Pesquisar neste blogue

domingo, fevereiro 08, 2009

então e a (in)dependência?

Tem causado alguma polémica através dos debates em curso, a insinuação que uma certa esquerda de cariz social democrata radical propõe para a participação na governabilidade dentro do actual paradigma capitalista. Luis Fazenda, deputado pelo Bloco de Esquerda, (no Le Monde Diplomatique, Fevereiro de 2009), responde à questão, equacionando os problemas do desemprego, subemprego e precaridade em Portugal fazendo o diagnóstico da situação, depois de passar “pelas peripécias das promessas eleitorais de emprego do governo do PS”, do “mal crónico dos responsáveis politicos que se queixam da crise internacional do capitalismo como se a tempestade tivesse caído do céu”; da “escolha do século entre o marxismo e o tipo de capitalismo selvagem à escala global” e do “unilateralismo patronal depois da cultura anti-sindical dos governos liberais”. “Tal como acontece pelo mundo fora, Portugal vai assistir em 2009 a uma subida em flecha dos números do desemprego. É um problema central, num país marcado por insuficientes protecções sociais, por acentuadas desigualdades socioeconómicas e por elevados níveis de pobreza. (inclusive a pobreza laboral, ligada a vínculos precários e a um modelo assente em baixos salários). Que instrumentos podem ser accionados ao nível de politicas sociais e de investimento público para enfrentar o desemprego?

Tirar a politica do offshore

(…) “É tempo de a politica determinar escolhas na economia, depois da primeira vaga neoliberal. A crise global que atravessamos actualmente pode ser a primeira de várias se não houver alterações significativas ao nível do regresso dos Estados á economia, onde prevaleça o vector social. É preciso realmente acabar com a «offshorização» da politica, em primeiro lugar.
As medidas de salvação pública dos bancos quebraram um tabu, mesmo que me tenha oposto à nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) e ao colo oferecido ao Banco Privado Português (BPP), por achar errada a protecção de accionistas e a socialização de prejuízos. Em todo caso, são decisões politicas a preponderar sobre o mercado financeiro. A politica, o Estado representando a cidadania, tem de ir muito mais longe, subordinando, de facto, o poder económico ao poder politico, sancionando o intervencionismo no âmbito de uma economia mista. Isto é tão somente o quadro constitucional português, posto de lado e até demonizado.

Num pequeno país como Portugal, interligado cambial e economicamente com o mercado europeu, é fulcral exigir outra politica europeia, dos critérios monetários ao comércio, à fiscalidade, à divida e ao investimento público. O começo será deitar fora as soluções contidas no Tratado de Lisboa. Quem relê toda a orientação económica do Tratado, que encalhou lá pela Irlanda, depois do tufão de Wall Street percebe o seu anacromismo ultraliberal. Percebe até que todos os governos violaram o Tratado em inúmeros aspectos para fazer face à crise, a começar pelas metas do défice público.
Por cá é forçoso revogar o Código de Trabalho que favorece o desemprego e a precaridade, alargar as protecções no desemprego para defesa das pessoas. É essencial, dir-se-ia de interesse vital, restaurar o sector público na energia baixando o preço dos factores de produção, alargar as funções e o volume dos serviços públicos, qualificar recursos, direccionar o investimento público para fins reprodutivos. Estas são medidas a favor da criação de emprego, prioridade das prioridades.

A barragem do sistema à expansão do sector público assenta em mitos e numa escolha ideológica nunca assumida. O mercado à solta provoca um grau de desperdício nunca antes atingido. Voltar, de modo novo, à racionalidade da utilização de todos os recursos produtivos, sustentá-los na oferta e equilibrados no ambiente, é desejar não ficar pelas intenções quando os serviços de emprego parecem centros de adiados.
Para tanto falta uma viragem politica de monta. O caminho não é fácil nem sorri num instante breve. O neoliberalismo foi ferido na sua dogmática, mas está longe de estar morto como o “capitalismo realmente existente”; não tem ainda, infelizmente, autópsia marcada. É por isso que não faz sentido falar de governabilidade à esquerda sem verificar o conteúdo das politicas a pôr em marcha. Não se pode invocar o poder à toa. Poder é poder-fazer politicas socialistas bem diferentes das mascaradas liberais. Pleno emprego, nem menos, sempre foi o objectivo de todos, do plural movimento socialista. Que sentido têm, além do paradoxo, aqueles que tipificam o desemprego como uma variável, se acham que o desemprego é uma constante?”
.

sábado, fevereiro 07, 2009

Putch - a ONU alerta para o facto da Espanha estar a ilegalizar candidaturas eleitorais sem lhes conceder as garantias processuais exigiveis (para ler aqui)

a Guerra em Rede

"Conhece o teu inimigo, conhece-te a ti mesmo, e não serás derrotado" - Sun Tzu

Se houve alguma coisa de útil que o Poder pudesse extrair das teorias pós modernas e em particular das revisionistas de Tony Negri – essa foi a ideia da contestação social se poder passar a fazer pela actuação de “Multidões” reunidas precariamente a favor desta ou daquela causa ou interesses os mais variados. Ajuntamentos que se dissolvem logo após conquistado o objectivo que juntou as pessoas temporariamente.
Isto leva os Governos a encarar a mudança de estratégia das Oposições; levando muitas vezes as agências governamentais a fabricar ou instrumentalizar contra- informações por forma a que a reacção desses grupos venham a agir em favor dos interesses da ordem estabelecida. Para agravar a questão, o movimento neoconservador roubou até a linguagem da esquerda - “conservadores” são agora os comunistas conotados com a União Soviética, como e porquê querem conservar o quê, se o sistema já desapareceu, não dizem.
As técnicas de controlo da oposição ao Poder mudaram; e tudo lhe é permitido, desde as mentiras compulsivas dos governantes, até ao uso dos tipos de repressão mais brutais, sem quaisquer responsabilidades criminais posteriores. As opiniões adversas são combatidas por guerras que transcendem fronteiras e todos os limites, teorizam Qiao Liang e Wang Xiangsui. Uma guerra sem restrições que se centra na exploração e manipulação dos problemas sociais e políticos. Guerra Mediática e Operações Psicológicas. A Oposição institucional muda de estratégia aproveitando os novos actores políticos que vão aparecendo e desgastando o Executivo com o objectivo de se revezarem num falso sistema de alternância.

Como actua a Guerra de Quarta Geração na Venezuela.

Magnicidio: declarações de jornalistas sobre a morte ou assassinato de Chávez. Séries televisivas sobre o assassinato do Presidente e a invasão da Venezuela. Paralelismos com o caso chileno. Plano de desarticulação social. Cerco militar apoiado no Plano Colômbia. O Plano Balboa que contempla a criação de grupos paramilitares respaldados pelas bases militares dos Estados Unidos em teritórios contíguos. (Bush condecorou Álvaro Uribe)
Exemplos de formas de resistência: Vietname, Cuba e Palestina. Democracia participativa com guerra assimétrica apoiada na unidade cívica entre a população, reservas de milicias populares e militares das forças regulares.

Enxames” o documentário da “Guarataro Films” para a “Venezolana de Televisión” analisa a doutrina de Guerra em Rede, ou a Guerra de Quarta Geração e a sua aplicação na Venezuela. Inclui entrevistas a Miguel Henrique Otero director do periódico El Nacional portavoz do Movimento 2D que promove a desobediencia civil contra o governo venezuelano e Mario Iván Carratú vice Almirante reformado ex-jefe de Casa Militar durante a presidência de Carlos Andrés Pérez durante a repressão violenta ao Cazarolazo de1992 e antigo adido militar venezuelano em Washington – e ainda com Gene Sharp fundador do “Albert Einstein Institution” dos Estados Unidos, inspirador do programa Otpor e protagonista duma polémica com o presidente Chávez, no qual este o acusa de promover o treino de guerrilha do movimento estudantil que se opõe ao regime, uma questão agravada recentemente a partir que o partido de Chávez perdeu o controlo político da Câmara Municipal de Caracas para a oposição.

os Enxamesas regras de criação mudaram - 52:56 – Novembro de 2008



* Na origem do documentário reportagem está a publicação do artigo do Coronel Hector Herrera intitulado “a Guerra em Rede e os Enxames
* ver também: "A Guerra em Rede" e "Swarm Warfare" e modo de usar tácticas de "swarming"
* e a propósito de abelhas que trabalham para rainhas de colmeias, ver a valente descasca que o director do Diario de Notícias deu no Pacheco Pereira (na foto). É lá com eles os dois, mas lá que é giro é
.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

La Boheme

diz-se que foi a primeira ópera proletária (1896), onde dos artistas da boémia nocturna de Paris se nota que salvar-se de morrer de frio - Lorito il becco aprì, da Socrate morì! - é mais importante que preservar as suas obras para a posteridade. Até à época em que Giacomo Puccini compôs La Bohème, quase todos os personagens de ópera até então tinham sido reis, príncipes, nobres, guerreiros, deuses ou heróis da mitologia grega. Os personagens de La Bohème são intelectuais proletários que não têm dinheiro nem para pagar a renda de casa, ainda assim refúgio luxuoso para grandes paixões de párias de menor estatuto social - che gelida manina! se la lasci riscaldar - como a Mimi que acaba por sucumbir tísica. De antologia o quadro em que Schaunard presta homenagem ao sobretudo antes de o ir pôr ao prego: “Adeus velho companheiro que nunca te vergaste perante ricos e poderosos, pelos teus bolsos passaram filósofos e poetas (…) De cada vez que se vê La Boheme, pobres espectadores, enchem-se alguidares de lágrimas (estética e eruditamente derramadas). Quem não quer saber de desgraças é a Musetta, que curte farras na maior, tirando partido da arte de sedução sobre cavalheiros generosos, as mais das vezes até mais por prazer, ganda maluca; se não fosse assim, a alegria de viver versus marxistas macambuzios, como iriam as gentis signorinas nascidas filhas de operário adquirir estatuto para a estreia de hoje no São Carlos?
«nous vivions de l'air du temps»

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Crime, Terrorismo e Castigo

1. Manfred Nowak, o Delegado Especial das Nações Unidas para a investigação da Tortura disse em entrevista à CNN a semana passada que os organismos internacionais dispunham de evidências suficientes para incriminar Donald Rumsfeld pelas ordens directas que autorizou, deu e assinou para a prática de torturas nos Centros de Detenção dos EUA em 2002.

2. Outros criminosos mais recentes, os dirigentes de Israel que ordenaram os massacres em Gaza, incorrem na sujeição ao enfrentamento das leis de direito internacional em vigor, arriscando-se a serem detidos caso pisem territórios estrangeiros ode as autoridades estejam dispostas a aplicar essa legislação.

Um dos casos mais famosos foi a detenção de Augusto Pinochet em território da União Europeia, em Londres, pelo juiz Baltazar Garzòn que procurou aplicar o artigo 23º da Lei Orgânica do Poder Judicial que é incorporado na Constituição Espanhola.

Tzipi Livni, a ministra dos negócios estrangeiros de Israel poderá ser uma das principais atingidas por esta disposição. Horas depois de ser veiculada esta possibilidade, o ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, recebeu uma chamada da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton intercedendo para que a legislação espanhola seja modificada. Tzipi Livni, já denunciada em processos perante a Audiência Nacional já tinha confidencializado que o seu homólogo Miguel Moratinos lhe tinha prometido que mudará a lei para limitar a juridisção dos Tribunais espanhóis para investigar delitos de genocídio cometidos fora de Espanha.

3. Enquanto a lei para exportação é apagada, para consumo interno é reavivada. O juiz super-estrela Baltazar Garzòn assinou uma ordem de prisão para 7 ex-militantes do partido nacionalista Basco Batasuna (organização ilegalizada por motivos políticos em Março de 2003) incriminando-os por fazerem parte da Mesa Nacional de novas associações politicas, a ANV e o PCTV cujas actividades foram também suspensas em 2008, concretamente por terem produzido documentos sobre “Critérios Gerais para a Formação de Plataformas Populares”, veiculados em comícios e que constituiram a infraestrutura da “frente politico-institucional” (para que concorrem agrupamentos como o Batasuna Aurrera, Asko Garelako, Bilgaitezen, Somos Muchos, Unamo-nos e D3M Democracia3Milhões) que fixavam as linhas políticas de acção no País Basco para o período de 2006 a 2010. O auto de detenção invoca “a integração em organização terrorista” e tentativa de apresentação a eleições de grupos conotados com a ETA.

1.2.3. moral das histórias: branqueamento,liberdade e impunidade para funcionários Terroristas de Estado, perseguição para militantes de Associações de Base. Numa palavra: Fascismo (global)
.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

nacionalização e militarização do Ensino

Nas sociedades em que o Ensino não é da responsabilidade do Estado,

e onde para estudar é preciso gastar dinheiro, a maioria das classes pobres raramente o fará. Assim, com a primária, se é que a fez, e sem quaisquer possibilidades de emprego decente chegou o jovem Bryan Julian aos 30 anos. Mas vislumbrou uma hipótese: alistou-se para ir para a guerra no Iraque, onde estudou, e agora já é Guarda Nacional com o posto de Sargento. “Sou oficial da Polícia e estou de regresso a casa, mas a minha definição de “normal” provavelmente é diferente de qualquer outra pessoa” diz ele. Há quem não veja nada de anormal nisto.

mas continua a haver gente burra: “5 manifestantes foram presos e condenados a 60 dias de cadeia quando exigiam o encerramento do aquartelamento “School of the Américas” em Fort Benning”, uma escola militar que treina forças de intervenção junto dos governos e oposições na América Latina.

mais um

Um jovem comandante foi este fim de semana encontrado morto na Base Aérea de Minot. O Capitão Jonathan Bayless, 28 anos, era chefe de operações de suporte ao 91º esquadrão de combate – que manobra aviões equipados para transporte de armas nucleares (mini-nukes). Bayless prestava serviço na “Minot Air Force Base” desde Março de 2005. A Base de Minot começou a estar debaixo de atenção, quando em 2007 apareceram aviões equipados com “nukes” prontas a ser utilizadas, ultrapassando todos os rigorosos procedimentos hierárquicos, sem que na altura se tivesse determinado de onde tinham partido as ordens. O caso esteve na origem de uma série anómala de “suicidios” (sete) entre quadros militares de responsabilidade
.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Ao ver os “prós e contras” de ontem interrogamo-nos se aqueles seriam de facto os intervenientes certos para que se esclareça a opinião pública sobre o regime corrupto que enfrentamos.

Vimos curiosos, como actor principal do fórum, o advogado José M.Júdice, um activista do grupo terrorista MDLP e actual homem forte do falido BPP – preso pelos malvados da Revolução (por andar a dar milho aos pombos) foi na prisão que conheceu António Maria Pereira, com quem viria depois a fundar a maior empresa de advocacia e consultoria de “project governancedo país. Permanece um mistério: porque teria a Rainha Isabel II outorgado o título de “Sir” a António Maria Pereira?
A moderadora interrompe alguém para lhe corrigir a pronúncia de “firestone” e a memória leva-nos à National Gallery em Londres ao majestoso retrato a óleo de Sir William Carr Beresford, o governador britânico de Portugal durante a ausência de D. João VI, ou ali perto de Marble Arch à estátua do Duque de Wellington. Há quem se lembre que, perante a actual crise de défice de produção para alimentar tanta obesidade, a causa dos nossos males modernos começou com a “Convenção de Queluz”. Era a Corte de então muito diferente nos hábitos da actual?

1808. (...) "a Corte chegou ao Brasil empobrecida, destituida e necessitada de tudo. Já estava falida quando deixara Lisboa, mas a situação agravou-se ainda mais no Rio de Janeiro. Deve-se lembrar que entre 10.000 a 15.000 portugueses atravessaram o Atlântico com D.João VI. Para se ter uma ideia do que isso significava, basta ter em conta que, ao mudar a sede de governo dos Estados Unidos de Filadélfia para a recém-construida Washington, em 1800, o presidente John Adams transferiu para a nova capital cerca de 1.000 funcionários. Ou seja, a Corte portuguesa no Brasil era entre 10 a 15 vezes mais gorda do que a máquina burocrática americana dessa época. E todos dependiam do erário real ou esperavam do príncipe regente algum benefício em troca do “sacrifício” da viagem. “Um enxame de aventureiros, necessitados e sem princípios, acompanhou a família real” notou o cronista John Armitage. “Os novos hóspedes pouco se interessam pela prosperidade do Brasil. Consideravam temporária a sua ausência de Portugal e propunham-se mais a enriquecer à custa do Estado do que a administrar justiça ou a beneficiar o povo”
O historiador Luiz Filipe Alencastro conta que, além da familia real, 276 fidalgos e dignitários régios recebiam uma verba anual de custeio e representação, paga em moedas de ouro e prata retiradas do tesouro real do Rio de Janeiro. Com base nos relatos do inglês John Luccock, Alencastro acrescenta a esse número mais 2.000 funcionários reais e indivíduos que exerciam funções relacionadas à Coroa, 700 padres, 500 advogados, duzentos praticantes de medicina e entre 4.000 a 5.000 militares. Um dos padres recebia um salário fixo anual de 250.000 réis – o equivalente hoje a 7.000 euros – só para confessar a raínha. “Poucas Cortes europeias têm tantas pessoas ligadas a ela quanto a brasileira, incluindo fidalgos, eclesiásticos e oficiais” escreveu o cônsul inglês James Henderson. Ao visitar as cocheiras da Quinta da Boa Vista, onde D. João VI morava, Henderson surpreendeu-se com o número de animais e, principalmente, de serviçais ali empregados. Eram 300 mulas e cavalos, e “o dobro do número de pessoas para cuidar deles do que seria necessário em Inglaterra”.

Era uma Corte cara, perdulária e voraz. Em 1820, o ano anterior ao retorno a Portugal, consumia 513 galinhas, frangos, pombos e perús e 90 dúzias de ovos por dia. Eram quase 200.000 aves e 33.000 dúzias de ovos por ano, o que somado à despesa da Corte levava a um custo total de cerca de 900 contos de réis (quase 25 milhões de euros em dinheiro actual). A procura era tão grande que, por ordem do administrador da Ucharia Real, a repartição responsável pelos depósitos de comida da Corte, todas as galinhas à venda no Rio de Janeiro deveriam ser, prioritariamente, compradas por agentes do Rei. A decisão provocou a escassez dessas aves no mercado e revolta nos moradores da cidade. Numa carta a D.João VI, eles reclamaram a falta de galinhas e também o comportamento dos funcionários da despensa real, que passaram a vendê-las no mercado paralelo, onde cobravam um alto preço.
Nos treze anos que D. João viveu no Brasil, as despesas da mal administrada e corrupta Ucharia Real mais que triplicaram. O défice crescia sem parar. No último ano, 1821, o buraco no orçamento tinha aumentado mais de vinte vezes – de 10 contos de réis para 239 contos de réis. Apesar disso, a Corte continuou a pagar tudo a todos, sem se preocupara com a origem dos recursos. “Todos, sem excepção, recebiam ração, de acordo com o seu lugar e legitimidade” explica o historiador Jurandir Malerba, “Nobres, mas também cada artista contratado como os cantores e músicos italianos, ou pintores e arquitectos franceses e naturalistas autríacos, embaixadores e funcionários das repartições recebiam a sua quota de víveres à custa da Ucharia Real, prática extinta apenas no governo do austero D. Pedro I”.
Onde encontrar dinheiro para socorrer tanta gente? A primeira solução foi obter um empréstimo de Inglaterra, no valor de 600.000 libras esterlinas. Esse dinheiro, usado em 1809 para cobrir as despesas da viagem e os primeiros gastos da Corte no Rio de Janeiro, seria uma parte da dívida de 2 milhões de libras esterlinas que o Brasil herdaria de Portugal depois da independência.

Outra providência, igualmente insustentável a longo prazo, foi criar um banco estatal para emitir moeda. A breve e triste história do primeiro Banco do Brasil, criado pelo Principe Regente sete meses depois de chegar ao Rio de Janeiro, é um exemplo do compadrio que se estabeleceu entre a monarquia e uma casta de privilegiados negociantes, fazendeiros e traficantes de escravos a apartir de 1808.
Pela carta régia de Outubro de 1808, o capital do Banco do Brasil seria composto de 1.200 acções no valor unitário de 1 conto de réis. Para estimular a compra dessas acções, a Coroa estabeleceu uma politica de toma-lá-dá-cá. Os novos accionistas eram recompensados com títulos de nobreza, comendas e a nomeação para cargos de deputados da Real Junta do Comércio, além da promessa de dividendos muito superiores aos resultados gerados pela instituição. Em troca, o principe regente tinha à disposição um banco para emitir papel moeda à vontade, tanto quanto fossem as necessidades da Corte recém chegada. Como resultado, quem era rico e plebeu tornou-se nobre. Quem já era rico e nobre, enriqueceu ainda mais. A magia funcionou durante pouco mais de dez anos. Em 1820 o novo banco já estava arruinado. Os seus depósitos em ouro, que serviam de garantia para a emissão de moeda, representavam apenas 20% do total de dinheiro em circulação. Ou seja, 80% correspondiam a dinheiro podre, sem lastro. Noventa por cento de todos os saques eram feitos pela realeza. Para piorar a situação, ao regressar a Portugal, em 1821, D.João VI levou consigo todas as barras de ouro e diamantes que a coroa mantinha nos cofres do banco, abalando definitivamente a sua credibilidade.

(...) Outra herança da época de D.João VI é a prática da “caixinha” nas concorrências e pagamentos dos serviços públicos. Citando os relatos de Luccock, diz-se que se cobrava uma comissão de 17% sobre todos os pagamentos ou saques no tesouro público. Era uma forma de extorsão velada: se o interessado não comparecesse com os 17% os processos simplesmente paravam de andar. A corrupção medrava escandalosa e tanto contribuia para aumentar as despesas, como contribuia o contrabando para diminuir as receitas
Conta-se que a Corte tomava posse administrativa de todas as propriedades necessárias para o alojamento do nemroso séquito. Para tal bastava avisar os proprietários com a inscrição nas fachadas ou portas das dus letras PR da insignia Principe Regente,, marca que ficou de imediato popularizada pelo ovo como “Pronto a Roubar”. Fiéis à sua vocação de satirizar até as nossas próprias desgraças, o povo celebrizou a “ucharia” e a roubalheira da Corte de D. João VI com versos populares:

Quem furta pouco é ladrão
Quem furta muito é barão
Quem mais furta e esconde
Passa de barão a visconde

PS. lido por aí, nas caixas de comentários da blogosfera, o melhor é decerto este: “A única hipótese plausível que eu vejo para a reclamada inocência do PM é este ter-se enganado e dado aos intermediários do Freeport o nº da conta offshore do PSD
.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

diz-me com quem andas,,

Sean Merwin Collidge, um polaco naturalizado inglês que começou por vender T-Shirts em Carnaby Street, atingiu uma posição predominante na sociedade britânica, a ponto de um importante fundo financeiro o alcandorar em 2003 a Executivo de um grupo multinacional de topo no comércio europeu. A famosa máxima de Nixon – "I am not a crook" – foi a primeira coisa que lhe ocorreu dizer ao juiz quando respondeu perante a justiça ao extravio de bens de uma lista que começava por dois pacotes de batatas fritas, um aspirador e uma máquina de café. Mais tarde admitir-se-ia que o buraco em investimentos malparados e mordomias atingia 1 milhão de libras entre 2003 e 2005. Dizia ele que “sinto-me feliz por poder roubar seja o que for a quem for”. E foi nele que apostou a realeza representada pelos principes Edward e Sophie de Inglaterra; deram-se mal com a fruta. E os efeitos do tsunani chegaram às nossas costas.
Sean Collidge é um artista (a quem o jornal Público minimiza o currículo) - com estas capacidades, devia ter sido nomeado 1º Ministro para não precisar de corromper ninguém. A sentença do Tribunal retribuiu-lhe a actividade com a classificação de “desonestidade, perjúrio e abuso de confiança”. Sean Collidge foi obrigado a demitir-se em 2006. Foi este homem, então ainda e apenas fundador de uma pequena empresa, que esteve reunido pelo menos duas vezes com José Sócrates sobre a viabilidade do Freeport e foi a sua vitória neste processo que o elevou ao cargo que veio a ter.

Se calhar foi um empréstimo

Paul Bradshaw, um colaborador próximo, algumas vezes com funções de motorista recebeu de Sean Collidge um pagamento de 20.000 Libras. Esta verba destinava-se a pagar a negação dos depoimentos que Paul tinha feito em tribunal comprometendo Collidge no caso do desfalque do Freeport. Acusado de obstrução à justiça, o patrão tentou safar-se dizendo que não tinha sido um pagamento mas sim um empréstimo, à semelhança de um outro que tinha feito antes ao motorista em 2003 no valor de 4.000 Libras, o qual já lhe havia sido devolvido. A veracidade desta história é tal que Paul Bradshaw, acometido de doença psiquiátrica entrou em depressão grave e suicidou-se pouco depois.

Epílogo: corromper é patriótico

Excerto de uma entrevista em 20 pontos a Sean Collidge.
Pergunta nº 18 – Sente-se pró-Europeu e a favor de uma possível adesão à moeda única?
Collidge – Sou britânico, assim a libra esterlina é a moeda que me causa emoção. Numa perspectiva de negócios, a moeda única torna-me a vida mais fácil. O que eu detesto é a ideia de alguém vir a ditar-nos as regras. Não quero que o Parlamento Europeu me diga a mim aqui em Inglaterra como tudo se deve processar, porque nós somos uma das nações mais antigas à face desta terra de Deus

Notas à Margem. Não fala sobre o "Fripór". É assunto de Estado. Mas ao referi-lo está a dar ao assunto estatuto e importância. Podemos saber porque é que é "assunto de Estado" e não apenas da justiça? o Siresp, o Portucale, Furacão, os Vôos da CIA, o BPN são todos assuntos de Estado - e o Estado são apenas eles?

domingo, fevereiro 01, 2009

o British Potato Counsil é quem mais ordena

o Humor é uma coisa séria - diz Ricardo Araújo Pereira: “A quem interessa um outlet com lojas de roupa de marca mais baratas perto de Lisboa? – ao sexto homem mais elegante do mundo certamente. O Freeport permite-lhe manter a mesma elegância, mas a preços mais baixos”
"Desculpar-se antes da ocasião é culpar-se"
Baltazar Gracian y Morales

Basta ver a planta do local e o enquadramento regional para se perceber a trama geral do projecto. A capital de uma das regiões económicas de maior importância na placa giratória ibero-atlântica. Na perspectiva das “grandes obras de regime” por que se desunham e sempre se dão incentivos os lobies multinacionais, temos: a concepção de raiz de uma nova centralidade que engloba uma ponte (a maior da Europa), um novo Aeroporto, uma ligação moderna para Espanha com uma nova estação ferroviária de TGV para passageiros e mercadorias; e um Entreposto logístico projectado em 2004 e já em construção no Poceirão; big picture.
Então se vc fosse decisor de um grande fundo financeiro global procuraria o local certo para fazer um investimento rentável como por exemplo o Complexo Lúdico Comercial “Designer Village” num sítio de excelência?

A Freeport Plc. era uma pequena empresa inglesa que geria apenas 3 centros comerciais nas pequenas localidades de Braintree, Castleford e Fleetwood. Podia ser utilizada para se relançar a sua actividade a nível global europeu. Embora Sean Collidge fosse o fundador da empresa só em 2003 é promovido a director executivo do Grupo Freeport; e assim recebe em 2004 uma injecção de capital do fundo financeiro inglês “Hermes Pensions Management” que representa interesses da Casa Real Inglesa. Um novo salto qualitativo, prevendo já o paradigma pós-crise faz entrar em cena o fundo financeiro americano Carlyle que adquire os empreendimentos Freeport em 2007. Obviamente que, por meio de tudo isto, há sempre pequenos amendoins, como uns planos ecológicos de preservação da natureza a tornear e uns trocos movidos aqui e ali em prol do progresso. Do Big Money.

Não há nenhuma economia dependente que se consiga opôr a isto; há, como é evidente, apenas pequenas questiúnculas políticas a ultrapassar, pelos actuais agentes ou por outros similares que se lhes vão seguir trabalhando por isso; como diria o poeta: ai esta terra ainda vai ter um ideal, transformar o British Potato Counsil num imenso portugal
.

sábado, janeiro 31, 2009

forças negras

Uma das maiores curiosidades do FreeportGate é lermos amiúde blogosfera afora notícias em lingua inglesa traduzidas dos portuguessíssimos 24 Horas e Correio da Manha (em inglês não existe o til); o mais certo é a maioria dos comentadores sempre tão perdidos como agulhas pela rama da palha espalhada, não notarem o essencial,,, fora das clubites partidárias.
Se percebemos bem as noticias que lemos, diz-se em português no mesmíssimo 24 Horas, “o escritório do advogado Vasco Vieira de Almeida recebeu, no ano passado, a visita de duas equipas inglesas (de investigadores), em dias diferentes, e ninguém ficou a saber do assunto, com a excepção de quem trabalha no escritório”

“Mas quando a polícia portuguesa entrou nos mesmos escritórios quase toda a comunicação social passou a ter conhecimento do caso. Imaginem a surpresa do antigo mandatário das campanhas de Mário Soares quando começou a receber chamadas de jornalistas, logo pela manhã, mal os investigadores deram entrada no edifício”. Fim de citação.
Moral da estória: há muito bom empregado subalterno a viver opiparamente à pála dos esquemas corruptores&corruptíveis. E para tal é necessário que os agentes das "forças negras" trabalhem às claras e não pela surrelfa como esses idiotas do brithish potato counsil ou lá como é que se chama aquilo,,
,

Second Life, um filme todo Pipoca

As pipocas foram um “alimento de sucesso” (para enganar o estômago) durante a grande depressão de 1929 que durou até à retoma que preparou a Grande Guerra; se antes serviam para enganar a fome do corpo, hoje em dia o milho assado serve para acompanhar o embrutecimento da alma - como as explosivas pipocas de milho transgénico que suam aquela baba gelatinosa (1) que os indigentes mamam em lautas ruminações nas salas escuras assim se deglute esta aglutinação de fotogramas (a Obra, ela própria uma 2ª Vida) que não vi, nem a maior parte verá, creio. excepto os críticos, por obrigação. O truque é sugerir cenas quentes. Claudia Vieira mostra as nalgas, (como Nicolau Breyner mostra a careca no filme ao lado), a Liliana mostra que é funcionária da TVI; há ainda um actor cámone que tem um negócio de bilheteira na Polónia, com o cachet pago a troco de batatas, o inenarrável Malato, a Fátima costureira-vip e o Figo armado em travolta, numa “cena de lap dancing que faz mais pela destruição da sua dignidade do que uma sucessão de passes falhados” - diz o crítico Luis M. Oliveira, “É um amontoado de cenas confusas (...) há mais densidade psicológica num porno e maior sofisticação dramatúrgica nos Morangos com Açúcar”.

O crime do espectador Otário (à semelhança dos 400 mil que foram ver o Crime do Padre Amaro) é serem sacados de casa onde vêem televisão para irem ao cinema,,, ver televisão. Já ouvimos chamar a este “pequeno apogeu da degradação do cinema comercial” – “a cultura é para o povo” diz Alexandre Valente, o frankenstein gestor desta produção de 1 milhão e 550 mil euros – sugerindo de seguida que “o cinema português devia ter quotas de exibição tal como acontece na música para que seja garantida a responsabilização do dinheiro gasto (...) que está a desbravar um caminho fora do cinema subsidiado” – para chegar a um “não lugar” como diria Marc Augé, ao sítio do semi analfabetismo e da não educação militante – um filme de não actores é um inventário de celebridades “para chegar ao público”. Só se forem mentecaptos. É capaz de ter êxito nas receitas, este Valente.

(1) sobre os xaropes super-extra doce feito de milho. Antes da década de 70 não existia nada disto no mercado. Porém o uso, como a overdose de dinheiro fictício, alastrou intensivamente porque é preciso facturação em massa sobre as massas, e finalmente verifica-se que contém metais pesados. Mercúrio,

sexta-feira, janeiro 30, 2009

cada levantamento nas caixas Multibanco vai custar 1,5 euro
(se nós deixarmos)

Os bancos preparam-se para nos cobrar 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta. Este 'imposto' (é mesmo uma imposição, e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos portugueses. Este é um assunto que interessa a todos os que não são banqueiros e não têm pais ricos. Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas. Já chega de sermos roubados pela Banca. É preciso ultrapassar o milhão de assinaturas.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

valha-o deus

Sócrates, o "trustee" não se sabe bem de quem (é impossivel saber*), diz que "sim, seremos a favor da extinção dos off-shores" ("mas só quando toda a gente for") - é natural que os outros digam o mesmo em relação ao do país de Sócrates (o da Madeira). Como dizia Charles Ramuz: "sei que estou a progredir quando começo a não entender nada de nada"
da wikipedia:
"(...) Essas contas são abertas nos países de legislação de origem britânica usando-se um conceito jurídico de Trust originário da Common Law inglesa, que foi trazido para a Inglaterra pelos Cruzados, que subverteram o conceito de "waqf" islâmico pelo qual é feito um contrato através do qual a propriedade (imobiliária, tangível e intangível) de um bem passa para o nome de uma outra pessoa"

"Nos países ou regiões autónomas (paraísos fiscais) que permitem a operação desse tipo de Trusts, (Empresas) Bancos ou Fundações, apenas está disponivel o conhecimento do nome dos Trustees (administradores, uma espécie de procuradores) dessas contas ou dos gestores da Fundação, (1)*ignorando-se completamente quem seja o real beneficiário, ou o real dono, do dinheiro (ou bens) ali depositados. Assim é portanto impossível que venham a prestar informações sobre quem são os proprietários do dinheiro depositado nessas contas, mesmo que haja alguma determinação judicial nesse sentido: o Banco simplesmente não sabe. Desta forma o sigilo absoluto é garantido, e é impossível de ser quebrado"

Vai ser pecado: "consta-se que o Papa Bento XVI prepara uma nova Encíclica que terá um capítulo especial intitulado "Fraude e Fisco" que estabelece a condenação moral da malta do colarinho branco que recorre aos paraísos fiscais que propiciam a ocultação de patrimónios ilícitos" (ler)

Tommaso Masaccio,
"o Pagamento do Tributo e a Expulsão do Paraíso"
Capela Brancacci, Florença

actualização
a Justiça na Grã-Bretanha dispõe de um "Gabinete para Investigação de Fraudes Graves" traduzindo para simplex "Serious Fraud Office"; f.a.q.
"Can the "Serious Fraud Office" obtain evidence anywhere in the United Kingdom (...) or in the overseas countries?
No, only in England, Wales and Northern Ireland. There are similar powers (...). If you need evidence in Scotland, we can put you in touch with the Crown Office. There are also similar powers in Jersey, Guernsey and the Isle of Man, and again, we can put you in touch with the appropriate authorities if necessary"
.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

"Die WannseeKonferenz"

A Solução Final de Hitler: a Conferência de Wannseeonde se decidiu o assassínio em massa de mais de seis milhões de judeus (…) Heinz Schirk recria o planeamento desse genocídio (…) uma evocação histórica filmada em registo de “cinema verité

É com estas aparentemente inofensivas palavras, levando em linha de conta o revisionismo histórico oficial dos últimos 60 anos, que se anunciou o documentário exibido ontem na Cinemateca Nacional - desmistificando:
Die WannseeKonferenz” não é uma obra de cinema. Foi produzida para propaganda televisiva. O produtor é parte interessada na manipulação: o empresário judeu de Munique Manfred Korytowski (1936-1999) , produziu muitas séries dramáticas, spots comerciais e documentários para televisão - a mais conhecida das quais é a série "Pumuckl" (o programa infantil de maior audiência na história da tv alemã), nascido prussiano em 1936, com a ascenção do nazismo a sua família mudou-se para o Brasil em 1937, onde viveu 16 anos; em 1953 foi para Israel, onde cumpriu dois anos no exército como normalmente fazem todos os militantes Sionistas (local onde conheceu alguma coisa sobre a Conferência de Wansee nos Yad Vasshem, os "Arquivos do Holocausto em Jerusalém", onde se lê que a reunião planeou a morte de 11 milhões de judeus. (se por acaso os houvesse); e em 1958, voltou para a Alemanha para fazer carreira no mundo do espectáculo.

O realizador Heinz Schirk executou a encomenda de Korytowski em 1984, utilizando entrevistas com os participantes do julgamento do Coronel cripto-Judeu Sionista Adolf Eichmann em 1962 e documentos obtidos de Robert Kempner, um dos procuradores americanos (aliás um antigo ministro judeu alemão naturalizado fugido em 1933 para os EUA) que participou no Julgamento de Nuremberga e ficou famoso por coagir testemunhas como Friedrich Gaus, roubar documentos do processo Rosenberg e como advogado privado defender o enriquecimento ilícito de judeus que pediam em Tribunal indemnizações financeiras ao Estado alemão, a maior parte deles sem nunca terem estado detidos.

Die WannseeKonferenz” baseia-se numa suposta acta de Martin Luther “descoberta” 5 anos depois, em 1947. Antes só havia 1 carta convocatória da reunião. A obra “veritéé uma obra de ficção propagandística israelo-americana, meticulosamente programada para o dia 27 de Janeiro, a data em que o Exército Soviético libertou Auschwitz-Birkenau – a que agora o sionismo chama Dia do Holocausto. Credibilidade Zero. O General Reinhard Heydrich, chefe de Polícia de Segurança Nacional alemã é tratado por “SS-Obergruppenfuhrer” um posto que ninguém duvida tivesse sido diabólico (embora a Time à época anterior à guerra fizesse capas enaltecendo o nacionalismo de Hitler. O próprio autor da “folha informativa” que habitualmente acompanha as sessões, Luís Miguel Oliveira, admite que “conhecer exactamente (à letra) o que foi dito em Wannsee é assunto que exige alguma suposição” (senão toda). E assim, como o conselheiro cenográfico do filme, o judeu Shlomo Aronson, inventa uma prosa delirante tão vaga quanto “a vertigem da solução final” e “premeditação e planificação” (em 85 minutos) , remetendo de seguida para Eichmann e para a obra de ficção da judia Hanah Arendt “A Banalidade do Mal”. É lamentável que a Cinemateca Nacional se preste a fazer estes fretes auto negando identificar devidamente as fontes históricas que referem os factos tal qual aconteceram – que como é sabido estão muito longe da patranha sionista dos “6 milhões de vítimas do holocausto”

* relacionado:
"A Questão Judaica nos anos 30 era um problema de Emigração clandestina para a Europa Central que causava um clima de desordem social, nomeadamente com a importação do "bolchevismo" da União Soviética: a solução encontrada pelos Nazis foi incentivar a doutrina Sionista"

* 27/1 - o Presidente Ahmadinejad acusa o Ocidente de bloquear investigações sobre o holocausto
.

terça-feira, janeiro 27, 2009

no 100º aniversário da Protectora dos Animais

que história é aquela da prima?

onde a luvas se diz nada (ver minuto 25.43 da entrevista da SIC)
e sobre limpeza se diz tudo

A Quercus opôs-se ao projecto desde o início. E apresentou mesmo uma queixa à Comissão Europeia, que nunca deu uma resposta aos ambientalistas. (de facto segundo informação veiculada nas televisões ontem, o processo só foi arquivado em 2008). Como se sugere no blogue “Portugal Profundo”: “o caso Freeport há-de chegar ao seu termo jurídico daqui a 10 ou 15 anos, quando o garantismo do poder já tornou impossível a reconstituição do passado”. E o ministro da presidência Pedro Silva Pereira já começou o trabalho de varrer a credibilidade da função governativa, decisivamente afectada pela suspeita, para debaixo do tapete – na entrevista a Mário Crespo de cópias de papéis do Ministério do Ambiente em riste, recitou uma série de contra- argumentações que não podem ser confirmadas, ou sequer saber se estão a ser manipuladas, porque entretanto o Governo decidiu encerrar o site do MA para “remodelação

Francisco Ferreira, dirigente da Quercus, entrevistado pelo Correio da Manhã: “Freeport há-de ser um condomínio

CM – A Quercus vai questionar a Comissão Europeia (CE) sobre o Freeport?
Francisco Ferreira – Vamos tentar saber junto da CE as iniciativas seguidas após a apresentação da queixa, em 2002, porque nunca recebemos notícias sobre o seu arquivamento.
CM – A política do facto consumado vale a pena em Portugal?
FF – Tem sido praticada por todos os governos. A sociedade civil é impotente perante o poder político.
CM – 0 Freeport foi salvo da falência. Este caso devia servir de exemplo aos políticos?
FF – Agora dizem que o Freeport está melhor, mas um dia ainda vamos ver ali um condomínio fechado com vista para o Tejo.
(CM)

apreensão de documentos:
Marinho Pinto fala de "terrorismo de Estado"

favores
(...) "adiantou que pediu ao sobrinho para receber um dos sócios da empresa, Charles Smith, que se queixara de que lhe estariam a pedir "quatro milhões de euros para obter o licenciamento" (...) e algum tempo depois... "as instalações do ICN em Alcochete estiveram para ser cedidas à empresa Smith & Pedro"(...) (fonte)
.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Freeport, em inglês técnico: "não se esqueçam de mim"

actualização: o sítio internet que abriga a documentação do Ministério do Ambiente sobre o licenciamento do Freeport "está em reformulação. prometemos ser breves", dizem eles (conferir)

o que está em causa

"O processo relativo ao espaço comercial do Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, e que terá sido mudada para possibilitar a construção da infra-estrutura que já tinha sido anteriormente chumbada por colidir com os interesses ambientais acordados entre Portugal e a União Europeia" (Publico 22/1.09)

José Sócrates na qualidade de ministro da Ambiente no Governo de António Guterres reduziu para metade a zona protegida no Vale do Tejo junto a Alcochete.

Escassos dias antes do cessar de funções do XIII Governo a directora da Direcção Regional do Ambiente de Lisboa e Vale do Tejo, Fernanda Vara, a pedido do Ministro pede às entidades competentes a aprovação urgente do projecto do Centro Comercial Freeport. José Sócrates em Janeiro de 2009 diz na televisão, a propósito da noticia do jornal «Sol», que foi ele, na qualidade de responsável pelo Ambiente, quem aprovou o projecto e que não houve ilegalidades.

Em 24 de Junho de 2002 a Quercus enviou uma queixa à Comissária europeia Margot Walstrom. O primeiro ministro seguinte, Durão Barroso, faz aprovar um decreto lei que contorna as ilegalidades no sentido de se cumprir a legislação europeia, voltando aos limites anteriores, mas deixando o projecto do Shopping Center com alguns reajustamentos (c/ maior ocupação humana e aumento da área de construção, na zona A).

O jornal Independente em 2002 publica um documento da PJ que envolve José Socrates Carvalho Pinto de Sousa no caso do Freeport. O artigo sugere que “há fortes indícios que houve contrapartidas no financiamento da campanha eleitoral”.

O “Freeport Designer Outlet” de Alcochete é solenemente inaugurado a 26 de Junho de 2004 durante o Campeonato Europeu de Futebol, com a presença do Príncipe Eduardo de Inglaterra, o filho da Rainha Isabel II, Earl of Wessex; note-se, Sua Alteza Real inaugura uma obra ilegal: que não tinha licença de utilização. No relatório de contas da Freeport Plc. de 2004 afirma-se que este projecto, em conjunto com outro similar na fronteira da Áustria com a Checoslováquia, o Outlet Mall Excalibur, são determinantes para a sustentabilidade e expansão empresarial do Grupo.

O reforço destes investimentos faz-se através da entrada de capital numa operação que designam por “Hermes Transactions”. O Grupo Freeport opera a partir daqui aproximadamente 1 milhão e 400 mil metros quadrados de espaços comerciais, 88% por toda a Europa e apenas 12% na Grã-Bretanha. Concretamente o salto qualitativo envolve a entrada do Fundo Financeiro “Hermes Pensions Management Ltd” uma operadora com largo cadastro na especulação e suborno das actividades económico- financeiras em todo o mundo.

A Família Real Inglesa tem investimentos no Freeport, e os seus interesses são afectados pelo desfalque que veio a público em 2007, processo em que o fundador Sean Collidge é acusado de ter usado fundos da companhia para investimentos financeiros duvidosos e até em proveito pessoal. Os investigadores ingleses seguem os trilhos do dinheiro desde a origem do processo e descobrem que os capitais deixaram a Inglaterra para Portugal, evadindo-se ao pagamento de impostos, através de contas em offshores baseadas na Suiça e em Gibraltar.
clique para ampliar
flash back. Em finais de 2004 o Ministério Público abriu um processo de investigação às entidades envolvidas na Comarca do Montijo ficando a Policia Judiciária de Setúbal encarregue das investigações. São feitas buscas pela PJ na Câmara de Alcochete presidida por José Inocêncio incluindo os gabinetes dos seus assessores, à firma Smith & Pedro e aos próprios escritórios do Freeport.

Depois de eleito José Sócrates, verifica-se um impasse; a PJ de Setúbal envia uma carta rogatória em 2005 às Autoridades Britânicas, onde reside a séde social mãe da multinacional Freeport, solicitando dados e informações complementares sobre contas bancárias da Smith & Pedro para onde eram canalizadas as quantias envolvidas no negócio. Solicitação que nunca teve resposta. São elevados os valores em causa. Rainha de Inglaterra, Policia Judiciária, Governo Socialista, Fundos Financeiros, Corrupção e falências globais em cadeia constituem de facto um caldo explosivo.

a jardinização da justiça: o inspector da PJ de Setúbal José Torrão, os jornalista do extinto jornal "Independente" Inês Serra Lopes e Francisco Teixeira e o militante da concelhia do CDS em Alcochete Zeferino Boal são cozidos em lume brando pelo Poder político e pelo Ministério Público, acusados de "violação de segredo de justiça" ao envolverem-se na divulgação de documentos que comprometem José Sócrates.

Em Março de 2007 a Freeport Plc. encontra-se em sérias dificuldades. O shopping de Alcochete revela-se um flop e a ocasião é aproveitada pelo Grupo norte americano Carlyle para efectuar uma oferta pública de aquisição de acções à multinacional britânica. Mas o negócio de 165,3 milhões de libras colapsa, quando semanas depois o valor da Libra sofre uma queda acentuada. Apesar disso, ou a Casa Real Britânica não fosse influente, o "Takeover Panel do Reino Unido" obriga o Fundo de "privat equity" Carlyle a concretizar o negócio.

Primeiro a Polícia Judiciária e depois a Procuradoria-Geral da República por nota de imprensa de Pinto Monteiro negaram qualquer envolvimento do então candidato a primeiro-ministro José Sócrates no caso Freeport. Em Setembro passado (2008), o processo do Freeport passou do Tribunal do Montijo para o DCIAP (“Central Department for Penal Action and Investigation”), which is the entity that is competent for that, segundo a transcrição feita para Inglaterra pelo blogue de Joana Morais

Em Outubro de 2008 em Haia, na sede do Eurojust (Agência Europeia para o Reforço da Cooperação Judiciária) entre polícias e procuradores (Candida Almeida) de ambos os países foi discutido o caso Freeport tendo os ingleses proposto uma equipa de investigação conjunta; o que não veio a acontecer. Charles Smith, entretanto constituido arguido em Inglaterra, declina confirmar se houve ou não corrupção alegando já não pertencer à firma Smith & Pedro. E o Pedro, Manuel, que ninguém sabe muito bem quem é, dissolveu a firma em Dezembro de 2008.

o DCIAP a 23 de Janeiro de 2009 informa que "a lista de nomes que anda a circular na internet é a mesma que foi publicada em 2005" e não faz parte do actual processo em curso; apesar da procuradora Cândida Almeida saber desde a reunião de Haia que José Sócrates é o principal suspeito.

Numa gravação com origem na Grã-Bretanha, testemunhas (provam) que houve pagamento de luvas, em tranches de 50 mil libras transferidas para a Smith & Pedro (totalizando 1 milhão de euros) e que outros 5 milhões de libras entraram através do escritório da Vieira de Almeida&Associados (agora objecto de busca) para pagamento de comissões. Como dizem os ingleses: “there are indicia that these were corrupt payments”. Vasco Vieira de Almeida foi mandatário de Mário Soares à presidência da república; antes tinha sido administrador da Câmara de Comércio Britânica entre 1967 e 1969 e Conselheiro Jurídico Honorário da Embaixada Britânica em Portugal entre1980 e1990; a empresa de advogados dedica-se ao Corporate Governance em apoio a grandes investimentos no país.

Como se disse atrás, num filme que é protagonizado por actores tão célebres como a Rainha de Inglaterra, a Policia Judiciária, o Polvo Socialista nacional (com uma aparição especial de Tony Blair, despercebidíssima), Fundos Financeiros Fictícios, Corrupção e Falências Globais - quase dá para sentir simpatia pelo engenheiro Sócrates e pelo arquitecto Capinha, figurantes pagos a troco de um salário. Contudo a questão do 1º Ministro além de política é de ordem moral. É preciso, como pessoa, ter estômago onde não tenha entrado pinga de Ética para aceitar desempenhar certos papéis. Os passarinhos de Alcochete, e nós, a malta das cassetes piratas, estamos a abominar o sketch
.