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quinta-feira, janeiro 31, 2013

a Luta pelo Poder no PS

A croniqueta do advogado Lomba hoje no jornal “Público” é uma peça exemplar de escroquerie,
digna de uma daquelas badalhocas alvitradeiras de alcova bem ao jeito da jeune-fille famille do banqueiro Czernichovscki Poisson dita depois de Pompadour - enquanto à surrelfa roçam o cu pelos insignes dignitários do xuxialismo, negando-o! (jamé),
piscam o olho ao outro, mais aristocrata, frequentador do salão de putéfias, cobrando-lhe uma queca num qualquer esconso escuro onde se enfia o banqueiro. Arquive-se no Grand Palais do Bloco Central.
Talvez pelo pedantismo das putas sérias o Lomba não tivesse escrito o nome dos Borbóns na sua língua original mas no libidinoso francês Bourbons, omitindo, como o diabo corre contra a cruz, que os rebentos traquinas das reais casas das aristocracias europeias andam hoje a dar tirinhos em afegãos como forma superior de divertimento, longe portanto das entediantes pianadas de Mozart, Beethoven e das valentes Punhetas discretamente batidas por debaixo das empanechadas vestes emplumadas da Corte. Talvez se fodam.

na capa da revista Visão de hoje 
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quarta-feira, janeiro 30, 2013

o Regresso aos Mercados, ou o Milagre da Multiplicação da Dívida

"Os “milagres”, na história da humanidade, sempre serviram para iludir e manipular as Mentes, acreditam aqueles que, por saberem que se a verdade for conhecida, o ópio, o veneno da mentira, mesmo que mil vezes repetida, não iludirá os povos. Por isso preferimos um ditado popular que reflecte – e bem – o bom senso do povo: a mentira tem perna curta!

Podem repetir à exaustão a história da multiplicação dos pães, do discurso de santo António aos peixes, da travessia a pé por cima das águas do lago. São cada vez menos aqueles que se deixam inibriar pelo ópio que é a “fé” de que estes eventos tiveram, efectivamente, lugar. É como o “milagre” anunciado pelo Gaspar e pelo governo de traição que integra, do regresso de Portugal aos “mercados”. Acrescentar dívida à dívida, eis a fórmula, eis o milagre. Ah!, dizem em defesa da “mézinha miraculosa”, mas a pagar menos juros e levando a que se tenha de a pagar de forma mais diferida no tempo!"

A verdade é que não havendo crescimento da economia numa taxa, no mínimo, igual, à dos juros que são aplicados a esses “empréstimos”, a Dívida não diminuirá… Aumentará! (ler o resto)

Basta ler o Expresso, que não esclarece a natureza especulativa da Divida, mas fornece dados para caçar o mentiroso: "Claro que os 4,89% dos juros cobrados no regresso aos mercados estão bastante acima da taxa cobrada pela Troika que são de 3,4% ... e dificilmente seriam sustentáveis se fossem alargados a todo o stock da Dívida Pública" (suplemento Economia do Expresso)

Se não se apear este governo vende-pátrias, "se não implementarmos um arrojado, mas ponderado, plano de investimentos, que coloque a economia ao serviço do Povo e assegure a nossa independência nacional, como será revertido o imparável ciclo de endividamento e, logo,  
como se pagarão “Dívidas” …Impagáveis??! 

topem bem este filme

Já aqui em 2006, por via do artigo de Robert Kurz, quando em Portugal já se tinham construido 25 milhões de fogos habitacionais para 10 milhões de individuos, se previa o crash imobiliário: "a Banca estava a segurar artificialmente o valor do crédito de quem tinha contraído  empréstimos, sob pena de serem os Bancos os principais atingidos pela perda de valor das casas que iriam ser penhoradas".

Passados 7 anos, "o Estado mete dinheiro nos Bancos... os Bancos penhoram casas a quem ficou no desemprego e deixou de ter capacidade para as pagar. Os Bancos revendem-nas por baixo preço a empresas imobiliárias. E estas vendem-nas a reformados estrangeiros com posses, cedendo-as com promoções e vantagens fiscais feitas pelo Estado. Uma vez mais, o Imobiliário a dominar a economia "real". Então, temos três ministros, uma secretária de Estado, impostos aliciantes e 828 milhões em cima da mesa para promover a venda de imobiliário aos reformados ricos do estrangeiro...
(via Indignados de Lisboa: "Com IRS mais baixo. Governo quer atrair reformados estrangeiros")

no Portugal imaginário dos Jotinhas o ideal mesmo era que aqui não existissem portugueses

terça-feira, janeiro 29, 2013

Dívida da Câmara de Sintra liderada por Fernando Seara (PSD) ultrapassou o ano passado os 100,6 milhões de euros

abriu mais uma época de caça aos simpáticos apoiantes de aldrabões. A ameaça é real, este não vai desertar.

Primeira promessa: em 2014 tem de haver uma baixa de impostos (!) sussura o truculento Seara. "Gestor" ruinoso de alta performance (mais de 100 milhões de dívida contraída num ano em Sintra é obra... mais uma... para lançar nas contas do famigerado Estado mínimo para fazer pagar o máximo aos contribuintes. Spin-doctor e grande formador de opinião de claque futebolista, olheiro ingénuo do gang, casado com uma directora de desinformação televisiva famosa, politico anestesista que conclui que a "revisão da Constituição merecia um entendimento cirúrgico", a sua primeira facada em promessas não cumpridas verificou-se logo no primeiro mês no cargo na autarquia de Sintra em 2001: mandar colocar portagens na Crel. Atenção utentes do voto, se este cavalheiro social-dividocrata se apanha a mandar em Lisboa, não vai largar os bolsos dos lisboetas... Fixemos para memória futura: António Costa prometeu não aumentar o imposto municipal IMI aos imóveis abrangidos pela autarquia de Lisboa


Professor Doutor Fernando Seara associa-se às comemorações do 25 de Novembro, à surrelfa, muros de quarteis adentro, e nas costas do povo. Se porventura a nova lei de limitação de mandatos o permitisse, no próximo ano teríamos Seara a homenagear um qualquer busto do major jaime neves, o tristemente célebre simbolo da "democracia" que trouxe o país ao estado em que está.
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segunda-feira, janeiro 28, 2013

Guerra Psicológica

"Existem 2 Poderes no mundo, a Espada e a Mente. A longo prazo a Espada é sempre derrotada pela Mente, logo, é esta última que importa verdadeiramente conquistar" 
(Napoleão Bonaparte)

O recente documentário “Psy-War” põe em evidência a correlação de forças entre a teoria elitista da democracia burguesa (como na antiga Grécia, há uma moral para escravos e uma moral para Senhores, democracia na qual só estes últimos 10% é que têm condições económicas e status para participar) decidindo no relacionamento entre declarações de guerra, propaganda e classes sociais. 
 
Guerra Psicológica inclui entrevistas inéditas com um significativo número de intelectuais académicos dissidentes, incluindo o anarquista Noam Chomsky, e militantes de diversas correntes marxistas de diferentes nuances como Howard Zinn, Michael Parenti e Peter Phillips (reunidos no think-thank Projectos Censurados), John Stauber (PR Watch), Christopher Simpson (A Ciência da Coerção) e outros.

Estudo aprofundado e ricamente ilustrado da natureza e da história da propaganda, apresentando a mundovisão de alguns dos actuais críticos mais perspicazes, "Psy-War" expõe o sistema de propaganda imperialista global, afinal o exercício de fundo crucial que controla a informação e o pensamento de milhões de pessoas que vivem assumidamente escravizadas pela escassez, num universo onde as 100 pessoas mais ricas do Mundo (com 60% de acréscimo de riqueza nos últimos 20 anos) poderiam acabar quatro vezes com a Pobreza global (segundo a Oxfam

1:39:02

domingo, janeiro 27, 2013

reapareceu o "socialismo dentro da gaveta", mas foi mais uma vez arquivado

Para quem frequentava a Câmara da Amadora o caso parecia bué de esquisito: jovens arquitectos com menos de trinta anos que se passeavam para o emprego em bombas de alta cilindrada? bom, sempre se pode dar a coincidência da herança do tio rico da américa, mas... havia outras pistas...


Liderado pela Procuradora amiga do Partido dito "Socialista", Cândida Almeida, o DCIAP investigou a Câmara da Amadora durante 11 anos. Concluiu que houve licenciamentos ilegais, encontrou 77 mil euros em dinheiro na casa de directores camarários e documentos que indiciam pagamentos ao edil Joaquim Raposo (PS). Detectou que construtores civis transferiram 474 mil euros para uma conta na Suiça mas não conseguiram descobrir quem era o titular dessa conta. Ninguém foi acusado e o caso foi arquivado em Dezembro último. (Jornal i, 26 Janeiro) e indignam-se os comentadores toujours socialistes na noticia do jornal: "não têm vergonha, isto é jornalismo de sarjeta, o que é que este caso tem a ver com o PS?

muito importante para o esquema de financiamento dos partidos: 
Joaquim Raposo e José Sócrates em campanha eleitoral na Amadora 

A denúncia do esquema foi generalizado a quase todos os departamentos de urbanismo camarário do país, como "factor de corrupção e enriquecimento ílicito" pelo engº Paulo Morais, o que lhe valeu a expulsão da Câmara do Porto "gerida" por Rui Rio em 2005. A Procuradoria da República sugeriu então que estas denúncias deveriam ser investigadas, o que parece ter sido feito, porém sem resultados, porque o esquema de corrupção, como se vai vendo por este caso, alastrou igualmente ao sistema judicial.

este esquema na Câmara da Amadora conta-se, assim, numa frase: Raposo de guarda ao Galinheiro da especulação imobiliária, come uns grãos de milho aos donos da Capoeira
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sábado, janeiro 26, 2013

a Hora do Barrete Negro

Zero Dark Thirty” (A Hora Negra) é um cine-relato a armar ao real entre factos "grosseiramente imprecisos" e a manipuladora determinação de "Maya", uma agente da CIA creditada como a principal responsável pelo sucesso da pseudo-caça e assassinato-do-de-há-muito morto- Bin Laden, operação que decorreu em Abbottabad no Paquistão, em Maio de 2011. Guião escrito sobre uma realidade inverosímil, já este mês, ficou a saber-se que não só existe uma verdadeira "Maya" - cuja identidade não foi revelada, mas foi consultora de Kathryn Bigelow - como o seu temperamento obsecado e simpatizante dos métodos de tortura parece ter sido muito bem captado pela realizadora do filme. Realizado em 2012, segundo o NYT "a Casa Branca conta com esta versão do assassínio de Bin Laden para contrariar a crescente reputação de Obama” como ineficaz e igual ou pior que Bush. O recado está dado, mas o cozinhado está longe de ser brilhante.

"A Hora Negra", nomeado para 5 Óscares, é uma fraude do primeiro ao último fotograma. O filme é tão repleto de mentiras, disparates e manipulações que é difícil saber por onde começar.
O mais repugnante é a glamourização da Tortura que retrata como eficaz e uma boa fonte de recolha de informação para a actuação de um grupo de heróis de capa-e-espada que trabalha na “defesa da Pátria”, ou seja, é uma peça de promoção da ideia do Estado que luta pela segurança interna dos seus cidadãos a mais de 11 mil quilómetros de distância! – que gente sem vergonha, esta gentinha de Hollywood: uma das vítimas de Tortura "confessa" que “enviou um fio de ouro de 5.000 dólares a um dos designados conspiradores do 11 de Setembro”. Este episódio inenarrável tenta obscurecer uma outra história do 11 de Setembro, mas que está completamente documentada: que o Chefe dos Serviços Secretos do Paquistão Mahmoud Ahmad não deu fio de ouro nenhum a Mohamed Atta dias antes do 11 de Setembro mas deu-lhe 100 mil dólares e depois disso foi tomar o pequeno almoço nessa célebre manhã do “inside job” em Washington com os senadores Bob Graham (democrata) e Porter Goss (republicano).

O espectador não precisa de pagar bilhete para disfrutar de patranhas deste quilate, mas acidental- mente fica a saber quão cheias de trampa são as histórias dos grupos militares SEALS da Marinha e de outros paladinos do Imperialismo. Eles tiveram muitas horas para realizar uma autopsia no regresso ao Afeganistão e mais algumas horas no avião que supostamente trouxe o corpo de Bin Laden para o navio no Oceano Índico, "de acordo com a prática religiosa muçulmana". Mas não tiveram tempo para identificar cientificamente o boneco-alvo da operação simulada, sabendo-se que o simulado “Bin Laden” foi baleado no rosto quando já estava morto… e dois ou três membros dos SEAL afirmaram nunca ter visto o rosto do homem (não esquecer, como todos os bófias secretos, eles são mentirosos profissionais) o que aponta facilmente para este ter sido um golpe planeado que o “assassinou” imediatamente no mesmo dia, a sangue frio, sem mandato de captura e sem julgamento

Infelizmente, a maioria dos norte-americanos e dos espectadores de outros países culturalmente colonizados, inveterados comedores de pipocas, vão absorver estas mensagens subliminares cuja intenção é transmitir que a Tortura é necessária, que estamos em Guerra com Terroristas e que os Estados Unidos são ousados nos raides de extermínio de todos os bin-ladens que se atrevam a aparecer-lhes no caminho.
E então despeja-se um monte de merda a armar ao cinematográfico em cima de cada uma destas questões
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sexta-feira, janeiro 25, 2013

o "Regresso aos mercados"

Garcia Pereira: "quando falamos em "mercados" falamos dos bancos e do grande capital internacional"



Afinal não havia razões para euforias na operação montada pelo BCE na reactualização das dívidas soberanas da Iralanda e Portugal: Juros a 10 anos próximos de 6% e risco aumenta 

Calma, Qual é a Pressa? Qual é a Pressa? a médio prazo não estaremos ainda todos mortos, apenas hibernados. Segundo as previsões oficiais só faltam 17 anos para ficarmos com a mesma crise que tínhamos antes de ter crise:

"FMI afirma que uma recessão mais prolongada e a inclusão da dívida de empresas públicas e PPP nas contas nacionais aumenta a dívida pública de entre 10 a 15% do Produto Interno Bruto (PIB). Dívida pública atinjirá o seu máximo em 2014, quando chegar a 122% do PIB. Para chegar aos níveis de endividamento anteriores à crise iniciada em 2008, caso se concretizem as estimativas actuais e as condições a elas associadas, serão preciso mais de 15 anos, apontando o fundo apenas para 2030" (aqui)

Segundo legislação vigente na Alemanha: A extensão das maturidades pedida por Vitor Gaspar é considerada com um Novo Resgate
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quinta-feira, janeiro 24, 2013

a pandilha neocon "regressou aos mercados e cumpriu o défice" (!?)

Averiguemos então qual é a verdade na pseudo euforia das ultimas horas e maila a carrada de palha oficial que se lhe há-de seguir:

a emissão e venda de novos titulos de Dívida funciona como novas garantias para os credores (os accionistas da banca internacional), com juros actualizados bem mais elevados que as Dívidas antigas que estão por pagar. O cumprimento do Défice abaixo da meta exigida pela Troika (menos 671 milhões que os 9.000 milhões que são o equivalente anual aos Juros da Dívida) é um cozinhado que mascara a fome, tal como a prosápia da nouvelle cuisine... Assim se conclui que o povo português não pode de modo algum considerar este bando de mentirosos corruptos como se fossem interlocutores válidos.

Falta de transparência é a principal conclusão do inquérito aos Orçamentos de Estado em Portugal, feito pelo grupo de reflexão International Budget Partnership sedeado em Washington.

Os economistas desse grupo detectaram que nos últimos anos os sucessivos governos portugueses esconderam 20 mil milhões de euros da Dívida Pública oficial (qualquer coisa como 11% do PIB), transferindo-os para entidades como as Parcerias Público Privadas (PPP's), para o endividamento das Empresas Públicas, Empresas Municipais, Epul, Metro de Lisboa, Metro do Porto, etc.
O livro já aqui citado, “Sem Crescimento não há Consolidação Orçamental” explica o que é o “Défice Oculto” (a diferença entre o aumento da Dívida e o saldo das administrações públicas): de 1980 a 2010; Ora este Défice Oculto é responsável por mais de metade da dívida, sendo uma boa parte acumulada durante os mandatos de Cavaco Silva. O autor opina que essa é uma boa razão para usar o critério da Dívida como medida essencial das contas públicas, e não o do Défice, cujas regras de contabilização têm sido manipuladas ao longo do tempo, mascarando-as com medidas extraordinárias (Ferreira Leite vendeu a cobrança de Dívidas fiscais de então por 1700 milhões de euros; Sócrates e Passos Coelho integraram na Segurança Social diversos fundos de pensões, a recentíssima venda da ANA, etc. A Dívida é portanto o indicador mais esclarecedor, até porque é na Dívida dos paises submetidos que reside o “core business” do actual modo de acumulação capitalista: Bancos ganham 15 mil milhões de €uros com Dívida Pública só em 2012.

Por outro lado, os Orçamentos de Estado escondem quais são os valores que cada escalão contributivo paga (especialmente o de 2013 com o confiscatório agravamento do IRS) o que os torna opacos, sendo assim impossível possuir dados para qualquer debate sobre as desigualdades sociais, que classes sociais pagam mais impostos, a que níveis os ricos conseguem furtar-se ao fisco, etc. – o economista Paulo Pereira Trigo disse em directo na SicNoticias, em nome da ONG Transparência Internacional, que “esta situação é embaraçosa” – desafiando o ministro Gaspar a corrigir a prática de ocultação de dados no próximo Orçamento, oferecendo-se inclusive de seguida para ajudar o ministro a “construir um Orçamento bem explicado e com a participação dos cidadãos, até para que estes percebam o gravíssimo buraco em que estão metidos” – se ontem se conseguiu mendigar 12 mil milhões de euros no Mercado (com juros a 4,89% ao ano quem vier atrás acabará por pagar daqui a 5 anos cerca de 15,2 mil milhões. Se não se suspender de imediato o pagamento de uma Dívida que é fraudulenta, quem empresta melhora!

Imagine-se então que, até 2021 Portugal vai ter de pagar qualquer coisa como 120.000 milhões de €uros! Ou seja, 2/3 do PIB em apenas 8 anos!


Numa análise marxista “todas as leis do capitalismo não passam de tendências acompanhadas sempre por tendências opostas”. É nesta última que o “transparente” comentador Paulo Pereira Trigo integra a sua rábula. Contudo a mentira tem a perna curta e do que se trata não será decerto de ajudar Vitor Gaspar a livrar-se da labéu de mentiroso, mas sim de o pôr rapidamente no olho da rua junto com toda a pandilha de torcionários que se associou neste governo… para vender o povo português a troco de patacas de ouro pagas pelos interesses estrangeiros

relacionado:
* a visão reformista social democrata: O regresso aos mercados e o alargamento das maturidades: Perante o falhanço, a Austeridade continua 
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quarta-feira, janeiro 23, 2013

a Xico-espertice do Django das Finanças

o Regresso com "sucesso" aos Mercados alivia a Austeridade? ou isto é um regresso aos Mercados em versão "chico-esperto"? vejamos um clássico da esperteza com que se enganam as massas: quando uma das dívidas do Estado vence e é preciso pagá-la, o Estado vai ao Mercado pedir mais dinheiro, contraindo novas Dívidas para pagar as antigas Dívidas. Certo? do alto da sua sapiência adquirida em feiras e contaminado pelas equivalências do Relvas o Portas esclarece com a sua douta formação em economics que o pedido de melhores condições à Troika foi feito "no momento certo". (certo?) uma vez que daqui p`rá frente haverá grana com fartura. Em Setembro próximo Portugal vai precisar de pagar em capital e juros qualquer coisa como 5,8 mil milhões de €uros... e tem uma economia arrasada pelo desemprego que chega próximo dos 17%. 

Visto pelo centro-esquerda liberal capitalista, segundo Nuno Teles:"o Estado português regressa aos mercados. Bem-vindos ao segundo resgate da Troika!"(aqui). Visto pelo lado da direita neoliberal capitalista estamos no melhor dos mundos, segundo José Manuel Fernandes: "Vítor Gaspar perdeu a opinião pública; mas externamente, no que toca ao cumprimento dos objectivos portugueses, continua com uma folha de serviços impecável" (aqui). Como se vê, visto pela óptica do Povo, não está a acontecer nada de novo, nem sequer no debate essencial:
Quem tem culpa na "Crise" de ocultação da Dívida? o Custo do Trabalho que os operários não têm, ou o Custo do Capital pago aos accionistas?

terça-feira, janeiro 22, 2013

mais Tempo, mais Dinheiro, mais Juros, mais Lucros

as Funções Sociais do Estado (Educação, Saúde, Protecção Social, etc) representam, segundo disse o professor Santana Castilho na Sic não mais de 19% da despesa pública; Segundo este quadro do Governo português são 15,51% do total da despesa, correspondentes a 28.499.560.562 €uros. Quando comparado com esta verba, a Despesa a pagar como serviço da Dívida (Capital e Juros) representa 70,48% da despesa total, ou seja: 129.503.740.153 €uros 

A pergunta é pertinente: porquê então cortar nos já atingidos Serviços Sociais (com a tanga da “refundação do Estado) e não Renegociar a Dívida pagando menos, como pretende a esquerda com aspirações parlamentares? - diz Francisco Louçã (1): “é precisamente por isto que se impõe reestruturar a dívida e anular uma parte do seu stock, além de conseguir melhores juros e garantias. Cortando na dívida, reestruturando-a, reduz-se uma despesa do Estado e não se cria Recessão, ao contrário do que acontece quando se corta nos salários e pensões”. Gerir “melhor” o capitalismo, eis o objectivo. Pois é igualmente isso mesmo que o Governo hoje anuncia que quer: mais tempo para pagar aos credores de uma Dívida (que ninguém sabe quanto é, nem quem a vai contraindo e com que interesses), mas também que se mantenham os cortes nos salários, nas pensões e nos serviços sociais.

Essas medidas, na espiral recessiva aplicadas até agora, já fizeram em 2012 baixar o PIB em 3,1%. Em 2013 o governo previu nova baixa de 1% no PIB, mas a previsão é errada admitindo o FMI que no mínimo o PIB cairá cerca de 2%; mais do dobro, acabará de novo por se situar numa quebra de 3% do PIB se tivermos em atenção que ambas as previsões estão erradas. Se segundo Gaspar “o programa está a ser cumprido com êxito”… porquê, e sobretudo para quê? são precisos mais 4.000 milhões em medidas de austeridade? Ou seja, 2,5 por cento do PIB?. Nenhum dos comentadores oficiais, nem da falsa oposição o diz, mas consta do livro de Emanuel dos Santos, ex-secretário de Estado de José Sócrates, “Sem Crescimento não há Consolidação Orçamental”:

a União Europeia, com um rating de AAA, consegue financiar-se no mercado a uma taxa bastante mais baixa sobre a qual adiciona uma margem de 2.15 pontos percentuais à taxa das tranches financeiras que vai disponibilizando a Portugal. Esta margem, cujo montante reverte para o Orçamento da União Europeia para ser distribuído pelos 27 Estados-membros no final de cada ano, custará a Portugal em média anual mais de 1.100 milhões de euros. O valor global dos Juros que, no caso da EU, inclui essa margem, é estimado em 4,4 mil milhões de euros por ano, ascendendo a 33 mil milhões de euros em todo o período do empréstimo” (pp106). Divida-se este valor pelo período da “ajuda financeira” e está encontrado o número redondo dos tais 4.000 milhões e o seu destino: para além dos juros já previstos, são para pagar os lucros aos amigos e comparsas do Governo na União Europeia... e a isto o que o Povo lhes deve fazer é um valente manguito!


(1) Recensão do livro e gráfico citados; e comentários da área politica do BE em "Afinal, havia dinheiro para salários e pensões
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segunda-feira, janeiro 21, 2013

O espectáculo do dia é a tomada de posse de Obama no Capitólio para um segundo mandato

A carnavalesca encenação já começou ontem, quando Joe Biden foi re-investido por uma Juiza de origem Hispânica, o que pode muito bem servir de mote ao conto de fadas “o Preto, o Judeu, o Padre e a Latina” (1). Torna-se porém bastante claro que desta vez desapareceu o encanto da "mudança", substituída pela permanência da politica de mentira.

Mesmo assim, e por causa disso, a leni- riefenstahliana cerimónia custa 300 milhões de dólares. Em período de crise gravíssima no império do Ocidente, a situação pode ser comparada com a queda do Império Romano? isto é, quando os senhores do mundo de então também delegaram em hordas de políticos lacaios a defesa do Estado? Mais perto no tempo, cabe relembrar que o fim do moderno império de Hitler foi a causa do inicio da Guerra Fria, para muitos a mais importante de todas as guerras, porque depois da sua extinção, não existindo inimigos externos, opõe dois modelos de organização social antagónicos dentro das fronteiras nacionais


Vamos ver que “progressos” trouxe Obama, tanto aos cidadãos norte americanos, como a vítimas colaterais neste último periodo de 4 anos:
• Pagamento obrigatório a toda a população de Seguros de Saúde a Companhias seguradoras privadas, o que é uma fraude quando comparado com a promessa de oferta de um “serviço de saúde universal
• Continuação da prática de Tortura sobre presos políticos
• Cartões de livre trânsito para fora das prisões oferecidos por Wall Street aos seus gatunos de estimação
• Programa de assistência e venda livre de armas aos cartéis de droga mexicanos • Uma guerra não declarada contra os Civis do Paquistão (2)
Financiamento oculto das pseudo revoltas árabes
• Não cumprimento da promessa de encerramento de Guantanamo
• A Lei de Detenção Prolongada por Período Indefenido de 2011 aplicável sobre todos os cidadãos, nacionais ou capturados no estrangeiro, considerada inicialmente como uma loucura jurídica, mas que agora é Lei. E permite detenções forças militarizadas sem intervenção dos tribunais invocando crimes que ainda não tenham sido cometidos
• A construção dos “campos de concentração” (da FEMA) para a nova vaga de detidos foi explicada por Obama nestes termos:

Para aqueles que pensam que as coisas hoje são “muito diferentes” do que eram nos tempos que antecederam a segunda grande guerra, convém relembrá-los que os Nazis também operaram segunda a criação de “novas Leis”. E ninguém pareceu incomodar-se, nem ninguém disse nada. Portanto, se de Obama nada dizem (1), cabe aqui dizer agora que o que os Nazis fizeram na Alemanha foi também no “estrito cumprimento das Leis”. Convidaram muita gente a juntar-se ao esforço de guerra em campos de trabalho, sendo cidadãos nacionais ou imigrantes deslocados no cumprimento da Lei. Uma vez na posse dos territórios conquistados a outros povos, estes foram obrigados a cumprir os direitos concedidos pelos invasores, para bem da sua própria liberdade. Não foi bonito?

Bush e Obama têm uma aproximação um pouco diferente: surripiam os direitos civis consignados em leis que vão sendo alteradas para emprisionar e assassinar (3) cidadãos nacionais, imigrantes ou capturados no estrangeiro em plena luz do dia e à vista de todos, culpando-os de serem “Terroristas”. Isto está a ser feito de forma irreversível e alastra como modelo de Estado policial a todo o mundo. Só quem não quer ver não vê que isto só pode vir a acabar mal


(1) Hoje é também o dia em que se comemora o Reverendo Luther King, não como um simbolo abstracto de uma ou outra prédica, mas quando disse: "Virá o Tempo em que o Silêncio será Traição!" Obviamente, mais uma vítima que pagou com a vida a sua opinião contra a Guerra do Vietname 
(2) Alguma “vox populi” na América afirma-se orgulhosa em ser americana, porém envergonhada por aquilo em que os sucessivos governos imperialistas converteram os Estados Unidos
(3) Assassinatos selectivos? "não faço a menor ideia do que é que está a falar" responde uma porta-voz dos "Democratas" após a vitória eleitoral
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domingo, janeiro 20, 2013

Change? As tropas "socialistas" do "socialista" François Hollande cravam mais uma lança imperialista em África

Um antecedente directo da actual situação no Mali foi o recente derrubamento do governo da Líbia e o assassinato do seu presidente, Muammar al-Gadhafi, através do apoio das potências imperialistas a uma pretensa “revolta popular”. Neste país, tudo o que eram grupos islâmicos mercenários e radicais foi fortemente financiado e armado. Bombardeamentos maciços da aviação norte-americana, britânica e francesa sobre alvos militares e estratégicos do poder líbio e a intervenção directa de contingentes militares franceses disfarçados de “populares líbios”, consumaram o propósito de derrubar um governo não suficientemente maleável aos interesses imperialistas.


Uma parte daqueles grupos de mercenários islâmicos, com armamento reforçado proveniente dos arsenais líbios, vieram instalar-se no norte do Mali (confinante com o sul da Líbia) onde, aproveitando a existência de um movimento nacionalista que luta pela autonomia e independência da região de Azawad aí situada, desencadearam acções militares de controlo de cidades e porções importantes do território do Mali. Um desses movimentos islâmicos, apresentado como um ramo da Al-Qaeda na região do Magrebe (AQIM), deriva de uma organização salafista argelina e apareceu quase em simultâneo com a criação, em 2007, do Comando Africano dos EUA (AFRICOM), uma estrutura política e militar para coordenar as acções do imperialismo ianque em África. Tudo indica pois que se trata de um grupo estreitamente controlado pela CIA.

a África não é pobre. A África está a ser saqueada!

A presente intervenção militar francesa do "socialista" Hollande no Mali afirma ter como alvo principal o grupo AQIM e foi desencadeada ao arrepio das próprias resoluções do Conselho de Segurança da ONU que autorizaram a constituição de uma força militar africana, no âmbito da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEEAO), para apoiar o governo do Mali nas operações militares no norte do país. Só depois da invasão francesa ter começado é que o presidente interino do Mali “pediu ajuda internacional” e os principais países da CEEAO iniciaram preparativos para a constituição da força militar antes referida (...) A invasão militar francesa é justificada pela “comunidade internacional” (um eufemismo para designar as potências imperialistas e os países por si dominados) pela necessidade de combater os movimentos radicais islâmicos, precisamente aqueles que foram utilizados pela mesma “comunidade internacional” para derrubar o governo líbio e que estão a ser usados para tentar derrubar o governo da Síria. Vítimas destas manobras são os povos destes países e agora também o povo do Mali e os grupos étnicos que neste país lutam pelos seus direitos e autodeterminação. Lacaio dos interesses imperialistas, o governo português PSD/CDS já veio apoiar a agressão militar da França e já se ofereceu para participar com militares e material no apoio a essa agressão" (...) e dizem os mentirosos do Governo que "não há dinheiro para nada"

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sábado, janeiro 19, 2013

BES, demasiado grande para ser incriminado?

"em qualquer país civilizado isto no dia seguinte seria noticia de primeira página em todos os jornais" (dito no Eixo do Mal)

Ricardo Salgado foi ouvido à cerca de um mês sobre o caso de alegada fuga ao Fisco no âmbito da operação de investigação "Monte Branco" (um revés para a Justiça, como se disse aqui)

uma vez que o branqueamento de capitais e a fuga aos fiscos nacionais faz parte da gestão habitual do banco no panorama da globalização do Capital. Desta vez o banco de Ricardo Salgado usou a gestora de fundos Akoya com sede na Suiça. "O banqueiro foi chamado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) já depois de ter regularizado a sua situação fiscal. Esta semana, foi a vez do DCIAP chamar de novo Ricardo Salgado, agora no âmbito das transações entre o BES e a Companhia de Seguros BES-Vida envolvendo acções da EDP. Amilcar Pires, administrador do BES e José Maria Ricciardi, presidente do BES-Investimento foram constituidos arguidos por suspeita de crime de mercado" (Expresso, Economia pag.12)

Como prémio pelas suspeitas de práticas criminosas à luz da legislação portuguesa, o generoso semanário Expresso ofereceu ao banqueiro (ou será publicidade paga?) quatro páginas inteiras de espaço preenchidas com abundantes opiniões de limpeza da situação, invocando preferencialmente Salgado como "testemunha", das quais se respigam aqui alguns títulos:


Imagine o significado do termo "bugger"... aplicado a banqueiros, politicos neocons e burocratas... (e se você for um deles vá-se "bugger" também)

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sexta-feira, janeiro 18, 2013

quinta-feira, janeiro 17, 2013

o caso do Banqueiro que come muito queijo Kosher


A 18 de Dezembro de 2012, já em vésperas de se deslocar ao DCIAP para ser inquirido (como arguido?) que Ricardo Salgado terá feito a última rectificação às Finanças, que levou a uma nova liquidação no seu IRS de 2011 no valor de 1,3 milhões de euros. Portanto, contas feitas, e ao invés do declarado inicialmente, a colecta correspondente aos seus rendimentos foi superior a 4,5 milhões de euros, e não de 183 mil euros que tinha declarado inicialmente
E já agora, por simples curiosidade: e nos anos transactos?

as Privatizações do que é do Estado são um Maná para alguns Privados

No meio do alarido e da confusão das caxas jornalisticas a atenção da população entretanto condenada à austeridade (1) não liga o "incidente fiscal" da Familia Espírito Santo ao essencial: que tem a ver com os processos de privatização (2) de 21,35% da EDP, concluído no último semestre de 2011, de 40% da REN, adjudicada em Fevereiro de 2012 e de um ainda obscuro processo que tem a ver com dinheiros oriundos de Angola. "A ligação de altos quadros do BES à "Operação Monte Branco" (1) surgiu quando o DCIAP iniciou buscas à sede do BES Investimento, com o argumento de que existiam indícios da prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, tráfico de influências, corrupção e abuso de informação privilegiada. Coisa pouca para uma familia de pobretanas perseguidos das agruras da guerra que desembarcaram em Portugal tomando conta de meio Alentejo (da Comporta à herdade de Palma e às lezirias estatais do Ribatejo) ao que não seria estranho o facto de serem judeus e amigos pessoais da Casa Real de Inglaterra, o que deve ter deixado Salazar impressionadíssimo!

Os segredos da Operação Monte Branco
 
A revista “Visão” divulgou em tempo oito histórias e enigmas sobre o ex-banqueiro suíço Michel Canals e as investigações à rede internacional de branqueamento de capitais e evasão fiscal, lançando pistas para entender alguns mistérios sobre a face oculta do 'Monte Branco' (aqui

O semanário "Sol" escreveu então que a divulgação de nomes como Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que estarão associados ao núcleo duro da maior rede de lavagem de dinheiro a operar em Portugal, “foram um revés e obrigou a redefinir a estratégia de investigação. São os segredos da teia que lava milhões: a rede tinha Duarte Lima como cliente e serviu para lavar fortunas de governantes, autarcas, banqueiros, empresários e atletas famosos. Os tentáculos da rede encabeçada pelo suíço Michel Canals chegam entretanto a Angola(aqui

No artigo em epigrafe a revista Visão afirmava que aqueles banqueiros estão de facto a ser investigados e chegaram a estar sob escuta “por terem relações privilegiadas com o poder politico, nomeadamente com elementos dos governos”. Sendo os seus verdadeiros patrões, como haveriam de não ter?.
A linha de investigação foi, aliás "já reequacionada por forma a ultrapassar esta adversidade", avançaram fontes próximas do processo. "E, através do tráfico de influências, (os arguidos) conseguiram que um elemento com acesso ao processo (?) provocasse uma fuga de informação com o intuito de boicotar a investigação", acrescenta-se. Para os investigadores, esta não é a primeira vez que se usa "tal expediente" e recordam que o mesmo aconteceu 15 dias antes da prisão do antigo deputado Domingos Duarte Lima, quando a mesma revista anunciou a sua detenção. Na altura, "no momento da busca à casa do arguido foram encontrados dossiês vazios - sinal de que Duarte Lima, avisado, se livrara de provas que o comprometiam". (aqui).

Ou seja, conhecendo-se o que se conhece sobre o estado da falta de justiça para os pobres, o Estado português, na qualidade de representante dos contribuintes portugueses, poderá ascender a um êxtase de felicidade se estes figurões não vierem a intentar uma acção judicial contra o Fisco com os respectivos pedidos de indemnizações por difamação

relacionado:
(1) Portugal terá mais 20 anos de consolidação orçamental 
(2) Maná: Grupo BES financia operação da ANA para reduzir défice do Estado 
(3) a ocupação Bancária da Politica é uma Declaração de Guerra Financeira contra a Humanidade  
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Porque é que a Economia cresce, se vai acrescentando Lucro e não há Inflação na China?

nem precisa saber mandarim para aprender

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Tolerância Máxima à Corrupção

a "nova" Lei Bancária apresentada no final de Dezembro pelo "novo" Governo em França  foi preferencialmente redigida por consultores dos Lobbies Financeiros. Tudo isto contra as promessas do candidato "socialista" François Hollande que tinha prometido a separação das actividades de especulação financeira das comerciais de concessão de crédito. Na "nova" versão o actual sistema terá apenas modificações insignificantes. Isto é a prova provada que tanto "socialistas" como neoconservadores (Sarkozy vs Hollande, Passos Coelho vs Tozé Seguro, Bush vs Obama) são as duas qualidades de farinha que se misturam num mesmo grande saco cuja percepção (censurada) está vedada à massas populares. O "Le Monde Diplomatique" diz que o embuste em França (como em Portugal  ou nos Estados Unidos) "é mais uma amostra do peso que têm os escritórios de peritos, que aos poucos se têm vindo a substituir à função pública e aos politicos eleitos"


Esta ausência de perspectivas provocada pela conciliação do regime de tiranos com a falsa oposição gera inquietação entre as massas, são os próprios teólogos neoliberais quem adverte para o perigo latente. E no entanto, a única forma não-violenta de deitar abaixo a dinastia de banqueiros privados Rothschild e seus associados globais é reintroduzir a separação entre as instituições de especulação financeira e os bancos centrias e comerciais antes consignada na  "Lei Glass-Steagall" que foi revogada em 1999 pelo "socialista" Bill Clinton precisamente para facilitar a especulação financeira da qual se alimenta o imperialismo dos Estados Unidos 

ver também
- A aparente calma do empobrecimento irá rebentar, disse o filósofo José Gil no jornal do Crespo 
- "Perigos Teóricos e Politicos da Corrupção em Portugal" de Marcelo Moriconi e Luis Bernardo no LeMondeDiplomatique Jan2013
- A Revisão Geral das Politicas Públicas sobre a Lei das Finanças estava inscrita no programa do "partido socialista" de 2009, por Mathilde Goanec, no LeMondeDiplomatique, Jan2013
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terça-feira, janeiro 15, 2013

A Escravatura da Dívida, o Capitalismo Verde e o Bloco "de Esquerda"

Já passa das 2 horas da madrugada quando a TVI24 se afoita a transmitir o episódio “Debt is Slavery” integrado na série Frontline da minúscula estação pública norte americana PBS, denominada em português Observatório do Mundo. Para que se não diga que é inédita em Portugal, quase ninguém viu, mas foi transmitida, salvaguardando a influência Zero que se pretende.

Girando em torno da história da maior fraude do último século (descrita no post anterior), pela “Escravatura da Dívida” passam uma série de testemunhos que concluem o que toda a gente já sabe: quando o esquema resulta os Bancos ficam com os lucros, se o esquema falhar os Governos intervêm injectando milhões para salvar os Bancos demasiado grandes para falir (mesmo se apenas têm uma quota de mercado de 2% como o BPN). Depois do inventário do actual descalabroas Dívidas daí resultantes nunca serão pagas, o Consumo nos mesmos termos nunca mais irá voltar, o Crédito sem riscos acabou, ninguém vai voltar a gastar mais de 100% daquilo que ganha, os investidores de capital de risco apostam em destruir os excedentes sem cobertura piorando a situação até que eventualmente melhore, existe uma ameaça real de barbárie – passa-se ao diagnóstico:

Será necessária uma transformação total das economias, mudando as estruturas e os modos de vida, construir novas comunidades, orientar algo que mude a direcção das tecnologias de informação, enfim, “investir na economia real tem de ser muito mais lucrativo que no sector financeiro, que deve ser redireccionado, apostando sobretudo no crescimento verde isto é, no Capitalismo Ambiental paradigma no qual quem não cumprir (os pobres) com as regras ditadas pela tecnologia em torno da “defesa do ambiente” será fortemente penalizado no pagamento de impostos. Tudo isto gerido evidentemente pelos mesmos tipos que provocaram a crise. Quanto a remédios não há dúvidas sobre a classe dirigente da “revolução”. Talvez por isso o autodenominado “Bloco de Esquerda” tenha inscrito no seu programa, como prioridade e logo em 2004, a defesa do ambiente sobrelevando causas tão irrisórias como as guerras de conquista imperialistas (por exemplo, na época a do Iraque) que têm vindo em crescendo a ser dissiminadas por todo o mundo provocando miséria e elevados prejuízos… ao ambiente.


No “ramo Ambiente” ainda não existe concorrência ao Ocidente. Afinal o nivel de Consumo da população nos Estados Unidos é de 71% do PIB, enquanto o seu concorrente económico mais directo, a China, gasta em Consumo apenas 35% do PIB. Entre os dois índices, se vê quem provoca mais danos ao Ambiente. Enquanto um, baseado na economia virtual se encontra à beira da saturação devolvendo milhões de pessoas de volta para a miséria, o outro, baseado num economia real planificada tem ainda espaço para crescer, retirando milhões de pessoas da miséria
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segunda-feira, janeiro 14, 2013

Empresta aí 10 que eu amanhã dou-te 1000, ou o grande conto do vigário imperialista dos nossos tempos

o português é inteligentíssimo, aprende com enorme facilidade, tem grande capacidade de trabalho. A única coisa que precisa é de orientação (Soares dos Santos, proprietário da cadeia de supermercados Pingo Doce, em entrevista ao Expresso, 12/1)

Ora, é expressamente para “orientar” a malta que existe o Expresso. Nem mais. Em título o semanário “informa” que “as Empresas Públicas têm um buraco de 3 mil milhões resultante de um esquema financeiro”; Diz mais que “foram perdas em operações com taxas de juro (…) não apenas as empresas públicas estão a perder com essas taxas de juro como a descida é amplificada pelos contratos de “Derivados” celebrados com os principais bancos que operam em Portugal. Ali se diz em caixa explicativa que são “swaps” na versão “plain vanilla” (1). Toda a gente percebeu?
O Expresso continua a explicar, (sacando frases de um imenso arrazoado de palha) que “são produtos (de investimento financeiro) que garantem pequenos lucros aos clientes (as Empresas Públicas) em caso de subida das taxas de juro e perdas elevadas em caso de descida das mesmas”. Mais se diz que “parece que estas operações foram feitas inadequadamente aos clientes” (as mesmas Empresas Públicas) não se dando cumprimento aos deveres de informação à CMVM, a instituição reguladora, conforme exigível por lei no Código dos Valores Mobiliários na comercialização destes produtos financeiros.


O objectivo do artigo é, claramente, denegrir as Empresas Públicas, que, por causa de serem públicas, são necessariamente mal geridas, ineficientes, fontes de despesas exageradas, trabalhadores a mais e improdutivos, etc. etc. Destaca-se, segundo o Expresso, o Metro de Lisboa, cuja direcção sindical é a mais combativa e radical de esquerda... Mas não foram os trabalhadores que compraram acções especulativas, foram as Administrações designadas pelos governos.

Na verdade o que aconteceu (e continua a acontecer) é que os governos neoconservadores saídos da crise do ano 2000 (crash da Enron e empresas das novas tecnologias que deu origem ao 11 de Setembro) se obrigaram, por decisão politica e como subservientes ao imperialismo norte americano, a alinhar no esquema de financiamento nas Bolsas que comandam a economia ocidental. Em Portugal a primeira decisão de obrigar tudo que fosse fundos ou empresas públicas a financiar-se comprando títulos de investimento para tentar lucros muito acima do que seria honesto esperar foi o governo de Barroso e Portas. E daí para cá o monstro especulativo não parou. Até ao crash na origem da Segunda Grande Depressão iniciada em 2007/8. O resultado foi essas empresas e fundos de um momento para o outro se verem a braços com uma resma de papel que nem para embrulho serve. Chama-se a isto gestão danosa e deveria resultar em processo-crime aos responsáveis, mas em Portugal o que temos é impunidade. E a obrigação dos governos, tanto PS como PSD, da transferência desses prejuízos para Dívida Pública para os contribuintes pagarem. É esta a génese e as consequências da chamada “crise das dívidas soberanas na Europa” (2).

Depois do crash de 2008 e do início das escandalosas ajudas aos bancos que tinham vendido este tipo de produtos financeiros, enganam-se e bem todos aqueles que foram enganados pelos Media “de referência", se pensam que os Bancos pararam com essa actividade criminosa. Os Bancos continuaram a vender as mesmíssimas acções, títulos e futuros. Mas com uma novidade – os investimentos passaram agora a ser protegidos por Seguros (Swaps (3) sobre os pacotes especulativos (Hedge Funds) que continuaram a ser enfiados nos mercados (por exemplo, nas empresas públicas). Nestas novas condições, se as Acções, Titulos e Futuros falirem, isto é, se os “clientes” deixarem de pagar reembolsos, o vendedor recebe o valor perdido da companhia seguradora. O que é um incentivo a que a Instituição vendedora primária (por exemplo a Goldman Sachs (4) tivesse interesse em que esses Fundos fossem à falência. Quanto mais falirem mais o especulador financeiro ganha! É esta parte que o Expresso não explica, a emissão de cada vez mais “pacotes sem risco” (para quem vende) – e que é à custa do endividamento dos Estados e Instituições Públicas por esse mundo fora que 1% dos norte-americanos que são accionistas em Instituições financeiras detinham o ano passado 2/3 da riqueza do país, para além de incomensuráveis riquezas noutros países.


(1) “Plain vanilla” é uma expressão adjectiva que descreve a versão mais básica e simples de algo, sem cláusulas opcionais, por analogia com o sorvete de baunilha quando este é o sabor padrão. Compra-se com sabor a baunilha e é baunilha que se tem de lamber até ao fim. Em economês neocon a expressão é aplicável à compra e venda de instrumentos financeiros, em geral, de títulos, opções, futuros e swaps, que são frequentemente negociados como opções de baunilha. O oposto da simples opção vanilla são opções exóticas nas quais se podem alterar os componentes do instrumento financeiro tradicional, resultando num modo de segurança mais complexo e eficaz para o comprador.
(2) "Qual o papel do BCE na Crise das Dívidas Soberanas?"
(3) o Professor Domingos Ferreira, no livro cuja capa se reproduz, ajudou a explicar o emanharado processual às assessorias nesses negócios
(4) Banqueiros do Goldman Sachs preparam os bolsos para colheita recorde de bónus que serão entregues no final deste mês depois do banco de investimento norte americano ter anunciado um forte  aumento de lucros em 2012
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sábado, janeiro 12, 2013

It`s Over ...

... a "Crise do Euro" acabou, declarou o Barroso

(quis ele dizer lá na dele, que a maior parte das transferência de acções tóxicas dos Bancos transnacionais para as Dividas Públicas nacionais dos paises em dificuldades estão mais ou menos a terminar (no Guardian).
Barroso, para além de Mentiroso, é uma estranha personagem cujas verdadeiras caracteristicas como erudito a ensinar Ignorância ao povo são a Vaidade, o Orgulho e a Arrogância. O teste de olhar para a cara do bicho não engana: Barroso é apenas a cara do pantomineiro ao serviço dos poderes nebulosos que fabricaram e estão a usar a crise do euro para federalizar anti- democraticamente a União Europeia

Posto este breve intróito, agora vamos aos factos e respectivos números, que toda a gente deve, ou devia, conhecer:

1. Precaridade. A actividade manufactureira em França e na Alemanha está a contratar pessoas por um máximo de tempo de 10 meses seguidos (ver aqui)
2. 26 milhões de europeus desempregados. A taxa de desemprego na Eurozona atinge agora os 11,8 por cento, um recorde absoluto nunca antes atingido (fonte)
3. Em Novembro passado a Itália experimentou o maior declínio nas vendas a retalho dos últimos 17 meses (fonte)
4. “Retoma”. As poucas ofertas de emprego em Espanha são feitas por períodos máximos de 20 meses seguidos (fonte)
5. Grécia. Estima-se que neste momento os empréstimos em incumprimento atinjam 20 por cento de todos os empréstimos internos no sistema bancário grego (fonte)
6. Irlanda. 22 por cento de toda a população da irlandesa vive em agregados familiares de desempregados. Estima-se que nos últimos 12 meses cerca de 100 mil pessoas tenham deixado o país à procura de trabalho (fonte)
7. Taxa de desemprego em Portugal é de 16 por cento. A riqueza de um português é 40 por cento da de um irlandês. Em Portugal estima-se que 150 mil pessoas tenham deixado o país em 2011 e em 2012 esse número deve aumentar
8. A taxa de desemprego na Grécia é agora de 26 por cento. Há um ano atrás era "apenas" de 18,9 por cento.

9. A taxa de desemprego na Espanha subiu para o número impressionante de 26,6 por cento; na Alemanha, a taxa de desemprego oficial é 5,4 por cento.
10. no Chipre a taxa de desemprego para trabalhadores com menos de 25 anos de idade é de 27 por cento. Em 2008 esse número estava bem abaixo dos 10 por cento.
11. As vendas de veículos de fabrico francês em Novembro caíram 28 por cento em comparação com o ano anterior (fonte)
12. A taxa de pobreza actual na Grécia é de 36 por cento. Em 2009 era “apenas” de 20 por cento.
13. A taxa de desemprego para trabalhadores com menos de 25 anos de idade na Itália é de 37,1 por cento - um novo recorde histórico.
14. Surpreendentemente, ou nem tanto, 44 por cento de toda a população da Bulgária está a enfrentar "graves privações materiais" (fonte)
15. A taxa de desemprego para trabalhadores com menos de 25 anos de idade em Espanha é de 56,5 por cento - a mais elevada que marca os novos tempos.

16. A taxa de desemprego para trabalhadores com menos de 25 anos de idade na Grécia é de 57,6 por cento - a mais elevada que marca os novos tempos.
17. O Citigroup prevê que há uma probabilidade de 60 por cento da Grécia deixar a zona do euro nos próximos 12 a 18 meses (fonte)
18. Tem sido noticiado que algumas casas em Espanha estão a ser vendidas com um desconto de 70% a partir do valor no pico da bolha imobiliária por volta em 2006. Neste momento há cerca de 2 milhões de casas não vendidas em Espanha.
19. O valor da Dívida da Grécia em relação ao PIB está a aproximar-se rapidamente dos 200 por cento (fonte)
20. Segundo a Associação Industrial Automóvel de França, 2012 foi o pior ano para a indústria automóvel francesa desde 1997. Em 2005, a indústria automobilística francesa produziu cerca de 3,5 milhões de veículos. Em 2012, esse número caiu para cerca de 2 milhões de veículos.

Um terrivel colapso economico continua a caminho e, uma vez que se inicie e agrave, jamais nenhuma das nossas vidas voltará a ser o que foi. Mas lá que o Barroso disse que a crise acabou, lá isso disse… Embora o discurso para consumo interno tuga seja outro: "entrámos numa nova fase da crise", blá,blá,blá

Colapso Económico? OK!, Tente Novamente... 
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