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domingo, março 31, 2013

uma páscoa portuguesa

"Se não acreditam no que vêem como acreditar em coisas que só eu vejo?" teria dito Jesus.

O que vemos é que a educação em Portugal (e na Europa do Sul) sempre foi mais obra de endoutrinamento religioso que de ensino racional, o que é sem dúvida um factor importante no reconhecimento do atraso do povo. É preciso recordar que a elaboração da chamada "Biblia" foi uma lenta compilação de lendas romanceadas, histórias encantatórias e orações suplicantes ou bençãos postas em estrofes métricas nas chamadas "linguas de Côrte" que as invejosas populaças sempre corriam a vernáculo.


Desde o fim da Idade das Trevas ou do inicio da Idade Média (como o leitor preferir), num mundo destruido e marcado pelo espirito de reconquista da miriade de reinos pré-cristãos do Sacro Império Romano Germânico que simples episódios da atribulada vida das pessoas no quotidiano são objecto de "salvação pela intervenção de graça divina", coisas tão simples como o cavalo que torceu uma pata (nos Encantamentos de Merseburgo), o regresso à patria do Paraíso através do caminho da rectidão (Heliand, de Otfried von Weißenburg) orações para que as abelhas não voem para outro lado ou que os cães domésticos não fujam (Gregório na Benção de Zurique) acontecimentos heróicos celebrados em verso insistindo sempre na relação directa do rei com Deus cuja vitória se devia a ter afastado o inimigo que atacava como punição contra os desmandos do povo por fornicação, avareza e roubo (Hildebrandlied) milagres que ressuscitavam monges (Bento de Núrsia), contos de criaturas imaginárias como o unicórnio que só pode ser capturado por uma virgem (Physiologus), De Laudibus sanctae crucis, (Em louvor de uma Cruz que é Santa, de Isidoro de Sevilha), etc.

Portugal não fugia à regra. No prefácio do livro de Gomes Leal de 1910 da "História de Jesus para as Criancinhas Lerem" (1ª edição em 1883) o autor lamentava-se que a obra não tivesse ainda sido inscrita no ensino oficial, o que de facto só viria a acontecer em 1951 congratulando-se o editor Zuzarte de Mendonça com um panegírico: "... o professor consciente da sua alta missão,não pode nem deve limitar-se a ensinar; iluminando cérebros e esclarecendo inteligências: cumpre-lhe ainda educar, cultivando caractéres e formando almas". Como em tudo, o Iluminismo chegou aqui tarde, ou ainda nem sequer chegou...

Quando findou seu jejum/ foi pregar a Galileia
e nunca Principe algum/ teve mais nome em Judeia
Corriam a vê-lo gentes/ de várias terras, paises.
Seus olhos sérios, clementes/ saravam os infelizes

Pregava cosas dos céus/ Estrelas, Causas, Origens
sempre seguido dos seus/ bandos de humildes e virgens
Não tinha veste de lã/ guarida, alforge ou lençol
Afugentava o Satã/ com olhos cheios de Sol

Confundia os vãos Doutores/ mais os Escribas sombrios
Amava pregar nos rios/ nas barcas dos pescadores
Ó céus profundos e vagos!/ Ó astros de eternos giros
Ó espelho azul dos lagos/ Almas ceias de suspiros

Ó tristes tardes magoadas/ dum azul de opala e rubins!
Ó baías azuladas!/ Relvas cheias de jasmins!
Noites! qua a corça ao sabor/ das nascentes mata a sede
Ó tardes! que o pescador/ cantando, conserta as redes...

Vós só, ó coisas graciosas!/ podereis dar uma ideia
daquelas noites saudosas/ que ele andou por Galileia
Chegavam as mães, fiando/ à porta, o seu linho fino
para o ouvirem pregando/ coisas de um reino divino

Destruia à Plebe e às gentes/ os preconceitos erróneos
Sarava as almas doentes/ Lançava fora os demónios
Profetizava o Porvir/ Amava os montes e o mar
Nunca ninguém o viu rir/ mas, muitas vezes, chorar!

Os legionários romanos/ bradavam: "Este é um Deus!"
Choravam Samaritanos/ Paravam os Fariseus
Davam-lhe pomos gostosos/ mantos de fino tecido,
Vinham beijar-lhes os leprosos/ a ourela do seu vestido

As judias com as tranças/ limpavam seus brancos pés
Davam-lhe mirra, aloés/ Riam-lhe à porta as crianças
Mas com riso chocarreiro/ alguns diziam: "Que ideia
ser Cristo, Rei da Judeia/ o filho de um carpinteiro

Só anda com publicanos/ e com leprosos, vê tu
- Outros, com risos profanos/ clamavam: "Tem Belzebu!"


"Desculpe, não, não, o sr. Jesus já não mora aqui"...  
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sábado, março 30, 2013

Sócrates e a Realidade

No mesmo dia em foi oferecido um vergonhoso lugar no Governo a um ex-espião dos serviços secretos comprometido em mais um infame processo de corrupção relacionado com o sistema de informações do Estado pidesco SIRESP, a população que definha a ver televisão é induzida a odiar uma celebridade da falsa oposição. É mais uma jogada do habilidoso, embora desqualificado, ministro da tutela do serviço público de comunicação social, o famigerado Relvas, aplaudida até pelo bonzo do regime Mário Soares com honras de primeira página no pasquim português do grupo Bilderberg.(e aí está a Ferreira Alves, convidada Bilderberg 2012 para baralhar os dados)

Em boa verdade do que se trata nesta trama é de continuar a apresentar dois embustes. Se o desencanto das pessoas as levam a precisar de ter a quem odiar, quando chegam ao limite de odiar os actuais mentirosos e vigaristas, é-lhes servido sob a obscura e diáfana capa das mentiras esquecidas um novo reavivar dos ódios antigos sobre mentirosos e vigaristas de um passado recente. Quem fica esquecida pelo meio é a odiosa REALIDADE, que nem chega a ser mencionada, nem por uns nem por outros...

No dia seguinte à entrevista o PSD veio desmentir os dados citados por Sócrates sobre as Parcerias Público Privadas (PPP) como sendo falsos. O P"S" naturalmente diz que são verdadeiros. Entre a perplexidade provocada em qualquer cidadão honesto pelo ouvir das estafadas aldrabices das duas facções, escapa-se-lhes que a questão essencial não é sobre mais ou menos dados manipulados sobre as PPP. É sobre as razões porque continua a existir um modelo de negócio da china em que investidores Privados canibalizam as funções do Estado estorquindo-lhe milhares de milhões sobre a forma de rendas garantidas por décadas. Os contribuintes pagam cada vez impostos exorbitantes para proporcionar lucros a Privados, enquanto os serviços públicos se degradam. Estarão PS e PSD de acordo em promover um referendo sobre isto? Entretando a Dívida continua a crescer (porque esta é verdadeiramente a alma do negócio) dos neoliberais, tanto de "esquerda" como de direita
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Nem de propósito, ainda há poucos dias Paulo Morais, numa artigo intitulado "Parcerias, Patifarias" afirmou taxativamente que "aqui chegados, só há uma solução aceitável: extinguir os contratos e prender quem os forjou". Deixemos a fonte, lá porque tem origem no Correio da Manhã "entregue à sua ignominia" como desabafou Sócrates?...

... não nos parece, uma vez que Paulo Morais foi pronta- mente “intimado” pelos elementos do P"S" na Comissão de Inquérito às PPP na Assembleia da República a concretizar as acusações de corrupção nas mencionadas PPP". Surpreendido com a ameaça velada do P"S" a resposta não se fez esperar: "Se, por outro lado, a referida ordem para responder a perguntas, sob a ameaça da prática de crime de desobediência, me é dirigida, enquanto cidadão com opinião, entendo que tal ordem é, como tal, ilegítima (...) não posso, por outro lado, deixar de manifestar a V. Ex.a a minha perplexidade com o teor de algumas questões formuladas, as quais aparentam mais ser um pedido de satisfações pelo exercício da liberdade de expressão constitucionalmente consagrado, do que um pedido de esclarecimento concreto ou de colaboração, ao abrigo do Regime Jurídico dos Inquéritos Parlamentares (RJIP). Dito isto, caso V. Ex.a tenha interesse na minha opinião sobre o tema objecto da Comissão de Inquérito, deverá convocar-me, enquanto cidadão, nos termos do artigo 16.º do RJIP, para o que manifesto, desde já a minha disponibilidade" Espera-se para ver se o pressuroso P"S" pretende realmente esclarecer, encobrir ou silenciar as denúncias do esquema de corrupção que lesa o Estado e as próximas gerações de contribuintes em milhões de milhões
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quinta-feira, março 28, 2013

pão de deus para desejos chunga em dia santo

"Eli, Eli, Iama sabactani?" (Pai, Pai, porque me abandonaste?) foi, segundo a mitologia cristã, o gemido do homem pregado numa trave de madeira...

Se
o Cristo 
morreu 
crucificado 
numa Cruz
e foi parar 
ao Paraíso...
que mais 
desejaria 
eu
que o paraíso 
de morrer
crucificado 
na Penélope 
Cruz...

quarta-feira, março 27, 2013

a nossa imobiliária, a que mais património vende em Portugal, prepara-lhe um surpresa

diga o entertainer José Sócrates o que disser, 
"todos ganhamos"!!...
... e a alternância está garantida. Por muita posta de pescada que o mr. Magoo de Belém arrote para disfarçar "tricas partidárias" o essencial do nosso compromisso PS-PSD-CDS-Troika é para cumprir


O défice do OE foi desenhado para fazer crescer o endividamento. Com este subterfúgio cumpre-se o programa de empobrecimento dos portugueses por via dos salários miseráveis e a competividade e flexibilidade com que nos aldrabava Cavaco no inicio do seu mandato. A austeridade não diminui a Dívida, aumenta-a. As previsões de queda do PIB para 2013 que eram de 1 por cento passaram rapidamente para 2 por cento, mas as mentiras de Vitor Gaspar têm perna curta: no final deste ano a recessão irá rondar os 4 por cento; o desemprego será de 25 por cento. Então gente com mais que a equivalência à antiga quarta classe, se o material sobre o qual efectuam cálculos fosse verdade, pretendiam pagar uma Dívida pondo os portugueses a deixar de trabalhar? já toda a gente percebeu, menos os asnos apoiantes do Bloco Central, que estamos a ser vigarizados! (1)


Agora já não bastam os famigerados cortes de 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado. Na 7ª avaliação a Troika decidiu que a próxima tranche do empréstimo depende ainda de mais cortes: 5,6 mil milhões! que serão extensivos até 2015 e obtidos à custa da expropriação através de impostos especiais sobre depósitos bancários. (fonte) Portanto, logo que chegue a estudada colaboração do Tribunal Constitucional, iremos assistir de novo à estafada conversa de que não há dinheiro para pagar salários... (2)

a aventura da jangada Neocon só pode ter um final trágico 

(1) Qual a importância do crescimento económico? A questão do Crescimento é uma falsa questão, quando o primeiro considerando deve ser a questão da Desigualdade social. Quanto poderia valer um corte nas taxas de juro da Dívida? Qual o impacto do défice orçamental? Pelas previsões da simbiose Governo/Troika, Portugal em 2019 deverá estar numa situação com o défice ainda ligeiramente acima do que estava em 2011 - a Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública (IAC) criou um simulador onde qualquer um pode fazer um cálculo segundo as suas opiniões sobre as diferentes variáveis.
(2) Palavras não eram ditas: 2º Resgate à Vista 
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terça-feira, março 26, 2013

atirar ao buraco do Memorando da Troika

«Se o Tribunal Constitucional concluir pela inconstitucionalidade da não-tradução dos documentos da Troika, pode vir a ser possível requerer a anulação de todas as medidas legislativas e actos governativos realizados a coberto de versões não traduzidas.
Isto inclui privatizações e alterações de leis laborais. Esta anulação torna-se uma possibilidade se se verificar que o governo deveria ter publicado o Memorando de Entendimento em Diário da República» e não o fez.

Texto da Petição

Em Maio de 2011, o Governo Português e a Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) acordaram um Programa de Assistência Económica e Financeira. Este programa inclui vários documentos, nomeadamente um Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, um Memorando de Entendimento Técnico e um Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica, que fixam as políticas a adoptar pelo Governo Português no cumprimento do Programa. Estes documentos têm sido submetidos a actualizações trimestrais que incluem alterações de conteúdo político como sejam a retirada de medidas, inclusão de novas medidas e alterações nos prazos de implementação (...) Desde a assinatura do acordo original que se verificam atrasos inaceitáveis na divulgação ao público e na tradução para língua portuguesa do texto do Memorando e dos documentos técnicos com ele relacionados que deveriam ter sido publicados em Diário da República traduzidos para português, o que não aconteceu...

Que podemos fazer com a destruição criativa capitalista, Marxofilia e a comichão no nariz de Žižek



A maior parte das pessoas aceita as ideias que estão socialmente "em vigor"... Este consentimento irreflectido mantém a supremacia hegemónica das classes dominantes muito mais eficientemente do que os meios especificos de produção

 "... a melhor maneira de ser feliz é pagar juros à Troika? não acha a maior parte dos votantes que o Estado gasta de mais e que devia gastar menos e que se deve cortar na despesa e nas funções sociais do Estado em vez de subir impostos? não está a maioria dos votantes de acordo com o memorando da Troika? não vai a maioria dos eleitores nas próximas eleições votar no Pedro Passos Seguro em vez de no António José Coelho ou vive versa? não sobe o PP de Paulo Portas nas intenções de voto só porque ele diz que se lhe perguntarem se discordou, discordou, e se perguntarem se fez, fez, e se disse, disse? Quantos anos vão passar antes de percebermos que aquilo que estamos a viver é uma morte lenta sem dignidade?"
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segunda-feira, março 25, 2013

Consumatum est - Cavaco e o Balão de ensaio do Chipre

Está a ser regulamentado o roubo de 4% nos depósitos sobre qualquer dos montantes em dinheiro depositado nos bancos em Chipre. FMI apresenta novas exigências a cada meia hora. Rússia ameaaça punir a Europa. A situação ameaça constituir o maior boomerang dos tempos da globalização financeira



Há uma semana Cavaco Silva deixou um aviso às massas incrédulas: ninguém, excepto os que já estão ricos e inscritos no sistema por provas dadas por vigarice ou corrupção, poderá continuar a enriquecer sem exercer qualquer actividade fora da especulação em Bolsa. Bom!, poder pode, mas o Estado irá lá sacar-lhe 20 a 40 por cento.  Note-se, mesmo que existam juras de tranquilidade bancária essas merecerão o mesmo crédito que as previsões do Gaspar

Quando perguntaram a Cavaco qual é o risco de contami- nação deste esquema de extorsão a outros paises - como há 30 anos quando com a frase "não gostaria de ver os portugueses continuarem a comprar gato por lebre" Cavaco rebentou com a Bolsa em 24 horas - desta vez Cavaco de novo foi igual a si próprio: "os livros ensinam-nos que quando há falta de confiança num sistema bancário, não há nenhum país, ou quase nenhum país, que escape" - Ficou o aviso. Havendo falta de confiança em Chipre, haverá falta de confiança em todo o lado. Se em Chipre as pessoas forem aos bancos a correr para levantar as sua poupanças, o mesmo poderá acontecer aqui...

compro Ouro e dou-te Dinheiro

Andou com azar quem ganhou e não trocou o papel impresso por valores sólidos. Foi pela inundação de dinheiro ficiticio emitido nos últimos 30 anos que o sistema agora se desmorona. Há "dinheiro" a mais que agora tem de ser destruido. Os ganhos são "um fenómeno estritamente monetário", explicou o judeu Greenspan numa conferência para vigaristas neoliberais séniores em 2009. Hoje, quando quatriliões de dinheiro tóxico está a ser limpo e retirado do "mercado" a "oferta" de troca de dinheiro em papel impresso por ouro continua a ser a mesma fraude que prossegue por outros meios...


Como diria o Cavaco bom aluno de Greenspan, o ouro pode ser caracterizado como dinheiro "bom" em oposição ao dinheiro "mau" que seria representado por muitas das divisas fiduciárias de hoje. Ao descrever assim o ouro estamos a referir-nos à Lei de Gresham – quando um governo sobrevaloriza um tipo de moeda e subvaloriza outra, a moeda subalorizada (boa) deixará o país ou desaparecerá da circulação através do entesouramento, ao passo que a moeda sobrevalorizada (má) inundará a circulação. A elevação de preços de metais preciosos e outras commodities são "uma indicação de uma etapa muito preliminar de um esforço de afastamento de divisas em papel", disse Cavaco (ou Greenspam?) ... as moedas de ouro são dinheiro, mas dinheiro em papel preenchido em papel aos milhões de milhões… não é ouro

Leituras de referência relacionadas:
* Ouro é dinheiro? O que dizem os Peritos?; (no Resistir)
* KKE: "Intensificar a campanhar pela ruptura com a UE e as políticas do capital" 
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domingo, março 24, 2013

José Régio

Surge Abril frio e pardacento, 
descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento

Edita-se a novela do Orçamento,
cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres no novo parlamento
usufruem de 5.000 euros de ordenado

e enquanto à fome o povo se estiola,
Certos santos pupilos de Loyola,
misturas de Judeu e de Vilão,

também fazem o pequeno "sacrifício"
 de 30 mil euros - só! - por seu ofício
receber, a bem deles... e da Nação
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(adaptação do poema de José Régio, 1969)

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sábado, março 23, 2013

das Palavras que Escutamos

Harry Gordon Frankfurth escreveu “On Bullshit” um dos livros mais vendidos nas downtowns urbanas menos estupidificadas dos Estados Unidos. A clientela dos Estados-vassalos não difere do pensar ao centro.

Sobre aTrampa é um ensaio que não é necessaria- mente sobre politica, porque nos EUA não existe politica, o que existe é uma feroz competição entre dois gangs organizados sobre o modo como podem melhor exercer a pilhagem sobre o mundo inteiro. E lacaios locais que formam ansiosas filas para obter emprego rendoso no saque. “On Bullshit” é sobretudo sobre todos aqueles os que falam sem saber do que estão a falar, porque não têm formação nem sensibilidade politica para gerir ou comentar assuntos que digam respeito às pessoas. Quem muito fala pouco acerta em Humanidades; o negócio dessa trampa gelatinosa em forma de gente são os números. Errados. Por isso se protegem por detrás de uma novilíngua que só entre esses restritos grupos rivais de tecnocratas da treta se entende. Se anularmos as frases sem nexo do falar dessa gente, o que fica?

Faça-se uma experiência: coloque-se três grandes questões a inquérito ao grupo de figurões que integram o quadro (não exaustivo) das personalidades nacionais abaixo selecionadas.

a) o regime de propriedade preferencial deve ser público ou privado?
b) o Estado garante a democracia?
c) existe a garantia de cada cidadão poder ser livre?

Todos eles, sem excepção, lhes responderão a mesma coisa. Embora com parlapiés embrulhados em aliciantes embalagens de cores diferentes. (um deles não conta, embora forme opinião como joker):

clique no quadro para ampliar

A linguagem da treta é transversal a todas as épocas. Um dos ensaios mais famosos na dismistificação da treta é o “Elogio da Loucura” de Erasmo. Obra de loucos é, por exemplo, a de sistemas de governação por democracia directa, ao contrário de dirigentes que acedem ilegitimamente aos governos concordarem em autorizar o Estado a interferir na propriedade privada de contas bancárias para lhes roubar uma percentagem. A menos que a intenção fosse acabar de imediato e em simultâneo com todo o sistema mundial de off-shores bancários...

“A convicção generalizada de que em democracia cada cidadão deve ter opiniões políticas e emitir juízos sobre tudo, explicam o facto da produção de asneiras e tretas estar tão disseminada, muito particularmente por governantes e assessores nas televisões. Os fala-barato e os falsificadores estão sempre a produzir contrafacções, bluffs, deturpações e mentiras – ao contrário do cientista, do artesão e do profissional que se especializou na sua área e não relaxa a autodisciplina e autocrítica. Em última instância o escroque que finge que sabe e discursa frente a encenações de realidades credíveis, aconselha-se a si próprio com cinismo e tem uma regra de ouro: nunca digas mentiras se puderes safar-te com uma treta…

leitura relacionada:
Investigações Filosóficas”, Ludwig Wittgenstein, 1953:
os limites da linguagem devem ser os limites do pensamento
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sexta-feira, março 22, 2013

Moções de "Censura" e politica da treta

Está tudo combinado sob o alto e asqueroso patrocinio de Cavaco: Tribunal Constitucional arvorado em decisor político chumba uma ou duas leis das 16 declaradas "inconstitucionais, o Partido dito socialista apresenta moção de censura, Sócrates perdoado regressa à televisão aldrabando uma coisa má a pretexto que a seguir veio outra pior, o (des)Governo demite-se depois de ter esticado a corda ao máximo sem haver revolta, Cavaco exulta, ex-ministro diz que Cavaco deve pensar num governo de ampla maioria PS/PSD/CDS. Quem ainda não conhecer esta cáfila que os compre. E normalmente quem os compra são os asnos reincidentes que votam invariavelmente PS ou PSD ou CDS. E ainda, os que se abstêm e que "não participando, se sujeitam a ser governados por gente inferior" conforme filosofou Platão na "República", cuja aprendizagem nas escolas entretanto se finou...

Aumento do salário mínimo. A lógica dos baixos salários

quinta-feira, março 21, 2013

a Escola de Poder dos Maoistas, a Teoria, a Prática e o estado actual da Democracia

Como se sabe, grande número de personalidades hoje importantes no sistema politico económico vigente em Portugal tiveram as suas raizes ideológicas no Maoismo. A semana passada a revista "Visão" veio à praça com uma reportagem sobre esses oportunistas. Contudo, sobre aqueles que continuam a ser Maoistas nem uma palavra...

O leitor Rui Magalhães responde à letra: "Ou não tinham convicções profundas, ou perceberam que o Maoismo não dá tacho"

A Teoria produzida pelos intelectuais da vanguarda ao serviço da classe operária, depois de um amplo debate, deve ser explicada exaustivamente às massas, aplicando-se de seguida para testar a sua justeza. Conforme a Prática demonstrar a existência de contradições nessas propostas, depois de corrigidas e resolvidas pelas massas, devem estas voltar aos dirigentes e representantes eleitos, que as corrigirão e as vão depois aplicar como lei".

(Sobre a Prática, a relação entre o conhecimento e a prática, entre o saber e o fazer, Mao Tse Tung, 1937)
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quarta-feira, março 20, 2013

Chipre: Grande problema para uma Ilha tão pequena

Começa assim a análise do Financial Times à situação do Chipre: “Um camelo, diz-se na gíria, é um cavalo desenhado por um comité administrativo. Isto é injusto para os camelos, que estão bem adaptados ao seu ambiente agreste. O mesmo, infelizmente, não pode ser dito dos programas de resgate da zona Euro. A intervenção alemã proposta ao Chipre, rejeitada pelo parlamento de Nicósia, não vai ajudar a zona do Euro a ter uma saída suave da sua onda de crises.

Na verdade, o imbróglio deve servir como lição de como não se deve lidar com os problemas da dívida soberana (1) e da financei- rização da economia. Vamos começar por explicar a alguns porque a reestruturação bancária foi inevitável. O governo de Chipre está altamente endividado, sendo responsável por um sector bancário que é certamente demasiado grande para haver dinheiro no país para o salvar. Segundo o FMI, a dívida bruta do governo atingiu 87 por cento do produto interno bruto no ano passado e atingirá 106 por cento do PIB em 2017, isto sem contar com a ajuda de urgência agora pedida” – para se aquilatar de como o problema é sempre maior do que inicialmente admitido pela corja governante da União Europeia, a Rússia veio imediatamente dizer que os 10 mil milhões de ajuda são insuficientes (2).

Rui Tavares vem hoje no "Público" fazer uma complicada e tortuosa análise geo-estratégica do problema de Chipre. Para simplificar, diz ele. Para começar o comentador não gasta uma única palavra sobre o regime de propriedade que vigora na ilha. Para começar o problema da Dívida reside apenas no regime vigente a sul, neoliberal, integrado na União Europeia, habitado por Cipriotas alinhados com a Grécia (pela enosis) que atingiram, (3) graças à especulação financeira níveis de salários assentes numa economia terciária de entre os 1.900 euros mínimos até aos 2600 médios mensais (três vezes mais que os portugueses). Dividida artificialmente por um golpe da Nato nos idos de 1974 , curiosamente congeminado numa cimeira em Lisboa que viria a provocar a criação da República Turca de Chipre do Norte, aqui (4) não existe qualquer problema financeiro.

Para completar o quadro a Grâ-Bretanha detêm ainda duas bases militares na ilha, Akrotiri and Dhekelia, herdeiras do estatuto colonial que teria obrigação de ter terminado com a independência de Chipre em 1960… Ao contrário, os ingleses usam a sua pertença à União Europeia para produzir legislação comunitária que impõe sanções económicas à parte norte. Para culminar Chipre é rica em reservas de gás natural cuja exploração é desejada pela Rússia e na qual o Estado de Israel, cujas águas territoriais alcançam a região, está igualmente interessado. Por problemas menores e de muito menos gente envolvida já começaram muitas outras guerras… (continua)


notas:
(1) a Dívida de hoje foi o Roubo de ontem!
(2) Na verdade os depósitos bancários das Corporações mafiosas russas no Chipre devem rondar os 68 mil mihões de euros.
(3) O volume dos depósitos bancários é 7 vezes maior que o PIB anual do Chipre.
(4) Segundo as leis internacionais, a ilha de Chipre, na sua totalidade, é um país independente. Todavia, em 1974, após 11 anos de violência entre as comunidades de nacionalistas cipriotas gregos e cipriotas turcos, a Turquia invadiu e ocupou a parte norte da ilha o que provocou o deslocamento de centenas de milhares de cipriotas além do estabelecimento de uma entidade turco-cipriota separada políticamente ao Norte, reconhecida somente pela própria Turquia. Nicósia, a capital do Chipre, é a última capital dividida por um muro em todo mundo. (wikipedia)
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terça-feira, março 19, 2013

do pirata Francis(co) Drake, até ao pirata das mentes Francisco

Estou tão enjoado desta gente sanguinária dos barcos que invadem o nosso país, desrespeitam o nosso modo de viver, roubam-nos os empregos, tomam posse das nossas terras! desrespeitam as nossas leis, organizam bandos de criminosos, traficam drogas para os nossos filhos! eles não querem ser assimilados nas nossa comunidades... e nem sequer fazem um esforço para aprender a nossa língua!
clique no cartoon para ampliar

objectivo a conquistar: América Latina 
(livre das revoluções sociais que são
 uma maçada para a pilhagem de recursos)

Foram 3 os habitantes residentes nas Ilhas Falklands que votaram "não" contra a solução recentemente proposta em referendo do arquipélago se reconverter para Ilhas Malvinas sob soberania da Argentina. Votaram "sim" pela permanência da actual soberania britânica 1.513 residentes.

Cristina Kirchner foi a Roma e levou um beijinho do Papa Francisco, enquanto lhe segredava ao ouvido que as Falkland, um problema bem conhecido dos tempos da amizade do Papa Bergoglio com a ditadura militar de Videla, se situam a 12.734,49 quilómetros da séde do seu actual governo em Londres... ao passo que as Malvinas estão a pouco mais de 700 quilómetros da costa da Argentina. Obviamente, sujeitas à influência de uma massa populacional próxima cujo nacionalismo latino-americano agora desponta, o destino das Malvinas é mudar de população que possa votar de modo diferente. O problema é que a zona económica exclusiva das ilhas Falklands tem petróleo off-shore. O que terá respondido o Papa a Cristina?

continuam a chegar testemunhos:
* Sobre a cumplicidade da Igreja Católica do bispo Bergoglio com a ditadura militar de Videla 
* Horacio Verbitsky; O seu passado condena-o! 
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segunda-feira, março 18, 2013

o caso sério do português que brincou aos terroristas...

Carlos Balsas resolveu gozar o prato com a paranóia securitária que se espalhou pelos Estados Unidos a pretexto do 11 de Setembro. O professor português de 41 anos, que se formou e vive nos EUA há sete anos, foi detido após ter brincado com o segurança de um monumento de Filadélfia dizendo que levava explosivos. Nada tinha na mochila, mas continua preso por ameaça de terrorismo e por se recusar a pagar uma fiança de 250 mil dólares. Ao que parece vai ser julgado e pode ser condenado pela justiça dos verdadeiros terroristas. O português, agora famoso e notícia de capa de jornal, talvez deste modo aprenda que vive numa sociedade de anormais 
Humor com Humor se paga

Patrocinada pela embaixada dos EUA em Portugal a revista Global Traveler publicou em Janeiro uma reportagem sobre Lisboa, aliciando turistas oriundos da neoconlândia norte-americana a visitar a nossa cidade. O interesse mereceu-me então um comentário: "tomem cuidado!... infelizmente o país está repleto de terroristas da al-Qaeda... fomos invadidos por eles no século VII, estiveram cá 8 séculos e ainda não recuperámos completamente desse desastre económico; a população ainda trabalha com alcatruzes, ditonga o prefixo "al" por tudo e por nada, esmaga uvas com os pés, compra casas com dinheiro a juros em aljamas de luxo e outras barbaridades. Espero bem que o signori Panetta tenha tratado desta importante questão civilizacional dos perigos de ofensas orais com o nosso ministro da guerra" - assim como espero que pelo nosso atrevimento histórico V. senhoria o sr. embaixador dos EUA em Lisboa não me tenha colocado o telhado sob a mira de algum drone enviado pela vossa excelentíssima democracia...
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domingo, março 17, 2013

Joana Miranda

"Após estes 40 anos de contínua degradação e de sucessivos sequestros, os cidadãos que vivem e trabalham em Lisboa estão hoje confrontados com o seguinte desafio: ou escolhem a politica que tem vindo a ser aplicada até aqui, de completa submissão aos diferentes governos, de expropriação do espaço público aos cidadãos e de entrega deste espaço ao automóvel e aos patos bravos da construção civil, e então Lisboa será, em definitivo, uma cidade condenada a desaparecer. Ou escolhem a via da defesa da autonomia municipal que exija ao Poder Central os meios financeiros indispensáveis e a alteração dos quadros legislativos que se impõem e que permitam fazer de Lisboa uma cidade repleta de vida, de actividade económica, de pessoas, de cultura e onde o cidadão tenha efectiva qualidade de vida"

Por mim, aqui me apresento, com energia e com convicção, para resgatar uma Capital que está sequestrada por interesses anti-populares e para mostrar como queremos e podemos fazer que esta situação seja alterada

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sábado, março 16, 2013

apresentação da candidatura de Joana Miranda à eleição para a Câmara Municipal de Lisboa

Joana Miranda, 27 anos, advogada, é a candidata do PCTP/MRPP à eleição para o governo da cidade de Lisboa. Trata-se de uma candidatura com um programa de soluções jovens para uma câmara há muito sequestrada por velhos interesses.

Lisboa tem perdido 10 mil habitantes por ano, gente cada vez mais condenada a viver precariamente em subúrbios, vitima do sonho americano de casa e carro próprios, em detrimento de transportes públicos eficazes e da ausência de um plano habitacional a custos socialmente sustentáveis. Enquanto isso a cidade apodrece com o património, os bairros populares e o parque habitacional desabitados e em ruínas. Cada vez mais sequestrada pelos interesses de gente rica que exige prioridade para o automóvel a maioria dos quais são especuladores imobiliários estrangeiros assessorados pelo tradicional nacional-pato-bravismo, a Cidade, sob o imóvel servilismo de António Costa e a nova Lei dos Despejos vêm brindar novos terrenos para que a venda a retalho aos interesses alheios à população possa florescer.

Lisboa não pode nem dever ser apenas uma cidade de serviços. Para sustentar a burocracia Lisboa tem hoje 3 vezes mais funcionários que tinha em 1974, dos quais um número exagerado de advogados: 250! para sustentar esta máquina de consumo diabólico, conluiada com o governo, a Policia Municipal recorre a coimas e à caça à multa através de serviços externos de empresas semi-privadas como a Emel, a qual deve ser extinta. O Plano Director Municipal criado por Sampaio que possibilitou a liquidação das manufacturas e pequenas indústrias deve ser revisto, providenciando o regresso destas actividades produtivas à vida da cidade. Sem a classe operária no seu seio, faltará a Lisboa a mola necessária para a percussão do desenvolvimento de uma grande capital europeia


A primeira questão que se põe a esta candidatura é que, sendo este programa agora apresentado inquestionavelmente de Esquerda, porque é que o actual presidente António Costa ao propôr uma falsa e maquiavélica «união das esquerdas para derrotar a direita» convidou o Partido dito Comunista (PCP) e o Bloco dito de Esquerda (BE), deixando de fora a candidatura do  PCTP/ MRPP? a resposta é óbvia - Costa, ou qualquer outro "socialista" com funções executivas, há muito que não sabem o que é ser de esquerda nem de direita - tudo se funde numa mescla aglutinante no famigerado Bloco Central que por décadas tem exercido o Poder.
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sexta-feira, março 15, 2013

assacar por mais um ano uma Divida ao Povo que não a contraiu, é uma Cachorrice!

Passe a complexidade que os vigaristas com assento com à sombra do Estado querem fazer passar, a Crise do capitalismo é relativamente simples de explicar: quando os decisores usam o sistema monetário para emitir dinheiro que não corresponde a Valor como Trabalho acumulado (e fazem-no há mais de 30 anos, em beneficio de uma infima classe possidente), fugindo para a frente resolvem um problema a curto prazo: o da queda tendencial da taxa de Lucro. Porém a médio e longo prazo o capital emitido que não tem suporte material só tem necessariamente um caminho: o da sua destruição, reeestruturando novamente a economia depois de destruida a partir de niveis muito baixos e mais próximos da realidade material. Neste processo de falência derretem-se milhões em vidas precárias e dinheiro que afinal não havia. É neste fundo que o Portugal dos cavacos e gaspares está quase a bater (embora não esteja apurado ainda quanto nem quando em termos de valores tóxicos disseminados pela economia). Mas quando os responsáveis e respectivos cúmplices nos Media nos mentem dizendo que não há alternativa, do ponto de vista politico dos trabalhadores há outro caminho: a recusa em pagar uma dívida privada transferida ilicitamente para dívida pública, a qual deve ser paga por quem a contraiu - decisores politicos que são conhecidos, banqueiros e empresários - cujos bens devem ser de imediato arrestados - e se esses bens mal adquiridos tiverem entretanto sido delapidados, que os responsáveis paguem por penhoras ou respondam por burlas agravadas à sociedade perante a Justiça. Eis o que diria firmemente no Parlamento burguês um deputado comunista do MRPP, na mesma linha da deputada Teresa Jordá i Roura da Catalunya (ERC), quando invoca a necessidade imediata da suspensão do pagamento da Dívida e respectivos Juros usurários, apelando a uma urgente Auditoria da Dívida Pública:

"Las deudas de los que conservan cuentas en Suiza las debería pagar quien las haya contraído."

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quinta-feira, março 14, 2013

olá! o meu nome agora é Francisco

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Habemus papa

 breaking news


e para surpresa geral dos milhões de seres humanos que passam passam fome neste miserável planeta, perto do hora do jantar, chegou a boa nova vinda da faustosa e luxuriosamente riqueza da Cúria romana: temos papa! 

“…não haverá cadeia de ódio mais inteligente que a do ódio ao luxo. Essa cadeia implica a cadeia de ódio às artes. Independente das pessoas fora da representação e cerimónias da Igreja, o luxo é errado. Um simples padre opulento é um contra-senso” (Victor Hugo, in “Os Miseráveis")

Como é que se evita que a papa seja "papabile" apenas por uma infima minoria é algo que não vem por agora ao caso. Nem o nome escolhido de Francisco reflecte a capacidade do outro, o de Assis, de domesticar os Lobos (como na fábula de Gubbio) e praticar o bem em prol dos pobres dissidentes "capuchinhos vermelhos". Ora o Lobo de hoje é o Banqueiro...

Para perceber a capacidade deste Francisco para "ajudar os pobres", nos obscuros tempos de degradação que temos pela frente, bastam três sinais:

1. é mais um prelado anti-comunista - enquanto bispo argentino, é um feroz opositor do regime de Cristina Kirchner, como se a presidente argentina fosse alguma coisa de especial em termos de emancipação social - apenas não papa golpes do FMI - 2. Viveu e conviveu com as ditaduras fascistas que oprimiram a América Latina durante décadas, foi citado como sendo conivente no desaparecimento de dois sacerdotes, deu a engolir a "santa bolachinha em forma de hóstia" a Jorge Videla hoje condenado por crimes contra a Humanidade, apesar de saber dos raptos de crianças pela ditadura, tudo sob completo silêncio de Jorge Mario Bergogli... 3. É um Jesuita, cujo lema tristemente célebre é "obedecer quem nem um cadáver ao seu superior", o que no caso, considerado o estado-de-arte das finanças do Vaticano, deverá ser o director do Banco Central Europeu Mario Draghi, outro Jesuita...

São Francisco e o Lobo de Gubbio - dá cá a patinha meu irmão...
a ver se eu te mordo
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quarta-feira, março 13, 2013

O mal estar nas Forças Armadas radica na mesma escolha que causa o mal estar na Sociedade (II)

Cerca de 300 altas patentes das Forças Armadas reuniram-se recentemente em dois jantares para contestar os cortes determinados pelo Ministério de 218 milhões de euros e abater 8000 efectivos – que sortudos são os militares! quando este governo pretende cortar 4 mil milhões na coesão da sociedade civil e se perdem 535 empregos por dia no sector privado, situação que já se mantém desde 2008. Mas para quem tem emprego fixo à sombra deste modelo de Estado, a alta preocupação das Altas Patentes não é bem essa, mas sim de como “a descaracterização da condição da condição militar torna a instituição incapaz de acudir à defesa do país” – mentira! como parte da NATO em caso de ataque a um país-membro as forças conjuntas da organização intervêm militarmente para assegurar o estatuto vigente do Estado.

Compreensivelmente, as aflições nas FA variam consoante as classes sociais de cada posto: a associação de Praças estão “solidárias com os anseios de uma vida melhor para o povo”, os sargentos não operacionais na sua modesta condição obsoleta pensam ainda ser filhos do povo e “juram nunca servir de instrumento de repressão sobre os seus concidadãos”, finalmente, os Oficiais “pretendem questionar o rumo do país de que fazem parte”. Subam a fasquia e perguntem ao ministro Aguiar-Branco, que diz ter peso reduzido nas decisões, limitando-se a cumprir directivas (como é bom de se subentender) quais são as tarefas a executar fielmente que lhe são transmitidas na sua qualidade de Bilderberg`er.

O General Garcia Leandro diz que “estamos à beira do abismo”: os cortes sem planeamento, a situação incontrolável, a confiança no actual titular da Defesa “está irremediavelmente ferida!”. O General Melo Gomes afirma que com o congelamento das carreiras, não há a devida ponderação”, isto é, o colecionismo de medalhas pode sofrer penalizações. E “se agora falta o combustível, há desinvestimento em infra-estruturas, degradação de salários e perda de regalias na saúde militar”, os Generais em geral avisam que “este é um castelo de cartas ao qual basta tirar mais uma para tudo desabar” – eis aqui portanto a ameaça velada do golpe militar palaciano de extrema-direita, que é apenas o que falta a Cavaco Silva para lhe preencher o ego enquanto comandante supremo do Estado Maior das Forças Armadas. E dizem todos em coro “ser preciso manter a serenidade, a coesão e a disciplina” pense cada classe por si para que é que estas merdas servem.

Servem para o General Luis Araújo, na visita à missão no Líbano (foto acima à direita), afirmar a sua concordância na “compra de menos meios, mas ter mais capacidade de intervenção”, senão, no caso da União Europeia, da NATO, da ONU ou da CPLP, Portugal não receberá fundos de coesão, nem terá voz activa, senão houver participação nas missões internacionais” – este é o negócio, que responde cabalmente à pergunta: “onde é que está o inimigo para tanto general junto, desfardado e sem insígnias? – este é o mesmo negócio que abateu o antigo ministro Amaro da Costa em Camarate, vítima de um velho saco azul criado pelo Salazarismo para os Militares à margem da contabilidade pública.
(continua)
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segunda-feira, março 11, 2013

óh valha-me deus...

José Cordeiro tirou o curso de bispo, concorreu a um lugar numa empresa multinacional de grande sucesso que vende mentiras, ilusões e imposturas. Está na moda! O segredo do negócio é que estes produtos etéreos e prestação de serviços são praticamente gratuitos, muito por conluio do Estado que fecha os olhos ao não pagamento de impostos por parte da organização, antes pelo contrário desembolsando milhões em quantias não determinadas, alegadamente de ajuda a Deus. Admitido em Roma o nosso José Cordeiro, agora endeusado com o pomposo titulo de Don, foi colocado na diocese de Bragança onde rapidamente subiu na vida. E para demonstrar à sociedade um qualquer sinal de iluminação na terra, resolveu comprar um carrito e logo de luxo, cedendo à tentação devida ao cargo por uma vida austera e temente retiro das coisas mundanas. Deus é que estava à coca e a punição desencadeiou-se quem nem um relâmpago: o bispo meteu a primeira, prego ao fundo, o nosso Volkswagen Passat azulão celeste deu um pulo para trás e caiu em cima da parca propriedade de mais um contribuinte...

clique no recorte para ampliar (DN) 
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domingo, março 10, 2013

o doce colorido dos papagaios de esquerda

O grande assunto que ajuda a preencher espaços nos Media é a saída de um obscuro comentador do Bloco de Esquerda. Francisco Louçã repôs as coisas no seu lugar: "foi um bom assessor". É pena, mas comparar um homem com o curriculo e obra académica de Louçã com um fala-barato que nem tem sequer qualquer licenciatura, pode ser divertido, porém não contém nenhuma utilidade; excepto o da Direita exultar com o episódio

Ainda sobre a manifestação do 2 de Março, as gentes próximas do Bloco dito de Esquerda produziram um video onde se afirma que o evento "é património dos seus organizadores e de todos os que nela participaram (...) sendo "as opiniões expressas da responsabilidade apenas de quem o fez" - e de seguida aconselham-se algumas leituras plurais para refletir sobre a situação actual (ver lista abaixo). O que é certo é que nenhum desses autores defende uma economia centralizada e planificada, como o marxismo sempre advogou. Sendo que um deles (Ulrich Beck) foi um dos ideológos da 3ª Via "socialista" de Tony Blair e os restantes todos personalidades da recauchutagem do capitalismo pela aplicação de um imperialismo cada vez mais agressivo (1). Em termos de omissão o Partido dito socialista do deputado da peste grisalha de Mário Soares não produziria melhor. Aos invés, os comunistas demarcam-se radicalmente deste folclore, nomeadamente quando se questionam sobre a actualidade leninista de "O que fazer?: A situação actual e as nossas tarefas"

num dos slogans que se reteve, uma jovem dizia: "o meu comité central é pensar pela minha cabeça". Não vai longe, quem pensa defender a Sociedade aplicando a cada um dos individuos por si a receita filosófica do inimigo... Compreende-se a ineficácia do protesto pela reacção do Poder, que ao evento disse... nada 



Ulrich Beck, A Europa Alemã. De Maquiavel a "Merkievel": Estratégias de Poder na Crise do Euro (2012)
Paul Krugman, Acabem com esta Crise Já! (2012)
Robert Shapiro, O Futuro, uma Visão Global do Amanhã (2008)
David Graeber, "Debt: the first 5,000 years" (2011) [Traduzido para espanhol com o titulo: "En Deuda - una historia alternativa de la economía"]
Maurizio Lazzarato, "La fabrique de l'homme endetté. Essai sur la condition néolibérale" (2011)
Joseph Stiglitz, The Price of Inequality: How Today's Divided Society Endangers Our Future (2012) [Traduzido para espanhol com o titulo: "El Precio de la Desigualdad"]

Os Marginais daquele Sábado 

(1) o tom geral da contestação parece ser o de que, com os sucessivos cortes cegos determinados e publicados pelos governos sob o regime de Cavaco Silva, não há dinheiro para continuar a consumir como habitualmente. Ao invés, ninguém parece estar preocupado com um programa patriótico de produção nacional que substitua os produtos importados - paradigma que tem provocado um desiquilibrio insustentável e é a base para o parasitismo nas trocas comerciais, as quais, remunerando à tripa forra o Capital, acrescentam Valor (ficticio) sem que este seja assente no Trabalho
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sábado, março 09, 2013

O mal estar nas Forças Armadas radica na mesma escolha que causou o mal estar na Sociedade.

Na década iniciada em 1970 o país estava à beira da bancarrota, por via da insusten- tabilidade financeira provocada pela guerra colonial. Salazar e Caetano fizeram o que podiam para contrariar a questão: utilizando material de guerra distribuído a Portugal no âmbito da integração na NATO. Porém, esta época de extremo sacrifício de bens e vidas para o povo, para os quadros regulares das forças armadas foi uma época de ouro. Num país maioritariamente de população rural onde grassava a fome, qualquer oficial ou sargento no final de 2 ou 3 comissões de serviço no “ultramar” regressava com umas boas dezenas ou centenas de milhares de escudos para serem empregues na vivenda da praxe. Alguns sectores da economia prosperaram com as encomendas fornecidas para a guerra. Até que por via da concorrência de oficiais e quadros milicianos (graduados em postos de chefia em igualdade com os do quadro permanente) a teta ameaçava secar…

Com o boicote árabe aos paises Ocidentais comprometidos com o apoio a Israel, e a subsequente crise petrolífera, a situação internacional agravou-se – no Pentágono, alma-mater da Nato, não havia dinheiro para sustentar as intervenções militares imperialistas no Sueste asiático. Na sociedade civil principal fornecedora de carne para canhão assente no recrutamento obrigatório, a contestação popular sofria uma escalada similar à da guerra: enquanto quando se ouvia Nixon na rádio se desligava o botão, milhões enchiam as ruas e praças em protestos contínuos. O movimento reivindicativo pela Paz obrigou a substituir o recrutamento compulsivo de civis pela contratação de profissionalizada de voluntários para as forças armadas. Onde se iria buscar dinheiro para pagar a mercenarização do sistema? Fácil, não há dinheiro, faz-se! Em 1971 Nixon deixou por decisão unilateral de medir internacionalmente os dólares em ouro e começou a desvalorizar as despesas “pagando-as” com papel impresso. E que fazer relativamente à contestação popular, reivindicações salariais, lutas operárias? fácil – deslocaliza-se a produção para lugares longínquos onde os custos de mão de obra são quase insignificantes, ganham-se biliões sobre biliões, vemo-nos livres de sarilhos em casa pelo desarmar da classe operária. O motor do capitalismo, numa inversão radical da criação de valor deixa de ser a produção, para passar a ser uma espécie de anti-valor pelo consumo das massas indiferenciadas.

Nessa época, em Portugal o 25 de Abril acontece a contra corrente. País fortemente atrasado, carente da modernização do capitalismo para se poder integrar na nova divisão internacional de trabalho, com os Estados Unidos de olhos e dentes postos na exploração dos territórios de língua portuguesa “independentes”, as ajudas no sentido de integrar o país no sistema neoliberal em ascenção (no Consenso de Washington) não se fizeram esperar. No dia seguinte ao golpe, os ingénuos capitães, uns sim outros nem tanto, quase todos à margem de membros do exército de filhos do Povo, cumpriam a sua obrigação hierárquica – foram falar com dois Generais. Foi o principio do fim… Se antes no fascismo, havia quem fizesse carreira dissidindo do regime, ao contrário, quase 40 anos depois, no actual paradigma não há quem cumpra uma carreira e chegue a General sem demonstrar cabalmente que é ideologicamente de extrema-direita.

E são muitos. A seguir analisar-se-á o que contestam e porque é que estas vetustas personagens se podem transformar no orgulho do Cavaco Silva
recorte do jornal Publico em 2006

há coisas que fizemos melhor 
e algumas que são destruídas pela ganância 
e por politicas erradas, mentirosas 
Agora vivemos na sequência 
de decisões que não compartilhámos 
e somos apenas sobreviventes 
 de um vasto tufão de poder  
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