Pesquisar neste blogue

quinta-feira, outubro 13, 2005

Cavaco - de duvidoso tecnocrata a chefe-de-fila Neocon

com o apoio do Bloco Central em peso

Branqueando aquilo que ele foi como 1ºministro, está em marcha a megacampanha para o previsivel regresso através da Presidência da República de Cavaco Silva e da sua clientela partidária que em épocas de vacas gordas, como todos estamos amargamente bem recordados, se dedica à espoliação dos fundos públicos em proveito próprio.Quando o maná se acaba, eclipsam-se - o PSD não é sequer um partido, mas apenas uma mera associação temporária de interesses que tem até dificuldade em defenir lideres credíveis nos periodos de jejum orçamental forçado. No decurso dos 10 anos de regabofe de Cavaco Silva, delapidaram-se milhões dos Fundos de Coesão europeus sem que coisa alguma tivesse sido feita para tornar Portugal num país estruturalmente moderno. Ao invés, é dessa época e da responsabilidade de Cavaco Silva o início do crescimento desmesurado da função pública no peso das despesas do Estado.

Como se adivinha pelos notáveis investimentos em sondagens favoráveis e publicidade paga em jornais ditos “de referência”, o Poder Económico aposta forte em Cavaco Silva. O dinheiro é a forma mais eficaz de manipular e controlar as opiniões que podem ser publicadas. As sondagens representam tiros de pólvora seca, tirados da prateleira com finalidades precisas, como por exemplo, a de branquear o barão do PSD Dias Loureiro, ex super-ministro de Cavaco, acusado públicamente de enriquecimento ílícito e de corrupção no fornecimento de material e serviços de combate aos incêndios, ao serviço da multinacional Bombardier, OMNI e outras, lesando o Estado em milhões,,,

Mas não se pense que este nóvel assalto de corruptos menores são meros casos de polícia. Por detrás de Cavaco, um homem sem passado democrático, perfilam-se forças poderosas - nos esconsos eruditos da politica subterrânea portuguesa desenha-se uma ofensiva liberal-conservadora para a implementação de uma Democracia formal musculada, ou seja, a famigerada ideologia NeoCon com roupa lavada – como se viu pelas sumidades presentes no recente “Encontro Internacional de Estudos Politicos” realizado no Hotel Palácio subordinado ao tema “A Relação Transatlântica num Mundo Global”
Das eminências pardas presentes, aqui fica uma colheita de algumas afirmações:
Cavaco presidiu à sessão inaugural e não precisou de dizer nada. Pouco disse também, por ser demasiado óbvio, o representante máximo do Grupo Bilderberg em Portugal Braga da Cruz. Garantiu João Carlos Espada que “não são os que defendem a aliança transatlântica que subcrevem um pensamento único”. Jonh Buck disse que “a ideia de que a Europa deve constituir-se como um polo alternativo aos EUA é errada”. Susan Shell do Boston College lembrou o feudalismo dos clássicos citando que “para pensadores como Tucidides ou Maquiavel, o Império não é um rival da Democracia, mas antes a sua extensão natural”. Lord Raymond Plant do King`s College usou de uma generalidade que dá para tudo: “depreende-se que deveria existir uma norma de não intervenção na politica internacional, excepto quando a autodefesa está em risco”. Anthony O`Hear falando sobre o Estado-Providência afirmou que “não devemos esperar que o Estado seja o garante dos cuidados de saude, educação e segurança social – a colectivização e as burocracias negam sempre aos cidadãos os mecanismos de escolha”, John O`Sullivan citou a proposta de Tony Blair de “soluções de mercado livre para o elevado desemprego, o fraco crescimento e a esclerose reguladora galopante da EU”. Guilherme d`Oliveira Martins, Martim Avillez, António Carrapatoso e mais uma mão-cheia de spin-doctors concordaram em que “antes do Welfare State era como se não houvesse uma rede para proteger os trapezistas. Se caíssem morriam. Hoje há redes a mais, como no caso português com o peso excessivo do Estado na Economia”
Encerrou o circo, perdão,,, o debate, a Encarregada de Negócios dos EUA em Portugal miss Adrienne S. O`Neal.
Estiveram tambem presentes o ministro porta-voz do lobie militar Luís Amado, o ex-embaixador em Bagdad e na Eurominas José Lamego e o abominável neocon João César das Neves. Tudo bons rapazes!

Ausente esteve Mário Soares, longe do fulgôr dos velhos tempos dos acordos com Carlluci, ainda assim o notável artista autor do gag da candidatura aos 81 anos como manobra de diversão, que enviou a esposa ao Forum como sinal de solidariedade para o futuro. Bem hajam!, e que venha rápido o Papa abençoá-los a todos.

e agora algo completamente diferente,,, (ou mais do mesmo?)
Ruben de Carvalho, no DN, 08/09/05
"Tom DeLay, um dos maiores responsáveis dirigentes do Partido Republicano (líder da maioria na Câmara dos Representantes) e apoiante de primeira linha do Presidente George W. Bush, acaba de ser acusado de branqueamento de capitais, num escândalo que a imprensa norte-americana de referência descreve como podendo ser dos mais graves que atingiram qualquer Administração na história do país. Os contornos dos delitos de que DeLay é acusado são dignos de uma história policial, não lhe faltando episódios que podem, um a um, ser referenciados a diversos filmes de Hollywood. Há advogados corruptos, envolvimentos com o negócio do jogo, subornos e mesmo algumas mortes inexplicadas e desaparecimentos nas mesmas condições. Mas o que mais inquieta os observadores é que o caso DeLay surge como um tropeção a impor a entrada em acção da polícia e dos tribunais, mas, na verdade, está longe de ser o único - e, seguramente, de forma alguma o mais importante - problema de tráficos de política e dinheiro da ultraconservadora maioria de Bush.
Os casos mais citados são, já se vê, os que envolvem a empresa Halliburton e uma vasta teia de firmas a ela ligadas, que, desde terem construído em tempo recorde e a peso de milhões a tão sinistra quanto ilegal prisão de Guantánamo até ganharem contratos milionários para a "reconstrução" no Iraque e no Afeganistão, têm sido os mais visíveis beneficiários da "guerra contra o terrorismo". Tudo com o decisivo pormenor de a Halliburton ter sido administrada pelo vice-presidente, Dick Cheney, estar sediada no Texas e ter conhecidas (e, certamente, também desconhecidas...) relações com os negócios da família Bush e ter o seu negócio principal na área do... petróleo.
Longe vai o tempo em que os lucros dos negociantes de armas eram simultaneamente motivo de escândalo ou tema de banda desenhada”...

quarta-feira, outubro 12, 2005

Qualquer família com capacidades saudáveis sabe gerir aquilo que tem, quando e se é que possui condições de garantir a sua própria susbsistência,,,
Quando não há possibilidade de se ganhar o seu próprio sustento, não há nada para gerir e fica-se na mais completa dependência,,,

Parece que é isso que se passa com a maioria dos portugueses que adquiriram hábitos de consumo de ricos, mas que trabalham e produzem como os pobres e despreocupados, e o pouco que conseguem ganhar é ainda assim espoliado para fins duvidosos,,, como o engajamento político à solução transatlântica fundada sobre ilegalidades do direito internacional. Daí virão, supomos, fartos dividendos, mas que pelo que se vê, não chegarão senão para manter os previlégios dos suspeitos do costume, como é normal e consentido na sociedade-modelo de além-Atlântico. No reverso da medalha, os sacrifícios e os custos cabem-nos a todos, como é patente cada vez que nos atrevemos a aproximar de uma bomba de combustivel, e por aí acima na inflacionada cadeia económica.

A aplicação das receitas neoliberais nos paises do centro capitalista europeu, estão a dar maus resultados para os seus povos – é sabido em benefício de quem e para manter o que atrás se disse. Veremos até quando os figurantes obrigados a representar o papel de “cavalo do inglês” se vão habituando a viver comendo casa vez menos, quiçá talvez mesmo até a deixar de comer,,,
---
Cumprindo a tendência europeia-pró-americana de governos ditatoriais do grande Centro de alternância fictícia, Ps e Psd coligaram-se tácitamente para assumirem que dos resultados das eleições locais não deveriam ser extrapoladas conclusões que pusessem em causa o prosseguimento das politicas iniciadas com Durão Barroso em 2001 de liquidação do Estado Social, abrindo um vasto campo de negócios privados nas áreas da Saúde, Seguros, Educação, Administração dos Serviços Sociais, etc. Depois destas eleições autárquicas os porta-vozes e outros arautos do Governo prometeram hoje soleneMENTE manter o rumo; mais cortes no orçamento do Estado para 2006, não subir novamente os impostos (!), nova vaga de privatizações no prelo com os CTT à cabeça, manter os investimentos dos grupos de interesses instalados em redor das obras da Ota e do TGV, ao mesmo tempo que se preparam para transferir para as Autarquias verbas abaixo das corrigidas com o valor da inflacção, torpedeando a Lei das Finanças Locais.
Deste cocktail do que popularuchamente pretende ser o discurso do “país que vai prá frente”, vai resultar, como se torna evidente uma nova redução do já degradado poder de compra das classes médias, enquanto as Élites, regra geral parasitas “afilhadas da Dona Branca” neoliberal, multiplicam previlégios e cada vez mais oportunidades. Aliás, hoje em dia, é justamente esse o préstimo visivel do Estado – promover os negócios exteriores das classes possidentes, policiar no interior os ressentimentos das classes espoliadas.
Este homem ri de quê?
José Sá Fernandes prometeu ser o “provedor dos lisboetas” na Câmara. As primeiras palavras de Carmona Rodrigues de agradecimento pela vitória foram para o famigerado Santana Lopes, e em simultâneo avisou que só haverá Pelouros para quem apoiar o seu programa, que como se adivinha, só pode ser de continuidade – especulação imobiliária com alienação do património dos terrenos públicos camarários em favor da massificação da construção na cidade – uma vitória que se traduz numa nova sorte-grande para os promotores imobiliários com a criação de novas centralidades modernaças para Ricos e uma clara derrota para os pobres lisboetas que verão desaparecer a Lisboa dos bairros populares que não se destinem a fins turisticos com fachadas reabilitadas, estagnação dos transportes e anarquia nas acessibilidades, continuação das politicas de expulsão dos menos capazes para os guetos suburbanos, propaganda infecta e promoções a granel para as catedrais de consumo supérfluo em detrimento dos espaços públicos de usos lúdicos comuns dos cidadãos lisboetas – o engenheiro Carmona mascarado de “técnico” e a vereadora Zézinha têm quatro anos para implementarem o início de uma longa e bela amizade tentando construir uma lucrativa caricatura pós-moderna da Cidade para uso visual de mirones pacóvios.
Longos passeios de mãos nos bolsos pelos extensos corredores da Câmara Municipal de Lisboa, sem qualquer acesso a processos relevantes se auguram ao vereador Sá Fernandes, enquanto irá assobiando para os jornais que se dispuserem a ouvi-lo questões a que ninguém passará cartucho nenhum. A luz de uma candidatura Independente de cidadania efectiva apaga-se dentro do túnel da indiferença.

terça-feira, outubro 11, 2005

Bob Marley faria, este ano, 50 anos


Desde o primeiro álbum, “Catch a Fire” (Acenda-se o fogo) O cantor sabia do que falava; ele viveu na favela Trenchtown mais de quinze anos, convivendo com esgotos a céu aberto, barracos e cortiços.
As suas letras expressam a revolução que o povo “raggamuffin” — os fracos e oprimidos que habitam as favelas e guetos —, desejava para se livrar da degradação ambiental, da miséria e do desemprego, causados pelas graves desigualdades sociais do seu país, a Jamaica.
Entretanto como tudo o que extravasa as fronteiras da miséria, e se torna famoso (perigoso) o movimento Rastafari e Reggae tinham passado a ser monitorados pela CIA, e há suspeitas de que a agência de espionagem norte-americana esteve envolvida no atentado contra Bob Marley e a sua banda, em Dezembro de 1976. Na ocasião, Bob Marley e The Wailers estavam a ensaiar um espectáculo livre, numa praça pública, quando um chegou um grupo e disparou de rajada sobre os musicos. Rita Marley levou um tiro de raspão na cabeça, Bob foi atingido no braço e os quatro tiros directos ao seu peito foram interceptados pelo corpo do seu empresário, Don Taylor, que ficou paraplégico. Depois disso, o cantor exilou-se em Londres.
Na Jamaica o povo diz que o atentado foi obra ou tinha o dedo dos yankees. Documentos da CIA tornados públicos nos anos 90 confirmam as acções de espionagem contra Bob Marley e o seu grupo.
Em 1979, num concerto na Arena dos Heróis Nacionais os Wailers deram um concerto de beneficência para as crianças rastas e, na ocasião, cantaram músicas que denunciavam o atentado, como “Ambush in the night”, em que a letra diz “(...) emboscada na noite, todas as armas apontadas para mim; emboscada na noite, eles abriram fogo contra mim; emboscada na noite, protegida por sua majestade…”
CIA: It rock`s?, It sock`s!?
"Operação Chaos" uma explicação para muitas mortes misteriosas de estrelas do Rock`and`roll?

Sacrificio e Morte de Che Guevara


* Um resumo do documentário "Sacrificio", com ligação, AQUI
* "CHE" - Uma biografia da autoria de Jon Lee Anderson, o norte-americano que descobriu o local onde Che e os companheiros tinham sido sepultados com ligação AQUI
* ou a melhor biografia, que encontrei até agora, em 5 páginas num sitio Internet, com a descrição pormenorizada das circunstâncias da época e implicações politicas futuras, na definição ideológica do novo Socialismo de caracteristicas locais, não só na América Latina, onde a revolução armada persiste passados mais de 30 anos, mas tambem como guia de acção na contestação a nivel mundial - com ligação AQUI
a Revolução Universal
Os anos 60 foram revolucionários por excelência: a Revolução Cubana, a Guerra do Vietname, o Movimento Hippie e a revolta dos campi norte-americanos, o Concílio Vaticano II, a descolonização da África, o Maio de 1968 em França, a Rebelião Estudantil na América Latina, a Primavera de Praga, sufocada pelo aparelho soviético,uma das causas porque "Che" Guevara rompeu com Moscovo, o Movimento pelos Direitos Civis nos EUA liderado por Martin Luther King , a Revolução Cultural na China de Mao, etc,,, Esta época, caótica e multifacetada, revolucionou a política, as ideologias, a religião, as universidades, a música, as leis e os costumes.
e A Luta Continua!, os revolucionários não morrem no túmulo.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Efeméride

a 8 de Outubro de 1967, agentes da CIA assassinam o revolucionário internacionalista Ernesto "Che" Guevara, que havía sido capturado horas antes na Bolivia.


Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra.
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas
Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Dossier Fraudes Corporativas

Comparados com estes, o que os Autarcas roubam, seja em proveito próprio ou para entregar aos directórios partidários, são trocos,,,

* Lista não exaustiva de golpadas,insolvências e deslocalizações em massa, para além das majors "clássicas" Worldcom, Enron,Xerox, há para todos os gostos e feitios:
* Global Crossing Corp.
* Penas até 30 anos de prisão para gestores da TYCO
* ELF Acquitaine
* Delphi entra em processo de falência
* Arthur Anderson
* MCI
* SONY corta 10 mil empregos e fecha 11 fábricas
* Fundo GETTY sob suspeita de evasão fiscal
* Facturas falsas entalam NIKE
* Fraudes na Merck e noutras Multinacionais Farmacêuticas
* HealthSouth Corporation
* Escândalo nos donativos da Chevron
* Parmalat
* Corrupção na Volkswagen
* Elefante Branco supera Auto-Europa nos custos de competitividade
* Gerente da BMW preso por suspeita de corrupção
* Milhões de dólares para a reconstrução do Iraque desviados
* Infineon
* Rhodia
* General Motors
* Hewllet-Packard extingue 6 mil postos de trabalho na Europa
* Mercedes-Benz vê-se obrigada a cortar 8500 postos de trabalho na Alemanha
* Processos Judiciais de milhares de milhões de dólares contra a Visa e a Mastercard

Falência da Economia Capitalista – o regresso às Cavernas


Os discursos que os maquiaveis pós-modernos ululam clamando a vitória da economia sobre a politica, a moral e a ética – remete para um risco geral de retrocesso civilizacional. As práticas fraudulentas dos novos “príncipes” nas gestões correntes empresariais que se generalizam, remetem para o embrutecimento das consciências expurgadas de todos os valores, substituidos por razões de eficácia, de interesses próprios, enfim, pela eliminação da noção da sua própria culpa.
A longa lista de falcatruas pontuais* - as práticas de mostrar resultados ficticios e inflacionados para obter lucros indevidos - pela sua relevância remetem para a existência de uma inegável crise conjuntural, enquanto localmente a nivel individual os pequenos furtos se sucedem. Apesar disso, os comentadores e suas partenaires nas televisões em Portugal fazer crer que tudo se resume às actividades criminosas de um insignificante “bando dos Quatro”que com o presidente da Madeira são Cinco, nas autarquias, ao utilizarem empresas municipais paralelas para encobrirem resultados e delegarem prejuizos. Como Santana Lopes utilizou a EPUL para relegar os custos das negociatas com terrenos de propriedade da Câmara de Lisboa. Mas estas práticas, como única sobrevivência do capitalismo, são generalizadas em todos os lados e a todos os níveis. O caso que fundou a bíblia virtual dos vigaristas e inaugurou a era da economia da trapaça foi o dos executivos da WorldCom uma empresa-simbolo da economia norte-americana, que falsificaram o balanço da multinacional, lançando cerca de 4 biliões de dólares de perdas como se fossem investimentos da empresa para encobrir uma dívida gigantesca de US$ 41 biliões e manter em alta a cotização das acções em Bolsa. Quando o caso se tornou conhecido em 2002 as acções da companhia que valiam 95 dólares cada, passaram a valer meia-dúzia de cêntimos. Bernard Ebbers julgado por estas fraudes poderia ter sido condenado a 85 anos de prisão. Mas trata-se de gente próxima da Administração Bush que até às vésperas do estoiro estavam potencialmente indigitados para postos-chave no governo dos EUA, tal como p/e Kenneth Lay, da Enron, outro caso similar. Noutro caso de irregularidades em demonstrações financeiras de empresas americanas, a Xerox anunciou que reclassificará US$ 6,4 biliões em receitas, referentes a um período de cinco anos. Com a generalização destas práticas é crivel que o próprio PIB norte-americano esteja altamente inflacionado por valores ficticios. Mesmo assim o défice da conta-corrente dos Estados Unidos continua a aumentar, prevendo-se que alcance os 900.000 milhões de dólares correspondentes a 6,7 % do PIB em 2006. O tempo da hegemonia deste tipo de economia está em tempo de finados. A saída para a sua rentabilização foi a guerra, que tem custos astronómicos – até quando?
Muito oportunamente José Saramago intitula o seu próximo romance de as “Intermitências da Morte” – com lançamento em Lisboa a 11 de Novembro.
"Eu é que os topo!"

Convém lembrar que segundo Timothy Garton Ash “a civilização em que vivemos é protegida por uma camada extremamente fina – basta um abalo – e ela estala passando cada um a lutar furiosa e instintivamente pela vida como cães selvagens”.Nesta óptica é interessante ler o dossier intitulado “Crime e Terrorismo Doméstico”
No seu livro "Manias, Panics & Crashs" (1978), um clássico da história mundial da especulação financeira, Charles Kindleberger, professor emérito do Massachusetts Institute of Technology (MIT), afirma que todas as vezes que as bolhas especulativas ocorrem parecem ser diferentes, mas na realidade têm inúmeras semelhanças entre si. A crise que antecedeu o crash de 1929 tem inúmeras semelhanças com o momento actual.

domingo, outubro 09, 2005

Eleições Autárquicas – Felgueiras Ontem e Hoje


Ontem passei o dia no Jacuzzi a meditar e a contar as bolhinhas,,, e concluí que estas bolhinhas fruto das condicionantes do meio onde se formam são mesmo estúpidas – podiam ficar lá debaixo de água quietinhas e fartavam-se de sobreviver – assim não, passam a vida a vir à superficie e a fazer plof!, mas óh como eu as compreendo, pobres coitadas – elas são obrigadas a isso pela massa de ar que as empurra.
O que é certo é que no meu caso, eu Fátima me confesso: depois desta experiência da banhoca sinto-me verdadeiramente mais limpinha e mais livre!óh pra mim, sem ser acossada por esta massa de ar de politiqueiros-partidários que me obrigavam a roubar para lhes dar e que vão todos ficar a nadar nas águas dos banhos deles. xô corrupção,Olha! que vão á fava!, que amanhã vamos fazer as continhas e eu já estou como o outro – “sim, porque se não fosse para ganhar!,eu não estaria aqui!”
Deus escreve direito por linhas tortas, e a ultrapassagem do sistema corrupto dos Partidos para outro paradigma de uma Democracia mais directa com as bases a exercerem uma cidadania mais participativa, até que poderiam ser feitas por este meu exemplo, mas,,,
o pior são os gajos da Magistratura que “tão feitos com eles”, e não vão descansar enquanto não me levarem de cana. Mas isso tambem pode ser o inicio de uma bela rebelião à la Maria da Fonte, olarila-lólé,,,se pode,,,

sábado, outubro 08, 2005

Alemanha - o Circo pós-eleições

Antes das eleições na Alemanha era sabido que a saída para a continuação das reformas neoliberais seria uma ampla coligação do Grande Centro. Dissemo-lo aqui.

Interpretando os resultados eleitorais de 18 de Setembro, o recado que se subentende do trabalho exaustivo dos Orgãos de Comunicação Social que fabricam o Senso Comum, é que o povo alemão quis transmitir a ideia de que ninguem ganhou. Mas a verdade é que houve uma maioria de Esquerda. Lá como cá, a decisão de quem efectivamente ganha, está no directório do Partido dito social-democrata “S”PD,lá,,, do Partido dito Socialista P”S”por cá, e das alianças que entendem fazer ao serviço daquilo que muito bem entendem. Votar é um esforço deitado ao lixo!, um espectáculo “gratuito” que custa milhões e o futuro aos eleitores.
Assim sendo, está confirmada a anterior decisão de uma transição pacifica para o apoio deliberado às politicas de Washington que o influente editor da “Die Zeit” intitula em artigo publicado na americana “Time” de “How to Change Without a Revolution”. (3/10). Assim como assim, a Alemanha já tinha tropas de apoio, distarçadas na NATO, no controlo do Afeganistão, muito antes das eleições. Brevemente para aliviar o crescente desemprego tambem empregará efectivos no Iraque – é conveniente que não se esqueça que a guerra é o motor da nóvel economia militarizada que culminará numa retoma de mais meia-dúzia-de-anos-de-ouro sob a égide de Madame Clinton – uau, uma gaja na presidencia do maior(e mais isto e mais aquilo) país do mundo! o espectáculo tem de continuar!,,, Por aqui, agora, no braço de ferro entre Schroeder e Merkel sobre quem vai liderar a solução que já estava definida, vai prevalecer quem dê melhores mostras de poder aplicar as politicas neoliberais com a menor contestação social possivel. o Circo pela disputa da liderança prossegue!
Entretanto a situação no leste da Alemanha permanece dramática em questão de emprego, quinze anos depois da reunificação (veja-se a sondagem do Instituto Emnid)

relacionado:
* Temas diversos sobre a União Europeia: Democracia ou Plutocracia?

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Criação – de Joseph Haydn ao “Jesus Factor”

Reuniram-se os três anjos Rafael, Ariel e Gabriel explicando o caos – no princípio Deus criou o céu e a terra era amorfa e estava vazia, o espírito de Deus planava sobre a superfície das águas e Deus disse: “Faça-se Luz”
horrorizada a multidão de espíritos infernais foge para as profundezas do abismo, para a noite eterna – e nasce o primeiro dia. O assombro em voz alta ressoa nas gargantas dos anjos que cantam em louvor do Criador – o louvor do segundo dia. E Deus disse: juntem-se as águas sob o Céu num lugar e apareça seco o chão; e assim foi – e mal se apanharam com o chão feito os Rolling Stones deram o seu primeiro concerto! ainda então não havia terrorismo.

As épocas e os tempos passaram e Deus continuou a amandar umas dicas – a última foi esta manhã quando Bush confessou à BBC que Deus o tinha orientado em directo para invadir o Afeganistão, depois o Iraque e num post-scriptum que promovesse a Paz na Palestina.
Nesta estória do "Bang-Big", pelos vistos, nem Jesus o enviado à Terra, consegue escapar-se inocente!

Tensão explosiva na Corrupção Francesa

O panorama em França com o governo de direita de Chirac não difere muito das revoltas noutras zonas onde as politicas de privatização dos bens públicos estão em franca implementação. A corrupção e o vale-tudo para manter a todo o custo um capitalismo em situação de pré-falência varre a sociedade francesa desde politicos a empresários e a juízes. Tudo é admissível na ânsia de cortar direitos sociais e vender o património nacional ao desbarato para que as classes possidentes possam manter os previlégios em perigo.

A greve geral na França foi iniciada dia 3 pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). O movimento de protesto contra as políticas econômicas do governo do primeiro-ministro Dominique de Villepin, ocorreu na sequência da sublevação dos trabalhadores da Societé Nationale Maritime Corse Méditerranée, SNCM, em Bastiá, na Córsega, e em Marselha, que durou 4 dias da semana passada. Os trabalhadores entraram em greve contra a privatização da empresa, que faz as ligações marítimas entre a França, a Sardenha e a Córsega. A empresa seria privatizada e entregue ao grupo americano Butler Enterprises, mas a deflagração da greve levou o governo francês a reconsiderar a privatização e recuou na proposta, propondo permanecer com 25% das acções e garantir o emprego dos trabalhadores. A CGT confirmou que algumas áreas tiveram paralisação completa, como escolas, universidades, comércio e escritórios de pequeno porte. A manifestação de 4 de Outubro juntou mais de 1 milhão de apoiantes. Esta é apenas uma das muitas lutas contra a destruição do Estado Social que as politicas neoliberais têm pretendido levar a cabo no país, despoletando uma situação de crise e uma tensão que continua a ser explosiva.
Uma sondagem realizada pelo semanário Journal du Dimanche mostrou que 57% dos franceses apoiam os sindicatos e os trabalhadores em greve, uma percentagem superior à votação registada no "Não" no último referendo.

* 3 dias depois da França, o clima de insubmissão alastra à Bélgica - com a 1ª Greve Geral em 12 anos

quarta-feira, outubro 05, 2005

É incrível a quantidade de comentadores que jogam dados e critérios de análise avulsos para cima de uma mesa ou para dentro de tabelas, como se fossem dados de um puzzle sem mapa de montagem, sem reconhecerem que existe uma estrutura de dominação global que tem vindo a ser construida modelando todo o relacionamento internacional, de cuja teia os menos aptos jamais se conseguirão libertar por meio de negociações.Vamos então num "flash back" a uma,,,
Viagem pela Evolução do Sistema-Mundo capitalista

* A compreensão de existirem estruturas sociais de dominação, na idade moderna remonta a Santo Agostinho e ao seu “animus dominandi” feudal, a Vico ou a F.Suarez, de onde derivou a sociedade fundada no mercantilismo e depois as manufacturas a partir de cerca do século XVI.
* Nos primórdios da “revolução industrial” (sec. XIX), o capitalismo nascente, confinado ao norte da Europa Ocidental, de que Karl Marx descobre as “leis fundamentais”, tinha sido constituido principalmente por pequenas empresas industriais que competiam entre si.
* Por altura de Lenine (1917), contudo, as economias capitalistas já estavam dominadas por instalações industriais de grandes dimensões e o controlo do capital industrial pelos grandes cartéis financeiros representava um salto qualitativo na expansão capitalista, que iria conduzir ao “imperialismo”, teoria que já provinha de Hobson.
* Estaline na sua famosa “última tese” (Congresso do PCUS de 1952) advertiu que as contradições no seio dos sistemas capitalistas tornaria inevitável a repetição da guerra entre estados capitalistas – a URSS tinha-se de igual forma preparado pela crescente militarização da economia de Estado planificada para a produção de armamento – situação que desembocou no mais longo dos conflitos modernos: a Guerra Fria. Na disputa entre potências, o capitalismo tinha sido impulsionado para os Monopólios de Estado, concentrados a Ocidente nos Estados Unidos da América e nos sub-sistemas que lhe foram associados no pós-guerra: Europa e Japão.
* Datam de 1960 os primeiros alertas de que “um dólar forte e défices crónicos norte-americanos, não podiam coexistir indefenidamente”. Nessa década, o Maoismo na Republica Popular da China criticava já abertamente, e desacreditava nos meios intelectuais ocidentais, o conluio entre “as duas superpotências Imperialistas”
* Os grandes movimentos pacifistas surgidos no Ocidente na era pós Vietname diabolizando a guerra, levam os fabricantes de armas e os detentores do Poder associados ao Complexo Politico Militar a direccionar o capitalismo para a autonomização da acção das empresas Multinacionais, protegendo as suas condições de exploração nas periferias, sob novas formas de subordinação dos paises económicamente subdesenvolvidos.
* Com a conferência de Bandung nasce o “Movimento dos Não Alinhados”, que viria a reunir em Belgrado 100 paises da periferia no ano de 1978.
* Durante os anos 1970 emergindo do passado recente em que predominavam o colonialismo politico e o imperialismo económico surgiu a primeira escola de pensamento Estruturalista-Global – inscrevendo a Teoria da Dependência – como forma de explicar o fosso existente entre nações ricas e pobres do Mundo, reconhecendo que os processos económicos são a força estrutural básica da História (Marx), e que ao longo dos últimos séculos o capitalismo do Norte, primeiro na sua modalidade mercantil, depois no modo comércio-livre, mais tarde na modalidade financeira e hoje na modalidade multinacional, têm sido a locomotiva da História.
* Inicia-se, no âmbito de uma nova “divisão social do trabalho”, a deslocalização da produção para os paises de mão de obra barata e até mesmo escrava (Korea do Sul, Taiwan e posteriormente p/ a China), criando a bolha de expansão na Ásia.
* A superação do modo de produção “fordista”, pelos métodos de sub-contratação (outsourcing) do “toyotismo” e a luta pela dominação e exploração de novos mercados a nivel global, conjugados com a desregulamentação financeira (1971-1990), que fez colapsar o tratado de “Bretton Woods”, que em tempo tinha sido firmado entre 44 paises aliados do Centro Capitalista, faria tambem implodir posteriormente o chamado “socialismo de Estado” na URSS (1989)

* A hegemonia mundial de uma Superpotência Única (EUA) teve como consequência uma divisão económica internacional do trabalho que consiste ao centro num conjunto de Empresas e Governos-Estados poderosos industrialmente avançados, pretensamente de economia liberal, com uma periferia e semi-periferia (NPI) constituida por Estados fracos e que são mantidos num nível tecnológico subdesenvolvido e subordinados ao estatuto de fornecedores de matérias-primas e recursos, com regimes politicos condicionados.
* O actual “Sistema-Mundo de Economia Neoliberal Capitalista” caracteriza-se pela anarquia, pela ausência de uma autoridade politica global, o que torna impossivel regular o modo de produção através das fronteiras nacionais. Apoia-se nas novas tecnologias que permitem as comunicações instantâneas globais. Cria uma classe emergente de Elites Transnacionais, que opera em paralelo ou sobrepondo-se às legislações estatais, cujas actividades económicas efectuam através de zonas-livres em Paraisos-Fiscais (Off-Shores), onde os negócios informais e as actividades criminosas crescem de forma exponencial, competindo com as economias legais. Os investimentos são efectuados segundo um autêntico jogo de contornos aleatórios.
* Finalmente, surge a tentativa de hegemonia do Poder destas novas classes já dominantes económicamente, pela instauração de uma Economia Militarizada Global, que tenta neutralizar as resistências dos excluidos contra as quebras do direito internacional instituido, e criar bolsas de desenvolvimento no meio da degradação geral que já atinge amplas camadas até nos centros desenvolvidos do capitalismo.

terça-feira, outubro 04, 2005

Iraque - a guerra perdida

Desde 1968 que, na sequência de um boicote da Liga Árabe a Coca-Cola não entrava no país,,,
Pedimos desculpa pelo incómodo.

Prometemos ser breves.
Quem viu Bush em bicos-de-pés na terceira visita à devastação do furacão Katrina exortando a nação americana a unir-se no "espírito do 11 de Setembro" não pode esquecer que o 11/9 do IV Reich corresponde ao Incêndio do Reichtag do III Reich, ambos golpes provocados para desencadear acções no sentido da dominação do mundo. Contra a acção violenta que foi a invasão e ocupação criminosa do Iraque, as reacções só poderiam ser igualmente violentas.

Bagdad está transformada num microcosmos do que é o mundo hoje: uma Zona Verde para os detentores do Poder e seus serventuários rodeados de seguranças,,, e as periferias onde a população fica abandonada ao salve-se-quem-puder, no meio da revolta generalizada!

Para que os Estados Unidos ganhassem a guerra, eram requeridas três condições: 1) Derrotar a resistência iraquiana 2) Estabelecer um governo estável e amigo dos EUA e 3)Manter o apoio maioritário da população americana no seu próprio território. Embora as duas primeiras acções continuem sendo tentadas, nenhuma das três condições parecem no entanto já possiveis!
Desmentindo Cheney o general John Abizaid, chefe do Comando Central, responsável pelas operações no Iraque, confirmou que "há mais combatentes estrangeiros hoje no Iraque do que há seis meses". 50% do dinheiro disponibilizado para a "reconstrução" (mais dos 30 mil milhões de dólares necessários), foi e será gasto em segurança e em controlo politico! As forças da guerrilha em presença conjugadas com populares, não hesitam em proceder a acções de força para p/e substituir o presidente da Câmara de Bagdad ou para prender soldados britânicos responsáveis por acções terroristas contra a população. As forças de ocupação, por outro lado, tambem parecem não hesitar em incentivar os atentados bombistas, p/e com carros bomba, para poderem de algum modo retomar alguma liderança no processo. A guerra Civil parece inevitável. Finalmente, a contestação à guerra sobe de tom no interior da sociedade americana. No último fim de semana de Setembro, mais de 200 mil pessoas se manifestaram em Washington. E a mãe de um soldado morto em combate que lidera a contestação mediática contra a guerra, Cindy Sheenan, foi presa!

Depois da casa roubada, Trancas à porta!


No mínimo, o Presidente devia considerar a hipótese da lei ter efeitos retroactivos!,
mas a retórica é eloquente: no entender do Presidente, «a moralidade mais elementar e o sentimento de justiça continuarão gravemente diminuídos» enquanto «for possível exibir altos padrões de vida, luxos, e até reprováveis desperdícios, e, ao mesmo tempo, apresentar declarações fiscais de indigência».

segunda-feira, outubro 03, 2005

Dia Mundial da Arquitectura

da construção Massificante, passando pela Implosão pura e simples, até à Reabilitação

ou pela importação bacôca de mirabolantes mamarrachos de filosofia neoliberal, num país com carências de toda a ordem,,,
,,,os arquitectos deveriam ter uma intervenção por forma a pôr termo ao horroroso estado a que chegou o desordenamento do território em Portugal.
Mas, tal como os hospitais podem ser administrados por contabilistas,os tribunais por seguranças ou as empresas de energia por carreiristas desqualificados nomeados pelos partidos, assim tambem os arquitectos portugueses podem ser substituidos por qualquer curioso que se disponha a assinar projectos, com base no Decreto-Lei nº 73/73.
Ao fim de 30 anos deste descalabro promovido pela tenebrosa associação Autarquias-PatosBravos, está em marcha há dois anos pela Ordem profissional uma pretensão real dos Arquitectos em devolver a prática aos praticantes. Leia aqui a última petição feita nesse sentido.

* Arquitectura - Um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos!

o furacão “George” ameaça o progresso da Humanidade


Tudo parecia correr “bem”. Na Alemanha os conservadores com 10 pontos percentuais de vantagem afiavam as garras para refazer,com larga maioria, o alinhamento do país de acordo com os interesses do Império. Bastou o furacão Katrina e os eleitores alemães * verem horrorizados a actuação do que é o Estado Neoliberal-Conservador na ajuda às populações vítimas da catástrofe, para a reviravolta nos resultados derrotar os politicamente indecentes.

O que teria atrasado a resposta à tragédia, e estado na origem da sua militarização quando esta finalmente chegou? – o Neoliberalismo como novo social-darwinismo tem vindo a formatar a Economia, militarizando-a. New Orleans não escapou a esta lógica.
Bush terá de retirar as consequências politicas, não só pela sua responsabilidade directa nesta catástrofe, mas também pela opção da Economia Militar por que optou depois do assalto ao Poder no autêntico golpe militar que foi a sua eleição no ano 2000.
O furacão Katrina “fez desmoronar o mito da hiperpotência. Para espanto geral, “os falcões do Iraque são agora verdadeiras “pombinhas”, aceitando as ajudas internacionais, sem tropas suficientes para acudir à desgraça, mostrando quanto lhes é dificil enfrentar tanta destruição”, conforme notou Domingos Amaral no Diário Económico.
Até a minúscula e depauperada Cuba humilhou o rico e criminoso gigante vizinho do Norte, ao oferecer uma importante ajuda humanitária integrada pelos 1600 médicos da brigada “Henry Reeves”. No entanto, ainda hoje esperam, em vão, por uma resposta para avançar. Entretanto Bush, enquanto se está nas tintas para os pobres, optou por transformar New Orleans numa autêntica zona de guerra “do Golfo III”. Porque estão os M16 dos mercenários da Blackwater a patrulhar New Orleans em gigantescas operações?,,,
,,,existem receios de que se pretenda reconstruir New Orleans como uma “cidade sem negros” numa operação de especulação imobiliária que crie uma nova bolsa do sucesso americano,,, só para Ricos! – as companhias seguradoras, a famigerada e fraudulenta Indústria de Seguros, já estão em campo para espoliar os bens dos pobres que fugiram ou tiveram o azar de não morrer, que enfrentam agora o espectro de serem atirados para os guetos correntes nos subúrbios da sociedade americana.
Aproveitando novas oportunidades de negócio,uma nova “Indústria da Tragédia” se perfila no horizonte - mais uma volta no torniquete neoliberal, que manufactura ambientes de catastrofismos deliberados, como foi o caso do alarmismo à volta do furacão “Rita”, para retirar proventos politicos e económicos.
“Já não cabem aqui as ironias nem o “já o tínhamos dito”. Aqui cabe somente uma grande dôr pelo mundo em que (sobre)vivemos, pensando que hoje aos nossos filhos se preparam tempos cada vez mais difíceis, fundados no egoísmo e na estupidez dos poderosos, cada vez mais ávidos de Poder. Em New Orleans fracassou toda a Humanidade. Os seus intelectuais, as suas organizações de trabalho, o sistema triunfante, e as religiões” disse Osvaldo Bayer no seu escrito “A Côr da Pobreza”

relacionado:
* "O GRANDE MEDO! - Estagnação e a guerra à Segurança Social"
«o crescimento está no topo da “lista de desejos” [da economia norte-americana], mas mesmo uma recessão não seria assim tão má, porque se lhe segue sempre uma retoma. O grande medo? É a Estagnação.»

domingo, outubro 02, 2005

o Neo-Senderismo no Peru


Desde 2002 abriram-se dez novos processos contra o Dr.Ruben Abimael Guzmán Reynoso (o lendário Comandante Gonzalo) e outros dirigentes de cúpula da organização Sendero Luminoso. Os novos primeiros processos foram acumulados num megaprocesso, mas Guzmán impugnou esta decisão e a questão está pendente de resolução no Supremo Tribunal do Peru.
Em causa está o facto de o Estado se recusar a julgar numa primeira instância o caso da “Academia César Vallejo”, que operou como centro de financiamento e recrutamento de militantes senderistas, e que envolveu a larga maioria da população peruana, chegando a guerrilha nos anos 90 a contar com 10 mil efectivos operacionais. Guzman, depois de detido em 1993, fez um acordo com o Estado levando á deposição das armas.
Agora o Estado “democrático” neo-fascista acusa-o de 34.500 assassinios (!). Pretender-se-á que a revolta de todo um povo seja condenada numa única pessoa?
Nestas contas, sobra contudo ainda a Ala Esquerda da luta Armada,,, (que faz de Guzman um moderado e um bom interlocutor para um futuro governo democrático de amplo apoio popular):
“Ontem, 60 homens formando uma coluna armada ocuparam a aldeia de Tabalasos, e dirigidos por uma mulher, todos vestidos de uniforme militar, permaneceram 15 minutos na praça principal, deram vivas à luta armada e abandonaram o local deixando uma bandeira vermelha com a foice e o martelo. O prefeito da cidade na região de San Martin, Max Ramírez, confirmou o fato dizendo que não houve feridos nem danos maiores à cidade, apesar da ameaça dos insurgentes em liquidar os políticos corruptos e imorais”.
Livro defende Sendero Luminoso:
Recentemente foi lançado um livro denominado “A Outra Versão”, escrito na clandestinidade por um enigmático militante, apresentando pela primeira vez uma defesa da organização armada maoísta Sendero Luminoso na guerra interna que sacudiu o Peru nas duas últimas décadas. “La Otra Versión”, título em castelhano, que circula em Lima desde há várias semanas, é uma novela onde vários personagens expõem a ideologia do Grupo Armado em resposta ao relatório da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR) que acusou o Sendero Luminoso de cometer crimes contra a humanidade. Qualificada como um insólito caminho literário pelo autor, a novela reafirma a tese de Abimael Guzmán de pretender acordo de paz para encontrar uma solução política para os problemas derivados da guerra.

sábado, outubro 01, 2005

Uma mais valia no debate teórico à Esquerda

o sitio internet

"Em Wall Street as expectativas crescem. Há fusões de grandes conglomerados e mais despedimentos massivos em perspectiva. As armadilhas da liquidez. Grandes aluviões de dinheiro – fictício, esbulhado, prometido - cachoam enlouquecidos, como manadas de bisontes em pânico. Flexibilidade, polivalência, just in time. Os ritmos aceleram para os sobreviventes da empregabilidade. Os nervos crispam-se no esforço. A TV vomita as suas obscenidades quotidianas. A terra está seca. Os peitos das mães acusam silenciosamente. Torrentes de humanidade “excedentária” afluem continuamente às megapólis de lata. As chuvas são ácidas. O barril do ‘brent’ está cotado em alta. Erguem-se novamente as cabeleiras rubras da guerra. De todos os cantos do mundo se levanta um mesmo clamor de revolta.
‘O Comuneiro’ pretende ser, dentro do mundo da língua portuguesa, um pequeno laboratório de pesquisa na busca de um propósito articulado nesta revolta".
leia mais em:
http://www.ocomuneiro.com/