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terça-feira, março 15, 2011

revolução líbia

Compreender a acção a partir das bases de uma democracia directa de cariz popular, não é a mesma coisa que assimilar os conceitos debitados por governos capitalistas "que querem libertar povos" a partir de intervenções armadas estrangeiras:
"Cerca de 100 mil voluntários juntaram-se às forças armadas líbias para combater os rebeldes" que pretendem destruir o regime que pôs termo à monarquia e construiu a revolução verde na Líbia. (Ansa)
Compreender a história recente da Líbia, lendo Fidel Castro:

* Para breve: a tomada de Benghazi e a normalização do país, salvo da interferência de ladrões (ler mais)
* Michel Chossudovsky: "a Operação Líbia e a Batalha pelo Petróleo, Novo Traçado do Mapa de África"
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segunda-feira, março 14, 2011

o Espectador Enrascado

“O presente não é alegre porque não há esperanças fortes, digamos assim, que sustentem os movimentos existentes(Jacques Rancière) e perante isto alegram-se os nossos liberais: “este pessoal da manif deve querer obrigar os empreendedores a empregar pessoal sem necessidade”; e concorda José Manuel Fernandes: "sem despedimentos não há contratações; não há meritocracia" o mesmo jmf aliado do governo que odeia, mas que está já a tratar de reduzir a quase zero as indemnizações por despedimento.

Mas pelo meio das interpretações possíveis na anábase da expedição dos milhares de precários deste sábado eis que aparece uma lufada de ar fresco, um jovem casal que empunha uma semprieterna saudação a José Estaline, homenagem concreta ao preciso momento em que a sociedade ocidental mais se aproximou do pleno emprego. Um modo de civilização que caiu às mãos da sociedade espectáculo do consumismo. Logo a seguir ao pós guerra os mesmos capitalistas que dão hoje nome à avenida principal de Telavive fizeram de Berlim, de forma artificial, uma feérica mostra consumista que igualou o melhor do mundo em luxo: Paris, Londres, New York, em apenas uma década; a seguir chegou Kennedy e o “somos todos berlinenses”. Quem chegou foi o efeito de contágio a que a URSS reconvertida foi obrigada a responder com a ameaça armamentista, austera, não sobrando daí capital acumulado para saciar eventuais luxos de consumo supérfluo

No tempo do nacional-liberalismo, “a opinião dominante entendia sob a designação de democracia a convergência entre uma forma de governação fundada nas liberdades públicas” (quando a ocidente impunemente a coisa pública ainda não tinha sido usurpada pela máfia governante) “e um modo de vida individual baseado na livre escolha posta à disposição pelo mercado livre”

Enquanto durou o império soviético, a opinião dominante opunha a democracia assim concebida ao inimigo que dava pelo nome de Totalitarismo” – nada mais falso, porque se a datada tese de Hannah Arendt ( a eterna apaixonada judia do professor nazi) tivesse qualquer fundamento além da encomenda que lhe sustentou a escrita, o processo totalitário nunca teria permitido a existência e subida ao poder de facções de opinião, que conduziram primeiro na década de 60 à degeneração do socialismo para capitalismo burocrático de Estado, e segundo, depois na década de 80 para a adesão ao modelo de capitalismo global invocando a mentira grosseira do retorno ao internacionalismo de Lenine.

“Mas o consenso acerca da fórmula que identificava a democracia com o somatório dos direitos do homem, do mercado livre e da livre escolha individual dissipou-se com o desaparecimento do inimigo. Nos anos que se seguiram a 1989, surgiram campanhas intelectuais cada vez mais furiosas denunciando o efeito fatal da conjunção entre os direitos do homem e a livre escolha dos indivíduos. Sociólogos, filósofos políticos e moralistas revezavam-se na tentativa de nos explicar que os direitos do homem, como Marx bem vira, são os direitos do individuo egoísta burguês, os direitos dos consumidores de toda a espécie de mercadorias, e que tais direitos, hoje em dia, levavam esses mesmos consumidores a destruir todo e qualquer entrave ao respectivo frenesim consumista e consequentemente a destruir as formas tradicionais de autoridade que impunham limites ao poder do mercado: a escola, a religião ou a família. Segundo eles, era este o sentido real da democracia: a lei do indivíduo preocupado unicamente com a satisfação dos seus desejos. Os indivíduos democráticos querem a igualdade. Mas a igualdade que querem é a que governa a relação entre o vendedor e o comprador de uma mercadoria. O que tais individuos querem, portanto, é o triunfo do mercado em todas as relações humanas. (1) E quanto mais se mostram inflamados na defesa da igualdade (no consumo) mais ardentemente contribuem para esse triunfo” (Jacques Rancière): nesta nova teorização neo-capitalista, o totalitarismo passa a ser a consequência do fanatismo individualista da livre escolha e do consumo ilimitado, visto pelos olhos tanto dos filhos de Marx como dos filhos da Coca-Cola.

Os manifestantes de ontem, adstritos às forças do “intelecto geral” hoje absorvido pelo Capital e pelo Estado (2) são os mesmos que hoje e amanhã vão encher de novo as grandes superfícies dos supermercados globais, as catedrais de gadgets semi-inúteis, as lojas de marca, ler as noticias na óptica das corporações multinacionais, enfim, os mesmos consumidores que esgotam discotecas bebendo umas bejecas em vez de se organizarem para o trabalho politico junto das massas de operários produtores – face ao que acontece, quanto mais querem destruir o poder da besta mais contribuem para o seu triunfo; aliás, não é certo que a revolta seja dirigida contra “as coisas boas” do capitalismo. A grande maioria não está interessada em destruir o sistema, mas apenas “em salvar um capitalismo que teria perdido o seu espírito” (3) e deixou de criar emprego, precisamente porque, sob a égide do neoliberalismo, vem há três décadas desmantelando os empregos que existiam na anterior geração de pais rascas. E no entanto fazer greve ao negócio dos homens mais ricos do país, ao consumo de produtos importados de longe (4), comprando nos mercados tradicionais locais produtos produzidos localmente é hoje mais revolucionário e um modo de luta mais eficaz que desfilar em efémeros cortejos folclóricos.

Nestas circunstâncias (5) - romper com a sujeição ao Capital que ilusoriamente criou riqueza fictícia e hiperconsumo supérfluo para alimentar lucros inviáveis enviando a resolução do problema para um futuro a resolver pelas novas gerações – a emancipação só pode surgir havendo uma reapropriação dos bens colectivos perdidos pela comunidade, isto é, recriando um núcleo de economia planificada posta ao serviço da colectividade local, livre e democraticamente decidido por esta. Noutro paradigma, decerto, mas um regresso ao Estaline da fotografia empunhada pelos jovens, democratizando-o pela purga da alienação ao consumo capitalista, ou aceitando e mantendo esse consumo lucro das multinacionais globais... e caso a escolha reverta para este último caso, quem melhor estará colocado para assumir o papel de Estaline senão Cavaco Silva?

"Trabalhadores", Ben Shahn, autor da série "a Idade da Ansiedade" (1944)

(1) "O Espectador Emancipado", Jacques Rancière
(2) "Miracle, Virtuosité et "Dejá-vu". Trois Essais sur l´idée de "Monde", Paolo Virno
(3) "Mécréance et Discrédit, l`Espirit Perdu du Capitalisme", Bernard Stiegler
(4) "Greve aos Supermercados", Ben Shahn, 1957
(5) "A Felicidade Paradoxal, Ensaio sobre a Sociedade do Hiperconsumo", Gilles Lipovetsky
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crescimento tecnológico desmesurado, obediência cega às "leis do mercado livre" e a falta de controlo efectivo dos recursos da Natureza

e, para ajudar a resolver a questão alvitrou-se de imediato a ajuda dos 50 mil soldados norte-americanos estacionados em território japonês; pelas razões óbvias lembrança logo imediatamente descartada, não fosse alguém inquirir das razões (obviamente por causa dos terramotos) porque está essa tropa ainda a ocupar o país 60 anos depois da derrota do Japão na guerra
(clique para ampliar)
(Miyagi, Japão - foto Reuters)

Receia-se um desastre nuclear pior que Chernobil
14 de Março; segunda explosão na central nuclear de Fukushima. Radiação ultrapassa um raio de 100 quilómetros
(ler mais e ver infografia)


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domingo, março 13, 2011

a apropriação da manifestação "apartidária"

A nota de 500 euros com a efigie de José Sócrates (a cara da geração dos 500 euros) a que as pessoas acharam imensa piada, que andou a ser distribuida anónimamente era feita por militantes da Juventude Social Democrata (o orgão infantil do PSD) mas que pressupõe por detrás a existência de uma máquina de propaganda bem sustentada financeiramente - a mensagem subliminar (dinheiro, e o seu regresso ao campo do investimento produtivo, dinheiro em circulação de novo abundante, ávido desejo do qual a canalha miuda dos mais espertos se poderiam de novo apropriar) passa por sugerir que com a mera mudança do governo do PS para o PSD a questão ficasse resolvida; quando de facto o que o jovem Passos Coelho fará (se lá chegar) será apertar ainda mais a tenaz, com a desculpa velha-e-relha que "a situação que herdámos está afinal muito pior do que aquela que nos era dada a conhecer"

Portanto, depois do trabalho dos acessores de propaganda de Cavaco na (mal desmentida) apropriação da genuina e legítima contestação do movimento popular: Sócrates para a rua já!, (mas não chega), a prossecução da trapaça por outros meios continua; embora com a cauda neoliberal de fora, a estratégia presidencial de substituição da actual maioria parlamentar adversa por outra de direita e extrema direita não estaria mal pensada para principio do novo "mandato activo" - isto é, vinda de onde vem, não estaria mal pensada senão estivesse a ser topada

sábado, março 12, 2011

a ver vamos... o que há de facto de anticapitalista nas manifestações de hoje

"A actual geração de precários, a primeira condenada a viver pior do que a dos seus pais, dá hoje um passo determinado para a conquista do futuro, rebelando-se contra a violência da economia capitalista. Fá-lo em nome próprio mas também em nome de uma solidariedade mais ampla. Esta não é uma luta entre gerações. Jovens precários, pensionistas pobres, desempregados de longa duração, trabalhadores rejeitados pelo mercado, todos sofrem da estrutura de humilhação sucessiva que começa nos mercados financeiros e termina na casa de cada um" (Joana Mortágua)

"Where Speech Could Have Been Transcribed", Julião Sarmento
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sexta-feira, março 11, 2011

o maior falhanço da história do neoliberalismo

Ronald Reagan 1911-1981 (se porventura o imbecil não se tivesse furtado a ser um belo alvo); assim,, ainda durou mais oito anos no cargo e saiu com o mais alto nivel de popularidade de um presidente durante todo o século XX. Lá que há coisas inexplicáveis, lá isso há. E ainda tem direito à efeméride com um filme novo
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quinta-feira, março 10, 2011

protestar para dar força ao regime

O maior ladrão é o que grita agarra que é ladrão: «é preciso um sobressalto cívico que faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte (...) Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num país mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam. Sonhem mais alto» (Cavaco Silva)

a instrumentalização e a demagogia (quem sabe senão mesmo uma planificação prévia) dão resultado

'Geração à Rasca' elogia discurso de Cavaco: Organizadora da manifestação de protesto do movimento Geração à Rasca, marcada para o próximo sábado, admitiu hoje à Lusa que o discurso de tomada de posse do Presidente da República foi recebido com muito agrado" (fonte)
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"Parlamento Europeu votou: o nosso interlocutor na Líbia passa a ser o Conselho de Transição criado pelos rebeldes" (a mando de quem?)

Libia, Egipto, Tunisia, Iraque, Afeganistão, Jugoslávia... tudo o que acontece de relevante nos campos petroliferos das batalhas em nome da liberdade ocidental se funda, por exemplo, num bater de asas de borboleta... no Texas. Este video realizado em 7 de Março 2011 ilustra uma indústria fluorescente - centenas de tanques saídos de uma linha de montagem marcham para Leste (o que não deixa muitas margens para dúvidas que se preparam novas intervenções)



Mas há filósofos e há os outros, os enciclopedistas,
que acumulam no seu armazém portátil
informações, como caixotes de vocabulário
mais ou menos organizado
É nestes que a confusão das línguas mais prejudicou
uma carreira internacional
Quanto a Bloom, o nosso herói ele é dotado de uma rara
inteligência mental e prática:
resolve as coisas da matemática e dá um nó eficaz a uma corda

(Gonçalo M. Tavares, “Uma Viagem à India”)
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quarta-feira, março 09, 2011

quem hoje toma posse para um enésimo turno é a mesma clientela do costume

a adesão à União Europeia tem sido uma autêntica torneira de maná para abastecer o parasitismo nacional. E o maior indice de vigaristas por metro quadrado é detectado na zona franca psd da Madeira, na fuga aos impostos por empresas semi-ficticias que facturam milhões sem empregarem trabalhadores. Dentro deste esquema, mais uma vez o soba de serviço à ilha off-shore da Madeira é acusado de irregularidades, no desvio de fundos para projectos não decididos democraticamente, em favor de amigos e correlegionários

Quando recentemente a propósito da reconstrução urbanistica da Madeira nos mesmos moldes anteriores à tragédia do ano passado, se criticou a não entrega dos fundos europeus, estavam a decorrer negociações entre Portugal e a União Europeia para regularizar o estatuto da ilha. Entretanto constata-se que a União Europeia não andou a estudar para parva (265 milhões de reforço do Fundo de Coesão europeu e 31,2 milhões do Fundo de Solidariedade europeu nunca chegaram para ajudar a recuperar os prejuizos da tragédia das cheias) porque os decisores sabem muito bem que esses fundos seriam desviados...

Entrevistado esta manhã o deputado madeirense José Manuel Coelho reiterou a intenção de não estar presente na cerimónia de investidura do presidente. Não vai porque se sente um dirigente revolucionário, e como representante legítimo deve estar em sintonia com as massas populares nas quais se integra. "Não vou, disse, porque Cavaco não será o meu presidente; ele representa o oposto às aspirações da maioria dos portugueses. Cavaco representa a direita mais conservadora, uma capa de protecção a este governo, e um ícone dos dois partidos que são ambos neoliberais". Para os escassos 2,8 milhões de votantes em Cavaco (71 anos, com funções governativas desde os 40 anos) o voto foi a medida da necessidade de não fazer greve aos tachos institucionais - a maioria dos portugueses, que têm o azar de ser honestos, também não vão estar presentes, porque não se revêem no país de Cavaco Silva

aviso à navegação: na medida em que a corrupção vence, com o agravamento da crise, os portugueses de bem devem estar preparados para a Idade da Moca que hoje se inicia
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terça-feira, março 08, 2011

8 de Março, o dia internacional da Mulher

a Oeste nada de novo...
... porém, a leste a situação das mulheres nos territórios ocupados por Israel é insustentável. "Nos checkpoints, nas longas filas de horas ou até dias, a cena de uma mulher grávida dando à luz ou de doentes sendo recebid@s aos berros pelos soldados é uma cena trágica, porém comum para quem visita a região", contou a palestiniana Soraya Misleh, jornalista, figura da luta para os direitos humanos e activista da organização Mopat, Movimento Palestina para Todos. (ler entrevista) ... Neste dia 8 de Março as mulheres de Gaza e da Palestina em geral promovem eventos, marchas de protesto e manifestações contra a ocupação israelita

Umberto Eco, "o Cemitério de Praga"

"a comunidade judaica, maçons e jesuitas vão ter as suas razões de queixa..."

(recortes do DN, clique para ampliar)
extractos do livro:
Hebreu: de "Heber" o último neto da personagem biblica "Sem", palavra da raiz "hibri" "aquele que passa" (viajando) - na Mesopotâmia usava-se o termo "Habirou" (1) e no antigo Egipto "Apirou", para designar os elementos das tribos nómadas vindos das estepes, descritos como "ladrões, salteadores, bandidos, mercenários" (Forrest Reinhold, "The Origins Of The Hebrews)

O contexto histórico em que seria necessária a purga está desactualizado, uma vez que hebreus ou semitas não possuem já a identidade original - os que se assumem no presente como possuindo essa identidade são de facto usurpadores de uma determinada etnia que já não existe, por via de cruzamentos genéticos seculares - não existem "raças puras" - como a maioria dos poderosos que se intitulam na América como sendo "judeus"

(2) "Não será, por conseguinte, no Pentateuco ou no Talmude, mas na sociedade actual que iremos encontrar a essência do judeu de hoje (...) o judeu integrar-se-á nas sociedades para as quais emigrou (...) O judeu se tornará numa impossíbilidade, tão logo a sociedade consiga acabar com a essência empírica do judaísmo, com a usura e as suas premissas"

(1) ver "Habiru", na Wikipedia
(2) Karl Marx, "A Questão Judaica"
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segunda-feira, março 07, 2011

Socialismo mau...

forças militares do governo legalmente constituido da Libia contra-atacam subversão da ordem por rebeldes infiltrados a partir do exterior


(al-Jazeera)
... e Socialismo bom

a
"Internacional Socialista" (do qual o regime de Angola faz parte) e a sua metodologia neocon: "É meu! é tudo meu" (segundo "The Economist")









No país dominado há três décadas pela cleptocracia de José Eduardo dos Santos "apenas nove por cento da população de Luanda (cerca de cinco milhões) tem água corrente, uma percentagem menor do que durante a guerra civil". Em compensação o milagre económico trouxe os habituais "elefantes brancos" ao serviço dos lobies multinacionais, cuja utilidade para a população é nula. "Foram comprados 3000 autocarros mas o país só tem 1500 motoristas. Foi construído um edifício para a Bolsa, mas o país não tem mercado de valores e foram gastos cerca de mil milhões de dólares em quatro estádios de futebol para a Taça das Nações Africanas". Acha mal? experimente dizê-lo publicamente: "Cerca de 20 pessoas foram hoje detidas em Luanda, incluindo o rapper angolano “Brigadeiro Mata Frakus” e jornalistas do “Novo Jornal”, quando se preparavam para dar início aos protestos anti-governo marcados para hoje" (fonte)

domingo, março 06, 2011

somos governados por vigaristas através de instituições ocultas

"O dinheiro é um bem público. Assim como a água? Exactamente" (in "Film Socialism", de Jean-Luc Godard

"Reúne 70 homens escolhidos pelos anciãos de Israel e leva-os à tenda do Conselho" (Livro dos Números)

Umberto Eco, em entrevista ao DN sobre o lançamento do seu próximo livro "O Cemitério de Praga"

O ex-gestor Fernando Lima Valadas é o mesmo que cedeu as instalações para a sede de campanha presidencial de Manuel Alegre, um andar (na Rua Marquês de Fronteira, 8, 1.º em Lisboa) propriedade da Galilei, a antiga holding do BPN - veja os nomes de gente da maçonaria empossada em cargos importantes e, da direita à esquerda, surpreenda-se: Portugal é uma autêntica festa de avental
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sábado, março 05, 2011

"Socialisme", o filme de Jean-Luc Godard

hoje dia 5 na Culturgest, dia 6 em Serralves, em Abril na Cinemateca - num país decente este seria um dos acontecimentos culturais do ano, mas de "film socialisme" e de cultura temos a barbárie:

O filme apresenta o ponto de vista de Godard sobre o estado actual da Europa, pelo prisma de uma viagem do navio de cruzeiros "Costa Serena" através do "Mare Nostrum"
clique aqui para visualizar o mapa interactivo da formação e desaparecimento do dominio do Império Romano sobre o Mediterrâneo (510 a.n.e - 495)

"Socialisme" é composto de três movimentos: 1."As Coisas como Elas São", a bordo entrecruza-se uma algaraviada de dialectos representados por uma amostra significativa dos passageiros em férias que navegam indiferentes ao mar em pano de fundo: um criminoso de guerra que enriqueceu, um alto quadro das Nações Unidas, um detective da ex-União Soviética, um idoso agente-duplo, Alain Badiou um francês célebre, a cantora americana Patti Smith... enfim, uma excursão de novos argonautas onde não há muito para extrapolar da multiplicidade das palavras, pelo contrário, nota-se que em certas circunstâncias o silêncio é de ouro; 2. o segundo movimento é "A Nossa Europa" onde chegam agora vindos das terras que já foram o celeiro dos romanos novos náufragos ("esta pobre Europa, eles não a purificaram, mas corromperam-na pelo sofrimento; eles não voltam para a enaltecer, mas humilhados pela reconquista da liberdade"). Noite cerrada, dois candidatos a eleições são convocados a comparecer perante um tribunal de crianças: os juizes pretendem obter explicações honestas sobre os temas liberdade, igualdade e fraternidade;

e 3. o movimento final "A Nossa Humanidade", onde a viagem toca nos sitios miticos da história da civilização ocidental: o Egipto (o Islão é o oriente do ocidente), a Palestina (onde não acontece nada, excepto Israel), Odessa (a invasão semita, o ruir das lendas da democracia fundada sobre o regime de escravatura), Nápoles (memória da invasão americana durante a 2ª grande guerra, "viver ou dizer sim, não temos escolha"), a Grécia (a grega Helade de onde deriva a palavra anglo-saxónica "Inferno"), por fim Barcelona (os bastardos que rejeitam o encanto côr de rosa da monarquia)

Jean-Luc Godard deu a conhecer «Socialisme» na rede de internet numa forma cinematográfica experimental inovadora : condensou e acelerou as imagens da longa metragem em 4 propostas de velocidades diferentes, um vídeo-clip de 4min25seg e as seguintes numa aglutinação mais rápida 2min32seg, depois cada vez mais hipnóticas as mesmas imagens resumidas em 1min,34seg e ainda num mínimo/máximo de 1min32seg, ou seja, a cada espectador, mais lento ou mais rápido, caberá interpretar a História conforme as seis versões e a sua disposição para as ver, (ou, no caso de velocidade zero, não querer ver)

"Não haverá solução sem que vejamos a Europa feliz de novo, sem que ouçamos de novo a palavra Rússia e a palavra Liberdade"
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sexta-feira, março 04, 2011

uma bomba ao retardador

o ensaio de três agravamentos da crise nos sectores estratégicos, o aumento do petróleo, dos bens alimentares e dos juros bancários é um cocktail explosivo

O défice comercial português deverá agravar-se com a alta recorde de preços dos bens alimentares nos mercados mundiais, que incide sobre os produtos que o País mais importa. Estes atingiram em Fevereiro o nível mais elevado dos últimos 21 anos, desde que a FAO os monitoriza. A bolsa das famílias vai, portanto, voltar a ressentir-se. E a pior notícia é que o Banco Mundial estima que a instabilidade e a alta de preços deverão manter-se até 2015. Segundo o índice mensal daquela organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, os preços subiram em todos os grupos de produtos pelo 8.º mês consecutivo. Ao contrário de Espanha em Portugal não se cuidou de manter em funcionamento um sector estratégico para economia: a agricultura. "No caso dos cereais, produzimos 25% das nossas necessidades, no trigo produzimos apenas 11%, pelo que qualquer aumento global de preços terá implicações a nível nacional, nomeadamente no pão"... "Temos uma estrutura importadora dominada pelos cereais e oleaginosas, que são quase 40% e são exactamente os produtos de base que têm sofrido mais aumentos no mercado mundial"

* Aumento do Custo de Vida: Degradação das condições económicas e sociais para a generalidade dos portugueses (CGTP)
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quinta-feira, março 03, 2011

um ar de “renovação” na esquerda, ou seja, mais do mesmo

"Resta uma explicação “instintiva”, a de que o BE se quis livrar do vírus da colaboração com o PS, no rescaldo das presidenciais. Isto seria uma dupla crise de confiança: do bloco em si mesmo como oposição; e do eleitorado no bloco como partido compreensível" (Rui Tavares)

“A história da moção de censura, anunciada pelo Bloco de Esquerda, constitui um verdadeiro tiro no pé de um tacticismo saloio, sem menosprezo para os saloios. Foi uma erro colossal que chocou e confundiu os próprios simpatizantes do Bloco” (Mário Soares, DN, 15 Fev)

No tempo do menino Oliveira era fino inscrever-se no PCP, daria curriculo e um rápido ganhar de vida, um sonho de sucesso no meio de todos aqueles velhinhos jarretas – se melhor o pensou melhor o tentou mas deu para o torto, só a esperteza saloia por si mostrou-se insuficiente, era preciso trabalhar desinteressadamente, sacrificio, mérito, essas pequenas minudências de que se alimentam os anónimos heróis da classe operária – e assim o adolescente Oliveira na primeira oportunidade e à boleia do conceituado doutor Pina Moura (hoje um gestor capitalista de sucesso também com curriculo construido no PCP) pendurou-se numa coisa com o pomposo nome de “Politica XXI” – daí a submarino social democrata infiltrado no BE foi só mais uma vaga na maré da ambição pessoal. Mas mandar bocas em vez de estudar é como tentar subir por uma escada sem degraus... e o agora já comentador encartado senhor Oliveira resolveu meteu-se por atalhos como “ideólogo” no caminho mais rápido para o Partido dito socialista na sua versão neoliberal actual, mas estatelou-se e está à beira do despedimento politico: “os média não dão cartão de eleitor no Bloco”, como se viu bem pelo •caso• da Tonicha, perdão, da Joana Amaral Dias, sem menosprezo para a Tonicha, diz-se por aí ...
(parafraseando o Luis Fazenda)

"Chegara mesmo ao ponto de pensar que a escuridão em que os cegos viviam não era, afinal, senão a simples ausência da luz, que o que chamamos cegueira era algo que se limitava a cobrir a aparência dos seres e das coisas, deixando-os intactos por trás de seu véu negro. Agora, pelo contrário, ei-lo que se encontrava mergulhado numa brancura tão luminosa, tão total, que devorava, mais do que absorvia, não só as cores, mas as próprias coisas, tornando-os, por essa maneira, duplamente invisíveis" (José Saramago, “Ensaio sobre a Cegueira”)
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quarta-feira, março 02, 2011

o Espírito do Tempo

O governo mais uma vez deixa transparecer que obedecerá a todas as imposições dos organismos financeiros internacionais decretando novas medidas de austeridade – aliás foi lesto mesmo antes de receber as ordens (hoje na Alemanha)

começando ontem por obrigar os estagiários a pagar mais de 30 por cento de impostos; enquanto o problema do desemprego atinge de novo um máximo histórico e a precariedade (resultado da politica de flexibilidade proposta por Cavaco Silva em 2006) faz o seu caminho: segundo a Comissão Europeia 22% da população empregada no nosso País já tem contratos a prazo, quando a média da UE17 é de 13,5% - O que leva alguém em nome da “geração à rasca” (ou mais concisamente: a escravatura perpétua como excedente descartável ao serviço do sistema, definido como funcionando “em nome do conforto pessoal e do bem estar das organizações instituidas dominantes” (Sara Sanz Pinto no jornal-I) a marcar um protesto público para o próximo dia 12 - por coincidência o mesmo dia em que se assinala o “Dia-Zeitgeist” (o espirito do tempo) em várias cidades do mundo. E por esta coincidência um filme de uma “teoria da conspiração” chegou aos jornais (pelo menos ao I)

Zeitgeist começou por ser um filme (de 2007 e referido aqui) e teve duas sequelas, Zeitgeist Addendum em 2008 e o terceiro que nos chegou já em 2011 “Zeitgeist, Moving Forward” (prólogo no video abaixo). Depois de uma cronologia histórica sobre os males que ameaçam fazer ruir os moldes da civilização ocidental – o modo de criação de dinheiro nas sociedades pré-capitalistas, a secular lavagem ao cérebro através da religião (a rejeição da lógica e do pensamento racional) e o contemporâneo beco sem saída do capitalismo financeiro gerador de fraudes e actos de banditismo – “uma sociedade baseada na ganância tem os dias contados” diz Peter Joseph Merola (nome ficticio) o principal mentor que conduziu à fundação do movimento Zeitgeist entretanto gerado e ampliado na internet.

Na generalidade a análise e sequências históricas em “Zeitgeist” estão correctas: o capitalismo declarou falência técnica (uma inevitabilidade) em fins do mandato de Bill Clinton (tanto que foi declarado culpado, junto com Alan Greenspan, pela recente “comissão de inquérito da crise”); a administração Bush executou um ”inside job” no 11 de Seyembro como modo de saída para acções de saque globais para alimentar e repôr a massa falida; e por fim o disfarce do crime: “o que Obama prometeu ficou por materializar, os seus comentários sobre acções futuras não passam de retórica, é o homem da linha da frente do sistema de Wall Street. A sua eleição foi um trabalho de engano psicológico para criar uma taxa de aprovação positiva, ele está lá para pacificar a opinião pública”. Entretanto os ideólogos do Complexo-Politico-Militar-Industrial prosseguem normalmente as suas actividades

Zeitgeist: Moving Forward 2011 - a estudar atentamente, numa perspectiva de tomada de consciência de classe, antes de sair para a rua sem saber para fazer o quê...



versão completa 2h:41min:25seg aqui
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terça-feira, março 01, 2011

e o óscar para o titulo mais estúpido do jornalismo português vai para:

mais uns quantos buracos...

nos dias que correm é quase vergonhoso acrescentar trabalho ao dinheiro produzido; na nossa "indústria" houve que aproveitar o lucro fácil produzido pela fonte tradicional portuguesa: quem quer dinheiro vai ao Totta (e como o dote da noiva virgem (o Santander) vem de Espanha), a paixão foi ainda mais louca...