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terça-feira, dezembro 09, 2008

ensaio sobre a cegueira,,, da guerra

“Estamos sempre mais ou menos cegos… Como custa tanto arranjar dinheiro numa emergência e, agora, de repente, saltam milhões! Onde estavam? Apareceram para salvar vidas? Não. Apareceram para salvar bancos,,
José Saramago

Pulido Valente não vê na presente situação nenhum “novo paradigma económico” e atira-se (como aliás faz a ex-ministra Teresa Caeiro do CDS e o zombie Vicente Jorge Silva) como gato a bofe aos “esquerdistas furibundos, o BE e o PCP, que criticam genericamente o neoliberalismo”, o qual fingem não perceber o que seja. Como se vê a matilha está afinada; do PSD não vale a pena falar, do CDS se poderá recordar que foi praticamente banido do mapa depois das eleições que culminaram a prestação do governo de coligação Durão Barroso/ Paulo Portas que celebrou a Acordo das Lajes. Da esmagadora maioria absoluta de votos que o protesto popular deu então ao PS tem-se visto o que José Sócrates lhes tem feito. De qualquer destas três entidades, acrescentadas pela adição de Cavaco, eleito de boca fechada por uma unha negra, se pensará que o povo esquece quem são, de onde vieram, para onde pretendem ir, e com que meios. Obviamente, do dinheiro de que Saramago não viu a fonte, até à abstracção da “recapitalização dos bancos” de Pulido Valente, ninguém foca a economia oculta, a única "indústria" que os alimenta a todos: a da Guerra

A Lockheed Martin, é o maior fabricante norte-americano de equipamentos militares
Em 2001 (no ano da bojarda Barroso) e na sequência do crash da Bolsa norte americana, a empresa tinha acumulado um prejuizo de US$ 1 bilião de dólares líquidos. Porém tudo mudou com a “guerra ao terrorismo”. O seu director Bruce Jackson, igualmente um dos mentores do grupo redactor do plano neocon PNAC, em 2002 anunciou um aumento de 11% nas vendas, atingindo US$ 26,6 biliões, com lucros líquidos de US$ 500 milhões, e em 2007 atingiu US$ 74,8 biliões de armamento produzido.
A viragem na Lockheed foi suportada em muitos dos seus produtos básicos e rentáveis, como o caça F-16, e no aumento dos gastos do governo norte- americano em equipamentos de vigilância electrónica e em sistemas militares de mísseis. A Lockheed angariou aumentos substanciais encomendas para aviões de combate para os anos seguintes, entre as quais as feitas pelo Estado Português na pessoa do ministro Paulo Portas. (que pelo feito económico, sem contar com os submarinos e as famigeradas contas das contrapartidas que lesaram o Estado, arrecadou uma medalha do Pentágono)

Que representatividade tem o partido do ex-ministro Portas para José Sócrates ofender a população portuguesa com a perspectiva de coligação com um potencial arguido em inúmeros casos que estão (ou deveriam estar) sob a alçada da justiça? - apesar da atenção desviada para os recentes escândalos da Banca, em lista de acrescento na gestão danosa do Estado, estão também mais estas gradas figuras do regime

segunda-feira, dezembro 08, 2008

ataques demolidores contra a NATO

Um manto de silêncio paira sobre a acção de guerrilha que ontem foi levada a cabo na linha de abastecimento que parte do porto de Carachi no Mar Arábico, Paquistão. Não é o primeiro, apenas mais um dos muitos ataques que já se converteram em rotina; porém trata-se do maior golpe de sempre na região levado a cabo contra a logística que suporta as tropas invasoras do Afeganistão. Dois terminais de descarga foram atacados e 160 camiões, atrelados e contentores com “humvees” foram destruídos com bombas incendiárias; O material era destinado às tropas dos Estados Unidos e seus Aliados, alvos do ataque, segundo as autoridades, contra a linha vital de transporte de material bélico e de abastecimento. (mais de 300 camiões com contentores atravessam a fronteira diariamente).
O comando administrativo do exército da organização criminosa NATO comunicaram de imediato que os prejuízos em material e veículos têm um impacto mínimo no esforço de guerra contra a insurreição no país que é, confirmadamente após oito anos da invasão, o maior produtor de droga mundial. Porém, oficiais em privado confidenciaram a jornalistas ocidentais que é um ataque muito grave que afecta de imediato a estratégia no terreno. Temem agora que se agudize o cerco em torno de Peshawar (onde já esta manhã foi atacado mais um terminal de transporte da NATO) com a finalidade de bloquear a rota de abastecimentos através do famoso desfiladeiro de Kyber por onde passam 75 por cento dos abastecimentos.

Porém, vendo as coisas pelo ângulo do complexo político militar, este tipo de situação até lhes dará jeito - na economia de guerra a destruição está na base do desenvolvimento da produção. Pelo que o silêncio em redor destes ataques é comprometedor, uma vez que são incentivos habilmente introduzidos para a prometida intervenção acutilante da administração Obama no Paquistão/Afeganistão.

Actualizações

1. com quase dois dias de atraso, como compete à obsoleta imprensa escrita telecomandada pelas agências governamentais, o editorial de hoje do Público vem inverter a leitura dos factos e ligá-los aos atentados de Mumbai, abençoando a NATO como organização humanitária. Tudo pré- programado, Obama master voice: "o ataque aconteceu um dia depois de surgirem em Bombaim, índícios que reacendem a pista islâmica global (!) em detrimento da versão oficial indiana, que tendia a culpar o Paquistão pelo morticínio (...) se não forem tomadas medidas sérias para detectar e neutralizar os focos de terrorismo islâmico radical (...) etc. etc.

2. Quem são exactamente os insurrectos afegãos?
3. os Talibans reconquistam e controlam de facto 72% do território
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domingo, dezembro 07, 2008

Zeitgeist Addendum

Não é um sinal de saúde estar feliz e bem ajustado a uma sociedade profundamente doente
Jiddu Krishnamurti

Quem viu o documentário Zeitgeist compreendeu que o dinheiro é criado como dívida (Money as Debt); No entanto esta versão complementar intitulada Zeitgeist Addendum necessita de alguns esclarecimentos. O que os Bancos fazem, ao emprestar dinheiro, é aceitar promissórias de pagamento em troca de crédito sobre valores que de facto não existem. Porém, somente Deus poderia criar valor a partir do nada, e o Deus que está no céu, está comprovado cientificamente, é coisa que não existe, excepto nas cabeças fundamentalistas que se abanam frente ao muro das congratulações. Mas das crenças antigas permaneceu o Diabo, materialmente incarnado na instituição Imperial que emite a moeda universal e dissemina a dívida à quasi totalidade das entidades bancárias do mundo: o Sistema da Reserva Federal. A receita do endividamento foi aplicada em primeiro lugar aos próprios cidadãos dos Estados Unidos (1); as políticas do governo basicamente são forjadas pelas corporações historicamente herdeiras das grandes famílias dos banqueiros judeus (os Rothchilds, Warburgs, Morgans, George Soros, Goldman Sachs, o Citibank é na verdade o Banco Rothschild e a J.P Morgan é a holding da General Motors, etc.) As decisões destes pistoleiros económicos são apresentadas aos gentios pelos líderes políticos, e tornam-se políticas governamentais ao serviço da doutrina Sionista dos Estados Unidos de Israel – na verdade aquilo que parecia ser a mão invisível de Adam Smith tem nome. Mas o filme é omisso neste propósito; e põe as culpas em conceitos nihilistas como “instituições religiosas, políticas e exércitos” sem concretizar quais e como funcionam. Ignora as macro- estruturas organizadas de dominação, não as nomeando em concreto, e atira as culpas de todos os males da sociedade para noções vagas como o “sistema capitalista selvagem”. Simplesmente não é verdade que a luta contra isto “dependa só de si e de mais ninguém” (2) numa espécie de anarquismo esotérico. Contra este tipo de comportamentos ingénuos são necessárias estruturas colectivas de classe onde se organizem os impulsos individuais que por si só serão sempre inconsequentes.

A versão completa de Zeitgeist Addendum pode ser vista aqui. Quem preferir ver em pequenos episódios de uma série de 12 pode fazê-lo seguindo estas ligações:

Parte 1/12 - 10min.57seg. (legendado em português)



Parte 2/12 - Parte 3/12 - Parte 4/12 - Parte 5/12 - Parte 6/12 - Parte 7/12 - Parte 8/12 - Parte 9/12 - Parte 10/12 - Parte 11/12 - Parte 12/12

Nota (1) a última vez na História dos EUA em que a dívida nacional foi completamente liquidada foi em 1835 depois do presidente Andrew Jackson fechar as portas do Second Bank of the United States (o 1º Banco Central tinha sido fundado em 1791), a instituição que precedeu a Reserva Federal. Thomas Jefferson, em 1798, já pretendia obter a aprovação de uma emenda à Constituição que impedisse os privados do poder privilegiado de emprestar dinheiro. Na verdade, só Jackson o conseguiria quando toda a sua plataforma política girou essencialmente em torno do seu compromisso em encerrar o Banco Central: "os grandes esforços que o banco actual fez para controlar do governo... não passam de premonições do destino que aguarda o povo norte-americano, sejam eles iludidos pela perpetuação desta instituição ou, pelo estabelecimento de uma outra igual" - Infelizmente esta mensagem teve um curto espaço de tempo de vida. E os banqueiros internacionais tiveram sucesso ao instalar outro Banco Central em 1913, a Reserva Federal. E, enquanto esta instituição e a rede global que comanda existirem, a escravização das populações pela dívida perpétua e pela cobrança de juros está garantida

Nota (2) Zeitgeist Addendum foi apresentado em Lisboa, com a presença do realizador Peter Joseph, no âmbito do Artfestival sem que quase ninguém desconfiasse
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sábado, dezembro 06, 2008

os Dias da Utopia

“A esta altura, que aconteceria se lhes propusesse a lei dos habitantes da Ilha dos Bem- Aventurados que não vivem muito longe da Utopia e cujo rei, no próprio dia em que toma posse do poder, por juramento, acompanhado de muitos sacrifícios rituais, se compromete a não possuir de capital mais de mil moedas de ouro?. Dizem eles que esta lei foi estabelecida por um rei excelente, para quem contava mais a prosperidade do seu país do que a sua riqueza pessoal (ou da sua Corte) que o mesmo é dizer que não seria admissível acumular mais dinheiro quando isso provocasse miséria no povo. De facto, este capital afigurava-se bastar quer ao rei para se opor a qualquer rebelião quer ao reino para combater incursões inimigas. De resto, era insuficiente para incentivar ambições alheias. Esta era a razão principal do estabelecimento da lei. A segunda razão era ter-se julgado que era bom programa não haver falta de dinheiro a circular para as transacções dos cidadãos no dia-a-dia e que, se ao rei se tronava obrigatório distribuir o que tinha amealhado acima da medida legítima, não haveria ele de andar em busca de ocasiões de violar a lei. Tal rei seria odiado pelos maus, mas apreciado pelos bons.

Se me atrevesse a introduzir estas e outras reflexões do mesmo teor junto daqueles homens, de si inclinados fortemente em sentido contrário, não estaria eu a contar uma história a surdos?
Na realidade, para te dizer a verdade que levo no meu coração, muito embora me pareça que, em toda a parte em que há propriedade privada, em que todos medem tudo por dinheiro, dificilmente alguma vez aí se poderá chegar a promover a justiça de Estado ou a prosperidade; a não ser que se presuma que se actua com prosperidade quando tudo é repartido entre um pequeno número de indivíduos, que com nada se sentem saciados, enquanto os outros são condenados á miséria”

Esta palavras foram escritas por Sir Thomas More no século XV, inspirado pelas perspectivas que se abriam à humanidade com a descoberta de novas terras e de novas formas de gerir os seus governos. Algumas braçadas na globalização depois, no ano 2000, o mesmo em que Bush subiu aos céus de Washington, More foi canonizado pelo Papa JPII e declarado "Patrono dos Estadistas e Políticos"

É justamente isso o que eu diria: “junto dos príncipes não há lugar para filosofia

a revista Visão publica um dossier sobre os últimos casos conhecidos dos escândalos que atingem o regime de bloco central de negócios, com efeitos agravados desde que lugar do príncipe foi usurpado aos legítimos anseios do povo por Cavaco Silva. São oito páginas de leitura muito profícua, cujas ligações aqui ficam registadas para a memória que se apaga em dia de ritual de votos inúteis. Votatis votantis, o pobre, lá bem no íntimo, gostava de ser ele a cometer as vigarices do rico; estais todos perdoados, como diria a santa madre patrona que pariu os papas

* Dias Loureiro, a anatomia de um intocável conselheiro de Estado
* Secretário Geral: quando o psd era pequenino
* Loureiro e Cavaco: qual de cada um dos monstros produziu o outro?
* Luxos caros, uma imagem de marca em comum com o PS
* Loureiro, o ministro da repressão na ponte 25 de Abril
* a pose de Estado: Corrupção ou a 2ª morte do cavaquismo
* negociatas transnacionais: BPN perdeu 42 milhões com amigo libanês
* Dias&Coelho, o "valor alternativo" da fraude ao fisco
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sexta-feira, dezembro 05, 2008

a Nova Ordem

o blogue Arrastão, uma coisa supostamente "de esquerda", entranha-se no sistema e insere publicidade paga na divulgação (com ligação) a uma iniciativa sobre a crise levada a cabo por notáveis conservadores do regime (Menezes Leitão, Passos Coelho, Vasco Rato, Assunção Esteves,etc), os quais seria suposto a esquerda combater, em vez de publicitar

para os cépticos que se recusam a aceitar a influência da revolução soviética na construção do que foi o capitalismo europeu é muito importante levar em conta a análise de um marxista de uma linha autónoma estritamente europeia, e as considerações sobre a situação que nessa mesma época, em 1919, lhe eram pertinentes. Como se poderá constatar, a visão de Gramsci era a visão de um génio, por isso foi encarcerado e lentamente assassinado na prisão. O crime é a praxis da burguesia. Mas hoje "a oposição" prefere frequentar chás canasta com ela. Como se chegou aqui?

(…) “estuda, na história tanto as forças económicas como as espirituais, estuda-as nas interferências recíprocas, na dialéctica que se desprende dos embates inevitáveis entre a classe capitalista, essencailmente económica, e a classe proletária, essencialmente espiritual, entre a conservação e a revolução. A demagogia, a ilusão, a mentira, a corrupção da sociedade capitalista não são acidentes secundários da sua estrutura; são inerentes à desordem, ao desencadeamento de paixões brutais, à feroz concorrência na qual e pela qual vive a sociedade capitalista… As pregações, os incitamentos, as razões morais, os raciocínios, a ciência, os “ses” são inúteis e ridículos. A propriedade privada capitalista dissolve qualquer relação de interesse geral, torna as consciências cegas e turvas. O simples lucro acaba sempre por prevalecer sobre todos os bons propósitos, sobre todos os idealismos superiores, sobre todos os programas morais; para se ganharem cem mil patacos condena-se à fome uma cidade; para se ganhar um milhão de milhões destroem-se vinte milhões de vidas humanas e dois mil milhões de milhões de riqueza. A vida dos homens, as conquistas da civilização, o presente, o futuro estão permanente- mente em perigo”

(…) “e pode-se até mesmo afirmar que, enquanto todo o sistema da filosofia da praxis se poderá tornar caduco num mundo unificado, muitas concepções idealistas, ou pelo menos alguns dos seus aspectos, que são utópicos durante o reino da necessidade, poderão vir a tornar-se “verdade”. A própria filosofia da praxis pode tender a tornar-se uma ideologia acrítica e ceder às necessidades exteriores e pedantes da arquitectura do sistema e limitar-se a idiossincrasias individuais

(in Cadernos do Cárcere, publicado em 1975)

quinta-feira, dezembro 04, 2008

a luta em defesa do Ensino Público

frases do dossier do Público de hoje
Pelo meio do alarido geral em que se transformou a luta dos professores, uns à direita tentando transmitir o maior número possível de danos ao “governo socialista”, outros à esquerda do governo não explicando que o desmantelamento do ensino público, pois é disso que se trata, se fica a dever a um programa mais vasto e importado pelo neoliberalismo: destruir o ensino público para depois dar novas oportunidades à privatização da função; entre números de adesão de uns e outros, e com a opinião pública completamente baralhada, ninguém percebe já muito bem como tudo começou:
o Decreto Regulamentar nº3/2008 estipula que, doravante, para se exercer actividade docente num estabelecimento de ensino público pré-escolar, básico ou secundário não chega o grau académico de mestre. É preciso aprovação numa prova de avaliação de conhecimento e competências concebida e organizada pelo Ministério da Educação (1)
Ou o modo como se formam os professores é uma treta, ou na fila para formatura à porta dos guichets do Ministério trata-se de buracratizar ao máximo a função expelindo pelo caminho aqueles que não caibam no restritivo orçamento de Estado. E nesta perspectiva neoconservadora e economicista da Educação estão conluiados os dois maiores partidos sobre a égide esfingíca de sua excelência o presidente da república.
Para estas três estarolas entidades ao serviço da Banca e da Sociedade dos Accionistas, (neste como noutros ramos sob tutela pública), é preciso criar novas áreas de negócio a um capitalismo ferido de morte. A resposta não pode estar em meras reinvindicações de classe profissional aceitando para resolução da crise soluções de “capitalismo de rosto humano, de melhor gestão e mais ética” na forma do palavreado com que desprezam os excedentários exércitos sociais de reserva, mas sim na extensão da luta a todos os sectores da sociedade, estudantes, operários e quadros intermédios proletários, enfim, a todos os oprimidos, até se conseguir a expropriação dos banqueiros e dos grandes monopólios, colocando as decisões debaixo do controlo democrático da maioria da sociedade.

(1) Santana Castilho: Procedendo assim, o ME vem dizer, entre outras, duas coisas, que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que nós, portugueses, não devemos confiar no Estado (ler mais)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

o Priorado do Cifrão

(…) "era um mocho próspero (enfim, relativa- mente) e detentor de autoridade.
O segundo homem estava submetido a essa autoridade, mas isso não o incomodava – isto é, na aparência, somente; o seu à-vontade era um esforço que fazia para salvar o ego, já prejudicado por uma estatura reduzida e um não-sei-quê de insignificante. Numa voz arrastada, para não parecer nervoso ou ansioso, disse:
- Bem, isso é verdade, objectivamente. Mas, mais cedo que tarde, o puto vai desconfiar. Se é que não desconfia já. É impossível manter tanto tempo uma operação como esta sem que…
o mocho próspero atalhou:
- Só é impossível se alguém fizer asneira.
- Justamente!, exclamou o outro. – E quando as coisas se prolongam, alguém acaba por fazer uma asneira qualquer. É dos livros.
Abanando a cabeça sabiamente o mocho retorquiu:
- Dos seus livros, talvez, mas não dos meus" (…)

* transcrito com a devida saudação ao autor, que aqui desmonta o submundo dos sucessos comerciais de romances ligeiros e telenovelas escritas de grande consumo (no caso o Código daVinci) - "De facto, um autêntico mundo cão. Porém, tal como na passagem do Império Romano para a Idade Média, os monges isolados em conventos mantiveram acesa a chama da cultura, assim hoje, segundo o romance, serão igualmente os intelectuais (professores, alguns editores, cientistas, romancistas, artistas...) a manter a mesma chama acesa"
* ler recensão no Jornal de Letras
* excerto do livro, as primeiras quinze páginas aqui
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da Sociedade dos Banqueiros

e das viagens dos seus beneméritos que legam lustrosos
elefantes
aos incrédulos súbditos do reino

«É de esperar que, cada vez mais, os nossos homens de negócios bem sucedidos dêem exemplos visíveis de partilha, de solidariedade, contribuindo pessoalmente para que as novas gerações beneficiem de um Portugal mais justo, coeso e progressivo»
Cavaco Silva em 2006

O presidente da república falava em presença do "Grupo de Empresários pela Inclusão". Na assistência estavam os destinatários do discurso, entre outros, os banqueiros Paulo Teixeira Pinto e Jorge Jardim Gonçalves (Millenium BCP), entretanto destituidos por falência, José Oliveira e Costa do Banco Português de Negócios entretanto preso implicando um conselheiro de Estado no escândalo, e João Rendeiro do Banco Privado Português. Este último, como benemérito do partido das causas nobres, tomou a seu cargo o pelouro da Pobreza, uma vez que que já tinha estado em Nova Iorque em Setembro de 2005 tendo em vista a formação de um “grupo de trabalho” no âmbito da Clinton Global Initiative, (um dos negócios de que Clinton teve agora de prescindir para a mulher poder desempenhar o cargo de secretária de Estado) um projecto lançado pelo ex-presidente Bill Clinton que dispunha de 100 milhões de dólares sabe-se lá deus vindos de onde – de sítio similar, com certeza o erário público, onde o banqueiro Rendeiro esperaria decerto desencantar mais uns trocos. Entretanto a pobreza, pelo menos entre nós, como é sabido, agravou-se. Nada que impedisse recentemente Cavaco Silva de elogiar publicamente a pessoa do presidente do Banco Privado Português que lidera a Associação de Empresários pela Inclusão.
O equívocado elogio afinal parece ficar a dever-se ao facto de a pobreza em causa ser deslocalizada, a iniciativa do benemérito Clinton referia-se à dinamização das relações luso-brasileiras e João Rendeiro tinha criado com interesses sociais e cívicos a Fundação Ellipse, a coberto da qual, para maximizar o dinheiro a investir na “inclusão social” e no “apoio a paises em desenvolvimento” resolveu comprar uma prestimosa colecção de obras de arte.

O BPP em 2006 apresentou lucros de 18,2 milhões de euros e em 2007 de 24,4 milhões; os lucros do Banco Privado Português deram a ganhar cerca de 30 milhões de euros em dividendos pagos nos últimos três anos aos seus accionistas. Embora o BPP tenha caído para uma situação de insolvência e os bancos nacionais tenham 350 milhões reféns da instituição; bancos que, (negócios do Banco de Portugal oblige), não têm agora outro remédio senão salvar o BPP com o aval do Estado no valor dos activos de 672 milhões avaliados segundo o balanço de 2007 entretanto desvalorizados em cerca de 40 por cento. Prevendo o futuro da crise, não será difícil imaginar que o valor dos activos do Banco vão continuar a cair, mantendo-se a obrigação dentro de meia dúzia de meses o Estado ter de cobrir o aval pelo valor inicial de 672 milhões mais juros – “Afinal ainda há amigos que nas dificuldades não fogem, mas estão para nos apoiar a vencer" como dizia no fim de semana Pinto Balsemão, o principal accionista do banco e omnipresente representante do Grupo Bilderberg com reconhecida influência na gestão dos governos em Portugal.

O banqueiro-empresário- de- sucesso, autor do best-sellerJoão Rendeiro – Testemunho de um Banqueiro’ que vendeu o total dos exemplares à familia Cavaco Silva e vizinhos, minimiza a sua contribuição para a bancarrota quando se vencer a dívida aos prestamistas judeus da J.P.Morgan, e entretanto vai salvaguardando a sua situação pessoal:
"Iniciei a actividade sob o meu vínculo à Função Pública, que, aliás, ainda hoje se mantém – apenas pedi uma licença sem vencimento por prazo indeterminado"
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terça-feira, dezembro 02, 2008

o infindável 26 de Novembro (II)

o marxismo foi mais estudado pelos intelectuais burgueses, que o desnaturaram e puseram ao serviço da burguesia,

que pelos revolucionários (...) quer dizer, os filósofos da burguesia chamaram marxismo à constatação que Marx fez dos sistemas que a burguesia adopta, sem necessidade de recorrer a justificações... marxistas na sua luta contra os trabalhadores. E os reformistas, para corrigirem essa interpretação fraudulenta, tornaram-se por seu turno democratas, tornaram-se turiferários de todos os santos des-santificados pelo capitalismo”
Antonio Gramsci

a 25 de Novembro a Direita tinha um plano? – “Há muito que a Direita militar estava em pé de guerra. Entre Outubro e Novembro, aliás, os golpes eram anunciados e desmentidos quase diariamente. Fervilhavam boatos de golpes e contra-golpes, num clima de insegurança que desestabilizava a sociedade civil, mas sobretudo os meios militares incapazes de assimilar tantas contradições.
Mais próximo dos acontecimentos ( uma semana antes), a Base Aérea de Cortegaça foi posta em estado operacional para receber os 123 oficiais de Tancos que abandonaram a base. Bem como os 500 páraquedistas do Coronel Almendra que tinham regressado de Angola, numa acção concertada com o nome de código “Operação Vermelho 8”. Quando os páras saem, a Direita militar já tinha posto em acção um comando operacional centrado fundamentalmente em Jaime Neves e em Pires Veloso”. (fonte)

uma declaração bombástica do fascista reformado ex-comandante da região militar do Norte em 1975 abalou Sua Excelência, a Eminência parda do regime em 2008:
Foi tudo pré fabricado para fazer de Eanes um herói

clique no recorte (Publico 26/11) para ampliar
o golpe que há 33 anos trouxe de volta outro regime fascista com um renovado vigor capitalista teve uma longa gestação. Tudo se passou, à revelia das forças populares, dentro do seio da Aliança Povo-MFA, mas não tanto do “povo”, para quem ao PCP só interessava contar cabeças votantes; enquanto o PS era alimentado financeiramente do exterior pelos americanos, via Fundação Friedrich Ebert, orquestrando acções de rua espectaculares.

Nos confrontos da Estefânia, entre militantes do MRPP e do PCP, Otelo Saraiva de Carvalho, o comandante da Região Militar de Lisboa, mostrou à evidência a natureza de classe do regime saído do putsch militar de Abril; concertado com Mário Soares e Sá Carneiro apostados em destruir de vez a chamada extrema esquerda, Otelo mandou prender em Caxias todos os dirigentes esquerdistas que encontrou. Foram os primeiros presos políticos pós-25 de Abril; que seriam libertados “cirúrgicamente”, sob a condição de se conciliarem com os altos figurões do PS e PSD – cujos directórios começaram a partir daí a canibalizar o léxico dos sectores de esquerda, com a culpa dos intelectuais, que se calaram. Maria José Morgado estava entre os detidos, e o resto da malta também arranjou bons tachos.

Eanes reconhece que “o plano comtemplava a entrega de armas aos civis” confirmando agora que “houve entrega de armas a militantes do PS
Incomodado pela entrevista de Pires Veloso, o Presidente da República Ramalho Eanes (a quem, neste caso, a imprensa por oportuna gaffe ainda confere o tratamento sem o prefixo “ex”) “garantiu que Melo Antunes era marxista e não comunista” mas, os derivativos de Marx, provêm todos de Marx, aquele que redigiu o Manifesto do Partido Comunista. É o oportunismo colado à indiferença dos intelectuais burgueses. E o que fizeram os “comunistas” do partido português? – o General explica a política de caserna às massas: “Otelo percebeu o que estava em jogo e foi para casa” – e o PCP, (comprometido no governo), de quem não se sabe se recebeu armas ou não, conciliou-se com os dirigentes golpistas e mandou os seus militantes fazer o mesmo.
Foi a aplicação prática da política de conciliação de classes importada da extinta III Internacional dominada pela tese de Georgi Dimitrov (“o Socialismo num só país, a "revolução" Nacional interclassista primeiro), e a esperança eterna na famigerada “maioria de esquerda”, a Burguesa, aquela que tem posto os lucros a render nas empresas e bancos TransNacionais.

dos contributos de Gramsci

1. o conceito de “Hegemonia”: Eanes de testa de ferro golpista em 1975 a mandatário de Cavaco Silva em 2006, debaixo da alçada do único partido verdadeiramente organizado da burguesia: a maçonaria europeia
2. o conceito de “Bloco Histórico”: é formado sobre a crença das populações, tendo como pano de fundo a brutalização católica, crendo em homens providenciais como lideres que, como por milagre, sob a aura de uma honestidade fictícia (aparentemente desligados das clientelas partidárias) manipulam a opinião pública e levam a acreditar que vão resolver os problemas de classe do proletariado.

3. sobre a construção do Partido Comunista:
“o erro do Partido foi ter posto em primeiro plano e de modo abstracto o problema da organização do Partido, o que acabou por querer dizer tão só criar um aparelho de funcionários que fossem ortodoxos nos termos da concepção oficial. Acreditava-se e acredita-se ainda que a Revolução depende apenas da existência de um aparelho semelhante e chega-se a acreditar que a sua existência pode determinar a revolução... Não se concebeu o Partido como resultado de um processo dialéctico em que convergem o movimento espontâneo das massas revolucionárias e a vontade da direcção do centro, mas simplesmente como qualquer coisa suspensa no ar, que se desenvolve em si e para si e a que as massas acabarão por chegar quando a situação for propícia e a crista da vaga revolucionária atingir a sua altura máxima, ou quando o centro do Partido considerar que deve dar início a uma ofensiva e desça até à massa para a estimular e a levar à acção... A verdade é que historicamente um partido não é definido e nunca o será. Porque só se definirá quando se tiver transformado no conjunto da população e tiver desse modo desaparecido”

Chegam portanto atrasadas 33 anos e num contexto completamente diferente (numa paisagem desolada)
as declarações do secretário geral do PCP agora que afirma "não fará alianças com a esquerda dentro do PS" de Manuel Alegre que alimenta ilusões enquanto tenta suster a subida dos "comunistas" ... nem com a "indefinição ideológica" do BE no seu "carácter social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante"
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segunda-feira, dezembro 01, 2008

A Censura Subtil

publicado no 8ª Colina:
“o livro do jornalista de investigação Paul Moreira, luso- descendente, “As novas censuras... nos bastidores da manipulação da informação”, publicado em Fevereiro pela Europa-América, centra-se na sua experiência como editor de um programa de reportagens de investigação, “90 Minutos” num canal privado francês, o Canal Plus. Nas democracias actuais, controlar a informação não é proibir, mas antes jogar influências, organizar o espectáculo. O autor afirma que vivemos um paradoxo: numa sociedade cada vez mais transparente, as formas de censura e o controlo da informação estão a tornar-se mais subtis. Ele considera que se nas democracias uma censura declarada é impensável, cada vez mais os recursos são investidos no controlo não do que é oferecido ao público, mas na maneira como ele pensa e reage ao que ouve e vê. As notícias, sobretudo as controversas, passam pelo “filtro comunicativo” dos assessores de imprensa, porta-vozes, relações públicas e consultores de comunicação.
Em vez de vivermos numa era de comunicação aberta, estamos, na verdade, vivendo uma nova era de censura feita com tanta subtileza que passa despercebida ao público. Este assunto tem vindo a ser debatido dentro dos próprios meios de comunicação tanto como na página internet do Forúm Internacional de Editores www.editorsweblog.org que constante- mente assinala as pressões exercidas sobre as redacções (principalmente segundo o modelo da escola dos Estados Unidos)

não as engulas, ajuda-as a falir
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domingo, novembro 30, 2008

o Dia Mundial sem Compras

"decretado" todos os anos, à revelia dos poderes, pelos nichos da população mais conscientes para refrear os impulsos nómadas consumistas sobre os centros comerciais, coincide com a abertura dos saldos nos paises de modelo anglo-sax (os paises ricos consomem 80% dos recursos) - precisamente no dia seguinte ao "dia de acção de graças" inaugura-se a época de compras natalícias tendo como chamariz preços de arrebimbaòmalho - Neste dia autênticas turbas selvagens de caçadores de pechinchas invadem literalmente as grandes superfícies para ver quem chega primeiro a um par de collants, a um bom videogravador made-in-China a 28 dólares para registar com óptima definição o "Dança Comigo", livros tipo miguel-sousa-tavares ou outros gadgets, imprescindíveis à civilização robótica, como os "oral sex lights".

Desta vez a noticia da última sexta feira vem da Wall-Mart de Long Island (NY) onde uma multidão de 2 mil ferozes consumidores aguardava desde as 5 da manhã a abertura da loja. Drogada pela avidez da consumação do acto de compra, mal se aproximou a hora de abertura, a turba comprimiu-se, arrombou as portas de entrada que sairam dos gonzos e espezinhou até à morte o imigrante indú Jdimytai Damour, um empregado da segurança da loja, ferindo gravemente outras 3 pessoas, entre elas uma jovem grávida.
Passado o furor inicial e a ponte, a polícia anda à procura dos responsáveis, certamente para os obrigar a testemunhar pela falta de cumprimento do horário do funcionário morto que trabalhava na loja com contrato precário - liberdade de consumo, sim, mas a Wall-Mart não pode ficar prejudicada

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sábado, novembro 29, 2008

sobre a vida das peras

eis a que seria uma (im)possivel tese comunicada a um improvável Congresso da Alternativa Socialista da Esquerda Unificada

Uma pêra
pode passar a sua vida
sob o domínio das folhas
colhendo os carinhos do vento
até despencar na podridão do humus

O que uma pêra realmente saberá da vida
é o prazer de ser mordida

(Mauro Iasi, 1986)

“É por acreditar que somos este ser colectivo que se encontra submetido na fragmentação individualista pela sociedade do capital, que não me espanta o facto dos pequenos poemas que lancei no mundo encontrarem abrigo noutros camaradas tão distantes e em tão diferentes lugares.
Porque quando falamos das nossas dores e esperanças, dos nossos amores e das nossas lutas, falamos desta substância comum que nos liga na indissolúvel solidariedade da nossa classe, na matéria colectiva que nos faz homens e mulheres que se levantam contra a indignidade da exploração levantando a bandeira da humanidade - Estes poemas devem ser lidos como quem conspira... a respiração firme e segura dos que sabem, ou estão dispostos a aprender, que aqueles que não ultrapassam aquilo contra o que lutam, acabam por reforçar ou se acomodar... àquilo que queriam transformar” - Luiz Carlos Scapi na apresentação do livro de poemas “Meta Amor Fases” de Mauro Iasi

sobre a trajectória empreendedora da militância que dedicou toda uma vida para a construção do Partido dos Trabalhadores, para depois vê-lo desmoronar-se como um Partido da Ordem (Marx)
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sexta-feira, novembro 28, 2008

no comments
















confirma em toda a linha a capacidade dos blogues para anteciparem, não só a cobertura dos acontecimentos, como as conclusões que a imprensa star-system, a soldo dos departamentos de comunicação dos Estados, vai retirar dos acontecimentos no dia seguinte e nas maníacas sequelas do marketing guerrófilo com a finalidade objectiva de dar abundamentemente a conhecer uma ampliação do "terrorismo paquistanês made-in-alQaeda" como justificação prévia para a "nova" política da administração Obama que pretende ampliar a intervenção norte americana na região a uma zona mais lata que o Afeganistão.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Mumbai e a Globalização

Mumbai é alvo de uma vaga de ataques por homens armados que serão, na sua maioria, de origem paquistanesa (diz-se). Chegaram com armas sofisticadas e organização militar visando sobretudo cidadãos Norte Americanos, Ingleses e Israelitas. Os locais atingidos são sobretudo hotéis de cinco estrelas (pejados de milhares de empresários e turistas ricos), a estação ferroviária principal que liga este centro financeiro ao resto do país, um hospital de luxo destinado especificamente a pacientes estrangeiros, a sinagoga e o centro Judaico na zona sul da cidade e diversos restaurantes e lojas luxuosas, como a Louis Vuiton.















O assalto coincide com o Thanksgiving, o Dia de Acção de Graças que é feriado nos EUA, observando um dia de gratidão a Deus (Elokim em hebraico, ou 3D para os clientes de Arquitectura); a festa celebra-se neste dia com orações pelos bons resultados ocorridos durante o ano; sinal de prosperidade, é também uma data fatídica para milhões de perus, literalmente grelhados em conjunto com outros milhões de miseráveis sub-humanos um pouco por todos os cantos do planeta.

A presidente da Câmara de Madrid, Esperanza Aguirre militante do Partido Popular de Aznar, era uma das diligentes cabecilhas de um numeroso grupo de empresários, numa dessas típicas viagens onde se contrata mão de obra escrava, mas vendida de imediato nos grandes centros financeiros como sendo “criação de riqueza”. Valendo-se de helicópteros e do avião privado do governo de Zapatero (deslocado propositadamente) Aguirre já conseguiu hoje tomar tranquilamente o pequeno almoço em casa. Cenas semelhantes ocorreram com outro numeroso grupo de Parlamentares Europeus.

Well, its thanksgiving, mas aqui não se consegue dar graças a nada. E se ligarmos as duas cadeias únicas que difundem noticias “a sério” na Europa (a CNN e a BBC) tudo isto “é o mesmo Terrorismo, o mesmo Terrorismo de sempre”: os mortos e feridos são trágicos (de facto), as congeminações sobre a autoria dos atentados são perspicazes e eruditas, sobra-nos apurar quantas vezes por minuto os repórteres, experts e enviados especiais introduzem a sigla Al-Qaeda por minuto na cobertura dia e noite dos ataques à Indía construindo uma história de medo decisiva para o futuro do resto da humanidade – ou seja, para quem não viu, este é o evento mais importante desde a chegada do homem á Lua.

O dia ontem começou com a notícia que os governantes dos Estados Unidos despejaram outro Trilião de dólares para tentar deter o desastre em câmara lenta do comboio financeiro, o qual ao cair na ribanceira fará colapsar todo o sistema financeiro mundial. Passadas menos de 24 horas cá está a história: “é o mesmo Terrorismo de sempre” (ver uma das amostras de TV)

uma mão lava a outra

O que seria feito do futuro do “Terrorismo” se não tivesse a CNN e a BBC (e as nossas arraias miúdas) para bombar significados? Não existem já evidências suficientes que demonstrem que a “Al-Qaeda” é definitivamente uma criação da CIA? Mas continua a prevalecer apenas a opinião dos atentados desta empresa ficticia, criada pelo secretário de Estado Brezinski, agora conselheiro especial do presidente Obama, cujo secretário da Defesa é o mesmo de Bush, o ex-director da CIA Robert Gates, envolvido na criação da Al-Qaeda no Afeganistão nos anos 80,

mas são "os outros terroristas" quem ocupa exclusivamente o panorama mediático em sessões contínuas.
O pivot da BBC na Índia entrevistava ontem à noite o chefe da Segurança em Mumbai:
“Isto é muito significativo não é?/Sim, muito/E isto mostra o mais alto nível de sofisticação de sempre na Índia, não mostra?/ Sim, de facto/ E isso é uma causa de preocupação profunda para todo o mundo porque indica que os terroristas desenvolveram um alto nível de sofisticação e eficácia a atingir objectivos/ Sim, você tem muita razão” – como se vê o militar, não estraga o trabalho do repórter, limita-se a silabar interjeições confirmativas. E assim é por horas, horas e horas a fio, construindo a montanha do tamanho do Himalaya.

Mas a única história objectiva é que um grupo armado disparou sobre inocentes (mas não muito, embora a informação deturpadamente ponha ênfase nos que são mesmo inocentes), depois lançaram bombas e granadas e fizeram pessoas reféns.
Toda a história se resume a isto, porque o resto, que existe contestação social grave na Índia não interessa ao Terrorismo Real – que é este: o tal trilião de dólares impresso e lançado noutra acção fútil para apagar o incêndio, porque os triliões anteriores não tiveram qualquer eficácia. E lembremo-nos que são pipas de massa! – enquanto a administração Bush faz todo o possível para ocultar que a guerra do Iraque era em princípio uma empresa de 1 trilião de dólares, embora agora se pense que atinja entre três a cinco triliões; mas que diferença fazem, à velha moda antiga, alguns triliões despejados cirúrgicamente aqui ou acolá?

* relacionado:
o Dr. Vinay Rai, autor de 'Think India: The Rise of the World's Next Superpower and What it Means for Every American" fala sobre a corrupção dos negócios na Índia - ver video

* o Forum Social de 2004 em Mumbai: Contra a Globalização Imperialista e a Guerra
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Slavoj Zizek:

usar as ilusões contra os cínicos: "é bastante possível que Obama faça algumas melhoras, tornando-se um “Bush com uma cara humana"

o Lobie Colonial não foi Desarmado

"Em 2001, uma investigação da ONU sobre a exploração ilegal de recursos naturais no Congo descobriu que o conflito no país gira fundamentalmente em torno do acesso, controle e comercialização de cinco minerais-chave: coltan (combinação de duas palavras que descrevem a columbita e a tantalita, minerais altamente cobiçados), diamantes, cobre, cobalto e ouro. De acordo com essa investigação, a exploração dos recursos naturais no Congo pelos senhores da guerra locais e por exércitos estrangeiros era “sistemática e sistêmica”. O exército de Ruanda fez no mínimo 250 milhões de dólares em 18 meses, vendendo coltan, que é usado para fazer celulares e laptops. A investigação concluiu que a guerra civil permanente e a desintegração do Congo “criaram uma situação em que todos os beligerantes ganham. O único a perder nesse negócio monumental é o povo congolês”. Por trás da fachada de uma guerra étnica, discernimos então os contornos do capitalismo global"
(ler mais na Carta Maior)

ler também em Michael Collon.com por Tony Busselen:
Congo:¿Conflito interno ou intervenção estrangeira?
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quarta-feira, novembro 26, 2008

Sefarad existiu? ou foi Toledoth?

Segundo Shlomo Sand, o autor israelita de "o Povo Judeu é uma Invenção", "o contributo demográfico mais decisivo para a população judaica no mundo deu-se na sequência da conversão do reino khazar - o vasto império estabelecido na Idade Média nas estepes circundantes do rio Volga e que, no auge do seu poder, dominava desde a actual Geórgia até Kiev no século X", mas existe uma história anterior quanto ao facto de presumivelmente no século VIII os reis khazares adoptarem a religião judaica e terem feito do hebreu a língua escrita do reino. Essa conversão tardia teve reflexo na diáspora primeiro para a Rússia, depois para Triestre, Veneza (o 1º gueto) e Europa central, onde se concentraram, já na era moderna, principalmente na Alemanha

“Os antigos Gregos (Estrabão, Heródoto, Plutarco e Homero) e os Romanos (Tito Lívio, Cornélio Trácio e outros) deixaram escritos em que se referiam aos habitantes do Leste da região onde se situa hoje a Geórgia como os povos Ibéricos do reino de Cartli (segundo as fontes gregas com origem no termo Iberoi) e aos povos mais a ocidente dessa região do Caucaso como os Colchis” – isto pode ler-se na obra de David Braunda Geórgia na Antiguidade: a História dos Colchis e da Ibéria Transcaucasiana 550 AC – 562 DC, pag. 17 e 18”

Na mitologia grega a terra dos Colchis era o local onde Jasão e os Argonautas buscavam o Velo de Ouro. A integração do “velo de ouro” no mito talvez tenha derivado da prática local de se usarem as tochas para procurar partículas de ouro no leito dos rios. Nos últimos séculos da era pré-cristã essa região tomou forma como o Reino de Cartli-Iberia que era fortemente influenciado pelos Gregos a oeste e pelos Persas a leste. Depois que o Império Romano completou a conquista da região do Cáucaso no ano 66 antes-de-cristo, o reino manteve-se como Estado-cliente de Roma e seu aliado durante 400 anos. Até que no ano 330 depois-de-cristo o Rei Marian III (um belo exemplo de procedência do mito em torno do culto cristão da virgem Maria) aceitou converter-se ao Cristianismo através dos mais recentes laços desenvolvidos entre o reino e o Império Bizantino, que ao libertar-se a Oriente da decadente Roma invadida pelos povos bárbaros do norte europeu, exerceu ali uma forte influência cultural durante séculos.

Permanentemente acossada pelas tribos guerreiras nómadas do Império Mongol, a terra dos Colchis transformou-se em região tampão nas lutas entre os poderes rivais Persas e Bizantinos em que a zona mudou de mãos por diversas vezes; e o antigo reino, no principio da Idade Media desintegrou-se em várias regiões de feudo lideradas por cabos de guerra tribais. Tal facto facilitou a conquista de toda a região da Geórgia pelos Árabes no século VII

Os Árabes conquistaram a capital Tbilisi no ano 645 DC, mas os povos da Cartli-Ibéria mantiveram alguma independência e liberdade sob as regras legislativas árabes. Estava aberta para a Diáspora destes povos semitas o caminho até à fundação de uma colónia na Nova Ibéria (onde vieram a estabelecer-se no centro, na região de Toledo, chamada de Tulaytula depois que os árabes a conquistaram ao rei visigodo Rodrigo), vindos através da grande estrada do Norte de África dominada pelo novo Império dos Omiadas (com o centro para além do estreito de Gibraltar, a norte, em Córdoba) e pela expansão do Islão que durou com esplendor até aos anos da Reconquista cristã. É possivel que as primeiras tribos semitas tenham chegado à peninsula ainda no tempo dos Romanos, mas, este percurso histórico, e aquilo a que os Judeus chamaram depois “as terras de Sefarad” (palavra que significa "Espanha", um termo moderno cunhado já em tempo dos reis católicos) encaixa perfeitamente na tese de Shlomo Sand: que o povo judeu é uma invenção e que se formaram na conversão à religião de Judas pelos caminhos da diáspora pelo norte de África. Aliás, como é sabido, os clássicos gregos foram primeiramente traduzidos pelos árabes de Toledo, que legaram ao Ocidente o manancial de conhecimento materializado na biblioteca de Alfonso X o Sábio.

Sempre existiu pois uma similaridade entre os Povos Ibéricos do Leste e do Oeste, entre os habitantes da peninsula Ibérica e a ideia de parentesco destes com os povos da Ibéria Caucasiana (o circulo de giz caucasiano faria outra parte importante das migrações semitas estabelecerem-se na Europa central). Isto é reconhecido por diversos autores antigos e do periodo medieval, embora existam discordâncias sobre as diversas origens. E a teoria pareceu ser bastante popular na Geórgia – o proeminente escritor religioso Giorgi Mthatzmindeli, que viveu entre 1009 e 1065 e se celebrizou como George do Monte Athos, escreveu sobre o desejo dos nobres georgianos viajarem para a Península Ibérica a fim de visitarem “os Georgianos do Oeste”, a expressão com que ele os chamou.

Em abono da impossibilidade da colónia de Sefarad se ter estabelecido nessa época pelos caminhos hostis dos Khazares e pelos Reinos bárbaros da Europa dos Ávaros e dos Francos, existe uma pequena curiosidade: o mito que a gaita-de-foles como instrumento de origem celta chegou ao Reino Galaico- Português pelo Norte da Europa - o instrumento tem praticamente o mesmo nome na Bulgária (Gaida) e julga-se ter origem na antiga Trácia, (transitando depois pela antiga Bulgária do Volga) pelo que se terá espalhado posteriormente pelos Balcãs e pela Europa a partir da Grécia e não vindo das brumas Celtas do Norte
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terça-feira, novembro 25, 2008

Comunismos (e o 25 de Novembro)

Em defesa da honra do militante do Partido Comunista Português, uma longa dissertação é levada a cabo no Tempo das Cerejas sobre a actuação do PCP na condução do movimento popular durante o período da revolução de Abril (25Abril1974-25Novembro1975) – Vítor Dias, como factor (actor) de sobrevivência política conclui que “antes vivos e combativos que mortos de morte matada” – visão que tem como reverso a opção pela alternativa de morte lenta pela vida em estado vegetativo.

Em defesa de Raquel Varela

Raquel Varela é uma jovem historiadora (ISCTE) que, conforme Vítor Dias estigmatiza “ainda não tinha nascido quando os factos se passaram”, e no entanto, não se sentindo culpada pelo regime que lhe legaram (que agora vemos pelo próspero estado a que chegaram os "excomungados de Abril"), pretende em final de curso defender como tese de doutoramento “o papel do Partido Comunista português no processo revolucionário”, onde acusa o PCP da derrota histórica do ultimo movimento de massas de carácter anti- capitalista na Europa do século XX. Socorre-se para tal, em primeira apresentação no colóquio Os Comunistas em Portugal, “de frases descabeladas” (no entender do relato do “renovador comunista” Jorge Nascimento Fernandes no “Trix-Nitrix) tais como “a burguesia devia fazer uma estátua ao PCP porque foi este Partido que permitiu que este simulacro de democracia se implantasse em Portugal”; ou da crítica interpretativa entre as acções das massas que fazem as revoluções e os directórios que lhes disputam a sua direcção, recordando o célebre episódio do cerco à Assembleia da República – quando afirmou que "naquele momento o passo que faltou para o triunfo da Revolução portuguesa foi a tomada da Assembleia e a expulsão dos deputados da burguesia, o assalto ao “palácio de Inverno”, em vez da desmobilização concertada pela associação PCP-MFA"

Não fora a sensibilidade intelectual de classe pequeno- burguesa de Melo Antunes sobre o movimento proto-fascista dos 200 soldados-comandos dirigidos por um obscuro capitão que tinha no currículo cultural o facto de ter chumbado no exame da quarta classe (Ramalho Eanes) sabe-se que a intenção era, no 25 de Novembro, de ilegalizar o PCP e culpá-lo dos males da burguesia saída incólume do regime marcelista: a agitação social pré- revolucionária, a queda abrupta em 24 por cento do PIB e, factor supremo de alarme, a auto- organização de comités de base nos quartéis (os SUV); a 7 de Fevereiro na Manifestação Anti-NATO pede-se a saída de Portugal do Tratado de dominação anglo-saxónica do Atlântico Norte.

e do estigma de maus da fita não se livraram os do PCP, de quem o parlamentarismo burguês necessita (tanto como do CDS) para se institucionalizar psicologicamente no leque clubístico das massas populares; tanto como o fascismo precisava dos antifascistas para se legalizar moralmente contra aqueles que pretendiam destruir o doce imobilismo da miséria, do desemprego, da fome e do anafabetismo que os adros da Igreja e os bodes das fragas agrestes constituíam em senso- comum. Era este o “espírito do tempo” quando chegou o golpe militar de 25 de Abril.

Cunhal chega a afirmar que “o nosso programa é o possivel dentro das fronteiras definidas pela Segunda Grande Guerra” – efectivamente, em Yalta determinaram-se as áreas de influência no plano de partilha ideológica suportado pelo Frentismo contratado entre dirigentes das burguesias nacionais e os regimes liberais do ocidente da Europa - ficou estabelecida uma clara divisão entre campos de influência e domínio: uma espécie de Tratado de Tordesilhas: o Leste para o campo soviético, a parte ocidental dominada para os Aliados. O que fazia de imediato da revolta portuguesa “Uma Revolução Impossível”.

Os 12,5% das primeiras eleições são uma completa surpresa para a embaixada americana, porque no pós-guerra o Partido Comunista em França tinha obtido 32 por cento, enquanto as correntes mais radicais que apoiam Otelo Saraiva de Carvalho (um personagem com alguma intuição, mas sem qualquer formação politica) atingiriam esses valores nas eleições presidenciais. Em contraponto, entre a qualidade da direcção politica centralizada versus o lugar da estupidez nas massas amedrontadas pelo papão do comunismo, como alternativa ao regime semi-colonial salazarista verificou-se o peso da derrota histórica da Esquerda e a demonstração da falácia da aplicação do Socialismo pela via indolor das eleições – segundo testemunhas da época, Cunhal reconhecia textualmente: “é impossivel identificar às massas o capitalismo como um obstáculo – e é uma pena que isto vá acabar tudo” – importava salvar a influência possível, através das campanhas de alfabetização do MFA com militares a dar instrução às populações ao lado dos militantes do PCP com a missão não expressamente declarada de contrapor o Ensino ao Esquerdismo espontâneo.

“Em Ponte da Barca, o patrão lisboeta pergunta ao velho caseiro: - Então, como é que isto vai por cá de comunistas?
-oh, ele havia cá 14, mas agora já só há quatro. São dois do PPD e dois do PS”.
revista Gente,Expresso 4.10.1975

Mas os dirigentes do Partido Comunista, como instituição herdeira da politica soviética oficial saída da III Internacional, (consignada no VII Congresso, “Rumo à Vitória") expressava a doutrina de conciliação entre classes (numa situação explosiva: na época 90% dos camponeses russos analfabetos não eram necessários à vanguarda económica, como agora 90% dos trabalhadores nos paises ocidentais não fazem falta ao capitalismo) – contudo o PCP,, como partido reformista e não revolucionário, estava muito longe de controlar a situação como um todo durante o PREC, embora se tivesse sempre tentado colar às cúpulas militares do Movimento dos Capitães (MFA) ele próprio profundamente dividido internamente (como se via nas Assembleias Gerais delegando sempre as decisões nas mesmas hierarquias do aparelho militar saído do regime fascista) reflectindo entre as suas várias facções as mesmas lutas de classe que se verificavam fora dos quartéis.

Estava o PCP portanto longe do espírito da chamada Comuna de Lisboa, antes pelo contrário advogando pateticamente em conjunto com a 5ª Divisão de Informação do Exército a conciliação dentro do espírito da abstracção “união entre o Povo e o MFA” duas definições identitárias tão pouco esclarecedoras quanto a inversa vontade de colocar militantes na máquina burocrática das chefias do aparelho de Estado burguês, enquanto as lutas, ocupações de casas, fábricas e herdades prosseguia à revelia das teorias conciliadoras – com tão zeloso cumprimento que, quando finalmente chegou o dia da clarificação a primeira ordem do PCP foi mandar os militantes desmobilizar, para salvaguardar a sua ilegalização.
O que não impedia na manhã de 25 de Novembro o capitão António Luz, conotado com as forças de esquerda não afectas ao partido comunista de afirmar: “na Trafaria, o quartel que eu comandava, já depois do PCP ter mandado os militantes para casa, tinha 10 mil pessoas à porta do quartel a pedirem-me G3”
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