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quarta-feira, setembro 17, 2008

"Dinheiro"

Richard Wright, o teclista dos Pink Floyd, morreu esta semana antecipando-se premonitoriamente ao início da cadeia de falências do sistema financeiro ocidental. Integrante (desencantado) de um dos mais icónicos grupos da pop global, co-produziu integrado no álbum “The Dark Side of the Moono temaMoney

Money, get away.
Get a good job with good pay and youre okay.
Money, its a gas (1)
Money, get back.
Money, its a crime.
Share it fairly but dont take a slice of my pie.
Money is a hit
Dont give me that do goody good bullshit (2)
Is the root of all evil today.

a “loucura” do comportamento do Dinheiro desmistificada

Alguma vez as pessoas comuns imaginam de onde vem o dinheiro?, e o que se passa para ele de repente começar a desaparecer? – porquê existem bolhas financeiras selvagens, seguidas de violentos e desesperantes crashs? são esses “booms” e crashs parte do assim chamado “mercado livre”? ou uma outra coisa que se está desenvolvendo? – as respostas podem começar a surgir quando nós nos começarmos a interrogar e a perceber a coisa, então, de repente entenderemos uma grande parte do porquê o mundo trabalha desta maneira, e não de outra.
Este sistema financeiro, onde o dinheiro é criado como dívida, é uma coisa estranha e não funciona para defender os nossos melhores interesses. Uma das últimas coisas que John F. Kennedy tinha feito antes de ser assassinado, foi declarar a intenção de reformar o sistema de bancos centrais dos Estados Unidos. Não existe uma conexão entre estes dois eventos?
O sistema da FED, gerido praticamente desde há 30 anos por pró-financeiros quase exclusivamente de etnia judaica (como os seus fundadores, a familia judia Von Rothschilddesde 1913), ainda continua incólume, conquanto actualmente expandiu-se, evoluiu e comanda o sistema monetário global, espalhando endividamento, isto é recolhendo na volta e em alta proventos acrescentados com vultosos juros que contabilizam em proveito não se sabe bem de quem; a(s) FED apesar das aparências públicas de “reguladores”, são instituições privadas.
O congressista Louis McFadden, administrador da “House Banking and Currency Committee” de 1927 a 1933 opôs-se ao Sistema da Reserva Federal. Existem, datados dessa altura, três relatórios sobre o tema da sua vida dentro desse “sistema” até finalmente morrer de “ataque cardíaco”.
Aqui se trancreve o que ele disse ao Congresso acerca da Reserva Federal:
“Sr. Conselheiro, temos neste país uma das mais corruptas instituições que o mundo jamais conheceu. Refiro-me ao “Federal Reserve Board” e aos “Bancos da Reserva Federal” que depois passámos a conhecer genericamente como FED.
as “Reservas Federais” trapaceiam o Governo dos Estados Unidos e o povo dos Estados Unidos recolhendo dinheiro para pagar a dívida pública da Nação. As depredações e iniquidades das FED já nos custaram dinheiro suficiente para pagar o défice nacional por várias, muitas e muitas vezes. Esta instituição diabólica tem empobrecido e arruinado os povos desta Nação, foi ela própria à bancarrota, e levou praticamente o nosso Governo à falência. Isto foi feito debaixo das leis em que a FED opera, através da má administração dessas leis em proveito da FED e através de práticas corruptas dos nebulosos gestores da emissão de dinheiro que ficam atentos ao seu controlo”

notas:
(1) "It's a gas": é uma gíria da época de 60. Quando uma coisa “é um gás”, ela é boa, dá “speed”.
(2) a versão americana de "Money" foi editada (pela censura) e reduzida para três minutos, apenas para remover a palavra "shit" (o dinheiro, instrumentalizado, fictício, que não corresponde ao valor real do que produzimos, é uma boa “merda”)
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terça-feira, setembro 16, 2008

Bolívia (II)

à atenção da Direita (e já agora, de alguma "esquerda") portuguesa na hora de tomar partido. Esta é uma viatura que transportava amotinados no distrito de Pando. Estes pertencem à mesma coligação a quem o jornal Público deu voz na pessoa de Rúben Costas, governador separatista do distrito dos mais ricos do país: Santa Cruz, transcrevendo graciosamente: "Evo Morales está a destruir o país através do projecto socialista que está a querer implementar"

esta é a cara do carniceiro nazi Leopoldo Fernández Ferreira, prefeito do distrito de Pando, responsável pelo grupo de 25 presumiveis autores do massacre de um grupo de camponeses emboscados e mortos a tiro de metralhadora. Há ainda muitos desaparecidos. Segundo um documento divulgado pela Federação de Camponeses de Pando, sob o título "Massacre do Cacique" identificam-se os verdugos do povo - funcionários da Prefeitura, dirigentes ganadeiros, conselheiros autárquicos, sicários contratados, etc - entre eles estãoAna Melena de Zuzuzky do Comité Civico e Ricardo Shimokawa dirigente do grupo "Podemos" ambos afectos ao separatismo. (a lista completa dos assassinos está aqui)

actualização
Os Bons e os Maus - o jornal El País mente com fotos da Bolívia
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segunda-feira, setembro 15, 2008

anda cá puta, senão molhas-te

a Grande Recessão - enquanto milhões de pessoas na Europa se encaminham para um estado de pobreza alarmante com perda efectiva de poder de compra engolido pela inflação real - o Banco Central Europeu (BCE) vai emitir 30 mil milhões de Euros para minimizar os efeitos da falência da Lehman Brothers. Estimam-se (prognósticos só depois do jogo) que até meados de 2009 mais de 100 bancos americanos ou internacionais indexados a Wall Street, fecharão as portas por insolvência.

Dias depois do périplo de Dick Cheney por Kiev e Tblissi, alguém decidiu que "a Europa" vai enviar uma força de polícia para "zelar pela manutenção da paz" neocon na Geórgia. Acontece que, ao abrigo de um acordon entre os actores regionais, anteriormente já existiam forças de manutenção de paz enviadas pela Rússia - justamente aquelas que foram atacadas pelas tropas da Geórgia na madrugada de 7 de Agosto;

a Europa (em crise, note-se) vai também providenciar uma ajuda no valor de 500 milhões de euros "para reconstrução" da Geórgia - ou seja, os europeus não vão dar dinheiro para minimizar os efeitos da agressão às vítimas na Ossétia do Sul - vão dá-lo aos agressores. O presidente Medvedev, (depois de mostrar as provas da agressão) disse (e reafirmou-o ontem no Club de Discussão Valdai - ver video) que a Russia reagiria da mesma forma, caso a Geórgia já estivesse integrada no "Membership Action Plan" (MAP) a antecâmara de adesão à NATO.

Por estas e por outras, André Freire (que começa o discurso embusteiro "pela invasão da Geórgia por forças russas", como se antes não se tivesse passado nada) hoje no Publico (pag.33) recorda "a importância do soft power Europeu" que é como quem diz na gíria popular e se nota em epigrafe: a puta que trabalha no bordel do patrão e morde pela calada - "no passado, a fraqueza militar europeia era muitas vezes compensada pelo seu ascendente moral". Agora nem por isso,

domingo, setembro 14, 2008

Bolívia

Não se pode desprezar o diabo e depois à noite deitar-se com ele. Não chegou a 3 meses da activação da IV Frota Naval dos Estados Unidos para zona Sul e já começam a "acontecer coisas" na América Latina; se não fosse trágico seria caso para sorrir, ainda estamos no ínicio mas já há uma piada capaz de marcar o século XXI: "Sabem porque é que nos Estados Unidos nunca houve um golpe de Estado? - porque nos EUA não há embaixada americana!" - Neste dia 11 de Setembro cumpriram-se 35 anos do sangrento Golpe de Estado no Chile. Golpe impulsionado pelos Estados Unidos e pelas multinacionais e Oligarquías locais; os Estados Unidos organizaram, impulsionaram, financiaram e tutelaram todas e cada uma das ditaduras que existiram na América Latina. Foram eles os autores morais intelectuais de todas as perseguições, sequestros, torturas e assasinatos que tiveram lugar no Chile, Paraguai, Uruguai, Brasil, Argentina, Bolivia, etc.
Estado de sítio e tréguas precárias. Evo Morales vai ter de puxar dos galões e dos conhecimentos adquiridos no seu tempo de serviço na policia militar.
Resumo da situação, via "Lo Último em Política" um blogue boliviano:

* Ao mesmo tempo que Evo Morales expulsava o embaixador dos EUA o Exército da Bolívia realiza manobras conjuntas com os Estados Unidos

*Hugo Chávez continua jogando forte: agora desmascara o general das Forças Armadas bolivianas Luis Trigo exigindo que desmantele as intromissões do governo dos EUA nos assuntos internos do seu país.

* James Petras: "Bush está fabricando um triunfo antes de se retirar"

* O ministro dos negócios estrangeiros da Venezuela ratifica as palavras do presidente Chávez: "Se houver golpe, a Venezuela intervirá militarmente na Bolívia ao abrigo do "direito à insurreição"

* a Bolívia vive uma trégua muito precária, com muitas exigências por parte dos golpistas de Santa Cruz, Beni, Pando e Chuquisaca. Evo Morales responde exigindo a continuação do processo de mudança consignado na Constituição e votado em referendo. Entretanto já há 30 mortos.

* O estado de sítio evitou um massacre genocida perpretado por forças paramilitares comandadas pelos caciques brancos pró independência. Cobija está militarizada. O governador de Pando diz que não aceitará ser detido, "porque isso seria um abuso".

* Philip Goldberg, o profissional do separatismo e da limpeza étnica dos indígenas, que exercia o cargo de "embaixador" dos EUA deixa a Bolívia lançando ameaças.

* as mães dos estudantes assassinados continuam a implorar ao governador de Cobija que lhes devolva os cadáveres dos filhos, mortos por sicários contratados no Brasil e no Perú na Escola do Municipio de Filadélfia.

* a posição oficial do Brasil: "Não toleraremos uma ruptura do ordenamento institucional boliviano"

sábado, setembro 13, 2008

Compreendendo o Universo

O papa Bento XVI afirmou que a sua viagem a França se destinou a rezar pela paz do mundo perante Nossa Senhora de Lourdes, santuário onde se recordam os 150 anos das aparições”. E, pelo meio do negócio da fé, candidamente pergunta o Diário Ateísta: “mas que aparições?

Leonard Susskind, físico teórico em Stanford é um dos maiores vilões das teorias que odeiam o mundo das beatas papais. Há três anos atrás em “A Paisagem Cósmica: a Teoria das Cordas e a Ilusão do Desenho Inteligente” ele faz a narrativa de uma multitude de diferentes universos – todos eles recantos e fissuras de um multiverso transcendente, ou de uma “paisagem”, onde cada um desses recantos é regulado por físicas diferentes.
Esta é provavelmente a mais controversa interpretação da teoria das supercordas (por razões financeiras óbvias odiada pela grande maioria dos investigadores institucionais) mas a teoria justifica-se e é atraente. Com tantos universos por aí afora, o facto da nossa própria existência não precisa de cultos adoradores nem de grandes choques. Nós, o Homem, apenas acontecemos para ocupar um desses nichos onde as leis físicas são favoráveis à vida baseada nos átomos de carbono.

No seu último livro, “a Guerra dos Buracos Negros” o cosmos de Susskind assume-se ainda mais fantástico. Os “buracos negros” já de si semeiam suficiente medo, com a sua habilidade para engolir tudo, incluindo a própria luz. Por um momento, compreendemos que os físicos enfrentam a possibilidade que esses vórtices cósmicos podem também ser “comedores” da Ordem, chupando e destruindo Informação. Se é um facto que no meio disto tudo fica difícil topar algo parecido com “Deus”, é fácil percebermos que poderemos estar perante uma multitude de superDiabos que a qualquer momento nos entram portas adentro para guilhotinar tudo o que é Senso em Nonsense - logo, organizem-se cá em Baixo, porque lá do Alto nada virá para vossa salvação.

O prémio Nobel da Física de 2004, Frank Wilczek tenta também explicar o universo sintetizando a teoria miseravelmente falhada por Einstein: “a Grande Unificação das Forças”, profetizando uma nova idade de Ouro na Física e o estabelecimento de novos paradigmas. Transcendendo o choque com as velhas ideias acerca do que é a Matéria e o que é o Espaço, Wilczek apresenta no seu novo livro, "The Lightness of Being: Mass, Ether, and the Unification of Forces" algumas claras e brilhantes sínteses, como esta: “o Espaço é um material dinâmico, o motor da realidade, a Matéria é apenas uma amostra decorativa que causa distúrbios subtis nesse material

Mesmo que breve, no meio deste pantanal cósmico, se venha (mesmo no beato sentido ejaculatório) a “descobrir fisicamente” o bicharoco que vive dentro da linguagem matemática, o célebre bosão de Higgs, veremos sempre mais uma e outra vez que realmente existem infinitas possibilidades naquilo que se pode fazer, tanto pelo Papa como pelos esotéricos filósofos militantes do Bloco de Esquerda, para captar o embasbacamento da ignorância, da crendice e do analfabetismo (mesmo que “especializado/compartimentado c/cursos superiores") com imagens e artifícios de tão transcendente beleza

sexta-feira, setembro 12, 2008

liberdade para os 5 presos politicos cubanos

Cumprem-se hoje 10 anos sobre a injusta prisão de Gerardo Hernández, Ramón Labariño, António Guerrero, Fernando Gonzalez e René Gonzalez, Cinco patriotas cubanos encarcerados nos Estados Unidos sob a falsa acusação repleta de ilegalidades de "conspiração para cometer espionagem" - a convocatória de protesto é apoiada por 10 prémios Nobel e mais de 7000 intelectuais de todo o mundo. (ver site oficial Miami5)

Mistérios do 11 de Setembro

New York guardou ontem 1 minuto de silêncio em memória dos que pereceram, vítimas segundo a gíria oficial, do “ataque terrorista” contra as 2 Torres do Centro Mundial de Comércio (WTC).
Obama e McCain compareceram também no local, juntos e também em silêncio com Bush e Cheney completamente vestidos de negro, para homenagear as 2.751 vítimas – contudo, 7 anos depois a técnica de transformação da propaganda efémera desse dia transformou-se num ornamento sem ligação efectiva do acontecimento desse mega-evento mediático aos factos concretos que decorreram e ainda decorrem desse pretexto inicial – 7 anos depois, existem centenas de milhar de pessoas assassinadas, incluindo mulheres e crianças inocentes, no Afeganistão e no Iraque - Obama e McCain unidos no mesmo ideal desse estranho conceito de justiça, esqueceram-se ambos, muito convenientemente, dessa pequena minudência,,,

Assim sendo, passemos do silêncio para ouvir quem tem algo a dizer e a questionar:
Mistérios do 11 de Setembro
1h.30min.41seg. – legendado em castelhano

quinta-feira, setembro 11, 2008

Palintologia sionista 11.9


Sarah Palin a promitente vice-presidente indigitada para integrar um terceiro mandato de Bush mascarado de McCain (8 anos + 4 =12 - McSame, ou John Bush, como lhe chamam agora) é ecologicamente ainda mais prejudicial que a poluição (e o cheiro a tomates podres que empesta o ambiente) provocada pelos dois juntos.
Sarah Palin, é censora nas bibliotecas públicas, é contra o aborto, a favor da pena de morte e a favor do ensino do “criacionismo”; é beata militante fundamentalista na assembleia evangélica de deus: um extracto de uma das suas iluminações orais reza assim: "Rezem pelos nossos militares, homens e mulheres, que se esforçam por fazer aquilo é correcto. Rezem também por este país, pelo qual os nossos lideres, os nossos lideres nacionais, enviam (os soldados americanos) para o estrangeiro cumprir tarefas messiânicas na defesa de Deus”. No que toca aos assuntos corriqueiros da politica a gaja é topada de gingeira por mentir, mentir, enfim, por ser uma mentirosa compulsiva,

Como governadora do Alaska têm-se notabilizado por destruir todas as coisas que faziam este Estado ser especial, nomeadamente abrindo as portas para a exploração intensiva de petróleo neste autêntico santuário natural - mas para efeito da imagem que aparece na televisão e nas entrevistas em revistas de moda Miss Sarah Palin surpreendentemente declarou candidamente que a verdadeira razão porque os soldados americanos estão no Iraque é,,, por causa do petróleo. Se a governadora tem razão, e tem!, este seria um factóide politicamente incorrecto, porém,,,

Falando em petróleo – eis aquilo sobre que Palin não se pronuncia: o fiasco da grande empresa yankee na plataforma do Mar Cáspio consignada no “Grand Chessboard” do conselheiro Brezinsky desde 1999 com Bill Clinton, o desastre do pipe-line no Afeganistão (para onde Barcky Obama, na qualidade de gestor Sionista eleito “in advance” reinvindica mais tropas e o envolvimento da NATO; e chega ao desplante de criticar Bush por enviar poucos soldados), e por último a guerra na Geórgia – tudo isto faz parte da construção da agenda da Nova Ordem Mundial Sionista levada a cabo para controlar as fontes de energia mundial, enquanto procura evitar que a Rússia ascenda no mercado a uma posição próxima dos actores Ocidentais dominantes.

Liberdade energética, ou mais guerra e genocídio pelo Petróleo?

É utópico que os lunáticos da campanha de Obama pensem que podem “refocar” internamente a fraudulenta “Guerra contra o Terror Global” saída do inside job de 11 de Setembro – e vir a obter crude e gás negociando aquilo em que o Bush falhou miseravelmente, mandando assim para as urtigas estes últimos 8 anos de inferno. Este movimento de “refocagem” será meramente para salvar a reputação de Zbigniew Brzezinski e o seu esquema idiota de conquista do Cáucaso. Na verdade teremos mais do mesmo. A “nova” administração pode conseguir que os sistemas de abastecimento por pipelines seja concretizado, mas apenas pelo sul através do Irão (daí a expectativa de ataque mais ou menos sempre eminente nestes últimos tempos) – ou mudando as politicas dos Estados Unidos, cessando a ameaça de guerra e desistindo de matar no Afeganistão, fazendo os negócios numa base legal sem intervenção das forças militares. Além destas duas, não há mais nenhuma opção. Imagine-se quão indiferente é saber quem será eleito – mas não é difícil adivinhar qual a opção que já foi tomada,,,

quarta-feira, setembro 10, 2008

Capitalismo de Estado

Passados quase vinte anos da falência da URSS como sistema social sob o comando de uma nova classe burguesa instalada à sombra da maquinaria burocrática de Estado, (esse state-of-art de abstracção) eis que o outro pólo capitalista (a outra ex-superpotência), para evitar o colapso à vista, lhe resolve tardiamente copiar o modelo (a menos que já o tivessem de facto copiado antes de forma encapotada e o modelo de “free entreprise” tenha sido mais um embuste)

Camaradas Bush, Paulson e Bernanke – sejam bem-vindos à União Socialista de Repúblicas da América do Norte


(1) "A inevitável nacionalização das insolventes Fannie Mae e da Freddie Mac é a mais radical mudança de regime na economia financeira global em muitas décadas. Já não se via nada assim desde os ultimos 20 anos, depois do colapso da URSS e a queda da “cortina de ferro”, as reformas económicas liberais na China e outros mercados emergentes na economia mundial terem abandonado as grandes empresas chave como propriedade do Estado e decidido privatizá-las (cumprindo as imposições neoliberais). Esta agressiva intervenção em duas empresas privadas fulcrais é suportada pelo erário público dos Estados Unidos – os mesmos que prégavam à direita e à esquerda os benefícios do mercado livre e da livre iniciativa privada.
Agora mesmo, os mesmos Estados Unidos são protagonistas da maior nacionalização na história da humanidade. Pela nacionalização da Fannie Mae e da Freddie Mac (uma espécie de Caixas Gerais de Depósitos lá do sítio que foram privatizadas) os EUA injectaram dos seus próprios fundos públicos perto de 6 Triliões de dólares, o que significa que aumentaram o défice público/endividamento do Estado por outros 6 Triliões.
Com esta operação os Estados Unidos também se tornaram eles próprios o maior governo proprietário de “hedge funds” do mundo: pela injecção de capital (notas impressas pelo FED), qualquer coisa como 200 milhões de dólares no capital social da Fannie e Freddie, e tomando quase 6 triliões de compromissos (de GSE,s), os EUA responsabilizaram-se também pela maior e mais elevada OPA da treta (“Leveraged Buy-Out”) na história do homem sobre a face da terra – porquanto o débito em relação à equidade do “racio” é de 1 para 30 – (6.000 biliões investidos contra 200 biliões que é o valor do capital social das 2 empresas adquiridas)" – uma boa aposta, que vai ser paga pela inflação global generalizada.

o “Público”, sob o título “os mercados (essa extraordinária entidade concreta) aprovam”, depois de manipular os números, comunica que “os investidores gostaram da medida” – como não haveriam de gostar?, qual o investidor que não arrisca o seu capital para ganhar somas fabulosas especulando, se depois quando perde, sabe de antemão que as entidades que decidem no Estado virão em seu socorro “socializando” os prejuízos? – aliás, só há uma explicação para esta espécie de compadrio: é que as personagens que tomaram e beneficiaram com as privatizações (tal e qual como a Máfia Russa no desmantelamento do sector público do Estado na URSS) são os mesmos pilha-galinhas que dominam e gerem as decisões do Estado.


(1) a foto retrata um objecto do mais caro artista de sempre, Damien Hirst - uma Caveira (a peça chama-se "For the Love of God") manufacturada com 8601 diamantes oferecida a leilão no luxuriante e estratosférico mundo dos bilionários pela grotesta quantia de 100 milhões de dólares.
Era você que achava os livros do seu filho caros?
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terça-feira, setembro 09, 2008

A Grande Amnésia...

... provocada pela perda de memória por vezes é induzida deliberadamente por aqueles que persistentemente reescrevem a história: como nos convertemos em escravos do Petróleo?
90 anos atrás, o maior trabalhinho de conspiração na história moderna teve lugar em plena luz do dia. Não se está a falar àcerca da criação da Reserva Federal, que essa também foi das maiores de sempre; não! falamos de algo bastante mais profundo, que tem a ver com todo o desenvolvimento civilizacional do último século – e tão óbvio – que mal que cada um se aperceba disto, ficará estupefacto pela forma como milhares de milhões de pessoas puderam perder a ligação com o que se passou.

o Petróleo é na realidade a raiz de todos os diabos que nos infernizam o presente. Imagine-se o crude e o petróleo fora da equação energética e substituam-se estas fontes por energias alternativas produzidas localmente, controladas localmente, ecológicas, económicas, por recursos que são renováveis, etc. – e vejamos, o que aconteceria? – 95 por cento dos problemas estruturais do mundo desapareceriam!
Não haveria mais guerras pelo petróleo. Não haveria necessidade de dispender dinheiro que deixa o país de tanga para pagar importações de milhares de milhões. Não haveria mais devastações ecológicas relacionadas com a indústria petrolífera. Haveria inclusivé redução do número de carcinomas e outras doenças relacionadas com a poluição. Mas os combustiveis fósseis são necessários ao estilo de vida que foi criado, certo? Se não o fosse, como fomos apanhados pela primeira vez nesta necessidade?
A história diz-nos que nos primórdios da indústria, e um pouco por cortesia e ingenuidade de John Rockefeller e da Standard Oil, o kerosene para as lâmpadas era extraído do óleo das baleias. Diz-nos também que a gasolina e o diesel feitos a partir dos óleos foi a única fonte prática de combustivel para os veículos motorizados (carros, camiões, autocarros e tractores). E continua a ser, conforme nos dizem. Mas pensemos sobre isso por um momento.

As leis de proibição do álcool manufacturado nos EUA vigoraram de 1919 a 1933. Aceitámos isso como uma fatalidade das forças da natureza, mas nunca examinámos o problema a fundo. Justificaram-se com o facto dos Estados Unidos serem uma nação de inveterados bebedores cujos hábitos precisavam de ser banidos – mas as pessoas que puseram em prática a Proibição, eram eles próprios homens com sérios problemas com o álcool, o que nos faz regressar atrás e ir mais longe. Sabia que desde os bêbados da era–de-1919 esse tipo de vício passou a ser controlado por mulheres activistas em torno das igrejas na era-1929? - faz sentido? foi uma coincidência que o acto de banir a produção do álcool tivesse lugar à medida que a indústria automóvel ganhava dimensão, e o álcool fosse a fonte óbvia como fonte de superior qualidade face ao óleo fóssil? – mas que foi apagada depois da infraestrutura produtiva de álcool-em-vez-de fuel ter sido completamente destruída, esquecida, e suplantada pelos gigantes da indústria petrolífera!?
É o que diz David Blume: “o álcool pode ser um combustível!” – e os últimos 90 anos da economia global, actividade política, e devassa ecológica do mundo pelas multinacionais petrolíferas foi de todo, desde o início, um imenso trabalho de conspiração – reforçada com a violência e o apoio de gerações de funcionários políticos corruptos – Nixon (o do primeiro choque petrolífero, cuja herança foi gerida por Nelson Rockefeller como seguinte vice presidente), Cheney, Bush Sénior, Bush Jr. (e respectivos derivados locais), são apenas algumas das últimas amostras nos últimos 30 anos.



É impressionante o encadeamento histórico desta mistificação primordial:
As leis da Proibição do álcool estiveram na génese e desenvolveram a indústria do gangsterismo norte americano – de Al Capone a Lucky Luciano (meros funcionários dos mandantes do Crime) – as actividades contrabandistas foram apoiadas pelos investidores da Banca usurpada pelos Judeus desde a criação das Reservas Federais em 1913. O próprio clã Kennedy prospera com base no contrabando (Joe Kennedy era irlandês e concorria com a Máfia judia nos negócios da importação ilegal de whisky). Outro grande grupo multinacional é detido pelos judeus da familia Bronfman, radicados no Canadá detentores do Grupo Seagram (30 mil empregados) hoje com interesses monopolistas globais na área da industria dos Media, da Finança e do Espectáculo (são donos da RCA e da Universal). Com os lucros fabulosos deste submundo criado pela Proibição o maior mentor da crime organizado, o judeu Meyer Lansky, funda a cadeia de casinos ao longo da Costa Dourada da Flórida (onde ainda hoje se situam os investimentos imobiliários mais caros do mundo). É ali que ainda, regra geral, se decidem as “eleições” no país. (por exemplo, os delegados ali eleitos por Hillary Clinton foram erradicados da contagem para a nomeação). A indústria do jogo e do espectáculo (incluindo a informação mediática) prosseguiram através do boom dos casinos de Las Vegas no pós guerra e da subsquente exportação do conceito nos anos 50 para Cuba como protectorado yankee. O primeiro Banco off-Shore é fundado nas Bahamas para recolher as receitas ilegais dos gangsters. Como tão bem é exemplificado no tríptico “O Padrinho” a partir de certa altura a Máfia global aposta na completa e definitiva legalização dos negócios
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segunda-feira, setembro 08, 2008

a Festa do Avante 2008

Na sexta feira a coisa começou mal, até o São Pedro colaborou com os novos reaccionários – iguais em tudo aos que foram alvo na frase de abertura do Manifesto: “uma onda de agitação varre a Europa, o que leva a uma caçada infame aos comunistas” - chovia se deus a mandava, mas ninguém parecia faltar, prontos a zurzir na besta capitalista (com eficácia minhota, diga-se).

Independentemente das opções teóricas individuais, que perante a gravidade da situação politica actual terão de ser relegadas para segundo plano (cujo exemplo mais acabado é o da coligação de Esquerda alemã Die Linke feita entre dissidentes sociais democratas e os comunistas (reformistas) da antiga DDR), que partido conseguirá em Portugal (ou até na Europa) uma tal capacidade de mobilização popular? – é ou não é importante uma união dos intelectuais das diversas opções de esquerda para pôr cobro ao regabofe neoliberal? A gesta dos militantes do PCP, como é habitual, não mereceria comentários nos orgãos de manipulação social. Como frisou o professor José Barata Moura: “há três grandes opções: 1.há os que dizem que “a luta de classes nunca existiu, 2. os que afirmam que as coisas se podem conciliar e 3. os que acham que não é conveniente falar dessas coisas”. O tom geral da imprensa corporativa é igualzinho ao dos novos filósofos institucionais como este patarata (assalariado no Expresso), ou estes outros líricos pós-modernaços que conseguiram não fazer um único comentário ao evento, tal como Sócrates &/ou Ferreira Leite, como gestores/censores institucionais da RTP zelosamente mandam determinar - e serão decerto condecorados pelo serviço prestado aos patrões. No sábado a televisão pública enviou uma equipa de reportagem ao palco principal da Atalaia; era meio dia e as pessoas, ou ainda não tinham chegado, ou estavam a almoçar (só às 14,30 se iniciou o 1º concerto, com os Terrakota) e o repórter afirmava-se desolado perante o lugar meio vazio que daí a duas horas concentrava já muitos milhares de pessoas - um comentador lançou a boca: “virão aqui muitos jovens, mas não é certamente para discutir política
Aldrabões! se isso é verdade, sempre gostariamos que nos dissessem: ¿o que andavam os muitos milhares de jovens a fazer no recinto já a noite ia alta, a cantarolar o hino político da Festa por tudo o que era canto, nas mais variegadas e surpreendentes formas?



O discurso principal denunciou o novo Código de Trabalho (que tenciona revogar o horário laboral das 8 horas diárias conquistado pelas lutas do século XIX), e outras propostas do governo que têm vindo a visar a reconfiguração do Estado (uma adaptação doméstica das alterações introduzidas pela “nova ordem mundial” através do “patriotic act” nos EUA – primeiro destruir (a educação, o SNS, a função pública... tudo menos o exército às ordens da NATO), depois fingir negociar com os agentes sociais, mas a partir de novas condições, de acordo com os interesses do patronato:

leia-se as grandes empresas multinacionais, cujos reflexos nacionais são as cotadas no PSI20 - as grandes beneficiárias das privatizações, para as quais os governantes assalariados dos grandes interesses económicos literalmente inventam novos nichos de mercado.

a volta da velha canção cavaquistona

Hoje de manhã foi Ferreira Leite, que ontem perorou para uns escassos100 alunos, quem mereceu honras de chamada de capa (em conjunto com outros temas como música, shows de aviões e vacas leiteiras) enquanto qualquer eventual pequena caixa sobre as declarações (previamente “trabalhadas”) de Jerónimo de Sousa são remetidas para os confins das páginas interiores. Então até para o ano, se lá chegarem,,,

GrandFinale

domingo, setembro 07, 2008

História do Petróleo

o Médio Oriente detém 70 por cento das reservas mundiais, enquanto a América do Norte e a Europa, à taxa corrente de extracção, esgotarão as suas fontes de petróleo em 2010, ou ainda antes. As tecnologias existentes talvez possam vir a providenciar alternativas, embora ligeiras, ao petróleo no campo da energia, mas não por exemplo para a indústria dos plásticos. No despertar em 2001 da “Task Forcepara a Energia do vice-presidente Dick Cheney, foi uma coincidência que George W. Bush tenha determinado o objectivo Iraque na sua chamada “guerra contra o terrorismo”, um país conhecido por possuir as segundas maiores reservas de petróleo do planeta?
duplo clique na imagem para ampliar
É outra coincidência que as Forças Armadas dos Estados Unidos no Afeganistão e na Ásia Central estejam estacionadas junto das maiores reservas de gaz e petróleo desse continente?
É ainda outra coincidência que o chefe da “Comissão de Inquérito ao 11 de Setembro” tenha sido Thomas Keane, o maior accionista do mais antigo bloco petrolifero (a Amerada/Bloco Delta Hess) na área de Baku no Cáucaso?
Foi a invasão do Afeganistão e do Iraque realmente planificada para reduzir a actividade terrorista contra os Estados Unidos, ou foi um golpe para garantir que cada americano médio possa continuar calmamente a consumir quatro vezes mais energia que o europeu comum, ou 32 vezes mais energia que um africano?
Para atingir este ideal tem valido tudo: várias guerras no Golfo Pérsico, instrumentalização e utilização imoral das Nações Unidas, violações da legislação internacional, ilegalidades constitucionais, bombardeamentos, etc.

História do Petróleo – Robert Newman
45min.42seg.

sábado, setembro 06, 2008

"Nenhum silêncio é inocente"

Baptista Bastos dá-nos uma novidade que,
talvez poucos saibam: Santana Lopes é
primo de Manuela Ferreira Leite (!)

"Diz-se que Manuela Ferreira Leite vai "quebrar o silêncio". Diz-se que esse magno acontecimento ocorrerá no domingo, no encerramento da Universidade de Verão do PSD.
A Universidade de Verão parece, na lógica deste panorama, a contra-regra do Pontal; digamos: um sinédrio intelectual e grave, destinado a inculcar em cem ansiosos moços o breviário da "social-democracia" à portuguesa. (...) A coisa é notoriamente confusa. E a identidade dos "professores" uma barafunda pegada, repleta de narcisismos perversos e de nervosas ambições.

Não sei se os meus pios leitores imaginam a natureza dos discursos de Pacheco e de Leonor Beleza, de António Borges e do general Garcia Leandro, sem omitir, claro!, o inimitável António Vitorino, socialista e tudo, sobretudo nos dias ímpares. Quase todos os nomeados são directamente responsáveis pelo estado a que chegou o País. Parte do descrédito da acção política a eles se deve. O nosso desalento deixou de ceder a qualquer apelo cívico, e as nossas emoções mais asseadas foram letalmente atingidas. A casta que tomou conta da Pátria devia ser condenada por indignidade nacional. Chega a ser infame a lista das prebendas, das reformas sumptuosas, das funções acumuladas, dos duplos e triplos vencimentos auferidos por uma gente desprezível, que entre si partilha o bolo, num macabro trânsito de interesses.
Os cem jovens que assistem ao conclave de Castelo de Vide vão, com aqueles "professores", aprender - quê? Os exemplos não são virtuosos".

(a parte do meio do artigo também é gira: "a conspiração no PSD alastra como eczema", para ler aqui)

sexta-feira, setembro 05, 2008

Arcana Diabolica Universalia

esta vida são dois dias
mas a festa do Avante são três

crenças antigas, novas premissas, outros problemas

Nazismo e Sionismo

"No que concerne à questão dos marxistas judeus que eventualmente namoraram com o Sionismo nalgum momento da sua trajectória política, e que por vezes serve de duvidoso alibi para o horror Sionista em certos sectores da esquerda, é mister salientar o seguinte: o movimento "real" jamais reflectiu as concepções de tais pensadores, de figuras como, por exemplo, o teórico e militante (trotskista) judeu belga Abraham Leon - autor de uma obra célebre, "a Concepção Materialista da Questão Judaica" - mas sim o autoritarismo genocida, racista, terrorista e imperialista do Irgun Zvai Leumi, do Palmach, da Mossad, do Shin Bet, de figuras deletérias como Ben Gurion (aquele mesmo crápula que não se importava com a sorte de idosos e crianças judios, desde que o seu projecto político fosse levado em frente), Golda Meir, Menachem Beguin, Moshe Dayan, Yitzhak Shamir, Ariel Sharon, Benjamin Netanyahu e outros odiosos carniceiros e assassinos. Infelizmente, portanto, assim como o socialismo efectivamente existente na prática jamais correspondeu às idéias de Trotsky, Rosa Luxemburgo ou Nikolay Bukharin, o sionismo REAL nunca teve a face de Abraham Leon (que aliás romperia com o movimento em 1940) ou Isaac Deutscher, mas sim a ominosa efígie dos criminosos de guerra acima referidos"
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quinta-feira, setembro 04, 2008

Guerra e Paz *

"A guerra nunca deflagra subitamente: a sua extensão não é obra de um instante”.
Carl Von Clausewitz

(...) Logo depois da Segunda Guerra Mundial, Hans Morgenthau (1), pai da teoria política internacional norte-americana, formulou uma tese muito simples e clássica, sobre a origem das guerras. Segundo Morghentau: “a permanência do status de subordinação dos países derrotados numa guerra, pode facilmente produzir a vontade destes países desfazerem a derrota e jogarem por terra o novo status quo internacional criado pelos vitoriosos, retomando o seu antigo lugar na hierarquia do poder mundial. Ou seja, a política imperialista dos países vitoriosos tende a provocar uma política imperialista igual e contrária da parte dos derrotados. E se o derrotado não tiver sido arruinado para sempre, ele quererá retomar os territórios que perdeu, e se possível, ganhar ainda mais do que perdeu, na última guerra” (2) .

Em 1991, depois do fim da Guerra Fria, não houve um Acordo de Paz, que estabelecesse as perdas da URSS, e que definisse claramente as regras da nova ordem mundial, imposta pelos vitoriosos, como havia acontecido no fim da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. De facto, a URSS não foi atacada, o seu exército não foi destruído e os seus governantes não foram punidos, mas durante toda a década de 90, os EUA e a UE apoiaram a autonomia dos países da antiga zona de influencia soviética, e promoveram activamente o desmembramento do território russo. Começando pela Letónia, Estónia e Lituania, e seguindo pela Ucrânia, a Bielorússia, os Balcãs, o Cáucaso e os países da Ásia Central.

Neste período, os EUA também lideraram a expansão da NATO, na direcção do leste, contra a opinião de alguns países europeus. E mais recentemente, os EUA e a UE apoiaram a independência do Kosovo, aceleraram a instalação do seu “escudo anti-mísseis”, na Europa Central, (na Polonia e Republica Checa) e estão armando e treinando as forças armadas da Ucrânia, da Geórgia e dos países da Ásia Central, sem levar em conta que a maior parte destes países pertenceu ao território russo, durante os últimos três séculos. Em 1890, o Império Russo, construído no século XVIII, por Pedro o Grande e Catarina II, tinha 22.400.000 Km2 e 130 milhões de habitantes. Era o segundo maior império contíguo da história da humanidade, e era uma das cinco maiores potências da Europa.

No século XX, durante o período soviético, o território russo manteve-se do mesmo tamanho, a população chegou a 300 milhões de habitantes, e a Rússia transformou-se na segunda maior potência militar e económica do mundo. Pois bem, hoje a Rússia tem 17.075.200 km 2 e apenas 152 milhões de habitantes, ou seja, em apenas uma década, a década de 1990, a Rússia perdeu cerca de 5 .000.000 km2 , e cerca de 140 milhões de habitantes.

A maior parte dos analistas internacionais que se dedicam a prever o futuro esquecem-se – em geral - que os grandes vitoriosos de 1991, não foram apenas os EUA, foram os EUA, a China e a Alemanha (como motor económico da União Europeia e cadeia de transmissão do imperialismo via BCE). Numa viragem histórica onde só houve um grande derrotado, a URSS, cuja destruição trouxe de volta ao cenário internacional, uma Rússia mutilada e ressentida. A Alemanha e a China ainda levarão muitos anos para “digerir” os novos territórios e zonas de influência que conquistaram, nas últimas décadas, na Europa Central e no Sudeste Asiático. Enquanto isto, o desaparecimento da União Soviética colocou a Rússia na condição de uma potência derrotada, que perdeu um quarto do seu território, e metade de sua população, mas que ainda mantém de pé o seu armamento atómico, e o seu potencial militar e económico, junto com uma decisão cada vez mais explícita “de desfazer a derrota, e jogar por terra o novo status quo internacional criado pelos vitoriosos (em 1991), retomando seu lugar na hierarquia do poder mundial”. (3)
Por isto, neste início do século XXI, a Rússia é um desafio e uma incógnita, para os dirigentes de Bruxelas e de Washington e para os comandantes militares da NATO. Quando na verdade, o mistério não é tão grande, e se Hans Morghentau tiver razão, trata-se de um segredo de polichinelo: a Rússia foi a grande perdedora da década de 90, e ao contrário do que diz o senso comum, será a grande questionadora da nova ordem mundial, qualquer que ela seja, até que lhe devolvam - ou ela retome - o seu velho território, conquistado por Pedro o Grande e Catarina II. Por isso, a actual guerra na Geórgia não é uma guerra antiga, pelo contrário, é um anúncio do futuro"

* adaptação parcial do texto de José Luis Fiori publicado na "Revista Económica" (Brasil)

notas:
(1) Como não podia deixar de ser entre os grandes decisores das grandes linhas politicas norte americanas Hans Joachim Morgenthau foi um judeu alemão que emigrou para os EUA em 1930, vindo a ser personagem importante na declaração de guerra da diáspora judaica americana ao regime nacional socialista de Adolf Hitler. Tradicionalmente radicada nos EUA, na familia Morgenthau notabilizaram-se Henry Morgenthau Jr., o subsecretário de Estado do Tesouro que fundou a Conferência de Bretton Woods, que esteve na origem da criação do FMI e do International Bank for Reconstruction and Development (o Banco Mundial); e ainda Robert M. Morgenthau, procurador geral do Estado de New York desde 1975, que só por si merece um post aparte,,,
(2) Hans J. Morgenthau, (1993) [1948]. "Politics Among Nations. The Struggle for Power and Peace", Mc Graw, New York, pág. 66
(3) ver também: Serge Halimi "The Return of Russia" - publicado na Monthly Review
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quarta-feira, setembro 03, 2008

aprender sempre,

,com as palavras que expõem de forma simples as grandes ideias.
Samir Amin, (nascido a 3 de Setembro de 1931, faz hoje 77 anos), fala no Forum Social de Bamako sobre as grandes questões que derivam da actual situação geral mundial perante a tentativa de hegemonia imperialista; e recorda os 50 anos da memorável Conferência dos Povos do 3º Mundo realizada em Bandung, quando os chamados paises não alinhados desafiaram os dois blocos que se digladiaram durante a guerra fria

(legendado em castelhano)
claro que é uma coincidência,

a 1ª página do Público de hoje é uma obra prima na arte de induzir mensagens subliminares:
à cabeça a noticia que condena o Estado a indemnizar Paulo Pedroso na qualidade de falso culpado num processo de pedofilia - e mesmo por baixo uma pichota (sobre um estudo genético sueco),
il pisello della signoria na vulgata greco-romana clássica, detalhe mediático da mesma filosofia que continua a reger os nossos
códigos judiciais

terça-feira, setembro 02, 2008

A confirmação da cabala

O Estado foi condenado a pagar indemnização a Paulo Pedroso. "A fundamentação do acórdão de condenação do Estado é baseada no preceito que indica que o Estado através do seu agente, o juiz Rui Teixeira, cometeu erros grosseiros, uma negligência grave na decisão que aplicou a prisão preventiva a Paulo Pedroso"

Se uns o tentam fazer agora, por quê
os outros não o teriam feito então?

O antigo ministro do Trabalho de António Guterres foi detido em Maio de 2003 no âmbito do processo Casa Pia e libertado cinco meses depois. Os danos causados à sua imagem de provável líder do PS na sucessão a Ferro Rodrigues são irreparáveis. Paulo Pedroso, que afirma que "processar o Estado se tornou um imperativo ético", vai receber 100 mil euros por danos morais e uma outra indemnização, por danos patrimoniais, de cerca de 30 mil euros garantindo que a decisão não chega para limpar o nome mas é uma lição para todos.

“Acabar a cear punhetas de bacalhau quando o meu desejo profundo era de bacalhau na brasa com batatas a murro foi a experiência que mais me marcou no contacto que mantive até hoje com o mundo colorido das escutas telefónicas”
Manual Tavares, revista Sábado

Altos negócios de Estado. O tom conciliatório de Pedroso compreende-se. O Ministério Público vai recorrer da sentença e no final, tudo passado dentro do famoso “segredo de justiça” haverá um qualquer acordo de conciliação entre as partes – o Estado paga, mas o Estado deveríamos ser (todos) nós, no caso apenas ouvidos e achados como contribuintes líquidos – indefesos, como meros espectadores que vimos o Governo de Durão Barroso forjar o golpe que erradicou o PS demo-liberal da cena politica portuguesa, permitindo o completo alinhamento do país com as estratégias Neocons da administração Bush.

A pergunta que desde então dominou os boatos políticos em Portugal é: são culpados ou vítimas de uma caça às bruxas? – o caso Casa Pia revela-se interminável e irá fatalmente desembocar no habitual beco sem saída.

Há cinco anos, o líder socialista Ferro Rodrigues defendia-se: “Quero deixar claro: a nossa luta será serena mas determinada e dirige-se – e sempre se dirigirá – contra os responsáveis por essa difamação, qualquer que seja o seu objectivo”
Os estrategas ideológicos do governo Barroso nem sequer foram originais na criação do “facto politico”. Enquanto o escândalo abala Portugal, pode ser oportuno rever a sua possível origem histórica, uma vez que os relatos portugueses recentes têm um som familiar: a ideia falsa da existência de uma rede de pedofilia ligada a um orfanato para fornecer garotos a políticos de alto escalão com a finalidade de os destruir teve origem na Grã-Bretanha em 1980 com relação ao albergue de menores trabalhadores de Kincora, em Belfast.

O juiz Rui Teixeira, que agora se cala frente às câmaras, teria muito a explicar sobre a estranha adaptação deste modelo feito em directo para as televisões quando subiu o elevador da Assembleia da República para notificar o porta voz parlamentar Paulo Pedroso. Era então ministra da Justiça em 2003 a militante do CDS Celeste Cardona (hoje como prémio vogal do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos) e o responsável pela Policia Judiciária que dirigia “as investigações” Adelino Salvado. Desde então a forma de fazer politica mudou radicalmente em Portugal. Há 8 anos que Barroso foi eleito, há 8 anos que Portugal entrou em crise (provocada). É também um facto que todas a vozes mais ou menos incómodas do Ps foram (saneadas) promovidas a exilios dourados: Ferro Rodrigues, João Cravinho, Manuel Maria Carrilho. Apesar das frases de circunstância de José Sócrates (eleito para líder pelo método americano) para com “a vítima”, a verdade é que a actual direcção do PS é decididamente uma mais valia como alternativa fictícia ao neocons
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segunda-feira, setembro 01, 2008

Apresentou-se hoje no Festival de Veneza o filme “A Terra dos Homens Vermelhos” ("La Terra degli Uomini Rossi"; titulo para o mercado internacional "Birdwatchers”), uma produção argentina realizada pelo ítalo-argentino Marco Bechis. (ver trailer aqui). Uma obra de forte denúncia, na mesma sequência da exposição de Sebastião Salgado sobre o desmatamento no Estado de Roraima, a película trata de dar a palavra aos índios, num momento em que aumenta cada vez mais a pressão para demarcar e desanexar territórios aos indígenas no Brasil (fruto do acordo Lula-Bush em 2004 para aumentar a produção de biocombustíveis, o qual é aproveitado de forma gananciosa pelos plantadores de soja e cana de açucar, que gozam de imunidade e da protecção das autoridades e da policia). O homem branco é o terratenente e os indígenas lutam pela sobrevivência, contra a extinção. Ademilson Concianza Verga, um dos actores guaranís presentes disse "já não há animais, não há árvores, não há caça, não há nada que pescar”.

Durante a conferência de apresentação de "Birdwatchers" outra actriz indígena de etnia guarani, Eliane Juca da Silva, comoveu a assistência: “"Vocês estão olhando para mim e eu estou olhando para vocês. Nós também temos uma cultura, uma língua, uma forma de vida. E tudo isso está sendo destruído (…) estamos muito tristes porque as nossas crianças estão a morrer. Não somos “índios”, somos pessoas que amamos, trabalhamos, rimo-nos, sofremos, tal como vocês. E isso tortura-nos porque, cortadas por cada vez mais estradas, as nossas florestas que são o suporte do nosso modo de vida tradicional estão a desaparecer”. Também neste caso, daqueles que se opõem à velha conquista do homem branco na América Latina, “existem muitos desaparecidos, e não só no tempo das ditaduras” concluiu o realizador, autor de outra obra de 1999, “Garage Olimpo”, película onde denuncia as torturas e assassinatos massivos perpretados durante o regime militar na Argentina.

o capataz do branco, o arame farpado e a indígena

aditamento (4 Setembro):
a oportunidade de Birdwatcher resulta de que ao mesmo tempo que se estreia a pelicula, a luta conhece desenvolvimentos significativos no terreno - Reservas indigenas brasileiras: apenas 12% do território e mesmo assim prossegue a tendência para a expulsão; James Anaya, um especialista da ONU denuncia discriminação
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