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sexta-feira, junho 03, 2011

o Povo Vencerá!

"O Povo não tem de pagar uma dívida que não contraiu e da qual em nada beneficiou. Nesta campanha ninguém ousou falar do memorando da 'troika' e do que ele implica em perda dos mais variados Direitos por parte do Povo. Este acordo só serve os três partidos (PS, PSD e CDS) lacaios do imperialismo capitalista" (Garcia Pereira)
"o PS merece ser enterrado vivo, mas a vitória suprema era eleger o camarada Garcia Pereira para o Parlamento" (Arnaldo Matos)
"Estas eleições são uma fraude. Quiseram fazer-nos cair numa armadilha, colocando-nos a debater com os outros partidos que não têm assento parlamentar, mas nós não caímos nisso porque os princípios não se traficam. Não nos vendemos". Censuraram debates em directo e com o mesmo tempo de antena com os 5 partidos parlamentares para não terem de ouvir chamar "na tromba aos partidos do Arco Parlamentar aquilo que eles são -- traidores à Pátria, indivíduos que venderam o País a retalho" (Garcia Pereira). (Jornal de Noticias) - fotografias do jantar de encerramento de campanha e resumo dos discursos aqui

* "As meias verdades em Democracia"
* Perguntas e respostas online no iLeger no Sapo
* o apoio de Pedro Barroso

Com um Deputado do PCTP/MRPP no Parlamento nada será igual ao que era dantes. Ultimo dia de campanha - Votem Garcia Pereira

o Bloco Central prepara-se para deglutir os ratos, que são os únicos incapacitados de intervir no rumo do navio

"é evidente que o lider social-democrata já tinha confessado que o programa da troika tinha dado uma excelente ajuda ao PSD para apresentar uma proposta eleitoral muito mais radical..." (Editorial "PPC o eleito da troika", do pasquim ultraconservador Correio da Manhã)

as sondagens, como manipulações organizadas, colocam na recta final destas eleições inúteis (o programa de "governo já está estabelecido antecipadamente pela Troika) a convicção que o engenheiro José Sócrates "será finalmente expulso da governação" segundo o manifesto desejo expresso pela antiga ministra das finanças de Cavaco Silva. Se os resultados da campanha mais estupidificante de sempre correrem como as leis de Murphy determinam, os ratos eleitores correm com o gato preto e vão consentir amavelmente no regresso do gato branco...



Um exemplo concreto do estilo de actuação da alternância entre os dois partidos do Bloco Central é o esquema que está montado em torno da privatização do actual maioritariamente sistema público de Ensino. Durante os consulados de Cavaco Silva, para suprir a insuficiência da oferta o Estado subsidiou escolas privadas que iniciaram uma alternativa à educação, montada como um negócio.

Face aos cortes impostos nos subsidios à escola privada, o governo PS resolveu "reformar" o sistema, "aumentar a eficiência da componente de ensino público e entregou a gestão das escolas públicas a uma única entidade, a Parque Escolar, uma empresa também pública que tem vindo a proceder a obras de beneficiação (sem concurso) em dezenas de escolas. Estas escolas passaram a pagar uma renda mensal exorbitante à Parque Escolar. Quando o governo PSD (coligado com quem quer que seja) voltar ao governo, para cumprir o programa de privatizações exigido pela Troika, uma das primeiras empresas públicas a ser vendida é a Parque Escolar E.P.E. - e com ela marcha a rede de escolas "reformadas" com dinheiro do Estado, que passam a ser privadas. E os alunos passam a pagar propinas em conformidade e a ser obrigados a recorrer a empréstimos bancários como se faz nos Estados Unidos. Um privilegio para muito poucos.

Outra pequena habilidade é o que se passará com a redução da taxa social única descontada pelas entidades patronais (TSU). Para compensar a perda de receitas pagas pelas empresas privadas o Estado aumentará o IVA. Quer dizer, aquilo que os patrões não vão pagar, vai ser pago pela generalidade da população enquanto consumidora de bens essenciais. De um modo geral as politicas PSD-PS-CDS a prosseguir tratarão de continuar as transferências de capital aplicado naquilo que actualmente é social directamente para os bolsos dos patrões
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quinta-feira, junho 02, 2011

campanha eleitoral: terreno fértil para mentirosos

o escroque aqui fotografado gaba-se de ter indicado o nome de Barroso para a Comissão Europeia; dando a entender que existem forças ocultas que determinam quem pode ou não pode ser o quê nas instituições mascaradas de democráticas. Desde que Durão Barroso desempenha o cargo que Portugal, como país periférico que é, vem multiplicando o endividamento e desconvergindo dos parâmetros medios de vida na Europa. De que serviu ter o ex-1º ministro do PSD (um dos componentes da Troika) em tão altas funções? Eles sabem ao que vão, antes de serem empossados e conhecem os programas pré-concebidos para que são contratados. Silvio Berlusconi enganou meia população de Itália e mais um. Neste preciso momento caiu no mais completo ridiculo e a maioria da população, dos que não se riem da triste figura, odeiam-no com um suspiro de alívio. Mas a propaganda eleitoral em 2008 era outra - a música é a do folclore e a letra a da mentira, e não as condições de vida concreta das pessoas:

quarta-feira, junho 01, 2011

“é fácil verificar que a realidade segue um caminho diferente do dos discursos”

Boaventura Sousa Santos

“Não é possível que num futuro próximo Portugal seja promovido ao centro do sistema (passe a país desenvolvido) ou despromovido para a sua periferia (passe a país subdesenvolvido). É mais provável que a sua posição intermédia se consolide em novas bases.
(…) o seu padrão de especialização tende a ser dominado pelas produções que se desvalorizam no plano internacional e que, portanto, deixam de interessar aos países centrais (…) não é a mesma coisa vender sapatos e têxteis ou vender aviões. E este é o elemento estruturante básico da nossa existência colectiva (…) no meio das potencialidades universalizantes num sistema mundial caracterizado pela concorrência inter-Estados.

(…) À medida que as crises financeiras alastrarem a mais países europeus tornar-se-á claro que a crise é europeia e que decorre em boa parte de um sistema financeiro desregulado, controlado pelos interesses do capital financeiro norte-americano (…) Contrariamente aos que viram na crise o fim do neoliberalismo e da supremacia do capital financeiro sobre o capital produtivo, a crise tem vindo a ser “resolvida” pelo mesmo capital financeiro que a provocou e o seu motor principal, a Wall Street, está hoje mais forte e arrogante que antes. A luta politica dos próximos anos será uma luta pela redefinição dos termos da crise e só na medida que esta ocorrer será possível punir, em vez de recompensar, quem a provocou e encontrar soluções que efectivamente a superem. É uma luta de contornos imprevisíveis.
(…) Não é crível que o que se passa intramuros se explique totalmente por dinâmicas internas, nem que sejam estas a determinar em exclusivo as soluções para as crises, contextualizando a nossa posição no espaço europeu e mundial.

(…) a partir da década de 1930, o Estado aumentou exponencialmente a sua intervenção na economia para garantir a eficiência e a estabilidade que os mercados por si não conseguiam garantir, como ficou demonstrado com a Grande Depressão de 1929. Ciquenta anos depois, com a emergência do neoliberalismo, passou a vigorar, com o mesmo grau de evidência, a ortodoxia oposta que são os mercados que garantem a eficiência e a estabilidade e que é o Estado que as impede. O Estado e os Mercados podem ser simultaneamente os causadores das crises e as suas soluções?
(…) na Europa, a chamada Terceira Via foi um acto de rendição ao neoliberalismo e à desistência de procurar correctivos eficazes contra a pulsão destrutiva do capitalismo.
(…) Nos últimos trinta anos, o FMI, o Banco Mundial, as Agências de Rating e a desregulação dos mercados financeiros têm sido as manifestações mais agressivas da pulsão irracional do capitalismo.

A partir da obra fundamental de Marx e dos contributos, tão diversos entre si, de Schumpeter (1942) e de Karl Polanyi (1944), é hoje consensual entre os economistas e sociólogos políticos que o capitalismo necessita de adversários credíveis que actuem como correctivos da sua tendência para a irracionalidade e para a auto-destruição, a qual lhe advém da pulsão para funcionalizar ou destruir tudo o que pode interpor-se no seu inexorável caminho para a acumulação infinita de riqueza, por mais anti-sociais e injustas que sejam as consequências. Durante o século XX, esse correctivo foi a ameaça do comunismo e foi a partir dela que, na Europa, se construiu a social-democracia (o modelo social europeu, o Estado Providência e o direito laboral). Curiosamente, a correcção do capitalismo foi possível devido à existência, no horizonte de possibilidades, de um paradigam alternativo de sociedade, o comunismo e o socialismo. A ameaça credível de que ele pudesse vir a suplantar o capitalismo obrigou a manter algum nivel de racionalidade, sobretudo no centro do sistema mundial. Extinta essa ameaça, não foi até hoje possível construir outro adversário credível a nivel global. Na Europa, a social-democracia começou a ruir no dia em que caiu o Muro de Berlim.

(…) durante muito tempo Portugal foi um país simultaneamente colonizador e colonizado. (…) o fim do império colonial não determinou o fim do carácter intermédio da sociedade portuguesa, pois este estava inscrito na matriz das estruturas e das práticas sociais dotadas de forte resistência e inércia. Mas o fim da função de intermediação de base colonial fez com que o carácter intermédio que nela em parte se apoiava ficasse de algum modo suspenso à espera de uma base alternativa. Essa suspensão social permitiu que no pós 25 de Abril (entre 1974-1976) fosse socialmente credível a pretensão de Portugal de se equiparar aos países centrais e, mesmo em alguns aspectos, de assumir posições mais avançadas. Em 1978, o FMI destruiu a credibilidade dessa pretensão

(Boaventura Sousa Santos, in “Portugal, Ensaio contra a Autoflagelação”, Ediç Almedina, 14,00€)

notas sobre citações no texto

1. A "destruição criativa" em economia é um conceito do jovem jesuíta, banqueiro falido e ministro das finanças austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950) teorizado na sua obra “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942). Ela descreve o processo de inovação, que tem lugar numa economia de mercado em que novos produtos destroem velhas empresas e antigos modelos de negócios. Para Schumpeter, que depois leccionou nas Universidades de Harvard e Cambridge (Massachusetts, EUA), as inovações dos empresários são a força motriz do crescimento económico sustentado a longo prazo, apesar de que poderia destruir empresas bem estabelecidas, reduzindo desta forma o monopólio do poder. "O processo de destruição criadora", escreveu Schumpeter em letras maiúsculas, "é o factor essencial do capitalismo", com o seu protagonista central no empresário inovador(Wikipedia)

2. "A Grande Transformação" (1944) é um clássico da literatura sobre o capitalismo, por ir de encontro às correntes governantes do pensamento económico dominante, mas por essas mesmas razões, acabou sendo mais bem aceite pelos campos da antropologia e da sociologia. Somente em 1940, durante um ciclo de palestras nos Estados Unidos, o economista judeu-hungaro Karl Polanyi (1886-1964) entrou oficialmente na vida académica. Com a repercussão do seu trabalho, foi convidado para leccionar na Universidade de Columbia. Entretanto a sua mulher, Ilona Duczyńska, por ter sido membro do Partido Comunista, nunca viria a conseguir visto de entrada nos Estados Unidos. (Wikipedia)

3. Boaventura Sousa Santos, doutorado pela Universidade de Yale, é professor jubilado e dirigente do CES (Centro de Estudos Sociais) na Universidade de Coimbra. Ganhou notoriedade pela sua participação na fundação do Forúm Social Mundial que durante um largo periodo se sedeou na cidade brasileira de Porto Alegre. O Fórum perdeu visibilidade desde que o municipio local perdeu o mandato exercido por um presidente de esquerda progressista, mas BSS continuou a colaborar com diversos jornais brasileiros, a editar livros e a dar conferências em diversas latitudes. Recentemente foi-lhe concedida uma bolsa de 2,4 milhões de euros pelo European Research Council para dirigir o maior projecto português na área da sociologia “destinado a desenvolver um novo paradigma teórico para a Europa contemporânea(fonte)

4. Karl Heinrich Marx (1818-1883), filósofo, cientista político e socialista revolucionário, concebeu o estudo sobre Economia mais influente de sempre e dispensa apresentações: continua a ser um “adversário credivel” para a multidiversidade de agentes de mercado oportunistas que pretendem rever os fundamentos dos processos de acumulação capitalista
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Garcia Pereira a Deputado (X)

A importância de uma correcta política sobre o mar na recuperação da nossa economia!



* em foco. Garcia Pereira: "a manipulação em marcha; eu não faltei a debates"
* Ainda hoje eu encontro cidadãos que não sabem que o PCTP/MRPP se apresenta às eleições:

terça-feira, maio 31, 2011

União Europeia ameaça expropriar meia Grécia

Se a Grécia incorre no incumprimento da Dívida (diz o ministro alemão Wolfgang Schäuble) os efeitos nas entidades financeiras globais serão muito piores que a falência da Lehman Brothers, que já foram desastrosos uma vez que pôs em causa a estabilidade do sistema.

A Lehman possuía centenas de milhares de títulos de dívida em bolsa e meio milhão de pacotes financeiros derivados “tóxicos”, mas ainda assim os credores dispuseram de uma reserva de capital que diminuiu em grande parte o efeito da quebra inicial. E quando essas reservas se esgotaram foram repostas pelas ajudas aos bancos na forma de biliões em TARP Money (dólares-papel fabricados de propósito para acudir às perdas em bolsa). Esse dinheiro foi espalhado, da mesma forma que os bonds do subprime o tinham sido, pelos bancos centrais de todo o mundo, especialmente pelos da Europa com a concordância dos que a governam. E a especulação prosseguiu.

Como se disse aqui, os países com a percentagem de títulos de divida mais exposta a credores estrangeiros (Grécia, Portugal, Irlanda e agora a Eslovénia) são os mais vulneráveis à especulação e por essa razão é por aí que se desencadeia o ataque ao Euro. Quando existe ameaça de incumprimento (default, bancarrota, inevitável no caso da Grécia afirma o New York Times) os especuladores entram em pânico e tentam vender os títulos que possuem e que correm o risco de desvalorização. Havendo muito papel desse à venda, duvidoso, a moeda que o cobre desvaloriza-se. Mas o Banco Central Europeu trata das dividas públicas e dos bancos privados avalizados pelos Estados como se não existisse risco. È o negócio deles, fundamentalmente na Europa o do sub-imperialismo alemão ao serviço de Wall-Street e da Reserva Federal. Quanto maior é o risco, maior o juro, maior se torna a rentabilidade desses empréstimos. Para bem relembrar uma obscura personalidade do Bloco-PS-PSD-Cavaco, só assim se compreende que o ex-governador do Banco de Portugal Vitor Constâncio tenha deixado um país desregulamentado e à beira da falência e apesar disso tenha sido promovido a vice-presidente do BCE – banco que com o desenrolar da crise para cima da Europa até ele está em vias de necessitar de ser recapitalizado. Quanto mais dinheiro fabricam, maior será a obrigação do povo pagar essas dívidas, mais se agravarão as suas condições de vida. A solução está no levantamento e insurreição dos povos e na recusa ao pagamento de dívidas que não foram contraídas por eles e muito menos em seu benefício.

Face à “crise do Euro” - mais vale pouco que nada - conservadores como Nouriel Roubini defendem a "reestruturação ordenada" da dívida grega. Mas, mais à direita, a “solução” pretendida pelos actuais governantes e activistas ultraliberais é outra, vender a terra em que nascemos em saldo e a pataco às multinacionais: "a Grécia deve privatizar rápidamente 50.000 milhões de euros em activos para que a sua dívida pública a médio e longo prazo seja sustentável, porque neste momento não o é", afirmou o presidente do Eurogrupo Jean-Claude Juncker. Cavalgando a lucrativa crise, os especuladores apropriam-se de novos negócios. Para relançar o capitalismo lançam milhões de pessoas na miséria. Nem o Salazar nem as suas aliadas divisões panzer alemãs de Hitler tiveram engenho e arte para se aventurar a tanto

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segunda-feira, maio 30, 2011

a Democracia está bloqueada pelos aparelhos partidários

Inicialmente confrontado com a falta de equidade de todas as candidaturas nos debates programados pela RTP Passos Coelho demorou nove dias a dar uma resposta a Garcia Pereira sobre a posição do PSD. Fê-lo em cima da hora de inicio do primeiro debate a cinco. Tal habilidade esteve na origem do protesto do MRPP e dos restantes partidos sem representação parlamentar junto às instalações do canal público nessa noite e motivou a apresentação da providência cautelar que levaria o Tribunal a condenar os 3 canais à transmissão de novos debates nas mesmas condições dos já realizados.

Dos cinco partidos parlamentares até esta hora apenas a CDU manifesta disponibilidade para participar e cumprir o que a lei determina. Passos Coelho recusou alegando "ser inviável por estar no Norte no dia 3". Francisco Louçã respondeu evasivamente garantindo disponibilidade "se a agenda o permitir, mas não vamos cancelar um comício que já está marcado para ir a um debate". Paulo Portas parvejou ao estilo troca-tintas a que nos habitou: "Garcia Pereira até é meu advogado e tenho muito gosto em debater com ele", mas depois não respondeu ao comunicado conjunto dos 3 canais. O PS anda coligado com o CDS e também não respondeu.

Depois disto, hoje, as televisões apresentaram uma proposta "tão engenhosa como legalmente inadmissível na tentativa de revogação da sentença judicial" pretendendo gravar previamente os restantes debates com menor tempo de duração para depois os transmitir editados com cortes ou comentários acrescentados por pivots às horas que muito bem entendessem, por exemplo, às 4 da manhã. Mas o que o Tribunal obrigava era à transmissão nos mesmos moldes e em directo destes novos debates. Resumindo, ERC, RTP, TVI, SIC e Directórios partidários de 4 partidos parlamentares conluiaram-se para boicotar a decisão do Tribunal de Oeiras.

Resposta do MRPP: "A postura vertida no referido mail conjunto (enviado à candidatura de Garcia Pereira) consubstancia uma tão engenhosa quanto legalmente inadmissível tentativa de boicote e de revogação da sentença judicial proferida naquele Tribunal mas que vos irá custar muito caro. Na verdade, o que a Candidatura do PCTP/MRPP pretendeu, peticionou judicialmente, lhe foi deferido e continua agora a pretender é, simplesmente, o respeito do princípio da igualdade de tratamento e de oportunidades das diversas candidaturas, não desejando nem pactuando com discriminações de espécie alguma". (Ler o comunicado completo aqui)

Concluindo, há uma mensagem que incomoda os partidos do Poder ou com ele comprometidos a qual pretendem encobrir a todo o custo: que não temos de cumprir o programa da troika nem temos de pagar dívidas que não contraímos. Se esta voz pode provocar semelhante alarme debaixo do fogo cerrado da censura, imagine-se o desconforto que seria eleger o dr. Garcia Pereira como deputado para provocar o pânico permanente no Parlamento:
"Fogo sobre os quartéis-generais da burguesia!"

LinkActividades de Campanha
Luta Popular
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o Vice-Presidente do PSD explica o que é um salário de miséria.

num país onde a maioria das reformas pouco passam em média dos 300 euros e o ordenado mínimo não chega aos 500 euros

"é uma ironia que esta sociedade pobre, de privilégios para alguns, tenha sido construída por socialistas" (Passos Coelho)



Temos portanto, em versão rock-Bandex, a candidatura PSD dos executantes que pretendem aplicar o programa de um maior enriquecimento dos ricos



Agora a sério. "O que o PSD tem andado a dizer é que se ganhar, aplicará um mix de politicas que permita respeitar a sua agenda ultraliberal" (André Freire) - a agenda do PS é apenas neoliberal

domingo, maio 29, 2011

Venceremos (mas não desta maneira)

"primeiro ignoram-te, depois riem-se de ti, por fim atacam-te, depois ganhas" é uma frase de Ghandi - resta saber se, com apenas um grupo restrito essencialmente ligado ao terciário urbano, sem ligação efectiva às classes trabalhadoras que tratam efectivamente dos meios de produção, sem organização politica, sem um partido revolucionário, o que é que se ganha, se é que se vai ganhar alguma coisa





Revolução Europeia? ou outro Maio de 68 sem outras consequências politicas senão permitir ao Poder o principio da instauração do fascismo social? WebCâmara em directo da concentração em frente ao Parlamento de Atenas

adenda:
* Baralhar e voltar a dar as mesmas cartas, voltar ao principio, embora haja sempre um ou outro "labrincha" que adquire estatuto face à máquina burocrática capitalista: "das manifestações dos Islandeses até à Puerta del Sol, passando pelo 12 de Março em Portugal, já há um movimento de protestos que vai a votos em Itália"

actualização:
Policia de choque carrega sobre acampada de Paris. Comunicações video-web interrompidas.
(Bellaciao.Org)
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sábado, maio 28, 2011

a Luta Continua

Pela primeira vez as Televisões em Portugal serão obrigadas por um Tribunal a transmitirem debates entre António Garcia Pereira porta-voz do PCTP-MRPP, e os partidos ditos "grandes" (de facto os que monopolizam ilegalmente o espaço público). O Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) tem uma longa história de perseguições, assassinato e aprisionamento de militantes antes e depois do 25 de Abril, acções que culminaram na ilegalização e impedimento de participação do Partido nas primeiras eleições ditas "democráticas" em 1976 para a constituição do presente regime. O terror que os partidos das classes dominantes pressentem, sempre que "as suas verdades" estão em risco de desmascaramento perante o povo, continua. Hoje a Policia Municipal de Lisboa tentou impedir a pintura de um Mural de apoio à Candidatura em frente à sede na Av. do Brasil, 200 para seguir aqui

"os 5 partidos que aceitaram colaborar nos debates televisivos censurando a participação de todos os outros concorrentes vão ter de explicar ao povo português qual é o conceito de Democracia que têm"

fazer cumprir a lei - uma competência que não está ao alcance dos que não lutam - Garcia Pereira a Deputado!

o Tribunal de Oeiras condenou esta sexta-feira as televisões generalistas a realizarem debates frente a frente com TODOS os partidos concorrentes às legislativas até ao último dia da campanha, dando razão a uma providência cautelar interposta pelo PCTP/MRPP

As 3 televisões (SIC, RTP e TVI) sob pena de multa e processo-crime, são obrigadas à organização dos debates frente-a-frente com TODAS as forças políticas concorrentes que assim o pretendam. A ver vamos, se não preferem pagar as coimas ou se não seremos confrontados com a indisponiblidade de PS e PSD para comparecerem perante o fogo do genuino sentir das massas populares. O MRPP concedeu hoje à 18,30 uma conferência de imprensa sobre o assunto. Veremos o que aparece nos 3 jornais televisivos

actualização:
A forma como o comunicado conjunto das 3 televisões manipula a equidade dos debates que deveriam ter sido feitos é uma obra prima de manipulação. É uma pulhice inominável que se sugira que o MRPP exigiu debater no modelo frente-a-frente com cada um dos outros 16 partidos concorrentes. As televisões e a ERC poderiam ter respectivamente optado e obrigado a cumprir outro modelo que incluisse debates a 4, por exemplo... desde que não houvesse censura, o que impossibilitou o conhecimento dos programas dos partidos sem representação parlamentar

* Garcia Pereira no Facebook: "Acerca da Providência Cautelar"
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sexta-feira, maio 27, 2011

Indignai-vos

Isto é só o principiosentencia-se aos ingénuos que se dizem apartidários porque o fim, tal como já está a acontecer em Barcelona hoje, é a expulsão dom protesto do espaço público. Acontece a movimentos sem programa nem ideologia nem uma estratégia definida por organização politica... arredados da integração nas forças sociais produtivas, incapazes de uma mobilização geral



A Policia de Intervenção de Barcelona está a desalojar cerca de 400 manifestantes da acampada da praça da Catalunya. Camiões de limpeza camarária estão a limpar a tarecada precária da via pública. Os policias estão inclusivamente a levar objectos pessoais como os computadores portáteis – as “armas do crime” que conclama à participação através das redes sociais. O pretexto é a possível comemoração amanhã da vitória do Barça na Taça dos Campeões Europeus. Para a maioria dos que “não se interessam por futebol ou politica” (um chavão que vem sendo construído pelo poder cultural por décadas) a equiparação será aceitável e legítima.

À semelhança do Maio de 68, o não acontecimento de indignação geral em curso é uma operação oculta que arrasta os ingénuos participantes a cumprir os designios de expansão Sionistas. (Hoje o G8 já prometeu 20 biliões em ajuda financeira, com juros, às jovens democracias do Egipto e da Tunisia). A revolta funda-se no apelo ao grito “Indignai-vos” do velho judeu Stéphane Hessel (autor de uma brochura de 20 páginas que já vendeu 1 milhão e meio de exemplares) filósofo de 93 anos muito elogiado por Mário Soares, que tem no curriculo o facto de ser “um antigo resistente sobrevivente dos campos de concentração nazis”. A invocação do “holocausto” como base de um programa politico é um sistema que serve à universalização do poder de Israel, nado e criado no pós-guerra – depois do Maio 68 ter dizimado a esquerda europeia pelo desaparecido “eurocomunismo”, pretende continuar a construção de uma democracia de escravos liofilizados por uma promessa de liberdade abstracta mais psicológica que outra coisa. Sem democracia económica não existem direitos humanos (cartilha da qual o sr. Stéphane Hessel foi precisamente um dos redactores). Sabem-na toda, estes spinners economicamente judaizantes
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quinta-feira, maio 26, 2011

o conto do vigário monárquico

“escreve-se por aí que quarenta por cento de portugueses estão indecisos sobre quem votar (…) Perante as combinações, os arranjos políticos vis, a mentira organizada e proliferante, o português compreendeu que o voto já não é a arma do povo
("o Poder e a Indecisão", Baptista-Bastos, ontem no DN)

Ontem a Associação 25 de Abril promoveu um “debate entre os "pequenos partidos" já que os "grandes" não aceitam o convite”.
Na ausência de visibilidade de grandes ideias inovadoras em relação ao paradigma vigente salvou-se a intervenção do porta-voz do PCTP-MRPP: “A solução encontrada [fórmula de debates televisivos] faz com que nenhum dos cinco partidos do Poder possa ser confrontado por algum dos partidos sem assento parlamentar. Gostava de ver Passos Coelho ou Sócrates aqui, com estas regras, a apresentar os respectivos programas de Governo em dois minutos” (Garcia Pereira)

Participaram ainda, Manuela Magno (PH), João Carvalho Fernandes (PND, Carmelinda Pereira (POUS), Miguel Lima (PPV) e Aline Gallasch Hall (do Partido Popular Monárquico). Da generalidade discursiva inóqua de “resíduos de cérebros vegetativos” sem marca de classe social, tendo em vista o remoque de Baptista Bastos sobre “a mentira organizada e proliferante”, ressaltou a intervenção da jovem representante do PPM (à direita na foto).

Aline Gallasch Hall, como deputada à Assembleia Municipal de Lisboa integrada na lista do PSD esqueceu-se de relembrar esta sua condição. Lembrou-se que “trabalhou em regime de precariedade por 8 anos a recibos verdes” (mas ainda assim apresenta-se bem ornamentada por bijutaria cara), criticou o “uso abusivo da frota de automóveis de luxo pelo governo”, inflamou-se contra a "permissão dos milhares de Fundações que parasitam o Estado". E no entanto esqueceu-se que integra a mesma lista que tem como candidato a Lisboa o dr. Fernando Nobre, precisamente o administrador da Fundação mais famosa do país. Nobre aufere na AMI 5.226 euros mensais, mais ajudas de custo. Como é habitual neste tipo de instituições os dirigentes dos órgãos da Fundação são quase todos da mesma família (no caso da AMI em 7 são 5) As duas directoras adjuntas são familiares do candidato agora do PSD: Leonor Nobre é irmã e a outra directora, Luísa Nemésio, é mulher de Fernando Nobre e aufere o mesmo nivel de salário do marido, que em 1192 aderiu à causa Monárquica, mas mais recentemente, se candidatou à Presidência da República (!).

A AMI recebeu ao longo dos anos avultados apoios, quer do Estado Português, quer da União Europeia, quer de inúmeras empresas portuguesas que têm contribuído, activamente, com apoios muito significativos. O Conselho Fiscal da AMI é controlado pelo cunhado - o marido da irmã, Leonor Nobre! E no entanto, as contas desta Fundação que movimenta milhões não são conhecidas dos portugueses... e como Fundação está isenta do pagamento de impostos. Quanto recebem em salários mais ajudas de custo de facto o Presidente da AMI os seus familiares e amigos? Fernando Nobre dedica-se exclusivamente a AMI? Não: actualmente junta-se à falta de transparência da partidocracia instituída por um “grande” partido. Qual é o património e o rendimento anual declarado do candidato por Lisboa do PSD?

Obviamente, o PPM pelo inadvertido desabafo da jovem monárquica Aline Gallasch Hall não deveria invocar do apelido de “pequeno partido” - já tem um deputado, fadista de profissão, a quem nunca se ouviu qualquer fado critico com letra e música composta sobre esta situação durante o último mandato. Para vozes inúteis e oportunistas já chegam as que lá (não) temos. São precisas lá outras vozes não comprometidas com o paradigma da tanga:

quarta-feira, maio 25, 2011

nos entrefolhos da mudança

Um dos nossos mais conhecidos bloguers arranjou emprego no jornal I e, por boas causas como essa tem feito gazeta à escrita à borla: "Portugal já não decide quase nada, o governo de facto encontra-se em Berlim (...) aquilo que é trágico nesta campanha é a sua falsidade (...) "democracia significa escolher de uma forma livre e soberana o nosso futuro (...) e em democracia os politicos e as fraldas devem ser mudados regularmente, pelas mesmas razões"

Esta crença nas razões do parlamentarismo burguês conduz ao entendimento por parte dos leitores massificados de que "eles são todos iguais", precisamente porque mudam. Mudam de caras (1), o que não mudam são os programas ocultos, sempre os mesmos, pelos quais os escolhidos pelos partidos burgueses se contratam e são obrigados a reger-se - vá-se lá a saber com que legitimidade de grupo e capelinhas montadas nos bastidores. Nuno Ramos de Almeida, ossos do ofício profissionalizado, ao aligeirar, brincar e não desmontar esta engrenagem presta um péssimo serviço à causa da falta de representação; e a opção tem uma face de esquerda, como sloganeiam os jovens do Rossio: "não queremos que ninguém nos represente, nós representamo-nos a nós mesmos" - cada um com o seu programa, sem partido, e com que programa de todos pá?

(1) A Mudança (Change em Obama) é uma táctica encobridora das verdadeiras politicas. Almeida Santos: "não é fácil o PS vencer estas eleições (...) no caso de ser Passos Coelho a vencê-las ele tem de mudar de opinião sobre a grande coligação maioritária ao centro. Caso não mude o PSD muda de lider". No PS anuncia-se "outra mudança" com Manuel Alegre a entrar brevemente na campanha em Coimbra

"o FMI realiza o filme, ao vencedor (das eleições) cabe aplicar a ideologia John Wayne: disparar sobre tudo o que mexe"
(Jornal de Negócios)
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terça-feira, maio 24, 2011

Levantando o Véu, a Queda do Capitalismo Democrático

Eles dizem que pagam, mas toda a gente sabe que não terão meios para o fazer. Hoje foi a vez do nóbel Paul Krugman vir dizer que "Portugal não vai pagar a dívida". Os do tripé do Bloco Único sabem disso, portanto a jogada deve ser outra - estão à espera que se determine a falência do dólar para de seguida só pagarem 20 por cento ou menos do valor que devem. A jogada tem antecedentes, os EUA já a fizeram para limpar o défice após o tenebroso investimento na II Grande Guerra

“Neste início do século XXI, no contexto de uma gravíssima crise mundial de civilização, o capitalismo, na sua fase senil, cola o rótulo de democracia representativa a ditaduras da burguesia de fachada democrática.” (Miguel Urbano Rodrigues). "Logo há que ignorar as escolha do povo em eleições livres e permanecer acampado no centro de uma capital europeia" conclui este tipo do blogue "Blasfémias". Exactamente, acertou sem querer - as duas propostas veiculadas pelos agentes que usurpam o Poder não servem à maioria. A liberdade de escolha de representação é uma mentira, construida sobre manipulações grosseiras. Toda a comunicação oficial veiculada tenta fazer crer que "não existe alternativa ao PS-PSD-CDS", mas é falso.

Como falsas, cínicas e hipócritas são as ideias difundidas pelo então senador Barack Obama, desde 2007, sobre tudo aquilo que mudaria assim que fosse eleito, desde a regulamentação da banca para travar a impunidade de Wall-Street, ao desmantelamento de Guantanamo, da abertura ao livre comércio com Cuba até ao desmantelamento da legislação fascizante sobre os direitos civis herdada de George W. Bush - está aqui tudo, escarrapachado pelo mentiroso prémio nóbel da paz que está cada vez mais envolvido em mais guerras - guerras que se assumem cada vez mais como uma guerra civil,, desta vez global, dos ricos contra os pobres:

segunda-feira, maio 23, 2011

quem paga o quê e a quem?

Ninguém sabe. Exigimos uma auditoria para que sejam determinados os valores da dívida, quem a contraíu, de quem é a responsabilidade. Não nos podem, à totalidade do povo, exigir um pagamento sem nos mostrarem a factura daquilo que estamos a pagar. Assembleia Popular no Rossio, 22 de Maio:



Os défices dos Governos na Europa dispararam desde que foi declarada a crise financeira (primeiramente originada na bolha da construção imobiliária, depois de insolvência dos bancos centrais via Wall-Street com a emissão de "tarp-money", depois espalhada pela banca global, afectando agora de Estados soberanos). Mas a natureza desses défices não é toda igual. Depende de quem detém os Titulos da Divida. A agora apontada como "a rica Alemanha da senhora Merkel" tem um défice de 81% do PIB, mas na qualidade de correia de transmissão do imperialismo norte-americano para a Europa (via Euro-BCE) não lhe acontece nada senão os programas de austeridade auto-impostos a partir do interior (desde a Agenda2000). Não há melhor escravo que aquele que aceita a canga alegre e de livre vontade.

Os próprios Estados Unidos têm um défice de 99% do PIB e é o "país" com menor probabilidade de declarar incumprimento de pagamento e falência (quando não há dinheiro, fabricam-no); isto porque quem detém a Dívida são maioritariamente entidades nacionais, contra apenas 31% de títulos na posse de investidores estrangeiros. Os papéis dos EUA são sempre "considerados bons" porque esses investidores esperam o retorno do pagamento dos juros oriundos de todo o resto do mundo. No Japão (que pagou a suas expensas a crise global dos anos 90) e que é o caso mais grave de endividamento - uns astronómicos 204% do PIB - apenas 7% dessa Dívida é detida por estrangeiros, estando os restantes valores em poder de investidores nacionais japoneses que apostam nas capacidades do seu país. É este factor que interessa. Quando surgem indícios de problemas, os investidores estrangeiros têm a tendência imediata para vender essas obrigações, fazendo o mercado subir os juros consoante o aumento do risco de default, tornando mais dificil ao Estado endividado no mercado o cumprir do pagamento das suas obrigações. No caso de Portugal, catalogado por Wall-Street & FMI (1) na zona periférica de risco (o FMI denomina-a EA4, European Area 4) que usa indevidamente o Euro (junto com a Grécia e Irlanda) 80% da Dívida é detida por estrangeiros (83% na Irlanda, 75% na Grécia, apenas 39% em Espanha (clique para ampliar o gráfico). Concluindo, os sub-capitalistas portugueses nem para capitalistas servem, porque na sua mera qualidade de comissionistas, como qualquer vendedor de panelas ou automóveis usados, se satisfazem com os tostões das grandes negociatas que são vendidas lá para fora, traição continuada que afecta toda a sociedade portuguesa.

O resultado da acção destes agentes que detêm a máquina de coacção eleitoral tornam-se evidentes, levando as pessoas por medo a "escolher" sempre os mesmos. É preciso inverter a tendência de voto. Levar para o Parlamento alguém capaz de no quotidiano desmascarar perante a opinião pública estas verdades de forma simples, competente e eficaz



(1) Os Estados Unidos, desde Bretton Woods, detém uma maioria de 85% de accionistas no FMI, o que lhes confere a capacidade de veto a todas as decisões que eventualmente lhes pudessem ser adversas. (When-Thirsty-Business-Meets-Thirsty-People, ProjectTZ)
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domingo, maio 22, 2011

o debate "principal"

O que há a assinalar no debate entre as duas principais forças politicas que são dadas à visibilidade pública pelos media corporativos é de facto importante. De igual modo, a (falta de) ideias que se "opõem" entre os dois são simples: quem teve funções de ministro, roubou e enriqueceu não vai preso, quem não roubou ainda o suficiente pode continuar a roubar que não irá preso. Você escolhe.

"Julgar" judicialmente os responsáveis por "Roubo" e pela crise de usurpação corporativa dos bens públicos por privados com posições de privilégio são talvez termos técnicos demasiado fortes. O novo prémio Camões coloca a ênfase dos "desvios" nos contabilistas e gestores do sistema: "Não, não são os portugueses quem vive acima das suas possibilidades (...). Os bancos é que vivem acima das possibilidades dos portugueses". O bastionário da Ordem dos Advogados conclui:
"O poder judicial está partidarizado. Algumas decisões judiciais são autênticos panfletos politicos..."

Dismisticar a escolha entre os dois partidos do costume, votar por soluções diferentes daquelas que o FMI quer impôr ao povo português: Garcia Pereira na Revista de Imprensa (SIC, 21/5)



* Deputado alemão do "Die Linke" envia carta a Sócrates a pedir que Portugal rejeite pacote de ajuda
* Troika esvazia programas eleitorais
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sábado, maio 21, 2011

Nós Árabes… (II)

“Há quatrocentos Portugal estava na sua primeira experiência de integração política europeia. Hoje chamamos-lhe o “tempo dos Filipes” e ele evoca-nos só a Espanha, mas é por ignorância. Os Filipes pertenciam a uma família do centro da Europa — os Habsburgos”. Verdade. Rui Tavares prossegue o relato dos últimos quatrocentos anos do rectângulo Portugal, cuja inserção foi “mais intercontinental do que europeia” começando precisamente pelas “possessões no “Algarve d’Além-Mar”, ou seja, em África” – Nunca que nos lembremos alguém teria parido uma resenha tão célere da excomunhação da nossa herança Árabe. Compreende-se, Rui Tavares é judeu, colunista oficial da corte, posiciona-se do lado dos interesses da classe dominante, e não deseja que os seus sejam confrontados com concorrências étnicas incómodas às pré-fabricadas desgraças da sua tribo. Desgraças antigas inventadas que ocultam graças concretas contemporâneas.

Ora foi precisamente “no tempo dos Filipes da Casa real dos Habsburgos”, mais precisamente a partir do ano 1609 que foi decretada a partir de Valência a expulsão de todos os Mouriscos da Ibéria unificada.

«Habiéndolo hecho encomendar a nuestro Señor y confiado en su divino favor, por lo que toca a su honra y gloria, he resuelto que saquen a todos los Moriscos de este Reino y que se echen en Berbería.» (Felipe III (1609)

Até 1614 foram “deportados em nome de Deus” cerca de 300.000 mouriscos nascidos nos reinos ibéricos, forçados à conversão ao cristianismo desde a queda do Reino de Granada, embarcados à força para o exilio no estrangeiro para destinos como Argel, Marrocos, Libia e Egipto. A expulsão teve consequências económicas desastrosas, calculando-se que o índice demográfico nas regiões com modo de produção mais avançado regrediu 35 por cento. Curiosamente, este declínio civilizacional contrasta em absoluto com a entrada da família dos incontornáveis banqueiros judeus alemães Jacob Fugger (próximos dos Habsburgos) no financiamento e gestão dos negócios das monarquias ibéricas
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O sultão Boabdil, Maomé XII, rende-se a Fernando de Aragão e Isabel de Castela no dia 2 de Janeiro de 1492. "A Capitulação de Granada", Francisco Pradilla y Ortiz (1882).

O expatriamento forçado dos antigos muçulmanos, que eram oficial e obrigatoriamente católicos desde as primeiras décadas do século XVI, completava a uniformização religiosa e racial iniciada pelos Reis católicos Fernando e Isabel que tinham expulso a ralé dos judeus que mal se distinguiam dos mouriscos – uma politica tenazmente prosseguida depois com a perseguição inquisitorial aos cristão-novos sob ataque da difusão dos estatutos de limpeza de sangue. Nos alvores da modernidade persiste em Espanha (e em Portugal por arrastamento) com enorme força o espírito de Cruzada: os castelhanos obliterados pelas visões do cardeal de Toledo Francisco Jiménez de Cisneros sonham com a conquista de Jerúsalem. Fernando o Católico estaria porventura pouco convencido da realidade da conquista do Santo Sepulcro, pretexto para a limpeza étnica das paróquias conquistadas.

Mas o mito persistiu, levando o seu sucessor Carlos V a chocar com grande estrépito contra uma enorme potência emergente, o império otomano de Solimão o Magnifico. O conflito culminou nas águas de Lepanto em 1571 com uma vitória de pirro que permitiu ao monarca espanhol usar o paranóico epipeto de “Subjugador do Poderia Turco”, porém um titulo nobiliárquico que económica e culturalmente não serviu para nada ao povo, excepto para a exportação da Inquisição nacional para os novos mundos a escravizar pelas descobertas. Com a expulsão da identidade cultural ibérica do inicio do século XVI o que os novos “ditadores democráticos” hoje em dia celebram portanto é o IV Centenário de uma ignominia – não, como o falso ignorante Rui Tavares pretende, a partida dos nórdicos do Condado Portucalense para uma aventura ultramarina que tivesse tido êxito ou, a repetir-se, que tenha futuro, sem trabalho na produção nacional, repudiando em definitivo o saque, a rapina e a exploração de outros povos pela pertença ao universo dos descendentes das casa reais que gerem o Tratado do Atlântico Norte.

Nossa Senhora da Vinha, a santinha padroeira da Igreja construída sobre as ruínas da antiga Mesquita de Mértola

Bibliografia de referência:
- "Historia de los Moriscos, Vida Y Tragedia De Una Minoria", Domínguez Ortiz e Bernard Vincent, 1978 (ler)
- "Deportados en Nombre de Dios", Rafael Carrasco, 2009 (ler)
- Wikipédia: "Granada Muçulmana" (ler)
- "Congreso Internacional Los Moriscos. La Expulsión y Después", Madrid 2009 (ler)
- Wikipedia: a familia de banqueiros judeus de Jacob Fugger (ler)
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sexta-feira, maio 20, 2011

Nós Árabes…

"Vinguemos a derrota que os do Norte inflingiram aos Árabes nossos maiores. Expiemos o crime que cometemos expulsando da Península os Árabes que a civilizaram" (Fernando Pessoa in "Da Ibéria e do Iberismo")


Ibn Qasi, Senhor de Mértola 1144-1151