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quarta-feira, junho 30, 2010

Cesarismos (II)

contagem regressiva:
28 de Junho - Banqueiros portugueses encontram-se com Sócrates
28 de Junho - Bancos portugueses contra as regras de Basileia III, o projecto de regulação financeira internacional elaborado pelo Comité de Supervisão Bancária de Basileia a discutir na reunião do G20
24 de Junho - Cavaco recebe Banqueiros e volta a insistir que "situação é insustentável"
11 de Junho - Banqueiros portugueses, CGD, BCP, BES e BPI, deslocam-se para encontro com comissário das Finanças em Bruxelas
onde está o willy? (a entidade que resolve)
- fechando o ciclo e voltando ao início, está no candidato presidencial apoiado por Sócrates: "Querem pôr os contribuintes a pagar de novo a crise". Manuel Alegre diz que há alternativa à política de austeridade e desemprego que está a ser imposta na Europa: “O Estado não pode entrar na clandestinidade em época de grave crise social”



uma cena velha como as ilustrações da Biblia de Nuremberga (1439); depois da calamidade causada pela idolatria a um qualquer bezerro de ouro, (por exemplo Wall Street), e da ruína das figuras prostradas à direita (causadas pela Direita), as nobres figuras da Esquerda voltam-se para Deus para lhes pedir perdão. Há de facto um regresso à religião ou os deuses já não existem?
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"o país está consternado"

o telejornal da noite no canal de serviço público abriu com uma cara de apresentador visivelmente perturbado: "o país está consternado, Portugal acaba de ser afastado, etc. etc.". Devemos decretar dois dias de luto? ou três?, perguntem ao Queiroz. Há em tudo isto uma revelação científica: a cabeça humana acaba de ser transformada numa bola de futebol, na medida em que funcionários do comentário lêem dramáticos scripts de fracassos sobre "multimilionários negócios capitalistas na indústri global do espectáculo, uma formidável máquina de concentrar dinheiro em poucas mãos; que transbunda rentabilidade no meio de uma grave crise global, de pobreza massiva, de desemprego record, de fome generalizada, de desastres humanitários, de guerras de ocupação, de catástrofes naturais e de politicas de exterminio militar de populações inconvenientes das periferias; entretanto, o fanatismo futebolistico ganha o ingénuo rótulo de diversão para as maiorias". (IarNoticias)
................................ voltando à vida real:
* "BCE corta fundos à banca e agrava crise no crédito"
* "Mais impostos levam a cortar na escola e na saúde"
* "Juros da casa mais caros este mês"
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terça-feira, junho 29, 2010

cães de fila

Thomas Hobbes (1588-1679) defendia que a boa governação dependia do equilibrio entre o número da população e os recursos naturais de que o grupo dispunha. Era necessário um esforço produtivo, contenção no consumo e o recurso à emigração para captar novas riquezas, ou em caso extremo o recurso à guerra. É neste modo de pensamento que se fundamenta a célebre frase "o homem é o lobo do homem". O paradigma produtivo mudou, hoje, não fossem os desvios da Nobreza (1), existiriam recursos para todos. No entanto haverá sempre adeptos da pilhagem pura e dura. Podem dispor de meios para continuar incólumes a perpretar esse tipo de actos, porém terão de ouvir das boas


a escalada fica a dever-se à nóvel administração Obama(3). E Portugal, na boa tradição ministerial de Miss Carlota Joaquina de Sacaduca Fardas, assim baptizada pelo clássico "arrebenta", resolveu, na pessoa de Augusto Santos Silva sentado nas patas traseiras da submissão militarista e mercenária, continuar a contribuir, quiçá aumentar, a empreitada - eufemisticamente mascarada sob o palavroso léxico "Força Internacional de Segurança e Assistência" (ISAF na sigla em inglês). Desde 2002 totalizam já 2130 militares os que se dispuseram a investir alguns meses de risco em prol de uma choruda remuneração como gendarmes de um país onde o desemprego e a falta de perspectivas profissionais não páram de crescer (e por cujo esgoto se esvaem as exportações do Cavaco). Mas o pré dos magalas são trocos, longe de serem despreziveis (sempre darão para uma casinha nas berças, como deu a qualquer sargento da Guerra Colonial). Bem haja o elástico orçamento de contenção do Estado que tão tenebrosos sacrificios suporta, sem um pio de discordância da população em relação à quadrilha de botas cardadas e galonas de cinco estrelas a que não falta nunca a solarine de brunir o esplendor da glória saída da lama. Hic et Nunc, meus generais, no facturar é que se somam os ganhos; e a ligeireza dos que detêm o poder, a desumanidade (2)dos que não põem os butes na guerra, e no entanto engordam com ela.

ATTAC: "A Cimeira do G20, ou esta depressão que (a alguns) anima. Terminou a cimeira de Toronto, essa instituição não democrática dos países mais poderosos do planeta, cujas conclusões são a completa rendição dos seus governantes ao capital financeiro mundial (...) Em nada se progrediu nas medidas concretas para o reforço da fiscalização e do controlo do sistema financeiro mundial, para combater as operações especulativas que sacrificam os países e a "economia real" ou para eliminar os paraísos fiscais, centros de branqueamento de capitais de origem criminosa, de operações financeiras ilícitas e de fuga aos impostos. Como grande conclusão, o consenso foi a prioridade às medidas de austeridade. Ou seja, traduzindo para a língua dos cidadãos comuns, o apoio às medidas de aperto do cinto dos que menos têm... (ler o resto)

(1) Os membros do Clube Bilderberg denominam de "comedores inúteis" a população sobrante, forçada e condenada artificialmente à inacção produtiva e à apatia política
(2) 57% dos americanos vêem um grande perigo num governo que concentra demasiados poderes. (video)
(3) a Europa, França, Alemanha e Reino Unido, utilizam informações de serviços secretos estrangeiros obtidas sob tortura. E Portugal não? (fonte)
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segunda-feira, junho 28, 2010

para um Escroque, é melhor ser amado ou ser temido?

a actualidade da leitura de Gramsci sobre Maquiavel na dissertação sobre o monstro de duas cabeças Soares-Cavaco

“César, Napoleão I, Napoleão III, Cromwell, etc. Faça-se a compilação de um catálogo de eventos históricos a qual tenha culminado numa grande e “heróica” personagem. Pode ser dito que o Cesarismo é uma força de expressão duma situação na qual as forças em luta se lançaram uma contra a outra num modo catastrófico, isto é, lançaram-se num caminho no qual a continuação das lutas não pode senão resultar numa destruição mútua. Quando a força progressiva A luta contra a força regressiva B, pode não só acontecer que a força A derrote a força B, ou a B derrote a A; pode também acontecer que nem a força A nem a B triunfem, mas que se esgotem uma à outra, e então uma terceira força C intervém a partir do exterior, apropriando-se para si mesma dos elementos que restam das forças A e B. Na Itália, após a morte de Lorenzo, o Magnífico, foi isso exactamente que aconteceu, assim como foi o caso no mundo antigo com a invasão dos bárbaros” - é dos livros: na medida em que o Poder entra em degradação e caem as regras que regem o senso comum numa determinada ordem económica, as tragédias pessoais agravam-se e o número de predadores (1) que enriquecem sem escrúpulos aumenta.
“Mas o Cesarismo – se significa sempre uma solução de “arbitragem” social – encrustado numa grande personalidade, de uma situação histórico-politica caracterizada por um potencial e catastrófico equilíbrio de forças (por exemplo entre a Maçonaria de matriz judaica e a cristã Opus Dei) – nem sempre tem o mesmo significado histórico. O Cesarismo pode ser progressista ou reaccionário, e o exacto significado de cada forma de Cesarismo, em última análise, só pode ser reconstruído pela história concreta, não pela disseminação de esquemas sociológicos impossíveis”

escrito por cima de António Gramsci (1891-1937) in Notas sobre Maquiavel, sobre a Politica e sobre o Estado Moderno

o que resta dos activistas do Bloco Central concertam
os resultados das próximas sondagens a publicar

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* (1) leitura aconselhada: "O Mercado Livre para os Predadores"
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domingo, junho 27, 2010

Israel, as Mentiras e o Mediatismo

Michel Collon, autor do recente livro "Israël, parlons-en!" desmistifica alguma ideias preconcebidas sobre o Estado Sionista, como a que a pretensa democracia pode servir de capa para a "legitima defesa do estado de apartheid": "Israel não é um Estado de Direito, porque não tem uma Constituição que se refira a um território definido. Israel é um projecto de ocupação do tipo colonialista que visa uma expansão permanente (...) Israel não é um Estado Democrático, porque nega a igualdade de direitos entre seres humanos, entre judeus e muçulmanos ou cristãos (...) não é Israel que bombardeia a resistência na Palestina, são os poderes colaboracionistas com origem na indústria militar Europeia quem de facto executa os bombardeamentos (...) a Carta da ONU reconhece o direito de todos os povos ocupados a resistirem por todos os meios, no sentido de alcançarem a sua libertação"

12min.65seg. legendado em castelhano


Uma vez convocada a ONU ao debate, urge dizer que esta organização que já viu serem desprezadas 37 Resoluções de condenação ao Estado de Israel, deixou há muito de representar os povos - a ONU transformou-se (ou sempre foi desde 1945) uma mera cadeia de transmissão dos interesses imperialistas anglo-americanos. É neste contexto de encobrimento que surge a notícia que mais uma vez a Mossad israelita tentou mais um assassinato selectivo. Todavia desta feita falhou o alvo, que seria, segundo a agência Al-Manar citando o semanário jordano Al-Majd, o primeiro ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan. A informação acrescenta dados sobre a existência de acções de incitamento de Israel à violência dentro da Turquia, através de apoios que são prestados ao Partido dissidente do Curdistão (PKK). (fonte, PressTV)
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sábado, junho 26, 2010

Como eu gostaria de estar errado!

Fidel Castro escreve sobre a ameaça de guerra contra o Irão:

“Entre um jogo e outro jogo do Campeonato Mundial de Futebol, as diabólicas notícias vão-se escapando pouco a pouco, por forma a que ninguém se ocupe delas. O famoso evento desportivo entrou nos seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias as equipas que integram os melhores futebolistas de 32 países têm estado em competição para avançar sucessivamente até á fase dos oitavos de final; depois virão os quartos de final, a semifinal e o final do evento. O fanatismo desportivo cresce incessantemente, cativando centenas e talvez milhares de milhões de pessoas em todo o planeta. Haveria que perguntar-se quantos deles, mudando de conversa, têm conhecimento que desde o dia 20 de Junho uma esquadra de navios militares norte-americanos, incluindo o porta-aviões Harry S. Truman, escoltados por submarinos nucleares e outros barcos de guerra equipados com mísseis e canhões mais potentes que os velhos couraçados utilizados na última grande guerra enter 1939 e 1945, navegam em direcção às águas territoriais do Irão através do canal de Suez. Em conjunto com as forças navais yankees avançam navios militares israelitas, com armamento igualmente sofisticado, para inspeccionar qualquer embarcação que parta ou chegue para exportar ou importar produtos comerciais que a são essenciais para a economia do Irão” (ler o resto)

As manobras fazem parte das “sanções” impostas pelos norte-americanos ao Irão através da ONU, com o completo apoio dos dirigentes da União Europeia. Porém o Congresso dos EUA vai mais longe que a ONU impondo aos seus parceiros a escolha: quem mantiver trocas comerciais com o Irão será impedido de as manter com qualquer parceiro nos Estados Unidos. Todos os fornecedores da economia global (as multinacionais) que trangredirem as sanções serão banidos do acesso ao Sistema Bancário norte-americano ou impedidas de efectivar transacções de moeda estrangeira em território dos EUA.(Guardian). Conquanto a imprensa ocidental "informe" que "o Irão depende até da importação de petróleo, apesar de, sendo um dos maiores produtores mundiais, a sua capacidade de refinação para o consumo interno ser insuficiente" um facto é que a iraniana PressTV afirma ser já o país um exportador de gasolina, e quanto à banca existem alternativas
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Face à ameaça externa, o Irão mobiliza forças e declara estado de guerra; e o Irão não é o Iraque
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sexta-feira, junho 25, 2010

institucionalizar a monarquia da Banca

Um dos enigmas da partidocracia da área do poder é a de convidarem sumidades ainda não chamuscadas na grelha do aparelho para se darem ares de novidade a charadas que se repetem como farsas – desta feita o PSD convidou um insigne ex-banqueiro monárquico para presidir à Comissão encarregada de passar a limpo as intenções de, mais uma vez, revisionar a Constituição. Deu merda logo à partida.

Diz o doutor Paulo Teixeira Pinto, um notório promitente ministro da Causa Real (1) empossado por sua alteza D. Duarte, que a palavra República "nunca devia ter ficado escrita na Constituição". Assim, o antigo Presidente Executivo do Banco Comercial Português, nomeado para o BCP depois da escandalorrota Jardim Gonçalves (que levou 50 milhões para casa como paga por bons serviços), propõe-se alterar o artigo 288º da Lei Fundamental portuguesa, onde o limite da “natureza republicana de regime” passaria para “natureza democrática de regime”. “Democracia” é um chavão conciso e preciso. O que é que se pretende? Que o “Procurador Geral da Repu... perdão, da Democracia” e os Directores Gerais de empresas e funções públicas sejam todos eleitos pelo Parlamento, que deixe de ser necessária a participação de 50 por cento dos eleitores inscritos para que um referendo tenha caráter vinculativo, etc. - isto é, que na prática exista uma partilha equitativa de lugares entre os dois partidos do Bloco Central com cada vez menos interferência dessa inconveniência chamada “eleitor”. Enfim, uma partilha garantidamente democrática. Ou, como disse Saramago, “desta falsa democracia”.

Mas quem é Paulo Teixeira Pinto, que nunca foi eleito para coisa alguma, para se propôr fazer determinar cargos eleitos entre representantes (deputados) que não representam verdadeiramente nada?
“Paulo Teixeira Pinto, actualmente empresário de um grupo editorial, saiu não há muitos meses do grupo BCP com uma indemnização milionária, uma choruda importância para um executivo que dirigiu e culminou superiormente (com mais uns milhões do erário público em ajudas) a uma das mais famosas catástrofes recentes da banca nacional. O mérito paga-se e recomenda-se, principalmente na óptica do PSD de Passos Coelho. Mas, democraticamente, não convém que se saiba. Quando Francisco Louçã, a propósito de uma qualquer minudência lho lembrou, a resposta de PTP foi um processo em tribunal por difamação. Embora pouco publicitada a resposta de Louçã é digna de ser emoldurada. aqui fica:

Que é um milionário, os factos não enganam: recebeu quase dez milhões de euros quando saiu como administrador do BCP. O Dr. Paulo Teixeira Pinto faz ainda parte da elegante lista dos seis administradores que recebem por junto 6,5 milhões por ano de reforma. Só para si terá cerca de meio milhão de euros por ano... (ler o resto)

* (1) obviamente, Monarquia versus Republica Portuguesa, a RTP faz a apologia da Monarquia
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quinta-feira, junho 24, 2010

o segredo está no rabo do gato

efeméride
O post anterior pode parecer demasiado complexo para explicar a génese do Poder na Grã-Bretanha. Mas há outras pistas mais simples no âmbito dos afectos para explicar alterações aparentemente bruscas na "3ª Via". Por exemplo, Humphrey, o Gato de Tony Blair, morreu de "susto" quando percebeu que se permanecesse em Downing Street corria o risco de ser sodomizado. O dono anda desaparecido, ou talvez não...

quarta-feira, junho 23, 2010

perceber a crise por David, o judeu Cameron

crise europeia: "Países terão de enviar os respectivos orçamentos a Bruxelas para aprovação".

Trata-se, como se irá tornar evidente nos tempos mais próximos, de continuar a colocar a União Europeia debaixo da alçada dos interesses globais anglo-americanos; primeiro economicamente dependente pela paridade do euro em relação ao dólar, depois operacionalmente pelo colaboracionismo nas guerras imperiais, e no controlo da dissidência interna, principalmente depois das recentes decisões Ocidentais debatidas nas Security Jam`Sessions. E o que disse David Cameron mal se sentou na cadeira do poder? isto: “insisto que um governo Conservador poderá fazer muito mais para proteger e fortalecer a comunidade Judaica”, acrescentado que o que tinha aprendido sobre os seus antepassados Judeus tinha sido a coisa mais importante neste último ano. Claro, um ano de preparação para o início de exercício do cargo – eis então o discurso, debitado num segundo acto, a visita às tropas enviadas para o Afeganistão:

“É preciso não esquecer do que se trata em tudo isto. Porque combatemos!! Quando as torres gémeas caíram, morreram alguns cidadãos britânicos, em conjunto com norte-americanos. Cada simples pessoa das que trabalharam nesse atentado foi treinada aqui no Afeganistão pela Al-Qaeda (“a Rede”) e foi por isso que aqui viemos. Não é uma questão de escolha. Se amanhã nos formos embora, os campos de treino voltarão aqui amanhã. Esta não é uma guerra de ocupação, é uma guerra que temos a obrigação de fazer” - Simples não é? Quantas mentiras se detectam neste simples parágrafo? da década de Bush pela década de Cameron, a matrix da fraude está no edificio7 do WTC



a Política externa de Barack Obama será como se fosse uma segunda Administração Bush”, isso é tão certo quanto o tem vindo a repetir Noam Chomski.

Quando Obama chegou,,, o general Petraeus assegurou-lhe que "nós podemos vencer os Talibans". Mas a “NATO já delapidou volumosos montantes financeiros e exauriu o tesouro norte americano num esforço que se prolonga já por cerca de 10 anos. Agora concluiu que é preciso negociar com os Talibans (citando o general Loureiro dos Santos, no Público). A Grã-Bretanha já gastou 11,1 biliões de libras no Afeganistão (e mais 9,25 biliões no Iraque). Mas desde o dia em que foram mortos 10 soldados britânicos de uma assentada, a opinião pública obrigou o governo a mudar de discurso. Desde aí Gordon Brown passou a dizer que iriam “retirar-se gradualmente da guerra” – o General David Petraeus responsável pelo comando militar americano da coligação Liberdade Duradoira no Médio Oriente e Sudoeste asiático não gostou da intenção, afirmando que a missão no Afeganistão sem os 10 mil soldados britânicos da NATO irá falhar. A luta no atoleiro continua. Neste último dia 15 de Junho David Petraeus foi ao Congresso fazer um depoimento: “Nós podemos derrotar os Talibans” ou pelo menos empurrá-los para longe, para um ponto onde já não constituam uma ameaça para o governo fantoche Afegão. As possibilidades de extracção das novas e riquissimas descobertas reservas minerais de mais de 1 trilião de dólares no território, numa primeira fase chegam para alimentar todos. Mas existem graves discordâncias entre o general e a administração Obama sobre qual a táctica a ser seguida. Agora Stanley McChrystal assinou um artigo intitulado The Runaway General e no dia seguinte foi chamado a prestar esclarecimentos em Washington.

Enquanto não são conhecidas as consequências da disputa, (a equacionar também a questão do Irão) voltamos à Grã-Bretanha com o currículo étnico familiar de David Cameron e às suas raizes no comércio do Ópio, um mercado também de enorme importância no Afeganistão:
Os antepassados da família Cameron têm uma longa história no ramo financeiro. O seu bisavô pelo lado paterno, Emile Levita um judeu alemão, está relacionado com a família bancária judaico-alemã Goldsmid, e obtiveram a nacionalidade britânica em 1871. Levita foi director do Chartered Bank of India, Australia&China. Na sequência das Guerras do Ópio, na medida em que se descobria o desenvolvimento da cultura do ópio na China, as importações da droga aumentaram mais de 50 por cento entre 1863 e 1888. Estas transacções trouxeram um lucro substancial para a administração maçónica e judaica do Chartered Bank, que controlava o comércio nessas regiões. O banco passou a ser um dos principais autorizados emissores de notas em Xangai, passando a emiti-las a partir de 1862 também em Hong-Kong, um privilégio que continuou a exercer até aos dias recentes da autonomia da colónia.

Arthur Levita da londrina Panmure Gordon, uma casa de câmbio bolsista, em conjunto com Sir Ewen Cameron (administrador do Hongkong&Shanghai Bank e membro do Council for Foreign Bondholders and the Committee for Chinese Bondholders), desempenharam um papel fundamental nos investimentos do sindicato bancário dos Rothschild, incluindo créditos a Jacob Schiff para os aplicar no Banco Central do Japão, liderado por Takahashi Korekiyo (que mais tarde viria a ser nomeado 1º ministro) financiando e promovendo a Guerra do Japão contra o Império Russo dos Czares a partir de 1905. Cecil Levita foi administrador do London County Council e Enid Levita casou-se com o filho de Sir Ewen Cameron, uma união de conveniência entre judeus e aristocratas. Enit Levita é a avó de David Cameron pelo lado paterno. O seu pai, Ian Cameron, foi um bem sucedido homem de negócios à frente da casa Panmure Gordon, como o tinham sido antes o seu pai e o seu avô. Os resumos históricos das Aristocracias europeias são um belo exemplo de como a Banca e a Guerra pelas matérias-primas são negócios que progridem sempre de mão dada ao longo dos tempos
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terça-feira, junho 22, 2010

a Gaza vem quem vem por bem

Navios de guerra norte americanos passaram o canal de Suez a caminho do Mar Vermelho. Estarão a manobrar para uma confrontação com a frota do Crescente Vermelho do Irão (o equivalente à Cruz Vermelha) que se dirige com ajuda humanitária para Gaza? (AlterNet)
A esquadra transporta tropas de infantaria e veiculos blindados. Será uma simples coincidência? isto quando
após esta, o Irão promete enviar novas flotilhas
actualizações:
* Shabtai Shavit, um ex-agente israelita, apela para um "ataque ao Irão nuclear"
* a importância do corredor aéreo turco
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a arte da bola na antena1

"se os norte coreanos falharem o objectivo vão passar um mau bocado no regresso para se justificarem perante a ditadura no seu país". Sousa Tavares chegou mesmo a sugerir que "deveriam enfrentar o pelotão de fuzilamento"...
"Portugal voltou a acreditar no seu destino"
"Só uma pessoa que não estivesse boa da cabeça poderia prever este resultado"
anda Cavaco, os briosos e inefáveis comentadores “desportivos” estão liminarmente a convidar esta espécie de figura de presidente da república a estar presente em tão importante evento cultural de dimensão mundial

Números do Mundial da África do Sul: Segundo análise macroeconómica da consultora Deloitte & Touche, apenas 25 países produzem anualmente um PBI maior que a industria do futebol no seu conjunto. De acordo com o consultor Grant Thornton o impacto económico estimado deste mundial será de cerca de US$7.325 milhões de dólares - isto num país de 39,7 milhões de habitantes onde metade deles sobrevivem abaixo da linha de pobreza. A selecção de mais valor económico é a de Espanha, avaliada em 303 milhões de euros; seguida de perto pela Argentina e Grã-Bretanha, valendo o Brasil 263 milhões. O portugal do astro Cristiano Ronaldo pesa 203 milhões em euros, enquanto a Coreia do Norte é a que gasta menos na valorização do plantel: 15 milhões. (Por contraste, Portugal é o nono país mais pobre da União Europeia). A Adidas e a Nike têm contratos de patrocínio com as selecções mais caras, como com Portugal, de 80 milhões, Holanda e México 50 milhões e mais cerca de uma dezena cujos valores não são conhecidos. "Está montada uma maquinaria mediática para continuar alienando o cérebro humano com um "show" funcional de alta rentabilidade capitalista. O sistema "mundializa-se" e a inteligência humana perde por uma enorme cabazada". (fonte)
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segunda-feira, junho 21, 2010

o Deco é imprescindível?

“é Maio das flores, quem versos saiba fazer, experimente comer deles”
José Saramago, in "Levantado do Chão"

Tacanho como é o seu timbre de marca, Cavaco (1) não interrompe as férias que prometeu à familia - “sou um homem que gosto de cumprir o que prometo”, disse – recusando-se a assistir e a representar o Estado português no funeral do prémio Nóbel português, uma personalidade que irá, mais tarde ou mais cedo, para o Panteão nacional, independentemente da polémica que se adivinha, ou do prazo de passagem ao estado de lixo da tralha cavaco-socratista.

já no que respeita à figura do 2º Magistrado mais gorduroso da Nação e Presidente da Assembleia Nacional (ainda provisoriamente republicana), a sua ausência tem de ser equacionada como sendo a do principal avatar dos guerrófilos da NATO em Portugal.

Mas a isso responde facilmente José Saramago através das cinzas que nos legou espalhadas em nós pelo mesmo "Levantados do Chão",
pag. 198:
"António Mau-Tempo, vais ter de aprender no quartel, não quero filhos analfabetos debaixo das minhas bandeiras, e se depois esqueceres o que te mandar ensinar, paciência, não será minha a culpa, tu é que és burro, labrego e saloio, em verdade te digo, estão os meus exércitos cheios de labregos, o que vale é ser por pouco tempo, acabado o serviço militar, voltarás à tua ocupação, porém se quiseres outra tão custosa como essa, também se arranja.
Dissessem as pátrias a verdade e ouviríamos este discurso, mais ponto, menos cifra, mas então haveríamos de sofrer o desgosto de deixar de acreditar nas maviosas histórias da carochinha, as de ontem e de hoje, ora de armadura e guante, ora de dragona e greva, por exemplo aquela do soldadinho que vivia na trincheira saudoso da sua mãe carnal, que a celeste já morreu, olhando enfim o retrato daquela que lhe deu o ser, até que um certo dia uma bala perdida, ou pelo contrário muito bem disparada por atirador especial do inimigo, fez o retrato em estilhas, levou a efígie da doce ansiã e senhora mãe para os quintos, e então o soldadinho, louco de dor, salta o parapeito e corre de arma em riste contra as trincheiras adversárias, mas então não foi longe, caiu-lhe em cima uma rajada que o ceifou, é assim que se diz nestas narrativas de guerra, a qual rajada lhe foi atirada por um soldado alemão que também tem no bolso o retrato de sua e suave ansiã, isto se acrescenta para ficarem mais completas as histórias das mães e das pátrias e de quem morre ou mata por histórias destas"

(1) Inculto, provinciano e bronco, Cavaco Silva confunde "o privilégio de (nunca) ter conhecido Saramago", com o facto de desconhecer de todo o valor universal da sua obra
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domingo, junho 20, 2010

a partir do pontificio canil...


...aka a igreja do Pastor Alemão num violento ataque de raiva pela pena do L'Osservatore Romano arremete contra o Nobel portugués, a quem dedica um artigo em que define José Saramago como um "populista extremista de ideología anti-religiosa e ancorado no marxismo" - Um duro obituário sob o título "A Omnipotência (relativa) do Narrador" assinado por outro animal raivoso em cuja coleira se pode ler "Claudio Toscani". Não é certo que os bichos estejam com as vacinas em dia. Cuidado!!
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sábado, junho 19, 2010

Adeus e até sempre Saramago

o retrato feito a partir da terra. viu a globalização como um novo totalitarismo e sentiu na pele o fracasso da democracia contemporânea para deter o poder crescente dos grandes negócios privados surripiados à sombra do estado. comparou a barbárie dos de israel e a forma como escravizam os palestinianos a um novo holocausto. a causa palestiniana perdeu um militante. lembro-me dele na fundação luso americana: não venho mais vezes porque não me convidam; mas da forma como têm vindo a proceder, desta forma não, não virei. contudo jamais ligou directamente o maldição da doutrina sionista ao objecto animado pelos fios dos poderes do Império. É necessário que outros se levantem para lhe continuarem a obra. contudo faltar-nos-á o talento. se a nossa pátria é a lingua perdemos agora um dos rarissimos motivos para nos orgulharmos de ser portugueses.



as palavras dos nossos:
* Baptista Bastos:
"Era um comunista agnóstico. Era o seu próprio partido"
* Carlos Reis:
"Um enorme escritor universal, uma visão subversiva da História"
* Urbano Tavares Rodrigues:
"Continuar a olhar para cima, para o sol da razão"
* Hélia Correia:
"palavras e palavras vão cair com um grande barulho neste dia, contudo..."
* José Luis Peixoto:
"Construiu um mundo que no futuro vai entender o seu eco"
* Samuel:
"Os génios da banalidade, invejosos, despeitados, estarão contentes" - é bem verdade!!
* Manuel Gusmão:
"Narrou a história dos servos, dos que transportam a pedra"
* Fernando Meirelles:
"O mundo hoje ficou mais burro e mais cego"
* La Haine:
"a face oculta de um brilhante intelectual"
* a alma do escritor politico:
"Cuba irradia solidariedade"
* Publico/es:
"a arte do compromisso, vinda de um filho de camponeses"

* em actualização

sexta-feira, junho 18, 2010

"the bright side" das Presidenciais

o sr. José Policarpo, autodenominado “Dom” pela organização que o empossou, a qual por exemplo isenta o Clero dos deveres judiciais,(1) “apelou ontem a que mais leigos assumam publicamente os valores católicos”. E “Bagão Feliz está a ser pressionadíssimo para entrar na corrida presidencial” (Ionline)
Fui ver: “Don”, do latim “Dominus” ("Dono, "Mestre"), é um pronome de tratamento concedido a Reis, Príncipes e Nobres. Já não nos bastava o Patronato em peso a usurpar e monopolizar o espaço público – como ainda, em virtude da fragilidade da barricada dos soldados de Deus, por muito estranho que possa parecer o país ser transfigurado numa enorme sacristia, lá temos de gramar mais o grande líder da Beataria Nacional a enfiar-se na porca da política laica. Então, a mensagem do Don José Policarpo sobre “a pouca importância que a dimensão ética tem nas escolhas políticas” parece que entusiasma os católicos que defendem uma candidatura alternativa a Cavaco. E acreditam que ainda podem convencer Bagão Feliz a avançar (lol).

Benfiquista (capaz de captar 6 milhões de votos), Católico (mais 1 milhão de rastejantes de Fátima), Popular pela redacção do Código de Trabalho neocon (1,5 milhões de votos das familias dos caixas de supermercados), Alto e espadaúdo (na mira, mais 3 milhões de cruzes de sopeiras das novelas) , é o tipo ideal para a desunião "de esquerda" gozar o prato enquanto ele não se parte. E como cereja em cima da hóstia, virtuosamente falando, claro, não se poderia arranjar uma cena de porrada à séria entre o Bagão e o Cavaco?

(1) a Concordata Fascista de 1940 foi actualizada pelo Estado português em 2004 e assinada por Durão Barroso, conservando a ICAR todos os antigos privilégios, senão mesmo adquirindo outros novos. Por exemplo, qualquer edifício paroquial não tem registo de propriedade como qualquer outro prédio de qualquer vulgar mortal. Uma Igreja juridicamente está ali e ocupa aquele espaço físico por desígnio de Deus, que tem a escritura do terreno arquivada no Céu

Em 2009 o Estado transferiu 492 milhões de euros para "obras sociais da Igreja" uma doacção que podia perfeitamente ser gerida pelas Instituições Públicas de Solidariedade Social (IPSS) sem desvios para a compra de ganga para alfaiatarias de sotainas. Enquanto isso, noticia de hoje, "mais de 1,3 milhões de pensionistas estão em risco de perder apoios na saúde"
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quinta-feira, junho 17, 2010

Breve História da Banca Europeia (I)

"O judeu se tornará impossível tão logo a sociedade consiga acabar com a essência empírica do judaísmo, com a usura e suas premissas. O judeu será impossível porque sua consciência carecerá de objeto, porque a base subjetiva do judaísmo, a necessidade prática, se terá humanizado" (Karl Marx, sobre "A Questão Judaica")

Shylock, o “judeu” de Veneza, foi o primeiro banqueiro que conhecemos, bem como, noutro registo, Otelo “o mouro”, pela pena do repórter de excepção que dá pelo clássico nome de William Shakespeare (1564-1616). Mouro ou Judeu, na época não havia entre ambos grande distinção étnica, concretizando-se a diferença mais pela idiossincrasia das práticas. Reza o “deuterónimo”, em tradução livre, "que não poderás emprestar ao teu irmão com juros, mas ao estrangeiro poderás esfolá-lo tanto quanto conseguires". O facto dos dois dramas decorrerem naquela cidade não foi uma mera coincidência, mas sim por Veneza ser nesse tempo o terminal no continente europeu da linha da comércio com o Levante, a secular Rota da Seda reportada por outro veneziano famoso, Marco Pólo, o caminho milenar percorrido pelas caravanas através dos diversos impérios euro-asiáticos. O comércio com o Oriente sempre foi fonte de prosperidade, senão da importação de mitologias – vejam-se as cúpulas da Basílica na Piazza de São Marcos (construída entre 828 e 1245), são muçulmanas – contando-se até ser o mito do apóstolo Marcos ter sido importado e transmitido sob a forma de conto maravilhoso pelas ruas por um sapateiro migrante semita, como forma hábil de extorquir alguns trocados aos passantes (como faria depois Cervantes ao surripiar no bairro mouro de Toledo os originais que romanceou e tornaram o Quixote imortal (pela ocidentalização).

O primeiro “Gueto” europeu (Getto, traduzido do dialecto longobardo significa “Fundição”) aparece quando migrantes semitas vindos de norte pela porta de Trieste procuraram refúgio em Veneza cerca do século IX. Os Longobardi são descritos por Gaio Cornelio Tacito no ano 98 na obra Germanorum (1) como uma das tribos bárbaras procedentes de fora dos limites do Império romano. O termo “judeu” aparece pela primeira vez em documentos no ano de 945 e depois em 992 proibindo os capitães venezianos de facultarem o acesso a “judeus” a bordo dos seus navios. Até ali a designação de estrangeiros oriundos de Oriente seria naturalmente a de “mouros”. O território adquiriu o nome do termo grego Venetikà – passando a ser denominado Venezia marittima sob o domínio de Bizâncio a partir da reconquista no ano de 554 – ficando politicamente dependente do Esarcato de Itália com séde em Ravenna até ao século VI. No ano 603, sob o reinado da rainha Teodolinda os Longobardos convertem-se ao cristianismo.

Na sequência do desmembramento do Império Romano, muçulmanos otomanos ou bárbaros judaizados, ou uma fusão entre as duas (das inúmeras) tribos chegadas ao cosmopolitismo, a primeira actividade destes novos migrantes foi a de literalmente fabricarem dinheiro (2). O conceito de dinheiro na época é o de um metal precioso que era preciso desenterrar, fundir e cunhar em moedas – e é do poderio adquirido por estes artesãos que se apura o termo “Judeu”, e não tanto da mitologia bíblica oriunda do Médio Oriente. A criação da República de Veneza (3) desenvolveu extraordinaria- mente o comércio, antes feito por terra, através do domínio marítimo pela construção da mais importante frota de navios na época.

(clique na imagem para ampliar)
Cerca do ano 1250 os Judeus não eram autorizados pelo Ducado a exercer a sua actividade na maior parte da cidade, e assim foram relegados para a ilha chamada Spinalunga, a qual viria mais tarde a ser conhecida por Giudecca (o “sestieri di Giudei”). Em meados do século XV já existiam cerca de 2.500 judeus em Veneza, vistos como uma fonte de rendimento e progresso, porque tanto poderiam emprestar dinheiro como adiantamento cobrando um juro, como pagavam impostos por exercerem o comércio em permanência dentro dos burgos (em Portugal esse imposto chamou-se o “arabiado”). Em 1492 Veneza sofre novo afluxo de imigrantes a partir da expulsão dos pagãos não convertidos, mouros e judeus, da Espanha e Portugal pelos reis católicos. Os recém chegados sefarditas da península ibérica, de novo “judeus” pelo regresso alojaram-se no Getto Nuovo enquanto os “asquenazes” (a palavra significa “alemães” no dialecto yidish) e oriundos do Levante permaneceram no Getto Vecchio.

Estudos sobre a literatura inglesa demonstram que a maioria das peças de Shakespeare, já eram bem mais antigas escritas por autores desconhecidos (4). Por essa altura, a par com a epidemia de peste, o negócio monetário já tinha alastrado a todo o continente e, por via dos constantes dramas causados pelo endividamento, grassava um enorme vaga de anti-semitismo (leia-se anti-judeus) por toda a Europa. No drama ficcionado no “Mercador de Veneza” (1597) Shylock é um agiota judeu que empresta dinheiro a um mercador rival cristão, António, aceitando deste como penhor da promessa de pagamento o mesmo valor da moeda emprestada extraído da carne de António. Para agravar a desonra e a vingança pela dívida, a filha do judeu usurário, Jessica, rouba-lhe dinheiro e jóias e converte-se ao cristinianismo pelo casamento com Lorenzo, um amigo de António. A prática da usura foi a causa que produziu leis que confinavam os judeus ao isolamento no Gueto – enquanto do lado de fora aos cristãos lhes era vedada essa prática por o lucro extraído pela usura ser considerado um pecado.
dobrado em brasileiro


Na sequência de casos de corrupção exercidos sobre os Juizes do Ducado, Shylock e outros banqueiros judeus são excomungados

(gravura de época)
créditos
* Nobres muçulmanos em Veneza - pormenor do "Martirio de San Marcos", Vittore Belliniano, Galleria dell'Accademia di Venezia (ligações)
* “Empires of the Silk Road: A History of Central Eurasia from the Bronze Age to the Present” Christopher I. Beckwith (recensão)
* "Germanorum", Gaio Cornelio Tacito (bibliografia)
* (1) O único manuscrito oriundo da Germania só veio a ser casualmente encontrado no século XVI no Mosteiro de Hersfeld (fonte)
* (2) Joseph Shatzmiller, "Shylock Reconsidered: Jews, Moneylending, and Medieval Society"
* (3) "História da República de Veneza" (wikipedia)
* (4) O Otelo de Shakespeare foi plagiado da novela do italiano Giraldo Cinthi publicada em 1584 (recensão)
* "A Tragédia de Otelo, o Mouro de Veneza", William Shakespeare, Ediç. Relógio d`Água (livro)
* "A Ascenção do Dinheiro", Niall Ferguson, Edit. Civilização, 2008
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quarta-feira, junho 16, 2010

Go, North Korea! vs Nacional-Desportivismo

44 anos depois, sem o Eusébio, eventualmente a Selecção de futebol portuguesa poderá ganhar por falta de comparência do adversário

Sobre a “europeização” das equipas africanas e a actual falta se surpresas (citada no 5Dias) Muhamar Kadhafi já disse tudo: “a FIFA procede ao tráfico de seres humanos e faz renascer a escravatura ao patrocinar a compra de jogadores de países pobres para os colocar em campos de formação nos países ricos, a partir dos quais são depois negociados e vendidos – Declaramos daqui a nossa condenação a esta Máfia mundial e desta organização corrompida

As ideias base a reter do artigo de Michael Elliot publicado na revista Time sobre a presença da equipa de futebol da Coreia do Norte no Mundial de 1966 é a dessa equipa ter sido galvanizada pelo espírito da reconstrução do país, apenas 13 anos depois do armistício que pôs fim à guerra de agressão norte americana norte americana que dividiu a Coreia em duas metades. É claro que aqui no Portugal fascista os portugueses não tinham que saber ou valorizar essas coisas. (a religião e o futebol competem pelo adormecimento do povo)

Todos os 7 sobreviventes dessa mítica equipa, que chegou aos quartos de final, são hoje verdadeiros heróis nacionais conhecidos pelos “Chollimas(os cavalos alados da mitologia coreana), com destaque para a estrela Lee Chang Myung, o mais medalhado, uma vez que na ausência do futebol comercializado, a equipa era basicamente composta por elementos do Exército. Sobre o feito há um documentário realizado que é uma paixão na Coreia do Norte – “O Jogo das Suas Vidas” (The Game of their Lives), de Daniel Gordon - sobre a participação nesse Mundial quando a equipa eliminou surpreendentemente a Itália (apesar das simulações) carimbando o acesso aos quartos de final, onde jogou contra o Portugal colonial de Eusébio. Nesse jogo, a Coreia do Norte esteve a vencer por 3-0, e Portugal, cuja espinha dorsal era o Benfica, protagonizou uma das maiores reviravoltas da história dos campeonatos do mundo, acabando por vencer por 5-3, com quatro golos de Eusébio.



Por contraste com Lee Chang Myung, lembram-se de José Torres um dos nossos famosos “Magriços” num país de futebol milionário? foi um dos nossos heróis de 1966 e andam a fazer rifas pelos escalões menores de futebol para angariar fundos para doar à família por forma a pagar os custos da sua sobrevivência – * “Pois é, ele está doente e depende das boas vontades para fazer face aos seus custos. Num país (...) em que um ex-ministro trabalhou dois anos na CGD e recebe uma reforma de mais de cinco mil euros, os embaixadores reformam-se com mais de 11 mil euros, o José Torres, que fez mais por Portugal do que todos esse senhores, não ter reforma e assistência médica gratuita é humilhante para todos os portugueses de boa consciência.”
* comentário de um leitor no Dn
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terça-feira, junho 15, 2010

o Negócio da Educação

Acreditar é a função daquele que tem Crédito

A uma hora que ninguém desconfia, às duas e quinze da madrugada, a SicNoticias transmite hoje no “Toda a Verdade” um programa sobre o ensino privado nos Estados Unidos: “Há um novo negócio (novo?) em expansão nos EUA: a educação com fins lucrativos. As novas universidades privadas arranjam empréstimos para as propinas sem colocar grandes dificuldades a quem quer continuar a estudar e prometem um curso superior àqueles para os quais o ensino tradicional (como é suposto não ser negócio) não consegue dar resposta. Com métodos de recrutamento agressivos, prometem formação à medida, estágios e licenciaturas com futuro (que será o desemprego crónico ou aceitar lugares em postos de vendas de supermercados). Mas, para muitos estudantes levados pelas facilidades do crédito concedido, nem tudo funciona como esperado. (obviamente). Foram os nossos senhores governantes neoliberais que falaram na crise de endividamento?
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a coragem de mudar de rumo

"Hoje, a ditadura não é política - o novo despotismo exibe roupagens técnicas e o linguajar da inevitabilidade das suas deliberações. Mas é igualmente centralista e arrogante"
Carlos Abreu Amorim, Jornal de Notícias

O PEC é o programa do grande Capital para a crise, ditado pelo Banco Central Europeu e pelos grandes interesses financeiros que ele representa, aprovado em Portugal pelo PS e pelo PSD e executado (pelo menos para já) pelo Governo de Sócrates, cuja chegada ao poder, recorde-se, foi saudada por partidos como o PCP e o BE como uma vitória da esquerda!"

Garcia Pereira está todas as terças-feiras no novo canal ETV de natureza económica (na zon é o canal 200/201) com comentários sobre os temas do dia.

segunda-feira, junho 14, 2010

crença na Bola

a seguir à Igreja do Maradona, a Hyundai também aproveita a maré para difundir publicidade blasfema - uma côroa de espinhos sobre a bola e a ladainha «agnus Dei, qui tollis pecata mundi, ora pro nobis» escandalizam as "autoridades eclesiásticas" por via da concorrência no controlo das mentes. Um carro porreiro prá campanha do Bagão Féliz



fonte: "Hyundai emite un anuncio blasfemo en el que se burla de la liturgia católica con motivo del Mundial de fútbol".
Mas foram rápidos a retirar o video do you-tube
* relacionado com o PEC:
Portugal é a 2a nação que mais gasta em alojamento no mundial
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Candidatos beatos e hetero-estarolas precisam-se

que venham muitos. Apoiamos todos!

Parece ser cada vez mais provável um quarto candidato presidencial à direita, que não se deixe influenciar como Cavaco pelo marketing eleitoral incluindo maricas nas contas. Dom José Policarpo: “Já não lhe exígiamos que fosse tão longe como o rei da Bélgica (qual das bélgicas?), que abdicou por um dia para não assinar uma lei que não queria assinar. Mas se o fizesse ganhava as eleições”. Assim, Cavaco está lixado. Oxalá (em 2006 safou-se à risca com 50,5% graças a Mário Soares). Entalado porque o grande arauto do regime entrou em pânico e pergunta se de facto o bispoquer medir pelo voto a influência da Igreja em Portugal?”. Com azar, conclui o cronista, “a demagogia de Alegre num país miserável e desesperado" pode levar Cavaco a uma segunda volta humilhante e a uma (in)esperada derrota". Segundo André Malraux “o século XXI será religioso, ou não existirá” – vendo ao longe, foi com a devida antecedência, já desde 1974/75, que em vésperas de uma possível e notável transformação social, a Igreja tomou a seu cargo as respectivas providências divinas - quando a ICAR optou pelas acções directas. “Medir os votos” para quê? Nessa decisiva época de incertezas bastaram 389 atentados bombistas congeminados pela Direita a partir das sacristias às sedes do MDP/CDE e PCP para que o país voltasse a encarrilar nos velhos eixos da religiosa cepa torta
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domingo, junho 13, 2010

manjericos

As marchas populares perderam a ênfase popular, tornaram-se carnavalescas. A organização é concebida com centro na exibição para a tribuna do Presidente e das “individualidades” (meio vazia, porque o populismo físico não paga o frete que pode ser perfeitamente à borla pelo mediatismo televisivo) - Se isto é uma festa que alegria não será para a récua de doutores ver o povo enterrado. Fora do ecran, longos intervalos de corpos presentes na Avenida, parados, sem que nada aconteça na realidade (para dar tempo a preencher os espaços vazios dos frequentes intervalos publicitários lá na imaterialidade dos ecrans).


















Em definitivo, o tostão para o Santo António converteu-se no milhãozinho para a Santa RTP. Não admira que a clientela do PSD queira deitar mão aos ovos da galinha privatizada. O centro onde todo acontece, a zona da Tribuna, transformou-se num autêntico estúdio de televisão a céu aberto. Cá fora, na rua maioritariamente ocupada por imigrantes ávidos por novidades nas suas vidas cinzentas, os portugueses macambúzios pela crise social ou imperial-dependentes deambulam, tristonhos e cépticos, até em relação aos padrinhos dos bairros, hoje maioritariamente “artistas das telenovelas”. Nesta cultura este edil António Costa também vai longe. O mote oficial dos “festejos” foi seleccionado cientificamente a preceito:

... as comemorações nacionalistas da república, que não raro no desfile pôs toda a gente obrigada, veneradora e respeitosamente de pé a cantar fervorosamente o hino nacional. Na futebolização dos espíritos a selecção da bola não faria pior (1). Alvos do ataque do capital internacionalista há sempre uns idiotas dispostos a bater umas palmas ao nacionalismo serôdio – como se a República (1919-1926) não tivesse sido logo ali interrompida… e a actual retoma da marcha para onde são conduzidos pela trela os populares, não levasse hoje em dia um outro caminho completamente diferente da intervenção dos cidadãos

adenda
(1) o desavergonhado desvario da RTP atingiu hoje o clímax no noticiário da noite. Tiveram de decorrer pouco menos de 30 minutos até que o alinhamento noticioso trouxesse uma noticia "civil" que não fosse sobre futebol - no caso uma que dava conta da sugestão de abater duas ambulâncias do INEM, ao serviço das populações numa qualquer terrinha, por razões de poupança económica - um desgraçado fait-divers na óptica da estação pública, no drama silencioso do desinvestimento nas infraestruturas básicas das desertificadas regiões do interior. Nada que afecte a boa prestação da "nossa selecção"
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