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quinta-feira, novembro 13, 2008

a crise do Estado

vinda de Espanha, eis a crise concreta explicada em 5 minutos: em princípio, os culpados são os sem-abrigos, porque não têm poder de compra

7min.07seg.


o “Declínio do Capitalismo” é uma ideia antiga que foi expressa em livro pela primeira vez pelo economista marxista russo Ievgueni Preobrajenski; a obra consiste num estudo teórico sobre a grande crise do sistema capitalista iniciada em1929 - só "resolvida" pela 2ª grande guerra mundial.

Por tradição da Esquerda, a degradação do capitalismo e a ideia de colapso está associada ao declínio do Estado. Conquanto nem a designação de “o Capitalismo” nem a de “o Estado” representem no presente o mesmo significado dos primórdios da era da industrialização do tempo de Marx, há que definir os dois conceitos hoje, mantendo a compreensão da natureza de classe do Estado, embora o papel actual deste esteja dissimulado pelo fetichismo (do espectáculo) que as classes dominantes lhe associam – no essencial é a relação entre economia e política que conta – vista pela lente daquilo a que Lenine chamou “o instinto de classe”: e são factos correntes que as personagens que gerem as corporações económicas já não se distinguem dos delegados que gerem tarefas políticas, duas vertentes que aliás transitam e se interseccionam entre si, não à margem, mas dentro do aparelho de Estado.
Na medida em que não dispomos de meios (de participação democrática) para alterar este panorama (como Rosseau dizia aos ingleses: vocês só são livres no dia das eleições) há que compreender o Neoliberalismo a partir da dinâmica da luta de classes: as classes não são uma comunidade organizada, são pessoas dispersas cujas situações são definidas em relação à sua posição no mercado. A fusão entre economia e política explica per si qual é o papel do Estado no processo de acumulação capitalista e deixa claro qual é a classe dominante no processo.

No regime de acumulação financeirizado mundial (Chesnais: a Mundialização do Capital) o Crédito, ou seja, a função monopolista da rede de criação de Dívida, ocupa um papel central (como no Liberalismo clássico o Banco Central ocupava em relação ao Estado), no sistema capitalista globalizado os principais actores da esfera financeira deixaram de ser os Bancos para passarem a ser as organizações financeiras, holdings, empresas financeirizadas, fundos de investimento isentos de soberania nacional, fundos de pensões nacionais (públicos) ou privados, tudo o que se joga(va) hoje sem escrúpulos na imensa roleta de casino em que se transformou a economia mundial.

Ao estudar os limites d“o Estado na sociedade capitalista” (Nicos Poulantzas) os euro-neo-marxistas concluem, valha-lhes isso antes do suicídio, que estamos longe do emprego do termo “Capital” como Dinheiro (Moeda) do tempo do Liberalismo clássico e dos Bancos como caixas de depósitos de poupanças – de que vale às classes médias poupar, como Sísifo, se a rede de emissores de papel moeda imprime dinheiro sem trabalho nem valor acrescentado deitando no caixote do lixo da hiperinflação essas poupanças? – o termo capital-dinheiro foi utilizado por Marx sempre para designar o Capital na forma monetária, nunca como forma autónoma de Capital que vence juros e se multiplica (replica) de forma cancerígena sobre si mesmo.
A actual ofensiva das classes dominantes desterritorializadas que se movem através das redes de investimento sedeadas em offshores contra o Trabalho e contra os Estados nacionais é feita em nome do Capital Financeiro – empreitada que se designa genericamente por Neoliberalismo, doutrina que reduz a Política ao desempenho mediático de figurantes com a mera função de papagaios recitativos, cujo discurso oculta as deliberações das corporações financeiras multinacionais. São precisamente estas que estão em crise de sobreprodução o que gera a quebra na concessão de Crédito por a capacidade de Consumo se ter esgotado em milhões de pobres para que houvesse uma acumulação desmesuradamente desigual para os ricos.

O Neoliberalismo está em processo acelerado de falência, mas o Liberalismo, e a social-democracia que lhe estava associada ao tempo das funções clássicas dos bancos nacionais, é uma carta obsoleta fora do baralho da História.

Adenda
Conceitos elementares como “poder” “desigualdades” e “classes sociais” nas sociedades ocidentais contemporâneas são fundamentais para as ciências sociais, nomeadamente para a Geografia, na medida em que as diferentes formas físicas e humanas de apropriação e de transformação dos espaços traduzem relações de poder e as desigualdades sociais presentes nas estruturas sociais, que se espelham e se interpenetram com as estruturas espaciais. Atendendo ao papel basilar de autores clássicos no desenvolvimento da análise sociológica do poder e das desigualdades sociais, expõem-se no link abaixo as principais dimensões da teoria das “classes sociais” (Karl Marx) e da “estratificação social” (Max Weber)
ver Helena Machado, Universidade do Minho, in “Geo-Working Papers”

quarta-feira, novembro 12, 2008

o banqueiro
visto do outro lado do espelho

primeiro disse como o outro, que não sabia de nada, depois,
o governador do Banco de Portugal diz esta coisa extraordinária: "Sem crise financeira internacional, o BPN podia salvar-se"!, - foi o que descobriu ontem Vítor Constâncio perante os deputados presentes na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças - assim sendo saíu-se da normalidade da corrupção financeira; a falência do BPN e o arresto dos prejuizos pelo Estado são uma anormalidade,,, sem dúvida, está como o diabo gosta, e o Diabo veste Prada, sempre sempre ao serviço dos Direitos do Homem de Negócios - neste particular os grandes cérebros do regime alinham com a extrema direita afecta ao Diabo (ou ao CDS sempre a jeito para surfar os ressentimentos populares) onde alguém esta semana afirma em capa que: "não se trata de uma crise do capitalismo, mas sim de uma crise do Estado"
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Marx e Wall Street

“O sistema de crédito centralizado nos bancos nacionais e os detentores do grande capital que o rodeia, dá a esta classe de parasitas um poder fabuloso, não só para controlar os capitalistas industriais, mas tambem para intervir directamente na produção da maneira mais perigosa – Esta gente nada sabe sobre produção e nada tem a acrescentar sobre isso” - Karl Marx in “O Capital” vol.3, cap.33

o que faz o Marxismo ter uma vida tão longa, depois de supostamente ter sido sepultado pela queda do Muro de Berlim, pela desintegração do capitalismo de Estado na União Soviética, pelo decretar americano do fim da História e agora da queda capitalista da Rua do Muro (tradução literal de Wall Street) mesmo depois da ascenção de tantas correntes pós-modernas no meio da intelectualidade académica? simplesmente o facto de que a sua filosofia permanece viva e actual porque não se restringe a interpretar o mundo, mas sobretudo porque é uma doutrina que pretende transformar o mundo.

A Cultra, o Instituto de História Contemporânea e a rede Transform promovem nos dias 14, 15 e 16 de Novembro de 2008, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, o Congresso Internacional Karl Marx.

"A presente crise financeira e económica do capitalismo global iniciada nos EUA, a mais grave desde o crash de 1929, recoloca a pertinência das abordagens marxistas sobre a economia, a sociedade, as ideologias e a política nas sociedades capitalistas. Talvez por isso se registou uma tão significativa adesão de contributos: comunicações que analisam os marxismo enquanto instrumentos de interpretação e transformação do tempo presente (...) (programa e mais informações aqui).

terça-feira, novembro 11, 2008


Invocando que foi tendo em conta a «protecção dos depositantes» (embora o BPN fosse um banco de investimento e não um mero banco comercial) sua excelência o presidente Cavaco lá promulgou o decreto que salva os seus compinchas de Partido de se responsabilizarem pelos danos causados pela falência fraudulenta do negócio privado do Banco Português de Negócios; assim, já que se trata de dinheiro da malta que vai arder, se soubesse que em última instância me respaldavam as golpadas, asneiras e baldas de gestão, até eu modesto trolha montava o meu negócio, de por exemplo 600 milhões de euros, punha a coisa a facturar e depois, plof - seria mais um "escândalo financeiro" diria o zé, mas não é, como dizem os eruditos, assim sendo passava a ser uma questão de Estado!

**** nota adicional sobre o link acima:
previsivelmente, Pulido Valente faz um retrato da famíglia PSD incompleto - na câmara escura, faltou mencionar que Aguiar Branco (Pai) é Presidente da Assembleia Geral do BPN (Aguiar Branco, o filho, o homem forte do Norte, foi o ano passado convidado do Grupo Bilderberg) e omitiu que Rui Machete presidente da mesa do congresso do PSD durante vários anos é também presidente do grupo de holding do BPN, a Sociedade Lusa de Negócios, para além de presidir à toda poderosa Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD) - deve ser a partir desta ligação que nasceu a séde do BPN naquele edifício de São Sebastião da Pedreira - precisamente o que foi construido por uma empresa de construção detida pelo ex-embaixador Frank Carlucci
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segunda-feira, novembro 10, 2008

Miriam Makeba 1932-2008

Ganhou o direito a ser entronizada com o título de Mama África; costumava dizer: “continuarei a cantar até ao último dia da minha vida” – Zenzile Miriam Makeba colapsou este domingo aos 76 anos a um palmo do palco, em Caserta, uma pequena cidade italiana, no final de um espectáculo contra o Racismo que incluiu também uma homenagem ao escritor e jornalista italiano Roberto Saviano ameaçado de morte pela máfia napolitana.
Das milhares de causas que defendeu, que afinal é apenas uma: a causa da Liberdade (e a segregação económica é uma forma de opressão) fez talvez a sua mais magnifica aparição quando compôs e interpretou para delírio das multidões na independência de Moçambique a canção “A Luta Continuaem honra de Samora Machel, lider incontestado da Frelimo. Por altura do aniversário do assassinato do histórico líder africano (1986), compareceu na homenagem em sua honra, noutra fabulosa aparição (em 2001), na presença dos lideres libertados do criminoso regime do apartheid


link do video encontrado junto com os "SowetoBlues" em WeShow

recordando
a cadeia de televisão sul-africana SABC-3 passou no dia 7 de Outubro último o documentário "The death of a President" (a Morte de um Presidente) sobre o assassinato de Samora Machel - onde Hans Louw um capanga do tempo do apartheid, ex-operacional das forças especiais sul-africanas CCB fala explicitamente do seu envolvimento na "queda" do avião onde seguiam mais trinta e três pessoas da comitiva presidencial. Uma transcrição das declarações de Louw envolvendo Pik Botha e outros está disponível aqui. Face aos dados disponiveis o processo do crime deverá ser aberto de novo e reinvestigado
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Change (III) - Obama, FMI e Multinacionais

Coloco diante de ti a vida e a morte, a felicidade e a maldição. Escolhe a vida (…) Deuteronómio XXX: 19

Deve ser exorcisando esta citação que os homens de fato e pasta preta que se empregam no FMI a soldo de assassinos económicos abordam as mais variadas espécies de signatários dos povos para lhes proporem “frutuosos investimentos”. Porque são algumas nações tão ricas e outras tão pobres? - A questão não é de resposta fácil,

ocultada que está pela comunicação uma parte fundamental das três teorias em confronto. É profundamente desonesto reduzir o debate unicamente entre conservadores e liberais (ambas as correntes de acordo com o essencial a aplicar à politica profissional de controlo de massas), enquanto a perspectiva marxista é censurada - como disse o filósofo Daniel Innerarity na Sociedade Invisível, desde que se não mostre a coisa, ela não existe. E tem sido assim que a economia política se tornou numa espécie de espionagem.

Esta será a sétima crise cíclica da economia mundial; diz-se que teve origem na crise imobiliária nos Estados Unidos – porque afectou os ganhos nas empresas dos Estados Unidos – deveria ser um problema interno deles, porém não existem só economias nacionais, nem apenas relações económicas entre nações, existe principalmente uma economia mundial.
clique para ampliar
Existe uma estrutura de produção e de circulação mundial de mercadorias disribuidas por todos os países liderada pelas grandes empresas transnacionais. E quando se fala de crise, é da tomada do poder por estas empresas e dos seus lucros que estamos a falar.

a troupe de Bush será condenada pela História? Ou será Bush o filho querido da vitória? No ano 2000 quando chegou ao poder os lucros das empresas multinacionais norte americanas eram de 851 mil milhões – para em 2008 passarem a ser 1.594 mil milhões, passando pelo pico máximo de 1.673 mil milhões em 2007. Esta pequena diferença no último ano são “as perdas concretas dos EUA na grande crise

Portanto, no problema da especulação financeira que alastrou a todo o mundo, este não é um problema da economia interna americana, mas sim o de que para a análise da crise se devem considerar os elevados e crescentes ganhos das empresas dos Estados Unidos nos outros países. A crise interna no imobiliário não afectou de modo nenhum os lucros totais das empresas produtoras norte americanas de bens e serviços, excepto as infladas financeiras - os ganhos nos outros sectores da economia, por via do fluxo que chega do estrangeiro, continuam a ser muito elevados.

Como se passou da crise económica nos EUA para a crise da economia mundial?. Muitas empresas construtoras tiveram grandes perdas desde o verão de 2007 e muitas delas faliram. Mas, para já não mencionar as indústrias da guerra, por exemplo as grandes indústrias de fabrico automóvel com a produção centrada no modelo fordista das linhas de montagem em grande escala, como a Ford, General Motors ou a Chrysler, tiveram perdas nestes últimos anos, mas enfrentaram-nas com as deslocalizações para outros países e com os lucros obtidos aí e na diversificação dos serviços oferecidos apoiados pela ampla oferta de créditos, criando bolhas em terra alheia. Muitas das empresas com origens na grande indústria, como a General Electric tornaram-se elas próprias em grupos financeiros (GE-Money) – Com Obama como relações públicas desta mesma política, a crise, abrirá caminho para a ruptura do processo de globalização da actual economia mundial, ou o capitalismo, com o seu núcleo duro de empresas multinacionais cada vez mais restrito e concentrado, sairá reforçado neste processo?

referências:
* livro: David S. Landes, "A Riqueza e a Pobreza das Nações" (Gradiva, 2002)

* Landes em relação ao período áureo dos Descobrimentos portugueses "demonstra como o pragmatismo económico e o enquadramento institucional público/privado foram fundamentais. Ao contrário de muitas ideias de heroísmo que existem acerca dos nossos navegadores". (ler recensão)

* artigo de Orlando Caputo: "A Crise e a possivel ruptura do processo de Globalização"
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domingo, novembro 09, 2008

o Ocidente, oportunidade inesgotável do renascimento italiano?

Fernando Braudel:
o Modelo de capitalismo mercantil Italiano

“Aparentemente, as cruzadas terminaram no fracasso do Ocidente. Prisioneiro no Egipto (1245) S. Luís morre junto de Tunis, em 1270. Constantinopla volta a ser grega (1261) e, com S. João de Acra (1291) a cristandade perde a sua última praça notável no continente asiático. Mas o mar, em toda a sua extensão e nomeadamente nos seus espaços orientais, continua a ser dos marinheiros e mercadores da cristandade. E esta vitória apaga tudo. (até mesmo o início da decadência após a IV Cruzada, chamada a do Comércio, quando cristãos se começaram a bater contra cristãos).
Com a experiência, no plano económico, nada será alterado quanto aos antigos privilégios, sobretudo os das escolas de navegadores e mercadores de Génova e Veneza. E a Itália frequentará a seu bel-prazer, até ao fim do século XIV, os portos e mercados da Síria e do Egipto onde o grande comércio do Levante reencontrou as suas saídas essenciais, em direcção ao mar Interior e aos mercados do Ocidente: Tripoli, Alepo, Beirute, Damasco, Alexandria, mais tarde o Cairo. Seja na franja marítima, seja até aos grandes centros caravaneiros do interior próximo, os mercadores italianos e outros da cristandade quando não ditam a lei, impõem pelo menos a sua presença, tomam a seu cargo as mercadorias das aos dos mercadores orientais, cujo monopólio termina a certa distância, mesmo junto ao mar. Assim conseguem as drogas, os produtos de tinturaria, a pimenta, especiarias, o algodão em fio ou tecido, a seda, o arroz, as leguminosas... Como curiosidade e o interesse foram bem cedo despertados a propósito das mais preciosas destas mercadorias – a pimenta e as especiarias – a expedição dos irmãos Vivaldi, partida de Génova, lança-se para além de Gibraltar à aventura atlântica, para se perder de pessoas e bens, obscuramente, nas costas africanas. A sua tentativa, em 1291, situa-se no ano em que caiu São João de Acra. Procurariam o caminho que Vasco da Gama irá encontrar dois séculos mais tarde?

A presença italiana no Norte de África apresenta caracteristicas análogas. Atinge todas as cidades portuárias: Tripoli da Barbária, Túnis, Bona, Bougie, Argel, Oran, Ceuta... no interior das terras, os italianos estão presentes, ao lado de marselheses e catalães, por exemplo, num grande centro como Tlemcen. Nestes diversos pontos existem colónias comerciais activas. É um jogo comprar em Génova cartas de câmbio pagáveis sobre Oran e sobre Túnis. O Norte de África entrega constantemente os seus produtos em bruto, couros, cera, trigo e o que lhe traz o comércio sahariano, as tâmaras, os escravos negros, os dentes de elefante, as plumas de avestruz, o ouro em pó do Sudão. Em Túnis, o ouro dos mercadores venezianos é levado, por maior segurança, pelas galeras da Signoria que o transportam até Corfu, ocupada desde 1385, praça essencial através da qual Veneza domina a entrada do Adriático e vigia o vasto mar praticamente no ponto de junção das suas duas bacias, a oriental e a ocidental.

Assim, o Islão senhor das suas terras, abre-se ao estrangeiro pelo mar insidioso onde navegam sozinhos, ou quase sozinhos, os navios da cristandade. E para que aquilo que se passa no Oriente e no Extremo-Oriente se reproduza quase fielmente no Norte de África e no Sahara, em 1447 um genovês, Antonio Malfante, avança até ao Touat, uma vez que outros já conheciam a direcção do ouro do Sudão (as Terras do Preste João). Nesta época as caravelas portuguesas percorrem já o litoral atlântico até ao golfo da Guiné. Então quem vai ganhar: o mar ou a terra?, o português ou o genovês?

Posto isto, ou melhor, esboçado, não esqueçamos que muitas viagens que penetraram profundamente através das areias, das montanhas e dos desertos nos são francamente desconhecidas. Só por acaso Malfante foi assinalado. O Islão por certo foi muitas vezes atravessado por ocidentais. Para tomar um único exemplo, sem remontar até Marco Polo; Niccolò Conti, nascido em Chioggia no Dogato Veneziano, efectuou uma visita prolongada à Índia e à Insulíndia, entre 1415 e 1439. Assim, Vasco da Gama não “descobriu” a Índia no sentido preciso da palavra, mas sim um caminho inteiramente marítimo para a atingir. Aliás, encontrou lá, segundo Sanudo, venezianos bem instalados. Pequeno episódio: quando, a 21 de Maio de 1498, a frota de Vasco da Gama lançou âncora na baía de Calicute, vêm ao encontro destes emissários dois mouros de Túnis que falam catalão e genovês. “Que diabo vos trouxe até aqui!?”, exclamam. A resposta dos portugueses é bela: “Vimos buscar cristãos e especiarias

Veneza: as Galere da Mercato

“Esta volta pelo horizonte exterior mais afastado requer uma conclusão (sobre a organização politica e social das estruturas do capitalismo mercantil), antes de se abordar os grandes problemas do interior. Trata-se do “filme” das viagens das galere da mercato venezianas, montado em cargas sucessivas, de 1332 a 1534, por Alberto Tenenti e Corrado Vivanti (1961). É certo que Veneza não é senhora única dos espaços dominados pelo mercantilismo italiano, mas está no centro da prosperidade criada em detrimentro de outrem e é, a este título, exemplar. Desde o século XIV que a Signoria pôs navios construídos no Arsenal a expensas suas à disposição dos seus patrícios que detêm na cidade ao mesmo tempo as chaves do negócio e as rédeas da governação. Estas galeras, a princípio de cem toneladas e que virão depois a atingir duzentas e duzentas e cinquenta toneladas (galeras, mas os remos servem-lhe apenas para entrar e sair dos portos – navegam à vela) são todos os anos postas a concurso público e alugadas à melhor oferta, combinando os adjudicatários com os outros mercadores a composição das cargas. As tarifas do frete, o calendário das viagens são fixados sob a vigilância das autoridades em exercício. Veneza procura obstinadamente privilegiar as suas ligações, colocar os seus transportes ao abrigo de toda a concorrência. Houve aí uma espécie de dumping de longa duração, com o Estado a subvencionar os particulares. A data essencial para a instauração do sistema foi talvez o ano de 1346 (o ano de Crécy) em que, pela primeira vez, constatamos a existência das galeras ditas da Flandres, que são a principal ligação da economia italiana com os panos dos Paises Baixos, a lã, o chumbo e o estanho de Inglaterra.















Em 1450, todas as ligações estão simultaneamente estabelecidas: galeras da Romagna que vão atá La Tana e Trebizonda; galeras da Síria; galeras de Alexandria; galeras de Aigues-Mortes e, a partir de 1436, galeras da Barbária (a patir de 1442 acrescentaram o Egipto à cabotagem que praticam de porto em porto, ao longo das costas do Magrebe). Todos estes comboios (de duas a cinco galeras) se condicionam: as mercadorias trazidas por uns são entregues aos outros, em datas mais ou menos fixas, nos armazéns da Dogana da Mar. Os transportes de Veneza são pois um sistema vivo, interligado. Naturalmente as “galeras de mercado” não excluem os navios de particulares, dos quais os mais importantes são os grandes navios de casco redondo, as naus enormes das mude da Síria que vão carregar volunosos fardos de algodão. A ida e volta das mude (em geral, seis meses de viagem) representa o circuito mais rápido possivel para a rotação dos capitais mercantis, reduzindo-se a operação a enviar dinheiro e revender algodão. Os mercadores menos afortunados ou que menos arriscam têm preferência por este comércio ágil que não imobiliza os seus haveres durante muito tempo.
Em 1450, os itinerários dos navios da Cidade-Estado, as viagens oficiais, esboçam em suma uma imagem bastante exacta de um polvo cujos braços e tentáculos abarcam todo o espaço atingido pela Itália fora da Peninsula. Veneza, e a exemplo seu as outras cidades de Itália, colocam assim em portos distantes as suas mercadorias procedentes do Oriente, o seu dinheiro, para que refluam até elas riquezas muito superiores. Nada revela melhor do que o mapa das viagens venezianas este trabalho coordenado, esta dominação calculada do espaço, esta superioridade no domínio decisivo dos transportes, de que a Itália se alimentou e de que viveu muito tempo”. Até à subjugação financeira e ao triunfo da forma do Estado supra- nacionalidades de modelo europeu.

a globalização Financeira

Chegados e instalados naquele pequeno espaço murado e fechado ao mundo por iniciativa própria, cerca do ano de 1450 existiam ali
5 sinagogas
! - o Conde Giovanni Pico della Mirandola (1463-1494) teo-sófico autor do “Discorso sulla dignità dell'uomo” , considerado um verdadeiro “Manifesto do Renascimento” (editado pela Almedina), é o primeiro erudito cristão a mesclar elementos da doutrina cabalística e teologia cristã. No final da sua curta vida de 31 anos, destrói os seus trabalhos poéticos e torna-se um defensor do Cristianismo contra os Judeus, astrólogos e o misticismo oriental de raiz muçulmana. Só 500 anos depois se descobriu que Pico della Mirandola foi assassinado.
Na idade moderna, até à invasão napoleónica o negócio tinha prosperado, e os Judeus constroem o Ghetto Nuovo ampliado para receber estudantes (o saber é a alma do negócio) no local onde ainda hoje se situa o campus Universitário. Uma vez que as esmolas dos bentos fiéis são parcas, sempre à rasca de massas, quem gosta muito destes nobres beneméritos hebreus ligados ao negócio da finança desde tempos remotos é a insuspeita ICAR:
“Chiunque si interessi della cultura del mondo occidentale non può non conoscere la storia del popolo ebraico, della sua cultura, della sua religione ed il rapporto della Serenissima (Repubblica di Venezia) con i suoi abitanti di religione ebraica è parte importante di questa storia. E' in questa prospettiva che si è deciso di andare a Venezia, a visitare il Ghetto - Ebrei, nostri fratelli maggiori"
Giovanni Paolo II
Não é de estranhar que a Igreja esteja a conciliar com os judeus a "aliança perfeita" - religião e finança. Afinal a história moderna da ICAR sequestrada pela OPUS DEI não é outra coisa senão uma história de assassinatos selectivos - desde João XXIII até ao arcebispo Oscar Romero, passando pelo "banqueiro de deus" Roberto Calvi
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sábado, novembro 08, 2008

change (II)

Cui bono Obama?

a aparição de Obama perante a AIPAC foi um espectáculo que “bateu todos os recordes de obsequiosidade e adulação” - (Uri Avnery, escritor e pacifista israelita)

Yes We Can!, Sim sim nós podemos; e como "querer é poder", chegados ao Poder vimos dizer-vos o que queremos – Obama deu a primeira conferência de imprensa ontem às 19.30, assessorado pelo multimilionário Warren Buffet, pelo autor, enquanto presidente da Reserva Federal da aplicação prática da desregulamentação neoliberal Paul Volcker, e pela equipa administrativa de Bill Clinton em peso.

E para supervisionar tudo lá estava o inevitável Judeu de serviço: Rahm Emanuel (traduzido à letra do hebraico “o Elevado, Deus Entre Nós”) o nomeado chefe de gabinete de Obama na Casa Branca - será ele que lhe dará disfarçadamente as cotoveladas em caso de deslize do “presidente”.
Antigo assessor de Clinton quando a presidência terminou saiu para "comissões civis" em dois bancos privados onde em três anos, usando as influências obtidas com os cargo políticos, auferiu 26 milhões de dólares. Em 2001 sentou-se à mesa da administração da governamental Freddie Mac (agora falida), que lhe pagou nesse ano 231,655 dólares. É o terceiro chefe de staff recente que é Judeu, depois de Joshua Bolten (com George W. Bush) e Kenneth Duberstein (com Ronald Reagan)

vamos ver: Rahm Emanuel tem dupla nacionalidade israelita e americana; combateu no exército de Israel; é filho de um operacional do Irgun (um grupo classificado pelos britânicos como “terrorista”); foi considerado pela AIPAC como “o nosso homem no Congresso”; pertence a uma congregação religiosa ultra ortodoxa judaica em Chicago; foi nomeado para chefe de gabinete de Barack Obama – e a imprensa não tem nada a dizer sobre isto!

2min.20seg


* Obama como garante de continuidade. Revisões:
* "o Sionismo como doutrina de hegemonia mundial"
* "O neoconservadorismo como movimento Judeu"
* "o que é o Sionismo?"
* The Power of Israel in the United States
* "Sarkozy: o governo de ocupação sionista em França"
* "FED, a teia de aranha da dívida pública"
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sexta-feira, novembro 07, 2008

esta ilha é um jardim,

A.João Jardim faz a sua autocrítica: “a política foi usurpada por gente sem princípios. A constituição tal como está pode ser violada por qualquer bando de fascistas; Estou-me nas tintas para aquilo que possam pensar de mim no continente, ou no estrangeiro” – para se compreender o estado a que a democracia na Madeira chegou, é preciso compreender a base económica que suporta o caciquismo local. A região autónoma é um Offshore e,

para ver se nos entendemos sobre aquilo que estamos a falar e o debate da questão não possa ser inquinado logo à partida - Maria José Morgado defende a «eliminação pura e simples» dos paraísos fiscais.

1º Colóquio sobre Os Comunistas em Portugal

1921-2008
organizado pela "Política Operária"

na Biblioteca-Museu República e Resistência
dias 7 e 8 de Nov. - entrada livre

Biblioteca-Museu República e Resistência – Espaço Cidade Universitária - Local: Auditório, lote 10 conj. habit. social do Rego, junto à Avenida das Forças Armadas.. Contactos: Tel: 21 780 27 60
bib.republica@cm-lisboa.pt

Destaques
* Sexta-Feira, 18h00 Carlos Zacarias F. de Sena Júnior / Universidade do Estado da Bahia: "A Frente Popular e o VII Congresso da Internacional Comunista"
* Sexta-Feira, 19h30 João Marques Lopes / Bolseiro doutor./da FCT:
"Mário Dionísio, a política cultural do bolchevismo e o PCP. Uma polémica dos anos 50"
* Sábado, 11h45 Miguel Cardina/CES – Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: "O Maoísmo em Portugal (1964-74)"
* Sábado, 12h15 João Madeira / Investigador do Instituto de História Contemporânea:
"O efeito Martins Rodrigues e o «desvio esquerdista» de Maio de 1964 no PCP"
* Sábado, 15h30 Raquel Varela / Departamento de História do ISCTE:
"O papel do PCP no processo revolucionário de 1974-75"

Ler mais no Pimenta Negra

quinta-feira, novembro 06, 2008

please, change

A aviação norte americana bombardeou a madrugada passada, enquanto se contavam os votos, uma casa em Kandahar no Afeganistão, onde decorria uma festa de casamento; no ataque morreram cerca de três dúzias de pessoas. O presidente-títere em exercício Hamid Karzai telefonou a Barack Obama enviando-lhe os parabéns pela eleição - e aproveitou para lhe pedir a ver se ele podia dar um jeitinho para não lhe matarem mais civis. (fonte)

democracia no Iraque, ontem: 16 mortos em ataques à bomba

entretanto, escapando-se entre a barragem dos media, vêm vindo à luz as declarações da insurgência e as razões dos combatentes - Moctada AlSadr: "não ao diabo, não à America, não à ocupação, não a Israel!"
clique no recorte para ampliar
Obama pousou o telefone e sorriu. "que seria de nós se parássemos tudo de imediato. os porta-aviões em greve. pensou no desemprego, na revolta social, nas manobras financeiras, nos tumultos,,,"tinham-se metido em boas alhadas, enfim (não é nada comigo, só tenho de cumprir com aquilo para que me vendi),,, Despertou abruptamente destes pensamentos transviados - uma voz chamava-o, tinha de ir ter urgentemente com Nancy "Mitzavah" Pelosi não sabia onde. Quando lá chegou ela deu-lhe efusivamente a notícia: Tinha sido eleito o maior número de judeus de sempre para o Congresso! parabéns, mais uma rodada de abraços e beijinhos, Obama sentia-se exausto, lambusado, mas contente por ter esta profissão. apetecia-lhe tomar um banho, calçar as pantufas. estava entusiasmado com a perspectiva de ler refasteladamente o novo Saramago que chegava precisamente amanhã (hoje) às livrarias: na curiosa Viagem do Elefante lá para os lados de Berlim,
já não se distinguia o cornaca que o conduzia da imensa massa de carne que ele supunha guiar
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quarta-feira, novembro 05, 2008

"eleições" USA 2008


A diferença de votos entre os dois candidatos seleccionados pelo sistema é de apenas 6,7 milhões: 2,2% da população que ronda os 300 milhões, ou seja, é como se comprássemos um Presidente, ou uma mercadoria, apenas pelo valor do desconto de pronto pagamento; No mais vísivel, nos Estados cosmopolitas a diferença de votos é bem vincada: na Califórnia (que elege 55 delegados) Obama 61,4% - McCain 36,7%; em New York (que elege 31 delegados) Obama 62,1% - McCain 36,7. Na "américa profunda" o Texas (que elege 34 delegados) é um bastião dos imbecis exemplares referidos no post anterior, McCain 55,5% - Obama 43,8%; e os outros "estados vermelhos" alinham mais ou menos pelo mesmo diapasão. O Estado do Alasca cuja governadora foi alvo de tanto alarido afinal elege apenas 3 delegados ao colégio eleitoral. Na incontornável Florida a escolha pode/poderia/poderá ser sempre feita por métodos administrativos ou por simples fraude (nas eleições de 2000 a máquina Dielbold no arranque mostrava 16.022 votos votos negativos para o candidato Al Gore), mas desta vez o resultado foi: Obama 50,9% - McCain 48,4% - o quartel general Bushista KarlRove&Companhia tinham a mira apontada para os Estados -chave, mas porque não o fizeram desta vez? - algo aconteceu numa sala de Tribunal do Ohio na véspera da eleição:



* mais informação actualizada sobre fraude eleitoral na BrasscheckTV ou aqui e aqui
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terça-feira, novembro 04, 2008

revolução e mudança

Hoje não se fala noutra coisa, a 1ª Revolução Social pela Liberdade e pela Independência na América: em Tupac Amaru e na Revolta de 4 de Novembro de 1780. Em Setembro de 1975 no mesmo lugar onde foi sacrificado Tupac Amaru, nasceu a organização de camponeses revolucionários que leva o seu nome.



"São estrangeiros todos aqueles que exploram os seus irmãos
Túpac Amaru

Hoje, passados exactamente 228 anos, quando somos colonizados nos nossos próprios países, a escravatura domesticada e cada vez mais indolente espera que os opressores lhes resolvam a opressão – vá surfando a onda e não deixe de engolir o mais pequeno pirolito das tão momentosas questões dos patrões do mundo – depressa, porque se está a acabar a maré – não perca pitada, de coisa tão fina – afinal metade da América é isto:

a troupe de McCain tenta o último golpe - Palin foi iluminada pelo espírito santo e vai levá-lo para abençoar a Casa Branca. Idiotas, Racistas, Malucos da Religião que fazem disso profissão, Fascistas Corporativos, metade dos EUA, todos estão de acordo num ponto: querem desesperadamente os republicanos em Washington.

Ver video aqui (2min08seg)

Wasilla Assembly of God, a igreja da 3ª vaga, onde Sarah Palin professa há duas décadas e meia: peguem nos telemóveis e chamem por deus,,,

(9min59seg)


* Pode obter mais informações sobre a Igreja da 3ª Vaga, reclamar a História, a Cidadania e a Fé clicando aqui
* Há mais folclore aqui
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o que mata os nossos mortos é o esquecimento

Durante décadas os marxistas têm sido censurados

e o marxismo tem sido vilipendiado; não é preciso ir muito longe: os manuais escolares ensinam aos nossos adolescentes que “o comunismo é uma doutrina que pretende tomar o poder pela força para instaurar uma ditadura” – o esquecimento, pela parte dos Poderes antidemocráticos constituídos, dos métodos de análise dialéctica de Karl Marx tem sido responsável pelos muitos crimes económicos que têm levado à miséria extrema muitos milhões de pessoas

Giorgio Del Vecchio
: “o crime não é simplesmente um facto individual pelo qual deve responder o seu autor, de modo exclusivo, para o reparar perante a sociedade; é também - e precisamente nas formas mais graves e constantes - um facto social que revela desequilíbrios na estrutura da sociedade onde o crime se produz. Em consequência, suscita problemas muito além da pena e da reparação devidas pelo criminoso”

¿Vincit Omnia Veritas?

Com o facínora Bush e os seus acólitos incólumes e de saída (e outros insignes-ficantes), como se tem perversamente dito por aí agora que a teologia da AltaFinança faliu só poderemos ter fé materialmente sustentável nas mensagens de Deus, (se se vier a comprovar que tal etérea entidade existe e pode ser responsabilizada pelos concretos males do mundo). Na falta de certezas definitivas, para já vem novo pedido de desculpas pelas atrocidades do capitalismo através da pena iluminada do arcebispo de Munique --» o cardeal Reinhard Marx, 55 anos, secretário da Conferência Episcopal alemã sustentou numa entrevista ao “Der Spiegel” (“O Espelho”, numa clara analogia ao conto da Alice das Maravilhas no outro lado do Espelho:-) que na sua análise ao capitalismo Karl Marx tinha razão. O fundador do Comunismo, pois é preciso não esquecer que é dele que se trata, “não está morto e há que o tomar a sério” - “O mundo está a ser sacudido por uma enorme crise económico- financeira que dará vida a outra época e a um novo capitalismo refundado, mudança que a Igreja enfrenta como o devir da sua “doutrina social” – a minha homilia, brevemente posta em livro,

o Capital em Defesa do Homem” é uma “crítica ao capitalismo, porque um capitalismo desumanizado sem um quadro ético é um inimigo do género humano (...) um sistema sem solidariedade não conhece a moral nem tem futuro, pelo que há que voltar de novo à obra de Karl Marx “que nos ajuda a entender as teorias da acumulação capitalista e o mercantilismo. O nosso dever é interpretar de forma conveniente as ideias marxistas”

Mais uma canibalização do Marxismo em vista, a camaleónica ICAR virá mais uma vez à boleia dos príncipes do novo paradigma, como se a Igreja fosse um poder efectivamente separado do Estado (ou a formação de gestão dos “bispos” da globalização fosse separada das fundamentalistas universidades católicas) – “o capitalismo deve ter uma visão ética e social para uma reforma sensata dos sistemas financeiros” e recorda o arcebispo que “a especulação selvagem é pecado; porém denunciar o capitalismo não significa deixar livre de culpa o populismo das esquerdas” (como por exemplo, Tony Blair o nº 2 da “internacional socialista”, ou Bill Clinton, que chegou a ser nomeado para fazer parte da grotesca congregação, lembramos nós)












Certamente foi com apelativas e sonsas teologias deste género que o banqueiro judeu-alemão Jacob Fugger, “o Rico” (conselheiro “técnico” da Corte no tempo em que esta era exclusiva depositária da Religião) vendeu ao Principe Perfeito dos descobrimentos os créditos financeiros com que o Reino se endividou na epopeia do modo mercantilista italiano, antes que visse que a ética capitalista do protestantismo aplicada ao trabalho intensivo dos paises do norte da Europa se revelaria muito mais rentável. Ainda Marx não tinha nascido e já o conto do vigário usando a alienação religiosa fazia a sua carreira à descoberta das Indias ocidentais

"Infanta Gatinhando" - José Santa-Bárbara
óleo sobre tela 1999 - Fundação José Saramago

o Bispo e o frade sacristão zelam pelas boas graças do escrivão do Reino, em grande azáfama congeminando a contabilidade com o espertalhão do Banqueiro; o cão atónito espanta-se com as patuscas actividades destes seres estranhíssimos. Saramago e os malteses da Azinhaga estão à coca, no portal emoldurado ao fundo. O observador que se fixar exclusivamente na personagem principal que dá o nome ao quadro tá lixado: não percebe nada.

* relacionado:
Michel Cool: “Crise no Catolicismo Europeu” – O “combate cultural” dos episcopados
publicado no “Le Monde Diplomatique”, edição de Setembro 2008
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segunda-feira, novembro 03, 2008

Gastos militares e o Jogo Imperial

o triangulo Militar, Industrial, Informação

para ler na Monthly Review, número de Outubro:

“Uma sociedade que suporta a sua posição global e a ordem social através de 1 Trilião de dólares por ano em despesas militares, verba que excede em muito mais o total gasto em todos os paises do mundo somados em conjunto – para além da intenção não expressa de destruição pelo mundo, enquanto enfrenta problemas inegáveis de desigualdade, estagnação económica, crise financeira, pobreza extrema, desperdício, e declínio de desenvolvimento na sua própria casa – é uma sociedade que precisa desesperadamente de mudança”.
Daí o slogan “change” mas apenas para uso caseiro,,, no resto do mundo a perspectiva é diferente,,,

Falamos de crise capitalista quando se matam à fome 950 milhões de pessoas; quando se mantem em estado de extrema pobreza 4.700 milhões, se condena ao desemprego e à precaridade 80 por cento da população do planeta, se deixa sem água 45 por cento das pessoas no mundo e 50 por cento sem assistência sanitária; quando morrem 13 milhões de pessoas por causa das alterações climáticas, quando se causa o descongelamento dos polos, se nega auxilio às crianças, se acaba com as árvores e as florestas - fala-se de crise capitalista quando tudo isto não é suficientemente rentável para manter 1000 empresas multinacionais de topo em estado de graça e servir com sentido de responsabilidade assalariada 2,5 milhões de accionistas milionários.

Segundo os neoliberais de serviço não é admissivel a falência do sistema; afinal o capitalismo não é um sistema superior de acordo com os mais altos desígnios de liberdade do homem? Afinal para eles
o que é uma crise capitalista?
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domingo, novembro 02, 2008

o mais espectacular acto de masturbação colectiva à face do planeta terra

para irrisoriamente se concluir o óbvio:

Os Estados Unidos não sairão da sua crise estrutural e do demencial rumo belicista senão por uma cirurgia maior que aquela que eventualmente se processar dentro do actual sistema capitalista. É exigível antes do mais desmantelar o bushismo, tarefa difícil que eventualmente apenas pode ser levada a cabo com a energia social indispensável para o fazer, se é que o deixam chegar à Casa Branca. E mesmo que chegue, não é certo que as massas populares não estejam mais uma vez a ser vítimas de um embuste.

Philip Berg, antigo procurador geral adjunto da Pennsylvania, levou a tribunal uma acção contestando a nacionalidade de Obama, o que, a confirmar-se a veracidade da falsificação da certidão de nascimento o tornaria num cidadão estrangeiro, impedido portanto de vir a ser nomeado presidente. O julgamento da acção foi recusado em primeira instância - agora o Supremo dos Estados Unidos deverá decidir sobre o estatuto de elegibilidade de Barack Obama.

Philip Berg não é um desses lunáticos brancos nacionalistas, neonazis ou extremistas religiosos. Berg discursou em Bruxelas em 2005 na conferência “Áxis of Logic” cujo tema foi Para aumentar a informação pública sobre os Estados por forma a prevenir novas guerras e pôr fim aos conflitos correntes: Como se deverá proceder?. A questão é hoje muito pertinente, na medida em que se anuncia que a máquina militar herdada que se servirá da imagem de Obama está reorganizada, pronta e impaciente paraos novos desafios”.
Noutra acção Philip Berg representa um grupo de famílias das vítimas dos ataques do 11 de Setembro nos Estados Unidos – das famílias “que se recusam a aceitar os relatórios oficiais que as pretende remeter ao silêncio” – decidindo-se por isso a abrir procedimento judicial contra a equipa de George Bush por assassinato organizado por associação criminosa. Em resumo, contra a Máfia que ocupou a Casa Branca de forma ilegal em 2000.

Neste alinhamento de poderes Bush- McCain- Obama qualquer grão de areia que porventura pudesse contrariar o jogo viciado e nefasto da engrenagem seria bem vindo; e o caso da verdadeira nacionalidade de Obama é um Joker.
Segundo Philip Berg o senador Obama não nasceu em 4 de Agosto de 1961 no hospital maternidade de Kapi’Olani em Honolulu no Hawai, mas no Coast Province Hospital de Mombosa no Kenya, então território administrado pela coroa britânica. Após o segundo casamento do seu pai com uma cidadã indonésia, Lolo Suetoro, e da sua reinstalação na Indonésia em 1967, Barack Obama obteve a nacionalidade indonésia. E ali foi registado como tal com o nome de Barry Soetoro, tal como consta depois na matrícula de inscrição na Escola São Francisco de Assis em Jacarta. Pela idade dos 20 anos efectuou uma viagem ao Paquistão, país então de acesso interdito aos cidadãos de passaporte norte americano, tendo o jovem Obama entrado com o seu passaporte indonésio. No artigo 11, secção 1, da Constituição dos Estados Unidos, estipula-se que apenas os cidadãos nascidos em território nacional poderão ser elegíveis para a Presidência da república fundada em 1776 por brancos proprietários de escravos.

E como hoje é dia de Finados, entre as Bruxas de ontem e a encenação solene do acto de depois de amanhã, talvez o Juiz venha a decidir-se pela confiança no efeito de campa do senador Thomas Bradley, quando os eleitores da Califórnia em 1982 mentiram nas sondagens para ocultar o racismo e o afro-americano viu a sua vantagem evaporar-se à medida que os eleitores votavam no seu oponente.

De qualquer forma, para já, a questão da inelegibilidade de Barack Obam é irrelevante - a eleição não é decidida pelo voto popular, mas pelo Colégio Eleitoral. Cada Estado tem um determinado número de membros do Colégio Eleitoral em função da população, há 538 eleitores colegiais e vence o candidato que tiver pelo menos 270 votos. Em geral em quase todos os Estados, o vencedor do voto popular, mesmo que por margem mínima, leva todos os votos do Colégio Eleitoral daquele Estado, mas um candidato pode chegar à Casa Branca sem ter o maior número de votos populares, como aconteceu em 2000, quando George W. Bush "foi eleito" pelo Colégio Eleitoral, mesmo tendo 500 mil votos a menos do que Al Gore. O povo vota dia 4 de Novembro, mas só no dia 15 de Dezembro o Colégio Eleitoral indicará a escolha do 44º presidente que tomará posse a 20 de Janeiro de 2009. (fonte)
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sábado, novembro 01, 2008

Globalização, AltaFinança, Política, Justiça e Multinacionais

Veja-se como funciona: um dia depois de vermos Sócrates a vender computadores ontem foi a vez de se usar as salas dos Tribunais para fazer mais um frete às multinacionais; o Juiz Thomas Griesa, que permanece, nomeado por Nixon há 36 anos como chefe de Juízo em New York, mandou bloquear Fundos de Previdência Social da Argentina no valor de 554 biliões de dólares depositados em território americano. (por sua vez estes fundos estão reinvestidos no Brasil). Porém a ordem de congelamento não diz respeito apenas aos depósitos, inclui bens imóveis, contratos, seguros, títulos de seguro, contas de seguro, acções, títulos e direitos contratuais, tudo o que estiver em nome dos fundos de pensão argentinos. A acção judicial decorre em nome de credores agrupados em “bondholders” (com nomes tão anónimos como Aurelius Capital Partners, A.C. Master, Blue Angel Capital e H. W. Urban) que empacotaram valores de empresas como a Nókia, Pepsico, Repsol, Telefónica, etc.
Moral da história: Obrigada a seguir, após a bancarrota de 2001, as receitas do FMI para financiar a dívida, congela-se o dinheiro da Argentina que foi investido para capitalizar em Wall Street e a jusante ainda há a possibilidade de penhorar os bens imobiliários e outros no Brasil. Tudo decidido, nem na Argentina nem no Brasil, mas a partir de uma sala de Juízo em New York. Enquanto a máquina financeira extorcionária instalada nos EUA for engolindo mais valias a partir do nada pelo pelo mundo inteiro bem podem também parir missais como "To Big to Fail". Vendo o cu do vizinho a arder, o governo do Brasil já ordenou aos fundos de pensão privados que repatriem 500 milhões de dólares em activos brasileiros, e disse que outro 1,4 bilião de dólares em activos externos nos Estados Unidos e em outros locais seriam trazidos de volta para casa o mais depressa possivel

Fundos de Pensão Privados:
a Debacle de um Modelo


E como é que o dr. Miranda do Blasfémias, que ocupou o DN aos sábados, ainda antes de saber da penhora, explicava a situação?: “As receitas fiscais diminuíram, as finanças públicas estão descontroladas e a Argentina não tem dinheiro para pagar as suas dívidas. A Argentina está, mais uma vez, à beira do colapso financeiro. A Presidente Cristina Kirchner encontrou uma "solução" para os problemas financeiros do país. Decidiu nacionalizar os fundos privados de pensões e integrar todos os pensionistas no sistema público. As contas poupança-reforma dos argentinos vão servir para pagar os erros do Governo. O sistema privado de pensões era um sistema de capitalização. Os descontos eram investidos no mercado de capitais e os trabalhadores eram proprietários das suas contas poupança-reforma. A capitalização garantia que, a longo prazo, o valor descontado aumentaria progressivamente. Pelo contrário, o sistema público de pensões”, blá, blá, blá
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