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quarta-feira, julho 01, 2015

sobre a lei das falências

A história da Grécia é um conto de endividamento irresponsável (não de autoria do Syriza) e empréstimos irresponsáveis (forçados pelos especuladores). A lei das falências na cultura europeia e americana é um sistema de dualidades, onde as expectativas para o comportamento prudente são colocados em ambos, o devedor e o credor. O devedor deverá pagar tudo o que puder nos termos da lei, e quando essa capacidade está esgotada, o credor é efetivamente considerado moralmente responsável pela sua decisão de emprestar. Por outras palavras, quando o devedor for à falência, o credor perde a sua aposta sobre o devedor, e deste modo empréstimo é extinto. Mas não existem leis de falência para os Estados-Nação, razão porque não há nenhum poder soberano para administrá-las. À luz da lei, apenas um diálogo entre iguais. até liberais estão de acordo: "o FMI está a gozar connosco?" pergunta Paul Krugman.

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terça-feira, março 17, 2015

Citizenfour, um herói de novo tipo em Hollywood

Em Janeiro de 2013, a cineasta Laura Poitras recebeu um "email" encriptado de alguém que se denomina de "Citizenfour". Nessa mensagem, são-lhe oferecidas informações inéditas sobre práticas de escutas ilegais da Agência de Segurança Nacional (NSA) e outros serviços secretos norte-americanos. Poitras trabalhava há anos num filme sobre a monitorização de escutas efectuadas no pós-11 de Setembro e utilizadas ilegalmente pelos serviços de segurança dos EUA. Em Junho do mesmo ano, ela e o repórter Glenn Greenwald decidem viajar até Hong Kong (China), para o primeiro de muitos encontros com o autor daquela mensagem, que mais tarde se apresenta pelo nome de Edward Snowden. Veio a revelar-se um antigo analista da NSA. Entregou-lhes documentos que retirara ilegalmente dos servidores da maior agência de serviços secretos do planeta. As gravações das várias entrevistas que lhe foram feitas deram forma a este filme, que recebeu o Óscar de Melhor Documentário.

Não existia qualquer familiaridade com o denunciante Edward Snowden e suas revelações chocantes de espionagem atacado do governo os EUA em seus próprios cidadãos podem preparar um para o impacto de Laura Poitras 'extraordinário documentário "Citizenfour." Longe de reconstruir ou analisar um facto consumado, o filme tersely registra a ação em tempo real, como Poitras e colega jornalista Glenn Greenwald meet Snowden durante um período de oito dias em um quarto de hotel de Hong Kong para traçar como e quando eles vão liberar a bomba que abalou o mundo. Adaptar a linguagem fria de criptografia de dados para recontar a saga dramática de abuso de poder e paranoia justificada, Poitras, brilhantemente, demonstra que a informação é uma arma de dois gumes. A obra integra a trilogia da autoria de Laura Poitras sobre a América pós-11 de Setembro. O primeiro sobre a invasão do Iraque exibido em 2006 colocou a realizadora numa lista negra visando mantê-la sobre apertada vigilância. O seu próximo filme será sobre Guantanamo e a "Guerra ao Terrorismo". É possivel ver gratuitamente CitizenFour na internet por cedência expressa da realizadora (versão original em inglês): http://thoughtmaybe.com/citizenfour/

sábado, março 07, 2015

Monsieur Lapin, die Reichen Clown, falando com conhecimento de causa



entretanto, a petição para a "Demissão imediata do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho" já ultrapassou largamente o número de assinaturas necessárias (venha daí mais uma) para ser presente ao que costumava ser na era proto-cavaquista a Assembleia da República. Veremos o que acontece. A avaliar pela qualidade da "oposição" colaboracionista o mais certo é Monsieur Lapin contar com o seu apoio tácito e ser reeleito.

sábado, novembro 15, 2014

PSD/CDS, alma mater da Corrupção, já nem se dão ao trabalho de disfarçar!

o crash do subprime de 2008 deu cabo do negócio do crédito concedido para especulação imobiliária, deixou os bancos nacionais falidos e milhares de portugueses na miséria? no problem, lança-se um programa de especulação imobiliária de luxo visando sacar uns milhões a estrangeiros ricos. Os especuladores é que não podem ficar prejudicados, ora essa!
supondo, supondo, e se uma parte deste dinheiro fosse para...
No âmbito da investigação aos Vistos Gold "decorreram igualmente buscas no gabinete de Albertina Gonçalves, secretária-geral do MAI. Segundo o Diário de Notícias, Albertina Gonçalves foi constituída arguida e é sócia do ministro da Administração Interna num escritório de advogados. A CMTV chegou a avançar que Miguel Macedo estava entre os "visados", tendo mais tarde corrigido, dizendo que o ministro "não é considerado suspeito de ter cometido crime; foi apenas apanhado em escutas a falar com um dos detidos" - não era considerado suspeito mas alguém, ainda com um pingo de vergonha na cara, lhe disse que deveria demitir-se, só que o Passos neste in extremis momentum não aceita perder um só capanga que seja. O percalço da cambada governamental se descuidar com a bófia quando falam de negociatas é recorrente, não é novidade, em Abril passado Passos Coelho foi apanhado nas escutas ao presidente do BES Investimento.

e se, se eu. estivesse ...
A dra Anabela Melão transcreve um excerto do diálogo de Miguel Macedo: cenas dos bastidores da «Operação Labirinto»: Numa aflição recorre-se aos amigos. Preocupado, Miguel Macedo, perante as noticias ipso facto de ontem, telefona a Rogério Alves - Que é que eu faço com "isto" pá? - Tudo se arranja, pá! - Se eu demitir estes gajos também tenho de me demitir a mim? - [ ] - Claro que não pá, então não vês a Paula? Ela está na Justiça e fica na cadeira e tu falas em cair do banco? - Digo isso ao Coelho? - Evidente, pá. Diz que foi o Rogério que te fez esta análise profunda ao gajo, pá. - Obrigado, pá. Ando um bocado aborrecido com isto, pá. Sou um tipo sério. - Então como é que o Coelho se lembrou de ti para ministro? - Já pensei nisso e só me lembrei do Esopo que dizia “Quem trama desventuras para os outros estende armadilhas a si mesmo.” Um dia o gajo lixa-se, pá. - Então diz-me porque as minhas análises profundas de 5 min. têm de ser programadas à lupa. [diálogo entre Miguel Macedo e Rogério Alves à entrada de uma porta "branca"]

supondo, supondo, e se o financiamento dos partidos...
Miguel Macedo e o ex-presidente do PSD Marques Mendes são sócios na JMF Projects & Business dedicada à "assessoria de negócios".  Empresas que não apresentam contas durante anos a fio e que tem como sede a casa da arguida Albertina" que por sua vez é sócia noutra empresa, a Golden Vista Europe fundada em 2013 e destinada a explorar os vistos gold com dois sócios chineses, um deles com "domicílio" na sede da mesma empresa, que vende casas de luxo ao dobro do preço de mercado a estrangeiros. È a retoma de que fala o vice-primeiro Portas. O ministro Macedo das Policias (PJ incluida?) diz que já não é sócio, saiu, está ilibado, mas ainda assim quis demitir-se? porque seria? haverá mais qualquer coisinha que não se saiba ainda? pelo menos as suspeitas permanecem...

actualizações
* Vistos Gold: Judiciária tem imagens de pagamentos ilegais de casas em dinheiro transportado em malas com milhões em cash para fugir ao fisco (fonte)
* boas noticias: "PSD protege Macedo e empurra Portas para a linha da frente. CDS incomodado" (fonte)
* reincidência "Há uma ligação antiga a estabelecer com os depósitos de um milhão nas contas do CDS" (fonte)
* Secretária-geral da Justiça fez parte do Júri em todos os concursos de altos dirigentes (fonte)
* Vistos Gold salvaram o Imobiliário. E agora? (ler aqui)

quarta-feira, setembro 03, 2014

Ana Gomes, pau para toda a colher

Por um lado a militante-actriz no papel de socialista Ana Gomes sente-se escandalizada por "haver alemães condenados na Alemanha por corromperem pessoas em Portugal no quadro deste contrato de aquisição de submarinos e em Portugal não se saber quem são os corrompidos" e clama para que Durão Barroso seja chamado como primeiro ministro responsável de então a prestar declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito chefiada pelo CDS, antes que a coisa prescreva
num ponto Barroso entalado, noutro ponto Barroso apoiado: 
Ana Gomes declarou a propósito da suposta intervenção de nacionais russos anti-nazis nas Repúblicas Populares do leste da Ucrânia, que as sanções da Europa à Rússia só pecam por tardias. Ana Gomes repete a sua posição pró-imperialista euro-estadounidense como no caso da Libia e da Siria. O que, contando com o aopio da "esquerdinha nacional" deixa Durão Barroso assanhadamente aguerrido, a ponto de citar o presidente da Rússia por supostamente lhe ter declarado nas fuças que caso o pretendesse tomava Kiev em duas semanas.
O conselheiro de Putin, Juri Uschakow, acusa o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, de ter citado Putin fora de contexto, quando se referiu a uma conversa telefónica entre ambos em que o presidente russo disse que poderia tomar Kiev em duas semanas. O processo, disse Uschakow, não está ao "nível de uma personalidade política séria" (fonte) e por osmose, também não está ao nivel da Ana Gomes...

Os invasores de quem ninguém fala:   
Veteranos norte-americanos da Intelligence Professionals for Sanity (VIPS) escreveram a Angela Merkel dizendo-lhe que as informações da NATO sobre invasão da Ucrânia pela Rússia não são confiáveis.

segunda-feira, julho 14, 2014

PPP da Saúde com aumento de 166%

Segundo um estudo do economista Eugenio Rosa nos 4 anos entre 2010 e 2014 enquanto a despesa pública com a saúde sofreu um corte superior a 5,5 milhões e os hospitais públicos viram o seu financiamento reduzido em 666 milhões, as parcerias com privados tiveram um aumento de 166%. Ou seja as transferências do orçamento do Estado para grupos económicos como o Espirito Santo Saúde, Jose Mello e o grupo brasileiro AMIL, que gerem as Parcerias Público Privadas na Saúde passaram de 160 milhões em 2010 para 427 milhões em 2014! (Saiba quanto vão custar ao erário público as PPP só em 4 hospitais até ao ano 2042).
No corrente ano estão a acontecer cortes quase três vezes maiores do que os do ano 2013!. Perante estes números é fácil compreender que tudo falte no Serviço Nacional de Saúde e nos hospitais públicos (médicos, enfermeiros, medicamentos, consumiveis, etc), e do que se queixam os médicos e outros profissionais de saúde! Eugénio Rosa acusa o governo de estar a destruir o SNS de forma silenciosa e recorda que só depois da greve dos médicos na passada semana o ministro reforçou em 300 milhões a verba para os hospitais publicos! (cm)
O ministro da Saúde Paulo Macedo continua no entanto a recusar o diálogo com a Ordem dos Médicos. O SNS, que até aqui servia todos os portugueses com qualidade, está a sofrer com as medidas de austeridade e a degradar-se muito mais do que outros sectores da governação, "por mera opção política, pois este Governo impôs mais cortes à Saúde e aos Doentes do que aquilo a que foi forçado pela Troika". Inclusivamente, a propósito da greve, o ministro fez uso do seu tom habitualmente indigno ao aproveitar o momento para fazer uma descarada propaganda às empresas privadas da área da saúde: "esta greve foi altamente lesiva para os utentes dos serviços do SNS, se olharmos para os hospitais privados verifica-se que aí nenhum utente deixou de ser atendido". Acontece é que o Estado passou agora a pagar em subsidios aos privados o que recusa pagar nos serviços públicos

quarta-feira, maio 14, 2014

Bem Vindos ao Campeonato Mundial de Futebol de 2014

Popularmente chamada no Brasil de "Copa", o evento organizado pela Fifa para acumular milhões
serve desta vez de pretexto para desalojar pessoas das suas casas com a finalidade de nesses locais descaradamente ocupados por habitação poderem ser construidos estádios e instalações relacionadas com um tipo de futebol de espectador pagante de bilhete muito pouco desportivo. É o Mundial mais caro de sempre na história, este que se realiza no Brasil das favelas. Não há hospitais, nem trabalho e sobram pobres. Aos que protestam, torturam-nos, prendem-nos e assassinam-nos. Ás crianças abandonadas que vivem na rua, matam-nos de noite para que não dêm mau aspecto aos presumiveis visitantes estrangeiros que cegos perante esta tragédia. Presumivelmente o futebol não tem culpa, aquele que se joga como desporto, a criminosa repressão é praticada pelo governo brasileiro; Culpa têm porém os que justificam os assassinatos, os desalojamentos forçados, as torturas, tudo por uma estúpida e meramente lucrativa competição de futebol, tendo como pano de fundo uma catástrofe social

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Entretanto, segundo consta, face às perspectivas de falta de segurança no Brasil, o Comité Olimpico mantém conversações sigilosas para implementar um Plano B para a hipótese de ser necessário mudar os Jogos Olimpicos 2016 para Londres (fonte)
 

quinta-feira, abril 10, 2014

deputada do Parlamento da Ucrânia propõe fuzilar os manifestantes de expressão russa

E o governo nazi de Kiev intenta fazer-lhe a vontade: o ministro do interior ucraniano anunciou o uso das armas para acabar em 48 h com as manifestações de protesto nas cidades que não reconhecem o auto-proclamado governo de Kiev - Harhciv, Doneck, Nikolaev, Lugank e Odessa - Sabe-se que forças especiais com armamento norte-americano já provocaram a morte de 70 pessoas, entre mulheres e crianças, nas últimas horas, bem como a detenção de mais de 90. As televisões estão encerradas e os jornalistas proibidos. A população está em pânico. A situação agrava-se a passos largos. Putin vê-se confrontado com um perigoso dilema: ou apoia a população ucraniana de origem russa e agrava a hostilidade dos USA e da UE para com a Rússia, ou abandona aquele povo à sua má sorte. (fonte)

Como era previsivel, os falcões do Pentágono e da Nato, a nova nomenklatura para "Estados Unidos" e "União Europeia, tratam de alimentar mais uma guerra civil, transformando a Paz em Guerra
Mensagem da 4ª Companhía de Autodefena da Crimea prometendo apoio à População das regiões do sul e leste da Ucrania

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tópicos
* Putin: a Rússia não pode sustentar a Ucrânia para sempre (aqui)
* Mal apanhou o governo de Kiev instalado, o FMI exigiu um programa de austeridade 
e privatizações a troco de empréstimos. Parlamento aprovou. (aqui)
* Obama furioso por as grandes Petroliferas norte-americanas tomarem o partido de Putin 
ao recusarem a guerra (aqui)
* Lagarde: crise ucraniana pode fazer derrocar a economia mundial (aqui)
* Putin contra o Dólar: crise ucraniana serve de catapulta comercial para os Brics (aqui)
* Memorial do "holocausto judeu" vandalizado em Odessa (aqui)
* Putin não considera as fronteiras da Ucrânia legítimas (aqui)
* Presidente da Rússia escreveu aos lideres europeus, fazendo-lhes notar 
que a crise da dívida ucraniana atingiu um estado crítico, que pode ter consequências 
no trânsito de gás para a Europa (aqui)
* Crise obriga Gazprom a apressar acordo de fornecimento de gás à China (aqui)

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Congressos & Jornadas, Novos Rumos, Compadres & Vigaristas.Gov

Manuel Loff chamou à sua coluna no pasquim da Sonae o estudo "Patronagem e Governos partidários em Portugal no periodo 1995-2009" publicado por uma investigadora da Universidade de Aveiro no qual esta disseca a forma como "o mundo dos negócios" opera integrando sistemicamente uma rede organizada de prestação de favores cujos agentes partidários são cooptados para ascender aos lugares de topo da Administração Central do Estado, transmutando-se entre esta entidade que deixou de representar o interesse público e as administrações das grandes Empresas como caciques à escala local e regional. Resumindo, as nomeações para a cúpula da administração pública em Portugal são influenciadas por interesses partidários para recompensar serviços prestados ao partido que no momento está no poder.
Acrescente-se a este indice de corrupção a grande corrupção das elites de negócios transnacionais concertados em nome do país com as Corporações estrangeiras... e aí temos o miserável retrato social que o Portugal usurpado pela clientela cavaquista está a dar ao mundo.
De propaganda mal enjorcada a pura conversa da treta, já era de calcular: 

A mega-operação de propaganda que vem sendo montada é, obviamente, uma mentira. Não existe nenhum crescimento das exportações, nem estas sustentariam um crescimento de uma economia intencionalmente destruida; o que existe é uma diminuição drástica das importações por via dos cortes nos rendimentos de uma classe média que não foi criada por uma produção de bens consistente, mas sim sustentada pela concessão de crédito sem qualquer nexo com a realidade. O ponto onde Portugal está, tem vindo a ser construido pelos sucessivos governos durante quatro décadas. Existe um pacto de regime entre PS-PSD-CDS consignado no Tratado Orçamental que os três assinaram de cerviz vergada à troika, com o pretexto de reduzir a dívida, quando esta de facto está a aumentar, uma politica cujo cimento é o Euro, a moeda forte espalhada a crédito barato para passado oito anos virem cobrar esses empréstimos a juros exorbitantes, forçando o Estado a contrair novos empréstimos ad eternum. E que agora sim, com o "défice limpo", agora é que Portugal vai começar a ser sustentável, quando a maioria da população aufere rendimentos tão baixos que não se consegue sustentar.  E, no fim do caminho, dizem-nos que não existe alternativa "aos partidos do arco da governação"...

... dizem-nos que tanto o PS como o PSD e o CDS têm sido bastante responsáveis. Exacto, responsáveis por submarinos, bancos falidos, auto-estradas para nenhures, negociatas obscuras, PPP's, swaps, distribuição de cargos pelas clientelas, favores, má gestão, corrupção, esbanjamento. Chega para lhes avaliar o grau de responsabilidade? 
Tudo isto vem sendo feito sob a ideia liberal dos cortes nas despesas de um Estado com demasiado peso na Economia. Na verdade o peso do Estado é o mais elevado de sempre, agravado pelo facto de 11,8% do PIB ser actualmente para pagar o serviço de uma dívida fraudulenta, congeminada pela adesão ao Euro. Foram estes três partidos aderentes confessos do Neoliberalismo que criaram o paradigma. Agora movem-se sombras em cavernas de foruns e congressos reclamando o regresso à social-democracia (sic), ou seja, o regresso ao assistencialismo salazarista da distribuição da "sopa do barroso" aos novos-pobres. É preciso ter lata.

quarta-feira, janeiro 29, 2014

Há mais de 30 milhões de escravos no Mundo

Quem pensa que a escravatura faz parte do passado… está enganado. Em pleno século XXI, quase 30 milhões de pessoas são escravas, proporcionalmente mais do que em qualquer outro momento da história da Humanidade. Uma investigação da organização "Fre# the Slaves". Saiba quais os 10 países que mais abusam dos direitos humanos neste sentido.

Sobre a essência do problema, o sistema Capitalista, cada vez mais podre e caduco

A escravatura tem raizes históricas em todos os periodos: Na primeira cultura clássica na perspectiva do ocidente europeu, a democraci# na Grécia não seria outra coisa senão "a igualdade entre todos os cidadãos". Porém... tal como hoje, esse conceito clássico tomado como verdadeiro é um embuste. Em Atenas admite-se que no séculoV antes da nossa era, existiam à roda de 130 mil Cidadãos (!), incluindo mulheres e crianças, mais 70 mil estrangeiros (os Metecos) naturalizados gregos, vindos de outras cidades e que por isso não usufruiam de direitos politicos; Finalmente,  existiam 200 mil escravos. Quer dizer, para uma população total de 400 mil habitantes, metade eram escravos, uma quarta parte eram mulher#s, ambos meros objectos para uso doméstico e propriedade do seu senhor, como um bilha, uma mesa ou um filho, sem direito a participar nas decisões públicas. Portanto, subtraindo os metecos, nas assembleias "populares" raiz da "democraci# ocidental" votavam apenas 30 mil gregos. E isto era considerado um progresso, anteriormente, no expansionismo de conquista as tribos arrecadavam o produto dos saques aos vencidos e matavam-nos. Até que um belo dia as elites viram que seria mais vantajoso economicamente salvar-lhes a vida aproveitando-os para cumprir os trabalhos necessários à subsistência dos conquistadores.  Empregando o homem, a tecnologia ou o capital (valor de trabalh# acumulado), a escravatura é um modo de produção.

sexta-feira, janeiro 24, 2014

a burguesia "baixou o défice", os trabalhadores foram vítimas de um esquema fraudulento

Isto não é uma hipérbole, ou uma 'teoria da conspiração' idiota. Esta é a realidade ... São precisas 3 biliões de pessoas, combinando todos os seus bens e riqueza para igualar a riqueza das 300 milionárias figuras que decidem a emissão de papel como moeda global, a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED). Este Cartel Bancário, as "elites" que centralizam o processo de globalização dos mercados... ocorre por design determinista, utilizando a ânsia geral e a ignorância das grandes massas por créditos que ilusoriamente lhes permitam viver sem trabalh#r. É uma insanidade. Reduzidos a salários insignificantes, sem acesso à propriedade pública, sem rendimentos de património (sugado pelo endividamento), aceitando como herança a estupidificação, os trabalhadores não têm quaisquer recursos, suporte ou defesa contra a selvageria em curso. Desarmados, permitem que as suas elites corruptas se dediquem exclusivamente à prática de inconstitucionalidades, ao afã de gerirem autênticos esquemas de Ponzi, superiormente acolitados por essa rede corruptamente chamada de "Bancos Centrais". Podemos parar esta insanidade por um simples levantamento popular?

Não existe absolutamente nenhuma dívida nacional, o que se diz que é divida é uma coisa totalmente mítica, foi congeminada de forma corrupta, criada inconstitucionalmente, principalmente pela burguesia nacional aliada a um grupo de assassinos estrangeiros, por criminosos de elite do crime organizado que fazem a gestão de rançosos "Bancos Centrais"... cuja testa de ferro da organização está sediada em Washington e se chama Reserva Federal, propriedade privada de uma familia restrita e seus aliados de proximidade que controlam toda a rede da economia mundial. (veja aqui a lista de bancos que integram o esquema de endividamento e exploração dos povos
Pode-se perguntar: o que é que "eles" emprestam? recorrendo apenas a um exemplo: a Dívida das empresas públicas em Portugal subiu 565 milhões de euros desde a chegada da Troika. Então o dinheir# da "ajuda" não foi emprestado para pagar os défices públicos? então porque é que sobe? em vez de descer? onde foi parar o dinheir# e mais o aumento brutal de impostos? Se ninguém sabe dizer para quê, para onde e para quem vão os juros, comissões e mais proventos debitados na amortização da "Divida", como pode esta não ser considerada um esquema fraudulento e não uma dívida?

sábado, novembro 30, 2013

Policia de choque chamada a impedir o direito à Greve dos trabalhadores dos CTT

O lider nacional da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) explica em directo as razões que levam o Ministro da tutela e os seus amestrados bófias a tomar o partido dos patrões e ajudar a distribuir mais lucros pelos accionistas privados



Os Correios de Portugal foram criados em 1520 por Don Manuel I como serviço público. Em 1821 iniciaram a entrega de correspondência porta-a-porta. Um ano após a implantação da República os CTT ganharam autonomia como empresa pública de prestação do serviço, com o nome de "Administração-Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones". Em 1992 face ao boom das telecomunicações estes serviços foram retirados à empresa, adoptando esta a partir de então o nome que ainda tem hoje: "CTT Correios de Portugal". Se este governo de delinquentes económicos conseguir privatizá-la, como é que a empresa vai passar a ser chamada? "Correios de Quem??" Correios da Puta que vos Pariu? (ver dados históricos, em lingua de accionista)

Corre, Corre Cavalinho, que te querem Privatizar: "Petição pela manutenção dos CTT no Estado" (Precários Inflexiveis) 

segunda-feira, setembro 02, 2013

e depois disto Obama (prémio nobel da paz)... ainda te vais atirar ao Povo Sírio?

Classificação: Muito confidencial (*)
Oficio enviado ao Director do gabinete de acompanhamento no Ministério do Interior
Cópia ao director do Comité para ordenar o Bem e proibir os actos ímpios.
Cópia às informações gerais

Reino da Arábia Saudita

Ministério do Interior Sua excelência o general Seoud al Thounayane Gabinete secreto do Ministério do Interior
Saudação e benção de Alá

Sequência do telegrama do gabinete real nº 112 com data de 19/04/1433 da Hégira. 

Nas prisões do reino detidos (105 iemenitas, 21 palestinos, 212 sauditas, 96 sudaneses, 254 sírios, 82 jordanos, 68 somalis, 32 afegãos, 194 egípcios, 203 paquistaneses, 23 iraquianos e 44 kuwaitianos) acusados de tráfico de droga, de assassínio, de violação, merecendo o castigo da charia islâmica e da execução pela espada serão – em acordo com eles – agraciados com a contrapartida de irem combater pela jihad na Síria após treino e equipamento. Um salário mensal será pago aos seus familiares e seus próximos que se verão proibidos de viajar para fora da Arábia Saudita. 
Queira receber as minhas saudações.
Abdallah ben Ali al Rmeizan

quinta-feira, agosto 29, 2013

Sobre o Fenómeno dos Empregos de Merda

(David Graeber argumenta sobre o conceito marxista de trabalho produtivo e trabalho improdutivo)

No ano de 1930 John Maynard Keynes previu que, até ao final do século XX, a tecnologia teria avançado tão eficientemente que países como a Grã-Bretanha ou os Estados Unidos teriam alcançado uma semana de trabalho de 15 horas. Há todas as razões para acreditar que o economista da era do New Deal estava certo. Em termos tecnológicos, teríamos sido capazes disso. E, no entanto tal não aconteceu. Em vez disso, a tecnologia disfarçou-se com diversas roupagens para descobrir maneiras de nos fazer trabalhar mais. A fim de alcançar este objectivo, novos trabalhos tiveram de ser criados, que são, efectivamente, inúteis. Massas enormes de pessoas, na Europa e na América do Norte em particular, passam toda a sua vida profissional na execução de tarefas que eles secretamente acreditam realmente não precisarem de ser executadas. O dano moral e espiritual que advém desta situação é profundo. É uma cicatriz em toda a nossa alma colectiva. Ainda assim, quase ninguém fala sobre isso.

Por que é que a utopia prometida por Keynes - ainda aguardada com grande expectativa nos anos 60 - nunca se materializou? - a linha padrão de hoje é que Keynes não levou em linha de conta o aumento maciço no Consumismo. Posta à consideração a escolha entre menos horas de trabalho e mais brinquedos e prazeres, os indivíduos foram colectivamente induzidos a escolher os últimos. Esta opção apresenta-se como um bom conto moral, mas um momento de reflexão mostra que isso não pode realmente ser verdade. Sim, temos assistido à criação de uma variedade infinita de novos empregos e indústrias, desde a década de 20, mas muito poucos têm nada a ver com a produção e distribuição de sushi, iPhones ou ténis extravagantes. Então, quais são esses novos postos de trabalho, precisamente? Um relatório recente comparando o emprego nos EUA entre 1910 e 2000, dá-nos uma imagem clara. (e eu noto, uma comparação exactamente igual fez eco no Reino Unido). Ao longo do século passado, o número de trabalhadores como empregados domésticos, na indústria e no sector agrícola ruiu dramaticamente. Ao mesmo tempo, "os serviços de vendas, gerência, de escritório, profissionais e trabalhadores de serviços triplicaram, crescendo de um quarto a três quartos do emprego total. Por outras palavras, os empregos no sector produtivo, tal como previsto, foram amplamente substituídos por maquinaria automatizada (mesmo se contarmos os trabalhadores da indústria a nível mundial, incluindo as massas trabalhadoras na Índia e na China, esses trabalhadores ainda não são em tão grande percentagem da população mundial como costumavam ser).

Mas ao invés de permitir uma redução maciça do horário de trabalho para libertar a população mundial e prosseguir os seus próprios projectos - os prazeres, visões e ideias - temos visto a bolha do assalariamento aumentar não só no sector "Serviços" a partir do sector administrativo, mas até incluindo a criação de indústrias novas por inteiro, como os serviços de telemarketing ou financeiros, ou a expansão sem precedentes de sectores como o direito empresarial, académicos, de administração de saúde, recursos humanos e relações públicas. E esses números nem sequer reflectem sobre todas aquelas pessoas cujo trabalho é fornecer serviços administrativos, técnicos, ou suporte de segurança para essas indústrias, ou nessa matéria para toda uma série de indústrias auxiliares (lavadores de carros, entregadores de pizza 24 horas) que só existem porque toda a gente gasta muito do seu tempo de trabalho em todos os outros. Estes são os que proponho chamar de "empregos de merda."

É como se alguém saísse à rua fazendo- o por trabalhos inúteis apenas por uma questão de manter as coisas todas a andar. É aqui, precisamente, que reside o mistério. No capitalismo, isto seria precisamente o que não seria suposto acontecer. Claro que, nos velhos estados socialistas como a União Soviética, onde o emprego era considerado tanto um direito como um dever sagrado, o sistema formado por tantos empregos como eles tinham, levava a que nas lojas de departamento de Estado tivessem três funcionários para vender um quilo de carne. Mas, é claro, este é o tipo de problema que a concorrência de mercado é suposto corrigir. De acordo com a teoria económica capitalista, no mínimo, a última coisa que uma empresa com fins lucrativos vai fazer é desembolsar dinheiro para pagar a trabalhadores que ela realmente não precisa empregar. Ainda assim, de alguma forma, isso acontece. Enquanto as corporações podem envolver-se em reduções crueis, as demissões e a velocidade a que crescem recaem invariavelmente sobre essa classe de pessoas que realmente fazem mover as coisas, fixando-as ou mantendo-as nos sítios, as quais através de alguma alquimia estranha que ninguém consegue explicar, consegue fazer expandir o número de assalariados empurradores-de-papel, e mais e mais trabalhadores se encontram, actualmente não como os trabalhadores soviéticos, mas na verdade, trabalhando 40 ou mesmo 50 horas por semana na papelada, mas efectivamente trabalhando 15 horas, assim como Keynes havia previsto, já que o resto do seu tempo é gasto organizando ou participando em seminários motivacionais, atualizando os seus perfis do Facebook ou fazendo downloads de vídeos e musica.

A resposta é claramente não económica: é moral e política. A classe dominante descobriu que uma população feliz e produtiva com tempo livre nas suas mãos é um perigo mortal (é suposto esta percepção ter começado a acontecer próximo da década de 60). E, por outro lado, o sentimento de que o trabalho é um valor moral em si, e que qualquer pessoa não está disposta a submeter-se a algum tipo de intensa disciplina de trabalho durante as horas em que anda de pé, é um conceito extremamente conveniente.

Certa vez, ao contemplar o crescimento aparentemente interminável de responsabilidades administrativas nos departamentos académicos britânicos, fiquei com uma possível visão do inferno. O inferno é um conjunto de indivíduos que gastam a maior parte do seu tempo trabalhando em tarefas de que eles não gostam e nas quais não são especialmente bons. Dizem que foram contratados porque eram excelentes marceneiros, e depois descobriram que se espera passem uma grande parte do seu tempo a fritar peixe. Não é que a tarefa realmente precise de ser feita - há apenas um número muito limitado de peixes que precisam ser fritos. Mas de alguma forma, todos esses “trabalhadores” tornam-se obcecados com o ressentimento, pensando que alguns dos seus colegas de trabalho podem estar a gastar mais tempo a fazer armários, e não a fazer a sua justa parte nas responsabilidades da fritura de peixe, o que em pouco tempo, resultaria em pilhas intermináveis de inútil peixe mal frito, acumulado por toda a oficina… e isso é tudo o que alguém realmente se faz. Acho que esta é realmente uma descrição bastante precisa das dinâmicas morais da nossa própria economia.

Agora, percebo qualquer argumento que vá incorrer em objeções imediatas: "quem é você para dizer o que são realmente "empregos necessários “? O que é necessário, afinal? Você é um professor de antropologia, qual é a "necessidade" de se precisar disso? "- (E, na verdade um monte de leitores de tablóides levaria a existência do meu trabalho como a sua própria definição de desperdício nas despesas sociais). E em certo nível, isso é obviamente verdadeiro . Não pode haver uma medida objectiva de valor social?

Eu não me atreveria a dizer a alguém convencido de que eles estão dando uma contribuição significativa ao mundo que na verdade eles não dão. Mas o que acontece com aquelas pessoas que se convenceram que os seus trabalhos não têm sentido? - não há muito tempo atrás voltei ao contacto com um amigo de escola que eu não via desde os meus12 anos. Fiquei espantado ao descobrir que nesse intervalo, ele se tinha tornado pela primeira vez num poeta, o homem de palco de uma banda de rock indie. Eu tinha ouvido algumas das suas músicas na rádio sem ter ideia que o cantor era alguém que eu realmente conhecia. Ele era, obviamente, brilhante, inovador, e o seu trabalho tinha, sem dúvida, iluminado e melhorado vidas de pessoas em todo o mundo. No entanto, depois de um par de álbuns sem sucesso, ele tinha perdido o seu contrato, e atormentado com dívidas e uma filha recém-nascida, acabou, como ele dizia, por "tomar a opção padrão de tanta gente sem rumo: a Faculdade de Direito" Agora ele é um advogado corporativo trabalhando numa proeminente empresa de Nova York. Ele foi o primeiro a admitir que o seu trabalho era totalmente sem sentido, não contribuindo em nada para o mundo, e, na sua própria opinião, não deveria existir.

Há um monte de perguntas que poderiam ser feitas aqui, começando com, o que isso diz sobre a nossa sociedade que parece gerar uma procura extremamente limitada para talentosos poetas-músicos, mas uma procura aparentemente infinita de especialistas em direito empresarial. (Resposta: Se 1% da população controla a maior parte da riqueza disponível, aquilo a que chamamos de "o Mercado" reflete o que essa ínfima minoria acha que é útil ou importante, e não a mundivisão de qualquer outra pessoa). Mas, ainda mais, mostra que a maioria das pessoas nesses empregos estão finalmente cientes disso. Na verdade, eu não tenho a certeza se já conheci um advogado corporativo que não achasse que o seu trabalho fosse uma estupidez. O mesmo é válido para quase todas as novas indústrias acima descritas. Há toda uma classe de profissionais assalariados – e você deve conhecê-los nos convívios sociais - que admita que você faz algo que possa ser considerado interessante, (um antropólogo, por exemplo) e vão mesmo querer evitar discutir totalmente a sua linha de trabalho. Dê-lhes algumas bebidas, e eles vão-se lançar em discursos inflamados sobre como inútil e estúpido o seu trabalho realmente é.

Há aqui uma violência psicológica profunda. Como pode alguém pode sequer começar a falar da dignidade no trabalho quando sente secretamente ter um posto de trabalho que não deveria existir? Como poderá ele não criar um sentimento de profunda raiva e ressentimento.? No entanto, é no génio peculiar da nossa sociedade que os seus governantes vão descobri uma maneira - como é o caso das fritadeiras de peixe - para garantir que a raiva é dirigida precisamente contra aqueles que realmente não conseguem obter um trabalho que signifique alguma coisa. Por exemplo: na nossa sociedade parece haver uma regra geral segundo a qual é obvio que o trabalho que cada um faz benefícia outras pessoas, e por isso considera ser mal pago. Mais uma vez, é difícil de encontrar uma medida objectiva, mas uma maneira fácil de obter um sentido é perguntar: que aconteceria se toda esta classe de pessoas viesse simplesmente a desaparecer?

Diga o que se disser sobre enfermeiros, empregados do lixo, ou mecânicos, é óbvio que se eles desaparecessem numa nuvem de fumo, os resultados seriam imediatos e catastróficos. Um mundo sem professores e os locais de trabalho em breve estariam em apuros… e até mesmo um sem escritores de ficção científica ou músicos de ska seria claramente um lugar menor. Não é totalmente claro o modo como a humanidade iria sofrer se todos os administradores de private equity, lobyistas, investigadores, seguradores, operadores de telemarketing, oficiais de justiça ou consultores legais fossem desaparecer da mesma forma. (Muitos suspeitam que podia melhorar sensivelmente). No entanto, para além de um punhado de bem elogiadas excepções (os médicos), a regra mantém-se surpreendentemente bem. Ainda mais perverso, parece haver um amplo sentido que esta é a maneira como as coisas deveriam ser. Este é um dos secretos pontos fortes do populismo de direita. Você pode senti-lo quando os tablóides empunham o chicote do ressentimento contra os trabalhadores do Metro quando paralisam Londres durante disputas contratuais: o facto de que os trabalhadores do Metro possam paralisar espectáculos em Londres mostra que o seu trabalho é realmente necessário, mas isso parece ser exactamente o que incomoda as pessoas. É ainda mais claro nos EUA, onde os republicanos têm tido um sucesso notável na mobilização do ressentimento contra professores, ou trabalhadores da indústria automóvel (e não, de forma significativa, contra os administradores escolares e gestores da indústria automobilística que realmente causam os problemas) com os seus salários e rendimentos supostamente inflaccionados. É como se eles nos estivessem dizendo: "mas você precisa de ensinar as crianças! Ou fazer carros! E aí você começa a ter empregos de verdade! E em última instância, quem tem a coragem de também esperar pensões de reforma na classe média ou cuidados de saúde?

Se alguém tiver desenhado um regime de trabalho perfeitamente adequado para manter o poder do capital financeiro, é difícil ver como poderiam as pessoas ter feito um trabalho melhor. Realmente, os trabalhadores produtivos são implacavelmente espremidos e explorados. Os restantes são divididos entre um aterrorizado extracto dos universalmente insultados, como os desempregados, e um extracto maior que são basicamente pagos para não fazer nada, em cargos destinados a torná-los identificáveis com as perspectivas e sensibilidades da classe dominante (gerentes, administradores, etc.) - e, particularmente os seus avatares financeiros - cuja actividade, ao mesmo tempo, promove um ressentimento contra aqueles cujo trabalho tem um valor social claro e inegável. Claramente, o sistema nunca foi concebido conscientemente. Surgiu a partir de quase um século de tentativas e erros. Mas é a única explicação para o porquê, apesar das nossas capacidades tecnológicas, todos os dias de trabalho não terem apenas entre 3 a 4 horas.

(Original: “On the Phenomenon of Bullshit Jobs” by David Graeber)

domingo, junho 23, 2013

FMI Ordena Despedimentos na Função Pública

Apesar da percentagem dos funcionários públicos em Portugal ser muito inferior em relação à população comparada com os países europeus, o FMI exigiu o despedimento de 30 000 pessoas da Função Pública. Em 2012 tinham sido 14 000 os que não viram o vinculo contratual renovado; este ano serão despedidos mais 20 000. Os que ficarem, só na área do Ensino, por via da aplicação da Tabela Única de Remunerações, os professores irão sofrer cortes salariais em 2014 no valor que o governo quer "poupar" (isto é, gastar noutras coisas): 445 milhões de euros.

O chefe da missão do FMI afirma que "a redução da despesa pública não implica quaisquer medidas discricionárias adicionais face às previamente anunciadas pelo Governo" - quer dizer, os cortes serão só o dobro do que estava previsto... sendo, segundo a CGTP o maior despedimento colectivo registado nos últimos anos em Portugal, feita à revelia do Parlamento - "uma ofensiva sem precedentes contra os trabalhadores da administração pública e também dos reformados"
Gerir números, trangredir a Constituição: "um funcionário público que entre na mobilidade perde 50% do salário passados seis meses. Se não for reintegrado nos 12 meses seguintes, o seu vínculo de trabalho no Estado cessa" (ler entrevista), ou seja, Cavaco e o governo Coelho/Portas estão unidos na imposição de um regime fascista

sábado, fevereiro 23, 2013

silêncio... que se vai cantar qualquer coisinha sem ser fado




Vendo a credibilidade de todas as áreas governativas ir pela sargeta abaixo, o governador do Banco de Portugal Carlos Costa apressou-se vir a público em Serralves afirmar que a Cultura é uma parte importante do desenvolvimento económico que sustentará o crescimento. Vai-se a ver melhor e o autor do estudo que sustenta tal afirmação é irmão de Carlos Costa... Pelo menos estes dois lá vão "crescendo" (fonte)

Aliás, o próprio Carlos Costa sustenta e realça "a cultura" deste governo e do gangue cujos interesses representa:

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quarta-feira, janeiro 30, 2013

topem bem este filme

Já aqui em 2006, por via do artigo de Robert Kurz, quando em Portugal já se tinham construido 25 milhões de fogos habitacionais para 10 milhões de individuos, se previa o crash imobiliário: "a Banca estava a segurar artificialmente o valor do crédito de quem tinha contraído  empréstimos, sob pena de serem os Bancos os principais atingidos pela perda de valor das casas que iriam ser penhoradas".

Passados 7 anos, "o Estado mete dinheiro nos Bancos... os Bancos penhoram casas a quem ficou no desemprego e deixou de ter capacidade para as pagar. Os Bancos revendem-nas por baixo preço a empresas imobiliárias. E estas vendem-nas a reformados estrangeiros com posses, cedendo-as com promoções e vantagens fiscais feitas pelo Estado. Uma vez mais, o Imobiliário a dominar a economia "real". Então, temos três ministros, uma secretária de Estado, impostos aliciantes e 828 milhões em cima da mesa para promover a venda de imobiliário aos reformados ricos do estrangeiro...
(via Indignados de Lisboa: "Com IRS mais baixo. Governo quer atrair reformados estrangeiros")

no Portugal imaginário dos Jotinhas o ideal mesmo era que aqui não existissem portugueses

quinta-feira, janeiro 17, 2013

o caso do Banqueiro que come muito queijo Kosher


A 18 de Dezembro de 2012, já em vésperas de se deslocar ao DCIAP para ser inquirido (como arguido?) que Ricardo Salgado terá feito a última rectificação às Finanças, que levou a uma nova liquidação no seu IRS de 2011 no valor de 1,3 milhões de euros. Portanto, contas feitas, e ao invés do declarado inicialmente, a colecta correspondente aos seus rendimentos foi superior a 4,5 milhões de euros, e não de 183 mil euros que tinha declarado inicialmente
E já agora, por simples curiosidade: e nos anos transactos?

as Privatizações do que é do Estado são um Maná para alguns Privados

No meio do alarido e da confusão das caxas jornalisticas a atenção da população entretanto condenada à austeridade (1) não liga o "incidente fiscal" da Familia Espírito Santo ao essencial: que tem a ver com os processos de privatização (2) de 21,35% da EDP, concluído no último semestre de 2011, de 40% da REN, adjudicada em Fevereiro de 2012 e de um ainda obscuro processo que tem a ver com dinheiros oriundos de Angola. "A ligação de altos quadros do BES à "Operação Monte Branco" (1) surgiu quando o DCIAP iniciou buscas à sede do BES Investimento, com o argumento de que existiam indícios da prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, tráfico de influências, corrupção e abuso de informação privilegiada. Coisa pouca para uma familia de pobretanas perseguidos das agruras da guerra que desembarcaram em Portugal tomando conta de meio Alentejo (da Comporta à herdade de Palma e às lezirias estatais do Ribatejo) ao que não seria estranho o facto de serem judeus e amigos pessoais da Casa Real de Inglaterra, o que deve ter deixado Salazar impressionadíssimo!

Os segredos da Operação Monte Branco
 
A revista “Visão” divulgou em tempo oito histórias e enigmas sobre o ex-banqueiro suíço Michel Canals e as investigações à rede internacional de branqueamento de capitais e evasão fiscal, lançando pistas para entender alguns mistérios sobre a face oculta do 'Monte Branco' (aqui

O semanário "Sol" escreveu então que a divulgação de nomes como Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi, que estarão associados ao núcleo duro da maior rede de lavagem de dinheiro a operar em Portugal, “foram um revés e obrigou a redefinir a estratégia de investigação. São os segredos da teia que lava milhões: a rede tinha Duarte Lima como cliente e serviu para lavar fortunas de governantes, autarcas, banqueiros, empresários e atletas famosos. Os tentáculos da rede encabeçada pelo suíço Michel Canals chegam entretanto a Angola(aqui

No artigo em epigrafe a revista Visão afirmava que aqueles banqueiros estão de facto a ser investigados e chegaram a estar sob escuta “por terem relações privilegiadas com o poder politico, nomeadamente com elementos dos governos”. Sendo os seus verdadeiros patrões, como haveriam de não ter?.
A linha de investigação foi, aliás "já reequacionada por forma a ultrapassar esta adversidade", avançaram fontes próximas do processo. "E, através do tráfico de influências, (os arguidos) conseguiram que um elemento com acesso ao processo (?) provocasse uma fuga de informação com o intuito de boicotar a investigação", acrescenta-se. Para os investigadores, esta não é a primeira vez que se usa "tal expediente" e recordam que o mesmo aconteceu 15 dias antes da prisão do antigo deputado Domingos Duarte Lima, quando a mesma revista anunciou a sua detenção. Na altura, "no momento da busca à casa do arguido foram encontrados dossiês vazios - sinal de que Duarte Lima, avisado, se livrara de provas que o comprometiam". (aqui).

Ou seja, conhecendo-se o que se conhece sobre o estado da falta de justiça para os pobres, o Estado português, na qualidade de representante dos contribuintes portugueses, poderá ascender a um êxtase de felicidade se estes figurões não vierem a intentar uma acção judicial contra o Fisco com os respectivos pedidos de indemnizações por difamação

relacionado:
(1) Portugal terá mais 20 anos de consolidação orçamental 
(2) Maná: Grupo BES financia operação da ANA para reduzir défice do Estado 
(3) a ocupação Bancária da Politica é uma Declaração de Guerra Financeira contra a Humanidade  
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quarta-feira, janeiro 09, 2013

Estado precisa de mais dinheiro. Adivinhe quem é que consegue fugir ao Fisco?

No caso das grandes companhias multinacionais (corporate trusts) a fuga ao pagamento de impostos pode ter uma opacidade quase total, na medida em que as leis dos territórios onde tal se pratica (1) impedem os mandatários de informar quem quer que seja dos nomes dos verdadeiros proprietários das fortunas fugidas ao fisco.

















A possibilidade de pulverização desses grandes monopólios numa imensidade de pequenas empresas subsidiárias, a criação e registo de empresas fictícias, são utilizadas apenas para colocar barreiras opacas entre os proprietários dos dinheiros que procuram refúgio e as autoridades fiscais dos países lesados pela evasão fiscal. Os Estados onde na verdade operam essas companhias deixam de facto de receber importantes volumes de dinheiro indispensáveis para sustentar as despesas assumidas pelos contratos sociais. É por isso, e apenas por isso, que os Governos comprometidos com a fraude (2) dizem que “não há dinheiro”!

Cobrar impostos sobre os lucros dos contribuintes à razão de 2% ou 3% chegaria e ainda sobrava para custear as despesas do Orçamento e ficar com muito boas possibilidades soberanas de legislar explicitamente de modo a atrair capitais de investimento e criar empregos em detrimento de outros países concorrentes. O problema porém é que a concorrência está desviada para o conflito latente entre o Estado e as Grandes Empresas. Muitos pensam os Estados como sendo “entidades neutras” (3), mas não é assim que as coisas se passam. Há uma igualdade de oportunidades construída entre as empresas como entidades detentoras do poder económico e os Estados fracos que se deixam instrumentalizar politicamente por essas corporações. Quando tal acontece, um dos efeitos colaterais é a explosão da dívida pública; e os países mediamente desenvolvidos como Portugal predispõem-se a saquear impostos de 30% ou mais sobre tudo o que mexe nas actividades económicas das classes médias ou 45% de IRS sobre as pequenas empresas. O objectivo é destruir o tecido empresarial intermédio existente para beneficio no futuro dessas grandes companhias multinacionais (4). Enquanto isso, os multimilionários que actuam globalmente desviaram mais de 21 triliões para paraísos fiscais, um valor em riqueza escondida que, segundo este relatório, é muito maior do que se pensava.


(1) Como se disse já aqui, é erróneo usar o termo Off-Shores cada um deles avulso per si e no plural como se apenas de paradisíacas ilhas se tratassem. O termo correcto, desfazendo a confusão entre o inglês “Heaven” (Céu) e Haven (Refúgio) não é “Paraiso Fiscal” mas sim zonas de “Refúgio Fiscal”. O “que existe de facto é um Sistema Off-Shore único. Os territórios que proporcionam fugas aos Fiscos nacionais estão por todo o lado, nas fronteiras dos Estados onde se exercem a maioria das actividades produtivas: na Europa o clássico exemplo da Confederação de Cantões Suiços, o Liechtenstein, o Luxemburgo, Andorra, Mónaco, Sam Marino, Chipre, Malta, Madeira, Jersey, Holanda, Áustria, Gibraltar, etc. etc.

Nos Estados Unidos qualquer estrangeiro não residente pode comprar títulos de empresas e registá-las no Estado do Delaware sem ter de pagar impostos. Mais de 60% das 500 maiores empresas dos EUA têm ali registada a sua sede. Só num andar do nº 1209 da North Street em Wilmington estão registadas 6500 empresas, um sistema literalmente importado no caso relatado da célebre suite 605 no Funchal. Nas ilhas Caiman só numa morada estão registadas nada mais nada menos que 217.000 empresas. É assim por todo o lado. Grandes corporações na área financeira providenciam serviços de domiciliação de contas, sem que os titulares tenham de se deslocar dos locais onde exercem as suas actividades: o Citigroup, o Deutsche Bank, o banco Mellon of New York, o Wells Fargo, o One Investment Group, o BNP Paribas, o BES, Santander, etc.

(2) É famosa a citação do antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Denis MacShane do Partido Trabalhista do Reino Unido: “Quando eu era ministro, critiquei o sigilo bancário na União Europeia, num seminário em que estava o meu equivalente do Luxemburgo. Ele virou-se e delicadamente perguntou: “Alguma vez examinou a Lei do Reino Unido sobre os Trusts? Todos os nossos banqueiros e advogados fiscalistas dizem que se você quiser realmente, se quiser mesmo, esconder dinheiro, que vá até à City de Londres e organize um Trust”

(3) o “Estadoé a instituição que garante a propriedade privada em favor das classes dominantes i.e. a burguesia que detém os meios de produção, a caminho de consolidar o monopólio global dos grandes meios de circulação e distribuição. O “Estado” não existiu sempre, nem existirá para sempre, estando actualmente em declínio devido à ascenção dos diversos poderes supranacionais que o sobrelevam (ver: a Concepção Marxista do Estado)

(4) O modus operandi da expansão global das Corporate Trusts, vulgo empresas Multinacionais, é definido como sendo a de instituições do Direito consuetudinário inglês, herdadas dos tempos das Cruzadas, e que implicam apenas um contrato entre duas partes (o mandante e o mandatário), não precisando sequer esse contrato de ser registado, embora possa ser invocado em tribunal. Quase todos os refúgios fiscais dispõem de um sofisticado sector de “mandatários” (sociedades de advogados) que actuam como testas-de-ferro para aumentar a opacidade e esconder os dinheiros fugidos ao fisco. Assim, ao abrigo das falhas de legislação que permitem transferências financeiras isentas de impostos, o mandatário na filial esconde os lucros offshore, o mandante declara prejuizos no local onde os impostos são mais altos. É uma esperteza saloia para captar mais dinheiro para os accionistas privados que é roubado aos contribuintes

(5) "Pingo Doce pagou 150 milhões aos accionistas em dividendos extraordinários decididos no último dia do ano"

Citações adaptadas de "O Escândalo da Dívida e o Sistema Mundial Offshore" de Guilherme da Fonseca-Statter, Ediç. "Página a Página", Agosto de 2012)
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