Pesquisar neste blogue

domingo, maio 31, 2015

Contributo para a elaboração do programa do movimento anti-Capitalista

Nunca uma geração tinho dito peocupar-se tanto pelos seus filhos como esta; e nenhuma outra tinha destroçado tanto o mundo como este que lhe vão legar como herança(La Voz de Iñaki Gabilondo)

Os grandes banqueiros, especial ênfase posta nos Bancos Centrais e nos sindicatos bancários da Máfia Financeira, quiseram regressar às aulas. Não como alunos, dispostos a receber umas reguadas com uma barra de ferro, mas como mestres de uma bem publicitada catequese financeira à sombra do programa “Global Money Week”. Pretendem com a iniciativa promover a “Educação Financeira”, segundo os planos recomendados pela Comissão Europeia e pela OCDE, integrando a disciplina nos currículos das escolas, isto é, educar as crianças e adolescentes para aceitarem ser educadas para a Usura. Esta repentina vocação pedagógica dos banqueiros, dando aulas e patrocinando workshops com títulos tão sugestivos como “finanças para a tua vida” ou “endivida-te inteligentemente” quer fazer parecer que a culpa pela degradação do capitalismo foi dos cidadãos que não tinham suficiente cultura financeira. Só uma única individualidade, o Bernard Madoff no Verão de 2007, aquando do colapso das hipotecas de alto risco nos EUA, conseguiu a falência de milhares de cidadãos, a maior parte deles com larga experiência na “indústria financeira”. Sete anos depois a lógica irracional da ganância continua a produzir vítimas, vendendo algo que os bancos impingem como racional, como por exemplo no BES. Porém, os “mercados” não aprendem. É preciso educar as vítimas. E mercantilizar a educação de modo que sejam as vítimas a pagar um “ensino (tendencialmente) obrigatório”, ou seja, a completa submissão da Educação à economia neoliberal assente na economia das finanças especulativas. Ao Plano de Educação Financeira, “Finanças para Todos” é atribuída uma importância que situa a um nivel mais alto o pagamento o pagamento da prestação de hipoteca da casa que a a alimentação – all Money is a matter of belief, na teologia de Adam Smith, acredite, deixe de comer para pagar ao banco.

Paralelamente, fala-se mais de conceitos empresariais que de humanismo, como se aprende um e se esquece o outro nas madrassas Católicas, da educação como “motor" que promove a competividade da economia. Aprendizagem imprescindível para (con)formar trabalhadores versáteis e submissos, preparados para a sua própria gestão de seguros de saúde, planos de reforma e demais serviços que o “Estado-de-Bem-Estar” jamais voltará a proporcionar. Estado de serviços minimamente máximos (Fisco, Policias e Justiça) dentro do espirito empresarial. Os “empreendedores” serão os heróis da próxima geração. Muitos milhares já partiram, globalizando-se, tendo sucesso a ganhar dinheiro, na realidade com a competência de extorquir dinheiro a outros. Os novos heróis têm um papel importante no forjar de um “novo mundo” (a New World Order). Trata-se, como sempre, historicamente, do último recurso para enganar a morte. Com a actuação dos novos Sísifos, tão astutos, “inteligentes” e usurários como essa figurar mitológica, agindo sobre um sistema que não tem outro remédio senão a morte. Face à culpa pela secular ignorância financeira da populaça, o castigo de levar às costas eternamente a grande rocha encosta acima. Resumindo, todos os que não aceitam legar aos nossos filhos um novo sistema esclavagista ordenados pelo chicote do grande Capital têm de restabelecer parâmetros sociais e económicos muito diferentes, que não a astúcia, a ganância e a esperteza curricular para a especulação.

sábado, maio 30, 2015

1812

Adolf Hitler, o Kaiser Guilherme , Carlos XII e Napoleão, todos quiseram conquistar a Rússia... até que chegou o Inverno ...
o exemplo é o de 1812...

a NATO prepara-se para envolver a Europa numa guerra, outra vez contra a Rússia (RussiaToday)

 
Um ex-comando militar británico afirma: a Rússia esmagar-nos-á se entrarmos em guerra com ela. (RussiaToday)

quinta-feira, maio 28, 2015

Feira do Livro. Antigamente havia censura pela mão de bestas; agora a censura pratica-se pela proliferação de bestialidades

Em má memória na a Censura como Educação a Livraria Ler, ali ao Jardim da Parada, todos os anos faz uma montra em homenagem ao livreiro Luis Alves Dias, que viu edições de milhares de exemplares apreendidos. Antes do 25 de Abril era a Policia de Vigilância e Segurança do Estado que zelava pela Cultura. Hoje isso acabou. Publica-se agora tanta inoquidade numa tal quantidade que é dificil encontrar algo de salutar que tivesse honras de ser censurado. As autoridades da "democracia" zelam para que não falte lixo à kultura.
Para além do indispensável José Vilhena e dos clássicos Marxistas, entre os titulos com autos de apreensão pela Policia de Vigilância do Estado (PIDE) constavam à data de 1974: "Luuanda", com os caracteres a escorrer o sangue da guerra colonial; "O Canto e as Armas", de Manuel Alegre (e também o "Praça da Canção"); "Fátima Desmascarada" de João Ilharco, a "Condição do Padre" face ao celibato, de Pierre Hermand, "Não te admires que eu diga "É Preciso Nascer de Novo", um ensaio sobre uma citação da Biblia do padre José da Felicidade Alves; "Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica", da Natália Correia, os "Sermões da Montanha", de Tomás da Fonseca; a "Questão Judaica" de Karl Marx; a "Inquisição e Cristãos-Novos", do historiador António José Saraiva; a "Guerra Civil na Espanha", de Andrés Nin; a "Resistência em Portugal", de José Dias Coelho; o "Dilema da Politica Portuguesa" de Sottomayor Cardia; "Portugal, uma Perspectiva da Sua História", de Flausino Torres; "Horizontes Fechados", de Raul Rego. Na ficção, metendo sexo, sindicatos, greves, mortes pela policia de choque e outras pequenas imoralidades, um dos livros que causaram maiores ejaculações precoces nos lápis azuis foi "Beau Masque" do Roger Vaillant, com uma trama mesmo ao jeito de tirar a máscara à inoperacionalidade do capitalismo já por demais evidente.

Numa pequena povoação do leste da França, Pierrette, uma jovem de 25 anos operária da fábrica local dedica-se inteiramente à atividade sindical em detrimento da sua vida privada, muito reduzida desde que ela vive separada do marido e confiou os filhos aos cuidados de um familiar. Pierrette conhece dois homens que irão mudar a sua vida. Relaciona-se primeiro com um camionista imigrante italiano que dá pela alcunha de "Beau Masque"). De seguida, no baile organizado pelo Partido Comunista, ela conhece Philippe Letourneau, um jovem filho-família empurrado pelos pais para director da fábrica, que são os accionistas maioritários da empresa. Embora atraída por Philippe, Pierrette retrai-se, não querendo pôr em risco a sua participação como delegada sindical. Não por fidelidade ao camionista Mario ("Cara Linda") com quem acaba de casar. Mas o despedimento de 300 trabalhadores e uma onda de demissões que o administrador da fábrica não controla, precipita os protagonistas no drama final ... Mario ressente-se as atividades políticas da sua esposa. No entanto vai participar numa manifestação de grevistas. Há tumulto, ela corre e é apanhada e espancada até à morte pela polícia de choque.

Sobre o futuro da Segurança Social

Mais de 86% das reformas estão abaixo dos 1.000 euros !!! Adivinhe-se sobre quem vão recair os cortes. Mesmo que venham a dar o dito por não dito, não é dificil podermos adivinhar o que nos espera depois das eleições.

“Há hoje uma percepção clara de que os sistemas públicos de pensões estão em risco: os atuais pensionistas vivem na certeza da instabilidade dos rendimentos da reforma e as gerações mais novas deixaram de confiar no Estado, sentindo que o seu esforço contributivo não será recompensado (…) é urgente restaurar o Contrato Social no sentido de reconciliação das gerações. Para além, obviamente, de impedir que os sucessivos governos do “arco da destruição” metam a mão na massa (que não é deles, é dos trabalhadores que descontaram)  para continuar a especular com os fundos de pensões nas bolsas internacionais.
Este é o cenário sobre o qual o Partido Socialista de António Costa quer diminuir a contribuição das empresas para a TSU, dando-se ainda ao luxo de cortar nas contribuições para a Segurança Social. O tiro de misericórdia no sistema de reformas e pensões - o Zé já sabe portanto com o que conta se votar no PSD/CDS ou no PS - o primeiro corta nas reformas miseráveis dos mais desfavorecidos, o PS destrói de vez a Segurança Social!

Jorge Bateira: "Com a continuada aplicação deste factor de "correcção/corte" das pensões, a larga maioria da população vai ficar confrontada com o seguinte dilema: trabalhar até morrer, ou ser pensionista pobre. Só se livra disto o topo da distribuição do rendimento nacional porque aí há dinheiro para aplicar nos fundos de pensões. E mesmo assim, é preciso que o capitalismo de casino não lhes faça evaporar as poupanças. É este o maravilhoso mundo que nos espera ... se NÃO FIZERMOS NADA"

quarta-feira, maio 27, 2015

as Eleições Municipais em Espanha

Na hecatombe eleitoral o partido de Aznar perdeu 2,5 milhões de votos, passando de 37% para 27% de votos e de 26.000 municipios para 22.000. Subsistir ainda tanto lugar de poder entregue a facinoras económicos é uma derrota para os povos ibéricos de expressão espanhola que vêem os corruptos do PP continuar na linha da frente dos governos autárquicos (46,69% em Madrid), e uma vitória parcial porque vê o PSOE tornar-se insignificante e quase desaparecer do mapa. Entretanto, a argumentação do Partido Popular está empenhada em recordar ao povo que são o partido mais votado, que a economia vai bem, no melhor dos mundos… enquanto por detrás deste discurso se desmorona o edificio de mentiras e as pessoas se iludem com promessas de futuro sem a máfia ao serviço dos mercados.

 
Contra os grandes partidos, há uma revolução sem teoria revolucionária, com a emergência de uma miríade de movimentos sociais, coligações, plataformas precarizadas contra a herança neoliberal.

Ada Colau, uma activista ex-portavoz da "Plataforma de Afectados por la Hipoteca" contra os despejos, sempre a contas com a policia de choque, foi eleita presidente da Câmara de Barcelona liderando a coligação “Barcelona en Comú”, que é uma plataforma de cidadãos e dos pequenos partidos “Iniciativa per Catalunya Verds”, “Esquerra Unida i Alternativa”, “Equo”, “Procés Constituent” e “Podemos”. Todos almejam a independência “total” da Cataluña dos bancos, da troika das élites políticas e económicas. Colau denunciou de imediato as "reuniões extraordinarias de última hora" do governo cessante da CiU para adjudicar contratos "de favor" que comprometeriam os orçamentos seguintes.

Manuela Carmena Castrillo à frente da coligação “Ahora Madrid” sucede a Ana Botella no governo da cidade. Carmena é uma advogada que se notabilizou no combate contra os subornos pagos aos agentes do poder judicial. Mas a mulher de Aznar deixa bem atados em reuniões de última hora os contratos no valor de 3.500 milhões de euros adjudicados a um reduzido números de empresas ligadas ao PP, a maioria construtores civis, contratos com prazos que chegam a 12 anos, isto é, por três legislaturas os impostos dos cidadãos são encaminhados para os bolsos de gente corrupta contra a qual os agora eleitos mais não poderão fazer que guerras jurídicas.

terça-feira, maio 26, 2015

O inicio da implosão da bolha das dividas soberanas

Assim reivindicam os comunistas portugueses: um governo patriótico, democrático e de esquerda. Todas as três condições podem ser reconhecidas no governo da coligação Syriza na Grécia – vindo a tornar-se clara a intenção de saída do euro. Implicita está a questão do não pagamento da dívida, que não foi contraída pelo povo mas pelos anteriores governos neoliberais.
Assim, quando se fala em “traição do Syriza” o que se poderia esperar? Que o Syriza chegasse ao governo e proclamasse imediatamente e sem acautelar os interesses da maioria do povo que o elegeu: fora o Euro!?
Ao contrário, cumprindo um programa que remete a culpa para os verdadeiros culpados, o espectro que atravessa a Europa está a pôr os directórios neoliberais em pânico. Leia-se Jerome Roos do European University Institute: “o Eurogrupo parece estar cego para o facto de Tsipras e Varoufakis serem provavelmente os aliados dos credores mais fiáveis na Grécia de hoje. Ambos são reformistas moderados com um amplo apoio popular e estão realmente dispostos a pagar, embora saibam que não podem. (1) Forçar um Syriza com uma liderança relativamente cooperativa a um humilhante acordo impondo um pacote de reformas internas é fortalecer a ala dos radicais dentro do governo. Então, se o Eurogrupo se recusar a assinar um acordo e continuar a privar o governo grego de crédito de emergência, do qual depende o cumprimento das obrigações do serviço da dívida, podem simplesmente estar a provocar uma bancarrota imparável” – ou seja, imparável para o Euro. Como se viu, os activos falidos dos bancos na bolha do imobiliário de 2008 foram gradualmente sendo transferidos para divida soberana dos Estados – e é esse upgrade da crise do capital que está de novo em causa: o modelo de Dividocracia começa a dar com os burros na água da Grécia, a qual não pagará já em Junho os prestações de 1.600 milhões de euros que seriam devidas ao FMI.
Paul-De-Grauwe
Sem acordo, não vai nem mais um tostão para o FMI”, garante o ministro do Interior grego. Em Junho o governo vai escolher pagar pensões e salários em vez de continuar a reembolsar o serviço da dívida ao FMI. E o Syriza reuniu o conselho nacional e produziu uma declaração simples: “As pessoas estão acima da dívida (…) fizemos o nosso dever, é altura da Europa fazer o seu”. Alexis Tsipras voltou a sublinhar que não recuará nas “linhas vermelhas” sufragadas pelo povo grego em Janeiro. Varoufakis explicou: “não pagaremos porque esse dinheiro não existe” (a dívida foi contraída com dinheiro fictício). E retransmitiram ao secretário-de-estado do Tesouro dos EUA Jack Lew que tutela politicamente o FMI a impossibilidade do governo grego fazer face aos pagamentos. Tsipras pediu a intervenção de Lew para reestruturar a dívida, coisa de que a UE não quer nem ouvir falar - e tudo o que seja para fomentar a discórdia entre as burguesias euro-americanas é um passo em frente para os trabalhadores. A esta “União” nem convém permitir aos media esclarecer as opiniões públicas – e Varoufakis esclarece: “Sigilo e uma imprensa crédula não auguram nada de bom para a democracia da Europa". O que se quer diabolizado ministro das Finanças grego tem gravado as suas intervenções nas reuniões do Eurogrupo para as reportar às instituições e media na Grécia. Em Portugal, para além das omissões, as manipulações são subtis: o DN escreve sobre a “incapacidade” do governo grego, quando de facto o que foi dito na fonte foi a deliberada “impossibilidade” para pagar pelas razões que o DN não explica – enquanto nos artigos de opinião os bonzos do status-quo põem o destino da Grécia nas mãos de um só individuo.

(1) O próprio FMI reconheceu em 2012 que as dividas superiores a 120% do PIB são impagáveis, mas apesar disso PS/PSD/CDS chumbaram as propostas de reestruturação.
Epilogo: "a Europa precisaria de cabeça fria e olhar lúcido, em vez disso parece sucumbir à fadiga que precede as derrapagens" (Viriato Soromenho Marques)

segunda-feira, maio 25, 2015

rabo escondido com a gata de fora

Bonis Nocet Quisquis Pepercit Malis. "prejudica os bons quem poupa o castigo aos maus", 
ou "quem o inimigo poupa às mãos lhe morre".

Marilu "Swap" Albuquerque arrotou uma posta junto de um grupo de jovens dizendo-lhes que estes não estariam condenados a pagar para sempre as reformas dos velhinhos - "em último caso terá de haver cortes nas pensões". A boutade serve um determinado fim, mas para além de ladra (porque integra um governo de ladrões) a senhora é desonesta, olha que admiração. De facto a ministra recebeu ordens, e não são de agora mas do dia 8 de Maio e quer fazer passar que os cortes são da cabeça dela. Quase um ano depois da Troika ter (segundo o governo) saído de Portugal, um belo dia o FMI veio avisar que seriam precisos mais 600 milhões de euros em cortes para cumprir o programa de austeridade imposto pela...Troika. Mas quase um mês antes, a 16 de Abril a ministra já tinha vindo a terreiro garantir caninamente como sempre que seriam precisos mais cortes no número de trabalhadores, nas pensões, nos salários e na Educação.

"No Programa de Estabilidade 2015-2019, o Governo prevê poupar 600 milhões de euros em 2016 com uma reforma do sistema de pensões, mas não adianta como pretende fazê-lo. Como "hipótese meramente técnica", o Governo manteve a proposta que estava no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) do ano passado relativamente à reforma de pensões, embora ela tenha sido chumbada pelo Tribunal Constitucional em Agosto do ano passado (...) e aí a bancada parlamentar o ps perguntou: que cortes nas pensões pretende o Governo fazer? A ministra respondeu: falamos depois das legislativas". (Espesso)

domingo, maio 24, 2015

TAP - o problema é Pais do Amaral?

A privatização da TAP já o é antes de o ser. Por onde andará o ex-ministro Relvas? "Ainda que um dos três fundos norte-americanos que se juntaram a Pais do Amaral fosse especializado em aviação, o perfil do seu consórcio não é o mesmo dos de Efromovich e Neeleman, ambos empresários do sector, ambos com companhias regionais, ambas brasileiras. É no Brasil que a TAP tem a mina de ouro" (Dinheiro Vivo).

Portanto, usando uma simples regra de três simples, atendendo às ligações de Miguel Relvas e Gérman Efromovich vindas a público na última tentativa de privatização da TAP em 2012, já se sabe antecipadamente quem vai ter a oportunidade de ser promovido de regional a supranacional ao abocanhar o hub de Lisboa, passando a ser brasileiros a mandar em mais um sector estratégico para a economia que deveria ser dos portugueses. A imprensa brasileira disse então que Miguel Relvas estava a ajudar o empresário judeu colombiano-brasileiro e agora polaco pelas origens (para fugir aos impostos) a garantir a sua posição no negócio, para o que se socorria de consultoras brasileiras e portuguesas ligadas a José Dirceu, antigo chefe da casa civil de Lula da Silva. "O Globo", a 28 de Outubro de 2012, publicou um texto de Ancelmo Goes onde este dizia que “quem está ajudando o empresário Gérman Efromovich a comprar a TAP é o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas” que “tem amigos influentes no Brasil — inclusive, Zé Dirceu". Tinhamos então um caso grave de promiscuidade entre um escritório de advogados com ligações político-partidárias ao partido do Governo, que no caso da TAP está a fazer assessoria à Parpública, portanto ao Estado, e no caso da ANA está a fazer assessoria a um concorrente. É era este Governo que fazia a ligação entre os dois processos. Ora José Dirceu foi condenado há cerca de um mês a mais de 10 anos de prisão por envolvimento no caso Mensalão (com ligações a Portugal nunca investigadas). Pergunta-se: a convivência continuada com pessoas desonestas (assim declarada pela justiça brasileira) fazem delas honestas quando se trata da venda da TAP...? qual a verdadeira razão da privatização da TAP? será que ainda veremos Passos Coelho como gestor da TAP quando largar o esvaziado pote nacional?

sábado, maio 23, 2015

porque o Syriza não está a seguir o guião de um acordo com o FMI

O FMI pensa que “não há possibilidade” de a Grécia poder reunir os 11.000 milhões de euros necessários para fazer os pagamentos de juros agendados entre Junho e o final de Agosto. Os planos de saída do euro preparados pela extrema esquerda da coligação Syriza são agora estudados seriamente por aqueles que antes os descartavam; ao mesmo tempo que começaram a aparecer artigos a admitir o default da dívida no jornal diário do partido, o Avgi.

A deputada do Syriza Zoe Konstantopoulou, uma advogada de 39 anos, formada na Sorbonne e especialista em direitos humanos, foi eleita para presidir ao parlamento grego, usando o seu cargo para mover três processos legais que poderiam, mesmo agora, dar ao governo da dita "esquerda radical" uma vantagem sobre os credores: um comité sobre a “verdade da dívida”, um comité para supervisionar os requerimentos de reparações de guerra à Alemanha, e outro para um conjunto de casos de corrupção em alto nível relacionados com contratos do sector público com empresas alemãs. Na Europa, pensava-se que estas iniciativas eram retóricas, permitindo ao Syriza construir uma narrativa no governo e nada mais. Sabe-se agora que o comité sobre a verdade da dívida identificou uma tranche da dívida grega que parece – de acordo com os que viram as provas – “inconstitucional”. A sra. Konstantopoulou afirma que “há fortes indícios do carácter ilegítimo, odioso e insustentável de grande parte do que é pretensamente a dívida pública da Grécia". A presidente do Parlamento advertiu os credores de que o povo grego tem o direito de “pedir o cancelamento dessa parte que não é devida (...) dependendo da auditoria, não é ético por parte dos credores exigirem mais pagamentos ao mesmo tempo que rejeitam empréstimos contratados, e ao mesmo tempo exercerem pressões extorsionárias para a implementação de políticas contrárias ao mandato público”. (Channel4News, via Esquerda.net)

o famigerado FMI assume o mediatismo na questão grega, mas a "dívida" da Grécia ao FMI é de apenas 7,6% do total... portanto, vamos á ver as implicações do contágio do incumprimento da restante divida

sexta-feira, maio 22, 2015

Os 1,3 biliões de QE impressos pelo BCE excluem uma Grécia prestes a ser corrida do Euro

Vamos destruir a base sobre a qual foi construído, década após década, um sistema, uma rede, que viciosamente suga toda a energia e todo o poder económico de todas as outras pessoas na sociedade” (Yanis Varoufakis o novo ministro das finanças Grego do governo de Alexis Tsipras, Janeiro de 2015)
ampliar
"A Grécia só pode contar consigo. Graças a uma operação que envolveu uma pressão continuada, do BCE à CE, para desestabilizar finaceiramente a economia grega, incluindo por via da promoção da fuga de capitais, a situação é mais difícil hoje do que era no início em termos da relação de forças com os credores. Aparentemente, o novo governo grego não estava preparado para este nível de hostilidade e não tinha instrumentos para lhe fazer face, caso dos controlos de capitais. A mensagem do centro foi e é clara e os povos estão a escutá-la, dado que as pessoas não são parvas: toda a desobediência, por mais moderada e europeísta que seja, será punida e toda a obediência terá o seu prémio, por pequeno que este seja e obtido depois de muito sofrimento assimétrico e evitável, até por via do alívio das condições financeiras. A moeda é uma arma do soberano. Como responderão os povos a isto?"
a Desvalorização Interna na Grécia. Um ponto que parece relevante para falar sobre o Grexit (saída da Grécia da euro) é que não está claro que a Grécia precise de um grande impulso para obter mais competitividade - a "desvalorização interna" pela via da queda dos salários paga-se incrivelmente caro - mas a Grécia tem vindo a pagar custos incríveis, e tem conseguido uma queda acentuada nos salários. Porquê então a saida do euro pode acontecer? A resposta principal será a dos bancos gregos, que estão dependentes da disponibilidade de um emprestador de última instância - um papel que o governo grego não pode jogar, porque não possui o controlo da emissão da moeda. Portanto, o que isto nos diz é que se a Grécia estiver a ser afastada para fora do euro, será porque Bruxelas e Frankfurt têm outra opção para manter refém o sistema bancário grego - o argumento da Grécia que se recusou a pagar o resgate. É um tipo de perspectiva diferente, não é? (Paul Krugman)

Varoufakis recusa mais cortes, para este governo “Salários e pensões são sagrados” (Esquerda.net). E os economista da Troica sabem bem que uma subida geral da taxa dos salários resulta numa queda da taxa geral do lucro (Marx). Os dados estão lançados, haverá ruptura ou rendição?

O deputado do Syriza Costas Lapavitzas responde a Varoufakis sobre a questão do euro. Enquanto o ministro das Finanças diz que foi errado a Grécia entrar mas seria um desastre sair, Lapavitsas contrapõe: “Se nos vemos presos numa armadilha, será um desastre tentarmos sair dela? É melhor esperar que a morte chegue?” (Entrevista Press Project)

quinta-feira, maio 21, 2015

The Great Turan


Para, partindo dos pressupostos dos tribalismos e nacionalismos árabes, compreender o plano da CIA que explora a ideia do pan-Turanismo que tem vindo a ser congeminado para substituir a URSS/Rússia (1) como inimigo e principal competidor na Nova Ordem da Rota da Seda. O pan-turanismo assenta na ancestral origem comum dos povos da Ásia Central. É um termo originário da Pérsia (Irão) que remete para a ideia de uma grande confederação de Estados Islâmicos na Eurosásia, uma utopia politica que historicamente de facto nunca existiu, mas serve para, a partir do exxterior, dividir e prostar esses povos às mão dos invasores.

1300 anos da História Islâmica em 3 minutos

(1) Não por acaso, Zbigniew Brzezinski, um judeu da Grande Polónia originário do Cáucaso, ex-secretário de Estado e actual conselheiro de Barack Obama, autor ao anterior plano "The Grand Chessboard" que visou a implosão da URSS, vem agora afirmar que "a hegemonía mundial dos Estados Unidos tem os días contados", isto é, devido às novas capacidades, o plano anterior precisa ser substituido por outro que correspondda à actual correlação de forças (RussiaToday)

quarta-feira, maio 20, 2015

o fim do significado do Trabalho

A maioria dos activistas do mundo do trabalho reclamam um salário mínimo mais elevado. Esse é um objectivo muito louvável, mas será aí que reside o maior problema? Nos Estados Unidos, que é de onde provêm os modelos com aplicação global, mesmo com os salários abissalmente baixos no momento presente, a McDonalds acaba de despedir 938.000 pessoas para readmitir outras com condições mais precárias e salários mais baixos, porque ainda não há suficientes McEmpregos.

Na generalidade, na terceirização da economia simbolizada pelos call-centers e outsourcings, o verdadeiro problema é a falta de Trabalho significativo nos meios de produção que criam valor mais pela tecnologia que pelo homem. Num mundo de Máquinas (que "desqualificam o trabalhador reduzindo-o a um acessório da máquina") de Alienação social e ausência de propriedade colectiva encontrar um trabalho decente é de uma escassez igual às áreas devastadas pela seca. Uma das causas da crise do emprego é a implacável deslocalização da produção para países estrangeiros, fora da jurisdição da soberania dos paises onde os trabalhadores reclamam por um salário mínimo decente. No entanto, ainda mais insidiosa tem sido a substituição dos trabalhadores humanos por maquinaria robotizada com a exclusiva finalidade de obter maiores lucros para os capitalistas. Durante centenas de anos, a famosa ética protestante do capitalismo elogiou o trabalho duro e a competência na sua execução como ideais pelos quais valia a pena lutar. Não é fácil repudiar esses princípios. Mas que acontece quando a eficiência e a produtividade significa eliminar os seres humanos? É duvidoso os capitalistas primordiais cujo slogan era "vencer na vida por mérito no nosso trabalho" jamais imaginassem que impedir a maioria das pessoas de trabalhar poderia ser uma possibilidade. Mesmo aos dias de hoje, muitos teóricos do capitalismo consideram que a inovação nos meios tecnológicos e a eficiência que proporcionam são os principais motores do progresso humano. Por algum tempo, pareceu que este principio era indiscutível. No livro "The Rise of the Robots", o autor Martin Ford descreve o primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial como a "idade de ouro" da economia. (norte-americana, está claro). Produtividade, emprego e salários avançavam em sincronia. Sem atender à lei da queda tendencial do lucro, os economistas formados para iludir a economia-politica assumiram que o tal "crescimento" iria continuar indefinidamente. Foi o glorioso mercado livre do pleno emprego, da promessa de salário digno para todos. Então, na viragem do século tudo desabou.

Para se concluir que o povo trabalhador que vive da venda da sua força de trabalho está doravante a enfrentar outra coisa qualquer que não já o "capitalismo", relembre-se que até mesmo Adam Smith, o autor da famosa obra "A Riqueza das Nações", o teórico que popularizou a Mão Invisível, afirmava: "quando a regulação é, portanto, de apoio ao trabalhador, é sempre justa e equitativa; mas às vezes é o contrário, quando a regulação é feita em beneficio dos mestres... Nenhuma sociedade pode ser florescente e feliz na qual a maior parte dos membros são pobres e miseráveis" - o economista Joseph Stiglitz acrescentou sobre os ilusórios mecanismos de auto-regulação no capitalismo: "a razão pela qual a mão invisível muitas vezes parecia invisível foi porque ela não estava lá"  

terça-feira, maio 19, 2015

A diabolização da esquerda no governo da Grécia

"Então já ninguém fala da Grécia, (ai fala, fala, ver recorte aí ao lado) agora que a situação está mesmo a chegar ao limite? Enquanto durou o sonho ou o pesadelo, conforme fosse visto pela esquerda ou pela direita, de uma revolução no Pireu, era a Grécia para aqui e a Grécia para acolá. Mas o problema da Grécia nunca foi o da possibilidade de uma revolução. Sempre foi o de saber quanto quer um país pagar para se manter no euro. A Grécia pagou 30% de desemprego e um empobrecimento também de 30% sem que isso garantisse que era realmente capaz de ficar no euro (...) é particularmente irritante ouvir imensas pessoas explicar-nos que tudo está pior na Grécia agora por causa do Syriza. Como se tudo estivesse excelente antes e com perspectivas espectaculares (já estavam a crescer, como diz a nossa dupla Coelho/Portas e os seus media amestrados). A situação está neste momento a chegar ao limite porque a União Europeia (UE) se recusa a desembolsar ajuda imediata sem que o Syriza cumpra o que se lhe pede (mais cortes, ainda mais austeridade). Tanto quanto se consegue perceber, o Syriza já deu praticamente tudo menos aquilo que não pode, sob pena de se transformar na Nova Democracia, o partido de direita lá do sítio (...) tanto quanto se consegue perceber, o governo grego foi recuando cada vez mais nestas negociações. Em paga, a UE deu-lhe intransigência: parece que ainda não fez uma única concessão. Deve achar que a saída da Grécia do euro amedronta mais o Syriza do que ela própria. Resta saber se essa saída será efectivamente pior para a Grécia ou para os restantes europeus – nós incluídos" (Luciano Amaral)

Nazis de merda - a União Europeia não tem dinheiro para cumprir o programa de ajuda à Grécia...
... mas tem 11 mil milhões de euros para investir como "ajuda" num país que não é membro da UE, a Ucrânia (ver pormenores aqui). Razão tinha a secretária-de-estado dos EUA Victoria Nuland quando no encontro com os nazis de Kiev defendeu em directo os interesses do imperialismo, frizando bem o papel de vassalos dos governos neocons europeus: "Eu quero que a UE se F**da"
............

segunda-feira, maio 18, 2015

impuseram sanções contra nós mesmo, estúpidos

As sanções ocidentais contra a Rússia deveriam causar grandes danos ao país, mas afinal, não por acaso e falta de cretinisse dos politicos neocons euro-americanos, a economia russa está actualmente num estado bastante melhor que antes. A análise é de um especialista da Forbes, que não analisa que os combustiveis na Europa subiram14,75 por cento e o Euro se desvalorizou. Ao passo que o rublo se fortaleceu em 17% desde o início do ano e continua a valorizar-se enquanto o dólar permanece abaixo dos 50 rublos, pese que os especuladores ocidentais (p/e Goldman Sachs) para esse mesmo periodo tivessem previsto que os russos iriam precisar de 70 rublos para comprar 1 dólar. Enquanto isso, o mercado russo foi classificado pelo fundo "Market Vectors Russia" (RSX) de o melhor entre os países em desenvolvimento. Quer dizer, a Rússia nos novos mercados internacionais tornou-se favorita para os investidores. Consoante a entrada de fundos especulativos não é admitida, atualmente, a relação entre a Dívida e o PIB na Rússia é de um valor irrisório de 14 por cento. Enquanto os juros no crédito interno descem. No último ranking do "The Human Capital Report" produzido pelo Fórum Económico Mundial, a Rússia fortaleceu a sua posição, passando do 55º para o 26º lugar. Este "Índice de Capital Humano" é determinado tendo em conta as competências e habilitações da população relacionadas com as metas de produção. Neste ranking a Rússia, cujo modelo de capitalismo regressa à valorização do trabalho, ocupa um lugar acima de Israel, Itália, Grécia, Portugal, Espanha e Brasil, todas economias dependentes do valor financeirizado em papel impresso que os Estados Unidos decidirem dar-lhe, a bom proveito da casta que subjugou o Estado imperial global e as populações dos paises seus vassalos. (SputnikNews/Brasil)
"para me comprarem combustivel isso não é dinheiro. Rublos, dá-me Rublos"

domingo, maio 17, 2015

Spal, colónia Fenicia

Nas águas ao largo sudeste da Espanha, o resgate de um barco escavado recentemente rendeu presas de elefantes africanos inscritos com os nomes dos deuses fenícios. Estas presas, a juntar ao tesouro de 1958, provavelmente são provenientes duma colónia fenícia perto de Sevilha ou Cádiz, a cerca de 4.000 quilómetros do coração do território dos fenícios, no extremo leste do Mediterrâneo. E a esses mesmos comerciantes marítimos se podem também agradecer a própria existência da Ilíada de Homero e a Odisseia, que foram escritas a partir da sua tradição oral entre o oitavo e sexto séculos a.e.c, depois que os gregos adoptaram igualmente a ideia inteligente de escrever  usando um alfabeto similar ao inventado pelos Fenicios. Foi no início da Idade do Ferro, na primeira metade do primeiro milénio a.e.c, ainda não havia a "globalização" e a internet que vieram definir a nossa própria era de hiperconectados, existindo já as rotas de comércio tecidas entre o Próximo Oriente, Norte de África e Mediterrâneo, numa teia altamente complexa, numa profunda simbiose de culturas. Na época de Homero, por volta do início do milénio, havia um comércio intercontinental florescente de requintados artefactos em ouro, jóias e marfim, objectos de culto exóticos, mobiliário primorosamente trabalhado e malgas de prata polida magistralmente gravadas com elaboradas cenas de caça e heróicas batalhas, bem como os muitos comuns biscoitos. Cerca de 700 a.e.c, o assentamento fenício de Spal, um predecessor de Sevilha, Espanha, já era suficientemente grande e estabelecido para que os seus sacerdotes usassem este sumptuoso, intrincado e pesado colar de ouro para os rituais. A peça faz parte do comjunto conhecido por Tesouro de Carambolo (exposto esporadicamente no Museu Arqueológico de Sevilha, mas guardado num cofre-forte de uma entidade bancária), uma mostra da grande arte que os Fenicios espalharam por todo o Mediterrâneo, desde a Assiria até à Ibéria. (Saudi Aramco World)


sábado, maio 16, 2015

2 Segurança alimentar e ambiental 

proteja o seu bébé, dê-lhe o tomate dos gajos
A agenda do TTIP sobre “convergência regulamentar” tentará aproximar as normas da UE em matéria de segurança alimentar e do ambiente às dos EUA. Mas os regulamentos norte-americanos são muito menos rigorosos, com 70 por cento de todos os alimentos processados vendidos nos supermercados dos EUA contendo actualmente ingredientes geneticamente modificados. Em contrapartida, a União Europeia praticamente não autoriza alimentos geneticamente modificados. Os EUA também têm restrições muito mais laxistas sobre o uso de pesticidas. Também usam hormonas de crescimento na carne que são restringidas na Europa devido a ligações ao cancro. Os agricultores dos EUA tentaram ver-se livres essas restrições várias vezes no passado, através da Organização Mundial do Comércio e é provável que eles tentem usar o TTIP para tal novamente.
O mesmo vale para o meio ambiente, onde a regulamentação REACH da UE é muito mais exigente em relação a substâncias potencialmente tóxicas. Na Europa, uma empresa tem de provar que uma substância é segura antes dela poder ser usada; nos EUA, aplica-se o princípio contrário: qualquer substância pode ser usada até que se prove insegura. Como exemplo, a UE proíbe actualmente 1.200 substâncias de serem usadas em cosméticos; os EUA apenas 12.
na economia 
"Se as taxas alfandegárias de 14,4 por cento sobre as importações de produtos de tomate desaparecerem, como está previsto no Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (TTIP na sigla em inglês) entre os Estados Unidos e a União Europeia, metade da indústria da UE também desaparece (...) e Portugal é o quarto exportador mundial de tomate de indústria, lidera no rendimento agrícola deste produto na UE e exporta 95% da produção." (Aicep/Publico)

sexta-feira, maio 15, 2015

o desfile do Dia da Vitória tem a ver com o Povo Russo, não com o regime de Putin

Como Federação de Estados laicos as manifestações religiosas na Federação Russa são por principio afastadas dos actos oficiais. Mas este ano, pela primeira vez, houve uma excepção: "Um pequeno detalhe do desfile chamou especialmente a atenção: o ministro da Defesa Sergei Shoigu, budista, nascido na República de Tuva, e um dos mais respeitados líderes russos, que comandou o Ministério de Emergências, antes de assumir o Ministério da Defesa, fez algo que nenhum de seus antecessores jamais fez: no instante de iniciar a cerimônia, antes de pôr o quepe, o ministro fez o sinal da Cruz, à maneira dos russos ortodoxos. Esse simples gesto converteu o desfile, de simples exibição de pompa militar, num ritual sagrado" - premonitório? é deste modo que o Povo Russa encara as ameaças de invasão e perda de soberania, como uma Guerra Sagrada

..........  
a recordar
Berlim, Maio de 1945

quinta-feira, maio 14, 2015

Slogan das privatizações do PSD devia ser “Vendemos tudo, mesmo Portugal"

Estamos a construir uma sociedade totalmente diferente: uma sociedade construída na base do mérito, da competência e do esforço de cada um e não na base da batota e do favor político”. Depois de ouvir um mentiroso que elogia Dias Loureiro e dizer que não defraudou os Portugueses (Coelho, 2015), convém relembrar algumas citações do PSD Social Democrata do tempo em que grangeiou uma boa dose de eleitorado, antes de obedecerem à ordem de arregimentação de jotinhas - observem as diferenças:
"Não há nada que pague a sinceridade na acção política, como em tudo" (1974)
"O fim principal do poder político é o serviço da pessoa. O Estado está ao serviço da pessoa (...) Considero-me muito mais a pessoa que resolveu trabalhar ao nível da intervenção ética do que um político (1971)
"Qualquer Estado moderno é inevitavelmente um Estado social, pois a nenhum poder politicamente organizado é hoje possível deixar de conformar-se com as realidade sociais e tomar a seu cargo a satisfação das necessidades colectivas" (1971)
"Um Estado não se governa como uma empresa, e as leis não podem ser encaradas como ordens de serviço por melhores que sejam"(Entrevista a "O Tempo", 1971)
"O Homem é a nossa medida, nossa regra absoluta, nosso início e nossa meta.(Comício, 1974)
"O Estado deverá garantir suficiente capacidade humana, técnica e financeira para poder intervir como investidor, realizando projectos de grande dimensão em sectores estratégicos da actividade económica nacional" (1974)
A social-democracia defende convictamente a democracia dos abusos do poder e aspirações ditatoriais. E procura dar-lhe um conteúdo real, fomentando a participação de todos na transformação da sociedade" (Entrevista ao Diário Popular, 1975)
"Há uma crise económica e social de proporções alarmantes para as nossas possibilidades efectivas de momento; há a própria crise da nossa identidade como Povo."Fonte - Assembleia da República (1976)
"Os homens só se determinam e animam quando sabem o porquê e para quê dos sacrifícios que lhes pedem.(Assembleia da República, 1976)
"O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa-fé" (Congresso do PSD, 1978)
Os problemas económicos são os que mais nos preocupam: o custo de vida, o desemprego, o bem-estar das pessoas. E também a eficácia administrativa, a organização do Estado no sentido da ordem democrática" (1979)

---------

quarta-feira, maio 13, 2015

hoje é dia de aparições de virgens

à atenção da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco: nas religiões monoteístas (= um só Deus) tudo o que não seja adoração a Deus deve ser considerado uma expressão de idolatria, qualificada como um pecado capital (cortesia de Viriato Porto)

Estreia no sábado dia 16 na RTP2: “O Bebé de Macon” um filme de Peter Greenaway sobre a transversalidade da corrupção na sociedade - Em Itália, na segunda metade do século XVII, embora a peste e a esterilidade atinjam a população de Macon, um bebé nasce de uma suposta virgem, provocando uma manifestação de histeria sobre a intervenção divina. A criança passa a ser objecto de culto e adoração, dando margem a uma série de mentiras, explorações e corrupções. O fenómeno vai ser revelador da corrupção existente em todos os níveis sociais. Greenaway abusa do inusitado e inspira-se em velhos cultos e lendas, assim como na fábula de Demeter e Perséfona, para descrever a trajetória do catolicismo com uma ironia dilacerante. Sentimentos como vaidade, ambição, ganância, inveja e ciúmes dão o mote para uma narrativa que lembra uma obscura e sombria encenação teatral, necessária para o clima da história. (daqui)

óh meus caros bambinos
mudem de rumo, mudem de rumo, excelentissimos crentes, tomem os vossos lugares... 
.............

terça-feira, maio 12, 2015

ora toma lá óh 25 de Abril da burguesia; eu já fui revolucionária e sei bem do que é que estou a falar

"O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o cadáver"

..........

segunda-feira, maio 11, 2015

da Grande Europa para a Grande Ásia, a Entente Sino-Russa

A ruptura entre a Rússia e o Ocidente decorrente da crise de 2014 sobre a Ucrânia tem amplas implicações geopolíticas. Com a Rússia revertida para a sua posição tradicional como potência euro-asiática situada entre o Oriente e o Ocidente, a correlação de forças pende na direcção da China, face à pressão política e económica dos Estados Unidos e da Europa. Não será um simples presságio um novo bloco China-Rússia, embora a época da integração da Rússia pós-comunista com o Ocidente capitalista já vá longa. Mas na época seguinte a Rússia procura expandir e aprofundar as suas relações com nações não-ocidentais, obviamente com foco na Ásia a que pertence a maior parte do seu território. Os líderes ocidentais deveriam levar essa mudança a sério.

A situação da Rússia como pivot para a Ásia é anterior à crise na Ucrânia, mas tornou-se mais pronunciada desde então. Isto em parte porque a China é a maior economia fora da coligação que impôs sanções à Rússia, medidas que resultaram da crise, mas pouco ou nada afectam a sua economia. Pelo contrário, os maiores prejuízos têm sido suportados pelos países da União Europeia que se têm visto a braços com a proibição de exportarem produtos para a Rússia, enquanto sofrem condicionalismos na importação de gás, uma commodity estratégica vital para os países da Europa central. Como alternativa, aquilo que tinha sido originalmente para Moscovo um "casamento de conveniência" com Pequim transformou-se numa parceria muito mais estreita que inclui a cooperação no comércio de Energia, Minérios, Infra-Estruturas, e Defesa. A visão de Putin de uma "grande Europa" de Lisboa a Vladivostok, composta da União Europeia e da União Económica Euroasiática liderada pela Rússia, está a ser substituída pela "Grande Ásia" de Xangai até São Petersburgo. A Rússia é agora a maior aliada da China na crescente concorrência entre Pequim e Washington, situação que a breve trecho reforçará a importância da China.
O fim do takeaway pela burguesia ocidental de mercadorias a preços irrisórios das “fábricas do mundo” asiáticas vai (já está) a provocar a decadência do mundo desindustrializado. A construção de um mundo novo não poderá alimentar velhos modelos de tirania. A necessidade incontornável de reindustrialização num novo paradigma tecnológico é uma oportunidade para o regresso da luta de classes e para o derrube das serventuárias oligarquias da Europa. Ainda a mesma Europa que viu a Alemanha assinar a “acta do chanceler” em 1945 e que obriga hoje, 70 anos depois, todo o velho continente a prestar vassalagem ao imperialismo norte-americano.
O confronto da Rússia com os Estados Unidos, uma reedição da Guerra-Fria, está a ajudar a mitigar as rivalidades entre a Federação Russa e a República Popular da China que remontam ao conflito sino-sovietico da década de 60. Então, como neste momento com vantagem para a China. Isso contudo não significa que a Rússia seja dominada pela pelo eixo Pequim-Moscovo, mas é provável que esteja na ordem do dia uma relação especial de parceria. Com o poder económico da China e a especialização de grande potência da Rússia, o grupo BRICS (de que a Rússia faz parte, juntamente com o Brasil, Índia, China e África do Sul... e com a Grécia a caminho) irá cada vez mais desafiar o G7 como centro paralelo de governança global. A Organização de Cooperação de Xangai, onde este ano se associaram a Índia e o Paquistão, está a caminho de se tornar o fórum de desenvolvimento e de segurança que define o plano director para a Ásia continental. Através das suas relações reforçadas com países não-ocidentais, a Rússia está a promover activamente um novo conceito de ordem mundial que busca reduzir a predominância global americana (a tentativa de criar um mundo unipolar como referiu Putin no discurso do Dia da Vitória) e substituí-lo por um consenso em que os Estados Unidos sejam apenas uma grande potência entre outras.

domingo, maio 10, 2015

emprestar, consumir, pagar

Foi o crédito fácil ao Consumo que transformou a maioria dos portugueses em escravos da Dívida.

80 por cento das famílias estão falidas – 1,4 mil milhões de euros de crédito malparado quando Coelho e Portas tomaram posse – para 5,9 mil milhões quando este “governo” está prestes a ser expulso do pote. Mas deixam metástases, um legado de “contabilidade criativa” cuja gestão de prejuízos é lançada direitinha para o próximo governo; que quando lá chegar irá dizer que não sabia, não vão poder cumprir com algum hipotético programa que tenham prometido, infelizmente temos de continuar a aplicar as mesmas, ou ainda mais, medidas de contenção de despesas ie austeridade, etc.

Cavaco tomou posse em 2006 com Portugal a dever 187,1 mil milhões de euros. Chegará ao fim do seu período de validade, já expirado à muito, com Portugal com uma dívida situada nos 228,9 mil milhões. Dados de 2014, porque entretanto até Abril de 2015 já atingiu os 234,5 mil milhões de euros. No mesmo período, os Bancos privados conseguiram diminuir a dívida de 97,8 mil milhões que se registava em 2006 para 69,2 mil milhões em 2012. Mas o Banco de Portugal que tinha em 2006 uma dívida de 4,2 mil milhões devia em 2012 dez vezes mais: 44,1 mil milhões. Voltando ao crédito ao Consumo, dizia-se que a abertura das grandes superfícies sem limites horários, incluindo aos domingos, conjugada com a “flexibilidade” cavaquista iria criar mais empregos. Viu-se. A demissão do Estado no controlo da proliferação de empregos de merda permitiu aos hipermercados destruirem milhares de pequenos comércios de proximidade nos bairros e nos centros históricos
E a labuta continua. Impõem Portugal a crescer pelo Consumo, enquanto as multinacionais estrangeiras crescem pela Produção e lucram com sangria de divisas que sai do país para pagar importações, a maioria das quais supérfluas. (p/e o Eurofund)

sábado, maio 09, 2015

9 de Maio de 1945, a história que se tenta reescrever no ocidente (V)

Esta ano a parada militar em Moscovo "foi a maior da história", segundo tinha anunciado o Kremlin, desfilando (hoje sábado a partir das 10 horas locais) mais de 16.000 soldados, incluindo em particular unidades da República Popular da China, da India e da Sérvia, aos qual se juntam 2.300 veteranos da Grande Guerra Sagrada pela defesa da Pátria. A grande demonstração de força será contudo posta na apresentação do armamento, especialmente o blindado Armata T-14, construído para ser o tanque mais "mortal" de sempre devida à sua couraça impenetrável e canhões automáticos. Da sua torre de controlo remoto e radar podem-se controlar simultaneamente até 40 alvos terrestres e 25 alvos aéreos num raio de 100 quilómetros. Como se trata da inauguração oficial da nova Guerra Fria, como meios dissuasores serão apresentados mais 200 veiculos militares, a maioria de características inovadoras, e 143 aviões e helicópteros de combate. Portanto, este é um momento de nostalgia que fará regressar à mente dos nazi-fascistas europeus o legendário tanque T-34, que tantos estragos provocou entre as tropas alemãs faz 70 anos. (ler mais)

Pequim retira lições do passado soviético
As “democracias financeiras” do Ocidente estão hoje então a braços com a capacidade de produção tecnológica russa aliada ao extraordinário potencial humano chinês – conforme o Acordo de Colaboração para as mais diversas áreas entre Vladimir Putin e Xi Jinping assinado ontem em Moscovo. Uma reedição contemporânea da “Rota da Seda” através do continente asiático, sobre o qual o imperialismo norte-americano tem utópicas e estúpidas ambições desde que pariu o “The Grand Chessboard”. Mas desta vez, com o poder entregue a vassalos, a Europa não dispõe de nenhum Marco Polo capaz de ser o embaixador que aprenda e nos traga conhecimento sobre sociedades organizadas para o desenvolvimento humano com ênfase na defesa colectiva do povo.

Como europeus estamos então encomendados às personalidades caguinchas de Hollande, (em vez de DeGaule), a Cameron (em vez de Churchill) e a Merkel (em vez de Hitler) - e a Merkel assenta como uma luva nas trombas a letra do hino que galvanizou os soldados do Exército Vermelho em 1941: “Não se atrevam as vossas negras asas/ a voar sobre a nossa Mãe Pátria/ não se atrevam a pisar/ os nossos campos imensos/ Disparemos uma bala na testa/ dos parasitas fascistas/Façamos um robusto ataúde/ para tal raça/ Que a nossa Ira/nos levante como uma onda/ Esta é uma guerra do Povo/ esta é uma Guerra Sagrada” (ouvir aqui)

9 de Maio de 1945

a partir das 7,00 horas tmg
Transmissão em directo de Moscovo e das comemorações do Dia da Vitória por toda a Rússia. Especial ênfase posta na Crimeia, onde pela primeira vez se juntam à Esquadra Naval Russa dois cruzadores da Republica Popular da China vindos do Mediterrâneo. Seria impedir o acesso da Marinha da Rússia ao Mediterrâneo o principal objectivo do golpe nazi-fascista na Ucrânia, apoiado e financiado pela União Europeia e pelos Estados Unidos. Estão na Tribuna da parada militar de Moscovo dezenas de presidentes de todo o mundo;  entre eles (apenas) 5 governantes Europeus da área da Nato. A demonstração de força da Federação Russa aliada com a República Popular da China é em primeiro lugar uma demonstração de respeito pelos milhões de mortos nos trágicos acontecimentos de 1941-1945, em segundo lugar, uma mensagem acutilante para que não se repitam
traduzido em castelhano
Segundo um inquérito realizado recentemente apenas 12% dos europeus sabe que a União Soviética teve um papel determinante na vitória sobre o Nazismo em 1945. Nos Estados Unidos numa amostra colhida em Times Square a ignorância é ainda mais confrangedora - a estupidificação é de tal ordem que quase ninguém sabe sequer o que foi a 2ª Grande Guerra. Muitos respondem ter sido um conflito entre Bush e Saddam Hussein. Um tal panorama cultural é criminoso, propicio a lançar de novo milhões de pessoas num conflito cujas causas se expressam apenas em defesa de um capitalismo que se tornou insustentável e destrutivo.(ver para crer)

o Dia da Vitória começou a desenhar-se em 1943 (III)

Hitler em 1941 tinha prometido aos seus soldados e generais que três semanas após a invasão da União Soviética, estariam desfilando em Moscovo, queimando de seguida a cidade para remover da face da terra o Bolchevismo, defensor dos judeus e de raças impuras. Mas passados 3 anos era este o estado miserável da tropa agressora nazi – finalmente desfilavam sim, mas desarmados, sujos, humilhados e expostos como animais à curiosidade do tão sacrificado povo russo. Ainda assim, apesar das atrocidades, e numa lição de grande dignidade, durante o tenebroso cortejo dos prisioneiros alemães não se ouvia do povo russo a mais pequena invectiva ou o mais que merecido insulto  

..............

sexta-feira, maio 08, 2015

70º Aniversário da Vitória sobre o Nazismo (II)

................
A passividade das potências capitalistas ocidentais face ao expansionismo alemão, italiano e japonês – que vinha já de trás, da ocupação e anexação de diversos países e territórios – tinha um objectivo bem definido: empurrar a agressividade nazi-fascista para destruir o regime daa União Soviética, propósito principal de Hitler, evidente no próprio Mein Kampf e na assinatura com o Japão do Tratado Anti-Komintern, ao qual viria a aderir a Espanha fascista em 1939 no final da guerra civil.

A resposta do povo russo encarnado no Exército Vermelho liderado por José Estaline foi fulminanante, como se sabe, culminando na batalha de Berlim com o hastear da bandeira dos operários e camponeses na cúpula do Reichtag. Um facto pouco lembrado, que entre os defensores nazis em Berlim se encontrava a famosa Divisão Azul da Espanha fascista (1). A conquista de Berlim é um feito imortal de que se comemora agora o 70º aniversário. A epopeia foi paga com mais de 20 milhões de russos mortos na Guerra Sagrada pela Pátria e pela erradicação do Nazismo na Europa Oriental. Mas a Grande Guerra Mundial não terminaria nesse dia 9 de Maio. Três meses depois, no extremo oriente asiático a União Soviética declarou guerra ao Japão e conquistou a colónia chinesa da Manchúria ocupada pelos japoneses. No dia seguinte os Estados Unidos efectuaram o primeiro ataque terrorista com armas atómicas, destruindo Hiroshima e três dias depois Nagazaki. Este acto desesperado dos imperialistas norte-americanos acontece para evitar a todo o custo que fosse o Exército Vermelho a ocupar o Japão e transformasse o Império do Mikado num país socialista. A rendição do Japão chegou a 2 de Setembro de 1945 assinada perante o general MacArthur a bordo do cruzador Missouri ancorado no porto de Tóquio.

(1) O revisionismo histórico em marcha tenta apagar factos incómodos para o regime da nova "democracia" neo-fascista. Mais de 125.000 europeus ocidentais não alemães serviram militarmente a Alemanha de Hitler! A Divisão Azul espanhola enviada para a frente leste alemã era composta por 47.000 "voluntários" dispostos a lutar pelo nacional-socialismo hitleriano. Embora não existam estudos historiográficos de voluntários portugueses entre esses combatentes pró-Nazis, como antes os "Viriato" na guerra civil espanhola, Portugal fez-se representar em apoio dos homens de Franco por "observadores estagiários” junto da Divisão Azul - um deles, que depois se viria a tornar famoso, foi António de Spínola, que chegaria ao posto de Marechal. 
(“Mercenários de Hitler – Tropas extranjeras al Servicio del Tercer Reich”, de Christopher Ailsby, Editorial LIBSA, Madrid)

quinta-feira, maio 07, 2015

por uma moeda única mundial

O decadente dólar como moeda de hegemonia global vem juntar-se às guerras cambiais. A soma de todas as balanças comerciais do mundo é igual a zero, o que significa que nem todos os países podem ser exportadores líquidos - e que guerras cambiais acabam sendo jogos de soma zero. É por isso que a entrada dos EUA na guerra cambial era apenas uma questão de tempo. (Nouriel Roubini, Maio de 2015). É também por isso que na República Popular da China se advoga abertamente a criação de uma moeda única global (afinal uma ideia de Keynes não aceite em 1945) que possa reflectir o valor trabalho e ponha termo às infames disparidades nas trocas desiguais e especulações financeiras.  

A batalha de Waterloo, os assassinatos de seis presidentes dos Estados Unidos, a ascensão de Adolf Hitler, duas grandes guerra mundiais, a deflação da bolha económica japonesa em 1994, a crise financeira asiática de 1997-98, a destruição ambiental, tudo no mesmo mundo desenvolvido, no best-seller editado na China “As Guerras Cambiais” (Currency Wars) esses eventos díspares abrangendo dois séculos têm uma única raiz causuistica: o controle da emissão de moeda através da história pela dinastia dos banqueiros Rothschild. Ainda hoje, reclama o autor Song Hong-bing, a Reserva Federal dos EUA continua a ser um fantoche dos bancos privados, que em última análise, também devem vassalagem aos omnipresentes Rothschilds. Uma tal super-abrangente teoria da conspiração interessa tanto quanto os muitos fétidos ensaios que ainda podem ser encontrados no Ocidente sobre os "gnomos de Basileia" e manipulação das finanças globais por Wall Street?
Mas na China, que se encontra no meio de um longo debate sobre a abertura do seu sistema financeiro sob pressão dos Estados Unidos, o livro tornou-se um surpreendente êxito e está a ser lido em níveis superiores do governo e de empresários envolvidos em negócios com o estrangeiro - "Algumas cabeças seniores de empresas foram-me perguntando se tudo isso é verdade", diz Ha Jiming, economista-chefe da “China International Capital Corp”, o maior banco de investimento nacional. O livro dá também argumentos, para os muitos economistas que na China argumentam que Pequim deve resistir à pressão de os EUA e outros países para permitir que sua moeda, o renminbi, se possa valorizar. A editora do livro, uma unidade de produção do grupo estatal CITIC, disse que as Guerras Cambiais” publicaram até agora cerca de 200.000 livros, estimando que tivessem sido fotocopiadas mais 400.000 exemplares. Song Hong-bing, consultor de tecnologias de informação e historiador amador que viveu nos EUA, diz que o seu interesse foi despertado pela tentativa de descobrir o que esteve por trás da crise asiática em 1997. Depois que começou a blogar algumas de suas descobertas, os seus amigos sugeriram que ele devia encontrar um editor para o apoiar num trabalho mais longo. Hoje confessa-se surpreendido com o sucesso do livro - "nunca imaginei que pudesse despertar tanto interesse (…) as pessoas na China estão nervosas sobre o que está a acontecer nos mercados financeiros globais, e não sabem como lidar com os perigos reais. Este livro dá-lhes algumas idéias". O que mais choca as pessoas, diz o autor da descoberta, é que a Reserva Federal (FED) é um banco de propriedade e gestão privada. "Eu próprio nunca poderia imaginar que um Banco Central pudesse ser um organismo privado".

A Reserva Federal faz-se descrever como “uma mistura pouco comum de elementos públicos e privados". Conquanto os seus sete governadores sejam todos nomeados pelo presidente dos Estados Unidos, os bancos privados detêm as acções dos seus 12 Bancos de Reserva Regionais. Podemos ignorar o papel do governo e pensar que é esta corporação financeira que selecciona os presidentes levados a eleição. A FED é em última análise controlada por cinco bancos privados, entre eles o Citibank e o Goldman Sachs, os quais mantêm uma "relação estreita" com os Rothschilds, descrita no livro como tendo as características de um clã judaico. "O povo chinês pensa que os judeus são inteligentes e ricos, por isso, devemos aprender com eles (…) mesmo eu acho que eles são muito inteligentes, talvez as pessoas mais inteligentes da terra". Jon Benjamin, presidente-executivo da Câmara de Deputados dos Judeus Britânicos, não está impressionado. "Os chineses têm o maior respeito por aquilo que vêem como perspicácia intelectual e comercial dos judeus, e têm pouca ou nenhuma cultura de anti-semitismo. Esta afirmação, no entanto, joga as cartas mais desacreditadas e obsoletas que cercam os judeus e a sua influência. Que estes pudessem vir a ganhar dinheiro emitido por um Banco Central na economia emergente mais importante do mundo é uma grande preocupação”. O livro vem sendo ridicularizado na internet chinesa a partir do exterior, por exagerar a influência dos Rothschilds e ser uma contrafacção das teorias da conspiração inventadas no Ocidente. As “Guerras Cambiais” narram as crises financeiras até à década de estagnação no Japão e da crise financeira asiática, que segundo o autor tiveram um impacto profundo em muitos decisores das políticas chinesas. Tais funcionários executivos permanecem profundamente desconfiados do “aconselhamento” gentilmente prestado por países capitalistas ocidentais que seria muito mais benéfico abrir o sistema financeiro da China e fazer flutuar a moeda nos mercados cambiais. “Pensamos que esse “conselho” é apenas uma nova forma de saquear países em desenvolvimento". Entretanto, o autor foi contratado pelo governo para escrever uma série de novos livros capitalizando o seu sucesso, sobre o yene, o euro e também sobre o sistema financeiro da China.

Mas, ao tempo do lançamento em entrevista ao Financial Times, Song Hong-bing parecia hesitante sobre a linha que os seus futuros livros deviam tomar - "este livro pode estar totalmente errado, por isso, antes do próximo, tenho que ter certeza que o meu entendimento está certo (…) antes deste livro, eu era um zé-ninguém, podendo dizer qualquer coisa dependendo apenas do meu gosto, mas agora a situação mudou". Certo é que logo ao 2º livro Song Hong-bing ilustrou a capa com a famosa mão invisivel que mexe na sombra os cordelinhos de toda a economia Ocidental. Desde 2011 “Currency Wars” já conta com 5 novas sequelas e actualizações estudando vários períodos e moedas susceptiveis de entrar em guerra.

fontes e leituras complementares
1. "O fim do dólar como moeda de reserva global? A China anuncia planos para a criação de uma moeda mundial. Currency Wars: The Making of the Next Global Crisis", James Rickards  
2. Os chineses compram as teorias da conspiração (Financial Times, Setembro de 2007)
3. O ultra-secretismo que rodeia as negociações de Barack Obama para um novo Tratado Económico Global (The Economic Colapse, Maio de 2015)
4. O "Bancor", uma moeda supranacional proposta pela Inglaterra como potência hegemónica cessante por Lorde Maynard Keynes, não aceite no final da 2ª GGuerra pelos triunfantes capitalistas imperialistas dos Estados Unidos (wikipedia)