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quinta-feira, janeiro 07, 2016

a Catástrofe Financeira Eminente e a Ausência de Meios para a Conjurar

Após quatro dias da exportação das quedas em bolsa da China para todo o mundo, George Soros vem dizer que "a China tem um grande problema de adaptação (…) Eu diria que, quando olho para os mercados financeiros vejo um sério desafio que me faz lembrar a crise que tivemos em 2008" –naturalmente, esta não é uma mensagem que os gestores centrais de investimento e os pivots de televisão económica querem dar ao público para ouvir. É um recado, cada mergulho em Bolsa é uma oportunidade de compra, e "a longo prazo" é como todos devem investir ... não importa o que seus activos tivessem caido 20% numa semana ... joguem a longo prazo !!
Obviamente, os spin de Soros, não são sobre a China, antes nos avisam estar em preparação uma segunda ajuda financeira aos bancos norte-americanos e europeus segundo a nova legislação que prevê pagar os bail-in com valores a confiscar aos credores e às contas bancárias dos cidadãos. Ou seja, por um lado, por outro é dar fogo à peça de mais uma impressionante fuga de capitais para paraisos livres do fisco.
à efigie de Mao não deita o Soros a mão
De um ou outro modo, no final, irá sobrar mais uma crise, senão mesmo uma guerra em grande escala para os mesmos de sempre. As demonstrações práticas fornecidas pelo livro “666” de Pierre Jovanovic devem ser suficientes para convencer todos aqueles que, na Europa, não estão sob o controle da ditadura económica-financeira do dólar e dos serviços secretos.
Mesmo sem referências bíblicas a nova Besta do Apocalipse é perceptivel, ameaçando o mundo com as suas sete cabeças, na verdade o sistema monetário internacional baseado no dólar, como é imposto pelos EUA hoje a (quase) todo o mundo, pese os esforços em curso para a 
China e a Rússia se verem livres deste sistema.

Pierre Jovanovic elaborou uma tabela das bestas e das catástrofes em vias de evolução criacionista 1. O estado de emergência 2. A necessidade de mais atentados 3. a gestão orwelliana do terror sobre as populações por forma a cercear contestações sociais 4. Votações favoráveis ao fecho de fronteiras por causa da emigração e do desemprego 5. A desaparição das forças armadas nacionais e dos poderes tradicionais 6. o bipartidarismo como redução da intermediação com os poderes transnacionais 7. O papel-moeda como meio retirado do âmbito da legalidade 8. A verdadeira guerra é financeira, os EUA continuarão a invadir a Europa com notas falsas 9. corrupção crescente dos facilitadores eurocratas dos interesses da plutocracia global 10. Prazos de crédito por leasing aumentam várias vezes 11. segurança social e seguros privados deixam de cumprir contratos 12. taxas de juro negativas levam à ruína total 13. eleições são financiadas pelos bancos com “ouro do Reno” 14. O Estado como organizador de eventos e espectáculos impõe os seus candidatos aos cargos “políticos” através das televisões.

sábado, novembro 28, 2015

o Ocidente na Siria representa o papel dos Nazis em Estalinegrado


a Turquia abriu hoje fogo de morteiro contra o Exército da Síria. Nem os EUA nem a Turquia podem agora sobrevoar o espaço aéreo sirio devido à instalação do sistema de defesa antiaérea russo S-400 e outras. Os Estados Unidos pressionam a Turquia para encerrar imediatamente a fronteira. Será um pretexto para invadir a zona norte da Síria em defesa dos terroristas do ISIS que aí se estabeleceram como "o céu na terra"? pode ser, mas já lá está de armas e bagagens uma força de paz multinacional liderada pela Rússia colocada ao longo da região fronteiriça de 100 km enfrentando eventualmente as tropas da NATO que possam vir da Turquia. Esta força pode não só colocar um ponto final no conflito/agressão à Siria, mas também assumir o controlo sobre o auto-proclamado papel do Ocidente como árbitro internacional sobre todos os assuntos do mundo. aka, a Nova Ordem Mundial Neoliberal. Aqueles que se juntarem a essa força de paz podem formar o novo rosto de uma ordem mundial multipolar definida para deslocar o poder do banditismo-financeiro de Wall Street e Londres. (LandDestroyerReport)
 
em actualização 
Segundo a revista alemã Bild, "a Turquia transformou-se num grande consumidor de petróleo do grupo extremista "Estado Islâmico". Os empresários turcos têm acordos de compra de petróleo com jihadistas que lhes permite obter uma receita de 10 milhões de dólares por semana. Quando a aviação russa começou a realizar mais ataques contra as infraestruturas ISIS, isso não poderia ser ignorado por Ancara, causando a natural insatisfação da Turquia" (Bild/SputnikNews)

O artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte afirma que um "ataque armado" contra um país-membro da NATO "será considerado um ataque contra todos os paises da Aliança Atlântica" e que todas as partes no tratado devem unir-se para "restaurar e manter a segurança da área do Atlântico Norte". Pergunta fundamental: a Turquia é um país do Atântico? alguma vez deveria ser admitida em tal organização? É uma história antiga, foi admitida porque a NATO tem um carácter ofensivo. Não especificado no tratado é o que acontecerá quando um membro da NATO por conta própria perpretar um "ataque armado" a um país não membro, como no caso do abate do avião russo. Segundo um analista norte-americano da OpEdNews, "os EUA devem sair da NATO ou devem excluir a Turquia para evitar uma guerra com a Rússia" (ler o resto)

Equipa de jornalistas do canal RússiaToday são atacados com um missil anti-tanque de fabrico norte-americano

sábado, novembro 14, 2015

"a França pagará bem caro o apoio aos terroristas"

esta comunicação do presidente da Síria tem dois anos. Como se sabia e se tem vindo a confirmar a França é a principal fornecedora de armas aos rebeldes que lutam para aniquilar o regime de Bachar el-Assad. A partir de certo ponto essa "oposição" treinada e financiada pelo Ocidente já não se distingue das outras vertentes terroristas igualmente criadas e alimentadas pelas potências imperialistas ocidentais, em particular a França que pretende ter, desde o tratado de Sykes-Picot, a hegemonia sobre a Síria - al-Assad avisou então: "a França pagará bem caro o apoio ao terrorismo". Aos nacionalistas sirios valeu-lhes agora a inestimável ajuda da Rússia. Para evitar a escalada do conflito a niveis internacionais os russos acabam de instalar em território sirio o sistema de defesa por misseis anti-aéreos S400 que neutraliza a NATO. Os governos-traidores dos povos europeus estão em pânico... é aqui que entra mais uma operação militarizada de false-flag... o empurrão final para todo o alastrar da extrema direita na Europa!



Syrie 24 Sexta-feira 13


Com o recurso à crise dos emigrantes, 
as elites capitalistas globais organizam a Terceira Grande Guerra Mundial 


Há um mês atrás a França, pela voz do ministro Laurent Fabius, tomou a surpreendente decisão de apoiar os ataques aéreos da Rússia contra os terroristas na Síria. Os Estados Unidos continuaram a armar os terroristas do ISIS (aka, o autoproclamado "estado islâmico") e por isso também os destroços que restam de governo no Iraque passou a apoiar os russos. São momentos cruciais no declinio imperialista dos EUA. Portanto, a verdadeira questão é esta: se é certo que os Estados Unidos estão por detrás do ISIS, então quem está verdadeiramente por detrás destes ataques em França? ignorar estes dados fundamentais é apenas permitir que os culpados continuem a provocar mais terror sobre populações pacificas e indefesas.
Boom! 
o director da CIA teve uma reunião com o chefe da Segurança francesa e com a Mossad dias antes dos ataques em Paris 

quinta-feira, outubro 29, 2015

e o nosso Barroso lá se vai escapulindo ao pedido de perdão...

Durão Barroso pensa que não tem de dar satisfações à justiça, primeiro porque pensa que os portugueses são mais estúpidos que os outros povos que, benevolamente, votaram criminosos como Blair, Aznar e Bush ao ostracismo - a Durão não, como recompensa pelo servicinho Balsemão nomeou-o para lhe suceder como representante nacional permanente no grupo Bilderberg 
As consequências: esta filmagem através de um drone perto da fronteira da Croácia mostra milhares de migrantes e refugiados que cruzam terras lavradas a caminho do norte da Europa. A Eslovénia queixa-se de carecer de meios humanos e equipamentos para lidar com este recente fluxo de pessoas que atravessam o país fugidas das regiões de guerra no Iraque e na Síria, ambas provocadas pela intervenção das potências imperialistas ocidentais em relação às quais os governos e presidentes neoconservadores de Portugal são subservientes


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Channel 4 News 26 de Outubro


... entretanto, mesmo ali ao lado: "Comissários europeus de Barroso passaram "porta giratória" que liga Bruxelas ao mundo dos negócios, e a partir do próximo ano poderão exercer lobby junto das instituições europeias" (Esquerda.net)

sexta-feira, setembro 18, 2015

sobre a Dívida, qual a sustentabilidade de que falam os "Credores" internacionais e os seus agentes internos?

Merkel e Yellen, a dependência
Acabado de ver no canal europeu "Euronews", a retórica começa assim: "Estamos presos num dilema em que a resposta de curto prazo é 'Hey, cada um de nós tem que viver dentro das suas possibilidades". Mas essa não é uma resposta que se possa aplicar a um país, porque há medidas sociais que não são mensuráveis em dinheiro, porque isso significa simplesmente que um país se pode tornar cada vez mais pobre" - e essa questão é travestida para: "Como é que os países podem decidir o quanto eles se podem dar ao luxo de pedir emprestado? (mas de seguida nada se diz do luxo ao qual outros paises se podem permitir emprestar consoante o seu pode de "imbalance" - o que uns tiram, faz falta aos outros). A peça televisiva passa de seguida a analisar os casos mais dramáticos do sistema, Portugal e Grécia: "a sustentabilidade da Dívida tornou-se uma questão crítica para ambos os governos e investidores internacionais durante a última meia década de crise financeira. Como todos os países precisam de pedir emprestado para financiar as suas economias, é de vital importância a politica de bailout da Europa para paises como a Grécia e Portugal".

Adiante explica-se "minuciosamente" como funciona o sistema neoliberal através de gráficos: Os "investidores" pedem dinheiro aos bancos emissores emprestando-o por sua vez aos Estados, que depois pagam os empréstimos com juros a esses investidores privados. Lindo serviço. Temos assim uma situação em que os investidores privados pedem dinheiro a uma taxa próxima do zero, como Janet Yellen reafirmou hoje, e os utentes da banca, ao efectuarem pagamentos com um simples cartão-de-crédito sujeitam-se a pagar juros entre 15 e 19%. Pôr a economia a pagar juros leoninos a investidores privados é um bom negócio para a cáfila de parasitas que o povo sustenta. Como é que isto se pode pôr em causa pelos partidos do arco da governação dos interesses desses investidores privados?

 

Este cabeçalho "noticioso" de ontem refere-se a um relatório do BCE de há 3 anos, mas só agora veio à baila, insinuando-se que o total da ajuda aos Bancos (para explorarem o povo)  rondaria apenas os 20 mil milhões de euros! na verdade, desde 2008, os números da própria Comissão Europeia totalizam 86,58 mil milhões. (conferir aqui). Os valores surripiados pelas diversas quadrilhas acolitadas desde sempre no poder são, como se vê, muito maiores. Isto é prova provada de que a divida não é do Povo Português, mas dos Banqueiros ao serviço de um Europa colonialista. Logo, essa dívida é ilegal e odiosa face ao direito internacional. Assim sendo, nenhum dos partidos que se apresentam ás eleições legislativas que escondam a sua posição face a esta ilegalidade merecem o apoio das vitimas deste roubo gigantesco.

quarta-feira, setembro 16, 2015

“Se estão incomodados com os refugiados parem de ajudar os terroristas” (Bashar al-Assad)

É surpreendente que os “nossos” Media mostrem o actual caos dos refugiados em estradas e estações de comboios europeias ... mas, nunca começam por dar qualquer pista sobre as razões pelas quais essas pessoas estão aqui nessa situação… diz-se vagamente que é o “conflito” na Síria. Não é um conflito, é mais uma guerra de agressão. E quem começou este caos?


Em Fevereiro de 2015 a administração Obama pediu permissão ao Congresso para bombardear os terroristas do Estado Islâmico da Siria e do Levante (ISIS), apesar de estar a efectuar esses ataques a território sirio havia já 6 meses. Atacam a Síria em nome da estabilidade do Médio Oriente que protege o amigo Israel e os resultados em termos de ecologia social na região começam agora a ser evidentes. As populações estão a ser expulsas (à maneira da Nakba na Palestina) de zonas cirurgicamente destruídas. Os Estados Unidos e os seus Aliados bombardeiam tudo o que podem, menos alvos do auto-denominado “Estado Islâmico”. De facto, o que os Estados Unidos pretenderam ao criar, armar e financiar o ISIS é derrubar o regime de Bashar al-Assad da Síria.

Há três anos atrás a Síria não seria um paraíso perfeito, mas as pessoas tinham segurança, onde se podiam sustentar a si e às suas famílias. De repente apareceu uma “oposição” imediatamente bem armada. Esses “heróicos” combatentes foram contratados, treinados, armados e financiados pelos Estados Unidos, tanto o ISIS como anteriormente a A-Qaeda, a qual não existia no Iraque em 2004 aquando da invasão da tropa de Bush. Apoiados a seguir por delegados políticos norte-americanos como John McCain e por uma chusma de lacaios aliados. Como a memória da “opinião pública” é coisa que não existe, já poucos se recordam dessa outra agressão bélica contra o Iraque, cujos responsáveis em vez de estar detidos em Haia andam por aí à solta, sendo alguns, como é o caso de Durão Barroso sido até promovido a alto-comissário dos negócios do Pentágono para a União Europeia. Como é que esta narrativa pode andar e ficar ausente de praticamente todas as histórias sobre a "crise dos imigrantes?" – É graças aos Estados Unidos que foi criada a presente crise humanitária, com milhões de pessoas que fogem para lugares onde possam arranjar comida e trabalho para a pagar.


Channel 4 News10 Setembro

domingo, setembro 06, 2015

A imunda instrumentalização do cadáver de uma criança

Não é o que vem nas fotografias o local original onde foi encontrado o pequeno corpo de Aylan Kurdi, uma criança curda de 3 anos de Kobané afogada com o irmão e a mãe ao largo da Turquia quando a família estava a tentar chegar à ilha de Kos na Grécia. Após o resgate do cadáver o corpo foi levado de seguida por fotógrafos turcos para um lugar mais fotogénico e colocado numa posição mais dramática para fazer subir o impulso emocional da opinião pública internacional com o objectivo de acusar Bashar al-Assad da morte deste pequeno emigrante, alimentando a saga persecutória contra a Síria.
A cena é horrível, 
uma nojenta manipulação dos necrófagos meios de comunicação social a soldo de assassinos.

Após algumas horas de reprodução viral por todo o mundo desta insanidade emocional, a tia de Aylan declarou numa entrevista que a família vivia desde há três anos na Turquia (e Kobane só foi atacada pelo ISIS em Junho deste ano). Afinal, os presumíveis refugiados tentavam obter um visto de entrada no Canadá onde a sua familiar os aguardava. E em última instância a via de entrar primeiro na Europa como alternativa foi a impossibilidade de o fazer a partir da Turquia, em guerra contra a independência do Curdos. A culpa não pode parar na falta de acolhimento de refugiados pela Europa, este homem já não estava a fugir de um país em guerra, mas da devastação económica lançada pela politica de destruição da coligação ocidental anglo-american-europeia. A família de Aylan Kurdi não foi vítima de uma política de restrição de imigração deliberada dos povos europeus. É uma vítima do inverso, do criminoso ataque dos directórios governamentais da Europa pelo saque dos recursos nas periferias, com particular ênfase no Médio Oriente em beneficio do criminoso regime de Israel.
do III ao IV Reich
Ainda o pequeno Aylan tinha tido tempo de dar o seu último suspiro e a foto do seu pequeno corpo afogado já estava estampada por toda a Europa, imagem transformada imediatamente em ferramenta de culpabilização em massa. Deste modo os europeus estão a ser induzidos a pensar que a sua sobrevivência está em jogo a cada nova onda de imigração, com o lixo de respigadores mediáticos a agitar vergonhosamente o cadáver de uma criança. Em vez de chorar e dar ouvidos a canalhas que prometem o impossível e abrir as portas lá de casa, cada europeu devia encher-se de raiva e pendurar na praça pública os assassinos que os estão a “governar”. E já agora, banir de cena os seus apoiantes de falso discurso dos "direitos humanos". Num dos casos mais famosos entre nós, nunca esquecer o facto do líder do Livre Rui Tavares ter apoiado os bombardeamentos anglo-american-europeus para a "libertação" da Libia
 
a ler:

domingo, agosto 30, 2015

Não é a Grécia, Não é o Petróleo, Não é a China; esta é uma Crise Sistémica!

O modelo imposto pela vitória dos Estados Unidos na 2ª Grande Guerra e o pós-desenvolvimento pela doutrina Kissinger nos anos 70 colapsou!
O agravamento da crise que agora se inicia com a entrada dos chamados países emergentes (BRIC`s) e que afecta todo o mundo não provém da perda de valor das matérias primas, nem porque a China está a deixar de crescer aos mesmos níveis anteriores e a bolsa de Hong-Kong foi atacada pelos especuladores financeiros ocidentais, nem ao dumping ecológico da nova tecnologia de extracção de petróleo de xisto pelos Estados Unidos chantageando o modelo civilizacional, nem a qualquer outro tipo de “choque” económico. O modelo de acumulação capitalista que está a ser imposto globalmente desde há 40 anos, cuja falência se começou a manifestar em 2007 e “crashou” em 2010 ” é que é insustentável; como em 1929, está esgotado! – as explicações dos “analistas” não são válidas; o que nos dizem, é que a China é uma coisa, a Europa outra, os Bancos assim, a Grécia assado, etc. E porquê? Porque há que evitar perguntas inconvenientes e o pânico generalizado, as pessoas devem ser mantidas indiferentes, os que se dispõem a intervir devem votar em paz e ficarem tranquilos, entreter-se a ver futebol e gritar através da televisão contra os árbitros; porém nunca contra aqueles que são colocados em lugares-chave sem saber o que estão a fazer, nem contra as ocas palavras dos políticos contratados para gerir o sistema eleitoral onde só se pode escolher apenas uma coisa.

Que solução? Primeiro há que conhecer os problemas; e o primeiro é a “divida” criada pela falta de compensações entre regiões. É preciso anular de imediato toda a espécie de endividamento resultante do sistema de trocas desiguais – calcula-se que o Mundo deve a si mesmo 200 mil biliões de dólares, a “moeda” que mede o saque de recursos planetários e deve ser imediatamente extinta. A continuar é absurdo pensar que um tal nivel de endividamento possa algum dia ser pago. É necessário reconstruir todo o sistema financeiro global, contabilizar sem fraude os activos dos bancos e seguradoras; extinguir as sociedades financeiras de “investimento” especulativo. Homologar e impor os custos sobre o consumo de produtos alienantes fazendo-os depender de taxas negativas. Instaurar um “rendimento básico mundial” equitativo. Eliminar intermediários que não geram nem acrescentam valor; medir o valor pelo trabalho e não pelo capital acumulado de modo predatório que criou o abismo entre devedores e credores; conferir o protagonismo politico à classe de operários, técnicos e trabalhadores do tecido produtivo. 

quinta-feira, agosto 20, 2015

Eric Toussaint apresenta conclusões da auditoria à dívida (legendado em português)

320 mil milhões de euros é o total de "dinheiro" emprestado à Grécia, o equivalente a cada grego ter contraído uma Dívida de 29.000 euros. Quantos gregos terão gasto ou adquirido bens nesse valor ou ter esse valor no banco? Como é possivel continuar a acreditar que este sistema de endividamento tem um pingo de legitimidade? (fonte)

 A Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega apresentou as suas primeiras conclusões em Junho de 2015. É nesse quadro que Eric Toussaint, que coordena os trabalhos da comissão, resumiu em 17 de junho de 2015 os resultados, numa sessão pública no Parlamento helénico. No Portugal sob a pata de governos PSD/CDS/PS não existe comissão alguma. Ainda assim, a análise politico-económica é importante mas não chega: é preciso conjugar estas conclusões com medidas estruturais que cortem com o sistema na raiz e medidas judiciais que obriguem a trazer os fautores da dívida ao banco dos réus para responder perante o povo.
33min.57seg.
video traduzido seleccionando legendas em português no menu inferior 

quinta-feira, julho 16, 2015

a lição da Grécia, o efeito Syriza (III)

Especuladores divididos: Bruxelas quer garantir o 'financiamento-ponte' através do Mecanismo de Estabilização Financeira (MME) - em vez de 19 serão 28 os países obrigados a contribuir. O FMI quer corte na dívida grega. Já há quem lhe chame o início da guerra entre FMI e Berlim, com a dívida grega como cenário. Num relatório confidencial e divulgado após a cimeira europeia de domingo, o Fundo dirigido por Christine Lagarde arrasa as palavras vagas sobre a restruturação e um maior corte da dívida da Grécia na declaração dos líderes da Eurozona. “A deterioração dramática da sustentabilidade da dívida torna necessário o alívio da dívida a uma escala que teria de ir bem para além do que foi pensado até agora – e do que foi proposto pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu”, diz o relatório do FMI.

a Política imposta pela Alemanha é um crime contra a Humanidade” - afirma a presidente do Parlamento grego voltando a apelar ao Governo para que não aceite a chantagem dos credores para um acordo em que já nem o FMI acredita. Revelar a origem da dívida grega provocaria uma revolução financeira mundial, afirma um membro da Comissão de Auditoria à Dívida Pública grega: “é rídiculo culpar Atenas pela crise europeiaconcluiu Maria Lucia Fattorelli.
De facto é assim que funciona: Todos os governos que usam o Euro podem usar o BCE (no qual os Bancos-Centrais de cada país são sócios em partes proporcionais) para financiar os seus défices. Neste contexto, os Bancos-Centrais dos Estados-membros só cumprem as ordens regulamentadas pelo BCE, uma entidade supranacional não eleita, que decide à revelia da independência económico-financeira dos povos. Quando os governos da União Monetária Europeia (UME) têm défices emitem obrigações do Tesouro que são compradas pela banca privada. Que por sua vez, ao apresentar esses títulos/obrigações de pagamento como garantia os bancos recebem esses valores em dinheiro novo emitidos pelo BCE como crédito. Se para o BCE o valor emprestado é um papel, para quem o recebe e deposita é uma conta bancária consolidada em dinheiro pronto a levantar. É deste modo que funciona o esquema da dívida soberana. Mas os valores criados como dívida aos Estados não terminam no BCE. Entram na rede de especulação financeira global. O BCE revende essas obrigações no “mercado”: a fundos-abutre, a seguradoras multinacionais, a fundos financeiros de governos com superavit (p/e a Alemanha) e no geral a bancos de investimento comerciais estrangeiros. Estima-se que o BCE não tenha mais que 20% da dívida que emite. Não se sabe, porque o BCE não divulga esses dados nos relatórios que publica. Ao menor sinal de dificuldade de pagamento as “Instituições” que supervisionam os “ratings” do esquema exigem contrapartidas concretas, normalmente privatizações de sectores do Estado lucrativos para a tutela dos “credores”, oferta de “recursos humanos” a baixo custo, etc.
É um esquema mafioso levado a cabo por altas individualidades, aparentemente não intervenientes, que devem ser objecto de investigação e acusação criminal. Foi neste contexto que Alexis Tsipras, num dos últimos momentos dramáticos das negociações gritou para Merkel: "Também querem Creta? O Partenon? Talvez toda a Acrópole, não?". Valeu a intervenção do polaco-americanófico Donald Tusk, em representação não oficial de Obama e da NATO, de onde se subentende a existência de vertentes ocultas do “acordo”.  Por via do FMI.

quarta-feira, julho 15, 2015

a lição grega (II)

Propostas do Eurogrupo são consideradas pelos gregos como "humilhantes e desastrosas". O nosso caniche Coelho diz que não são e que foi ele o autor da ideia para que não fossem humilhantes. É a fábula da râ que queria ser boi, tanto inchou tanto inchou que rebentou


"... ou seja, o que o desfecho das negociações entre o governo grego e os restantes governos do euro inequivocamente prova é que a dissidência face à austeridade não pode ser um caso nacional. E isto independentemente dessa mesma dissidência ser feita no interior do euro e da UE, como pretendeu até agora o Syriza, ou contra o euro e a UE" (Zé Neves)

Qual a causa da aparição destes partidos de fachada esquerdista "na nomenklatura reacionária) mas apenas sociais-democratas? são eleitos pela classe média em sociedades terceirizadas. Em países desindustrializados como a Espanha, Grécia e Portugal não existe uma classe operária capaz de liderar um processo revolucionário consistente, com amplo apoio popular. É esta a ilação a tirar da queda do Syriza face às poderossimas foças concentradas no drectório do Euro. Só a Itália, França e Chipre apoiaram a Grécia, os restantes "crucificaram Tsipras lá dentro" na maratona negocial, levando-o a aceitar um acordo que sabe não poderá ser cumprido. O Syriza fez o que poderia ter sido feito; Sobre a saido do Euro, maís uma vez, a palavra irá ser dada ao povo grego.

terça-feira, junho 23, 2015

a Geoestratégia e a "Traição" do Syriza à inexistente "Classe Operária" grega

Havia (e persiste) algum espanto sobre a forma como os Media estava (estão) a conseguir calar o papel fundamental que os EUA e a NATO desempenham no xadrês grego! O ultimato de ontem dos Estados Unidos às duas partes, Grécia em perigo de default, União Europeia à beira da desagregação, conduz a intuir que existe uma força "oculta" nas negociações.

Era mais que evidente que a questão da Grécia é também (talvez fundamentalmente) geoestratégica, desde os primeiros dias do boicote da UE à Grécia e a primeira viagem do Tsipras à Rússia. Essa é uma vitória que ninguém tira ao Syriza: ter transformado um caso que se tentava passar à opinião pública por apenas económico, num caso geopolítico. A medida da influência norte-americana é a medida exacta que vai do valor virtual do Dólar (quem interveio foi Janet Yellen da FED) para o Euro (como moeda subsidiária do dólar) e para o Dracma (alinhado na nova formação asiática China-Russia-Irão-India). Sem dúvida, é um bicho de sete cabeças para todo o Ocidente liderado pelos warmongers do Pentágono/Nato... e é aí que entra a Grécia, como um país da Nato (como aliás a vizinha Turquia) numa situação complexa que pode acabar num conflito armado, mais uma vez em solo europeu. E a saída pelo keynesianismo militar é aquilo que os EUA melhor sabem produzir para sair de uma crise que é global.

No Ocidente, é criminoso que os povos que sofrem com a crise provocada pelos especuladores tenham que pagar a factura. No caso da Grécia, a avaliar pelos últimos rumores, irão verificar-se "novas concessões" de cortes de 8 mil milhões de euros (um valor decerto compensado pelo Complexo-Politico-Militar norte-americano para garantir a permanência da Grécia na NATO). Não há portanto concessão alguma, há um ganho de tempo que é precioso (1); e ainda assim no rascunho de Acordo a proposta grega inclui a subida do salário mínimo contrabalançada com um aumento de impostos sobre LUCROS, RENDIMENTOS ALTOS e ARTIGOS DE LUXO. Apresentada ontem de manhã aos parceiros envolvidos nas conversações essa proposta prevê o restabelecimento da contratação colectiva. Estabelece que as empresas com lucros líquidos superiores a 500 mil euros por ano paguem uma sobretaxa de 12%, a somar à taxa regular. É proposta a introdução de um imposto sobre artigos de luxo como automóveis com mais de 2.500 de cilindrada, piscinas ou aviões privados. A introdução de sobretaxas sobre os rendimentos é outras das propostas que inclui uma sobretaxa de 0,7% logo a partir dos rendimentos anuais superiores a 12 mil euros; de 1,4% para os salários superiores a 20 mil euros por ano; de 2% para os salários superiores a 30 mil euros; de 4% para aqueles salários que superem os 50 mil euros anuais; de 6% para os rendimentos superiores a 100 mil euros; e ainda uma sobretaxa para os salários superiores a 50 mil euros por ano" (Jornal de Negócios)
70% da população prefere pagar mais para permanecer no Euro
Unicamente sobre a parte económca comenta Francisco Louçã: "os detalhes do acordo esboçado ontem entre o governo grego e a troika começam a emergir. No entanto, não há ainda uma informação completa sobre as condições propostas (e ainda não foram encerradas as discussões). Não sabemos por exemplo qual é o montante do empréstimo e que necessidades de financiamento ficam cobertas. Só sabemos o custo orçamental, oito mil milhões de euros em medidas de austeridade. Mas, sobretudo, não sabemos se há ou não uma nova abordagem da reestruturação da dívida. Fontes oficiais francesas sugeriam ontem que pode haver, mas não há confirmação nem grega nem alemã. Isso faz toda a diferença. Para um bom acordo, a Grécia só pode sair do inferno com uma reestruturação substancial da dívida. (Blogue/noPublico)

(1) Discriminada e resumidamente: as propostas do SYRIZA aos Credores da Dívida contraída pelos últimos governos

sábado, junho 20, 2015

o Minotauro e a Cabra, um conto para Adultos

Não há acordo para a Grécia. "Só podemos chegar a um acordo com diálogo e o que temos tido é pouco diálogo. Acho que temos de recomeçar um diálogo, mas com adultos na sala", afirmou Christine Lagarde à saída da última reunião. Segundo o correspondente em Bruxelas do "El Mundo" Lagarde cumprimentou Varoufakis com um "a criminosa-chefe vem dizer olá", numa clara alusão ao facto de o Parlamento da Grécia ter apontado haver “indícios de criminalidade” no processo de endividamento imposto pelo FMI aos anteriores governos gregos liderados por corruptos - a Grécia tem portanto o direito legal de pedir o cancelamento da dívida.

Esta é a mesma Lagarde (Adulta/adúltera ideológica) que escreveu ao antigo presidente Sarkozy: “Utiliza-me como te convier” segundo divulgou o LeMonde no âmbito do chamado "escândalo Tapie" em que é suspeita de cumplicidade no desvio de fundos públicos quando era ministra das Finanças para apoiar a eleição de Sarkozy. Mas a agora já bem adulta directora do FMI, “a ser utilizada” em tribunal desde 2014, recusa demitir-se.
Fait-divers da “justiça” neoliberal aparte, passando por cima da treta dos cofres cheios, da almofada da ministra cheias de notas do BCE, das garantias de Coelho que não há azar, do Cavaco defensor que Portugal está protegido e outros pândegos, Janet Yellen, a directora da Reserva Federal norte-americana veio imediatamente avisar que se a Grécia for forçada pela UE como gestora dos credores a entrar em bancarrota “haverá graves perturbações nos mercados financeiros e na economia global. (só a Banca alemã e francesa perderiam cerca de 160 mil milhões de euros e, obviamente, o "cliente"). "O que teria sem dúvida repercussões para os Estados Unidos afectando igualmente as nossas perspectivas”. De domínio imperialista, esqueceu-se ela de acrescentar. (The Guardian)

O ministro das Finanças grego, a quem esta escumalha do directório europeu e seus modestos latrineiros nacionais ousam desafiar intelectualmente, é um dos poucos académicos que apontou em tempo o Dólar, quando "nasceu como 'Minotauro Global' (1) no pós guerra como moeda hegemónica mundial e os especuladores de Wall Street com rédea solta desde a década de 70 como estando na origem da actual crise (2008-2011-2015)

O livro tem 4 anos de editado, mas está mais actual que nunca. A edição portuguesa, só publicada em Junho de 2015, é dificil de ver, anda sempre na última prateleira de baixo ao rés-do-chão. Ainda assim, mesmo que descoberto, repare-se na limpeza gráfica com que se torna o assunto abstracto, comparando com o grafismo esclarecer de uma qualquer edição estrangeira.

(1) O site "Resistir.Info" publicou em 2011 uma resenha do livro com o título "Uma fábula para os nossos tempos" e outro esclarecedor artigo em 2013 da autoria de David Laibman intitulado "O fim do Minotauro e a Bancorruptocracia". Ambos os textos são deveras esclarecedores, principalmente para os ortodoxos que andam por aí a bramar contra "a traição do Syriza"

quarta-feira, junho 03, 2015

e assim nasceu esta democracia impoluta

desde a primeira hora do 25 de Abril de 1974 o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) afirmou tratar-se de um golpe-de-estado visando recondicionar a burguesia e "modernizar" as condições de exploração capitalista nacional, monopolistas, latifundiários, generalato, politicos fascistas, todos atascados na guerra colonial e repudiados por todo o mundo civilizado.
a reacção contra o embrião do Partido Operário não se fez esperar
no dia 28 de Maio de 1975 o governo "revolucionário" do MFA-Unido-ao-Povo-do-P"C"P manda prender 432 militantes comunistas, ilegalizando e impedindo o MRPP de concorrer às primeiras "eleições livres" 
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sexta-feira, maio 15, 2015

o desfile do Dia da Vitória tem a ver com o Povo Russo, não com o regime de Putin

Como Federação de Estados laicos as manifestações religiosas na Federação Russa são por principio afastadas dos actos oficiais. Mas este ano, pela primeira vez, houve uma excepção: "Um pequeno detalhe do desfile chamou especialmente a atenção: o ministro da Defesa Sergei Shoigu, budista, nascido na República de Tuva, e um dos mais respeitados líderes russos, que comandou o Ministério de Emergências, antes de assumir o Ministério da Defesa, fez algo que nenhum de seus antecessores jamais fez: no instante de iniciar a cerimônia, antes de pôr o quepe, o ministro fez o sinal da Cruz, à maneira dos russos ortodoxos. Esse simples gesto converteu o desfile, de simples exibição de pompa militar, num ritual sagrado" - premonitório? é deste modo que o Povo Russa encara as ameaças de invasão e perda de soberania, como uma Guerra Sagrada

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a recordar
Berlim, Maio de 1945

segunda-feira, maio 11, 2015

da Grande Europa para a Grande Ásia, a Entente Sino-Russa

A ruptura entre a Rússia e o Ocidente decorrente da crise de 2014 sobre a Ucrânia tem amplas implicações geopolíticas. Com a Rússia revertida para a sua posição tradicional como potência euro-asiática situada entre o Oriente e o Ocidente, a correlação de forças pende na direcção da China, face à pressão política e económica dos Estados Unidos e da Europa. Não será um simples presságio um novo bloco China-Rússia, embora a época da integração da Rússia pós-comunista com o Ocidente capitalista já vá longa. Mas na época seguinte a Rússia procura expandir e aprofundar as suas relações com nações não-ocidentais, obviamente com foco na Ásia a que pertence a maior parte do seu território. Os líderes ocidentais deveriam levar essa mudança a sério.

A situação da Rússia como pivot para a Ásia é anterior à crise na Ucrânia, mas tornou-se mais pronunciada desde então. Isto em parte porque a China é a maior economia fora da coligação que impôs sanções à Rússia, medidas que resultaram da crise, mas pouco ou nada afectam a sua economia. Pelo contrário, os maiores prejuízos têm sido suportados pelos países da União Europeia que se têm visto a braços com a proibição de exportarem produtos para a Rússia, enquanto sofrem condicionalismos na importação de gás, uma commodity estratégica vital para os países da Europa central. Como alternativa, aquilo que tinha sido originalmente para Moscovo um "casamento de conveniência" com Pequim transformou-se numa parceria muito mais estreita que inclui a cooperação no comércio de Energia, Minérios, Infra-Estruturas, e Defesa. A visão de Putin de uma "grande Europa" de Lisboa a Vladivostok, composta da União Europeia e da União Económica Euroasiática liderada pela Rússia, está a ser substituída pela "Grande Ásia" de Xangai até São Petersburgo. A Rússia é agora a maior aliada da China na crescente concorrência entre Pequim e Washington, situação que a breve trecho reforçará a importância da China.
O fim do takeaway pela burguesia ocidental de mercadorias a preços irrisórios das “fábricas do mundo” asiáticas vai (já está) a provocar a decadência do mundo desindustrializado. A construção de um mundo novo não poderá alimentar velhos modelos de tirania. A necessidade incontornável de reindustrialização num novo paradigma tecnológico é uma oportunidade para o regresso da luta de classes e para o derrube das serventuárias oligarquias da Europa. Ainda a mesma Europa que viu a Alemanha assinar a “acta do chanceler” em 1945 e que obriga hoje, 70 anos depois, todo o velho continente a prestar vassalagem ao imperialismo norte-americano.
O confronto da Rússia com os Estados Unidos, uma reedição da Guerra-Fria, está a ajudar a mitigar as rivalidades entre a Federação Russa e a República Popular da China que remontam ao conflito sino-sovietico da década de 60. Então, como neste momento com vantagem para a China. Isso contudo não significa que a Rússia seja dominada pela pelo eixo Pequim-Moscovo, mas é provável que esteja na ordem do dia uma relação especial de parceria. Com o poder económico da China e a especialização de grande potência da Rússia, o grupo BRICS (de que a Rússia faz parte, juntamente com o Brasil, Índia, China e África do Sul... e com a Grécia a caminho) irá cada vez mais desafiar o G7 como centro paralelo de governança global. A Organização de Cooperação de Xangai, onde este ano se associaram a Índia e o Paquistão, está a caminho de se tornar o fórum de desenvolvimento e de segurança que define o plano director para a Ásia continental. Através das suas relações reforçadas com países não-ocidentais, a Rússia está a promover activamente um novo conceito de ordem mundial que busca reduzir a predominância global americana (a tentativa de criar um mundo unipolar como referiu Putin no discurso do Dia da Vitória) e substituí-lo por um consenso em que os Estados Unidos sejam apenas uma grande potência entre outras.

sexta-feira, maio 08, 2015

70º Aniversário da Vitória sobre o Nazismo (II)

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A passividade das potências capitalistas ocidentais face ao expansionismo alemão, italiano e japonês – que vinha já de trás, da ocupação e anexação de diversos países e territórios – tinha um objectivo bem definido: empurrar a agressividade nazi-fascista para destruir o regime daa União Soviética, propósito principal de Hitler, evidente no próprio Mein Kampf e na assinatura com o Japão do Tratado Anti-Komintern, ao qual viria a aderir a Espanha fascista em 1939 no final da guerra civil.

A resposta do povo russo encarnado no Exército Vermelho liderado por José Estaline foi fulminanante, como se sabe, culminando na batalha de Berlim com o hastear da bandeira dos operários e camponeses na cúpula do Reichtag. Um facto pouco lembrado, que entre os defensores nazis em Berlim se encontrava a famosa Divisão Azul da Espanha fascista (1). A conquista de Berlim é um feito imortal de que se comemora agora o 70º aniversário. A epopeia foi paga com mais de 20 milhões de russos mortos na Guerra Sagrada pela Pátria e pela erradicação do Nazismo na Europa Oriental. Mas a Grande Guerra Mundial não terminaria nesse dia 9 de Maio. Três meses depois, no extremo oriente asiático a União Soviética declarou guerra ao Japão e conquistou a colónia chinesa da Manchúria ocupada pelos japoneses. No dia seguinte os Estados Unidos efectuaram o primeiro ataque terrorista com armas atómicas, destruindo Hiroshima e três dias depois Nagazaki. Este acto desesperado dos imperialistas norte-americanos acontece para evitar a todo o custo que fosse o Exército Vermelho a ocupar o Japão e transformasse o Império do Mikado num país socialista. A rendição do Japão chegou a 2 de Setembro de 1945 assinada perante o general MacArthur a bordo do cruzador Missouri ancorado no porto de Tóquio.

(1) O revisionismo histórico em marcha tenta apagar factos incómodos para o regime da nova "democracia" neo-fascista. Mais de 125.000 europeus ocidentais não alemães serviram militarmente a Alemanha de Hitler! A Divisão Azul espanhola enviada para a frente leste alemã era composta por 47.000 "voluntários" dispostos a lutar pelo nacional-socialismo hitleriano. Embora não existam estudos historiográficos de voluntários portugueses entre esses combatentes pró-Nazis, como antes os "Viriato" na guerra civil espanhola, Portugal fez-se representar em apoio dos homens de Franco por "observadores estagiários” junto da Divisão Azul - um deles, que depois se viria a tornar famoso, foi António de Spínola, que chegaria ao posto de Marechal. 
(“Mercenários de Hitler – Tropas extranjeras al Servicio del Tercer Reich”, de Christopher Ailsby, Editorial LIBSA, Madrid)

domingo, fevereiro 08, 2015

Ucrânia. Esta é uma Guerra Sagrada contra o Nazismo

O grande problema para os investidores ocidentais é que as milicias do povo das Repúblicas Independentes de Donbass (Donestks e Luganks, estão a ganhar a guerra contra o bando de arruaceiros de Poroshenko, em cuja tropa 80 por cento dos mercenários que a constituem são indigentes inaptos militarmente.  Tal como na guerra sagrada travada pelos soldados da União Soviética entre 1939-1945, esta é novamente uma guerra pela terra, pela familia, pela Pátria livre. Este designio de vitória levou Merkel e Hollande a humilhar-se em peregrinação a Moscovo (como antes os Aliados à URSS de Estaline) à procura de uma saida airosa para a empreitada em que Washington os meteu. François Hollande, um dos mais nojentos vassalos do imperialismo, sem resultados nem nada para dizer no regresso, disse " se não conseguirmos chegar a um acordo de paz, o único cenário é a guerra" (fonte) a que Merkel, pessimista, se apressou a acrescentar: "iremos armar as tropas de Kiev". Putin: "não desejamos a guerra contra ninguém". Lavrov: "respeitaremos o Tratado de Minsk", concluindo o comandante da Nato Philipp Breedlove: "não creio que seja justo excluir o uso da força militar", ameaça no seguimento das declarações do vice-presidente dos EUA: "Putin terá de escolher entre a retirada da Ucrânia ou mais sanções" (RaiNews). Mas como poderá um estrangeiro ordenar a outro estrangeiro retirar-se de um local onde um não está e o outro não deveria ter nada a ver com isso?

É o especulador financeiro George Soros que dá o mote: "Faz 25 anos assisti à desintegração e queda da União Soviética, evento que foi contrabalançado com a formação da União Europeia (...) desta vez é a União Europeia que se está a desintegrar, e a Rússia volta a beneficiar desta situação". (citado durante a Conferência de Segurança de Munique pela RiaNovosti). Ao mesmo tempo, o presidente da "Open Society Foundation" acusou a União Europeia de não cumprir as suas promessas de ajuda à Ucrania, algo que levou o país, assegura, à beira do colapso (leia-se, o regime de Kiev). "Cada um deve fazer o seu trabalho. Eu proporciono alguns milhões para ajudar a Ucrânia", concluiu Soros. Conversa para parolos àparte, a União Europeia, cujos três principais chefes políticos, François Hollande, Angela Merkel e David Cameron, mais que nunca dão os braços ao sionismo, não se fez rogada em entregar nada menos que 1,6 mil milhões de euros ao regime abertamente fascista de Petro Poroshenko entre 2014 e os primeiros dias de 2015 (fonte) 



imagens da ofensiva do Exército da Novorossiya