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quarta-feira, setembro 30, 2009

"Os direitos em Portugal transformaram-se em serviços onde tudo tem que ser pago"





Garcia Pereira: "A comunicação de Cavaco Silva só veio comprovar que tinha razão quando exigi que ele desse explicações ao País, pedisse desculpa aos portugueses e renunciasse ao cargo. Na verdade, o que Cavaco veio dizer é que não é crime nenhum encomendarem-se "notícias" aos jornais, que não acredita que o seu Assessor tenha feito algo de mal mas que mesmo assim o demite. E, finalmente, que suspeita que o sistema de comunicações informáticas da Presidência da República foi devassado por alguém, que obviamente só pode estar ligado ao Governo. Encomendar notícias é um truque absolutamente inaceitável por parte de um PR de um Estado de Direito Democrático. Mesmo que o Assessor tivesse agido à sua revelia e contra a sua opinião - e já se viu que não foi - deveria demitir-se à mesma porque um Presidente que tem Assessores desses não pode merecer a confiança do Povo.
E finalmente, se tem suspeitas de que as suas comunicações sejam interceptadas, não vem para a Comunicação Social especular sobre isso mas apresentava a competente queixa crime e se tinha indícios de que era o Governo o responsável demitia-o de imediato. Independentemente da posição que se tenha sobre Sócrates e o PS, fazer o que Cavaco fez, e em particular dois dias depois das eleições e à beira da tomada de posse do novo Governo, é de todo politicamente inaceitável e só tem um nome - é um verdadeiro "golpe de estado palaciano"!

28-9 "(...) não consigo deixar de referir que, ainda hoje, apesar dos resultados do MRPP, o Jornal Público se permite listar os resultados eleitorais distrito a distrito, contendo as votações nos 5 partidos do poder e... no MEP!!! Feito o devido protesto pelos serviços da candidatura, o editor de serviço Alvarez respondeu que... amanhã seria publicada uma “errata”! Palavras para quê? São os chamados “critérios editoriais”!!!
Garcia Pereira, in "ao trabalho"

Não podemos ter a menor dúvida que o aumento de votação no candidato a deputado Garcia Pereira se ficou a dever a um momento de exposição a grande audiência em televisão. Como seria se a sua mensagem fosse retransmitida normalmente em plena equidade com todas as outras forças politicas durante todo o ano?



revista de imprensa

* Intervenção da UE no Referendo da Irlanda considerada ilegal:
"a Comissão Europeia é acusada de interferência ilegal nos assuntos internos irlandeses depois de ter pago um opúsculo de 16 páginas promovendo o Tratado de Lisboa inserido em todos os jornais de influência nacional. A distribuição de 1,1 milhões de exemplares custou 139.000 Libras aos contribuintes europeus"

* "Um presumivel "Não" da Irlanda não irá parar a Europa, diz o governo pró-sionista de França"

* Êxodo de civis atinge proporções bíblicas: "A decapitação do Paquistão é feita pelos seus próprios militares"
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Cavaco escuta: o povo vai estar em luta

que vá sua excelência aproveitando o tempo que lhe resta, porque não volta a pôr os pés no palácio de Belém, a menos que seja na função de conselheiro de Estado para os assuntos do PSD (1)
















Pedro Silva Pereira, porta voz do PS:
"Essa suspeição totalmente absurda e infundada, a ser levada a sério, seria obviamente de extrema gravidade. É merecedora de esclarecimento cabal. O PS regista que o senhor Presidente da República não só não referiu, ao contrário do que alguns esperavam, nenhum facto susceptível de conferir um mínimo de razoabilidade a essa suspeição, como expressamente recordou que ele próprio nunca referiu tais suspeitas" (fonte)

(1) Sendo a fonte original de todo o embróglio de suspeições, que fundamenta a falta de "cooperação estratégica" entre o governo PS e a presidência CS - o jornal de José Manuel Fernandes - fica relativamente fácil perceber-se que, face ao desastre eleitoral do PDS e subsquente decepção do lobie que lhe é afecto, a intenção é minar a nomeação de uma pessoa: "Sócrates, em quem o PR não confia para chefe do novo governo". A opinião pública avisada deveria compreender rapidamente que nenhuma das personagens do actual quadro politico mais os seus agentes nos "media" tem condições para continuar a aparecer-nos pela frente. Cavaco tem o caso do enriquecimento ilicito com as acções do BPN e o escândalo do seu conselheiro de Estado por resolver com as inexistentes "autoridades judiciais". (A separação dos 3 Poderes é actualmente uma falácia). Sócrates está ferido pelo caso "Freeport" e Portas com o processo das comissões dos submarinos, que envolvem ambos casos de lucros que configuram crimes e/ou financiamento ilegal de partidos. "Ainda a procissão vai no adro" como diz hoje JMF em editorial? ou que mais será preciso acontecer para que todos os envolvidos sejam postos de imediato à margem de quaisquer cargos que envolvam responsabilidades sobre a coisa pública?
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terça-feira, setembro 29, 2009


da notoriedade do grupelho do Portas

“Ganhe um ou outro, seja o PS ou o PSD é terrível, juntos ou cada um por si, desde que em maioria absoluta a distância até à ditadura é um milímetro” (Ana Paula Alves, professora, 50 anos)

Desde o golpe militar de 25 de Novembro, pese embora os esforços sistemáticos (e inglórios actio ex empti) do PCP, nunca houve em Portugal um governo de maioria parlamentar de Esquerda. Mas permanece a ilusão entre importantes sectores da sociedade – porque é que, por livre iniciativa dos mesmos promotores que gerem o sistema há três décadas e meia essa solução seria agora implementada?
O sistema de ditadura de “Bloco Central” é perverso, na medida em que as oposições são na verdade compostas por vários grupos que se digladiam entre si, não existindo essa simplificação exagerada que dá pelo nome de “povo unido”; tanto mais numa economia aberta e improdutiva com o pouco de útil que sobra à nossa função de consumidores a ser canibalizado pelos interesses estrangeiros aos quais toda uma geração de dirigentes corruptos (mas “socialistas” e “social democratas”) que se venderam e vão vendendo (ademais desacreditados pela miragem da 3ª via que se finou pactuando com o Bush).

Os esgotados arautos da esgotada social democracia ipsi verbis o socialismo em liberdade gostam de arengar com o espírito inicial da coisa, que então perante as oligarquias monárquicas do século XIX era uma ideia revolucionária: que as reformas viriam de cima, das cúpulas, em resposta à pressão da revolução precedente de baixo: “o espectro do comunismo, teorizado por Marx, que varria então a Europa”. E o combate da burguesia contra os movimentos revolucionários desembocou na carnificina de uma guerra imperialista que acabou numa nova partilha de mercados destinados a apaziguar pela exploração além fronteiras as necessidades básicas das populações. Sob a égide dos nacionalismos, todas as potências se bateram tendo em vista esse mesmo objectivo, tentando escapar a períodos de crise como a que acabaria por ser despoletada em 1929 com o fim da indústria intensiva do fabrico de armamentos.

Quando se tratam dos “interesses nacionais” sabemos ao que isso conduz; ao mandar às urtigas a fraternidade internacionlista e ao tocar a reunir de ditadores que assumem o comando num ambiente de declínio, destruição e desmoralização. A social democracia desaparece e a ditadura que a substitui não consegue formar uma base social que a sustente politicamente. É preciso inventá-la. (no Portugal de 2009 tanto PS como PSD têm perdas eleitorais estrondosas). Ameaçar com o perigo da invasão dos estrangeiros que vieram para nos roubar trabalho e o mais que houver "de nosso"; a falta de segurança que carece de maior reforço policial; as ajudas aos indigentes que põem em perigo a “riqueza da nação” - ao mesmo tempo que passam com uma esponja os lucros e salários milionários dos emigrantes de luxo (como os judeus ricos na Alemanha de Weimar); ou com o controlo bio-politico das populações através do terror da morte como aconteceu com a epidemia de gripe pneumónica em 1918.

As analogias das três primeiras décadas do século XX com a nossa época são tão evidentes – quanto devem ser alarmantes, porque foi deste caldo efervescente que surgiu a estabilidade ofensiva do regime nacional socialista de Hitler – que mais não era senão a miragem de uma “socializaçãoimposta a partir das cúpulas pagas e impostas pelo capital monopolista. Claro que o NSDAP (o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) era o “partido dos trabalhadorespara ser usado pelos empresários do capital financeiro, o papel que compete hoje aos dois partidos do Bloco Central da Democracia Social – cuja acção é completada por grupelhos populistas e demagógicos, parva sed apta, elevados artificialmente à condição de importantes na criação de agitação e medo anti comunista para que as populações se submetam aos desígnios do Estado neoliberal. Tem sido esse o papel desempenhado pelo único ex-ministro português que foi condecorado pelo Pentágono, a cúpula militar imperial do IV Reich.

Quando o III Reich foi destruído, essencialmente pela acção do Exército Vermelho dos Sovietes que tomou Berlim, contrariando assim as previsões que davam como certa que a história tinha acabado com a mundivisão nazi, a luta de classes não tinha de facto terminado, como se veria. Para aqueles que pensam que o Nazismo terminou em 1945, ficam as palavras (que inspiraram Sofia referindo-se ao nosso fascismo tardio como “o cadáver adiado que procria”) palavras de plena actualidade (acerca do Bloco Central que controla todo um povo) ditas então por Bertolt Brecht:
“É ainda fecundo o ventre de onde saiu a coisa imunda”!


"Vote em matéria de facto, não em Imagens"
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segunda-feira, setembro 28, 2009

cinha

È preciso não esquecer que começa hoje nova campanha; nem o efeito com que a dupla portas-santana pode provocar nova catástrofe em Lisboa. Estes dois, mais a Cinha, são uma tripla atrevida no populismo que se abate sobre as velhas massas ignaras e alcoviteiras:

Gente: Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?
Cinha: Com o George Clooney. Podíamos conversar sobre animais, algo que temos em comum. Eu tenho um porco e ele, segundo li, também já teve um porco.
Observador atento: não seria ao contrário querida?
Gente: as aparências iludem?
Cinha: Claro que sim, as aparências iludem muito. Mas eu tenho alguma experiência, não me deixo iludir facilmente.
(in suplemento Gente, Diário de Noticias, Sábado 26)
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domingo, setembro 27, 2009

sondagem à boca das urnas

19 horas. Ainda não se viram livres do último eleitor e já começaram nos bastidores, como habitualmente (se não antes) as congeminações para a formação de um governo de bloco central com o alto patrocinio do ex-militante oriundo do PSD actualmente na presidência da república. Com o bondoso programa de resolver a crise em nome do que disseram a maioria dos portugueses. Para já parece que a abstenção diminui, o que é bom para os promotores do negócio eleiçoeiro. É indispensável que existam figurantes contabilizáveis com abundância e espírito easy-bronco para se encarneirarem de novo quando lhes comunicarem as (mais uma vez) novas decisões de austeridade feitas em seu nome.

Da natureza de classe se vê de imediato os objectivos de cada componente do espectáculo mediático e a atenção e o dinheiro que lhes são dispensados - uma panóplia de charriots, girafas elevatórias com câmaras televisivas em frente da porta do luxuoso hotel Sofitel-Avenida aguardam pela lider e sequazes do PSD para o show-off do anúncio dos resultados:

por contraste com os austeros três carros de exteriores em frente da séde do PCP:

enquando o populista PS se preveniu de meios de propaganda ambulante de grande efeito para arrebanhar incréus nas arruadas. Na verdade são apenas algumas dezenas de figurantes que aparecem no local, mas visto em televisão do cu de judas parece ter acontecido um grande evento...

em actualização:

* 3,5 milhões de portugueses, ou seja, aproximadamente 40% de 8,6 milhões de eleitores recenseados, não votaram. Se, como disse Nuno Ramos de Almeida, "A legitimização da democracia não é feita por “acertar” (no ganhar ou perder), mas por envolver a maioria das pessoas, na decisão de um destino comum". Assim sendo, a maioria dos portugueses aqui não decidiram nada; os trabalhadores e a classe média, saíram mais uma vez derrotados no seu conjunto. É preciso radicalizar a luta fora da cena eleitoral

* Abstenção recorde; é simplesmente vergonhosa a forma como se omite a elevada abstenção nas contas dos resultados

* fiasco: os dirigentes do PS mandaram distribuir 100 bandeirinhas no largo do Rato. Recuaram quando perceberam que era escassa a populaça que regorgitou no local para as "comemorações"
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de que forma se processa o rapto da esquerda na América? (e nos arredores ideológicos)
















o grupo dos G20 em Pittsburgh
, que leva Ângela Merkel mediaticamente ao colo na qualidade de “querida e influente líder europeia” em vésperas de eleições na Alemanha, “criou mecanismos concretos de controlo de desmandos no mercado financeiro”, diz-se. Mas no relato, salvo intenções cínicas, “de concreto” nada se vê (1) Excepto a ideia que a lógica capitalista de acumulação de mais valias (lucro sem trabalho acrescentado, ou a "indústria financeira" como lhe chamou Obama) agora em novilíngua imperial se designa por “desmando”. Não seria mais lógico pôr em causa as origens do problema em vez de se tentar arranjar mézinhas ridículas para curar as consequências?

Mutatis mutandis, que liberdade de opção para quem contesta a imposição do pensamento único transantlântico "burro ou elefante"? Os contestatários são tratados policialmente como sendo "um problema técnico" e criminalizados: 1º a contestação no espaço público é muito menor porque a policia impede violentamente o acesso ao local das reuniões; 2º desta vez os poucos que não desistiram de se manifestar foram isolados e concentrados à força por milhares de policias num subúrbio de Pittsburgh a dezenas de quilómetros de distância da reunião do G20. 3º Ainda assim, foram perseguidos individualmente por paramilitares fardados e literalmente raptados e enfiados em carros civis sem qualquer identificação. Isto acontece exactamente no mesmo campus universitário onde Obama foi avacionado há escassos seis meses:


A muldidão que ia permanecendo foi confrontada por carros blindados e outros equipados com armas acústicas (LRAD), sobrevôo de helicópteros e intimidados por slogans dos cães de guarda à ordem ilegal estabelecida: "não obedeçam ao que os vossos lideres dizem; vocês podem ser detidos e encarcerados; dispersem":



finalmente a carga policial com disparos de gás lacrimonégeo; ninguém imaginaria que estamos na América…a pátria da liberdade de expressão (ver vídeo)

(1) Sérgio Aníbal, Público 26-9, pag3: “Nas negociações do comércio internacional e nas questões para o equilíbrio económico do planeta, os assuntos que mais afectam a China, Índia, Brasil (a Rússia e outros paises menores) não se vislumbrou qualquer sinal de acordo (…) Os únicos acordos continuam a ser no eixo transatlântico, entre os EUA e a Europa, nomeadamente sobre regulação no sector bancário”. Ou seja, mais do mesmo
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sábado, setembro 26, 2009

cultura, ensino e propaganda

DN, 19 Setembro

"Rose lembrava-se da sua infância. Via as guerras como jogos para onde os soldados eram obrigados a ir, onde se podia matar sem se ser castigado. Como um jogo onde se podia ganhar ou perder"
in "O Mundo em que Vivi", Ilse Losa, 1949

A pensar nos tempos eleitorais, o Teatro Maria Matos preparou para este fim-de-semana "aulas de política para crianças". Que raio, haverá alguma coisa que se faça nesta amostra de país que não obedeça às directivas educacionais "vote yes" dos norte americanos? como se sabe desde Goebbels, a endoutrinação de crianças não é propriamente uma coisa bonita. Neste video crianças ensaiam uma elegia a Obama para recitar à sua chegada:

sexta-feira, setembro 25, 2009

Um pedaço de papel inútil

Quarta feira 23-9. O presidente líbio Muammar al-Gaddafi , que em 40 anos falou pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU em New York, leu alguns extractos do Carta fundadora das Nações Unidas (nomeadamente onde se diz que todas as nações são iguais, sejam elas pequenas ou grandes) e de seguida arremessou-a como lixo pelo ar. Tem razão, criada no pós-guerra sob supervisão do imperialismo americano, a ONU converteu-se num instrumento de domínio e aterrorizamento dos países pobres (ou apenas dos ciosos da sua independência) que são ameaçados pelas grandes potências capitalistas. al-Gaddafi, que discursou depois de Obama, recordou que desde que foi fundada em nome da paz em 1945 “já aconteceram 65 guerras, o que é mais que suficiente como prova de que os seus princípios foram atraiçoados"

(Discurso completo aqui)
A mentalidade criada por décadas de obscurantismo educacional- propagandístico no Ocidente reflecte-se nos comentários do you-tube: 1."Povos de todo o mundo, chegou o tempo de ouvirmos toda a gente de todos os lados, de aprender novas linguagens e novas formas de pensar" 2. "Eu cá nunca recebi cheque nenhum, portanto quero que o gajo se fôda"

Sem tradução viciada (ou com a voz do locutor de televisão sobreposta, como na TVE), al-Gaddafi foi entrevistado pela Al-Jazeera. Sobre o conflito israelo-palestiniano afirmou peremptório: "Nós os árabes, não aceitaremos a solução de "dois Estados" enquanto Israel possuir armas nucleares"

(fonte: TVE)

o cerco de Tegucigalpa

* tópicos a reter no atropelo aos direitos humanos nas Honduras: a Policia, os Militares e as Secretas são instituições fundamentalmente de direita, na medida em que são instrumentos do Estado ao serviço da protecção incondicional da propriedade privada (ver video)

* Golpistas fazem prisões em massa nas Honduras para impedir levantamento popular; pistoleiros mascarados cercam a embaixada brasileira. Saques a supermercados e bancos indicam perda de controlo da situação. Isolamento do regime aprofunda-se após discurso de Lula na ONU, em defesa de Zelaya (Agência Carta Maior)
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uma jogada que resulta sempre

A sotaina e a bota da tropa constituem peças de fardamento que são vendidas na mesma loja de produtos alucinogéneos. Confrontado com o estúpido e costumeiro papão do "comunismo & esquerdismo", sua excelência actuou célere e prefere o beato nazismo reciclado, do tipo que não passa por manipulações de sondagens católicas, nem precisa de cortes no orçamento de Estado: “Sua Santidade o Papa Bento XVI vai visitar Portugal pela primeira vez em Maio de 2010, em resposta a um convite endereçado por Cavaco Silva, anunciou hoje a Presidência da República, no seu sítio oficial da Internet
Pretendendo interferir mais uma vez na orientação do voto dos portugueses, na aflição de desviar as atenções do escândalo das acções de spin para a comunicação social Cavaco foi célere (perdão, os seus assessores para os assuntos de sacristia, porque o PR não sabe nem se mete em nada), ultrapassando até o acordo prévio que tinha com o Patriarcado de anunciar a visita do Papa em conjunto com a ICAR apenas na semana seguinte às eleições.

até aqui tenho-me dedicado a descrever a escultura. Chegou o tempo de analisar a pedra
(José Saramago, sobre o seu novo livro, "Caim")
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quinta-feira, setembro 24, 2009

O cisne negro faz a sua aparição oficial: a Hiperinflação

exactamente 40 dias depois de ter sido aqui lembrado que o destino previsível da crise, originado pelas ajudas do Estado, seria um clima de inflação generalizada (aqui em 16 de Agosto) e (aqui em 18 de Agosto) o director do nóvel jornal “I” (eis a função desinformativa da imprensa corporativa: impedir a revolta das massas até que seja possível apresentar os factos como consumados) vem hoje em editorial traduzir a situação em linguagem doméstica:
“(…) não é o anunciado fim do sistema capitalista, mas um perigoso aumento da dívida dos países. Ora os bancos centrais sabem bem que para resolver este problema basta deixar derrapar a inflação - diminuir o valor do dinheiro baixa automaticamente o valor de uma dívida. É simples: quem peça dinheiro ao banco para comprar uma casa num país em hiperinflação, como por exemplo o Zimbabué, só tem de esperar que a inflação suba para depois liquidar essa dívida com pouco dinheiro. Parece raciocínio de escola, mas é assim mesmo - e por isso os bancos não emprestam dinheiro no Zimbabué. Nassim Nicolas Taleb, que previu esta crise, não hesita em dizer que a saída consiste em deixar derrapar a inflação - transformando a dívida em dinheiro fresco.

E em Portugal? - O país tem uma dívida grande (107% do PIB), motivada pela necessária ajuda pública à economia, tem uma economia dependente do estrangeiro e urgência de mostrar resultados em 2010. Isso significa que a prometida aposta (por PS e PSD) nas PME não daria frutos já - é impossível orientar num ano as decisões individuais de tantos portugueses (são mais de 2 milhões em empresas com menos de três empregados). O que tem efeitos mais rápidos, portanto, são as obras públicas (só o PS as defende) e um incremento do consumo privado (só o PCP fala nisso). Isso vai representar mais gente a gastar mais dinheiro - ou seja, mais dívida (ou mais dinheiro emprestado). Deixar derrapar a inflação, por isso mesmo, surge como estratégia simples” (ver texto completo)

Em resumo, parece estar fora de causa que a ajuda politica à transição para um clima hiperinflacionário vai ser dada pela “maioria de esquerda”: PS (o keynesianismo das obras públicas e militares), BE (acção para regulação moral do sistema capitalista) e PCP (o aumento do consumo para “melhoria das condições de vida dos trabalhadores”). Abençoados sejam todos, incluidos no quadro do politicamente falido parlamentarismo burguês, sob a circunspecta vigilância de sua excelência o presidente que se notabilizará pelo copo de cerveja a 5 euros.

O capitalismo vai nu; e os economistas da burguesia transnacional não se entendem sobre deflação e inflação. Obviamente a hiperinflação é um animal diferente. Por exemplo, o caso da república de Weimar na Alemanha na década de 30, que nos é apresentada metodicamente como o caso mais extremo de inflação, não foi nada quando comparado com outros casos noutros países.

Gráfico do Cato Institute (duplo clique para ampliar):

E é quando a hiperinflação faz a sua entrada de rompante na economia que o desemprego atinge também a sua maior dimensão. O sindicato alemão FTD alerta para o facto do governo ter um acordo tácito com a indústria para evitar mais despedimentos até às legistativas do dia 27, mas depois haverá mais reduções de postos de trabalho. Na óptica dos donos dos meios de produção continua a haver um excesso de mão de obra e de capacidade de produção para a qual não existem clientes com poder de compra. Em 2005, empresas como a Siemens, o maior empregador alemão, esperaram pelo dia seguinte ao sufrágio para anunciar o despedimento de milhares de trabalhadores. Desta vez, em 2009, a própria agência estatal calcula que ao longo do próximo ano haverá 1,1 milhões de trabalhadores em regime de trabalho parcial e que o número de horas trabalhadas no país diminuirá 38 por cento. Tal quebra corresponderá a uma redução de 630 milhões de horas laborais. (fonte)

enquanto a Revolução não os obrigar a mudar de ideias,
visto em termos de propriedade privada
este paradigma é um bom negócio para os capitalistas

os militares e a Ordem das classes dominantes

(em actualização)
este é o género de notícia que não consta dos noticiários oficiais: os militares golpistas continuam a receber normalmente os salários, oriundos do espólio a um dos povos mais miseráveis da América Latina

O incidente está prestes a desencadear um litigio diplomático:
Brasil pede reunião da ONU para discutir crise nas Honduras

* Desta vez é que é! que se cuidem os inventores de slogans dos movimentos sociais: "The Real Change is Possible" diz Hillary Clinton sobre o teor do discurso de Obama hoje na ONU: "For just as no nation should be forced to accept the tyranny of another nation, no individual should be forced to accept the tyranny of their own people" - são só palavras ou os EUA vão interferir para ajudar a repôr a legalidade nas Honduras?

* Lei Marcial e recolher obrigatório:
"7 milhões de hondurenhos sob prisão domiciliária"

* incrivel: o 1º ministro das Honduras dá explicações em território nacional sobre a situação exprimindo-se em inglês (obviamente, tendo como destinatário Washington)

* videos com mais pormenores da repressão: Micheletti acusa dois jornalistas de "terrorismo mediático" (sic) - segundo uma testemunha, volta à América Latina a velha missão dos estádios de futebol na repressão brutal aos movimentos populares.
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quarta-feira, setembro 23, 2009

recuperação da politica de alterne?

"não deitem fora os vossos votos, desperdiçando-os na esquerda radical", votem em nós, os tachistas do aparelho, esqueceu-se de dizer José Junqueiro- que piada; foi "esquerda radical" que disse, fôfo?

Rui Tavares, hoje no Público, acerta na mouche:
Muita gente, pegando no exemplo alemão (1), crê que seria necessário enveredar por um governo de “bloco central” para ancorar a governação ao centro, conter as franjas e recuperar o bipartidarismo

(1) quando Ângela Merkel foi eleita em 2005 como líder da coligação SPD-CDU, o problema era tirar o país da crise
(5 milhões de desempregados, economia estagnada), pelo que a banca internacional liderada pelos gestores do remanescente do “Plano Marshall” exigiram um governo de estabilidade como garantia da abertura de novos créditos. Passados quatro anos, poucos se recordam já que Merkel, levada ao colo pela comunicação social, não governa sózinha. Passados quatro anos o modelo conservador de Merkel, que vai a votos no mesmo dia 28 que Portugal, não consegue ganhar autonomia.
E o problema persiste: trata-se de concertar um novo governo que garanta estabilidade e retire a Alemanha da crise. Mas, vendo o problema numa perspectiva de classe social, estabilidade para quem? Atendendo ao problemático endividamento externo português, para os contribuintes da classe operária e das classes médias não será de certeza; e as perspectivas de desemprego continuam em alta,
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terça-feira, setembro 22, 2009

eleições?

A burguesia nacional representada pelos monopólios económicos e financeiros (com a ajuda indispensável dos "altos estudos militares) já decidiu na sombra que José Sócrates é o único executivo actualmente com capacidade para continuar a levar a cabo as medidas anti-populares que a conjuntura exige e que a direita não conseguiria (ainda) implementar num clima de paz social relativa.

José Manuel Fernandes no editorial de hoje vem dizer que “ou o presidente esclarece as suspeitas sobre as escutas depois das eleições ao perderá credibilidade como chefe de Estado” – ora credibilidade é coisa que o homem nunca teve, conforme tem vindo a ficar em lembrete na barra lateral direita deste blogue desde 2006 – situação agravada mais ainda desde que foi envolvido no escândalo do seu conselheiro de Estado para a área da especulação bancária; e JMF hoje deveria antes dizer, se fosse isento e imparcial como competiria a um jornalista, que os eleitores têm o direito de exigir explicações “antes das eleições” e não “depois de”. Aliás, na medida em que o próprio Pacheco Pereira afirma que Cavaco como tinha prometido não falar mas falou, ao fazê-lo interferiu na campanha "por acção e por omissão", outra coisa que os presumíveis eleitores e outros grupos de cidadãos de pensamento mais radical ficaram a saber foi que 1. o Presidente ( uma ínfima parte da representação de “todos os portugueses) no exercício das suas funções manda recados anónimos sobre suspeitas para a imprensa e 2. que o director de um dos maiores jornais de referência aceita fazer fretes por encomenda (tendo decerto em vista a remuneração que as vendas do jornal não possibilitam aos patrões do grupo económico que é seu proprietário. Alguém do ramo tem a coragem de expôr na praça pública como funcionam os subsídios à imprensa do sistema?
Perante esta sucessão de eventos, as massas descontentes e cada mais ressentidas com o poder neoliberal do tripé Cavaco-Sócrates-Ferreira leite, não devem continuar a colaborar nas manobras de diversão que estas eleições representam para a crise crónica engendrada pelas elites que sobrevivem da nossa dependência em relação aos interesses multinacionais. Devemos exigir, de imediato 1. coisa de somenos, a expulsão de JMF do sindicato dos jornalistas e transparência nos profissionais da informação com ligações a Belém,
2. Organizar uma grande manifestação nacional exigindo a demissão de Cavaco Silva, e 3. exigir um referendo sobre as grandes linhas de orientação da politica nacional (nomeadamente sobre a integração de um país pobre e sem recursos na NATO e sobre a adesão ao Tratado Neocon de Lisboa)

segunda-feira, setembro 21, 2009

no pasa nada

"Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça" (Otto Bismarck)
os caçadores de votos

Qual o papel reservado ao eleitor no meio da guerra mediática actualmente em curso? ter confiança e dispensá-la à borla a um dos contendores, legitimando negócios de milhões. Quem não se lembra do dramático jogo disputado entre os psicologicamente afectados intervenientes na famigerada guerra do Vietname? o terrivel jogo de disparar sobre as convições próprias na esperança que a cabeça não rebente e ainda se ganhe qualquer coisa de material com isso, hellas, dinheiro!, ficaria conhecida como "roleta russa" mas de facto a coisa chama-se o jogo da confiança. Casa tiro cada minhoca. Com a imprensa corporativa a explorar a necessidade de evasão de cada um, temos uma sociedade bloqueada em os ingénuos são chamados a dobrar um papelinho um dia e são de imediato desprezados nos restantes 364 dias em cada dia que passa dos quatro anos seguintes, até ao dia em que volta tudo de novo à estaca zero.

O jogo da confiança provocou esta semana um morto e três pessoas presas (1). O morto, simbólico em termos de regime, é o Bloco de Esquerda. Os presos, em relação ao desprezo do eleitorado são Sócrates, Soares e agora Alegre e mais o seu cada vez mais cagativo "milhão de votos". Depois das cobras e lagartos que disseram uns dos outros, de candidaturas obsoletas para partir o eleitorado em dois a favor de Cavaco, das tentativas de sequestro de militantes, e das ameaças rebeldes de "maiorias de esquerda" - poisa tudo de novo na acrítica normalidade estupidificante: Soares, Alegre, e Sócrates voltam romanticamente a reunificar-se sobre o chapéu de chuva da corporação de colocação de empregos políticos&afins PS-SA. Entretanto, desprezo "quid pro quo", a casa do vizinho do lado, o PSD, está arrombada em duas com o sismo, e nos escombros vagueiam uns em busca dos outros a ver quem arregimentou figurantes para fazer o papel de bombeiro a troco do pagamento das quotas. Vem aí o Outono, ou seja, a realidade,,, e a reentré depois do periodo que em valeram toda a espécie de baboseiras virtuais - Rafael Barbosa no JN 21.9: "Se o PSD ganhar, o Estado Social vai ser desmantelado. Se o PS ganhar, vamos ter um Governo Revolucionário. Os eleitores ainda acreditarão no medo do bicho-papão?"

(1) Ficções e galhofas virtuais domésticas àparte, (de onde veio inspirado o enredo da historieta eleiçoeira acima descrita), um ensaio real sobre o jogo da confiança "na desenvolvida sociedade norte americana" (where else?, no nosso farol obrigatório para a vida consentida) aconteceu de facto na passada semana entre os marines de Forte Lejeune. Muito educativo:
"Trust game leaves 1 dead, 3 in jail"

* post scriptum:
"a maioria PS-PSD de 2/3 no Parlamento está em risco"
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domingo, setembro 20, 2009

economia aberta

A actividade económica bate mínimo histórico. Portugal exportou menos 5,1 mil milhões de euros e importou 8,2 mil milhões menos no primeiro semestre deste ano

e o prémio “retoma virtual” para a melhor interpretação da crise vai para,,, Filipe Paiva Cardoso!! (jornal I, 18-9 pag.23); o que é que significa em concreto esta sua mal amanhada frase?: “O clima económico em Portugal melhorou quatro meses seguidos. Porém, os efeitos ainda não se sentem na actividade económica”. O clima melhorou mas não se sentem os efeitos?

convoquemos Robert Kurz para explicar melhor o mistério, visto a partir do país do BCE:

“Ainda ontem os peritos não sabiam como se escreve crise histórica e hoje já ela está a terminar. Tão depressa que as coisas podem andar. A história também já não é o que era. De qualquer modo, segundo o Instituto Estatístico Federal da República Federal, houve um crescimento de 0,3 por cento. Pequena pergunta: em relação a quê? Em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, a que realmente interessa, parece ser um pouco diferente. As exportações ainda estão cerca de 20 por cento abaixo dos valores do ano passado. E, se houvesse em 2010 um por cento de crescimento, seria naturalmente calculado a partir do nível da queda a que se chegou. E, supondo um aumento assim modesto, levaria muitos anos até poder ser alcançado novamente o nível da conjuntura de déficit de 2004 a 2008. Como tal, a mensagem actual de alegria equivale a “zero vírgula nicles”. O facto de a recessão poder ser assim declarada “acabada” constitui apenas mais uma prestação vencida do pensamento positivo. Mas, na realidade, o seu efeito retardado sobre o mercado de trabalho ainda não chegou (…) ler o resto

* Informação oficial do centro capitalista europeu: (se chegar...) "Economia alemã não chegará ao nível de 2008 antes de 2013"
e global, OCDE:
* "O comércio mundial vai contrair-se 18 por cento este ano "
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sábado, setembro 19, 2009

WOK

Uma história de gnomos que enfeitiçam as massas, ora num conto maravilhoso à esquerda (o padre Costa Pinto teve uma visão beirã na qual não enxerga diferenças entre o Bloco e Sá Carneiro - é a civilização tecnológica, estúpido!), ora à direita intelectualmente de tanga, onde paira uma gritaria gutural, acabando finalmente ambas as claques por se confundir numa só.

sinopse da trama:
1. Homem forte do presidente (ver curriculo aqui) encomendou caso das escutas a Belém 2. O líder do P"S" diz que isto é matéria que pode esperar. 3. Comprometido que está na fabricação do spin para a criação de uma crise institucional que concentre ainda mais os poderes presidenciais, o director do jornal privado do maior monopólio de distribuição de consumo em Portugal anda em bolandas com a trouxa a caminho do olho da rua 4. Crime? “não me compete emiscuir-me em lutas partidárias; só falo depois do facto consumado – a senhora não é ingénua pois não? E eu também não”, entaramelou-se Cavaco Silva. Um cala-se, o outro não diz nada, a outra não leu! - existe uma agenda escondida, um pacto secreto neocon entre a Belém cavaco-espadista e a nóvel direcção do P”S” eleita “à americana”. Por isso, porque no quotidiano os descarados sinais do fingimento se notam, a encenação maniqueista e as analogias entre as duas clientelas partidárias se tornam cada vez mais tão evidentes aos olhos das espantadas massas anónimas que se obrigam a sobreviver no “estado a que isto chegou” orquestrado pelos donos dos bombos


(vídeo do espectáculo WOK, dos “Toca a Rufar”)

sexta-feira, setembro 18, 2009

Existem Classes?

"Para começar, convém esclarecer que Marx nunca definiu o que fosse uma «classe». Nem ele nem Engels, nem Lenine, nem depois ninguém."
Vasco Pulido Valente

“Latente na prosa de VPV (ver o recorte aqui) está a ideia de que existem no fundo apenas três camadas ou grupos sociais : os ricos, os pobres e a «classe média». Os dois primeiros são facilmente identificáveis. Já a classe média é tudo aquilo que escapa a esta moderna economia da dádiva” observa “rick dangerous” num soberbo post (O impasse reaccionário) publicado no Spectrum, contribuindo de forma brilhante para o destaque d` “o Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem (Engels, 1876). Missão impossível escavar o esqueleto do Vasco da catatumba liberal, mas a tentativa arqueológica é feita convocando Marx:
"E na mesma medida em que se desenvolve a burguesia, isto é o capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos modernos operários, os quais vivem só enquanto têm trabalho e só têm trabalho enquanto o seu trabalho aumentar o capital. Estes operários, que têm de se vender a retalho, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio e estão, assim, igualmente sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência e a todas as flutuações do mercado." (Manifesto do Partido Comunista, Ed. Avante, Lisboa, 1975, p.67)

“Pois é. Nem Marx nem ninguém. Pode-se evidentemente argumentar que muito mudou desde a data original de redacção deste texto, no já longínquo ano de 1847. A definição em todo o caso está lá e nem é assim tão difícil de compreender. De resto, mudou tudo, mas não mudou grande coisa” conclui o autor. De facto apesar da complexidade introduzida pelo desenvolvimento tecnológico e pela desmesura da propriedade imobiliária nestes 162 anos, nada mudou; e verdade seja dita, Marx escreveu especificamente sobre o conceito de classe; e não é invocando a ausência de traduções em língua portuguesa ("nacionais") que se deve justificar a preguiça de prosseguir pela via do internacionalismo proletário, traduzindo, de onde quer que seja possível, tanto do original, onde o Arquivo Marxista na Internet é uma fonte excepcionalmente proficua, como das edições disponíveis em brasileirês.

As Classes
(Karl Marx, Livro III de “O Capital”, tradução do original em inglês no Marxists.Org)

Os proprietários de mera força de trabalho, os proprietários de capital e os proprietários de terras, os que têm por fonte de receita respectivamente, salário, lucro e renda fundiária, por outras palavras, os assalariados, os capitalistas e os donos de terras, constituem as três grandes classes da sociedade moderna baseada no modo de produção capitalista.
Foi sem dúvida em Inglaterra que a estrutura económica da sociedade moderna classicamente se desenvolveu de modo mais amplo. Não obstante, até aqui a estratificação das classes não nos aparece na sua forma pura. As classes médias e intermédias obscurecem por toda a parte as linhas divisórias (embora incomparavelmente menos nas zonas rurais que nas urbanas). Contudo, este é um factor imaterial para a nossa análise. Temos vindo a observar que a tendência constante da lei de desenvolvimento do modo capitalista de produção é a de cada vez mais e mais separar os meios de produção do trabalho e concentrar cada vez mais e mais os meios de produção dispersos em grupos cada vez maiores, transformando desta forma o trabalho em trabalho assalariado e os meios de produção em capital. E a essa tendência corresponde, por outro lado, o facto da propriedade fundiária, como entidade autónoma, se dissociar do capital e do trabalho (58), ou seja, a conversão de toda a propriedade da terra à condição de terra com proprietários é a forma adequada que corresponde ao modo capitalista de produção.

A primeira questão a dar resposta é esta: O que constitui uma classe? – e a resposta decorre naturalmente da que vier a ser dada à seguinte questão, em concreto: o que faz dos assalariados, dos capitalistas e dos donos de terras, os membros das três grandes classes sociais? À primeira vista – a identidade dos rendimentos e das fontes de rendimento. Existem três grandes grupos sociais cujos membros, os indivíduos que os constituem, vivem de salário, de lucro e de renda fundiária, utilizando respectivamente a força de trabalho, o capital e a propriedade da terra.
Contudo, deste ponto de vista, os médicos e os funcionários públicos, por exemplo, constituíram também duas classes, embora, pertencendo a dois grupos sociais distintos, os membros de cada um destes grupos recebam os seus rendimentos da mesma fonte única. O mesmo será verdade para a infinita fragmentação de interesses e profissões, segundo os quais a divisão do trabalho social separa os trabalhadores bem como os capitalistas e senhores de terras, por exemplo, em donos de vinhedos, de áreas de lavoura, de florestas, de minas, e possuidores de meios pesqueiros”.
(o manuscrito de Marx é interrompido neste ponto. Engels coligiu o material que seria publicado posteriormente em “O Capital Vol. III Part VII, Capitulo LII)
nota no original:
(58) “F. List observa correctamente: “a prevalência de economias auto-suficientes em grandes patrimónios administrados pelos próprios donos demonstra simplesmente um bloqueio à civilização, aos meios de comunicação, comércio e indústrias internas e à prosperidade das cidades. Neste sistema, tudo isto pode ser encontrado por toda a parte, na Rússia, Polónia, Hungria, Mecklenburg. Outrora isto prevalecia também em Inglaterra, mas com o progresso das trocas e do comércio, houve uma ruptura e o sistema foi sendo substituído pelo parcelamento em explorações mais pequenas e pelo arrendamento de terras” (Die Ackerverfassung, die Zwergwirtschaft und die Auswanderung, 1842, p.10.)
Como sabemos, o imperialismo (estudado na teoria de Lenine no principio do século XX) retornaria ao processo de concentração monopolista estendendo-o a partir de então a todo o mundo

(Alberto Beltran, Honduras, 1955)

quinta-feira, setembro 17, 2009

Investimentos

"Sempre soube que ia ganhar, só não sabia por quantos". A alegria da capa do pasquim de referência cá do sítio por obra e graça da manutenção nos relvados políticos do mais famoso emigrante de luxo a jogar no campeonato do interesse nacional, deveria ficar gravada para os anais da estória: para quem ingenuamente paga para acreditar naquilo que lê (ou é mais de ver os bonecos), trata-se de anestesiar o paciente com “legitimidade reforçada”, imaginam os redactores da clubística novela oficial

Porém o mandato e o prolongamento da obra de mister Figurehead Durão, o camaleão bushista, em boa verdade só começa quando a Irlanda ditar o futuro da EU (1) na derradeira consulta sobre a génese da sua ideologia maçónica. No caso de sair “sim” é o sinal para nem mais uma réstea de democracia na Europa nem mais referendos a propósito da aprovação anti-operária do Tratado Neoliberal de Lisboa. Por outro lado, caso neste jogo viciado, logo perverso, venha a sair um imprevisível “não”, esse facto para os conservadores significaria falar exclusivamente de “competitividade global: o mundo não se porá a ler nem esperará pelo Tratado” pelo que restaria a Barroso organizar o aprofundamento do mercado interno na UE (2)

adiando sine die novos alargamentos, o que seria na mesma benéfico para os interesses dos patrões da “indústria financeira” (3) e como é evidente, também e principalmente para os da indústria militar (4) norte americana: limitando a concorrência oriunda da Europa no acesso a novas áreas de “mercado livre”, que desta forma ficarão (ainda) mais livres para os monopólios multinacionais de origem yankee.

(1) O empresário Declan Ganley, que foi fundador do partido pan-europeu Libertas e um dos principais opositores ao Tratado de Lisboa na Irlanda, anunciou que abandonava "a vida política", depois da derrota sofrida nas eleições europeias.
O milionário Declan Ganley, tinha até então feito uma intensa e zelosa campanha, ganhando por isso o epipeto de “Mister No”, mas a questão essencial permanece: de que caverna saiu esta personagem e que papel desempenhou na realidade?

(2) É um passo atrás. A Europa limitar-se-á a concorrer no mercado global em pé de igualdade com países emergentes, como a China, o Brasil, a Índia, o Brasil e a Rússia, enquando a teia de dominação dos EUA permanece. Fazer com que permaneça é aliás o verdadeiro trabalho de Barroso; e o tão propalado “interesse nacional” no prolongamento do biltre no cargo é o recebimento pela burguesia nacional dos royalties correspondentes à tarefa
(3) Indústria? - a expressão “financial industry” é de Barack Obama
(4) Preventivas previsões de guerra inventiva: o histórico motor da economia capitalista continua a dar sinais de vida próspera:
US to adjust European missile defense plan
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comícios em terra agreste?

(clique no mapa para ampliar)
ou Sócrates não se enxerga ou a coisa foi concebida e contratada com os "homens da luta", Jel e Falâncio (contactos para espectáculos 915003232 ou www.nuno carvalho.com); Se foi à borla, é sabido que a malta do circo não gosta deste tipo de provocações populares; Não é a primeira vez que os fanáticos da militância circense vão aos fagotes dos engraçadinhos - Assim sendo, "ai este Seixal ainda irá transformar-se num imenso portugal"?, ou foi apenas mais uma "marinha grande" encomendada pelo chefe-de-fila do partido dito "socialista"? - vá lá óh Nuno e Vasco, para dormirmos descansados sobre o mediatismo emocional provocado pelas campanhas dos partidos da grande burguesia, expliquem-se lá à gente se há ou não há alguma factura para mostrar,,, "olha o povo, pá!":


quarta-feira, setembro 16, 2009

Tipos mortos não contam histórias

Quatro figuras de topo na economia norte americana apareceram mortas no espaço de uma semana. Desespero pela simples falência generalizada dos “esquemas de ponzi” que constituem a alma-mater do capitalismo?, simples coincidência?, ou medo que sejam revelados segredos da concentração dos monopólios financeiros em curso?


James McDonald, chefe executivo do escritório nova-iorquino da empresa de investimentos Rockefeller & Co. morreu no passado domingo. O corpo foi encontrado num carro com ferimentos provocados por tiro no que a investigação afirma ser aparentemente suicidio

Finn H.W. Casperson de 67 anos, ex-Director da seguradora de créditos Beneficial Corp. foi encontrado morto em 7 de Setembro nas traseiras de um edificio de escritórios em Rhode Island, depois de a policia ter sido chamada, confirmando o suicídio.


Christopher Kelly, o director financeiro do ex-governador do Illinois Rod Blagojevich, suicidou-se. Pouco antes da morte no último sábado Kelly telefonou à policia dizendo que tinha tomado uma “overdose” de drogas no luxuoso Country Club Hills

Danny Pang de 42 anos, investidor financeiro ligado ao imobiliário de Newport Beach, morreu no sábado no hospital. A causa da morte não foi determinada. Pang tinha sido acusado em Abril por ter inflacionado artificialmente os bens contabilizáveis da sua firma em pelo menos 83 milhões de dólares


fonte: Catherine Austin Fitts, em http://solari.com/blog/
imagens: Francis Bacon
recortes de jornal: Publico de hoje, 16 de Setembro. Por um lado os bancos penalizam os dependentes do crédito, por outro os bancos supranacionais que emprestam prosperam. Vítimas da politica dos seus governos pró neoliberais as classes médias por todo o mundo pagam a "crise", excluindo raras excepções pró-socialistas como, entre outras, a China, a Libia e a Venezuela.

Estão tão tesos que nem têm dinheiro para a bala?

A coisa com correspondência no género mais aproximada que temos por cá na periferia é a peixeirada em cena entre os clubes dos ex-gestores da falida banca "nacional". Não há por aí um qualquer personagem que esteja disposto a suicidar-se em nome do aumento de vendas dos jornais
e da subida de audiências dos blogues anti-capitalistas?
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