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sábado, agosto 31, 2013

Trabalho abstracto, Lucro concreto

"Eu entendo o trabalho abstrato como a componente do vínculo social que é o dinheiro. Por outras palavras, o facto de podermos trocar os nossos produtos, incorporando-nos a nós próprios no valor das commodities, retira-nos o controlo sobre nossas próprias actividades. Trabalho abstracto (logo, Trabalho medido por dinheiro ) é o núcleo da negação da autodeterminação social e, portanto, qualquer luta pela autodeterminação social deve ser uma luta contra o trabalho abstracto (e contra o dinheiro)" John Holloway 


Uma Dúzia de Mitos sobre o Capitalismo 

1 - Sob o capitalismo todos os que trabalham no duro podem chegar a ricos 
2 - O capitalismo cria riqueza e prosperidade para todos 
3 - Estamos todos no mesmo barco 
4 - o Capitalismo é Liberdade 
5 - o Capitalismo é igual a Democracia
6 - as Eleições são sinónimo de Democracia 
7 - a alternância no Poder por um Partido é prova de uma eleição democrática 
8 - os Politicos representam o Povo e portanto podem decidir por eles mesmo 
9 - Não há alternativa ao Capitalismo 
10 - a "Economia" de austeridade gera Riqueza 
11 - Quanto menor o papel do Estado melhor 
12 - a actual crise do Capitalismo vai-se resolver a curto prazo para o bem das pessoas 


Alemanha tem vindo a lucrar com a crise da zona euro, poupando 41 mil milhões de euros em juros relativos ao período entre 2010 e 2014

sexta-feira, agosto 30, 2013

I Have a Dream? Where is the Dream ? are You Living your Dream?

Passam 50 anos sobre o célebre discurso de Martin Luther King, loas tecidas pelos poderosos ao reverendo-padre que bebia que nem um abade e batia na mulher não faltam, mas os seus utópicos objectivos não passaram de água no bico… e estão muito aquém da criação libertária de aviário que se imaginou - “Eu tenho um sonho, de um mundo onde as galinhas possam atravessar as estradas sem ver os seus motivos questionados”.
 
A Pobreza como elemento no Racismo de natureza Económica

Os chamados “pais fundadores” dos Estados Unidos fundaram o país sobre o genocídio de 10 milhões de nativos… e a saga continua: só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres segregadas nas reservas índias foram esterilizadas contra a sua vontade pelo governo norte-americano. 80% dos adultos na situação de desempregados vivem no limiar da pobreza; O crescimento dos novos pobres com emprego, que apesar de trabalharem não ganham para comer nem para ter casa converteu-se numa indústria. A pobreza infantil situa-se acima dos 22%; são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade; Existem graves carências no acesso à saúde (125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de seguro de saúde). Todos os imigrantes (e legalizados são mais de 37% numa população de 300 milhões) são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares. Numa sociedade particularmente violenta devido ao racismo económico, são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo. Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, 40% da qual é de raça Negra; Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam na teoria de evolução de Darwin… e para eles com uma certa razão, o seu país entre 1890 e 2012 invadiu ou bombardeou 149 países estrangeiros - bem-vindos ao “paraíso do modo de vida americano”

quinta-feira, agosto 29, 2013

Sobre o Fenómeno dos Empregos de Merda

(David Graeber argumenta sobre o conceito marxista de trabalho produtivo e trabalho improdutivo)

No ano de 1930 John Maynard Keynes previu que, até ao final do século XX, a tecnologia teria avançado tão eficientemente que países como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos teriam alcançado uma semana de trabalho de 15 horas. Há todas as razões para acreditar que o economista da era do New Deal estava certo. Em termos tecnológicos, teríamos sido capazes disso. E, no entanto tal não aconteceu. Em vez disso, a tecnologia disfarçou-se com diversas roupagens para descobrir maneiras de nos fazer trabalhar mais. A fim de alcançar este objectivo, novos trabalhos tiveram de ser criados, que são, efectivamente, inúteis. Massas enormes de pessoas, na Europa e na América do Norte em particular, passam toda a sua vida profissional na execução de tarefas que eles secretamente acreditam realmente não precisarem de ser executadas. O dano moral e espiritual que advém desta situação é profundo. É uma cicatriz em toda a nossa alma colectiva. Ainda assim, quase ninguém fala sobre isso.

Por que é que a utopia prometida por Keynes - ainda aguardada com grande expectativa nos anos 60 - nunca se materializou? - a linha padrão de hoje é que Keynes não levou em linha de conta o aumento maciço no Consumismo. Posta à consideração a escolha entre menos horas de trabalho e mais brinquedos e prazeres, os indivíduos foram colectivamente induzidos a escolher os últimos. Esta opção apresenta-se como um bom conto moral, mas um momento de reflexão mostra que isso não pode realmente ser verdade. Sim, temos assistido à criação de uma variedade infinita de novos empregos e indústrias, desde a década de 20, mas muito poucos têm nada a ver com a produção e distribuição de sushi, iPhones ou ténis extravagantes. Então, quais são esses novos postos de trabalho, precisamente? Um relatório recente comparando o emprego nos EUA entre 1910 e 2000, dá-nos uma imagem clara. (e eu noto, uma comparação exactamente igual fez eco no Reino Unido). Ao longo do século passado, o número de trabalhadores como empregados domésticos, na indústria e no sector agrícola ruiu dramaticamente. Ao mesmo tempo, "os serviços de vendas, gerência, de escritório, profissionais e trabalhadores de serviços triplicaram, crescendo de um quarto a três quartos do emprego total. Por outras palavras, os empregos no sector produtivo, tal como previsto, foram amplamente substituídos por maquinaria automatizada (mesmo se contarmos os trabalhadores da indústria a nível mundial, incluindo as massas trabalhadoras na Índia e na China, esses trabalhadores ainda não são em tão grande percentagem da população mundial como costumavam ser).

Mas ao invés de permitir uma redução maciça do horário de trabalho para libertar a população mundial e prosseguir os seus próprios projectos - os prazeres, visões e ideias - temos visto a bolha do assalariamento aumentar não só no sector "Serviços" a partir do sector administrativo, mas até incluindo a criação de indústrias novas por inteiro, como os serviços de telemarketing ou financeiros, ou a expansão sem precedentes de sectores como o direito empresarial, académicos, de administração de saúde, recursos humanos e relações públicas. E esses números nem sequer reflectem sobre todas aquelas pessoas cujo trabalho é fornecer serviços administrativos, técnicos, ou suporte de segurança para essas indústrias, ou nessa matéria para toda uma série de indústrias auxiliares (lavadores de carros, entregadores de pizza 24 horas) que só existem porque toda a gente gasta muito do seu tempo de trabalho em todos os outros. Estes são os que proponho chamar de "empregos de merda."

É como se alguém saísse à rua fazendo- o por trabalhos inúteis apenas por uma questão de manter as coisas todas a andar. É aqui, precisamente, que reside o mistério. No capitalismo, isto seria precisamente o que não seria suposto acontecer. Claro que, nos velhos estados socialistas como a União Soviética, onde o emprego era considerado tanto um direito como um dever sagrado, o sistema formado por tantos empregos como eles tinham, levava a que nas lojas de departamento de Estado tivessem três funcionários para vender um quilo de carne. Mas, é claro, este é o tipo de problema que a concorrência de mercado é suposto corrigir. De acordo com a teoria económica capitalista, no mínimo, a última coisa que uma empresa com fins lucrativos vai fazer é desembolsar dinheiro para pagar a trabalhadores que ela realmente não precisa empregar. Ainda assim, de alguma forma, isso acontece. Enquanto as corporações podem envolver-se em reduções crueis, as demissões e a velocidade a que crescem recaem invariavelmente sobre essa classe de pessoas que realmente fazem mover as coisas, fixando-as ou mantendo-as nos sítios, as quais através de alguma alquimia estranha que ninguém consegue explicar, consegue fazer expandir o número de assalariados empurradores-de-papel, e mais e mais trabalhadores se encontram, actualmente não como os trabalhadores soviéticos, mas na verdade, trabalhando 40 ou mesmo 50 horas por semana na papelada, mas efectivamente trabalhando 15 horas, assim como Keynes havia previsto, já que o resto do seu tempo é gasto organizando ou participando em seminários motivacionais, atualizando os seus perfis do Facebook ou fazendo downloads de vídeos e musica.

A resposta é claramente não económica: é moral e política. A classe dominante descobriu que uma população feliz e produtiva com tempo livre nas suas mãos é um perigo mortal (é suposto esta percepção ter começado a acontecer próximo da década de 60). E, por outro lado, o sentimento de que o trabalho é um valor moral em si, e que qualquer pessoa não está disposta a submeter-se a algum tipo de intensa disciplina de trabalho durante as horas em que anda de pé, é um conceito extremamente conveniente.

Certa vez, ao contemplar o crescimento aparentemente interminável de responsabilidades administrativas nos departamentos académicos britânicos, fiquei com uma possível visão do inferno. O inferno é um conjunto de indivíduos que gastam a maior parte do seu tempo trabalhando em tarefas de que eles não gostam e nas quais não são especialmente bons. Dizem que foram contratados porque eram excelentes marceneiros, e depois descobriram que se espera passem uma grande parte do seu tempo a fritar peixe. Não é que a tarefa realmente precise de ser feita - há apenas um número muito limitado de peixes que precisam ser fritos. Mas de alguma forma, todos esses “trabalhadores” tornam-se obcecados com o ressentimento, pensando que alguns dos seus colegas de trabalho podem estar a gastar mais tempo a fazer armários, e não a fazer a sua justa parte nas responsabilidades da fritura de peixe, o que em pouco tempo, resultaria em pilhas intermináveis de inútil peixe mal frito, acumulado por toda a oficina… e isso é tudo o que alguém realmente se faz. Acho que esta é realmente uma descrição bastante precisa das dinâmicas morais da nossa própria economia.

Agora, percebo qualquer argumento que vá incorrer em objeções imediatas: "quem é você para dizer o que são realmente "empregos necessários “? O que é necessário, afinal? Você é um professor de antropologia, qual é a "necessidade" de se precisar disso? "- (E, na verdade um monte de leitores de tablóides levaria a existência do meu trabalho como a sua própria definição de desperdício nas despesas sociais). E em certo nível, isso é obviamente verdadeiro . Não pode haver uma medida objectiva de valor social?

Eu não me atreveria a dizer a alguém convencido de que eles estão dando uma contribuição significativa ao mundo que na verdade eles não dão. Mas o que acontece com aquelas pessoas que se convenceram que os seus trabalhos não têm sentido? - não há muito tempo atrás voltei ao contacto com um amigo de escola que eu não via desde os meus12 anos. Fiquei espantado ao descobrir que nesse intervalo, ele se tinha tornado pela primeira vez num poeta, o homem de palco de uma banda de rock indie. Eu tinha ouvido algumas das suas músicas na rádio sem ter ideia que o cantor era alguém que eu realmente conhecia. Ele era, obviamente, brilhante, inovador, e o seu trabalho tinha, sem dúvida, iluminado e melhorado vidas de pessoas em todo o mundo. No entanto, depois de um par de álbuns sem sucesso, ele tinha perdido o seu contrato, e atormentado com dívidas e uma filha recém-nascida, acabou, como ele dizia, por "tomar a opção padrão de tanta gente sem rumo: a Faculdade de Direito" Agora ele é um advogado corporativo trabalhando numa proeminente empresa de Nova York. Ele foi o primeiro a admitir que o seu trabalho era totalmente sem sentido, não contribuindo em nada para o mundo, e, na sua própria opinião, não deveria existir.

Há um monte de perguntas que poderiam ser feitas aqui, começando com, o que isso diz sobre a nossa sociedade que parece gerar uma procura extremamente limitada para talentosos poetas-músicos, mas uma procura aparentemente infinita de especialistas em direito empresarial. (Resposta: Se 1% da população controla a maior parte da riqueza disponível, aquilo a que chamamos de "o Mercado" reflete o que essa ínfima minoria acha que é útil ou importante, e não a mundivisão de qualquer outra pessoa). Mas, ainda mais, mostra que a maioria das pessoas nesses empregos estão finalmente cientes disso. Na verdade, eu não tenho a certeza se já conheci um advogado corporativo que não achasse que o seu trabalho fosse uma estupidez. O mesmo é válido para quase todas as novas indústrias acima descritas. Há toda uma classe de profissionais assalariados – e você deve conhecê-los nos convívios sociais - que admita que você faz algo que possa ser considerado interessante, (um antropólogo, por exemplo) e vão mesmo querer evitar discutir totalmente a sua linha de trabalho. Dê-lhes algumas bebidas, e eles vão-se lançar em discursos inflamados sobre como inútil e estúpido o seu trabalho realmente é.

Há aqui uma violência psicológica profunda. Como pode alguém pode sequer começar a falar da dignidade no trabalho quando sente secretamente ter um posto de trabalho que não deveria existir? Como poderá ele não criar um sentimento de profunda raiva e ressentimento.? No entanto, é no génio peculiar da nossa sociedade que os seus governantes vão descobri uma maneira - como é o caso das fritadeiras de peixe - para garantir que a raiva é dirigida precisamente contra aqueles que realmente não conseguem obter um trabalho que signifique alguma coisa. Por exemplo: na nossa sociedade parece haver uma regra geral segundo a qual é obvio que o trabalho que cada um faz benefícia outras pessoas, e por isso considera ser mal pago. Mais uma vez, é difícil de encontrar uma medida objectiva, mas uma maneira fácil de obter um sentido é perguntar: que aconteceria se toda esta classe de pessoas viesse simplesmente a desaparecer?

Diga o que se disser sobre enfermeiros, empregados do lixo, ou mecânicos, é óbvio que se eles desaparecessem numa nuvem de fumo, os resultados seriam imediatos e catastróficos. Um mundo sem professores e os locais de trabalho em breve estariam em apuros… e até mesmo um sem escritores de ficção científica ou músicos de ska seria claramente um lugar menor. Não é totalmente claro o modo como a humanidade iria sofrer se todos os administradores de private equity, lobyistas, investigadores, seguradores, operadores de telemarketing, oficiais de justiça ou consultores legais fossem desaparecer da mesma forma. (Muitos suspeitam que podia melhorar sensivelmente). No entanto, para além de um punhado de bem elogiadas excepções (os médicos), a regra mantém-se surpreendentemente bem. Ainda mais perverso, parece haver um amplo sentido que esta é a maneira como as coisas deveriam ser. Este é um dos secretos pontos fortes do populismo de direita. Você pode senti-lo quando os tablóides empunham o chicote do ressentimento contra os trabalhadores do Metro quando paralisam Londres durante disputas contratuais: o facto de que os trabalhadores do Metro possam paralisar espectáculos em Londres mostra que o seu trabalho é realmente necessário, mas isso parece ser exactamente o que incomoda as pessoas. É ainda mais claro nos EUA, onde os republicanos têm tido um sucesso notável na mobilização do ressentimento contra professores, ou trabalhadores da indústria automóvel (e não, de forma significativa, contra os administradores escolares e gestores da indústria automobilística que realmente causam os problemas) com os seus salários e rendimentos supostamente inflaccionados. É como se eles nos estivessem dizendo: "mas você precisa de ensinar as crianças! Ou fazer carros! E aí você começa a ter empregos de verdade! E em última instância, quem tem a coragem de também esperar pensões de reforma na classe média ou cuidados de saúde?

Se alguém tiver desenhado um regime de trabalho perfeitamente adequado para manter o poder do capital financeiro, é difícil ver como poderiam as pessoas ter feito um trabalho melhor. Realmente, os trabalhadores produtivos são implacavelmente espremidos e explorados. Os restantes são divididos entre um aterrorizado extracto dos universalmente insultados, como os desempregados, e um extracto maior que são basicamente pagos para não fazer nada, em cargos destinados a torná-los identificáveis com as perspectivas e sensibilidades da classe dominante (gerentes, administradores, etc.) - e, particularmente os seus avatares financeiros - cuja actividade, ao mesmo tempo, promove um ressentimento contra aqueles cujo trabalho tem um valor social claro e inegável. Claramente, o sistema nunca foi concebido conscientemente. Surgiu a partir de quase um século de tentativas e erros. Mas é a única explicação para o porquê, apesar das nossas capacidades tecnológicas, todos os dias de trabalho não terem apenas entre 3 a 4 horas.

(Original: “On the Phenomenon of Bullshit Jobs” by David Graeber)

quarta-feira, agosto 28, 2013

a Morte de um Economista

Reconhecido pelas Autoridades pela sua competência, ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional, com carreira “brilhante” nas altas instâncias financeiras da “comunidade europeia”, quadro de um tristemente célebre Banco de Investimentos especulativos sobre os endividamentos públicos, o Goldman Sachs.

Perante a morte de um amigo e colega, o Presidente da República manda publicar na página oficial da Presidência uma nota de condolências; Carpiram-se os notáveis da Nação; Tocam os sinos no adro da igreja, vai a passar a Procissão...



Realçando uma interpretação correcta dos factos, o embuste começa logo no título nobiliárquico do gajo que bateu a bota: “um Economista”. Ora não existe por si só, in abstractum, tal termo Economia”. O que existe é uma ciência denominada Economia Política – a gestão dos valores na sociedade são sempre determinadas previamente por escolhas políticas. Nesta perspectiva, quem se finou desta feita foi mais um economista Neoliberal. O que é que isto significa? – significa que a escolha dessa política é feita em benefício de uma classe contra os interesses de outras classes.

Um Economista Neoliberal, para mais “com reputação” internacional nos centros decisores, trabalha activamente na chantagem exercida por instituições como o Banco Mundial, o BCE e o FMI oferecendo empréstimos de dinheiro (de que os promitentes contratantes precisam desesperadamente para evitar situações de ruptura na exploração capitalista e prevenir subsquentes revoltas populares) contra a imposição de determinadas concessões a que ficam obrigados em contrapartida Governos e Estados.

Um Economista Neoliberal é aquele que propõe às elites governantes (subornadas) dos paises subordinados as terapias de choque impostas pelas instituições que representam os especuladores estrangeiros, alcunhando-as de “programas de ajustamento estrutural”. É um economista que concorda com a falta de controlo e ausência de tributação sobre movimentos de capitais, em abrir o mercado interno a uma inundação de mercadorias importadas baratas, prejudicando as indústrias locais e provocando a eliminação de centenas de milhar de empregos destruindo as vidas a milhões de pessoas; que, aderindo a uma moeda excessivamente forte, sem hipótese de desvalorização (uma vez que desse modo os especuladores perderiam dinheiro) torna demasiado dispendioso produzir bens no país; Alguém que, apesar da hiperinflação dos preços dos produtos (devido á excessiva emissão de moeda) mente em nome da “estabilidade monetária”; garantindo que o Estado possua reservas (indexadas ao Dólar norte-americano) por forma a poder reembolsar os investidores em que qualquer altura que eles decidam; que em nome do “mercado livre” (onde os monopólios cada vez concentram mais poderes) à custa de um corporativismo fascista baseado na união forçada do governo, empresas e sindicatos, visam a estabilidade na obtenção de mão-de-obra flexivel, barata, desqualificada face à crescente robotização da produção, e com procura abundante de empregos de merda.
Um Economista Neoliberal propõe-se fazer cortes profundos nas despesas (já pagas, porque espoliadas com lingua de palmo aos contribuintes) em especial nos programas sociais, saúde e educação. É o que desfere ataques mascarados de académicos (da academia dos boys de Chicago ou da versão Católica local) ao desenvolvimento nacional que resulta do progresso económico dependente da industrialização interna; quem, ao contrário, tenta impôr as regras da globalização a que se obrigam os subscritores do Consenso de Washington, visando a privatização, em benefício do capital estrangeiro e da perpetuação do imperialismo, de sectores chave como a banca, indústrias de energia, refinação petrolifera, transportes, mineração, serviços públicos como os correios, as comunicações, electricidade, gaz e... até a água.

Enfim, tudo isto era o Escelentíssimo Doutor António Borges, mas não será pela morte de um individuo que se conseguirá irradicar a peçonha que destrói a comunidade.

segunda-feira, agosto 26, 2013

‘Armas Químicas da Síria’, mais um Falso Pretexto para uma Invasão estrangeira

Com o pacto de partilha do Médio Oriente (segundo o Mandato Sykes-Picot, no pós 1ª Grande Guerra) ainda tacitamente em vigor no entender das potências Ocidentais neocolonialistas, a França ameaça com uma acção de força na Síria em conjunto com a “comunidade internacional”. Nos Estados Unidos Barack Obama deu instruções aos serviços de info-espionagem que reúnam dados, com urgência, sobre o ataque com armas químicas e preparam um possivel ataque com misseis contra as as forças regulares do governo Sírio (CBS-News).

Isto faz sentido? com as forças militares regulares do regime de Bashar al-Assad numa clara posição de superioridade a remeter os “rebeldes” para uma posição de desespero, que sentido têm ataques “com armas químicas” na região de Damasco face aos recentes sucessos militares do Governo e qual o sentido destes serem levados a cabo mesmo nas barbas da missão da ONU?

Em boa verdade os combatentes “rebeldes Sirios”, que englobam mercenários das mais diversas nacionalidades, foram formados na Jordânia pelos EUA (fonte). Os Estados Unidos apoiaram este plano para lançar um ataque de armas químicas sobre a Síria e culpar o regime de al-Assad (fonte). E os materiais "informativos" de propaganda que envolvem a Síria em ataque quimico foram preparados antes do acontecimento ter ocorrido (fonte)

Trata-se, evidentemente, da mesma táctica combinada de soft-hard power imperialista que tem sido aplicada às primaveras árabes (sem esquecer a agressão ao Iraque) – primeiro cria-se o problema (a pertença ao “eixo-do-mal), secundo inventa-se um pretexto (as famigeradas armas de destruição massiva) e terceiro, apresenta-se uma solução (a invasão militar).

Feitas em nome de “ideais humanitários” como habitualmente, ao intervir para parar um suposto mal, está-se a criar um mal ainda maior no futuro - mas esse é um problema do qual o agressor não tem de dar contas a ninguém – o ter causado mais mortes do que aquelas que propagandisticamente se quis impedir. No caso da Síria, cujos aliados são a Rússia e o Irão, os efeitos podem ser ainda mais funestos, com a transformação da agressão num conflito militar regional generalizado.

“O Bloco Ocidental quer destruir a República Islamica do Irão desde a sua fundação em 1979, e para o fazer na conjuntura actual, necessita de derrubar o regime de al-Assad na Síria primeiro. Se o regime de Bashar al-Assad cair, a via de comunicação e transporte entre o Hezbollah e o Irão será cortado. O espaço aéreo Sírio, com a criação de uma zona de exclusão aérea, poderá ser utilizado por Israel para facilitar uma invasão militar ao Irão que o Estado Sionista tanto defende. Resumindo, uma mudança de regime na Síria e a instalação de um regime mais amigável às aspirações do Bloco Ocidental é um passo fundamental para restabelecer a hegemonia Ocidental na região e para continuar a política de guerra total contra o Islão conforme em tempo foi definida por Samuel Huntington através da encomenda por Washington da célebre estratégia do “choque de civilizações”.

sábado, agosto 24, 2013


"Aos oprimidos é-lhes permitido uma vez em cada poucos anos decidir quais são os representantes da classe opressora que os vão representar e reprimir através do Parlamento" (Vladimir Lenine)

"Se não te prevenires face aos meios de "comunicação social", eles farão com que ames os opressores e odeies os oprimidos" (Malcon X)

quinta-feira, agosto 22, 2013

isto é admissivel?

A fulana que encornou uma famosa apresentadora de televisão casada com o presidente da Câmara de Sintra e doravante candidato à autarquia de Lisboa, é relações públicas (não interessa aonde); 
Agora, por via da transmissão de fluxos, é candidata nas listas eleitorais a um lugar no Municipio de Lisboa. Obviamente, as más linguas vão-nos dizer que é por via da competência, que a fulana é muito boa naquilo que faz. Obviamente

quarta-feira, agosto 21, 2013

“Administradores da Escom são os primeiros arguidos no caso dos Submarinos”

A Escom (de inicio Bescom) é uma empresa subsidiária detida a cem por cento pelo Grupo Espirito Santo (BES) que se especializou em intermediar armamento e material de defesa em geral. Desde 1936 que o Banco Espirito Santo se iniciou nessa actividade por via de ter sido nomeado procurador do Estado Nazi no fornecimento de armas ao Governo de Portugal. As estreitas ligações á Alemanha são portanto bastante antigas. Nem causou estranheza nos meios militares (durante um periodo de sete anos) que o negócio do ex-ministro da Defesa agora vice-ministro Paulo Portas com os alemães da MAN Ferrostaal tenha degenerado em acusações de corrupção activa, tráfico de influências e branquamento de capitais. Se a justiça portuguesa tivesse funcionado in tempore logo após as suspeitas lançadas sobre a compra dos submarinos (e não só), em 2006, onde estaria hoje Paulo Portas-luvas? Mas 2006 é também o ano em que o simpatizante salazarista Cavaco Silva é eleito presidente e é nessa boleia que Portas acaba por ser convidado `para o grupo Bilderberg em vez de estar a jogar à sueca com o Isaltino, o Lima e o Loureiro.

Diz o Conselho de administração que “a Escom sempre actuou de acordo com a lei e a ética” e os seus gestores reiteram “estar disponiveis para colaborar com a justiça neste caso”. Pudera, têm as costas quentes, quem os nomeou foram aqueles que escreveram as leis – e “o DCIAP apressou-se a afirmar à comunicação social que “não tem indicios contra titulares de cargos politicos”. Por sua vez a Procuradoria Geral da República informou que “o processo está em segredo de justiça,não podendo, de momento, ser prestadas quaisquer informações”. Só para dar uma ideia sobre a máfia que estamos a tentar compreender, a Escom teve uma década de ouro no fornecimento de armas durante a guerra civil em Angola, em parceria com Israel, que ainda hoje é, (em homens, tecnologia e material), o operador de facto da Força Aérea angolana, decisiva no aniquilamento fisico da oposição. Um dos multi-epilogos desta joint-venture é que que o actual director do banco BES/Angola é um ex-primeiro ministro angolano. (Onde foi fazer companhia a gente do mesmo quilate)

Na década de 70, à saída da crise petrolifera, o judeu Henry Kissinger foi a alma-mater da jogada mestra do imperialismo no século XX, envolvendo a China numa divisão internacional do Trabalho que permitiu ao Ocidente nas décadas seguintes desindustrializar-se e deste modo votar ao ostracismo as suas classes operárias, demasiado lutadoras e reinvindicativas. Tal permitiu à familia de banqueiros judeus Espirito Santo instalar a “Escom China-Portuguese Connnection” que negoceia com as empresas estatais chinesas quase em exclusivo todos os seus investimentos em países da América Latina.

o Duque de Windsor com Nixon em 1970
Como vimos, sendo o BES o maior banco nacional, desde a 2ª Grande Guerra os negócios dos Espirito Santo corriam de vento em popa. A Alemanha ultrapassa pela primeira vez a Inglaterra nas importações portuguesas. Durante o conflito mundial, duplicam as aplicações do banco noutras empresas e quadruplica o valor das suas acções. Mas as ligações dos Espírito Santo aos alemães vão mais longe. É na opulenta mansão-palácio da família em Cascais, uma das mais notáveis da Europa frequentada pela grande sociedade e as mais altas personalidades, que se hospeda Edward VII de Inglaterra, nomeado Duque de Windsor depois que abdicou do trono. A explicação pública foi o casamento com uma amante norte-americana divorciada arranjada à pressa, mas a verdadeira causa da abdicação foi o alinhamento de Edward VIII com o Nazismo. De facto, o rei de Inglaterra era um fervoroso simpatizante de Hitler (1)

E neste contexto, o plano de Hitler era instalar Edward no trono de uma futura Inglaterra ocupada. Para isso, pretendia que o duque se mantivesse fora de território inglês, patrocinando a sua vinda para Portugal. Nesse processo, os Espírito Santo são intermediários da Alemanha junto do duque. Ricardo Espírito Santo e Silva é considerado pelo MI6 um agente alemão, relacionado com a estadia em Cascais do Duque de Windsor e a sua mulher Wallis Simpson, entre Junho e Outubro de 1940 (2). Confirmando, existe um telegrama do embaixador alemão em Madrid, enviado ao ministro dos Estrangeiros, Ribbentrop, a informá-lo de que se havia posto «em contacto com o nosso confidente, e anfitrião do duque, o banqueiro Ricardo Espírito Santo Silva” - Mas as diligências do banqueiro fracassam: a Casa de Windsor (3) acaba por seguir as ordens de Churchill e instalam Edward nas Bahamas britânicas.

Concluindo, existe uma interpretação histórica manipulada e distorcida na relação entre Judeus e Nazis durante a guerra. A vinda para Portugal do “chamado ouro nazi roubado aos judeus alemães” serviu para financiar o maior banco nacional propriedade de judeus. Os judeus ricos norte-americanos empreenderam uma guerra contra a Alemanha nazi, desprezando por completo as consequências para os judeus pobres que ficaram confinados à Alemanha. Portugal converteu-se num fervoroso aliado sob protecção dos norte-americanos. As forças vivas da Alemanha perderam a guerra, mas a ideologia nazi, transfigurando-se, transferiu-se quase incólume para o regime “democrático” de dois partidos únicos vigente nos Estados Unidos. (4) A Alemanha derrotada do III Reich converteu-se num sub-imperialismo, através do qual o IV Reich norte-americano pretende (e vai conseguindo) dominar completamente a Europa.

referências:
(1) Eduardo VIII de Inglaterra, simpatizante de Hitler 
(2) Episódio relatado no livro "Judeus em Portugal Durante a II Guerra Mundial", de Irene Pimentel 
(3) A satânica dinastia Sionista dos Rothschild operando a partir de Inglaterra acabou por impôr o seu paradigma, cuja pedra de toque foi a fundação e manutenção no pós-guerra do Estado religioso e racista de Israel 
(4) The Zionist Jewish Mafia

segunda-feira, agosto 19, 2013

História, Historiadores e Revisionismo Histórico

A propósito do Dia Mundial do Historiador o Zé Neves cita Hobsbawm: “a única generalização possivel em História é que ela continuará a existir enquanto houver raça humana”. Outra máxima a observar é a de que “antes de estudar História, devemos estudar o Historiadorsegundo cada versão que nos é proposta. Por fim, a História segundo a servidão: um comentador televisivo afirmou, na sua opinião de sargeta, não haver utilidade em continuar a ter licenciados em História, concluindo que as escolas estão a formar pessoas que “não servem para nada” (…)

Subjacente a estas declarações está uma política que reduz a economia a um exercício de contabilidade simples, de tal modo que tudo o que não seja imediatamente lucrativo deve ser etiquetado como despesa e, enquanto tal, eliminado. São afirmações perigosas. Mas todo o atrevimento ignorante o é - a alarvidade provocou reacções entre os próprios comparsas do comentador: "se Camilo tivesse estudado Humanidades, sabia que a utilidade não pode ser a medida de todas as coisas e conheceria as críticas ao utilitarismo” (Expresso, in Camilo, a História e a Utilidade Económica”). Mas a resposta, contundente, vem de Daniel Alves Seabra: "a Economia nunca se desvincula de dimensões sociais, culturais, políticas e psicológicas que nela interferem e da qual ela depende. Se eu fosse um utilitário, perguntaria: qual a utilidade dos comentários de Camilo Lourenço para a Economia? Nenhuma. O que é que os mesmos produzem no sentido mais utilitário e materialista do termo? Nada. Cabe aqui citar Henri Bergson: «São precisos séculos de cultura para produzir um utilitário como Stuart Mill»

"Diz-se que Richard Wagner foi um mentor do nazismo (...) Jamais, Wagner foi durante toda a sua vida um revolucionário (...) Diz-se que Hitler o apreciava no recato dos seus tempos livres, o que não é verdade" (diz-se isso aqui) e a afirmação, vinda de alguém que se intitula de marxista para servir interesses de determinada corporação é grave... e misturar personagens de épocas diferentes em contextos diferentes, só pode dar bota da grossa. Desfaçamos então o erro, cuja origem está na omissão de uma opinião fundamentada na luta de classes:

Wagner foi revolucionário numa perspectiva burguesa, era um aristocrata, casado com a Condessa Cosima Von Bulow; sendo um ateu convicto, pactuava, embora com um espirito crítico, com a mundivisão da Igreja, (um dos únicos empregadores seguros), entendendo o mundo como sendo liderado pela aristocracia, como se a exploração dos proletários pelos ricos e cultos fizesse parte da ordem natural das coisas; Wagner foi revolucionário dentro do contexto em que viveu, na época do nascimento do nacionalismo que unificou a miriade de Estados que formaram a Alemanha; mas a partir da derrota da revolução em 1848 a sua atitude mudou, aceitou o patronato do rei Ludwig II da Baviera, a sua última ópera Parsifal (1882, um ano antes da sua morte) é uma obra profundamente religiosa, e essa foi a causa do desentendimento com Nietzsche, o tal que afirmava que Deus está Morto! ...

Agora reparemos: (embora tendo ambos opiniões similares sobre a questão judaica) nem Wagner escreveu algo sobre Marx nem Marx (que tinha aterrorizado meia Europa com o célebre Manifesto Comunista) escreveu algo sobre Wagner; apesar de serem contemporâneos.Viviam em mundos diferentes, Wagner foi um militante do nacionalismo burguês, Marx um militante do internacionalismo proletário... Marx exilou-se para sempre após 1848, Wagner regressou à Pátria.... Quanto à apropriação após a morte de Wagner é verdade que Hitler endeusou Wagner, precisamente para, sendo Wagner um herói do nacionalismo realçar o Nacional-Socialismo Nazi; conta-se que a obra favorita de Hitler era a ópera "Rienzi, o Último Tribuno de Roma", pois era nesse papel épico que Hitler se via como ultimo defensor da ordem burguesa ocidental clássica... e por alguma razão Wagner foi proibido no Estado Sionista de Israel durante décadas...

domingo, agosto 18, 2013

sábado, agosto 17, 2013

a autocrítica do intelectual

"Sinto-me próximo do Presidente, apoio-o desde 1986 e acho-o o maior politico português desde 1974 (...) do qual sou apoiante incondicional na sua decisão de apoiar a remodelação do Governo por forma a conferir-lhe fôlego para chegar ao fim da legislatura em 2015" - as frases são de Vasco Graça Moura, o director da Fundação Centro Cultural de Belém".

Noutro ponto da entrevista ao jornal "I" o doutor Graça Moura confessa-se: "os intelectuais de hoje estão em vias de extinção". Compreende-se a autocrítica: 

sexta-feira, agosto 16, 2013

"Mãe, deverei confiar no Governo?"

os Pink Floyd, com Roger Waters (1), The Wall ao vivo em 1980 



Numa altura, em que este governo e a “troika” estão a preparar o OE-2014, em que se anunciam mais cortes na despesa pública essencial para todos os portugueses (saúde, educação e segurança) e nas pensões, a Comissão para a reforma do IRC, presidida por Lobo Xavier, veio defender a redução dos impostos principalmente sobre as grandes empresas.

Consequências da transformação de Portugal num país de baixos impostos para as empresas, tendo por exemplo, a Zona Franca da Madeira: o paradigma defendido por Lobo Xavier, onde 2.435 empresas (81% do total) não têm trabalhadores, e o IRC liquidado em média por empresa é inferior ao IRS retido por trabalhador (Estudo de Eugénio Rosa)

(1) Para os que não se recordam, Roger Waters apelou ao boicote de Israel

terça-feira, agosto 13, 2013

Fidel Castro, 87 anos de uma vida irrepetível...

... perseguindo o ideal mais próximo do que se consegue imaginar como uma forma de governo com base popular, operário, democrático e patriótico

sábado, agosto 10, 2013

um Cavalheiro no Bordel europeu

Força Gnocca
Tal como na Cavalleria Rusticana a trama de Mascagni não tem nada a ver com cavalos, il Cavalieri , o popular “Silviuzo” italiano, não tem nada a ver com cavalheirismo e honestidade na governação do maior país do sul da Europa. E assim tem sido por mais de vinte anos, apesar do magnata dos Media ter inscritos na testa os genes da patifaria mais primária. De tal sorte que Berlusconi se gaba publicamente de ter sido ele quem indicou o nome de Durão Barroso para a presidência do Comissão Europeia. O modo como funciona a selecção de gente inimputável é, regra geral, sufragado em actos eleitorais viciados, que limpam do currículo dos mais altos dirigentes da EU todo o tipo de ilegalidades, actos de corrupção, abusos de poder, imposições anti-democráticas, enfim, esquemas mafiosos de extorsão de propriedade pública.

Sob o signo da impunidade, um tal clima pestilento de quando em vez aparenta (apenas aparenta) sintomas de rejeição. Desta vez Berlusconi foi apanhado, pelo meio de uma miríade de crimes e, tal como Al Capone, e condenado por um tribunal por fraude fiscal apurada no “caso Mediaset que já se arrasta desde 1994, cuja pena (suspensa) pode ser reduzida a “trabalho comunitário em prol da sociedade”. Brilhante. O ex-primeiro ministro italiano, 76 anos, líder integrante na actual coligação no poder, abandonou a barra do tribunal lavado em lágrimas (sendo consolado pela noiva Francesca Pascale, 27 anos, e candidata a um lugar no aparelho partidário de governo). A foto correu mundo e em Itália houve manifestações de apoio incondicional de acólitos: "Não me vergam, o Governo deve prosseguir" gritou-se de indignação no meio: “Condenaram Berlusconi e mais 10 milhões de italianos” (o número de votos que o patrão teve nas últimas eleições).

Tal como as mil caras de Berlusconi a lista de contas a prestar à Justiça (se a houvesse) é impressionante: 30 processos em 30 anos! Desde o proxenetismo e abuso de autoridade no caso Ruby com condenação de 7 anos de prisão e impedimento político perpétuo; a escutas ilegais no caso “Unipol”; suborno no caso “De Gregório” que envolveu a compra de votos de um Senador em Nápoles para provocar a queda do governo de Romano Prodi; as responsabilidades criminosas na loggia P2 da Maçonaria; as comissões financeiras pagas a Bettino Craxi; o caso Mondadori que envolveu a tentativa de compra de juízes; processos relativos a contabilidade falsificada; evidências de ligações à Máfia calabresa; promoção de raparigas “amigas” a cargos políticos, como a ex-conselheira da Lombardia e depois deputada Nicole Minetti, que mais não era que uma “madame” encarregada de arranjar miúdas para as orgias bunga-bunga, que acabou condenada a cinco anos por um tribunal de Milão por lenocidio… Segundo a ética vigente, nada disto é grave. O que é grave é que, segundo a Bloomberg, “a condenação de Silvio Berlusconi por fraude fiscal estar a prejudicar o esforço do governo em estimular uma economia que mostra sinais de estar ressurgindo duma recessão de dois anos”

sexta-feira, agosto 09, 2013

a divisão internacional de trabalho no paradigma neoliberal

por exemplo, comparando os Estados Unidos e a Indonésia

de um lado qualquer desempregado, sem trabalho, usa uns ténis de 150 euros... do outro lado, operários com montes de trabalho andam descalços porque o salário que auferem não chega para comprar sapatos. Basicamente é isto...

quinta-feira, agosto 08, 2013

o Governo trabalha laboriosamente no Desemprego

Ainda mal aconchegou os fundilhos à cadeira o clone do chefe do CDS destacado para o ministério da Economia (da classe dominante) já começou a debitar galgas: os números do desemprego relativos ao segundo trimestre deste ano medidos pelo INE estão actualmente em 16,4%,quando no trimestre anterior estava em 17,7%, isto é, o desemprego teria baixado 1,3 pontos percentuais.
Se houvesse um balão onde se soprasse para denunciar as mentiras dos politicos profissionais instalados no poder, o ministro Pires de Lima no minimo ficava sem carta, quando afirma que "embora face aos presentes dados devamos ser cautelosos, devemos continuar a trabalhar laboriosamente para baixar o índice do desemprego". Quem ouvir o homem não o leva preso, porque pretende indicar subliminarmente que o Governo tem alguma coisa de positivo a ver com isto...

Considerando o suposto aumento do emprego, na verdade Portugal só cria empregos com salários de 310 euros (principalmente em postos de trabalho sazonais durante Verão). "Importa referir, porém, que, com estes dados do INE, o desemprego nacional não desceu, mas sim aumentou. A situação está pior. As comparações fazem-se, sabe-se, homologamente, de forma a expurgar a sazonalidade. Face há um ano, há mais 59 mil pessoas desempregadas e a taxa de desemprego subiu 1,4 pontos percentuais". "Quando se compara a destruição do emprego (-182,6 mil postos de trabalho), no último ano, com a diminuição do desemprego, verifica-se que aquela é três vezes superior. A destruição duma parte da economia nacional prossegue a um ritmo elevado e assustador. A explicação da diferença, entre aquelas duas variáveis, o emprego e o desemprego, está certamente na migração. Assim, prever a taxa de desemprego para 2013 não depende, sobretudo, da evolução da economia nacional, mas incorpora necessariamente os fenómenos emigratórios" - num governo onde se faz questão de ninguém se lembrar de nada, Passos Coelho já não se recorda que mandou uma boa parte significativa da população emigrar

quarta-feira, agosto 07, 2013

Hordas sem organicidade e liderança, sem projecto nem objectivos politicos, apenas podem produzir rupturas anárquicas e não ameaçam, não se contrapondo, os interesses dos grandes grupos monopolistas multinacionais que sustentam governos ilegitimos

Os Estados Unidos, como hiperpotência imperialista candidata a criar uma nova ordem ditatorial global, financiam protestos de jovens no mundo inteiro que actuam manipulados sem que tenham disso consciência em "revoluções encomendadas... que são um grande negócio. A democracia acordou no Oriente Médio? O que parecia revolução espontânea , são na verdade eventos estrategicamente planeados e financiados coordenados por consultores, e orquestrados até aos mínimos detalhes. Estes "consultores de revolução" são o pesadelo de qualquer regime. O símbolo (OTNOP) destes "protestos encomendados" já eram divulgados e denunciados por Hugo Chavez! os OTPOR, cujo modelo se iniciou com Clinton no desmantelamento da Jugoslávia, seguem uma agenda determinada por Washington para alteração de regimes e são financiados pelos serviços secretos dos EUA. Eles operam principalmente nos países onde as potências ocidentais têm claros interesses . Dificilmente tais "revoltas" podem parecer coincidência...

 

terça-feira, agosto 06, 2013

que fazer com a mãe que pariu este rato?

talvez, roidos de pena e remorsos por tanto sofrimento, Portugal inteiro deva chorar lágrimas de crocodilo, dona Sacadura...

... ou talvez se deva limpar-lhe o curriculo ao filho e dançar, a dança do momento que está a dar em Portugal



Temos um "governo" cuja primeira preocupação é a da lavagem de cadastro dos seus componentes. 1. Paulo Portas limpou-se do Caso Moderna nomeando uma sua correlegionária para Ministra da Justiça (Celeste Cardona no governo de Durão Barroso) que manobrou e deu ordens para que os tribunais ilibassem o chefe; 2. o substituto de Portas nos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, comprou ao BPN e vendeu ao BPN 25 500 acções lucrando 150% "legalmente" segundo garantiu o próprio (tendo como exemplo e alto patrocinio o Presidente da República que fez a mesma jogada - isto é, praticamente toda a gente ligada ao PSD mamou da mesma teta fraudulenta que está a custar aos espoliados contribuintes portugueses mais de 9 mil milhões de euros); 3. Passos Coelho branqueou do curriculo o Caso Tecnoforma, graças ao padrinho, o truta Ângelo Correia, principal patrono responsável por o actual 1º ministro nunca ter trabalhado na vida... (c#h!al&?)

4. a ministra das Finanças pretende omitir contra todas as evidências o seu passado de compradora de créditos accionistas tóxicos, anteriormente vendidos por secretários de Estado dos actuais gabinetes governativos (1), não esquecendo o ex-funcionário da Morgan Stanley agora com assento no Instituto de Gestão da Dívida Pública; e 5. o Pedro Lomba e o Poiares Maduro com os seu briefings de conversa em familia com os agentes da comunicação social para distrair o povoléu da ladroagem, aos quais o provedor de um jornal de referência se referiu como sendo "tão-somente o fascismo a bater-nos ao de leve à porta"

segunda-feira, agosto 05, 2013

eleições sob o dominio da classe burguesa: a escolha entre a pívea democrática e o "que se foda"

George Carlin (1937-2008) Excerto da stand-up comedy "Sete Palavras que não se podem dizer em Televisão" ("Seven Dirty Words")



"É o Povo que não Presta"... pode ser entendido como um populismo redutor, porém, se olharmos para as elites que formámos nos último quarenta anos, há algo que precisa ser desmascarado: "o mito da geração mais bem preparada e qualificada de sempre" (!) Quando se fala de políticos, de justiça ou juízes, logo os associamos à Corrupção, ás mentiras, aos desvios de dinheiro público, à injustiça e impunidade, um flagelo que devasta todo o Portugal...!!! (Devido a incultura e imbecilidade de muitos milhões...). Como foi e é isto possivel? - com um povo maioritariamente imbecilizado foi fácil para espertos, corruptos e criminosos, seja do sector político, sindicatos burgueses instalados, associações de interesses partidários, religiosos ou bancários, implementarem leis que protegem a corrupção e as quais estão a proteger os mesmos?!... Até aos dias de hoje isso tem acontecido, aliás foram 39 anos, de supremacia financeira, e política, do PSD CDS e PS... Com a conivência silenciosa dos representantes do Vaticano em Portugal...!!! (que detém aliás a mais importante escola de formação de gestores capitalistas neoliberais do país)

Em Inglaterra há 176 universidades, o que representa 2,8 universidades por milhão de habitantes. A Espanha possui 105 universidades, o que corresponde a 2,2 universidades por milhão de habitantes. A Finlândia contenta-se com 42 universidades, o que corresponde a 8 universidades por milhão de habitantes. A demonizada Grécia, a grande irresponsável dos gastos acima das suas possibilidades (blá, blá, blá), detém 38 universidades, correspondentes a 3,6 universidades por milhão de habitantes. Portugal, todavia, ostenta (ridiculamente) o rácio mais elevado da Europa, que, lamentavelmente, para os alunos está longe de corresponder ao conhecimento elevado que era suposto ser proporcionado pelo Ensino Superior. Este pobre país, sob o jugo da extrema-direita política, apresenta, grandioso, “urbi et orbi”, 121 miseráveis universidades, o que corresponde a 11,5 universidades por milhão de habitantes.

domingo, agosto 04, 2013

Lorenzo Valla e o Enriquecimento Ilicito da Igreja

Foi o seu conhecimento da história do Império Romano, mais especialmente da história da língua latina [1], que permitiu ao filósofo humanista Lorenzo Valla (1407-1457) em meados do século XV, demonstrar que a chamada “Doação de Constantino” (Constitutum Constantini) um documento no qual o Imperador cedia os territórios do centro de Itália ao Papa e aos seus sucessores da Igreja Católica, não tinha nada a ver com Constantino o Grande (272-337) e que fora escrita séculos mais tarde, cerca do século VIII. O panfleto escrito por Valla entre 1439 e 1440 - “De falso credita et ementita Constantini Donatione declamatio” - contra a Doação de Constantino provou efectivamente que o famoso documento, pelo qual a autoridade imperial romana teria sido transmitida ao Papado, era uma fraude. Segundo Valla, o documento, longe do estilo latino clássico, e o vernáculo utilizado era tão bárbaro que tinha forçosamente de ser de uma data muito posterior àquela a que alegava pertencer. Por exemplo, os romanos da época de Constantino I não poderiam ter usado a palavra “sápatra” a qual consta várias vezes do escrito.

A “Doação de Constantino” sugere que Constantino, confessando a sua fé, tinha "doado" todo o Império Romano do Ocidente à Igreja Católica Romana [3] o que era entendido como um acto de gratidão por o Imperador ter sido milagrosamente curado da lepra por Silvestre I (Papa entre 314-335). Esta versão porém não tem fundamento, pois está documentado que Constantino padeceu de lepra incurável até ao final da sua vida, tendo então sido “baptizado com a intenção de lhe perdoar os seus pecados” [4] por Eusébio bispo de Nicomédia [5].

Silvestre abençoa a dádiva de Constantino (gravura do seculo XIII)
O documento foi ignorado até ao século IX. Em Roma, até ao ano 976 ninguém se lhe referia – o que é muito estranho, pois o mesmo fora pretensamente concebido em 315 e seria logicamente de execução imediata. Aqui começam as contradições. Já em 1001, o imperador Oto III rejeitou a autenticidade do documento. Até ao imperador Sigismundo, em 1433, a Doação era constantemente citada como autêntica. Nos debates medievais, a Donatio foi porém rejeitada muitas vezes e classificada como falsa, deixando o escrito definitivamente de ser levado a sério no século IX. A Doação, como “prova documental” forjada, começou a ser citada para apoiar o poder temporal do Papado, desde pelo menos o século XI, o que remete, obviamente, para as analogias com a “Doação de Pepino o Breve”, passando ao lado deste ter consagrado à Igreja todas as terras ocupadas pela tribo germânica invasora dos Lombardos a norte de Roma no ano de 754 (o Exarcado de Ravenna), bem como a Córsega, a Sardenha e a Sicilia, territórios que serviram de base à fundação dos Estados Pontificios no ano de 756 e não em 356 aquando do 1º Concilio de Niceia presidido pelo Papa depois santificado como “São Silvestre” sem que tivesse passado por qualquer “martirio” cristão [6].

Papa Eugénio IV
O trabalho de Valla ao provar que a “Doação de Constantino” era uma falsificação foi escrito a pedido do seu patrono, Alfonso V de Aragão. Alfonso estava em conflito com os Estados Pontifícios do Papa Eugénio IV [7]sobre uma disputa de territórios (conduzindo uma guerra depois da qual Alfonso seria coroado como Afonso I, rei de Nápoles) e o trabalho de Valla tinha decerto a finalidade de ser usado para enfraquecer ou, eventualmente, negar a autoridade e a reivindicação sobre esses territórios dados como adquiridos pela Igreja.

Valla, um conceituado filósofo que lutou para que não se perpetuassem antigos erros decorrentes de traduções defeituosas da rede de copistas a partir de Aristóteles e da Bíblia dos originais em grego, não pretendeu expor a “Doação” como expressão de ódio ao cristianismo...,

o Quarteirão Espanhol (Quartiere Spagnoli) em Nápoles na actualidade
... uma vez que ele próprio era antes do mais um cristão, agindo simplesmente para desmascarar os líderes da Igreja que ele sentia vinham ganhando demasiado poder ao começar a agir mais como Soberanos ligados à Propriedade Terrena do que a Autoridades Religiosas encarregadas de difundir a mensagem evangelizadora de Cristo (a partir do Céu). O ensaio começou a circular em 1440, mas foi fortemente rejeitado pela Igreja, não sendo formalmente publicado senão 77 anos depois (1517). Logicamente, tornar-se-ia popular entre os protestantes. Uma tradução em Inglês foi publicada por Thomas Cromwell em 1534. O polémica com Valla foi tão convincentemente argumentada que permanece até hoje como prova da ilegitimidade da “Doação de Constantino” e da forma como a Igreja Católica “Apostólica” de Roma se implantou e enriqueceu através da criação de uma Mitologia própria, apenas 400 anos após a passagem de Jesus pela vida terrena (se é que passou), estando já os principios da moral cristã à muito esquecidos (se é que até então, ao principio dos "Studia Humanitatis" do movimento renascentista, alguma vez tinham chegado a existir)...[8]

Fontes:
- Foundations of Modern Historical Scholarship, D. Kelley, no capítulo que relaciona Linguagem, Direito e História.
- “o Renascimento” – Peter Burke
- “Christianity and Paganism, 350-750: The Conversion of Western Europe” - J. N. Hillgarth
- "Dicionário do Renascimento Italiano", John R. Hale, tradução da Jorge Zahar Editor

Viva! então como vamos com a nossa parceria especializada em sugar o povo?
notas
1) “Elegantiari Libri” (Da Elegância da Lingua Latina, 1444)
2) Constantino foi uma figura controversa já na sua época: o último imperador pagão, o seu sobrinho Juliano, dizia que ele era atraído pelo dinheiro e que buscou acima de tudo, enriquecer-se a si e aos seus partidários — traço este (de saber enriquecer os amigos) que também foi reconhecido pelo historiador Eutrópio e pelo próprio Eusébio de Cesareia
3) Annuario Pontificio (Libreria Editrice Vaticana 2008)
4) Antes da sua própria conversão (durante a Batalha de Ponte Milvius em 312 em que venceu o rival Maxêncio e dividiu o Império com Licinio governando o Ocidente) Constantino doava mesmo toda a autoridade sobre as comunidades cristãs do Império do Oriente (Antioquia, Jerusalém, Alexandria e Constantinopla) e entregava as Igrejas de Latrão, de São Pedro e de São Paulo – fora dos muros de Roma -, terras situadas em diversos pontos do Império Romano, como a Judeia, Grécia, Trácia e Ásia Menor, outorgando ao Papa a faculdade de promover senadores do Império ao nível de Sacerdotes – uma rede que pretensamente teria fundado a Igreja e cujo chefe seria o Papa como Pontifex Maximus (Sumo Sacerdote).
5) Na Idade Média não era incomum a falsificação de documentos com a finalidade de induzir determinadas ideias. Nos séculos XI e XII, por exemplo, diversos documentos falsos foram produzidos para difamar os Papas, declarando a deposição de clérigos, excomunhões e condenações ao cárcere.
6) “São Silvestre”, com o evoluir da mitologia católica virou o santo cujo dia se comemora na passagem de ano a 31 de Dezembro (infopedia)
7) Eugénio IV foi o autor, entre outros mimos, da bula Rex Regnum que incentivava o tráfico de escravos (wikipedia)
8) Humanismo Renascentista (wikipedia)

sábado, agosto 03, 2013

o Proletário segundo Marx: "exijo o valor da minha mercadoria, como qualquer vendedor"

"E tu ó Salário, porque é que não cresces!? todos os teus amigos, o Combustivel, o Pão e o Bife já estão bem crescidos agora" 

 "Marx n’O Capital, coloca nos seguintes termos o discurso do trabalhador que «subitamente» toma a palavra «quando estava emudecido no turbilhão do processo produtivo»: «tu e eu só conhecemos, no mercado, uma lei, a da troca de mercadorias. E o consumo da mercadoria não pertence ao vendedor que a aliena, mas ao comprador que a adquire. Pertence-te, assim, a utilização da minha força diária de trabalho. Mas, por meio do seu preço diário de venda, tenho de reproduzi-la para poder vendê-la de novo (…) preciso ter amanhã, para trabalhar, a força, a saúde, a disposição normal que possuo hoje. Estás continuamente a pregar-me o evangelho da parcimónia e da abstinência. Muito bem: quero gerir o meu único património, a força de trabalho, como um administrador racional, parcimonioso, abstendo-me de qualquer gasto desarrazoado (…) sem fazer apelo ao teu coração, que quando se trata de dinheiro não há lugar para bondade». 

O humor de Marx é conhecido, mas esta passagem é, por inteiro, para levar a sério: este é o ponto de partida de todo o trajecto de luta que levará à revolução e ao socialismo, mas ele começa aqui, neste ponto e desta forma. O primeiro utensílio teórico de que o trabalhador dispõe para se bater com o patrão é, nada menos, a própria moral de classe do patrão. Coloca-se a si mesmo num ponto análogo (e não diferente, e muito menos antagónico) ao de quem o explora, reconhecendo abertamente com quem aprendeu («estás continuamente a pregar-me», note-se!), e manejando, a seu favor, a moral de classe da burguesia. Marx não podia ser mais claro quando, linhas abaixo, põe na boca do operário a sua primeira reivindicação: «exijo uma jornada de trabalho normal [sic], porque exijo o valor da minha mercadoria, como qualquer vendedor». É escusado repetir o que acima vai dito: a primeira reivindicação dos trabalhadores é, claramente, uma reivindicação «comercial», decalcada dos códigos de conduta e das regras que normalizam o capitalismo. Os homens são em essência, é bem verdade, a soma das suas condições sociais" 

(in 5Dias, João Vilela: A Sagração da Desigualdade – II: Pobrezinhos mas Honestos)