…) Heinz Schirk recria o planeamento desse genocídio (…) uma evocação histórica filmada em registo de “cinema verité

É com estas aparentemente inofensivas palavras, levando em linha de conta o revisionismo histórico oficial dos últimos 60 anos, que se anunciou o documentário exibido ontem na Cinemateca Nacional - desmistificando:
Die WannseeKonferenz” não é uma obra de cinema. Foi produzida para propaganda televisiva. O produtor é parte interessada na manipulação: o empresário judeu de Munique Manfred Korytowski (1936-1999) , produziu muitas séries dramáticas, spots comerciais e documentários para televisão - a mais conhecida das quais é a série "Pumuckl" (o programa infantil de maior audiência na história da tv alemã), nascido prussiano em 1936, com a ascenção do nazismo a sua família mudou-se para o Brasil em 1937, onde viveu 16 anos; em 1953 foi para Israel, onde cumpriu dois anos no exército como normalmente fazem todos os militantes Sionistas (local onde conheceu alguma coisa sobre a Conferência de Wansee nos Yad Vasshem, os "Arquivos do Holocausto em Jerusalém", onde se lê que a reunião planeou a morte de 11 milhões de judeus. (se por acaso os houvesse); e em 1958, voltou para a Alemanha para fazer carreira no mundo do espectáculo.

O realizador Heinz Schirk executou a encomenda de Korytowski em 1984, utilizando entrevistas com os participantes do julgamento do Coronel cripto-Judeu Sionista Adolf Eichmann em 1962 e documentos obtidos de Robert Kempner, um dos procuradores americanos (aliás um antigo ministro judeu alemão naturalizado fugido em 1933 para os EUA) que participou no Julgamento de Nuremberga e ficou famoso por coagir testemunhas como Friedrich Gaus, roubar documentos do processo Rosenberg e como advogado privado defender o enriquecimento ilícito de judeus que pediam em Tribunal indemnizações financeiras ao Estado alemão, a maior parte deles sem nunca terem estado detidos.

Die WannseeKonferenz” baseia-se numa suposta acta de Martin Luther “descoberta” 5 anos depois, em 1947. Antes só havia 1 carta convocatória da reunião. A obra “veritéé uma obra de ficção propagandística israelo-americana, meticulosamente programada para o dia 27 de Janeiro, a data em que o Exército Soviético libertou Auschwitz-Birkenau – a que agora o sionismo chama Dia do Holocausto. Credibilidade Zero. O General Reinhard Heydrich, chefe de Polícia de Segurança Nacional alemã é tratado por “SS-Obergruppenfuhrer” um posto que ninguém duvida tivesse sido diabólico (embora a Time à época anterior à guerra fizesse capas enaltecendo o nacionalismo de Hitler. O próprio autor da “folha informativa” que habitualmente acompanha as sessões, Luís Miguel Oliveira, admite que “conhecer exactamente (à letra) o que foi dito em Wannsee é assunto que exige alguma suposição” (senão toda). E assim, como o conselheiro cenográfico do filme, o judeu Shlomo Aronson, inventa uma prosa delirante tão vaga quanto “a vertigem da solução final” e “premeditação e planificação” (em 85 minutos) , remetendo de seguida para Eichmann e para a obra de ficção da judia Hanah Arendt “A Banalidade do Mal”. É lamentável que a Cinemateca Nacional se preste a fazer estes fretes auto negando identificar devidamente as fontes históricas que referem os factos tal qual aconteceram – que como é sabido estão muito longe da patranha sionista dos “6 milhões de vítimas do holocausto”

* relacionado:
"A Questão Judaica nos anos 30 era um problema de Emigração clandestina para a Europa Central que causava um clima de desordem social, nomeadamente com a importação do "bolchevismo" da União Soviética: a solução encontrada pelos Nazis foi incentivar a doutrina Sionista"

* 27/1 - o Presidente Ahmadinejad acusa o Ocidente de bloquear investigações sobre o holocausto
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terça-feira, janeiro 27, 2009

no 100º aniversário da Protectora dos Animais

que história é aquela da prima?

onde a luvas se diz nada (ver minuto 25.43 da entrevista da SIC)
e sobre limpeza se diz tudo

A Quercus opôs-se ao projecto desde o início. E apresentou mesmo uma queixa à Comissão Europeia, que nunca deu uma resposta aos ambientalistas. (de facto segundo informação veiculada nas televisões ontem, o processo só foi arquivado em 2008). Como se sugere no blogue “Portugal Profundo”: “o caso Freeport há-de chegar ao seu termo jurídico daqui a 10 ou 15 anos, quando o garantismo do poder já tornou impossível a reconstituição do passado”. E o ministro da presidência Pedro Silva Pereira já começou o trabalho de varrer a credibilidade da função governativa, decisivamente afectada pela suspeita, para debaixo do tapete – na entrevista a Mário Crespo de cópias de papéis do Ministério do Ambiente em riste, recitou uma série de contra- argumentações que não podem ser confirmadas, ou sequer saber se estão a ser manipuladas, porque entretanto o Governo decidiu encerrar o site do MA para “remodelação

Francisco Ferreira, dirigente da Quercus, entrevistado pelo Correio da Manhã: “Freeport há-de ser um condomínio

CM – A Quercus vai questionar a Comissão Europeia (CE) sobre o Freeport?
Francisco Ferreira – Vamos tentar saber junto da CE as iniciativas seguidas após a apresentação da queixa, em 2002, porque nunca recebemos notícias sobre o seu arquivamento.
CM – A política do facto consumado vale a pena em Portugal?
FF – Tem sido praticada por todos os governos. A sociedade civil é impotente perante o poder político.
CM – 0 Freeport foi salvo da falência. Este caso devia servir de exemplo aos políticos?
FF – Agora dizem que o Freeport está melhor, mas um dia ainda vamos ver ali um condomínio fechado com vista para o Tejo.
(CM)

apreensão de documentos:
Marinho Pinto fala de "terrorismo de Estado"

favores
(...) "adiantou que pediu ao sobrinho para receber um dos sócios da empresa, Charles Smith, que se queixara de que lhe estariam a pedir "quatro milhões de euros para obter o licenciamento" (...) e algum tempo depois... "as instalações do ICN em Alcochete estiveram para ser cedidas à empresa Smith & Pedro"(...) (fonte)
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segunda-feira, janeiro 26, 2009

Freeport, em inglês técnico: "não se esqueçam de mim"

actualização: o sítio internet que abriga a documentação do Ministério do Ambiente sobre o licenciamento do Freeport "está em reformulação. prometemos ser breves", dizem eles (conferir)

o que está em causa

"O processo relativo ao espaço comercial do Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, e que terá sido mudada para possibilitar a construção da infra-estrutura que já tinha sido anteriormente chumbada por colidir com os interesses ambientais acordados entre Portugal e a União Europeia" (Publico 22/1.09)

José Sócrates na qualidade de ministro da Ambiente no Governo de António Guterres reduziu para metade a zona protegida no Vale do Tejo junto a Alcochete.

Escassos dias antes do cessar de funções do XIII Governo a directora da Direcção Regional do Ambiente de Lisboa e Vale do Tejo, Fernanda Vara, a pedido do Ministro pede às entidades competentes a aprovação urgente do projecto do Centro Comercial Freeport. José Sócrates em Janeiro de 2009 diz na televisão, a propósito da noticia do jornal «Sol», que foi ele, na qualidade de responsável pelo Ambiente, quem aprovou o projecto e que não houve ilegalidades.

Em 24 de Junho de 2002 a Quercus enviou uma queixa à Comissária europeia Margot Walstrom. O primeiro ministro seguinte, Durão Barroso, faz aprovar um decreto lei que contorna as ilegalidades no sentido de se cumprir a legislação europeia, voltando aos limites anteriores, mas deixando o projecto do Shopping Center com alguns reajustamentos (c/ maior ocupação humana e aumento da área de construção, na zona A).

O jornal Independente em 2002 publica um documento da PJ que envolve José Socrates Carvalho Pinto de Sousa no caso do Freeport. O artigo sugere que “há fortes indícios que houve contrapartidas no financiamento da campanha eleitoral”.

O “Freeport Designer Outlet” de Alcochete é solenemente inaugurado a 26 de Junho de 2004 durante o Campeonato Europeu de Futebol, com a presença do Príncipe Eduardo de Inglaterra, o filho da Rainha Isabel II, Earl of Wessex; note-se, Sua Alteza Real inaugura uma obra ilegal: que não tinha licença de utilização. No relatório de contas da Freeport Plc. de 2004 afirma-se que este projecto, em conjunto com outro similar na fronteira da Áustria com a Checoslováquia, o Outlet Mall Excalibur, são determinantes para a sustentabilidade e expansão empresarial do Grupo.

O reforço destes investimentos faz-se através da entrada de capital numa operação que designam por “Hermes Transactions”. O Grupo Freeport opera a partir daqui aproximadamente 1 milhão e 400 mil metros quadrados de espaços comerciais, 88% por toda a Europa e apenas 12% na Grã-Bretanha. Concretamente o salto qualitativo envolve a entrada do Fundo Financeiro “Hermes Pensions Management Ltd” uma operadora com largo cadastro na especulação e suborno das actividades económico- financeiras em todo o mundo.

A Família Real Inglesa tem investimentos no Freeport, e os seus interesses são afectados pelo desfalque que veio a público em 2007, processo em que o fundador Sean Collidge é acusado de ter usado fundos da companhia para investimentos financeiros duvidosos e até em proveito pessoal. Os investigadores ingleses seguem os trilhos do dinheiro desde a origem do processo e descobrem que os capitais deixaram a Inglaterra para Portugal, evadindo-se ao pagamento de impostos, através de contas em offshores baseadas na Suiça e em Gibraltar.
clique para ampliar
flash back. Em finais de 2004 o Ministério Público abriu um processo de investigação às entidades envolvidas na Comarca do Montijo ficando a Policia Judiciária de Setúbal encarregue das investigações. São feitas buscas pela PJ na Câmara de Alcochete presidida por José Inocêncio incluindo os gabinetes dos seus assessores, à firma Smith & Pedro e aos próprios escritórios do Freeport.

Depois de eleito José Sócrates, verifica-se um impasse; a PJ de Setúbal envia uma carta rogatória em 2005 às Autoridades Britânicas, onde reside a séde social mãe da multinacional Freeport, solicitando dados e informações complementares sobre contas bancárias da Smith & Pedro para onde eram canalizadas as quantias envolvidas no negócio. Solicitação que nunca teve resposta. São elevados os valores em causa. Rainha de Inglaterra, Policia Judiciária, Governo Socialista, Fundos Financeiros, Corrupção e falências globais em cadeia constituem de facto um caldo explosivo.

a jardinização da justiça: o inspector da PJ de Setúbal José Torrão, os jornalista do extinto jornal "Independente" Inês Serra Lopes e Francisco Teixeira e o militante da concelhia do CDS em Alcochete Zeferino Boal são cozidos em lume brando pelo Poder político e pelo Ministério Público, acusados de "violação de segredo de justiça" ao envolverem-se na divulgação de documentos que comprometem José Sócrates.

Em Março de 2007 a Freeport Plc. encontra-se em sérias dificuldades. O shopping de Alcochete revela-se um flop e a ocasião é aproveitada pelo Grupo norte americano Carlyle para efectuar uma oferta pública de aquisição de acções à multinacional britânica. Mas o negócio de 165,3 milhões de libras colapsa, quando semanas depois o valor da Libra sofre uma queda acentuada. Apesar disso, ou a Casa Real Britânica não fosse influente, o "Takeover Panel do Reino Unido" obriga o Fundo de "privat equity" Carlyle a concretizar o negócio.

Primeiro a Polícia Judiciária e depois a Procuradoria-Geral da República por nota de imprensa de Pinto Monteiro negaram qualquer envolvimento do então candidato a primeiro-ministro José Sócrates no caso Freeport. Em Setembro passado (2008), o processo do Freeport passou do Tribunal do Montijo para o DCIAP (“Central Department for Penal Action and Investigation”), which is the entity that is competent for that, segundo a transcrição feita para Inglaterra pelo blogue de Joana Morais

Em Outubro de 2008 em Haia, na sede do Eurojust (Agência Europeia para o Reforço da Cooperação Judiciária) entre polícias e procuradores (Candida Almeida) de ambos os países foi discutido o caso Freeport tendo os ingleses proposto uma equipa de investigação conjunta; o que não veio a acontecer. Charles Smith, entretanto constituido arguido em Inglaterra, declina confirmar se houve ou não corrupção alegando já não pertencer à firma Smith & Pedro. E o Pedro, Manuel, que ninguém sabe muito bem quem é, dissolveu a firma em Dezembro de 2008.

o DCIAP a 23 de Janeiro de 2009 informa que "a lista de nomes que anda a circular na internet é a mesma que foi publicada em 2005" e não faz parte do actual processo em curso; apesar da procuradora Cândida Almeida saber desde a reunião de Haia que José Sócrates é o principal suspeito.

Numa gravação com origem na Grã-Bretanha, testemunhas (provam) que houve pagamento de luvas, em tranches de 50 mil libras transferidas para a Smith & Pedro (totalizando 1 milhão de euros) e que outros 5 milhões de libras entraram através do escritório da Vieira de Almeida&Associados (agora objecto de busca) para pagamento de comissões. Como dizem os ingleses: “there are indicia that these were corrupt payments”. Vasco Vieira de Almeida foi mandatário de Mário Soares à presidência da república; antes tinha sido administrador da Câmara de Comércio Britânica entre 1967 e 1969 e Conselheiro Jurídico Honorário da Embaixada Britânica em Portugal entre1980 e1990; a empresa de advogados dedica-se ao Corporate Governance em apoio a grandes investimentos no país.

Como se disse atrás, num filme que é protagonizado por actores tão célebres como a Rainha de Inglaterra, a Policia Judiciária, o Polvo Socialista nacional (com uma aparição especial de Tony Blair, despercebidíssima), Fundos Financeiros Fictícios, Corrupção e Falências Globais - quase dá para sentir simpatia pelo engenheiro Sócrates e pelo arquitecto Capinha, figurantes pagos a troco de um salário. Contudo a questão do 1º Ministro além de política é de ordem moral. É preciso, como pessoa, ter estômago onde não tenha entrado pinga de Ética para aceitar desempenhar certos papéis. Os passarinhos de Alcochete, e nós, a malta das cassetes piratas, estamos a abominar o sketch
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domingo, janeiro 25, 2009

touradas

e você caríssimo contribuinte que nunca se apropriou indevidamente de algo que é património inalienável da comunidade, qual é o seu estado de alma após a música (mais uma) destes últimos dias?



"algo em Portugal de telúrico que destrói as pessoas, que não as deixa agir, que as faz complacentes com a ignorância e com a preguiça"
Paulo Nozolino

antisemitismo?



















“Produzir legislação que contemple que qualquer residente na Polónia, Hungria, New York, Brasil, Austrália, Islândia, ou até mesmo no planeta Marte, (ainda que a Palestina fique fora desse mapa) a quem seja abençoado com uma mãe judia e lhe dê o superior direito de “regresso” - e negue o estabelecimento na Palestina a alguém que tenha sido expulso da sua própria terra e esteja confinado a um esquálido campo de refugiados, que ainda guarda as chaves da sua antiga casa, só pode ser uma manifestação de doença mental
Zaid Nabulsi
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sábado, janeiro 24, 2009

gays, lésbicas, transexuais, "socialistas" e pseudo causas fracturantes

«Este é o momento para que o PS afirme a sua vontade* de propor à sociedade portuguesa o direito ao casamento civil para pessoas do mesmo sexo»
José Sócrates

«Não são esses os problemas fundamentais neste momento, mas há certos radicais que querem ir adiante para mostrarem que são de esquerda»
Mário Soares

Soares
é uma mercadoria fora de prazo que foi retirada por um incauto pouco escrupuloso da prateleira onde já ninguém lhe pegava e se dissolve lentamente em contacto com as ondas hertzianas – ganhou bicho, bolor e vida própria dentro da velha embalagem caída em desuso, imprestável; fala muito, demasiado, para a escassez de consumidores deste tipo de produto.

A boutade do dia – o de ontem - foi a de que a problemática do “casamento entre homossexuais é uma causa dos radicais de extrema esquerda
Se Soares ainda andasse cá por este mundo, acharia imensa graça a que, por exemplo, aqui ao lado em Madrid, a última grande manifestação em prol da * pseudo causa fracturante foi patrocinada pela alcaide da cidade, a militante neoconservadora do PP Esperança Aguirre e por vários movimentos de estrema direita. "A causa" é de quem a quer comprar, pelo preço dos que a podem pagar.

O modo de pensamento social democrata europeu, submetido à colonização americana no pós guerra do século XX, passou a usar a estratégia de dissolver a Oposição através da asfixia económica. Já foi chão que deu uvas. No seu tempo, as trapalhadas soaristas são hoje vistas como simples assassínios da verdade. Toda a gente se ri quando lhe contam a piada do socialismo em liberdade. Ou como diria Rorty, a verdade não pode estar fora das coisas, a Verdade não pode existir independentemente do entendimento da mente humana, porque as opiniões não podem existir fora dali. O mundo está fora de nós, mas as nossas descrições dele não estão. E apenas as descrições do mundo podem ser consideradas verdadeiras ou falsas” – o mundo ele próprio do “socialismo” de Soares não existe: está mais que comprovado pela prática e resultados visíveis que é uma imagem falsa. Vê lá se te calas pá, porque já tens idade para ter juizo.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

já acabámos o trabalhinho, já podes sair para a ribalta

O sonso embaixador israelita em Lisboa confessa-se surpreendido (diz ele: "é dificil não especular sobre os motivos desta notícia"), e claro que especulamos, com a geminação das cidades de Lisboa e Gaza aprovada esta semana na Assembleia Municipal de maioria social democrata (que se abstiveram em conjunto com os "socialistas") sendo a moção aprovada com os votos do "PCP", do "BE" e de "os Verdes" - É o negócio da moda, é preciso destruir para se poder reconstruir - e nele colaboram de vivo entusiasmo todas as forças com assento parlamentar em representação de ninguém, desde as tropas do Tsahal até aos pressurosos militares portugueses que em breve se mostrarão interessados em enviar forças para o terreno com intuitos humanitários. A prática não é tão humanitária assim, uma vez que existe, tanto um compromisso prévio como depois os factos consumados:

- Cerca de 1300 mortos, entre eles 417 crianças e 107 mulheres, número que continua a aumentar na medida em que se vão descobrindo novas vítimas entre os escombros. 13 paramédicos mortos. Existe o perigo de se declararem epidemias.
- Pelo menos 5.300 palestinianos feridos, incluindo 1.900 crianças e 800 mulheres.
- o governo do Hamas deposto em Gaza estima que mais de 5.000 edifícios foram completamente destruídos, e outros 20.000 sofreram danos ou foram parcialmente destruídos.
- 4.100 são casas familiares; cerca de 1500 fábricas ou pequenas oficinas; 20 mesquitas, e 31 complexos de forças de segurança
- 100.000 habitantes forçados a abandonar as suas casas pelo perigo de ruirem, ou desalojados sem abrigo por causa da destruição
- Meio milhão de pessoas estão sem água potável. As principais linhas de condutas e 10 depósitos de água foram inutilizados.
- só é possivel o fornecimento de electricidade durante menos de metade do dia, devido à destruição das infraestruturas.
- Os prejuizos estão estimados em 1,9 biliões de dólares – que serão pagos com “ajuda financeira” da Arábia Saudita em troca de um “governo de união nacionalque traga de volta a Fatah e o habitual clima de corrupção. A própria imprensa israelita evoca o envolvimento prévio de certos regimes árabes no apoio a Israel.



«uma devastação chocante, levada a cabo de forma alarmante» ; foi nestes termos que o secretário geral da ONU se referiu ao que viu na visita de anteontem a Gaza. Como se suspeitava (segundo Donatella Rovera da AI) existem evidências «prima facies» de crimes de guerra perpretados por Israel, concretamente no uso de bombas de fósforo branco, tungsténio e urânio empobrecidoarmas proibidas pela Convenção de Genebra, sobre cujo uso diversas organizações de direitos humanos, entre elas a Aministia Internacional, tratam de tentar levar a tribunal os responsáveis. Estas acções não terão contudo quaisquer efeitos práticos, uma vez que o TPI (Tribunal Internacional de Haia) não é reconhecido por Israel, nem pelos seus aliados incondicionais, os Estados Unidos.
Ban Ki-moon apareceu com ar triste e consternado na cerimónia no incendiado quartel da ONU na cidade de Gaza, observou um minuto de silêncio em memória dos cerca de 40 jovens palestianos assassinados no bombardeamento da escola anexa e exigiu a Israel uma investigação rigorosa para apuramento de responsabilidades naquilo que considerou ser um ultrage. Mas de seguida viajou ao sul de Israel à cidade de Sderot onde (a ONU) se deixou instrumentalizar para a comunicação de propaganda sionista tendo como pano de fundo uma espécie de exposição-museu de sucata de foguetes Qassam que ou não explodiram, ou causaram estragos insignificantes.

A luta continua por uma Palestina livre e independente! Uma nova Manifestação terá lugar em Lisboa, no Largo Camões, amanhã dia 24 de Janeiro, às 15 horas, apelando-se a todos os homens e mulheres de paz que unam as suas vozes em solidariedade com o povo palestiniano que resiste:
Pelo Fim dos massacres do Povo Palestiniano. Pelo Fim ao Bloqueio a Gaza. Pelo Fim à Ocupação da Palestina. Por uma Paz Justa e duradoura no Médio Oriente
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Terrorismo, e o número de telefone da Elsa Raposo

O post é sobre Imigração e o aproveitamento político tendencioso que o Poder faz sobre os dramas sociais causados pela guetização das classes pobres. A segunda parte do título destina-se a caçar os otários que chegam aqui através do google; isso mesmo, como você, seu palerma.
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No dia 6 de Dezembro a Polícia executa a tiro o jovem Alexis Grigoropoulos de 15 anos em Atenas. O crime gerou uma onda de revolta contra um governo que mais tarde se haveria de reconhecer a si próprio como corrupto (um mês depois o 1º ministro pediu desculpas públicas pela corrupção ao mesmo tempo que simulava uma remodelação ministerial). A violência aumenta por toda a Grécia com manifestações e greves gerais. A 17 de Dezembro os protestos de solidariedade alastram a diversas cidades europeias. Das vésperas de natal até aos princípios de Janeiro verificam-se disparos de armas de fogo contra os agentes da repressão policial que dia para dia usam métodos de maior violência. As agências de comunicação do governo fazem crer à opinião pública que a origem da revolta social reside em acções “terroristas” ao mesmo tempo que culpa “grupos de estrema-esquerda registados como organizações terroristas pela União Europeia”.
Já depois disso, activistas do movimento descobrem que existe uma plataforma giratória de abastecimento de armamento para Israel através da Grécia, o que coloca o ónus do extremismo e do terrorismo de novo no lado do governo. Prevalece contudo uma espécie de prática decretada a partir das instâncias de cúpula da União Europeia que determinam que na mesma medida que se aplicam medidas repressivas sobre a contestação social, a acção psicológica induzida sobre as massas deve diabolizar os movimentos politicos de Esquerda. Se pretensamente já se deitou o Bush para o caixote do lixo, porque não seguirá de imediato Barroso o mesmo destino?
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Na segunda semana de Janeiro a Polícia abate a tiro o jovem Edson (Kuku) Sanches de 14 anos no Bairro da Falagueira nos subúrbios de Lisboa. O agente usou uma arma de 9 m/m para disparar à queima roupa sobre a cabeça da vítima, acusando-a de usar uma pistola, facto que é desmentido veementemente por testemunhas. A extrema direita xenófoba empola a questão acusando os "habitantes dos bairros problemáticos de potenciais cadastrados com ligações a grupos radicais". Dias depois do funeral pacífico de “Kuku” os jornais noticiam com grande alarmismo uma manifestação de homenagem ao jovem morto para o Casal da Boba em frente à esquadra da policia. A 17 de Janeiro as agências de comunicação do governo e da PJ induzem os jornais a escrever títulos bombásticos avisando para o apoio à manifestação de grupos radicais de extrema esquerda, alertando para “o risco de acções terroristas” pondo a questão nestes termos: “Tensão. O caso do jovem morto pela polícia, na Amadora, teve impacto internacional nos movimentos esquerdistas. A polícia sabe que estes estão a ganhar terreno em Portugal. Pretendem uma revolta contra a polícia, que acusam de "assassinar" negros em "execuções sumárias", com a conivência do Governo". Notícias posteriores dão conta de desacatos. O que é pura e simplesmente mentira!. Como única acção referenciada no terreno existe apenas uma colecta de fundos a favor da família da vítima organizada pela associação cívica “Plataforma Gueto”. O Ministério Público ainda não decidiu se acusa o agente da polícia de homicídio ou se arquiva o processo.
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“Estão a ser julgados quatro activistas das associações Terra Viva, Essalam (imigrantes magrebinos), AACILUS (afro-brasileira) e Musas, acusados de “difamação agravada” do “bom nome” do SEF. Os factos remontam a Junho de 2006, quando essas associações convocaram uma “Manifestação de Luto Imigrante” no Porto, em protesto contra o tratamento humilhante a que eram submetidos os trabalhadores estrangeiros pelo SEF daquela cidade, o que teria provocado o suicídio de Hamid Hussain, paquistanês, trabalhador da construção civil. Casado, com dois filhos e a viver legalmente há cinco anos em Portugal, ao pretender renovar a sua autorização de residência, foi-lhe exigido pelo SEF do Porto provar que tinha um rendimento anual superior a 5.400 euros. Não o podendo provar, alegou que muitos portugueses não ganhavam tal quantia e exigiu que o Estado português lhe devolvesse os descontos que havia feito, para poder regressar ao seu país. Foi ridicularizado, enxovalhado, maltratado e ameaçado de expulsão. Entrou em depressão, acabando por se lançar da ponte D. Luís. O seu cadáver foi descoberto pela família – no Instituto de Medicina Legal e prestes a ser incinerado – que não fora avisada de nada, apesar de nas roupas de Hamid Hussain se encontrarem o passaporte e o seu número de contribuinte. (Imagine-se se o caso se passasse com portugueses em Espanha ou em Angola).

Na altura o ACIME (hoje ACIDI) do Porto convocou estas associações para uma reunião em que lhes manifestou o seu desagrado pela denúncia pública que haviam feito, acabando mais tarde por as excluir do programa “Escolhas”. Meses depois o responsável pela delegação do SEF do Porto, Eduardo Margarido, seria demitido em consequência das crescentes queixas de imigrantes e associações sobre o tratamento a que eram sujeitos naquela polícia” (#3. publicado na Politica Operária Dez.2008)
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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Amilcar Cabral 1924-1973

Nesta coisa de negros que ocupam pela primeira vez o primeiro lugar disto e daquilo, a cultura portuguesa herdou um dos primeiros exemplos. Amilcar Cabral foi o primeiro intelectual de expressão portuguesa a constar com obra publicada nos Arquivos Marxistas - muito por via da sua comunicação à Trilateral de Havana em 1966 intitulada "A Teoria é uma Arma" um ensaio publicado pela Seara Nova em 1977 (A Arma da Teoria):
“Não vamos utilizar esta tribuna para dizer mal do imperialismo. Diz um ditado africano muito corrente nas nossas terras, onde o fogo é ainda um instrumento importante e um amigo traiçoeiro (...), que 'quando a tua palhota arde, de nada serve tocar o tam-tam '. À dimensão tricontinental, isso quer dizer que não é gritando nem atirando palavras feias faladas ou escritas contra o imperialismo, qualquer que seja a sua forma, que conseguiremos os nossos objectivos - é pegar em armas e lutar. É o que estamos a fazer e faremos até à liquidação total da dominação estrangeira nas nossas pátrias africanas”.
Cabral que tinha recebido o nome de baptismo em homenagem a Amilcar Barca, o general cartaginês que combateu os romanos, mas foi derrotado na I Guerra Púnica ( 264-241 a.c. ) foi assassinado por militares portugueses em conjugação com funcionários da Pide em 20 de Janeiro de 1973, fez ontem 36 anos - e a visão da África de espírito colonial, depois de destruido o modelo de desenvolvimento local,
é a que actualmente está à vista: a Guiné Bissau importa know-how e armas para golpes de estado e exporta droga. Cabo Verde, numa espécie de regresso pós-moderno às origens esclavagistas, exporta operários para a construção civil e importa turistas para resorts de luxo.

* Atendendo a este estado de coisas, obviamente Amilcar Cabral tem mais estudos publicados sobre a sua obra e práticas revolucionárias em línguas estrangeiras que em idioma português

* a figura do nacionalista africano é subvertida no DN; onde se branqueiam os assassinos, se apaga o imperialismo e se tenta colar a sua imagem à de Obama. Incrível! o artigo, em duas partes, vem assinado por David Borges e por um tal de L.N.
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terça-feira, janeiro 20, 2009

o silêncio é uma das formas de trair as causas em que acreditamos

Ontem foi feriado em memória de Martin Luther King. Hoje é o dia de tomada de posse do novo presidente, que por acaso é meio negro. Alguns vêem uma ligação entre os dois eventos e as duas pessoas. Não podem estar a falar a sério. Mesmo depois do "cessar-fogo" em Gaza a população continua a ser alvo de ataques e o silêncio de Obama define bem a pessoa. Tal como "a alternativa" MCCain, Obama compareceu na AIPAC (a séde do lobie judaico na América) para se ajoelhar e recolher a benção dos mandantes do crime primordial que representa a fundação do Estado ilegal de Israel. Comparar Obama com a dignidade do maior militante dos Direitos Cívicos na América é um insulto para King - os obamaníacos precisam de recordar quão longe anda Obama do discurso anti-guerra de Luther King:



Um pouco por todo o mundo os povos embrutecidos pela palha mediática celebram a saída de cena de um dos mais horrorosos personagens que alguma vez ocuparam a Casa Branca. É claro que devemos dizer-lhes que estão apenas a substituir uma marioneta por outra – mas na verdade nada que possa impedir uma boa festa. E para libertar os espíritos, apenas por um dia, escolhemos um tema apropriado – a América do Norte produziu mais coisas que políticos e partidos epicamente corruptos – produziu também uma das poucas originalidades na música, o jazz, entre elas esta preciosidade que serve às mil maravilhas para acompanhar a tripulação de criminosos de Bush (Cheney, Condi e Compª) até ao olho da rua.

Ray Charles: “Hit The Road Jack”



segunda-feira, janeiro 19, 2009

Afeganistão, o novo alvo da indústria politico-militar

"o atentado de 20 de Setembro de 2008 contra o Hotel Marriot (uma cadeia americana, também alvo de atentado em Jackarta em 2003) em Islamabad matou cerca de 60 pessoas (numa altura em que decorria uma misteriosa reunião de altas personalidades da Marinha americana com as autoridades paquistanesas). O ataque, comparado pelo Paquistão ao 11 de Setembro, marcou uma viragem na história do conflito na região. O presidente Bush autorizou então operações terrestres contra bases talibãs no Paquistão, país que está a tornar-se o principal terreno da "guerra contra o terrorismo". Esta extensão do conflito, que não deixa de recordar a decisão americana da década de 1970 de estender a guerra do Vietname ao Cambodja, tem poucas hipóteses de conduzir a uma vitória. Além de suscitar a oposição da grande maioria dos paquistaneses, esbarra com uma estratégia regional particularmente audaz dos «neo-talibãs» - esta opinião insere-se num artigo de Syed Saleem Shahzad publicado na edição portuguesa do "Le Monde Diplomatique em Outubro de 2008. Chegados aqui, convém esclarecer que a própria esquerda, de cariz social democratizante global segundo a "receita obama", ultrapassa por omissões incompreensíveis a compreensão cabal dos problemas. Os links entre parêntesis são um acrescento nosso e contra a vulgarização do léxico que segue impune a lógica porno militarista dos neocons, aqui se deixa a definição do termo "talibã":
Talib (taliban, no plural), em persa e pashtu. Literalmente, um estudante de teologia. Adoptado como nome do movimento formado por recrutas das madrassas deobandi (sunitas) no Paquistão, em 1994, que acabaram por tomar Cabul em 1996 e controlar o Afeganistão até ao início da era bush em 2001. É um termo que se opõe a "estudantes seguidores da linha do Imã" (daneshjoyan), o grupo de Iranianos que se apoderaram da embaixada americana em Teerão durante a Revolução Islâmica de 1979. Ficam em evidência as razões que levaram o secretário de Estado Brezinski a apoiar e armar o talibã Bin-Laden contra a URSS e a influência socialista na região?

"Até ao próximo Verão, os Estados Unidos vão enviar entre vinte a trinta mil soldados para o Afeganistão, reforçando um contingente de tropas estrangeiras que ascende já a setenta mil homens. Esta escalada é desejada tanto por Barack Obama como por George W. Bush, que paralelamente procura, com o apoio dos militares do Pentágono, "contornar" o acordo ainda agora assinado sobre a retirada total do exército americano do Iraque, de modo a tornar inoperantes as promessas eleitorais do novo presidente.
Gareth Porter, no "Le Monde Diplomatique", Janeiro de 2009 (sem link)


e os sabujos facturam

domingo, janeiro 18, 2009

Guerra e Paz

Um grupo de românticos americanos quer prender Bush e Cheney e vão manifestar-se nesse sentido na Pennsylvania Avenue quando a comitiva de Obama e o presidente descartável passar em frente ao edifício do FBI cerca das 11 horas da manhã do dia 20 a caminho da Casa Branca – acto final da parada eleitoral que é o maior circo do mundo e que faz a ponte com o feriado que comemora o assassinato de Martin-Luther King. Até a "starbucks" oferece cafés aos consumidores que fizerem serviço cívico durante a semana da inauguração do mandato. Mas beber um café à borla, prender um bush ou ter eleito um Preto não resolverá o problema. Só a vitória de uma solução anti-capitalista o poderia (tentar) fazer.

"Não quero parecer um pastor com a sua Bíblia marxista, mas quero ler uma passagem de O Capital: o verdadeiro limite da produção capitalista é o próprio capital; é o facto de que, nela, são o capital e a sua própria valorização que constituem o ponto de partida e a meta, o motivo e o fim da produção. O meio empregue - desenvolvimento incondicional das forças sociais produtivas - choca constantemente com o fim perseguido, que é um fim limitado: a valorização do capital existente"
François Chesnais - "O capitalismo tentou romper os seus limites históricos e criou um novo 1929, ou pior"

uma foto gigante resguardada por celofane
de presumiveis grafitis ou ataques com tomates
aguarda impassível a cerimónia de inauguração
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"O capitalismo sem espírito : Na pulsão contra-humanista do capitalismo contemporâneo não se reconhece dívida simbólica com o passado de quem o tem. Na impossibilidade de fazer da história do Outro um bem comum compartilhado, opta-se pela sua destruição. Os EUA reduziram a escombros o Museu Arqueológico de Bagdade. Israel bombardeou a Universidade de Gaza. No exercício da razão do mais forte revela-se a vontade de destruir a vida biológica e a vida do espírito"
Olgária Mattos, na "Carta Maior"

"A desmobilização cívica do país é uma das consequências da ausência da instância Estado, da falta de comparência de um ideal de libertação (sim, de libertação) que nos empolgue. (...) Estamos marcados pelo mais atroz niilismo e identificados com o mais absoluto indiferentismo"
Baptista Bastos, no "DN"

"Os neocons influem desde o governo Reagan mas só com Bush II assaltaram o poder. Para Leo Strauss, filósofo que admiram, e Irving Kristol, que criou a expressão "neocon", o governante pode mentir ao povo, pois sabe o que é melhor para o povo; e assessores sábios podem mentir ao governante. Bush sai do governo achando que só é impopular porque as pessoas não entendem: tinha de aterrorizá-las para salvá-las"
Thomas E. Ricks - "Fiasco - The American Military Adventure in Iraq"
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Uma das cidades mais perigosas do mundo. É daqui que partiu o simbólico comboio de Obama. "Lei e Ordem em Filadélfia" o estado da cidade berço onde o Império começou. (video 58min.48seg.)
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sábado, janeiro 17, 2009

o gangsterismo imperialista assume-se côr de rosa

o que vai mudar na Casa Branca?

A pungente questão já chegou às revistas do coração. Michelle discorre com a mulher do Facínora One os cortinados e o estilo black-poor-chique da moda que vai ser copiada por milhões de sopeiras, visionárias de telechachadas e afins nos próximos quatro anos. As meninas de Obama vão ter à sua disposição um catálogo de 40 mil peças de mobiliário (disponiveis nos armazéns de stock da Casa Branca) para escolherem como desejam personalizar os quartinhos e os espaços de lazer.

Quem anda bestialmente (é o termo) céptico com estas minudências é o nosso amigo Aznar (esquecido junto com o nosso amigo Barroso nas medalhas de fim de curso dos 8 anos de terror do Bush) - diz ele em entrevista à empresa (judaica do coração) Vanity Fair que "a eleição americana foi um exotismo histórico" (e "um previsivel desastre económico") - realmente eleger um meio-preto afro-americano para um cargo tão mediático foi péssimo, só com muito cuidado se poderá combiná-lo com a côr das cortinas.

Verdade seja lembrada, os neocons não têm razões para alarme. Analisando à vista desarmada a equipa de Obama há quem já lhe tivesse chamado de facto "o primeiro presidente judeu". Para além da sugestão das cortinas da Laura Bush, ele herdou igualmente quase 100 por cento do léxico denominado "bush-speak" redigido para teleponto pelos assessores para o Contra-Terrorismo: "a Al-Qaeda, essa bela invenção de Brezinski contra os soviéticos no Afeganistão, mantém-se como a ameaça nº1 aos EUA" - e voltando ao mundo côr de rosa - pela primeira vez na história das investiduras presidenciais americanas, haverá um grande baile popular a 65 dólares por cabeça patrocinado pela Maçonaria em honra do presidente eleito e do vice Joseph Biden (este descendente de alegados judeus iraquianos) não se sabe bem indigitado por quem (guess who). Noutros bailes de inauguração mais finórios os acessos podem rondar entre 500 a 2.000 dólares, mas esses não são para aqui chamados.


Show Off - a ilegitimidade face ao Direito Internacional permanece, mas as vítimas mudam de sítio

Espera-se que o novo presidente ordene o encerramento da prisão na Base Naval Naval de Guantanamo no seu primeiro dia de serviço na Casa Branca - "Camp Pendleton" na Califórnia, "Fort Leavenworth" no Kansas; a "Marine Air Station" em Miramar, Califórnia; e a "U.S. Naval Consolidated Brig" na Carolina do Sul serão os novos campos prisionais por onde serão distribuidos os 250 detidos acusados na "guerra contra o terror" - a informação foi posta a circular em memorando classificado de secreto dirigido aos membros do Congresso e foi preparada pelo staff do Pentágono. (fonte: Brian Ross, ABCNews)
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Eu vim dali e lembro-me
Que nasci como toda agente nasce, eu tive uma mãe
e uma casa com muitas janelas
Eu tenho irmãos, amigos e uma prisão ...

"os Filhos da Intifada" - Abdel Rahmen Al Muzayen
made in Palestine
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Michel Chossudovsky: História dos embarques de armas dos Estados Unidos para Israel
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Os israelitas costumam referir-se a Gaza como “Me’arat Nachashim”, um fosso de serpentes. "Gaza é que é o problema" afirmou depois da guerra de conquista, em Junho de 1967, Levy Eshkol,então primeiro ministro de Israel - "Eu estive ali em 1956 e vi serpentes venenosas andando pelas ruas. Podemos fixar algumas delas no Sinai mas esperamos que as demais emigrem". Eshkol estava a discutir o destino dos recém ocupados territórios: ele e o seu governo queriam a faixa de Gaza, mas não as pessoas que lá viviam (Rebelion, Jan.2009)
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