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segunda-feira, setembro 19, 2011

intervenção divina, precisa-se

a Democracia Cristã é um fóssil parapolitico que em Portugal sobrevive milagrosamente (que outra explicação racional?) pela bem visivel mão do actual ministro dos negócios estrangeiros e viria a ser praticamente extinta na Europa por via da "operação Mãos Limpas" - que ironia - se a Paulo Portas, por via do estado de ignorância geral e pelo alto patrocinio de sua excelência o actual presidente do república, lhe saíu de novo a sorte grande...

...bem que poderia reconsiderar e, em tempos dificeis, mandar devolver ao erário público o mais de 1 Milhão de euros que a Escom Espirito Santo Comerce UK depositou em 2004 na conta bancária do CDS, o partido de que ainda é presidente. Esse dinheiro é suspeito de ser parte das famosas contrapartidas no negócio dos submarinos que foram formalmente encomendados em 2005 pelo governo de Durão Barroso/Paulo Portas quando este se encontrava já em periodo de mera gestão... (Visão, 7 de Julho 2011)

À atenção do ex-ministro dos Negócios militares internos

Outro padre, capelão-mor das Forças Armadas, vem a terreiro avisar que as encomendas e respectivas comissões em material de guerra (como este no valor de 364 milhões feito pelo mesmo governo Portas-Barroso) para as forças armadas NATO não se poderiam sobrelevar à falta de dinheiro para pagar de forma eficiente a 60 mil soldados, oficias e generais que hoje em dia fazem carreira como profissionais. O 25 de Abril que virou "do povo" foi o resultado de uma peixeirada reinvindicativa de quadros milicianos incorporados por conveniência num regime fascista alheio aos interesses do povo e não se deve repetir, senão nas interligações de cérebros passados a ferro por utopias zé-dos-bois, mas... os interesses alheios aos da maioria do povo 37 anos depois continuam a persistir...

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domingo, setembro 18, 2011

o Buraco no défice de humildade na Madeira

Um número estimado de 300.000 menores participa actualmente em conflitos armados em mais de 30 paises espalhados por todos os continentes. São mais que os 267 938 habitantes da famosa e riquissíma ilha da Madeira. Ainda que a maioria desses meninos-soldados sejam adolescentes há alguns que iniciam a carreira aos sete anos de idade. Melhor sorte teve a nossa querida estrela intelectualmente estropiada Cristiano Ronaldo – questionado por um jornalista sobre a forma como é aplaudido como um ídolo por tudo que é sítio por onde o marketing da alienação o faz passar, foi claro na resposta: “Creio que as pessoas me adoram porque sou bonito, sou rico e jogo muito bem; e por isso têm inveja de mim” – o asco causado por semelhante declaração mereceu resposta do vocalista do grupo andaluz de punk-rock Reincidentes: “estamos a viver um momento económico em que o facto de ser rico não será propriamente motivo de inveja, mas talvez de raiva… quando nos damos conta que os trabalhadores, que não são ricos nem bonitos e cada vez menos têm onde jogar, estão a pagar um preço exorbitante por uma crise que não provocaram”

Tempos de Ira


sábado, setembro 17, 2011

Tempo de Antena no 41º aniversário do PCTP/MRPP

Sessão Pública amanhã Domingo, 16,00 Voz do Operário



(...) só a prática social dos homens pode constituir o critério da verdade dos conhecimentos que os homens possuem sobre o mundo exterior. Com efeito, o conhecimento do homem fica confirmado apenas quando consegue os resultados esperados no processo da prática social (produção material, luta de classes ou experimentação científica). Se se quiser atingir sucesso no trabalho, quer dizer, alcançar os resultados previstos, tem de se fazer concordar as ideias com as leis do mundo exterior objectivo; sem essa correspondência, fracassa-se na prática. Depois de se sofrer um fracasso, tira-se lições dele, modifica-se as ideias fazendo-as concordar com as leis do mundo exterior e, dessa forma, pode-se transformar o fracasso em sucesso: eis o que se quer dizer com "a derrota é a mãe da vitória" e "cada fracasso deve tornar-nos mais lestos" (Mao Tse Tung, in "Sobre a Prática", 1938)

O que se pode hoje inferir da prática é que cada proletário, enquanto não tomar consciência que a sua emancipação constitui única e exclusivamente obra do seu trabalho como parte de uma associação democrática de trabalhadores, em nada contribuirá para modificar a sociedade capitalista. As ilusões espalhadas pela burguesia de que se podem obter lucros apenas pelo aumento do capital marca de facto a diferença entre a economia real e a economia especulativa
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sexta-feira, setembro 16, 2011

de pequenino é que se aprende a dar ao corpinho

É mais um notável avanço civilizacional nos EUA? Qualquer incauto depois de ver esta cena vai a correr ler qualquer coisa acerca de conhecimentos básicos sobre inteligência, genes e a sua formatação biológica adquirida pelo ambiente – neste contexto chamam-se a certas surpresas de “experiências da sociedade”…














…e assim, nos cinco minutos disponíveis passará por “As Influências Genéticas e Ambientais na Inteligência Adulta e Capacidades Mentais Especiais” (T.J. Bouchard), “Genética e Capacidade Cognitiva Geral” (R. Plomin), “A Genética de Comportamento” (S.A. Petrill) , “Intelligence, Heredity and Environment” (E. Grigorenko), e no caso de subsistirem dúvidas irá perder mais um minuto ou dois na falta de influência da educação familiar na inteligência de muita alimária que cresceu por aí e por além Atlântico: J.R. Harris The Nurture Assumption: Why Children Turn Out the Way They Do. Esforço inglório, chegado ao fim não será fácil perceber as razões que levam uma mãe (sem carências materiais) a querer incutir na filha a mentalidade de puta,,, ou seja, a aviar um bumbum e mamas falsas numa menina de 4 anos que concorre ao reality-show "Toddles & Tiaras" (Pequenas Misses). Transmitido pelo canal TLC, Maddy Jackson além dos “pequenos acessórios de bónus” ás emoções dos telespectadores, usa um vestido justinho tentando macaquear a actriz Dolly Parton. Questionada a mãe da menina, Lindsay Jackson, desculpou-se dizendo qualquer coisa como “para algumas pessoas pode parecer exagerado, mas para nós é normal”. Pelo andar da carruagem, vão pela maioria da opinião chique-labrega e ainda veremos portuguesinhas a participar em trampas destas


quinta-feira, setembro 15, 2011

informação e empresas transnacionais

"Hoje em dia a Informação tem como objectivo mercantil chegar ao mais amplo número de pessoas. E chega, baixando-lhe o nivel e baixando-lhe os custos; é o mesmo que dizer, oferecendo uma informação que possa ser lida até por aquelas pessoas que mal sabem soletrar ou entender uma letra
¿ para que se quer essa audiência se a informação é oferecida? O comércio da Informação não consiste em vender informação às pessoas; consiste em vender pessoas aos anunciantes" (Ignacio Ramonet, in “O poder financeiro mediático hoje domina os governos”)

Noticias que fazem jurisprudência, aviso às massas que questionem a legitimidade do Poder

Por sua vez as empresas transnacionais também ultrapassam as legislações, constituições et alia com que se entretêm os governos e "representantes do povo": em democracia ninguém pode ser alvo de discriminação no emprego por motivos politicos. Mas o clube de futebol Liverpool que foi comprado pela empresa americana Fenway Sports Group estuda a aplicação de sanções, que podem chegar ao despedimento, por o seu jogador Nathan Eccleston ter cometido um "delito de opinião" ao produzir declarações na sua esfera privada que põem em causa a versão oficial do 11 de Setembro
clique no recorte para ampliar (DN 15Set.)
relacionado:
Na década de 1980 existiam nos EUA cincoenta grandes conglomerados de informação. Em 2004 já só existiam cinco: a AOL-Time-Warner, Viacom, Disney Corp, Vivendi Universal e a Sony Corporation. A concentração de meios e capitais investidas facilita a forma como Hollywood espalha desinformação sobre "sociedades secretas" com ficções para salvaguardar as verdadeiras associações de criminosos que usurpam a política
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quarta-feira, setembro 14, 2011

O que escondem os “debates” no Parlamento burguês?

O senhor Ministro das Finanças hoje não compareceu na AR, anda ocupadíssimo com o trabalho nas costas do povo. E no entanto é a única personagem que merece metade de uma linha de comentário sobre este governo ulltra-activista de contraparte da bem urdida (sob a alta supervisão de Cavaco Silva) e preparada herança “socialista” de José Sócrates. A qual não foi posta em causa. Como Obama não questiona Bush.
Vitor Louçã Gaspar fez carreira, (e continua a fazê-la), como funcionário desta União Europeia. Imperturbável, ser neo-liberal não o ofende – como alguém disse, se as televisões quiserem ganhar audiência devem fazer um concurso-show com um prémio de 10 mil euros para quem conseguir irritar o homem. Com a sua novilíngua codificada nos números do economês global, Gaspar vai ficar na história mais por aquilo que não diz. Disse o essencial na Univ. de Verão do PSD: que todos estes crescentes planos de austeridade se destinam fundamentalmente a colocar Portugal de novo “com acesso aos Mercados” a breve prazo (2013)

Existe uma grave crise na capacidade do chamado Estado-nação soberano (1), que está em transformação devido à imposição de politicas de organizações supranacionais a favor da Sociedade de Accionistas Globais cujo número não excede os 300 milhões de pessoas – uma ínfima Burguesia transnacional (2) numa população mundial de 6,96 mil milhões – escravizados em massa pelas elites dos regimes nacionais de cobrança de impostos desproporcionais em relação à possibilidade de obtenção de rendimentos de subsistência. É esta a génese dos “Mercados” do ministro – na sua lógica dos pistoleiros que ao melhor estilo do far-west fazem a sua própria lei. A corja pseudo-empresarial (sem preocupações sociais nas empresas) que se acoita por detrás desta Besta define inimigos apenas de forma ideológica: todos aqueles que rejeitam o modo de vida norte-americano.

Há espera de uma gratificante festa nas orelhas por parte dos donos trabalham e passam a vida a ganir por um sistema de Estados-satélite ou Estados submissos ao Império. Para já beneficiam do medo e do terror causado na pequena burguesia alvo do marketing de consumo de massas mas que secularmente deposita em si as esperanças dos ideiais do Iluminismo do século XVIII – se não houver patrões quem é que paga os salários? Mas a vida até para os cães de fila está má, cada vez têm menos força para mijar para as botas que lambem, doravante as dos falcões do Pentágono e da NATO: os Estados Unidos como país nacional e entidade politico-económica em 1945 representavam 40% da produção industrial global de produtos manufacturadosem 2005 representavam apenas 22,4% (3) e, com o agravamento da crise a partir de 2008 essa percentagem caiu a pique. Há aqui uma acção concertada dos agentes da burguesia transnacional para a desindustrialização da economia. Em todas as linhas, menos numa: a produção de material de guerra. É desta confraria que o recém chegado “socialista” A.J. Seguro (ou o clone F.Assis) com o seu discurso liofilizado é também sócio (4). A conquista de mercados por acções “apartidárias” das forças armadas banalizou-se: a Europa procura a saída da crise do Euro na invasão da Líbia, mas os bancos europeus para serem admitidos como partners no negócio precisam de se refinanciar com dólares impressos pela Reserva Federal norte-americana, um consórcio de bancos privados controlados maioritariamente por interesses judaicos

A lógica da pequena elite que governa os Mercados é tão irracional e representa no século XXI o mesmo papel que profetas, místicos e clérigos representaram no século IV ao erigir as riquezas da Igreja católica sobre os escombros do demolido Império Romano às mãos dos bárbaros. A grande herança cultural do Ocidente é a das tribos germânicas do norte da Europa que triunfaram historicamente (5), não é a das imagens icónicas de santinhos de que os bispos fizeram Arte – para melhor controlar pelo medo a Deus multidões de sub-humanos secularmente escravizados na Europa do Sul.

Se alguém, mil novecentos e trinta anos depois, ainda reindinvicava a “saudação romana” como mote para equilibrar essa entidade dúbia que são “as Finanças da Nação”, então na reconversão para o regime “democrático” Vitor Gaspar é agora sem nenhuma dúvida um dos arcebispos desta Igreja. O grande ministro do concílio de Pedro (o insignificante passos coelho) é um assumido funcionário da nóvel classe da burguesia transnacional – que se opõe e resolve através da compra de governos a seu favor a contradição com a pequena e média burguesia que ficou aprisionada dentro das fronteiras nacionais. Vitor Gaspar é funcionário de gentinha armada ao pseudo-empresário tão imberbe como o merceeiro Alexandre Soares dos Santos. (6) Na verdade este patrocinador das campanhas eleitorais de Cavaco Silva é uma mera rodinha dentada na engrenagem da concentração e tomada de posse dos Mercados pelas grandes empresas multinacionais. Quando tudo estiver acabado (a “crise”) o tecido económico até aqui ocupado pela pequena e média burguesia terá sido destruído. O “Mercado” (os tais 300 milhões de accionistas que contam) será a partir daí dominado em regime de monopólio pelas grandes cadeias de empresas com actividades transnacionais, quer dizer, do que se vai vendo disto, quando o panorama na comunicação social está exposto exclusivamente a patrões e merceeiros está tudo fodido.

Fuck Your Money” na gíria da elite de negócios yankee (traduzido em linguagem crua “recontrafoder o dinheiro” que se conseguiu extrair do sistema) é uma metáfora para dizer que o colocaram num sítio onde está ao abrigo de cobiças, seja de um eventual credor armado em esperto, do simples litígio com um ex-cônjuge, ou, mais importante, do Fisco (7). Este esquema de fuga e evasão fiscal começou obviamente com os capitais depositados nas caixas fortes dos bancos da Suiça, um paraíso no coração da Europa. Mas em 1932 um escândalo causado pela divulgação por funcionários bancários de uma lista de 1500 grandes fortunas de industriais e aristocratas que fugiam aos impostos (entre os quais os irmãos Peugeot) obrigou a Suiça a emitir um decreto em 1934 que punia com pena de prisão ou multa agravada "todo aquele que tendo conhecimento da identidade dos clientes no decurso da actividade profissional a revelasse a terceiros infringindo o sigilo bancário” (8). O artigo 47º dessa lei foi redigido para fingir que a lei foi introduzida para defender os judeus alemães que tentavam pôr os seus bens fora do alcance do regime Nazi. Porém, conhecidas que são as relações entre a Suiça e o Reich alemão nessa época, sabe-se que esses bancos se interessaram mais por “arianizar” a identidade e os depósitos dos seus clientes. (9).

Foi assim que se iniciou a génese dos paraísos fiscais, logo que no pós guerra se fundou o 1º off-shore em Nassau para depositar o dinheiro oriundo do jogo dos casinos da costa dourada da Flórida (10). Hoje o planeta das finanças off-shore conta, como muito bem sabem os homens de mão do presidente Cavaco (como o ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro, ou o ex-presidente do PSD Duarte Lima) com centenas de locais com as mais diversas formas de isenção e encobrimento de capitais (11) e os tradicionais serviços da banca Suiça viu aumentada a sua influência para 376 bancos recenseados (12); como muito bem sabe o ex-ministro das Cidades de Durão Barroso que ainda responde em liberdade pelo seu nome: Isaltino Morais, ou o 1º ministro Sócrates re-empossado por Cavaco apesar das inúmeras suspeitas). Muitos desses paraísos fiscais, ou até países criados para o efeito com direito de voto na ONU (como Nauru ou Vanuatu) negam, à revelia das tentativas de controlo da fraude, corrupção e terrorismo, qualquer colaboração com autoridades nacionais. Na lista negra dos mais importantes estava o Estado de Israel (13). Mas não é de corrupção, banditismo ou terrorismo de Estado que tratam estas listas. Os negócios e movimentação de capitais da nova burguesia transnacional são considerados actividades capitalistas honestas. Estão isentos de controlo (14) e, como é evidente, o mal dos muitos que estão à rasca é o bem dos poucos que sacam fortunas.

notas
(1) "Globalização, Democracia e Terrorismo", Eric Hobsbawm, 2007 (recensão)
(2) “O Capitalismo Total", Jean Peyrelevade, 2005, pag. 54 (NovaVega)
(3) ONU Industrial Research Update
(4) De facto os Globalistas com ambições a um governo único mundial investem sempre nos dois lados das entidades em aparente conflito, mas que mais não fazem que revesar-se alternadamente no Poder.
(5) Ver: a Ética Protestante e o espírito Capitalista em Max Weber (wikipedia)
(6) Este dono de uma cadeia de supermercados afirmou em entrevista à SIC que "o povo polaco", antes dele chegar a esse mercado, "era muito atrasado porque não sabia o que era uma Banana!" Actualmente toda a Polónia já percebe de economia bananeira – por exemplo, os estaleiros de Gdansk onde começou a revolta anti-comunista são hoje propriedade privada de um magnata oriundo da Ucrânia, vinte anos depois um dos povos mais pobres do antigo Pacto de Varsóvia.
(7) “O Dinheiro Secreto dos Paraisos Fiscais” de Sylvain Besson, Editorial Caminho, 2006, pag. 67. (recensão)
(8) Idem, obra citada, pag. 68
(9) Nicholas Faith, “Safety in numbers: The Mysterious World of Swiss Banking”, 1983 (recensão)
(10) ler: Biografia do chefe da máfia judaica americana Meyer Lansky (wikipedia)
(11) List of offshore financial centres
(12) Paolo Bernasconi, “Le Secret Bancaire Suisse”, 1995
(13) FATF Blacklist
(14) Da problemática da Dívida Pública (Resistir)
(15) Gravura: The brutal tectonics of neoliberal globalization"
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segunda-feira, setembro 12, 2011

manter-se na ignorância... é dar-lhes força















Não foi ridiculo ver Bush e Obama lado a lado em 2011 prestando homenagem ás vítimas do atentado ás torres do Centro de Comércio Mundial em New York? - se não achou nada de estranho em tão insólito evento (o primeiro personagem deveria estar preso por crimes contra a humanidade, o segundo destituido do cargo por mentir sobre as prometidas mudanças de regime), então veja aqui em cinco minutos tudo o que precisa saber sobre a teoria da conspiração de 11 de Setembro:



relacionado:
*"11 de Setembro, Demolições Controladas" (Manilo Dinucci, no Resistir)

* Evidência do Uso de Explosivos: Falam os Especialistas (Documentário 2h;19min; 03seg)
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domingo, setembro 11, 2011

uma pequena década perdida para a humanidade, uma grande década ganha para a guerra perpétua

Hans Hollein, "Superstructure Over Manhattan", 1963
Dois em cada três norte-americanos acreditam que o 11 de Setembro tem mais a ver com o estado actual de crise na economia do que com o terrorismo. Se juntarmos que nos Estados Unidos um em cada dois cidadãos não tem qualquer participação em actos eleitorais, que a Câmara dos Representantes é eleita apenas por um terço da população, temos o retrato perfeito sobre a mentira mediática e a fraude politica que enformam hoje “a maior democracia do mundo”. Vista de fora a imagem dos EUA não é melhor: 58% dos franceses duvidam da versão oficial dada pelo governo norte-americano para os atentados e os europeus em geral pensam que o 11/9 foi o pretexto para a superpotência poder justificar intervenções militares no exterior com fins inconfessáveis.

A guerra imediatamente decretada contra os “combatentes ilegais” do presidente Bush não poderia ter sido iniciada: “não se declara guerra a uma organização terrorista” (1), isto é, a populações civis inteiras, guerra para a qual não existe inimigo credível nem suporte legal (2). Mesmo assim, (ainda muito antes de George W. Bush ter sido “eleito”) no Plano para o Novo Século Americano (PNAC) porque nesse programa já estava inscrita “a necessidade de um novo Pearl Harbor” para a América poder sair da crise latente e ultrapassar a falência do capitalismo, Bush em Fevereiro de 2002 foi peremptório: “a guerra contra o terrorismo anuncia um novo paradigma que exige uma nova forma de pensar o Direito de Guerra”. O mesmo George W. Bush que de visita à Europa em discurso a 23 de Maio de 2002 proferido no Bundestag alemão confirmou a execução do PNAC: “fomos atacados de forma tão violenta e clara como em Pearl Harbor” – ao fim e ao cabo tratou-se de um coup d`etát de um bando de facínoras alcandorados aos mais altos postos da hierarquia de dominação global: 17 dos autores do Programa para o Novo Século Americano viriam a fazer parte da administração Bush. O seu falcão nº 1 Donald Rumsfeld em Dezembro de 2001 deu então o mote para o início da carnificina justificada com a politica de genocídio: “Não fomos nós que começámos esta guerra. Por isso, percebam: a responsabilidade por cada vítima inocente, sejam afegãos ou americanos, é da Al-Qaeda e dos Talibans”. (3)












Se o Afeganistão não tinha nada a ver com o 11 de Setembro, em Agosto de 2002 o vice-presidente Dick Cheney já tinha feito o upgrade da situação e afirmava: “em termos simples, não há dúvida nenhuma de que Saddam Hussein agora possui armas de destruição maciça” que mais não era que o desenvolvimento da expressão de Bush (que mais tarde iríamos ver fardado de aviador da tanga) em Março de 2002 quando desabafou: “que se lixe Saddam Hussein, vamos dar cabo dele” (4)
Esta frase papagueada pelo presidente dos EUA por sua vez mais não é que a divisa inscrita nas fuselagens da esquadrilha de aviões de ataque AC-130 Spectre: “que se lixe, vou matar qualquer coisa” (Fuck, let`s kill anything). Pegando apenas neste item avulso, estas sofisticadas máquinas de guerra são fabricadas pela Lockeed-Martin e tinham em 2002 um preço de 190 milhões de dólares por unidade. Esse avião já estava presente no Laos durante a guerra do Vietname desde 1960, continua em actividade desde a invasão do Iraque a partir de 2003, passando por acções de intervenção militar imperialista em Grenada (1983), Panamá (1989), Guerra do Golfo (1991), Somália (1993), Bósnia (1995) e Afeganistão (2001) - Foi ao seu recurso e a uma proposta do Pentágono para uma operação de intervenção dos SEAL nos campos de treino dos Talibans no Afeganistão em 1999 que Bill Clinton se tinha negado a avalizar por “ser demasiado evidente e trazer mau nome e desprestígio para a América”. Tudo isso foi ultrapassado com o 11 de Setembro. O negócio do armamento e a politica do keynesianismo militar não pode parar. (6) Tornou-se urgente foi arranjar povos inteiros que estejam dispostos a pagá-la. É disso que trata a “crise”.

Tanta sofisticação em demonstrações de poderio militar - orgulho de tanto idiota que não se enxerga tratar-se de um processo de dominação sobre uma nova geração de escravos a nível global – trazem inevitavelmente uma nota de humor: para os milionários aviões Spectre ou C-5 Galaxy, os alvos mais ameaçadores que se encontram é uma bateria de foguetes rudimentares atrelados a uma carroça puxada por um burro (fonte: Indymedia)

Até agora, a guerra contra o terrorismo já consumiu dez anos, três triliões de dólares (5) e aproximadamente um milhão de vidas. Não vencemos. Não estamos a vencer. Não venceremos
(Dominic Streatfeild)
o Silêncio


(1) V. Pulido Valente “O 11 de Setembro não acabou”, Público 11/9, 2011.
(2) “The One Percent Doctrine: Deep Inside America`s Pursuit of its Enemies Since 9/11”, Ron Suskind, 2006
(3) Todas as citações foram retiradas do livro de Dominic Streatfeild “Uma História do Mundo Depois do 11 de Setembro”, 2011
(4) The Italian Letter: How the Bush Administration Used a Fake Letter to Build the Case for War in Iraq”, 2007
(5) Joseph Stiglitz: “The Three Trilion Dólar War”, 2008
(6) Obama deu o aval e continuou a politica da CIA de aprisionamento, rapto e transferência ilegal de dissidentes de qualquer região sujeita à intervenção de tropas norte-americanas (fonte)
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sábado, setembro 10, 2011

11 de Setembro: uma história de pessoas comuns que se convertem em testemunhas inconvenientes

Kurt, Paula e as filhas gêmeas:
no recomeço de vida em Buenos Aires, na Argentina

Kurt Sonnenfeld foi o único cineasta a obter um livre-trânsito para filmar as operações de resgate das vítimas do World Trade Center, em Setembro de 2001. Com livre acesso ao perímetro do desabamento das Torres Gêmeas, área conhecida como "Ground Zero", o norte-americano viu e registou cenas que, segundo diria depois, contradizem a versão oficial dos Estados Unidos sobre os atentados. 10 anos depois Kurt vive uma trama kafkiana engendrada especialmente para estes casos: acusado pelo assassinato da própria esposa, esteve 13 meses na prisão e refugiou-se na Argentina, a partir de onde o governo norte-americano, alegando que o documentarista é um fugitivo, continua a pressionar a sua extradição.

Nas semanas que precederam os ataques ao WTC, treinos incomuns de evacuação foram realizados nas torres e um dia antes da catástrofe, agentes do governo preparavam-se para uma simulação, prevista para o dia 12 de Setembro naquele mesmo local. Tal como acontecia com os controladores aéreos, naquele dia ninguém sabia ao certo o que eram exercicios de simulação e o que se passava na realidade: “Os oficiais da FEMA instalaram uma base de operações próxima das torres um dia antes do ataque”; Outro facto relevado por Kurt é sobre o edifício Sete do WTC, que sofreu poucos danos estruturais, mas que acabou por se desmoronar. “Tenho imagens de como o edifício ficou, após uma queda vertical perfeita, reduzido a uma pequena e organizada pilha de escombros”, conta ele, sugerindo uma implosão (1)

Posteriormente o governo norte-americano admitiu que este prédio abrigava a maior base clandestina da CIA fora de Washington. O edifício Seis, onde funcionava a Alfândega do país, possuía uma abóbada subterrânea onde agências governamentais armazenavam documentação classificada. O edifício ficou soterrado por toneladas de escombros, mas uma Força Especial de Resgate, acompanhada por Kurt, conseguiu chegar ao local secreto no subsolo. Equipado com lanternas, o grupo encontrou um depósito cheio de estantes vazias. “Naquele momento, não dei atenção, porque estávamos no meio do caos e corríamos perigo. Depois, a gravidade do que descobrimos começou a intrigar-me”, relata. “Quando tinha o subterrâneo sido evacuado? O local só pode ter sido esvaziado antes dos ataques”, conclui ele, explicando que a evacuação durou poucos minutos e que seria impossível esvaziar o local após o ataque do primeiro avião. (lido aqui)

(1) Recentemente o nosso bem conhecido Larry Silverstein foi apanhado a utilizar a expressão "pull it" para dizer que houve uma decisão "naquele dia" para fazer demolir o Edificio7 do WTC. Porém, tais trabalhos implicam semanas de actividade de técnicos qualificados para instalar as cargas explosivas para uma implosão, não podem ser feitos em escassas horas:

sexta-feira, setembro 09, 2011

o mundo que mudou com o 11 de Setembro

O Iraque à Venda, Os Lucros da Guerra” é um documentário do realizador Robert Greenwald baseado nas investigações do senador Henry Waxman sobre a descarada entrega das tarefas das guerras de Bush a empresas privadas. Waxman dirigiu uma Comissão de Investigação sobre o gasto de dinheiros públicos no Iraque e apoiou-se nas declarações de inúmeras testemunhas que se sentiram decepcionadas com a falta de patriotismo das empresas (!) para as quais trabalharam.

"Iraq for Sale" é um documentário impressionante sobre como corporações como a Halliburton, ligada ao ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney, lucraram e lucram de forma extremamente desonesta com a Guerra do Iraque para servir os interesses de grupos económicos ligados à administração que trabalhou no sentido do golpe de Estado de 11 de Setembro de 2001. A terceirização de serviços péssimamente prestados e sobrefacturados por estas empresas privadas não inclui apenas actividades acessórias... além de providenciar serviços de alimentação, gestão, transportes, etc, esses elementos civis estiveram envolvidos nos interrogatórios e torturas dos prisioneiros de Abu Ghraib. (legendado em português)



2ª parte
http://www.youtube.com/watch?v=ao0UO8t6SmM&feature=related
3ª parte
http://www.youtube.com/watch?v=tg-K2eAlm90&feature=related
4ª parte
http://www.youtube.com/watch?v=iXojMYlwwas&feature=related
5ª parte
http://www.youtube.com/watch?v=_tGgNNxND_A&feature=related
6ª parte
http://www.youtube.com/watch?v=JKRXwnhJKgI&feature=related
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quinta-feira, setembro 08, 2011

o imperialismo mudou ?

"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento"
(MDDVTM)

Desde a carnificina da 1ª Guerra Mundial na Europa (1914) à destruição de Hiroshima (1945), desde a invasão do Vietname (1955-1975), da destruição da Jugoslávia (1991), até à actual Guerra do Afeganistão 2002), desde o desastre no Iraque (2003), dos ataques ao Paquistão à invasão da Líbia (2011), "o mundo mudou?". Com certeza. Para cada vez pior a níveis de desigualdade social, apesar dos avanços tecnológicos...

"A Guerra que Tu não Vês"
(The War You Dont See, 2010), legendado em português, 1;36;48

terça-feira, setembro 06, 2011

reformar a usura sem destruir a superestrutura ideológica?

Este ministro das Finanças é muito explicadinho e frontal (na televisão). Fora dos holofotes da caixa emissora de raios luminosos, recebe instruções, cumpre instruções. Com o seu paleio de filete congelado, como funcionário de longa data da estrutura da Europa neoliberal aprendeu há muito a compreender alemão...









"Todos sabemos que existe uma interdependência entre a infra-estrutura económica e a superestrutura ideológica. Quando o coordenador nacional do Bloco de Esquerda reclama um novo 25 de Abril na economia podemos concluir, portanto, que para Louçã, a superestrutura ideológica, onde se inclui o Estado, está bem, não precisa de qualquer alteração (...)
Esta luminária do trotskismo (transformado em reformismo, ultrapassando pela direita o internacionalismo proletário) ainda não compreendeu, ou finge não compreender, que sendo o edifício fiscal parte da superestrutura ideológica da burguesia, e das relações de produção capitalistas que conforma e reproduz, mobilizar os trabalhadores e o povo para a sua "reforma fiscal" é atirá-lo para um beco sem saída (...)
Alterar as condições de vida do povo implica lutar, não por uma "reforma" ou várias "reformas", mas sim pela alteração das condições que favorecem uma classe - a burguesia - em detrimento da maioria - a classe operária e o povo trabalhador. Implica, não um 25 de Abril de decepções e traições, mas uma revolução que destrua as relações de produção capitalistas que o 25 de Abril não destruiu. Implica a imposição de novas relações de produção - socialistas - e de um novo Estado, um Estado que sirva os interesses do povo, construído por cima dos escombros deste Estado que não é reformável (no Luta Popular)

(...) nessa situação deplorável, em que o capital desde o começo nasceu estrangeiro, a sociabilidade foi feita pela produção voltada para o mercado externo. E que tem isso a ver com a televisão? O que tem o capital estrangeiro a ver com o efeito psico-cultural da televisão na sociedade?
tem a ver com a mais valia obtida pela superestrutura ideológica do capitalismo
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segunda-feira, agosto 29, 2011

The United States of Europe

a proposta de “Governo Económico” que dá o tiro de partida para os Estados Unidos da Europa irá integrar o continente europeu num grau nunca visto desde o Império Romano
(AmericanDream)

Como cidadão europeu, está preparado para os “Estados Unidos da Europa”? a integração da Europa trata de subir a um outro nivel. Conforme a crise dos défices europeus se aprofunda disparam os gritos de aflição por toda a Europa a favor de uma completa integração económica da União. O presidente francês Nicolas Sarkozy e a chancheler alemã Angela Merkel enviaram recentemente uma carta ao presidente do Concelho Europeu Herman Van Rompuy onde se estabelecia a pretensão de um novo”governo económico” a ser formado para a Europa. E de acordo com essa carta, Sarkozy e Merkel querem que os lideres dos paises da Eurozona façam “eleger” um presidente para esse novo governo económico.
A ideia seria a de que esse presidente teria duas reuniões anuais para debater os problemas dos défices que a Europa enfrenta neste momento. Mas muitos críticos pró-União Europeia acusam Sarkozy e Merkel tão longe quanto é preciso. Um grande lote de “experts” proclamou que sem uma integração económica total e a criação de obrigações “Eurobonds” a Europa permanecerá estagnada.
Jennifer McKeown, uma economista da “Capital Economics”, põe a questão da seguinte maneira, quando se interroga sobre o que acontecerá se os Eurobonds não forem criados urgentemente: “prevendo um futuro optimista, no mínimo a Eurozona deixará de existir”. É deste modo que as mudanças bruscas ocorrem no nosso mundo de hoje. Primeiro é criado um problema profundo, então haverá uma reacção negativa, depois, sobre os factos consumados, ser-nos-á apresentada uma solução. Neste preciso momento, o problema é a soberania sobre a crise dos défices. Tem-nos sido dito que a única maneira que a eurozona poderá sobreviver será se todos os paises concordarem numa integração económica mais profunda e na perda das soberanias nacionais dos paises mais débeis a favor dos economicamente mais poderosos.

Num artigo para a Seeking Alpha, Cliff Wachtel equaciona as escolhas para os povos da Europa do seguinte modo: “a continuação da existência na forma presente da Eurozona limitará enormemente as soberanias nacionais. Em particular, com uma limitada autonomia financeira, com uma espécie de um qualquer orçamento centralizado aprovado e com os gastos limitados pelo direito de veto dos Estados individuais que liderarem a integração. Continuar com plenas soberanias com mudanças radicais que alterem ou dissolvam a Eurozona, provavelmente conduzirá à expulsão dos Estados-membros que sejam fiscalmente deficitários e economicamente insustentáveis...
Grande escolha, não?
Enquanto alguns aplaudem a possibilidade de incrementar a integração da Eurozona, outros avisam acerca das potenciais consequências. Por exemplo, o Daily Mail num artigo intitulado Ascenção do IV Reich, como a Alemanha está a usar a crise financeira para conquistar a Europa considera o seguinte depoimento do que o aprofundamento da integração económica para a Europa pode significar:

“Isto irá desenhar uma perda de soberania nunca vista nestes países desde que muitos deles estiveram sob os tacões das botas do III Reich há 70 anos. Para não haver dúvidas sobre o que a integração fiscal significa: trata-se de uma politica económica única, um sistema de impostos único, um sistema de segurança social único, um défice único, um único ministro das Finanças. E sobre tudo isto estará a Alemanha. (1)

Nigel Farage, um deputado europeu profundamente crítico (cuja frontalidade já conhecemos daqui) vê assim a nova proposta de Sarkozy e Merkel: “peça por peça, os membros da Eurozona vão perdendo a sua sobernia enquanto o Super-Estado europeu vai sendo construido. Nada nestas propostas acalmará os mercados. Estou também preparado para apostar que as elites politicas europeias não pedirão permissão aos seus povos por via de um referendo para que tal possa acontecer” (fonte)
Mas Sarkozy e Merkel são indiferentes acerca da opinião dos críticos. De facto eles anunciaram os planos que têm para a criação de um imposto único comum europeu em 2013 e para coordenar os trabalhos com base nos seus orçamentos nacionais. Então, se as lideranças da Alemanha e da França ambas querem impôr um aprofundamento económico da União, haverá alguém mais suficientemente forte na Eurozona para resistir a isso?... Provavelmente não.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, apelou para as propostas apresentadas por Sarkozy e Merkel como sendo uma contribuição politica importante dos dois lideres das duas maiores economias na área do Euro como uma boa proposta para principio de trabalho. Paises como a Grécia, Portugal, Itália e Espanha estão já profundadmente dependentes financeiramente da Alemanha (via BCE). Inclusivamente estes paises correm o risco de ter de abandonar o euro (o que será um desastre financeiro para eles), ou terão de avançar concordando com a Alemanha e a França naquilo que eles pretendem. Não será uma integração fácil. Continua a haver muita resistência na União Europeia à ideia dos “Estados Unidos da Europa”. Muitos dos paises do norte opõem-se a uma maior integração com a irresponsabilidade financeira das nações do sul da Europa (2)
Craig Alexander, o economista-chefe do Toronto-Dominion Bank, fez recentemente o seguinte afirmação sobre os problemas de se tentar uma Europa completamente integrada:

“O problema é que os sistemas politicos na Europa não podem ser enquadrados com um salto dos actuais sistemas para uma união fiscal num único movimento”

Assim, sera certamente muito interessante ver o que vai acontecer. Continua a existir uma possibilidade muito real da União Europeia se poder desintegrar e de que o Euro possa vir a implodir. Absolutamente nada está gravado em pedra no presente momento. Mas os lideres da União continuarão a fazer tudo o que podem para a manter unida. Eles acreditam sinceramente que uma Europa única unida sobre a sigla UE é aquilo que será melhor para os povos do continente. Contudo, no final, o seu verdadeiro objectivo será colaborar na união do mundo inteiro sob um governo único. Governos regionais, como os da União Europeia, são vistos como um degrau intermédio para um verdadeiro governo global. (3). Como muito se tem escrito, os globalistas têm a esperança de um dia fazer a gestão de uma economia global única usando uma nova moeda global. Num artigo de opinião recente, o ex-bigwig da UE Javier Solana fez a seguinte declaração:

“Uma efectiva e verdadeira governança global será o horizonte que a humanidade deve perseguir hoje com todas as suas energias. Isto pode parecer dificil de atingir, mas ainda assim, assim será. Mas isto não será nada que possa ser feito com pessimismo. O desafio dos riscos de um governo global não é menor que o desafio de prevenir o “fim da história” – não como a plácida apoteóse da vitória da democracia liberal global, mas como meio para evitar o pior colapso colectivo que podemos imaginar”

Gente como Solana acredita piamente que se conseguirmos unir o mundo inteiro isso trará uma nova era de paz e prosperidade. Muita dessa gente acredita que se eles conseguirem formar 10 ou 12 “uniões regionais” primeiro, eventualmente estarão habilitados a obter desses governos regionais a concordância para formar um “super-Estado gigante global”. Globalistas como Solana (4) estão convencidos que o farão para bem da humanidade. Acreditam verdadeiramente que a guerra e a pobreza podem ser erradicadas se estivermos todos sob a tutela de um governo gigante. Mas como temos visto no passado, a partir da maior amplitude que as Uniões conseguam, o resultado que se obtém é que as piores tiranias tendem a regressar. Olhando para um “governo único mundial” pode parecer uma boa ideia para alguns grupos, mas a verdade é que essa entidade ocuparia o palco da maior opressão que jamais foi vista antes. Todos aqueles que amam a liberdade e a democracia deverão opôr-se a 100 por cento aos “Estados Unidos da Europa” e devem em definitivo opôr-se 100 por cento a um “Governo Mundial Único” (5)

(original no blogue O Fim do Sonho Americano)
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segunda-feira, agosto 22, 2011

cadê o nosso quinhão no esbulho da Líbia seus facinoras incompetentes?

o editorialista do Público queixa-se amargamente da triste tradição nacional de laxismo no que toca ao abocanhar bens alheios que permitam manter a untuosa prosápia das elites governantes portuguesas e seus serventuários da opinião escrita. Em causa está o rasto do 13º Fundo mais rico do mundo, criado em 2005 pela Autoridade Líbia no valor de 70 mil milhões de euros, dos quais entre nós apenas o BCP congelou uma conta no valor de uns míseros 14 milhões. Por contraste com o parlamento suiço que anunciou a expropriação de 570 milhões, da Turquia com 490 milhões e da Holanda que com extrema benemerência "ofereceu" 100 milhões desse dinheiro à Organização Mundial de Saúde para mandar lamber as feridas ás vítimas que se declarem pró-invasão capitalista... (ler o editorial)

Obviamente, o governo português sabe muito bem qual a parte que lhe toca no saque, só que não o quer tornar público para mal-azar do mal-amanhado articulista... ou não fosse o português Jose Filipe Moraes Cabral, por via da participação activa de Portugal na agressão da NATO, o presidente do Comité da ONU de Sanções à Libia (UNSC)


Rumo ao "sucesso catastrófico" em termos de destruição das estruturas de mais um país: "Cronologia do conflito na Líbia: desde as "revoltas" da oposição até à finalidade da intervenção militar estrangeira"

No caracteristico jargão do Exp(r)esso todo este complot é "aviado" sob o genérico "o ministro dos negócios estrangeiros português reuniu com os empresário líbios para estudar as várias possibilidades de cooperação que existem ao nível da "amizade, cooperação económica e ajuda humanitária" (conferir)
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quarta-feira, agosto 10, 2011

Debt Deal

“Em última análise, [na necessidade da América de conter a URSS e não deixar que o comunismo alastrasse para Ocidente], a vontade e o poder económico e militar americano fizeram a “Europa”, como hoje o desinteresse e o declínio americano a desfazem” – Pulido Valente elabora a história de uma “Europa desnecessária, mas o cronista discorre apenas sobre a parte que é visivel para o consciente do senso comum difundido pelos meios de comunicação. Sobre a parte oculta, inconsciente (Jung), porque a desconhecem, as pessoas não podem pronunciar-se... quer dizer, que o declinio americano para ser perceptivel não pode continuar a ser tratado a nivel geo-estratégico territorial de um país ou união de Estados, mas como sendo obra de uma casta minúscula de multimilionários transnacionais apostados em dar o mais fabuloso golpe de conquista de todos os séculos.

As 6 Maiores Mentiras sobre o Défice dos Estados Unidos

Enquanto o défice dos EUA está a um dos mais altos níveis de sempre em termos de produto interno bruto, o pagamento de juros para todo o ano de 2011 sobre os 14,3 triliões de défice público está situado nuns meros 430 biliões de dólares. Este valor é apenas 18 por cento superior aos 364 biliões pagos no ano de 1998, enquanto a economia dos Estados Unidos teve um crescimento próximo de 30 por cento desde então. A bússula dos pagamentos do governo dos EUA aponta hoje para a necessidade de pagamentos mais baixos, mas o efeito prático da baixa do serviço da dívida face ao incremento da economia é que essa percentagem em relação ao PIB é a mais baixa em muitas décadas

Quais são as verdadeiras causas da dívida e do défice dos Estados Unidos?

São, antes de mais nada, os pacotes de resgate multi-bilionários de dólares que foram impressos e entregues a Wall Street para suprir as perdas nos jogadores financeiros nas derrocadas em Bolsa a partir de 2008, a constante escalada dos custos das guerras e do militarismo, as imensas isenções fiscais às empresas multinacionais, o vertiginoso aumento de custos dos serviços de saúde e dos medicamentos incrementados sistematicamente pelas companhias de seguros e pelas multinacionais farmacêuticas...
E quais são os bodes expiatórios? São os direitos adquiridos das redes de apoio social, a segurança social, os serviços de prestação sanitária e tudo o que envolva custos que não sejam miltares: saúde e educação pública, habitação social, transportes colectivos, energia, desenvolvimento autárquico, gastos com o ambiente, ciência, etc. E são bodes expiatórios porque não constituem as fontes da contínua escalada das dívidas e dos défices... (Rebelion)

Sob este pano de fundo, a Câmara de Representantes aprovou, com 269 votos a favor e 161 contra, o acordo de bloco central entre Republicanos, Casa Branca e Democratas de cortes na despesa e de aumento do tecto da dívida. Metade da bancada democrata votou contra e Paul Krugman considera que se trata de uma catástrofe a vários níveis”. De facto é uma mera jogada eleitoral, até 2013 não haverá cortes significativos na despesa e a dívida continuará a crescer. É uma situação catastrófica para a economia global mas por outros motivos: porque o presidente Obama é um mercenário que exerce o cargo ao serviço de interesses de mega-empresas privadas, da rede de banksters internacionais e das oligarquias nacionais mancomunadas que atraiçoam os seus próprios povos.

O presidente Obama, como o presidente Bush, o presidente Clinton e o Papá Bush, são todos mercenários que prestam serviço a essa rede oligárquica privada que detêm a rede de emissão de dinheiro que são os Bancos da Reserva Federal, rede de “agências” pseudo oficiais, mas de facto privadas, que nada tem a ver com os interesses sociais que seria suposto os governos defenderem. Os investidores norte americanos continuam a pagar juros irrisórios sobre empréstimos de capital (0,25%) enquanto, devido à exportação da dívida do Império os juros disparam em flecha nas periferias (6,7,8,10% ou mais) e a concessão de crédito se torna cada vez mais dificil pela retirada de capitais dos investimentos públicos.

O acordo sobre o défice agora concertado nos EUA num clima de embuste e fabricação de animosidade partidária é de facto um golpe dos bilionários visando a tranformação dos serviços públicos em áreas de negócio privado em seu benefício. O negócio obtido pelo acordo entre os blocos centrais sobre austeridade atingirá os mais pobres que, manipulados por canais de televisão e partidos populistas neoconservadores acabam por agir contra os seus próprios interesses.
George Monbiot: “Parcialmente como resultado do programa de cortes de impostos de George Bush em benefício do patronato em 2001, 2003 e 2005 (vergonhosamente mantido por Barack Obama) a tributação sobre os rendimentos, nas palavras de Obama, “está ao mais baixo nivel do último meio século”. A consequência de politicas tão retrógadas é um nivel de desigualdade até agora desconhecido entre as nações desenvolvidas. Como o laureado com o nóbel Joseph Stiglitz observou: “nos últimos dez anos os rendimentos do 1 por dento dos mais ricos subiu 18%, enquanto os rendimentos dos trabalhadores do terciário caíram 12%. Depois das deslocalizações das indústrias que desarmaram as classes oprerárias no Ocidente, esta é apenas mais uma faceta da declaração de guerra dos governos contra as classes médias

Na verdade o processo de concentração capitalista em curso, não nasceu agora com a “crise”, é um processo que começou há muito (1). Numa passagem do livro“A Audácia da Esperança” (Audacity of Hope) Obama, ainda antes de ser eleito, elogia efusivamente o herói da sua infância, Ronald Reagan: “Reagan correspondeu à ânsia de ordem dos Estados Unidos, à nossa necessidade de crer que não estamos simplesmente submetidos a forças cegas, impessoais, mas que podemos confrontar os nossos destinos individuais e colectivos, sempre que soubermos redescobrir as virtudes do trabalho duro, patriotismo, responsabilidade pessoal, optimismo e fé”. Como sucedia na economia das tribos primitivas os “boys” da escola de Chicago voltam a ser guiados pela Fé.
Quer dizer que Obama já estava debitando o mantra dos ultra liberais neocons inclusivamente ainda antes de entrar na sala Oval para assinar despachos. Enquanto se mascaravam os discursos de excelsa oratória com visões progressistas, os decisores que investiram Obama estão a obter agora o que sempre quiseram desde o principio (2). Durou pouco até se perceber que o individuo não era aquilo que parecia. Num discurso pronunciado em Novembro de 2008, portanto antes de tomar posse do cargo, e muito antes de que os défices orçamentais se convertessem num problema, Obama leu a seguinte passagem: “A nossa economia está encurralada num círculo vicioso: a recessão a partir de Wall Street significa um novo apertar de cinto para as familias e para os negócios particulares... teremos que estudar minuciosamente o nosso orçamento federal, linha por linha, e também proceder a cortes e sacrifícios significativos” – isto explica porque se escolheu dois dos executivos perdedores e responsáveis pelo que estava a acontecer em Wall Street em 2008 para dirigir o gabinete de economia de Obama: Lawrence Summers (que antes fez parte da equipa de Clinton) e Timothy Geithner. Foi a primeira grande recompensa de Obama a Wall Street depois da rede financeira o ter “eleito”. (Mike Whitney - CounterPunch)

(1) Em 1961 o presidente Dwight Eisenhower pronunciou no seu discurso de despedida uma famosa advertência sobre o poder desmedido do Complexo Industrial Militar. Segundo o seu biógrafo Geoffrey Perret o rascunho preparado para ser lido por Eisenhower continha o termo “Complexo-Militar-Industrial-Congressista” para marcar o papel negativo que o Congresso desempenha(va) como correia de transmissão do poder da ndústria militar. Porém no último momento o presidente preferiu eliminar a referência ao poder legislativo do Congresso para não irritar demasiado a opinião pública. De facto resulta muito caro para a população em geral ser-se imperialista. Se fosse hoje Eisenhower teria deixado a referência ao Congresso no seu discurso, uma vez que com este acordo o Congresso declara abertamente a guerra contra o seu povo, obedecendo aos designios dos 5 por cento da população mais rica do país. Embora, como se vê, Washington tenha declarado guerra ao seu povo desde há muito tempo.
(2) O acordo entre republicanos e democratas cria um Comité bipartidário no Congresso que fica encarregado de estatuir 1,5 biliões de redução adicional de despesa até ao final deste ano. Para alcançar esse objectivo o Comité considera necessária a pilhagem dos fundos da segurança social e a criação de um “plano de ajuda social de emergência” para os mais miseráveis (tal e qual está determinado ser feito em Portugal pelo governo Passos-Portas) e uma reforma tributária que aumente as receitas do Estado: menos impostos para a pagar pelos patrões com a redução da TSU e a compensação com o aumento do IVA a pagar por toda a gente. O plano é suposto continuar com os cortes até 2013, se entretanto a população não se decidir começar a incendiar todas as instalações relacionadas com a economia que tenham porta aberta para a rua


segunda-feira, agosto 01, 2011

breve história de mais um especulador de peso nos “mercados”, talvez ex-aquo com o especulador principal

"A minha avó dizia que o que tinha acontecido antes da chegada aos Estados Unidos pertencia ao passado e, por isso, vivi sem ter de me relacionar com a pesada herança judaica. Ser judeu era, para mim, mais uma forma de ser América" (Philip Roth)

as Obrigações do Tesouro do Estado de Israel. Artigo publicado apenas em língua inglesa e hebraica (na Wikipedia)

Os “State of Israel Bonds” são titulos de divida emitidos pelo Governo de Israel. São também um dos nomes mais familiares dos subscritores de Bonds nos Estados Unidos. A companhia emissora é oficialmente conhecida como Corporação de Desenvolvimento para Israel (DCI, Development Corporation for Israel). O quartel general da DCI está situado na cidade de New York e a companhia é uma correctora de bolsa registada pela Entidade Reguladora da Indústria Financeira norte americana (FINRA, Financial Industry Regulatory Authority). Joshua Matza, um ex-deputado do Parlamento de Israel (Knesset) por dezoito anos, ex-presidente da Câmara de Jerúsalem e ministro da saúde no governo de Benjamin Netanyahu, exerceu funções como presidente da supracitada correctora DCI desde Março de 2002 até ser nomeado para as funções governamentais que actualmente exerce. A DCI é também um dos membros da Corporação de Protecção e Segurança dos Investidores (SIPC, Securities Investor Protection Corporation).

A venda de titulos financeiros de Israel converteu-se num negócio de abrangência global. Somados aos títulos dos Estados Unidos, são vendidos no Canadá através da Canada-Israel Securities Limited, na América Latina e na Europa através da Israel Bonds International. As vendas tiveram um incremento notável desde a emissão inicial do Dia da Independência e excedem agora um total de 32,4 biliões de dólares espalhados por todo o mundo.
Recentemente celebrou-se o 60º Aniversário da organização emissora de bonds. Na comemoração da efeméride a “Israel Bonds” publicou a sua história oficial, intitulada Not Just A Bond: A Bond With Israel, detalhando a evolução da multi-bilionária empresa que comercializa emissão de dívida em dólares pelo mundo inteiro. No posfácio do livro o Presidente Shimon Peres saúda a criação da “State of Israel Bonds” como “um capítulo vital da História de Israel