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sexta-feira, julho 29, 2005

Tolerância Zero

Suspeito de assalto em Winsconsin é baleado no peito pela polícia norte-americana: a política de atirar primeiro, e só fazer perguntas depois.

O pânico já se tinha espalhado através da Europa em torno da problemática da ‘‘violência urbana’’ e da ‘‘delinqüência dos jovens’’, que ameaçariam a integridade das sociedades desenvolvidas,,, a acrescentar a isso temos agora a encenação política da ‘‘segurança’’ já com muito pouco rigor cientifico, a avaliar pela quantidade de extremistas que por esses foruns afora, estão desejosos de limpar o sêbo às subclasses de "pretos" e "terroristas".
Ninguem estranhará que este modus operandi do "somos todos suspeitos" sobre Segurança e limitação de liberdades passe a letra de Lei, tal como tem vindo a acontecer nos EUA com a revisão do "patriotic act".

(* leia mais, sobre o desenvolvimento do tema Aqui)
* ou aprofunde-se sociológicamente o debate sobre o modo como conservadores e liberais nos Estados Unidos, França e Brasil, divergem na forma de tratar do problema das "underclasses" de excluidos - Aqui
* Vitimas de Terrorismo de Estado: Se tiver pressa e não fôr branco, não seja parvo!, não se ponha a correr

quinta-feira, julho 28, 2005

In G.O.D. (Gold, Oil, Drugs) We Trust

“Confiamos em Deus” é um trocadilho que em inglês corresponde a confiar nas iniciais de Ouro,Petróleo e Drogas. Estes slogans bombásticos são normalmente associados a alaridos “esquerdistas”. No entanto, no artigo “O Império da Droga Bush-Cheney” devidamente fundamentado em fontes mencionadas, o americano Michael C. Ruppert demonstra as ligações e a ascenção desta Administração por meio do controlo de uma rede global de drogas operada a partir da empresa Brown&Root (B&R) a principal subsidiária da hiper-conhecida Halliburton, dirigida desde 1995 por Richard Cheney o actual vice-Presidente.
Um relatório do ano 2000 do “Center for Public Integrity” CPI (www.public-i.org) sugere abertamente que tudo começou pelo dinheiro proveniente do tráfico de droga, como modo de financiamento via Wall Street das “operações especiais” da B&R servindo como interface das grandes Companhias que têm relação directa com as Forças Armadas e fornecem cobertura às actividades secretas da CIA, através dos seus 20 mil empregados em mais de 100 paises.
Onde haja guerra ou insurreição, petróleo ou droga, lá está a Brown&Root. Da Bósnia e do Kosovo à Tetchénia, Ruanda, Birmânia, Paquistão, Laos, Vietname, Indonésia, Irão, Líbia, México e Colômbia, as operações tradicionais da Empresa passam num ápice das aparentes construções vulgares de armazenamento comercial ao apoio logistico das tropas dos EUA, verificando-se afinal serem depósitos de uniformes, rações e viaturas militares e toda a panóplia tecnológica usada nas agressões americanas.
Este segredo de polichinelo é tão evidente que em Agosto de 2000 o Austin Chronicle apontava em editorial o candidato republicano Cheney de o “candidato da Brown&Root”.
A B&R e as suas joint-ventures podem fabricar equipamentos petroliferos, furar poços, construir e operar tudo, desde portos e pipelines a auto-estradas e reactores nucleares. Pode treinar e armar forças de segurança e tambem alimentar, abastecer e alojar exércitos.

Para a compreensão do sistema politico operativo capaz de explicar teóricamente o que se acaba de descrever, basta ler um fabuloso artigo de Christian de Brie e Jean Maillard publicado no “Le Monde Diplomatique” de Abril de 2000 que podia ser intitulado:

Crime, a Maior Empresa Livre do Mundo
“Ao permitir ao Capital fluir sem controlo de um extremo a outro do mundo, a globalização e o abandono da soberania alimentaram o crescimento explosivo de um mercado financeiro à margem da Lei.
É um sistema coerente estreitamente ligado à expansão do capitalismo moderno e que se baseia na associação de três parceiros: Governos, Empresas transnacionais e Máfias. Negócio é negócio: o crime financeiro é antes de mais um mercado, florescente e estruturado, governado pela oferta e pela procura. A cumplicidade do alto negócio e a tolerância politica é o único meio pelo qual o crime organizado em larga escala pode proceder à lavagem e reciclagem dos lucros fabulosos da sua actividade. E as Multinacionais precisam do apoio dos Governos e da neutralidade das entidades reguladoras a fim de consolidar as suas posições, aumentar os seus lucros, enfrentar e esmagar os concorrentes, levar por diante o “negócio do século” e financiar as suas operações ilicitas. Os politicos são directamente envolvidos e a sua capacidade de intervenção depende da protecção e do financiamento que os mantém no Poder.
Este conluio de interesses é uma parte essencial da economia mundial, o lubrificante que faz rodar as engrenagens do Capitalismo”.

É nesta perspectiva que devem ser analisados os episódios em curso da construção contra o senso comum da OTA e do TGV (quando ainda ninguem sequer explicou tampouco como foi gasto o dinheiro da suposta modernização da linha do Norte para o comboio Pendular,que demora exactamente o mesmo tempo de percurso que demorava antes do dinheiro ser gasto), ou a negociata da permuta fraudulenta dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular tendo como pano de fundo a especulação Imobiliária e o enriquecimento ílicito dos governantes envolvidos nas decisões (a troupe demagogo-compulsiva de Santana Lopes), ou ainda,,, a repescagem do famigerado Siresp por António Costa, suspenso desde o escândalo que foi o conhecimento da sua adjudicação milionária por membros do Governo às suas próprias empresas (Daniel Sanches, "puppet" de Dias Loureiro), quando já eram apenas governo de Gestão. Como se vê, pelo pequeno pormenor em que muitos começam já a reparar do PS ser igual ao PSD, os projectos “saem” de cena pela porta pequena da indignação pública, para reentrarem pela outra porta grande das traseiras da indiferença e da impotência dos cidadãos.
Este é o Regime em perigo que o patriarca Mário Soares in-extremis quer salvar do descrédito total, de cujo princípio ele foi o principal simbolo e responsável. Não irei ao seu funeral. Mas para a festa do colapso do Regime já mandei engomar o fatinho anti-capitalista. Sem gravata!
“Nada nos fará desviar do legitimo direito de decidir sobre o mandato que nos foi confiado pelo eleitorado” discursava hoje o Ministro dos assuntos Parlamentares ao mesmo tempo que as galerias da Assembleia da República eram mandadas evacuar por os sindicatos (PSP incluida!) exibirem faixas com a expressão”Não nos Roubem”, colocando justamente em causa essa “legitimidade”.

Hoje os bárbaros mascaram-se de civilizados.

Com a devida vénia ao "Resistir.Info"
o "civilizado", em primeiro plano, coberto de tatuagens, é um mercenário que actua no Iraque. Esta piscina num antigo palácio presidencial destina-se agora às tropas americanas e aos seus empreiteiros (contractors)

É bárbaro assassinar 52 civis em Londres, mas será civilizado matar 100 mil civis no Iraque? Pois este é o número de civis que morreram ali desde Março de 2003, devido à ocupação anglo-americana segundo estudo da Johns Hopkins University.
Continue a ler o artigo de Chandra Muzaffar publicado no "Teheran Times", traduzido - Aqui

quarta-feira, julho 27, 2005

o efeito CNN - a desinformação-espectáculo



Vale a pena ler o artigo sub-intitulado "Observações sobre a Máquina de Mentir", publicado no blogue "Grano de Arena" da ATTAC, que transcrevi para aqui (em espanhol), para se compreender como o jornalismo corporativo de hoje tem responsabilidades na desintelectualização da Informação sendo a principal arma no bombardeamento pelo excesso de informação que não deixa respirar as opiniões públicas das mentiras sistematizadas, levando-as ao consentimento tácito por inanidade, destas politicas de interesses igualmente corporativos destes governantes. Particular destaque merece esta passagem, por analogia com a situação actual:
"Não estamos perante um programa de informação,mas sim de propaganda, comparável ao do doutor Goebbels no III Reich ao anunciar que o Incêndio do Reichstag era responsabilidade de terroristas estranjeiros e exigía Leis de excepção para salvar a democracia"

"The European Dream"

O chamado “Sonho Americano” deixou de ser o sonho da Humanidade em geral.
Em “O Sonho Europeu” (ainda não traduzido entre nós), Jeremy Rifkin desconstrói o mito de que os europeus terão de adoptar o modelo americano ou perecer como potência com influência mundial, ou seja, trata-se no interesse dos próprios Estados Unidos como superpotência, de nos impôr a todos o modelo imperialista “live-to-work” (Viver para Trabalhar) em detrimento do modelo da velha Europa social humanista onde se trabalha para viver (Work-to-Live), uma vez que, na estratégia da nova óptica de dominação anglo-saxónica, seria (é) insustentável o igual desenvolvimento de todos aquém e além Atlântico sem pôr em causa o “estatuto de vida consumista americano”, ao qual a Europa como Unidade Politica se vinha a impôr como sério concorrente.
Nestes tempos tumultuosos a estratégia visível que transparece com epicentro na Grã-Bretanha, é a todos os níveis a de destruir essa concorrência.

O desafio europeu de Rifkin, em face do inevitável declínio do Império, ilumina-nos o caminho para uma nova Idade de Inclusão Social, Diversidade Politica, Qualidade de Vida, Sustentabilidade, Direitos Humanos, Direitos da Natureza e Paz generalizada em todo o Planeta.
É este o “Sonho Europeu” que passou a ser o sonho da Humanidade em geral.
Estamos portanto longe do “Fim da História” de Fukuyama, cujo conteúdo Jeremy Rifkin, ao equacionar esta problemática, torna profundamente obsoleto, além de ser vísivel a evidência de que os Europeus jamais aceitarão a ausência de protecção social própria do sistema americano.
A estas considerações subsistirão porém, infelizmente, os alucinados incondicionais pró-modelo-americano, que não se deram ainda conta que o sonho virou pesadelo.
Senão atente-se no excelente artigo “a América em Números - Nº1?” de Michael Ventura publicado no “Austin Chronicle” em 16/6/2005 (original aqui)
Diz ele:
“Nenhum conceito engana de forma tão firmemente o nosso carácter nacional como a noção de que os Estados Unidos são o Nº1. Se alguem afirmar o contrário é certo que se suicida politicamente. Aliás se alguem o fizer passa a ser marcado pelo ferrete de anti-americano. Somos um Império, não somos?, concerteza que somos!.
Um Império sem base de Produção. Um Império que precisa pedir emprestado US$2 biliões de dólares por dia aos seus competidores para poder funcionar. Apesar da desilusão que possam sentir observem bem o país em que vivemos:
- Os Estados Unidos, na lista de países, estão em 49º lugar em Literacia
- Entre 40 paises ocupam o 28º lugar em Matemática
- 20% de americanos pensam que o Sol anda à volta da Terra.
- Os nossos trabalhadores são tão básicos nas suas habilitações primárias que os Empregadores precisam de gastar US$30 biliões por ano em acções de formação de recurso.
- Os graduados estrangeiros nas nossas Universidades deminuiram 28% o ano passado, ao mesmo tempo que aumentaram na Europa e na China.
- a Organização Mundial de Saúde coloca os EUA em 37ª posição na prestação de cuidados médicos. A ironia é que somos os que gastamos mais per capita em Saúde. A falta de seguro de saúde mata todos os anos 18 mil pessoas desnecessariamente.
- a Pobreza infantil coloca os Estados Unidos em 22º lugar entre os países desenvolvidos, atrás do México (desculpem-nos, o México é um país desenvolvido?)
- 12 milhões de famílias lutam na fronteira da pobreza para se conseguirem auto-alimentar, e 3,9 milhões passam declaradamente fome.
- 41º lugar no Mundo em Mortalidade Infantil, bem atrás de Cuba que tem uma das menores taxas mundiais.
- As mulheres morrem mais 70% de parto, do que na Europa.
- A maior causa de morte de mulheres grávidas nos EUA é o assassínio.
- Os americanos trabalham o maior número de horas por ano, entre todos os países industrializados.
- 61 Companhias das 140 maiores no ranking de 500 (Fortune) são europeias e apenas 50 são americanas.Em produtividade as 50 melhores são todas europeias.
- 14 dos 20 maiores Bancos são europeus.
- Na Indústria Química a líder mundial BASF e outras 3 Empresas de topo são europeias.
- Em Engenharia e Construção 3 das 6 maiores são europeias
- Na Alimentação a Nestlé e a Unilever são as duas maiores e no Retalho do Top-Tem apenas 4 são americanas.
- Ao EUA perderam 1,3 milhões de empregos só nos que foram deslocalizados para a China em 2004.
- Os Empregadores eliminaram 1 milhão de empregos no ano passado.
- 3,6 milhões de desempregados não tinham subsidio de desemprego no ano passado.
- 1,8 milhões (1 em cada 5) estavam desempregados à mais de 6 meses.
- China, Japão Taiwan e Coreia do Sul detinham 40% dos fundos da Dívida só do Governo USA.
- A China está a sustentar a continuação do crescimento da bolha Imobiliária, através de Investimentos concertados, por forma a que estes valores possam ser trocados pelas quinquilharias que fabricam.
- O Brasil ultrapassará brevemente os EUA como o maior produtor Agrícola e em Pecuária, obtendo um excedente comercial em US$ 30 biliões em detrimento do Défice americano.
- Metade das crianças americanas vivem em casas de pais separados
- Os americanos actualmente gastam mais dinheiro em Jogo nos Casinos do que em Livros,Música,Cinema e Vídeo/DVD juntos.
- 1 em cada 4 acreditam que usar a Violência para obter aquilo que querem, é aceitável.
- 42% pensam que a Tortura sobre presos se justifica (Pew Poll-Assoc. Press 19/8/2004)
- 900 mil crianças foram abusadas ou abandonadas no último ano.
- A Associação dos Chefes de Policia diz que os cortes orçamentais de Bush às esquadras locais deixou a nação mais vulnerável do que nunca.
- Bush: 62.027.582 votos – Kerry: 59.026.003 votos – Número de votos de potenciais eleitores que não foram considerados: 79.279.000 – Se 1/3 dos eleitores no Iraque não tivessem votado a Eleição não teria sido considerado legítima.
Ainda alguem acha que a América é a nº 1?
Somos o nº 1 apenas em,,, Armamento, gastos em Consumo, Défice e claro,,, em Desilusão!”

terça-feira, julho 26, 2005

Se está pelos cabelos com o “ganhe como eu” do Mourinho e do seu patrão Ulrich do BPI (268 milhões de euros de lucro em 6 meses, um aumento de 22%) que sugeriu cortar 10% do ordenado dos portugueses para reequilibrar o bluf-défice das Finanças do país,,,
Se não acredita que desde que aumentou o IVA está tudo mais barato, a avaliar pelas campanhas de devolução do imposto nas compras dos supermercados, nos prémios de oferta de automóveis se pagar as prestações da casa, etc,,, Se quer esquecer se este governo é o outro antes deste ou vice-versa,,, se quer desopilar destas melgas todas,,,

,,,rume a Sines, onde para alem das sopinhas da Dona Edite na tasca de bancos corridos e fachada branca com barras azuis bem à alentejana, mesmo em frente ao Castelo, a partir da próxima Quinta-feira dia 28, temos o:
Festival de Músicas do Mundo
Quinta-feira, 21 Horas – a nossa Cristina Branco em conjunto com a Brigada Victor Jara e o grupo Segue-me à CapelaLjiljana Buttler & Mostar Sevdah Reunion a alma muçulmana da Bósnia – o casal de invisuais (tipo RayCharles/StevieWonder) Amadou&Miriam com funk-jazz do Mali,,, e depois para abanar o capacete na praia até ás tantas a banda eléctrica Cigana da Roménia Mahala Rai Banda.
Sexta-feira – 18,30 Lula Pena: a canção profunda da terra portuguesa (Pasion de Rodrigo Leão) – 21,30 H - Marc Ribot & The Young Philadelphians, jazz,rock e soul popular norte-americano – Astrid Hadad, a diva kitsch pós-moderna do México – e a fechar a flauta do brasileiro aplaudido no Village de NY por Miles Davis: Hermeto Pascoal,,,E para abrir na praia,,, da Guiné Conakri, o grupo Ba Cissoko os inventores do Kora-Rock
Sábado – 19 H -os banjos dos japoneses Samurai 4 – 21,30 H - de Marrocos vem uma banda mais antiga do que os Rolling Stones, pois os Master Musicians of Jajouka e as suas percussões andam por cá há 4 mil anos – KTU um grupo de acordeãos da Finlândia – e finalmente a euforia com os ritmos celtas e os mitos druidas da tribo irlandesa Kila.
E para curtir na praia: o bombástico punk primitivo dos africanos Konono nº1

•(os preços de entrada no Castelo de Sines, são cagativos: cerca de 2 euros para ajuda da luz, e no palco da praia é mesmo à borliú)

segunda-feira, julho 25, 2005

tempos sombrios,,,Longe de Toledo

A cronista pró-judaica Esther Mucznik com acesso às páginas do “Público (22/7) faz a colagem psicológica da obra de contra-informação anti-comunista “O Zero e o Infinito” (1937) onde o “Zero” seria o indivíduo e o “Infinito” a finalidade colectiva que justificaria todos os meios, referindo-se explicitamente aos inimigos de estimação que são os Partidos Comunistas, extrapolando a partir daí que a diabolização do Islamismo é necessária na medida em que “o totalitarismo do Islão radical dispõe dos cordeiros que se oferecem em sacrifício”, sendo o fim “restabelecer o Califado Universal que converta o mundo inteiro”
A "ideia" é a dos simples: como o "comunismo" acabou é preciso fabricar outro inimigo"
Basta retornarmos à Toledo anterior à Reconquista e ao modus vivendi a que se chama Tolerância para, a mentira da “guerra das civilizações”, bem pelo contrário, nos mostrar que do convívio e do diálogo surge o enriquecimento mútuo.

Logo no início do Dom Quixote, Cervantes conta-nos como encontrou em 1577 um rapazinho a quem comprou um dia em Toledo (na rua Alcana), uns velhos escritos com caracteres árabes. Intrigado mandou-os traduzir para castelhano a um dos poucos moçárabes que ainda havia na cidade e o título era: “História de D.Quixote de La Mancha escrita por Cid Hamed Bem Engeli, historiador árabe”. Cervantes assume-se assim, apenas como “pai putativo” do livro mais lido de sempre no Ocidente.
“Shalom” (a Paz seja Contigo) diziam as tribos de Israel que vieram povoar Toledoth, a Jerusalém do Ocidente (Sepharad).
“Salam” (a Paz seja Contigo) disse Tariq ibn Ziyad (711) quando deitou mão ao enorme espólio dos saques acumulados na corte do rei visigodo Rodrigo, passando então a cidade a chamar-se “Tulaytula”. (vidé história e mapas aqui)
Os grupos cristãos que aí ficaram a viver chamavam-lhe Tulatu que significava “a alegria dos seus habitantes”. Foi assim por mais de 700 anos, em que Toledo fez a ligação entre o Oriente e o Ocidente. Os tradutores toledanos enriqueceram e permitiram a divulgação das obras clássicas gregas e latinas de Euclides, Hipócrates, Galeno, Aristóteles, até Ptolomeu. Desse acumular de conhecimento assente sobre o pacífico convívio étnico nasceu o que os cristãos viriam a chamar a “Scientia Toledana” e aqui se dirigiam peritos de toda a Europa a beber dos seus saberes, traduzindo Gerardo (de Cremona) os “Tratados de Geomancia” e o “Kitab Tabagat al-Uman” (O Livro das Gerações das Nações) que espantaram os povos de além-Pirinéus que haveriam de estar na base do Renascimento ao dar azo à fundação das Universidades de Pádua, Bolonha, e Montepellier, que prosseguiram saberes acumulados traduzidos a partir daí por monges cristãos e sábios judeus, herdados da Biblioteca de 400 mil volumes do último Rei de Toledo al-Hakem II.
Cerca do ano 1000 o rei al-Ma`mum tinha transformado a capital do Reino (al-Andaluz) numa maravilha artística e à sua volta as terras aradas em pomares perdiam-se de vista em prosperidade, melhoradas pela inovação dos sistemas de irrigação que tinham sido concebidos pelos romanos. Um grupo de sábios astrónomos, entre eles Azarquiel, publicaram as “Tábuas de Toledo” tratando do movimento dos planetas, da medição do tempo e dos eclipses, na sequência do que Ibrahim ibn Said al-Sahbi inventou e construiu o astrolábio universal. O “tratado al-Muhtazar”, um estudo sobre as crenças religiosas foi um convite à renúncia de todas as tentações que pudessem afastar do bom caminho a idade de ouro desse V século da Hégira. Toledo era então comparada à Atenas de Péricles e à Bagdad abássida de al-Mansur.
Com a campanha de“Reconquista” em 1085 (Afonso VI de Leão e Castela, ajudado pelos francos) e o confronto com as tribos berberes do norte de África, primeiro os Almorávidas e depois os Almoádas, esse mundo desabou.. Não sem que antes o rei cristão Afonso X fosse proclamado “o Sábio”. Pois,,,
Nathan um judeu refugiado em Granada evocando a lenda dos 3 anéis na ancestral gruta de Toledo, concluía: “nós judeus, cristãos e muçulmanos provimos de uma descendência comum mas encontramo-nos na impossibilidade de provar hoje em dia qual é a verdadeira fé”.
Al-Andaluz, o Islão na Península Ibérica, a civilização agrícola maioritária, dividiu-se em “taifas” e os restantes cristãos em “feudos” de reis conquistadores, que se guerrearam mutuamente, virados uns contra os outros, durante os séculos seguintes. Com as guerras, chegou a Decadência!
Como sempre, nas grandes convulsões só os pobres e os infelizes continuaram a viver na fidelidade. Em 1568 uma revolta saldava-se pela deportação em massa dos granadinos, aragoneses e valencianos e todos os restantes “mouriscos” descendentes da civilização de Toledo foram expulsos em condições horríveis - 160 mil pessoas rumaram a sul a caminho do exílio.
Granada foi tomada pelos reis católicos Fernando e Isabel em 1492, os acordos políticos de convivência inter-religiosos celebrados 400 anos antes foram quebrados e o cristianismo imposto pela força à grande massa das populações. Muitos fugiram então em defenitivo para o norte de África.
Enfim, no porto de Cádiz os Judeus embarcam abandonando Sepharad de onde são expulsos por decreto real. Na mesma época, um pouco mais abaixo, no Puerto de Santa Maria em Palos, 90 homens sob o comando do genovês Colombo contratado pelos Reis Católicos embarcam em 3 caravelas rumo a Oeste em busca de um novo caminho para as Índias.
Na senda de ouro e riquezas fáceis, a Reconquista prosseguia,,,
O “Céu de Toledo” na tela de El-Greco, (simbolicamente hoje exposta no Metropolitan Museum em Nova Iorque), escureceu, prenunciando os tempos negros da Inquisição,,,
É no Novo Mundo, que iremos reencontrar cristãos e judeus coligados, inventando um inimigo no Deus dos Árabes (Állah), para consumo das massas ignaras:
Ladies and Gentlemans, may I present to you, the only and lonely “Comandante dos Comandantes em Chefe”:

Exma Dona Esther Mucznik: Fazer a Guerra para “defender a Paz”, é o mesmo que Foder para defender a Virgindade.

* Para um aprofundamento dos temas, ler: “Toledo-Séculos XII-XIII,Muçulmanos, Cristãos e Judeus- o Saber e a Tolerância” (1991) – Colecção Memórias - Edições Terramar.
* "Para compreender o Islão" - Revista História - fasciculo de Novembro de 2003
* sitio Internet - Shaykh al-Islam

domingo, julho 24, 2005

Inventando um inimigo - Al Qaeda

* Atenção ao excelente artigo de Laurent Bonelli no LeMondeDiplomatique de Abril:
França, Grã-Bretanha e Espanha: Os suspeitos no papel de culpados - Os Serviços Secretos constroem um novo inimigo
* 108 Estados negam-se na ONU a prestar quaisquer esclarecimentos sobre Terrorismo envolvendo a Al Qaeda por não possuirem o menor indício da sua existência nos seus territórios:
www.rebelion.org
* Israel implicado no "terrorismo" Iraquiano:
www.reseauvoltaire.net
* O homem assassinado a tiro pela Policia britânica à entrada do metro em Londres era um electricista brasileiro.
De acordo com o cônsul brasileiro em Londres,, o passaporte provava que Jean Charles Menezes estava legalmente no país, ao contrário do que diziam as primeiras informações divulgadas pelos serviços de imigração britânico.
PRIMEIRO TENTARAM INCRIMINA-LO COMO TERRORISTA,,, DEPOIS PARA JUSTIFICAR A "GAFFE DA POLÍCIA" INVENTARAM A RÁBULA DO PASSAPORTE CADUCADO,,,
www.rebelion.org
* a estória contada pela Policia de que Menezes levaria vestido um colete à prova de bala e que saltou os troniquetes, também é falsa - veja versão Aqui
* Para promover os super-heróis do Bem (Bush), a propaganda norte-americana fabrica os super-heróis do Mal: (Bin Laden), depois Al-Zarkauwi,,, mas segundo uma pesquisa do jornalista romeno Vladimir Alexe, este último "super-terrorista" no Iraque, é um ex-agente da CIA - um monstro que se revoltou contra o seu próprio criador:
www.reseauvoltaire.net

sexta-feira, julho 22, 2005

Vivendo sob a égide do IV Reich

um poema de Gary Steven Corseri

No 3º Reich nós diziamos:
“Nós apenas recebemos ordens”
Hoje nós dizemos:
“Nós apenas fazemos o nosso trabalho”

No 3º Reich nós éramos anti-semitas
(odiávamos os judeus)
No 4º Reich, nós somos anti-semitas
(Odiamos os Árabes)

No 3º Reich tinhamos um ministro da propaganda
Goebbels dizia:
Se repetires uma mentira as vezes suficientes
O povo acreditará nela
No 4º Reich temos os Média Corporativos
Temos 24 horas de mentiras
Intercaladas com anúncios publicitários

No 3º Reich tinhamos o “sturm und drang”
E em “democracia” elegemos o nosso lider nacional
No 4º Reich temos o “shock and awe
E em “democracia” elegemos o nosso lider nacional

No 3º Reich tivémos o problema Polónia
E fizemos uma aliança com o comunista Estaline
No 4º Reich temos o problema Irão
E fazemos uma aliança com os terroristas no Usbequistão

No 3º Reich desprezámos os franceses
No 4º Reich deixámos de comer “french fries”
e agora comemos "freedom fries"

No 3º Reich os bons alemães não sabiam
O que se passava no campo de concentração
Do outro lado da rua
No 4º Reich os bons americanos não se preocupam
Sobre a tortura na vizinha Guantanamo

No 3º Reich éramos refens de nós mesmos
No obscuro simbolismo religioso
E pusémos Deus nos crachás dos SS
No 4º Reich somos refens de nós mesmos
No obscuro simbolismo religioso
Onde os nossos generais dizem:
“matem esses terroristas, por amor de Deus”

no 3º Reich o corpo do Fuhrer foi incinerado
no 4º Reich ele renasceu das cinzas

quinta-feira, julho 21, 2005

Ataque cerrado à Liberdade de Informação

A jornalista americana do NYT que já em 2001 no pós 11/9 tinha sido alvo de ataques com Antrax - Judith Miller - foi presa a semana passada nos Estados Unidos e o caso está a incendiar a revolta na opinião pública contra as mentiras de Bush. Debaixo de fogo está Karl Rove, aquele a quem na gíria chamam de “Bush`s Brain” “a cabecinha pensadora” do Presidente, e ideólogo da estratégia de dominação global do IV Reich - consubstanciada no documento denominado Project for a New American Century.
Os antecedentes são já muitos a começar pelos tiros de canhão americanos contra os jornalistas no Hotel Palestina em Bagdad que assassinaram o repórter espanhol José Couso e levaram à expulsão da rede de Televisão AlJazeera, episódio agora relatado no documentário “Control Room”, que culmina noutro assassinato, desta vez do repórter Tarek Ayoub da mesma cadeia de TV, durante a sangrenta chacina de Fallujah
O sargento Rumsfeld, disse na altura que a Al Jazeera “servia os interesses” e que “era um instrumento” de Saddam Hussein e dos terroristas da Al Qaeda, determinando desta forma contundente a manipulação — e a submissão — das grandes redes de TV e jornais à “informação” dada pelos Oficiais encarregados de distribuir notícias sobre as operações das tropas. São eles quem faz a História?
O Medo da prisão leva os média norte-americano à autocensura - O director do “Cleveland Plain Dealer”, Doug Clifton, decidiu não publicar duas investigações jornalísticas da “maior importância” porque o trabalho se baseia em documentos obtidos de forma ilícita e receia vir a enfrentar uma pena de prisão, como sucedeu com Judith Miller, a repórter do “New York Times” que se recusou a revelar as suas fontes.O problema é que Karl Rove incorreu no mesmo "crime"!!!

Ao revelar igualmente segredos sobre a agente da CIA Valerie Plame, tal e qual como foi acusada a jornalista condenada, irá tambem Karl Rove bater com os costados na prisão?
A questão faz capa da “Time” e da “Newsweek” e faz crescer o número de militantes anti-Bush nas ruas e em milhares de sites na Internet.
A crise em larga escala está instalada e os Neocons cerram fileiras em redor da “vítima”: - o falcão John Bolton MENTIU ao Congresso tentando esconder o envolvimento de Rove no fiasco da caso do “Urânio nigeriano”
a cada vez mais reduzida metade da pátria-fascista americana, aguarda amedrontada o desfecho do caso, neste dia 21 do mês de Julho do ano 105º da graça americana do Senhor Jesus.
os autocolantes continuam à venda

mas são cada vez menos os clientes que compram.
No nevoeiro censório de Londres, Blair explica-se em apenas uma linha: "O incitamento indirecto à realização de actos terroristas vai passar a ser crime" e a lei entra em vigor antes do fim do ano.Estaremos sujeitos a prisão por denunciarmos o terrorismo de Estado?

quarta-feira, julho 20, 2005

“Colisão” (Crash)

Completamente despercebido está em exibição esta semana nos cinemas o melhor filme do ano.


O filme estreia de Paul Haggis, o argumentista de "Million Dollar Baby” é uma fábula urbana baseada num mosaico de personagens que vivem na América cosmopolita multiracial (brancos, negros, sul-americanos, chineses, iranianos, enfim: o melting-pot americano) - Uma dona de casa e o seu marido advogado estatal, um persa dono de uma loja, dois polícias detectives que são também amantes, um director de televisão afro-americano e a sua mulher, um mexicano serralheiro, dois ladrões de automóveis, um polícia recruta, um casal coreano de meia idade… Todos vivem em Los Angeles. E durante as próximas 36 horas, irão entrar em rota de colisão,,,
O roubo do carro do próprio Haggis serviu de inspiração para o guião de “Colisão” - Jean e Rick Cabot (Sandra Bullock e Brendan Frasier) estão no carro, quando são expulsos sob ameaça de arma por dois negros, Anthony e Peter (Ludracris e Larenz Tate) que, minutos antes, tínhamos visto dissertar sobre a injustiça do estigma racial. O roubo impulsiona um desencadear de acontecimentos e coincidências que envolvem as vidas de um conjunto de pessoas que representam a mescla de nacionalidades e culturas da cidade de Los Angeles e o filme fala-nos “dos medos, das emoções e da linguagem dos discursos oficiais como fonte de opacidade e de logro, e da vida como um perigoso jogo de interpretações que, num segundo, pode transformar um homem bom num assassino e um vilão num herói” (VSM/JL). O espectáculo do mundo está feio!,,, neste tempo de máscaras e de náufragos, onde a febre que se instalou em Washington é ameaçadora, pretendendo dar a entender que são eles quem controla a corrente que os arrasta.
* A Critica de João Lopes e outras - Aqui

Inventarrastão - a PSP nega "arrastão" de Carcavelos



Não há uma segunda oportunidade para uma primeira impressão.
Nos obscuros cantinhos dos jornais publicam-se agora os formais desmentidos aos pretensos acontecimentos de Carcavelos, que visaram de forma orquestrada, envolvendo principalmente as televisões, criar um clima de agitação racista e xenófobo em Portugal. Depois do video de Diana Andringa e da publicação do pedido para a manifestação no Martim Moniz feito ele próprio feito por um agente da PSP e por outro cadastrado envolvido no assassinato do agente Alcino na Amadora, o que é contrário à lei em vigor e evidencia uma promiscuidade alarmante nas relações entre sectores xenófobos extremistas e os orgãos que deveriam zelar pela isenção da Justiça, a tese do "arrastão cai por terra, não sem que para a opinião pública a verdade dos factos seja ainda a primeira versão dos acontecimentos.
«Muitos jovens que apareceram em imagens televisivas e fotográficas a correr na praia de Carcavelos, naquele dia, não eram assaltantes, mas tão só jovens que fugiam com os seus próprios haveres», disse ao Expresso o responsável da Direcção Nacional da PSP, para logo de seguida ficar engasgado com o "aproveitamento politico" do desmentido.


clique na imagem para ampliar

* Entretanto, o desmentido não impediu que tarefeiros do Bloco Central como Nicolau Santos tivessem já tentado "assassinar" os partidos de esquerda - Aqui

terça-feira, julho 19, 2005

Envio de tropas para o Afeganistão em defesa do Narco-Imperialismo?

Portugal faz parte activa da cadeia de apoio aos Neocons de Bush, reforçada após a Cimeira das Lages, na ocupação ilegal de territórios, nomeadamente no envio de tropas para defender o regime afegão do Presidente-Marioneta Hamid Karzai da crescente guerrilha anti-ocupação americana.
Hoje partiram os primeiros militares e para Agosto está previsto o início da missão de uma companhia de comandos do Exército, com 151 militares, que constituirão uma Força de Reacção Rápida da Brigada Multinacional de Cabul.
Em simultâneo o 1º ministro australiano John Howard anunciou igualmente o envio de tropas para o Afeganistão.

Desde a invasão do país, o Afeganistão forneceu 87% da produção mundial do ópio, segundo informou a ONU através do relatório acabado de ser tornado público e da autoria da Agência das Nações Unidas contra a droga e o crime (ONVDC).
Pode-se também ficar a saber que a área cultivada onde é possível a produção de ópio (com o qual se fabrica a heroína) aumentou 62% em 2004, alcançando o valor, até aqui desconhecido, de 130.000 hectares de superfície de cultivo.
Recorde-se que o governo dos Talibans tinha acabado com a cultura do ópio em 2001, que foi retomada e se encontra em franca expansão com a invasão e a ocupação do território pelo exército norte-americano.

sobre o 11/9, Guerra, AlQaeda, Afeganistão, Drogas, Petróleo, Iraque, Bush/Cheney, e Osama Bin Laden:


* Bloco de Esquerda exige regresso de forças portuguesas do Afeganistão
* Mais noticias e pormenores relacionados - Aqui

segunda-feira, julho 18, 2005

o negócio da vida de PSL



O negócio da troca dos terrenos do Parque Mayer pelos da Feira Popular (Lisboa) é hoje alvo de uma acusação demolidora na pág. 6 do jornal o Público,em artigo de opinião da autoria do advogado José Sá Fernandes:

"As opções da CML concretizadas a 5 de Julho - escritura de permuta entre o Parque Mayer e metade dos terrenos dos terrenos da Feira Popular, e a venda em hasta pública, da restante metade, a 15 de Julho - são verdadeiramente ruinosas, prejudicando os lisboetas e os portugueses em dezenas de milhões de euros", afirmou o advogado José Sá Fernandes
Carmona Rodrigues que foi durante quatro anos fiel lacaio das asneiras de Santana Lopes,com a maior desvergonha, branquei-a-se a si próprio como se não fosse nada com ele - é do pior que a politica portuguesa nos dá - a total ausência de seriedade.
"A Comissão da Hasta Pública dos terrenos da Feira Popular permitiu que as duas propostas mais elevadas (mais de sete millhões de euros acima da imediatamente inferior!) fossem retiradas, fazendo lembrar os cambões mais ordinários em que o país, infelizmente, é fértil". * continue a ler, aqui...

domingo, julho 17, 2005

O Fim das Fronteiras Ideológicas

Os princípios de conservação e de degradação da Energia, a teoria darwinista da Evolução e a crítica Marxista da Economia Politica arruinaram o modelo clássico de Newton. As ciências da transformação já não falam hoje de certezas pré-determinadas, mas sim de probabilidades, de opções e de bifurcação.
Uma nova maneira de pensar os processos de transformação ultrapassa sem excluir a antiga concepção da causalidade: as causas mecânicas e as contigências probabilísticas combinam-se sem se excluírem, libertando-se das interpretações positivistas do pensamento de Marx e superando a oposição entre o marxismo dogmático e a concepção dialéctica.
A Física (tal como o “Comunismo”de Estado) está longe do equilíbrio e falhou o objectivo de uma Ciência (ou de uma Doutrina) UNIFICADA do Devir.
Confrontam-se com a instabilidade e o desequilíbrio, os movimentos aperiódicos e o tempo marcado, enfim, o Estado tal como o conhecíamos e o fim das fronteiras

“Vivemos uma época em que o aleatório precede a certeza e em que a pluralidade dos futuros invade todos os sectores do conhecimento e da acção” (citado de Ilya Prigogine-“Entre o tempo e a Eternidade” c/ Isabelle Stengers)

O tempo irreversível deve poder descrever-se a todos os níveis da Física, ou não poderá conceber-se em parte alguma. Da mesma forma nada autoriza a passagem que leve da multiplicidade das questões locais a uma visão global unificada.
Tirar Marx da linearidade é escolher entre adoptar uma concepção determinista onde o importante foi a Teoria,,, e a noção de caos inicial de leis singulares que deve ter em conta a impossibilidade de antecipar o que a acção vai produzir em termos de resultado e onde o importante é a Prática,,, que é o Fazer!, ao invés de reflectir sobre aquilo que não conhecemos. Exclui-se assim o reformismo fazendo uso do aparelho de Estado, afinal um instrumento de dominação da antiga classe burguesa industrial, cujo controlo nas experiências anteriores descambaram para o despotismo burocrático.

A concepção do tempo uno e múltiplo estende-se à Natureza, que não pode ser determinada por outra coisa que não por si mesma. Autodetermina-se ela própria pelo desenvolvimento conflitual das suas forças, que são finitas aqui cabendo fazer uma pausa para relembrar a segunda lei da termodinâmica e a entropia de decrescimento que lhe está associada e que Nicholas Georgescu-Roegen pretendeu estender á Economia.
(O relatório inicial do Clube de Roma (de 1972 decorrente da conferência-The Limits to Growth) fazia uma proposta de crescimento Zero!)
Então toda a acção consciente sobre os acontecimentos será inútil quando tiver consequências imprevisíveis?
Não devemos renunciar a estabelecer as leis da história e declarar a incompreensão do mundo futuro, quando pretendemos mudá-lo. A liberdade conceptual do caos, sabêmo-lo bem por experiência própria, desemboca na apologia do Liberalismo e na desregulamentação social.
A ordem como estado de equilíbrio só pode ser o produto de uma desordem prévia, existindo longe do equilíbrio segundo leis tendenciais que determinam o caos. Da mesma forma a Lei Tendencial do Valor – o tempo de trabalho socialmente necessário à produção de uma mercadoria que tende a exprimir-se na Troca – estão na origem das leis tendenciais da baixa das taxas de Lucro de Marx descritas nos capítulos 13/14 e 15 de “o Capital” e que se confirmam hoje amplamente, com origem na insuficiência da procura, apesar da extraordinária capacidade de Produção instalada.

Como se torna evidente as leis económicas apreendidas em “o Capital” são históricas, mutáveis e modificáveis e têm de ser hoje lidas no quadro da nova divisão de trabalho, onde a complexidade se contem entre “países proletários”, “países-patrões” (G8) e países inviáveis (África, entre outros) sendo tentado essa complexidade ser gerida por uma ínfima minoria da Elite transnacional que não ultrapassa 4% da população mundial por sua vez associando “funcionários tecnocratas” que situam esta vanguarda em cerca de 20%.
Como “exército de reserva” necessário ao capitalismo “sobeja” 80% da população do planeta, que são usados ou descartados conforme as conveniências dos ciclos económicos (curtos ou longos conforme demonstram Christopher Freeman e Francisco Louçã em “Ciclos e Crises no Capitalismo Global – das Revoluções Industriais à Revolução da Informação” – Edição Afrontamento).
O objectivo da gestão privada do capital não é a criação de empregos, mas a apropriação do Lucro, que depois é re-investido sem preocupações sociais em perpetuar o sistema de manutenção dos previlégios adquiridos, quiçá aumentando-os!, até à já previsível exaustão de recursos.

A ultrapassagem do Capitalismo – Marx no século XXI - (vidé a obra de Lucien Séve)

A função original do dinheiro era medir e fazer circular as mercadorias, mas a evolução do poder do mercado Financeiro tende actualmente a dominar amplamente o poder do Estado.
Que fazer para obviar a superação das relações capitalistas da divisão de trabalho, do sistema salarial e do próprio mercado?
Trata-se de operar uma mudança cultural profunda na consciência popular, com a justaposição dos indivíduos que compõem a Sociedade em acções associativas no “interesse geral”, substituindo a noção de “interesse” pela noção de amor (no sentido ecológico mais lato)
O que deve ser “revolucionado” é: - a desmonopolização da gestão com a reapropriação cidadã dos fins da actividade social,
- o acesso social à gestão das empresas,
- a privatização do Estado, introduzindo a gratuidade como característica daquilo que é inapropriável (os recursos vitais de sobrevivência da espécie humana – o direito à saude, à educação, à habitação,a energia, a luz do sol,o ar, o amor, etc)

sexta-feira, julho 15, 2005

o BRASIL do Reformista LULA

Sob a impossibilidade de construção do Socialismo, através do controlo do aparelho de Estado submetido á rede de dominação Neoliberal global (vidé "post" acima)


www.vermelho.org.br/
Mais pormenores e desenvolvimentos - AQUI

Rentabilizando o Medo pelo controlo da Informação

O ex-comissário António Vitorino (AV) parece ser o homem de mão para zelar pela manutenção do alerta contra o "terrorismo", seja lá o que isso fôr, ou os interesses que acoberta.Os titulos nos jornais prosseguem com o alarmismo
e AV veio a terreiro afirmar ser favorável à proposta feita pelo ministro do Interior britânico de tornar obrigatório o registo e o armazenamento de comunicações, nomeadamente de telefonemas e contactos pela Internet.
É por demais evidente que a directiva vem de instâncias superiores condizentes com o nivel de ameaça global.

"A liberdade de imprensa nos Estados Unidos, exaltada orgulhosamente há séculos pelos americanos, sofreu esta semana um duro golpe: um juiz federal, em Washington, mandou uma repórter para a cadeia.
Nos tempos que correm, “o nosso trabalho é desafiar a Lei”, disse Judith Miller a jornalista do New York Times ao ser condenada a 18 meses de prisão, por se ter recusado a divulgar a fonte confidencial de uma notícia. Na verdade, as causas são outras. A fonte era Ahmad Chalabi, o ex-aliado nos interesses americanos contra Saddam Hussein,,,
,,,e o caso remonta a Julho de 2003 quando numa crónica, publicada no New York Times, se dava conta do antigo embaixador Joseph Wilson, marido de Valerie Plame , especialista em assuntos Africanos ter ido à Nigéria em 2002, a pedido da CIA, para investigar se existia um eventual tráfico nuclear com o Iraque. Wilson acusava nesse artigo a administração de George W. Bush de manipular a informação, sobre a alegada tentativa de Saddam Hussein de comprar urânio para fabricar bombas atómicas, "para exagerar a ameaça iraquiana".
O artigo da Judith Miller acabou por tornar evidente que a mulher de Wilson era agente da CIA, o que deu origem ao processo judicial contra os jornalistas envolvidos.
Matthew Cooper, da Time Magazine, tambem envolvido na divulgação do escândalo foi absolvido ao revelar a sua fonte: o poderoso falcão neocon Karl Rove, membro do triunvirato que governa a América, ao lado de Bush e do vice Dick Cheney.

quinta-feira, julho 14, 2005

Um novo Projecto de Informação Alternativa, começa no Dia da Tomada da Bastilha!
www.mrzine.monthlyreview.org/

A História não se repete?
A revolução francesa de 1789 surgiu na sequência do iluminismo francês. Em causa estavam o Antigo Regime e a autoridade do clero e da nobreza na França. Além do mais, a França passava por um período de crise econômica após anos de prosperidade. A participação francesa na guerra da independência norte-americana e os elevados custos da Corte de Luís XVI tinham deixado as finanças do país em mau estado.
A convocação de Cortes pelo rei, com o fim de anunciar o aumento dos impostos para fazer face àquelas dificuldades financeiras acabaria por desencadear a Revolução.

quarta-feira, julho 13, 2005

Sobre os 30 anos de Independência de São Tomé e Principe


questiona o blogue "Pululu", e a pergunta é pertinente: 30 anos de quê?
Nenhum pobre pode hoje ter a veleidade de ser independente sem que se torne num sem-abrigo - são conhecidas as intenções dos EUA instalarem em S.Tomé uma base militar, para o que já declararam a zona do Golfo da Guiné rica em petróleo, como de (seu) "interesse vital" e decidiram "estabelecer aí um sub- comando regional semelhante ao US Forces Korea; esse sub-comando regional deveria considerar o estabelecimento duma base regional, possivelmente nas ilhas de São Tomé e Príncipe".
Depois, (se, os paises abrangidos se portarem bem) virão as migalhas que trazem alguma melhoria económica. Concluindo: sair da miséria é perder a independência - e "lucrar" um rendimento mínimo com essa perda, só é possivel não pondo em risco a tradicional abastança de rendimento máximo dos exploradores. Para uma melhor compreensão da macroestrutura que determina os efeitos enunciados, aconselha-se vivamente a leitura do artigo de Celso Alvarez Cáccamo (2004):
"Do Iraque a São Tomé: Preparando uma longa resistência"
«A liderança global da América, e o seu papel como garantia da paz actual entre os grandes poderes, depende da segurança da pátria americana; da preservação dum equilíbrio favorável de poder na Europa, na Nação Árabe e região circundante produtora de energia (eufemisticamente chamada Médio Oriente no dialecto ocidental), no Leste asiático; e da estabilidade geral do sistema internacional dos estados nacionais relativamente aos terroristas, ao crime organizado, e a outros "actores não estatais"».
Em tempo: não estamos a falar só de interesses pontuais tácticos (eleitorais ou de hegemonia cultural), mas duma estratégia geral de colonização (num recente artigo no El País, Carlos Taibo desmonta o mito da "globalização" económica e caracteriza o processo actual como de pura americanização), envolvida, sim, numa nauseabunda retórica cristã megalómana e messiánica, comparável à dos sionistas, à dos fanáticos islâmicos ou à dos fundamentalistas hindus, mas que não é mais do que retórica. E o que conta são os factos: as armas, não as metáforas. Seria ingénuo pensar que as actuais elites industriais e as petromonarquias árabes ou outras não planificam a longo prazo o futuro das suas castas, sobretudo quando este futuro está tão próximo. Para eles, trata-se duma questão de sobrevivência.