Pesquisar neste blogue

quarta-feira, agosto 06, 2008

Houda Nonoo

No Golfo Árabe o Bahrein é o único país que tem cidadãos judeus. A capital Manama tem até uma sinagoga, abandonada quando Israel se estabeleceu como Estado, mas agora de novo activada. No total de uma população de 530 mil cidadãos naturais, no sultanato residem 37 cidadãos naturais que são de etnia judaica. A população total do país é de 1 milhão e 47 mil pessoas – compreendendo que o Bahrein aloja territorialmente (na Base de Juffai as instalações do Comando Aéreo Norte Americano para a região do Golfo e sueste Asiático (CENTAF), compreende-se o elevado formigueiro de diligentes empreiteiros da indústria petro-militar que gravitam em redor da principesca formiga mãe Oligarca - sua alteza o Xeque Hamad Bin Isa AL-Khalifa. . O que não se compreende é que de uma tão ínfima minoria de 37 pessoas tenha logo sido nomeada embaixatriz em Washington a cidadã judia Houda Ezra Ibrahim Nonoo.
A explicação oficial para o estranho caso de representatividade é que não se trata de propaganda, nem de casting politico; dizem que o caso apenas reflecte o clima de tolerância que vigora em relação às minorias no Bahrein, “país que é regido pela dinastia sunita que se tem sobreposto à maioria xiita”
.

terça-feira, agosto 05, 2008

os reformados da Mossad e o abono de família do Socialismo

A crescente dependência alimentar de Cuba está a agudizar-se, como reflecte o aumento da importação de arroz, feijão, carne de aves, porco, vaca e outros elementos essenciais na dieta cubana. O problema não é novidade, ao contrário dos paises de mercado livre onde o assunto foi escamoteado durante mais de um ano, o discurso de Raul Castro em Camaguey, 26 de Julho de 2007, publicado no Granma por altura das comemorações do ano 49º da Revolução, já tinha destacado o enorme aumento dos preços dos alimentos importados e deu como exemplos o aumento para o triplo do custo do leite em pó e a duplicação do preço da carne, sublinhando a necessidade de mais produção agrícola interna, especialmente de alimentos para consumo local, ao mesmo tempo que assinalava “deficiências estruturais

Os investimentos em grande escala e a longo prazo em infra estruturas turisticas – hotéis, restaurantes, móveis importados e alimentos – desviaram reservas da agricultura: a produção agropecuária, em especial a de produtos alimentícios, declinou significativamente e sobretudo a sua disponibilidade para a população local. Cuba transformou-se num país dependente de alimentos do exterior. Enquanto o turismo atraía divisas fortes, gastavam-se centenas de milhões a importar alimentos. A dependência alimentar em relação aos Estados Unidos incrementou a vulnerabilidade de Cuba perante qualquer endurecimento do embargo à exportação. O turismo, que serviu como estratégia imediata e necessária no “Periodo Especial”, transformou-se desgraçadamente num sector de crescimento intrinseco e estratégico para a economia.

O problema com a nova dependência (como com a anterior da URSS) é que oferecem soluções a “curto prazo” enquanto a longo prazo agravam os problemas estruturais, entre os quais uma má distribuição dos “recursos humanos” (há arquitectos a trabalhar como empregados de hotel) e a ausência de uma economia diversificada capaz de enfrentar os inevitáveis ciclos económicos endémicos do mercado capitalista mundial.

É incompreensivel a dependência agrícola cubana em relação ao capital estrangeiro, em especial de investidores no sector cítrico, dada a abundância de agrónomos, operadores agrícolas de extensão e oportunidades de aprender tecnologia de mercado nas escolas e universidades nacionais. O mercado mundial dos citrinos é especialmente lucrativo para o capital, desde o Brasil nos anos 70 a Cuba que entrou recentemente no circuito, o que faz com que os lucros saiam da ilha. E pela mão de quem?
Rafi "Stinky" Eitan

Segundo Gilad Atlon, em “Just a Farmer in Cuba”, um artigo publicado no Haaretz em 3 de Julho de 2007, a notícia refere-se à empresa israelita de Rafi Eitan, antigo chefe das operações europeias da Mossad, a policia secreta de Israel: “Eitan é sócio de uma companhia que possui vastas hortas em Cuba... que se ocupa da agricultura em Cuba... produzindo concentrado de sumos cítricos na recentemente construída e designada como a maior fábrica do mundo”
Para além disto, capitalistas israelitas estão a investir dezenas de milhões de dólares num complexo de escritórios de seis pisos em 186.000 metros quadrados. O projecto é uma sociedade conjunta entre a agência estatal cubana Cubalse e o Grupo BM, outra corporação israelita dirigida por Rafi Eitan
.

segunda-feira, agosto 04, 2008

O monopólio Judaico dos Media

imagine-se porque é que os Media norte americanos cobriram de forma doentiamente exaustiva o 11 de Setembro, e porque é que não cobrem o genocídio na Palestina?

Em Outubro de 2005 o grupo Mecom (do inglês David Montgomery) e a VSS (Veronis Suhler Stevenson) compraram dois jornais alemães de referência, precisamente os mais lidas no país, o Berliner Zeitung (centro esquerda), o semanário Die Zeit e diversas outras publicações. O caso fez soar as campaínhas de alarme. Era a primeira vez que sociedades de investimentos estrangeiras compravam o direito de (en)formar a opinião pública na Alemanha, cujos meios de comunicação eram tradicionalmente detidos por empresas nacionais, livres quanto possivel depois de “desnazificadas” após a vitória dos aliados em 1945. Mas os compradores, a que figuras públicas, deputados e intelectuais apelidaram de “praga de gafanhotos anglo- saxónicos”, não era a primeira vez que dominavam o panorama mediático na Alemanha. Embora encapuçados pela alta finança, trata-se de um regresso a um lugar onde a social democracia burguesa, depois de assassinar a legitimidade, já os tinha feito felizes,,,

Nos nossos dias, apenas 7 judeus americanos controlam uma vasta maioria das cadeias de televisão, da imprensa escrita, a indústria cinematografica de Hollywood, das empresas editoras de livros e da indústria de gravação de discos e imagens. A maioria destas indústrias estão concentradas em grandes conglomerados de Media geridos pelos seguintes 7 individuos:

Gerald Levin, CEO e Director da AOL Time Warner
Michael Eisner, Chairman e CEO da Walt Disney Company
Edgar Bronfman Sénior, Chairman da Seagram Company Ltd
Edgar Bronfman Júnior, Presidente e CEO da Universal Studios
Sumner Redstone, Chairman e CEO da Viacom, Inc.
Dennis Dammerman, Vice-Chairman da General Electric
Peter Chernin, President and Co-CEO da News Corporation Ltd.

Estes 7 judeus colectivamente controlam a ABC, NBC, CBS, a Turner Broadcasting System, CNN, MTV, Universal Studios, MCA Records, Geffen Records, DGC Records,
GRP Records, Rising Tide Records, Curb/Universal Records e a Interscope Records.

A maior parte das “publicações independentes” são também propriedade de judeus. Um exemplo de monopolista dos Media é a familia Samuel I. “Si” Newhouse Jr, (filho de Solomon Neuhaus) que possui dúzias de jornais, desde Staten Island até ao Oregon: a revista dominical Parade, a colecção de magazines Cond Nast, que inclui a Vogue, The New Yorker, a Vanity Fair, Allure, GQ e a Self; e ainda, firmas publicitárias como a Random House, Knopf, Crown e Ballantine, entre outras publicações e cadeias de televisão por cabo com milhões de subscritores.
As imagens e a escrita ficcionada contam-nos sempre a história daquilo em que já acreditamos. È como nos horóscopos, cada um lê-os por si, mas são generalidades concebidas para acertar na vida de todos. Portanto caro leitor, cuide-se, para não ingerir informação inquinada e formar opinião viciada à partida com base na ideologia Sionista produzida por estes autênticos meios de desinformação judeus-americanos que possuem as respectivas filiais pelo mundo inteiro, incluindo a Europa – uma delas, insuspeita, é a francesa “Marianne”, propriedade do judeu Robert Assaraf, responsável pela campanha de demolição da actriz Marion Cotillard quando se descobriu que esta, antes de ganhar o óscar, tinha resolvido questionar publicamente o 11 de Setembro.
(fonte)

domingo, agosto 03, 2008

O extermínio das vozes dissidentes

Segundo Eric Sottas, director da Organização Mundial Contra a Tortura, a intenção de aniquilamento de todo um grupo politico é um crime que ainda não está clarificado a nível internacional

A ofensiva do Império contra os revolucionários das FARC-EP (Exército Popular de Libertação da Colômbia) transcende as fronteiras do seu país e já se estende à Europa, como parte da ofensiva mais geral do capitalismo contra a humanidade que (sobre)vive do sistema de assalariamento. O governo de Álvaro Uribe, pela interposta pessoa do super-juiz Baltazar Garzón, já encontrou uma nova vítima: a espanhola María Remedios García Albert, que, acusada de “delito de colaboração com um grupo terrorista na “operação Cali”, saíu em liberdade condicional com uma fiança de 12 mil euros a pagar em 8 dias. No mínimo, o linchamento mediático de Maria Remédios nos meios de comunicção já começou. A acusação baseia-se na famigerada “informação” recolhida do famoso computador do nº2 das FARC Raul Reyes, assassinado em Março passado pelos consultores militares estrangeiros em parceria com o exército colombiano quando negociava a libertação de reféns. Algo não bate certo, porque no dia seguinte a acusação passou de “delito de colaboração” a “possivel delito de colaboração com grupo armado”. Decerto que nada de consistente juridicamente existe contra a cidadã espanhola, trata-se de um bluf (1) Nunca nada foi legislado em Espanha declarando jurídicamente as FARC como grupo terrorista. Estamos perante a criminalização da solidariedade que visa todas aquelas pessoas que mantêm contactos humanitários com a guerrilha, conforme o direito internacional, em busca de uma solução pacífica para o conflito; trata-se também de uma manobra de diversão destinada a ocultar notícias como a detenção do congressista Carlos Garcia do Fisco colombiano acusado de ligações aos bandos armados paramilitares de extrema direita e sócio politico de Uribe (segundo a revista Semana já são 70 o número de congressistas implicados) – assim, o juiz Garzón ao pactuar com o chefe do Fisco colombiano Iguaran, um indefectivel uribista, faz o pleno, ao fazer com que o Sistema Judicial espanhol seja cúmplice do terrorismo de Estado colombiano.

¿Quem investiga os assassinatos políticos na Colômbia?

Nem as tropas alemãs de Hitler (ou as de Roosevelt, Churchill ou Estaline) utilizaram alguma vez o símbolo da Cruz Vermelha para cometer acções de guerra. Mas o narco-presidente que se legalizou no governo da Colômbia fê-lo. O famoso resgate dos três mercenários norte-americanos, dos 11 polícias e militares e de uma politiqueira colombiana foi efectuado usando um helicóptero pintado com o símbolo da Cruz Vermelha Internacional – organização que é inteiramente alheia a tal manobra. As mais poderosas forças armadas da América Latina – coadjuvadas pelas dos EUA e assessoradas por conselheiros militares israelitas – precisaram de um ardil sujo a fim de alcançar o seu intento. "César" subiu para o helicóptero porque este tinha os emblemas da Cruz Vermelha

(2) lembrete para os neocons e tutti quanti (Saramago incluido) que persistem em considerar as FARC como um “movimento terrorista”

Nem Chavéz, nem Correa, nem Morales, nem a maioria dos que se interessam pela verdade histórica, ignoram o que se passou com a União Patriótica da Colômbia (UP). Este partido político foi fundado em 1984 como parte de uma proposta política que previa a legalização das FARC. O então presidente Belisario Betancur manteve negociações com a oposição, até os norte americanos agilizarem de novo o Plano Colômbia e o financiamento que levaria o extremista Álvaro Uribe ao poder apoiado por forças paramilitares. Desde então, segundo as organizações de direitos humanos, desde a fundação da UP, deste partido foram assassinados 2 candidatos presidenciais, 8 congressistas, 13 deputados, 70 vereadores concelhios, 11 autarcas e cerca de 5000 militantes. Quando Chávez aliciou recentemente mais de 10 mil guerrilheiros a deporem as armas sem pedir nada em troca, poderia garantir que o massacre não iria continuar?

Iván Madero, da Associação Solidariedade e Direitos Humanos (da Colômbia), depois de uma saudação a Cuba, narra a história do paramilitarismo na Colômbia e do governo de Álvaro Uribe

O título do documentário “El Baile Rojo”, "a Memória dos Silenciados", provém do nome da operação militar contra a Frente Patriótica, um partido proposto em 1984 pelas FARC para pôr termo à guerra civil. O genocídio foi manejado por politicos, militares e milicias civis, num plano cínicamente chamado “o baile vermelho”. Foi a sangue e fogo que foi apagada uma situação de legalidade do mapa politico e a possibilidade de reconciliação. Ver aqui a cronologia dos acontecimentos e a sinopse do documentário do realizador Yezid Campos, que contou com depoimentos de 25 sobreviventes dos cerca de 3000 militantes agrupados no chamado “Movimento Reiniciar”, uma organização não governamental que liderou uma petição dirigida à Comissão dos Direitos Humanos Inter- Americana

El Baile Rojo - 58min. 56seg.


(1) o advogado de Remedios García no seu recurso de apelação desmonta as acusações de colaboração com as FARC:
“todos y cada uno de los elementos probatorios enunciados en el auto carecen de validez jurídica y devienen inhábiles por tratarse de una obtención de prueba ilegal, viciada en su origen al proceder de unos supuestos ordenadores de Raúl Reyes respecto a los cuales no se conoce nada de su cadena de custodia hasta 10 días después de permanecer en poder de las autoridades colombianas”

(2) os videos sobre o genocidio da UP podem ser vistos aqui

sábado, agosto 02, 2008

pior a emenda que o soneto

A oposição ao Tratado de Lisboa intensifica-se. Uma segunda votação na Irlanda, uma invenção virtual dos decisores da UE como no Second Life, seria derrotada por 62 por cento contra 38 por cento, segundo uma sondagem (RedC) divulgada depois do presidente Ncholas Sarkozy ter voado para fora do país.
A pesquisa mostrou que a oposição ao Tratado que difamou o nome de Lisboa se reforçou desde o referendo de 12 de Junho quando o “Não” venceu por 53,4 por cento contra 46,6%. Quando os 16 por cento dos eleitores anteriormente indecisos são incluidos, a sondagem mostra que o “Não” obtém 52 contra 32 por cento de intenções de voto no “Sim”.
Uma das principais razões do “Não” é simples: há legislação que só deve ser decidida pelo povo irlandês, que, pelo que é proposto no Tratado de Lisboa passaria a ser imposta pelo directório da União Europeia.

sexta-feira, agosto 01, 2008

a Morte Progressiva

Honra e Poder ao grande Bonzo reaccionário.

Quando toda a gente pensou que sua excelência iria anunciar a falência do Banco de Portugal ou o voto em referendo ao fraudulento "tratado de lisboa", a abrupta comunicação às salsas brisas marítimas resumiu-se a cercear a autonomia progressiva de uma região especifica – aquela que, dentro da degradação do sistema, ainda conserva alguns resquícios do “socialismo à lá Soares”

Slaves
Hebrews born to serve, to the Pharaoh
Heed
To his every word, live in fear
Faith
Of the unknown one, the deliverer
Wait
Something must be done, four hundred years
So let it be written
So let it be done
I'm sent here by the chosen one (…)

Esta lírica, inspirada nas sete pragas descritas na Bíblia foi criada pelos Metallica, bem mais curtidos que os cotas bem instalados na vida. Cliff Burton, o baixista que já bateu a bota, quando viu o filme “Os 10 Mandamentos” do judeu Cecil B. deMille protagonizado pelo director da “National Riffle Association”, exclamou “Uau! estes gajos vão estando progressivamente mortos”.

Estagnação Progressiva

ainda não é a morte, mas curiosamente explica perfeitamente a situação político- económica actual. Como se disse, é sempre a mesma cena interpretada de diferentes maneiras embora se represente com outros actores noutros palcos. Ressuscitemos então a história:
“Concerteza virá, mais tarde ou mais cedo, uma reviravolta genuina: as fases do ciclo de negócios seguem-se umas às outras com a mesma regularidade com que mudam as fases da lua. Mas que género de recuperação virá aí? Há vinte anos atrás (1938), o professor americano Alvin Hansen de Harvard, um economista keynesiano de vanguarda, publicou um livro intitulado “Retoma Completa ou Estagnação?” (Full Revovery or Estagnation?) e a questão é tão pertinente agora como o era então.
Pelas mais variadas razões, que têm vindo a ser expostas nestas páginas, a resposta a esta questão depende largamente do curso provável do investimento privado. A níveis de pleno emprego, a economia de monopólio capitalista gera enormes lucros, que deverão ser investidos em larga margem tendo em vista o prosseguimento da obtenção de lucros.
Contudo, as actuais decisões acerca de quanto deve ser investido são feitas por milhares de empresas privadas individuais, não como num sistema como um todo. Se esses actores decidirem reduzir a taxa de investimento, o nivel de actividade económica deverá abrandar, o desemprego aparecerá e os lucros serão reduzidos, até que a quantidade disponível para investimentos seja reduzida até ao minimo da procura nos armazens de produtos mais imprescindíveis.
Nós ouvimos por estes dias grandes tiradas sobre a “inflação progressiva” e a morte progressiva da esquerda e do socialismo. A receita é velha, como aquela onde se recorreu a mencionar apenas um evento para uma nova aventura militar na Coreia. Ultimamente, desafortunadamente, ainda não se expressou nada de concreto para além da imaginação da classe dominante. O problema real que assola o país é de um género diferente, porém muito familiar para nós atendendo à experiência da “grande recessão” de 1930. O problema pode ser apropriadamente chamado de “estagnação progressiva”

Inflação e Deflação em simultâneo

Do Resistir: “A situação económica é, provavelmente, inédita. Não há memória de manifestações de inflação e de deflação em simultâneo . Por um lado, sobem os preços do petróleo e dos alimentos (mesmo sem considerar a desvalorização acelerada do dólar americano). Por outro, verifica-se uma queda nos valores dos bens imóveis, de muitas empresas industriais (se fossem vendidas hoje já não valeriam o mesmo que há um ano atrás) e obviamente das bolhas nos mercados de acções e outros títulos. Mais: o fenómeno tem um carácter mais ou menos generalizado entre os países da OCDE.
O capitalismo pode conviver muito bem com a inflação. As advertências frequentes que os banqueiros fazem contra a inflação não passa de conversa destinada ao grande público. Mas daquilo que realmente os preocupa eles nunca falam: é a deflação. A deflação introduz um risco sistémico. Empréstimos efectuados tendo como base uma garantia colateral de um determinado valor tornam-se menos seguros. Se o montante em dívida ultrapassar o valor depreciado da garantia, o tomador será tentado a abandonar a sua obrigação contratual. Tudo isso indica que o mundo está a entrar em águas ignotas. Há um grande trabalho de investigação a fazer”
.

quinta-feira, julho 31, 2008

justiça neocon

Os meios de comunicação social, a maquinaria mediática que conduz a opinião pública e cria o imaginário popular, são hoje talvez a ferramenta mais poderosa em mãos da amálgama de ultras e mentecaptos "de direita" apostados, em nome da alta finança de que se alimentam, em conduzir o mundo para uma situação de caos global. O pesadelo orwelliano, a manipulação das consciências à maneira de Goebbels, é o alimento diário de cidadãos e consumidores da nossa singular, acossada e cristalizada democracia. A discussão política, limitada às traduções de uma só voz, dividida pelos estridentes Expresso, Público, RTP e compinchas privados, etc. toma formas de doutrinação, provoca deliberadamente abulia, desinteresse, conformismo e também desprezo. Veicula-se doutrinas para a resignação, para o medo, para a ignorância e estupidez.

Desde os bombardeamento sem motivo das estações de rádio da Jugoslávia, ordenadas pela administração Clinton em 1996 e executada com canina subserviência pelos europeus organizados na Nato, a lista de crimes e criminosos é extensa.
Convocará o Tribunal de Haia este 1º criminoso de guerra?
Perante a repressão policial que se abate sobre a vanguarda dos sérvios mais esclarecidos, os políticos ocidentais recebem com um esgar de satisfação a localização e captura do sérvio-bósnio Radovan Karadzic, conduzido a Haia para ser julgado. Tudo indica que o mesmo não ocontecerá ao hispânico Javier Solana, militante do PSOE, dirigente da Nato quando esta bombardeou indiscriminadamente população civil na antiga Jugoslávia
.

quarta-feira, julho 30, 2008

o Maestro

“a hipótese politicamente incorrecta do Bloco Central pode ser a mais adequada às dificuldades que o país atravessa”
Jornal de Negócios

com violinos e fagotes se quedam os tolos enganadotes. Miguel Graça Moura (Público, 14/Julho) faz a sua declaração de interesses: “apesar de não pertencer a nenhum partido” afirma que já colaborou com todos os partidos institucionais, do PS ao PSD passando pelo PCP (na divulgação de música erudita na Festa do Avante) isto é, os partidos são todos clientes e encarados como uma fonte de receitas (exactamente o mesmo acontece com as empresas de construção civil; e então Graça Moura sugere: “um governo que integre o PS e o PSD corresponderia aos anseios de 75 a 80 por cento dos portugueses e a uma formidável legitimidade governativa” (e então? por que é que não experimentam concorrer coligados?). Mas no entanto no final do artigo MGM declara que “é óbvio que o PS e o PSD devem concorrer às eleições legislativas sózinhos”. Porquê o embuste?

“o que toca a todos deve ser aprovado por todos”
Edward I, rei de Inglaterra (1239-1307)
-

terça-feira, julho 29, 2008

o Soares marxista

Desde que o Tim-Tim assumiu a presidência, Mário Soares transfigurou-se no Rom-Rom, uma obra de arte do desenho animado. Retórica e anti-retórica, não há que ter dúvidas entre o que é de “direita” e o que é de “esquerda”. Neste cantinho do sonho europeu é fácil de ver qual das duas faces do mesmo governo nos conduziram às políticas de desigualdade, insustentabilidade e injustiça social.

o capitalismo financeiro, especulativo e dito de casino, do século XXI, e o descalabro a que está a conduzir o Ocidente, suscitam uma nova reflexão sobre a obra de Marx
Mário Soares, no DN, 23/Julho/2008

Referindo-se à “revolução cultural Obama”, Soares “acha que estamos perante um daqueles momentos da história em que a América (presume-se que estivesse a pensar na do Norte) se pode voltar a erguer a favor do Bem” (Teresa de Sousa, Público 23/Julho) “como aconteceu com a eleição de Roosevelt quando o mundo vivia os dias negros que se sucederam à crise de 1929 para lançar o New Deal e liderar o combate contra o Fascismo”.

Como na crise que conduziu à grande confrontação entre potências na IIGrande Guerra, o fascismo está instalado nos governos; Onde mais poderia estar? – Soares não reflectiu o suficiente, como quando Deng Xiao Ping em 1987 assumiu o comando na modernização da China optando por confrontar o capitalismo no seu campo com as suas próprias armas.

Deng, decidiu-se por expurgar de cena o radicalismo esquerdista do Bando dos Quatro – ou seja, como os tempos e os lugares mudam, Soares deveria ter estudado a dialéctica marxista depois do up-grade filosófico maoista – no actual contexto deveria ter sugerido o saneamento de Bush, Hillary, Obama e McCaino bando dos 4 conluiados na persecução da tenebrosa ditadura dos bilionários da nova ordem mundial – estes são, sem dúvida, os co-autores da revolução cultural de que o pobre Soares fala. (pobre no sentido em que os milhões dos gloriosos anos mencionados no “caso Mateus” já não fluem como outrora)
-

segunda-feira, julho 28, 2008

a psicose financeira das sextas feiras à tardinha

Depois de há duas semanas ter salvo da falência o IndyMac Bancorp Inc. e o First Heritage Bank da Califórnia, a FED intervém com novas injecções de dinheiro salvando mais 2 bancos falidos: o Mutual of Omaha Bank e o First National Bank of Nevada (respectivamente o 6º e o 7º banco declarados insolventes este ano).

Stefan Zaklin, um fotógrafo free-lancer que trabalha para a European Pressphoto Agency e tem feito missões “embedded” no Exército dos Estados Unidos, publicou esta foto de um soldado atingido a tiro morto em Fallujah. Depois da fotografia ter sido divulgada em inúmeros jornais europeus e em muitos sítios Internet, Zaklin foi banido da integração em missões das tropas dos EUA.

Religião Bélico-Financeira

Estamos assim numa situação sui-generis, muito mais grave que nos anos seguintes à depressão de 1929, quando não havia crise energética e mesmo assim “a crise” resultou numa conflagração mundial, quando Hitler reagiu controlando a inflação provocada do exterior. Contudo, é preciso compreender que, com a derrota o inimigo não desaparece de cena como que por magia; o melhor dele, ou seja o pior, é assimilado e incorporado pelos vencedores. Assim, na actual situação, dinheiro falso emitido pela judiaria vencedora da 2ª Grande Guerra que controla a FED não falta. A inflação declarada pela moeda hegemónica mundial é uma declaração de guerra das élites dos paises ricos contra todos os pobres das periferias. Amigo ou inimigo, quem não morre nas guerras morre de fome como resultado da inflação provocada pelo financiamento das guerras. E quem denuncia as situações é banido da comunicação social dominada pela judiaria extremista que domina os media. O próximo passo, presume-se, será tentar “higienizar” o acesso à Internet, situação para a qual a judiaria fanática que domina o Pentágono parece estar já a trabalhar.

domingo, julho 27, 2008

para quê ,e a quem serve a guerra?

Como cristão, Bush deveria saber que não devia ter invadido o Iraque; o velho testamento oferece numerosos exemplos dos ódios perpétuos entre as tribos. Claro que Bush sabia, e a intenção declarada para criar desordem em redor dos invasores enquanto as tropas se resguardam nas ilhas-quartéis, foi provocar a guerra entre sunitas e xiitas, uma etnia que “entra” pelo Irão adentro. Dá jeito, e decerto está a ser objecto de aturado estudo.

Depois de Freud e de Lacan (entre outros) a nossa visão do ser humano não ficou igual..."no seminário do ano de 1964, Lacan fez da transferência um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise, ao lado do inconsciente, da repetição e da pulsão. Definiu-a como a encenação, através da experiência analítica, da realidade do inconsciente. Esta perspectiva levou-o a ligar a experiência à pulsão."
(E. Roudinesco e M. Plon,"Dicionário da Psicanálise", Ed. Inquérito, 2000, p. 755).

Agora que Obama (e com ele as boas intenções dadas a emocionar meio mundo) já foram a Bagdad e voltaram, (e no intermezzo pediu mais tropas à Europa) quais são as novidades acrescentadas para compreensão do problema? Para que é que serviu, serve e servirá a invasão e a guerra do Iraque?

Para deitar mão ao petróleo? para proteger o dólar? Para mudar de regime?
Provavelmente para todas estas coisas - quando se vai para a guerra, a América chama-lhe Negócios, mas é preciso não esquecer, cada dia que passa representa sofrimento para milhões, mas também é dia de receber os salários do século para a corja tripulada pela administração Bush – é esta a verdadeira razão porque eles não cortam de imediato com a situação insustentável e desaparecem.

“Os do contra, como este pândego que apelida a revista New Yorker de esquerda" escandalizam-se com os desenhos escabrosos do Osama muçulmano, mas não reparam na mesma palhaçada feita com o neo-neocon McCain. Não reparam que ambos são “vaipes” do mesmo género lançados para entreter multidões enquanto, distraídas, as questões objectivamente importantes lhes escapam.
Por especial cortesia de um spot publicitário da Halliburton, a empresa onde pontificou o ex-administrador Dick Cheney, trazida até nós pela administração Bush, desvenda-se neste video o modo como esta dupla de criminosos, com o beneplácito do Congresso, apoia as tropas que enviam para as privatizadas missões de ocupação – dos próprios soldados nacionais americanos aos da coligação Nato – todos são envenenados pela água que bebem fornecida por contrato exclusivo pela KBR, uma subsidiária da Halliburton – é preciso facturar e receber o dinheiro, claro. No Iraque isso não é problema. Mas a segurança sanitária não faz parte das preocupação deste tipo de empresas mercenárias. Ou “os desinfectantes adicionados” são simplesmente um processo de guerra biológica para neutralizar quimicamente os desgraçados armados que são enviados como alvo para acções militares com as quais nada têm a ver?

A chusma de boçais cobardolas do Congresso norte americano devia preocupar-se com o problema, mas se calhar andam demasiado ocupados com a preparação do ataque ao Irão – assim, sobram apenas as declarações dos soldados zé-ninguém imbecilizados pelas pulsões medievais do drapear de bandeiras,

sábado, julho 26, 2008

26 de Julho de 1953

Santiago de Cuba - o assalto ao quartel Moncada

agora tão badalada, “a Declaração (Francesa) dos Direitos do Homem" legou às gerações vindouras este principio: Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é para este o mais sagrado dos direitos e o mais imperioso dos deveres” – quando uma só pessoa ou grupo se apodera da soberania, devem ser condenados à morte pelos homens livres”

Na madrugada de 26 de Julho, um punhado de rapazes lançam-se ao assalto do quartel Moncada. Armados de dignidade e de cidadania e umas poucas espingardas de caçar passaritos, batem-se contra a ditadura de Fulgencio Batista e contra meio século de república colonial mentirosa. Alguns, poucos, morrem na batalha, porém mais de setenta são aprisionados pelo exército ao cabo de uma semana de tormentos. Os torturadores arrancam os olhos de Abel Santamaria e de outros prisioneiros. O chefe da rebelião, prisioneiro, pronuncia ele próprio a sua alegação de defesa. Fidel Castro tem cara de homem, e oferece-a, entrega-se totalmente, sem pedir nada em troca. Os juízes escutam-no, atónitos, sem perder uma palavra, porém as suas palavras não são para os bafejados pelos deuses: ele fala para o meio dos diabos, e para eles, em seu nome, explica aquilo que fez. Reinvindica o ancestral direito de revolta contra o despotismo: “mais depressa se afundará esta ilha no mar, que consintamos ser escravos de nada”. Majestoso, o tronco como uma árvore. Acusa Batista e os seus oficiais, que trocaram os uniformes por batas de carniceiros. E expõe o programa da Revolução. Em Cuba poderá haver comida e trabalho para todos?!, e de sobra!, não, isso não é uma coisa inconcebível (...)

Texto completo de "A Historia me Absolverá"

curiosamente, um facto pouco conhecido, a expressão "a história me absolverá" foi repescada de um manifesto de José Marti, o pai da 1ª independência de Cuba.

"Os norte americanos submetem o sentimento à utilidade. Nós submetemos a utilidade ao sentimento. E se existe esta diferença de organização, de vida, de ser, se eles vendiam enquanto chorávamos, se substituimos a sua cabeça fria e calculista pela nossa cabeça imaginativa, e o seu coração de algodão e de canhoneiras, por um coração tão especial, tão sensível, tão novo, que só pode chamar-se coração cubano, como querem que legislemos com as leis com que eles legislam? que os imitemos? Não!, que os copiemos?. Não! é bom, dizem-nos. É americano dizemos. Acreditamos, porque temos necessidade de acreditar. A nossa vida não é semelhante à deles, nem deve, em muitos pontos, assemelhar-se. A sensibilidade entre nós é muito grande. A inteligência é menos positiva, os costumes são mais puros; como com leis iguais, vamos ordenar dois povos diferentes? as leis americanas deram ao Norte um alto grau de prosperidade, e também o levaram ao mais alto grau de corrupção. Metalizaram-no para o tornarem próspero. Maldita seja a prosperidade a um custo tão elevado"
José Martí (1853-1895)

*relacionado:
"Fidel Castro e a Internet"
.

sexta-feira, julho 25, 2008

Cui Jian: é verdade, já levamos 100 anos de Revolução; a politica é uma coisa muito perigosa, pode destruir-nos - Sinal de abertura e modernização da sociedade chinesa, o antigo trompetista na Orquestra Filarmónica de Beijing que virou pop-star, actua de venda vermelha nos olhos à procura da Felicidade. Apesar disso ser a única coisa que o homem diz, dá azo às mais variegadas interpretações. Hoje a fechar a noite em Sines no Festival Músicas do Mundo. Depois da vedeta bollywoodiana Asha Bhosle, o festival encerra amanhã com uma barulhenta algaraviada de marados que dizem pretender recriar Jimi Hendrix – pobres ratos, se comparados com o virtuoso papa-hamburguers do Village que esteve aqui há um par de anos – daí que o melhor deste ano seja mesmo o franguinho assado na tasca da Dona Edite comido à mão em bancos corridos ao som do "estralajar" do fogo de artifício.

Popa Chubby - Hey Joe(8min.49seg.)

o filão da obamania

lamentavelmente, teremos a construção civil de novo como motor do capitalismo:
"Obama defende em Berlim "menos muros e novas pontes"
e olhem que sagaz:
"um especialista em marketing diz que Obama poderá ser o novo Kennedy" e uma curiosidade:
Obama ficou alojado no Hotel Adlon uma hospedaria judaica de 7 estrelas junto às Portas de Brandenburgo nas traseiras da embaixada americana e inglesa que em tempo configurei aqui

Obama em cima de um T-34 soviético fala ao proletariado

No outro lado da multidão, a verdadeira história:
à entrada do Tiergarten, 2 tanques russos T-34 no monumento que
celebra a libertação da Alemanha pelo Exército Vermelho

quinta-feira, julho 24, 2008

Terramoto de Longa Duração

Boaventura Sousa Santos

"A miragem das elites tecno-políticas europeias muitas delas formadas em universidades norte- americanas é que a Europa só poderá competir globalmente com os EUA na medida em que se aproximar do modelo de capitalismo que garantiu a hegemonia mundial deste país durante o século XX.
Trata-se de uma miragem porque concebe como causas dessa hegemonia o que os melhores economistas e cientistas sociais dos EUA concebem hoje como causas do seu declínio, fortemente acentuado nas duas últimas décadas.
A transformação do trabalhador num mero factor de produção e a transformação do imigrante em criminoso ou cidadão-fachada, esvaziado de toda a sua identidade cultural, são as duas fracturas tectónicas onde está a ser gerado o terramoto social e político que vai assolar a Europa nas próximas décadas.
Vão surgir novas formas de protesto social desconhecidas no século XX. A vulnerabilidade do Estado será visível em muitas delas, tal como aconteceu com a greve de camionistas, vulnerabilidade reconhecida por um primeiro-ministro cuja eventual ignorância da história contemporânea foi compensada pela intuição política: foi a greve de camionistas que precipitou a queda do governo de Salvador Allende.
A quem beneficiará o fim de um sindicalismo independente e o agravamento caótico do protesto social? Exclusivamente ao Clube dos Bilionários, os 1125 indivíduos cuja riqueza é igual ao produto interno bruto dos países onde vive 59% da população mundial".

(artigo completo aqui)
.

quarta-feira, julho 23, 2008

os assombrados mortos vivos da ex-Jugoslávia

Fugitivo como ínfima parte de uma constelação internacional de assassinos, formado em psiquiatria na Universidade Estatal de Moscovo e especializado na China em medicina alternativa, entregue pelos novos dirigentes do seu país (liderados por Boris Tadic e empossados a 18 de Julho) como moeda de troca no negócio de acesso ao mercado da União Europeia, o Dr. Dragan "David" Dabic tinha um site na Internet. Ali se podem ler dez dos seus velhos provérbios chineses favoritos, como prática pessoal aconselhada, sob o lema “cure-se interiormente: controle as necessidades crescentes para que tenha pontos de vista alternativos no mundo moderno”,

- Por trás de cada homem capaz, há sempre outro homem capaz.
- O professor abre a porta, mas és tu que deves entrar por ti mesmo.
- Um homem sábio toma as suas próprias decisões, um ignorante segue a opinião pública.
- Aquele que não consegue concordar com os seus inimigos, é controlado por eles.
- Se a tua força é fraca, não carregues fardos pesados. Se as tuas palavras não têm valor, não dês conselhos.
- Um diamante danificado é melhor que uma pedra comum perfeita.
- Aprender é um tesouro que deve seguir o seu possuidor para todo o lado.
- Se planeias para um ano, semeia arroz; se planeares para uma década, planta árvores; se planeias para a vida inteira, ensina o povo.
- Não podes impedir os pássaros do agoiro de voarem sobre a tua cabeça, mas podes impedi-los de fazerem ninhos nos teus cabelos.
- Aquele que desiste de si próprio, deverá cavar duas sepulturas
.

Photoshop

A inesperada viçosidade da prisioneira mais famosa do planeta contrasta com o retrato debilitado com que a pintaram quando estava presa pelas FARC. “Muitas coisas que aconteceram na selva, têm de ficar na selva” disse Ingrid Bettancourt – por exemplo, que antes de ser presa como deputada e candidata à presidência tinha apenas 2 por cento das intenções de voto, ou que o ex-professor universitário Dominique Villepin, depois 1º ministro francês tinha tido um affaire com a ex-aluna franco-colombiana não se poupou em esforços para mediatizar românticamente a promoção politica de Ingrid.

Novelas áparte, há medida que o tempo passa começam a tornar-se mais visiveis os contornos da “heróica operação de libertação” – depois dos jornais terem reconhecido que Uribe usou o símbolo da Cruz Vermelha para enganar os guerrilheiros, de ter havido pagamentos milionários a pseudo desertores, agora aparece uma ONG espanhola, a Associação Global Humanitária com séde em Barcelona que actua na Colômbia desde 1998 auxiliando 15 mil pessoas, também a queixar-se de os seus dados terem sido utilizados para criar uma ONG fictícia, também usada na “Operação Jaque”

ficticia?
Resumindo a operação de contra-informação mediática e depois militar desenrolou-se dentro dos seguintes objectivos estratégicos:
1º - Liquidar a inconveniente actividade humanitária envolvida na busca de negociações de paz entre o governo Uribe e as FARC, encabeçada e desenvolvida pelo presidente Hugo Chávez
2º - Assegurar o “direito de intervenção militar” dos Estados Unidos na Venezuela, Equador e Bolívia
3º - Colocar em linha Hugo Chávez e Fidel Castro; e por extensão a Revolução cubana e o impulso Bolivariano na América Latina.

É como resposta, e à luz destes dados, que deve ser vista a "ameaça russa" veiculada hoje pela comunicação social

actualização (24 Julho):
"os Media inventam bases militares russas na Venezuela"
.

terça-feira, julho 22, 2008

Capitalismo de desastre: Estado de extorsão

Invadir países para apoderar-se dos seus recursos naturais é ilegal, segundo a Convenção de Genebra. Isto significa que a gigantesca tarefa de reconstruir as infra-estruturas do Iraque é responsabilidade financeira dos invasores. Em vez disso, o Iraque está obrigado a vender 75% de seu património nacional para pagar as contas da sua própria invasão e ocupação ilegais. Os capitalistas do desastre têm estado ocupados. A análise é da Naomi Klein (traduzida em brasileiro para a Carta Maior 18/7),

Desde que o barril de petróleo ultrapassou os 140 dólares, até os interlocutores de direita mais furibundos são forçados a demonstrar o seu credo populista dedicando uma parte dos seus programas a massacrar as companhias petrolíferas. Alguns foram tão longe a ponto de convidar-me para uma conversa amigável sobre um insidioso novo fenómeno: “o capitalismo do desastre”. A coisa marcha bem... até que se começa a torcer.

Por exemplo, o interlocutor “conservador independenteJerry Doyle e eu mantínhamos uma conversa perfeitamente amigável sobre as turvas companhias seguradoras e a inépcia dos políticos, quando ocorreu o seguinte: “Acho que há um sistema para baratear rapidamente os preços”, anunciou Doyle. “Investimos 650 bilhões de dólares para libertar uma nação de 25 milhões de pessoas. Será que já não é hora de reclamarmos um pouco de petróleo em troca? Deveria haver uma fila de caminhões-tanque, um atrás do outro, formando um congestionamento em direção ao Túnel Lincoln, o malcheiroso Túnel Lincoln, bem na hora do rush, cada um deles com um bilhete de agradecimento do governo iraquiano... Por que não vamos e simplesmente pegamos o petróleo? Nós o ganhámos libertando um país. Posso resolver o problema do preço do petróleo em dez dias em vez de em dez anos.”
O plano de Doyle tinha alguns problemas, é claro. O primeiro é que estava descrevendo o maior latrocínio da história mundial. O segundo é que chegava tarde demais: “nós” já estamos roubando o petróleo do Iraque.

(ler o original completo aqui)
relacionado (no Médio Oriente Vivo):
"O Envolvimento dos Curdos e de Israel no Iraque"

.

segunda-feira, julho 21, 2008

CPLP, Commonwealth, Ditadores

“É tempo de olharmos mais para Oriente, para onde o sol nasce, em vez de olharmos para o Ocidente, onde o sol declina e por fim desaparece”
Robert Mugabe

Porque é que a postura politica do Ocidente perante Angola é diferente da do Zimbabwe? – e porque é que Angola merece todas as deferências e atenções, desde Sócrates (uma nova linha de crédito) a Sarkozy (a absolvição do “Angolagate”), passando pela visita de vassalagem de Jerónimo de Sousa?petróleo e ditaduras friendly, amigas e subservientes ao parlamentarismo burguês, parecem ser dois factores que casam sempre muito bem. Até sectores insuspeitos, assumidos como de esquerda, como “Le Monde Diplomatique” branqueiam a ditadura angolana: na resenha da história recente de Angola, publicada (na caxa “A paz conquistada a alto preço”) os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 desapareceram da cronologia! E aí morreram dezenas de milhares de pessoas, demasiadas para serem apagadas da memória.
clique nos recortes para ampliar
Hoje Mugabe, ao aceitar conferenciar com a oposição, voltou a trocar as voltas aos comentadores comprometidos com a ingerência no país. Um dos países que apoia Mugabe é Angola, e aí, por outras razões, pois em Angola aproxima-se um período eleitoral. O país vai pela primeira vez enfrentar eleições que deverão ocorrer em 5 e 6 de Setembro de 2008. O edificio da Comissão Nacional de Eleições, construido em Luanda por portugueses, está quase pronto.

Em Angola, existe na prática uma situação de partido único e o homónimo de Mugabe, José Eduardo dos Santos, bem como o partido de governo, MPLA, não escondem que a “democracia na economia neoliberal” é um vento que desagrada profundamente aos dirigentes angolanos instalados no poder. A queda de Mugabe, poderia ser vista em Angola como um prenúncio do que está para vir. Há 16 anos, as eleições angolanas despoletaram o reacender de uma cruel guerra civil. Será natural que não seja possível, com ardilosas manipulações de papelinhos, alterar a Constituição que consigna a independência nacional. No Zimbabwe, o presidente nacionalista avisou claramente que se não ganhasse as eleições, o seu partido pegaria em armas para ganhar se necessário na ponta das espingardas o que não conseguísse com o voto – uma astuciosa arma financiada pelos interesses estrangeiros.

Em Angola, a situação não é muito diferente.

O MPLA, como a ZANU de Mugabe não sairá do poder, não sairá de Luanda, não deixará os lugares na administração pública, que justificam a sua existência com facilidade. Luanda quer a todo o custo que o Zimbabwe seja um bom exemplo. Se Mugabe perdesse as eleições, isso poderia afectar o MPLA em Setembro. Os dois partidos têm raízes idênticas e as mesmas referências históricas. Os dois partidos transformaram-se em organizações que vivem do Estado e sugam o Estado. E sem esse poder suportado pelo completo controlo da comunicação social e da economia (tanto em Harare como em Luanda), o futuro não estará garantido para as elites governantes do MPLA e da ZANU. Embora ligeiramente diferente, em Angola o caminho será o mesmo. O regime corrupto do MPLA dificilmente sairá do poder, enquanto houver dinheiro para comprar a oposição. Não é previsível que o partido que governa em Luanda perca as eleições de Setembro de 2008 (porque a vitória está garantida pelo completo controlo da máquina de comunicação social), não é dificil prever que à medida que as desigualdades sociais forem aumentando em Luanda e no resto do país, e à medida que o povo começar a perceber de que a sua miséria não tem nada a ver com questões externas ou com a exploração dos brancos, mas sim com a corrupção que grassa como uma doença incurável no partido do poder, então o MPLA terá problemas sérios. O partido de Eduardo dos Santos, não teria outra hipótese que não seja a conseguir à bala, o que está condenado a perder nas urnas. A vitória de Mugabe, dita fraudulenta pelo Ocidente ávido de ingerência e dos lucros pelo controlo económico, garante para já que o «exemplo» está garantido, intimidando os angolanos. Mas a procissão ainda vai no adro, e o que vier a ocorrer no Zimbabwe, é da maior importância para o futuro dos países vizinhos.

dados adaptados de “Mugabe, o Zimbabwe e Angola”
publicado na “Revista Militar.net”