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quarta-feira, fevereiro 16, 2011

efeméride sobre o sistema eleitoral burguês

em 16 de Fevereiro de 1936 a Frente Popular vence as eleições em Espanha com uma diferença de 150 mil votos sobre a Frente Nacional.

Em 14 de agosto, Franco tinha invadido a cidade de Badajoz, massacrando milhares de prisioneiros na passagem. Em 19 de Agosto de 1936, o poeta Federico García Lorca é fuzilado pelos militantes do partido franquista perto de Granada. O generalíssimo Francisco Franco, líder dos nacionalistas rebeldes espanhóis, é proclamado chefe de Estado e “Caudillo de España por la Gracia de Dios” em Burgos a 1 de Outubro de 1936. No dia 6 de Novembro, depois da derrota das forças socialistas em Toledo, o primeiro-ministro Largo Caballero é obrigado a abandonar a capital Madrid. Em 20 de Novembro de 1936, o fundador do movimento fascista da Falange Espanhola (em 1933), José Primo de Rivera, é executado pelas forças que restavam do governo popular da Espanha. Em 1933, as eleições "democráticas" tinham trazido os conservadores de volta ao poder sendo Francisco Franco então promovido a major-general. Depois do aniquilamentos dos opositores o ditador Franco, formado como militar desde os 14 anos, governou a Espanha até a morte em 1975, transmitindo o poder incólume da oligarquia do país para a Monarquia dos Bourbons. A ditadura prosseguiu mascarada de democracia e finalmente o conflito entre "esquerda e direita" tinha terminado, meio milhão de mortos depois

* relacionado:
Bush apoyó la participación de España en el G-20 para obstaculizar la regulación de flujos de capital
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... "é preciso fazer sacrificios"

Existe a "crise", não há dinheiro para as funções sociais essenciais de competência do Estado, e no entanto, por motivos que escapam à soberania democrática da população do país,
para a empreitada imperialista das forças armadas, uma empresa estranha aos interesses da generalidade dos cidadãos:
"há urgência em gastar (mais) 1 milhão e meio de euros a contratar serviços e comprar material necessários à constituição, projecção e manutenção no teatro de operações de uma força da "guarda nacional republicana" - nem "republicana" nem "nacional" porque colabora na invasão fascista e no saque de paises estrangeiros

Assim sendo, será oportuno reportarmo-nos áqueles que são os patrões dos gestores desta horda armada a peso de ouro pelo dinheiro espoliado aos contribuintes - ou seja, um olhar para aprender um pouco mais sobre o ministério da Defesa dos Estados Unidos



* 'Era dos regimes apoiados pelos EUA acabou', diz o Presidente do Irão

* Boaventura Sousa Santos defende acções coordenadas para fazer implodir o sistema capitalista
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terça-feira, fevereiro 15, 2011

13 Fevereiro: o Holocausto de Dresden

se os que escreveram o "antigo testamento" juraram a pés juntos e puseram por escrito que existem espiritos, devemos honrar o espírito destas vítimas, nunca esquecendo o dia 13 de Fevereiro de 1945. Estes corpos não são de judeus, por isso devemos pugnar para que estes mortos não sejam negados

600 mil bombas sobre uma única cidade: "Vocês rapazes queimaram isto de fio a pavio, converteram este sitio numa simples coluna de fumo. Morreu aqui mais gente nesta tempestade de fogo, que morreu em Hiroshima e Nagasaki, as duas cidades juntas" (Kurt Vonnegut)

mas no final teria valido a pena (a avaliar pelos
bens e estatuto que possuimos hoje)
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ou não fomos nós que Vencemos a guerra!?

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segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Falência e Recuperação, Tiro e Queda

Dias Loureiro revelou na comissão de inquérito que o libanês El-Assir é amigo do ex-presidente norte-americano Bill Clinton e do rei Juan Carlos de Espanha, com quem jantou várias vezes - 'El-Assir não se dedica ao comércio de armas. Perguntei-lhe e ele disse-me que não.'

"A corrupção é o cancro da democracia. Corrupção e democracia são incompatíveis. (...) o que se passa em Espanha é que já ninguém tem medo de ser corrupto porque os que o são continuam a ser eleitos" (Baltazar Garzòn)

O relatório elaborado pela Comissão nomeada pelo próprio causador para “investigar a crise” acaba de concluir que a situação provocada pelo anunciado crash de 2008 poderia ter sido evitada (NewYorkTimes). Não, não podia – porque se tratou de uma conspiração no processo de acumulação capitalista destinada a concentrar em cada vez menos mãos o poder de decidir como e quem beneficia da rede global de emissão de dinheiro e da actividade comercial de especular com as dívidas contraídas por instituições ou países.
O relatório de 576 páginas “acusa como grandes responsáveis os Reguladores (FDIC, Bancos Centrais, etc.), a Reserva Federal, Governos (1) e Executivos pagos a peso de ouro” – “(...) a maior tragédia é aceitarmos que ninguém poderia ter previsto que isto ia acontecer” – afinal os grandes culpados da grande hecatombe estão identificados, conclui o relatório...

...tudo começou em Bill Clinton
, que no ano 2000 aceitou que os derivados emitidos pela Banca ficassem livres de controlo regulatório (senão seria a falência imediata). Foram gastos milhares de milhões pelos lóbies favoráveis a desregulamentar o mercado dos Derivados; e o segundo grande culpado: Alan Greenspan, apontado como “o exemplo principal de negligência, primeiro pela desregulamentação completa, e segundo, por não ter identificado os activos tóxicos (2) que os bancos foram acumulando nos balanços falsificados (senão teriam falido antes de os emitirem)
A admnistração Bush é poupada, apenas criticada pela “resposta inconsistente”; e Henry Paulson por ter dito em 2007 que “a crise do subprime” estava contida. Não por ter mentido.

Depois do interregno desde 2008 os grandes bancos voltaram este ano em força para participar no Fórum Económico Mundial dos ricos em Davos. Trouxeram uma mensagem muito clara para os governantes das principais economias mundiais: não exagerem nessa conversa da regulação. Introduzida a retórica da regulação financeira nos seus discursos (menos na implementação), a cimeira de Davos vem vincar de forma mais evidente quem é que manda. O Bancos foram claramente ameaçar os governos a não regularem o sector bancário e financeiro, argumentando que sem os bancos não haverá financiamento para investimentos e recuperação da economia, isto é, nas palavras do presidente do banco Intesa: «quem detém o capital para haver investimento e recuperação económica são os Bancos, meus senhores, não são os Estados. Os senhores já não têm capital para reanimar as economias; os governos, as empresas e os cidadãos estão em dívida para connosco. Somos nós que somos decisivos»

a “crise” de 2008 foi deliberadamente provocada pelos bancos i.e. poder financeiro numa clara opção pela concentração capitalista - os beneficiários da “crise” são a Goldman Sachs, JPMorgan, Citigroup, Bank of America, (e avulso o investidor judeu-nazi Georg Soros) como mega-entidades bancárias que se propõem especular (legalmente, segundo a lei feita pelos próprios) com Estados inteiros. Falta precisar que estes bancos regionais, via BCE , são meros distribuidores do negócio (2) comandado a partir da Reserva Federal norte americana (3)

(1) Exemplo notável é o ex-governador do BdP, Vitor Constâncio, que, na qualidade de um dos mais voluntariosos angariadores de juros do negócio, foi premiado com a promoção a vice -presidente do BCE
(2) a Crise provocada e os lucros da Banca nacional
(3) a Crise provocada por Wall Street: Big Bad Bankers, Zachary Karabell na Time Magazine
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domingo, fevereiro 13, 2011

ora até que enfim que temos um governo liderado por um tipo esperto...

ao sabor dos lobies de influência, em 1990 o então primeiro ministro foi obrigado a tratar de baixar 20 por cento o preço dos medicamentos genéricos; em 2011 com "a nova intervenção activa neste segundo mandato", Cavaco Silva trata agora de tentar impedir que o Serviço Nacional de Saúde prejudique a subida dos lucros das multinacionais farmacêuticas (ler mais)

* sobre a mesma familia politica na Europa ler: "Máfia – Padrinhos, Pizzarias e Falsos Padres", um livro de Petra Reski

* Pela redução dos deputados PS-PSD-CDS
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vamos falar de tamanhos...

Você não é o centro do Universo

a estratégia de dominio por consenso

Nem revolução islâmica nem rebelião popular - o Egipto marcha até à "democratização" imperial made-in-USA. Fim de festa. O Exército iniciou a retirada das barricadas da Praça Tahrir no Cairo e os civis colaboram na limpeza da praça. O objectivo foi acabar com o ditador-marioneta mas preservar a ditadura-marioneta. A "saída democrática" não é uma solução islâmica como apregoam os "progressistas" e a esquerda neoliberal, mas uma opção concertada entra a Casa Branca de Obama, os falcões do Complexo-Industrial-Militar e a lógica bancária de Wall Street. São eles de facto os donos do Egipto (IARNoticias)

para aprofundar o tema:
* "O novo governo militar deverá devolver as liberdades democráticas roubadas ao povo egípcio e cessar o bloqueio cruel imposto ao povo palestino aprisionado na Faixa de Gaza. Se não o fizer, será a continuação do murabakismo sem Mubarak. A pressão popular deve continuar"(Resistir)
* Chomsky: "a situação actual do Egipto é um problema para os Estados Unidos"

* Mubarak, contas na Suiça, propriedades na Grâ-Bretanha e nos EUA: o que a revista Forbes não disse

sábado, fevereiro 12, 2011

qual “democracia” qual carapuça...

quando os agentes da alta burgesia transnacional falam em “democracia” falam da conjugação de mercado livre com representação parlamentar; nada mais que isso – desfeito o equivoco, sabe a verdadeira razão porque o povo esteve nas ruas no Egipto?

A corrupção não é coisa que seja nova no Egipto (ou já agora, em Portugal, ou nos Estados Unidos). O que é um elemento novo é a raiva que se espalha naquele país e noutros através do Médio Oriente e norte de África. E isso deve-se principalmente ao facto que o preço dos alimentos, uma boa parte dos nossos orçamentos familiares, estão a disparar para níveis insuportáveis. Porquê? Graças à concentração dos especuladores em torno da banca. Os governos estão a ajudá-los a eles e fazem orelhas moucas às dificuldades que a inflação provoca nos povos e, como se não bastasse, ajudando a afogá-los ainda mais com impostos. Todo o cêntimo conta para repor o dinheiro que os banqueiros fizeram evaporar na crise.

Especulação com os bens essenciais, mais uma cortesia monetária de Wall Street. (Commodity speculation = revolta) Fazendo jogos financeiros com a fome dos povos

Não é toda a gente que se pode gabar de obter biliões de dólares da Reserva Federal norte americana, que os envia a juro baixo para os Bancos Centrais de todo o mundo.
A maioria das pessoas trabalha para obter o dinheiro que consegue levar para casa. Isto cria um problema real para as pessoas cujos rendimentos estagnaram ou até declinaram… enquanto os Governos fazem chover triliões sobre os bancos para lhes cobrir as perdas nos jogos especulativos de que só lhes sobrou papel tóxico – o que é que esses bancos (de acumulação capitalista cada vez mais concentracionária) estão a fazer livremente no mercado com esse dinheiro?

Eles continuam a jogar com ele, “aquecendo” os preços, dos cereais, do crude, do gáz, arroz, borracha, cobre, etc. Não existe razão nenhuma na oferta&procura para os preços das matérias primas terem subido para os valores onde estão agora. Trata-se de especulação pura assente nas ajudas em dinheiro fabricado que têm sido entregues aos bancos. Provavelmente, face à revolta dos povos, os preços virão a cair – mas entretanto dezenas de milhões de pessoas são lançadas na miséria, na fome, ou no mínimo verão o seu modelo tradicional de vida decair de forma vertiginosa

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Egipto: a Revolução acaba hoje

Parece que finalmente o Exército está a tomar as medidas necessárias para expulsar do palácio "o abominável ditador" Mubarak,,, Já se festeja, mas festeja-se o quê? já viram o curriculo do vice-presidente indigitado para governar no periodo de transição até às eleições? (e se calhar para lá delas). Omar Suleiman é mais sionista e homem de mão de norte americanos e israelitas que o presidente cessante... na Sábado, de onde foi extraido o recorte abaixo, não se informa contudo que Suleiman foi formado na famosa escola de biltres-marioneta de Fort Bragg e estagiou depois na Mossad...

(clique no recorte para ampliar)
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terça-feira, fevereiro 08, 2011

"Estamos a ser definidos pelos outros, estamos a ser espoliados das nossas pessoais identidades, estamos a ser manipulados, manobrados, dirigidos, orientados, indiferentes ao facto de estarmos a ser reduzidos nas nossas liberdades. Querem mais?" Baptista-Bastos, in "Esta pobre gente rica"
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segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Revolução, novas tecnologias, o Poder e os Media

Que hipótese existe de Revolução? Como funciona a repressão face às ameaças aos diversos poderes regionais instituidos e principescamente subornados pelo Império? (em 30 anos ao serviço do imperialismo judeu-americano Hosni Mubarak amealhou uma fortuna avaliada em 53 mil milhões de dólares)

No caso do Egipto foi assim que funcionou: um primeiro passo foi ordenar a detenção do executivo da Google, Wael Ghonim, tido como um dos elementos fulcrais na organização das manifestações de protesto no Cairo (ver video da detenção aqui) - o ciber-activista esteve preso durante 12 dias e ao ser libertado deu uma entrevista televisiva no final da qual se emocionou e chorou ao tomar conhecimento de ter havido imensos mortos enquanto permaneceu nos cárceres de Mubarak - de imediato Wael Ghonim acaba por ser transformado num ícone da revolução que continua na praça da Libertação.



Um segundo passo foi nomear para vice-presidente do mesmo regime que provocou os protestos um alto dignitário do Exército. Há muitos milhões em jogo investido no Egipto como tampão de segurança para Israel - e o general Omar Suleiman despiu a farda e já arenga ás massas televisivas de fato e gravata. Um terceiro passo foi retirar do terreno as cadeias de informação inconvenientes; a Al-Jazeera que fez uma cobertura inicial excepcional dos acontecimentos viu as suas instalações serem encerradas e as equipas de reportagem detidas, os equipamentos apreendidos, o sinal de satélite desligado, pelo que deixou de transmitir em directo. (Time Magazine 14/2)

Enquanto isso, quem no final acaba por pagar estes autênticos fretes, os contribuintes norte-americanos e os dos paises seus aliados, são impedidos de perceber minimamente o que quer que seja sobre este tipo de assuntos. Nos Estados Unidos a estação de televisão sedeada no Qatar Al-Jazeera viu construida para as grandes massas uma imagem de uma cadeia televisiva ao serviço de terroristas, embora tenha conquistado o respeito das diminutas elites urbanas; a Al-Jazeera nos EUA só está disponivel para assinantes de cabo e apenas em três cidades.

Do outro lado dos novos Media conquistados pelo Poder, temos o caso do blogue da garota das noticias de programa norte americano que viu o seu site ser comprados pela gigante empresa de Media judaica-estadounidense AOL-Time-Warner pela quantia de 231 milhões de dólares. Arianna Huffington tinha investido no seu pequeno empreendimento privado cerca de 1 milhão em 2005, mas o agora definido como"jornal online" tem perspectivas de atingir 100 milhões de visitas mensais apenas nos EUA; (des)Informação capitalista: Sempre a crescer e a ocultar os pontos de vista que se querem aldrabar
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domingo, fevereiro 06, 2011

o Estado de Direito ainda existe?

"A base de dados de informações da PSP está ilegal, (estaria, se ainda houvesse lei e esta fosse para cumprir) por conter informações sobre origem étnica, comportamentos privados, fé religiosa ou tendências políticas dos cidadãos" - vem no Público.
Se o Estado suspeita politicamente de nós e pretende registos sobre as nossas ideias privadas, podemos também retribuir a desconfiança. Dir-se-á,,, se por exemplo a Amazon, face à nossa tendência de pesquisas ou compras no seu site, nos envia posteriormante por email sugestões de compra em função dos meios que ficaram registados,,, assim também os serviços informáticos do Estado policial dispõe de meios para interferir causando dificuldades dirigidas essencialmente aos potenciais eleitores adversos. Visando a meta do desinteresse e pelo abstencionismo, não é nada que já não tivesse acontecido...

sábado, fevereiro 05, 2011

Cidades norte-americanas entram em colapso

Para sobreviver desde o principio da crise em 2008 a maioria dos Municipios e Estados norte americanos têm recorrido à emissão de "bonds" para se poderem continuar a financiar; porém quando estes valores, outrora de segurança garantida, deixam de ser pagos aos investidores o esquema começa a falhar, e existem muitos biliões emitidos. A maioria dessas entidades municipais e estaduais corre sérios riscos de entrar em colapso, um processo que já está em curso, segundo afirma o professor Richard Wolff da Universidade de Massachusetts - diz ele que isso se vai traduzir numa ainda mais abrupta quebra de qualidade de vida, numa altura em que os municipes mais precisariam dos serviços públicos, quando estão afectados por hipotecas e perda de residência. Não só estes, o novo agravamento da bancarrota afectará toda a gente...



* Chomsky: "O declinio da influência do Ocidente"
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sexta-feira, fevereiro 04, 2011

4 de Fevereiro, a génese da perpétua ditadura

Não sendo o direito de conquista um direito, não pode fundamentar nenhum outro, ficando o conquistador e os povos conquistados em permanente estado de guerra entre si, a menos que a nação, reposta em plena liberdade, escolhesse voluntariamente o seu vencedor como chefe. Até então (…) não pode haver nessa hipótese nem verdadeira sociedade, nem corpo politico, nem outra lei senão a do mais forte
(Jean Jacques Rousseau, “Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens)

Testemunhas da época, dizem que ao pé do que passou no 27 de Maio de 1977 em Luanda, os torcionários do Chile de Pinochet foram uns meninos de coro; dezenas de bairros inteiros suspeitos de albergarem simpatizantes do movimento de Nito Alves e José Van Dunen foram arrasados a blindados e buldozer de madrugada com pessoas que dormiam lá dentro - entulho e cadáveres foram espalhados por valas; os sobreviventes perseguidos e abatidos a tiro; alguns mais importantes foram presos e torturados pela policia politica do MPLA (a DISA então tutelada por Artur Carlos Pestana, vulgo "Pepetela"). Não perderemos tempo com julgamentos, teria dito Agostinho Neto. Estima-se que nesse dia foram assassinadas mais de 60 mil pessoas. E no entanto, a "comunidade internacional ocidental" não é lá muito lesta a pôr no index crimes contra a humanidade quando se trata de regimes subservientes e amigos...

O historiador Carlos Pacheco desmonta o processo inquinado da descolonização,,, de como Agostinho Neto nunca poderia ser considerado Marxista (foi libertado da prisão em Lisboa por obra e graça dos serviços secretos norte americanos para assumir a liderança da revolta em Angola contra o decrépito regime colonialista de Salazar), das contradições insanáveis entre os três movimentos guerrilheiros angolanos (embrião da futura guerra civil),,, da estreita colaboração entre a direita portuguesa e os Estados Unidos na ajuda ao MPLA para aniquilar os outros dois partidos,,, da herança do pior de dois mundos, o modelo da decadente e pouco democrática URSS (pós XXCongresso) conjugado com o capitalismo selvagem norte-americano. Enfim, dos implacáveis pogroms sobre os adversários politicos na conquista do poder do qual emerge o sempiterno camarada Zedu e a sua clique

A dor, como recorda o escritor argentino Ernesto Sabato, é também um património dos povos [...], um valioso e sagrado património a que cabe ser fiel”. Seguir, portanto, na esteira dos que entoam hinos ao esquecimento é negar a dor e a história dos desaparecidos e sobreviventes, é contribuir para que o 27 de Maio se venha a deformar totalmente e o seu herói acabe por ser, exactamente como n`O Processo de Kafka, o olvido “[...] cujo principal atributo é esquecer-se a si mesmo”. Não me parece que esta última fórmula auspicie a tranquilidade do país. O que chamam de paz, embrulhada no manto do perdão, não é mais do que o rosto granítico do silêncio e da cobardia, junto com a incapacidade de assumir a memória desse passado traumático produzido por poderes públicos deliquentes. Só abrindo o livro da verdade e da justiça se apagarão as nódoas do horror e da vergonha que cobrem o Estado angolano”
(Carlos Pacheco, “Angola, um gigante com pés de barro e outras reflexões sobre África e o mundo”, Edições Vega, 2010)
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quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Tomem nota do recado: o dinheiro como garante de estabilidade evaporou-se

o Bloco Soviético já caiu, o Bloco Capitalista está em processo acelerado de queda
mas, independentemente da ideologia formatada por países, uma nova classe burguesa que não reconhece fronteiras nem identidades nacionais, desponta para tomar conta da exploração dos escombros em nome da perpetuação dos privilégios de uma classe dominante transnacional

Ari Shavit no Haaretz:
A Revolução Árabe e o Declínio do Ocidente

“Dois tremendos processos estão a acontecer mesmo diante dos nossos olhos. Um é a revolução de libertação árabe (1). Depois de meio século durante o qual os tiranos governaram o mundo árabe, o seu controlo está enfraquecido. Depois de 40 anos de estabilidade decadente o apodrecimento está roer a estabilidade. As massas populares árabes não mais aceitarão o que habitualmente aceitavam. As elites árabes não mais permanecerão em silêncio (…)
O segundo processo é a aceleração do declínio do Ocidente. Por cerca de 60 anos o Ocidente deu ao mundo uma ordem imperfeita mas apesar de tudo uma estabilidade. Isso construiu uma espécie de Império pós-imperial que promete uma relativa calma e o máximo de paz. O despontar da China, Índia, Brasil e Rússia, assim como a crise económica nos Estados Unidos, torna claro que o Império está em principio de desmoronamento (…)
As cenas correntes são similares à Intifada Palestiniana em 1987, mas o colapso remete para o colapso soviético na Europa oriental em 1898. Ninguém sabe hoje onde a Intifada conduzirá. Ninguém sabe se ela trará democracia, teocracia, ou um novo modelo de democracia. Mas as coisas jamais serão iguais” (2)
(original aqui)

(1) O processo de libertação popular árabe no Egipto está a ser combatido com o lançamento governamental da "Operação Ajax"

(2) Nawal El-Saadawi: "Os voluntários que assaltam a multidão de manifestantes no Cairo receberam 50 libras e uma galinha cada um como incentivo pago pelo partido do presidente" (Newsweek)
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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A história do homem que era sério mas não queria que se soubesse

Algures num país insignificante houve uma vez um homem importante que concorria a um cargo importante. Como a maioria dos seus concidadãos, por estranhos hábitos ancestrais, valia-se das pequenas espertezas para se safar na porca da vida. Desenrascava-se, vindo-lhe por inerência da importância adquirida a obrigação de desenrascar o núcleo duro dos seus amigos; uma mão lava a outra, todos deviam favores, quase nunca limpos, uns aos outros. Apanhado em falta, o fulano mais importante, porque concorria ao tal cargo importante, não apresentou provas da sua pública lisura, não valia a pena, pensou, vou adiante assim mesmo, quero testar o estado de bovinidade dos meus fiéis súbditos. Assim foi, a maioria cagou-se para o assunto, mas os indefectíveis admiradores de esfinges ocorreram pressurosos para evitar que o tal homem importante caísse da mais alta magistratura abaixo. Consumado o acto, nesse dia houve festa e discursos rancorosos sobre a honorabilidade das bestas que haviam duvidado de sua excelência. Assente a poeira por mais alguns dias, o candidato que concorria ao cargo mandou o recado pelo mesmíssimo fulano que já estava eleito no cargo: os papéis apareceram! Persistiam as dúvidas, mas apenas meia-dúzia de basbaques esquerdistas se lembrava: se o homem tinha os documentos porque não os havia mostrado logo? Uma gaivota que por ali voava (voava baixinho, passado décadas tinha-se transformado em drone) registou a marosca: o eleito chamou o chefe de serviços. Olha vais ali e pedes ao chefe fulano de tal isto assim assim. De caminho passas ali pela minha secretaria civil e levas um cheque de 8.133 euros – tarde demais, a bronca estava outra vez nos jornais: ao objecto da esperteza fora atribuído pelo compincha fiscal um imposto sobre 252 metros quadrados (fora a área das massas que não haviam sido medidas antes no off-shore). Mas, confrontado o objecto real com o projecto meio taxado, este afinal mede 464 m2, quase o dobro do imposto a pagar. Faltam novos papéis.