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domingo, outubro 19, 2008

o lixo e o filet mignon público

"Lisboa merecia que Ferreira Leite a respeitasse e a não considerasse um caixote do lixo, para onde se joga aquilo que se quer deitar fora" - a leitora Alexandra Pacheco sobre o candidato Santana
(transcrito no Carmo e a Trindade)
















e desta forma se limpa a hipótese de haver alternativa na CML. Lisboa está entregue a uma arquitectura de fachada neoliberal que privatiza o espaço público, deixando aos lisboetas alguns corredores de uso demarcados pelos muros, pelo respeitinho pelos heróicos investidores e claro, pelas vedações dos condomínios privados. Que gozo ver a parolada de mãos nos bolsos furados a assobiar embascada com as fachadas pós modernas "como lá fora". Venham nomes famosos porque o que nós precisamos é de facturar - é o programa eleitoral dos 2 partidos únicos que concorrem à gestão da Câmara, com cenouras como a falsa ideia do "orçamento participativo" pelo meio. Participa-se em quê? com que meios? com palavras?
(veja a diferença)

adenda
* O ministro Costa implementou uma Lei em 2007 que vai impedir o presidente Costa de receber 39 milhões em 2009
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sábado, outubro 18, 2008

Doc Lisboa 2008 (III) Alone in Four Walls

"Sózinhos Entre 4 Paredes" (Alone in Four Walls), de Alexandra Westmeier (pequeno trailer aqui)

uma saga da velha Rússia libertada pelo capitalismo das garras da tenebrosa ditadura

Há um ano, já tinha tratado deste assunto aqui, mas agora cabe a vez ao DN:
"Todos estes miúdos cometeram delitos variados, dos roubos mais pequenos aos crimes mais horríveis, e por serem menores, foram mandados para um reformatório juvenil. Aqui, muitos deles são tratados, alimentados e cuidados como nunca o foram nas suas ainda curtas vidas" - Ironicamente, é verdade: a nova Rússia leva apenas 17 anos, pelo que estes jovens não conheceram vidas ainda piores,,, segundo os ideólogos parodiantes da informação não deturpada de antigamente.
resumindo Eurico/de/Barros: "Muitos deles lá regressarão quando deixarem a protecção do reformatório. Segundo "Alone in Four Walls", 90 por cento dos rapazes saídos da instituição voltam à delinquência. E ou morrem ou voltam a ser presos, e passam à fase seguinte: a cadeia"
Também é verdade, embora ninguém o tivesse lembrado antes do país cair na esparrela ocidental, quando se fez soar a promessa que o futuro se iria tornar radioso.

sexta-feira, outubro 17, 2008

o Orçamento Geral do Estado do Sítio

Segundo o ministro vamos crescer menos (...) mas, vamos cobrar mais, segundo a opinião de um fedelho que nas televisões de dedo em riste ameaçava os contribuintes de lhes penhorar, depois das casas, até os carros,,,
Pelo assalto aos pagadores de impostos insolventes, fundamenta-se assim a opinião do FMI, segundo citado pelo ministro, “que em Portugal está afastado o cenário de recessão” – o ministro diz que a economia cresce ZERO vírgula Seis, o Fundo Monetário Internacional diz que cresce ZERO vírgula Um.
Concluindo,
Segundo disse Manuel António Pina no Jornal de Notícias: “no Estado Providência neoliberal (que giro que a palavra tenha caído no léxico do homem de rua), quem paga quer as crises quer as soluções das crises do mercado são sempre os contribuintes”


Claro que, antes não se passou nada, no dialecto oficial “a crise vem lá de fora”, “da falta de regulação”, “é internacional”, etc. e isso é porreiro pá, porque permite afirmar à dona Manuela (a dos negócios com o Citigroup que estão a lesar o Estado com milhões em juros) que o culpado é o Sócrates; e na réplica vice-versa. Não muito longe da verdade, porque o Barroso foi o golpista do “estado da tanga” quando o desperdício e a inflacção dispararam para angariar meios para comprometer o petit Portugal com o regime neocon apostado em conquistar o mundo.

Vamos então “lá fora” averiguar do que se passa da conquista. Numa reunião quase secreta em Abril de 2004, “o nosso aliadoBush reuniu membros de topo da SEC (a entidade reguladora da Bolsa) e os representantes dos 5 maiores bancos de investimento:
Lehman Brothers (entretanto falido), Bear Sterns (“salvo” pelo J.P.Morgan), Merrill Lynch (salvo pelo Bank of America), Morgan Stanley e Goldman Sachs (ambos transformados em bancos comerciais para evitar a insolvência). O presidente deste último era, na altura, Henry Paulson, entretanto nomeado secretário de Estado do Tesouro e autor do plano de salvamento dos ricos e da banca, “bailout” que irá iniciar a revolta generalizada dos cidadãos norte americanos conscientes a partir do próximo dia 24 de Outubro de 2008.

O resultado da reunião de 2004 permitiu que, com a condescendência comprada da SEC, esses bancos “se alavancassem” ao ponto de deverem mais de 30 dólares por cada dólar que detinham na realidade. (citado de o Público, Henry Paulson ex-administrador da Goldman Sachs e Bush decidiram aqui o endividamento sem controlo). Bush safou, por breve lapso, o astronómico défice externo e as não menos descomunais despesas da guerra.
Curioso como 4 anos depois, no mesmo Público em 3 de Outubro deste ano, Kenneth Rogoff, um ex-chefe do FMI, venha refazer por obra milagrosa de palavras a relação 1 para 30 em 1 para 2 -de novo citando: “depois de uma forte expansão, durante a qual o sector dos serviços financeiros duplicou a sua dimensão, é natural que se siga um periodo de retracção, nomeadamente no altamente rentável (pudera!) segmento dos derivados de crédito; por isso “a indústria” sofrerá uma certa contracção

Nada de grave, afinal no momento da falência a relação entre titulos assumidos pelos dois gigantes Fannie Mae e Freddie Mac era de 5,3 biliões em títulos avalizados e de apenas 200 milhões em activos reais. Ou seja, de 1 para 26,5 - o que mais ponto menos ponto confirma os primeiros dados de “o Público” e deixa o professor Rogoff do FMI com o rótulo de aldrabão escarrapachado na testa. Mais explicito foi outro executivo expulso borda fora pela crise: António Borges, ex-vice da Goldman Sachs: “O sistema financeiro caiu como um castelo de cartas”, mas o orçamento geral do Estado norte americano prevê para este ano a maior verba de sempre destinada à “indústria” militar. Da parte do orçamento adstrito ao esforço militar português com os ultras de Washington pouco ou nada se sabe – com Cavaco Silva grande parte da despesa deixou de constar do orçamento interno, deve, decerto, ser obra gerida em off-shores. Na ausência de informação fica a suspeita

ler aqui:
"Para a Indústria da Guerra não existe Crise"
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quinta-feira, outubro 16, 2008

Doc Lisboa 2008 (II) Z32

Inaugura hoje o Doc Lisboa, sob a égide gráfica de uma glosa do artista chinês mais badalado da actualidade (Yue Minjun) ao famoso quadro de Goya (mas desta vez uma execução sem armas). Por ironia (ou descuido) a edição deste ano conta com uma forte presença do cinema israelita. A obra de abertura é uma espécie de musical (!) censurado em Israel, o que não deve ser difícil - "Z32" um documentário de co-produção franco-israelita realizado por Avi Mograbi - diz o texto de apresentação:
"Um soldado israelita de uma unidade de elite procura perdão para os seus actos depois de ter participado numa missão onde foram mortos diversos palestinianos inocentes. A sua namorada, que já ouviu a história vezes sem conta, recusa reconhecer as atenuantes do crime em que ele participou. Um realizador de documentários dá-lhe a oportunidade de contar a sua história sem ter de assumir responsabilidades.
Z32” centra-se na difícil fronteira que reside entre o testemunho perturbador e a sua representação artística" - a arte como manipulação? Em Israel a frase "dispara e depois chora!" (yorim vebochim) é uma expressão muito comum usada para criticar o destino dos soldados em missões de ocupação, os quais devem saber melhor que ninguém que estão a perpretar crimes de guerra, levando em linha de conta que esta malta também se diverte depois da hora de serviço - veremos se o exercício nos serve para distinguir entre o que é o Sionismo como doutrina de um Estado religioso (e a sua diferença em relação à barragem que é feita em nome do Anti-Semitismo) e as tão propaladas doutrinas pacifistas de boas intenções de uma 3ª via impossivel, mergulhada no fanatismo interno mas de fachada democrática - onde, como muito bem lembra o folheto: "ninguém se sente obrigado a assumir responsabilidades"
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quarta-feira, outubro 15, 2008

O eterno retorno criminal

Quem é o Príncipe? o Princípe é uma clara alusão ao livro de Maquiavel que justifica a astúcia desleal e a prática do homicídio na luta política – é um sujeito colectivo misterioso, uma espécie de Santíssima (e Malvadíssima) Trindade: são três pessoas – o Político, o Empresário e o Mafioso, porém só uma delas é verdadeira. Salvo durante o período do fascismo, em que mostrou o rosto sem máscara, o Príncipe sempre tem actuado fora de cena, nos bastidores. Segundo a situação histórica o requer, a figura sempre foi representada por elementos da Maçonaria, da Igreja Católica, mais modernamente por actores dos serviços secretos.
O Príncipe perdura graças à impunidade e ao esquecimento gerido pela repressão, que sempre é forjada em seu redor, graças à eficácia da comitiva que lhe integra a corte e a aquiescência de uns quantos cidadãos que lucram com as pequenas intrigas que pendem sobre os súbditos submetidos à chantagem política. O Príncipe existe pelo sistema instalado da obtenção de votos a troco de favores.

“Il ritorno del Principe” ou a Criminalidade dos Poderosos
de Lodato Saverio - Scarpinato Roberto
* ver recensão em castelhano no Tlaxcala

"a Morte de Holofernes"

Tranquiliza-te! Não temas em teu coração, pois nunca fiz mal algum a quem estivesse pronto a servir o Rei/ Deus fez muito bem em te mandar antes do povo, a fim de que possas entregá-lo nas nossas mãos/ O coração de Holofernes agitou-se, porque ardia de paixão por ela/ alegrou-se grandemente por tê-la junto dele, e bebeu vinho como nunca tinha bebido/ Senhor, dai-me força neste momento! - eis a cabeça de Holofernes, marechal do exército/ Na insolência de seu orgulho, desprezava o Deus de Israel (citado da Bíblia)
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terça-feira, outubro 14, 2008

um poder hegemónico com raízes comuns

1913: medidas de excepção para ajudar os negócios: a criação da Reserva Federal

Quando se indaga quem são os beneficiários da “crise” a resposta vem invariavelmente: são os Rothschilds, os Rockfellers, os Morgans, os Warburgs, etc. no entanto não se trata de um panelão onde “eles”, misteriosos gnomos que actuam nas cavernas do universo financeiro, metem a massa em quantidades previamente subdivididas consoante a importância do grupo: a preços actuais os judeus Rothschilds, cujo negócio bancário radica na Idade Média (mais concretamente no gueto de Frankfurt circa do século XV), têm activos de cerca de 100 triliões, os Rockfellers com origem moderna na indústria do petróleo têm 10 triliões – trata-se da gestão de uma relação de poder.
Algumas biografias são interessantes para compreender algumas histórias recentes e as origens, evolução e natureza dos poderes instalados, cada vez mais concentrados, segundo a doutrina monopolista de Estado (conforme foi previsto por Marx nos seus estudos teóricos sobre o capitalismo).

* O Coronel Edward Mandell House (1858-1938) era filho de um agente comercial da família Rothschild no Texas. Foi bem sucedido ao manobrar as eleições consecutivas de cinco governadores do Texas. Como recompensa foi elevado a Conselheiro do presidente Woodrow Wilson em 1912, cooperando com o judeu Paul Warburg na redacção da Lei da Fundação da Reserva Federal (Federal Reserve Act) que foi aprovado pelo Congresso um ano depois, em 1913.

* John Pierpont Morgan (1837-1913) foi considerado o financeiro norte Americano dominante por volta da viragem do século XIX para o XX. O “quem é quem” em 1912 constatava que ele controlava mais de 50 mil milhas de vias férreas e tinha criado e organizado a Corporação do Aço dos Estados Unidos. A sua carreira iniciou-se enquanto filho de Junius S. Morgan um empresário de Londres que se tinha tornado sócio da firma George Peabody & Company, mais tarde depois de assumir a posição maioritária transformada em Junius S. Morgan Company. A empresa converteu-se em agente dos Rothschilds na emergente América do princípio da industrialização. Naturalmente John Pierpont Morgan Jr. sucedeu ao pai à frente do império Morgan.

* Paul Warburg (1868-1932) é creditado actualmente como sendo o autor do planeamento do sistema de bancos centrais, que ainda hoje prevalece, conhecido e designado pelas autoridades como Sistema da Reserva Federal. Paul Warburg era um judeu alemão que emigrou para os Estados Unidos em 1904. Sócio da empresa comercial prestamista e bancária Kuhn Loeb &Company naturalizou-se norte americano em 1911. Foi membro fundador do Federal Reserve Board of Governors entre 1914 e 1918 e presidente do Federal Advisory Council desde esse ano até 1928. Proeminente membro de uma numerosa e importante família de banqueiros judeus, era irmão de Max Warburg que foi o director dos Serviços Secretos da Alemanha durante esse mesmo periodo que coincidiu com a 1ª Grande Guerra Mundial – Max foi o representante alemão à Conferência de Paz em 1919 enquanto Paul era o chefe da Reserva Federal norte americana. A 1ª Grande Guerra foi também o corolário de uma grande crise – não é difícil inferir quem a criou, manobrou, financiou e beneficiou com ela – até nova crise em 1929, que levaria a novo corolário com a 2ª Grande Guerra Mundial (1939-1945)
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segunda-feira, outubro 13, 2008

ShowBizz e Religião





















that`s all about money

Por ocasião das recorrentes provas mensais dos dias 13 no joelhódromo de Fátima o Bispo de Leiria pediu castigo pelos pecados dos executivos infractores que lucram escandalosamente com o negócio financeiro e, céus! apelou ao crédito. Sente-se a promessa; não fazem por menos e Deus há-de lixá-los! infelizmente não há nada a fazer – que fazer com os gestores ortodoxos de uma religião que acha que pode transferir os seus pecados para as galinhas?
Depois de pecar, compra-se um bicho com cara de quem tem boa capacidade intelectual; o ritual começa pela acção de se rodopiar o galináceo em círculos por cima da cabeça diversas vezes enquanto se rezam versiculos do Talmude; atingindo o ponto G (de Galinha), aproveitando a força da gravidade, o pecado voa então para a alma da galinha, rápido corta-se-lhe a goela, escorre-se o sangue e os pecados escoam-se pelo esgoto – Na grande tradição das nossas origens nas tretas judaico cristãs, os actores de Wall Street e Fátima estão bem uns para os outros: ora vejam e deliciem-se com o vídeo:

domingo, outubro 12, 2008

a crise chega à rua

como é que se consegue grelhar um sapo vivo? vai-se aquecendo o lume gradualmente e mantendo o bicho confortável, porque, se ele pressentir um aquecimento brusco salta fora

Centenas de activistas afectos ao partido anti-capitalista "Socialist Workers" manifestaram-se esta sexta-feira na "City", o bairro financeiro de Londres tentando atingir a "Royal Exchange" (o edificio da Bolsa), próxima do Banco de Inglaterra - os cartazes, protestando contra mais dinheiro do Estado para ajuda aos bancos privados, diziam expressamente: "porque haveremos de ser nós a pagar a crise deles?" a manifestação foi reprimida e os participantes alvo de tentativas de detenção por oficiais da polícia. "¿ que dinheiro? ¡ o nosso dinheiro!" foi a palavra de ordem mais ouvida; um dos manifestantes dizia aos repórteres: "se os tempos são bons, eles ganham dinheiro, se os tempos são maus, eles também ganham dinheiro".



Eles sabiam que a crise iria eclodir. Porque a provocaram de modo terrivelmente calculista. No ano de 2006, o jornalista Frank Morales, num artigo para a "Toward Freedom", tornou pública uma historia sobre George W. Bush segndo a qual esta administração se encaminharia para a implementação da lei marcial nos EUA. Segundo Morales, Bush fez isto “quando revisionou a "Acta de Insurreição", que é um conjunto de leis que limitam a capacidade do presidente para fazer intervenções com tropas dentro dos Estados Unidos. Agora a lei “permite ao Presidente declarar um estado de ‘emergencia pública’ e colocar tropas em qualquer lugar do território nacional e assumir o comando das unidades da Guarda Nacional estatal sem o consentimento do governador ou autoridades locais, para ‘suprimir alguma desordem pública". Em 2007 o artigo de Morales ganhou um prémio do "Projecto Censurado" uma organização destinada a promover as notícias que são em cada ano objecto de censura e maior ocultação pelos Media.

Em 1 de Outubro de 2008, o Pentágono, pela primera vez até agora, seleccionou uma unidade do exército para actuar especificamente dentro da área do NorthCom, a qual não tem por missão assegurar o domínio sobre zonas estrangeiras, mas sim aos próprios Estados Unidos. Quer dizer, no caso de a crise se agudizar (o que vai acontecer) e os protestos aumentarem os riscos de possiveis desordens públicas os responsáveis intentam usar as tropas nacionais contra o seu próprio povo. A unidade militar designada pelo Pentágono para este tipo de intervenções (que serão, como é evidente, segregadas pelos media) é a 3ª Brigada de Infantaria, a qual passou três dos últimos cinco anos no Iraque. Foi uma das primeiras unidades a chegar a Bagdade e esteve depois activa na reconquista e patrulhamento de Fallujah. Uma das suas especialidades é a contra- insurgência. Isto marca uma mudança na NorthCom estabelecida em 1 de Outubro de 2002. O seu sítio na internet continua a afirmar que "existem apenas forças residuais consignadas permanentemente a esta zona" mas porém "o comando será reforçado com efectivos sempre que seja necessário efectuar missões ordenadas pelo presidente ou pelo secretário da defesa" - tirado a papel químico, cães de fila do Império, percebe-se de imediato a natureza da implementação em Portugal de um comando unificado das forças militarizadas debaixo das ordens directas do chefe do Governo?, não percebe?

A jornalista Naomi Wolf (ver entrevista), reportou esta semana que “o congressista Brad Sherman da California disse que membros individuais do Congresso foram ameaçados com a implantação da lei marcial dentro de uma semana nos seus Estados, se eles não aprovassem o projecto do plano de resgate económico

¿Lei Marcial no horizonte?
pelo menos tropas norte americanas já patrulham as ruas

sábado, outubro 11, 2008

Crítica ao “Império” de Toni Negri

Multidões reunidas aleatoriamente por causas efémeras, tipo lego: montáveis, variáveis e desmontáveis a qualquer momento, venceriam um Poder virtualmente instalado que seria obrigado a submeter-se à vontade das maiorias consoante os interesses em causa.

a IV Frota dos EUA recentemente reactivada para o controlo da posição imperialista na América Latina acaba de destruir a ideia que pode haverImpériosem imperialismo. (segundo a obra de Michael Hardt Antonio Negri). Mais uma vez se demonstra que as réplicas da História são impiedosas com as modas intelectuais, que a seu tempo sempre luzem como indiscutíveis e inexpugnáveis. Mas as ideias nefastas acabam sempre por ser sepultadas pelos “factos, que, como se sabe “são infalíveis”
Bush estafou o par de botas texano

Alex Callinicos:

A leitura que Negri faz de Marx implica de facto uma reescrita sistemática de algumas das suas posições chave. Três exemplos:
(1) a lei da tendência de queda da taxa de juro - esta teoria é a base da teoria de Marx da crise capitalista. Porém para Negri, aqui fiel ao seu passado “operário”, o desenvolvimento do modo de produção capitalista está reduzido ao conflito directo entre capital e trabalho. Assim afirma que “a tendência de queda da taxa de juro indica a rebelião do trabalho vivo contra o poder da acumulação de juros”. Negri sabe perfeitamente que Marx, no volume III de “O Capital” faz desta tendência uma consequência da acumulação competitiva do capital, que leva os capitalistas a investir muito mais nos meios de produção do que na força de trabalho, causando assim uma queda das taxas de juro (porque o trabalho é a única fonte da criação de mais valias e riqueza), porém afirma que quando se conceptualiza nestes termos “toda a relação capital-trabalho será deslocada para o nível económico e impropriamente objectivizada”.

(2) a teoria dos salários – qualquer teoria que considera as crises uma consequência imediata directa do conflito entre capital e trabalho muito provavelmente atribuirá uma grande importância aos salários. Isto é assim, por exemplo, para as chamadas explicações do encolhimento dos juros pela subida dos salários, na primeira grande crise do pós-guerra durante os anos 70, quando a atribuiram ao facto de os trabalhadores bem organizados haviam obtido vantagem do pleno emprego para empurrar para cima os salários, reduzindo portanto a taxa de juro. Uma das implicações deste tipo de explicação é que os salários devem ser tratados como um factor autónomo. Consistente neste ponto, Negri afirma que quando o salário realmente aparece no primeiro volume de “O Capital”, considerando e reunindo um número de temas explicitamente lançados nos “Grundisse”, aparece como uma “variável independente”. As suas leis surgem da condensação num sujeito de revolta contra o trabalho contido no desenvolvimento capitalista.
Esta é uma passagem surpreendente. O que Marx realmente disse no volume I de “O Capital” é precisamente o oposto: “calculada matematicamente, a taxa de acumulação é a variável independente, não a dependente; a taxa de salários é a variável dependente, não a independente". Os salários são a variável dependente relativamente à acumulação de capital, porque os capitalistas, pelo seu controlo da taxa de investimento, também determinam a taxa de desemprego. Quando são confrontados com trabalhadores militantes, podem mudar a relação de forças entre classes a seu favor, organizando a paragem dos investimentos aumentando portanto o desemprego. Os trabalhadores, face à ameaça de despedimento, caem debaixo da pressão de aceitar salários mais baixos e de forma mais geral um aumento da taxa de exploração. Isto é precisamente o que vem a acontecer nos paises do débil capitalismo europeu desde a década de 70 - (cujo corolário de desinvestimento no trabalho se revelam agora como consequências sociais na presente crise)

(3) o trabalho como um sujeito absoluto – a flagrante má interpretação da teoria do salário de Marx é sintomática de uma volta conceptual mais profunda. Ainda que conceba o capitalismo como definido pelas relações antagónicas entre capital e trabalho, a primazia nesta relação é “o trabalho como subjectividade, como fonte, como potencial de toda a riqueza”. Uma vez mais isto contradiz directamente as próprias posições de Marx, mais especificamente no seu ataque na “Crítica do Programa de Gotha” à ideia que o trabalho é fonte única de riqueza: “o trabalho não é fonte de toda a riqueza”. A natureza é tanto a fonte dos valores de uso (e seguramente a riqueza material consiste neles) como o trabalho, que é só a manifestação de uma força da natureza, a força de trabalho humana.
A transformação feita por Negri do trabalho num tipo de sujeito absoluto tem reflexos na sua teoria da crise. Afirma que “a lei de queda da taxa de juro deriva do facto que o trabalho necessário é uma quantidade rígida"– o mesmo é dizer que, quando os capitalistas procuram reduzir a porção de trabalho necessário (requerido para reproduzir a força de trabalho na jornada laboral), e portanto aumenta a taxa de exploração, encontram “uma força com cada vez menos vontade de ser sujeitada, e menos disposta a ser comprimida”. Esta resistência obstinada significa “a autonomia da classe operária dentro do desenvolvimento do capital”.
Ora bem, Marx não é Deus. Não há nada sagrado nas suas teorias, e portanto não é nenhum crime revê-las. As perguntas interessantes têm que ver com a direcção das revisões de Negri e, se nos permitem ou não compreender efectivamente melhor o mundo contemporâneo. Críticamente Negri procura transformar o marxismo numa teoria do Poder. Assim afirma que “a relação capitalista é imediatamente um relação de poder” Dá uma importância especial ao facto que os “Grundrisse” (em português "Rascunhos" compilados tendo em vista a escrita de "O Capital" e apenas publicados em 1941) começam com uma extensa discussão sobre o dinheiro. Mas só a partir deste ponto Marx avança “da crítica do dinheiro para a crítica do poder”

(publicado originalmente em "Revolta Global.Net")
(3) ver também: "Teses sobre a não-centralidade do Trabalho"
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quinta-feira, outubro 09, 2008

Marx e as mulheres a dias do Imperialismo










“Que Fazer” perante a Crise?

Primeiro que tudo há que compreendê-la
. Esta é uma crise herdada dos estilhaços da “social-democracia” europeia que em Portugal desaguou no pós 25 de Novembro sobre Mário Soares que, perante o actual reforço intervencionista do Estado, pergunta com a maior lata deste mundo “onde estão agora os neoliberais?” – por acaso não tem um espelho retroactivo onde se possa (re)ver a assinar as vultosas letras de crédito com que hipotecou o país às doutrinas do FMI? (ele sabe que a moeda de troca impôs a abertura de mercado aos voláteis investimentos especulativos (as estradas do Cavaco, automóveis de topo, rotundas camarárias e as acções de formação do Torres Couto), a desregulamentação financeira, etc. foram o 1º passo dos males que sofremos agora). “Onde estão os neoliberais” senhor ex-PR?, que falta de pudor; Repare, se calhar o modelo mais acabado está na figura do chefe, (ou coach?) saído do seu american- modificado partido de vendilhões de banha da cobra. Repare no que diz VPV: “numa palavra, os patrões querem Sócrates

Jorge Gómez Barata: “Apesar das reservas ideológicas derivadas das posições de classe com os matizes conhecidos, desde os finais do século XIX que a intectualidade europeia assumiu as teses de Karl Marx nos campos da Economia Politica e da Sociologia”. Estudam-nas para melhor as poderem canibalizar e destruir.
O mesmo não ocorreu com Lenine que, ao liderar a Revolução Bolchevique foi estigmatizado e a quem o Ocidente, incluindo a chamada “esquerda social democrata” não reconhece méritos científicos. A sua produção intelectual relacionou-se com tarefas concretas da edificação socialista, o enfrentamento da contra-revolução paga, que ironia, pelos regimes sociais democratas europeus e os desvios internos do movimento revolucionário – “O Estado e a Revolução” e “O Imperialismo, Estádio Superior do Capitalismo” (1916 em plena 1ª grande guerra) são obras fundamentais e ferramentas teóricas para entender a actual crise do sistema capitalista. Os economistas de formação marxista sabem que as crises do capitalismo não são acidentes, casualidades ou conjunturas infaustas, mas apenas os resultados naturais e inevitáveis do modo de operar do sistema. Marx não conheceu a anarquia nem a desregulamentação, o crescimento (fuga desordenada em frente) pelo desperdício das sociedades de consumo, nem a arquitectura monetária e financeira internacional - a sua obra abrangia apenas a economia real, agora modificada pela especulação, assente em políticas económicas impostas baseadas no endividamento massivo e em dívidas gigantescas criadas.













Lenine teorizou, a partir das macaquices do judeu social democrata alemão Rudolf Hilferding, as caracteristícas essenciais de um novo estádio do capitalismo que denominou “Imperialismo”, cujas estruturas de exploração não estavam presentes no período de vida de Marx. É necessário compreender que os países não são peões autónomos que se movem pela sua própria cabeça num tabuleiro de xadrez onde existem outras peças muito mais poderosas cuja posse determina as regras do jogo. É um embuste recorrente, os comentadores oficiais induzirem as pessoas a pensar que os males (ou bens) se devem ao nosso comportamento ou a causas internas ("somos todos responsáveis” disse Cavaco)

















Henry Paulson
, a rainha do tabuleiro, afirmou ontem que, apesar da “ajuda” do Estado aos banqueiros privados a crise irá perdurar: “são precisos os esforços de todos numa perspectiva bi-partidária para enfrentar os maus tempos que aí vêm”, ou seja, cortes nos direitos adquiridos, inflação milhões de desempregados. Ora isto, a ideia de coligação dos 2 partidos que integram o sistema de pensamento único, é todo um programa ditatorial imposto; significa dizer que os zombies alinhados com os neocons terão de aceitar governos das 2 maiores facções do bloco central (como sempre), o P”S” sem maioria absoluta coligado com o P”SD” para “defenderem os nossos interesses nacionais” – que já sabemos mais ou menos como funcionam: mal Paulson tinha finalizado a alocução e o senador Henry Waxman denunciava no Congresso que os executivos de ponta da empresa AIG, resgatada pelo Estado para se livrar da falência com a quantia de 85 mil milhões de dólares, foram, mal receberam a garantia do dinheiro, passar uma semana de férias num resort de luxo, o St. Regis Monarch Beach na Califórnia, onde, a 1000 dólares por noite, gastaram mais de 440 mil dólares. Nós sabemos como funciona o esquema mafioso de assalto aos bens públicos e como se processa o trânsito de toda a ralé de figurões parapolíticos entre o público e o privado. Vão às massagens, à manicura, servem-se de toda a espécie de mordomias e apresentam a conta aos contribuintes através das “empresas de aspecto público” cujos executivos dominaram o aparelho de Estado. A corrupção dos colarinhos brancos, como não tinha nada a ver com a Produção, também não foi teorizada por Marx – naquele tempo o lúmpen ia direitinho parar ao xelindró.
(continua)

quarta-feira, outubro 08, 2008

“Kenia e a Sua Família”

Para ver brevemente no Doc. Lisboa. Este é um tema com uma actualidade evidente, quando se questiona a capacidade dos casais homossexuais para exercer com a mesma paixão e amor a função de pais – o documentário de Llorenç Soler (2005) foca a experiência de um casal de mulheres lésbicas na Catalunha, Julia e Aida, que decidiram ter um bebé. Depois de quatro tentativas de inseminação artificial falhadas, o casal decide procurar um pai biológico. Logo à primeira tentativa, Júlia fica grávida. Ao longo de mais de um ano, seguimos então a organização desta nova família alargada, que inclui não apenas as duas mães e as suas respectivas famílias, mas também o pai biológico, o seu marido gay e outros amigos.
Estamos pois em pleno regresso às origens sociais primitivas, mas numa perspectiva inversa: enquanto as tribos ancestrais se organizavam matriacalmente para preservar as fêmeas como fonte de abastecimento sexual do grupo, as tribos pós-modernas do século XXI unem-se para salvaguardar os escassos membros viris ainda em funções. Até a um próximo clímax tecnológico da reprodução assexuada - ou seja: a reprodução bio-política de ratos votantes - "Ó caralho! Ó caralho! Quem abateu estas aves?", o poema de Joaquim Pessoa aqui
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terça-feira, outubro 07, 2008

fome e fartura

De onde sairá o dinheiro para salvar os ricos e os seus bancos?

"Há no mundo 925 milhões de pessoas que passam fome e porventura outras tantas encontram-se severamente desnutridas.
Para acabar com esse drama a FAO afirma que seriam necessários 30.000 milhões de dólares - o mesmo é dizer, que para que ninguém no mundo inteiro morresse de fome ou sede, apenas seria necessário mais ou menos 40 por cento da verba que o Banco Central Europeu injectou nos mercados financeiros no passado dia 29 de Setembro. É normal que os cidadãos façam perguntas sobre este asqueroso e imoral contraste. Que se perguntem como é possível que a fome e a sede de mil milhões de pessoas não se considere uma crise suficientemente séria para que os Bancos Centrais não disponibilizem o financiamento para poder resolvê-la. E, como se disse no princípio, que nos perguntemos de onde saíu esta enormíssima quantidade de dinheiro posta à disposição dos ricos".
Juan Torres, no "Sistema Digital"

grau zero

Sarah Palin refere-se ao Afeganistão como "o nosso país vizinho" o que só por si, sendo um argumento de peso, decerto justifica que uma qualquer dona de casa se disponha a ajudar à força a vizinhança a ter hábitos democráticos.
(Reuters)

segunda-feira, outubro 06, 2008

o resgate do soldado Bush

Para conseguirem aprovar o Plano Paulson o que se fez foi entrar pela inveterada via do suborno e corrupção
Joseph Stiglitz

No voto final da Casa dos Representantes o dinheiro que procede do sector financeiro andou lado a lado com os apoiantes que pagam a campanha presidencial mais cara de sempre. Mas a distribuição do maná não é igual para todos: os 95 “democratas” que votaram “Não” receberam menos 78 por cento em contribuições que os 145 que apoiaram o plano. (ler mais)

tanto McCain como Obama obtiveram enormes quantidades de dinheiro dos bancos. Obama recebeu contribuições de 25 milhões de dólares de empresas financeiras, de seguros e imobiliárias, o chamado sector FIRE que esteve na origem da "crise". McCain reuniu 22 milhões. O principal contribuidor para a campanha de Obama é a Goldman Sachs que doou cerca de 700 mil dólares, seguido da CalTech, Citigroup e JP.Morgan Chase. McCain recebeu aproximadamente 200 mil dólares da Merril Lynch, Citigroup, Morgan Stanley e Goldman Sachs. Estas empresas não “despejam” as contribuições directamente - canalizam o dinheiro mediante a criação de “comités de acção” através de proprietários nos partidos, funcionários ou familiares dos candidatos. Por exemplo, Paulson quando deixou a presidência da Goldman Sachs para se integrar na Administração Bush em 2006 recebeu 18,7 milhões de dólares. Robert Rubin, outro ex-presidente da Goldman Sachs e ex-secretário do Tesouro na administração Clinton é agora assessor de Obama. (ler mais)

Hoje em dia, quando a famiglia Bush&aliados conseguiu pôr meio mundo civilizado de novo na fila da sopa dos pobres e está em marcha o maior negócio financeiro privado de sempre feito com dinheiro público, há dois chavões que funcionam às mil maravilhas para os transeuntes de memória curta: "a crise é internacional". No entanto, até o senhor Presidente da República sabe que Portugal está em crise há 8 anos 8, mais concretamente desde que o seu ex-ministro dos negócios estrangeiros Durão Barroso tomou as rédeas do poder e o submeteu ao dicktat dos neoconservadores de Washington. Nem vale a pena falar muito destes dois, todos sabemos que os "assunto nacionais" se resolvem na América.
O outro chavão é, não há cão nem gato que o não mencione: "houve uma falha de regulação" - mas, analistas e outra gentinha com conhecimento dos trâmites internos do Império, de quem são caninamente aliados, deveriam saber que se aliaram com vigaristas e corruptos (Stiglitz dixit) - efectivamente sempre existiram "reguladores", na falta de uma há (ou havia) duas entidades: a SEC, (Securities and Exchange Commission) que zelava pela transparência das operações dos mercados financeiros e a EEOC (Federal Laws Prohibiting Job Discrimination) que devia impedir que gente sem escrúpulos e com tendências criminais tivessem acesso a postos importantes em organismo públicos.
E também deveriam saber que ambas as instituições (mais os serviços camarários centralizados de Rudolph Giuliani) funcionavam em escritórios que se situavam no Edificio 7 do World Trade Center - Por obra e graça do honorável ponta de lança judeu Larry Silverstein em 2001 todos os processos em investigação que envolviam as fraudes com os apoios financeiros da campanha que "elegeu" Bush foram destruidos.

No dia 11 de Setembro, passadas 3 horas do embate dos aviões nas torres 1 e 2 declararam-se pequenos fogos nos pisos inferiores da Torre 7 – porque é que o sistema de sprinklers não os apagou? – passadas mais 5 horas e meia o edifício WTC7 desmoronou-se como um bloco compacto. Nunca nenhum edifício de estrutura metálica tinha caído por acção do fogo. Não foi também decerto o caso deste.


ver mais evidências da demolição controlada do WTC7

domingo, outubro 05, 2008

O senado norte americano votou favoravelmente o plano de ajuda aos capitalistas especuladores de Wall Street, agora eufemistacamente chamado de “plano de salvação dos contribuintes” (pagantes) - $700,000,000,000 dólares - Que outras coisas se poderiam fazer com este número de zeros? a revista alemã DerSpiegel publicou uma lista:
1. Pagar os salários médios de um ano a 22 milhões de pessoas
2. Estabelecer e pagar durante 6 anos uma cobertura universal do Serviço Nacional de Saúde
3. Comprar 47 vezes um sistema nacional moderno de comunicações de serviços de emergência em todos os países
4. Desde o Katrina o governo gastou 7 biliões em New Orleans. Poderia refazer-se 100 vezes completamente todo o sistema de diques
5. Comprar o produto interno bruto da Dinamarca 2 vezes
6. Pagar o Orçamento geral do Estado da Alemanha por cerca de 20 meses
7. Combater a pobreza em África pelo período de 10 anos
8. Financiar as 16 agências de espionagem (com 100 mil empregados) norte americanos, armas pessoais incluídas, durante 15 anos
9. Lançar múltiplos planos “New Deal” como o de Roosevelt. Estes investimentos necessários custariam 250 biliões, incluindo 40 mil edifícios públicos e 72 mil escolas.
10. Ajudar os bancos comerciais em investimentos para salvar a Terra implementando um plano global sustentável.
11. Pagar às tropas para permanecerem mais 7 anos no Iraque e no Afeganistão
12. Construír diversas estações espaciais e viajar para a Lua 4 vezes.

Apesar desta farturinha, contas feitas, pensa-se que as notas propositadamente impressas para a salvação da alta finança poderão atingir os 1,8 Triliões de dólares - como diz Vasco P. Valente: “Obama e McCain definiram com toda a clareza os compromissos globais da América e, como os definiram, esses compromissos não são cumpríveis”

alguém pintou umas marcas no chão
onde os politicos europeus devem pôr os pés,
mas eles estão meio atarantados para as descobrirem
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sábado, outubro 04, 2008

Dia Mundial da Música

em homenagem aos visionários que vêm lutando pelo crepúsculo dos deuses da alta finança



em 1850, Wagner publicou “O Judaísmo na Música” ("Das Judentum in der Musik") um ensaio onde atacou fortemente a influência judaica na cultura e na arte alemã. Na obra ele retrata os Judeus como "ex-canibais, treinados para ser agentes de negócios da sociedade". A frase não pode ser lida fora do contexto: na verdade era concretamente uma crítica a Giacomo Meyerbeer (aliás Yaakov Liebmann Beer filho do poderoso industrial Judah Herz Beer) e a Félix Mendelssohn (aliás Jakob Ludwig filho do proeminente banqueiro Abraham Mendelssohn-Bartholdy), ambos compositores judeus contemporâneos associados ao teatro operático comercial conotado com os interesses económicos dos judeus. A maior parte das óperas de Wagner, mais particularmente Parsifal, Lohengrin e de igual modo Tannhäuser , são parábolas para ilustrar alguns mistérios do Cristianismo desancando a óptica esotérica dessa corrente de adaptações históricas de lendas e mitos ancestrais com que se foi constituindo e institucionalizando o Poder à sombra do sagrado. As peças não têm qualquer relação com ideias anti-semitas. Marx chamava ao seu opositor Lassale, com humor, “o nosso judeuzinho descendente do cruzamento com negros” – era inerente à época ridicularizar aquela gente esquisita que se segregavam a eles próprios em guetos só saindo da clausura voluntária por via do negócio e da usura; Mas no século XX, pela sua própria natureza, os judeus guiados pelo Sionismo tornaram-se incapazes de se lembrar da essência das coisas que politicamente não lhes convém lembrar. A diabolização de Wagner pelo judaismo ortodoxo é tão ilegitima quanto a apropriação que pretendem fazer da sua obra todos os mais variados matizes de neo-nazismo. Vejamos.

Richard Wagner representou para a cultura alemã do século XIX o mesmo que Giuseppe Verdi representou para a cultura italiana: uma espécie de ícone cultural, e aglutinador da identidade nacional quando o país ainda estava em formação” (da wikipedia) mas, embora o nazismo só tenha tomado forma 50 anos depois da morte do compositor, o que prevalece é a mitologia espalhada pelo actual tardo nacionalismo judio-israelita – ainda hoje a música de Wagner é proscrita em Israel, porque se diz na propaganda que “os oficiais nazis transformaram em hinos as suas obras”. Esta é realmente uma visão fantástica e um entendimento retrógado, mentiroso e tacanho da essência universal das obras de Arte.

A verdadeira história da Nova Arte

Wagner defendia que a arte devia ser a expressão mais pura da alegria geral da comunidade, devendo ser acessível a todos e não somente aos ricos. Deste modo, não dependeria dos interesses comerciais mas deveria ser obra da comunidade inteira como era no tempo das Tragédias da Grécia Antiga, visto que os espectáculos teatrais eram a expressão da consciência mais profunda. Era todo um povo quem se movia para participar dos espectáculos, enquanto que no presente da Europa somente os ricos usufruíam deles.
Aquilo que para os gregos antigos era sagrado, religioso, passou a ser apenas divertimento entre os fidalgos europeus que frequentavam as peças e concertos apenas para fugirem momentaneamente do tédio existencial e badalar os seus luxos. Enquanto que para os gregos a educação artística visava o corpo e o espírito dos seus cidadãos, ela estava agora reduzida aos interesses da lógica comercial. Aos que lhe chamavam a atenção que na Grécia tão exaltada predominava a escravidão Wagner respondia que modernamente também aqui imperava uma servidão: a escravidão ao Dinheiro.

Arte e Revolução

Por altura da publicação do seu primeiro ensaio denominado “Die Kunst und die Revolution” (Arte e Revolução, traduzido pela Antígona), redigido em Junho de1848, estava-se em pleno período de conflagração revolucionária na Alemanha. Wagner afirmou aí que a forma operática do Teatro é algo bem mais profundo do que buscar o pretenso enobrecimento do gosto e das belas maneiras. As representações não deveriam ser apanágio de uma élite endinheirada e entediada mas sim expressão máxima da colectividade organizada. Em Fevereiro daquele mesmo ano, havia surgido o "Manifesto Comunista" escrito por dois revolucionários que também se iriam tornar famosos no mundo inteiro: Karl Marx e Friedrich Engels. Todavia, a obsessão de Wagner era marcadamente estética e não política e social como a dos seus então irmãos de causa.

O clima de conformismo e de mediocridade que caracterizou a época da Restauração na Europa (1815-1848), não condizia com as suas ambições. O jovem artista sentia-se tolhido pelo ambiente acanhado e provinciano da Alemanha daqueles tempos. Não demorou muito para que o mestre-capela do reino da Saxónia se sentisse atraído pela causa da revolução social. Para acelerar ainda mais a sua decisão de se inclinar pelo radicalismo, travou relações com o anarquista russo Michael Bakunin foragido da Rússia czarista acolhido em Dresden por simpatizantes da causa. Quando eclodiu a Revolução de 1848, Wagner ingressou na Vaterlandverein, uma agremiação patriótica que defendia a democracia e, em seguida, ingressou na Guarda Comunal Revolucionária uma milícia formada em Dresden pelos cidadãos sublevados contra o governo. Durou pouco o sonho dos revolucionários. Em Maio de 1849, o rei da Prússia Frederico Guilherme IV e as suas tropas invadiram a Saxónia para pôr fim ao levantamento. Wagner e a sua mulher Minna tiveram então que partir para o exílio.

Os seus outros dois textos teóricos – “A Obra de Arte do Futuro” (Antígona), e “Ópera e Drama” datam também desse tempo no qual o impulso revolucionário latejou fortemente dentro dele. Quando, anteriormente, Wagner concluira um projecto para o teatro nacional alemão em Dresden, percebera as limitações impostas pelo presente. Influenciado pelas suas leituras das tragédias gregas passou a sonhar com a possibilidade de poder vir a restaurar no futuro a poderosa dramaturgia de Ésquilo e de Sófocles que desaparecera da encenação ocidental. Nada em Dresden ou na Alemanha como um todo indicava que aquilo fosse possível. Mas mesmo assim, imaginou uma solução claramente utópica para que o teatro clássico, reconvertido em formas modernas, pudesse novamente renascer: era preciso forjar uma Nova Humanidade, uma nova relação entre o Homem e o Estado. Somente assim, com uma transformação política radical, poderia haver uma expectativa de surgir uma Civilização limpa, sã e enamorada da Arte – estes foram os princípios que presidiram à criação da Ópera de Bayreuth.

(ler mais: da biografia de Richard Wagner: "O Povo como Artista Supremo")
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sexta-feira, outubro 03, 2008




























O despertar de Brunilde, ou de como o Amor pode remover montanhas. A visão da Mulher ensinou a Siegfried o que era o Medo: “um feitiço ardente penetra o meu coração; um medo abrasador encandeia-me os olhos; uma vertigem entontece a minha cabeça, cambaleio - ¿ a quem pedirei, para minha salvação, que me ajude? ¡Mãe! ¡Mãe!¡ recorda-te de mim! – a mãe imaginada e inscrita no código genético é Erda, a natureza primitiva.
O momento em que o beijo de Siegfried desperta a donzela, converteu-se no momento mais solene de toda a tetralogia do “Anel dos NibelungosRichard Wagner utiliza aqui o texto de um dos ritos pagãos mais antigos que nos foram transmitidos pelas mitologias germânicas e nórdicas, como os “Eddas” - a saudação solene do Sol nascente: “glória a ti, Sol! ¡glória a ti Luz! ¡glória a ti, Dia Luminoso!” enquanto a música vai recordando o leit-motiv do Destino, o “anúncio da morte” de Brunilde (a Valquíria adormecida, filha de Wotan o pai dos Deuses e de Erda a mãe da Terra e da Natureza).
Não é difícil imaginar em que fontes a ICAR e a Disney Corporation têm vindo a beber para nos efabularem tão sensíveis dramas?
Despertar e Morte como mistério da Vida, como enigma do Futuro, assim como também um momento de Redenção. Em pleno idílio no cume de uma montanha, numa “altiplanície” de esperanças, no cimo do Mundo – ante os nossos olhos (os de Siegfried) abrem-se uma vastidão de possibilidades quase infinitas, que prometem muito mais que a magnífica visão do Walhala – o castelo construído pelos Gigantes que utilizaram a mão de obra escravizada dos Nibelungos (uns gnomos de aspecto repugnante que vivem nas profundezas da Terra) sujeitando-os a trabalhar sem descanso para transformar o Ouro roubado ao Reno em lingotes de alto valor acrescentado pela incidência dos raios de Sol.

Como a água pôde falar pela boca das filhas do Reno, agora a Floresta, conspurcada pelos esgotos viscosos do petróleo e lixo, fala pela voz dos pássaros – “passarinho”, é muito difícil entender o teu canto (...) se conseguires entender a sua linguagem correctamente, serás o dono do Mundo”
No “Crepúsculo dos Deuses”, o último episódio da saga, quando tudo arde, Siegfried chegará à terra dos “gibichungos”, o mundo dos mortais normais,,,
a encenação está prevista para a próxima época 2009/2010 do São Carlos; veremos o que acontece entretanto, agora que músicos e coralistas estão a ser pagos com contratos precários a termo de três meses.

PS - obviamente, da obra de arte total de Wagner há quem apenas se interesse pela forma, o pensamento ultraconservador convive mal com qualquer forma de adaptação da mitologia clássica às personagens e situações contemporâneas, leia-se onde a ma$$a não seja a actriz principal – mas aprende-se sempre algo com eles, ao contrário deles, que não aprendem nada com a admirável encenação de Graham Vick

quinta-feira, outubro 02, 2008

"a crise" como drama explicado em 3 actos audiovisuais

Segundo uma sondagem realizada pela Survey USA logo após ser conhecido o “plano de salvação dos ricos” proposto por Bush, 57 por cento dos norte americanos estão preocupados com a possível falência do Banco onde têm o seu dinheiro depositado; e, se a crise é global, e se até aqui as “nossas autoridades” sempre garantiram que “a crise era deles” e não afectaria Portugal, ninguém daqui por semanas ou meses se poderá admirar se os nossos depósitos bancários não vierem também a ser objecto de preocupações.
Na Venezuela Chávez riposta: ““Devemos apurar responsabilidades pelos danos causados a milhões de pessoas em todo o mundo pelo desmoronamento do sistema neoliberal” – e a televisão de serviço público RVTV (com a mesma competência com que a RTP transmite desafios de futebol) explica como na verdade o problema se iniciou:



Mas a crise não é apenas o episódio dos “subprimes norte americanos” nem se origina na falta de regulamentação; a culpa é integralmente do sistema do badalo que o Cavaco tocou: começou na bolha imobiliária mas a grande questão é a subsquente especulação com os pacotes desses fundos a partir de Wall Street que irradiaram a todo o sistema financeiro global multiplicando-lhes o valor em quantias astronómicas que ninguém sabe actualmente contabilizar:



Como ali atrás se falou na RTP, e porque muda e queda dali não sai nada, recorramos então a um spot da CNN em espanhol (no vídeo abaixo) e veja-se o que as ninhadas de comentadores residentes, analistas e outros papagaios pagos à linha dizem: “não deve haver pânico, há que manter a calma, este não é um tempo terrivelmente mau, trata-se de uma pequena assincronia entre a Finança e a Política, a crise não se vai estender à rua, é preciso manter a calma, etc. etc.”
Infelizmente este é apenas o princípio da crise e da derrocada - depois do gag televisivo, Eric Toussaint, responsável pelo Comité de Anulação da Divida do 3º Mundo, fala na TeleSur sobre a Crise Financeira e sobre a resistência dos Executivos que pretendem reanimar o cadáver – como diria a Odete Santos: “que diacho, o sistema Capitalista está podre, mas não cairá só por si; precisamos de fazer um bocadinho de força para que isso aconteça



Compreende-se que os nossos velhos e decrépitos liberais abominem Hugo Chávez: o seu governo explica tudo às pessoas: “é como se um elefante estivesse dentro de uma piscina, ninguém que esteja lá dentro escapará incólume à turbulência”; enquanto os governos neoliberais apelam à inacção dos cidadãos, ele toma medidas para enfrentar a crise: o novo Banco do Sul arrancará já em Dezembro, substituindo os investimentos através do Banco Mundial, instituição que mais não é que uma correia de transmissão dos interesses imperialistas dos EUA na área dos negócios. O novo banco regional integrará a Venezuela, o Brasil, Equador e Bolívia, estendendo-se brevemente as conversações para adesão à Argentina, Uruguai e Paraguai.