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quinta-feira, abril 30, 2009

a Ascenção da China e a Abdicação da Economia Capitalista Mundial

Nos anos recentes a China converteu-se num actor de topo na economia global, fazendo uma notável comutação a partir da forma de planeamento igualitário socialista, conectando-a simultaneamente com uma economia de mercado aberta, mas apertadamente controlada.
Contra a sensatez e os critérios do establishment oficial, o economista Minqi Li (1) argumenta nesta sua provocatória primeira obra (de 2008, a partir de um ensaio de 2003), que longe de fortalecer o capitalismo (como seriam inicialmente os desígnios de Nixon em plena crise petrolífera de há 36 anos), a completa integração da China nas aspirações do sistema-mundo capitalista, trará de facto, e num futuro não muito distante, uma contribuição para o seu desmantelamento (a cujo principio assistimos já).
O autor conta-nos que historicamente a difusão e crescimento das economias capitalistas sempre exigiram baixos salários, impostos altos e custos ambientais não contabilizados, na medida que uma nação que pretende manter hegemonia comercial para prevenir a concorrência internacional, precisa proteger a erosão daqueles três pressupostos.
Com o declínio do poder económico dos Estados Unidos da América dos Norte, o seu papel hegemónico vai-se deteriorando e o crescimento sem precedentes da China, logicamente causará a erosão dos alicerces do sistema de acumulação de capital – puxando os salários da organização imperialista para cima e provocando maiores custos ambientais, (por exemplo, como os vultuosos investimentos nas 2ªs maiores reservas petrolíferas mundiais situadas no Iraque) – até que o sistema capitalista por inteiro seja abalado até ao seu coração financeiro (o orçamento militar que com Bush chegou aos 455 mil milhões de dólares anuais passou com Obama em 2009 para 735 mil milhões). Concluindo, esta é uma leitura essencial para todos aqueles que ainda acreditam na velha balela friedmaníaca de “que não há alternativa” ao neoliberalismo.

(1) Ao pretender abanar radicalmente “a sensatez e os critérios do establishment oficial” por forma inconstitucional, cuja legitimidade assenta na pirâmide do poder democrático local das bases, Minqi Li foi preso em 1990 permanecendo “prisioneiro politico” até 1992. Sorte a dele; finalmente aproveitou os tempos livres para tarefas profícuas, começando a estudar intensivamente a economia Chinesa, percebendo a partir da sua libertação o seu papel no sistema capitalista mundial.

Minqi Li é hoje professor assistente de Economia na Universidade do Utah e dele diz o neo-marxista Immanuel Wallerstein: “Minqi Li compreendeu algo diferente muito importante. Ele colocou a ascenção da China na era de Mao Tsé Tung prosseguindo até hoje no contexto da História de todo o sistema mundo por inteiro. Desenvolve uma ideia muito persuasiva”. Efectivamente a maior parte dos analistas, por vício da ética de obediência às encomendas da classe dominante, comentam apenas partes ínfimas de sistemas locais isoladas propositadamente (como quem coça os tomates), descartando a compreensão das estruturas globais, enraizando a ideia "que não têm nada a ver connosco", seja lá qual fôr o local onde as aventesmas se encontrem
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quarta-feira, abril 29, 2009

capitalismo e saúde pública

Na passada sexta feira 24 logo pela manhãzinha ficámos a saber pelo indispensável resumo de imprensa do João Paulo Guerra (o autor de “Diz que é uma Espécie de Democracia”) que emergia uma nova epidemia de gripe viral, desta vez oriunda das criações industriais de porcos no México. (as Granjas Carroll (1), na província mexicana de VeraCruz, propriedade da multinacional americana Smithfield Foods (2), com séde na Virgínia, 11 milhares de milhões de dólares de facturação anual, é a maior empresa de criação (clonagem) de suinos e de processamento industrial de produtos porcinos no mundo, com filiais na América do Norte, Europa e China). Face à notícia, a primeira nota vinda a terreiro com carácter de urgência, segundo disse JPG, veio dos teólogos religiosos judeus: o Porco é um animal impuro, não faz parte da ementa kosher e como tal a designação “gripe suína” está incorrecta – a designação correcta deveria ser “gripe mexicana”. José Manuel Fernandes, conhecido e celebrizado como uma dócil boneca de luxo dos interesses sionistas, como sempre foi pressuroso e competente no bombástico titulo de 1ª página lá do pasquim. Um caso concreto de “gripe dos jornalistas”, tanto mais que é seguido pelo DN na capa de hoje, pelo JN, etc. Relacionar a ameaça de pandemia com a indústria pecuária intensiva, com as empresas bioquímicas, ou com as grandes multinacionais farmacêuticas é que não:


a Roche e a Glaxo estavam prestes a declarar falência, mas agora...

terça-feira, abril 28, 2009

Indie Lisboa 2009

"Tinha o carácter louro como o cabelo - se é certo que o louro é uma cor fraca e desbotada: falava pouco, sorria sempre com os seus brancos dentinhos, dizia a tudo «pois sim»; era muito simples, quase indiferente, cheia de transigências."

Casa cheia no São Jorge para a ante-estreia de «Singularidades de Uma Rapariga Loura», uma feliz conjunção (deveria ser (1) do cineasta Manoel de Oliveira com um conto quase inédito de Eça de Queiroz, escrito em Havana em 1874

"Começou por me dizer que o seu caso era simples – e que se chamava Macário (...) Luísa ia examinando as montras forradas de veludo azul, onde reluziam as grossas pulseiras cravejadas, os grilhões, os colares de camafeus, os anéis de armas, as finas alianças frágeis como o amor , e toda a cintilação de pesada ourivesaria.
– Vê, Luísa – disse Macário.
O caixeiro tinha estendido, na outra extremidade do balcão, em cima do vidro da montra, um reluzente espalhado de anéis de ouro, de pedras, lavrados, esmaltados;
e Luísa, tomando-os e deixando-os com a ponta dos dedos, ia-os correndo e dizendo:
– É feio. É pesado. É largo.
– Vê este – disse-lhe Macário.
Era um anel de pequenas pérolas.
– É bonito – disse ela. – É lindo!
– Deixa ver se serve – disse Macário (...)

adenda
* (1) Lembrei-me agora, sobre a conclusão que "Portugal não tem mercado para alimentar o cinema português" que a frase chave do certame é de Hugo Torres:
"Podemos estrebuchar, mas o certo é que é a Academia norte-americana que dita quem goza ou não de reconhecimento massificado"
* "Werner Herzog esteve o ano passado nomeado para um óscar pela primeira vez", mas não passou de uma ameaça; eis outra forma de reconhecimento: pela ausência"
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segunda-feira, abril 27, 2009

a condição das Crianças no Médio Oriente: de figurantes a actores principais

a Força Aérea do Povo Judeu comemorou o chamado "holocausto" voando em F15`s sobre as cinzas de milhões (!?) de vítimas sobre um campo de concentração, a polaca Oświęcim (1), para efeito de propaganda o incontornável Auschwitz; e então, no grand finale recita um cara piloto-aviador: "em apenas 30 segundos podemos ver a transição das terriveís condições de aniquilação de há 60 anos para a situação em que nos encontramos hoje". Nós também vemos.
A simbólica visita efectuada em 2003 teve filme de promoção, "O Triunfo do Regresso" e como as tradicionais cowboyadas meteu veladas ameaças de extermínio (é inevitável avisar os indios): "isto é um testamento para o mundo, avisando-o de que o dizermos "nunca mais" não é apenas um slogan"; o argumento foi contrafeito da mascarada shakespeareana do sonho de uma noite de pesadelo em versão fardada. Como figurantes da dramática trama contrataram-se umas dúzias de filhos e netos de sobreviventes do "holocausto"; e assim, emoldurado com a ingenuidade das crianças, o quadro falsificado em cuja veracidade já ninguém acredita, ficou repintado de fresco.



muito bem, caros judeus sionistas (2). E agora a verdade dos factos:
"o Dia em que Israel começou a usar crianças palestinianas como escudos humanos". Em finais de Fevereiro de 2009 o número de crianças palestinianas detidas nas prisões de Israel era de 423, a mais nova das quais tem apenas 12 anos

(1) a Polónia, uma das quintas ideológico-religiosas mais retrógadas e vergonhosas do planeta, proibiu esta semana, com força de lei, a exibição pública de fotografias de Che Guevara ou Lenine, comparando-os a criminosos nazis

(2) Leitura recomendada:
"A História Escondida do Sionismo"
de Ralph Schoenman (1988),
disponivel na internete gratuitamente aqui
(em inglês)
Ver o mapa da visão sionista de Eretz Israel

domingo, abril 26, 2009

cravos encravados na globalização da Pide

Mário Mendes, na entrevista que deu na sequência da aprovação do "Relatório de Segurança Interna (28 de Março) pôs enfâse em dois pontos fulcrais: a alta taxa de desemprego pode ser um detonador para explosões de violência social, relacionando essa possibilidade com a exclusão dos imigrantes nas periferias urbanas; de onde se infere implicitamente que a conjugação dos dois factores, contestação no âmbito social e os actos de banditismo por exclusão que estão na origem do aumento da criminalidade são os alvos prioritários das forças da Ordem.

O que o "superpolícia" chefe, criado no âmbito da Central de Segurança directamente sob alçada do 1º Ministro, quis dizer, subtilmente, é que tanto a contestação de esquerda como a criminalidade comum serão tratadas da mesma forma. E ilustrou a intenção com a proliferação de armas nos subúrbios, tratando de chamar à colação os acontecimentos em Paris e Atenas.
Obviamente, quem se presta a este tipo de papéis, normalmente é usado e deitado fora; e foi o que aconteceu pouco depois, com a criação da "Unidade de Tecnologia de Informação e Segurança" por parte do Ministério da Administração Interna.

Mário Mendes lamenta-se depois (12 de Abril) "não saber o que se pretende com esta nova central informática, que invade a sua esfera de competência". Afinal, agora, não reportando directamente ao gabinete de Sócrates, já ninguém sabe explicar concretamente quem determina o quê, como, porquê e quando. Muito menos adivinhar quem lhes escreve as ordens.

a Criminalização da Dissidência Política

Correm ventos de feição de Oeste para a insignificante casta de imbecis que pensam que podem aprisionar os sonhos num mundo que, naturalmente, sempre pula e avança. Neste aspecto torna-se cada vez mais penoso analisar a verborreia dos actores nacionais, porque daqui nunca saiu nem sairá nada digno de crédito genuino, excepto tachos bovinos e salários faustosos. Virão novidades ao sistema político, a reboque do que vier a acontecer lá fora, em França ou nos Estados Unidos, mas apenas chegarão aqui, como é costume, normalmente em média 300 anos depois.
Evidentemente, reclamando competência, para os parasitas profissionalizados da gestão actual as directivas são para aplicar de imediato – e a aflição notou-se na primeira página dos jornais no simbólico dia 25 de Abril e na afronta do título: o “Alerta contra os Radicais de Esquerda” - Os toutiços inócuos que pariram a manchete, como previsivel, não são orfãos de mãe politica incerta. São filhos, bastardos mas filhos, de um sistema global, cujas directivas estão a ser postas em marcha.

Desde o principio de Abril que foram presos e estão detidos cerca de 300 activistas em Inglaterra apenas em três operações policiais. Normalmente invocam como causa dos ataques a dissidentes de esquerda a suposta “ameaça à ordem pública”. Manter a ordem pública converteu-se agora num pseudónimo para a criminalização de toda a acção política de não concordância com a politica dos desordeiros instalados no Poder.
Ainda antes da reunião dos lideres do G20 em Londres, 5 pessoas tinha sido detidas em Plymouth ao abrigo da “Lei Anti-Terrorista” em cujos relatórios foram acusadas de possuirem “material relacionado com ideologia politica” (sic). Tudo é feito sem acusação formal, conquanto o facto de ser “activista politico” é considerado hoje, em pleno século XXI uma ofensa; mas quem redige os autos não não os policias de guarda às ruas, ainda que chefão lá no superquartel ou ministério – quem tem um mínimo de inteligência não aspira a uma carreira de cão de guarda. Este caminho, como eles não sabem nem sonham, é escrito contra os trabalhadores nas avenidas mais largas dos interesses do Capital.

A brutalidade das acções policiais de repressão, que cumprem programas pré-definidos, está expressa nas actuações paramilitares sobre manifestantes pacíficos na cimeira do G20. Na agressão pelo bófia que causou a morte de Ian Tomlinson prontamente propagandeada pelos media como “ataque cardiaco fatal”; e dias depois no autêntico cerco e ataque a outras manifestações pacíficas em Estrasburgo, naquilo que haveria de ser o lançamento de um novo movimento de massas contra a politica de guerra da Nato. Antes mesmo de qualquer acção as escassas centenas de participantes (a maioria, dezenas de milhar de pessoas, ficaram retidas na fronteira com a Alemanha) foram alvo de aterrorizamento por milhares de policias de intervenção roubando-lhes a esperança de demonstrarem o seu desacordo. Tinham argumentos e queriam ser escutados. Porém como resposta receberam bastonadas, balas de borracha, bombas lacrimogéneas e foram empurrados como animais até às pocilgas preparadas pela policia de choque. Finalmente foram responsabilizados pela actuação violenta do misterioso “Bloco Negro” cujas origens se suspeita estarem nas próprias autoridades, como forma provocatória para descredibilizar o movimento. Nas palavras de Germán Leyens (em “a NATO, Estrasburgo e o Bloco Negro”), perante o terrorismo oficial do Estado, “muitos dos activistas participantes provavelmente nunca mais se aventurarão de novo numa manifestação de massas”. Mas enfim, a função da Nato é provocar ameaças onde quer que dirija as suas acções. É o seu negócio, e os esbirros apenas cumprem ordens.

Os acontecimentos da manhã de 4 de Abril são minuciosamente descritos por um participante (ver discrição detalhada do blogger Rory Winter) que exigiu posteriormente, como muitos outros, um inquérito à brutalidade policial e que termina com ideias concretas:
Yes We Can (Obama vendeu à Europa a ideia que a Al-Qaeda e Bin Laden são mais perigosos que o exército mercenário yankee que controla a Nato) e tem um programa politico de dividir para conquistar. Um Império em declinio usa cada vez maior brutalidade e métodos mais sofisticados para manter o poder. Nada de novo. São conhecidos os programas do FBI e da CIA para dividir o movimento anti-guerra durante a guerra do Vietname - programas como o COINTELPRO que destruiu o Partido dos Panteras Negras, assassinou Luther King, etc. Não há portanto razões para crer que esses mesmos métodos não estejam de novo a ser usados sob a égide da “Segurança Nacional
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sábado, abril 25, 2009

hoje, como sinal de protesto contra a promoção de um cepo ao generalato, não há post.

sexta-feira, abril 24, 2009

mais uma tribo no reino neoliberal

O partido de Jacob Zuma (líder que herdou o ocidentalizado primeiro nome de algum judeu errante migrado para a África do Sul (1) obteve 66 por cento dos sufrágios nas eleições celebradas na última quarta feira, segundo adiantou a Comissão Eleitoral Independente

¿Quem é Jacob Zuma?

É um Rei Zulu que tem oito mulheres, 18 filhos e 783 acusações criminais por corrupção, violação e homofobia. Coisa pouca mas que arrumaria com a carreira de qualquer político num regime decente. No entanto é este o perfil daquele que será próximo presidente. Jacob Zuma lidera o Congresso Nacional Africano (ANC), o partido de Mandela, que ganhou a sua legitimidade na luta contra o Apartheid. Mais de 23 milhões de pessoas foram chamadas às urnas, enquanto a única certeza é que a população vem sendo “trabalhada” para ser dividida em dois blocos pseudo antagónicos, como é habitual nos simulacros de democracia – uma velha táctica usada para encobrir os interesses comuns das populações em prol dos privilégios de uma ínfima minoria. O segundo partido mais votado foi a conservadora “Aliança Democrática” (16,5%) enquanto o “Congresso do Povo” (COPE) uma dissidência de esquerda de antigos membros do ANC apenas conseguiu obter 8 por cento dos votos. Para um bloco de sul africanos, e para efeito do espectáculo no Ocidente, Zuma será mais um presidente corrupto e polígamo na lista. Mas enquanto os brancos o vêem como um ditador, na prática irá ser usado como arma contra o Zimbabwe de Robert Mugabe, enquanto os negros põem nele as suas esperanças. Mas estão enganados, morrerão da mesma peçonha em que nós agonizamos - o líder tribalista negro e "a sua esquerda" não ficam a dever nada à tribo dos “socialistas” portugueses vítimas das campanhas negras.

(1) Ze'ev Krengel, chairman of the South African Board of Governors, mentioned that thanks to the "contacts between Goldstein and Zuma," the Jewish community could enjoy improved accessibility to the presidency
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quarta-feira, abril 22, 2009

serventuários dos monopólios

CNE: "do dever (da comunicação social) de tratar com isenção e da mesma forma todas as candidaturas" - para compreender por que é que uma figura como o Dr. Garcia Pereira nunca foi eleito para qualquer cargo em representação dos cidadãos "da república"

clique no recorte ara ampliar


do Blogue da Tanga:

"Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino que conhece bem Portugal, o Eddie… Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos”:
- Sabes Eddie, nós os portugueses somos pobres… esta foi a sua resposta:
-Como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que pago eu? Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone móvel 80 % mais caras do que (...) ler o resto
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Zion-Nazi

Nos bastidores da Conferência contra o Racismo (Durban II) realizada a semana passada em Genebra, diversos membros da comitiva do presidente Mahmoud Ahmadinejad abordaram o israelita "prémio nóbel da paz" Elie Wiesel aos gritos de "Zio-Nazi" (Sionista Nazi). O escritor judeu é autor de várias obras que deturpam gravemente a realidade do que aconteceu durante a II Grande Guerra, nomeadamente sobre o auto-designado "holocausto" de 6 milhões de judeus.



Ao boicotar a Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, a administração Obama demonstrou que ter eleito um afro-americano para presidente não significa que os Estados Unidos estejam mais empenhados que a admistração Bush no combate ao racismo global (AlterNet)
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terça-feira, abril 21, 2009

o circo maniqueista ®

e muy esforçadamente lutaram por lugar de mais
valor na gestão das bolhas correntes, sem as quais
os faustos salários emagreceriam parcos, pero não
houveram tempo de se canonizarem como santos


















Durão, o porteiro do golpe neocon, subiu na vida, para um limbo cuja função é a assunpção como irrelevante; e parece que cumpre com competência, em nome dos proprietários do teatro, sempre difusos senão ocultos, que aspiram a mais dele.
Previamente previsto e concertado, o voto de repulsa popular contra o biltre produziu um robot dentro da mesma programação, mas de aparência oposta. Descoberta a fraude, a parte sobrante dos eleitores ausentes entronizou a Múmia como garante da seriedade do regime. Deixa-nos rir; embora o homem tenha fama de nunca ter lambido os dedos no mel da colmeia, a clientela partidária cavaquista sempre se aviou do erário público até se fartar, a vilanagem cuja listagem exaustiva é quase humanamente impossível reconstituir. Se somarmos a outra face do espelho, é tarefa para a ibêéme apetrechada com a tecnologia informática previsivel lá para 2050. Pior para os cálculos é que a corrupção se move mais rápida qua a ciência. Estamos assim dramaticamente enjoados desta viagem, quando o controlador de bordo apita para o rancho eleitoral:

“Seria um erro muito grave, verdadeiramente intolerável, que na ânsia de obter estatísticas económicas mais favoráveis e ocultar a realidade (o enjôo!), se optasse por estratégias de combate à crise que ajudassem a perpetuar os desiquilibrios sociais já existentes”
Ora, não foi este cavalheiro, o príncipe da santa flexisegurança, “Pátria, Empresa e Mercadoria”, (política que gerou o desemprego actual), que na função de PR promulgou todos os decretos propostos pelo governo Sócrates, desde o código do Trabalho barrosista, às políticas de destruição do sistema público de educação e de saúde? – não é o mesmo fulano que agora se vem armar em virgem inocente?
o Outro, pré-programado com pilhas dicotonómicas em fim de vida útil, que, como bom produto de outsourcing à americana sabe muito bem que vai ser descartado para o lixo (na óptica da produção neocon globalizada, pilhas novas são mais dispendiosas que um boneco novo completo) reproduziu o byte 123695_00 - “a política do recado” é apenas um bitáite, ou como dizem os analistas “sérios”: um “impacto na opinião pública eleitoral”. Fixe. Se insistirem no mesmo vinho não tardará nada que a etilizável “opinião pública” não tenha nova “surpresa” – a eleição da Barbie das Finanças de Barroso. Fecha-se o círculo e voltamos a um novo princípio. Há sempre quem acredite que vai ser diferente. Desta vez é que é! Não há bicho mais circular que o eleitor-pescadinha de rabo na boca.

® Bingo!, na campanha informativa da Comissão Europeia sobre as eleições as questões são explicadas por figuras de circo.

* Ilustração: capa do livro "A Grande Crise Financeira, Causas e Consequências" editado pela Monthly Review

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segunda-feira, abril 20, 2009

a proliferação dos holocaustos

depoimento de Hermann Goering , marechal de campo do Império Alemão no julgamento de Nuremberga, no final da 2ª grande guerra:

"Naturalmente as pessoas comuns não querem a guerra, mas afinal de contas são os lideres de uma nação quem determina as políticas, e é sempre um assunto simples fazer crer ao povo que se trata de democracia, ou de ditadura fascista, de um regime parlamentar ou de uma ditadura comunista. Com voz ou sem voz, o povo pode sempre ser conquistado para os intentos dos lideres. Isso é fácil. Tudo o que tem de se lhes dizer é que eles estão a ser atacados, e culpar os pacifistas pelos bloqueios de patriotismo que expõem o país ao perigo. Isto funciona de igual maneira em todos os paises"
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domingo, abril 19, 2009

"a Pobreza do Homem como resultado da Riqueza da Terra"

Curioso, como na Cimeira das Américas, 33 paises estejam de acordo em que Cuba não deve ser excomungada do seio das nações da região; porém os Estados Unidos têm poder de veto e impediram a participação desse país.

É tempo de se impedir que as decisões possam depender da vontade dos mais poderosos. Só serão admissiveis decisões legitimas, baseadas no voto proporcional consoante a vontade democrática das populações - um homem, um voto, nada mais, nada menos que isso. Apesar da infâmia, o ausente acabou por ser o mais falado, e a "prenda" de Chávez a Obama fala bem sobre isso. O livro é "As Veias Abertas da América Latina" de Eduardo Galeano (1970) editado em Portugal apenas em 1998 graças ao intrépido esforço das Edições Dinossauro. Alguns excertos:

(…) “e veio de repente a crise de 1929. O crash da Bolsa de Nova Iorque, que fez abanar os alicerces do capitalismo mundial, caiu nas Caraíbas como um gigantesco bloco de pedra numa poça de água. Caíram a pique os preços do café, das bananas e do açúcar, e o volume de vendas desceu não menos verticalmente. As expulsões camponesas recrudesceram com uma violência febril, o desemprego propagou-se no campo e nas cidades, desapareceram bruscamente os créditos, os investimentos e os gastos públicos; os salários reduziram-se a metade. Levantou-se uma maré de greves. As botas dos ditadores não demoraram a esmagar as tampas das marmitas.

(…) com uma economia escravizada à sacarocracia, uma economia tão dependente e vulnerável como a de Cuba não podia escapar ao impacto feroz da crise, e continuava com o seu destino amarrado à cotação do açúcar – “o povo que confia a sua subsistência a um só produto suicida-se” havia profetizado o herói nacional José Martí – em 1932, em três anos as exportações reduziram-se a metade e o preço do açúcar chegou a baixar no mercado internacional a menos de 1 cêntimo de dólar.
(…) os novos colonizadores não demoraram a fazer chegar um crédito de 50 milhões de dólares: a cavalo do crédito, chegou também o general Crowder, sob pretexto de controlar a utilização dos fundos; Graças aos bons ofícios deste género de agentes, os ditadores sempre tiveram a vida facilitada, porque eram eles quem de facto governava o pais.
(…) duas décadas depois, Cuba tinha as pernas cortadas pelo estatuto da momocultura da dependência e não foi fácil caminhar por conta própria. Metade das crianças não ia à escola em 1958, porém a ignorância era, como denunciara Fidel Castro tantas vezes, muito mais vasta e muito mais grave do que o analfabetismo. Havia em Cuba nessa época, mais prostitutas registadas do que operários mineiros.

(…) Che Guevara (um tipo de esquerda, como o Obama, passe a piada) dizia que o subdesenvolvimento é um anão de cabeça enorme e barriga inchada: as suas pernas débeis e os seus braços curtos não se harmonizavam com o resto do corpo. Havana resplandecia, zuniam os Cadilacs pelas suas avenidas de luxo; no maior cabaré do mundo (casinos e hotéis eram negócios exclusivos geridos por gangsters e mafiosos americanos), ao ritmo dos Lecuona Cuban Boys, ondulavam as vedetas mais lindas; enquanto isso, nos campos cubanos, só um entre dez operários agrícolas bebia leite, apenas 4 por cento consumia carne e, segundo o Conselho Nacional de Economia, três quartas partes dos trabalhadores rurais ganhavam salários que eram três ou quatro vezes inferiores ao custo de vida”
E foi ao regime que tomou em mãos a gigantesca tarefa de pôr fim ao regabofe, que os Estados Unidos impuseram um embargo comercial – o qual, ao fim de 47 anos, a administração Obama se recusa a levantar incondicionalmente. Leia-se, sem contrapartidas que possibilitem o princípio do retorno às antigas condições de exploração.

relacionado
momento de humor: "a oposição venezuelana pede a Obama que se deixe de conversas simpáticas com Chávez"
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sábado, abril 18, 2009

existe o perigo real de Santana Lopes voltar a delapidar o municipio de Lisboa

José Sá Fernandes di-lo, por outras palavras:
clique no recorte para ampliar

a ideia de plantar girassóis na rua de Campolide é óptima. Van Gogh apreciaria a acção; o "Bando de Corvos Voando sobre a Seara" foi a sua última pintura antes de morrer
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sexta-feira, abril 17, 2009

abuso de poder? ou simplesmente Neocons?

para que um dia não digam que não sabiam de nada!
na legenda: "o Fascismo pode causar traumas abruptos e morte violenta: por favor mantenham o Fascismo afastado de crianças e animais de estimação"

com o pedido de reencaminhamento para Durão Barroso, com conhecimento ao seu apoiante José Sócrates:

a ACLU (União Americana para as Liberdades Civis) cujas actividades se centram na restauração dos direitos constitucionais nos Estados Unidos e que fornecem elementos para protectorados correlacionados, divulgou os memorandos publicados pelo Departamento de Justiça através dos quais a administração Bush deu instruções para a prática institucionalizada de Tortura sobre prisioneiros políticos.
* 1 Memo de 18 páginas datado de 1 de Agosto de 2002 assinado por Jay Bybee dirigido a John A. Rizzo (General Counsel CIA) -
ver em PDF
* 1 Memo de 45 páginas datado de 10 de Maio de 2005 assinado por Steven Bradbury dirigido a John A. Rizzo (General Counsel CIA)-
ver em PDF
* 1 Memo de 20 páginas datado de 10 de Maio de 2005 assinado por Steven Bradbury dirigido a John A. Rizzo (General Counsel CIA) -
ver em PDF
* 1 Memo de 40 páginas datado de 30 de Maio de 2005 assinado por Steven Bradbury dirigido a John A. Rizzo (General Counsel CIA) -
ver em PDF

Apesar da contestação geral dos cidadãos norte americanos, a administração Obama já disse que não haverá investigação criminal; também a acção iniciada em Espanha pelo juiz Garzón já foi descartada pela Audiência Nacional ( o mesmo nome da procuradoria da justiça franquista) que já fez saber que não lhe dará seguimento

quinta-feira, abril 16, 2009

Charlie Chaplin 1889 - 1977

Passam hoje precisamente 120 anos do nascimento de Charlie Spencer Chaplin. Nasceu em Londres de pais judeus (a avó materna era cigana, de qualquer modo, semita, o que demonstra mais uma vez que a visibilidade da "raça judia" é uma construção recente). Emigrante a partir de 1910, depois fundador da United Artists, Chaplin viria a fazer uma carreira triunfante em termos de opinião pública na América do Norte, mas nenhuma das suas notáveis obras foi reconhecida com um "óscar" por Hollywood. (de facto atribuiram-lhe um em 1972 pela melhor música de "Luzes da Ribalta" de 1952!, apenas entregue em fim de carreira aos 86 anos) Assumido socialista, foi perseguido durante o mccarthismo o que o levou desde 1953 a uma espécie de exílio dourado na Europa. Para emoldurar o silêncio e o ostracismo oficial a Inglaterra atribui-lhe o título de "Sir" em 1975. Morreu no dia de Natal em 1977.

O Imigrante, (1917) - 25min.07seg.

via MRZine, Monthly Review

yankees go home















no dia em que Obama inicia uma visita ao protectorado do México a cadeia multinacional Burger King lança uma campanha publicitária em que ridiculariza os mexicanos, retratados como uma espécie de super anões retardados face a um pujante cowboy yankee.
Não deixam de ter razão em os diminuir; afinal, depois da monumental revolta contra a fraude eleitoral de 2006 que propiciou a "eleição" de Filipe Calderón, o povo amouchou e reconheceu o biltre neo-conservador como seu presidente - mas de facto não o é para mais de 50 por cento dos mexicanos, que sabem que a visita de Obama não é uma visita de Estado onde se encontram normalmente dois presidentes. Na verdade Obama visita um subalterno
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quarta-feira, abril 15, 2009

Terramotos

“A nossa é uma revolução liberal, burguesa e popular, moderada e interclassista, que preenche um vazio na história. A esquerda em mudança não muda nada (1). É a mesma esquerda comunista de sempre, formada por milhões de adoradores de Estaline, Mao e Pol Pot. Mudam de nome, porém não têm a coragem de renegar o comunismo e pedir perdão aos italianos” – Desde que o “Rocky" Stalone defrontou o Ivan Drago que não se via nada assim, a pose de Estado com que se apresentou o pândego títere do governo consentido pelo povo de Itália, um misto de mussolini e alberto joão jardim, fürher neofascista incontestado do Partido Povo e Liberdade no inicio da recente investidura em novo mandato.

Tradução na prática: Num gesto de generosidade sem limites, o governo italiano concedeu, , junto com a frase que correu mundo “Consideram isto como se estivessem num fim de semana no campismo” uma ajuda de 400 euros aos afectados pelo terramoto na provincia de Abruzzo e a banca protelará durante alguns meses os pagamentos das hipotecas das casas destruídas. Os proprietários de lojas, agricultores, artesãos e pessoas com profissões liberais que se viram obrigados a parar a suas actividades receberão um subsidio mensal de 800 euros. Ainda assim, dirão alguns, do mal o menos; mas é preciso não esquecer, para se comparar ordens de grandeza: ao passo que em Portugal as pensões de reforma rondam em média 30 a 400 euros, em Itália a pensão mínima é de 1.000 euros

A confiança no que a alta roda dos “nossos” dirigentes andam a “produzir” em nome da Europa é tão pouco digno de crédito que segundo as previsões veiculadas pelos media apenas entre 3 a 4 europeus irão votar nas próximas eleições para o Parlamento Europeu. Em face do absentismo, que ultrapassará os 60 por cento, a aflição dos propostos candidatos a deputados pela partidocracia é enorme – tanto mais que a partir de 17 de Junho os novos representantes no aerópago passam a ganhar mais do dobro dos seus antecessores que este ano cessam funções - qualquer coisa como cerca de 8.000 euros mensais, mais ajudas de custo, viagens e outras prebendas - à atenção dos eleitores que ainda pensam em exercer o voto, para que tenham estes números em conta.

(1) Recentemente têm-se publicado diversos artigos na imprensa que postulam o declínio da esquerda na Europa. Nalguns, mais neocons como no ElPaís chega-se mesmo a falar em “naufrágio”. Sem dúvida, o que está ocorrendo e passa despercebido, não é nenhum naufrágio mas sim o afundamento e eclipse dos partidos que fizeram contratos com o neoliberalismo económico, como o SPD alemão, o Partido “Democrata” italiano, o Partido “socialista” de Sócrates ou os semi-extintos “socialistas” franceses das madames Royal e Aubry. Na presente conjuntura, nenhum deles é de esquerda, se é que desde o fim da 2ª GrandeGuerra alguma vez o foram, ou dito de outro modo, se porventura tivessem vontade, se os vencedores os deixariam ser
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terça-feira, abril 14, 2009

a Crise Financeira

Um guia para a entender e explicá-la

"atingimos uma situação em que nem os próprios gestores do capitalismo se fiam nele" Pascual Serrano

As tenebrosas explicações sobre o sombrio panorama económico feitas pelo senhor governador do Banco de Portugal são dadas para os espectadores da geral que não entendem (esperam eles) a natureza do negócio fundado sobre os Bancos Centrais autónomos (geridos por privados e que prestam contas a privados)
¿Alguém deveras crê que o acto de dedicar biliões a apoiar os bancos que provocaram a crise e se negaram a financiar a luta contra a fome que eles mesmos estão a provocar, é um assunto simplesmente económico?
edição em castelhano da ATTAC España
da autoria de Juan Torres López, com prefácio de Pascual Serrano
O livro pode ser pedido para altereconomia@altereconomia.org e custa entre 3 a 1,74 euros cada exemplar (dependendo das quantidades). A menos de um mês da nossa Feira do Livro se porventura alguém quiser deitar mãos à tarefa pode traduzi-lo e editá-lo a titulo gratuito ao abrigo da licença livre da Creative Commons.
(pode ser descarregado e lido em pdf aqui)

Começa a fazer sentido que a Goldman Sachs, a obra judaica de onde emanam quase em exclusivo os responsáveis pelo Tesouro (como o bushista Henry Paulson) - (já para não falar dos políticos às ordens) principal beneficiária da crise que tem arrebanhado a preços de saldo as carcassas bancárias falidas, a maior contributora com fundos para a campanha de Obama, que recebeu biliões em ajudas fabulosas do Estado, tenha tido no primeiro trimestre deste ano lucros exorbitantes e verdadeiramente escandalosos. Reparem bem no brilho dos olhinhos do judeu Lloyd Craig Blankfein, (lindo nome anglo-sax hein? um dos 25 executivos mais bem pagos do mundo)

relacionado:
* 28Set/2008, Capturados na Teia de Aranha da Dívida Pública
* Lista resumida de Judeus em cargos de topo que controlam a FED e o Sistema Bancário Global
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segunda-feira, abril 13, 2009

ratos e democratas

"quem dita a forma de luta é sempre o opressor e nunca o oprimido"
Nelson Mandela

os prejuízos causados por ratos em instalações públicas sensíveis (como por exemplo a casa da Democracia) podem atingir, na média europeia, somas de muitos mil milhares (milhões) de euros para serem reparados. Mário Soares, o grande democrata medalhador de ratos de caserna, quando encomendou a nossa ninhada na Fonte Luminosa, nem por alto deve ter feito as contas aos danos nas instalações, os quais ainda andamos a pagar 35 anos depois. Descontando os lucros reinvestidos na Carluccilândia, com os evidentes benefícios para o país (digamos antes, para certas famiglias), até Soares virou novamente democrata! de esquerda! e anti-neoliberal. Esta coisa dos dinheiros que inflam a juros faz milagres - ainda havemos de ver, como são Tomé, o Frei Soares canonizado pelo papa Obama.

As coisas já não se passam bem bem como no tempo da repressão fácil treinada e doutrinada pela" Segurança Nacional" do Pentágono. Na Tailândia, depois da policia e de outras forças da ordem estabelecida num primeiro momento se terem recusado a reprimir a população, finalmente, depois dos manifestantes terem tomado de assalto um tanque, o Exército saiu à rua - resultado, dois mortos, para já. Mais de 400 soldados estão envolvidos na operação. (ler mais)
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US$1.000.000.000.000.000

"Os líderes do G20 comprometeram-se a destinar um trilião de dólares para combater a crise financeira global. Parte desse dinheiro é para ajudar os EUA, cuja dívida externa são 11 triliões de dólares.

Com a crise financeira, a televisão só fala em biliões assim e triliões assado. À primeira vista parece só questão de juntar zeros: um bilião - 1.000.000.000 (9 zeros); um trilião - 1.000.000.000.000 (12 zeros); um quatrilião - 1.000.000. 000.000.000 (15 zeros) e por aí fora. Mas não é bem assim. Um trilião é número escandalosamente elevado, excedendo a nossa habilidade de compreender em unidades monetárias. Li um dia, algures, um bom exemplo do que é um trilião. Imaginemos que queremos reunir um milhão de dólares juntando um dólar por segundo. Um milhão de segundos são aproximadamente 12 dias, portanto, a um dólar por segundo, em 12 dias teremos reunido um milhão de dólares. Mas reunir um bilião de dólares pondo de lado um dólar por segundo já é mais demorado, visto um bilião de segundos serem aproximadamente 32 anos. Se começarmos agora a pôr o dinheiro de lado a um dólar por segundo, teremos um bilião de dólares no ano 2041. E para reunir um trilião de dólares será necessário um trilião de segundos, ou seja aproximadamente 32 mil anos. Só teremos o trilião lá para o ano 34009 (...)
Nesta altura, o Bureau of Engraving and Printing, a Casa da Moeda dos EUA, está a imprimir diariamente 700 milhões de dólares, metade em notas de um dólar e o restante em notas de cem. Há cada vez mais dólares em circulação, mas valem cada vez menos. Nesta altura um dólar vale 75 cêntimos de euro. Mas daqui a cinco anos, quanto valerá?"
Eurico Mendes, in "Portuguese Beat"
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domingo, abril 12, 2009

Romaria



a partir de agora até peregrinar a igreja pra acreditar em santo fica mais dificil. As autoridades ordenaram a construção de um muro de contenção às favelas do Rio de Janeiro. "Aqui só vive gente, bicho nenhum tem essa coragem" dizia Carlos Drummond de Andrade.
(jornal Recomeço)

Zé Ramalho, "Vida de Gado":



“ ...neste mundo em que os grandes larápios prosperam impunemente no topo da escala social. Nesse meio, já se sabe que só os pobres são ladrões. Essa é uma supertição que remonta à antiguidade... Não há nada mais imoral do que roubar sem riscos. É o risco que nos diferencia dos que praticam o roubo legalizado.”
Albert Cossery, in "As Cores da Infâmia"
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sábado, abril 11, 2009

"semana santa" (II)

Ao domingo de Páscoa, frente ao cabrito assado com batatinhas e tinto reserva de Borba, imaginamos como acaba a estória, mas não sabemos como começou. Com a chegada dos árabes à peninsula Ibérica existiam numerosas versões das mitológicas “Toledoh Yéshu” – a Vida de Jesus, (Toledoh, que significa Vida, foi o primeiro nome da capital árabe Toledo). Nessa época a religião cristã é equiparada ao judaismo, ambas descendentes de idolatrias, de adoradores de estrelas, de oportunistas, adivinhos celestiais e messiânicos astrólogos. Todas as crenças populares adquiridas através das lenga-lengas destes místicos eram de origem pagã (do grego pagus, aldeia, rural, por oposição ao esclarecimento das romanas civitas). Segundo Jacob Katz, em “Exclusion et Tolerance”, apenas o Islão,(e porquê as ditas sinagogas hispânicas tinham traça árabe?) como religião oficial do Poder, merecia credibilidade aos sábios hispano-árabes-judeus sobre a pregação da unidade divina absoluta, como constatava Maimonides para quem a religião maometana nesse ponto não oferecia dúvidas. Todas as outras religiões, crenças e mitos eram politeistas, principalmente o “cristinianismo” com aquela treta doutrinária da “santíssima trindade, três deuses em um”, com que tinham colonizado ideologicamente o Império Romano, uma das causas da sua decadência. Foi preciso esperar pelo século XII e por Salomon ha-Meiri (1249-1316) para que o Cristianismo fosse admitido como uma religião monoteista. Começando por nos apresentar as personagens principais, reunindo os diversos resumos sinópticos da época, a lenda de tradição oral de Yéshua rezava assim:

“a rainha Helena (por ela se diz helenisticos dos gregos), Myriam (Maria) que lhe seria aparentada e Yosep (José) o amante tímido, que conseguiria seduzir a jovem fazendo-se passar pelo seu noivo, Yohanan (João), de quem se havia feito amigo precisamente nessa intenção: tendo-se aproveitado de Myriam no período menstrual, Yosep não consegue ocultar o seu delito, visto que Yohanan, forçado a justificar-se, jura que não poderia ter cometido um tal acto, contrário às regras religiosas judaicas. Tendo identificado o seu sedutor, Myriam reprovou a Yohanan a má escolha dos seus amigos. Desesperado, Yohanan foi pedir conselho ao seu mestre Shim`on ben Shetah, o qual o conjura a colocar guardas às portas e janelas da casa de Myriam. Porém, Yosep suspeita de uma armadilha e abstém-se de novas visitas. Receoso da sua reputação, Yohanan fugiu para a Babilónia, onde se dedicaria ao estudo da Tora. Myriam, desencorajada e entregue a si mesma, abandonou-se ao seu sedutor e tornou-se uma mulher de má vida. Jesus nasce e a sua mãe mando-o circuncisar (um costume egipcio), enquanto faz espalhar os rumores duma “imaculada concepção”. Como se acaba por descobrir as origens de Jesus? Ele vai ao “Beit Hamidrash” (Casa de Exegese, o mesmo que Madrassa) onde o seu talento e erudição chamam a atenção do Mestre e dos seus condiscípulos. A sua vaidade porém leva-o a ensinar, na ausência do Mestre, as “Halákha” (de Aláh, regras religiosas redigidas em nome de Deus), isto apesar das repetidas advertências dos auditores que o ameaçam. A chegada do Mestre tira-o dessa má situação, mas não acaba com a sua insolência, porque Jesus persiste e continua a reclamar-se de um precedente célebre: Moisés, o nosso Mestre, (o que de facto nunca existiu) também ele não tinha passado por cima e suplantado o seu sogro Jetro?
Para o Mestre aquilo era o cúmulo: somente um nascimento impuro podia explicar tamanha insolência. Em tais circunstâncias Jesus foge e constrange a sua mãe a revelar-lhe a sua verdadeira origem. Myriam mantém que, com efeito, o tinha concebido do seu namorado Yohanan que fugira. Pouco tempo depois, Jesus de novo nas graças do seu Mestre, repete as suas faltas: quer ser tomado por um deus, profana o dia sagrado de Sábado e força o Sinédrio a convocar a sua mãe para avaliar a falta cometida por ela – e apesar de ela ter coabitado com Yosep seu amante, o tribunal usa de benevolência e deixa-a em liberdade.
Após muitas peripécias, assiste-se à prisão de Jesus, ao seu julgamento, à sua encarceração e à sua fuga: Ele caminha sobre as águas, encanta os peixes, satisfaz as necessidades do seu bando, multiplica os pães por magia e cria sumptuosas roupas. De novo preso, é julgado, condenado, lapidado, enforcado e exumado ao fim de três dias para pôr fim ao boato que mesmo morto ele teria fugido para o céu”
(in Günther Schichting, “Ein Jüdisches Leben Jesus”, 1982)
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sexta-feira, abril 10, 2009

"semana santa"

por isso, quando o tipo ressuscitar daqui a três dias
e já se puder comer carne,
previne-te, usa o preservativo!

quinta-feira, abril 09, 2009

o FMI está de volta, ou seja, querem pôr a raposa a guardar o galinheiro

Lenine argumentou que o aparecimento no principio do século XX dos cartéis monopolistas bancários e industriais teria como consequência uma explosão do capital financeiro. De acordo com Lenine, no último estádio do capitalismo quando se verifica a perseguição dos grandes lucros, muito maiores do que aqueles que os mercados internos poderiam oferecer, o capital passaria a ser ele próprio um “material de exportação”. Tal facto levaria à divisão do mundo entre as empresas monopolistas >>> o Imperialismo é o estádio superior do capitalismo >>> assente nos monopólios e na exportação de capitais (muito mais que mercadorias – muito, muito mais, diriam os neoliberais), prática que tem como uma das consequências o colonialismo.

É de novo de colonialismo que tratam as conclusões do G20, ao converter o até à pouco considerado irrelevante FMI num “novo banco central mundial”. Esta odiosa instituição é de facto a grande ganhadora da reunião desta espécie de concertação social mundial, entre patrões (os G8) e os sindicatos dos países emergentes que fornecem mão de obra e outros produtos baratos (que completam o G20, ou seja, 70% do PIB mundial)
De modo prático e efectivo, “os empréstimos” do novo FMI reciclado pelo G20 (sustentados com dinheiros públicos e garantias dos Estados nacionais) serão destinados a salvar as mesmas companhias multinacionais e bancos transnacionais que geraram as crises nos países emergentes - que nunca mais passam de “subdesenvolvidos” (para utilizar o termo capcioso usado pelo Imperialismo, porque o conceito de “desenvolvimento” não tem de ser de facto igual ao imposto financeiramente pela norma ocidentalizante)
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quarta-feira, abril 08, 2009

crise atinge novo patamar

Os fundos de pensões públicos nos Estados Unidos perderam cerca de 9 por cento do valor nos primeiros dois meses do ano, o que se segue a perdas em 2008 de cerca de 30 por cento. A desvalorização dos fundos apostados em bolsa origina menores investimentos e a perda de empregos nos municipios e governos locais por todo o país. (Financial Times)

Entretanto Obama está de visita relâmpago ao 53º Estado da União, a República Libertada do Iraque, onde cochicha segredinhos sorridentes aos militares, que é como quem diz:
"durmam descansados que com vocês nunca haverá problemas"
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terça-feira, abril 07, 2009

a guerra das civilizações

Enquanto Obama cinicamente critica a Coreia do Norte por “não seguir as regras” (que regras?) centenas de ataques com bombas são lançadas de “drones” norte americanos sobre as zonas tribais na fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão. Entretanto Obama jura a pés juntos na conferência da “Aliança das Civilizações” que “os EUA nunca estiveram ou estarão em guerra com o Islão”. Os novos bombardeamentos de ontem à vila de Datta Khel (Miranshah) causaram a morte a 13 pessoas e inúmeros feridos, entre eles estrangeiros, mulheres e crianças, continuando a provocar uma grave crise humanitária em toda a região. Desde que Obama foi empossado, com a intensificação da guerra sobre o Afeganistão alargada ao Paquistão, o número de deslocados segundo as Nações Unidas (IDP) atinge já os 546.000

segunda-feira, abril 06, 2009

Change (X)

reprodução do quadro: "Dionisio e os seus musicos consortes descobrem Ariadne dormindo no alto de uma montanha"
Elsie Russell, "A Descoberta de Ariadne", 1981

Silvio mon amour e mais o tipo “bronzeadinho do sol” que, alheio aos males do mundo se diverte e brinda contigo: “a resposta para a crise que está a chegar será dada por uma sociedade desobediente”. Será a primeira revolução de indivíduos da história que se oporá ao individualismo (o homem é um animal gregário, que só pode viver livremente em sociedade; assim também a liberdade de associação se oporá ao liberalismo”. (para ler por Jorge Majfud, no Tlaxcala)

domingo, abril 05, 2009

Change (IX) o dia europeu sem cuecas

"Boxers or briefs? I chose boxers many times over them damn borin' daily briefs. Al-Kida this and Al-Kida that. Freeballing American!"
George W. Bush
Certo! sobre a banalização das dúvidas sobre a Al-Kida práki Al-Kida prácolá os norte americanos por obra do biltre ex-presidente acabaram por ficar sem cuecas; mas com o seu sucessor a prática tende a alastrar à Europa,
a secretaria Clinton em Haia em 31 de Março:
e o presidente Obama em Estrasburgo a 3 de Abril:

afinal em que é que ficamos?
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