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quarta-feira, setembro 14, 2005

As Eleições criam Politicos Corruptos, a Luta Popular cria a emancipação do Povo


"Eleição é Mensalão dos Ricos, Voto é a migalha dos Pobres"

Não se pode deixar de sorrir quando vimos a cínica entrevista-recado do ex-Presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso (FHC) na RTP2: “O problema de Lula começou mais atrás, no Congresso, com a forma de aliança que estabeleceu e a falta de uma directriz. Apoiou a mesma politica económica, e não deu avanço social” – Isto é dito pelo homem que dias antes do Partido dos Trabalhadores (PT) vencer as eleições em 2002, hipotecou o futuro do Brasil ao FMI num contrato-promessa de biliões em empréstimos que subordinou incondicionalmente o país à correia de transmissão do Neoliberalismo global. Para se compreender isso, basta acrescentar que o Ministro das Finanças de FHC que conduziu o processo, foi de imediato, mal abandonou funções no governo brasileiro, nomeado nº 2 do FMI.(o nº1 é Rodrigo Rato o ex-ministro das Finanças de Aznar) O Brasil paga hoje e desde aí, a acrescentar ao que já pagava, juros de Dívida astronómicos, que inviabilizam qualquer tomada de posição no sentido de uma emancipação nacional feita no sentido de libertar o povo das degradantes condições de miséria em que vive. Ao Brasil é no entanto proporcionado que cresça, e cresce a niveis altos com o dinheiro com que se hipotecou ao FMI, desde que, como condição obrigatória, isso contribua para a retoma do Centro Capitalista mundial – p/e o país ultrapassará em breve os Estados Unidos como o maior exportador agro-pecuário, enquanto o governo de Lula não consegue tampouco garantir uma refeição por dia a todos os brasileiros no âmbito do programa “Fome Zero”. Os Lucros desta inserção na rede de dominação global mantêm, no entanto em gritante contraste, uma élite exorbitante herdeira dos tradicionais regimes autoritários "tucanos" dos Coronéis, que criaram no Brasil uma das sociedades mais desiguais e violentas do mundo.
Toda a gente sabe disto, menos o ingénuo actor FHC, que se arroga até a dar concelhos para a saída da crise do “Mensalão” – “O PT corre o risco de se fragmentar com a falta de liderança do presidente Lula, e deve tentar agrupar os chamados moderados. José Dirceu tem capacidade de comando”. Realmente a moderação é uma caracteristica fundamental para a prossecução da exploração.Descodificando toda esta conversa de chacha, temos aqui uma situação em que alguem que é o porta voz dos interesses do FMI tenta nomear os dirigentes ideais para o Partido dos Trabalhadores (PT) – como decerto a ascenção de Lula já teria sido antes consentida e aconselhada perante as circuntâncias de uma revolta popular eminente que deitasse tudo a perder na óptica dos interesses instalados.Agora, com a previsível queda de Lula, caem também por terra as ilusões dos defensores do Reformismo, a levar a efeito lá para o dia de São Nunca.

O momento politico é agitado, após a Comissão de Ética do Congresso ter votado esta semana por unanimidade, a perda de mandato de Roberto Jefferson – o deputado que denunciou o esquema do mensalão, a compra de votos pelo PT, a troco de favores politicos. Por outro lado, o relatório das Comissões Parlamentares de Inquérito recomendou, ainda, a “cassação” de mais 17 deputados. O processo de afastamento dos parlamentares vai desenrolar-se até até Novembro, mas o presidente da Câmara, o conservador e polémico Severino Cavalcanti, fo tambem acusado de cobrar um “mensalinho” de 3,5 mil euros do concessionário de um dos restaurantes que servem os deputados. Terceiro na hierarquia do Estado, Severino – que alardeava estar pronto para assumir o lugar de Lula – passou agora de juiz a réu, embora avise que muita “gente vai dançar” com ele. Mas o escândalo não pára. Igualmente na eminência de ser destituido, o vice-presidente José Alencar deixou o Partido da Frente Liberal. Até ao fim do mês, outros 300 parlamentares deverão trocar de partido, nesta legislatura. Até o presidenciável Paulo Maluf, ameaçado de prisão, deixou o Partido Progressista, alegando “corrupção”. Os aliados abandonaram o PT, só o Partido do Movimento Democrático Brasileiro impede a oposição de pedir o impeachement de Lula. O movimento formado pelo “Grito dos Excluídos” – os “Sem Terra” e os desiludidos do Brasil que se manifestaram no Dia da Independência (7/9) prometem uma luta cerrada a Lula. Porém o golpe mais duro veio do próprio PT, do respeitado jurista Hélio Bicudo, que se destacou no combate aos esquadrões da morte no regime militar e muito respeitado no país: “Lula é mestre em esconder sujeira debaixo do tapete”. Bicudo contou à revista “Veja” que foi encarregado pelo partido em 1997, de chefiar uma comissão que investigaria um empresário, amigo de Lula, acusado de usar o nome deste para obter contratos com prefeituras administradas pelo PT. As conclusões comprovaram as denúncias, mas a direcção do partido abafou o escândalo”: o único punido foi o x-guerrilheiro Paulo de Tarso Wenceslau, que denunciou o caso.
Um dos fundadores do PT, dissidente desde a década de 90,quando este esquema de corrupção começava a ser montado, César Benjamin, secundado pelo rol de saneados à esquerda do partido mal Lula chegou ao Poder, não se inibe de afirmar: “Lula é o grande chefe da Quadrilha”!

* Paulo Jonas de Lima Piva: "Lula e Collor: tudo a ver"

* Os Media fazem passar a ideia que sem Lula não haverá PT, e este partido (desde que moderado) é vital para o controlo da democracia (deles)

terça-feira, setembro 13, 2005

"Esquerda" - "Direita", op dois, op dois,,,


Luis Cabral de Moncada, que eu, apesar de ser um alcoviteiro compulsivo, nem sequer desconfio quem seja, veio dizer em meia-página de jornal, em artigo intitulado "O tão incompreendido e maltratado liberalismo" (pobrezinho!) que “a Esquerda julga erradamente que o Liberalismo é apenas económico ou seja, que se reduz ao funcionamento do mercado livre, erro que já estava em Marx”,,,
Vamos remeter o senhor professor para a obra de George Steiner “A Lição dos Mestres” (Gradiva): “Não fui ter com o Maggid para ouvir a Tora, recorda o rabino Leib, mas para ver como é que ele desata os seus sapatos de feltro e os volta a atar”
pois,,, sem sapatos, e sem as relações de Produção que permitem o seu fabrico, andam os liberais que compram tudo já feito,,,descalços!

Relacionado: G.Steiner "A Barbárie da Ignorância"

o Antivalor (II)


Vimos antes (2/9/05), que o “Welfare State” de teorização keynesiana se constituiu no padrão de financiamento público da economia capitalista, perdida que tinha sido a sua capacidade auto-reguladora

"Quais são os serviços que o capitalista necessita do Estado? O primeiro e maior serviço que exigem é protecção contra o mercado livre. O mercado livre é o inimigo mortal da acumulação de capital. O mercado livre hipotético, tão caro às elucubrações de economistas, constituído de múltiplos vendedores e compradores, todos compartilhando perfeita informação, seria com certeza um desastre capitalista. Quem conseguiria ganhar algum dinheiro num mercado assim? O capitalista seria reduzido à renda do proletário hipotético do século XIX, vivendo do que se poderia chamar de ‘a lei de ferro dos lucros num mercado livre’, apenas o suficiente para sobreviver, e mal. Nós sabemos que não é assim que funciona, pois o mercado real nada tem de livre". Immanuel Wallerstein. (in "Após o Liberalismo")

Até aí, tinha prevalecido a teorização marxista de que a reprodução da força de trabalho era uma tendência histórica de longo prazo no sistema capitalista. A mutação americana, ao introduzir o Fundo Público como estrutural (e insusbstituivel até hoje), no capitalismo contemporâneo – alem de expulsar parte substancial dos custos da produção transferindo-os para a responsabilidade social do Estado-Previdência, estando este padrão na origem do continuado défice público nos orçamentos dos paises desenvolvidos – implodiu o Valor (de Marx) como único presssuposto da reprodução do Capital, enquanto em simultâneo alastra do Trabalho a montante (Fordismo), à exploração ao Consumo a jusante, nascendo assim aquilo a que F.Oliveira ou Robert Kurz denominam por Anti-Valor. O sistema continua sendo capitalista, enquanto explorador de Mais-Valia (trabalho não pago) e modo de produção a partir da Mercadoria fetichizada pela magia ilimitada do valor de uso. Permite ao mesmo tempo a ampliação da especulação financeira pela promoção publicitária do consumo, para valores astronómicos, ao mesmo tempo que subalterniza a Mercadoria para valores cada vez mais ínfimos, pela via da incorporação de cada vez mais Serviços nas cadeias de produção (Toyotismo)
A formação desta nova sustentação da produção e da reprodução do Valor supera temporáriamente o problema da Taxa Média de Lucro que é central para a dinâmica expansiva do Capitalismo.
A metáfora que se pode usar para explicar isto, vem da Física: o AntiValor é uma partícula de carga oposta que, no momento de colisão com a outra partícula, o Valor, produz o átomo, isto é, o novo excedente social.
Este modelo está no entanto condenado a perecer – a excessiva Produção instalada não tem correspondência no aumento sustentado do Consumo, limitando-se este a bolsas cada vez menores cercadas por campos de insolvência e miséria cada vez maiores.
(continua)

segunda-feira, setembro 12, 2005

a Europa e o Aquecimento Global

Em Portugal e Espanha temos séca extrema, enquanto na Suiça ou na Eslovénia chove torrencialmente em Agosto.

"A organização ambientalista World Wildlife Fund (WWF) levou a cabo um estudo sobre as alterações climáticas e concluiu que uma grande parte das capitais europeias regista actualmente temperaturas mais elevadas do que há alguns anos atrás. De acordo com esta associação, a poluição das centrais eléctricas é o factor que mais contribui para as alterações climatéricas qu afectam o velho continente. Por este motivo, a WWF apela á UniãoEuropeia para que estabeleça objectivos e limites às emissões de gases poluentes para a atmosfera, nomeadamente de dióxido de carbono. Este estudo, levado a cabo pela organização não governamental, envolveu 15 cidades europeias e revela que entre os anos 2000 e 2004, a média de temperaturas registadas na maioria das cidades analisadas, era pelo menos um grau mais elevada do que a registada em igual periodo da década de 70. Analisando cada caso, a WWF concluiu que uma das cidades onde se registou maior subida subida de temperatura foi Madrid. O mesmo aconteceu em Londres, que sofreu um aumento consideravel das temperaturas no pico do verão. A capital britânica registou uma média de 22,5º C nos meses deste verão, quando há 30 anos atrás não ultrapassava os 20,5º C. As cidades com menor variação foram Dublin e Copenhaga, onde as temperaturas oscilaram apenas entre 0,2 e 0,7 graus. Um estudo efectuado pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) revelou tambem que a média de temperaturas na Europa aumentou 0,8º C ao longo do século passado. Algumas previsões mais pessimistas apontam ainda para um aumento, nos próximos quatro anos, na ordem dos 0,4º C, o valor máximo previsto, com ondas de calor a afectar cada vez mais intensa e frequentemente toda a Europa. De acordo com o WWF, as centrais eléctricas são responsáveis por 39% das emissões de dióxido de carbono, na Europa, por isso, esta organização apela aos Governos para que passem a usar energias renováveis e menos poluentes, tais como o vento, a energia solar e o gás natural".
Questões:
* Estarão os lobies petróleo/governos de acordo?
* Se o problema já é conhecido desde fins do século XIX, quando Svante Arrhenius afirmou que o aumento massiço da queima de combustíveis fósseis, provocaria um aumento global da temperatura média do planeta, teoria que continuou a ser defendida por Lester Brown,,,Porquê, ainda hoje, isto é questionado?
* Tudo indica que já ultrapassámos o ponto de não retorno. As catástrofes serão cada vez mais frequentes, multiplicando-se as ocorrências em periodos cada vez mais curtos. Uma boa janela de oportunidade para os negócios empresariais à maneira neocon?, enquanto o Tratado de Kioto é encarado como "um desastre" para a Economia?
mas,O que é a Economia?

"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos, que, vendo, não vêem".
"O Requiem pela Humanidade" é uma partitura do jovem compositor Jorge Salgueiro, composta para a encenação da peça "Ensaio sobre a Cegueira" inspirada no romance homónimo de José Saramago - em cena no Teatro da Trindade, pelo Grupo de Teatro "O Bando"

domingo, setembro 11, 2005

11 de Setembro - Visão sobre as matérias não dadas - Quem beneficiou com o crime?

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dos dicionários:
Terrorismo – "acto de aterrorizar; sistema de governo que procura governar por intimidação; actos violentos cometidos fora da lei por grupos organizados pretendendo destruir governos".

O dia em que o mundo parou para ver ruir os símbolos do capitalismo norte-americano - o 11 de Setembro - foi o começo da execução do Grande Plano de Dominio do Mundo em que estão implicados os Neocons de Bush:
“A Guerra ao Terror” foi um conceito muito anterior repescado à obra do teórico Emmanuel Goldstein (1984) e onde Condoleezza Rice, em Março de 2000 se tinha igualmente inspirado para atirar o chavão “We need a common enemy to unite us". Não se trata, assim, de um caso isolado de um lunático que chegou transitoriamente ao Poder, mas sim de um Sistema em progressão, inspirado na obra daquele filósofo, “THE THEORY AND PRACTICE OF OLIGARCHICAL COLLECTIVISM” a que se veio juntar a “Guerra de Civilizações" de Samuel Huntington.
Alem da pré-falência em que se encontrava a economia,literalmente virtual, com o crash do Nasdaq, outras razões mais profundas são evidentes: o Declinio do Império Americano e o Fim da Idade do Petróleo.

"Crossing the Rubican" - Michael C. Ruppert - "The Decline of the American Empire at the End of the Age of Oil".

Para fazer face aos novos desafios, em cada época, espalhar o terror sempre foi historicamente a estratégia no caminho para a Guerra e para a Ditadura.e , no embuste em que se converteu a “guerra ao terrorismo” Bin Laden, que muitos afirmam estar já morto desde Dezembro de 2001, continua a ser acenado como fantasma, servindo os interesses do Governo Americano,encobrindo mal e porcamente os fabulosos negócios da guerra nesta perigosa aventura capitalista. Há quem não resista a fazer humor negro e afirme jocosamente que Laden, cuja família Saudita é dada como próximo da família Bush, “se escondeu na Internet”.
Óbviamente as opiniões públicas interrogam-se questionando o mundo depois do Relatório oficial da Comissão Keane sobre o 11 de Setembro, com que a Administração Bush tentou encobrir as mentiras e contradições., mas Bush impede investigações conducentes a provas, restringindo o acesso a documentos escondendo-os como informação classificada.
São evidentes as semelhanças entre o 11/9 na ascenção do IV Reich com o Incêndio do Reichtag na ascenção do III Reich.

Estará, porém, quatro anos depois, o mundo melhor?,,, quanto a “terrorismo” estamos conversados, com a sua actividade em crescendo justificando a sua escalada o aumento dos chorudos negócios do Complexo Politico Militar americano e seus Associados. No panorama de dominação global da única Superpotência, a situação está tambem longe de ser tranquila. Paul Volcker, um ex-CEO do Banco Federal Americano afirma que não vê maneira dos Estados Unidos continuarem a viver dos investimentos emprestados que fundamentam o consumo exagerado para aquilo que produzem, enquanto a maioria desses produtos é deixada à produção dos países estrangeiros. È o cenário para o que aponta ser “o eminente desastre económico americano”.
“Porque desmesurado, o projecto dos Estados Unidos está sem dúvida condenado a falir, mas decerto a um terrível preço humano. A resistência das suas vítimas irá reforçando-se e acabará por derrotar o inimigo. Seria muito melhor, todavia, que o desastre fosse detido quanto antes” avisa do lado dos mais fracos, Samir Amin.

"Para fazer coisas horriveis de forma organizada e sistemática é necessário apoiar-se na normalização" escreveu o autor de "The Banality of Evil"
A Era das encenações para os Media foi inaugurada pelo Perú de Plástico do Dia de Acção de Graças comemorado no Iraque.A partir dai a banalização da Mentira é recorrente e aceite sem grandes contestações, minimizada brejeiramente pelos comentadores oficiais. Normal portanto.
Existem no entanto, quanto ao 11/9 própriamente dito, muitas dúvidas e questões que não são veiculadas pelos Media Corporativos.
Na efeméride da data, aqui fica uma lista, não exaustiva, que destrói a credibilidade dos fait-divers com que os inefáveis comentadores dos nossos jornais de referência se divertem enquanto “ganham honestamente” o seu salário. Até o insuspeito Adelino Gomes, o mais à esquerda que se pode arranjar, desmonta as mentiras do 11/9, mas pela via da publicitação do livro “102 Minutos” que vai ser adaptado para cinema pela máquina publicitária de Hollywood, apenas pelas contradições das comunicações entre bombeiros e entre as outras vítimas em geral do WTC. Mais um passo na manipulação novelística das opiniões públicas portanto. Vejamos então outras contradições mais graves,,,
* Ver links, aqui

sábado, setembro 10, 2005

Arquitecto Fernando Távora, 1923-2005

“Faleceu Fernando Távora, decano dos arquitectos portugueses e fundador da Escola do Porto”

“Sei que o infinitamente grande é tão infinito como o infinitamente pequeno” – foi com este singelo epitáfio, escrito pelo próprio, que o Arquitecto se despediu do Porto, onde deixou Escola. Porto que, por ironia, viu recentemente emergir bem no seu coração um infinitamente gigantesco e desmesurado “monumento” ao Neoliberalismo – a Casa da Música – cujo uso é secundário, valendo-se só como principal o valor obtido com o acto da sua criação, pelos interesses imobiliários que promoveram a sua construção, que aliás suscitou a indignação geral face aos exorbitantes custos alienados em nome de uma inóqua Sociedade do Espectáculo, enfim – uma ilha de suposto virtuosismo arquitectónico no meio do mar de desordenamento do território que é o nosso país.
Fernando Távora legou-nos o principio de conciliar os desafios do modernismo com a preservação das tradições culturais das nossas construções – nomeadamente através daquilo que ele chamava o “difícil exercício de converter situações de extrema complexidade na singularidade das coisas simples” – conceito que teve aplicação prática em toda a sua obra, principalmente na notável reabilitação do Centro Histórico de Guimarães – hoje Património da Unesco.
Terá a sua Escola seguidores dispostos a preservar o seu ideal lutando contra a preversão grosseira que é a importação bacôca de modelos de “mamarrachos” de culturas estranhas?
Haverá quem se disponha a enfrentar o Capital Internacional e os seus serventuários que prevertem a nossa mais valia natural que é a Paisagem, viabilizando interesses corruptores das nossas identidades nacionais e regionais?
Infelizmente, não nos parece. O Centro de “Artes” que aterrou como autêntico ovni no centro histórico de Sines é um exemplo. Segue-se Tróia.

Relacionado:
“O Urbano e a Artificialização da Natureza” por João Craveiro

sexta-feira, setembro 09, 2005

“O Senhor das Pocilgas”

(...)"pegou na forquilha e pousou-a na prateleira.
Afasta-te Satanaz, de hoje em diante sou eu que vou mandar no Inferno".

Precisou de ser recusado por mais de 70 editoras americanas, para Tristan Egolf, que se suicidou no passado mês de Maio, ser considerado um dos maiores autores contemporâneos, ao nível de Faulkner ou Steinbeck.
Finalmente editado na Europa pela Gallimard - Egolf tinha-se expatriado em busca do american-dream e tocava agora musica no metro de Paris, quando foi descoberto – “O Senhor das Pocilgas” (trad.em versão portuguesa pela Teorema) traça a História do percurso do Homem no Mundo, fazendo a descrição desde a perseguição e morte de um mamute na Era Glaciar, até à uma caça ao porco no Midwest americano dos nossos dias.

Corroborando esta visão entrópica de degradação ecológica, Thomas Homer-Dixon pergunta, na sua obra “Teoria da Ingenuidade: Pode a Humanidade criar uma Civilização Sustentável?” se, senão quiser soçobrar perante as armadilhas de uma complexidade labiríntica, a Humanidade não necessitará urgentemente de uma vaga revolucionária de criatividade e engenho. Com efeito a crise Global do Ambiente, assente sobre o reducionismo da Ciência pós-moderna (sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos coisas), fez cair a noção de Progresso em “profunda letargia, oscilando entre a expectativa de colapso eminente e a perspectiva duma mobilização planetária capaz de fazer a transicção para uma Sociedade sustentável” (VSM)
A isso tenta responder o Movimento dos Objectores do Crescimento ( industrial, económico, financeiro), e do pós-desenvolvimento que se constituiu no seguimento da Conferência Internacional «Desfazer o desenvolvimento, refazer o mundo» realizada em Fevereiro de 2002 em Paris, com novas iniciativas programadas no horizonte
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Segundo o relatório Pnud da ONU, os 500 indivíduos mais ricos do mundo detêm um nível total de Riqueza igual ao dos 416 milhões de criaturas mais pobres. Depois de passar pela descrição dos degradados níveis de Pobreza – 900 mil crianças mortas por ano, 10 mil que por subnutrição não atingem a idade de 5 anos – o relatório conclui afirmando que “o Globo caminha a passos largos para o desastre”

Teremos atingido o ponto de não Retorno?
O teórico marxista do Sri Lanka G.V.S. de Silva apresentou um desenvolvimento adicional do conceito de barbárie. Ele argumentou que a noção tradicional marxista dos modos de produção a evoluírem do capitalismo para o socialismo e o comunismo precisava ser revista. O capitalismo não conduz necessariamente ao socialismo ou o socialismo necessariamente ao comunismo. Ao invés disso, tanto o capitalismo como o socialismo poderiam degenerar em barbárie, a qual representava uma alternativa brutal ao comunismo. A barbárie, na concepção de Silva, devia ser definida como uma sociedade baseada simultaneamente sobre: a força, o controle ideológico na escala do 1984 de Orwell, a destruição de todo o poder contrabalançador de modo a que interesses económicos possam governar directamente com um Estado mínimo; "consumo induzido de produtos inúteis" concebidos para distrair a população; e a extrema dominação da natureza em todos os seus aspectos. Na falta de uma mudança revolucionária nas dimensões qualitativas da economia global e de um fim à exploração capitalista da natureza, o espectro da barbárie continuaria a assombrar a humanidade. Assim, GVSdeSilva concluiu sinistramente: "A barbárie em um ou dois países poderosos esmagará o resto da humanidade".

quinta-feira, setembro 08, 2005

A Pedagogia dos Oprimidos - Paulo Freire



Paulo Freire e os filhos de Deus

Quando Paulo Freire estava no exílio no Chile nos anos 60, estabeleceu o seguinte diálogo com alguns camponeses:
"Depois de alguns momentos de bom debate como um grupo de camponeses o silêncio caiu sobre nós e nos envolveu a todos. O discurso de um deles foi o mesmo. A tradução exacta do discurso do camponês chileno que ouvira naquele fim da tarde.
— Muito bem — disse-lhes eu. — Eu sei. Vocês não sabem. Mas por que é que eu sei e vocês não sabem?
Aceitando o seu discurso, preparei o terreno para minha intervenção. A vivacidade brilhava em todos. De repente a curiosidade se acendeu. A resposta não tardou.
— O senhor sabe porque é doutor. Nós, não.
— Exacto, eu sou doutor. Vocês não. Mas, por que eu sou doutor e vocês não?
— Porque foi à escola?
— Porque seu pai pôde mandar o senhor à escola. O nosso, não.
— E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês à escola?
— Porque era camponês?
— É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem direitos, sem esperança de um dia melhor.
— E porque ao camponês falta tudo isso?
— Porque Deus quer.
— E quem é Deus?
— É o Pai de nós todos.
— E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase todos de mão para cima, disseram que o eram. Olhando o grupo todo em silêncio, fixei-me num deles e perguntei-lhe:
— Quantos filhos você tem?
— Três.
— Você seria capaz de sacrificar dois deles, submetendo-os a sofrimento para que o terceiro estudasse, com vida boa no Recife? Você seria capaz de amar assim?
— Não.
— Se você — disse eu —, homem de carne e osso, não é capaz de fazer uma injustiça dessa, como é possível entender que Deus o faça? Será mesmo que Deus é o fazedor dessa coisa?
Um silêncio diferente, completamente diferente do anterior, um silêncio no qual algo começava a ser partilhado. Em seguida:
— Não. Não é Deus o fazedor de tudo. É o patrão!

quarta-feira, setembro 07, 2005

Tróia - o Choque Ecológico


óleo sobre tela, xatoo2003

"A Sonae vai oferecer 8 mil binóculos à população para ver a implosão das Torres amanhã quinta-feira… o candidato do Bloco de Esquerda, João Bárbara, oferece hoje 7 de Setembro, pelas 14h00, um canudo de 4 m de comprimento ao actual Presidente da Câmara de Setúbal"
O grande acontecimento da semana é a implosão das duas torres perante milhares de pacóvios, entre eles o 1º ministro Sócrates. Está assim montado o cenário para branquear as restantes torres, como se não existissem, nem viessem a ser transformadas em resort de luxo, casinos e outras casas de mau-porte,urbanizações com caracteristicas residenciais,(semelhantes às já existentes em Soltróia) a que se acrescentarão em breve ocupações da restante costa até Melides (Herdade do Pinheirinho) por projectos megalómanos tipo algarve com dezenas de milhares de camas previstas, (p/e do BES na Comporta, já em construção) na única costa mínimamente salvaguardada da Europa.
A cereja em cima desta bosta, será um Centro Comercial no cais de embarque dos ferries, em Setúbal, um empreendimeto do Grupo Amorim, que virá arruinar o comércio tradicional de Setúbal, ao mesmo tempo que o terminal em Tróia onde desembarca a populaça será desviado para o interior do estuário do Sado, zona protegida pela existência da colónia de golfinhos roazes.
Como por aqui se vê, no Portugal do P"S", o "choque tecnológico" é sempre mais do mesmo,,,

terça-feira, setembro 06, 2005


Empresas de capitais israelitas

www.inminds.com

a mediatização do conflito israelo-árabe

"Não acredites naquilo que vês, nem julgues pelas aparências"
citação de filosofia budista
Para um aprofundamento dos temas, mais artigos, AQUI

Israel – A Terra Prometida, no meio de uma montanha de destroços


Dov Weisglass, considerado o arquitecto da operação unilateral de abandono da Faixa de Gaza, conselheiro do governo do General Ariel Sharon, 1º ministro de Israel, em entrevista ao jornal “Haaretz” em 6 de Outubro de 2004, tinha explicado a situação – “Em fins de 2003 compreendemos que estava tudo bloqueado (…) Estávamos perante uma erosão internacional e perante uma erosão interna, tudo se desmoronava, a economia encontrava-se numa situação infernal.O Tribunal Internacional de Haia tinha solicitado o desmantelamento do Muro que estava (está!) a ser construído no interior profundo da Cisjordânia. Quando surgiu o acordo de Genebra, este obteve um amplo apoio. Depois vieram as cartas dos oficiais e dos pilotos (recusando-se a prestar serviço nos territórios ocupados.Sharon decidiu então entregar Gaza, que ele nunca tinha considerado de interesse nacional, para salvar os colonatos da Cisjordânia e, mais importante ainda, para impedir qualquer acordo negociado com os Palestinianos e a discussão sobre a questão dos refugiados.. Ao congelarmos o processo de negociação previsto no Roteiro para a Paz, impedimos a criação de um Estado Palestiniano”
Efectivamente, depois de Gaza, já ninguém se lembrará do “Road Map” do padrinho americano?. A operação enganosa engendrada por Israel, de retirar 7000 colonos da destruída Faixa de Gaza, um dos territórios mais sobre-populosos do mundo, encobre a vertiginosa construção de colonatos visando a apropriação ilegal de mais de metade dos territórios da Cisjordânia, onde vivem já 240.000 colonos, entre o Muro e a linha verde de 1967. A sociedade palestiniana está a ser desmantelada.
Segundo o GCE a construção aí aumentou 83% (564 casas em 2005 contra 308 em 2004, enquanto em Israel a indústria da construção civil baixou 25%. Os licenciamentos para os Colonatos e ordens de demolição, normalmente para casas Palestinianas, neste processo de Ocupação, é supervisionado pelo sector Nacional-Religioso (Partido sionista Nacional Religioso com 15 deputados no total dos 120 da Assembleia israelita) fortemente implantado nos organismos da Administração Civil municipais e do Estado que são um Departamento do Exército(!) que por sua vez controla a Ocupação. Por exemplo desde 1998 não foram efectivadas 2500 ordens de demolição de construções ilegais nos colonatos, facilitando, segundo o relatório de Talia Sasson, a construção de mais de 110 “postos avançados” enquanto o mesmo Organismo manda destruir todos os anos cerca de 300 casas de palestinianos.
Concluindo. Gaza, um campo degradado de ruínas e grande centro de recrutamento de revoltosos, (vidé “Um território em ruínas” – por Nader Abou Dagga – Le Monde Diplomatique Agosto 2005 – traduzido no "post" em baixo) estava a custar mais a Israel do que valia. Resta todo o conflito para resolver, sem fim à vista.
Os colonos israelitas extremistas infiltrados no Exército, ameaçam com uma guerra civil, caso a desocupação venha a prosseguir. Tal ameaça levou ao afastamento nas recentes operações (que empregaram 10 soldados por cada um dos 7 mil colonos deslocados), de dois importantes regimentos – o Golani e o Givati, com comandantes militares de extrema-direita – alem de que em Israel não há sequer uma sociedade civil capaz de discutir com o exército.

segunda-feira, setembro 05, 2005

“Palestina - Um território em ruínas”

por Nader Abou Dagga – publicado no Le Monde Diplomatique Agosto 2005
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Rafah, na zona sul de Gaza
“Com o pretexto de impedir os ataques palestinianos e as infiltrações, o exército israelita criou verdadeiras no man`s lands, nelas tendo eliminado todos os obstáculos naturais ou artificiais em redor dos colonatos ao longo da fronteira. Estas destruições são levadas a cabo com buldózeres, de modo a multiplicar os destroços e a assegurar uma degradação duradoira dos terrenos agrícolas. No sul, em Rafah e no campo de refugiados que confina com a cidade, o Tsahal conduziu operações devastadoras. Foram arrasados bairros bairros inteiros no sector da zona militar que faz fronteira com o Egipto (corredor de Filadélfia), Em Rafah existem hoje 2500 famílias palestinianas sem abrigo. Em vésperas da retirada israelita da Faixa de Gaza, este território assemelha-se já a um vasto campo de ruínas (centenas de hectares de campos devastados, milhares de arvores arrancadas e habitações destruídas), situação que vai agravar-se sensivelmente após a evacuação e a destruição dos colonatos. Será nessa altura coberta de milhões de toneladas de destroços 40 por cento da superfície de uma Faixa de Gaza transformada em corpo estanque.
A imagem de satélite permite comparar a estrutura fundiária e o acesso à água dos territórios palestinianos e israelitas a sul da faixa de Gaza. As confiscações, anexações e partilhas familiares sucessivas dos proprietários palestinianos tiveram como consequência uma fragmentação do sistema de parcelas. Depois de 1967, a superfície média de uma propriedade em Gaza passou de 25 para 10 hectares; hoje é apenas de 2 hectares,,, Em território israelita, a superfície de uma propriedade está avaliada, em média, em 60 hectares. São muitas as parcelas israelitas irrigadas (ver imagem), enquanto em Gaza a irrigação é praticamente inexistente, limitando-se a algumas parcelas. As perfurações estão proibidas do lado palestiniano mas, junto da fronteira, em Israel multiplicam-se os poços e as bacias, em detrimento dos recursos hídricos em Gaza”.
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A retirada de Gaza foi festejada pelos palestinianos mas não satisfaz nenhum dos seus objectivos nacionais. O Presidente Mahmoud Abbas lançou a palavra de ordem "Hoje Gaza, amanhã Jerusalem e a Cisjordânia", mas ele sabe que isso não será assim. Pese embora a sua retirada, Israel continuará, no entanto, a controlar estes territórios, agora desocupados.
, e a Cisjordânia está a ser cortada ao meio,onde se ligará Jerusalém com o gigantesco colonato de Maaleh Adumin, uma bolha em expansão maior do que Telavive
www.palestinalibre.org
Tudo isto não pode significar pedir aos palestinianos que abdiquem de todas as formas de luta contra a ocupação israelita.

* Alguem tem dúvidas? Soldados israelitas confessam ter recebido ordens de atirar a matar contra pessoas desarmadas, sem receio de serem incriminados (no Guardian)

domingo, setembro 04, 2005

Não OTA nem desOTA?


I A ideia de um novo aeroporto a construir na Ota remonta a 1999 com um custo estimado de 1,8 mil milhões de euros. Em meados de 2003, sem que nada tivesse sido feito, sob a batuta do PSD, o custo previsto já tinha aumentado para 2,5 mil milhões.
Em 2005 ninguem sabe qual será o custo, e o governo PS limita-se a avançar com a obra numa base de gastar 650 milhões de euros até 2009. Para fazer o quê e decidido por quem, em que bases técnicas, tambem ninguém sabe, porque não existem estudos credíveis, pelo menos que estejam publicados.
Sobre a questão, que já torrou um ministro, não há cão nem gato que não “amande o seu bitáite”. O mais famoso é o do governador do Banco de Portugal que disse que na actual situação de falência técnica do País não há dinheiro para a obra. Porquê avançar então se p/e todos os presidentes das Companhias aéreas estão contra?,,, sendo além disso considerado um investimento desnecessário por vários economistas?
Efectivamente o excesso de tráfego na Portela pode ser perfeitamente resolvido pela adaptação do aeroporto de Alverca (base das OGMA) para receber os voos charter e de low-cost, solução defendida por vários especialistas (ver Visão 28/7), onde tambem existe a possibilidade de ligação ferroviária com uma futura linha de TGV de ligação à Europa via Madrid (a única que tem sentido rentável em território nacional), e outra já existente por comboio Pendular ao Porto.
Ademais, com uma nova crise petrolífera no horizonte, ameaças e custos de combustíveis e de exploração cada vez mais exorbitantes, só lunáticos podem continuar a sonhar com irrealisticos aumentos massivos do Turismo como “indústria”.
Apesar de tudo isto, a opinião pública tomou conhecimento do avanço para a solução da Ota quando o grupo imobiliário do Banco Espírito Santo (BES) desatou a comprar tudo o que era terreno nos arrabaldes de Alenquer, do Carregado e da Ota.
Estará encontrado o mistério de quem é que decidiu mandar o governo PS decidir?

II
Não consta que o BES tencione transformar-se em Partido nem submeter os seus Executivos a eleições, nem a Constituição certamente o permitiria. Em que se fundamenta então esta ascendência do poder Económico sobre a apropriação dos Fundos Públicos do Estado que deveriam ser transparente e democraticamente geridos no interesse geral de todos os portugueses?
Obviamente existe aqui um problema sério e mais importante teórica e praticamente, que é a destruição da esfera pública pelas políticas Neoliberais. Em geral, trata-se de privatizar a acumulação de ganhos pelos Grupos Económicos, e de socializar os custos pela sua imputação ao orçamento do Estado.
Neste ponto essencial, Cavaco, PS, Soares e PSD/CDS estão sempre 100% de acordo!

sábado, setembro 03, 2005

o Homem do Leme


Manuel Halpern no JL:
A ideia veiculada em séries televisivas e livros de ficção cientifica pode muito em breve tornar-se uma realidade à escala global. Não serão os olhos de Deus, mas sim uma máquina bizarra instalada para além do nosso céu. E o jeito que não daria no “combate ao terrorismo” esse olho gigante capaz de controlar o mundo e cada um dos seus individuos.
Uma ideia aproximada do que poderá vir a ser esse futuro assustador é dada pelo Earth Google, um dos programas gratuitos mais populares do momento, que inclui imagens de satélite do mundo inteiro. Uma maravilha tecnológica de um pormenor esmagador. Os interessados só têm de fazer o download do programa em www.earth.google.com. Existe em três versões. A mais avançada é paga e destina-se exclusivamente a empresas do ramo (com sete dias à experiencia). As outras são gratuitas. Contudo, para funcionar perfeitamente, é requerido um computador relativamente recente.
Uma vez instalado o programa deixe-se deslumbrar. À primeira vista, a imagem do globo. Dois cliques no botão do lado esquerdo do rato aproximam, no botão do lado direito afastam.
Por defeito o mundo surge-nos desenhado de um ângulo pouco usual. Portugal está de pernas para o ar (eheheh). Em vez de se situar em baixo, encontra-se no topo da Europa (!). Mas basta um movimento circular com o rato para pôr o mundo ao nosso jeito. Depois é um salto no abismo. Um acelerado zoom. Dos confins do espaço até ao mais infimo pormenor, mergulho em Laveiras, descubro o edificio da Impresa e, por pouco, não consigo espreitar pela janela e ver-me a escrever este texto. Assinalando os campos, consigo saber nomes de ruas, edificios, hotéis,,, Através de um pequeno comando muda-se a perspectiva de vertical para horizontal.
De seguida, viajo até ao Afeganistão, mais rápido do que a luz, na esperança de encontrar o homem mais procurado do mundo. Mas a única coisa que descubro é uma ideia vaga de montanhas. Porque mesmo no Earth Google há primeiros e terceiros mundos. Pode-se ter uma noção bastante nítida das ruas de Nova Iorque ou de Lisboa (e de todas as áreas a sombreado), mas em locais como o Afeganistão ou Cabo Verde só nos aparece a indicação das principais localidades. Se isto já está na Internet disponível para todos, estou certo que a CIA possui tecnologia mais avançada. Alô Houston, está alguém a observar-me neste momento?

sexta-feira, setembro 02, 2005

“De nada serve partir das coisas boas de sempre, mas sim das coisas novas e más”
Bertolt Brecht

Há mais de 50 anos que a economia Liberal livre é uma mentira. Depois da grande Depressão (o crash dos Monopólios de Estado em 1929/1936), o keynesianismo constituiu o Fundo Público do Estado como motor e regulador do desenvolvimento. (leia-se modo de acumulação capitalista – o New Deal de Truman)
Para se construir o pretenso Mercado auto-regulado, que dispensaria tudo o mais a não ser os próprios critérios de lucratividade, tornou-se necessário, contraditóriamente, cada vez mais Estado e muitos recursos Públicos.

No dizer de François Ewald em “L`État-Providence” tratou-se de um trânsito de paradigma do Contrato Mercantil estruturado nos códigos napoleónicos, para o paradigma da Segurança, estruturado pelo “Welfare State”. Segundo esta interpretação, verificou-se um trânsito da produção de mercadorias regulada sobretudo pelo Mercado para uma regulação que dependeu básicamente dos Direitos de Cidadania, alicerçados nos novos direitos sociais e do trabalho.
Adivinha-se agora um novo paradigma em gestação, onde as Mercadorias supostamente teriam deixado de ser o meio fundamental de medida económica, muito por via da subversão feita pela teoria de Milton Friedman de considerar a Moeda ela própria uma mercadoria. O prazo de validade deste modelo insustentável está no entanto, como sempre foi evidente, a chegar ao fim.
No centro do conflito a actual luta ideológica é clara neste tempo de Neoliberalismo conjugado com Globalização – trata-se da tentativa de destruição do Fundo Público como mecanismo regulador. O processo de destruição dos direitos sociais e de emprego em curso, nada tem já a ver com hegemonia na prossecução da acumulação capitalista, mas sim com Exclusão. Esta tem um sentido forte, e não apenas economicista – o de inclusão ou exclusão no Mercado. A construção desta espécie de Sociedade de castas será mais letal do que o foi a escravatura. Os novos “intocáveis” se-lo-ão pelos Direitos e jamais se poderão emancipar – (para o aprofundamento deste tema leia-se Emir Sader, ou – “A Vanguarda do atraso e o Atraso da vanguarda” e o conceito de Rigidez-Exludente do brasileiro Francisco de Oliveira – “na Europa a barreira estabeleceu-se nos 2/3 de incluídos e 1/3 de excluídos, invertendo-se porém a fórmula quando se trata dos países periféricos do chamado Terceiro Mundo”)
O que está em jogo é o próprio sentido da Civilização, tal como nos foi legado, apesar de tudo, pelo Iluminismo.
Proclama-se a inexistência das classes no Capitalismo contemporâneo, e decreta-se a predominância exclusiva do “sujeito autónomo” de Hegel. Como se depois dele, Marx nunca tivesse existido!
Ora um Estado completamente subordinado ao Capital, defendido pelos seus mais ferrenhos adversários e detractores, é a maior homenagem que pode ser prestada a Karl Marx.
(continua)

quinta-feira, setembro 01, 2005

O furacão Katrina evidencia o medo de uma crise de energia global

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Torna-se evidente o medo de uma crise de energia internacional surgida esta semana com a devastadora calamidade humana e econômica causada no sul dos Estados Unidos pelo Furacão Katrina.
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Com 13 refinarias fechadas na zona do golfo do México Agência de Energia Internacional, o cão de guarda das nações consumidoras, sonda a Europa para suprir combustiveis.
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a Regata Histórica no Grande Canal em Veneza

Num mundo conturbado, o romantismo refugiou-se aqui. Todos os anos no 1º domingo de Setembro o ritual da Regatta Stórica se repete.

www.comune.venezia.it
Em simultâneo no Lido decorre a Bienal de Cinema, este ano, mais uma vez com uma obra de Manoel de Oliveira- "O Espelho Mágico" - e outra de João Botelho - "O Fatalista" - ambas candidatas ao Leão de Ouro.

IV Reich - Deus, Totalitarismo e Barbárie



1 - A ordenação divina é uma ideia muito perigosa, especialmente se combinada com potência militar (os Estados Unidos têm 10.000 armas nucleares, bases militares numa centena de países diferentes e navios de guerra em todos os mares). Com a aprovação de Deus, não há necessidade de critérios humanos de moralidade. Qualquer pessoa que hoje invoque o apoio de Deus poderia envergonhar­‑se de recordar que as tropas de assalto nazis tinham escrito nos seus cintos «Gott mit uns» («Deus está connosco»).
in:
"O Poder e a Glória: Mitos do excepcionalismo americano"
por Howard Zinn, traduzido da "Boston Review", aqui.

2 - As cenas de barbárie e desordem em New Orleans, no rasto do furacão Katrina (fenómenos cada vez mais frequentes por via do Aquecimento Global) naquele que seria suposto ser o "melhor país à face da Terra", roçam o inacreditável. Centenas de milhares de pessoas evacuadas,inundações catastróficas provocadas pela ruptura de diques de contenção das águas do mar, centenas de mortos,falta de alimentos e medicamentos, pilhagens de lojas e de supermercados com o beneplácito tácito da Policia, roubo de Armas, Grupos de Combate especiais do Exército patrulhando as ruas com ordens para abater ladrões num cenário dantesco, falta de Energia, explosões de gás que provocam incêndios, proprietários de caçadeiras em riste defendendo as suas propriedades, enfim, o fatal massacre dos Media martelando sistemáticamente na tecla da desgraça. Uma transeunte desabafava para uma cadeia de televisão: "Esta tragédia fez-me repensar o meu relacionamento com a Natureza". Deveria sugerir aos seus dirigentes politicos que repensassem igualmente o seu relacionamento com Deus, mas antes disso e, principalmente com os compromissos a assumir no âmbito dos Protocolos de Quioto.Que mais será preciso acontecer para se questionar este modelo de desenvolvimento, neste tipo de Sociedade cada vez com maior complexidade, sem bases de sustentação sólidamente implantadas?

3 - No Iraque, em dia de manisfestação religiosa Xiita, e em vésperas do referendo para a aprovação da "Constituição" redigida pelos ocupantes americanos, bastaram alguns gritos de alarme sobre a presença de um eventual bombista suicida Sunita para o resultado do terror ser semelhante aos cataclismos naturais. Do pânico gerado resultou quase um milhar de mortos.
Nos Estados Unidos, depois do episódio de Cindy Sheenan, apela-se já abertamente ao "impeachement" do Presidente:
http://www.votetoimpeach.org
e Ramsey Clark convoca os novaiorquinos para grandes manifestações anti-Bush no próximo dia 23 de Setembro aquando da visita do Presidente à séde das Nações Unidas onde irá apelar para uma nova resolução do Conselho de Segurança que determine o envolvimento de tropas internacionais de reforço à ocupação do Iraque, tentando uma vez mais transformar a ONU naquilo que ela afinal de forma mais ou menos encapotada sempre foi - uma marioneta do imperialismo dos Estados Unidos e um instrumento para a prossecução da sua hegemonia.