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segunda-feira, dezembro 15, 2008

os Direitos Humanos (II)

A convite da Fundação José Saramago esteve na Casa do Alentejo, em Lisboa, o juiz Baltazar Garzòn. Descreveu prolongadamente o seu envolvimento no caso Pinochet como referência dos crimes contra a humanidade, os quais não podem prescrever nunca; e no reconhecimento de uma lei anti-crime internacional ao abrigo da qual se fundamentou pela primeira vez no ocidente a detenção de um facínora político; no entanto o processo foi tão lento, e tão burocraticamente protegido pelo conivente governo britânico, que o criminoso ditador acabaria por morrer tranquilamente numa caminha no doce reduto do lar.

O juiz Garzòn demora-se em detalhes sobre a sua visita à Argentina, no caso similar da ditadura dos coronéis de Videla, onde os familiares dos desaparecidos se manifestaram durante anos pela praça de Maio em Buenos Aires – às tantas chamavam-lhe em vez de mães, “as loucas da praça de Maio”. Pensa que se pode fazer a recuperação dos crimes para julgamento em justiça e visita a Escola Militar e outros quartéis que serviram de locais de tortura por todo o país.
É certo, como frisou, que "não podemos viver sempre de olhos postos no passado, é preciso olhar o futuro" (julgar os mortos para branquear e abrir caminho aos vivos, e quando estivermos todos mortos far-se-á então justiça): os interesses económicos nacionais e de empresas privadas multinacionais não se poderiam sobrepor aos Direitos Universais, porém sobrepôem-se - a miséria tem responsáveis directos, porém ninguém é indiciado. Sem dúvida, a existência de mil milhões de pessoas no mundo em situação de pobreza extrema é um crime de genocídio para cuja solução não basta recitar o texto dos Direitos Humanos.
Há o caso dos vôos da CIA ao abrigo da ilegalidade de uma “lei preventiva” que cria um vazio jurídico a partir do qual se podem cometer toda a espécie de arbitrariedades, da libertação dos 257 presos políticos de Guantanamo e do difícil caminho que agora se inicia no encalço dos autores de crimes de guerra – existem pedidos de investigação judiciais a decorrer - sim, há culpados por crimes de genocídio contra a humanidade, mormente no Iraque, situação que se pretende perpetuar no Afeganistão com a transicção e reposicionamento da administração Obama.

Baltazar Garzòn fala da Lei de Memória Histórica criada em Espanha, criticada à direita e à esquerda. Disse que é preciso honrar a memória das vitimas e ressarcir materialmente os sobreviventes - o Estado deve homenagens a Garcia Lorca e aos dois milhões de pessoas que Francisco Franco assassinou – é preciso fazer mais que expurgar os espaços públicos de meras tabuletas de referência ao fascismo. Embora a memória da relações de amizade entre os regimes de Salazar e Franco esteja bem presente,

, longe de tudo isto estamos nós portugueses. A herança fascista tem chegado sempre com êxito aos mais altos cargos de Estado e por fim até temos como corolário um presidente da república que se aconselha com quem comete ilegalidades financeiras. A páginas tantas, temos também Marcelo Rebelo de Sousa, um bem falante interlocutor cuja família politica transitou directamente do criminoso regime anterior de Marcelo Caetano (sim, existiam presos políticos e houve vítimas) que agora se camaleonizou no mais importante comentador político a cargo da televisão do Estado.

O homem, um derrotado que nunca ganhou qualquer cargo por mérito político próprio, perfila-se a tenças do marketing televisivo (de quem aparece a cara no pequeno écran é trigo limpo), como próximo candidato presidencial e ninguém sequer acha nada de anormal na hipótese.
Pelo contrário, na irresponsável e doce pasmaceira nacional, e porque o figurão aniversariou, até o elogiam com duas páginas inteirinhas de um jornal de referência. Chegámos ao deserto
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domingo, dezembro 14, 2008

Sou pastor, das estrelas
como se tivesse a meu cargo
apascentar
todos os astros fixos e planetas

As estrelas que na noite são o símbolo
dos fogos do amor
incendiados no nevoeiro da minha mente

Parece que sou o guarda
deste jardim verde escuro
do firmamento
cujas ervas mais crescidas
estão bordadas de narcisos

se Ptolomeu vivesse
reconheceria que sou
o mais douto dos homens
ao espiar o curso dos astros

Fragmento de "El Collar de la Paloma"
Ibn Hazm (994 - 1064)
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sábado, dezembro 13, 2008

o 11 de Setembro da Catalunya

sinopse da história:

Com a morte de Carlos II a casa de Áustria não deixa descendentes directos, o que levará os monárquicos europeus a tomar partido entre os possíveis sucessores. A França defendia Filipe d`Anjou, neto de Luis XIV o Rei Sol e bisneto de Filipe IV, como candidato à Coroa de Castela. Enquanto toda a restante Europa defendia o arquiduque Carlos da Casa dos Habsburgos, afilhado do último rei e filho do imperador germânico. Carlos era o pretendente reconhecido maioritariamente para a coroa dos reinos da Catalunha e Aragão (que incluia Maiorca, a Sardenha, Córsega, Sicilia e Nápoles); e em 1705 foi proclamado rei de Barcelona pelas instituições catalãs.

Na sequência da Guerra dos 9 Anos, assim irá começar a Guerra da Sucessão em Espanha, em que tropas inglesas e austríacas lutaram contra tropas francesas e castelhanas, ajudados pelos partidários respectivos de cada candidato.
Os aliados, a Grande Aliança de Haia, pretendiam evitar que a casa dos Bourbons, que reinava em França e finalmente em Espanha a partir de 1700, adquirissem a hegemonia em todo o continente em detrimento dos países que se haviam aliado para o evitar: a Catalunya junta com os países da Coroa de Aragão (uma união com raízes no século XIV), a Inglaterra (os catalães com origem austríaca tinham assinado o pacto de Génova no ano de 1705 que reconhecia Carlos III de Habsburgo como Rei), a Holanda, parte da Itália e Alemanha e por fim, para desequilibrar, os paises do Império Austro Húngaro.

O primeiro acto da guerra começa em 1691 com a chegada da frota francesa e o bombardeamento da cidade por mar. 850 bombas lançadas em dois dias causam grandes prejuizos no casario. As tropas filipinas irão avançar e retroceder nesta grande contenda internacional. A frota francesa retira-se para ir atacar Alicante. Até que por fim, em 1697, é enviado o melhor da armada do rei de França comandada pelo conde d`Estrées (14 naus, 30 galeras, 3 bombardeiros e 80 embarcações menores) e o exército de infantaria do duque de Vendôme chega por terra com 18 mil homens e 6 mil cavalos iniciando o cerco da cidade, apostados em utilizar as últimas inovações em artilharia. A 14 de Setembro de 1705 o príncipe Jordi de Hessen- Darmstat, representante da coroa de Aragão nomeado pelo arquiduque Carlos III, morre ao tentar tomar o castelo do Monte dos Judeus (Montjuic), convertendo-se assim no primeiro mártir da história da Catalunya independente. Uma importante força de destruição desembarcou e continuou frente a Barcelona: 56 canhões e muitas outras peças de morteiro reforçados com tropas sob o comando do duque de Berwick, um avoengo da casa da familia Churchill.
A guerra irá sofrer uma reviravolta quando fica vazio o trono austríaco de que era herdeiro o arquiduque Carlos. A Inglaterra retira-se da guerra e a Catalunya irá ficar sózinha na defesa do arquiduque, abandonada à sua própria sorte. A partir de Julho de 1713, durante o ano que durou o cerco total foram disparadas 50 mil balas de canhão, 20 mil bombas e efectuados 100 mil tiros de artilharia. 88 casas do então reduzido centro histórico foram totalmente destruidas e todas as outras sofreram danos parciais.

Após um ano de cerco, a 11 de Setembro de 1714, a cidade de Barcelona, que era defendida pelas milícias barcelonesas (a Coronela) sob o comando do capitão dos conselhos populares Rafael Casanova, sucumbiu às mãos das tropas de Felipe IV. Durante a batalha Rafael Casanova é ferido mortalmente; (e ainda hoje no monumento em sua honra no junto à Igreja de St. Maria del Mar arde ininterruptamente uma chama em sua memória e diariamente os populares ali depositam flores). 90 mil soldados do exército da casa dos Bourbon ocupam a provincia. Os catalães irão sofrer uma duríssima repressão. Perante a incredulidade dos cidadãos a inexorável lógica militar decide mandar revogar os títulos de propriedade e demolir todas as casas já se si muito danificadas no núcleo antigo da cidade, o bairro del Born, (onde se situa hoje o parque da Ciutadella), e construir ali uma grande fortaleza para aquartelar as forças invasoras.

Mais de 1000 casas e todo aquele sector de malha urbana de 200 hectares, antigamente muito próspero onde habitavam 40 mil pessoas, foi eliminado. Não há um paralelo comparável de destruição em toda a história europeia. O rei Filipe V, o primeiro da dinastia bourbónica irá suprimir a Constituição e as instituições democráticas catalãs de governo – como havia feito em Aragão e Valência – em 1716 promulga o decreto da Nova Planta, pelos qual os paises pertencente à coroa de Aragão eram desmembrados e submetidos à total dependência e organização política unitarista centralizada em Madrid. Vão desaparecer as Cortes Catalãs, a Generalitat e o Conselho dos Cem, os orgãos dos barceloneses que regiam o direito público catalão com direito participativos dos cidadãos que radicavam na tradição democrática adquirida a partir das Cortes de Tortosa em 1225. Todas as vias públicas foram renomeadas pelo rei de Espanha; e foi designado um capitão- general com autoridade máxima da Real Audiência para administrar justiça. Também irão ser suprimidas as Universidades de Barcelona e Leida, sendo criada outra de cariz filipino, a de Cervera. O castelhano é proclamado o idioma oficial único, e a língua catalã é banida, proibida por decreto. Assim será, e a Catalunya entra num lento processo de decadência cultural, até 1833 quando o Estado Espanhol será obrigado a reconhecer a provincia como entidade territorialmente unificada.

Durante a revolução, em 1869 o povo organizou-se e tomou nas suas próprias mãos a tarefa de demolição do quartel da Ciutadella, cujos terrenos livres (do antigo bairro del Born cujas ruinas arqueológicas recuperadas em parte se preservam hoje sob o coberto metálico do antigo mercado) dariam depois origem ao jardim que tem o mesmo nome. A partir do século XVIII os catalães embarcam na grande epopeia da colonização do Novo Mundo, que de um modo geral enriquece (a burguesia) do território. Gaspar de Portolà i Rovira, cuja estátua se situa hoje no alto do castelo sobre o porto, será o primeiro governador espanhol da Califórnia e a familia Guell, que enriqueceu com o negócio escravo das plantações de açúcar em Cuba, já no século XX encomenda a Antoni Gaudi o famoso parque que tem o seu nome e numerosas outras obras que hoje são ícones turisticos da cidade. Porém nenhuma destas novas memórias construidas e alimentadas com a exploração imperialista selvagem de outros povos, faz esquecer as velhas memórias das selvagerias antigas – Esta breve história aqui relatada é só para que se compreenda porque se queimam ainda hoje bandeiras espanholas e retratos do rei designado pelo ditador fascista Franco, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, na Diada, o Dia Nacional da Catalunya a 11 de Setembro, e se compreenda o sentimento de independência que está ali mais vivo que nunca,

sexta-feira, dezembro 12, 2008

a CIA vírgula, o ministro Amado e os Direitos Humanos

Portugal, disse o ministro, está disposto a acolher os prisioneiros do campo Gitmo X-Ray em Guantanamo, "mas apenas aqueles que não são alvos de acusações" Fez bem, ou como bom moço de fretes remunerado conforme a subtileza da jorna, foi obrigado a fazê-lo, conforme anunciava um destes dias a Newsweek: "detainees are cleared for release, but the Bush administration has not been to find a country willing to take them" - e o governo português achou que temos o clima ideal para esconder os objectos descartáveis dos crimes dos outros. O ministro dos negócios estrangeiros com os neocons dá assim o aval do Estado português às ilegalidades cometidas sobre inocentes que agora pretende libertar, à imagem de Bush saindo pela porta das traseiras, sem grandes broncas : a prisão indiscriminada de pessoas, o seu rapto e transporte para prisões secretas e campos de concentração, a detenção dos prisioneiros sem culpa formada e a submissão destes à prática de técnicas de tortura aprovadas em tempo pela secretaria de Estado norte americana - de notar que a administração Obama pretende manter os dois responsáveis por estas "legislações" e práticas: Michael Hayden, o director da CIA e Mike McConnell director da National Intelligence

Observando uma das raras fotografias piratas que saem cá para fora dos aviões da CIA, será o ministro capaz de nos explicar porque tapa o guarda- prisional- militar norte americano a cara no momento em que se capta a imagem? - pois se é tudo legal! e se ninguém deve prestar contas, porque o fará? - com esta proposta de colaboração o ministro português (para mal dos nossos pecados) passa em definitivo à categoria de artista, uma matéria prima escassa; e, como Portugal tem um problema de gestão com a representação à Bienal de Arte de Veneza, porque não propomos para curador do evento o Dr. Durão Barroso (PSD) e enviamos a pessoa do dr. Luis Amado (PS) agregado ao conteúdo humano intacto de um destes aviões para exposição escultórica in vivo?
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quinta-feira, dezembro 11, 2008

Andreas Grigoropoulos 1993-2008

"eu vos digo, é preciso sentir o caos dentro de si, para dar luz a uma estrela dançarina"
Nietzsche
um jovem adolescente, cidadão europeu, é assassinado a sangue frio por dois policias numa rua de um subúrbio de Atenas. Passado dias o depoimento que o criminoso fardado Epaminondas Korkoneas apresenta em sua defesa é o seguinte:
“Vimos um grupo de cerca de 30 jovens à distância de 10 ou 15 metros de nós, não fomos capazes de interceptar o seu movimento agressivo em nossa direcção e ficámos amedrontados temendo pelas nossas próprias vidas; então voltámo-nos de costas para eles. Ao mesmo tempo, a fim de assegurar que seríamos bem sucedidos em assegurar a nossa fuga, em estado de choque e vendo que a turba não parava de avançar para nós, apesar de o meu colega lhes ter arremessado uma granada de alarme, puxei da minha arma e guiado pelo instinto de sobrevivência disparei dois tiros de aviso para o ar, talvez um terceiro tiro, sem ter dado por isso, conforme me lembrou o meu colega mais tarde” - o seu advogado, Alexis Kougias (um nome a recordar) comentou para as televisões a seguir a ter entregue o documento: “A partir de agora estará nas mãos da justiça da Grécia decidir se o jovem foi morto por justa causa ou não” (fonte)

A partir de um primeiro andar contíguo à zona onde o crime foi cometido alguém estupefacto filmou a cena em vídeo. Não há vestígio de qualquer ajuntamento de pessoas. Apenas um carro da policia que pára numa rua semi deserta, percebem-se alguns, poucos, transeuntes e o som dos disparos na noite. Uma testemunha conta o que viu: “Vi o carro patrulha virar a esquina no cruzamento e seguir, mas um minuto mais tarde os dois condutores voltaram atrás. Vinham os dois armados e dispararam sobre o miúdo sem qualquer razão – P: Você viu se eles fizeram pontaria? – R: Sim, eles apontaram as armas – P: não dispararam para o ar tiros de intimidação? – R: Não, eles atiraram sobre os miúdos que estavam ali. P: Eles não viram o jovem cair morto? R: Sim, alguém gritou que o miúdo estava ferido, mas eles viraram as costas e foram-se embora”

cabe ao governo da Nova Democracia de Kostas Karamanlis, e aos homólogos da oposição "socialista" que alternam com os neocons, explicar que espécie de cães de guarda têm eles andado a fabricar, treinar e a armar durante os 30 anos que levam de governo. Para já a resposta vem sob a forma da terrivel onda de repressão que se tem abatido sobre os protestos populares, que já causou outra morte. Neste simulacro de Lei e Ordem, como antes no regime nazi, as vítimas são sempre culpadas

* A falta de empregos - fundamentalmente entre a juventude - e os inúmeros escândalos políticos de corrupção (de onde nunca saem culpados) contribuem para lançar mais gasolina na fogueira.
O desemprego entre os jovens de 20 a 25 anos no ano passado foi de 22,9%, o pior nível de toda a União Europeia.
ver: as origens do capitalismo grego

* o Movimento da Esquerda Anticapitalista Unida

* a IV Internacional e o rastilho para a Revolução Social na Europa

* aquilo que a imprensa não conta: O caixão branco com os restos mortais de "Alexis" desaparece das imagens dos reporteres ao fim de segundos; as imagens seguintes continuaram a ser as dos distúrbios e os enfrentamentos levados a cabo pela policia de choque
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quarta-feira, dezembro 10, 2008

no aniversário da carta dos Direitos Humanos

os Clintons e o modelo WalMart

No dia em que foi conhecida a nomeação de Hillary Clinton para secretária de Estado (de facto com acordo de partilha concertado à muito) as acções da WalMart subiram 3,6 por cento, apesar do forte clima de desvalorizações em bolsa da generalidade das acções nos mercados.
(outra empresa beneficiária das nomeações de Obama foi o Citigroup, do qual de repente se deixou de ouvir falar de crise, mal se soube que o judeu Robert Rubin, membro do CFR, ex-ceo da Goldman Sachs, ex-secretário de Estado do Tesouro de Bill Clinton, que entretanto exerceu o cargo de administrador do Citigroup de onde recebeu 50 milhões de dólares, seria nomeado como conselheiro económico do novo Presidente para coordenar os seus 4 discípulos: Timothy F. Geithner, Peter R.Orszag, Lawrence E. Summers e Jason Furnan – mais uma autêntica festa de casamento de judeus no Tesouro americano)

Concertado com a tomada de posse de uma nova administração da WalMart em Janeiro de 2009, coincidindo com a investidura de Obama, toma também posse como ceo da empresa, Mike Duke um judeu nascido na Geórgia, que desenvolverá a multinacional para um novo salto em frente que prevê alargar o conceito de “supercentro” trazendo as lojas para os grandes aglomerados populacionais (até aqui com preços de terrenos proibitivos) e criando novas formas de pagamento desenvolvidas em parceria com a Verizon (foi a Wal-Mart quem primeiro desenvolveu e vulgarizou o uso dos cartões Visa)

A Wal-Mart é a maior empresa retalhista do mundo e isso não acontece por acaso. Hillary Clinton foi nos anos 80 uma das suas primeiras responsáveis no projecto criado pelo judeu Samuel Watson no Arkansas*. Na medida em que a empresa cresceu,,, cresceu também a capacidade económica de colocar o jovem advogado, esposo de Hillary, na governação do Estado do Arkansas*; e por fim na presidência dos EUA na década de 90.
Quando em Maio de 2008 aconteceu o terrível terramoto na província de Sichuan, a Wal-Mart aprovou e canalizou de imediato donativos no valor de 3 milhões de dólares. Esta rápida resposta fica a dever-se à estratégia da empresa, que sabe ser a China uma peça vital na sustentação do sistema que fez eclipsar o proletariado da vista das sociedades ocidentais. E, devido à crise, só nos últimos meses fecharam 7000 empresas chinesas por falta de encomendas, na zona especial da província de Guangdong (a mítica Cantão), o centro económico financeiro estatal que controla o comércio com o exterior e administra a grande maioria das exportações.

A Fundação William J. Clinton foi criada em 1997 para providenciar fundos para a “biblioteca com o espólio do presidente” em Little Rock no Estado de Arkansas*. Mas a partir de 2001, a organização expandiu-se sob o chapéu de chuva das iniciativas sem fins lucrativos e desde então tem gerido centenas de milhões de dólares. (até o "nosso" Dias Loureiro lá molhou a sopa, não sabemos se para tirar, se para pôr a prazo) No último ano de que há dados disponíveis, em 2005, as doações foram de 80 milhões de dólares (apenas naquele ano), para fins tão diversos como a luta contra a sida, desenvolvimento de países ou para o combate às alterações climáticas. Embora estas verbas tenham destinos tão altruístas o ex-presidente recusa-se a dar informação sobre as entidades ou indivíduos que fazem tão generosas ofertas. Mas algumas averiguações têm permitido determinar quem tem tanta capacidade para olear por um período tão longo a formidável máquina de fazer dinheiro dos Clintons. Até porque alguns desses indivíduos são os mesmos patrocinadores que ofereceram graúdas contribuições para a campanha presidencial de Hillary Clinton.

1. Parece ser inquestionável que os Clintons têm laços estreitos com os investidores árabes cujo centro moderno é hoje no Dubai – Clinton é conselheiro especial de uma companhia de investimentos do multibilionário Ron Burckle, a Yucaipa, que maneja subsidiárias que gerem fundos árabes em grande parte investidos na China. E Clinton recebe grandes dividendos desses fundos de investimento, muitos deles disfarçados de pagamento por conferências, pagas a meio milhão de dólares por cada uma. Os Emiratos registam também uma grande contribuição para a “biblioteca do presidente” – e a biblioteca gere cursos de formação para jovens estudantes das nações árabes alinhadas com a oligarquia do petróleo. Foi sobre este caso que a administração Obama exigiu uma declaração de (des)interesses antes de nomear Hillary.
2. Outra velha desconfiança sobre a ascenção dos Clintons é que recebem dinheiro da China, uma questão que nos leva de novo às raízes do negócio da Wal-Mart. No entanto as ligações são mais graves que essas - basta comparar o mapa das decisões de Bill Clinton respeitantes à China durante a sua administração e as contribuições de muitos milhões para o Partido Democrata durante a Presidência do investidor sino-americano Johnny Chung e de Bernard Schwartz, chairman da Loral Space & Communications, e depois que o mandato terminou doados à Fundação – Clinton é um confesso defensor do Governo Mundial em gestação e os segredos militares não escapam à lógica comercial - tal como as mercadorias da Wal-Mart, são para partilhar

* relacionado: "The Walton Family Foundation"
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terça-feira, dezembro 09, 2008

ensaio sobre a cegueira,,, da guerra

“Estamos sempre mais ou menos cegos… Como custa tanto arranjar dinheiro numa emergência e, agora, de repente, saltam milhões! Onde estavam? Apareceram para salvar vidas? Não. Apareceram para salvar bancos,,
José Saramago

Pulido Valente não vê na presente situação nenhum “novo paradigma económico” e atira-se (como aliás faz a ex-ministra Teresa Caeiro do CDS e o zombie Vicente Jorge Silva) como gato a bofe aos “esquerdistas furibundos, o BE e o PCP, que criticam genericamente o neoliberalismo”, o qual fingem não perceber o que seja. Como se vê a matilha está afinada; do PSD não vale a pena falar, do CDS se poderá recordar que foi praticamente banido do mapa depois das eleições que culminaram a prestação do governo de coligação Durão Barroso/ Paulo Portas que celebrou a Acordo das Lajes. Da esmagadora maioria absoluta de votos que o protesto popular deu então ao PS tem-se visto o que José Sócrates lhes tem feito. De qualquer destas três entidades, acrescentadas pela adição de Cavaco, eleito de boca fechada por uma unha negra, se pensará que o povo esquece quem são, de onde vieram, para onde pretendem ir, e com que meios. Obviamente, do dinheiro de que Saramago não viu a fonte, até à abstracção da “recapitalização dos bancos” de Pulido Valente, ninguém foca a economia oculta, a única "indústria" que os alimenta a todos: a da Guerra

A Lockheed Martin, é o maior fabricante norte-americano de equipamentos militares
Em 2001 (no ano da bojarda Barroso) e na sequência do crash da Bolsa norte americana, a empresa tinha acumulado um prejuizo de US$ 1 bilião de dólares líquidos. Porém tudo mudou com a “guerra ao terrorismo”. O seu director Bruce Jackson, igualmente um dos mentores do grupo redactor do plano neocon PNAC, em 2002 anunciou um aumento de 11% nas vendas, atingindo US$ 26,6 biliões, com lucros líquidos de US$ 500 milhões, e em 2007 atingiu US$ 74,8 biliões de armamento produzido.
A viragem na Lockheed foi suportada em muitos dos seus produtos básicos e rentáveis, como o caça F-16, e no aumento dos gastos do governo norte- americano em equipamentos de vigilância electrónica e em sistemas militares de mísseis. A Lockheed angariou aumentos substanciais encomendas para aviões de combate para os anos seguintes, entre as quais as feitas pelo Estado Português na pessoa do ministro Paulo Portas. (que pelo feito económico, sem contar com os submarinos e as famigeradas contas das contrapartidas que lesaram o Estado, arrecadou uma medalha do Pentágono)

Que representatividade tem o partido do ex-ministro Portas para José Sócrates ofender a população portuguesa com a perspectiva de coligação com um potencial arguido em inúmeros casos que estão (ou deveriam estar) sob a alçada da justiça? - apesar da atenção desviada para os recentes escândalos da Banca, em lista de acrescento na gestão danosa do Estado, estão também mais estas gradas figuras do regime

segunda-feira, dezembro 08, 2008

ataques demolidores contra a NATO

Um manto de silêncio paira sobre a acção de guerrilha que ontem foi levada a cabo na linha de abastecimento que parte do porto de Carachi no Mar Arábico, Paquistão. Não é o primeiro, apenas mais um dos muitos ataques que já se converteram em rotina; porém trata-se do maior golpe de sempre na região levado a cabo contra a logística que suporta as tropas invasoras do Afeganistão. Dois terminais de descarga foram atacados e 160 camiões, atrelados e contentores com “humvees” foram destruídos com bombas incendiárias; O material era destinado às tropas dos Estados Unidos e seus Aliados, alvos do ataque, segundo as autoridades, contra a linha vital de transporte de material bélico e de abastecimento. (mais de 300 camiões com contentores atravessam a fronteira diariamente).
O comando administrativo do exército da organização criminosa NATO comunicaram de imediato que os prejuízos em material e veículos têm um impacto mínimo no esforço de guerra contra a insurreição no país que é, confirmadamente após oito anos da invasão, o maior produtor de droga mundial. Porém, oficiais em privado confidenciaram a jornalistas ocidentais que é um ataque muito grave que afecta de imediato a estratégia no terreno. Temem agora que se agudize o cerco em torno de Peshawar (onde já esta manhã foi atacado mais um terminal de transporte da NATO) com a finalidade de bloquear a rota de abastecimentos através do famoso desfiladeiro de Kyber por onde passam 75 por cento dos abastecimentos.

Porém, vendo as coisas pelo ângulo do complexo político militar, este tipo de situação até lhes dará jeito - na economia de guerra a destruição está na base do desenvolvimento da produção. Pelo que o silêncio em redor destes ataques é comprometedor, uma vez que são incentivos habilmente introduzidos para a prometida intervenção acutilante da administração Obama no Paquistão/Afeganistão.

Actualizações

1. com quase dois dias de atraso, como compete à obsoleta imprensa escrita telecomandada pelas agências governamentais, o editorial de hoje do Público vem inverter a leitura dos factos e ligá-los aos atentados de Mumbai, abençoando a NATO como organização humanitária. Tudo pré- programado, Obama master voice: "o ataque aconteceu um dia depois de surgirem em Bombaim, índícios que reacendem a pista islâmica global (!) em detrimento da versão oficial indiana, que tendia a culpar o Paquistão pelo morticínio (...) se não forem tomadas medidas sérias para detectar e neutralizar os focos de terrorismo islâmico radical (...) etc. etc.

2. Quem são exactamente os insurrectos afegãos?
3. os Talibans reconquistam e controlam de facto 72% do território
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domingo, dezembro 07, 2008

Zeitgeist Addendum

Não é um sinal de saúde estar feliz e bem ajustado a uma sociedade profundamente doente
Jiddu Krishnamurti

Quem viu o documentário Zeitgeist compreendeu que o dinheiro é criado como dívida (Money as Debt); No entanto esta versão complementar intitulada Zeitgeist Addendum necessita de alguns esclarecimentos. O que os Bancos fazem, ao emprestar dinheiro, é aceitar promissórias de pagamento em troca de crédito sobre valores que de facto não existem. Porém, somente Deus poderia criar valor a partir do nada, e o Deus que está no céu, está comprovado cientificamente, é coisa que não existe, excepto nas cabeças fundamentalistas que se abanam frente ao muro das congratulações. Mas das crenças antigas permaneceu o Diabo, materialmente incarnado na instituição Imperial que emite a moeda universal e dissemina a dívida à quasi totalidade das entidades bancárias do mundo: o Sistema da Reserva Federal. A receita do endividamento foi aplicada em primeiro lugar aos próprios cidadãos dos Estados Unidos (1); as políticas do governo basicamente são forjadas pelas corporações historicamente herdeiras das grandes famílias dos banqueiros judeus (os Rothchilds, Warburgs, Morgans, George Soros, Goldman Sachs, o Citibank é na verdade o Banco Rothschild e a J.P Morgan é a holding da General Motors, etc.) As decisões destes pistoleiros económicos são apresentadas aos gentios pelos líderes políticos, e tornam-se políticas governamentais ao serviço da doutrina Sionista dos Estados Unidos de Israel – na verdade aquilo que parecia ser a mão invisível de Adam Smith tem nome. Mas o filme é omisso neste propósito; e põe as culpas em conceitos nihilistas como “instituições religiosas, políticas e exércitos” sem concretizar quais e como funcionam. Ignora as macro- estruturas organizadas de dominação, não as nomeando em concreto, e atira as culpas de todos os males da sociedade para noções vagas como o “sistema capitalista selvagem”. Simplesmente não é verdade que a luta contra isto “dependa só de si e de mais ninguém” (2) numa espécie de anarquismo esotérico. Contra este tipo de comportamentos ingénuos são necessárias estruturas colectivas de classe onde se organizem os impulsos individuais que por si só serão sempre inconsequentes.

A versão completa de Zeitgeist Addendum pode ser vista aqui. Quem preferir ver em pequenos episódios de uma série de 12 pode fazê-lo seguindo estas ligações:

Parte 1/12 - 10min.57seg. (legendado em português)



Parte 2/12 - Parte 3/12 - Parte 4/12 - Parte 5/12 - Parte 6/12 - Parte 7/12 - Parte 8/12 - Parte 9/12 - Parte 10/12 - Parte 11/12 - Parte 12/12

Nota (1) a última vez na História dos EUA em que a dívida nacional foi completamente liquidada foi em 1835 depois do presidente Andrew Jackson fechar as portas do Second Bank of the United States (o 1º Banco Central tinha sido fundado em 1791), a instituição que precedeu a Reserva Federal. Thomas Jefferson, em 1798, já pretendia obter a aprovação de uma emenda à Constituição que impedisse os privados do poder privilegiado de emprestar dinheiro. Na verdade, só Jackson o conseguiria quando toda a sua plataforma política girou essencialmente em torno do seu compromisso em encerrar o Banco Central: "os grandes esforços que o banco actual fez para controlar do governo... não passam de premonições do destino que aguarda o povo norte-americano, sejam eles iludidos pela perpetuação desta instituição ou, pelo estabelecimento de uma outra igual" - Infelizmente esta mensagem teve um curto espaço de tempo de vida. E os banqueiros internacionais tiveram sucesso ao instalar outro Banco Central em 1913, a Reserva Federal. E, enquanto esta instituição e a rede global que comanda existirem, a escravização das populações pela dívida perpétua e pela cobrança de juros está garantida

Nota (2) Zeitgeist Addendum foi apresentado em Lisboa, com a presença do realizador Peter Joseph, no âmbito do Artfestival sem que quase ninguém desconfiasse
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sábado, dezembro 06, 2008

os Dias da Utopia

“A esta altura, que aconteceria se lhes propusesse a lei dos habitantes da Ilha dos Bem- Aventurados que não vivem muito longe da Utopia e cujo rei, no próprio dia em que toma posse do poder, por juramento, acompanhado de muitos sacrifícios rituais, se compromete a não possuir de capital mais de mil moedas de ouro?. Dizem eles que esta lei foi estabelecida por um rei excelente, para quem contava mais a prosperidade do seu país do que a sua riqueza pessoal (ou da sua Corte) que o mesmo é dizer que não seria admissível acumular mais dinheiro quando isso provocasse miséria no povo. De facto, este capital afigurava-se bastar quer ao rei para se opor a qualquer rebelião quer ao reino para combater incursões inimigas. De resto, era insuficiente para incentivar ambições alheias. Esta era a razão principal do estabelecimento da lei. A segunda razão era ter-se julgado que era bom programa não haver falta de dinheiro a circular para as transacções dos cidadãos no dia-a-dia e que, se ao rei se tronava obrigatório distribuir o que tinha amealhado acima da medida legítima, não haveria ele de andar em busca de ocasiões de violar a lei. Tal rei seria odiado pelos maus, mas apreciado pelos bons.

Se me atrevesse a introduzir estas e outras reflexões do mesmo teor junto daqueles homens, de si inclinados fortemente em sentido contrário, não estaria eu a contar uma história a surdos?
Na realidade, para te dizer a verdade que levo no meu coração, muito embora me pareça que, em toda a parte em que há propriedade privada, em que todos medem tudo por dinheiro, dificilmente alguma vez aí se poderá chegar a promover a justiça de Estado ou a prosperidade; a não ser que se presuma que se actua com prosperidade quando tudo é repartido entre um pequeno número de indivíduos, que com nada se sentem saciados, enquanto os outros são condenados á miséria”

Esta palavras foram escritas por Sir Thomas More no século XV, inspirado pelas perspectivas que se abriam à humanidade com a descoberta de novas terras e de novas formas de gerir os seus governos. Algumas braçadas na globalização depois, no ano 2000, o mesmo em que Bush subiu aos céus de Washington, More foi canonizado pelo Papa JPII e declarado "Patrono dos Estadistas e Políticos"

É justamente isso o que eu diria: “junto dos príncipes não há lugar para filosofia

a revista Visão publica um dossier sobre os últimos casos conhecidos dos escândalos que atingem o regime de bloco central de negócios, com efeitos agravados desde que lugar do príncipe foi usurpado aos legítimos anseios do povo por Cavaco Silva. São oito páginas de leitura muito profícua, cujas ligações aqui ficam registadas para a memória que se apaga em dia de ritual de votos inúteis. Votatis votantis, o pobre, lá bem no íntimo, gostava de ser ele a cometer as vigarices do rico; estais todos perdoados, como diria a santa madre patrona que pariu os papas

* Dias Loureiro, a anatomia de um intocável conselheiro de Estado
* Secretário Geral: quando o psd era pequenino
* Loureiro e Cavaco: qual de cada um dos monstros produziu o outro?
* Luxos caros, uma imagem de marca em comum com o PS
* Loureiro, o ministro da repressão na ponte 25 de Abril
* a pose de Estado: Corrupção ou a 2ª morte do cavaquismo
* negociatas transnacionais: BPN perdeu 42 milhões com amigo libanês
* Dias&Coelho, o "valor alternativo" da fraude ao fisco
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sexta-feira, dezembro 05, 2008

a Nova Ordem

o blogue Arrastão, uma coisa supostamente "de esquerda", entranha-se no sistema e insere publicidade paga na divulgação (com ligação) a uma iniciativa sobre a crise levada a cabo por notáveis conservadores do regime (Menezes Leitão, Passos Coelho, Vasco Rato, Assunção Esteves,etc), os quais seria suposto a esquerda combater, em vez de publicitar

para os cépticos que se recusam a aceitar a influência da revolução soviética na construção do que foi o capitalismo europeu é muito importante levar em conta a análise de um marxista de uma linha autónoma estritamente europeia, e as considerações sobre a situação que nessa mesma época, em 1919, lhe eram pertinentes. Como se poderá constatar, a visão de Gramsci era a visão de um génio, por isso foi encarcerado e lentamente assassinado na prisão. O crime é a praxis da burguesia. Mas hoje "a oposição" prefere frequentar chás canasta com ela. Como se chegou aqui?

(…) “estuda, na história tanto as forças económicas como as espirituais, estuda-as nas interferências recíprocas, na dialéctica que se desprende dos embates inevitáveis entre a classe capitalista, essencailmente económica, e a classe proletária, essencialmente espiritual, entre a conservação e a revolução. A demagogia, a ilusão, a mentira, a corrupção da sociedade capitalista não são acidentes secundários da sua estrutura; são inerentes à desordem, ao desencadeamento de paixões brutais, à feroz concorrência na qual e pela qual vive a sociedade capitalista… As pregações, os incitamentos, as razões morais, os raciocínios, a ciência, os “ses” são inúteis e ridículos. A propriedade privada capitalista dissolve qualquer relação de interesse geral, torna as consciências cegas e turvas. O simples lucro acaba sempre por prevalecer sobre todos os bons propósitos, sobre todos os idealismos superiores, sobre todos os programas morais; para se ganharem cem mil patacos condena-se à fome uma cidade; para se ganhar um milhão de milhões destroem-se vinte milhões de vidas humanas e dois mil milhões de milhões de riqueza. A vida dos homens, as conquistas da civilização, o presente, o futuro estão permanente- mente em perigo”

(…) “e pode-se até mesmo afirmar que, enquanto todo o sistema da filosofia da praxis se poderá tornar caduco num mundo unificado, muitas concepções idealistas, ou pelo menos alguns dos seus aspectos, que são utópicos durante o reino da necessidade, poderão vir a tornar-se “verdade”. A própria filosofia da praxis pode tender a tornar-se uma ideologia acrítica e ceder às necessidades exteriores e pedantes da arquitectura do sistema e limitar-se a idiossincrasias individuais

(in Cadernos do Cárcere, publicado em 1975)

quinta-feira, dezembro 04, 2008

a luta em defesa do Ensino Público

frases do dossier do Público de hoje
Pelo meio do alarido geral em que se transformou a luta dos professores, uns à direita tentando transmitir o maior número possível de danos ao “governo socialista”, outros à esquerda do governo não explicando que o desmantelamento do ensino público, pois é disso que se trata, se fica a dever a um programa mais vasto e importado pelo neoliberalismo: destruir o ensino público para depois dar novas oportunidades à privatização da função; entre números de adesão de uns e outros, e com a opinião pública completamente baralhada, ninguém percebe já muito bem como tudo começou:
o Decreto Regulamentar nº3/2008 estipula que, doravante, para se exercer actividade docente num estabelecimento de ensino público pré-escolar, básico ou secundário não chega o grau académico de mestre. É preciso aprovação numa prova de avaliação de conhecimento e competências concebida e organizada pelo Ministério da Educação (1)
Ou o modo como se formam os professores é uma treta, ou na fila para formatura à porta dos guichets do Ministério trata-se de buracratizar ao máximo a função expelindo pelo caminho aqueles que não caibam no restritivo orçamento de Estado. E nesta perspectiva neoconservadora e economicista da Educação estão conluiados os dois maiores partidos sobre a égide esfingíca de sua excelência o presidente da república.
Para estas três estarolas entidades ao serviço da Banca e da Sociedade dos Accionistas, (neste como noutros ramos sob tutela pública), é preciso criar novas áreas de negócio a um capitalismo ferido de morte. A resposta não pode estar em meras reinvindicações de classe profissional aceitando para resolução da crise soluções de “capitalismo de rosto humano, de melhor gestão e mais ética” na forma do palavreado com que desprezam os excedentários exércitos sociais de reserva, mas sim na extensão da luta a todos os sectores da sociedade, estudantes, operários e quadros intermédios proletários, enfim, a todos os oprimidos, até se conseguir a expropriação dos banqueiros e dos grandes monopólios, colocando as decisões debaixo do controlo democrático da maioria da sociedade.

(1) Santana Castilho: Procedendo assim, o ME vem dizer, entre outras, duas coisas, que não confia nas instituições de ensino superior que formam professores e que nós, portugueses, não devemos confiar no Estado (ler mais)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

o Priorado do Cifrão

(…) "era um mocho próspero (enfim, relativa- mente) e detentor de autoridade.
O segundo homem estava submetido a essa autoridade, mas isso não o incomodava – isto é, na aparência, somente; o seu à-vontade era um esforço que fazia para salvar o ego, já prejudicado por uma estatura reduzida e um não-sei-quê de insignificante. Numa voz arrastada, para não parecer nervoso ou ansioso, disse:
- Bem, isso é verdade, objectivamente. Mas, mais cedo que tarde, o puto vai desconfiar. Se é que não desconfia já. É impossível manter tanto tempo uma operação como esta sem que…
o mocho próspero atalhou:
- Só é impossível se alguém fizer asneira.
- Justamente!, exclamou o outro. – E quando as coisas se prolongam, alguém acaba por fazer uma asneira qualquer. É dos livros.
Abanando a cabeça sabiamente o mocho retorquiu:
- Dos seus livros, talvez, mas não dos meus" (…)

* transcrito com a devida saudação ao autor, que aqui desmonta o submundo dos sucessos comerciais de romances ligeiros e telenovelas escritas de grande consumo (no caso o Código daVinci) - "De facto, um autêntico mundo cão. Porém, tal como na passagem do Império Romano para a Idade Média, os monges isolados em conventos mantiveram acesa a chama da cultura, assim hoje, segundo o romance, serão igualmente os intelectuais (professores, alguns editores, cientistas, romancistas, artistas...) a manter a mesma chama acesa"
* ler recensão no Jornal de Letras
* excerto do livro, as primeiras quinze páginas aqui
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da Sociedade dos Banqueiros

e das viagens dos seus beneméritos que legam lustrosos
elefantes
aos incrédulos súbditos do reino

«É de esperar que, cada vez mais, os nossos homens de negócios bem sucedidos dêem exemplos visíveis de partilha, de solidariedade, contribuindo pessoalmente para que as novas gerações beneficiem de um Portugal mais justo, coeso e progressivo»
Cavaco Silva em 2006

O presidente da república falava em presença do "Grupo de Empresários pela Inclusão". Na assistência estavam os destinatários do discurso, entre outros, os banqueiros Paulo Teixeira Pinto e Jorge Jardim Gonçalves (Millenium BCP), entretanto destituidos por falência, José Oliveira e Costa do Banco Português de Negócios entretanto preso implicando um conselheiro de Estado no escândalo, e João Rendeiro do Banco Privado Português. Este último, como benemérito do partido das causas nobres, tomou a seu cargo o pelouro da Pobreza, uma vez que que já tinha estado em Nova Iorque em Setembro de 2005 tendo em vista a formação de um “grupo de trabalho” no âmbito da Clinton Global Initiative, (um dos negócios de que Clinton teve agora de prescindir para a mulher poder desempenhar o cargo de secretária de Estado) um projecto lançado pelo ex-presidente Bill Clinton que dispunha de 100 milhões de dólares sabe-se lá deus vindos de onde – de sítio similar, com certeza o erário público, onde o banqueiro Rendeiro esperaria decerto desencantar mais uns trocos. Entretanto a pobreza, pelo menos entre nós, como é sabido, agravou-se. Nada que impedisse recentemente Cavaco Silva de elogiar publicamente a pessoa do presidente do Banco Privado Português que lidera a Associação de Empresários pela Inclusão.
O equívocado elogio afinal parece ficar a dever-se ao facto de a pobreza em causa ser deslocalizada, a iniciativa do benemérito Clinton referia-se à dinamização das relações luso-brasileiras e João Rendeiro tinha criado com interesses sociais e cívicos a Fundação Ellipse, a coberto da qual, para maximizar o dinheiro a investir na “inclusão social” e no “apoio a paises em desenvolvimento” resolveu comprar uma prestimosa colecção de obras de arte.

O BPP em 2006 apresentou lucros de 18,2 milhões de euros e em 2007 de 24,4 milhões; os lucros do Banco Privado Português deram a ganhar cerca de 30 milhões de euros em dividendos pagos nos últimos três anos aos seus accionistas. Embora o BPP tenha caído para uma situação de insolvência e os bancos nacionais tenham 350 milhões reféns da instituição; bancos que, (negócios do Banco de Portugal oblige), não têm agora outro remédio senão salvar o BPP com o aval do Estado no valor dos activos de 672 milhões avaliados segundo o balanço de 2007 entretanto desvalorizados em cerca de 40 por cento. Prevendo o futuro da crise, não será difícil imaginar que o valor dos activos do Banco vão continuar a cair, mantendo-se a obrigação dentro de meia dúzia de meses o Estado ter de cobrir o aval pelo valor inicial de 672 milhões mais juros – “Afinal ainda há amigos que nas dificuldades não fogem, mas estão para nos apoiar a vencer" como dizia no fim de semana Pinto Balsemão, o principal accionista do banco e omnipresente representante do Grupo Bilderberg com reconhecida influência na gestão dos governos em Portugal.

O banqueiro-empresário- de- sucesso, autor do best-sellerJoão Rendeiro – Testemunho de um Banqueiro’ que vendeu o total dos exemplares à familia Cavaco Silva e vizinhos, minimiza a sua contribuição para a bancarrota quando se vencer a dívida aos prestamistas judeus da J.P.Morgan, e entretanto vai salvaguardando a sua situação pessoal:
"Iniciei a actividade sob o meu vínculo à Função Pública, que, aliás, ainda hoje se mantém – apenas pedi uma licença sem vencimento por prazo indeterminado"
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terça-feira, dezembro 02, 2008

o infindável 26 de Novembro (II)

o marxismo foi mais estudado pelos intelectuais burgueses, que o desnaturaram e puseram ao serviço da burguesia,

que pelos revolucionários (...) quer dizer, os filósofos da burguesia chamaram marxismo à constatação que Marx fez dos sistemas que a burguesia adopta, sem necessidade de recorrer a justificações... marxistas na sua luta contra os trabalhadores. E os reformistas, para corrigirem essa interpretação fraudulenta, tornaram-se por seu turno democratas, tornaram-se turiferários de todos os santos des-santificados pelo capitalismo”
Antonio Gramsci

a 25 de Novembro a Direita tinha um plano? – “Há muito que a Direita militar estava em pé de guerra. Entre Outubro e Novembro, aliás, os golpes eram anunciados e desmentidos quase diariamente. Fervilhavam boatos de golpes e contra-golpes, num clima de insegurança que desestabilizava a sociedade civil, mas sobretudo os meios militares incapazes de assimilar tantas contradições.
Mais próximo dos acontecimentos ( uma semana antes), a Base Aérea de Cortegaça foi posta em estado operacional para receber os 123 oficiais de Tancos que abandonaram a base. Bem como os 500 páraquedistas do Coronel Almendra que tinham regressado de Angola, numa acção concertada com o nome de código “Operação Vermelho 8”. Quando os páras saem, a Direita militar já tinha posto em acção um comando operacional centrado fundamentalmente em Jaime Neves e em Pires Veloso”. (fonte)

uma declaração bombástica do fascista reformado ex-comandante da região militar do Norte em 1975 abalou Sua Excelência, a Eminência parda do regime em 2008:
Foi tudo pré fabricado para fazer de Eanes um herói

clique no recorte (Publico 26/11) para ampliar
o golpe que há 33 anos trouxe de volta outro regime fascista com um renovado vigor capitalista teve uma longa gestação. Tudo se passou, à revelia das forças populares, dentro do seio da Aliança Povo-MFA, mas não tanto do “povo”, para quem ao PCP só interessava contar cabeças votantes; enquanto o PS era alimentado financeiramente do exterior pelos americanos, via Fundação Friedrich Ebert, orquestrando acções de rua espectaculares.

Nos confrontos da Estefânia, entre militantes do MRPP e do PCP, Otelo Saraiva de Carvalho, o comandante da Região Militar de Lisboa, mostrou à evidência a natureza de classe do regime saído do putsch militar de Abril; concertado com Mário Soares e Sá Carneiro apostados em destruir de vez a chamada extrema esquerda, Otelo mandou prender em Caxias todos os dirigentes esquerdistas que encontrou. Foram os primeiros presos políticos pós-25 de Abril; que seriam libertados “cirúrgicamente”, sob a condição de se conciliarem com os altos figurões do PS e PSD – cujos directórios começaram a partir daí a canibalizar o léxico dos sectores de esquerda, com a culpa dos intelectuais, que se calaram. Maria José Morgado estava entre os detidos, e o resto da malta também arranjou bons tachos.

Eanes reconhece que “o plano comtemplava a entrega de armas aos civis” confirmando agora que “houve entrega de armas a militantes do PS
Incomodado pela entrevista de Pires Veloso, o Presidente da República Ramalho Eanes (a quem, neste caso, a imprensa por oportuna gaffe ainda confere o tratamento sem o prefixo “ex”) “garantiu que Melo Antunes era marxista e não comunista” mas, os derivativos de Marx, provêm todos de Marx, aquele que redigiu o Manifesto do Partido Comunista. É o oportunismo colado à indiferença dos intelectuais burgueses. E o que fizeram os “comunistas” do partido português? – o General explica a política de caserna às massas: “Otelo percebeu o que estava em jogo e foi para casa” – e o PCP, (comprometido no governo), de quem não se sabe se recebeu armas ou não, conciliou-se com os dirigentes golpistas e mandou os seus militantes fazer o mesmo.
Foi a aplicação prática da política de conciliação de classes importada da extinta III Internacional dominada pela tese de Georgi Dimitrov (“o Socialismo num só país, a "revolução" Nacional interclassista primeiro), e a esperança eterna na famigerada “maioria de esquerda”, a Burguesa, aquela que tem posto os lucros a render nas empresas e bancos TransNacionais.

dos contributos de Gramsci

1. o conceito de “Hegemonia”: Eanes de testa de ferro golpista em 1975 a mandatário de Cavaco Silva em 2006, debaixo da alçada do único partido verdadeiramente organizado da burguesia: a maçonaria europeia
2. o conceito de “Bloco Histórico”: é formado sobre a crença das populações, tendo como pano de fundo a brutalização católica, crendo em homens providenciais como lideres que, como por milagre, sob a aura de uma honestidade fictícia (aparentemente desligados das clientelas partidárias) manipulam a opinião pública e levam a acreditar que vão resolver os problemas de classe do proletariado.

3. sobre a construção do Partido Comunista:
“o erro do Partido foi ter posto em primeiro plano e de modo abstracto o problema da organização do Partido, o que acabou por querer dizer tão só criar um aparelho de funcionários que fossem ortodoxos nos termos da concepção oficial. Acreditava-se e acredita-se ainda que a Revolução depende apenas da existência de um aparelho semelhante e chega-se a acreditar que a sua existência pode determinar a revolução... Não se concebeu o Partido como resultado de um processo dialéctico em que convergem o movimento espontâneo das massas revolucionárias e a vontade da direcção do centro, mas simplesmente como qualquer coisa suspensa no ar, que se desenvolve em si e para si e a que as massas acabarão por chegar quando a situação for propícia e a crista da vaga revolucionária atingir a sua altura máxima, ou quando o centro do Partido considerar que deve dar início a uma ofensiva e desça até à massa para a estimular e a levar à acção... A verdade é que historicamente um partido não é definido e nunca o será. Porque só se definirá quando se tiver transformado no conjunto da população e tiver desse modo desaparecido”

Chegam portanto atrasadas 33 anos e num contexto completamente diferente (numa paisagem desolada)
as declarações do secretário geral do PCP agora que afirma "não fará alianças com a esquerda dentro do PS" de Manuel Alegre que alimenta ilusões enquanto tenta suster a subida dos "comunistas" ... nem com a "indefinição ideológica" do BE no seu "carácter social-democratizante disfarçado por um radicalismo verbal esquerdizante"
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segunda-feira, dezembro 01, 2008

A Censura Subtil

publicado no 8ª Colina:
“o livro do jornalista de investigação Paul Moreira, luso- descendente, “As novas censuras... nos bastidores da manipulação da informação”, publicado em Fevereiro pela Europa-América, centra-se na sua experiência como editor de um programa de reportagens de investigação, “90 Minutos” num canal privado francês, o Canal Plus. Nas democracias actuais, controlar a informação não é proibir, mas antes jogar influências, organizar o espectáculo. O autor afirma que vivemos um paradoxo: numa sociedade cada vez mais transparente, as formas de censura e o controlo da informação estão a tornar-se mais subtis. Ele considera que se nas democracias uma censura declarada é impensável, cada vez mais os recursos são investidos no controlo não do que é oferecido ao público, mas na maneira como ele pensa e reage ao que ouve e vê. As notícias, sobretudo as controversas, passam pelo “filtro comunicativo” dos assessores de imprensa, porta-vozes, relações públicas e consultores de comunicação.
Em vez de vivermos numa era de comunicação aberta, estamos, na verdade, vivendo uma nova era de censura feita com tanta subtileza que passa despercebida ao público. Este assunto tem vindo a ser debatido dentro dos próprios meios de comunicação tanto como na página internet do Forúm Internacional de Editores www.editorsweblog.org que constante- mente assinala as pressões exercidas sobre as redacções (principalmente segundo o modelo da escola dos Estados Unidos)

não as engulas, ajuda-as a falir
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