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quinta-feira, janeiro 14, 2016

Marketing à portuguesa, Factos ao serviço da Alemanha

o eleitoralmente encolhido xuxa espanhol Pedro Sanchez esteve em Lisboa a receber uma aula de Costa sobre como se fabricam coligações a armar ao avesso. Ao sair afirmou peremptoriamente não aceitar qualquer coligação com o PP recusando viabilizar novo governo de Mariano Rajoy. Aldrabão. No dia seguinte Sanchez chegou a Madrid e fez um pacto secreto com Rajoy em que aceita conceder a maioria no Congresso ao Partido Popular em troca do lugar da presidência da mesa - 3 deputados para o PP e 2 para o PSOE, o que em conjunto com os 2 deputados da muleta Ciudadanos dá a Rajoy o poder de continuar a controlar o Congresso - pese o folclore nos media, as caras novas, das deputadas de Tshirt e mini-saia Working Class Heroes, as mentiras sobre influências dos grupos parlamentares (os coisinhos do Podemos), certo é que o poder de legislar e governar para os capitalistas-de-estado permanece intocável no PP como anteriormente (fonte)

quarta-feira, maio 27, 2015

as Eleições Municipais em Espanha

Na hecatombe eleitoral o partido de Aznar perdeu 2,5 milhões de votos, passando de 37% para 27% de votos e de 26.000 municipios para 22.000. Subsistir ainda tanto lugar de poder entregue a facinoras económicos é uma derrota para os povos ibéricos de expressão espanhola que vêem os corruptos do PP continuar na linha da frente dos governos autárquicos (46,69% em Madrid), e uma vitória parcial porque vê o PSOE tornar-se insignificante e quase desaparecer do mapa. Entretanto, a argumentação do Partido Popular está empenhada em recordar ao povo que são o partido mais votado, que a economia vai bem, no melhor dos mundos… enquanto por detrás deste discurso se desmorona o edificio de mentiras e as pessoas se iludem com promessas de futuro sem a máfia ao serviço dos mercados.

 
Contra os grandes partidos, há uma revolução sem teoria revolucionária, com a emergência de uma miríade de movimentos sociais, coligações, plataformas precarizadas contra a herança neoliberal.

Ada Colau, uma activista ex-portavoz da "Plataforma de Afectados por la Hipoteca" contra os despejos, sempre a contas com a policia de choque, foi eleita presidente da Câmara de Barcelona liderando a coligação “Barcelona en Comú”, que é uma plataforma de cidadãos e dos pequenos partidos “Iniciativa per Catalunya Verds”, “Esquerra Unida i Alternativa”, “Equo”, “Procés Constituent” e “Podemos”. Todos almejam a independência “total” da Cataluña dos bancos, da troika das élites políticas e económicas. Colau denunciou de imediato as "reuniões extraordinarias de última hora" do governo cessante da CiU para adjudicar contratos "de favor" que comprometeriam os orçamentos seguintes.

Manuela Carmena Castrillo à frente da coligação “Ahora Madrid” sucede a Ana Botella no governo da cidade. Carmena é uma advogada que se notabilizou no combate contra os subornos pagos aos agentes do poder judicial. Mas a mulher de Aznar deixa bem atados em reuniões de última hora os contratos no valor de 3.500 milhões de euros adjudicados a um reduzido números de empresas ligadas ao PP, a maioria construtores civis, contratos com prazos que chegam a 12 anos, isto é, por três legislaturas os impostos dos cidadãos são encaminhados para os bolsos de gente corrupta contra a qual os agora eleitos mais não poderão fazer que guerras jurídicas.

domingo, maio 17, 2015

Spal, colónia Fenicia

Nas águas ao largo sudeste da Espanha, o resgate de um barco escavado recentemente rendeu presas de elefantes africanos inscritos com os nomes dos deuses fenícios. Estas presas, a juntar ao tesouro de 1958, provavelmente são provenientes duma colónia fenícia perto de Sevilha ou Cádiz, a cerca de 4.000 quilómetros do coração do território dos fenícios, no extremo leste do Mediterrâneo. E a esses mesmos comerciantes marítimos se podem também agradecer a própria existência da Ilíada de Homero e a Odisseia, que foram escritas a partir da sua tradição oral entre o oitavo e sexto séculos a.e.c, depois que os gregos adoptaram igualmente a ideia inteligente de escrever  usando um alfabeto similar ao inventado pelos Fenicios. Foi no início da Idade do Ferro, na primeira metade do primeiro milénio a.e.c, ainda não havia a "globalização" e a internet que vieram definir a nossa própria era de hiperconectados, existindo já as rotas de comércio tecidas entre o Próximo Oriente, Norte de África e Mediterrâneo, numa teia altamente complexa, numa profunda simbiose de culturas. Na época de Homero, por volta do início do milénio, havia um comércio intercontinental florescente de requintados artefactos em ouro, jóias e marfim, objectos de culto exóticos, mobiliário primorosamente trabalhado e malgas de prata polida magistralmente gravadas com elaboradas cenas de caça e heróicas batalhas, bem como os muitos comuns biscoitos. Cerca de 700 a.e.c, o assentamento fenício de Spal, um predecessor de Sevilha, Espanha, já era suficientemente grande e estabelecido para que os seus sacerdotes usassem este sumptuoso, intrincado e pesado colar de ouro para os rituais. A peça faz parte do comjunto conhecido por Tesouro de Carambolo (exposto esporadicamente no Museu Arqueológico de Sevilha, mas guardado num cofre-forte de uma entidade bancária), uma mostra da grande arte que os Fenicios espalharam por todo o Mediterrâneo, desde a Assiria até à Ibéria. (Saudi Aramco World)


sábado, dezembro 06, 2014

Yes, We Podemos

O movimento “Podemos” acaba de apresentar em Espanha uma proposta para discussão de programa económico “para que sirva como ponto de partida para a elaboração de um programa de governo com o qual concorrerá às próximas eleições legislativas – um documento assinado pelos economistas Vicenç Navarro e Juan Torres López intitulado “Democratizar a economia para sair da crise melhorando a equidade, o bem-estar e a qualidade de vida – uma proposta de debate para solucionar os problemas da economia espanhola”. É um documento base que faz o diagnóstico da actual situação de grave crise para traçar linhas estatégicas para propostas concretas de governo a levar a cabo por mais que uma legislatura visando uma profunda transformação social. Não é ainda um programa de governo, o qual deverá resultar de um trabalho mais amplo de debate “com peritos em economia de dentro ou fora da organização do Podemos” de onde sairão as medidas concretas.

Venha o voto e depois logo se vê
"queremos obter um “máximo acordo social"
Alemanha, anos 20, Georg Grosz
“Desejamos alcançar um modelo de economía diferente e uma sociedade mais justa e satisfatória para todas as pessoas sem distinção. Para que tal seja possível, acreditamos que as propostas devem basear-se num diagnóstico realista para determinar quais são os melhores remédios para os males que sofremos e evitar a fraude intelectual que tantas vezes os líderes do PSOE e do PP se comprometeram. Por exemplo, quando nos seus programas eleitorais de 2008 (e já em crise) o PSOE afirmou que o seu futuro governo iria alcançar o pleno emprego em Espanha ou o PP de Rajoy disse em 2011 que iria criar 3,5 milhões de empregos quando fosse governo. Quando afinal as medidas que vêm sendo adoptadas em Espanha nos últimos anos produziram o maior aumento na desigualdade da nossa história recente, provando-se que elas não foram concebidas, como eles dizem, para sair da crise, mas para favorecer os grupos mais poderosos que detêm o poder económico e financeiro e ao longo de décadas se tornaram ainda mais fortes pelo apoio que lhes dá uma União Europeia, também ela dominada por grupos dessa natureza. A partir de agora é essencial um grande acordo social para enfrentar a ditadura real que estamos a viver nos assuntos económicos. No final do documento resume-se em 7 pontos que o “Podemos” deverá propor um grande Pacto a todos os indivíduos e operadores económicos para fazer a democracia chegar à economia, por forma a distribuir de forma justa os sacrifícios e os benefícios das medidas a tomar, ao contrário do que tem acontecido até agora. Perceber isso implicaria um acordo sobre os seguintes temas e termos centrais que se desenvolveram nas secções anteriores:

Lenine, Jesus Cristo e o Rato Mickey (Alexander Kosolapov)
1. A reforma financeira começa com o reconhecimento do crédito como um bem público essencial para a economia.
2. Pacto sobre rendimentos que leve ao aumento da participação dos salários nos rendimentos para os níveis existentes, por exemplo, no final dos anos noventa
3. Reforma fiscal para combater a evasão fiscal, com taxas efectivas de imposto para todos os tipos de rendimentos que aumenta a equidade global do sistema, e criar novos impostos para desencorajar a especulação e incentivar o investimento produtivo, equidade e sustentabilidade da actividade económica.
4. Reforma das administrações públicas para melhorar a sua eficiência, obter economias em gastos desnecessários e contribuir da melhor maneira possível para criar riqueza produtiva
5. Aumento dos gastos sociais na perspectiva de os aproximar dos programas dos fundos médios de resgate e apoio europeu que garanta a todos os cidadãos uma renda mínima de subsistência conforme os direitos inscritos na Constituição espanhola.
6. Acordo sobre estratégia global para tornar a dívida sustentável
7. Estratégia para repensar as políticas europeias que sufocam as economias e os grupos sociais mais fracos, as quais demonstraram ser completamente ineficazes na resolução dos problemas da recessão, fazendo com que, pelo contrário, esta ficasse pior, com maior desemprego, mais da pobreza e o continuado aumento da dívida.

A situação em que a economia espanhola se encontra é muito difícil, quase de emergência, e há uma grande probabilidade de que no futuro próximo voltarem a acontecer situações de grande agitação no mundo, porque os principais problemas que geraram a instabilidade sistémica financeira e no meio ambiental não foram de modo nenhum resolvidos. Mas nós Podemos resolvê-los com êxito se se apontarem as causas que provocaram a situação e fizermos o esforço necessário para resolver os problemas se os repartirmos com equidade” (ver proposta do programa original aqui em castelhano)

É um texto redigido em social-democratês, recheado de lugares-comuns e destinado a apaziguar a luta de classes, que neste momento constitui o objectivo principal dos patrões e da classe dominante. Toda a gente é levada a concordar, especialmente com os muitos elementos de política geral (uma economia a serviço da maioria social, uma economia sustentável, etc.) e alguns pontos específicos. A questão da Europa assim como a questão, do Euro e do default/reestruturação da dívida, não faz referência a qualquer auditoria cidadã ao processo de endividamento. E não tendo um lugar central é insuficiente ver no documento uma base para discussão. Mas fica claro, a batalha da dívida, que é uma batalha Europeia, não está ganha, não haverá keynesianismo ou rendimento básico ou terceira via. Haverá apenas mais austeridade.

Sérias dúvidas há também quanto à questão central do emprego quando confrontado com o modelo capitalista. Ficam por esclarecer as profundas diferenças no diagnóstico do capitalismo financeirizado nas escolas neo-keynesianas e outras leituras, como a de Robert Brenner e David Harvey, sem que exista no documento de Navarro e Torres uma única posição marxista na análise ao sistema de crédito.  Sugere-se o reforço dos sistemas de crédito públicos e o "direito ao crédito".  Não deve existir nada contra o empréstimo propriamente dito, desde que este seja par a assegurar que os níveis salariais crescem o suficiente sustentados no trabalho produtivo para toda a sociedade não ficar sob um novo tipo de "servidão pela dívida" como aquela que ainda estamos a viver . Gasta-se aqui também uma boa porção de papel falando em fortalecer os sindicatos - mas, se avançarmos um cenário de fraco investimento privado por um lado num contexto onde permanece a atomização das empresas e a precariedade pela retirada do capital pela banca, descobrimos que o sector privado de pouco pode valer à união sindical se o grande empregador é o Estado. O rendimento básico para todos, com especial ênfase nos desempregados, aparece aqui literalmente apagado do mapa, conquanto em conjunto com os milhões de empregados precários  esta actualmente seja a melhor base social possível para a negociação contra o capital.

Boaventura Sousa Santos diz estarmos perante um "partido-movimento de tipo novo" - novo? assenta numa proposta de conciliação de classes, tipicamente social-democrata na esperança que esta se torne global por caridade dos ricos, omisso quanto ao imperialismo e ao seu braço armado, a Nato - resta saber se o capitalismo, no seu estado actual de decadência e degradação do processo de acumulação de capital, poderia sustentar de novo um regime social-democrata. (Visão)

sexta-feira, novembro 28, 2014

o Canto da Sibila



El Cant de la Sibilla é um canto litúrgico sobre a profetisa pagã Eritreia descrevendo a chegada de Cristo e o Apocalipse do fim dos tempos. Foi cantado originalmente nalgumas igrejas de Maiorca (Espanha) e Alghero (Sardenha, Itália) em língua catalã em véspera de Natal quase uninterrruptamente desde a idade medieval. A canção foi declarada obras-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2010.

O autor do Canto da Sibila é desconhecido. A profecia foi registada pela primeira vez como um poema apócrifo em grego pelo  bispo Eusébio de Cesaréia e depois traduzido para o latim por Agostinho de Hipona n`A Cidade de Deus. Apareceu novamente no século X em diferentes locais por toda a Catalunha, Itália, Castela e França nos sermões cristãos judaizados.

Contra, posteriormente inseridos na leitura da sexta aula do segundo nocturno de matinas e foi realizada como parte integrante da liturgia . Este canto foi originalmente cantada em latim e com o nome de Judicii Signum, mas a partir do Século XIII em diante são encontradas versões em catalão, não diretamente traduzidas do latim. Procedem de uma adaptação anterior, em dialecto provençal, o que prova a enorme popularidade desta canção deve ter tido no passado.

Entre os textos catalães que provêm desta raiz comum, há um Codex do sec. XIV mantido nos arquivos da Diocese de Maiorca, que foi redescoberto em 1908. A transmissão oral e a falta de registos escritos deu azo a que os vários textos no vernáculo antigo tivessem sofrido muitas modificações ao longo do tempo, o que levou a uma diversidade de versões. A Canção da Sibila foi quase totalmente abandonada em toda a Europa após o Concílio de Trento (entre 1545-1563) que declarou que o canto era proibido. No entanto, foi restaurado em Maiorca logo em 1575. Originalmente, a canção da Sibila era cantada ao modo gregoriano e, como pode ser visto no Codex mencionado anteriormente, o acompanhamento musical de que há registo em Maiorca, com exceção de algumas variações, foi o mesmo documentado noutros lugares por toda a Península Ibérica. A transmissão oral da música causou, como aconteceu com o texto, o aparecimento de diferentes variações e modelos que duraram até ao século XVII. O interesse entre musicólogos e intérpretes populares no século XIX reavivaram as diferentes versões e adaptações que são cantadas na actualidade - "tal como os meus antepassados do pântano yankee, acredito que existe um céu, e também um inferno. Então, devemos talvez morrer e nascer de novo, porque todos nós já estamos no inferno" - este é o mote para a versão dos Dead Can Dance. A gravação acima é a classica da Hesperion XX, com a Capella Reial de Catalunya, Jordi Savall e Montserrat Figueras.

quarta-feira, outubro 22, 2014

Itálica

O primeiro povoado romano no sul da Hispânia foi Itálica, fundada no ano 206 antes da nossa era, no final da 2ª Guerra Púnica contra Cartago, por iniciativa de Publio Cornelio Cipião, cognominado “o Africano”, com a finalidade de servir de assentamento aos feridos da batalha de Ilica e de colonos veteranos de guerra. Com a vitória sobre os cartagineses Roma assumiu a posse da exploração das imensas riquezas minerais, cobre, prata e ouro, de todo o sudoeste da peninsula ibérica.

terra de coelhos, dela diziam os romanos
Depois do imperador Augusto, a partir do século I, Itálica converteu-se em município (Colónia Élia Augusta Itálica) sendo-lhe conferida a prerrogativa de cunhar moeda. Na prestigiada Itálica nasceram os imperadores Trajano e Adriano usufruindo então a cidade de tempos economicamente esplendorosos que a fizeram desenvolver-se arquitectonicamente, erigindo-se novos edificios públicos como o Anfiteatro com capacidade para 25.000 espectadores, o Templo de Trajano, mansões como a Casa de las Hilas, a Casa de Neptuno, a Casa de Exedra e em geral um luxuoso conjunto residencial decorado com mosaicos nos pavimentos, ornamentos em mármore, estatuária importada da Grécia e da Mauritânia e ruas amplas ligando entre si os diversos bairros. O primeiro núcleo mais antigo fundado pelo general Cipião encontra-se actualmente debaixo dos caboucos da cidade contemporânea de Santiponce (9km a norte de Sevilla pela E803). A zona da cidade nova erigida pelo general Adriano é a parte do conjunto arqueológico preservado que se pode visitar, incluindo as muralhas, o teatro, o templo de Trajano, o anfiteatro e as termas. Presume-se que Itálica tenha sido aabandonada no século XII. As escavações arqueológicas iniciaram-se entre 1751 e 1755, dirigidas por Francisco de Bruna. Desde então, até aos nossos dias, os trabalhos arqueológicos nunca foram interrompidos. As suas ruinas foram declaradas Conjunto Arqueológico de Interesse Cultural por Decreto da Junta da Andalucía en 1989.

sexta-feira, setembro 12, 2014

11 de Setembro, no Dia Nacional da Catalunha, manifestação pró-independência reuniu 1,8 mihões de pessoas em Barcelona

Compreender a aspiração de independência da Catalunya pela história:

Com a morte de Carlos II a casa de Áustria não deixa descendentes directos, o que levará os monárquicos europeus a tomar partido entre os possíveis sucessores. A França defendia Filipe d`Anjou, neto de Luis XIV o Rei Sol e bisneto de Filipe IV, como candidato à Coroa de Castela. Enquanto toda a restante Europa defendia o arquiduque Carlos da Casa dos Habsburgos, afilhado do último rei e filho do imperador germânico. Carlos era o pretendente reconhecido maioritariamente para a coroa dos reinos da Catalunha e Aragão (que incluia Maiorca, a Sardenha, Córsega, Sicilia e Nápoles); e em 1705 foi proclamado rei de Barcelona pelas instituições catalãs.

Na sequência da Guerra dos 9 Anos, assim irá começar a Guerra da Sucessão em Espanha, em que tropas inglesas e austríacas lutaram contra tropas francesas e castelhanas, ajudados pelos partidários respectivos de cada candidato.
Os aliados, a Grande Aliança de Haia, pretendiam evitar que a casa dos Bourbons, que reinava em França e finalmente em Espanha a partir de 1700, adquirissem a hegemonia em todo o continente em detrimento dos países que se haviam aliado para o evitar: a Catalunya junta com os países da Coroa de Aragão (uma união com raízes no século XIV), a Inglaterra (os catalães com origem austríaca tinham assinado o pacto de Génova no ano de 1705 que reconhecia Carlos III de Habsburgo como Rei), a Holanda, parte da Itália e Alemanha e por fim, para desequilibrar, os paises do Império Austro Húngaro.

O primeiro acto da guerra começa em 1691 com a chegada da frota francesa e o bombardeamento da cidade de Barcelona por mar. 850 bombas lançadas em dois dias causam grandes prejuizos no casario. As tropas filipinas irão avançar e retroceder nesta grande contenda internacional. A frota francesa retira-se para ir atacar Alicante. Até que por fim, em 1697, é enviado o melhor da armada do rei de França comandada pelo conde d`Estrées (14 naus, 30 galeras, 3 bombardeiros e 80 embarcações menores) e o exército de infantaria do duque de Vendôme chega por terra com 18 mil homens e 6 mil cavalos iniciando o cerco da cidade, apostados em utilizar as últimas inovações em artilharia. A 14 de Setembro de 1705 o príncipe Jordi de Hessen- Darmstat, representante da coroa de Aragão nomeado pelo arquiduque Carlos III, morre ao tentar tomar o castelo do Monte dos Judeus (Montjuic), convertendo-se assim no primeiro mártir da história da Catalunya independente. Uma importante força de destruição desembarcou e continuou frente a Barcelona: 56 canhões e muitas outras peças de morteiro reforçados com tropas sob o comando do duque de Berwick, um avoengo da casa da familia Churchill.
A guerra irá sofrer uma reviravolta quando fica vazio o trono austríaco de que era herdeiro o arquiduque Carlos. A Inglaterra retira-se da guerra e a Catalunya irá ficar sózinha na defesa do arquiduque, abandonada à sua própria sorte. A partir de Julho de 1713, durante o ano que durou o cerco no total foram disparadas 50 mil balas de canhão, 20 mil bombas e efectuados 100 mil tiros de artilharia. 88 casas do então reduzido centro histórico foram totalmente destruidas e todas as outras sofreram danos parciais.
Após um ano de cerco, a 11 de Setembro de 1714, a cidade de Barcelona, que era defendida pelas milícias barcelonesas (a Coronela) sob o comando do capitão dos conselhos populares Rafael Casanova, sucumbiu às mãos das tropas de Felipe IV. Durante a batalha Rafael Casanova é ferido mortalmente; (e ainda hoje no monumento em sua honra no junto à Igreja de St. Maria del Mar arde ininterruptamente uma chama em sua memória e diariamente os populares ali depositam flores). 90 mil soldados do exército da casa dos Bourbon ocupam a provincia. Os catalães irão sofrer uma duríssima repressão. Perante a incredulidade dos cidadãos a inexorável lógica militar decide mandar revogar os títulos de propriedade e demolir todas as casas já se si muito danificadas no núcleo antigo da cidade, o bairro del Born, (onde se situa hoje o parque da Ciutadella), e construir ali uma grande fortaleza para aquartelar as forças invasoras.

Mais de 1000 casas e todo aquele sector de malha urbana de 200 hectares, antigamente muito próspero onde habitavam 40 mil pessoas, foi eliminado. Não há um paralelo comparável de destruição em toda a história europeia. O rei Filipe V, o primeiro da dinastia bourbónica irá suprimir a Constituição e as instituições democráticas catalãs de governo – como havia feito em Aragão e Valência – em 1716 promulga o decreto da Nova Planta, pelos qual os paises pertencente à coroa de Aragão eram desmembrados e submetidos à total dependência e organização política unitarista centralizada em Madrid. Vão desaparecer as Cortes Catalãs, a Generalitat e o Conselho dos Cem, os orgãos dos barceloneses que regiam o direito público catalão com direito participativos dos cidadãos que radicavam na tradição democrática adquirida a partir das Cortes de Tortosa em 1225. Todas as vias públicas foram renomeadas pelo rei de Espanha; e foi designado um capitão- general com autoridade máxima da Real Audiência para administrar justiça. Também irão ser suprimidas as Universidades de Barcelona e Leida, sendo criada outra de cariz filipino, a de Cervera. O castelhano é proclamado o idioma oficial único, e a língua catalã é banida, proibida por decreto. Assim será, e a Catalunya entra num lento processo de decadência cultural, até 1833 quando o Estado Espanhol será obrigado a reconhecer a provincia como entidade territorialmente unificada.

Durante a revolução, em 1869 o povo organizou-se e tomou nas suas próprias mãos a tarefa de demolição do quartel da Ciutadella, cujos terrenos livres (do antigo bairro del Born cujas ruinas arqueológicas recuperadas em parte se preservam hoje sob o coberto metálico do antigo mercado) dariam depois origem ao jardim que tem o mesmo nome. A partir do século XVIII os catalães embarcam na grande epopeia da colonização do Novo Mundo, que de um modo geral enriquece (a burguesia) do território. Gaspar de Portolà i Rovira, cuja estátua se situa hoje no alto do castelo sobre o porto, será o primeiro governador espanhol da Califórnia e a familia Guell, que enriqueceu com o negócio escravo das plantações de açúcar em Cuba, já no século XX encomenda a Antoni Gaudi o famoso parque que tem o seu nome e numerosas outras obras que hoje são ícones turisticos da cidade. Porém nenhuma destas novas memórias construidas e alimentadas com a exploração imperialista selvagem de outros povos, faz esquecer as velhas memórias das selvagerias antigas – Esta breve história aqui relatada é só para que se compreenda porque se queimam ainda hoje bandeiras espanholas e retratos do rei designado pelo ditador fascista Franco, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, na Diada, o Dia Nacional da Catalunya a 11 de Setembro, e se compreenda o sentimento de independência que está ali mais vivo que nunca,

11 de Setembro de 2014

domingo, junho 29, 2014

Marvão

da história islâmica perdida... os Ícones culturais do al-Andalus
(clicar nas fotos para ampliar) 
... de volta em visita à nossa terra. Dela disseram os Árabes ser "terra dos Vândalos" cuja principal Taifa (reino), na desagregação do Califado de Córdoba, ficaria conhecida por Vand`Aluzia. A velhinha Olisipo e o centro do nosso país pertenciam então (1009–1151) à Taifa de Badajoz (Ta'waif al-Batalyaws). Como centro administrativo alternativo à rebelde Mérida, Badajoz foi fundada no ano de 875 por Ibn Marwan (o filho-do-galego), o Emir que dá o nome a Marvão.
De notar a maioria de taifas autónomas governadas pela nobreza local (nativa da Ibéria), regra apenas quebrada em Valência e Almeria (nobreza de ascendência eslava-visigótica) e Granada e Málaga (nobreza berbére oriunda do norte de África). Ao invés, a norte temos comunidades subservientes e colonizadas pelo fundamentalismo cristão estrangeiro, nas dioceses do Porto e Braga, ponto de partida na criação do Reino de Portugal, aliás, fundado pela nobreza da Casa de Borgonha.

segunda-feira, junho 16, 2014

Carta de Chamamento à Dignidade de um Principe que quer ser Rei

é sabido que a transição da ditadura genocida do general Franco para a realíssima democratura espanhola foi obra dos norte-americanos (1976)
um educou o outro, este outro educa outro... e assim sucessivamente
mas, pelos designios da monarquia, a aura do Franquismo permanece eterna

A abdicação dEl Rey Juan Carlos no passado día 2 de Junho, abriu um grande debate no seio da cidadania espanhola no sentido de escolher entre Monarquía e República. Não havendo consulta popular, alterando-se a lei que aprova a abdicação e a delegação de poderes de Chefe de Estado de pai para filho por mera escolha pelos senadores das Cortes, se for entronizado, Felipe VI será um rei ilegitimo (Eco Republicano)
Para ajudar à perpetuação do regime, evitar o referendo, e para que não restem dúvidas sobre a pre-determinação de impossibilitar a escolha, o antigo lider do Partido Socialista Obrero de España (PSOE) e grande amigo de Mário Soares, Felipe González, vem agora afirmar que "nós os socialistas não somos republicanos"
Monarcas socialistas de todo o Mundo Uni-vos?

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sexta-feira, junho 06, 2014

a República de jure existe, mas a Monarquia à espanhola subsiste

A história começa com a exaltação da "Glória da Monarquia Espanhola" um fresco pintado na abóbada das escadarias do austero Mosteiro do Escorial pelo italiano Tiepolo contratado por Carlos III. Glória mas foi no século XVI. A maquete original da cena foi entretanto, simbolicamente, parar ao NY Metropolitan Museum of Art nos Estados Unidos. Ao centro a figura da Espanha é erguida a tiros de canhão contra indígenas desarmados e debilitados rodeados pela habitual escumalha impávida de deuses greco-romanos. É esta malta que confere o Poder ao "rei pela gracia de díos". Os mesmos que abençoaram com a mesma consignia o ditador genocida Francisco Franco. Por economia de meios, reduzidos ao Deus inquisitorial a cuja sombra se albergaram os empresários que trouxeram a prata e o ouro das conquistas com que se esculpiram os quatro leões da Sala do Trono no Palácio Real, o maior palácio da Europa. Um século depois de perdido o Império, será neste local que se realizará a cerimónia de abdicação do actual Rei Don Juan Carlos, rei pela devolvida graça da "democratização" do Franquismo nos idos de há 40 anos, outros tantos quantos os do reinado de Franco, um patriota que salvou a Espanha da crise aberta em 1936, no elogio feito por Juan Carlos

Antigamente nem os reis nem os papas abdicavam, as vestes de púrpura e arminho eram para eles gloriosas mortalhas, os monarcas reinavam até ao seu último suspiro. Neste momento há na Europa dois Papas e dois Reis de Espanha (1) e demais diversas parelhas de pulhas que se alternam em funções. É um modelo que faz escola. Apodrecem antes de morrerem, Seria desejável que se pirassem como o faziam os Centuriões que partiam para a guerra aclamados pelo Povo, uma missão impossível, quando não há inimigo credível e o inimigo passou a ser o povo.

Por estranhas razões fáceis de compreender a intempestiva abdicação foi anunciada na forma de contra-informação televisiva. O primeiro ministro neoconservador Mariano Rajoy tinha acabado de fazer na noite anterior o anúncio de um importante aumento de impostos (antes das eleições tinha prometido baixá-los) e enquanto o “partido da oposição” de Rubalcaba (como o Tozé Seguro português) se digladia em supostos congressos ao melhor estilo gótico. El-Rey (como o nosso Cavaco) tem vindo a ser suportado por uma estranha camarilha de meia dúzia de personalidades fascistas apostados em perpetuar o bipartidarismo borbónico e a corrupção geral que lhe está associada e deteriorou a Corôa. Com o príncipe das Astúrias entronizado, se o regime tivesse as mãos limpas, todos os que até aqui não engoliam a Monarquia terão a partir de agora dois reis em vez de um.

...
entoa-se o himno de riego, içam-se as bandeiras republicanas
Segundo o Inst. Nacional de Estatistica espanhol, citado pelo El Mundo, a popularidade de Juan Carlos é de 3,72 pontos em 10. Nos anos 90 era mais do dobro. (2). A decadência do regime expressa-se pelo envolvimento do Rey (tal como em Portugal com Cavaco) com um governo sem prestigio, marcado pela corrupção das clientelas afectas ao Bloco Central, metade em exercício, outra metade numa “oposição” desencabeçada e desnorteada (tal qual os “socialistas” portugueses). A roubalheira ao erário público do real genro Iñaki Urdangarin e o envolvimento da filha Cristina (aka, de toda a famiglia real) no ilícito criminal cometido pelo marido que possivelmente a levará a sentar-se no banco dos réus, marca o fim do reinado deste Borbon.

El-Rey se bem conhece a síndrome do Rei Lear, de todas as traições e punhaladas corruptas saberia… Logo, o que está em causa é a realeza bater com os costados na prisão, como deveriam se houvesse justiça. Entre outras boutades que ajudaram à queda está a afirmação de Don Juan quando disse que não conseguia dormir, preocupado que estava com o desemprego jovem. Três semanas depois partia alegremente para uma caçada ao elefante acompanhado pela amante, deixando para trás a crise dos espanhóis, preocupações ecológicas, gastos exorbitantes e uma rainha cornuda. Existem inúmeros precedentes de traições das Cortes: o Desejado, filho do encornado Carlos V de Habsburgo, casado com a prima portuguesa Isabel, conspirou numa traição para entregar o reino ao corso Napoleão, numa das anteriores tentativas de “construir uma Europa una

Juan Carlos afirma que “a abdicação é o melhor para a Espanha”, indicando o filho cognominado de Felipe IV como sucessor. Mas o Estado não pode ser herdado como se fosse um cortiço de abelhas. Perante o “vazio legal” da abdicação do Rey, o novo chefe de Estado deve ser eleito por consulta popular aos cidadãos. Porém, nem a Esquerda nem os Republicanos têm maioria suficiente para implantar a República. Os últimos resultados para a composição das Cortes (o Parlamento se o regime fosse republicano) deram 185 deputados aos neoconservadores do Partido Popular, 110 aos “socialistas” do PSOE, 5 à UPyD e 3 deputados a pequenos partidos. A “Izquierda Unida”, o “Podemos” (3) e o “Equo” exigem um referendo. Fingindo ser de esquerda, claramente, os “xuxas” do PSOE suicidam-se quando apoiam a sucessão sem o voto dos cidadãos. Se se abrir um novo período constitucional e se vier a optar pela III República, o Presidente seria mais que provavelmente do PP, com a concordância do PSOE. É o momento propício, antes que caia ou seja seriamente posto em causa o regime. Tudo como dantes, rei morto, presidente ou rei posto. Muda-se de Rey, o processo continua. “Um novo Rey para as reformas que o país necessita, agora que está tão na moda falar na “Marca Espanha”. (4)

Como na “Marca Portugal”, uma questão de branding pós-político que toda esta gigantesca encenação esconde para que não se discuta o novo paradigma concertado ao abrigo do Tratado Transatlântico entre as elites dos Estados Unidos e da União Europeia. Os Estados enquanto entidades soberanas deixam de existir, os Povos agrupados em grupos regionais são submetidos a férreas direcções jurídicas e fiscais, o novo modelo da entidade “Estado” passa a competir em igualdade de circunstâncias com as grandes “Corporações” multinacionais, consoante a sua importância e volume de negócios.

(1) Adaptado a partir do artigo de Raúl del Pozo no El Mundo: “Amistad de corte, palabra de zorros, um mundo de lobos(aqui)
(2) Da popularidade da Monarquia Espanhola - um caso a apreciar pela Justiça  (aqui)
(3) 'Si el señor Felipe de Borbón quiere ser jefe de Estado que se presente a unas elecciones' (aqui)
(4) Editorial do El Mundo: "Un Rey para emprender las reformas que necesita España" (aqui)

terça-feira, junho 03, 2014

el-Rey Don Juan abdicou

e isto é o que os espanhóis vão dizendo na rua: "Democracia com reis é a mesma coisa que ter um Porsche puxado por bois"

quarta-feira, outubro 02, 2013

o Açafrão

As flores recém colhidas do “Crocus sativus” estão prontas para que os seus preciosos trios de estigmas sejam retirados. Eles são açafrão, um condimento amplamente utilizado em pratos milenares no norte de África


A colheita do açafrão tem inicio a partir de meados do mês de Outubro. Cada plantação marroquina, normalmente pequenas explorações familiares, é apanhada entre uma semana a dez dias. Dentro de cada flor, os três estigmas mais compridos de cor laranja-vermelho são o açafrão, os pistilos amarelos mais curtos suportam o pólen, que supostamente reproduziria a planta, porém esta foi domesticada há tanto tempo que já não se consegue reproduzir sem a ajuda humana.


Normalmente a colheita e a delicada operação de extracção é feita por mulheres. O açafrão só pode ser removido com a mão, apertando o cálice da flor e extraindo suavemente os estigmas. Para produzir um quilo de açafrão são necessárias entre 140.000 a 150.000 flores. As pétalas e os pistilos são descartados.


Para aproveitar ao máximo o sabor do açafrão, após a sua extracção das flores os fios são colocados ao sol, pelo processo artesanal, ou num forno, para secar a cerca de 20 por cento da sua humidade original. Há dois mil anos atrás, Plínio o Velho, escreveu na sua História Natural que o verdadeiro açafrão era original da Cilicia, um reino situado no sudeste da actual Turquia, acescentando “não haver nada que seja tão adulterado como o açafrão" E esta verdade continua a ser válida hoje. O açafrão continua a ser adulterado ou falsificado, mais vulgarmente por fibras de coco tingidas de açafrão, por tudo menos por pétalas de açafrão vendidas sem misturas. O açafrão mais confiável é o de cor vermelho-púrpura, por ser o mais difícil de adulterar.


Os comerciantes árabes oriundos do norte de África introduziram o açafrão em terras do Al-Andalus por volta do ano 900, e os Cruzados no regresso das incursões na Ásia Menor trouxeram-no para Itália, França e Alemanha por volta do século XIII. Um século mais tarde o açafrão era cultivado no Essex durante o reinado de Henrique VIII, trazendo grande riqueza à principal cidade produtora, Chypping Walden, localidade a que o rei mudou o nome em 1514 para Saffron Walden. Nesta época, quem adulterasse esta especiaria podia ser condenado à morte na fogueira.


A Espanha foi durante séculos o maior produtor de açafrão do mundo. Aliás, sem as incursões do valoroso príncipe árabe El Cid (de Sidi, “Senhor”) não existiria esse famoso motivo de peregrinação a terras de la-Mancha que se chama paella à valenciana. Hoje a Espanha, relegada para um lugar secundário depois de Marrocos, Grécia Itália e Turquia, importa a maior parte do açafrão do Irão, que entretanto se tornou líder mundial, com uma quota de mercado de 96 por cento da produção global. Sob um projecto apoiado pela Comissão Europeia a Espanha tinha no inicio deste ano cerca de 6.000 hectares de cultivo, enquanto a área cultivada no Irão disparou para 50.000 hectares, o que representa 250 toneladas anualmente, constituindo o açafrão cerca de 13,5 por cento das exportações não petrolíferas iranianas.

Fontes:
* Artigo de Jeff Koehler sobre a cultura do açafrão em Marrocos na cidade de Taliouine, para a World Saudi Aramco
* Wikipedia

sexta-feira, setembro 06, 2013

Não há Festa como Esta

No dia que se inicia mais uma romaria integrada no circuito de turismo ideológico de massas, cabe aqui perguntar que história foi aquela de, no lançamento da fotobiografia do Dr. Álvaro Barrerinhas Cunhal, termos assistido ao alegre convívio dos mais altos dirigentes do P"C"P com gentinha como Judite de Sousa, Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa (este último por sinal filho e herdeiro de um ministro de Salazar)

Para descomprimir, aqui fica uma verdadeira voz do deserto. Oriunda do Sahára Ocidental, uma ainda colónia ocupada pelo Rei de Marrocos com o alto patrocinio do Rei de Espanha por via do rendoso negócio dos fosfatos, Mariem Hassan actua no sábado às 20 horas, no palco 1º de Maio

quarta-feira, setembro 26, 2012

Espanha, Portugal, Grécia, a mesma luta, a mesma reacção da autocracia europeia: a Violência

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Querem reformular o modo como não estamos representados na Democracia? querem mecanismos que permitam a demissão de governos mentirosos e corruptos? como responde o sistema a estas reivindicações? com a Violência dos seus cães treinados

(ver no video: em última instância são os próprios manifestantes, como pessoas de bem, que salvam um pequeno grupo de policias de choque isolados, os quais podiam perfeitamente ter sido linchados)



Depois do rapto da democracia de ontem, protestos voltam hoje à rua em Madrid (transmissão em directo aqui)

Os 35 presos de ontem serão julgados pelo mesmo "Tribunal" (a Audiência Nacional fascista) que criminaliza os "actos de terrorismo" dos movimentos pela independência do País Basco, da Catalunya e da Galicia - desta vez por actos terroristas contra Instituições do Estado (fonte) 
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quinta-feira, setembro 06, 2012

os Ballets Russos de Diaghilev

A Companhia de Ballet de Sergéi Pavlovich Diaghilev (1872-1929), sob a égide da Rússia czarista, fazia uma digressão pela Europa em 1914 quando foi surpreendida pelo inicio da 1ª Grande Guerra Mundial, tornando impossível as deslocações entre cidades e teatros onde havia triunfado nos seus primeiros anos. Depois de passarem seis meses refugiados na Suiça, e de ter feito uma tornée pelos Estados Unidos (1915), os Ballets Russos instalaram-se em Espanha e, artistas russos, franceses e espanhóis agruparam-se em redor de Diaghilev e da sua energia criativa. O rei Alfondo XIII apoiou a Companhia, permitindo as suas actuações em Madrid e Barcelona e depois digressões por todo o país, ajudando-o a regressar a Londres onde somaram novos êxitos em 1918 e 1919.

Como pessoa profundamente conservadora, Diaghilev estava envolto num certo mistério, um misto de ditador, demónio, charlatão, bruxo e galã encantador, tinha uma ambição desmedida e do seu estilo se diz revolucionou a cultura conservadora europeia. Passou ao lado do conturbado período da Revolução Russa pela qual, estranhamente, como se não fosse russo, em nada seria afectado. Diz-se hoje do seu legado pequeno burguês, que nos transmitiu uma arte surpreendente na dança e na música, que fez desfilar nas suas obras em conjunto com a assinatura dos grandes artistas do seu tempo.

Uma vez consolidada a paz, a companhia de Diaghilev continuou sediada em Espanha que se constituiu num ponto de partida para as suas actuações europeias na década de 1920, normalmente encerrando as temporadas no Casino de Montecarlo. Artistas espanhóis de nomeada, como Josep Maria Sert, Juan Gris, Juan Miró, Pedro Pruna e sobretudo Pablo Picasso, desenharam cenários, vestuário e ilustraram os portofolios da companhia. Na composição musical destacou-se Manuel de Falla. Directores de orquestra e bailarinos espanhóis apresentaram em 1921 quadros de flamenco em Paris e Londres.
Depois de “Parade” em 1917, a segunda obra que Picasso realiza para o teatro, foi o famoso ballet “El Tricórnio” (“O Chapéu de Três Bicos”, depois tristemente celebrizado pela Guardia Civil espanhola) inspirado na novela de Pedro Antonio de Alarcón, coreografado por Léonide Massine e com musica de Falla. Esta produção de Diaghilev durou três anos a conceber, vindo a estrear-se em 1919. Pablo Picasso além dos panos de boca e telões de fundo desenhou o vestuário e a maquilhagem dos personagens.

Como se constata, os primórdios de uma obra com a aura revolucionária de Picasso moveram-se bem longe do drama da grande revolução proletária na Rússia, acontecimento que deixaria o maior legado filosófico à esquerda na Europa do século XX. Tardiamente, e já empresariado pela galerista judia Gertrude Stein, Picasso converter-se-ia finalmente às virtudes do comunismo, desenhando o famoso retrato de José Estaline e falta que a grande figura fazia ao imaginário heróicco e à cultura ocidental



domingo, junho 10, 2012

As letras pequeninas do resgate a Espanha que querem que não pareça um resgate

"Nunca acredite em alguma coisa em politica até ser oficialmente negada" (Bismarck)

o Primeiro ministro do Partido Popular do neoconservador José Maria Aznar mentiu durante semanas sobre o pedido de ajuda financeira, (como antes tinha mentido Zapatero)...

... primeiro sobre o montante necessário para acudir a limpar os activos tóxicos que constam nas contabilidades das instituições bancárias com maior exposição na Europa ao crash da bolha imobiliária, depois porque os termos do empréstimo para resgatar os bancos privados (em vez de os deixar falir ou serem resgatados pelos accionistas) é feito em troca por garantias prestadas pelo Estado. De facto é apenas mais uma nuance na forma, aparente nova, de transferir dívida de privados para dívida pública, ou seja, é exactamente o mesmo esquema de usura que está a ser aplicado a Portugal, à Grécia e à Irlanda. Da mesma forma a imposição de mais medidas de austeridade continuará. O próprio comunicado do Eurogrupo (traduzido abaixo) deixa claro que há mais medidas e cortes que estão pendentes:
















9 de Junho de 2012.
"O Eurogrupo suporta os esforços das autoridades espanholas no sentido de resolutamente resolver a reestruturação do seu sector bancário sendo assim bem vinda a sua intenção de pedir assistência financeira aos membros da zona euro para esse efeito. O Eurogrupo foi informado que as autoridades Espanholas apresentarão um pedido formal brevemente e é nosso desejo responder favoravelmente a essa pretensão. A assistência financeira deverá ser providenciada pelo EFSF/ESM para a recapitalização das instituições financeiras. O empréstimo será escalonado no sentido de resguardar uma efectiva cobertura para todas as requisições possíveis de capital estimadas pelo exercício de diagnóstico, as quais as autoridades Espanholas comissionaram aos avaliadores externos e aos auditores internacionais. O montante do empréstimo deve cobrir o capital estimado requerido com uma margem adicional de segurança, cuja soma é estimada em 100 mil milhões de euros no total.
No seguimento do pedido formal, uma avaliação deverá ser providenciada pela Comissão, em ligação com o Banco Central Europeu (ECB), a Autoridade Bancária Europeia (EBA) e o Fundo Monetário Internacional (IMF), bem como uma proposta para o condicionamento político necessário para o sector financeiro que deve acompanhar a assistência.
O Eurogrupo considera que o Fundo da Ordem de Reestruturação dos Bancos (FROB), actuando como agente do governo espanhol, poderia receber os recursos e canalizá-los para as instituições financeiras em causa. O governo espanhol vai manter a plena responsabilidade da assistência financeira e irá assinar o Memorando de Entendimento. (1)
O Eurogrupo valoriza que a Espanha já tenha implementado significativas medidas de ajuste fiscal, para a reforma laboral e para fortalecer a base do capital dos bancos espanhóis.
O Eurogrupo está convencido de que a Espanha irá cumprir os seus compromissos sobre o défice excessivo com as reformas estruturais, com a finalidade de corrigir desiquilibrios macroeconómicos dentro da moldura semestral europeia. O progresso nestas áreas será vigiado muito de perto e regularmente revisto em paralelo com a assistência financeira. Para além da implementação determinada destes compromissos, o Eurogrupo considera que as politicas que condicionam esta assistência financeira deverão ser focadas especificamente em reformas no sector financeiro doméstico. Convidaremos o FMI para apoiar a implementação e o acompanhamento da assistência financeira com relatórios periódicos" (2)
(Comunicado original aqui



(1) O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, declarou que "não são os bancos, mas a Espanha quem recebe o dinheiro", explicando deste modo o procedimento que terá a ajuda comunitária ao país. "Agora é o país que terá de negociar a sua reestruturação bancária com o FMI e o BCE". A Espanha já fez muitas reformas e está no bom caminho, considera Schäuble. (fonte)
(2) Primeiros protestos contra mais esta ajuda aos bancos marcados para hoje 
(3) Com a entrada no Euro, 25% da população de Espanha (11 milhões e 750.000 pessoas) já vivem abaixo do limiar de pobreza (fonte)
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quarta-feira, maio 30, 2012

Intervenção da Troika em Espanha está eminente

Onde é que os portugueses já viram isto? tudo começa com noticias assépticas: "Instabilidade do sector financeiro penaliza Espanha e Zona Euro". Depois os juros aumentam para os paises endividados dependentes de financiamento nos "mercado" - em Espanha ultrapassaram hoje os 6%. No final do processo será activado o Mecanismo Europeu de Estabilidade o que, toda a gente já sabe à boca pequena, será solicitado a 1 de Julho.

Tudo parece ter começado (mas de facto não é assim) com a “descoberta” do buraco financeiro no Bankia, primeiro noticiado como sendo de 6 mil milhões, que depois passou a 2 Mil milhões, mas (depois de preparada a opinião pública, disparou para 12, logo para 19 Mil Milhões). No final, decidida a nacionalização dos prejuízos do Bankia (com a estafada tanga do perigo de alastramento à banca nacional) o governo do partido neoconservador declarou que para salvar o sistema bancário de Espanha era preciso injectar naquele banco 23,5 Mil Milhões de Euros. Esse dinheiro lançado para a fogueira de um banco falido (tal como no caso do português BPN) não vai poder ser devolvido e fará disparar o défice do país para dois dígitos. Estas condições inaceitaveis, que descarregam o compromisso de pagar essa dívida odiosa para cima da generalidade dos contribuintes, fará deteriorar as condições de vida da generalidade da população, na medida em que se trata de uma verba maior que os orçamentos de Estado para a Saúde e Educação juntos. A politica económica para salvar a “indústria” financeira na pessoa dos banqueiros, à semelhança do que se passou e passa na Grécia e em Portugal, é totalmente imoral (ver video).

O Bankia não tem sequer um ano. É um grupo de bancos espanhóis ligados a algumas das regiões mais envolvidas com a especulação imobiliária. O Banco da Espanha sabia onde estava a grande bolha financeira - na ligação das caixas de aforro e da banca comercial na concessão de crédito ao sector imobiliário - mas mesmo assim colaborou com a fraude de juntar diversos banco maus, o que nunca poderia resultar numa coisa boa. Está-se a ver: a viagem urgente da vice-presidente Soraya Sáenz de Santamaría para os Estados Unidos só pode significar uma coisa: a intervenção da Espanha está iminente. Soraya, que mal fala Inglês, tem duas reuniões agendadas, conforme relatado pelo palácio de La Moncloa, uma com o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, e outra com a directora do FMI, Christine Lagarde.

O que se passa de seguida é a clássica fuga de capitais do país, as medidas restritivas no acesso aos depósitos, a contas a prazo e a corrida aos bancos para sacar umas belas maquias para debaixo dos colchões. Na Argentina a coisa chamou-se o Corralito. Principal responsável pelo pedido de resgate em Espanha?: Rodrigo Rato e outros 6 magnificos do Partido Popular nomeados para gestores do Bankia. Rato havia sido antes ministro das finanças de José Maria Aznar e depois sub-director do FMI. No final quem estará em condições de se pronunciar sobre a situação espanhola é a Presidente da Argentina, bem conhecida por se ter recusado a pagar a dívida cozinhada pelo FMI e ter recuperado de novo a economia do país para niveis de crescimento invejáveis, sem o recurso aos "mercados" de especulação financeira. "Rodrigo Rato dava-nos lições de finanças, ele, quem agora pôs um banco na falência", disse Cristina Fernández Kirchner ao saber do resgate do governo espanhol ao Bankia (video)

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