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quarta-feira, junho 15, 2011

o que decidiu o grupo Bilderberg sobre a Líbia

Em violação absoluta do espírito da Resolução1973 da ONU, porém sob o pretexto de proteger as populações civis (em grande parte armadas em milicias populares pelo regime de al-Gadhafi), a NATO prepara-se para atacar as forças líbias pelo desembarque de tropas por via terrestre. A operação foi sugerida pelo quartel-general europeu da NATO sedeado em Nápoles e dada a conhecer ao público por Manlio Dinucci do jornal Il Manifesto. (fonte)

O modo como o ataque ilegal à Libia está a ser levado a cabo é o melhor espelho da organização do Imperialismo na era da globalização. O eixo Franco-Britânico (vencedor na 2ª Grande Guerra) está encarregado da gestão politico-militar a partir da Europa (como no Suez em 1956) e para a Alemanha (como potência perdedora e ocupada na 2ª Grande Guerra) está reservado o controlo económico-financeiro do velho continente (via BCE que reporta à Reserva Federal norte-americana)
As forças de invasão terrestre da Líbia incluem o tipo de armamento mais moderno e sofisticado. Helicópteros Tigre e Gazelle franceses e helicópteros Apache britânicos. Estão equipados com misseis norte-americanos Hellfire dirigidos por raio laser que podem ser lançados sobre alvos a 8 kilómetros da sua posição, surpreendendo os adversários quando ainda nem estão à vista. Estes mísseis já foram aqui anteriormente utilizados aquando dos ataques por drones teledirigidos norte-americanos Predator/Reaper. Estes mísseis têm uma cabeça de fragmentação termo-bárica cuja explosão cria um vazio que provoca a morte por asfixia de todas as pessoas que se encontrem no seu raio de acção, incluindo dentro de edificios, refúgios e abrigos militares. Outro tipo de missel ainda mais destrutivo deverá ser agora testado; trata-se do Hellfire Romeo um produto de tecnologia de ponta da Lockheed Martin. O problema é que tudo isto (um puro altruismo em beneficio da humanidade) custa uma pipa de massa – a guerra contra a Líbia está a custar aos contribuintes norte-americanos qualquer coisa como dois milhões de dólares por dia – e esta foi a principal preocupação das personalidades reunidas no Bilderberg deste ano na Suiça.












“Eles (Bilderberg) querem que a Líbia seja o tiro de partida para uma guerra generalizada no Médio Oriente, que inclua toda a região, menos Israel, que será protegido” afirma Jim Tucker, convencido que o caos na região pretende aumentar a pressão sobre os Estados Unidos para se resolverem a lançar um ataque contra o Irão. Na opinião de Henry Kissinger os EUA têm que lançar uma invasão por terra contra a Líbia e manter a guerra durante pelo menos 1 ano. Mas Robert Gates, o homem forte designado por Bush para controlar o Pentágono, lançou um ultimato à NATO: “a paciência norte-americana está a terminar. Não se pode continuar a deixar sobre os ombros dos contribuintes norte-americanos 75 por cento dos gastos com a Aliança Atlântica.

Portanto, quando aqui virmos subir os impostos de uma forma cada vez desmesurada já todos sabemos aquilo que se destinam a pagar. A gestão do Euro, da crise na Europa e a maneira de lançar alguns rudimentos de recuperação económica (por via do keynesianismo militar, como na 2ª Grande Guerra) são o pretexto para o ocultismo que preside às reuniões do Grupo Bilderberg. Mas em boa verdade é o facto do Bilderberg ser uma criação do Pacto Atlântico Norte, e não o contrário, que é muito mais sério e perigoso, uma vez que de facto estamos a ser escravizados pelo Pentágono

Ler
: O que Vc ignora sobre o Grupo Bilderberg, por Thierry Meyssan: “por alguns anos se generalizou a ideia de que o grupo Bilderberg seria o embrião do governo mundial. Após aceder aos arquivos deste clube secreto, Thierry Meyssan demonstra que esta é uma falsa pista utilizada para esconder a verdadeira identidade e funções do grupo: o Bilderberg é uma criação da NATO. Tem por objectivo convencer líderes e, através destes, manipular a opinião pública para aderir aos conceitos e acções da Aliança Atlântica”
(Ler o resto)
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terça-feira, junho 14, 2011

a nova classe dos trabalhadores precários

"A palavra “precariado” parece ter surgido como um neologismo anglicizado no Japão, onde a força de trabalho desregularizada passou de 15% em 1984 para 33% em 2006[8]. O economista Guy Standing publicou agora um livro em 2011 "The Precariat. A New Dangerous Class" (1), desenvolvendo a tese de que este sector vem se tornando cada vez mais importante e socialmente conflituoso. O termo tornou-se comum no debate sociológico contemporâneo, a ponto de alguns, talvez apressadamente o relacionarem com um novo modo de acumulação capitalista “pós-industrial” típico do século XXI.

O cenário contemporâneo parece-se mais com uma nova divisão internacional do trabalho, no qual a high-tech, as indústrias da informação, dos Media e do espectáculo se localizam no centro, enquanto as indústrias pesadas se transferem para áreas periféricas e pior remuneradas, não havendo, portanto, à escala global, nenhuma diminuição do proletariado industrial. Mas, tanto no sector industrial como no de serviços, há um enorme esforço global de desregulamentação e perda de direitos sociais em nome da “flexibilização” (uma palavra de ordem na campanha de Cavaco Silva 2006 que lá se vai cumprindo) que criou uma nova camada social precarizada que se concentra nos mais jovens. A exigência de que a crise desencadeada desde 2008 pelo sistema financeiro seja paga por meio dos cortes públicos e pela privatização foi a gota d´água que está fazendo a Espanha e a Grécia transbordarem" (2). Portugal seguirá o que se passar nestes dois paises sociologicamente - porque quanto à nossa posição no Euro parece não haver muita margem para dúvidas

* Pela primeira vez na História, a esquerda tradicionalmente maioritária não tem uma agenda progressista. Ela esqueceu-se de um principio básico: todo o movimento político progressista foi construido sobre a fome, necessidades e aspirações de uma classe emergente maioritária. Hoje em dia essa classe é o Precariado (ver recensão ao livro)

* Henrique Carneiro: "A Revolução como Estado de Consciência Alterada"
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segunda-feira, junho 13, 2011

Entrevista imaginária com Marx sobre o Tratado do Atlântico Norte

“Deste modo, o movimento operário que há-se brotar instintivamente de ambos os lados do Atlântico por obra e consequência do mesmo modo de produção, irá selar as palavras do inspector inglês da fábrica R.J. Saunders no século XIX: “Se previamente não se limitar a jornada de trabalho e se se aceitar o cumprimento estrito de todos os outros limites legais, não se poderá dar, com probabilidades de êxito, nem um só novo passo no sentido de reformar a sociedade para melhor

Les Ramoneurs de Menhirs - Bellaciao – versão punk celta

domingo, junho 12, 2011

O eterno retorno

O que o soba da Madeira advoga como sendo o melhor para o país – uma grande coligação que enforme uma maioria coesa de massas ignaras ao centro entre o PS-PSD – é aquilo que, por antecipação, António Costa (convidado Bilderberg 2008) está a patrocinar na sombra entre a sua presidência na Câmara Municipal de Lisboa e a oposição liderada por Santana Lopes (convidado Bilderberg 2004).

Costa, numa espécie de santo António casamenteiro da paróquia municipal mais endividada do país, convidou a oposição para ocupar dois pelouros a criar para mais dois vereadores na CML eleitos pelas listas PSD-CDS, o que perfaz onze vereadores com responsabilidades executivas no “governo” da capital. O impacto económico na gestão é importante: mais dois vencimentos na ordem dos 2.500,00 Euros acrescidos das respectivas assessorias e máquinas de apoio, que representam aumentos muito significativos de custos. Isto a contra-corrente dos cortes determinados pelos credores estrangeiros que detêm a dívida. Mas o que está em jogo com a “grande coligação” é mais importante que o dinheiro. Torna praticamente imbatível esta aliança nas urnas para lá das eleições de 2013. Se atendermos à mais que provável revisão da lei eleitoral autárquica que já para as eleições de 2013 vai instituir os executivos maioritários, António Costa invocou este processo como uma boa razão para virar costas à presidência do PS, deixando esse lugar a insignificantes atravessadores de desertos como Assis e/ou Seguro. Se António Costa decidir, como é mais que provável, candidatar-se às eleições presidenciais de 2017 – em que a possibilidade de vitória depois do flop do governo PSD é muito alta – o vereador e vice-presidente Santana Lopes ascende à presidência da Câmara de Lisboa
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sábado, junho 11, 2011

A pilhagem

“Há uma crise profunda da democracia representativa. O sentimento de uma ausência de verdadeira escolha política
(Le Monde, sobre as eleições portuguesas)

A re-estruturação da dívida, já está decidida há algum tempo, porque não é possivel pagar taxas de juro a 6% existindo um “crescimento negativo” para citar o grotesco jargão dos economistas do sistema. Porque de algum modo negociar a dívida é a única hipótese que nas presentes circunstâncias pode interessar também aos credores (vale mais receber alguma coisa do que ver o devedor falido). O Conselho Europeu e Ângela Merkel na reunião de 24 de Março passado assumiu essa possibilidade de re-estruturação das dívidas soberanas a partir de 2013. É um prazo concertado para dar tempo a uma limpeza do lixo nos balanços dos Bancos detentores de dívida dos paises periféricos como Portugal.

Logo, a assumpção do pagamento da dívida já, concertada pelo governo Sócrates e assumida pelo governo do PSD pouco mais foi que uma jogada para levar ao Poder o partido do Presidente. As agências de rating inflaccionaram os juros a mais de 10%, o que acabou de vez com o governo PS e, eleito sem grande surpresas, cabe agora ao PSD implementar o verdadeiro negócio e objectivo da gigantesca acção de especulação, que são as privatizações de tudo o que resta no sector público de Portugal – vai tudo (escolas, hospitais, transportadoras, redes de abastecimento, etc) parar às mãos dos capitais estrangeiros, e ao preço de pexincha que esses mesmos especuladores determinarem. É esta a visão estratégica a curto prazo de Cavaco Silva para Portugal. No longo prazo “a visão” dos especuladores é pensada para a próxima meia-hora. Somando cada cêntimo sacado fazem-se dólares.

“(...) Em cada país, a solução da crise para uns pode significar o seu agravamento para outros. Sempre que uma crise é causada pelo capital financeiro, a transparência da distribuição dos custos e dos benefícios de uma dada solução é particularmente evidente. Por exemplo, no dia seguinte ao pedido de “ajuda” financeira externa por parte do governo português, as cotações bolsistas dos bancos portugueses subiram e, com elas, as expectativas de lucros do sector bancário. Isto ocorreu no exacto momento em que se decretou o empobrecimento da grande maioria dos portugueses
(...) À medida que as crises financeiras alastrarem a mais países europeus tornar-se-á claro que a crise é europeia e que decorre em boa parte de um sistema desregulado, controlado pelos interesses do capital financeiro norte-americano”
(Boaventura Sousa Santos, “Ensaio Contra a Autoflagelação, pag. 12 e 13)
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sexta-feira, junho 10, 2011

a boca incriminatória

Levando em linha de conta a hecatombe que se está a abater sobre a classe média nos paises periféricos da Europa, as declarações ante-fellatio de Dominique Strauss-Khan, transcritas em 13 de Abril pelo Diário Económico, foram a verdadeira causa para a incriminação armadilhada ao director do FMI - compagnons de route em organizações secretas que ponham em causa as directivas do grupo tem o destino traçado:

"Há alguns milhares de anos, Aristóteles escreveu que a melhor parceria num Estado é a que opera através de pessoas de classe média... os Estados onde a classe média é grande ... têm todas as hipóteses de ter uma boa gestão", parafraseou Strauss-Kahn sobre a crise global do trabalho ("mais de 200 milhões estão actualmente à procura de emprego em todo o mundo"...) "A estabilidade depende de uma classe média forte que possa aumentar o consumo. Não conseguiremos isto se o crescimento económico não conduzir à criação de empregos decentes, nem se o crescimento recompensar a minoria dos mais favorecidos em detrimento dos numerosos marginalizados". (fonte). Ora, como estamos todos a ver, não tinha sido nada este programa que o FMI vem decidindo. E pela boca morre a libido do carapau que se arma em esperto...

(1) "Antes da volta aos mercados, já nós os da classe média estaremos todos mortos. Conforme aponta o programa do FMI: "O pacote de 78.000 milhões criará o espaço de manobra necessário para estabelecer um sólido historial de implementação de políticas antes da volta aos mercados" (Boletim do FMI de 6 de Maio de 2011)
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quinta-feira, junho 09, 2011

a luta contra este governo começou na última segunda feira

"Para além do regozijo que varre o país de Valnogueiras a Massamá. também as agências de rating e a Comissão Europeia não cabem em si de contentes" (João Paulo Guerra, Diário Económico)

Peritos do FMI passam revista ao Banco de Portugal (Publico).
É uma busca policial e pidesca extra-parlamentar a uma instituição pública. Os credores certificam-se se os fieis depositários da divida não lhes dão descaminho novamente; tudo com a conivência de um "novo" governo igual ao outro que foi corrido, ambos formados por traidores à maioria de cidadãos que não devem nada a ninguém.

"a constituição de um Governo de coligação da direita (PSD e CDS) - e para além de que convirá recordar aqui o facto de que tal tipo de coligações não tem normalmente chegado ao fim da respectiva legislatura … - torna bem mais claras as coisas daqui para diante, deixando os campos de luta perfeitamente demarcados, sem peias ou nuvens de fumo de pretensos “amigos dos trabalhadores” como Sócrates e companhia: de um lado, estará o Governo PSD/CDS a aplicar o programa de medidas da Troika e do outro os trabalhadores e as forças políticas e movimentos de esquerda a combaterem esse programa"
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quarta-feira, junho 08, 2011

produção nacional, opinião pública e democracia

"Quando nós em Portugal acordámos para a vida económica, despertou-nos do nosso sonho histórico o silvo agudo da locomotiva; e, estonteados por ele, supusemos que todo o progresso económico estava em construir estradas e caminhos de ferro. Esquecemos tudo o resto. Não pensámos que as facilidades de viação, se favoreciam a corrente de saída dos produtos indígenas, favoreciam igualmente a corrente de entrada de forasteiros, determinando internacionalmente condições de concorrência para que não estávamos preparados e para que não soubemos preparar-nos" (Oliveira Martins, 1887)

"Se a democracia... é o controlo do governo pela opinião pública - a primeira condição essencial para a existência de democracia será a existência de opinião pública organizada - coisa que em Portugal se não enxerga" (António Sérgio, 1920)

(Adaptabilidade ao meio: a foto ilustra um caso recente de alteração genética de um coelho que nasceu sem orelhas - aqui)

"Trinta anos depois do estabelecimento da democracia, como funciona o espaço público em Portugal? A constatação imediata é que não existe. Está por fazer a história do que, nesse plano, se abriu e quase se formou durante os anos "revolucionários" do pós 25 de Abril, para depois se fechar, desaparecer e ser substituido pelo espaço dos media que, em Portugal, não constitui um espaço público" (José Gil, 2004)

"Apresentar os resultados eleitorais da candidatura do PCTP/MRPP como um qualquer fracasso e tratar pura e simplesmente de os ocultar do Povo Português representa apenas mais uma desesperada tentativa de mistificação da verdade. O que todavia bem se percebe quando agora vai começar a aplicação em pleno das medidas da Troika é que a candidatura do PCTP/MRPP foi, uma vez mais, a única a conclamar os trabalhadores portugueses a erguerem-se e a sublevarem-se contra elas!... E mais de 60.000 pessoas dispostas, consciente e decididamente a isso, é obra! (Garcia Pereira)
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terça-feira, junho 07, 2011

a Direita neoliberal não tem legitimidade para aplicar o seu programa de venda de Portugal aos especuladores internacionais

Não devia ser possível a execução orçamental de um programa económico criminoso que 5 milhões de portugueses não votaram, e que muitos outros votaram enganados (como adiante no tempo se verá)

Eu penso que estamos precisamente no início da fase que chamo de Nova Idade Média” (Parag Khanna, in "How to Run the World: Charting a Course to the Next Renaissance)

A primeira experiência prática do Neoliberalismo foi feita na América Latina, como modus operandi do capitalismo na apropriação de recursos pelo imperialismo norte americano . A doutrina foi aplicada no Chile depois da operação paramilitar do secretário de Estado Henry Kissinger e da CIA no derrube do governo pró-socialista de Salvador Allende em 1973 (em circunstâncias actualmente ainda a ser investigadas pela reabertura do processo-crime contra os responsáveis pelo assassinato do presidente eleito). Na Argentina não houve necessidade de intervenção violenta na forma mediática. Estabelecida a ditadura do coronel Videla os crimes foram sendo ocultados e o Neoliberalismo foi instalado por via administrativa no inicio da década de 1990. Entre 1992 e 1998 a economia cresceu a um ritmo de 6% ao ano, financiada pelo FMI-Banco Mundial, acumulando um défice de mais de 60 mil milhões de dólares. No ano 2.000, a Argentina declarava a bancarrota. Os responsáveis pelos milhares de assassinatos na Argentina continuam a ser julgados.

Este processo de apropriação de recursos naturais e contenção sociológica dos regimes neo-colonianistas na América Latina foi concebido no desígnio capitalista de angariar meios que pudessem sustentar a voracidade do sistema de dominação global, como antes tinham sido chamados a pagar as crises os países emergentes da Ásia (1992) o Japão (1994) a Rússia (1996) o México e o Brasil (1998) e a supracitada Argentina (2001), pela via económica,,, e depois o Afeganistão (2001), o Iraque (2004) e a Libia (2011) pela via militar.

a argentinização da Europa

No inicio do século XXI o mundo financeiro de Wall-Street e os seus acólitos determinaram que quem haveria de pagar a crise eminente no sistema-mundo ocidental seria a Europa. Criaram o Euro. E as zonas de economia frágil situadas na periferias europeias ficaram à mercê de uma moeda excessivamente forte, que lhes impediu o crescimento. Em Portugal ficámos exactamente no mesmo ponto da Argentina quando aceitou equiparar a moeda local, o Peso, ao Dólar, e lançou o programa radical da direita, de desestruturação do sector produtivo, de privatizações das empresas públicas, de desregulação do mercado de trabalho e de abertura incondicional ao capital externo. Actualmente o equivalente a 80% do PIB da dívida externa portuguesa é detida por investidores estrangeiros; na Grécia 75%, na Irlanda 83%, enquanto nos EUA a divida na mão de estrangeiros é apenas de 31% (fonte). Os resultados na Argentina são conhecidos: desembocaram no cazarolazo e na adesão massiva da classe média ao protesto como forma de tentar evitar a extinção do seu modo de vida
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e o CDS a subir...

24 horas depois do juiz que julga o caso de corrupção na aquisição dos famigerados submarinos à Alemanha pelo governo de Durão Barroso e Paulo Portas, num negócio de milhões espalhado por contas offshore, uma parte significativa do povo português manteve a confiança na mesma politica para fazer regressar ao Poder uma coligação destes dois partidos. Segundo o Eurostat-INE os indices de desigualdade social em Portugal é dos mais altos na Europa, só suplantado pela Letónia, Lituânia e a Roménia. Mas os 2 milhões 797.646 de portugueses que votaram PSD-CDS (num total de 9.429.024 votantes possiveis) ainda querem mais ... Apesar de serem menos de 1/3 dos eleitores, é muita gente a querer governar-se à custa de uma economia parasitária e corrupta

Se do ex-ministro da Defesa medalhado pelo Pentágono, por suspeitas de encobrimento de crime lesivo dos interesses do Estado, já se imagina ao que vem,,, do discurso oculto de Passos Coelho não reza suficientemente elucidatico o 4º Poder nas mãos dos capitalistas... ao não declarar cabalmente em Portugal o que declarou perante a opinião pública mundial no Wall Street Journal em 30 de Março de 2011: "que o seu partido (PSD) chumbou as medidas de austeridade propostas pelo governo "socialista" (PEC IV) por não irem suficientemente longe (ao não incluir um vasto programa de privatizações, incluindo serviços essenciais ou estratégicos, privatização parcial do Serviço Nacional de Saúde e do Sistema de Pensões)" dizendo que tudo fará "para Portugal não ser um fardo para os nossos amigos da União Europeia e do resto do mundo" - como comenta Boaventura Sousa Santos no "Ensaio contra a Flagelação": "são declarações de rendição que inviabilizam qualquer politica que defina os interesses nacionais com independência em relação ao que os "nossos amigos internacionais" disserem ser tais interesses. Não fazendo ressalvas, suspeita-se que entre os "nossos amigos" se incluam os especuladores financeiros.
Mas, juntando os novos arrivistas à politica anterior do P"S", há 4.355.510 portugueses que gostam disto

"Em todos os ramos de actividade humana são pequenas as elites de Portugal: em nenhum domínio, todavia, nos achamos tão pobres como no político. Aliás, percebe-se bem. Não houve da parte de diversos partidos a menor consideração pelos valores mentais, o menor interesse pelos nossos jovens. Por isso, o que há de mais lúcido no pensar português, de mais são e idealista nas aspirações populares, dispersa-se por aí impotente e vago, como simples nebulosa que não toma corpo, que não influi nos factos, que não chega a actuar" (António Sérgio, 1932).

"E tudo se desenrola sem que os conflitos rebentem, sem que as consciências gritem, é porque tudo entra na impunidade do tempo - como se o tempo trouxesse, imediatamente, no presente, o esquecimento do que está à vista, presente. Como tudo isto é possivel? É possivel porque as consciências vivem no nevoeiro"
(José Gil, 2004)
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segunda-feira, junho 06, 2011

temos pela frente o capitalismo sem mais possibilidade de disfarce

O regresso do Poder absoluto a Portugal

Ainda nem tinha passado meia hora sobre o conhecimento da tragédia dos resultados eleitorais e já surgia a primeira mentira, agora ao desajeitado estilo beto engolido em seco: Passos Coelho garante que vai "retirar Portugal do estado em que se encontra".

1. o facto dos “socialistas” terem sido comidos vivos nestas eleições é uma vitória para os trabalhadores. É indigno que um bando de oportunistas sem escrúpulos ande há 37 anos a usurpar o nome de uma ideia que é sagrada para a Esquerda: a de uma sociedade sem classes. Os pulhas do P”S” nada têm a ver com isso.
2. No mundo do trabalho, muito por acção do bloco PS/PSD o sindicalismo já era irrelevante – desde a liberalização da lei apenas 19 por cento dos trabalhadores são sindicalizados
3. Dos 9.429.024 votos possiveis não exerceram esse direito 3.875.022 eleitores (41,1 de abstenção). O povo já ganhou uma carapaça sobre a ideia desta "democracia participativa"; já sabe que quem votou se finou; vai com deus e volta daqui a 4 anos. E 5.554.002 dos que votaram, apenas 1.557.864 clientes votaram no P”S” (28,05%)
3. Desaparecendo o P”S” de cena, (e repare-se o cuidado nos discursos neocons para que não se afronte a mudança para um novo P”S”) resta um inimigo pela frente, sem barreiras nem disfarces pela primeira vez desde 1974: 1 Governo, 1 maioria parlamentar e 1 presidente da república, todos de direita.
4. Nem o BE reduzido a um taxi-limousine de esquerda, nem os irrelevantes menos de 8 por cento de P”C”P são partidos de esquerda radicais. O máximo que pretendem nos seus programas são reformas e renegociações com os autores do crime económico que levou ao endividamento
5. Sem trabalho não há criação de riqueza. Só a luta é o caminho. Amanhã cá estaremos, organizados de todas as formas possiveis, para combater as medidas da troika
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domingo, junho 05, 2011

Nós, comunistas escolhemos a luta!

No presente momento não há cão nem gato que não saiba já que Garcia Pereira "vai ser alvo de um processo crime na Procuradoria por ter infringido a lei eleitoral"...

O que os detentores do 4º poder fogem como o diabo da cruz a dizer é o que é que o representante da candidatura do PCTP/MRPP disse, que foi uma coisa muito simples:
"(...) porque vir na véspera das eleições defender as posições dos três partidos amigos da troika torna claro que o Presidente da República tem a mesma posição de fundo que têm esses partidos"
Então a amostra de cidadão que ocupa a Presidência da república pode infringir o artigo 141 da lei
e qualquer outro cidadão não pode pronunciar-se livremente sobre isso?

"Trata-se de uma provocação de uma instituição completamente capada (a CNE), que já se mostrou de todo incapaz de tomar qualquer atitude para pôr cobro à mais ostensiva discriminação e manipulação das Televisões, nomeadamente em matéria de debates e de cobertura da campanha, que nada fez relativamente aos jornais de fim-de-semana que continuaram a campanha pelos cinco partidos parlamentares nem ao discurso manipulatório do Presidente da República na véspera das eleições pregando descaradamente o pagamento da dívida e apelando ao voto nos partidos amigos da Troika (...) Face à provocação a candidatura do PCTP/MRPP vai apresentar uma queixa crime contra a CNE"

Quanto à essência do que haveria de estar a ser discutido, que não a discriminação das opiniões, dá-se a palavra a uma velha glória da Esquerda portuguesa: "é preciso que este P"S" seja enterrado vivo!" (Arnaldo Matos)

sábado, junho 04, 2011

Último Aviso: levem Garcia Pereira a Deputado! votem PCTP/MRPP



Leia o Programa da Troika a aplicar pelo PS-PSD-CDS

o Igreja não se mete em politica (dia de reflexão)

Quantus tremor est futurus!” (que terrível futuro nos espera?), do hino católico Dies Irae (os Dias da Ira)

Hoje é dia de ir à missa. Este é um canto gregoriano originalmente escrito em latim no século XIII onde se anuncia a vinda de um segundo Cristo e o Dia do Julgamento Final - "Ego sum Ressurectio" a treta do dia em que todos os malvados serão punidos. Regra geral as pessoas emocionam-se e deixam-se possuir pela música ritual, mas, como é sabido, a história da Inquisição que lhe está subjacente é tenebrosa.
O quadro que ilustra o cântico é o “Julgamento Final” do tríptico de Hans Memling que faz parte do acervo do Museu Nacional de Gdansk na Polónia, uma das regiões mais pobres, atrasadas e alienadamente católicas da Europa (e já agora, fascista). Aliado à derrocada do comunismo de Estado foi precisamente este o país escolhido pelas multinacionais de Américo Amorim, Alexandre Soares dos Santos e Banco Milenium BCP para os seus admnistradores fazerem fortuna. Verdade se diga que a escolha deste modesto país dos fiéis de Fátima para o investimento em tais personalidades-empresárias se ficou a dever em muito ao papa polaco Karol Wojtyla para abrigar capitais fugidos da falência do Banco Ambrosiano. A Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), na sua qualidade de multinacional dos espíritos ocidentais, não dá ponto sem nó...




Vindo de púlpitos e altares ecoa por Portugal o medo num frémito subterrâneo de apelo ao voto nos partidos conservadores - apelando de cada um o apoio contra os seus próprios interesses – “os padres são cegos que guiam outros cegos” e foi sob a ameaça desta sentença que a Antena1 um destes dias expulsou um interveniente no forúm da audiência. Ainda que se queira mascarar de isenta (à Igreja basta-lhe as chorudas subvenções do Estado para cumprir essa função secular) é a politica que se mete na Igreja.

“…vejo dar exemplos inauditos de subserviência às pretensões da cúria romana; vejo trair sem pudor as tradições antigas e o nosso direito público, para contentar Roma, a insaciável” (Alexandre Herculano, “Carta ao Congresso do Livre Pensamento”, Lisboa 1910)

Da estátua do bispo de Viseu Don António Alves Martins, que foi deputado, protestou contra o Papa em 1867 e morreu pobre em 1882, ainda não se apagaram estas duas inscrições: “a religião deve ser como o sal na comida, nem muito nem pouco” e “na minha diocese quero padres para amar a Deus na pessoa do próximo, não quero jesuítas que vivam de explorar o próximo em nome de Deus(vide in locu)

“Se retirássemos ao judaísmo os seus profetas e ao cristianismo todos os acrescentos posteriores aos ensinamentos de Cristo, em especial os do clero, ficaríamos com uma doutrina capaz de curar todo o mal social da humanidade.
É dever de todo o homem de boa vontade lutar, no seu pequeno raio de acção e na medida em que lhe for possível, para que esses ensinamentos de tão grande humanidade se convertam numa força viva. Se ele lograr que os seus honestos esforços nesse sentido não sejam esmagados sob os pés dos seus contemporâneos, poderá considerar-se um homem afortunado e afortunada a comunidade em que está inserido” (Albert Einstein, Querido Verlag, 1934)

Finanças, Imobiliário, Tecnologia, Crença e Bancarrota

Por via do gigantismo do distanciamento do homem da sua comunidade é que acontecem os percalços (chamemos-lhe assim) civilizacionais. A carismática mega-Igreja de Cristal no Condado de Orange na Califórnia, construída com os lucros do serviço litúrgico evangelista “A Hora do Poder” em formato de show de televisão, está à beira da falência. Neste mítico local fisico para os basbaques tele-alucinados realizam-se shows multimédia que demonstram a doutrina criacionista sem margem para dúvidas, menos ainda sem intervenção da Ciência. Mas como o capitalismo determina, a Economia não é uma ciência. Assim, acossado pelos credores o padre-empresário Robert H. Schuller planeia vender o campus e a icónica torre de vidro do Santuário a uma empresa de investimentos pela quantia de 47 milhões de dólares. Se Deus não existiu para lhes valer, se não é milagre, pelo menos são lucros caídos do Céu virtual, aquilo a que na Terra se chama especulação

sexta-feira, junho 03, 2011

o Povo Vencerá!

"O Povo não tem de pagar uma dívida que não contraiu e da qual em nada beneficiou. Nesta campanha ninguém ousou falar do memorando da 'troika' e do que ele implica em perda dos mais variados Direitos por parte do Povo. Este acordo só serve os três partidos (PS, PSD e CDS) lacaios do imperialismo capitalista" (Garcia Pereira)
"o PS merece ser enterrado vivo, mas a vitória suprema era eleger o camarada Garcia Pereira para o Parlamento" (Arnaldo Matos)
"Estas eleições são uma fraude. Quiseram fazer-nos cair numa armadilha, colocando-nos a debater com os outros partidos que não têm assento parlamentar, mas nós não caímos nisso porque os princípios não se traficam. Não nos vendemos". Censuraram debates em directo e com o mesmo tempo de antena com os 5 partidos parlamentares para não terem de ouvir chamar "na tromba aos partidos do Arco Parlamentar aquilo que eles são -- traidores à Pátria, indivíduos que venderam o País a retalho" (Garcia Pereira). (Jornal de Noticias) - fotografias do jantar de encerramento de campanha e resumo dos discursos aqui

* "As meias verdades em Democracia"
* Perguntas e respostas online no iLeger no Sapo
* o apoio de Pedro Barroso

Com um Deputado do PCTP/MRPP no Parlamento nada será igual ao que era dantes. Ultimo dia de campanha - Votem Garcia Pereira

o Bloco Central prepara-se para deglutir os ratos, que são os únicos incapacitados de intervir no rumo do navio

"é evidente que o lider social-democrata já tinha confessado que o programa da troika tinha dado uma excelente ajuda ao PSD para apresentar uma proposta eleitoral muito mais radical..." (Editorial "PPC o eleito da troika", do pasquim ultraconservador Correio da Manhã)

as sondagens, como manipulações organizadas, colocam na recta final destas eleições inúteis (o programa de "governo já está estabelecido antecipadamente pela Troika) a convicção que o engenheiro José Sócrates "será finalmente expulso da governação" segundo o manifesto desejo expresso pela antiga ministra das finanças de Cavaco Silva. Se os resultados da campanha mais estupidificante de sempre correrem como as leis de Murphy determinam, os ratos eleitores correm com o gato preto e vão consentir amavelmente no regresso do gato branco...



Um exemplo concreto do estilo de actuação da alternância entre os dois partidos do Bloco Central é o esquema que está montado em torno da privatização do actual maioritariamente sistema público de Ensino. Durante os consulados de Cavaco Silva, para suprir a insuficiência da oferta o Estado subsidiou escolas privadas que iniciaram uma alternativa à educação, montada como um negócio.

Face aos cortes impostos nos subsidios à escola privada, o governo PS resolveu "reformar" o sistema, "aumentar a eficiência da componente de ensino público e entregou a gestão das escolas públicas a uma única entidade, a Parque Escolar, uma empresa também pública que tem vindo a proceder a obras de beneficiação (sem concurso) em dezenas de escolas. Estas escolas passaram a pagar uma renda mensal exorbitante à Parque Escolar. Quando o governo PSD (coligado com quem quer que seja) voltar ao governo, para cumprir o programa de privatizações exigido pela Troika, uma das primeiras empresas públicas a ser vendida é a Parque Escolar E.P.E. - e com ela marcha a rede de escolas "reformadas" com dinheiro do Estado, que passam a ser privadas. E os alunos passam a pagar propinas em conformidade e a ser obrigados a recorrer a empréstimos bancários como se faz nos Estados Unidos. Um privilegio para muito poucos.

Outra pequena habilidade é o que se passará com a redução da taxa social única descontada pelas entidades patronais (TSU). Para compensar a perda de receitas pagas pelas empresas privadas o Estado aumentará o IVA. Quer dizer, aquilo que os patrões não vão pagar, vai ser pago pela generalidade da população enquanto consumidora de bens essenciais. De um modo geral as politicas PSD-PS-CDS a prosseguir tratarão de continuar as transferências de capital aplicado naquilo que actualmente é social directamente para os bolsos dos patrões
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quinta-feira, junho 02, 2011

campanha eleitoral: terreno fértil para mentirosos

o escroque aqui fotografado gaba-se de ter indicado o nome de Barroso para a Comissão Europeia; dando a entender que existem forças ocultas que determinam quem pode ou não pode ser o quê nas instituições mascaradas de democráticas. Desde que Durão Barroso desempenha o cargo que Portugal, como país periférico que é, vem multiplicando o endividamento e desconvergindo dos parâmetros medios de vida na Europa. De que serviu ter o ex-1º ministro do PSD (um dos componentes da Troika) em tão altas funções? Eles sabem ao que vão, antes de serem empossados e conhecem os programas pré-concebidos para que são contratados. Silvio Berlusconi enganou meia população de Itália e mais um. Neste preciso momento caiu no mais completo ridiculo e a maioria da população, dos que não se riem da triste figura, odeiam-no com um suspiro de alívio. Mas a propaganda eleitoral em 2008 era outra - a música é a do folclore e a letra a da mentira, e não as condições de vida concreta das pessoas:

quarta-feira, junho 01, 2011

“é fácil verificar que a realidade segue um caminho diferente do dos discursos”

Boaventura Sousa Santos

“Não é possível que num futuro próximo Portugal seja promovido ao centro do sistema (passe a país desenvolvido) ou despromovido para a sua periferia (passe a país subdesenvolvido). É mais provável que a sua posição intermédia se consolide em novas bases.
(…) o seu padrão de especialização tende a ser dominado pelas produções que se desvalorizam no plano internacional e que, portanto, deixam de interessar aos países centrais (…) não é a mesma coisa vender sapatos e têxteis ou vender aviões. E este é o elemento estruturante básico da nossa existência colectiva (…) no meio das potencialidades universalizantes num sistema mundial caracterizado pela concorrência inter-Estados.

(…) À medida que as crises financeiras alastrarem a mais países europeus tornar-se-á claro que a crise é europeia e que decorre em boa parte de um sistema financeiro desregulado, controlado pelos interesses do capital financeiro norte-americano (…) Contrariamente aos que viram na crise o fim do neoliberalismo e da supremacia do capital financeiro sobre o capital produtivo, a crise tem vindo a ser “resolvida” pelo mesmo capital financeiro que a provocou e o seu motor principal, a Wall Street, está hoje mais forte e arrogante que antes. A luta politica dos próximos anos será uma luta pela redefinição dos termos da crise e só na medida que esta ocorrer será possível punir, em vez de recompensar, quem a provocou e encontrar soluções que efectivamente a superem. É uma luta de contornos imprevisíveis.
(…) Não é crível que o que se passa intramuros se explique totalmente por dinâmicas internas, nem que sejam estas a determinar em exclusivo as soluções para as crises, contextualizando a nossa posição no espaço europeu e mundial.

(…) a partir da década de 1930, o Estado aumentou exponencialmente a sua intervenção na economia para garantir a eficiência e a estabilidade que os mercados por si não conseguiam garantir, como ficou demonstrado com a Grande Depressão de 1929. Ciquenta anos depois, com a emergência do neoliberalismo, passou a vigorar, com o mesmo grau de evidência, a ortodoxia oposta que são os mercados que garantem a eficiência e a estabilidade e que é o Estado que as impede. O Estado e os Mercados podem ser simultaneamente os causadores das crises e as suas soluções?
(…) na Europa, a chamada Terceira Via foi um acto de rendição ao neoliberalismo e à desistência de procurar correctivos eficazes contra a pulsão destrutiva do capitalismo.
(…) Nos últimos trinta anos, o FMI, o Banco Mundial, as Agências de Rating e a desregulação dos mercados financeiros têm sido as manifestações mais agressivas da pulsão irracional do capitalismo.

A partir da obra fundamental de Marx e dos contributos, tão diversos entre si, de Schumpeter (1942) e de Karl Polanyi (1944), é hoje consensual entre os economistas e sociólogos políticos que o capitalismo necessita de adversários credíveis que actuem como correctivos da sua tendência para a irracionalidade e para a auto-destruição, a qual lhe advém da pulsão para funcionalizar ou destruir tudo o que pode interpor-se no seu inexorável caminho para a acumulação infinita de riqueza, por mais anti-sociais e injustas que sejam as consequências. Durante o século XX, esse correctivo foi a ameaça do comunismo e foi a partir dela que, na Europa, se construiu a social-democracia (o modelo social europeu, o Estado Providência e o direito laboral). Curiosamente, a correcção do capitalismo foi possível devido à existência, no horizonte de possibilidades, de um paradigam alternativo de sociedade, o comunismo e o socialismo. A ameaça credível de que ele pudesse vir a suplantar o capitalismo obrigou a manter algum nivel de racionalidade, sobretudo no centro do sistema mundial. Extinta essa ameaça, não foi até hoje possível construir outro adversário credível a nivel global. Na Europa, a social-democracia começou a ruir no dia em que caiu o Muro de Berlim.

(…) durante muito tempo Portugal foi um país simultaneamente colonizador e colonizado. (…) o fim do império colonial não determinou o fim do carácter intermédio da sociedade portuguesa, pois este estava inscrito na matriz das estruturas e das práticas sociais dotadas de forte resistência e inércia. Mas o fim da função de intermediação de base colonial fez com que o carácter intermédio que nela em parte se apoiava ficasse de algum modo suspenso à espera de uma base alternativa. Essa suspensão social permitiu que no pós 25 de Abril (entre 1974-1976) fosse socialmente credível a pretensão de Portugal de se equiparar aos países centrais e, mesmo em alguns aspectos, de assumir posições mais avançadas. Em 1978, o FMI destruiu a credibilidade dessa pretensão

(Boaventura Sousa Santos, in “Portugal, Ensaio contra a Autoflagelação”, Ediç Almedina, 14,00€)

notas sobre citações no texto

1. A "destruição criativa" em economia é um conceito do jovem jesuíta, banqueiro falido e ministro das finanças austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950) teorizado na sua obra “Capitalismo, Socialismo e Democracia” (1942). Ela descreve o processo de inovação, que tem lugar numa economia de mercado em que novos produtos destroem velhas empresas e antigos modelos de negócios. Para Schumpeter, que depois leccionou nas Universidades de Harvard e Cambridge (Massachusetts, EUA), as inovações dos empresários são a força motriz do crescimento económico sustentado a longo prazo, apesar de que poderia destruir empresas bem estabelecidas, reduzindo desta forma o monopólio do poder. "O processo de destruição criadora", escreveu Schumpeter em letras maiúsculas, "é o factor essencial do capitalismo", com o seu protagonista central no empresário inovador(Wikipedia)

2. "A Grande Transformação" (1944) é um clássico da literatura sobre o capitalismo, por ir de encontro às correntes governantes do pensamento económico dominante, mas por essas mesmas razões, acabou sendo mais bem aceite pelos campos da antropologia e da sociologia. Somente em 1940, durante um ciclo de palestras nos Estados Unidos, o economista judeu-hungaro Karl Polanyi (1886-1964) entrou oficialmente na vida académica. Com a repercussão do seu trabalho, foi convidado para leccionar na Universidade de Columbia. Entretanto a sua mulher, Ilona Duczyńska, por ter sido membro do Partido Comunista, nunca viria a conseguir visto de entrada nos Estados Unidos. (Wikipedia)

3. Boaventura Sousa Santos, doutorado pela Universidade de Yale, é professor jubilado e dirigente do CES (Centro de Estudos Sociais) na Universidade de Coimbra. Ganhou notoriedade pela sua participação na fundação do Forúm Social Mundial que durante um largo periodo se sedeou na cidade brasileira de Porto Alegre. O Fórum perdeu visibilidade desde que o municipio local perdeu o mandato exercido por um presidente de esquerda progressista, mas BSS continuou a colaborar com diversos jornais brasileiros, a editar livros e a dar conferências em diversas latitudes. Recentemente foi-lhe concedida uma bolsa de 2,4 milhões de euros pelo European Research Council para dirigir o maior projecto português na área da sociologia “destinado a desenvolver um novo paradigma teórico para a Europa contemporânea(fonte)

4. Karl Heinrich Marx (1818-1883), filósofo, cientista político e socialista revolucionário, concebeu o estudo sobre Economia mais influente de sempre e dispensa apresentações: continua a ser um “adversário credivel” para a multidiversidade de agentes de mercado oportunistas que pretendem rever os fundamentos dos processos de acumulação capitalista
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Garcia Pereira a Deputado (X)

A importância de uma correcta política sobre o mar na recuperação da nossa economia!



* em foco. Garcia Pereira: "a manipulação em marcha; eu não faltei a debates"
* Ainda hoje eu encontro cidadãos que não sabem que o PCTP/MRPP se apresenta às eleições: