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quinta-feira, outubro 31, 2013

Berlin Alexanderplatz: o Fascismo sairá Vitorioso?

(Por altura da re-exibição da obra-prima de Reiner Werner Fassbinder no âmbito do DocLisboa e da Instalação evocativa no Museu da Electricidade, republica-se este post de 2008, pouco visto na altura, actualizado, cujas transcrições em video no you-tube tinham sido entretanto caçadas pelos "direitos de autor").

 Franz Biberkopf é libertado da prisão, para onde foi lançado por um crime que não cometeu, e tem medo da liberdade, e esse é precisamente o título do primeiro episódio: ao adquirir a liberdadeo Castigo Começa
Não por acaso, o primeiro encontro de Biberkopf ao sair da cadeia é com um judeu tradicionalista, um personagem nada gratuito num país ocupado por imigrantes semitas vindos do leste que ocupavam o espaço público a todos os niveis: comercial, industrial e financeiro, cultural – todos os despojos sobrantes do 2º Reich do Kaiser derrotado estavam quase exclusivamente nas mãos da comunidade judaica, na Berlim (tal como na Nova Iorque) dos anos 20 e 30, no limiar daEra da Técnica”, em vésperas da Alemanha enveredar pelo nazismo. Hitler, eleito pela democracia, pela inoperância capitalista social democrata da “República de Weimar” (os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres) será a resposta às condições degradadas do povo alemão, obrigado a cumprir as imposições vexatórias do Tratado de Versalhes, corolário da vitória europeia na 1ª Grande Guerra das potências fundadas no comércio ultramarino: a França e Inglaterra. Na Alemanha a vida não pára - prossegue ao som da música de Paul Godwin.



Berlin Alexanderplatz é um retrato vibrante da Berlim da classe operária e do submundo da cidade, a história daqueles que não se safam - no crepúsculo duma Alemanha que esteve a um curtíssimo passo de se transformar num Estado Socialista. O filme começa com uma cena comparável a um nascimento, em que o protagonista Biberkopf sai de um mundo isolado, fechado, a prisão de Tegel, para o assim chamado mundo real – onde é preciso lutar duramente pela sobrevivência, recorrendo a todas as possibilidades de truques de vida, a esquemas fantasiosos, ao recurso a humilhantes empregos precários, à prostituição.  

De tombo em tombo, cada um para um grau de degradação cada vez mais abjecto, o protagonista acaba por aprender à sua custa e reconhecer que “aquilo que parece ser o destino é, afinal, obra de seres humanos”. Apenas se mantém lúcido em nome de um amor livre, nihilista, que afinal se revelará ser muito caro, condicionado pela impossibilidade de sobrevivência económica: “Fiz hoje um juramento, e tu és minha testemunha: de hoje em diante serei sempre honesto” – Biberkopf , um homem inesquecivel para quem com ele priva, de boa natureza, pacato e terno, quem se mostra passivo é tomado por idiota, modificado pelo meio, voluntarioso, violento e brutal concluirá que “por outro lado sempre se pode amputar uma jura” – este é o título do segundo episódio. (do total de 13 episódios e um Epílogo concebidos como cinema para o pequeno ecran de televisão com o total de 931 minutos filmados (em1980, em versão resmasterizada de 2007 em 35 m/m) como autêntico monumento de homenagem aos primórdios do cinema não comercial).



Rainer Werner Fassbinder na sua magnus opus faz um amargo comentário estético, (muito distante do decorativismo burguês de Visconti), ao futuro do homem que sobreviveu no interior da alma dividida de Franz Biberkopf derrotado pela leitura filosófica do vencido da vida, sem perspectivas, objectivos ou trabalho: a “Internacional” comunista é gradualmente abafada pela canção nazi “Horst Wessel”. Franz Biberkopf decide mostrar ao mundo que ainda não viram o seu melhor – enveredando de novo, para enfrentar a vida, por actividades marginais e criminosas que irão culminar em tragédia, depois de todas as provações está agora preparado para se tornar num fiável e obediente cidadão do futuro Terceiro Reich.
Berlin Alexanderplatz é a poesia em imagens, embora a mensagem amarga não augure nada de bom. Como em “Dov’è la Libertà?” de Rossellini onde se defende a tese de que “o ser humano é incapaz de ser livre, sente a imperiosa necessidade de estar acorrentado, tendo para tanto inventado a existência dos deuses”, de modo a que as leis fossem invioláveis; entregues ao diktat de homens providenciais

Epilogo, Biberkopf no Purgatório



Stamina Cinema” – significa energia, vigor, capacidade de resistência, perseverança, robustez. O termo mais aproximado em português será “estaminal”, as células com capacidade de se renovar, de se dividir indefinidamente – se existissem preceitos constitucionais para a investigação das várias verdades "Berlin Alexanderplatz" seria o filme orgânico, constitucional.
Permanecerá, em conjunto com o épico histórico “Hitler, Um Filme Sobre a Alemanha” de Hans-Jurgen Syberberg, como a memória da Alemanha sonhada dos pequenos burgos, como Ausburg, pequenas comunidades da Idade Média que para se escaparem das guerras religiosas (no século XXI outra vez tão em moda), evoluiram para o conceito de “Nação” que, fechando a elipse, na modernidade regressa à nação alemã – mas, subsumida no nazismo e na neo-colonização do pós guerra também essa Alemanha já não existe
.

quarta-feira, outubro 30, 2013

Greenspan: peço desculpa pelo ligeiro "lapso" que tive e lança milhares de milhões na miséria

Postas 10 questões ao ex-responsável pela Reserva Federal na habitual rubrica da Time Magazine, “Alan Greenspan fala sobre o medo, a repugnância e a sua dança preferida” (sic). Trocado por miúdos, para quem se der ao trabalho de saber ler nas entrelinhas, Greenspan admite tudo o que já sabíamos, que um governo que seja devedor já não é soberano, que o credor torna-se ele automaticamente o soberano. No caso dos EUA do consórcio de bancos privados congregados na Reserva Federal que exigem a privatização da globalidade dos negócios; no caso de Portugal, o devedor é servo do credor imperialista, primeiro do alemão por via do Banco Central Europeu e, em última instância, do imperialismo plutocrata norte-americano, uma vez que "a Alemanha nunca mais foi completamente soberana em momento algum desde o 8 de maio de 1945”, citando a recente frase do ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble. Fica a tradução da entrevista ao emigrante judeu ucraniano que singrou na alta esfera financeira e mandou nas emissões de dólares por mais de vinte anos.

Tm - Porque deu o titulo ao seu novo livro de “O Mapa e o Território”?
A.Gr- É suposto o mapa ser a moldura conceptual do mundo. O território é o mundo verdadeiro, e este nem sempre é quadrado. Tento representar aquilo que se passou e aquilo que eu não entendi.

Tm - Qual foi a maior mudança de pensamento que teve desde 2008?
A.Gr - A que me mudou (quando o Lehman Brothers colapsou) a 15 de Setembro. As percepções mais básicas que tinha sobre economia baseavam-se na presunção de que os seres humanos seriam racionais, olhando para os seus interesses a longo prazo. O verdadeiro choque que senti foi aquilo a que chamamos “o espirito animal” teria uma certa consistência sobre isso – por outras palavras, você pode demonstrar que o medo é uma emoção muito mais poderosa do que a euforia ou a ganância. Tudo isso mudou completamente a maneira como eu olhava o mundo. Comecei por rascunhar equação sobre equação. Aprendi mais nestes últimos dois anos do que aquilo que tinha aprendido nos últimos dez.

Tm - Então como propõe que se possa medir algo tão irracional como o medo?
A.Gr - Prefiro chamar-lhe “não-racionalidade”. Isso mede-se indirectamente olhando para os “spreads” (1) das taxas de juro, por dois ângulos, o do valor do crédito concedido e o do prazo de maturidade dos títulos. Hoje 30 anos de títulos do Tesouro americano, yelds (2), têm uma produtividade de mais de cinco anos por cada ano, a maior margem da história. Os activos de maior prazo são muito mais recompensados. Isto deveria pressupor uma retoma normal. Mas tal não se verifica, por causa do alto grau de incerteza.

Tm - Sabendo o que sabe hoje, o que teria feito de diferente durante o tempo em que esteve à frente da FED?
A.Gr - Que não é o tipo de activo que interessa, titulos de empréstimo, hipotecas, ou acções (3) – mas sim o seu prazo de duração. Sempre soube que o valor da dívida é importante, e se eu pudesse voltar atrás e recalibrar a minha psique e o completo entendimento de quão tóxico o endividamento é, isso teria dado uma ajuda imensa.

Tm - No seu livro sugere que a forma de resolver a doença da economia é cortar nos benefícios sociais?
A.Gr - Não. Parte do caminho de saída é abrandar a prestação desses benefícios. Mas, muito para minha surpresa, os benefícios sociais estão a congregar muitos investimentos privados e poupanças para essa área (4). Os dados disponíveis são muito claros a esse respeito.

Tm - Vc esteve em funções durante o mandato de quatro presidentes. Quanto prejudicial é haver discórdias em Washington?
A.Gr - Nunca vi a questão desse modo. Claramente, o problema é menor com o Partido Republicano. Se se produzir dossiers que não sejam susceptiveis de um compromisso, não podemos ter leis aprovadas.

Tm - Escreveu que uma das coisas que poderiam ter prevenido a crise seria ter aumentado o capital que os bancos deveriam possuir como reserva. Tinha, ou tem, algum remédio em mente?
A.Gr - Sim – seja o que for que se pense, vai para além disso. O processo crítico é contagioso. Não se pode ter um sistema financeiro com os bancos a fazer tropelias horríveis com as hipotecas, mas se eles estivessem bem capitalizados, todas as perdas teriam sido apenas para os accionistas.

Tm - Nesse caso, mudou a sua oposição à regulamentação dos bancos?
A.Gr - Com certeza! Foi errado. Tem de se regulamentar o sistema. A minha preocupação acerca da regulamentação é que ela pode ser muito mais vingativa do que curativa.

Tm - Sente-se pessoalmente responsável pelo que aconteceu?
A.Gr - Sou responsável por imensas coisas! Algumas boas, outras más. Mas sou realista. Se tivesse actuado de acordo com o que sei hoje, nessa altura teria feito melhor? A resposta é não!

Tm - Lemos algures que Vc gosta de dançar. Tem algum género preferido?
A.Gr - O tango. Mas já não me sinto capaz. Apenas danço fox-trot. Sou eu que arrasto a minha mulher pela pista de dança.

Nota à margem: Greenspan tocou clarinete quando era estudante num conjunto de jazz ao qual pertencia igualmente o grande Stan Getz, igualmente filho de judeus, falecido em 1991. Mais valia que na altura o filho dos judeus do leste europeu Grünspans se tivesse engasgado mortalmente com o pífaro. As pessoas racionais se soubessem o que irão saber amanhã agradeceriam...

Colapso Económico, Fome e Miséria Programadas (Infowars)



Breve tradução de alguns termos da gíria capitalista
(1) "Spread", diferença entre o preço de compra (procura) e venda (oferta) de uma acção, título ou transação monetária
(2) “Yield” é a taxa de rendibilidade anual de um activo. Representa o retorno efectivo de uma obrigação de taxa fixa, tendo em conta o preço a que foi adquirida e a taxa de juros que é paga periodicamente em cada ano que passa.
(3) Companhias de Accionistas detentoras de "Stocks", o capital detido no investimento numa empresa que se reproduz com juros periódicos.
(4) "Crowding out" – o aumento da dívida pública sugere a transferência do investimento para a área das empresas privadas, libertando assim o Estado de gastar recursos que não possui. Em última instância, é o Poder financeiro quem decide quem tem ou não tem, investe, ganha ou perde.
(5) "Economic forecasting" - literalmente "Previsão económica" depois das grandes linhas macroeconómicas estarem previamente definidas, condicionando as "previsões" económicas comuns que são badaladas ´nas televisões e outros meios desinformativos.

terça-feira, outubro 29, 2013

Mapa comparativo do poder de compra por regiões na Europa


Portugal era, em 2010, o país da UE-27 que apresentava uma maior concentração do rendimento nos grupos do topo da distribuição, nomeadamente nos 1% mais ricos. Os 20% mais ricos abocanhavam 42,2% do produto, destes os 10% mais ricos ficavam com 27,2%, e finalmente, os 5% mais ricos com 17,1%. Esta era a situação dois anos depois do inicio da Grande Depressão de 2008. As desigualdades passados 5 anos de "crise" agravaram-se, As classes médias foram gradualmente perdendo rendimento real, empobrecendo, aproximando-se das camadas mais desfavorecidas, a raiar a miséria. O que traz à actualidade a famosa questão posta por Garrett nas “Viagens na minha terra" (1846): “quantos pobres são necessários para fazer um rico? – Passados 21 anos Marx publicaria o primeiro volume de O Capital (1867) e o modo como as relações sociais evoluem passaria a ser perfeitamente compreendida em função do modo de acumulação capitalista - “só nos recentes idos de 2010, 21 grandes grupos económicos em Portugal arrecadaram de lucros líquidos cerca de 10 mil milhões de euros, mais 150 mil por cento do que em igual período de 2009
fontes: 
          Gráficos

segunda-feira, outubro 28, 2013

está decretado que a crise acabou; Cavaco depois de cumprir a missão que lhe foi encomendada acabou, quem ganhou, ganhou!..., quem perdeu, perdeu!...

“A vitória das ideias é a vitória dos portadores materiais das ideias” (Bertholt Brecht)

(1) Não há mal que sempre dure, nem mal que se acabe. Saidos de uma nebulosa, exterior e muito ao gosto do nóvel "o povo unido não tem partido" (patrões e assalariados juntinhos com os mesmos interesses num neo-corporativismo), perfilam-se os candidatos que venham tomar conta do próximo ciclo. Com a lenga-lenga dos partidos institucionais completamente desacreditada, venham então os discursos "apartidários" mais ou menos inflamados. Trata-se, como se pressente, da conhecidissima "canção do bandido" para aglutinar, concentrar e fundir os diversos grupos de interesses numa amálgama única ao centro (Centrão) capaz de nadar no pântano e afogar a franja à esquerda. "Quando a direita não conseguir chegar ao poder, vai induzir a sociedade a não gostar de politica"; (o embuste está em que a direita nunca sai do poder) e seguindo o mote do ex-presidente social democrata do Brasil, o nosso bom mas pouco recomendável Sócrates (2) sentiu-se "em grande forma para voltar a politicar". Para de imediato ser impiedosamente demolido pelo comentador pau-de-dois-bicos do regime.

"Temos a consciência que estamos a assistir a um ciclo de uma espécie de ultraliberalismo iniciado com os mandatos de Thatcher e Reagan (...) os Partidos são absolutamente decisivos e centrais na nossa vida politica, mas em Portugal, e no resto do mundo, transformaram-se em máquinas para ganhar eleições e, muitas vezes, perderam uma certa ligação à sociedade (a quem?), que acho decisivo que os partidos reconquistem hoje em dia (...) é preciso abrir os partidos a gente de fora; assim, as decisões deixariam de ser tomadas num círculo fechado de interesses". É preciso mudar para que tudo permaneça na mesma", como disse um qualquer pivot de telejornal, a frase é de Burt Lancaster, e o equivoco é aflitivo, tanto mais que topa-se à légua que professor Sampaio da Nóvoa é levado ao colo pela velha ala de Mário Soares.
Por outro lado, vem ganhando força a ideia que o professor Marcelo será candidato à presidência da república; assim mesmo, como letra pequenina que é o tamanho que a coisa actualmente tem. Dizem que o professor tem potencialidades - diz o próprio dele próprio que "será dificil encontrar um candidato de direita"; a meio do jogo os espectadores mostram-se cépticos: será mais do mesmo? que dúvida mais cretina!. O método nunca falha, pelo menos não tem falhado (para os donos do país) nos últimos 40 anos. Esclarecendo o embróglio: quem não aparece na televisão não existe - e este é mais um boneco que vêm pondo em frente às fuças do zé pacóvio. Mas que potencialidades tem Rebelo de Sousa? não dá para ver que isto não é um problema de bonecos ventriloquos de discurso bem-falante , mas sim de estruturas de dominação ocultas que mediatizam actores de 2º plano (vidé Ronald Reagan) para representar papéis secundários... enquanto a verdadeira peça só é vista e usufruida por um grupo restricto do clube das elites?

Na época desta fotografia (com os êxitos do bordel capitalista a multiplicar-se de acordo com a mega-confecção de dinheiro e a respectiva hiperinflacção que lhe está associada), um dono de Show posa cercado de uma familia horripilante de bonecos. Jules Vernon ficou cego de um olho na meia idade, mas só se reformou compulsivamente quando um carro (metaforicamente guiado por Hitler) o atropelou mortalmente em 1937. (daqui chegam sempre mais)

(1) ora aqui está a retoma económica...
(2) "(Eu?) nomeei para a Caixa um tipo do PSD, o Mexia para a EDP... E fala-me em amigos pouco recomendáveis?"
(3) "o mundo caminha para regimes ditatoriais apoiados nas tecnologias"

domingo, outubro 27, 2013

Lewis Allan "Lou" Reed (1942-2013)

"Just a perfect day/ feed animals in the zoo/ Then later/ a movie, too, and then home/ Just a perfect day/ problems all left alone/ Weekenders on our own/ it's such fun/ Just a perfect day/ you made me forget myself/ I thought I was/ someone else, someone good". O intérprete perfeito para os tiques existenciais das cricas nova-yorquinas. Nasceu no seio de uma familia judaica em Brooklyn;  pareceu que apenas caminhava pelo lado selvagem; Foi considerado o 81º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone. Foi o cantor preferido dos norte-americanos em 2013 (mais sexy e o mais bem pago). (o resto da biografia aqui)

sábado, outubro 26, 2013

Putas, Pretos e Parcerias estratégicas

a Polícia Federal brasileira desarticulou uma rede de tráfico internacional de mulheres e emitiu um mandado de captura contra o General (dito empresário) angolano Bento dos Santos 'Kangamba', sobrinho por afinidade do Presidente de Angola... acusando-o de chefiar uma rede de tráfico de mulheres brasileiras destinadas a Angola onde eram oferecidas a clientes de alto poder económico, e a outros centros de prostituição no estrangeiro. O General é dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o mesmo partido do Presidente, e tem influência no governo através da sua mulher, uma filha de Avelino dos Santos, irmão do Presidente".

Como noticia 'O Estado de São Paulo', esta não é a primeira vez que o nome do General Kangamba aparece nas páginas dos jornais internacionais, que o dão como envolvido em casos de polícia: em França, a 14 de Junho, segundo noticiou então o jornal La Provence, a polícia alfandegária francesa apreendeu perto de 3 milhões de euros encontrados no porta-bagagens de dois Mercedes de matrícula portuguesa, e deteve cinco indivíduos, de nacionalidade portuguesa, angolana e cabo-verdiana, acusados de branqueamento de capitais e crime organizado

Kwanzas are Welcome
Na sequência, transportados em automóveis saídos de Portugal com destino ao Mónaco quatro indivíduos apresentaram-se  na esquadra de Montpellier para libertar os ocupantes detidos na primeira viatura e recuperar o dinheiro, tendo sido também detidos - "O Bento [Kangamba] explicou-me que as apostas nos casinos do Mónaco são muitos elevadas e podemos chegar a gastar oito mil euros em cinco minutos", justificou-se o angolano José Francisco (conhecido na giria como o "Chico Kamanguista”) pelas elevadas quantias transportadas. A investigação acredita que os criminosos movimentaram cerca de 45 milhões de dólares (14,7 milhões de euros) com o tráfico internacional de mulheres, nos últimos seis anos. Na parte angolana do caso, as mulheres eram aliciadas em casas nocturnas de São Paulo pelos membros da rede, que ofereciam 10 mil dólares (7.290 euros) para que elas se prostituíssem por uma semana em Angola. Nesse mesmo mês o General Bento Kangamba passou quatro dias em Barcelona, Espanha, onde o presidente Eduardo dos Santos também se encontrava em visita privada, iniciada a 26 de Junho.

Após a sua saída precipitada do principado de Mónaco, onde se encontrava com uma corte de 20 amigos, o general e dirigente do MPLA regressou a Portugal (1). Entre os documentos apreendidos ao Chico Kamanguista, a polícia francesa encontrou documentos pessoais de transacções de diamantes entre Angola, Suiça e Israel. Nessa mesma ocasião, o "General" feito à custa de milhares de estropiados pela guerra em Angola com a qual enriqueceu, foi também noticia por ter comprado uma casa no mesmo condomínio privado do internacional português Ronaldo, em Madrid. Em Portugal o sobrinho de Eduardo dos Santos é o principal patrocinador do clube de futebol Vitória de Guimarães, que aliás tem as iniciais 'B K' estampadas nas camisolas de jogo, havendo um protocolo entre este clube e o Kabuscorp campeão nacional de Angola. Apesar do mandato accionar a Interpol, as autoridades brasileiras dizem não ter a menor esperança que o acusado e um outro comparsa (Carlos Silva, funcionário de Bento Kangamba em Portugal) venham a ser detidos, obviamente, nem no seu país, nem em "paises amigos". Mas será preso caso desembarque no Brasil. Portanto, por esta banda, a Máfia angolana estará também mal de "outras parcerias alternativas" a Portugal.

(fontes: Jornal brasileiro Estadão, Diário Digital e Maka Angola)

adenda:
(1) Bento Kangamba escapou-se à detenção em França invocando imunidade diplomática... na qualidade de membro da Casa de Segurança do Presidente da República, no gabinete dirigido pelo General Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” (ler mais)

adenda II
O General Kopelipa, não é um angolano qualquer... é o nº2 do Regime... comprou vinhas no Douro, é accionista de vários bancos e gaba-se de possuir a casa mais cara do Algarve...

sexta-feira, outubro 25, 2013

se os trabalhadores dos CTT deixarem...

Os serviços postais portugueses vão ser a empresa com mais capital privado após a privatização.
Apenas em cinco paises dos 28 da União Europeia os Correios sairam das mãos do Estado, apostando na dispersão do seu capital para especulação em Bolsa.

"Os trabalhadores dos CTT estão em greve por 24 horas (até ver), com adesão de 95% nos centros de distribuição de Lisboa, Coimbra e Porto... mesmo com as provocações de última hora por parte da administração que quer impor horas extras ao sábado para colmatar as insuficiências de serviço provocadas hoje" (via facebook). Entre outras peripécias e originalidades, como as de serem os administradores a abrir as portas e a funcionarem sozinhos, a PSP não deixou sair os camiões guiados por operadores externos por não haver ninguém que passasse as guias de transporte. Pois é, ... fatal como o intestino,  

Heróis da Pequena Burguesia (Salvador Allende)

24 de Outubro de 1970. Salvador Allente é eleito Presidente da República do Chile. Houve festa da rija, a "esquerda" embandeirou em arco. Por coincidência estreia hoje o DOCLisboa, onde um ciclo dos principais documentários a exibir versa precisamente sobre "O Golpe Militar no Chile: 40 Anos depois 1973–2013". Uma questão que não irá estar em cima das moleirinhas assentes nas poltronas da Culturgest será esta: que acontece quando um regime de esquerda que se diz vitorioso por ganhar eleições organizadas pela burguesia se nega a aplicar a "Ditadura do Proletariado"?... naturalmente, as facções opostas conjugam esforços e aplicam implacavelmente a "Ditadura da Burguesia"



As investigações sobre os assassinios de militantes de esquerda no Chile do ex-"Presidente" Augusto Pinochet ainda continuam, 40 anos depois. Ainda esta semana "um juiz chileno acusou 79 ex-agentes da policia secreta da ditadura pela morte e desaparecimento de 8 militantes comunistas entre 1976 e 1977. O regime de Pinochet, entre 1973 e 1990 foi criminosamente implacável com os opositores, deixando um registo de mais de 3.200 mortos e 38.000 vítimas de tortura" (DN, 23 Outubro)


Estará o Chile de hoje, formal e pomposamente democrático, liberto do fascismo? as raizes do mal, como regra assumida pelo sistema de dois partidos únicos, não são de todo expurgadas. Duas mulheres concorrem nas próximas eleições de Novembro à Presidência: pela esquerda a regressada Michelle Bachelet, pela direita Evelyn Matthei ministra do Trabalho nomeada pela União "Democrática" Independente. As duas mulheres são amigas de infância; as sua familias conviviam intimamente entre si. Ainda hoje Bachelet trata o pai de Evelyn carinhosamente por "tio Fernando", que é nada mais nada menos que o General Fernando Matthei, ex-ministro da Saúde e membro da Junta Militar da ditadura de Augusto Pinochet. Quando o socialista democrático Allende venceu as eleições em 1970 iniciou-se a clivagem nas Forças Armadas chilenas. Na década de 60 o então capitão Fernando Matthei prestava serviço no quartel de Antofagasta. Entre os outros 60 oficiais estava o seu amigo, também capitão, Alberto Bachelet, pai da jovem Michelle.

Nas eleições de 1970, os dois amigos seguiram caminhos diferentes. Bachelet votou em Salvador Allende. Matthei, no conservador ex-presidente Jorge Alessandri e a Time Magazine titulava em grandes parangonas haver "uma ameaça Marxista nas América Latina". Depois da vitória Alberto Bachelet foi promovido a General e ocupou o cargo de Ministro da Distribuição Alimentar no governo de Allende. Passados 3 anos, no dia 11 de Setembro de 1973 trabalhava no Ministério da Defesa, em Santiago do Chile. Por se negar a apoiar o golpe, foi preso naquela mesma manhã. Em Março de 1974 foi levado para os calabouços da Academia da Força Aérea, transformada em campo de concentração de prisioneiros, onde depois de uma sessão de tortura na manhã do dia 12 morreu de paragem cardíaca. Tinha 51 anos. Era então director dessa mesma Academia o Brigadeiro Fernando Matthei, que hoje é vivo e jura a pés juntos nunca se ter metido em nada. O resto da história, todo já todo o mundo sabe. Sempre discreta, a ponto de conviver alegremente com o assassino do pai, Michelle Bachelet foi nomeada ministra de Saúde, depois da Defesa, e acabou eleita Presidente da República em 2006. Quando abandonou o cargo em 2010 Bachelet tinha um indice de popularidade superior a 80% - hoje tem entre 60% a 43% de previsão de votos nas sondagens; Feita a amálgama ao centrão, os "dois lados opostos" reencontram-se mais uma vez... nas Presidenciais.

adenda
Com a devida vénia, passa-se para o rosto deste post o comentário deixado por um amigo: «Só os canalhas ou os tolos podem pensar que o proletariado deve conquistar primeiro a maioria em votações realizadas sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravidão assalariada, e depois conquistar o poder. Isso é o cúmulo da estupidez ou da hipocrisia, é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o velho regime, sob o velho poder» V.I Lenine 1919. Eis tudo.

quinta-feira, outubro 24, 2013

II Congresso Internacional Karl Marx (actualizações & revisionismos da teoria marxista do Trabalho, do Capital e da Luta de Classes)

* "Os Donos de Portugal: Estado e Classes Sociais: a recomposição da Burguesia em Portugal a partir do poder de Estado", por Jorge Costa, Adriano Campos, Nuno Moniz (quinta-feira 10,30h)

* "De que falamos quando falamos de Classe Trabalhadora? Toyotismo, empreendorismo e processos de recomposição produtiva e simbólica" por João Valente Aguiar (quinta-feira 14,30h)

* "As Transformações no mundo do Trabalho na visão de António Negri" por Mariangela Nascimento (sexta-feira 10,00h)

* "Marx, Money and Credit: On Marx theory of Money" por Mariana Mortágua, (sexta-feira 14,00h)

* "Da Ditadura do Proletariado à Cessação do Estado" por Tiago Ramalho 
(sábado 9,30h) 

* "Marxismo e a Grande Depressão de 2008" por Francisco Louçã e Stathis Kouvelakis (sábado 11,00h)  
 
* "A Actualidade do Comunismo" por Bruno Bosteels (sábado 13,00h)

quarta-feira, outubro 23, 2013

Britney Spears admitiu que o seu mais recente trabalho é inspirado nos escritos de Karl Marx.

A produção baseou “o meu mais recente disco no estudo de toda uma vida de sacrifício do pai do comunismo, num forte desejo de defender a causa do proletariado (…) sempre cantei o relacionamento entre as pessoas e os sistemas económicos que regem as suas vidas, por exemplo, a exploração do poder de sedução do capital em “Gimme More” (Dá-me Mais…). Quando eu no vídeo de promoção chicoteio uma mulher usando equipamento de escravidão, isso é uma metáfora"; "Dog Work” (Trabalhar que nem um Cão, ou uma Cadela) é uma sátira ao fetichismo da mercadoria, onde sublinho que os verdadeiros donos dos meios de produção são os próprios trabalhadores, que devem ser parte da decisão da escolha daquilo que produz”.

Britney Spears defende a teoria marxista do trabalho como valor? o Show.Bizz canibaliza tudo o que alcança – e assim sendo, está inventado uma espécie de “marxismo-disney” para a garotada de programa de esquerda… Britney Spears começou a trabalhar na Broadway aos 8 anos de idade; aos 12 já pertencia ao Mickey Mouse Club da Disney Corporation e 5 anos depois, com 17 anos já era uma grande estrela global; Como conseguiu esta Minnie bater este recorde? Quem mexe os cordelinhos desta marioneta musical?

terça-feira, outubro 22, 2013

safar os ricos, enterrar a classe média ("os pobres não vão a manifestações")

No “18º do Brumário de Louis Bonaparte” (1869) Marx identificou dez classes sociais e fracções de classe interagindo e lutando entre si pelos seus interesses. Marx previu que haveria uma polarização entre as duas classes principais consoante o processo de concentração da produção capitalista avançasse, entre os detentores dos meios de produção (a burguesia) e o proletariado (aqueles que nada mais possuem para além da sua força de trabalho para venda mediante o pagamento de um salário)

A tendência de declínio das Classes Médias começou na década de 90, quando se agravou o modo de exploração proposto pelo Neoliberalismo e as classes médias foram gradualmente perdendo rendimento real, compensado parcial e artificialmente pelo acesso facilitado ao crédito barato; ao mesmo tempo que se verificou um incremento da riqueza nos escalões mais altos. Esse processo foi colocado em risco com a crise de sobreprodução de 2008. Associado ao modo de desenvolvimento e acumulação capitalista assistimos neste momento a uma efectiva proletarização da pequena burguesia e dos pequenos proprietários. Afinal, com as medidas de salvação da burguesia e dos seus bancos, a polarização social, conforme Marx havia previsto, voltou a reemergir, com os extractos intermédios a empobrecer e a aproximar-se das camadas mais desfavorecidas, a raiar a miséria.

Portugal, uma Sociedade de Classes

Depois do gag governamental que permitiu a Paulo Portas ascender a vice-primeiro Aldrabão, e ao contrário do papel que o homem vinha anteriormente desempenhando irrevogavelmente, há um novo e brutal pacote de medidas de austeridade. E sobre isso, diz a a sua partner, Miss Swap: “não é altura para recuar. A economia portuguesa está a sair da recessão (...) é preciso recordar que a burguesia em Portugal esteve perto de uma situação de "falência desordenada" . Do desempenho orçamental destes pantomineiros, note-se que, estrategicamente, a TSU de Portas não avançou com esse nome, mas as medidas alternativas são tão brutais que a Troica ao pé destes tipos parece uma associação humanitária. Não admira portanto que a malta tente fazer manifestações de apoio à intervenção estrangeira dos credores nas decisões politicas nacionais
660 mil funcionários públicos 1) são atingidos com cortes de 506 milhões de euros. Para 165 mil os cortes duplicam. IRS sobre salários sobe 3,5%. Serviço Nacional de Saúde fica com menos 300 milhões – os cortes nos hospitais em 2012 criaram um buraco de 230 milhões só num ano, porque os responsáveis não são eticamente capazes de recusar assistências aos doentes; em 2013 haverá mais 13,5 millhões de cortes no subsidio de doença. Por contraste, os custos do Estado para pagar às Parcerias-Público-Privadas duplicam para 1645 milhões e o dinheiro pago em juros e amortizações da dívida pública aumenta 7305 milhões. As prestações sociais diminuem em 891 milhões. A idade de reforma aumenta para os 66 anos em 2014 e depois gradualmente nos próximos anos. Aumento para as 40 horas semanais sacam 153 milhões de trabalho que deixa de ser pago. Quem concordar trabalhar menos 1 dia por semana sofre um corte de “apenas 20%” – trata-se de lay-off e as greves do patronato são proibidas constitucionalmente. As transferências do Estado para as autarquias locais diminuem 70 milhões. Cortes na Cultura são de 725 milhões; na Ciência e Ensino superior serão menos 2182 milhões. Em compensação, a Defesa aumenta despesa total em 6,8% (mais 2.138,7 milhões de euros) face a 2013; a Justiça contará com menos 95,4 milhões. Multas nos transportes públicos passam a ser crime fiscal, susceptivel de penhora de bens se infracções não forem pagas: o Estado pensa cobrar mais 8,5 milhões com esta medida. Imposto sobre a circulação automóvel sobe e haverá novas portagens. Estado entregará à RTP mais 26,8 milhões no próximo anos. Numa opção clara da classe dominante, haverá um descida de impostos para a generalidade dos empresários. A ministra das Finanças quer vender 2,5 mil milhões em títulos de divida aos accionistas dispostos a investir na desgraça da maioria dos portugueses. E depois disto, Portas teme que 2º Resgate imponha um Pacto constitucional (ver post anterior) e avisa que existem riscos de ingovernabilidade.

(1) 18 "gestores" ganham tanto como 58.688 funcionários públicos

segunda-feira, outubro 21, 2013

A classe operária vai ao purgatório

"A humilhação de ser obrigada a recorrer a uma chico-espertice para cumprir um simulacro do seu desígnio original fez com que, involuntariamente, a CGTP organizasse a sua perfeita caricatura: a classe operária fechada dentro de autocarros a acenar num trânsito sem sentido nem destino." (Artigo 21º) - ordeiramente, cumprindo todas as ilegalidades decretadas pelo governo, de facto nem assistimos a uma contestação mais ao jeito de manifestação-passeata (em português do Brasil), mas sim a uma confraternização, como se não existissem classes na nossa sociedade.
Tal abrolho, deu azo a que, graças à conciliação da CGTP, Portas "brilhasse": "os mais pobres não se manifestaram"
dirigente da CGTP organiza manifestantes

Luta Popular: (...) O que devemos salientar é que o que se impõe perante a declaração de guerra que o governo, ao serviço do capital e da tróica germano-imperialista, fez à classe operária, aos trabalhadores, ao povo, a todos os democratas e patriotas, ao impôr as normas contidas na Lei Geral do Orçamento de Estado (OE) para 2014, é a convocatória imediata de uma Greve Geral de dois ou mais dias, mas de forma concertada entre todas as organizações sindicais, políticas e sociais.A saída passa por caminhar na senda da constituição de formas organizativas eficazes e firmes para derrubar o governo de traição nacional Coelho/Portas, e do seu tutor Cavaco, visto que ficou já demonstrado que nunca será a CGTP ou qualquer partido, de forma isolada ou tentando impôr a sua liderança, que conseguirá alcançar esse objectivo político central e cada vez mais urgente"

domingo, outubro 20, 2013

“O ilegal fazemos de forma imediata, o inconstitucional demora um pouco mais”

A frase é de Henry Kissinger. Recordando-a percebe-se claramente que com este governo e este presidente está em curso um autêntico golpe-de-Estado contra a Constituição da República Portuguesa. O opinador Pacheco Pereira confirma a ideia: “o Governo pode ter um plano para se demitir e culpar Tribunal Constitucional”.
Venham outros…
Cavaco fala em “sinais de inversão de ciclo na Europa”; quer dizer, o boneco animado fala pela voz da directora do FMI, que "admitiu recalendarizar o programa de ajustamento português”, depois de os neoconservadores esticarem a corda com cortes o mais que puderem. E como mais já não podem, entrará em cena o Partido dito Socialista para continuar a mesma politica neoconservadora por outros meios, outra novilingua e outra encenação “neoliberal de esquerda”... o opinador Francisco Assis diz que o “PS deve assinar 2º Resgate”; como notou o economista liberal de direita, Pedro Braz Teixeira: “a vitória do PS em eleições antecipadas tornará todos os cortes de salários e pensões constitucionais

Desemprego e Dívida Pública batem todos os recordes; o OE2014 prevê mais austeridades e cortes como nunca: 4,8 mil milhões de euros num ano. Na senda das anteriores doses cavalares de austeridade, o desemprego explodiu e será, pelo menos, de 18,5 % em 2014», sendo certo que o morte lenta Vítor Gaspar a seu tempo admitiu que poderia chegar aos 19 %, o que significa que - dados os constantes fiascos da criatura a fazer previsões - há a possibilidade de vir a ultrapassar os 20 %”. Em Março de 2013 o grupo de interesses ligados ao Partido dito Socialista pedia ao Tó Zé Seguro que não esperasse até ao colapso para tomar uma atitude... Isto é, não assinar o pacto de revisão da Constituição (até ver) até ter condições para pôr em prática o programa sobre o qual foi instruído na reunião dos Bilderberger`s.
Ponto da situação. Passos (o Cocó) além de inculto é pouco inteligente; o Ranheta (Cavaco) é um fracassado actor engasgado, num estilo reagan-demodée; e Portas (o Facada) é intectualmente perverso e maléfico. Enfim, uma Tríade de delinquentes; ainda não promovida a quadrilha só porque Mário Soares tenta colocar os seus apaniguados de fora; pensando que já ninguém se lembra que no seu tempo defendeu igualmente a austeridade, uma inflação galopante e a condescendência com os salários em atraso… e ninguém do sistema corrupto onde se movem todos eles, obviamente, “apareceu para julgar o seu gang depois de sair do governo”. E mais, a “lei original das pensões vitalícias é de 1985 do Bloco Central, de Mário Soares e Rui Machete”

sábado, outubro 19, 2013

jornalismo pulha

Qual será o acontecimento mais importante do dia de hoje em Portugal?  segundo a importância que lhe é dada em chamada de primeira página pelo pasquim que mais exemplares vende num país de analfabetos politicos funcionais... a manifestação de hoje que ocupa a ex-ponte Salazar com um protesto de muitos milhares de trabalhadores merece um ínfimo quadradinho junto ao rodapé que remete para a "notícia" na página 20.  O resto da imprensa nacional (ver capas de hoje), que ensina entre outros mimos, caminhos para o automobilista se escapar de engarrafamentos, alinha-se pelo mesmo diapasão de desprezo. A situação dos trabalhadores para estes serventuários da desinformação é para o lado do quanto pior estiverem, melhor o governo nos paga em subsidios pelos fretes prestados à classe dominante


sexta-feira, outubro 18, 2013

Cavaco, o Mentiroso

"Aníbal Cavaco Silva, reiterou hoje que a única relação que teve com o BPN ou as suas empresas foi enquanto depositante para aplicação de poupanças quando era professor universitário

Cavaco também sofre do síndrome Machete... agora esqueceu-se que teve 105.378 acções da SLN (fora as 149.640 acções em nome da filha) depositadas no BPN e que a família lucrou mais de 140 mil euros com a aldrabice da compra das acções a 1,0 €uro em 2001 e da sua venda em 2005 a Oliveira e Costa por 2,40 €uros cada. Aliás, se dúvidas houvesse, aqui está a carta na qual depois de avisado por Oliveira e Costa do crash eminente, dá ordem de venda dessas acções.
Mário Soares: "Todos roubaram, mas nenhum dos responsáveis respondeu perante a justiça; porque é que o Presidente da República não é julgado por causa do BPN?"
Cavaco: "O antigo PR devia saber que a minha relação com o BPN já foi esclarecida em devido tempo; esqueceu mesmo o esclarecimento que lhe prestei pessoalmente"

quinta-feira, outubro 17, 2013

Divida Pública - a Maior Fraude da História da Humanidade

"Esta é uma guerra dos ricos contra os pobres e nós estamos a ganhar", avisou o multimilionário Warren Buffet - isto é, se entretanto o povo não produzir uma daquelas rupturas súbitas que mudam radicalmente o paradigma... quando a morte chega ao rico, este deixa de ter dinheiro, quando a morte chega ao pobre, este deixa de ter dívidas... tão simples quanto isso, é esse o objectivo, continuar vivo. Tanto mais que a armadilha da dívida está montada para durar gerações

FMI avisa que só com bastante austeridade se poderá "reduzir o endividamento público", mas
 em 2030 a Dívida provavelmente continuará acima dos 100%. (Expresso). "O problema é que para Portugal conseguir baixar a dívida pública  novamente até 60% do PIB (meta determinada pela UE, nunca cumprida) será necessário muito mais que o enorme esforço do actual corte" de 4 mil milhões exigido pela Troika já faz um bom tempinho, não para cumprir qualquer défice; e não pelas mesmas causas aldrabonas agora inventadas.

quarta-feira, outubro 16, 2013

"Governo" é um bando de abutres que esvoaçam à bolina da indiferença popular

A cronologia da actual jogada de apresentação de mais austeridade culminou, pensava-se, com a acção de telemarketing à hora do telejornal a meio de um Conselho de Ministros, a cargo da dupla de apresentadores Paulo Portas & Partenaire...

os 600 euros afinal são 419 euros
Tratava-se de desmentir e serenar o povo que tinha sido alvo de alarmismo sobre o "Novo ataque brutal à Função Pública e Pensionistas", conforme tinham titulado os jornais a 10 de Outubro.:. “Verificar-se-á uma "redução definitiva dos ordenados e prestações contribuitivas dos reformados”. Com a nova actuação da ministra madrinha dos swaps no anúncio dias depois do OE-2014 verificou-se que Portas mentiu. Não se trata de cortes que só atingiriam as pensões sociais acima dos 2000 euros (um universo de 25 mil pessoas) como disse o ministro, mas de cortes de 10% sobre todas as pensões acima dos 419 euros!!!, que aliás não são “prestações sociais” como afirmou Portas mentindo de novo, mas são, isso sim, "prestações contributivas. Esse dinheiro não é do Governo. Tocar-lhe é roubar!

Mas, a preparação psicológica das vítimas para mais este assalto, tinha começado dias antes. Passos Coelho contratou uma empresa de marketing para fazer a triagem de voluntários que colocassem questões ao 1º ministro no programa televisivo “O País Pergunta”. Da rábula governamental nasceu a advertência para o desfecho eminente do “choque de expectativas”. Seleccionadas previamente pela tal empresa, as perguntas inconvenientes foram expurgadas. Ainda assim, uma professora de biologia, uma personagem entre os 20 portugueses “escolhidos” para a acção de palco, sente que foi ludibriada com a resposta de Passos. Vem ao caso que não foi só ela – todas as resposta do Coelho (que não há maneira de saltar do tacho) no citado programa são falsas. Ora, pessoas que se prestam a colaborar na farsa governamental, algumas com cursos superiores, são aquilo que Berlusconi classifica de “coglione” – um culhão não va pensiero, age segundo o seu interesse imediato, que é despejar-se de conteúdos que o afligem a curto prazo. Prova que detentores de cursos “superiores” obtidos no actual estado de negócio educativo, que se deixam escolher por quem os explora, são uns ignorantes; que provavelmente votam contra os seus próprios interesses.

o documento da PCM, com data anterior à comunicação televisiva de Portas, 
prova que o vice-primeiro ministro integra um governo de mentirosos

terça-feira, outubro 15, 2013

Prémios Nóbeis da Fisica e da Quimica (acumulados)

a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) conseguiu finalmente o autêntico milagre fisico, perseguido por alquimistas e charlatães de todos os tempos - de insuflar vida a uma estatueta de madeira pintada e, como prova da veracidade genética do objecto, fazê-lo pagar um bilhete de avião na Transportadora Aérea Nacional (TAP). Estado de negação da negação, chegado o bocado de madeira ao destino, o Vaticano, (após 3 bilhetes de avião incluindo a escolta cientifica de 2 bispos) o Papa condenou veementemente os fiéis que praticam actos de idolatria (ipsi verbis, a adoração de icones)


ps. A critica de Jorge Mario Bergoglio, aka o Papa, referia-se ao Dinheiro. Cabe perguntar: que cinismo faz a ponte entre a idolatria a papel pintado que vale como dinheiro e a estatuetas pintadas como simbolos mitológicos que geram milhões sobre milhões (em dinheiro)?

o Imperialismo (1913-1970) e a falácia liberal de "Menos Estado"

São os meios de produção que utilizam o Operário; em lugar de surgirem consumidos por ele como elementos materiais da sua actividade produtiva, são eles que o consomem como fermento do seu processo vital; e o processo vital do Capital consiste no seu movimento de valor que se valoriza a si próprio” (Marx, O Capital, Tomo1, Cap. IX)

"As proporções gigantescas do capital financeiro, concentrado em poucas mãos, que deu origem a uma rede extraordinariamente vasta e densa de relações e vínculos, por um lado subordinou ao seu poder não só as massa dos pequenos e médios empresários, mas também os mais insignificantes capitalistas, e a exacerbação, por outro lado, da luta contra outros grupos nacionais-estatais de financeiros pela partilha do mundo e pelo domínio sobre outros países, tudo isto origina a passagem em bloco de todas as classes detentoras de propriedade para o lado do imperialismo"
(Lenine, Junho 1916)
No quadro da sociedade burguesa que se havia formado após a revolução industrial de meados do século XVIII, a exportação de capitais financeiros gera enormes tensões de concorrência no mercado mundial, exigindo do Estado cada vez maior centralização e poder.

Para a análise teórica marxista, levada à prática após a Revolução de Outubro de 1917, todas as leis do capitalismo não passam de tendências acompanhadas sempre por tendências opostas. Na concepção de Estaline “o capitalismo monopolista de Estado consiste em subordinar os monopólios capitalistas privados ao aparelho de Estado” (até que o proletariado extinguindo a diferença entre classes possa extinguir o Estado, substituindo-o por instituições com o poder pulverizado e próximo das bases sociais) – nas economias liberais ocidentais, vinga a tese diametralmente oposta: os monopólios capitalistas privados actuam de modo a subordinar o aparelho de Estado.
Nos anos seguintes à Depressão iniciada em 1929, o “New Deal” transferiu as principais fontes do poder económico do sector das instituições privadas (bancos e monopólios industriais em bancarrota) para o das instituições públicas. Em 1946 com as leis sobre o emprego o Governo reconheceu formalmente o seu papel no investimento à Produção, no pleno emprego e nos incentivos ao poder de compra. O consumo passou a ser o motor da economia. Ou seja, verificou-se uma vontade de intervenção política do Estado na área económica até aí decidida pelos homens de negócios. Com a chegada ao poder do presidente Kennedy em 1961 houve a necessidade governamental de controlar as indústrias-chave e o sector bancário emissor de dívida, numa espécie de economia mista, livre de corrupção, que tentava conciliar os interesses imperialistas entre o Governo e o Patronato – os dirigentes do Estado e os dirigentes dos Monopólios tornaram-se intermutáveis.

As despesas governamentais com a regulação da Economia Monopolista de Estado passaram de 1,7% do PIB em 1929 para 8,4% em 1965. As despesas com o Complexo-Industrial-Militar passaram de entre 10% a 15% do PIB no periodo preparatório da Grande Guerra (1930-1940) para um orçamento federal de 50% a 60% entre 1960 e 1965. Jonh Kenneth Galbraith, o concelheiro económico da administração Kennedy confirmava a natureza imperialista dos EUA: “o Estado regulamenta a procura global dos produtos e tecnologias de inovação criadas pelo sistema Industrial-Militar conjugado com as instituições de “research”, condição indispensável para a sua planificação e por outro lado assegura a regulamentação interna dos salários e preços (…) “É certo que a economia organizada da nossa época é obra de uma mão perversa; se não, como poderiam tantas necessidades aparentemente indispensáveis (o cartel monopolista financeiro detito por um número restrito de famiglias) conspirar para colocar de tal forma sob a dependência do Estado um sistema que alegremente se reclama da livre iniciativa?

Compilado de:
* Lenine, "O Imperialismo, Estádio Supremo do Capitalismo"
* Bukharine, “A Economia Mundial e o Imperialismo”
* Lenine, “O Estado e a Revolução”
* Eugène Varga, “Problemes du Capitalisme Monopoliste d`Ètat”, 1967
* Pierre Jalée, “O Imperialismo em 1970”

segunda-feira, outubro 14, 2013

a RTP, os Sábios e os Crimes por apurar

Tendo em vista definir estratégias e gestores para a RTP o ministro Maduro resolveu mandar reunir um "Conselho de Sábios".

Burros somos nós e já sabemos por experiência própria que estes cozinhados não vão ao lume em benefício do serviço público de televisão. As insignes sapiências que regulam a manipulação dos Media rapidamente chegaram a uma conclusão: "o Governo vai cobrar, a juntar à factura da luz, mais 28,6 milhões de euros a cerca de 5 milhões de contribuintes para os entregar à RTP (1). Ou seja, a RTP passa a receber 171,720 milhões de euros em cada ano; em vez dos 200 milhões de euros anuais que o presidente, de seu nome Alberto da Ponte, exigia para cobrir as despesas. Segundo outra noticia do mesmo jornal: "uma Cobra decapitada ainda conseguiu morder a própria cauda... (dá para acreditar?)

Não mantêm o reptiliário bem nutrido... e será por isso que o o culto da Serpente na RTP obrigou a negar fornecer imagens de arquivo à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o caso Camarate. Ou haverá outras razões que "mais alto rastejam" e nos escapam? 
 
(1) RTP paga a 31 funcionários um ordenado igual ou superior ao fixado para o Presidente da República

domingo, outubro 13, 2013

Governo omitiu ajuda ao Banif no défice de 2013...

a noticia deste recorte de jornal é do dia 1 de Outubro...
...10 dias depois a imprensa da especialidade descobre que afinal o défice deste ano atingirá os 6,4%.

O défice público comunicado pelas Finanças ao Instituto Nacional de Estatística no final de Setembro, avaliado em 5,5% do produto interno bruto (a meta combinada com a troika), ainda não tem os 700 milhões de euros gastos com a ajuda ao Banif - Banco Internacional do Funchal, confirmou ontem o Conselho das Finanças Públicas (CFP)
Marilu "Swap" Albuquerque e o designio que lhe foi encomendado: transformar Portugal num hibrido de queijo franco-suiço: se não tiver buracos e não cheirar mal para os patrões da Troupe Neoliberal nacional a coisa não presta. Ora aí está; o Governo pretende tapar mais este buraco com mais um Orçamento Rectificativo. A injecção de capital efectuada pelo Estado no Banif e o declínio na receita de impostos em virtude da queda actividade económica ascendem a 1.600 milhões de euros, o que elevará o défice real até 6,4%. (1). Existem "forças revolucionárias" no Parlamento dizia o Luís Amado... senão não haveria ninguém para falar disto cá para fora, o que seria mau para a credibilidade do sistema assente numa pseudo luta de contrários, onde uma das partes simplesmente não existe, ou é falsa, como o ex-ministro xuxialista demonstra com a sua falsa preocupação.

(1) Rácio da dívida portuguesa está bem acima da meta anual. A dívida pública atingiu 131,4% do PIB no final do primeiro semestre, rácio que se encontra acima da meta anual, fixada em 127,8% do PIB (Dinheiro Vivo, DN)

sábado, outubro 12, 2013

"O coro de calúnias que mancha o democrático regime angolano envergonha Portugal"

Não fora a produção da novela a meias entre a Radio Televisão Portuguesa ao tempo supervisionada pelo ex-ministro Relvas e a Televisão Pública de Angola, nunca saberiamos que a miséria em que sobrevive mais de 90% do povo angolano não passa de uma torpe mentira. Olhando a para a qualidade dos personagens, o fausto das habitações, o glamour da moda, os looks que tresbundam a progresso... não fosse alguns sintomas da filosofia nigger dos kimbundos quando lêem uma ou outra parte do script - por exemplo, "hoje é que eu vou matar essa matumba!" - e dir-se-ia que a Angola (independente) de hoje é o melhor dos mundos

"Jornal (oficial do regime) de Angola" volta a atacar, desta vez a maçonaria nacional: os deputados João Soares e Gabriela Canavilhas são apelidados de "traficante e pianista". Em Fevereiro de 2014 realiza-se uma cimeira Portugal -Angola.

sexta-feira, outubro 11, 2013

o M"PL"A ainda é um partido irmão do P"C"P?

É preciso ser-se corrupto para reconhecer outro corrupto! o Jornal de Angola volta a atacar as "elites portuguesas ignorantes e corruptas" exigindo reciprocidade de tratamento. Enquanto estas "teimarem em não reconhecer" a representatividade de José Eduardo dos Santos e do partido no poder desde a independência, Movimento Popular de Libertação em Angola (MPLA) - ler mais

A conspiração de Nito Alves

Um jovem adolescente de 17 anos, provocatoriamente, em nome do crime fundador do regime de Angola em 1977, baptizado pelos pais com o nome de Nito Alves, encontra-se detido sem acusação formal, numa cadeia de alta segurança, sem acesso a advogado. (uma espinha cravada nos mabecos do MPLA). Está preso, sem culpa formada, só porque estampou numa camisola "Fora Dos Santos, metes nojo"

"Há ministros portugueses "gestores dos interesses angolanos" empenhados em lavar fundos financeiros que estão a ser roubados ao povo angolano e enviados para Portugal". A propósito do caso Rui Machete, o jornalista angolano Rafael Marques sugeriu que há ministros portugueses que trabalham para ser gestores dos interesses de Angola em Portugal. A questão foi deixada, no dia 8 deste mês, na SIC Notícias, onde o jornalista voltou a denunciar o regime de Luanda, como sendo uma "cleptocracia", e onde a violência e a repressão sobre o povo, são uma constante! voltando a apontar o dedo à corrupção que vai pelas aquelas elites mafiosas que sugam o povo Angolano até ao tutano. O facto de Rafael Marques ainda estar vivo, é um verdadeiro milagre... decerto graças à Comunidade Internacional que tem interesses diferentes em Angola



Desfazendo o mito dos "investimentos angolanos", que mais não são que lavagens de dinheiro

quinta-feira, outubro 10, 2013

Estados Unidos (o espectáculo do shutdown)

"Deixámos de trabalhar e encerrámos o país...
... porque não pudemos chegar a um acordo sobre como gastar dinheiro imaginário que não temos"

A trica entre os dois partidos únicos nos EUA que encerrou alguns serviços públicos por falta de dinheiro refere-se a uma falsa questão. O pretexto é o braço de ferro para obrigar a administração Obama a retirar dos projectos de lei a intenção de distribuir subsidios públicos pelo Estado a cerca de 7 milhões de norte americanos em estado de carência extrema (do total dos 50 milhões que não têm seguro de saúde e, portanto, acesso aos serviços médicos, excepto se os pagarem na hora). Segundo a filosofia do Estado neoconservador, este não deve "dar nada a ninguém" (redistribuir rendimentos para colmatar as desigualdades sociais), porque ao converter os cidadãos que tiveram o azar de nascer de pais pobres em "dependentes", isso agravaria o "empreendorismo". Por outro lado prejudicaria gravemente os ricos, obrigados a pagar impostos para o dinheiro ser desviado para fins que nada têm a ver com o aumento da sua riqueza. Como se vê, isto são amendoins que exigem algum esforço para serem descascados por uma opiniõa pública embrutecida pelos Media, ao serviço dos grandes grupos de interesses, por exemplo, o lobie farmacêutico-hospitalar que se veria obrigado a investir quantias significativas de capital privado em meios de assistência a uma maior afluência de utentes tesos. E isso é bestialmente mau para o negócio.

A verdadeira questão que se põe, portanto, é que, o poder de governar nos EUA por qualquer dos dois partidos é relativo, supervisado por instâncias ocultas que se constituem num poder superior capaz de vetar qualquer medida inconveniente para a acumulação intensiva de capital. Mesmo que hipoteticamente houvesse uma administração mais ousada (recorde-se a administração Kennedy) apostada numa qualquer alternativa de cariz mais politico-social que pudesse afectar o paradigma neocon, esta veria a Reserva Federal cortar-lhe de imediato o crédito (algo que está a acontecer neste momento). Mas impedir o Governo de operar financeiramente negando-lhe o fornecimento de mais dinheiro fictício fabricado, tem outras implicações, a ver com o tecto de endividamento que precisa de uma autorização especifica do Congresso, da Casa dos Representantes, enfim dos mencionados poderes ocultos, não democráticos, preferencialmente ligados com a estratégia imperialista global dos EUA. Por exemplo, não seria a primeira vez que os EUA, cuja dívida externa se situa já perto dos 17 Triliões de dólares, perante uma situação insustentável, recorriam a um golpe de baú para não pagar aos credores internacionais. Daí o aviso em jeito de ultimato da China e do Japão (os principais credores, detentores de 43% do total da divida) para que os EUA resolvam de imediato a questão para salvaguardar os seus investimentos. Mas que Poder pode obrigá-los a actuar honestamente? - apenas a revolta do seu próprio povo, apostado em desmantelar a panelinha privada da Reserva Federal que controla toda a rede global de Bancos Centrais.

Para aprofundar o tema:
* "Metade dos Republicanos não regulam bem da cabeça" (AlterNet)

quarta-feira, outubro 09, 2013

Heróis da Classe Operária: Ernesto "Che" Guevara

A 9 de Outubro de 1967 Ernesto "Che" Guevara foi executado por tropas bolivianas perto da cidade de La Higuera, na sequência de uma emboscada. A operação foi planeada pela CIA e organizada por Forças Especiais dos Estados Unidos. No 46 º aniversário da sua morte, é conveniente fazer-se um balanço da acção deste revolucionário que tem alimentado a ilusão das classes médias com a imagem que lhes é fornecida de “um excelente mártir”.

Lenine escreveu em 1918 na obra “O Estado e a Revolução”: "o que vai agora acontecendo e aconteceu no decurso da história com a teoria de Marx, aconteceu repetidamente com as ideias de pensadores revolucionários e líderes de classes oprimidas que lutaram e lutam pela sua emancipação. Durante a vida de grandes revolucionários, as classes opressoras, perseguiram-nos constantemente, receberam as suas teorias com a malícia mais selvagem, o ódio mais furioso e as campanhas mais inescrupulosos de mentiras e calúnias. Porém, após a sua morte, são feitas tentativas para convertê-los em ícones inofensivos, para os canonizar, por assim dizer, e para santificar os seus nomes até um certo ponto, para "consolo" das classes oprimidas e com o objectivo de enganar estas últimas, enquanto ao mesmo tempo roubam à teoria revolucionária a sua substância, vulgarizando-a, colocando-a à margem da prática politica, fazendo-a desaparecer”
Após a sua morte, Guevara tornou-se um ícone de movimentos socialistas revolucionários e uma figura-chave da moderna cultura pop mundial. Alberto Korda fotografou a famosa imagem do Che que aparece em t`shirts e cartazes de protesto por todo o mundo, convertendo-O num ícone global dos nossos tempos sem que muitos saibam lá muito bem porquê.
Após a morte de Lenine, os líderes da facção de Zinoviev e Kamenev apoiados em Estaline criaram um culto em volta da sua figura. Contra a vontade da sua mulher Nadežda Krupskaia, o seu corpo foi embalsamado e colocado em exposição pública no mausoléu da Praça Vermelha. Mais tarde Krupskaya declarou: "Toda a sua vida Vladimir Ilyich foi contra figuras icónicas, e agora eles transformaram-nO num ícone".

Em Novembro de 2005 , a revista alemã Der Spiegel publicou um artigo sobre os "revolucionários pacíficos" da Europa os quais descreveu como sendo os herdeiros de Gandhi e Guevara [!] . Isto é uma completa farsa. Deveriamos fundar uma "Sociedade de Protecção de Che Guevara" contra as pessoas que não têm nada a ver com o marxismo, a luta de classes ou a revolução socialista, e que desejam pintar um quadro totalmente falso de Ernesto Guevara como uma espécie de santinho revolucionário, um romântico pequeno-burguês , um anarquista , um pacifista de Gandhi ou qualquer outro disparate deste tipo. É desta trama que faz parte a recente boutade do politico português que faz a ponte com os banqueiros: Não nos podemos esquecer que nós temos no Parlamento (burguês) forças revolucionárias de extrema esquerda

Che Guevara era um revolucionário instintivo. Foi pessoalmente incorruptível e detestava a burocracia, o carreirismo e privilégios. Tinha a aura da puritana moralidade do lutador revolucionário. Por isso foi repelido pelos agentes da burocracia e servilismo que observou após a vitória da Revolução em Cuba.
Che expressou muitas vezes opiniões em oposição às posições oficiais do Partido Comunista da União Soviética liderado por Nikita Khrushchev . Opôs-se à "teoria" de coexistência pacífica”. Não gostou da atitude servil de alguns cubanos direccionados para Moscovo e a sua ideologia já abertamente social-fascista. Acima de tudo Che repeliu a burocracia, o carreirismo e os privilégios. As suas visitas à Rússia e Europa Oriental chocaram-no e aprofundaram o seu sentimento de desilusão com aquilo que depois seria apelidado pelos revisionistas de todos os matizes, de “estalinismo”. Os privilégios da nomenklatura e sobretudo o sufocante conformismo dos burocratas atingiram as profundezas da sua alma. Che tornou-se cada vez mais crítico da União Soviética sob os desígnios daqueles líderes. Foi por esta razão que inicialmente se sentiu inclinado para a China durante a disputa sino-soviética . Mas, retratar Che como um maoísta seria uma injustiça. Não há nenhuma razão para acreditar que ele ter-se-ia sentido mais em casa na China de Mao, que na Rússia de Kruschev… apenas pretendia, na senda do internacionalismo proletário, aprender com as experiências de outros camaradas. A principal razão porque pareceu inclinar-se para a China, foi o facto dos chineses terem criticado a decisão de Moscovo de retirar os mísseis soviéticos de Cuba durante a crise de 1962, um acto que Che viu como uma traição.

É impossível chegar a uma classificação politica pura de Che Guevara. Era uma personagem complexa, com uma imaginação fértil, sempre em busca da verdade. Os dogmas do “socialismo de Estado” eram a antítese absoluta da sua maneira de pensar. A ausência de respeito pelo servilismo burocrático conformista fazia dele um objeto de suspeita e ódio de estimação dos dignitários "comunistas" da Europa e do bloco soviético. Os líderes revisionistas do Partido Comunista Francês eram-lhe particularmente hostis e foram eles próprios que lançaram uma campanha de calúnias contra Che , descrevendo-o como um "aventureiro pequeno-burguês".

Após a détente de 1962 de repartição de interesses globais entre os “soviéticos” e imperialistas norte americanos, a Revolução Cubana entrou num impasse e estava em perigo. Como poderia ser salva? Che Guevara teve a ideia certa, e movia-se na direcção certa quando a sua vida, no auge do vigor da juventude, foi brutalmente ceifada. Ele sentiu que a burocracia tendente à corrupção era a maior ameaça à Cuba socialista e prepararia o caminho para uma restauração do capitalismo. Acima de tudo Che, um comunista revolucionário dedicado, foi também um internacionalista que entendia que a única maneira de preservar a Revolução Cubana era estender a revolução socialista para o resto do mundo, começando pela América Latina, depois de o ter tentado sem sucesso no Congo de Lumumba - este foi o seu lado forte. O seu ponto fraco é que ele viu fundamentalmente a revolução como uma luta de guerrilha camponesa e não compreendeu plenamente o papel central da classe operária na revolução socialista.

fontes principais:
* Alan Woods, artigo publicado no site "In Defense of Marxism", Outubro de 2007
* a História daquilo que o Che Combateu