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segunda-feira, julho 13, 2015

uma lição grega

Para disponibilizar a quota financeira do MEE para a Grécia o Eurogrupo exige o depósito de 50 mil milhões de euros como garantia num banco privado no Luxemburgo de cuja direcção administrativa fazem parte o ministro Schauble e o vice-ministro de Merkel Sigmar Gabriel. Tal exigência nunca tinha sido feita a nenhum outro país membro. Esse dinheiro servirá para pagar ao BCE no dia 20.
 
Quais as consequências para o povo da adesão e entrada da “União” Europeia em Portugal? (como na Grécia). Quando foi criada, a UE tinha na sua génese três pressupostos fundamentais: 1) uma união sem barreiras alfandegárias nem fronteiras para pessoas e bens 2) ser uma associação de países como iguais 3) cada país mantinha a sua moeda própria como meio de tomada de decisões autónomas. Com as sucessivas revisões dos tratados e a adopção do Euro como moeda única as decisões politicas nacionais no quadro da UEM (União Económica e Monetária) as escolhas em economia-politica foram postas fora da equação. O que aconteceu de facto foi que a adopção do Euro trouxe a perda de soberania dos povos europeus. Portugal está hoje numa situação mais adversa que em 1580, quando perdeu a independência mas não a capacidade de emitir moeda soberana. 

Na década de 80 a indústria em Portugal representava 40% do produto interno bruto; em 2015 é de 13%. A agricultura, que representava 30% caiu para 2%. O sector de serviços que era de 30% passou hoje para 85%!. Da opção de terceirização da economia portuguesa aquando da adesão da classe dominante lacaia do capital à “União” europeia (1) resulta que um país que não produz praticamente nada é um país exponencialmente endividado. Daqui resulta igualmente que, como agente transformador da sociedade, a classe operária é hoje uma classe bastante minoritária. Possibilidades de revolução só em aliança com a pequena-burguesia gerada pelo sector terciário e com os trabalhadores do sector produtivo, reduzindo objectivos temporariamente. A luta imediata é por um Governo de Unidade Democrática e Patriótica! que integre no seu programa o desenvolvimento industrial e a subsequente reorganização do proletariado na defesa dos seus interesses de classe. 

(1) a ler: "Desinflação competitiva, o jogo perigoso do capital alemão"

domingo, maio 31, 2015

Contributo para a elaboração do programa do movimento anti-Capitalista

Nunca uma geração tinho dito peocupar-se tanto pelos seus filhos como esta; e nenhuma outra tinha destroçado tanto o mundo como este que lhe vão legar como herança(La Voz de Iñaki Gabilondo)

Os grandes banqueiros, especial ênfase posta nos Bancos Centrais e nos sindicatos bancários da Máfia Financeira, quiseram regressar às aulas. Não como alunos, dispostos a receber umas reguadas com uma barra de ferro, mas como mestres de uma bem publicitada catequese financeira à sombra do programa “Global Money Week”. Pretendem com a iniciativa promover a “Educação Financeira”, segundo os planos recomendados pela Comissão Europeia e pela OCDE, integrando a disciplina nos currículos das escolas, isto é, educar as crianças e adolescentes para aceitarem ser educadas para a Usura. Esta repentina vocação pedagógica dos banqueiros, dando aulas e patrocinando workshops com títulos tão sugestivos como “finanças para a tua vida” ou “endivida-te inteligentemente” quer fazer parecer que a culpa pela degradação do capitalismo foi dos cidadãos que não tinham suficiente cultura financeira. Só uma única individualidade, o Bernard Madoff no Verão de 2007, aquando do colapso das hipotecas de alto risco nos EUA, conseguiu a falência de milhares de cidadãos, a maior parte deles com larga experiência na “indústria financeira”. Sete anos depois a lógica irracional da ganância continua a produzir vítimas, vendendo algo que os bancos impingem como racional, como por exemplo no BES. Porém, os “mercados” não aprendem. É preciso educar as vítimas. E mercantilizar a educação de modo que sejam as vítimas a pagar um “ensino (tendencialmente) obrigatório”, ou seja, a completa submissão da Educação à economia neoliberal assente na economia das finanças especulativas. Ao Plano de Educação Financeira, “Finanças para Todos” é atribuída uma importância que situa a um nivel mais alto o pagamento o pagamento da prestação de hipoteca da casa que a a alimentação – all Money is a matter of belief, na teologia de Adam Smith, acredite, deixe de comer para pagar ao banco.

Paralelamente, fala-se mais de conceitos empresariais que de humanismo, como se aprende um e se esquece o outro nas madrassas Católicas, da educação como “motor" que promove a competividade da economia. Aprendizagem imprescindível para (con)formar trabalhadores versáteis e submissos, preparados para a sua própria gestão de seguros de saúde, planos de reforma e demais serviços que o “Estado-de-Bem-Estar” jamais voltará a proporcionar. Estado de serviços minimamente máximos (Fisco, Policias e Justiça) dentro do espirito empresarial. Os “empreendedores” serão os heróis da próxima geração. Muitos milhares já partiram, globalizando-se, tendo sucesso a ganhar dinheiro, na realidade com a competência de extorquir dinheiro a outros. Os novos heróis têm um papel importante no forjar de um “novo mundo” (a New World Order). Trata-se, como sempre, historicamente, do último recurso para enganar a morte. Com a actuação dos novos Sísifos, tão astutos, “inteligentes” e usurários como essa figurar mitológica, agindo sobre um sistema que não tem outro remédio senão a morte. Face à culpa pela secular ignorância financeira da populaça, o castigo de levar às costas eternamente a grande rocha encosta acima. Resumindo, todos os que não aceitam legar aos nossos filhos um novo sistema esclavagista ordenados pelo chicote do grande Capital têm de restabelecer parâmetros sociais e económicos muito diferentes, que não a astúcia, a ganância e a esperteza curricular para a especulação.

quinta-feira, maio 07, 2015

por uma moeda única mundial

O decadente dólar como moeda de hegemonia global vem juntar-se às guerras cambiais. A soma de todas as balanças comerciais do mundo é igual a zero, o que significa que nem todos os países podem ser exportadores líquidos - e que guerras cambiais acabam sendo jogos de soma zero. É por isso que a entrada dos EUA na guerra cambial era apenas uma questão de tempo. (Nouriel Roubini, Maio de 2015). É também por isso que na República Popular da China se advoga abertamente a criação de uma moeda única global (afinal uma ideia de Keynes não aceite em 1945) que possa reflectir o valor trabalho e ponha termo às infames disparidades nas trocas desiguais e especulações financeiras.  

A batalha de Waterloo, os assassinatos de seis presidentes dos Estados Unidos, a ascensão de Adolf Hitler, duas grandes guerra mundiais, a deflação da bolha económica japonesa em 1994, a crise financeira asiática de 1997-98, a destruição ambiental, tudo no mesmo mundo desenvolvido, no best-seller editado na China “As Guerras Cambiais” (Currency Wars) esses eventos díspares abrangendo dois séculos têm uma única raiz causuistica: o controle da emissão de moeda através da história pela dinastia dos banqueiros Rothschild. Ainda hoje, reclama o autor Song Hong-bing, a Reserva Federal dos EUA continua a ser um fantoche dos bancos privados, que em última análise, também devem vassalagem aos omnipresentes Rothschilds. Uma tal super-abrangente teoria da conspiração interessa tanto quanto os muitos fétidos ensaios que ainda podem ser encontrados no Ocidente sobre os "gnomos de Basileia" e manipulação das finanças globais por Wall Street?
Mas na China, que se encontra no meio de um longo debate sobre a abertura do seu sistema financeiro sob pressão dos Estados Unidos, o livro tornou-se um surpreendente êxito e está a ser lido em níveis superiores do governo e de empresários envolvidos em negócios com o estrangeiro - "Algumas cabeças seniores de empresas foram-me perguntando se tudo isso é verdade", diz Ha Jiming, economista-chefe da “China International Capital Corp”, o maior banco de investimento nacional. O livro dá também argumentos, para os muitos economistas que na China argumentam que Pequim deve resistir à pressão de os EUA e outros países para permitir que sua moeda, o renminbi, se possa valorizar. A editora do livro, uma unidade de produção do grupo estatal CITIC, disse que as Guerras Cambiais” publicaram até agora cerca de 200.000 livros, estimando que tivessem sido fotocopiadas mais 400.000 exemplares. Song Hong-bing, consultor de tecnologias de informação e historiador amador que viveu nos EUA, diz que o seu interesse foi despertado pela tentativa de descobrir o que esteve por trás da crise asiática em 1997. Depois que começou a blogar algumas de suas descobertas, os seus amigos sugeriram que ele devia encontrar um editor para o apoiar num trabalho mais longo. Hoje confessa-se surpreendido com o sucesso do livro - "nunca imaginei que pudesse despertar tanto interesse (…) as pessoas na China estão nervosas sobre o que está a acontecer nos mercados financeiros globais, e não sabem como lidar com os perigos reais. Este livro dá-lhes algumas idéias". O que mais choca as pessoas, diz o autor da descoberta, é que a Reserva Federal (FED) é um banco de propriedade e gestão privada. "Eu próprio nunca poderia imaginar que um Banco Central pudesse ser um organismo privado".

A Reserva Federal faz-se descrever como “uma mistura pouco comum de elementos públicos e privados". Conquanto os seus sete governadores sejam todos nomeados pelo presidente dos Estados Unidos, os bancos privados detêm as acções dos seus 12 Bancos de Reserva Regionais. Podemos ignorar o papel do governo e pensar que é esta corporação financeira que selecciona os presidentes levados a eleição. A FED é em última análise controlada por cinco bancos privados, entre eles o Citibank e o Goldman Sachs, os quais mantêm uma "relação estreita" com os Rothschilds, descrita no livro como tendo as características de um clã judaico. "O povo chinês pensa que os judeus são inteligentes e ricos, por isso, devemos aprender com eles (…) mesmo eu acho que eles são muito inteligentes, talvez as pessoas mais inteligentes da terra". Jon Benjamin, presidente-executivo da Câmara de Deputados dos Judeus Britânicos, não está impressionado. "Os chineses têm o maior respeito por aquilo que vêem como perspicácia intelectual e comercial dos judeus, e têm pouca ou nenhuma cultura de anti-semitismo. Esta afirmação, no entanto, joga as cartas mais desacreditadas e obsoletas que cercam os judeus e a sua influência. Que estes pudessem vir a ganhar dinheiro emitido por um Banco Central na economia emergente mais importante do mundo é uma grande preocupação”. O livro vem sendo ridicularizado na internet chinesa a partir do exterior, por exagerar a influência dos Rothschilds e ser uma contrafacção das teorias da conspiração inventadas no Ocidente. As “Guerras Cambiais” narram as crises financeiras até à década de estagnação no Japão e da crise financeira asiática, que segundo o autor tiveram um impacto profundo em muitos decisores das políticas chinesas. Tais funcionários executivos permanecem profundamente desconfiados do “aconselhamento” gentilmente prestado por países capitalistas ocidentais que seria muito mais benéfico abrir o sistema financeiro da China e fazer flutuar a moeda nos mercados cambiais. “Pensamos que esse “conselho” é apenas uma nova forma de saquear países em desenvolvimento". Entretanto, o autor foi contratado pelo governo para escrever uma série de novos livros capitalizando o seu sucesso, sobre o yene, o euro e também sobre o sistema financeiro da China.

Mas, ao tempo do lançamento em entrevista ao Financial Times, Song Hong-bing parecia hesitante sobre a linha que os seus futuros livros deviam tomar - "este livro pode estar totalmente errado, por isso, antes do próximo, tenho que ter certeza que o meu entendimento está certo (…) antes deste livro, eu era um zé-ninguém, podendo dizer qualquer coisa dependendo apenas do meu gosto, mas agora a situação mudou". Certo é que logo ao 2º livro Song Hong-bing ilustrou a capa com a famosa mão invisivel que mexe na sombra os cordelinhos de toda a economia Ocidental. Desde 2011 “Currency Wars” já conta com 5 novas sequelas e actualizações estudando vários períodos e moedas susceptiveis de entrar em guerra.

fontes e leituras complementares
1. "O fim do dólar como moeda de reserva global? A China anuncia planos para a criação de uma moeda mundial. Currency Wars: The Making of the Next Global Crisis", James Rickards  
2. Os chineses compram as teorias da conspiração (Financial Times, Setembro de 2007)
3. O ultra-secretismo que rodeia as negociações de Barack Obama para um novo Tratado Económico Global (The Economic Colapse, Maio de 2015)
4. O "Bancor", uma moeda supranacional proposta pela Inglaterra como potência hegemónica cessante por Lorde Maynard Keynes, não aceite no final da 2ª GGuerra pelos triunfantes capitalistas imperialistas dos Estados Unidos (wikipedia)

sexta-feira, maio 01, 2015

o Dia Internaacional do Trabalhador

O primeiro de Maio é assinalado em Portugal pelos trabalhadores desde 1890, o mesmo ano da publicação do "Manifesto Comunista" e o primeiro ano da comemoração internacional, quatro anos depois da data da primeira manifestação de meio milhão de trabalhadores nas ruas de Chicago em 1886.
Até então os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam em regime de semi-escravatura, homens, mulheres e crianças cujas pagas eram miseráveis com tempos de trabalho de 12 a 14 horas arbitrariamente impostos pelos patrões segundo as suas ganâncias por lucros em condições deploráveis e insalubres. Em 1869 apareceu o primeiro sindicato, popularmente designado de "Os Cavaleiros do Trabalho que reuniu 28.000 trabalhadores. Em 1880 foi fundada a Federação de Organizações de Sindicatos e Uniões de Comércio, sendo na sequência decretada no dia 1º de Maio de 1886 uma greve geral em milhares de fábricas por todos os Estados Unidos exigindo um horário de trabalho de 8 horas diárias. Em Nova Iorque marcharam 25.000 operários empunhando tochas num dilúvio entre a Broadway e a Union Square. 40.000 fizeram greve. Em Cincinnati um batalhão de trabalhadores armados com 400 rifles encabeçavam o desfile. Em Louisville no Kentucky, mais de 6.000 trabajadores negros e brancos marcharam pelo Parque Nacional violando deliberadamente o edital que proibia a entrada de pessoas de côr no local. Em Chicago, o baluarte da greve, a cidade foi paralizada por completo; 30.000 operários fizeram greve, enfrentando grupos de fura-greves profissionais contratados pelo patronato. Na fábrica McCormick 1.200 grevistas foram despedidos, mas 7000 trabalhadores ocorreram em seu auxilio, a policia foi chamada resultando o confronto em 6 mortos e grande quantidade de feridos. A 4 de Maio em Haymarket rebentou uma bomba nas fileiras da policia, o que resultou numa zona de fogo indiscriminada matando mais operários e ferindo centenas.

A 5 de Maio em Chicago foram presos 8 trabalhadores: George Engel, Samuel Fielden, Adolf Fischer, Louis Lingg, Michael Schwab, Albert Parsons, Oscar Neebe e August Spies, todos membros da Associação Internacional do Povo Trabalhador de imediato reclamando a ligação ao anarco-sindicalismo. Julgados sumariamente temia-se o pior. No Diário do Trabalhador publicou-se um manifesto: “Se se fusilarem trabalhadores responderemos de tal maneira que os nossos opressores a recordarão por muito tempo”. Chegou a sentença, dizia: “O tribunal cumpre a lei. A anarquia está a ser julgada. O grande júri escolheu e acusou estes homens porque foram os lideres da revolta. Não são mais culpados que os milhares que os seguiram. Porém, estes homens vão ser punidos com um castigo exemplar, enforcados para que sejam salvas as nossas instituições, a nossa sociedade" Foram todos considerados culpados e sentenciados com a pena de morte, à excepção de Oscar Neebe, condenado a 15 anos de prisão. Surgiu um grande movimento internacional em sua defesa realizando-se manifestações por todos o mundo, na Holanda, França, Rússia, Itália, Espanha e por todos os Estados Unidos.
Ao aproximar-se o dia da execução mudaram a sentença de Samuel Fielden e Michael Schwab para prisão perpétua. Louis Lingg apareceu morto na cela. Ao meio-dia de 11 de Novembro de 1887 os carcereiros vieram buscar às celas os últimos 4 companheiros de luta e de sonhos. Spies, Engel, Parsons e Fischer foram entoando a Marselhesa durante o caminho para a forca. José Marti, então correspondente em Chicago do jornal La Nación  e futuro pai da independência de Cuba relatou assim essas cenas dramáticas: "Saem das suas celas, dão as mãos e sorriem. Lêem-lhes a sentença. Amparam-se com as mãos nos ombros das sua mulheres. Vieram atar-lhes os braços ao corpo com uma faixa de couro e enfiam-lhes uma mortalha branca igual às túnicas dos cristãos das catacumbas. Em baixo está a assistência, sentada numa fila de cadeiras diante do cadafalso como num teatro... Há firmeza no rosto de Fisher, uma prédica de Parsons, Engel diz uma piada a propósito da sua túnica. Spies grita: “a voz que agora prentendeis calar será mais poderosa no futuro do que quantas palavras pudesse eu dizer agora". Baixam-lhes os capuzes, logo um sinal, um ruído, o alçapão cede, os quatro corpos caem e balanceiam-se como numa dança espantosamente horrenda"Mais de meio milhão de pessoas acompanharam o funeral dos que doravante seriam imortalizados como os "Mártires de Chicago"

Em 1891 o Congresso Operário Internacional convocou em França, uma manifestação em homenagem às lutas sindicais de Chicago que passaria a ser anual. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial. No dia 23 de Abril de 1919, o Senado francês ratificou a jornada de 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de Maio como feriado. Um ano depois a Rússia dos Sovietes fez o mesmo.

Em Portugal as acções do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, discursos e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e activistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.

segunda-feira, abril 13, 2015

A classe média está a perder ainda mais do que se pensa

Em termos de economia global, que é do que se trata quando falamos de economias nacionais dependentes, são consideradas famílias de "Classe Média" aquelas em que o elemento que ganha mais é um homem de 40 anos que, no caso de ser branco ou asiático, tem o ensino secundário completo e, no caso de ser negro ou hispânico, tem um diploma universitário.

A evolução do rendimento e riqueza deste tipo de famílias nos últimos anos mostra uma realidade bastante clara: Entre 1989 e 2013, o rendimento em termos reais destas famílias consideradas como classe média caíram 16%, com a maior parte da queda a acontecer a partir de 2001. Isto compara com uma queda de 1% para o rendimento mediano de todas as famílias, que é o indicador geralmente mais usado para ver aquilo que aconteceu à classe média. A riqueza das famílias analisadas caiu, entre 1989 e 2013, 27% em termos reais, sendo que desde 2007 (ano de início da crise financeira) caiu 38%. Mais uma vez, a queda da mediana de todas as famílias, segundo as estatisticas, foi muito menor, apenas 4%. Esta análise foi feita para os Estados Unidos. O mesmo tipo de estudo para Portugal, onde um peso significativo das medidas de austeridade tomadas nos últimos anos atingiu a "Classe Média" (uma invenção criada pela desindustrialização do pós-guerra), teria o potencial para mostrar resultados também significativos" (Economia.Info)

Hilary Clinton apresentou a sua candidatura à presidência dos Estados Unidos, pondo à cabeça do seu programa a Economia (que valeu ao marido nos idos de 90 a famosa frase "é a Economia estúpido", fazendo esquecer a outra: "Mudança x Mais do Mesmo"). No site Vox diz-se que a melhor forma de perceber o que vai ser a agenda económica de Hillary é ler o recente relatório sobre crescimento inclusivo que foi publicado pelo Center for Economic Progress"

a história do mundo é a história da luta de classes

domingo, março 08, 2015

já houve um tempo em que tudo parecia ir ser diferente: 8 de Março, Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

texto de João M Alexandre: o Parlamento Europeu alerta que a igualdade salarial na UE não se conseguirá antes de 2084.
A reivindicação do direito á igualdade entre mulheres e homens na Europa tem um longo caminho a percorrer. Assím o constata o Parlamento Europeu numa informação que se votará no próximo 10 de Março em Estrasburgo e que supõe um balde de água fría para a UE: a igualdade salarial não se conseguirá alcançar antes do ano 2084, e o objectivo (marcado para 2020) de uma taxa de emprego feminino de 75% não se alcançará até 2038. No estado capitalista, o dia 8 de Março tornou-se uma data um tanto festiva e consumista, com flores e bombons para uns. Para os Comunistas é relembrada a sua origem marcada por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, manifestaçõess e muita perseguição policial. É uma data que simboliza a busca de igualdade social entre homens e mulheres, em que as diferenças biológicas sejam respeitadas mas não sirvam de pretexto para subordinar e inferiorizar a mulher.

sábado, fevereiro 28, 2015

O desejo de enriquecer do subproletariado urbano

Mamma Roma, Anna Magnani, Franco Citti, Ettore Garofalo,
Pier Paolo Pasolini
Eu observo estes homens, educados/ numa outra vida que não a minha,/ fruto de uma história muito diferente/ e reencontro-os como quase meus irmãos/ segundo a última forma histórica de Roma/ Eu observo-os: em todos o ar de um cowboy/ que dorme armado com uma faca/ como sendo uma das suas funções vitais/ vividas em profunda escuridão/ A papal Icterícia Belli, não púrpura,/ mas como uma biliosa pedra de lava cozida/ é o modelo de roupa seguido, definitivamente suja/ Olha a ironia que transparece, suada, vermelha,/ que queima indecentemente…

quinta-feira, dezembro 25, 2014

uma prendinha para os vendilhões do governo

Nove sindicatos dos que agregam os trabalhadores de elite da TAP, entre eles o dos pilotos, anunciaram em véspera de natal a desconvocação da greve marcada para os póximos dias. Os três sindicatos que mantêm a greve representam mais de metade dos trabalhadores da Transportadora Aérea. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA), afeto à CGTP e o Sindicato Nacional dos Pessoal de Voo da Aviação Civil, afecto à UGT, dizem, no entanto, que vão acatar a requisição civil. As críticas da CGTP são agora direcionadas para aqueles que se opunham até há bem pouco tempo à privatização da empresa, mas que agora cedem às posições do governo e aceitam o processo de privatização mudando de opinião em apenas duas semanas. A traição acontece numa altura de forte mobilização popular de apoio aos grevistas, uma situação que poderia bem inverter a luta a favor dos que defendem os interesses dos portugueses, quiçá conseguir colocar os bastardos do governo no olho da rua. Assim sendo, mais um bom anos para todos, é o desejo dos que à miséria estão condenados... e a real puta que pariu aos privatizados.

sábado, dezembro 06, 2014

Yes, We Podemos

O movimento “Podemos” acaba de apresentar em Espanha uma proposta para discussão de programa económico “para que sirva como ponto de partida para a elaboração de um programa de governo com o qual concorrerá às próximas eleições legislativas – um documento assinado pelos economistas Vicenç Navarro e Juan Torres López intitulado “Democratizar a economia para sair da crise melhorando a equidade, o bem-estar e a qualidade de vida – uma proposta de debate para solucionar os problemas da economia espanhola”. É um documento base que faz o diagnóstico da actual situação de grave crise para traçar linhas estatégicas para propostas concretas de governo a levar a cabo por mais que uma legislatura visando uma profunda transformação social. Não é ainda um programa de governo, o qual deverá resultar de um trabalho mais amplo de debate “com peritos em economia de dentro ou fora da organização do Podemos” de onde sairão as medidas concretas.

Venha o voto e depois logo se vê
"queremos obter um “máximo acordo social"
Alemanha, anos 20, Georg Grosz
“Desejamos alcançar um modelo de economía diferente e uma sociedade mais justa e satisfatória para todas as pessoas sem distinção. Para que tal seja possível, acreditamos que as propostas devem basear-se num diagnóstico realista para determinar quais são os melhores remédios para os males que sofremos e evitar a fraude intelectual que tantas vezes os líderes do PSOE e do PP se comprometeram. Por exemplo, quando nos seus programas eleitorais de 2008 (e já em crise) o PSOE afirmou que o seu futuro governo iria alcançar o pleno emprego em Espanha ou o PP de Rajoy disse em 2011 que iria criar 3,5 milhões de empregos quando fosse governo. Quando afinal as medidas que vêm sendo adoptadas em Espanha nos últimos anos produziram o maior aumento na desigualdade da nossa história recente, provando-se que elas não foram concebidas, como eles dizem, para sair da crise, mas para favorecer os grupos mais poderosos que detêm o poder económico e financeiro e ao longo de décadas se tornaram ainda mais fortes pelo apoio que lhes dá uma União Europeia, também ela dominada por grupos dessa natureza. A partir de agora é essencial um grande acordo social para enfrentar a ditadura real que estamos a viver nos assuntos económicos. No final do documento resume-se em 7 pontos que o “Podemos” deverá propor um grande Pacto a todos os indivíduos e operadores económicos para fazer a democracia chegar à economia, por forma a distribuir de forma justa os sacrifícios e os benefícios das medidas a tomar, ao contrário do que tem acontecido até agora. Perceber isso implicaria um acordo sobre os seguintes temas e termos centrais que se desenvolveram nas secções anteriores:

Lenine, Jesus Cristo e o Rato Mickey (Alexander Kosolapov)
1. A reforma financeira começa com o reconhecimento do crédito como um bem público essencial para a economia.
2. Pacto sobre rendimentos que leve ao aumento da participação dos salários nos rendimentos para os níveis existentes, por exemplo, no final dos anos noventa
3. Reforma fiscal para combater a evasão fiscal, com taxas efectivas de imposto para todos os tipos de rendimentos que aumenta a equidade global do sistema, e criar novos impostos para desencorajar a especulação e incentivar o investimento produtivo, equidade e sustentabilidade da actividade económica.
4. Reforma das administrações públicas para melhorar a sua eficiência, obter economias em gastos desnecessários e contribuir da melhor maneira possível para criar riqueza produtiva
5. Aumento dos gastos sociais na perspectiva de os aproximar dos programas dos fundos médios de resgate e apoio europeu que garanta a todos os cidadãos uma renda mínima de subsistência conforme os direitos inscritos na Constituição espanhola.
6. Acordo sobre estratégia global para tornar a dívida sustentável
7. Estratégia para repensar as políticas europeias que sufocam as economias e os grupos sociais mais fracos, as quais demonstraram ser completamente ineficazes na resolução dos problemas da recessão, fazendo com que, pelo contrário, esta ficasse pior, com maior desemprego, mais da pobreza e o continuado aumento da dívida.

A situação em que a economia espanhola se encontra é muito difícil, quase de emergência, e há uma grande probabilidade de que no futuro próximo voltarem a acontecer situações de grande agitação no mundo, porque os principais problemas que geraram a instabilidade sistémica financeira e no meio ambiental não foram de modo nenhum resolvidos. Mas nós Podemos resolvê-los com êxito se se apontarem as causas que provocaram a situação e fizermos o esforço necessário para resolver os problemas se os repartirmos com equidade” (ver proposta do programa original aqui em castelhano)

É um texto redigido em social-democratês, recheado de lugares-comuns e destinado a apaziguar a luta de classes, que neste momento constitui o objectivo principal dos patrões e da classe dominante. Toda a gente é levada a concordar, especialmente com os muitos elementos de política geral (uma economia a serviço da maioria social, uma economia sustentável, etc.) e alguns pontos específicos. A questão da Europa assim como a questão, do Euro e do default/reestruturação da dívida, não faz referência a qualquer auditoria cidadã ao processo de endividamento. E não tendo um lugar central é insuficiente ver no documento uma base para discussão. Mas fica claro, a batalha da dívida, que é uma batalha Europeia, não está ganha, não haverá keynesianismo ou rendimento básico ou terceira via. Haverá apenas mais austeridade.

Sérias dúvidas há também quanto à questão central do emprego quando confrontado com o modelo capitalista. Ficam por esclarecer as profundas diferenças no diagnóstico do capitalismo financeirizado nas escolas neo-keynesianas e outras leituras, como a de Robert Brenner e David Harvey, sem que exista no documento de Navarro e Torres uma única posição marxista na análise ao sistema de crédito.  Sugere-se o reforço dos sistemas de crédito públicos e o "direito ao crédito".  Não deve existir nada contra o empréstimo propriamente dito, desde que este seja par a assegurar que os níveis salariais crescem o suficiente sustentados no trabalho produtivo para toda a sociedade não ficar sob um novo tipo de "servidão pela dívida" como aquela que ainda estamos a viver . Gasta-se aqui também uma boa porção de papel falando em fortalecer os sindicatos - mas, se avançarmos um cenário de fraco investimento privado por um lado num contexto onde permanece a atomização das empresas e a precariedade pela retirada do capital pela banca, descobrimos que o sector privado de pouco pode valer à união sindical se o grande empregador é o Estado. O rendimento básico para todos, com especial ênfase nos desempregados, aparece aqui literalmente apagado do mapa, conquanto em conjunto com os milhões de empregados precários  esta actualmente seja a melhor base social possível para a negociação contra o capital.

Boaventura Sousa Santos diz estarmos perante um "partido-movimento de tipo novo" - novo? assenta numa proposta de conciliação de classes, tipicamente social-democrata na esperança que esta se torne global por caridade dos ricos, omisso quanto ao imperialismo e ao seu braço armado, a Nato - resta saber se o capitalismo, no seu estado actual de decadência e degradação do processo de acumulação de capital, poderia sustentar de novo um regime social-democrata. (Visão)

segunda-feira, dezembro 01, 2014

Troika vai ser investigada pelo Parlamento Europeu; e quem investiga os presidentes da Comissão Europeia?

Sai mais uma manobra de diversão. Segundo o Expresso, "o Parlamento Europeu vai lançar um processo de inquérito para investigar a actuação da troika".
Em vista está o combate à transparência e investigação de eventuais abusos ou violações da lei nos países sob assistência financeira, como é o caso de Portugal (...) As troikas desempenham um papel chave na crise da zona euro. Mas o seu trabalho continua a não ser transparente em larga medida", considera a deputada do partido "os Verdes" autora da proposta, Sven Giegold, que acredita que "os pressupostos da troika provaram estar errados em todos os resgates. A avaliação vai incidir sobre a Grécia, Irlanda, Portugal e Chipre, e vão ser investigados eventuais abusos ou violações da lei por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia". (fonte)
"Investigada por eventuais abusos ou violações nos países" em que os governos aceitaram dobrar a espinha vertebral à independência nacional, traindo o seu povo... ou, de como diz o nosso camarada João Manuel Ribeiro: o presidente da comissão vai ser investigado pelo pai natal, que vai ser investigado pelo coelhinho, que vai ser investigado pelo palhaço e no fim vão todos juntos com a troika no combóio ao circo...

E num registo mais sério, a pergunta que as gentes do povo devem colocar a todos estes canalhas é, como nos tempos áureos da escravatura, a seguinte: "conseguirá hoje em dia um qualquer operário pagar a sua dívida ao patrão?" -

sexta-feira, julho 25, 2014

Quantos operários ou trabalhadores no sector real de produção representa o danieloliveirismo?

Das tricas turvas que agitam as diversas facções de oportunistas conluiados à mesa do Bloco dito de Esquerda acaba de sair o suco da barbatana de um fenómeno efémero; tanto caminho de "militância" andada do Oliveira&Compª para a mera ilusão de se coligarem com o Partido dito Socialista. Sempre a acrescentar nada, existirá pois uma nova desqualificação na politica portuguesa com a entrada em cena dos "dissidentes xuxas de esquerda". Estes dissidentes de pouca ou nenhuma coisa querem representar (querem mas nem isso representam) uma ínfinitesimal facção da pequena burguesia urbana, sempre a cair para o lado mais lucrativo da correlação de forças, mas com a mania que é de esquerda. Vai-se a ver melhor e deparamo-nos apenas com mais um grupelho ligado aos meios de comunicação do Capital. Como oportunistas liberais de fachada socialista viciados em polémicocrasia parlamentar burguesa, contas feitas à aspiração de votos (no conceito em concreto de aspirador) quanto valerá em dinheiro mais esta mini-alcateia de personalidades? Lá por nadarem nas águas turvas do status conservador de Bloco Central, podem angariar uns trocos (ou um chapéu cheio de desprezo) mas nada de ilusões, só a Revolução Socialista terá força moral e material para acabar com as grandes fortunas!
para os nossos heróis de banda desenhado de cariz individualista, o Capital não passa de um porquinho-mealheiro oferecido pelos papás para incentivar a boa gestão dos meninos

terça-feira, julho 01, 2014

CGTP, uma peça do Estado burguês na contenção da luta dos trabalhadores

Trabalho?
a CGTP é inoperante no sector Estado (depende dele para existir) e muito pouco representativa no sector privado - "Os níveis de filiação sindical são significativamente baixos no nosso país. Por exemplo, um estudo do Banco de Portugal indica que, em 2010, apenas 11% dos trabalhadores no sector privado eram sindicalizados. Além disso, os trabalhadores sindicalizados tendem a ter perfis e perspectivas muito diferentes da generalidade dos trabalhadores, uma vez que detêm níveis de antiguidade elevados, vínculos laborais permanentes, e trabalham em empresas de grande dimensão e em sectores de actividade caracterizados por níveis de concorrência baixa" (daqui)

Em entrevista dada à RTP Informação na véspera de um encontro da CGTP com Passos Coelho,
é poucachinho mas sempre é uma ajuda Sr. 1º Ministro
Arménio Carlos
, depois de expor as denúncias da central sindical sobre a política terrorista do governo PSD/CDS, designadamente, a que se prende com as recentes medidas de alteração da legislação laboral com vista à liquidação da contratação colectiva
e da manutenção do roubo do salário nas horas extraordinárias, foi questionado sobre o que pensava esta central sindical fazer perante a mais que expectável posição do primeiro-ministro de nada ceder. Até aí muito loquaz, Arménio Carlos entupiu, desviou a conversa para outras paragens e, o mais longe até onde conseguiu ir em matéria de resposta da Intersindical, foi a de ameaçar o governo com uma maior mobilização para ... uma (outra) manifestação.

Arménio Carlos e a Intersindical, apesar de concluírem que nada há esperar do governo de traição nacional PSD/CDS senão a continuação da sua política de austeridade, imposta pela permanência do país no Euro e de admitirem que a concertação social apenas serve para o governo obter a cobertura para aquela sua política por parte do patronato e da UGT, apesar de tudo isto, insistem – a exemplo do PCP – em pedir audiências a Passos Coelho e a manterem-se no diálogo da nova câmara corporativa que dá pelo nome de concertação social. Arménio Carlos mostrou, mais uma vez, de forma lastimável que não tem qualquer alternativa revolucionária para a revolta operária e popular contra a política deste governo e que, no fundo, ao seguir a sua actual estratégia de canalizar a luta dos trabalhadores pelo derrubamento do governo para sucessivas e cada vez mais desmobilizadoras manifestações, está a conduzir o movimento operário e popular para um beco sem saída. (Luta Popular)


quinta-feira, maio 01, 2014

o 1º de Maio é Vermelho

Somente os canalhas ou os idiotas podem acreditar que o proletariado deve primeiro conquistar a maioria das votações sob o jugo da burguesia, sob o jugo da escravatura assalariada, e que só depois deve conquistar o poder. Isso é como uma estultice ou uma hipocrisia, isto é substituir a luta de classes e a revolução por votações sob o antigo regime, sob o velho poder” (Lenine) (citado a propósito da situação da esquerda europeia)

Os escravos libertam-se a si próprios quando, fora das relações da propriedade privada, se libertam apenas das relações da escravatura passando no entanto a ser proletários; os Proletários só se poderão libertar abolindo toda a propriedade privada em geral” (Friedrich Engels, “Principios do Comunismo”)

os Operários e Trabalhadores Unidos Vencerão
efeméride 
30 de Abril de 1974. A Junta Militar aconselha a população a ter calma nas comemorações do 1º de Maio, o Dia do Trabalhador, habitualmente tratado à bordoada pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Curiosamente esta instituição de cariz completamente fascista nunca viria a ser extinta. Sabe-se hoje, que o golpe que apeou o Estado Novo foi uma coisa organizada segundo o tradicional modelo tuga. Obrigado por ordem de Otelo a rebentar a porta do quartel da GNR no Carmo, Salgueiro Maia opta para forçar a rendição disparando 2 rajadas de metralhadora para o telhado... porque não levava granadas para o canhão da Chaimite. Imagine-se os GNR`s junto com o Marcelo Caetano a rir a bandeiras despregadas das vítimas de 48 anos de repressão lá no esconso onde o Chefe espera pachorrentamente o bilhete de avião para o Brasil.

segunda-feira, abril 07, 2014

do "Estado Novo" passando pelo Revisionismo até ao "Liberalismo Novo" (II)

Segundo a teoria marxista-leninista existem três condições básicas para a insurreição proletária, e nestas outras tantas subdivisões: 1. a Estratégia e Táctica como ciência da direcção do proletariado na luta de classes 2. as Etapas para o socialismo 3. os Fluxos e Refluxos do movimento revolucionário 4. a Direcção estratégica 5. a Direcção Táctica 6. distinguir o Reformismo da via Revolucionária.
O primeiro preceito é a concentração contra o ponto mais vulnerável do adversário. E esse ponto é a Guerra e a degradação provocada por esta; foi-o em 1917 na Rússia, assim foi em 1974 com a guerra colonial em Portugal (quando o MRPP foi o único partido a lançar a palavra de ordem "Nem mais um soldado para as colónias"), assim é hoje com o envolvimento nas guerras de agressão imperialista levadas a cabo pela Nato/Estados Unidos.

é o social-fascismo que estigmatiza os Comunistas
Se no 25 de Abril a insurreição foi travada pela concertação dos partidos reformistas com uma burguesia nacional que mais não pretendia senão "modernizar" a exploração capitalista socorrendo-se do apoio da grande burguesia transnacional, tal aconteceu porque nenhum dos partidos ditos de esquerda, com o Partido dito Comunista à cabeça, teve como linha de acção uma prática marxista-leninista: "Uma vez começada a insurreição, deve-se agir com a maior decisão, passar à ofensiva. A defensiva é a morte de qualquer insurreição armada... É preciso surpreender os adversários enquanto as suas forças estão dispersas (…) em suma, seguir as palavras de Danton, o maior mestre de táctica revolucionária até agora conhecido: “de l'audace, de l'audace encore de l'audace" (Marx, Ensaios Históricos, 1850).

E no contexto do 25 de Abril, o que fez Álvaro Cunhal? tentou conciliar os interesses da classe dos trabalhadores com os interesses dos capitalistas - os quais se apressaram a fazer uma conferência de imprensa para declarar que "o capital podia ser posto ao serviço da revolução" (sic) uma infantil manobra de diversão para os que não estavam nada interessados em abrir mão dos monopólios, antes pelo contrário, ávidos de os expandir, como se viria a verificar a partir do 25 de Novembro de 1975 - por outro lado, o PCP de Cunhal também não perderá muito tempo e em breve se relacionará com os diplomatas norte-americanos colocados em Lisboa, transmitindo-lhes que “não pensava que este fosse o momento para realizar negociações sobre a retirada da base das Lajes e que elas deviam ser adiadas até o assunto poder ser tratado no contexto mais amplo da détente entre Leste e Ocidente” (Como sempre sob a tutela da União Soviética através para financiar e promover o revisionismo dito comunista, isto numa altura em que se tornava evidente a cisão ideológica Sino-Soviética) na sequência do que o embaixador elogia o lider do PCP afirmando que "ele fala com sensatez, com cuidado e em tom contido (…) na minha inocência, deixou-me a impressão de um homem com quem se pode tratar franca e directamente do outro lado da mesa" seguindo-se uma “homilia” sobre a justeza das reivindicações operárias e, finalmente, (segundo Stuart Nash Scott e conforme divulgado pela wikileaks nos "Kissinger Cables") por um ataque à extrema-esquerda, rotulada por Cunhal como sendo o “inimigo fundamental”.

O Reformismo é uma ideologia transviada pela qual o movimento operário em Portugal se deixou iludir, razão pela qual se fundará na década de 70 o "Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado"(MRPP). Tratava-se, como se trata ainda hoje, de debelar uma doença crónica:
Em 1964 Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP apresentou as tarefas do partido na revolução democrática e nacional, com o titulo “Rumo à Vitória”. A páginas 122-23 dessa tese publicada nas edições Avante, pode ler-se:
“Ultimamente, tem-se falado muito nas relações do governo fascista de Salazar, com o governo da República Popular da China. Sabe-se que uma das colónias portuguesas ainda existentes é a cidade chinesa de Macau. Pode parecer estranho que, num momento em que os povos das colónias africanas, apesar da desvantajosa situação geográfica, se levantam de armas na mão na luta pela sua independência, o governo da República Popular da China (RPC), ao mesmo tempo que tem uma posição de solidariedade para com os povos africanos, faça silêncio sobre o domínio colonialista fascista em Macau e tenha aí com o governo de Salazar as relações mais cordiais (…) nós podemos compreender essa posição da RPC e esteja interessada em manter em Macau uma porta aberta para o seu comércio, por onde recebe anualmente mercadorias no valor de meio milhão de contos e por onde vai fazendo sair os seus próprios produtos a troco das divisas que lhe são necessárias. (…) Já de há muito os salazaristas, fazem aberto namoro à República Popular da China. Os ministros, os deputados, os jornalistas fascistas constantemente tecem elogios ao exemplo de “boa vizinhança” e compreensão, às relações amistosas com o governo da China. Dum ministro das colónias pudemos ouvir palavras agradáveis acerca do camarada Mao Tsé-Tung (Adriano Moreira em 4-3-62). No “Diário da Manhã”, órgão do partido fascista, pudemos ler a defesa apaixonada da posição da China no conflito sino-indiano, pondo-se também em contraste a posição da China respeitando a soberania de Macau e a posição da ìndia libertando Goa, Damão e Diu (“Diário da Manhã”, 17-11-62). E, ainda que por considerações diferentes, em Portugal circula, mais ou menos livremente, o jornal “Informação de Pequim”, ao mesmo tempo que são ferozmente proibidas quaisquer publicações marxistas
Marxistas, dizem eles 
Cunhal enfiou no aparelho de Estado burguês o máximo que conseguiu de militantes do partido, onde fizeram carreira... Marimbando-se para o básico da prática marxista sobre a Insurreição: “Não brincar nunca com com a insurreição e, uma vez iniciada, saber firmemente que é preciso ir até ao fim. É necessário concentrar no lugar e momentos decisivos forças muito superiores às do inimigo; de contrário este, melhor preparado e organizado, aniquilará os insurrectos. Uma vez começada a insurreição, é preciso proceder com a maior decisão e passar, custe o que custar, à ofensiva, mantendo a todo o custo a superioridade moral. A defensiva é a morte da insurreição armada,” (Lenine, “Conselhos de um Ausente”, 1917). “Pode-se considerar que chegou o momento da batalha decisiva quando todas as forças de classe que nos são adversas estiverem completamente mergulhadas na confusão. E é preciso que a vanguarda não perca de vista o objectivo fundamental da luta… seguir uma conduta errónea é aquilo a que os homens do mar chamam perder o rumo (...) Foi como se o Partido, no caso o PCP, se tivesse esquecido, naquele momento, de que as manobras para montar um Parlamento era uma tentativa da burguesia de desviar o país do caminho as assembleias de trabalhadores (o equivalente aos “sovietes”) para o caminho do parlamentarismo burguês. Na revolução russa, o erro de se transplantar para ali a palavra de ordem “Todo o Poder aos Sovietes” foi corrigido com a retirada dos bolcheviques do Parlamento. "Devemos participar nesses trabalhos, com a finalidade de facilitar aos trabalhadores a compreensão, por experiência própria, da inutilidade de um tal tipo de Parlamento, explicar pacientemente os erros dos partidos pequeno-burgueses, as manipulações ocultas dos programas da grande burguesia. A classe revolucionária aprende a compreendê-lo pela sua própria e amarga experiência” da impossibilidade de se chegar a uma conciliação com o czarismo" (Lenine, “Sobre a Importância do Ouro”, 1922). No nosso caso, com o neoliberalismo.

Em 2004, Arnaldo Matos, ex-secretário geral do MRPP no tempo da Revolução pós-25 de Abril, dava uma entrevista a um jornal…estas três respostas a três perguntas – tão actuais – contrapõem-se excelentemente a uma lacrimejante revisão da história
P. "Qual foi o papel do PCTP/MRPP em todo o processo de mudança em Portugal?
Arnaldo Matos - Foi o papel de um pequeno partido marxista-leninista: denunciar o revisionismo e o oportunismo, organizar a classe operária e mobilizar o povo para as tarefas da Revolução. Por isso, foi sempre visto como o figadal inimigo do MFA, do PCP, do PS, do PPD, do CDS e da UDP e de todos quantos apareceram para se instalar no poder e ainda lá estão instalados.
P. Na sua opinião, o que é que falhou na Revolução?
Arnaldo Matos - Não falhou nada. Não estavam reunidas na altura, e não o estão hoje, as condições objectivas e subjectivas para ir mais além. Mas a Revolução, como uma velha toupeira, continua a socavar o seu caminho, e haverá de ressurgir, mais cedo ou mais tarde, precisamente na luta contra a globalização.
P. Que análise faz à participação e actuação dos sindicatos e partidos, quer em termos de parlamento, quer no discurso dirigido à sociedade civil?
Arnaldo Matos - Os sindicatos ainda não perceberam qual é o papel que lhes cabe hoje. Não compreenderam as modificações profundas que se operaram nas suas bases de apoio, não alcançaram o significado das alterações nas relações de produção da mais-valia e não entenderam, designadamente, o sentido e o alcance das novas tarefas política internacionalistas que a globalização lhes impõem. Quanto aos partidos, estamos conversados: os da direita estão satisfeitos, porque estão no poder, e os outros estão satisfeitos, porque lambem as migalhas do poder". É fartar, vilanagem!

quarta-feira, abril 02, 2014

Investimento de multinacionais cria riqueza para os trabalhadores portugueses?

Diz a noticia que a Auto-Europa se propõe fazer (se não se trata de mais uma das habituais operações de marketing) um investimento de 670 milhões numa nova linha de produção que irá criar 500 novos empregos em 5 anos. Os intelectuais que nunca viram um operário por perto embandeiram em arco lá de cima – estão a ver? afinal o Estado cria emprego! - e isto para desancar nos neoliberais parece chegar, mas é uma mistificação – a euforia afinal assenta nos 134 milhões/ano a que corresponde 100 trabalhadores por ano até 2019. Ora nem o sindicalista amarelo do BE acredita nas boas intenções disto. O assunto culmina com a descoberta que o capital a investir, 38,2 milhões de dólares, é emprestado pela AICEP, decerto com o aval do Estado (isto é, do Governo que distribui tacho)

O que ganha o Estado, isto é, nós portugueses com o negócio?

a Auto-Europa importa cerca de 80 por cento dos componentes que utiliza na montagem dos veículos “portugueses”. Com este presumível aumento de produção (de for verdade) o valor das vendas que ficam em Portugal é de 20 por cento dos 2,2 mil milhões de euros que a montadora exporta, um pouco mais de 2% do PIB; ou seja ficam no país 440 milhões, o que dá 14,600 euros de valor acrescentado por trabalhador/ano.

Por comparação, o peso que o sector das Florestas no PIB português representa é de 11 por cento; não sendo necessário importar matéria-prima. Supondo, por excesso, que o sector importa 30 por cento do valor facturado em maquinaria e produtos químicos, ficam na economia do país 8,4 mil milhões de euros, o que dá um valor acrescentado proporcionalmente por trabalhador de 19 vezes mais que o da Auto-Europa. A montadora de automóveis - que acrescenta essencialmente mão-de-obra a custos muito mais favoráveis em relação á média europeia, e beneficia além do mais de um regime especial de impostos – é boa é para a Alemanha, cujas fábricas exportam para Portugal 1,7 mil milhões de euros por ano

domingo, fevereiro 09, 2014

como os Ministros são vaiados, são os insignificantes ajudantes de sub-secretários a sair à rua

tão-a-ver? uma folha em branco
O secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional (lindo cargo) anunciou que o Governo tem uma nova estratégia para atrair mais investimentos estrangeiros que suportem uma imigr#ção qualificada, fazendo regressar alguns cérebros portugueses, estancando a corrente de emigrantes portugueses expulsos do país pelo desemprego provocado por eles, focando-se numa espécie de re-industrialização avant-neocon apoiada numa nova valorização tecnológica com a qual o país ficará rico. Mais ou menos isto.
Todos os dias salta um rato para os Media com o mirífico messianismo de não roerem mais os calcanhares de quem passa. Por acaso o desenvolvimento tecnológico tem ajudado a classe operária e os seus aliados naturais? ou tem agravado a exploração de quem trabalha e o controlo social através de uma espécie de ditadura de economistas dos patrões?

"A nossa preocupação não pode ser simplesmente modificar a propriedade privada, mas aboli-la, não para conciliar os antagonismos de classe, mas de abolir as classes, não para melhorar a sociedade existente, mas para fundar uma nova" (Marx e Engels)
"O argumento de Lenine, por um lado, revela o verdadeiro estado de coisas, a ligação multifacetada e indissolúvel entre o destino da classe trabalhadora e o da sociedade como um todo. Por outro lado, o proletariado não pode libertar-se sem demolir toda a opressão e exploração, seja quais forem as classes e camadas sociais que estejam a ser afectadas" (Georg Lukács).
A questão da Industrialização para reforçar o poder de Classe está porém respondida; e de há muito tempo:

"A nossa via de industrialização socialista, intimamente ligada ao largo desenvolvimento da revolução técnico-científica, não tem nada de comum e está mesmo em contradição completa com os tagarelas tecnocratas de toda a espécie que a burguesia e os revisionistas propagam actualmente com grande alarido. Os ideólogos da burguesia (os donos dos meios de produção) monopolista procuram enganar os trabalhadores fazendo-lhes crer que a revolução técnico-científica que se desenvolve actualmente no mundo, suprime, por assim dizer, os males do capitalismo de classes e substitui os proprietários capitalistas por administradores tecnocratas. Nesta base, proclamam que o velho sistema capitalista da exploração, a luta de classes e a necessidade da revolução proletária já estão ultrapassados.
Na verdade, por trás da dita "sociedade industrial" ou da "sociedade tecnocrata", dissimula-se a feroz opressão dos trabalhadores pelos monopólios capitalistas e o capitalismo monopolista de Estado. Os revisionistas modernos, que traíram completa e definitivamente o marxismo-leninismo e se puseram ao serviço da burguesia, apresentaram a "sociedade tecnocrática" e o progresso técnico-científico que levam  ao reforço e à extensão do capitalismo monopolista de Estado, como "a introdução de elementos do socialismo na transformação gradual do capitalismo (...) "Liberalização e democratização do socialismo", eis como os teóricos burgueses Ocidentais chamam às politicas dos partidos ou países revisionistas, (todas fracassadas).

Deste modo, as duas partes, tanto a burguesia como os que se dizem comunistas, convergem para o mesmo ponto. Procuram fazer subsistir o capitalismo e acabar com o socialismo (...) Ora a revolução técnico-científica não pode mudar as leis objectivas da evolução social para a revolução. A introdução em grande estilo da ciência e da técnica na Produção, à qual os monopólios capitalistas são obrigados a recorrer para fazer face à feroz concorrência interior e internacional para assegurar o lucro máximo, não remove de maneira nenhuma as contradições económicas e de classe tanto das importações como das exportações do capitalismo antigo e do novo, não lhe evita a sua crise irremediável e cada vez mais destruidora. Pelo contrário, reforça ainda mais as contradições e as crises, desencadeia ainda mais o fluxo da luta de classes e conduz, no final de contas, logo que os factores subjectivos estejam no nível suficiente, à Revolução Socialista triunfante" (Enver Hoxha, 1970)

quarta-feira, janeiro 29, 2014

sobre as ilusões da pequena burguesia

Toda a riqueza escorre para cima a partir de um único lugar: a classe operária. Quaisquer restos que sobrem e caiam de volta para baixo já foram nossos. Se taxar os ricos é roubo, isso é só porque eles estão deliberadamente acima da fronteira guardada pelas milícias policiais fascistas que impedem a devolução do produto do trabalh# completo de volta para os trabalhadores.

Conferência de Arnaldo Matos inserida no ciclo "a Crise Nacional, a Europa e a República" (ver mais). Uma perspectiva marxista sobre a organização da sociedade, cujo debate não se pode perder

segunda-feira, janeiro 27, 2014

contra a reacção, a Dialéctica em Acção

"A essência do Capitalismo é transformar a Natureza em mercadorias e essas Mercadorias e Bens em Capital. A Terra verde viva é transformada em barras de Ouro mortas. A luxuosa Mansão tem de ser vista como uma vasta concentração de favelas, onde a grande maioria da humanidade é mantida na Ordem por uma força Armada”. (Michael Parenti)

Europa já gastou 1,3 biliões de euros, um décimo da sua riqueza, em "auxílio" Estatal não-contabilizado aos Bancos desde o inicio da crise em 2008