Para mentiras novas chega então um inopinado agente “da esquerda” com o recado básico e lapidar que é preciso “dizer à Máfia que não pagamos”. Com duas expressões verbais e dois sujeitos (“Nós” e a “Máfia”) é uma obra de arte mentir tanto com tal economia de palavras. O rapaz, que é colunista do Expresso (falamos de Daniel de Oliveira) vai longe e o patrão Balsemão (o agente Bilderberg para Portugal) esfrega as mãos de contente porque emprega um tipo do Bloco de Esquerda.Analisemos então o espírito do Diabo (devemos) e do Oliveira (não pagamos).
Regra geral cada português comum não deve nada. É honesto, tudo o que tem paga, ou está em vias de pagar, senão o Estado expropria-lhes os bens e põe-os em leilão - fica de tanga, não segundo a tanga colectiva da filosofia Durão Barroso, mas a tanga de cada sujeito por si à sua vez consoante imcumprisse. Porém, cada caso por si, de cada Sujeito, não integra o individuo num conjunto homogéneo que resulte num “Nós”. O sentido implícito da bojarda oliveiresca:“nós não pagamos” cria um protesto simbólico, sem eficácia concreta, mentiroso. Parte do principio que “nós é que mandamos no Estado, ou que é possível alterar a relação de domínio deste sem um corte revolucionário. Cada “Sujeito” é isso mesmo, alguém que está sujeito na sua consciência individual ao constrangimento social imposto pelo aparelho ideológico do Estado. Ao admitir que “o Estado” neoliberal somos “Nós” a ideologia opera sobre e dentro dos indivíduos através de e como mecanismos ideológicos de sujeição, transformando “os indivíduos em sujeitos”. Apela-se ao individuo “não pagamos” quando de facto se pagamos, como pagamos ou não pagamos dívidas que não foram contraídas por indivíduos avulso, é a clique que domina o Estado quem decide. E é “com a dominação dos aparelhos ideológicos de Estado que a elite burguesa reproduz a sua lógica de dominação desigual não inclusiva de grande parte de pessoas na sociedade e procede à reprodução capitalista das relações de produção” (Althusser).
os Aparelhos Ideológicos do Estado em geral são compostos pelo governo, partidos políticos constitucionais, pela administração fiscal, as forças militares, pela igrejas e misericórdias, forças policiais, o sistema judiciário, o sistema penal, etc. Acrescente-se em lugar de destaque remunerado o Oliveira (e já agora o Rui Tavares pró-intervenção NATO) - “é com finalidades ideológicas bem precisas que a filosofia burguesa se apoderou da noção jurídico-ideológica de Sujeito para dela fazer uma categoria filosófica número um”. Ao passo que a noção de sujeito “não tem nenhum sentido para o materialismo dialéctico, que pura e simplesmente a rejeita, como rejeita (por exemplo) a questão da existência de Deus”. E ao contrário dos cronistas da ilusão do "Sujeito" com uma autonomia de decisão inexistente, a filosofia marxista deve romper com a categoria idealista de “Sujeito como Origem” de problemáticas que só têm resolução através da Sociedade como um todo.































