A presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, desvalorizou a iniciativa de Barack Obama de dialogar com a República de Cuba, atribuindo a importância devida à luta do povo cubano pelo socialismo: “Não nos confundamos. Cuba está aquí por direito próprio, não por um favor prestado pelo imperialismo, está aqui porque “lutou durante mais de 60 anos por uma dignidade sem precedentes”
.........
Mas antes de Kirchner pronunciar estas palavras já Obama tinha saido da sessão plenária (1), desrespeitando as regras da Cimeira das Américas que prevê reuniões bilaterais só após o encerramento da plenário. Obama retirou-se para se reunir com o seu subserviente homólogo colombiano Juan Manuel Santos, em que abordaram e tema dos diálogos de paz com as Farc, que decorrem precisamente em Havana. Evidentemente, negócio de armas tem prioridade. Mas o verdadeiro motivo do acto de cobardia politica, desprezo pelos interlocutores latinos, falta de respeito das leis internacionais e convénios entre nações ao sair do recinto, foi não ter que ouvir o discurso do presidente Nicolas Maduro da Venezuela, nação sul-americana que os Estados Unidos de Obama acabam de declarar como “uma potencial e extraordinária ameaça para a segurança interna dos EUA”. Como diria Kirchner, é caso para rir:
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Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
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domingo, abril 12, 2015
quarta-feira, fevereiro 04, 2015
a contra revolução em marcha na Venezuela
Muito se fala, a propósito das actuais possibilidades de revolução, na organização “das massas”. É verdade, não há libertadores, é cada povo por si, pela organização política que escolhe ou por que é submetido à exploração dos capitalistas, que se liberta, ou permanece subjugado. Antes do mais, é necessário definir o que se entende hoje em dia por “massas” (reunidas em classes como se fossem heterogéneas) e se a sua suposta “organização” é suficiente, ou sequer o principal imperativo para revolucionar o sistema.
Na Venezuela a chamada “Revolução Bolivariana”, aka o “socialismo do século XXI, leva 16 anos de existência. Desde 1999 Hugo Chávez implantou um programa de governo o combate à pobreza tendo como suporte financeiro as receitas da nacionalização do petróleo. Criou-se um mundo alegadamente independente do da grande burguesia. As “massas” organizaram-se nas “missiones” e cooperativas, nas mais diversas áreas, na reforma agrária tomando posse de milhões de hectares entregues aos trabalhadores, no Ensino, irradicando o analfabetismo, na Saúde pública e assistência social pelas redes comunitárias de participação popular dos “Barrios Adentro” beneficiando as camadas mais pobres da população, a desigualdade diminuiu, as reivindicações das comissões de trabalhadores conseguiram aumentos substanciais do salário mínimo. Houve um grande número de eleições e referendos populares, reiterando sempre o carácter democrático do regime. O governo promoveu relações bilaterais com os governos progressistas latino-americanos visando uma união (a Alca) capaz de enfrentar o imperialismo. (ler mais)
Mas basta a queda abrupta dos preços do petróleo para que tudo esteja a ser posto em causa. As receitas esperadas por via das exportações de petróleo este ano irão baixar para 28 biliões de dólares. Enquanto para o pagamento dos juros da dívida externa são exigidos 10 biliões de dólares. A impossibilidade de recorrer aos mercados de capitais internacionais, por via do boicote norte-americano, significa que haverá uma drástica restrição de importações e da actividade económica. Prevê-se uma queda de 7% do PIB da Venezuela em 2015.
Porque colapsa então esta possibilidade de instaurar este modelo de socialismo de cunho nacional assente na ideologia de libertação bolivariana? Primeiro que tudo, recordar que Karl Marx condenou Simon Bolivar como traidor, ao emancipar-se da sorte da classe operária do país colonizador para criar uma grande burguesia de negócios locais, “independentes”. Na Venezuela do século XXI esta classe dominante mantém a sua idiossincracia original. Em 16 anos o Chavismo não tocou com um dedo no regime de propriedade privada, que sustenta maioritariamente o emprego dependente dos investidores capitalistas aliados ao capital financeiro internacional. A imensa maioria dos grupos de comunicação é privada e portanto contrária ao regime. É quanto basta para que se lançasse a Venezuela numa séria crise de abastecimento decorrente do boicote internacional ao qual se aliam os grandes comerciantes das cadeias de distribuição do país. Para a classe possidente organizada em torno da direita, o principal objectivo é deitar mão às possibilidades de recuperação para os seus negócios de tudo o que foi entretanto criado no âmbito da propriedade dos bens comuns. Apesar das denúncias dos açambarcamentos ilegais, verificam-se grandes filas de horas de espera para adquirir bens essenciais. O descontentamento aumenta, a base social de apoio ao governo desmorona-se.
¿Repetir-se-á contra Nicolás Maduro o mesmo tipo de golpe que foi perpretado contra Salvador Allende nos anos 70? No Chile foi o boicote económico financeiro e a política monetária de emissão de dinheiro que conduziu o país a uma situação de hiperinflação e à subsequente crise de desabastecimento. A queda na obtenção de divisas aliada aos constrangimentos económicos sobre as importações, nunca substituidas por uma política de soberania alimentar, leva o executivo venezuelano a escudar-se na “conspiração nacional de internacional similar à que foi aplicada no Chile”. Há um golpe-de-estado em tempo real em marcha na Venezuela por via das sanções decretadas pelos EUA, encaixando todas as peças como é habitual nos filmes da CIA. As infiltrações aumentam, os rumores circulam, a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica da “organização das massas”. Há uma quinta coluna infiltrada através das redes de cabo e internet a partir dos EUA/Canadá. A oposição acusava Chávez, e agora Maduro de querer implantar um regime comunista à semelhança de Cuba. Os títulos dos Media gritam “perigo”, jornais como o New York Times publicam editoriais desacreditando e ridicularizando o presidente Maduro, qualificando-o de errático e despótico. Noutro artigo o NYT ataca a indústria petrolífera predizendo a sua queda, sempre na mira de deitar mão à maior mina de ouro negro da região. No mesmo dia o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos condenou a suposta “criminalização da dissidência política na Venezuela”. Trata-se dos mesmos vergonhosos agentes que aplaudiram o violento golpe-de-estado de 2002, mas quando Chávez regressou ao poder dias depois lhe pediram para “governar responsavelmente”, uma vez que tinha sido ele com a sua politica o causador do golpe. (Eva Golinger)
Na Venezuela a chamada “Revolução Bolivariana”, aka o “socialismo do século XXI, leva 16 anos de existência. Desde 1999 Hugo Chávez implantou um programa de governo o combate à pobreza tendo como suporte financeiro as receitas da nacionalização do petróleo. Criou-se um mundo alegadamente independente do da grande burguesia. As “massas” organizaram-se nas “missiones” e cooperativas, nas mais diversas áreas, na reforma agrária tomando posse de milhões de hectares entregues aos trabalhadores, no Ensino, irradicando o analfabetismo, na Saúde pública e assistência social pelas redes comunitárias de participação popular dos “Barrios Adentro” beneficiando as camadas mais pobres da população, a desigualdade diminuiu, as reivindicações das comissões de trabalhadores conseguiram aumentos substanciais do salário mínimo. Houve um grande número de eleições e referendos populares, reiterando sempre o carácter democrático do regime. O governo promoveu relações bilaterais com os governos progressistas latino-americanos visando uma união (a Alca) capaz de enfrentar o imperialismo. (ler mais)
Mas basta a queda abrupta dos preços do petróleo para que tudo esteja a ser posto em causa. As receitas esperadas por via das exportações de petróleo este ano irão baixar para 28 biliões de dólares. Enquanto para o pagamento dos juros da dívida externa são exigidos 10 biliões de dólares. A impossibilidade de recorrer aos mercados de capitais internacionais, por via do boicote norte-americano, significa que haverá uma drástica restrição de importações e da actividade económica. Prevê-se uma queda de 7% do PIB da Venezuela em 2015.
Porque colapsa então esta possibilidade de instaurar este modelo de socialismo de cunho nacional assente na ideologia de libertação bolivariana? Primeiro que tudo, recordar que Karl Marx condenou Simon Bolivar como traidor, ao emancipar-se da sorte da classe operária do país colonizador para criar uma grande burguesia de negócios locais, “independentes”. Na Venezuela do século XXI esta classe dominante mantém a sua idiossincracia original. Em 16 anos o Chavismo não tocou com um dedo no regime de propriedade privada, que sustenta maioritariamente o emprego dependente dos investidores capitalistas aliados ao capital financeiro internacional. A imensa maioria dos grupos de comunicação é privada e portanto contrária ao regime. É quanto basta para que se lançasse a Venezuela numa séria crise de abastecimento decorrente do boicote internacional ao qual se aliam os grandes comerciantes das cadeias de distribuição do país. Para a classe possidente organizada em torno da direita, o principal objectivo é deitar mão às possibilidades de recuperação para os seus negócios de tudo o que foi entretanto criado no âmbito da propriedade dos bens comuns. Apesar das denúncias dos açambarcamentos ilegais, verificam-se grandes filas de horas de espera para adquirir bens essenciais. O descontentamento aumenta, a base social de apoio ao governo desmorona-se.
¿Repetir-se-á contra Nicolás Maduro o mesmo tipo de golpe que foi perpretado contra Salvador Allende nos anos 70? No Chile foi o boicote económico financeiro e a política monetária de emissão de dinheiro que conduziu o país a uma situação de hiperinflação e à subsequente crise de desabastecimento. A queda na obtenção de divisas aliada aos constrangimentos económicos sobre as importações, nunca substituidas por uma política de soberania alimentar, leva o executivo venezuelano a escudar-se na “conspiração nacional de internacional similar à que foi aplicada no Chile”. Há um golpe-de-estado em tempo real em marcha na Venezuela por via das sanções decretadas pelos EUA, encaixando todas as peças como é habitual nos filmes da CIA. As infiltrações aumentam, os rumores circulam, a mentalidade de pânico ameaça superar a lógica da “organização das massas”. Há uma quinta coluna infiltrada através das redes de cabo e internet a partir dos EUA/Canadá. A oposição acusava Chávez, e agora Maduro de querer implantar um regime comunista à semelhança de Cuba. Os títulos dos Media gritam “perigo”, jornais como o New York Times publicam editoriais desacreditando e ridicularizando o presidente Maduro, qualificando-o de errático e despótico. Noutro artigo o NYT ataca a indústria petrolífera predizendo a sua queda, sempre na mira de deitar mão à maior mina de ouro negro da região. No mesmo dia o porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos condenou a suposta “criminalização da dissidência política na Venezuela”. Trata-se dos mesmos vergonhosos agentes que aplaudiram o violento golpe-de-estado de 2002, mas quando Chávez regressou ao poder dias depois lhe pediram para “governar responsavelmente”, uma vez que tinha sido ele com a sua politica o causador do golpe. (Eva Golinger)
quarta-feira, março 06, 2013
a Venezuela de Chávez é uma grande derrota para o Imperialismo Yankee
Ele levantou-se contra o Imperialismo e lutou para mudar a situação do seu povo, arrastando com isso todos os povos da América Latina. Inclusivé ajudou os pobres dos Estados Unidos concedendo-lhes combustíveis e petróleo barato para usar no aquecimento das casas no Inverno. Fazendo de Chávez uma Lenda, com um programa revolucionário e uma coligação de forças revolucionárias, o Povo da Venezuela triunfará!
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sexta-feira, novembro 27, 2009
a V Internacional Socialista
quem chega de facto a Lisboa com a Cimeira Ibero Latino-americana não é a Skakira, como tem vindo a ser amplamente divulgado
Diante das chamas da cidade tomada e as profecias de desgraça da cassandra alemã, desde a Queda do Muro proporcionada pelo golpe de Estado reagan-perestroiko na URSS, que o chamado “socialismo real” foi expulso do lugar que habitava. Embora a ordem de despejo tenha em concreto “limpo” o terreno que ocupava, lavrou também a utopia socialista que se transferiu de sementes e bagagens e germina de novo no lugar natural onde sempre morou: a mente de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo. Juntando a outros imaginários, a I Internacional marxista, a II Internacional de Lenine, a III Internacional do socialismo num só país, da IV Internacional de Trotski, outro proscrito, e das diversas canibalizações fantoches do pós-guerra engrendradas pelas oligarquias no Poder, chega-nos agora (em absoluto segredo nos Media) a tentativa de implantação da V Internacional Socialista pela mão da Venezuela de Chávez – a novidade é a politica de conciliação inter-classista respeitando a ordem instituída pelo capitalismo, “trabalhando-a” no sentido de reformar a função social das empresas. “Jamais pensámos em trocar as urnas pelas armas e não importa se a Esquerda está no terceiro ou no primeiro mundo” afirmou-se no evento inaugural. Houve até quem alvitrasse que se devia convidar Obama… uma re-edição do tal mito da Cassandra refugiada no templo de Atena, onde é descoberta e violada pelo brutal Ájax, filho de Oileu, uma múmia transsexual disfarçada
Após três dias de debate que reuniu delegados(as) de 55 partidos e organizações de esquerda de todo o mundo, sob a sigla “Compromisso de Caracas” foi elaborado um documento final onde a corrente socialista anunciou diversas actividades um pouco por todo o planeta que conduzirão à convocatória para Abril de 2010 para criar na capital venezuelana uma instância mundial que enfrentará o capitalismo. Nesta perspectiva 26 paises da América Latina, 7 da Europa, 6 de África, Ásia e Oceânia discutiram se a Revolução Bolivariana, na medida em que é única e inédita, significará um movimento de reforma social de grande envergadura com significado em todo o mundo. Na afirmativa, existirá um lugar a partir do qual se assumirá o compromisso de construir o já chamado Socialismo do século XXI? Como medidas de acção imediatas foram propostas as seguintes linhas:
1. A exigência do fim do bloqueio a Cuba e a libertação dos presos políticos cubanos daas prisões norte americanas onde foram encarcerados sem acusação legal nem possibilidades de defesa.
2. Decretar mobilizações de repúdio mundial contra as bases militares norte americanas na Colômbia. Cada organização promoverá acções nos seus países de origem.
3. Desconhecer quaisquer eleições sob a ditadura nas Honduras. Apoio incondicional a todas as organizações populares do povo hondurenho até à restituição do poder ao presidente constitucional Manuel Zelaya
4. Mobilização de um movimento mundial de militantes pela cultura da Paz com a consolidação e desenvolvimento de uma plataforma de acção conjunta entre partidos para o cumprimento das tarefas democraticamente designadas.
5. Fogo mediático usando os meios de comunicação internacional a favor da emancipação da consciência revolucionária. Solidariedade com todos os povos do mundo que lutam pela liberdade.
Patricia Rodas é, pese a ingenuidade, considerada uma grande mulher, um dos membros que integrava o governo de Zelaya nas Honduras. Nas suas palavras, esse governo que adoptou como programa levar a cabo reformas radicais, era visto como uma utopia (já criticada por Engels no Anti-Duhring em 1877), um revisionismo como tantos anteriores, "considerado como sendo de demasiada esquerda para a Direita e de demasiada direita para a Esquerda". Sócrates, invocando um desses lados (enquanto povo o desmente e diz que é o outro) também tem “reformado” em nome dos interesses genéricos dos portugueses como se de um único grupo coeso se tratasse. Porém o golpe de Estado nas Honduras veio não só pôr em causa “o reformismo ad nihil”, sem atender às classes sociais em presença, como mudou de facto a visão da população sobre a natureza do Poder.
Era essa mesma mudança de entendimento que se esperaria que a maioria do povo português tivesse interiorizado a seguir ao golpe de 25 de Novembro. Mas estamos na Europa, e Portugal é demasiado importante para ser deixado ao sabor de uma longínqua hipótese de “governance” dos portugueses. E a torneira da CIA/UE/Wall Street aberta pelo amigo Mário Soares tem corrido bem, até há pouco tempo, mas a crise trouxe o alarme para o facto de os filtros das tubagens começarem a estar entupidos; será apenas uma questão de substituição, ou é melhor deitar a torneira fora e começar a aproveitar a água das chuvas?
Comunicação de Patricia Rodas, presidente do Partido Liberal das Honduras, na reunião de partidos de Esquerda em Caracas:
Patricia Rodas, parte II da comunicação aqui, e a parte III aqui
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Diante das chamas da cidade tomada e as profecias de desgraça da cassandra alemã, desde a Queda do Muro proporcionada pelo golpe de Estado reagan-perestroiko na URSS, que o chamado “socialismo real” foi expulso do lugar que habitava. Embora a ordem de despejo tenha em concreto “limpo” o terreno que ocupava, lavrou também a utopia socialista que se transferiu de sementes e bagagens e germina de novo no lugar natural onde sempre morou: a mente de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo. Juntando a outros imaginários, a I Internacional marxista, a II Internacional de Lenine, a III Internacional do socialismo num só país, da IV Internacional de Trotski, outro proscrito, e das diversas canibalizações fantoches do pós-guerra engrendradas pelas oligarquias no Poder, chega-nos agora (em absoluto segredo nos Media) a tentativa de implantação da V Internacional Socialista pela mão da Venezuela de Chávez – a novidade é a politica de conciliação inter-classista respeitando a ordem instituída pelo capitalismo, “trabalhando-a” no sentido de reformar a função social das empresas. “Jamais pensámos em trocar as urnas pelas armas e não importa se a Esquerda está no terceiro ou no primeiro mundo” afirmou-se no evento inaugural. Houve até quem alvitrasse que se devia convidar Obama… uma re-edição do tal mito da Cassandra refugiada no templo de Atena, onde é descoberta e violada pelo brutal Ájax, filho de Oileu, uma múmia transsexual disfarçada
Após três dias de debate que reuniu delegados(as) de 55 partidos e organizações de esquerda de todo o mundo, sob a sigla “Compromisso de Caracas” foi elaborado um documento final onde a corrente socialista anunciou diversas actividades um pouco por todo o planeta que conduzirão à convocatória para Abril de 2010 para criar na capital venezuelana uma instância mundial que enfrentará o capitalismo. Nesta perspectiva 26 paises da América Latina, 7 da Europa, 6 de África, Ásia e Oceânia discutiram se a Revolução Bolivariana, na medida em que é única e inédita, significará um movimento de reforma social de grande envergadura com significado em todo o mundo. Na afirmativa, existirá um lugar a partir do qual se assumirá o compromisso de construir o já chamado Socialismo do século XXI? Como medidas de acção imediatas foram propostas as seguintes linhas:1. A exigência do fim do bloqueio a Cuba e a libertação dos presos políticos cubanos daas prisões norte americanas onde foram encarcerados sem acusação legal nem possibilidades de defesa.
2. Decretar mobilizações de repúdio mundial contra as bases militares norte americanas na Colômbia. Cada organização promoverá acções nos seus países de origem.
3. Desconhecer quaisquer eleições sob a ditadura nas Honduras. Apoio incondicional a todas as organizações populares do povo hondurenho até à restituição do poder ao presidente constitucional Manuel Zelaya
4. Mobilização de um movimento mundial de militantes pela cultura da Paz com a consolidação e desenvolvimento de uma plataforma de acção conjunta entre partidos para o cumprimento das tarefas democraticamente designadas.
5. Fogo mediático usando os meios de comunicação internacional a favor da emancipação da consciência revolucionária. Solidariedade com todos os povos do mundo que lutam pela liberdade.
Patricia Rodas é, pese a ingenuidade, considerada uma grande mulher, um dos membros que integrava o governo de Zelaya nas Honduras. Nas suas palavras, esse governo que adoptou como programa levar a cabo reformas radicais, era visto como uma utopia (já criticada por Engels no Anti-Duhring em 1877), um revisionismo como tantos anteriores, "considerado como sendo de demasiada esquerda para a Direita e de demasiada direita para a Esquerda". Sócrates, invocando um desses lados (enquanto povo o desmente e diz que é o outro) também tem “reformado” em nome dos interesses genéricos dos portugueses como se de um único grupo coeso se tratasse. Porém o golpe de Estado nas Honduras veio não só pôr em causa “o reformismo ad nihil”, sem atender às classes sociais em presença, como mudou de facto a visão da população sobre a natureza do Poder.Era essa mesma mudança de entendimento que se esperaria que a maioria do povo português tivesse interiorizado a seguir ao golpe de 25 de Novembro. Mas estamos na Europa, e Portugal é demasiado importante para ser deixado ao sabor de uma longínqua hipótese de “governance” dos portugueses. E a torneira da CIA/UE/Wall Street aberta pelo amigo Mário Soares tem corrido bem, até há pouco tempo, mas a crise trouxe o alarme para o facto de os filtros das tubagens começarem a estar entupidos; será apenas uma questão de substituição, ou é melhor deitar a torneira fora e começar a aproveitar a água das chuvas?
Comunicação de Patricia Rodas, presidente do Partido Liberal das Honduras, na reunião de partidos de Esquerda em Caracas:
Patricia Rodas, parte II da comunicação aqui, e a parte III aqui
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sábado, agosto 08, 2009
Organização popular e guerra contra o “terrorismo mediático”
Presidente Chávez: "Não encerrámos as 34 emissoras de rádio, recuperámo-las para o povo! - o povo deve ser proprietário dos meios de produção estratégicos", começando principalmente pelos de formação de opinião, acrescente-se. (ver video aqui)
ligações para sitios internet da América Latina:
Cuba Debate
Diario digital Aporrea
Prensa Latina
Agencia Bolivariana de Noticias
YVKE Mundial
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ligações para sitios internet da América Latina:
Cuba Debate
Diario digital Aporrea
Prensa Latina
Agencia Bolivariana de Noticias
YVKE Mundial
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domingo, abril 19, 2009
"a Pobreza do Homem como resultado da Riqueza da Terra"
Curioso, como na Cimeira das Américas, 33 paises estejam de acordo em que Cuba não deve ser excomungada do seio das nações da região; porém os Estados Unidos têm poder de veto e impediram a participação desse país.
É tempo de se impedir que as decisões possam depender da vontade dos mais poderosos. Só serão admissiveis decisões legitimas, baseadas no voto proporcional consoante a vontade democrática das populações - um homem, um voto, nada mais, nada menos que isso. Apesar da infâmia, o ausente acabou por ser o mais falado, e a "prenda" de Chávez a Obama fala bem sobre isso. O livro é "As Veias Abertas da América Latina" de Eduardo Galeano (1970) editado em Portugal apenas em 1998 graças ao intrépido esforço das Edições Dinossauro. Alguns excertos:
(…) “e veio de repente a crise de 1929. O crash da Bolsa de Nova Iorque, que fez abanar os alicerces do capitalismo mundial, caiu nas Caraíbas como um gigantesco bloco de pedra numa poça de água. Caíram a pique os preços do café, das bananas e do açúcar, e o volume de vendas desceu não menos verticalmente. As expulsões camponesas recrudesceram com uma violência febril, o desemprego propagou-se no campo e nas cidades, desapareceram bruscamente os créditos, os investimentos e os gastos públicos; os salários reduziram-se a metade. Levantou-se uma maré de greves. As botas dos ditadores não demoraram a esmagar as tampas das marmitas.
(…) com uma economia escravizada à sacarocracia, uma economia tão dependente e vulnerável como a de Cuba não podia escapar ao impacto feroz da crise, e continuava com o seu destino amarrado à cotação do açúcar – “o povo que confia a sua subsistência a um só produto suicida-se” havia profetizado o herói nacional José Martí – em 1932, em três anos as exportações reduziram-se a metade e o preço do açúcar chegou a baixar no mercado internacional a menos de 1 cêntimo de dólar.
(…) os novos colonizadores não demoraram a fazer chegar um crédito de 50 milhões de dólares: a cavalo do crédito, chegou também o general Crowder, sob pretexto de controlar a utilização dos fundos; Graças aos bons ofícios deste género de agentes, os ditadores sempre tiveram a vida facilitada, porque eram eles quem de facto governava o pais.
(…) duas décadas depois, Cuba tinha as pernas cortadas pelo estatuto da momocultura da dependência e não foi fácil caminhar por conta própria. Metade das crianças não ia à escola em 1958, porém a ignorância era, como denunciara Fidel Castro tantas vezes, muito mais vasta e muito mais grave do que o analfabetismo. Havia em Cuba nessa época, mais prostitutas registadas do que operários mineiros.
(…) Che Guevara (um tipo de esquerda, como o Obama, passe a piada) dizia que o subdesenvolvimento é um anão de cabeça enorme e barriga inchada: as suas pernas débeis e os seus braços curtos não se harmonizavam com o resto do corpo. Havana resplandecia, zuniam os Cadilacs pelas suas avenidas de luxo; no maior cabaré do mundo (casinos e hotéis eram negócios exclusivos geridos por gangsters e mafiosos americanos), ao ritmo dos Lecuona Cuban Boys, ondulavam as vedetas mais lindas; enquanto isso, nos campos cubanos, só um entre dez operários agrícolas bebia leite, apenas 4 por cento consumia carne e, segundo o Conselho Nacional de Economia, três quartas partes dos trabalhadores rurais ganhavam salários que eram três ou quatro vezes inferiores ao custo de vida”
E foi ao regime que tomou em mãos a gigantesca tarefa de pôr fim ao regabofe, que os Estados Unidos impuseram um embargo comercial – o qual, ao fim de 47 anos, a administração Obama se recusa a levantar incondicionalmente. Leia-se, sem contrapartidas que possibilitem o princípio do retorno às antigas condições de exploração.
relacionado
momento de humor: "a oposição venezuelana pede a Obama que se deixe de conversas simpáticas com Chávez"
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É tempo de se impedir que as decisões possam depender da vontade dos mais poderosos. Só serão admissiveis decisões legitimas, baseadas no voto proporcional consoante a vontade democrática das populações - um homem, um voto, nada mais, nada menos que isso. Apesar da infâmia, o ausente acabou por ser o mais falado, e a "prenda" de Chávez a Obama fala bem sobre isso. O livro é "As Veias Abertas da América Latina" de Eduardo Galeano (1970) editado em Portugal apenas em 1998 graças ao intrépido esforço das Edições Dinossauro. Alguns excertos:(…) “e veio de repente a crise de 1929. O crash da Bolsa de Nova Iorque, que fez abanar os alicerces do capitalismo mundial, caiu nas Caraíbas como um gigantesco bloco de pedra numa poça de água. Caíram a pique os preços do café, das bananas e do açúcar, e o volume de vendas desceu não menos verticalmente. As expulsões camponesas recrudesceram com uma violência febril, o desemprego propagou-se no campo e nas cidades, desapareceram bruscamente os créditos, os investimentos e os gastos públicos; os salários reduziram-se a metade. Levantou-se uma maré de greves. As botas dos ditadores não demoraram a esmagar as tampas das marmitas.
(…) com uma economia escravizada à sacarocracia, uma economia tão dependente e vulnerável como a de Cuba não podia escapar ao impacto feroz da crise, e continuava com o seu destino amarrado à cotação do açúcar – “o povo que confia a sua subsistência a um só produto suicida-se” havia profetizado o herói nacional José Martí – em 1932, em três anos as exportações reduziram-se a metade e o preço do açúcar chegou a baixar no mercado internacional a menos de 1 cêntimo de dólar.(…) os novos colonizadores não demoraram a fazer chegar um crédito de 50 milhões de dólares: a cavalo do crédito, chegou também o general Crowder, sob pretexto de controlar a utilização dos fundos; Graças aos bons ofícios deste género de agentes, os ditadores sempre tiveram a vida facilitada, porque eram eles quem de facto governava o pais.
(…) duas décadas depois, Cuba tinha as pernas cortadas pelo estatuto da momocultura da dependência e não foi fácil caminhar por conta própria. Metade das crianças não ia à escola em 1958, porém a ignorância era, como denunciara Fidel Castro tantas vezes, muito mais vasta e muito mais grave do que o analfabetismo. Havia em Cuba nessa época, mais prostitutas registadas do que operários mineiros.
(…) Che Guevara (um tipo de esquerda, como o Obama, passe a piada) dizia que o subdesenvolvimento é um anão de cabeça enorme e barriga inchada: as suas pernas débeis e os seus braços curtos não se harmonizavam com o resto do corpo. Havana resplandecia, zuniam os Cadilacs pelas suas avenidas de luxo; no maior cabaré do mundo (casinos e hotéis eram negócios exclusivos geridos por gangsters e mafiosos americanos), ao ritmo dos Lecuona Cuban Boys, ondulavam as vedetas mais lindas; enquanto isso, nos campos cubanos, só um entre dez operários agrícolas bebia leite, apenas 4 por cento consumia carne e, segundo o Conselho Nacional de Economia, três quartas partes dos trabalhadores rurais ganhavam salários que eram três ou quatro vezes inferiores ao custo de vida”E foi ao regime que tomou em mãos a gigantesca tarefa de pôr fim ao regabofe, que os Estados Unidos impuseram um embargo comercial – o qual, ao fim de 47 anos, a administração Obama se recusa a levantar incondicionalmente. Leia-se, sem contrapartidas que possibilitem o princípio do retorno às antigas condições de exploração.
relacionado
momento de humor: "a oposição venezuelana pede a Obama que se deixe de conversas simpáticas com Chávez"
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sábado, fevereiro 07, 2009
a Guerra em Rede
"Conhece o teu inimigo, conhece-te a ti mesmo, e não serás derrotado" - Sun Tzu
Se houve alguma coisa de útil que o Poder pudesse extrair das teorias pós modernas e em particular das revisionistas de Tony Negri – essa foi a ideia da contestação social se poder passar a fazer pela actuação de “Multidões” reunidas precariamente a favor desta ou daquela causa ou interesses os mais variados. Ajuntamentos que se dissolvem logo após conquistado o objectivo que juntou as pessoas temporariamente.
Isto leva os Governos a encarar a mudança de estratégia das Oposições; levando muitas vezes as agências governamentais a fabricar ou instrumentalizar contra- informações por forma a que a reacção desses grupos venham a agir em favor dos interesses da ordem estabelecida. Para agravar a questão, o movimento neoconservador roubou até a linguagem da esquerda - “conservadores” são agora os comunistas conotados com a União Soviética, como e porquê querem conservar o quê, se o sistema já desapareceu, não dizem.
As técnicas de controlo da oposição ao Poder mudaram; e tudo lhe é permitido, desde as mentiras compulsivas dos governantes, até ao uso dos tipos de repressão mais brutais, sem quaisquer responsabilidades criminais posteriores. As opiniões adversas são combatidas por guerras que transcendem fronteiras e todos os limites, teorizam Qiao Liang e Wang Xiangsui. Uma guerra sem restrições que se centra na exploração e manipulação dos problemas sociais e políticos. Guerra Mediática e Operações Psicológicas. A Oposição institucional muda de estratégia aproveitando os novos actores políticos que vão aparecendo e desgastando o Executivo com o objectivo de se revezarem num falso sistema de alternância.
Como actua a Guerra de Quarta Geração na Venezuela.
Magnicidio: declarações de jornalistas sobre a morte ou assassinato de Chávez. Séries televisivas sobre o assassinato do Presidente e a invasão da Venezuela. Paralelismos com o caso chileno. Plano de desarticulação social. Cerco militar apoiado no Plano Colômbia. O Plano Balboa que contempla a criação de grupos paramilitares respaldados pelas bases militares dos Estados Unidos em teritórios contíguos. (Bush condecorou Álvaro Uribe)
Exemplos de formas de resistência: Vietname, Cuba e Palestina. Democracia participativa com guerra assimétrica apoiada na unidade cívica entre a população, reservas de milicias populares e militares das forças regulares.
“Enxames” o documentário da “Guarataro Films” para a “Venezolana de Televisión” analisa a doutrina de Guerra em Rede, ou a Guerra de Quarta Geração e a sua aplicação na Venezuela. Inclui entrevistas a Miguel Henrique Otero director do periódico El Nacional portavoz do Movimento 2D que promove a desobediencia civil contra o governo venezuelano e Mario Iván Carratú vice Almirante reformado ex-jefe de Casa Militar durante a presidência de Carlos Andrés Pérez durante a repressão violenta ao Cazarolazo de1992 e antigo adido militar venezuelano em Washington – e ainda com Gene Sharp fundador do “Albert Einstein Institution” dos Estados Unidos, inspirador do programa Otpor e protagonista duma polémica com o presidente Chávez, no qual este o acusa de promover o treino de guerrilha do movimento estudantil que se opõe ao regime, uma questão agravada recentemente a partir que o partido de Chávez perdeu o controlo político da Câmara Municipal de Caracas para a oposição.
os Enxames – as regras de criação mudaram - 52:56 – Novembro de 2008
* Na origem do documentário reportagem está a publicação do artigo do Coronel Hector Herrera intitulado “a Guerra em Rede e os Enxames”
* ver também: "A Guerra em Rede" e "Swarm Warfare" e modo de usar tácticas de "swarming"
* e a propósito de abelhas que trabalham para rainhas de colmeias, ver a valente descasca que o director do Diario de Notícias deu no Pacheco Pereira (na foto). É lá com eles os dois, mas lá que é giro é
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Se houve alguma coisa de útil que o Poder pudesse extrair das teorias pós modernas e em particular das revisionistas de Tony Negri – essa foi a ideia da contestação social se poder passar a fazer pela actuação de “Multidões” reunidas precariamente a favor desta ou daquela causa ou interesses os mais variados. Ajuntamentos que se dissolvem logo após conquistado o objectivo que juntou as pessoas temporariamente.Isto leva os Governos a encarar a mudança de estratégia das Oposições; levando muitas vezes as agências governamentais a fabricar ou instrumentalizar contra- informações por forma a que a reacção desses grupos venham a agir em favor dos interesses da ordem estabelecida. Para agravar a questão, o movimento neoconservador roubou até a linguagem da esquerda - “conservadores” são agora os comunistas conotados com a União Soviética, como e porquê querem conservar o quê, se o sistema já desapareceu, não dizem.
As técnicas de controlo da oposição ao Poder mudaram; e tudo lhe é permitido, desde as mentiras compulsivas dos governantes, até ao uso dos tipos de repressão mais brutais, sem quaisquer responsabilidades criminais posteriores. As opiniões adversas são combatidas por guerras que transcendem fronteiras e todos os limites, teorizam Qiao Liang e Wang Xiangsui. Uma guerra sem restrições que se centra na exploração e manipulação dos problemas sociais e políticos. Guerra Mediática e Operações Psicológicas. A Oposição institucional muda de estratégia aproveitando os novos actores políticos que vão aparecendo e desgastando o Executivo com o objectivo de se revezarem num falso sistema de alternância.Como actua a Guerra de Quarta Geração na Venezuela.
Magnicidio: declarações de jornalistas sobre a morte ou assassinato de Chávez. Séries televisivas sobre o assassinato do Presidente e a invasão da Venezuela. Paralelismos com o caso chileno. Plano de desarticulação social. Cerco militar apoiado no Plano Colômbia. O Plano Balboa que contempla a criação de grupos paramilitares respaldados pelas bases militares dos Estados Unidos em teritórios contíguos. (Bush condecorou Álvaro Uribe)
Exemplos de formas de resistência: Vietname, Cuba e Palestina. Democracia participativa com guerra assimétrica apoiada na unidade cívica entre a população, reservas de milicias populares e militares das forças regulares.
“Enxames” o documentário da “Guarataro Films” para a “Venezolana de Televisión” analisa a doutrina de Guerra em Rede, ou a Guerra de Quarta Geração e a sua aplicação na Venezuela. Inclui entrevistas a Miguel Henrique Otero director do periódico El Nacional portavoz do Movimento 2D que promove a desobediencia civil contra o governo venezuelano e Mario Iván Carratú vice Almirante reformado ex-jefe de Casa Militar durante a presidência de Carlos Andrés Pérez durante a repressão violenta ao Cazarolazo de1992 e antigo adido militar venezuelano em Washington – e ainda com Gene Sharp fundador do “Albert Einstein Institution” dos Estados Unidos, inspirador do programa Otpor e protagonista duma polémica com o presidente Chávez, no qual este o acusa de promover o treino de guerrilha do movimento estudantil que se opõe ao regime, uma questão agravada recentemente a partir que o partido de Chávez perdeu o controlo político da Câmara Municipal de Caracas para a oposição.
os Enxames – as regras de criação mudaram - 52:56 – Novembro de 2008
* Na origem do documentário reportagem está a publicação do artigo do Coronel Hector Herrera intitulado “a Guerra em Rede e os Enxames”
* ver também: "A Guerra em Rede" e "Swarm Warfare" e modo de usar tácticas de "swarming"
* e a propósito de abelhas que trabalham para rainhas de colmeias, ver a valente descasca que o director do Diario de Notícias deu no Pacheco Pereira (na foto). É lá com eles os dois, mas lá que é giro é
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domingo, novembro 23, 2008
Venezuela – not for sale?
Nos anos 1972/73 deputados da CDU alemã, Partido da Democracia Cristã viajaram para Santiago do Chile transportando consigo malas com somas em dinheiro vivo destinadas à oposição que se preparava para golpear o governo democraticamente eleito do presidente Salvador Alende.
Ao mesmo tempo o Partido Social Democrata alemão - SPD, cujo presidente Willy Brandt era então Chefe do Governo, organizou um bloqueio económico contra o governo chileno, cortando-lhe o crédito em “ajudas financeiras” e recusando importações de carregamentos de cobre, a principal riqueza nacional. Todas as medidas do embargo politico- económico foram imediatamente levantadas quando os generais golpistas chegaram ao Poder. O mesmo método de trabalho repetiu-se com ambos os partidos únicos do Centrão alemão na década de 80 quando o Império americano desencadeou a “guerra suja” contra a Revolução Sandinista na Nicarágua. A direita do centro europeu ocidental colonizado por Washington no pós guerra, encarregou-se da propagação da política dos “contras” e da diplomacia oficial americana, enquanto a “esquerda liberal “social democrata” se encarregava de intervir através da “Internacional Socialista” na Frente Socialista de Libertação da Nicarágua (FSLN).
Desde o triunfo da chamada “revolução bolivariana” na Venezuela em 1998, nem o SPD nem a CDU cessaram os seus intentos de desestabilizar a situação política para a tornar favorável aos seus antigos aliados: a Acción Democrática (AD) e a COPEI por forma a que estes pudessem regressar ao Poder; uma vez que estes dois partidos quase desapareceram do mapa politico depois que em 2005 decidiram retirar-se da Assembleia Nacional, os seus sócios germano- americanos buscaram novos contactos promovendo o grupo “PJ – Primeiro Justiça” e “Por la Democracia Social” (Podemos) que têm sido transportados às costas de bolsos cheios pelo lobie da social democracia alemã.
Perante a reforma constitucional promovida por Chávez em 2007, a associação “Podemos” saiu do saco de gatos “Pólo Patriótico” formado em conjunto com o nóvel PSUV (o partido do presidente), o reformista Partido Comunista da Venezuela (PCV) e o “Pátria para Todos (PPT). A formação liderada por Ismael Garcia opera agora debaixo da tutela do SPD - o partido adepto da refinada ideia do “socialismo em liberdade” executa as ordens recebidas para a sua politica externa através da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES) – a mesma entidade que providenciou os primeiros fundos financeiros à frente patriótica contra o “triunfo do comunismo” no Portugal de Mário Soares segundo as instruções do aliado Kissinger via embaixador Frank Carlucci.
Actualmente na América Latina a Fundação Friedrich Ebert tem o insuspeito nome de ILDIS, Instituto Latino Americano de Investigações Sociais.
Para compreender a situação do que se passa hoje, dia de eleições autárquicas na Venezuela, pode ler-se este artigo de Ingo Niebel no “Rebelion”
que conclui:
A União Europeia prepara a intervenção política, social e policial na Venezuela para depois das eleições para governadores provinciais e autarcas
* adenda
o PSUV obtém cinco milhões e 300 mil votos mantendo-se a primeira força política no país, enquanto a oposição regista menos de 4 milhões, menos 300 mil votos que em eleições anteriores. (Nada quenão possa ser reversível). O energúmeno Enrique Capriles Radonski foi eleito governador da província de Miranda e o partido de Chávez perdeu o controlo do governo em mais três provincias.
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Ao mesmo tempo o Partido Social Democrata alemão - SPD, cujo presidente Willy Brandt era então Chefe do Governo, organizou um bloqueio económico contra o governo chileno, cortando-lhe o crédito em “ajudas financeiras” e recusando importações de carregamentos de cobre, a principal riqueza nacional. Todas as medidas do embargo politico- económico foram imediatamente levantadas quando os generais golpistas chegaram ao Poder. O mesmo método de trabalho repetiu-se com ambos os partidos únicos do Centrão alemão na década de 80 quando o Império americano desencadeou a “guerra suja” contra a Revolução Sandinista na Nicarágua. A direita do centro europeu ocidental colonizado por Washington no pós guerra, encarregou-se da propagação da política dos “contras” e da diplomacia oficial americana, enquanto a “esquerda liberal “social democrata” se encarregava de intervir através da “Internacional Socialista” na Frente Socialista de Libertação da Nicarágua (FSLN).
Desde o triunfo da chamada “revolução bolivariana” na Venezuela em 1998, nem o SPD nem a CDU cessaram os seus intentos de desestabilizar a situação política para a tornar favorável aos seus antigos aliados: a Acción Democrática (AD) e a COPEI por forma a que estes pudessem regressar ao Poder; uma vez que estes dois partidos quase desapareceram do mapa politico depois que em 2005 decidiram retirar-se da Assembleia Nacional, os seus sócios germano- americanos buscaram novos contactos promovendo o grupo “PJ – Primeiro Justiça” e “Por la Democracia Social” (Podemos) que têm sido transportados às costas de bolsos cheios pelo lobie da social democracia alemã.Perante a reforma constitucional promovida por Chávez em 2007, a associação “Podemos” saiu do saco de gatos “Pólo Patriótico” formado em conjunto com o nóvel PSUV (o partido do presidente), o reformista Partido Comunista da Venezuela (PCV) e o “Pátria para Todos (PPT). A formação liderada por Ismael Garcia opera agora debaixo da tutela do SPD - o partido adepto da refinada ideia do “socialismo em liberdade” executa as ordens recebidas para a sua politica externa através da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES) – a mesma entidade que providenciou os primeiros fundos financeiros à frente patriótica contra o “triunfo do comunismo” no Portugal de Mário Soares segundo as instruções do aliado Kissinger via embaixador Frank Carlucci.
Actualmente na América Latina a Fundação Friedrich Ebert tem o insuspeito nome de ILDIS, Instituto Latino Americano de Investigações Sociais.
Para compreender a situação do que se passa hoje, dia de eleições autárquicas na Venezuela, pode ler-se este artigo de Ingo Niebel no “Rebelion”que conclui:
A União Europeia prepara a intervenção política, social e policial na Venezuela para depois das eleições para governadores provinciais e autarcas
* adenda
o PSUV obtém cinco milhões e 300 mil votos mantendo-se a primeira força política no país, enquanto a oposição regista menos de 4 milhões, menos 300 mil votos que em eleições anteriores. (Nada quenão possa ser reversível). O energúmeno Enrique Capriles Radonski foi eleito governador da província de Miranda e o partido de Chávez perdeu o controlo do governo em mais três provincias.
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quarta-feira, julho 23, 2008
Photoshop
A inesperada viçosidade da prisioneira mais famosa do planeta contrasta com o retrato debilitado com que a pintaram quando estava presa pelas FARC. “Muitas coisas que aconteceram na selva, têm de ficar na selva” disse Ingrid Bettancourt – por exemplo, que antes de ser presa como deputada e candidata à presidência tinha apenas 2 por cento das intenções de voto, ou que o ex-professor universitário Dominique Villepin, depois 1º ministro francês tinha tido um affaire com a ex-aluna franco-colombiana não se poupou em esforços para mediatizar românticamente a promoção politica de Ingrid.Novelas áparte, há medida que o tempo passa começam a tornar-se mais visiveis os contornos da “heróica operação de libertação” – depois dos jornais terem reconhecido que Uribe usou o símbolo da Cruz Vermelha para enganar os guerrilheiros, de ter havido pagamentos milionários a pseudo desertores, agora aparece uma ONG espanhola, a Associação Global Humanitária com séde em Barcelona que actua na Colômbia desde 1998 auxiliando 15 mil pessoas, também a queixar-se de os seus dados terem sido utilizados para criar uma ONG fictícia, também usada na “Operação Jaque”
ficticia?
Resumindo a operação de contra-informação mediática e depois militar desenrolou-se dentro dos seguintes objectivos estratégicos:1º - Liquidar a inconveniente actividade humanitária envolvida na busca de negociações de paz entre o governo Uribe e as FARC, encabeçada e desenvolvida pelo presidente Hugo Chávez
2º - Assegurar o “direito de intervenção militar” dos Estados Unidos na Venezuela, Equador e Bolívia
3º - Colocar em linha Hugo Chávez e Fidel Castro; e por extensão a Revolução cubana e o impulso Bolivariano na América Latina.
É como resposta, e à luz destes dados, que deve ser vista a "ameaça russa" veiculada hoje pela comunicação social
actualização (24 Julho):"os Media inventam bases militares russas na Venezuela"
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domingo, maio 18, 2008
Colômbia, a Base de Manta no Equador, Estados Unidos, Chavez, FARC, Interpol
A manipulação de dados dos computadores supostamente apreendidos às FARC pelo exército da Colômbia, que envolveriam a Venezuela de Hugo Chávez como suporte financeiro e fornecedor de material militar, parecem estar a causar algumas dúvidas; e em concreto certezas de má-fé, induzindo deliberadamente em erro quem só lê e ouve os Media oficiais.No dia 1 de Março Álvaro Uribe anuncia ter aniquilado em combate o nº 2 das FARC Raul Reyes junto com mais 15 guerrilheiros perseguindo-os pelo interior do território do vizinho Equador. Dois dias depois o Presidente Rafael Corrêa desmente a notícia: Uribe mentiu ao dizer, num primeiro telefonema, que os guerrilheiros haviam violado a fronteira enquanto trocavam tiros com o exército colombiano. Descobriu-se depois que o grupo estava de facto acampado em território equatoriano e não chegou a disparar um único tiro. Os guerrilheiros das FARC, em pleno processo de negociação para libertação de reféns foram abatidos enquanto dormiam por helicópteros armados que dispunham de meios informáticos de detecção ar-terra, (como se sabe, tecnologia fornecida pelos Estados Unidos). No dia 3 são encontrados pelas tropas equatorianas 24 mortos no terreno, 9 deles, presume-se, de reféns. Nesse mesmo dia o exército da Colômbia anuncia a entrega de 3 laptops, 3 pen-drives e 2 discos rígidos ao “Grupo Investigativo de Delitos Informáticos da Policia Judicial Colombiana”.
No dia 11 de Março o governo de Uribe, depois de fontes policiais revelarem que são cerca de 15.000 documentos, (na verdade no total são 39,5 milhões de páginas, que em termos não técnicos levariam mais de cem anos para uma só pessoa ler) anuncia a entrega dos suportes informáticos para “uma análise isenta” à Interpol. Mas, pelo atrás descrito, nem sequer poderá haver a certeza que o material entregue tenha sido capturado no local do ataque.Nos dias seguintes a imprensa, nomeadamente os ultra- conservadores El País e Miami Herald, publicam dados contidos nos “ficheiros capturados” que relacionam as FARC com Chávez, interpretando livremente o nome de código “Angel” como sendo o presidente Chávez, ou um seu representante, e o número “300” como sendo 300 milhões de dólares, presunções na verdade sem qualquer fundamentação concreta. Em alguns outros ficheiros aparecem referidos militares e políticos brasileiros como estando envolvidos em trocas de armamento e dinheiro com narcotraficantes colombianos, mas esses são dados que parecem não interessar aos jornais. O próprio Uribe está acossado e a braços com escândalos que o envolvem a ele, ao seu partido e membros da sua família em relações íntimas com o cartel de Medellín, Pablo Escobar e os irmãos Ochôa. As denúncias do envolvimento com o narcotráfico, cujos cartéis são inimigos das FARC baseia-se num relatório da Universidade George Washington que por sua vez se apoia numa investigação confidencial da U.S. Defense Intelligence Agency. Os grandes Media disseram com o estardalhaço de praxe que “os E-mails mostram a ligação directa de Chávez com as FARC” escreve o El País, contudo não há possibilidade de ver qualquer E-mail guardado, ou sequer mencionado no relatório da Interpol.
Mas apesar disso, em conferência de imprensa em Bogotá a 15 de Maio transmitida pela Fox News:"a Interpol concluiu que não houve nenhum tipo de alteração, repito, nenhum tipo de alteração de dados”, segundo disse o Secretario Geral da Interpol Ronald Noble, um ex-dirigente governativo dos EUA , acompanhado de Bernhard Otupal chefe do grupo de especialistas forenses; de María del Pilar Hurtado Afanador, Directora do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) colombiano, e do General Óscar Adolfo Naranjo Trujillo, Director Geral Nacional de Polícia na Colômbia. Como se vê “independência” e isenção de “spin” na análise é o que mais não falta aqui. “Ninguém poderá acusar a Colômbia de ter manipulado as provas (…) e a Policia da Colômbia certifica de facto que os computadores entregues pertenciam a Raul Reyes” concluiu Noble
Se fizermos uma busca no “google” sobre as palavras chave “Farc” e “Chávez” aparecem cerca de dois milhões de resultados, mais de 90 por cento dos quais afirmando que “os dados entregues à Interpol não foram manipulados”. E no entanto os conteúdos informáticos foram publicados na imprensa entre os dias 3 e 11 de Março, o que quer dizer que os ficheiros foram, pelo menos abertos. E mais que isso, o relatório da Interpol apresentado um mês depois em 15 de Maio o iria referir:
“A peritagem forense realizada pela Interpol revelou que entre 1 e 3 de Março de 2008, 48.055 arquivos foram criados, abertos, modificados ou suprimidos pela policia da Colômbia”. É isto que se pode ler no parágrafo 41 cujo conteúdo está na página 33 do relatório forense da Interpol sobre os ordenadores e dispositivos das Farc diosponibilizados pela Colômbia. E se ainda fosse pouco, 4.245 arquivos foram criados, decerto por engano devido à celeridade com que foram "inspeccionados", com datas futuras que vão desde 5 de Abril de 2009 até 16 de Outubro de 2010.
a Interpol admite, no documento, que a verificação feita pelo organismo não implica a “validação da exactidão dos arquivos de usuário que contém, da interpretação que qualquer país possa fazer dos ditos arquivos, nem da sua origem”. Ou seja, excepto que os arquivos contidos nos laptops apresentados pela Colômbia não sofreram alterações, a Interpol não pode afirmar mais nada, nem mesmo se os tais arquivos são autênticos. Um grupo de peritos de diversas nacionalidades desacredita o relatório; e até Phillip McLean, um ex-diplomata americano que trabalha hoje no Centro para os Estudos Estratégicos e Internacionais afirmou que “é difícil chamar seja o que for que sair daqui de prova”; no que é acompanhado em editorial pelo Guardian
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quinta-feira, março 06, 2008
Gran Colombia? ou República Bolivariana?
“Raúl Reyes foi um revolucionário que deu a sua vida por uma causa em que acreditava (...) (nós os revolucionários, não celebramos mortes), celebramos a vida e lutaremos sempre pela vida e pela paz, mas é até obsceno ver rostos sorridentes, diabolicamente saciados, a anunciar mortes e mortes de colombianos. Isto apela à reflexão"
Miguel Urbano Rodrigues
No passado dia 23 de Janeiro durante a visita de Álvaro Uribe a Espanha, a correspondente do diário colombiano “El Tiempo” em Madrid noticiava: “Espanha oferece-se a Uribe como aliada na defesa da soberania da Colombia nas fronteiras”. Obviamente houve um acordo encoberto sobre algo que iria acontecer para que estas declarações a despropósito tivessem tido lugar.
“O Governo espanhol está e estará com o Governo da Colômbia quando se trata de enfrentar problemas de soberania nas suas fronteiras e quando este deva determinar o que deve ser feito nas suas realções com as FARC” disse de forma directa e explicita o primeiro ministro espanhol espanhol José Luis Rodríguez Zapatero – “Nada deve ser feito com as FARC sem o acordo do Presidente Uribe”, acrescentou o chefe do governo para tornar as coisas mais claras. (fonte)
Isto acontecia enquanto Hugo Chávez geria as negociações para a libertação unilateral de prisioneiros em poder das FARC. Sem qualquer sinal de resposta por parte da Colombia para a libertação dos 500 revolucionários encarcerados, alguns deportados para os EUA. Infelizmente, as acções de conciliação com traidores como Uribe normalmente têm desfechos trágicos como recompensa.
O governo fascista colombiano anunciou dia 1 de Março que o Comandante Raul Reyes, do Secretariado das FARC-EP, foi “morto em combate”. Juntamente com Raul Reyes foram abatidos outros 16 combatentes das FARC num acampamento ao Sul do Rio Putumayo, próximo da fronteira com o Equador. Terão sido vitimados por bombardeamentos efectuados pela Força Aérea Colombiana. Os guerrilheiros foram massacrados enquanto dormiam. O bombardeamento só foi possível graças à espionagem electrónica e aos satélites dos EUA que apoiam as forças militares e policiais do governo Uribe. (ver video do local do ataque)
O governo da Colômbia justificou a violação de soberania do Equador dizendo em comunicado que as tropas colombianas foram atacadas: “foi indispensável entrar 1800 metros em território equatoriano para anular a origem dos disparos”. Como é falso, o presidente Rafael Correa desmentiu: “não houve nenhuma perseguição a quente, não foi nenhum combate, foi um assassinato cobarde, friamente calculado”. Bogotá soube, por delação, que este grupo se encontrava ali. Além do mais, o Equador tem funcionado praticamente como protectorado norte americano; o que está em causa é a existência do Plano Colômbia, (onde os EUA já esturraram milhões para controlar a América do Sul e a base militar norte-americana de Manta no Equador. A coligação EUA-Governo Uribe oferecia por Raul Reyes segundo a hierarquia das FARC vivo ou morto 2,7 milhões de dólares. A denúncia foi paga e uma esquadrilha de Super Tucan`s da Força Aérea mais poderosa e bem equipada da América Latina, descarregou uma chuva de bombas sobre o acampamento.

Pelo menos cinco entidades, ideológicas umas, comerciais outras, reinvindicam o património politico cultural do General espanhol Simon Bolivar: 1. os Estados Unidos com a imprevisivel estátua a sul de Central Park (NY) em nome da "liberdade e independência", conceitos vagos, caídos em desuso depois da Doutrina Monroe, completamente inadaptados à realidade actual ; 2 Hugo Chávez e a maioria do povo da Venezuela com a tentativa de construção de uma utopia que, caso a inconsequência se prolongue, pagarão cara a derrota; 3. Bush, como outros presidentes anteriores, Uribe e a parte do povo colombiano colonizada que vêm lançando o país numa carnificina de quatro décadas em nome de um projecto anti-democrático fundado no "Plano Colombia" redigido e levado à prática pelos Estados Unidos; 4. o Movimento de Libertação colombiano anti-Imperialista EP Exército do Povo (em nome das FARC com um programa de caracter marxista); 5. O sub-imperialismo de Espanha, em nome do capital transnacional, apostado numa solução de exploração neo-colonial que visa voltar a “espanholizar” as antigas colónias.
Este último, por ser o que usa o melhor disfarce, o do Partido dito Socialista, é o mais perigoso!; na medida em que Zapatero e o Rei Bourbon actuam em nome das grandes empresas, dos mega bancos e dos seus poderosos meios multimédia, com a vantagem da penetração tradicional destas instituições através da língua comum, estatuto inviável para a imagem odiosa e incompreensivel dos gringos do norte. Todos conhecem o nome das lanças cravadas na América que fala espanhol (e português): Repsol, YPF, Telefónica, Endesa, Banco Santander, BBV (entre outras como a Cepsa, Sanitas, Prossegur, Mapfre, Águas de Barcelona, grupo Fenosa, etc.), coordenados pelos polvos mediáticos Planeta e Prisa; grupos de quem os politicos nomeados para os governos são meros gestores (ver mais)

São estes os interesses que convocam a América do Sul para o limiar de um novo foco de guerra (fonte) E é, finalmente, na posse destes dados que poderemos compreender o aviso do presidente Hugo Chávez ao peão do Império:
"Uribe: não semeies outro Israel na América do Sul", referindo-se a esta violação do direito internacional que fomenta a quebra de unidade entre povos latino-americanos: “Não lhe ocorra, Presidente Uribe, fazer o mesmo em relação à Venezuela. Isso seria muito grave, seria um casus belli, um caso de guerra (...) concluindo:
"O punho da guerra é o punho do Império porque o governo da Colômbia decidiu o caminho, optou pelo caminho da guerra e da morte. Não é soberano o governo da Colômbia nisto, é uma imposição do governo norte-americano, é a primeira coisa que há a dizer"
* Monthly Review: o Plano Colombia é a verdadeira força desestabilizadora na América do Sul - por Carlos Martinez
* NewYorkTimes: Bush e a Colombia: 600 milhões por ano em ajuda, com um pedido de aumento
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Miguel Urbano Rodrigues
No passado dia 23 de Janeiro durante a visita de Álvaro Uribe a Espanha, a correspondente do diário colombiano “El Tiempo” em Madrid noticiava: “Espanha oferece-se a Uribe como aliada na defesa da soberania da Colombia nas fronteiras”. Obviamente houve um acordo encoberto sobre algo que iria acontecer para que estas declarações a despropósito tivessem tido lugar.“O Governo espanhol está e estará com o Governo da Colômbia quando se trata de enfrentar problemas de soberania nas suas fronteiras e quando este deva determinar o que deve ser feito nas suas realções com as FARC” disse de forma directa e explicita o primeiro ministro espanhol espanhol José Luis Rodríguez Zapatero – “Nada deve ser feito com as FARC sem o acordo do Presidente Uribe”, acrescentou o chefe do governo para tornar as coisas mais claras. (fonte)
Isto acontecia enquanto Hugo Chávez geria as negociações para a libertação unilateral de prisioneiros em poder das FARC. Sem qualquer sinal de resposta por parte da Colombia para a libertação dos 500 revolucionários encarcerados, alguns deportados para os EUA. Infelizmente, as acções de conciliação com traidores como Uribe normalmente têm desfechos trágicos como recompensa.O governo fascista colombiano anunciou dia 1 de Março que o Comandante Raul Reyes, do Secretariado das FARC-EP, foi “morto em combate”. Juntamente com Raul Reyes foram abatidos outros 16 combatentes das FARC num acampamento ao Sul do Rio Putumayo, próximo da fronteira com o Equador. Terão sido vitimados por bombardeamentos efectuados pela Força Aérea Colombiana. Os guerrilheiros foram massacrados enquanto dormiam. O bombardeamento só foi possível graças à espionagem electrónica e aos satélites dos EUA que apoiam as forças militares e policiais do governo Uribe. (ver video do local do ataque)
O governo da Colômbia justificou a violação de soberania do Equador dizendo em comunicado que as tropas colombianas foram atacadas: “foi indispensável entrar 1800 metros em território equatoriano para anular a origem dos disparos”. Como é falso, o presidente Rafael Correa desmentiu: “não houve nenhuma perseguição a quente, não foi nenhum combate, foi um assassinato cobarde, friamente calculado”. Bogotá soube, por delação, que este grupo se encontrava ali. Além do mais, o Equador tem funcionado praticamente como protectorado norte americano; o que está em causa é a existência do Plano Colômbia, (onde os EUA já esturraram milhões para controlar a América do Sul e a base militar norte-americana de Manta no Equador. A coligação EUA-Governo Uribe oferecia por Raul Reyes segundo a hierarquia das FARC vivo ou morto 2,7 milhões de dólares. A denúncia foi paga e uma esquadrilha de Super Tucan`s da Força Aérea mais poderosa e bem equipada da América Latina, descarregou uma chuva de bombas sobre o acampamento.Pelo menos cinco entidades, ideológicas umas, comerciais outras, reinvindicam o património politico cultural do General espanhol Simon Bolivar: 1. os Estados Unidos com a imprevisivel estátua a sul de Central Park (NY) em nome da "liberdade e independência", conceitos vagos, caídos em desuso depois da Doutrina Monroe, completamente inadaptados à realidade actual ; 2 Hugo Chávez e a maioria do povo da Venezuela com a tentativa de construção de uma utopia que, caso a inconsequência se prolongue, pagarão cara a derrota; 3. Bush, como outros presidentes anteriores, Uribe e a parte do povo colombiano colonizada que vêm lançando o país numa carnificina de quatro décadas em nome de um projecto anti-democrático fundado no "Plano Colombia" redigido e levado à prática pelos Estados Unidos; 4. o Movimento de Libertação colombiano anti-Imperialista EP Exército do Povo (em nome das FARC com um programa de caracter marxista); 5. O sub-imperialismo de Espanha, em nome do capital transnacional, apostado numa solução de exploração neo-colonial que visa voltar a “espanholizar” as antigas colónias.
Este último, por ser o que usa o melhor disfarce, o do Partido dito Socialista, é o mais perigoso!; na medida em que Zapatero e o Rei Bourbon actuam em nome das grandes empresas, dos mega bancos e dos seus poderosos meios multimédia, com a vantagem da penetração tradicional destas instituições através da língua comum, estatuto inviável para a imagem odiosa e incompreensivel dos gringos do norte. Todos conhecem o nome das lanças cravadas na América que fala espanhol (e português): Repsol, YPF, Telefónica, Endesa, Banco Santander, BBV (entre outras como a Cepsa, Sanitas, Prossegur, Mapfre, Águas de Barcelona, grupo Fenosa, etc.), coordenados pelos polvos mediáticos Planeta e Prisa; grupos de quem os politicos nomeados para os governos são meros gestores (ver mais)
Raúl Reyes, na era antes-de-Bush,
durante conversações de paz
com o anterior presidente colombiano
São estes os interesses que convocam a América do Sul para o limiar de um novo foco de guerra (fonte) E é, finalmente, na posse destes dados que poderemos compreender o aviso do presidente Hugo Chávez ao peão do Império:"Uribe: não semeies outro Israel na América do Sul", referindo-se a esta violação do direito internacional que fomenta a quebra de unidade entre povos latino-americanos: “Não lhe ocorra, Presidente Uribe, fazer o mesmo em relação à Venezuela. Isso seria muito grave, seria um casus belli, um caso de guerra (...) concluindo:
"O punho da guerra é o punho do Império porque o governo da Colômbia decidiu o caminho, optou pelo caminho da guerra e da morte. Não é soberano o governo da Colômbia nisto, é uma imposição do governo norte-americano, é a primeira coisa que há a dizer"
* Monthly Review: o Plano Colombia é a verdadeira força desestabilizadora na América do Sul - por Carlos Martinez
* NewYorkTimes: Bush e a Colombia: 600 milhões por ano em ajuda, com um pedido de aumento
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quarta-feira, dezembro 05, 2007
“socialismo democrático” (II)
Num país como a Venezuela, com índices de pobreza enormes (7,5 milhões de pobres num país rico em recursos), as transações em moeda estrangeira são consideradas lesivas da economia nacional e estão proibidas por lei. Numa economia aberta (p/e como a portuguesa) seria impossível qualquer intenção de regular os fluxos de capital especulativo, que arrasam aleatoriamente todos quantos se deixam aprisionar dentro das fronteiras nacionais. Numa economia fechada, cercada pelo capitalismo transnacional como fonte emissora de valores ficticios altamente inflaccionários é igualmente impossivel regular as intenções especulativas do capital. Como os bens essenciais passaram a ser regulados, e a ênfase nas importações deixou de se centrar nos artigos supérfluos (ou de luxo) o mercado negro para esses produtos floresceu. Com uma inflação crescente e a escassez, cada Dólar usado na economia paralela para obter esses produtos é trocado por 2.150 “bolivares”, a moeda nacional.No centro urbano de Caracas em zonas medianas tradicionalmente habitadas pelas élites, um andar de habitação novo (T3) custa actualmente 375 milhões de bolivares, pagos a pronto (375.000.00,00 blv), ou seja cerca de 118 mil euros, o equivalente ao preço de um andar similar no Cacém ou na Quinta do Conde, o equivalente português ao degradado Urbanismo sul americano de Caracas.
A grande aspiração de 37.9% venezuelanos que vivem abaixo da linha de pobreza, com menos de 2 dólares/dia (mais os 8.9% de desempregados) é algum dia poder vir a residir fora das barracas das imensas extensões de favelas ou ter um salário digno pelos padrões latino-americanos – enquanto as elites (segundo o World Factbook/CIA não ultrapassam 0,7%), intocáveis pelo “socialismo capitalista bolivariano” se regem pelos valores económicos de nível europeu. Se atendermos a esta “pequena” diferença é fácil contabilizar quem ganha e quem perde na reviravolta que não se deu desde 1999, desde há 9 anos, que é quanto leva Chávez de vender ao povo utopias enlatadas em embalagens descartáveis (Daí a elevada abstenção). Como nota Miguel Urbano Rodrigues, por agora: “limitemo-nos simplesmente a analisar objectivamente como, por um lado se associa o conceito de DERROTA com o “processo bolivariano”, e por outro, o conceito de TRIUNFO com as forças do imperialismo”. E façam-se as contas a quem apoia quem e o quê.Por exemplo, a “nossa esquerda” anda toda contentinha com o ditador que já não é ditador. Contudo, na euforia de comemorações do "não" poucos ou nenhuns comentadores repararam que Chávez disse textualmente antes do Referendo: "Se votarem "Não" eu saio!". Mas afinal parece que fica. Este tipo de chavão eleitoral in-out usado ao mesmo modo da concorrência por estas bandas, parece já nada ter de "ditador". Se calhar porque "é o nosso Ditador" (enquanto não colidir com a banca, será)
* na wikipedia: A natureza da Banca na Venezuela
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sexta-feira, novembro 30, 2007
Por qué non si callan (V)
Nesta quarta feira à noite a CNN na edição em espanhol para a América Latina “enganou-se” e produziu nas suas mesas de montagem uma foto de Hugo Chávez com a legenda em rodapé “Quem Matou Chávez” que transmitiu em sinal aberto “por acidente”. Na situação que se vive na Venezuela, quatro dias antes do referendo à nova Constituição, isto pode ser entendido como um apelo subliminar ao assassinato do presidente. No dia seguinte a CNN pediu desculpas dizendo tratar-de de um desafortunado engano. Pois foi. Quando está em marcha uma grande operação de guerra psicológica, com manifestações de rua extremando os dois campos em disputa (Sim ou Não) um documento com data de 20 de Novembro de 2007, classificado de “Confidencial” proveniente do gabinete do sr. Michael Middleton Steere, funcionário do Departamento de Assuntos Regionais (ORA) da Agência Central de Informações (CIA) dos Estados Unidos localizado na mesma morada da Embaixada dos EUA em Caracas, que mão misteriosa fez chegar aos meios de informação oficiais, relata os pormenores da “Operação Tenaz”. O plano vem supervisionado de Washington pelo “Human Intelligence HUMINT” directamente dirigido ao embaixador Patrick Duddy.
Eva Golinger uma jornalista de esquerda analisa detalhadamente as intenções de destabilização descritas no documento. Aí se revela um plano de sabotagem do referendo partindo de uma sondagem que prevê 60 por cento de abstenções, dados que foram passados pela CIA como contra-informação aos meios de comunicação ultra direitistas (entre os quais se encontra o nosso Público). Mas a realidade é outra; o “Sim” leva uma vantagem de 10 a 13 pontos percentuais e não é possível inverter substancialmente a tendência de voto nos 3 dias que faltam. Por isso se prevê passar a uma fase seguinte de descredibilização dos resultados acusando o governo de Chávez de fraude e incentivando a revolta da oposição nas ruas. O espectro de Pinochet paira sobre os céus da Venezuela, tanto mais que o documento admite o financiamento da “crise” através de um fundo de 8 milhões de dólares transferido pela USAID para a companhia de marketing “Development Alternatives, Inc.” que estaria a organizar um team de jornalistas venezuelanos dirigidos pelo ex-presidente da Globovision Alberto Federico Ravell.Man of the Year
Postas as coisas nos termos habituais, dois campos antagónicos que se digladiam, revolucionários pela pátria e reaccionários vendidos aos gringos – sobra um anátema lançado sobre o partido “Bandeira Vermelha”, (supostamente referidos no documento) e nos discursos oficiais como os habituais “esquerdistas” ao serviço da extrema direita e do imperialismo. É deles a seguinte análise ao voto no referendo e ao regime:“O Socialismo do Século XXI, (na terminologia de Chávez) ao contrário do socialismo do século XX que era anticapitalista, nada mais significa do que um “novo” modelo, baseado na mesma exploração operária e também a mesma repressão aos trabalhadores. Assim, durante 2007, as massas estão a apreender o que é o “socialismo do século XXI” e quais são suas principais características:
a) Inflação - a mais alta de América Latina, que no fim do ano superou 18% e os alimentos que individualmente chegaram a uma alta de 25%. Por outro lado, entretanto, o salário mínimo é de 614.790 mil bolívares e um litro leite em pó (quando se consegue encontrá-lo), custa 30 mil, ou seja, um dia e meio de salário. O Instituto Nacional de Estatística (INE), afirma que em 2007 o custo de vida aumentou 21% .
b) Escassez de vários alimentos - carne, frango, leite, ovos, óleo de cozinha e pão, todos desapareceram dos mercados. Quando se consegue algo, é apenas no mercado paralelo a preços incomportáveis
c) O Governo de Chávez é um péssimo patrão - Os trabalhadores da função pública já levam 4 anos a negociar os seus salários e até agora nada. Os trabalhadores do Conselho Nacional Eleitoral estão há 16 anos sem contrato. Os trabalhadores da indústria petrolífera tiveram que realizar várias mobilizações e enfrentaram uma brutal repressão com direito a bala e tudo. Igual ao melhor modelo de repressão praticado pelos governos neoliberais. Tudo para se conseguir a assinatura do contrato colectivo, que já estava atrasado um ano. Mesmo assim, as conquistas económicas conquistadas não repõem as perdas para a inflação”
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